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Prof.

Nilson Bispo

Química II
Departamento de Química e Ambiental
Dúvidas:Sala306 -Lab Tec Ambiental
nilson.bispo@gmail.com

AULA- COMBUSTÃO




BIBLIOGRAFIA

LIVRO - QUÍMICA TECNOLÓGICA
(disponível na biblioteca).
APOSTILA COMBUSTÍVEIS –
QUÍMICA II (INTRANET)

OBS: Os exercícios sobre essa 1ª parte estão no final desse
material. Foram retirados do livro QUÍMICA TECNOLÓGICA
Plano de curso




Combustão- Aspectos teóricos
1. Definição e Composição volumétrica ou molar;
2. Gases residuais ou fumos
3. Cinzas;
4. Energia de ativação;
5. Reações mais importantes no processo de combustão;
6. Tipos de combustão;
7. Oxigênio teórico, ar teórico e ar em excesso;
8. Cálculos estequiométricos da combustão- EXERCÍCIOS
Estudo térmico da combustão
1. Temperatura de ignição;
2. Poder calorífico de combustíveis;
3. Cálculo do poder calorífico: modelos matemáticos empíricos-
EXERCÍCIOS
Temperatura teórica de combustão (TTC)
1. Cálculo da temperatura teórica de combustão
2. Fatores que influenciam a temperatura teórica de combustão
3. EXERCÍCIOS – Cálculos de TTC
O que iremos ver nessa 1ª parte
Todos os combustíveis reagem com um comburente e
essas reações são chamadas de reações de COMBUSTÃO.
Essas reações têm papel fundamental na vida do homem
pois são fontes de energia térmica. Esta energia térmica
pode ser transformada em outros tipos de energia e
também podem transformar materiais.
O que é exatamente combustão?
A combustão é um processo exotérmico onde uma
substância, COMBUSTÍVEL, reage com uma substância
COMBURENTE.
COMBUSTÃO E COMBUSTÍVEIS
COMBUSTÃO
COMBUSTÃO: É uma reação química com o oxigênio
(comburente), com a conversão de energia química em
energia térmica. O combustível é, geralmente, o carbono ou
um composto de carbono (hidrocarbonetos e compostos
orgânicos).
Reações de combustão completa:

Exemplos de combustão completa:
Ex.: Hidrocarboneto:
CH
4
(g) + 6/2 O
2
(g) → CO
2
(g) + 4/2 H
2
O(g)
C
4
H
10
(g) + 18/2 O
2
(g) → 4 CO
2
(g) + 10/2 H
2
O(g)

Ex.: Compostos oxigenados -Monoálcoois
C
2
H
6
O (g) + 6/2 O
2
(g) → 2CO
2
(g) + 6/2 H
2
O(g)
CH
4
O (g) + 3/2 O
2
(g) → CO
2
(g) + 4/2 H
2
O(g)

Ex.: Carbono:
C (s) + O
2
(g) → CO
2
(g)

COMBUSTÃO



Do ponto de vista tecnológico: COMBUSTÍVEL é todo
material capaz de gerar energia, por combustão, de forma
econômica.

Para que a combustão possa se processar de maneira
tecnicamente viável:
deve ser conduzida rápida e controladamente;
necessário energia de ativação – atingida através da
temperatura de ignição.

Seleção de um combustível:
critérios técnicos;
critérios do ponto de vista qualitativo, quantitativo
e de mercado.
COMBUSTÍVEIS - “ A química que move o mundo”



UM BOM COMBUSTÍVEL:

possui bom PODER CALORÍFICO (relação calor
produzido/massa de combustível);

baixo nível de impurezas (critério qualitativo);

deve ser abundantemente encontrado na
natureza (critério quantitativo);

deve ser produzido e comercializado a preços
razoáveis e competitivos (critérios de mercado)
COMBUSTÍVEIS
CLASSIFICAÇÃO DOS COMBUSTÍVEIS (quanto ao estado de
agregação):




COMBUSTÍVEIS
COMBUSTÃO – ASPECTOS TEÓRICOS
Esquema dos
componentes
do sistema de
“combustão”
 A combustão é uma reação de óxido-redução, sendo o
combustível o “redutor” e o oxigênio (comburente) o “oxidante”. Há
conversão da energia potencial de um combustível em energia
térmica útil.
 A fonte de oxigênio é o “ar atmosférico”, cuja composição
“percentual em volume” ou em “moles”, pode ser considerada
como:
COMBURENTE (OXIGÊNIO) 20,99%
 GASES INERTES (NITROGÊNIO E GASES RAROS) 79,01%
COMBUSTÃO – ASPECTOS TEÓRICOS
 Composição volumétrica ou molar do “ar atmosférico seco”:
OXIGÊNIO 21,0%
 GASES INERTES (NITROGÊNIO E GASES RAROS) 79,0%
Obs: devido as pequenas frações dos outros gases,
considera a massa molar dos gases inertes (N
2
e outro
gases) igual a 28 g·mol
-1
.
Ex.: Em 100 L de “ ar atmosférico seco” temos 21 L de oxigênio e 79
L de N
2
ou que em 100 moles de “ ar atmosférico seco” temos 21
moles de O
2
e 79 moles de N
2
.
• 1 L de O
2
no “ ar atmosférico seco” corresponde a 79/21 = 3,76 L
de N
2
, ou que 1 mol de O
2
corresponde a 3,76 moles de N
2
.
 Composição em massa do “ ar atmosférico seco”
OXIGÊNIO 23,2% em peso
NITROGÊNIO 76,8% em peso
COMBUSTÃO – ASPECTOS TEÓRICOS
 GASES RESIDUAIS OU FUMOS
 Da reação dos elementos químicos que compõem os
combustíveis com o O
2
são produzidos: CO
2
, SO
2
, CO,
juntamente com vapor de H
2
O;
 esses gases são denominados de gases residuais ou
fumos;
 Podemos considerá-los em “base seca” (não se
considera o vapor de água presente), ou em “base úmida”;
 importante conhecer a composição dos gases residuais
para o controle da combustão – proporção do CO
2
;
 Podem apresentar temperaturas elevadas, dispondo
assim de uma quantidade de calor ainda utilizável, “calor
sensível dos fumos”;
 Calor sensível dos fumos x calor latente dos fumos.
COMBUSTÃO – ASPECTOS TEÓRICOS
 CINZAS
 Resíduos sólidos da combustão de um combustível sólido;
 Cinzas de um carvão mineral: INTRÍNSECAS ou
ACIDENTAIS;
 AS CINZAS são formadas pelo resíduo inorgânico que
permanece após a combustão do carvão mineral;
 Magnésio , silicatos de alumínio, FeS
2
(pirita de ferro),
carbonatos de cálcio e de magnésio, cloretos etc.
 Energia de ativação
 A combustão necessita de uma energia de ativação, que
é conseguida pela elevação de T em um ponto do
combustível. Como a reação de combustão é exotérmica , o
processo se torna auto-ativante até a extinção completa do
combustível.
COMBUSTÃO – ASPECTOS TEÓRICOS
 REAÇÕES MAIS IMPORTANTES NO
PROCESSO DE COMBUSTÃO

