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CAPA IMPRESSA EM PAPELCARTÃO ART PREMIUM NOVO 250g/m2,

TERMOLAMINADA PELA LAMIMAX COM FILME PROLAM®

www.embalagemmarca.com.br
Ano VI • Nº 61 • Setembro 2004 • R$ 9,00
Em boca própria é vitupério
mbora saibamos leitores traduz o reconheci- ano a equipe da revista esta-

E que não se deve en-


xergar o mundo
através de nós mesmos, não
mento a nosso constante es-
forço para dar-lhes informa-
ção séria, de boa qualidade e
rá presente na Labelexpo,
em Chicago; na K, em Dus-
seldorf; na Pack Expo, nova-
podemos deixar de registrar cada vez em maior quantida- mente em Chicago; e no Em-
que vemos no sólido cresci- de. Como os que nos presti- ballage, em Paris.
mento recente de EMBALA- giam com a leitura da revista Retomando: EMBALAGEM-
Wilson Palhares GEMMARCA um reflexo do certamente observam, além MARCA é hoje a revista de
bom andamento da econo- de virmos aprofundando a embalagem que mais cresce
mia. Obviamente, permane- cada edição a cobertura dos no Brasil. Chegamos até a
Além de virmos cemos despertos para a pos- assuntos de interesse da pensar em cunhar alguma
aprofundando a sibilidade de isso ser um mo- cadeia de embalagem no frase vendedora para colocar
cobertura dos vimento sazonal, ou resulta- país, vimos aumentando nos- sob o título, moda entre
assuntos de do da liberação de verbas pu- sa presença em eventos in- aqueles que desconhecem,
interesse da blicitárias represadas pelas ternacionais, dos quais – como ensina a sabedoria po-
cadeia de empresas no primeiro semes- mais uma vez, perdoem-nos pular, que “elogio em boca
embalagem no tre do ano. a imodéstia – EMBALAGEM- própria é vitupério”. Por isso
Brasil, estamos No entanto, por mais que de- MARCA faz sempre, reconhe- não falaremos de nós. Prefe-
mais presentes vamos ser modestos, acredi- cidamente, a melhor cober- rimos que o mercado conti-
em eventos tamos também que o cres- tura jornalística. Nessa linha, nue a fazê-lo. Obrigado e até
internacionais cente apoio de anunciantes e informo que até o final deste outubro.
nº 61 • setembro 2004
Diretor de Redação
Wilson Palhares

10
palhares@embalagemmarca.com.br
Entrevista:
Assis Kavaguchi
16 Estratégia
Produtores de refrigerantes
Reportagem
Flávio Palhares
Vice-presidente da Abflexo segmentam mercado com
flavio@embalagemmarca.com.br
novidades de marcas líderes Guilherme Kamio
fala sobre a evolução da
guma@embalagemmarca.com.br
28 Mercado
flexografia no setor de
Leandro Haberli Silva
embalagem Cervejas diferentes criam nicho leandro@embalagemmarca.com.br
para apresentações mais nobres

20
Maria Luisa Neves
Reportagem de capa: redacao@embalagemmarca.com.br
Plásticos de rápida 34 Mercado
AmBev quer cerveja sem álcool Diretor de Arte
degradação em novas situações de consumo Carlos Gustavo Curado
Desenvolvimento de emba- arte@embalagemmarca.com.br
lagens mais amigas do
ambiente acelera no Brasil
36 Abre divulga os vencedores
Prêmio Assistente de Arte
José Hiroshi Taniguti
de seu Prêmio de Design
Administração

40 Prêmio
Marcos Palhares (Diretor de Marketing)
Empresas brasileiras perderam Eunice Fruet (Diretora Financeira)
oportunidade no iF Design Award Departamento Comercial
comercial@embalagemmarca.com.br
44 Fechamentos
Novas alternativas às rolhas de
Karin Trojan
Wagner Ferreira
cortiça no mercado de vinhos
Circulação e Assinaturas

