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2 - Brincadeira - Fenómeno universal da espécie humana
1.2.1 - Universalidade Vs Diversidade
Todo o ser é resultado das suas predisposições genéticas, em conjunto com a
sua história individual e a cultura em que se desenvolve. A brincadeira é uma
característica importante da espécie e, a predisposição biológica para tal comportamento
está relacionada com as pressões de seleção presentes no ambiente em que a espécie
proliferou (Lordelo e Carvalho, 2006). Este é um fenómeno universal característico da
espécie, no entanto este conceito de universalidade integra não só os fatores culturais,
como a diversidade deste comportamento; o brincar é expresso em cada cultura, de uma
forma particular, refletindo as características ambientais específicas dessa mesma
cultura (Gosso, 2004).
Numa perspetiva evolutiva, o brincar é caraterizado por ser um comportamento
adaptado e adaptativo (Hansen, Macarini, Martins, Wanderlind & Vieira, 2007), na
medida em que, ao longo dos tempos, tem-se mostrado como um comportamento
comum a todos os membros da espécie (adaptado), mas analisado num período de
tempo mais curto, este varia na sua forma, no local em que ocorre, nos parceiros e ainda
nos brinquedos utilizados (Morais, 2004).
Nos estudos sobre a brincadeira e a relevância desta para o desenvolvimento
infantil, tem-se vindo a verificar o quão é importante ter em conta os aspetos
relacionados com as especificidades de cada cultura, as definições e os referenciais
teóricos a serem utilizados, bem como a escolha dos critérios de identificação desta
atividade.
Quando se fala na universalidade deste fenómeno, como referido
anteriormente, remete-se ao facto de ser uma atividade comum a todas as todas as
crianças de diferentes culturas, mas também por apresentar uma certa estabilidade no
processo de desenvolvimento e aquisição da brincadeira, que segundo Piaget (1990), se
iniciam com os jogos de exercício, seguidos dos jogos simbólicos e por fim, os jogos de
regras. A brincadeira, numa perspetiva evolutiva, é considerada como uma "atividade
intrinsecamente motivada" (Lordelo & Carvalho, 2006 pp.100), determinada pela
história ontogenética de cada criança, ou seja, comportamentos adaptativos numa
determinada fase do desenvolvimento, tendem a desaparecer; a forma e os interesses das
brincadeiras vão-se modificando ao longo do desenvolvimento social, cognitivo, físico e
emocional dos que brincam (Hansen et al, 2007).
Tal como referido anteriormente, os estudos sobre a brincadeira devem ter em
conta as especificidades culturais em que ocorre, pois, é vista como um fenómenos
cultural (Huizinga, 2000), e é esta particularidade que a torna diversificada: nas formas
de brincar (tipos e parceiros de brincadeira), nos objetos manipulados e nas regras que
os regulam (Lordelo & Carvalho, 2006).



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Lordelo, E. &Carvalho, A. (2006). Padrões de parceria social e brincadeira em
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Hansen, J., Macarini, S., Martins, G., Wanderlind, F. & Vieira, M. (2007). O brincar e
suas implicações para o desenvolvimento infantil a partir da psicologia evolucionista.
Revista Brasileira Crescimento e Desenvolvimento Humano. volume 17 (2). pp. 133-
143.