1. C + (O
2
+ 3,76 N
2
) → CO
2
+ 3,76 N
2

2. H
2
+ ½ (O
2
+ 3,76 N
2
) → H
2
O + 3,76/2 N
2

3. S + (O
2
+3,76 N
2
) → SO
2
+ 3,76 N
2

4. S + 3/2 (O
2
+ 3, 76 N
2
) → SO
3
+ 5,64 N
2
5. C(grafite) + CO
2
(g) → 2CO(g) (endotérmica)
6. CO(g) + ½ O
2
→ CO
2

COMBUSTÃO – ASPECTOS TEÓRICOS
A reação de combustão se dá em “fase gasosa”. O
combustível líquido é evaporado previamente e a reação
de combustão se efetua entre o vapor do líquido e o O
2
,
intimamente misturados. Nos sólidos, a combustão ocorre
na interface sólido-gás, devendo haver difusão do O
2

através dos gases que envolvem o sólido para atingir a
superfície do sólido.
 Tipos de combustão :
 Dependente das quantidades proporcionais de
combustível e de oxigênio (comburente):
 INCOMPLETAS, TEORICAMENTE
COMPLETAS E PRATICAMENTE COMPLETAS.
COMBUSTÃO – ASPECTOS TEÓRICOS
 INCOMPLETAS: aquela que se realiza com
insuficiência de oxigênio (quantidade de oxigênio
inferior à quantidade estequiométrica) para
oxidar completamente o combustível;
PRATICAMENTE COMPLETAS: quando se realiza
com uma quantidade de oxigênio maior do que a
estequiometricamente necessária para completa
oxidação do combustível.
 TEORICAMENTE COMPLETAS: quando se realiza
com a quantidade estequiométrica de oxigênio
para oxidar completamente a matéria combustível;
COMBUSTÃO – ASPECTOS TEÓRICOS
 OXIGÊNIO TEÓRICO:
O
2
teórico = O
2
para combustão completa - O
2
do combustível
 AR EM EXCESSO: uma combustão completa não
pode ser obtida na prática a menos que se use
uma quantidade de ar maior do que a
teoricamente necessária.
 AR TEÓRICO: quantidade de ar que contenha a
quantidade de “oxigênio teórico”:
V (ar teórico)= V (O
2
teórico) / 0,21 ou
nº mols (ar teórico) = nº mols (O
2
teórico) / 0,21
COMBUSTÃO – ASPECTOS TEÓRICOS
 AR EM EXCESSO:
 “ar realmente usado ou ar real” é a quantidade de ar
efetivamente empregada na combustão, apresentando
quantidade de ar acima da quantidade teórica.
Quantidade de ar real
=
quantidade de ar teórico + quantidade de ar em excesso
Por que utilizar excesso de ar?
 devido a dificuldade de obter um contato íntimo
entre o ar e os gases combustíveis ou partículas de
combustíveis;
 evitar deslocamento do equilíbrio químico para a
esquerda (sentido do CO e H
2
);
COMBUSTÃO – ASPECTOS TEÓRICOS
 AR EM EXCESSO:
 a quantidade de ar em excesso é expressa em
porcentagem ACIMA da quantidade de ar teórico. Ex.:
Considerando uma quantidade de 30% de ar em excesso,
temos:
Ar em excesso = 30/100 * (Ar teórico)
Ar real = Ar teórico + 0,30*(Ar teórico) = 1,30 * (Ar teórico)
De igual modo,
Oxigênio real = 1,30* (Oxigênio teórico)
Obs: Deve-se usar uma porcentagem correta de ar para que
haja eficiência máxima de combustão.
•Se usarmos muito ar em excesso: o ar extra se aquecerá à
custa do calor de combustão => perda de calor sensível nos
gases residuais.
• Se usarmos pouco ar em excesso: combustão incompleta.
COMBUSTÃO – ASPECTOS TEÓRICOS
 AR EM EXCESSO:
 A porcentagem ótima de ar em excesso depende do
tipo de combustível, da construção da instalação e das
condições de operação. Pode-se estimar essa % ótima de
ar em excesso dentro de uma faixa, de acordo com o
estado físico do combustível:

 Combustíveis gasosos : 5 a 30 % de ar em excesso;

 Combustíveis líquidos: 20 a 40 % de ar em
excesso;

