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Regime jurídico do tombamento

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1. Considerações preliminares
:
O direito de propriedade foi consolidado, na Revolução Francesa, como uma das manifestações mais
defendidas de cidadania. Entretanto, percebeu-se com o tempo, que o direito de propriedade, apesar de ser um
direito essencialmente individual, não poderia ser tão priorizado a ponto de sufocar outros direitos (inclusive de
outras pessoas desprovidas de propriedade).
Em virtude disto surgiu a idéia de função social da propriedade como aperfeiçoamento conceitual do regime
tradicional, e enquanto princípio segundo o qual somente o trabalho legitima propriedade. Este princípio sedia-se na
CF justamente por que o próprio direito de propriedade sedia-se na Carta, cabendo ao direito civil apenas a sua
regulamentação, bem assim as disposições referentes às relações entre os particulares.
2. Conceito de cultura :
Consoante Gomes Canotilho, numa abordagem normativo constitucional, é " tradição, que deve ser
garantida e defendida, é tarefa e inovação, que exige a nomeação, que exige a promoção positiva da criação
e fruição cultural por parte do Estado e de outras estruturas autônomas"
[1]
.

3. Objeto do tombamento :
O objeto, consoante está na CF é o patrimônio cultural, cuja noção está explicitada no art. 216,
abaixo citado.
Leme Machado elogia o conceito de patrimônio cultural dado pela CF, pois permite uma proteção
dinâmica e adaptável às contingências e transformações da sociedade
[2]
.

Segundo Gomes Canotilho, citado por Fiorillo e Rodrigues, quando se tutela o meio ambiente
cultural, o objeto imediato de proteção relacionado com a qualidade de vida é o patrimônio cultural de um
povo.
O art. 1º do DL nº 25/37 determinava que o patrimônio histórico e artístico nacional é o conjunto de
bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua
vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou
Publicado em 02/2002
Maxwell Medeiros de Morais
J us Navigandi
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etnográfico, bibliográfico ou artístico. Entretanto este conceito foi substituído pelo que consta na
CF, art. 216
[3]
.

Assim, percebe-se que, segundo Fiorillo e Rodrigues, independentemente de os bens terem sido
criados por intervenção humana (ou de outros fatores), são passíveis de serem protegidos, desde que
existente o nexo vinculante do bem em questão com a identidade, a ação e a memória dos diferentes
grupos formadores da sociedade brasileira, para que possa ser tombado, até porque os incisos previstos
no art. 216 da CF não constituem um rol taxativo de elementos, e sim numerus apertus foram colocados no
referido artigo, visto que a própria expressão " nas quais se incluem" denota esta característica, pois outros
bens integrantes do patrimônio cultural podem existir sem que tenham sido citados.
Outra demonstração da amplitude do referido conceito está na referência a grupos formadores da
sociedade brasileira, até porque nossa nação é constituída de muitas raças. É relevante ressaltar que tanto
pode ser protegido e preservado como patrimônio cultural um bem individual ou um conjunto de bens.
Sobre a noção de patrimônio cultural há também a Convenção Relativa à Proteção do Patrimônio
Mundial, Cultural e Natural, adotada em Paris, em 23/11/72, e ratificada no Brasil pelo Decreto nº 80.978, de
12/12/77, consoante a qual considera-se como patrimônio cultural :
" – os monumentos naturais constituídos por formações físicas e
biológicas ou por grupos de tais formações, que tenham valor universal excepcional do ponto de
vista estético ou científico;
- as formações geológicas e fisiográficas, e as áreas nitidamente delimitadas que constituam o
habitat de espécies animais e vegetais ameaçadas e que tenham valor universal excepcional do ponto de
vista da ciência ou da conservação;
- os lugares notáveis naturais ou as zonas naturais nitidamente delimitadas que tenham valor
universal excepcional do ponto de vista da ciência, da conservação ou da beleza natural"
[4]
.

O art. 3º do DL nº 25 exclui os bens que não podem ser objeto de Tombamento (ou seja, que
excluem-se do patrimônio histórico e artístico nacional), que são as obras de origem estrangeira :
- que pertençam às representações diplomáticas ou consulares acreditadas no país;
- que adornem quaisquer veículos pertencentes a empresas estrangeiras que façam carreira no
país;
- consistentes em bens adquiridos por sucessão de estrangeiro e situados no Brasil;
- pertencentes a casas de comércio de objetos históricos ou artísticos;
- que sejam trazidas para exposições comemorativas, educativas ou comerciais;
- que sejam importadas por empresas brasileiras expressamente para adorno dos respectivos
estabelecimentos" .
Apesar de :
- a Constituição Federal incluir no Patrimônio Cultural Brasileiro sítios de valor paisagístico, e que
tal patrimônio poderá ser protegido por tombamento; e de
Dr.º Meirelles nos alerta que o tombamento não é instrumento adequado para a preservação da
fauna e da flora, sendo equívoco proceder-se com esta finalidade, pois as florestas são bens de interesse
comum e estão sujeitas ao regime legal especial estabelecido pelos seguintes diplomas legais:
- Código Florestal (Lei 4771 de 15/9/65), que indica o modo de preservação de determinadas áreas
florestadas;
- Código de Caça (Lei 5197 de 3/1/67);
- Código de Pesca Decreto-lei 221 de 28/6/67.
Assim, segundo ele, a preservação das florestas e da fauna há de ser feita com a criação de parques
nacionais, estaduais, municipais ou de reservas biológicas, como permite expressamente o Código
Florestal (art. 5º).
4. Conceito de tombamento :
Conforme Lúcia Valle Figueiredo, tombamento é o " o ato administrativo, por meio do qual a
Administração Pública manifesta sua vontade de preservar determinado bem"
[5]
, e que por ser ato
administrativo, necessita de lei anterior (definidora do bem preservado) para validá-lo.
Consoante o Departamento do Patrimônio Histórico do Município de São Paulo (que publicou a
- o DL nº 3365 dispor em seu art. 5º que " consideram-se casos de utilidade pública [para efeito de
desapropriação para manutenção de tombamento, grifo nosso]:
(...)
l) a preservação e conservação dos monumentos históricos e artísticos, isolados ou integrados em
conjuntos urbanos ou rurais, bem como as medidas necessárias a manter-lhes e realçar-lhes os aspectos
mais valiosos ou característicos e, ainda, a proteção de paisagens e locais particularmente dotados pela
natureza [griso nosso]" .
seguintes obra " Tombamento e Participação Popular" ): " tombamento é um ato administrativo realizado pelo
poder público com o objetivo de preservar, através da aplicação de legislação específica, bens de valor
histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo que
venham a ser destruídos ou descaracterizados"
[6]
.
Segundo Flávio Queiroz Bezerra Cavalcanti
[7]
, é " o ato pelo qual o Poder Público de clara o valor
especial de coisa ou lugar e a necessidade de sua preservação" , valor este que deve ser histórico,
paisagístico, científico, cultural, artístico, turístico ou ambiental, face à sociedade governada pela entidade
estatal tombadora.
Consoante Maria Zanella Di Pietro, " o tombamento é a modalidade de intervenção do Estado na
propriedade privada, que tem por objetivo a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional, assim
considerado, pela legislação ordinária"
[8]
o constante no art. 1º do DL nº 25, de 30/11/37
[9]
, e que se
instrumentaliza enquanto " procedimento administrativo pelo qual o Poder Público sujeita a restrições
parciais os bens de qualquer natureza cuja conservação seja de interesse público, por sua
vinculação a fatos memoráveis da história ou por seu excepcional valor arqueológico ou etnológico,
bibliográfico ou artístico"
[10]
. Segundo ela, trata-se de um procedimento administrativo por se tratar de uma
sucessão de atos preparatórios essenciais à validade do ato final, que é a inscrição no Livro do Tombo.
O mestre Hely Lopes Meirelles dizia que " tombamento é a declaração pelo Poder Público do valor
histórico, artístico, paisagístico, turístico, cultural ou científico de coisas ou locais que, por essa razão,
devam ser preservados, de acordo com a inscrição em livro próprio"
[11]
.

No entender de Odete Medauar, tombamento significa " ato administrativo pelo qual se declara o
valor histórico, artístico, paisagístico, arqueológico, cultural, arquitetônico de bens, que por isso, devem
ser preservados, conforme as características indicadas no livro próprio"
[12]
.

Na visão de Diogenes Gasparini, tombamento é " submissão de certo bem, público ou particular, a
um regime especial de uso, gozo, disposição, ou destruição em razão de seu valor histórico, artístico,
paisagístico, arqueológico, científico ou cultural"
[13]
. Segundo ele, o fundamento da atribuição de tombar
exercida pela administração pública é tríplice : lega, constitucional e política, sendo que o fundamento
político reside no domínio eminente reconhecido e exercido pelo Estado sobre todas as coisas, bens e
pessoas situados em seu território, já o constitucional consta no art. 216, §1º da CF, enquanto o legal
consta no DL nº 25/37.
Conforme Celso Ribeiro Bastos, a expressão tombamento é oriunda do direito português, derivando
da palavra tombar, que significa inventariar, arrolar ou inscrever. Segundo Del Olmo
[14]
, a origem está no
latim, na expressão " tumulum" , que designava arquivo, depósito.
Consoante Diogo de Figueiredo Moreira Neto, o tombamento consiste na " intervenção ordinatória e
concreta do Estado na propriedade privada, limitativa do exercício de direitos de utilização e de disposição,
gratuita, permanente e indelegável, destinada à preservação, sob regime especial, dos bens de valor
cultural, histórico arqueológico, artístico, turístico e paisagístico"
[15]
.