62 Rotulagem
Marcella de Freitas Monteiro
RFID
assinaturas@embalagemmarca.com.br
Pressão das redes de varejo Assinatura anual: R$ 90,00

50
impulsiona avanço de smart label
Materiais Público-Alvo
Vinícolas cada vez mais
aderem ao bag-in-box e
66 Ambiente
Recipet bate recorde de reci-
EMBALAGEMMARCA é dirigida a profissionais que
ocupam cargos técnicos, de direção, gerência
clagem de embalagens de PET e supervisão em empresas fornecedoras, con-
às caixinhas longa vida vertedoras e usuárias de embalagens para ali-
mentos, bebidas, cosméticos, medicamentos,
materiais de limpeza e home service, bem
como prestadores de serviços relacionados
A capa desta edição foi impressa em Papelcartão Art Premium Novo 250g/m2, com a cadeia de embalagem.
da Ripasa, termolaminada com filme Prolam® aplicado pela Lamimax. Filiada ao

3 Editorial
A essência da edição do mês, nas palavras do editor

8 Espaço Aberto
Esta revista foi impressa em Papelcartão
Opiniões, críticas e sugestões de nossos leitores Art Premium Novo 250g/m2 (capa) e papel
Image Mate 90g/m2 (miolo), fabricados pela
60 Internacional Ripasa S/A Celulose e Papel, em
harmonia com o meio ambiente.
Maior garrafa de vidro para vinho é criada por americanos e tchecos
Impressão: Congraf Tel.: (11) 5563-3466
64 Rotulagem Laminação: Lamimax Tel.: (11) 3644-4128
Produtos e tecnologias de decoração, identificação e rastreabilidade Filme da laminação: Prolam Tel.: (11) 3611-3400

68 Veterinária EMBALAGEMMARCA é uma publicação


Bayer muda embalagens da Linha Pequenos Animais, mas mantém equities mensal da Bloco de Comunicação Ltda.
Rua Arcílio Martins, 53 • Chácara Santo
ILUSTRAÇÃO DE CAPA: JOSÉ HIROSHI TANIGUTI

72 Inovação Antonio - CEP 04718-040 • São Paulo, SP


Dr. Oetker adota estojos de PVC da Rigesa em linha de chás instantâneos Tel. (11) 5181-6533 • Fax (11) 5182-9463