 Combustíveis sólidos: 30 a 100% de ar em excesso.
CÁLCULOS ESTEQUIOMÉTRICOS DA
COMBUSTÃO
 Necessidade de se conhecer as quantidades
envolvidas em um processo de combustão;
 Determinar essas quantidades através da
estequiometria das reações de combustão;
 Uso de balanços materiais para determinar as
quantidades de combustível, ar, fumos e cinzas;
 Passos:
1. escolha do sistema–local onde se realiza a
combustão;
2. adotar uma base de cálculo;
3. estabelecer balanços de massa em numero
suficiente para determinação necessária.
CÁLCULOS ESTEQUIOMÉTRICOS DA
COMBUSTÃO
 Considerar que os gases envolvidos comportam-
se como gases ideais ( P próximas a atmosférica);
 TIPOS DE CÁLCULOS REALIZADOS
1. calcular a quantidade de ar teoricamente
necessária e de ar real para combustão
completa do combustível;
2. cálculo da composição e do volume dos
fumos da combustão;
3. cálculo da % de ar em excesso utilizada em
uma combustão, em razão da análise de
Orsat dos fumos da combustão.
CÁLCULOS ESTEQUIOMÉTRICOS DA COMBUSTÃO
Exemplo 1 (TIPO 1): Cálculo da quantidade de “ar
teoricamente necessário” e de “ar real” para a
combustão completa de combustíveis:
a) Para combustíveis gasosos
Exemplo1.a: O gás liquefeito de petróleo (GLP)
apresenta 50% em volume de gás propano
(C
3
H
8
) e 50% em volume de gás n-butano
(C
4
H
10
). Considerando que a combustão seja
completa, calcular o volume de ar teórico
necessário para a combustão de 1 L de GLP, a
27° C e 700 mmHg.
Resp: 27,4 L de ar teórico a 27°C e 700 mmHg (nas mesmas condições da mistura GLP).
Razão Ar:combustível= 27,4 L de ar (27°C e 700 mmHg)/1 L GLP ( 27°C e 700 mmHg)
CÁLCULOS ESTEQUIOMÉTRICOS DA
COMBUSTÃO
a) Para combustíveis gasosos
Exemplo2.a: Uma mistura gasosa combustível
apresenta a seguinte composição volumétrica:
CH
4
= 40%; C
2
H
6
= 30%; CO=20% e CO
2
=10%.
Considerando a combustão completa de 1 L a
CNTP com 10% de ar em excesso, determinar o
volume de ar real a 20°C e 760 mmHg para a
combustão de 1 L desta mistura gasosa.
Resp: 11,0 L de ar real a 20°C e 760 mmHg
Razão ar:combustível = 11,0 L de ar real (20°C e 760 mmHg)/1 L de mistura
combustível ( a CNTP)
CÁLCULOS ESTEQUIOMÉTRICOS DA
COMBUSTÃO
a) Para combustíveis gasosos
Exemplo3.a: Uma mistura gasosa combustível
apresenta a seguinte composição volumétrica:
CH
4
= 50%; C
2
H
6
= 40% e O
2
=10%.
Considerando a combustão completa a CNTP
com 15% de ar em excesso, determinar o
volume de ar real (a CNTP) para a combustão
de 1 m
3
dessa mistura gasosa (a CNTP).
Resp: 12,6 m
3
de ar real a CNTP
Razão ar:combustível = 12,6 m
3
de ar real a CNTP /1 m
3
de mistura combustível
( a CNTP)
CÁLCULOS ESTEQUIOMÉTRICOS DA
COMBUSTÃO
b) Para combustíveis líquidos
Exemplo1.b: Um combustível líquido
constituído por carbono e hidrogênio deve ser
queimado com 20% de ar em excesso. A
composição em peso do combustível é a
seguinte: Carbono = 80% e Hidrogênio (20%).
Determinar o volume, a 27°C e 700 mmHg, de
ar real a ser utilizado na combustão completa
de 1 kg do líquido combustível.
Resp: 17,8 m
3
de ar real a 27°C e 700 mmHg
Razão ar:combustível = 17,8 m
3
de ar real a 27°C e 700 mmHg /1 kg de
combustível

CÁLCULOS ESTEQUIOMÉTRICOS DA
COMBUSTÃO
b) Para combustíveis líquidos
Exemplo2.b: O etanol C
2
H
5
OH apresenta a seguinte
composição em peso:
Carbono= 52,2%; Hidrogênio=13,0% e Oxigênio=34,8%.
Considerando a combustão completa, calcular a
quantidade de ar real a 27°C e 760 mmHg,
utilizada na combustão de 1 kg de etanol,
sabendo-se que a combustão se dará com 20% de
ar em excesso.
Resp: 9,15 m
3
de ar real a 27°C e 760 mmHg
Razão ar:combustível = 9,15 m
3
de ar real a 27°C e 760 mmHg /1 kg de
combustível

CÁLCULOS ESTEQUIOMÉTRICOS DA COMBUSTÃO
c) Para combustíveis sólidos
Exemplo 1.c. Consideremos um carvão mineral cuja composição
química, em percentagem de peso, é a seguinte:
Componente % peso
Carbono 74,0
Hidrogênio 5,0
Oxigênio 5,0
Nitrogênio 1,0
Enxofre 1,0
Umidade 9,0
Cinza 5,0
Determinar a quantidade volumétrica de ar real necessária para a
combustão de 1,0 kg desse carvão mineral, considerando 50% de
excesso de ar, em condições de 27°C e 700 mmHg.
Resp: V
ar real
=13,9 m
3
de ar real a 27°C e 700 mmHg
Razão ar:combustível = 13,9 m
3
de ar real a 27°C e 700 mmHg/1,0 kg de carvão
mineral

CÁLCULOS ESTEQUIOMÉTRICOS DA COMBUSTÃO
c) Cálculo do volume dos fumos (gases residuais)
Exemplo c.1. Uma mistura gasosa combustível apresenta
a seguinte composição em volume:
CH
4
= 40%; C
2
H
6
= 30%; CO=20% e CO
2
=10%.
Considerando a combustão completa de 1,0 L a CNTP com 10%
de ar em excesso, determinar o volume de fumos desprendidos (a
127°C e 760 mmHg) e a composição volumétrica desses gases
residuais (fumos) em base úmida e seca.
Dados: V
ar real
= 10,2 L (a CNTP)
V
O2 teórico
=1,95 L (a CNTP)
Resp: 16,5 L de fumos a 127°C e 760 mmHg
Razão fumos:combustível = 16,5 L de fumos a 127°C e 760 mmHg /1 L de mistura
combustível a CNTP
Em base úmida: %CO
2
= 11,5; %H
2
Ov=15,0; %N
2
=71,7; %O
2
=1,72
Em base seca: %CO
2
=13,5 ; %N
2
=84,4; %O
2
=2,03


ESTUDO TÉRMICO DA COMBUSTÃO
 Os principais objetivos da combustão de
combustíveis carbonáceos são:
 geração de vapor de água;
 aquecimento de fornos ou espaços;
 produção de trabalho por meio de motor de
combustão interna ou turbina a gás.
Para obter a quantidade máxima de calor em um processo
de combustão deve-se:
a) assegurar que a combustão do combustível seja
completa;
b) utilizar uma quantidade mínima de ar em excesso.
ESTUDO TÉRMICO DA COMBUSTÃO
 TEMPERATURA DE IGNIÇÃO
Nenhuma substância “queimará” a não ser
que seja aquecida a uma temperatura
suficientemente elevada para permitir que a
velocidade de sua reação com o oxigênio
exceda um valor crítico, onde se libera calor
pela reação mais rapidamente do que se perde
ao ambiente.
A reação torna-se auto-suficiente. Essa T
necessária é conhecida como TEMPERATURA DE
IGNIÇÃO.
ESTUDO TÉRMICO DA COMBUSTÃO
 TEMPERATURA DE IGNIÇÃO
É a temperatura em que os
materiais, desprendendo gases,
entram em combustão (se
incendeiam) ao contato com o
oxigênio do ar,
independentemente de qualquer
fonte de calor, por já estarem
aquecidos.
Unidades de energia
A unidade SI para energia é o joule, J.