Para o referido autor, o instituto do tombamento tem por base o valor da cultura, que está positivado
nos seguintes dispositivos :
" Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da
cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
§ 1º - O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e
das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.
§ 2º - A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes
segmentos étnicos nacionais" .
O instituto está explicitamente previsto no seguinte dispositivo :
Art. 216. § 1º - O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o
patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação,
e de outras formas de acautelamento e preservação" .
5. Processo (administrativo) de tombamento :
Segundo Hely Lopes Meirelles, a abertura do processo de tombamento se dá por deliberação do
órgão competente, abertura esta que surte efeitos imediatos (de caráter acautelarório, que se não fossem
previstos, poderiam ser tutelados por medida cautelar na minha humilde opinião, já que estariam presentes
a fumaça do bom direito consistente na preservação de um bem pertinente à memória cultural ou natural, e
o perigo de mora consistente na possibilidade de violação da inteireza do bem a ser protegido).
Maria Zanella Di Pietro ressalta que em todas as modalidade de tombamento deve haver sempre
" manifestação de órgão técnico que, na esfera federal, é o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico
Nacional(IPHAN)"
[16]
.

Abaixo constam conceitos e particularidades procedimentais das modalidades de licitações.
Segundo Leme Machado, a deficiência na indicação das confrontações não ocasiona nulidade, pois
basta o mínimo capaz de possibilitar o proprietário a saber quais as partes de seu domínio serão
encampadas pelo tombamento. A apresentação de motivos e fundamentação do tombamento é matéria final
no processo.
A notificação é o instrumento pelo qual o proprietário tomará conhecimento do tombamento
provisório(sujeitando-se às conseqüências jurídicas de seu regime), e sabendo da abertura do processo de
tombamento, poder anuir ao tombamento ou para o impugnar.
O referido autor propõe, como modo de localização do proprietário, a efetivação da procura e,
simultaneamente, a intimação pelo Diário Oficial, o que também basta para a constituição do tombamento
provisório.
Segundo ele, a contestação pode versar principalmente sobre o valor cultural e natural do bem
tombado e da necessidade da medida, pontos estes que deverão ser respondidos (no prazo de 15 dias) pela
Administração Pública, até porque o tombamento é um ato de discricionariedade técnica.
Inexistindo impugnação, ou sendo intempestiva, poderá ser ordenado o tombamento pelo Ministro
da Cultura.
6. Modalidades de tombamento :
6.1. Quanto à eficácia :
- Tombamento provisório, é aquele decretado no início do processo, e que configura efeitos
imediatos equiparados ao tombamento definitivo, exceto no que toca ao registro no cartório imobiliário e ao
direito de preferência reservado ao Poder Público. Dr.º Meirelles ainda nos chama atenção para o fato de
que a o tombamento provisório não pode ser protelado além do prazo legal, pois se este for excedido, a
omissão ou retardamento configuraria abuso de poder, e portanto sujeito a correção judicial. Segundo
Abelha Rodrigues e Pacheco Fiorillo, esta modalidade só seria possível em caso de via jurisdicional ou
executiva de constituição do tombamento;
- definitivo : segundo Fiorillo e Rodrigues, esta é uma modalidade possível no tombamento
constituído por qualquer modo (seja executivo, legislativo ou jurisdicional). Quando o tombamento é da
iniciativa do Poder Executivo terá início quando da inscrição no livro do tombo, quando da iniciativa do
Poder Legislativo, iniciar-se-á quando do início da vigência da lei, e quando da iniciativa do Poder
Judiciário, quando da a inscrição no livro de tombo estiver protegido pela coisa julgada. Maiores
detalhamentos estão tratados abaixo.
6.2. Quanto à constituição ou procedimento :
a)Tombamento de ofício : que é o que incide sobre bens públicos (ou difusos, segundo Fiorillo e
Rodrigues), e efetua-se por determinação do Presidente do IPHAN (ou o respectivo órgão competente na
respectiva esfera governamental), havendo a necessidade da notificação da entidade a que pertencer o bem
(art. 5º do DL nº 25/37). Ou seja, segundo Di Pietro, depois de manifestação do órgão técnico, a autoridade
administrativa determina a inscrição do bem no Livro do Tombo, para que seja efetuada a referida
notificação;
b) incidente sobre bens particulares, podendo das seguintes espécies :
b.1. Tombamento voluntário (art. 7º do DL nº25/37) : que é a que ocorre quando:
1) o proprietário pede o tombamento e a coisa revestir-se dos requisitos necessários para constituir
parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional, a juízo do órgão técnico competente; ou
2) o proprietário anuir, por escrito, à notificação que se lhe fizer para a inscrição da coisa em
qualquer dos livros de tombo.
b.2. Tombamento compulsório : que se caracteriza por :
- ser da iniciativa do Poder Público, por despacho da autoridade competente (no caso do nível
federal), que é o Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural, ou, o que se dá por " provocação de outrem que
não proprietário da coisa"
[17]
;

- recusa do proprietário em concordar com a inscrição do bem, ocasião em que se instaura um
processo com as seguintes fases (segundo Odete Medauar e Maria Zanella di Pietro) :
1)manifestação do órgão técnico sobre o valor do bem, para fins de tombamento;
2)o órgão competente notifica o proprietário para este anuir ao tombamento ou impugnar por escrito
(com referidas razões), dentro de 15 dias (contados a partir da notificação);
3)não havendo impugnação no prazo, a autoridade competente determina a inscrição do bem no
livro de tombo (configura tombamento voluntário);
4)havendo impugnação, o órgão ou interessado, de onde emanou a proposta de tombamento,
deverá manifestar-se quanto a suas razões (já que lhe será dada vista). O prazo para a sustentação é de 15
dias;
5)logo após, os autos são remetidos ao Conselho do órgão competente para sua decisão (na esfera
federal é o IPHAN, que proferirá decisão a respeito, no prazo de 60 dias a contar do recebimento);
6) " se a decisão for contrária ao proprietário, será determinada a inscrição no Livro de Tombo; se
for favorável, o processo será arquivado"
[18]
;

7) o perfazimento definitivo do tombamento na esfera federal se dá com a inscrição em uma das
seguintes modalidades de livro de tombo:
a)Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico;
b)Livro do Tombo Histórico;
c)Livro do Tombo de Belas-Artes, para as coisas de arte erudita;
d)Livro do Tombo das Artes Aplicadas.
Em sendo o bem tombado um imóvel, o perfazimento se dá, segundo Di Pietro, com a averbação ao
lado da transcrição do domínio (art. 13 do DL nº 25). Há que se fazer entretanto a seguinte consideração
importante: isto não integra, segundo Di Pietro, o procedimento do tombamento, pois seus efeitos se
produzem independentemente disto, entretanto tem a função de assegurar :
- o exercício do direito de preferência de aquisição constante no art. 22 do DL nº 25/37,
posicionamento este que foi o adotado por despacho presidencial aprovador do parecer da Consultoria
Geral da República in RDA 120:406;
- a boa-fé de terceiros, dado que faz ciente no registro que o bem sofre um gravame, que é a
servidão administrativa conseqüente do tombamento.
Consoante Odete Medauar, é relevante salientar que, no âmbito federal, a decisão (do Conselho
Consultivo) no sentido do tombamento, que se traduz na inscrição, tem sua eficácia dependente de
homologação do Ministro da Cultura
[19]
(por força da lei nº 6292/75); do ato de tombamento, cabe recurso ao
Presidente da República
[20]
(por força do DL nº 3866/41), se emitido pelo IPHAN; o tombamento compulsório
reveste-se de caráter provisório, se forma iniciado pela notificação; tem caráter definitivo mediante
inscrição no livro de tombo, devidamente homologada. A crítica que Leme Machado faz é que a lei não
estipulou prazo para este recurso, de modo que ele entende ser razoável adotar 15 dias, sob a alegação de
ser este o prazo máximo para a contestação à notificação do tombamento.
6.3. Quanto aos destinatários
[21]
:

- individual : que é o que atinge um bem determinado;
- geral : que é o que atinge todos os bens situados em um bairro ou cidade.
7. Natureza jurídica do tombamento :
É considerada por Diogo de Figueiredo modalidade de intervenção ordinatória, que segundo Hely
Lopes Meirelles se dá por procedimento administrativo vinculado que conduz ao ato final de
inscrição do bem num dos livros de tombo, procedimento este em que se dá ampla defesa ao proprietário
do bem a ser tombado.
Segundo Maria Zanella Di Pietro
[22]
, o tombamento é um ato discricionário que não se enquadra nem
como servidão administrativa, nem como limitação administrativa à propriedade. Este não enquadramento
em nenhum destes dois institutos é apoiado por Flávio Queiroz Bezerra Cavalcanti, que conclui por
defender que o tombamento é um instituto de natureza híbrida, por comparecer tanto como limitação, como
servidão administrativa
[23]
.

Os que defendem que se trata de um ato vinculado, arrimam-se na alegação de que tendo a
Constituição Federal colocado os bens do patrimônio histórico e artístico nacional sob a proteção do Poder
Público, a autoridade competente para inscrição no Livro de Tombo passa a dever fazê-la quando o parecer
do órgão técnico reconhecer o valor cultural do bem para fins de proteção. Flávio Queiroz Bezerra
Cavalcanti se orienta neste sentido, pois o valor especial (histórico, artístico, paisagístico, científico,
cultural ou ambiental) do bem tombado deve ser declarado, " e o processo de tombamento é vinculado,
cabendo apreciação pelo Judiciário da sua existência, não ficando limitado o exame aos aspectos formais
do processo"
[24]
.