74 Display Filiada à
Lançamentos e novidades – e seus sistemas de embalagens

54 Panorama www.embalagemmarca.com.br
Movimentação na indústria de embalagens e seus lançamentos
O conteúdo editorial de EMBALAGEMMARCA é
78 Painel Gráfico resguardado por direitos autorais. Não é permi-
tida a reprodução de matérias editoriais publi-
Novidades do setor, da criação ao acabamento de embalagens cadas nesta revista sem autorização da Bloco
82 Almanaque de Comunicação Ltda. Opiniões expressas em
matérias assinadas não refletem necessaria-
Fatos e curiosidades do mundo das marcas e das embalagens mente a opinião da revista.
chegou e já a li inteira! Adorei a re- uma lata com a nova tampa Secu-
portagem sobre marcas (edição nº rity, desenvolvida e patenteada
60, agosto de 2004): atualíssima. pela Renner e comercializada com
Maria Elisa Cappellano exclusividade pela Brasilata; a
Planejamento imagem mais adequada seria a que
Agência Toro aparece na foto A;
São Paulo, SP
3) na reportagem de capa da
Consultas e sugestões edição nº 60 (agosto de 2004), no
quadro intitulado “Outra boa op-
P arabenizamos EMBALAGEM-
MARCA pelo quinto aniversário e
ção para mix machines”, o uso de
fotos de uma máquina de mistura
informamos que mantemos, desde de tintas (sistema tintométrico)
o primeiro número, todos os exem- com a marca da Suvinil estampa-
plares arquivados para consultas e da, ao lado de uma tampa Safe
sugestões aos nossos clientes com Mix, da Prada, pode, na opinião da
relação aos temas relativos a emba- Brasilata, induzir o leitor a con-
lagem. Mais uma vez, parabéns a cluir que seja este o sistema de fe-
Queijo tipo reino toda a equipe e muito sucesso. chamento utilizado pela fábrica de
Aderbal L. Bonfante tintas, quando ela usa com exclusi-
N ão poderíamos deixar o belo
trabalho de reportagem sobre o
Gerente de marketing
EMIL Empresa Mineira Ltda.
vidade seu sistema Biplus, “dupla-
mente premiado na categoria Bri-
queijo tipo reino, com uma analogia Além Paraíba, MG colagem, pela WPO (World Packa-
bem humorada, passar em branco. ging Organization), pela ABRE
(“Uma nova bola da vez”, edição Correções (Associação Brasileira de Embala-
nº 60, agosto de 2004). Estou en- gem), e ganhador do prêmio Brasil
viando esta mensagem para agrade-
cer a oportunidade que EMBALA-
A seguir, retificações de equívo-
cos cometidos em reportagens nas
Premium, do Ministério de Desen-
volvimento, Indústria e Comércio
GEMMARCA nos proporcionou. To- quais foram citados nomes de pes- Exterior” (foto B).
dos estamos eufóricos e nos sentin- soas e produtos da Brasilata, pelos
do valorizados. Como é bom ser- quais registramos nossos pedidos B
mos lembrados pelos meios de co- de desculpas:
municação! Este trabalho funcio-
nou como uma alavanca de motiva- 1) na reportagem “Ração sequinha
ção para todos que aqui trabalham. e crocante” (edição nº 59, julho de
A reportagem com a história do 2004, página 24), o nome correto
Edam foi ótima. Gostaria de saber do gerente geral da divisão alimen-
como conseguiram esta informa- tícia da empresa é João de Masi Mensagens para
ção, pois não a enviei. Tuma, e não João Teixeira Tuma,
Maria Tereza Ladeira Abud como foi publicado;
EMBALAGEMMARCA
Diretora industrial Redação: Rua Arcílio Martins, 53
Metalgráfica Palmira Ltda. CEP 04718-040 • São Paulo, SP
Santos Dumont, MG Tel (11) 5181-6533
A Fax (11) 5182-9463
Sem “encher lingüiça” redacao@embalagemmarca.com.br

M ais uma vez me sinto na obri-


gação de tecer elogios ao excelente
As mensagens recebidas por
carta, e-mail ou fax poderão ter
conteúdo editorial de EMBALA- trechos não essenciais elimina-
GEMMARCA. Além de reportagens
dos, em função do es-paço
sérias, ela é atual, não “enche lin- 2) na mesma edição, na nota sobre disponível, de modo a dar o
güiça” com assuntos antigos e irre- a participação da Brasilata na Fis- maior número possível de
levantes e ainda: não perde o foco pal (página 40), o produto mostra- oportunidades aos leitores. As
com reportagens que não fazem do na imagem não é a Ploc Off, e mensagens poderão também
parte do interesse dos leitores da sim a nova embalagem da mantei- ser inseridas no site da revista
revista. Parabéns! A revista mal ga Tourinho, da mineira Trilat – (www.embalagemmarca.com.br).

8 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


entrevista >>> Assis Kavaguchi

“A flexografia ainda vai


concorrer com o off-set”
e sinônimo de carimbo a um dos métodos de Como o senhor caracterizaria o parque flexográfico brasilei-