Algumas vezes utilizamos a caloria em vez do joule:
1 cal = 4,184 J (exatos)

Caloria é a quantidade de calor necessária para elevar a
temperatura de 1,0 g de água pura de 1,0 °C, entre 14,5°C e
15,5°C.

Em unidades inglesas: BTU (British Thermal Unit)
BTU é a quantidade de calor necessária para elevar a
temperatura de 1,0 libra de água de 60°F a 61°F.

1.000 cal = 1 kcal
Tópicos importantes



A entalpia é uma propriedade extensiva (a ordem de grandeza do AH
é diretamente proporcional à quantidade de reagente):

CH
4
(g) + 2O
2
(g) ÷ CO
2
(g) + 2H
2
O(l) AH = -890 kJ
2CH
4
(g) + 4O
2
(g) ÷ 2CO
2
(g) + 4H
2
O(g) AH = ÷1780 kJ
A variação na entalpia para uma reação depende do estado dos reagentes e
produtos:
H
2
O(g) ÷ H
2
O(l) AH = -44 kJ


CH
4
(g) + 2O
2
(g) ÷ CO
2
(g) + 2H
2
O(g) AH = -846 kJ
AH = q
A variação de ENTALPIA,AH,iguala-se ao calor
absorvido ou perdido a P=cte.
A variação de entalpia que acompanha uma reação
química é chamada de ENTALPIA DE REAÇÃO OU CALOR
DE REAÇÃO.

ESTUDO TÉRMICO DA COMBUSTÃO
 PODER CALORÍFICO DE COMBUSTÍVEIS
“O poder calorífico de qualquer substância é uma medida do
calor que pode ser obtido pela queima dessa substância.”
Quando um combustível é queimado, desenvolve-se calor,
e a quantidade de calor é proporcional a massa do
material queimado.
A quantidade de calor liberado por unidade de massa não é a mesma
para todas as substâncias.
Poder Calorífico-Definição 1: quantidade de calor liberada por
unidade de massa (ou volume para combustíveis gasosos) de um
combustível, quando queimado completamente, em uma dada T
(normalmente 18 °C ou 25°C), sendo os produtos da combustão
(CO
2
, H
2
O, etc) resfriados até a temperatura inicial (18°C ou 25°C )
da mistura combustível.
ESTUDO TÉRMICO DA COMBUSTÃO
 PODER CALORÍFICO DE COMBUSTÍVEIS
Ou seja: o PCS é obtido quando se considera que toda água
nos fumos esteja no estado líquido, e o PCI é obtido quando
se considera que toda a água nos fumos esteja no estado de
vapor.
Poder calorífico superior ou bruto (PCS): poder
calorífico definido pela definição 1 e que inclui o calor
liberado pela condensação de toda a quantidade de água
presente nos gases residuais (fumos).
Poder calorífico inferior ou líquido (PCI): obtido
deduzindo do poder calorífico superior o calor latente liberado
pela condensação e resfriamento de toda a água presente nos
produtos da combustão (fumos), incluindo a água previamente
presente no combustível (umidade).
ESTUDO TÉRMICO DA COMBUSTÃO
 PODER CALORÍFICO DE COMBUSTÍVEIS
Poder calorífico a pressão constante: calor liberado na
combustão que se processa a pressão constante;

Poder calorífico a volume constante: calor medido
quando a combustão se processa dentro de recipiente de
volume constante.
Temos então,
PCI = PCS - L·(m
H
2
O nos fumos
)

Sendo L o calor latente de condensação da água a 18°C.
L=0,586 Kcal/g.
Logo, PCI = PCS - 0,586*(m
H
2
O nos fumos
)


PCI = PCS - 0,586·(m
H
2
O nos fumos
)
PCI = PCS - L·(m
H
2
O nos fumos
)
ESTUDO TÉRMICO DA COMBUSTÃO
 PODER CALORÍFICO DE COMBUSTÍVEIS
Unidades do Poder calorífico:
Kcal·kg
-1
, Kcal·mol
-1
, Kcal·kmol
-1
1,0 Kcal·Kmol
-1
=1.000 Kcal·mol
-

BTU·kg
-1
Kcal·m
-3

BTU·ft
-3

Quando se dá o poder calorífico de um combustível, torna-se
importante indicar as condições sob as quais foi medido
experimentalmente: pressão constante, a volume constante, indicação
das características do combustível (seco, úmido, com ou sem cinzas).
Geralmente os dados numéricos de leitura referem-se a P constante
igual a 1,0 atmosfera e temperaturas de 18°C a 25°C.
ESTUDO TÉRMICO
DA COMBUSTÃO
PODER CALORÍFICO DE
COMBUSTÍVEIS
ESTUDO TÉRMICO DA COMBUSTÃO
 CÁLCULO DO PODER CALORÍFICO
Apesar do valor correto do poder calorífico ser obtido
por meio de CALORÍMETROS, pode-se determinar um
valor aproximado por métodos termoquímicos ou
empíricos.
1) A partir da composição do combustível e dos calores
de combustão das frações combustíveis:
Sabendo-se a composição do combustível, molar ou em
massa, determinam-se as quantidades de calor desprendidas
pela combustão das frações combustíveis. A soma dessas
quantidades representará o valor aproximado do poder
calorífico.
 CÁCULO DO PODER CALORÍFICO
2) Por modelos matemáticos empíricos:
- Para carvões minerais, pode-se utilizar a equação de
Dulong, que permite calcular o poder calorífico superior
(PCS) a partir dos dados da análise elementar, para carvões
com mais de 76% de carbono e menos de 90% de carbono.
PCS (Kcal·kg
-1
) = 81,4·C + 345· (H – O/8) + 25·S
Onde C, H, O e S são as porcentagens, na base “úmida” de carbono, hidrogênio,
oxigênio e enxofre, do carvão mineral.
PCI(Kcal·kg
-1
) =81,4·C + 290· (H – O/8) + 25·S – 6·H
2
O
O PCI pode ser obtido efetuando a subtração entre o PCS e o calor latente
de condensação de toda a água presente nos fumos , ou usar a expressão:
Onde H
2
O é a soma das % peso da H
2
O combinada (se existir) e da umidade (se
existir) presente no combustível.
PCS (Kcal·kg
-1
) =8070·C + 34550· (H – O/8) + 2248·S
Outra expressão utilizada, sendo C,H,O e S em frações em peso:
ESTUDO TÉRMICO DA COMBUSTÃO
 CÁLCULO DO PODER CALORÍFICO
2) Por modelos matemáticos empíricos:
O modelo de Gouthal também é utilizada para determinar o
poder calorífico de carvões minerais, utilizando os dados da
“análise imediata”, fornecendo valores satisfatórios para
carvões com baixo teor de oxigênio.
PCS (Kcal·kg
-1
) =82·CF + A·MV
Onde CF e MV são a porcentagem de carbono fixo na base úmida
e a porcentagem de matéria-volátil na base úmida.
O Fator A depende da % de MV na base seca e sem cinzas.
MV’’ = MV *1/(1 – (U+Z))