Segundo Di Pietro, trata-se na verdade de um ato discricionário, pois os consectários da opinião
acima não percebem que o patrimônio cultural não é o único bem cuja proteção compete ao Estado, até
porque em caso de dois valores em conflito, a Administração Pública terá que preferir pelo zelo da
conservação daquele que de forma mais intensa afete os interesses da coletividade, apreciação esta que é
feita no momento da decisão. Assim, se não há qualquer interesse público impedindo o tombamento, ele
deve ser feito.
De qualquer modo, segundo ela, a recusa, se ocorrer, deve ser motivada, para que não se configure
arbítrio ao arrepio da Constituição, no que tutela os bens de interesse público.
Para José Cretella Júnior, é uma ato administrativo, discricionário e constitutivo
[25]
.

8. Natureza jurídica do bem tombado :
Há muitas teorias a respeito, que serão explicadas detalhadamente abaixo.
Em função da falta de convencimento quanto aos argumentos colocados
pelos consectários de cada corrente, Maria Zanella Di Pietro prefere considerar o tombamento, por
conseguinte, uma categoria própria.
Servidão administrativa
No que toca ao enquadramento como servidão administrativa ou limitação administrativa, a doutrina
é divergente pois Celso Antônio Bandeira de Mello (in RDP 9:55), Ruy Cirne Lima (in RDP 5:26) e Adilson de
Abreu Dallari (in RDP 59:50) entendem que o tombamento é uma modalidade de servidão administrativa,
sob a alegação de que incide sobre imóvel determinado, ocasionando ao seu proprietário ônus maior do
que o sofrido pelos demais membros da coletividade, o que não ocorre na limitação administrativa.
A crítica que Di Pietro faz a este posicionamento é que apesar de seus seguidores defenderem que
se trata de servidão, não se afigura, como tal, o tombamento, pelo fato de neste instituto não haver coisa
dominante, além do mais o tombamento não é restrição imposta em benefício da coisa afetada a fim público
ou de serviço público, mas, ao contrário, visa a satisfação de um interesse público genérico e abstrato, que
é o patrimônio histórico e artístico nacional.
Outra crítica interponível é que, segundo José dos Santos Carvalho Filho
[26]
, o tombamento não é
direito real.
O tombamento se assemelha à servidão pelo fato de individualizar o imóvel, mas dela se distingue
pela ausência da coisa dominante, que é a essência da servidão.
Limitação administrativa :
O tombamento se assemelha à limitação administrativa por ser imposto por interesse público,
entretanto dela se distingue por individualizar o imóvel.
Quanto ao conflito doutrinário diante do fato de o tombamento se configurar como limitação ou
servidão, José Maria Pinheiro Madeira adota a postura de que é limitação por um lado e servidão por outro
lado. É limitação na medida em que seus efeitos se projetam diretamente sobre os direitos de propriedade.
É servidão na medida em que consiste em ônus real imposto pelo Poder Público precisamente sobre o bem.
Domínio Eminente do Estado:
Este entendimento se arrima na percepção de Hely Lopes Meirelles de que o poder regulatório do
Estado se estende também a coisas e locais de interesse público, e não só a seu domínio patrimonial.
Bem cultural como bem imaterial :
Gianini defende que o bem cultural " atinge a coisa como testemunho material de civilização,
sobrepondo-se ao bem patrimonial que impregna a mesma coisa, não influindo o regime de propriedade
(direito privado ou público) sobre os traços essenciais do bem cultural como objeto autônomo de tutela
jurídica"
[27]
.

Propriedade com função social :
Como assinala Gianini, há grande corrente doutrinária que concebe o bem material como " forma
positiva de funcionalização social da propriedade pública ou privada"
[28]
.

Bem de interesse público :
Segundo Sandulli (citado por Leme Machado), este enquadramento é arrimado no particular regime
de polícia de intervenção e de tutela pública.
Bem tombado de propriedade pública :
O bem público tombado tem como peculiaridades:
- o fato de ser inalienável (art. 11º, do DL nº 25/37);
- a maior possibilidade de fruição pelo público;
- segundo Ferrando Mantovani, tem uma função " dinâmica de instrumento de civilização e postula a
divulgação, difusão, a fruição do conteúdo cultural da coisa de arte"
[29]
.

O fundamento disto é que quando se trata de bem privado, além de alienável, obviamente não há
livre acesso pela população.
9. Tombamento Internacional
Preferi tratar à parte este sub-item pelo fato de ao contrário do que o nome indica, o que ele significa
não se enquadra no conceito técnico-jurídico de tombamento, pois este é ato de soberania do país. Na
verdade é apenas uma maneira de auxiliar países dotados de bens considerados pertinentes ao patrimônio
mundial da humanidade a conservá-los.
10. Competências tratadas na Constituição do Estado de Pernambuco :
" Art. 5º. Parágrafo Único - E competência comum do Estado e dos Municípios:
(...)
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os
monumentos e as paisagens naturais notáveis, os sítios arqueológicos, e conservar o patrimônio publico;
(...)" .
" Art. 67. § 2º - São funções institucionais do Ministério Publico:
(...)
II - promover o inquérito civil e a ação civil Pública para a proteção do patrimônio publico e social,
do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos, como os do consumidor e os relativos ao
ambiente de trabalho, coibindo o abuso de autoridade ou do poder Econômico;
(...)" .
" Art. 78 - Compete aos Municípios:
(...)
IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observadas a legislação e a ação
fiscalizadora federal e estadual;
(...)" .
11. Competência legislativa tratada na Constituição Federal :
A Constituição prevê competência concorrente para legislar sobre proteção ao patrimônio histórico,
cultural, artístico e paisagístico (art. 24, VII), e a competência comum para impor o tombamento (art. 23, III e
IV). Do que se conclui, segundo Diogo de Figueiredo, que até os Municípios poderão decretar o
tombamento, desde que observadas as prescrições gerais da lei federal e, no caso dos Estados, do DF e
dos Municípios, as prescrições especiais de lei estadual ou distrital federal; os Municípios, entretanto,
poderão suplementar essa base legislativa no que couber, para proteção do patrimônio histórico-cultural
local (art. 30, II e IX).
Quanto a esta competência comum, Pontes de Miranda (citado por Leme Machado) defendia que
qualquer das esferas estatais podem tombar o que a outra esfera já tombou (sem que haja exclusão por
parte de qualquer delas, segundo José Afonso da Silva), possibilidade esta que se admite para reforçar a
" Art. 197. (...)
§ 2º - O Poder Publico protegerá, em sua integridade e desenvolvimento, as manifestações de
cultura popular, de origem africana e de outros grupos participantes do processo da civilização brasileira.
(...)
§ 5º - Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos na formada lei" .
" Art. 199 - Para a concreta aplicação, aprofundamento e democratização dos direitos culturais
consagrados na Constituição da República, o Poder Publico observara os seguintes preceitos:
(...)
XIII - participação das entidades representativas da produção cultural em conselhos de cultura,
conselhos editoriais, comissões julgadoras de concursos, salões e eventos afins" .
" Art. 209 - A Política Estadual de Meio Ambiente tem por objetivo garantira qualidade ambiental
propicia a vida e será aprovada por lei, a partir de proposta encaminhada pelo Poder Executivo, com
revisão periódica, atendendo aos seguintes Princípios:
(...)
I - ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente
como um patrimônio publico a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso
coletivo;
(...)" .
" Art. 210 - O Plano Estadual de Meio Ambiente, a ser disciplinado por lei, será o instrumento de
implementação da Política estadual e preverá a adoção de medidas indispensáveis a utilização racional da
natureza e redução da poluição resultante das atividades humanas (...).
§ 1º - Os recursos necessários a execução do Plano Estadual de Meio Ambiente ficarão
assegurados em dotação orçamentária do Estado" .
eficácia do tombamento, ou para evitar que a outra :
- se omita na fiscalização; ou
- efetue permissões que firam o interesse revelado.
Com base no referido art. 23, III e IV, Leme Machado defende que a execução da legislação
pertinente é da incumbência de todas as esferas, sendo que cabe ao Município o precípuo dever de
" promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local" (art. 30, IX da CF).
Quanto a competência legislativa concorrente, Leme Machado defende que ela está subordinada aos
parágrafos do art. 24, e em função deles, a União limita-se a estabelecer normas gerais no que concerne à
proteção dos bens e valores dispostos no inciso VII do art. 24, quando se trata de normas que deverão ser
obedecidas pelas outras esferas estatais, podendo os estados suplementarem as normas gerais federais
(art. 24, §2º), ou exercer a competência legislativa plena na hipótese de inexistir as normas federais(art. 24,
§3º). A eficácia da lei estadual será suspensa com a superveniência de norma geral federal, no que lhe for
contrário.
12. Regulamentação do tombamento :
As normas gerais de obrigatória observância estão contidas na lei federal vigente, que é o Decreto
Lei nº25, de 30/05/37, complementado pelo Decreto-Lei nº 2809, de 23/11/40, Decreto-Lei nº 3886, de
29/11/41, e Lei nº3924, de 20/07/61. No plano federal têm-se a lei nº 6292, de 1975, dispondo sobre o devido
processo administrativo enquanto forma para sua instituição. A lei federal nº 9784/99 regula o Processo
Administrativo Federal, o que me faz crer que sirva de fonte subsidiária para o processo administrativo de
tombamento que venha a ser implementado pela União.
Segundo DL nº 25, o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional será provido de quatro
Livros do Tombo, que são os seguintes :
1) Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico;
2) Livro do Tombo Histórico;
3) Livro do Tombo de Belas-Artes, para as coisas de arte erudita;
4) Livro do Tombo das Artes Aplicadas.
" Constituem normas gerais sobre tombamento aquelas que dão as características desse instituto
jurídico, indicando o modo como se instaura o procedimento, a maneira como é gerido o bem tombado, a
abrangência da proteção, o sistema de sanções. Os estados e municípios poderão adicionar outras regras
às diretrizes federais gerais, de modo que não sejam as mesmas desnaturadas ou desvirtuadas, como
podem legislar sobre suas próprias peculiaridades, em sintonia com as normas federais"
[30]
.