D impressão de embalagens que mais evoluíram


nos últimos anos. Para leigos, essa frase talvez
exprima mais sobre a flexografia do que pro-
priamente sua definição técnica – sistema de
impressão rotativo que usa clichês flexíveis com gráficos em
ro em termos de atualização tecnológica? Nos últimos anos
as gráficas que atuam com esse tipo de sistema de impressão
tiveram fôlego para investir em novos equipamentos e pro-
cessos produtivos?
Da mesma forma que o mercado gráfico em geral, a área de
alto relevo, ajustáveis sobre porta-clichês com longitude de flexografia em particular investiu alto em novos equipamen-
repetição variável, entintados por um cilindro que transporta tos a partir da estabilização da economia e da implantação do
tintas líqüidas ou pastosas sobre qualquer substrato. Plano Real. O fim da inflação permitiu às empresas do setor
Tecnicismos à parte, o certo é que a flexografia é um dos sis- adquirir máquinas modernas, e esse é um dos fatores que ex-
temas de impressão que vêm apresentando as maiores taxas plicam o salto qualitativo da impressão flexográfica no
de crescimento na área de embalagens flexíveis e semi-rígi- Brasil. Entretanto, o investimento foi de certa forma exage-
das. Pouches feitos de filmes laminados, rótulos auto-adesi- rado. Quando as gráficas começaram a investir pesado em
vos e caixas de papelão ondulado são apenas alguns dos re- novas flexográficas, esperavam um crescimento substancial
cipientes e complementos de embalagem em que essa tecno- do mercado. Mas a maioria delas só começou a colher os fru-
logia vem se projetando no Brasil, na grande maioria das ve- tos de seus investimentos de dois anos para cá.
zes com equipamentos nacionais.
A multiplicação dos fabricantes brasileiros de impressoras Nesse esforço de atualização tecnológica, algumas gráficas
flexográficas, que não só dominam o mercado interno, como fizeram dívidas em dólar, que comprometeram suas opera-
exportam cada vez mais, é um dos temas da entrevista a se- ções após a desvalorização do real frente à moeda america-
guir, com Assis Kavaguchi, vice-presidente executivo e pre- na. Esse problema ocorreu no mercado de flexografia?
sidente da comissão técnica da Abflexo/FTA-Brasil (Asso- Não, porque o mercado flexográfico tem uma peculiaridade
ciação Brasileira Técnica de Flexografia), entidade que está no Brasil em relação a outros sistemas de impressão. Hoje em
comemorando quinze anos e acaba de eleger nova diretoria. dia, nada menos do que 90% das impressoras flexográficas
Formado em química, Kavaguchi começou atuando no mer- rodando no país são nacionais. Os fabricantes brasileiros têm
cado de tintas para rotogravura, hoje o principal rival da fle- conseguido desenvolver produtos com preço e características
xografia na área de embalagens. Nos últimos 35 anos, porém, técnicas competitivas. É claro que muitos equipamentos im-
ele milita no segmento de tintas flexográficas, onde é geren- portados apresentam recursos de impressão mais sofistica-
te de produtos da Luminar Tintas. Com base nessa experiên- dos. Mas as flexográficas nacionais satisfazem plenamente as
cia, o vice-presidente da Abflexo afirma que, até o final des- necessidades do mercado. Seus fabricantes investiram nos úl-
ta década, a flexografia deixará de concorrer com a rotogra- timos anos em recursos humanos e em inovações tecnológi-
vura e passará a brigar com sistemas de impressão hoje con- cas, de acordo com o tipo de equipamento com que atuam.
siderados mais evoluídos, como o off-set. Mas não seria correto dizer que esse investimento causou dí-

Assis Kavaguchi, vice-presidente executivo


e presidente da comissão técnica da Abflexo/
FTA-Brasil, comenta os avanços da flexografia
no mercado brasileiro de embalagens