ou MV’’ = MV *(100/[100 – (U+Z)])

2) Por modelos matemáticos empíricos:
O modelo de Gouthal
MV’’ = MV *(1 – (U+Z))
-1
ou MV’’ = MV *(100/[100 – (U+Z)])

ESTUDO TÉRMICO DA COMBUSTÃO
 CÁLCULO DO PODER CALORÍFICO
PCS (Kcal·kg
-1
) =82·CF + A·MV
CÁLCULO DO
PODER
CALORÍFICO
EXEMPLO1:
Resolução: Como a mistura é gasosa => o PCI será dado em Kcal/m
3
(CNTP)
A quantidade de calor liberada pela queima de 1m
3
de mistura gasosa, considerando os calores de
combustão das reações dadas, dará diretamente o PCI.
• BASE DE CÁLCULO: 1.000 L ( 1,0 m
3
) na CNTP, logo teremos a composição da mistura:
VC
3
H
8
=0,60*1000 L= 600 L e VC
4
H
10
=0,40*1.000 L= 400 L

• Na CNTP, o volume molar de qualquer gás é 22,4 L/mol,logo:
n
C3H8
= 600 L/(22,4 L/mol)=26,8 mols e n
C4H10
=400 L/(22,4 L/mol)=17,9 mols
Como temos os calores de combustão do propano e do n-butano, se houver a queima dessas
quantidades molares, haverá desprendimento de calor igual a:
Q= 26,8 mols C
3
H
8
/1m
3
mistura * 488,53 Kcal/mol + 17,9 mols C
4
H
10
/1m
3
mistura*635,38Kcal/mol
=> Q=24.465 Kcal/m
3
mistura gasosa ou PCI= 24.465 Kcal/m
3
mistura gasosa

Outra forma resolução: Se tomarmos 1,0 mol de mistura gasosa como BASE DE CÁLCULO:
n
C3H8
= 0,60*1,00= 0,60 mol E n
C4H10
=0,40*1,00 =0,40mol
Q=0,60 mols C
3
H
8
* 488,53 Kcal/mol + 0,40 mols C
4
H
10
/1m
3
mistura*635,38Kcal/mol =>
Q=547,3 Kcal/ mol de mistura gasosa
22,4 L ---- 547,3 Kcal
1.000 L ------PCI => PCI=24.433 Kcal/m
3
de mistura gasosa.
CÁLCULO DO
PODER
CALORÍFICO
EXEMPLO2:
Resolução: O poder calorífico será dado em Kcal/kg carvão mineral => Base de cálculo=1000 g de
carvão, logo teremos:
C=780 g => nC=780/12=65,00 mols
H2=60 g => nH
2
=60/2= 30,00 mols
O2=70 g => nO
2
=70/32=2,19 mols
N
2
=30 g => nN
2
=30/28=1,07 mols
S=20 g=> nS=20/32=0,62 mols
Cinza=40 g
Frações combustíveis: C(carbono), H2 livre e o S (enxofre). Reações de combustão dessas frações:
C + O
2
=> CO
2
+ 96,70 Kcal/mol
H
2
+ ½ O
2
=> H
2
O (liq) + 63,32 Kcal/mol
H
2
+ ½ O
2
=> H
2
O (vapor) + 57,80 Kcal/mol
S + O
2
=> SO
2
+ 72,00 Kcal/mol
Q do carbono: QC=65,00 mols C* 96,70 Kcal/mol C = 6285,5 Kcal
Q do H2: Como há oxigênio, então uma parte do H2 estará combinado com o oxigênio, na proporção
estequiométrica:
CÁLCULO DO
PODER
CALORÍFICO
EXEMPLO2:
Resolução:
Q do carbono: QC=65,00 mols C* 96,70 Kcal/mol C = 6285,5 Kcal
Q do H2: Como há oxigênio, então uma parte do H2 estará combinado com o oxigênio, na proporção
estequiométrica:
n(H
2
combinado)=2mols H2/1 mol O2*2,19 molsO2=4,38 mols H2 combinado
N(H
2
livre) = n(H2 total) – n(H2 combinado) = 30,00 – 4,38 = 25,62 mols H2 livre combustível
Q (H
2
livre) = 25,62 mols * 68,32 Kcal/mol = 1750,4 Kcal
Q do S= 0,62 mols* 72,00 Kcal/mol = 44,6 Kcal
Então, o PCS tomando como base 1,0 kg de carvão:
PCS = QC + Q (
H2
livre) + Q S = (6285,5 + 1750,4 + 44,6) Kcal= 8080,5 Kcal/ kg de carvão
E o PCI? Deve-se considerar que a água nos fumos oriundas da queima do H2 e existente no
combustível deve evaporar e sair na forma de vapor =>
Q(C)= 6285,5 Kcal
Q(H2 livre)=25,62 mols * 57,8 Kcal/mol=1480,8 Kcal
Q (S)= 44,6 Kcal
Como a água formado devido o H2 combinado deve evaporar-se também e tomando o calor latente
de evaporação a 18°C como 586 cal/g:
CÁLCULO DO
PODER
CALORÍFICO
EXEMPLO2:
Resolução:
E o PCI? Deve-se considerar que a água nos fumos oriundas da queima do H
2
e existente no
combustível deve evaporar e sair na forma de vapor =>
Q(C)= 6285,5 Kcal
Q(H
2
livre)=25,62 mols * 57,8 Kcal/mol=1480,8 Kcal
Q (S)= 44,6 Kcal
Como a água formado devido o H2 combinado deve evaporar-se também e tomando o calor latente
de evaporação a 18°C como 586 cal/g:
Massa H
2
O correspondente ao H
2
combinado com o O
2
= 4,38 mols *18 g/mol= 78,84g
Q (evaporação)= 78,84 gH2O* 586 cal/gH
2
O*1Kcal/1000 cal=46,2 Kcal.
Logo, o PCI será:

PCI= Q(C)+Q (H
2
livre) + Q (S)+Q(evaporação)= (6285,5 +1480,8+ 44,6 - 46,2) Kcal= >
=>PCI=7764,7 Kcal/kg de carvão
Podemos usar: PCI = PCS – mH2O(fumos) * L (calor latente de evaporação)
PCI= 8080,5 Kcal/kg de carvão - 30,00 mols H
2
O*18 gH
2
O/mol *10
-3
* 586 Kcal/kgH
2
O =7764 Kcal/kg
de carvão
Um carvão mineral apresenta a seguinte análise elementar:
Carbono= 66,6% peso; Hidrogênio (livre)= 3,2% peso
Nitrogênio=1,4 % peso; Enxofre = 0,5% peso
Água combinada =9,5% peso ; Umidade = 9,6% peso
Cinza= 9,2% peso
Utilizando os calores de combustão das frações combustíveis, determinar o
poder calorífico superior (PCS) e o poder calorífico inferior (PCI) desse carvão.
Resolução:
Base de cálculo: 1,00 kg de carvão mineral => PCI e PCS =Kcal/kg de carvão mineral
mC=666 g => nC= 666/12= 55,5 mols
mH
2
=32 g => nH
2
=32/2=16,0 mols
mN
2
=14 g=> nN
2
=14/28=0,50 mols
mS=5 g => nS=5/32 =0,15 mols
mH
2
O=95 g => nH
2
O=95/18=5,27 mols (água combinada)
mH
2
O=96=> nH
2
O=96/18=5,33 mols (umidade)
O hidrogênio dado é o H
2
livre ou combustível.
PCS: considerar os calores de combustão do C, H
2
(produzindo água líquida) e enxofre e as
quantidades molares dos mesmos em 1,0 kg de carvão:
PCS=55,5 mols C * 96,7 Kcal/mol C + 16,0 *69,32 Kcal/mol H
2
+ 0,15 mols S* 72 Kcal/mol S=>
¬ PCS=6470 Kcal/kg de carvão mineral
E o PCI?
Considerar a reação do H2 que forma água no estado vapor e descontar das quantidades de calor
liberada, a quantidade de calor necessária para evaporar a água combinada e a umidade:
PCI = PCS - mH2O a evaporar* L =>
¬ PCI = (55,5* 96,7 + 16* 57,8 + 0,15*72) Kcal - (95+96)gH2O*10
-3
*586 Kcal/KgH2O = 6190
Kcal/kg de carvão mineral
CÁLCULO DO
PODER
CALORÍFICO
EXEMPLO3:
EXEMPLO 4:
Considerando a análise elementar do carvão mineral do exemplo3 acima,
determinar o PCS e o PCI utilizando a expressão de Dulong.
Um carvão mineral apresenta a seguinte análise elementar:
Carbono= 66,6% peso; Hidrogênio (livre)= 3,2% peso
Nitrogênio=1,4 % peso; Enxofre = 0,5% peso
Água combinada =9,5% peso ; Umidade = 9,6% peso
Cinza= 9,2% peso
CÁLCULO DO
PODER
CALORÍFICO
Resolução:
Equação de DULONG:

PCS= 8070*C + 34550 * (H - O/8) + 2248*S [Kcal/kg]
Onde C , H, O, e S representam as frações das porcentagens em peso.
Nesse caso o O já foi representado como H2O combinada,logo a expressão (H – O/8) utiliza o valor do
hidrogênio livre.
Substituindo os valores:
PCS = 8070 * 66,6/100 + 34550*3,2/100 + 2248*0,50/100 = 6491 Kcal/kg carvão mineral

O PCI será:
PCI = 81,4 *% C + 290 * % H2O livre + 25 * % S – 6H2O [Kcal/kg ]
PCI= 81,4 * 66,6 + 290 * 3,2 + 25 * 0,50 - 6* 19,1 = 6247 Kcal/kg carvão mineral.

Podemos usar também essa outra expressão para o PCI:
PCI = 8070 *C + 29000 * (H – O/8) + 2248 *S -600 H2O = >
PCI= 8070* (66,6/100) + 29000 * (3,2/100) + 2248 * (0,50/100) - 600* (19,1/100) = 6199 Kcal/kg
carvão mineral.

EXEMPLO 5:
Uma carvão mineral apresenta a seguinte análise imediata:
Umidade= 9,6 %; Matéria volátil (MV)=30,8%; Carbono fixo=50,4% e Cinza=9,2%
Utilizando a expressão de Gouthal, estabelecer uma estimativa do PCS desse
carvão mineral.
CÁLCULO DO
PODER
CALORÍFICO
Resolução:
Utilizando a equação de Gouthal:
Eq. de Gouthal: PCS= 82* (CF) + A*(MV)
Onde CF= 50,4 %
MV= 30,8%
O fator A deve ser determinado em tabela em relação ao valor do MV na base seca e sem cinza. Logo,
deve-se transformar a matéria volátil (MV) na base úmida para a base seca e sem cinza:
MV” = MV * [ 100/ (100 – (9,6 + 9,2))] = 37,8 %
Interpolando o valor de A na tabela, temos: A= 86
Interpolação:
MV” A
37 88
37,8 X
38 85
(88-85)/(37 – 38) = ( 88 – X) /( 37 – 37,8)
A = 85,6
Logo, PCS = 82 * 50,4 + 85,6 * 30,8 = 6769 Kcal/kg carvão mineral.