13. Meios de sua instituição (na esfera federal) :
Leme Machado se refere a dois meios basicamente : lei e ato do Poder Executivo. Pacheco Fiorillo e
Abelha Rodrigues defendem a possibilidade da via jurisdicional.
Leme Machado
[31]
apóia a possibilidade de que possa ser instituído por lei, sob a alegação de que :

- haveria maior consenso de vontades sobre o tombamento, e fortalecimento de sua instituição, pois
haveria a necessidade de outra lei para que seja desfeito o tombamento;
- alegação de que, segundo Pontes de Miranda, basta que ato estatal protetivo seja permitido.
Os argumentos contrários existentes são os seguintes:
- Dr.º Meirelles no seu conceito de tombamento referir-se a ato administrativo;
- Não haver, no caso de tombamento feito por lei, consulta a órgão técnico para a classificação
conservativa pretendida.
Critico Leme Machado, dado que a falta de consulta a órgão técnico competente não pode ser
suprida pelo assessoramento dos parlamentares, pois esta além não ser vinculada, é de duvidosa eficiência
se se considerar a existência de incongruências técnicas aberrantes em muitas peças legislativas sobre
outros assuntos. José dos Santos Carvalho Filho
[32]
alega como crítica o fato de lei neste sentido violar o
devido processo legal, pois não haveria o contraditório. Discordo da alegação do referido autor, pois o
devido processo legal continuaria a haver, pois os atos administrativos baseados nesta poderiam ser
questionados no judiciário, e até mesmo a constitucionalidade desta lei poderia ser duvidada, por tentar
coibir o devido processo legal.
A via regular, portanto, é o ato do Poder Executivo, que se manifesta nestes exemplos (art. 1º, da lei
nº 6292, de 15/12/75, e o art. 3º do Decreto federal nº 91.144, de 15/3/85):
- parecer do Conselho Consultivo;
- homologação do Ministro de Estado da Cultura.
O Ministro da Cultura é o agente ou órgão controlador que poderá ou não homologar a opinião do
Conselho Consultivo.
Segundo Oswaldo Aranha Bandeira de Mello, " parecer é o ato administrativo unilateral pelo qual se
manifesta opinião acerca da questão submetida para pronunciamento. Diz respeito a problema jurídico,
técnico ou administrativo"
[33]
.

Homologação, consoante o Dicionário de Direito Administrativo é " ato administrativo que convalida
ou referenda ato legítimo anterior, reconhecendo-lhe validade eficácia, como por exemplo, manifestação de
congregação de faculdades de ensino oficial referendando parecer de comissão examinadora a respeito de
julgamento de concurso"
[34]
.

A iniciativa do Conselho Consultivo quanto ao processo de tombamento já ocasiona o tombamento
provisório. O juízo posterior deste Conselho ocasiona o tombamento definitivo ou não, e este caráter
definitivo só é ganho com a homologação.
Fiorillo e Abelha Rodrigues defendem a possibilidade de tombamento por via jurisdicional com base
no art. 225 da CF, que dispõe do dever da comunidade de colaborar na preservação e proteção do bem
ambiental cultural, o que habilitaria a propositura de ações coletivas (inclusive de natureza mandamental),
ocasião em que se pediria ao juiz a expedição de ordem determinando que certo bem seja tombado por
inscrição no seu respectivo livro de tombo como bem cultural, de maneira que a proteção efetiva só
passaria a incidir com o trânsito em julgado. Os referidos autores defendem que seja viável esta
modalidade pela força que ela tem, pois se o tombamento instituído por lei o tombamento só pode ser
desfeito por outra lei, sentença transitada em julgado nem por outra lei poderá ser desfeito por força do art.
5º, XXXVI da CF (proteção à coisa julgada).
Na esfera estadual o tombamento poderá ocorrer por decreto, resolução do Secretário de Estado ou
ato de funcionário público a que se der competência.
14. Efeitos do tombamento (definitivo) :
Di Pietro assim os classifica: quanto :
- à alienação: que são :
- o direito de preferência de que trata Diogo de Figueiredo logo abaixo;
- limites à alienabilidade, de que trata Odete Medauar abaixo;
- insuscetibilidade de desapropriação, de que trata Odete Medauar abaixo.
- ao deslocamento: disposto no art. 14 do DL nº 25/37, e que é tratado abaixo por Celso Ribeiro Bastos;
- às transformações: disposto no art. 17 do DL nº 25-37, e que é tratado abaixo por Celso Ribeiro Bastos;
- aos imóveis vizinhos: disposto no art. 18 do DL nº 25/37, e que é tratado abaixo por Celso Ribeiro Bastos;
- à conservação: o disposto no art. 17 do DL nº 25/37, e que proíbe a destruição, demolição ou mutilação
sem prévia autorização do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional;
- à fiscalização do poder público retratada por Odete Medauar logo abaixo.
Leme Machado destaca um efeito não percebido por alguns autores: transformar o instituto jurídico da
licença para construir em autorização para construir, modificar e alterar, consoante se depreende do art. 17º do DL
nº 25/37, em que o Poder Público está vinculado a não autorizar atividades que conduzam à destruição, demolição
ou mutilação do bem, mas habilita discricionariedade quando se trata de reparação, pintura ou restauração. Assim,
abre-se espaço para que se obtenha liminar suspendendo autorização obtida para construir, com o fim de apreciar
mais acuradamente o ato de tombamento.
Do acima demonstrado, resultam para :
- o proprietário os seguintes deveres :
- positivos (de fazer) :
a)só haver transferência para esfera da federação, caso se trate de bem tombado público (art. 11 do DL nº
25/37);
b)assegurar o direito de preferência de aquisição em caso de alienação onerosa, obedecendo-se a seguinte
ordem de preferência : União, Estado e Município, sob pena de nulidade do ato, seqüestro do bem por qualquer dos
titulares do direito de preferência e multa de 20% do valor do bem a que ficam sujeitos o transmitente e o
adquirente, devendo as punições serem aplicadas pelo Poder J udiciário (art. 22º e parágrafos do DL nº 25/37);
c)fazer as obras de conservação necessárias à preservação do bem ou, se não tiver meios, comunicar a
sua necessidade ao órgão competente, sob pena de incorrer em multa correspondente ao dobro da importância em
que foi avaliado o dano sofrido pela coisa (art. 19 do DL nº 25/37).
- negativas (de não-fazer):
a)art. 17 da DL nº 25/37, que veda a destruição, demolição ou mutilação sem prévia autorização do Serviço
de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e veda a possibilidade de os bens tombados poderem ser reformados,
pintados, ou restaurados sem prévia autorização especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,
sob pena de multa de 50% do dano causado em caso de violação de qualquer destas vedações ;
b)A coisa tombada só poderá sair do país somente por curto prazo, sem transferência de domínio e para
fim de intercâmbio cultural, e a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional, hoje IPHAN (art. 14).
- de suportar (deixar fazer): fiscalização de que trata Odete Medauar abaixo.
1.os vizinhos do proprietário : deveres negativos: o constante no art. 18 da DL nº 25/37, e que é ressaltado
por Celso Ribeiro Bastos logo abaixo;
2.O IPHAN : deveres positivos, que são :
a)o que consta nos parágrafos do art. 19:
§ 1º, que manda executar as obras de conservação do bem,
quando o proprietário não puder fazê-lo, ou providenciar para que seja feita a desapropriação da coisa;
§2º, que dispõe que se não forem adotadas estas medidas, o proprietário pode requerer que seja cancelado
o tombamento.
b)o que consta no art. 20: que é o exercer permanente vigilância sobre as coisas tombadas, inspecionando-
as sempre que julgar conveniente; e
c)o que consta no art. 13: caso se trate de bens de particulares, prover a transcrição do tombamento no
Registro de Imóveis e a averbação ao lado da transcrição do domínio. O art. 22 dispõe que a conseqüência da não
adoção destas medidas é a perda do direito de preferência.
Segundo Diogo de Figueiredo, destacam-se os seguintes :
- Os bens tombados permanecem sob domínio e posse dos particulares, mas sua utilização passa a ser
disciplinada pela obediência a servidões e limitações aos imóveis da vizinhança, caso se trate de imóvel tombado,
dado o objetivo de assegurar a proteção estética necessária do entorno. É importante salientar observação feita por
Maria Zanella di Pietro, consoante a qual o limite provocado pelo tombamento na propriedade é parcial, de modo
que, se na prática este limite se afigurar como total, têm-se um tombamento ilegal por se configurar como
desapropriação indireta;
- Outro efeito é o direito de preferência à aquisição do Poder Público instituidor, não obstante, a qualquer
tempo, será possível ao Poder Público decretar a desapropriação para melhor atingir aos fins de proteção visados.
O fundamento disto é o que está previsto no art. 22 e §1º do DL nº 25/37: "os bens tombados não podem sair do
país, nem ser alienados a título oneroso, sem prévia oferta à União, ao Estado, ou ao Município em que se
encontram, para que exerçam seu direito de preferência à aquisição, sendo nula a alienação que se fizer com
preterição desse preceito legal". Assim, há que se dar ciência formal às três esferas estatais. O prazo de 30 dias
para exercício da preferência é considerado exíguo por Paulo Affonso Leme Machado.
Celso Ribeiro Bastos, em sua leitura do DL nº 25/37 ressaltou os seguintes:
- o art. 18 do DL nº 25 veda a colocação de anúncios ou cartazes na vizinhança de coisa tombada e a
construção que impeça ou reduza a visibilidade sem que haja prévia consulta ao SPHAN (atualmente IPHAN),
condição esta que nem sempre é bem aceita pela comunidade.
Dr.º Meirelles nos adverte que o conceito de redução da visibilidade é amplo, e abrange a tirada da vista da
coisa tombada, inclusive principalmente a modificação do ambiente ou da paisagem adjacente, a diferença no estilo
arquitetônico e tudo o mais que contraste ou afronte a harmonia do conjunto, retirando o valor histórico ou a beleza
original da obra ou do sítio protegido.
Consoante Di Pietro, acórdão constante na RT 222:559 inclui na redução da visibilidade a redução da
respeitabilidade do imóvel em questão. J á Leme Machado vê que esta proteção foi colocada timidamente, e por isto
o critica por só resguardar a visão, o que habilitaria a vizinhança deixar de apresentar homogeneidade com a coisa
a ser alterada de modo prejudicial a ela, podendo-se assim afigurar-se duas situações (em conseqüência de a
legislação não propiciar meios à administração para impedir a alteração ou exigir a adaptação integrativa da
vizinhança) :
- as adjacências do bem tombado já estão desfiguradas quando do tombamento; ou
- passam a ser transformadas após o tombamento.
Segundo Maria Zanella Di Pietro, "trata-se de servidão administrativa em que dominante é a coisa tombada,
e serviente os prédios vizinhos. É servidão que resulta automaticamente do ato do tombamento e impõe aos
proprietários dos prédios servientes obrigação negativa de não fazer construção que impeça ou reduza a
visibilidade da coisa tombada e de não colocar cartazes ou anúncios; a esse encargo não corresponde qualquer
indenização"
[35]
, servidão esta que segundo ela surge no ato do tombamento, sem necessidade de transcrição no
registro de imóveis.
Outra consideração relevante é a de Leme Machado, que por sua vez defende que a tutela em questão
precisa de revisão, principalmente na esfera municipal, para que este art 18 "não seja fonte de conflito entre o
órgão de proteção cultural e o órgão licenciador de construções ou de atividades agrícolas ou florestais"
[36]
.