10 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


entrevista >>> Assis Kavaguchi

vidas impossíveis de serem pagas. ca, onde atuo diretamente. Mas os fabricantes de equipamen-
tos também sofrem com essa característica do mercado bra-
Como têm evoluído as exportações das impressoras flexo- sileiro. No mercado de máquinas flexográficas de seis e oito
gráficas nacionais? cores, que são as mais usadas hoje, as empresas sempre exi-
Atualmente, em torno de 60% da produção brasileira de equi- gem o equipamento mais barato. Como não existe milagre,
pamentos flexográficos estão voltados ao mercado interna- esse tipo de opção nem sempre tem resultados finais de qua-
cional. Mas já há fabricantes exportando quase toda a sua lidade. Esse é, por sinal, um dos motivos que fizeram os fa-
produção. Hoje o maior mercado bricantes de impressoras buscarem
para essas máquinas está na Améri- “Os fabricantes mercados fora do Brasil. Muitos per-
ca do Sul, mas as remessas para a ceberam que, sem exportar, o cresci-
África e para a Europa são cada vez nacionais de impressoras mento dos seus negócios seria limi-
maiores. Até em países como Fran- tado. Já lá fora, a possibilidade de
ça, Holanda e Alemanha, berço de
excelência quando se fala em im-
flexográficas se atuar com impressoras mais sofisti-
cadas é maior. A questão do custo,
pressão, já há fabricantes nacionais enfim, se tornou o fiel da balança no
com escritórios de representação.
multiplicaram nos últimos nosso mercado. Eu diria que a flexo-
Enquanto uma máquina alemã pode grafia só não cresceu mais no Brasil
custar até 11 milhões de dólares, anos, e hoje dominam 90% porque não conseguiu manter uma
nossas flexográficas não passam de constância em termos de qualidade.
600 mil dólares. Até por uma ques- do mercado brasileiro, Se um dia o mercado interno for
tão de redundância, as empresas co- mais receptivo a equipamentos mais
meçam a preferir investir em cinco além de exportar, em sofisticados, não há dúvidas de que a
máquinas mais baratas do que em flexografia conquistará muito mais
uma que custou milhões e que pode participação no mercado de embala-
parar toda a produção se apresentar
média, 60% de sua pro- gens flexíveis e semi-rígidas.
problemas. Por mais que soe óbvio,
a grande diferença dos fabricantes dução. O segredo dessas Muitos dos países para os quais os
brasileiros de impressoras flexográ- fabricantes nacionais têm exportado
ficas tem sido saber combinar preço empresas é combinar suas máquinas flexográficas apre-
e qualidade. sentam economias semelhantes à
preço e qualidade” brasileira. Por que, então, esses
Em linhas gerais, o que explica ta- mercados são mais receptivos a
manha diferença de custos entre as máquinas nacionais e as equipamentos sofisticados?
importadas? Na verdade não são. Na América do Sul e na África, a con-
Basicamente, a tecnologia de fabricação e os periféricos en- dição de fato é a mesma da nossa, quando não pior. Por isso
volvidos. Na Europa, hoje, a maioria das flexográficas usa as empresas nacionais estão se movimentando mais recente-
uma tecnologia chamada de gearless. Isso significa que essas mente rumo à Europa. Isso é muito importante, pois no Brasil
impressoras não têm engrenagens. É um conceito mais evo- e em outros mercados com o mesmo nível de desenvolvi-
luído, que permite grande flexibilidade nas tiragens e na ve- mento não há demanda para as soluções mais sofisticadas.
locidade de produção das embalagens, além de opções muito Um dos principais fabricantes brasileiros de flexográficas, a
maiores em termos de medidas. São máquinas robustas, com Feva, por exemplo, já conta com equipamentos gearless.
facilidade de ajustes, ideais para grandes tiragens. Como no Mas tem encontrado dificuldades em vendê-los no Brasil. O
mercado nacional as grandes tiragens praticamente deixaram caminho é exportar.
de existir, pela pulverização do varejo e pelas cada vez mais
freqüentes mudanças visuais das embalagens, muitas empre- Apesar da pressão por custos, o crescimento da flexografia
sas têm optado por máquinas mais simples. no mercado brasileiro de embalagens tem sido constante...
Uma das razões para isso está nas empresas de banda estrei-
Esse tipo de opção não teria, em contrapartida, reflexos na ta. A cada dia surgem novas gráficas para atuar com esse tipo
qualidade de impressão das embalagens? de impressão flexográfica. Ao mesmo tempo, também se
De certa maneira sim. No Brasil ocorre um fenômeno curio- multiplicam no Brasil os fabricantes de máquinas de banda
so: em vez de brigar por boa qualidade, muitas empresas estreita, que até pouco tempo atrás praticamente não exis-
optam por produzir embalagens de qualidade inferior. Isso tiam. Mas não há dúvidas de que, em breve, esse mercado
fica muito claro na área de tintas para impressão flexográfi- também estará saturado. Por outro lado, é preciso lembrar
12 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004
entrevista >>> Assis Kavaguchi

