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- Quando o controle de peso deixa de ser saudável e passa a funcionar como uma

psicopatologia?

Quando a busca pela perda de peso é exagerada e obsessiva, onde pensamentos e
atos ocupa muito tempo do dia, coloca-se a felicidade só após conseguir tal objetivo, se
tornando algo que move a vida e causa sofrimento tanto para o paciente, como para a
família, levando a prejuízos físicos pela deficiência de calorias e nutrientes podendo levar
a morte.

- Em que faixa etária há a prevalência dessas patologias aumenta?

A prevalência maior da Anorexia nervosa e bulimia nervosa é entre adolescentes e
adultos jovens e principalmente o sexo feminino.

- Do ponto de vista nutricional, as pessoas vão comendo menos porque perdem o
apetite ou sofrem porque sentem fome e não comem?

Os pacientes comem menos por desejo extremo em reduzir o peso e controlar a
fome, em muitos momentos sentem fome, porém relatam prazer por conseguir controlar
esse sinal fisiológico e recusar o alimento, em alguns períodos podendo passar mais de 1
dia sem comer. Esse fato acontece com maior frequência em pacientes com anorexia
nervosa e quando acontece com pacientes com bulimia nervosa resulta em compulsão
alimentar geralmente.

- Como é reintroduzida a alimentação imaginando uma menina colaboradora
avisada de que corre o risco de morrer?

O atendimento nutricional aos transtornos alimentares é realizado com base no
aconselhamento e educação nutricional, priorizando o vínculo com o paciente, a escuta
de seu medos e questões importantes, sem pré-julgamentos e sem cobranças, não
trabalhamos com prescrição de planos alimentares, pois são contra indicados para esse
público, por se tratarem de fatores precipitantes e mantenedores. O foco do tratamento
não é o peso e sim estabelecer um contato adequado com a comida e a alimentação
saudável. É necessário para o tratamento que as visitas ocorram em um intervalo menor,
com atendimentos semanais.
Utilizamos como ferramenta o diário alimentar para percebermos como o paciente
se alimenta e também para que ele se perceba e se analise, trabalhamos atividades
educativas abordando vários temas, alimentação saudável, nutrientes, mitos alimentares,
consequências de purgações, restrições, compulsões e etc. Tudo isso no intuito de
conscientizá-lo e motivá-lo a mudar. Trabalhamos com metas a cada atendimento de
acordo com a capacidade de cada paciente em seguir e de acordo com a necessidade e
prioridade do momento.




- Essa perda de peso assustadora reflete uma grande modificação no organismo.
Quais são os órgãos que mais sofrem com essa privação de alimentos?

São várias as complicações clínicas, envolvendo alterações endócrinas,
metabólicas, ósseas, hidroeletrolíticas, hematológicas, cardiovasculares, pulmonares,
renais, gastrointestinais e neurológicas.

- A bulimia é uma doença mais fácil de tratar?

Não, cada sujeito é um ser único e responde ao tratamento de forma diferente, em
geral as pacientes anoréxicas costumam ser mais radicais com o controle alimentar,
adquirindo muitas aversões e exclusões em comparação as pacientes bulímicas, porém,
depende muito do tempo que o paciente tem a doença, da faixa etária, colaboração da
família, são vários os fatores envolvidos para a melhor adesão e prognósticos desses
pacientes ao tratamento.


- Como fazer para que as pessoas controlem o peso sem cair nesses casos
extremos?

São várias as causas dos transtornos alimentares, envolvendo (predisposições
genéticas, socioculturais e vulnerabilidades biológicas e psicológicas) afetando não só a
alimentação, mas o emocional do sujeito, essas pessoas muitas vezes já possuem a
predisposição por vários fatores já citados e a influência da mídia para ter um corpo
magro, a pressão em relação a beleza, o estímulo constante a fazer dietas da moda
contribui para o desenvolvimento desses transtornos, também é comum esses pacientes
fazerem parte de uma família desestruturada.

Portanto, a prevenção desses transtornos exige maior conscientização do
problema pela população em geral, órgãos públicos e profissionais da área da saúde para
que haja mudanças e criação de estratégias para a promoção de hábitos alimentares e de
atividade física saudáveis, promoção da auto estima, satisfação corporal e educação
sobre os padrões de beleza e diversidades de formas e tamanhos corporais.


Por:
Ana Paula Queirós
Nutricionista, coordenadora do PRONUTRA- UNIFOR







PRONUTRA

O PRONUTRA (Programa Interdisciplinar de Nutrição aos Transtornos Alimentares
e Obesidade) foi fundado em 2005. O ambulatório foi idealizado pelo curso de Nutrição da
Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e é um programa de extensão vinculado a Vice-
Reitoria de Extensão.
Destina-se ao cuidado ambulatorial interdisciplinar de pessoas que apresentam
transtornos alimentares (Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa, Transtorno da Compulsão
Alimentar Periódica – TCAP e Transtorno Alimentar não especificado).

O programa atende aos usuários do SUS de todo o Estado no Núcleo de Atenção
Médica Integrada (NAMI) da Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Para ter acesso ao
serviço, primeiramente, é agendada uma triagem com profissionais treinados e experien-
tes nesta área temática. Caso seja detectado o transtorno alimentar, o paciente será ad-
mitido no programa e assistido por uma equipe interdisciplinar composta por extensionis-
tas em Nutrição, Psicologia e Psiquiatria sob supervisão.

O tratamento é realizado semanalmente pela psicologia e nutrição. O atendimento
nutricional é realizado no ambulatório de Nutrição do NAMI, com duração média 40 min e
não utiliza prescrição dietética, sendo todo pautado na educação nutricional, seguindo
assim, as recomendações da American Dietetic Association. O acompanhamento psicoló-
gico é realizado no Serviço de Psicologia Aplicada- SPA também no NAMI e conta com
diversas abordagens psicológicas. Os atendimentos são individuais e a duração média da
sessão é de 50 minutos. O acompanhamento médico com os residentes em Psiquiatria é
realizado mensalmente, mas poderá ter sua periodicidade alterada, caso o profissional
responsável julgue necessário. Essa é uma parceria com a residência em Psiquiatria do
Hospital Mental de Messejana.

Uma vez por semana, todos os profissionais que compõem a equipe se reúnem
para discutir os casos clínicos em andamento e traçar os respectivos planos terapêuticos,
fazendo com que o paciente tenha, de fato, suas necessidades atendidas de forma inte-
gral. Os responsáveis atualmente pelo programa são Ana Paula Queirós (Nutricionista),
Raquel Barsi (Psicóloga) e David Martins (Psiquiatra).

Serviço:
O PRONUTRA funciona no Ambulatório de Nutrição do NAMI, no térreo. Para ser atendi-
do, o paciente deve entrar em contato pelo telefone 3477 3621 e inscrever seu nome na
lista de espera para triagem. Os atendimentos aos pacientes acontecem às segundas e
quartas-feiras à tarde (13:30h – 17:00h).
Email: pronutra@unifor.br