Outra observação relevante de Di Pietro é que o art. 18 criou uma servidão administrativa, porémnão a
delimitou, o que implica em deixar para a discricionariedade (critério subjetivo) do órgão público a decisão quanto a
restrição em cada caso, e a crítica que a referida autora faz a isto é que os proprietários dos prédios vizinhos não
contam com critérios objetivos para verificar se são ou não alcançados pela restrição. É por isto que ela sugere,
para que se coadune o art. 18 do DL nº 25 e a boa-fé de terceiros, a adoção das seguintes medidas:
- Os bens tombados não podem ser reformados, pintados, nem restaurados sem prévia autorização
especial do instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sob pena de multa de 50% do dano causado (art.
17) ;
- A coisa tombada só poderá sair do país somente por curto prazo, sem transferência de domínio e para fim
de intercâmbio cultural, e a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(art. 14).
Além da imodificabilidade salientada acima por Celso Ribeiro Bastos, há ainda os seguintes, no entender de
Odete Medauar :
- se o bem tombado for imóvel : transcrição e averbação no registro respectivo (para que, consoante Afrânio
de Carvalho, possa surtir efeitos perante terceiros), embora segundo Passos de Freitas, a lei de registros públicos
preveja que a limitação administrativa seja averbada à margem da matrícula (Lei nº 6015, de 31/12/1973, art. 167,
III), certamente porque a inscrição no Livro do Tombo feita em órgão da administração pública faz presumir a
publicidade. Segundo Afrânio de Carvalho, "comete-se um erro manifesto ao prever-se a transcrição no Registro de
Imóveis dos imóveis tombados. Ao invés de transcrição, agora transformada em matrícula, o que cabe é o
lançamento definitivo do imóvel, com seus limites e confrontações, no livro próprio, o fólio real, sob a forma de
matrícula, ao pé da qual se aditará a averbação do tombamento visto não ser este um característico físico do
imóvel como corpo certo, material, semelhante a qualquer outro, para depois acrescentar-lhe o atributo do
tombamento, este imaterial. (...). Seja como for, fora de dúvida é que todos os imóveis, tombados ou não, devem
ingressar na matrícula com as características e confrontações exigidas pela lei registral. Havendo tombamento,
este só poderá ser aposto em averbação à respectiva matrícula, se a autoridade competente fizer, para tanto, a
comunicação indispensável. Do contrário continuará no rol dos demais imóveis junto aos quais poderá ocasionar
questões entre compradores e vendedores no caso de venda sem menção, pelos últimos, do atributo restritivo a ele
aderente, assemelhável a venda com vício redibitório"
[39]
.

- limites à alienabilidade : manifestos através das seguintes restrições:
- "fixação de critério objetivo na delimitação do conceito de vizinhança, mediante determinação da área
dentro da qual qualquer construção ficaria dependendo de aprovação do IPHAN; e
- imposição de averbação no Registro e Imóveis da área onerada com a servidão ou notificação às
Prefeituras interessadas para que, ao conferirem licença para construção, não ajam em desacordo com o IPHAN,
com evidente prejuízo, ainda, para terceiros interessados na construção"
[37]
.

"Na ausência dessas medidas, incumbe àquele órgão exercer permanente vigilância sobre as coisas
tombadas e respectiva vizinhança, cabendo responsabilidade por perdas e danos quando, por culpa sua, terceiros
de boa-fé tiverem suas construções embargadas ou demolidas, embora devidamente aprovadas pela
Prefeitura"
[38]
.

1.se o bem tombado pertencer ao domínio público, torna-se inalienável para particulares, o que não impede
que seja transferido de uma entidade pública para outra ;
2.se o bem tombado for privado, permanece alienável, mas com restrições, devendo-se ressaltar que se se
tratar de alienação onerosa, a União, os Estados ou Municípios têm direito de preferência, além do que o
adquirente fica obrigado a inscrever a transferência no registro imobiliário, no prazo de 30 dias.
- fiscalização do poder público : pois o órgão responsável pelo tombamento poderá manter vigilância
constante, tendo o direito de acesso ou ingresso do bem ;
- insuscetibilidade de desapropriação, salvo para manter o próprio tombamento. Até porque consoante o
próprio Hely Lopes Meirelles, entidades estatais de superior hierarquia política não podem expropriar bens
tombados pelas menores, enquanto não for cancelado o tombamento pelo órgão competente.
- aplicação de sanções administrativas por infrações ao tombamento, entre as quais :
1)multas em caso de tentativa ou reincidência de exportação de bem móvel tombado, em percentuais
incidentes sobre o valor do bem;
2)multa por colocação de anúncios ou cartazes que afetem a visibilidade do bem;
3)multa no caso de demolição, destruição, mutilação e de restauração ou pintura sem prévia autorização do
poder público;
4)multa se o proprietário deixar de comunicar a necessidade de obras de conservação e sua dificuldade
para efetuá-las;
5)demolição do que for edificado sem autorização.
Consoante Passos de Freitas, pelo tombamento, o Estado pode estabelecer regime especial para
determinados bens de interesse público, independentemente de que sejam estes bens públicos ou particulares, ou
de quaisquer esferas a que pertençam, até porque a lei regulamentadora é omissa, ao contrário do que consta na
lei de desapropriações.
Segundo Odete Medauar, apesar de todos estes efeitos, o tombamento está sujeito :
- a revogação, por inconveniência e inoportunidade ou anulação, por ilegalidade, pois a própria autoridade
competente, em vez de homologá-lo, poderá determinar a revisão, alteração ou desfazimento;
- (DL 3866 de 29/11/41) cancelamento pelo Presidente da República do tombamento definitivo efetuado
pelo IPHAN (seja de bens públicos ou privados), de ofício ou em grau de recurso(interposto por legitimamente
interessado), por motivo de interesse público, mesmo que já tenha sido homologado. Em qualquer caso, o
desfazimento deve ser motivado.
O mestre Meirelles critica a priorização da discricionariedade do chefe do Poder Executivo Federal sobre a
do colegiado do IPHAN a quem incumbe originariamente o órgão, alegando que "a autoridade desse órgão,
especializado na matéria, não deveria ficar sumariamente anulada pelo julgamento subjetivo ou político do Chefe
da Nação. A instituição desse recurso deve-se, naturalmente, à origemditatorial do diploma que o estabeleceu, em
cujo regime o Presidente da República absorvia todos os poderes e funções, ainda que estranhos à sua missão
governamental"
[40]
.