que na última década a flexografia foi certamente a área que gens a flexografia continua sendo mais vantajosa. Diante de
mais se desenvolveu no mundo em termos de qualidade de tiragens decrescentes, como ocorre no Brasil, a tendência é a
impressão. Lançando mão de uma alegoria, pode-se dizer rotogravura cair cada vez mais, em benefício da flexografia.
que há dez anos estávamos na Idade Média, e hoje vivemos
num mercado complexo e moderno. Além da evolução dos Além dos custos, uma das supostas vantagens da flexografia
equipamentos em si, outros elos da cadeia flexográfica con- é a rapidez dos set-ups. Em que medida a questão dos ajus-
tribuíram para a modernização do setor, com destaque para as tes de máquina tem contado pontos a favor do sistema?
áreas de substratos e tintas. Em Ocorre que a flexibilidade dos equi-
eventos internacionais, embalagens “A flexo não cresceu pamentos influi na produtividade
impressas em flexografia são colo- das empresas. Há impressoras flexo-
cadas ao lado de outras, impressas mais no Brasil porque gráficas em que é possível fazer uma
em rotogravura e off-set, e poucos troca em minutos, ao passo que pro-
especialistas conseguem identificar cessos semelhantes na rotogravura
diferenças. Além da evolução em
não conseguiu manter podem demorar até quatro horas.
termos de qualidade, a flexografia é Por outro lado, os clichês de fotopo-
um sistema que, dependendo das ti- uma constância de límero podem ter preço maior do
ragens, apresenta o menor custo de que a gravação de cilindros da roto-
impressão no mercado de emba- qualidade. Quando o gravura. Enfim, há prós e contras.
lagem hoje. Seu custo operacional Mas sem dúvida a flexografia é o
também é muito menor que o de ou- mercado for receptivo a sistema que tem sido beneficiado
tras tecnologias, porque as perdas do pelo maior número de inovações
processo são mínimas. tecnológicas. O desenvolvimento da
processos mais sofistica- área de pré-impressão para flexogra-
Quais os segmentos do mercado de fia tem sido fantástico. Hoje é possí-
embalagens em que o emprego da dos, conquistaremos vel evitar erros de impressão que an-
flexografia tem crescido com mais tes eram comuns. As chapas, os ani-
velocidade? muito mais participação lox, quase tudo melhorou.
As áreas de embalagens flexíveis e
de rótulos são sem dúvida muito im- no mercado de No ano passado foi anunciado que o
portantes para nós, mas eu gostaria mercado de rotogravura seria
de destacar o mercado de embala-
gens de papelão ondulado. É um
embalagens flexíveis” abrangido pela Abflexo. Essa idéia
se consolidou?
setor em que se notam excelentes oportunidades para a flexo- Quando a Abflexo foi fundada, a rotogravura fazia parte da
grafia, porque, entre outros aspectos, o Brasil tem se esforça- sua área de representação. Mas, com o passar dos anos, isso
do para melhorar a qualidade das embalagens de papelão usa- foi deixado de lado. Tentamos no ano passado retomar essa
das no mercado de hortifrutigranjeiros, que historicamente ligação. Lamentavelmente, porém, houve um movimento
enfrenta enormes perdas em virtude de acondicionamentos contrário por parte de alguns associados. É uma lástima, pois
deficientes. Mas felizmente as empresas dessa área já perce- hoje não há no Brasil associações nem palestras técnicas de-
beram que é importante investir em embalagem, não só para dicadas à rotogravura.
diminuir o desperdício, como também para aumentar as ex-
portações. A caixa de papelão ondulado já não é algo que ser- Que tipo de balanço o senhor faz por ocasião dos recém-
ve apenas para o transporte de produtos. Hoje as empresas completados quinze anos da entidade?
usuárias desse tipo de embalagem querem cromias e sistemas O mercado de flexografia tem grande carência de profissio-
de impressão mais aprimorados, buscando projeção no mer- nais especializados. Um dos nossos objetivos é lutar pela
cado internacional. A flexografia é praticamente o único sis- capacitação e aprimoramento de impressores, para melhorar
tema de impressão usado em embalagens de papelão ondula- ainda mais a qualidade da flexografia. Muitas empresas têm
do hoje. O mesmo não ocorre no setor de rótulos. profissionais que não tiveram nenhum tipo de treinamento
teórico. Precisamos contar com os convertedores para capa-
Como anda a competição entre a flexografia e a rotogravu- citar essas pessoas. Se isso ocorrer, e os equipamentos e pe-
ra no mercado de embalagens? riféricos de flexografia continuarem a evoluir, teremos con-
Eu diria que a flexografia está ganhando. Isso se explica pelo dições de deixar de competir apenas com a rotogravura, para
custo unitário da impressão. Quando se tem grandes tiragens, passar a brigar também com o off-set. Para isso é preciso pro-
a rotogravura é mais barata. Mas em médias e pequenas tira- mover uma convergência maior entre nossos associados.
14 >>> EmbalagemMarca >>> junho 2004
estratégia >>> refrigerantes