ESTUDO TÉRMICO DA COMBUSTÃO
 CÁCULO DO PODER CALORÍFICO
EXEMPLO6:
Um carvão nacional (Santa Catarina) apresenta a seguinte imediata:
Umidade (U)=2,2%
Matéria volátil =26,8%
Carbono fixo=53,3%
Cinza=17,7%
Utilizando a equação de Gouthal, estimar o PCS desse carvão.
Resp.: 6930 Kcal/kg
1-TEMPERATURA TEÓRICA DE
COMBUSTÃO (TTC)
“ É a temperatura que atingiriam os fumos de uma combustão, se
toda a quantidade de calor desprendida na combustão (poder
calorífico) adicionada à quantidade de calor sensível dos
reagentes (combustível e ar) fosse utilizada unicamente para o
aquecimento dos fumos, sem haver perdas de calor”
Temperatura teórica de combustão ou temperatura
teórica de chama:
- É praticamente impossível evitar perdas de calor em um processo
de combustão: ocorre perdas por irradiação e por aquecimento
do material onde se efetua a combustão.
- => T real de combustão < T teórica de combustão
TEMPERATURA TEÓRICA DE
COMBUSTÃO
Qual a importância da temperatura teórica de combustão?
- Sua determinação permite prever a T
máxima a que estarão sujeitos os
materiais (tijolos, metais, cerâmicas etc)
que estarão em contato com os fumos da
combustão, ou com a chama da combustão.
Temperatura teórica de combustão ou temperatura teórica de
chama
1.1-CÁLCULO DA TEMPERATURA
TEÓRICA DE COMBUSTÃO
Realização de um balanço térmico, envolvendo as quantidades de
calor que chegam/entram e que saem do sistema de
combustão. São necessários:
• quantidades molares dos reagentes (combustível e ar) e dos
produtos (fumos), obtidas por balanços materiais;
• As capacidades caloríficas molares (ou calores específicos) dos
reagentes e produtos;
• o poder calorífico do combustível ou os calores de reação.
1.1-CÁLCULO DA TEMPERATURA
TEÓRICA DE COMBUSTÃO
- Sendo o combustão realizado normalmente a P=cte, pode-se
afirmar que a quantidade de calor será igual à variação de
entalpia: Q = AH
Logo, para o balanço de energia, consideramos apenas
quantidades de calor envolvidas.
- Balanço térmico do sistema de combustão:

Q
(combustível)
+ Q
(ar)
+ Q
(combustão)
= Q
(fumos)
+ Q
(perdas)

Como para determinar a “temperatura teórica de combustão”
considera Q
(perdas)
=0, logo
Q
(combustível)
+ Q
(ar)
+ Q
(combustão)
= Q
(fumos)

1.1-CÁLCULO DA TEMPERATURA TEÓRICA
DE COMBUSTÃO
Logo, “todo calor sensível trazido pelos reagentes
(combustível e ar) mais o calor da combustão (poder
calorífico) será utilizado apenas para aquecer os fumos”
- Podemos expressar as quantidades de calor, sendo a
combustão a P=cte: Q= m·c
p
·AT

Onde c
p
= calor específico do gás, a P=cte, em cal· (g·K)
-1
Subst. m por n·M, temos: Q= n·M·c
p
·AT
onde M·c
p
=calor específico ou capacidade calorífica molar do gás, em
cal· (mol·K)
-1

Como as capacidades molares dos gases variam com a T, a expressão de
Q deve ser expressa por:



dt Mcp n Q
T
T
· =
}
2
1
1.1-CÁLCULO DA TEMPERATURA TEÓRICA DE COMBUSTÃO
O valor M·c
p
dos gases pode ser determinado por expressões
em função da T (K) : M·c
p
= a + b·T + c·T
2

c x10
-6
b x10
-3
a

1.2-EXPRESSÃO EXATA DA
QUANTIDADE DE CALOR
dt Mcp n Q
T
T
· =
}
2
1
M·c
p
= a + b·T + c·T
2

( ) ( ) ( )
(
¸
(

¸

÷ + ÷ + ÷ =
3
1
3
2
2
1
2
2 1 2
3 2
T T
c
T T
b
T T a n Q
( ) ( ) ( )
(
¸
(

¸

÷ + ÷ + ÷ =
3
3
2
2
2
2 2
291
3
291
2
291 T
c
T
b
T a n Q
Se adotarmos T
1
= 291 K (18°C):
(1)
(2)
Substituindo (1) em (2) e integrando (2):
1.2-EXPRESSÃO EXATA DA
QUANTIDADE DE CALOR
Portanto, para a determinação da temperatura teórica
de combustão, conhecidos as quantidades molares (n)
dos reagentes (combustível e do ar) e dos produtos
(fumos), deve-se substituir, para cada composto, a
expressão Q acima, no balanço térmico.
A T dos reagentes são conhecidas (geralmente) => ficam
determinadas as quantidades de calor sensível trazidas por eles ao
sistema.
A temperatura T
2
dos fumos será a incógnita da
expressão do balanço térmico, a qual será a TEMPERATURA
TEÓRICA DE COMBUSTÃO (TTC).
1.2-EXPRESSÃO EXATA DA
QUANTIDADE DE CALOR
Se os reagentes (combustível e ar) entrarem na combustão à
T=18°C, e considerando esta temperatura de referência para o
balanço térmico, as quantidades de calor dos reagentes será
igual a zero, pois T
2
=291 K. Logo, o balanço térmico fica:
Q
(combustão)
= Q
(fumos)

Obtendo-se assim, a partir do balanço térmico,
uma equação do terceiro grau, isto é, com T
3
.
=> Resolução por tentativas (iterativo) ou por
processo gráfico.
1.3-CÁLCULO APROXIMADO DA
TEMPERATURA TEÓRICA DE
COMBUSTÃO (TTC)
1ª Aproximação: Se T
3
for muito pequeno devido aos valores
muito pequenos de c, que são da ordem de 10
-6
,pode-se
desprezar o fator T
3
na expressão do balanço térmico, logo:

M·c
p
= a + b·T
( ) ( )
(
¸
(

¸

÷ + ÷ =
2
1
2
2 1 2
2
T T
b
T T a n Q
Substituindo e integrando Q, temos:
1.3-CÁLCULO APROXIMADO DA TEMPERATURA
TEÓRICA DE COMBUSTÃO (TTC)
1ª Aproximação: Se T
3
for muito pequeno devido a valores
muito pequenos de c, que são da ordem de 10
-6
,pode-se
desprezar o fator T
3
na expressão do balanço térmico, logo:

M·c
p
= a + b·T
( ) ( )
(
¸
(

¸

÷ + ÷ =
2
1
2
2 1 2
2
T T
b
T T a n Q
(
¸
(

¸

· + · =
2
2
t
b
t a n Q
se a integração for efetuada entre 0°C e t°C, a expressão para Q
torna-se:
Binômio de Mallard
Substituímos Q no balanço térmico, agrupando os termos em t e t
2
e
resolvendo a eq do 2º grau, obtemos o valor possível de t (TTC).
1.3-CÁLCULO APROXIMADO DA TEMPERATURA
TEÓRICA DE COMBUSTÃO (TTC)