Maria Zanella Di Pietro
[41]
, entretanto, dele discorda, pois conforme ela a crítica não procede pelo fato de o
cancelamento só se poder fazer por interesse público, conforme a próprio letra do citado Decreto-Lei nº 3866/41, o
que não impede o controle do judiciário diante dos conflitos existentes entre este interesse público e outros
interesses também relevantes e merecedores de proteção.
Na visão do mestre Hely Lopes Meirelles
[42]
, o tombamento poderá ser nulo se não forem obedecidas as
imposições legais e regulamentares, pois que, acarretando restrições ao exercício do direito de propriedade, há que
se observar o devido processo legal para sua formalização, nulidade esta que deve ser pronunciada pelo Poder
J udiciário, que apreciará os motivos e a regularidade do procedimento administrativo para efetivação da
desapropriação.
15. Direitos do proprietário do bem tombado :
Propor processo para evitar o tombamento, ou obter indenização.
Quanto a indenização, têm-se o seguinte :
Segundo Leme Machado, há duas grandes vertentes quanto a este ponto:
- os que defendem a gratuidade do tombamento (Hely Lopes Meirelles, Maria Zanella Di Pietro, Diogo de
Figueiredo) ;
- os que entendem pela indenizabilidade (Celso Antônio Bandeira de Mello, Ruy Cirne Lima).
Consoante Dr.º Meirelles
[43]
, o tombamento em princípio não gera indenização, salvo quando :

- resultarem na interdição do uso do bem, ou prejudicarem sua normal utilização, suprimindo ou
depreciando seu valor econômico (caso em que segundo ele a coisa tombada deverá ser desapropriada );
- as condições de conservação da coisa implicaremdespesas extraordinárias para o proprietário, caso em
que, consoante Celso Ribeiro Bastos, deverão ser suportadas pelo Poder Público ou serão justificadoras de uma
desapropriação do bem tombado (caso excepcional de desapropriação, que é previsto no art. 5º, l e m, do DL
3365/41)
[44]
.

Assim, segundo Dr.º Meirelles, "o tombamento só dispensa indenização quando não impede a utilização do
bem segundo sua destinação natural, nem acarreta o seu esvaziamento econômico"
[45]
.

O referido mestre também nos alerta em seu artigo escrito na RT em 1985, que é também passível de
indenização a morosidade administrativa e a desobediência de prazos durante o procedimento administrativo de
tombamento, pois o tombamento provisório se equipara em efeitos ao definitivo, o que já é, segundo ele, uma
grande restrição ao direito de propriedade, o que demanda da parte da administração dever de rapidez no
processo, pois a lentidão se configuraria abuso de poder. A indenização pela atitude omissiva da administração
teria caráter reparatório e repressivo, entretanto uma atitude preventiva poderia ser adotada por mandado de
segurança, o que já foi aceito como cabível pelo STF em sua Súmula 429.
Consoante Odete Medauar, "se o tombamento tiver alcance geral, como em Ouro Preto, Olinda, descabe
ressarcimento. No caso de imóvel tombado isoladamente, em princípio é cabível indenização, salvo proibição,
desde que demonstrado prejuízo direto e material"
[46]
.

Leme Machado lembra a consideração de Sampaio Dória à Constituição
de 1946, afirmando que a essência da igualdade de todos perante a lei está na identidade de concessões
de cada um ao todo sociais, e com base nisto tece as seguintes advertências : há que se aferir :
- a generalidade temporal e espacial caracterizadora da limitação administrativa; e
- a quem e de que forma beneficia a administração.
Leme Machado, com base nisto, faz a seguinte distinção:
- a situação em que a propriedade vinculada está inserida num contexto de outros bens vinculados ou
limitados : nesta situação, em função da ausência de discriminação, nada há que se indenizar em função da
generalidade caracterizadora da limitação, ainda que não seja absolutamente geral;
- ocasião em que a propriedade é escolhida individualmente para ser vinculada, não havendo mais bens na
vizinhança a serem preservados ou bens existentes na vizinhança que estejam sujeitos a outro regime jurídico :
nesta situação, em função da constatação de que a limitação não está sendo geral no mesmo espaço geográfico,
cabe indenização.
Toshio Mukai (citado por Del olmo) defende que a indenização só é devida se o tombamento for individual
(recaindo sobre um só proprietário), mas se for geral, não será devida.
Pinheiro Madeira defende que é cabível a indenização no tombamento, em face do princípio da igualdade
da repartição dos encargos sociais. Como o referido autor defende que o tombamento é apenas uma denominação
que serve a qualquer das medidas de servidão administrativa, limitação administrativa e desapropriação, ele se
coloca da seguinte maneira :
Segundo ele, o tombamento voluntário exclui a indenização, no mesmo sentido pugna Flávio Queiroz
Bezerra Cavalcanti
[48]
.

Afrânio de Carvalho defende uma postura bastante peculiar neste ponto, ao defender que, por exemplo, em
havendo como lícito tombamento sobre imóvel particular sem a devida indenização, deve-se adotar algum outro
modo de compensação, e a que ele sugere é a compensação tributária, defendendo que haja isenção do IPTU para
o proprietário, seja o tombamento feito pelo Município (caso em que o caso seria mais simplesmente resolvido),
seja feito por outra esfera estatal, caso em que esta deveria entrar em acordo com o Município para que isto fosse
feito. A Constitucionalidade desta proposta consiste na constatação de que o contribuinte em questão não está em
"a) considerada a medida protecionista como limitação administrativa, seria ela indenizável, por decorrer
do poder de polícia da Administração;
b) havido como servidão, comportaria indenização, se instituída por lei e, na proporção que alcance o
direito do particular;
c) desapropriado o bem, para efeito de sua proteção, naturalmente se imporia a indenização"
[47]
.

situação equivalente aos demais, já que seu imóvel não está na mesma situação dos demais
[49]
.

Assim, concluo juntamente com Flávio Queiroz Bezerra Cavalcanti que a indenização por dano ocasionado
pelo tombamento compulsório se faz necessária, pois "baseada nas regras de indenização pelo Poder Público no
fracionamento dos ônus e cômodos, não vejo como escapar à conclusão de que necessário se faz o repartimento
dos prejuízos sofridos"
[50]
.

Segundo Leme Machado, a necessidade de abordagem deste ponto especificamente se dá pelo fato de o
tombamento se afigurar como limitador do Poder Público a ponto ser umregime jurídico antecipativo e às vezes
acessório do zoneamento urbano
[51]
.

Conforme Eduardo Montoulieu Garcia, o planejamento pode ser entendido como "racionalização na tomada
de decisões individuais e coletivas dirigida a ações sistemáticas com objetivo de conseguir-se o bem-estar público,
abrangendo aspectos sociais, econômicos, físico-espacial-temporais, ou outros de interesse público"
[52]
e :

- visa, segundo Fernandez Rodrigues, "assegurar um equilíbrio apropriado entre todas as pretensões de
uso do solo, e de maneira que este seja utilizado no interesse de todo o povo"
[53]
;

- visa, segundo Den Abeele :
Consoante Leme Machado, a preocupação da adequação entre a conservação do patrimônio cultural e o
planejamento se registra nos níveis federal e estadual pelas portarias interministeriais n. 19, de 4/3/77 e nº 1170, de
27/11/79. Nos níveis estadual e municipal se percebe "a organização de programa de preservação de bens
culturais" como condição para que recebam recursos nesta área, concomitantemente com a atitude de órgãos e
entidades envolvidos no sentido de induzir a "inclusão nos Planos Diretores de Desenvolvimento Urbano de
legislação de proteção às áreas de valor cultural"
[55]
.

O referido autor recomenda como precaução para adequação entre planejamento e tombamento que "na
elaboração de um plano nacional de proteção de bens culturais e, particularmente de recursos naturais, deve-se
procurar o inventário de todos os interesses emconfronto, para se saber se há outros interesses equivalentes ou
superiores de importância nacional que se opõem à conservação. (...). Caso contrário, as forças de destruição, que,
em geral, são mais rápidas, se põem em ação e apresentam o fato consumado da inexistência do bem ou o
começo de um projeto envolvendo o bem a ser tombado"
[56]
.

16. Tombamento e o planejamento nacional, estadual e municipal
1."sintetizar os diferentes conhecimentos proporcionados pelos inventários e recenseamentos;
2.exprimir as opções de ação e de organização em matéria de conservação integrada;
3.assegurar uma proteção eficaz pela integração de meios legislativos de salvaguarda e o ordenamento
do desenvolvimento diante das pressões econômicas e sociais;
4.programar as intervenções de reabilitação e de restauração no tempo e no espaço, estabelecer a
importância das contribuições financeiras estatais"
[54]
.