Segmentação à toda
AmBev e Coca-Cola apostam em diversificação de marcas de bebidas gaseificadas
parentemente menos preocupadas No que pese essa característica, a nova

FOTOS: DIVULGAÇÃO
A com as chamadas marcas regionais,
as líderes do mercado brasileiro
de refrigerantes deixaram de pri-
vilegiar medidas recorrentes no auge do
marca não está posicionada na categoria de
energéticos. Menos ainda na de isotôni-
cos. Trata-se na verdade de uma bebida
gasosa industrializada e com sabor ado-
processo de “tubainização” do setor, cicado – isto é, um autêntico refrige-
como diminuição de margens e distri- rante. Por sinal, uma medida de sua
buição mais pulverizada, e se voltam importância nos planos futuros da
cada vez mais para a diversificação de AmBev está no fato de que o Guaraná
seus portfólios. Essa é uma das possí- Zon é apenas a terceira versão do Gua-
veis leituras de dois recentes lançamen- raná Antarctica desde seu lançamento,
tos feitos pelas gigantes AmBev e Coca- em 1921, e a primeira desde a fusão
Cola, que respondem por quase 70% entre a Antarctica e a Brahma, em
dos mais de 11,5 milhões de litros de re- 1999. A segunda versão do produto foi
frigerantes produzidos por ano no Brasil o Guaraná Antarctica Diet, que chegou
(ver quadro). ao mercado em 1989 e hoje responde
No primeiro caso, a dona das mar- por mais de 30% das vendas da marca.
cas Antarctica e Brahma anunciou um
produto que vem sendo considerado sua Fase de avaliação
maior aposta na categoria de refrigeran- A estratégia de distribuição revela, en-
tes desde o lançamento da Pepsi Twist, tretanto, que o Guaraná Zon deverá en-
em 2002. Com o nome de Guaraná An- frentar razoável período de testes antes
tarctica Zon, numa alusão à Amazônia, de se consolidar no portfólio da Am-
a nova bebida é uma versão energética Bev. Por enquanto, o lançamento só
do segundo refrigerante mais consumi- está sendo vendido nos mercados pau-
do no país depois da Coca-Cola. Em ou- lista, fluminense e mineiro, e não há pre-
tras palavras, o Guaraná Zon possui concen- VIGOR – Guaraná
visão de lançamento nacional. Na parte das
trações maiores de guaranina – substância res- Antarctica Zon tem doses embalagens, um outro indício de que o produ-
ponsável pelas propriedades revigorantes do maiores de guaranina, to está sendo submetido a uma fase de avalia-
substância energética do
fruto guaraná – do que o tradicional Guaraná ção de mercado: inicialmente, o Guaraná Zon
fruto guaraná
Antarctica. será distribuído apenas em latas de alumínio de
350ml, fornecidas pela Crown Embalagens,
Mercado brasileiro de refrigerantes com layout da agência Narita Design.
Participação por marca* – em % Neste último aspecto, a identidade visual
do novo guaraná se destaca pelo uso de cores
Coca-Cola..............................................................34,4 vibrantes e grafismos modernos. A idéia, diz
Guaraná Antarctica..................................................8,4 Mario Narita, diretor da agência responsável
Pepsi ......................................................................6,1 pelo projeto, é atrair jovens e adolescentes, que
Fanta .....................................................................5,9 compõem o público-alvo do Guaraná Zon.
Guaraná Kuat ..........................................................2,9 Pensando nesse mesmo perfil de consumidor, a
Outros..................................................................42,3 Coca-Cola anunciou, quase que simultanea-
* FONTE: ACNIELSEN/AMBEV