2ª Aproximação: utiliza-se a capacidade molar média, ,
do gás a P=cte entre 18°C (291 K) (t
1
) e t°C (t
2
).
como :
para n=1
e
Expressão para capacidade molar média
p
Mc
dt Mcp n Q
T
T
· =
}
2
1
Q= ·AT
p
Mc
igualando as duas expressões de Q:
( )
1 2
p
2
1
Mc
t t
dt Mcp
t
t
÷
·
=
}
1.3-CÁLCULO APROXIMADO DA
TEMPERATURA TEÓRICA DE COMBUSTÃO (TTC)

2ª Aproximação: capacidade molar média, , do gás a
P=cte entre 18°C (t
1
) e t°C (t
2
).
p
Mc
interpretação
gráfica do que
representa a
capacidade
molar média

1.3-CÁLCULO APROXIMADO DA TEMPERATURA
TEÓRICA DE COMBUSTÃO (TTC)

2ª Aproximação: capacidade molar média, , do gás a
P=cte entre 18°C (t
1
) e t°C (t
2
).

p
Mc
Tomando T=18°C, como nível de referência,
o cálculo de Q será:
A área (A-B-C-D) é igual a Q do gás
quando este se aquece de 18°C até t°C
dt Mc n Q
t
C
p
· =
}
° 18
A área (A-E-F-D) dada por
(t-18) x , representa o mesmo Q
dado pelo cálculo da integral, temos
assim:



p
Mc
( ) dt Mc t Mc Q
t
C
p p
· = ÷ · =
}
° 18
18
1.3-CÁLCULO APROXIMADO DA TEMPERATURA
TEÓRICA DE COMBUSTÃO (TTC)
2ª Aproximação: capacidade molar média, , do gás a P=cte
entre 18°C (t
1
) e t°C (t
2
).

p
Mc
Tendo assim o valor de Mc
p
(médio) entre 18°C e t°C, pode-se
determinar o valor de Q( quantidade de calor necessária para aquecer
um gás de 18°C e t°C:
( ) 18 ÷ · · = t Mcp n Q
Balanço térmico para a determinação da TTC, considerando um gás
combustível pré-aquecido à temperatura t
1
e ar pré-aquecido à
temperatura t
2
:
( ) ( ) ( ) ( ) 18 18 18
2 1
÷ · · = + ÷ · · + ÷ · ·
¿
TTC Mc n Q t Mc n t Mc n
(i)
p i ) (combustão
(ar)
p ar
(gás)
p gás
( ) ( ) 18 ÷ · · =
¿
TTC Mc n Q
(i)
p i ) (combustão
Para o caso do combustível e comburente (
ar ou O
2
puro) entrarem na combustão à
temp de 18°C (sem-aquecimento).
i=cada componente dos fumos (CO
2
, CO,
H
2
O, O
2
, N
2
, etc.)
1.3-CÁLCULO APROXIMADO DA TEMPERATURA
TEÓRICA DE COMBUSTÃO (TTC)

Obs: Como o valor do de cada componente gasoso dos fumos
depende da TTC que é a incógnita principal da equação do balanço
térmico.
-Usamos o processo de tentativas, adotando-se valor para TTC e
determinamos em tabela os valores de , até obter Q no
primeiro membro.
-Usamos um método gráfico;
Veremos esses dois métodos nos exercícios.

p(i)
Mc
p(i)
Mc
TEMPERATURA TEÓRICA DE COMBUSTÃO (TTC)
FATORES QUE INFLUENCIAM A TEMPERATURA TEÓRICA DE
COMBUSTÃO
Referência: valor da TTC de um combustível com a quantidade
“teórica” de ar .
O valor da TCC desse combustível poderá aumentar ou diminuir pela
influência de alguns fatores:
 aumento da TTC
 Uso de oxigênio puro como comburente: o uso de O
2

puro evita introduzir N
2
na combustão (retira calor da
combustão para se aquecer => diminui Q disponível para
elevar a T dos outros gases residuais (fumos). Quando se
deseja elevada T e que seja econômico usar o O
2
puro, deve-se
utilizá-lo como comburente, Ex.: maçarico oxiacetilênico.
TEMPERATURA TEÓRICA DE COMBUSTÃO (TTC)
FATORES QUE INFLUENCIAM A TEMPERATURA TEÓRICA DE
COMBUSTÃO
 aumento da TTC
Pré-aquecimento do ar: o pré aquecimento do ar de
combustão é bastante utilizado para ELEVAÇÃO DA TTC. Pode-
se efetuar também o pré-aquecimento de um gás ou mistura
gasosa combustível. Observando no balanço térmico, pré-
aquecer o ar/combustível (calor sensível acima de 18°C)
aumenta a quantidade de calor disponível para o aquecimento
dos fumos, logo, elevando a temperatura destes. Emprega-se
recuperadores de calor para o pré-aquecimento do ar de
combustão.
TEMPERATURA TEÓRICA DE COMBUSTÃO (TTC)
FATORES QUE INFLUENCIAM A TEMPERATURA TEÓRICA DE
COMBUSTÃO
 Diminuição da TTC
Excesso de ar: Se for utilizado um excesso de ar (excesso
exagerado) a TTC tende a diminuir. Isso ocorre devido ao
aquecimento do O
2
em excesso e pela grande quantidade de
N
2
introduzida na combustão. Quanto maior a quantidade de
ar em excesso, menor será a TTC.
 Diminuição da TTC
Dissociação dos produtos de combustão: equilíbrio
químico envolvendo as reações de combustão em altas T. Uma
parte do calor será perdida devido as reações de reforma do
combustível a partir da dissociação dos produtos.
TEMPERATURA TEÓRICA DE COMBUSTÃO (TTC)
TEMPERATURA REAL DE COMBUSTÃO
 A temperatura real de combustão será sempre
INFERIOR à TTC para um determinado combustível,
já que no cálculo da TTC considera-se como não
havendo perdas de calor através do sistema de
combustão, o que não acontece na prática, pois parte
do calor de combustão vai ser utilizada para aquecer
o material (tijolos, metais etc) em contato com a
chama,e parte ainda se perde por irradiação e
convecção.
temperatura real de combustão < TTC
LISTA DE EXERCÍCIOS
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