Apesar da relevância do planejamento, segundo se deduz da explanação de Alain Bacquet (Diretor de
Arquitetura do Ministério dos Negócios Culturais francês), a sistemática de proteção ao patrimônio cultural se
completa com a efetivação do planejamento através da conservação e da existência de uma legislação especial de
proteção habilitadora da intervenção da autoridade em qualquer momento.
17. Co-responsabilidade da administração em conservar o bem tombado:
O proprietário e o Poder Público tombador são co-responsáveis pela sua conservação e reparação,
entretanto, segundo Leme Machado, a co-responsabilidade do poder público só pode ser invocada no caso de se
comprovar dois requisitos:
- que não tenha sido o proprietário o causador do dano;
- haja a necessidade da reparação.
O fundamento desta co-responsabilidade do Poder Público é que :
- "o tombamento como medida protetora incorpora o poder público na gestão do bem, a ponto de associá-lo
nas despesas de sua manutenção"
[57]
. Dano causado por ação ou omissão do proprietário não obriga o Poder
Público à reparação, e sim o proprietário, embora haja, segundo Leme Machado, lacuna na legislação federal no
sentido de efetuar esta cobrança;
- o art. 19 do DL nº 25/37 dispõe que o proprietário carente de recursos para efetuar as medidas
conservativas e reparadoras levará este fato ao conhecimento do IPHAN, e seu §1º ainda dispõe que em sendo
necessárias as obras, serão feitas às expensas da União.
18. Abordagem comparativa com institutos restritivos da propriedade :
Diogo de Figueiredo tece o comentário de que o tombamento e :
1) a servidão administrativo distinguem-se :
- quanto a finalidade, já que para a servidão administrativa visa a facilidade de execução de obras e
serviços públicos, enquanto no tombamento a função é a proteção de objetos de cultura;
- quanto ao fato de a servidão ser heteroexecutória, onerosa, em regra, e ocasionar um ônus real de uso a
favor de terceiro, ao passo que o tombamento é auto-executório, gratuito, e não transfere qualquer direito à
utilização do bem tombado, dado que apenas o limita.
2) a limitação administrativa :
2.1. assemelham-se :
- quanto a gratuidade de imposição;
- quanto ao fato de em muitos casos haver a finalidade estética.
2.2. Distinguem-se quanto constatação de que :
- enquanto o tombamento é um ato concreto, a limitação é abstrata, e geralmente atinente a uma categoria
de bens;
- enquanto a finalidade do tombamento é, em última análise, cultural, a da limitação é a segurança, a
salubridade e o decoro, cogitando-se assim de valores-meio, dentro de horizontes mais reduzidos.
19. Tutela Processual do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional :
Segundo Maria Zanella di Pietro, tal tutela se dá pelos seguintes instrumentos:
- ação civil pública (art. 129, III da CF) ;
- ação popular (art. 5º, LXXIII da CF).
Quanto a indagação de que se estas ações exigem prévio tombamento
do bem, percebe-se que sim, consoante a referida autora, pois assim dispõe o art. 1º, §1º. "Os bens a que
se refere o presente artigo só poderão ser considerados parte integrante do patrimônio histórico e artístico
brasileiro, depois de inscritos separada ou agrupadamente num dos quatro livros do Tombo, de que trata o art. 4º
desta lei".
Apesar disto, Di Pietro constata que estes instrumentos processuais são mais úteis como modos de
proteção precisamente dos bens ainda não tombados, pois em relação a estes, as restrições e a fiscalização a que
se sujeitam têm por finalidade dar-lhes a adequada tutela.
20. Sanções Administrativas :
Tais sanções podem ser multa, demolição, restauração, embargo e interdição.
20.1 Multas – Generalidades :
Segundo Dr.º Meirelles, "a multa administrativa é de natureza objetiva e se torna devida
independentemente da ocorrência de culpa ou dolo do infrator"
[58]
.

Espécies :
- Multa de 50% do valor do bem tombado estão previstas nos seguintes casos:
1)exportação ou tentativa de exportação de coisa tombada sem pedir prévia autorização ou tendo sido
negada a autorização (em caso de primariedade do infrator);
2)construção ou colocação de anúncios ou cartazes que impeçam ou reduzam a visibilidade do bem
tombado;
3)ausência de autenticação de objetos considerados como "antigüidades, obras de arte de qualquer
natureza, manuscritos e livros antigos ou raros";
4)ausência de apresentação da relação dos objetos, antes da venda, ao órgão estatal competente.
- Multa de 100% do valor da coisa tombada no caso de reincidência em exportação ou tentativa de
exportação;
- Multa de 50% do lucro causado em caso de destruição, demolição, mutilação e multa do mesmo valor no
caso de reparação, pintura ou restauração sem prévia autorização do órgão competente. Em caso de bem público,
a autoridade responsável incorrerá pessoalmente na multa;
- Multa de 10%:
1)quando o adquirente do bem tombado deixar de fazer dentro do prazo de 30 dias o registro no Cartório do
Registro de Imóveis, ainda que se trate de transmissão judicial ou causa mortis;
2)quando o proprietário de uma coisa tombada deixar de comunicar no prazo de 10 dias o seu extravio ou
furto.
Segundo Paulo Affonso Leme Machado, no cálculo do valor das multas
levar-se-á como base não só o valor de mercado do bem, mas principalmente os valores que são
protegidos na coisa tombada em sua estimativa para o futuro da necessidade de sua conservação. Segundo ele,
configura-se caso de multa indeterminada quando depender do dano sofrido pela coisa a ser aferido
posteriormente, enquadrando-se neste caso a infração consistente em o proprietário não comunicar ao órgão
competente da necessidade de serem feitas obras de conservação e de reparação de sua dificuldade de fazê-la às
suas expensas.
A crítica que o referido autor faz à mencionada legislação é que falta clara disposição sobre o tipo de culpa
do proprietário na prática dos ilícitos referidos, e qual o critério de responsabilidade a que está sujeito (se é objetiva
ou subjetiva). Quanto a isto, a observação de Dr.º Meirelles supre esta lacuna, e quanto a patrimônio natural
tombado o art. 4º da lei nº 6938/81 dispõe que a responsabilidade é objetiva.
20.2. Demolição :
A demolição do que foi edificado nos termos do art. 18 do DL nº 25/37.
20.3. Restauração da coisa tombada :
Esta sanção não é prevista no DL nº 25/37, mas se pode intentar ação civil pública pleiteando a obrigação
de fazer esta reparação.
20.4. Embargo e interdição :
O embargo é aplicável ao caso do arts. 17 e 18 do DL nº 25/37, por ser conseqüência dela, apesar de não a
ter previsto explicitamente, até porque feriria o bom senso que a lei previsse a proibição, e diante da realização da
conduta proibida nada fizesse para evitar o dano. A obediência a embargo é tutelada penalmente pelo art. 330 do
CP (crime de desobediência).
21. Tutela Penal do Tombamento :
A tutela penal do tombamento se dá pelo CP:
"Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico
Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em virtude de valor
artístico, arqueológico ou histórico:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa".
Consoante Damásio Evagelhista de J esus :
O fundamento desta tutela está na CF, art. 216 e no Decreto-Lei n. 25, de 30 de novembro de 1937, e
Decreto Lei n. 3.866, de 29/11/41.
O referido tipo penal tem como objeto jurídico a inviolabilidade do patrimônio artístico, arqueológico ou
histórico nacional.
O sujeito ativo do crime pode ser qualquer pessoa, inclusive o próprio proprietário.
O sujeito passivo, que é o titular do bem jurídico protegido pelo tipo penal e violado por quem segue a
conduta tipificada, é em primeiro lugar o Poder Público, e em segundo lugar.
O objeto material do tipo penal em questão é obviamente a coisa tombada pela autoridade competente em
virtude de valor artístico, arqueológico ou histórico, independentemente de públicos ou privados.
O elemento subjetivo do tipo do tipo em questão é o dolo enquanto vontade de destruir, inutilizar ou
deteriorar coisa tombada pela autoridade pública, e abrangente da consciência de que a coisa é tombada.
O momento consumativo do crime ocorre com o efetivo dano ao objeto material, seja total ou parcial.
Consoante Leme Machado, o ônus da prova da licença cabe ao infrator da alteração do local, e o local pode
ser protegido por lei de qualquer das esferas estatais. O referido autor sugere as seguintes reformas nesta
tipificação:
- inclusão da modalidade culposa;
- que a pena de detenção seja cumulativa com a multa.
22. Conclusões :
A Constituição Federal estabeleceu o tombamento como um instrumento governamental jurídico de
proteção do Patrimônio Cultural de nossa nação, entretanto :
- nisto não impede a modernização dos meios de proteção do patrimônio cultural pelo poder Público, o que
de fato tem ocorrido fundamentado no art. 216, §4º (que remete à lei a atribuição de estabelecer incentivos para a
produção e o conhecimento de bens e valores culturais), consoante J osé Afonso da Silva
[59]
;

- isto não isenta o dever da população, enquanto sociedade civil organizada, de se mobilizar no sentido de
auxiliar este precioso bem, dado que o Poder Público no nosso país passa por grave crise financeira, moral e
institucional, de modo que na prática tem havido pouca valorização desta atividade que por si só tem dois
potenciais de alta relevância :
1. educação, segundo Anísio Teixeira
[60]
, enquanto processo de reconstrução da experiência consistente
num atributo da pessoa humana ;
2.turismo.
Além do mais, o próprio Alexandre de Moraes
[61]
ressalta a obrigatoriedade do poder público, com a
colaboração da comunidade, de promover e proteger o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários,
registros vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.
23. BIBLIOGRAFIA :
23.1. Livros :
BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Direito Administrativo. 1. edição, São Paulo: Saraiva, 1994.
FIGUEIREDO, Lúcia Valle. Disciplina Urbanística da Propriedade. 1. edição, São Paulo: Editora RT, 1980.
FIORILLO, Celso Antonio Pacheco; RODRIGUES, Marcelo Abelha. Manual de Direito Ambiental e
Legislação Aplicável, 1. edição, São Paulo: Max Limonad, 1997.
FREITAS, Vladimir Passos de. A Constituição Federal e a Efetividade das Normas Ambientais. 1. edição,
São Paulo: RT, 2000.
GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 1. edição, São Paulo: Saraiva, 1989.
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 5. edição, São Paulo : Malheiros, 1996.
MEDAUAR, Odete. Direito Administrativo Moderno. 2. edição, São Paulo : RT, 1998.
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 22º edição, São Paulo : Malheiros, 1997.
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 6. edição, São Paulo : Atlas, 1999.
MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Curso de Direito Administrativo (Parte Introdutória, Parte Geral,
Parte Especial), 11. edição, Rio de J aneiro : Forense, 1999.
PIETRO, Maria Zanella Di. Direito Administrativo. 13. edição, São Paulo: Atlas, 2001.
SILVA, J osé Afonso da Silva. Curso de Direito Constitucional Positivo. 19. Edição, São Paulo : Malheiros
Editores, 2001.
23.2. Artigos:
CARVALHO, Afrânio de. "O Tombamento de Imóveis e o Registro". Revista dos Tribunais, a.80, v. 672, São
Paulo, RT, out/1991.
CAVALCANTI, Flávio Queiroz Bezerra. "Tombamento e Dever do Estado Indenizar". Revista Trimestral de
J urisprudência dos Estados, a.1994, v. 130, São Paulo, RTJ E, nov/1994.
MEIRELLES, Hely Lopes. "Tombamento e Indenização". Revista dos Tribunais, a. 74, v. 600, São Paulo,
RT, out/1985.
23.3. Legislação :
BRASIL. Decreto Lei nº25, de 30 de Maio de 1937. Recife, RT, 2001;
BRASIL. Decreto Lei nº 3365, de 21 de junho de 1941. Recife, RT, 2001;
BRASIL. Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988. Recife, RT, 2001.
PERNAMBUCO. Constituição do Estado de Pernambuco, de 5 de outubro de 1989. Recife, editora Litoral,
2000.
23.4.Internet :
DAHER, Marlusse Pestana. "Tombamento". http://www.jusnavigandi.com.br. 02/04/2001.
MADEIRA, J osé Maria Pinheiro. "Algumas Considerações Sobre Tombamento".
http://www.jusnavigandi.com.br. 02/04/2001.
OLMO, Manolo Del. "Tombamento: Aspectos J urídicos". http://www.jusnavigandi.com.br. 02/04/2001.
23.5. CD-ROM :
J ESUS, Damásio Evangelhista de. "Código Penal Anotado": Direito Informatizado Saraiva. nº 01, 3. edição
em CD-ROM, São Paulo: Saraiva, 1998, nº de referência do CD-ROM: 023258.
24.NOTAS
1.FIORILLO, Celso Antonio Pacheco; RODRIGUES, Marcelo Abelha. Manual de Direito Ambiental e
Legislação Aplicável, 1. edição, São Paulo: Max Limonad, 1997, p. 230.
2.MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 5. edição, São Paulo : Malheiros, 1996, p.
648.
3."Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados
individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos
formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
4.FREITAS, Vladimir Passos de. A Constituição Federal e a Efetividade das Normas Ambientais. 1. edição,
São Paulo: RT, 2000, pp. 135 e 136.
5.FIGUEIREDO, Lúcia Valle. Disciplina Urbanística da Propriedade. 1. edição, São Paulo : Editora RT,
1980, p. 59.
6.DAHER, Marlusse Pestana."Tombamento". http://www.jusnavigandi.com.br. 02/04/2001.
7.CAVALCANTI, Flávio Queiroz Bezerra. "Tombamento e Dever do Estado Indenizar". Revista Trimestral de
J urisprudência dos Estados, a.1994, v. 130, São Paulo, RTJ E, nov/1994, p. 50.
8.PIETRO, Maria Zanella Di. Direito Administrativo. 13. edição, São Paulo: Atlas, 2001, p. 131.
9."Art. 1º. O conjunto de bens móveis e imóveis existentes no país cuja conservação seja de interesse
público, que por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor
arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico".
10.PIETRO, Maria Zanella Di. Direito Administrativo (n.8), p. 132.
11.MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 22º edição, São Paulo : Malheiros, 1997, p.
492.
12.MEDAUAR, Odete. Direito Administrativo Moderno. 2. edição, São Paulo : RT, 1998, p. 360.
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-
culturais;
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico,
ecológico e científico.
§ 1º - O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural
brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de
acautelamento e preservação.
§ 2º - Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação governamental e as
providências para franquear sua consulta a quantos dela necessitem.
§ 3º - A lei estabelecerá incentivos para a produção e o conhecimento de bens e valores culturais.
§ 4º - Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei.
§ 5º - Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos
antigos quilombos".
13.GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 1. edição, São Paulo: Saraiva, 1989, p. 298.
14.OLMO, Manolo Del. "Tombamento: Aspectos J urídicos". http://www.jusnavigandi.com.br. 02/04/2001.
15.MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Curso de Direito Administrativo (Parte Introdutória, Parte Geral,
Parte Especial), 11. edição, Rio de J aneiro : Forense, 1999, p. 282.
16.PIETRO, Maria Zanella Di. Direito Administrativo (n.8), p. 134.
17.CAVALCANTI, Flávio Queiroz Bezerra. "Tombamento e Dever do Estado Indenizar" (n.7), p. 51.
18.PIETRO, Maria Zanella Di. Direito Administrativo (n.8), p. 134.
19.O Ministro da Cultura "poderá examinar todo o procedimento, anulando-o, se houver ilegalidade, ou
revogando a decisão do órgão técnico, se contrária ao interesse público, ou, finalmente, apenas homologando"(DI
PIETRO, 2001, p. 135).
20.Que poderá optar pelo cancelamento do tombamento definitivo (seja de bens públicos ou privados)
efetuado pelo IPHAN, de ofício ou em grau de recurso (interposto por legitimamente interessado), por motivo de
interesse público, mesmo que já tenha sido homologado. Em qualquer caso, o desfazimento deve ser motivado(DI
PIETRO, 2001, p. 136).
21.PIETRO, Maria Zanella Di. Direito Administrativo (n.8), p. 133.
22.Idem. ibidem, p. 139.
23.Segundo Bielsa (apud CAVALCANTI, 1994, p. 53), servidão administrativa é um direito público real,
constituído por uma entidade pública sobre um bem privado, com o objeto de que sirva ao uso público, com uma
extensão ou dependência do domínio público, enquanto limitação administrativa, segundo Dr.º Meirelles é "toda
imposição geral gratuita e unilateral e de ordem pública condicionada do exercício de direitos ou de atividades
particulares às exigências do bem-estar social"(MEIRELLES, 1997, p. 544).
24.CAVALCANTI, Flávio Queiroz Bezerra. "Tombamento e Dever do Estado Indenizar" (n.7), p. 50.
25.MADEIRA, J osé Maria Pinheiro. "Algumas Considerações Sobre Tombamento".
http://www.jusnavigandi.com.br. 02/04/2001.
26.OLMO, Manolo Del. "Tombamento: Aspectos J urídicos"(n.14).
27.MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro (n.2), p. 666.
28.Idem. ibidem, p. 666.
29.Idem. ibidem, p. 667.
30.Idem. ibidem, p. 663.
31.Idem. ibidem, p. 670.
32.OLMO, Manolo Del. "Tombamento: Aspectos J urídicos"(n.14).
33.MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro (n.2), p. 671.
34.Idem. ibidem, p. 672.
35.PIETRO, Maria Zanella Di. Direito Administrativo (n.8), p. 137.
36.MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro (n.2), p. 657.
37.PIETRO, Maria Zanella Di. Direito Administrativo (n.8), p. 138.
38.Idem. ibidem, p. 138.
39.CARVALHO, Afrânio de. "O Tombamento de Imóveis e o Registro". Revista dos Tribunais, a.80, v. 672,
São Paulo, RT, out/1991, p. 64.
40.MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro (n.11), p. 494.
41.PIETRO, Maria Zanella Di. Direito Administrativo (n.8), p. 136.
42.MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro (n.11), p. 492.
43.MEIRELLES, Hely Lopes. "Tombamento e Indenização". Revista dos Tribunais, a. 74, v. 600, São Paulo,
RT, out/1985.
44."Art. 5º. Consideram-se casos de utilidade pública: (...)
45.MEIRELLES, Hely Lopes. "Tombamento e Indenização" (n.43), p. 16.
46.MEDAUAR, Odete. Direito Administrativo Moderno(n.12), p. 362.
47.MADEIRA, J osé Maria Pinheiro. "Algumas Considerações Sobre Tombamento".(n.25).
48.CAVALCANTI, Flávio Queiroz Bezerra. "Tombamento e Dever do Estado Indenizar" (n.7), p. 51.
49.CARVALHO, Afrânio de. "O Tombamento de Imóveis e o Registro"(n.39), p. 64.
50.CAVALCANTI, Flávio Queiroz Bezerra. "Tombamento e Dever do Estado Indenizar" (n.7), p. 61.
51.MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro (n.2), p. 655.
52.Idem. ibidem, p. 655.
53.Idem. ibidem, p. 655.
l) a preservação e conservação dos monumentos históricos e artísticos, isolados ou integrados em
conjuntos urbanos ou rurais, bem como as medidas necessárias a manter-lhes e realçar-lhes os aspectos mais
valiosos ou característicos e, ainda, a proteção de paisagens e locais particularmente dotados pela natureza;
m) a preservação e a conservação adequada de arquivos, documentos e outros bens móveis de valor
histórico ou artístico".
54.Idem. ibidem, pp. 656 e 657.
55.Idem. ibidem, p. 656.
56.Idem. ibidem, p. 656.
57.Idem. ibidem, p. 668.
58.MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro (n.11), p. 179.
59.SILVA, J osé Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 19. edição, São Paulo : Malheiros
Editores, 2001, p. 819.
60.Idem. ibidem, p. 813.
61.MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 6. edição, São Paulo : Atlas, 1999, p. 612.
Sobre o autor
Como citar este texto: NBR 6023:2002 ABNT
MORAIS, Maxwell Medeiros de. Regime jurídico do tombamento. J us Navigandi, Teresina, ano 7, n. 54, 1 fev. 2002.
Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/2687>. Acesso em: 1 abr. 2011.
advogado em Recife (PE), pós-graduado em Direito Administrativo pela UFPE
Maxwell Medeiros de Morais