mente ao lançamento da rival AmBev, mudan-


Participação por fabricante** – em % ças nos sabores da Fanta – quarto refrigerante
** FONTE: ABIR (2003)

Coca-Cola..............................................................50,1 mais consumido no Brasil, depois de Coca-


AmBev..................................................................17,2 Cola, Guaraná Antarctica e Pepsi. As versões
Outras..................................................................32,7 Citrus e Maçã, lançadas há dois anos, deixarão
de ser produzidas no Brasil, dando lugar à

16 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


nova Fanta Laranja Mix, que mistura os sabo- Crown Embalagens participação, segundo dados ACNielsen.
res laranja e tangerina. Segundo a empresa, as (11) 4529-1000 Em termos de recipientes, pode-se dizer
www.crowncork.com
alterações não significam que os lançamentos que a Fanta Laranja Mix é mais versátil do
anteriores foram mal-sucedidos, mas fazem Narita e Associados que o Guaraná Antarctica Zon. Isso porque o
parte “da dinâmica da marca, que tem muitas (11) 3167-0911 produto não será vendido apenas em latinhas
www.naritadesign.com.br
possibilidades de extensão”. de alumínio, caso do lançamento da AmBev,
mas também em garrafas retornáveis de vidro
Maior mercado do mundo de 290ml, além de garrafas PET de 600ml, 1
Assim como deverá acontecer com a AmBev e REVEZAMENTO litro e 1,5 litro.
seu Guaraná Antarctica Zon, tudo indica que o Saem Fanta Em meio a essas estratégias de segmenta-
Citrus e Maçã,
grande desafio da Coca-Cola com a Fanta La- e entra mix ção, vale lembrar que as marcas “regionais”
ranja Mix será fidelizar o público jovem, que de tangeri- de refrigerantes, que saltaram de uma parti-
gosta de experimentar novidades, mas muda na e laranja cipação de 13% no início da década de 90,
de sabores e marcas com facilidade. Talvez para uma média de 30% em 1999, pouco
seja por isso que a empresa aposta na avançaram desde então. Nesse sentido, não
mistura entre a tangerina e o consa- será surpresa se AmBev e Coca-Cola acen-
grado sabor laranja, que ajudou a tor- tuarem suas apostas em segmentação de
nar a Fanta um fenômeno no país – o marcas e no lançamento de novos produtos
Brasil é hoje o maior mercado de de agora em diante. Para as empresas de
Fanta Laranja do mundo. No seg- embalagens que atuam no mercado brasilei-
mento, a marca da Coca-Cola con- ro de refrigerantes, que é o terceiro maior do
corre com a Sukita, da AmBev, além mundo, atrás apenas de Estados Unidos e
de vários fabricantes menores, e México, isso pode ser interpretado como si-
mantém a liderança com 37,3% de nônimo de bons presságios.
CONGRAF

18
CONGRAF

19
reportagem de capa >>> plásticos

Soluções mais am
Tecnologias para a rápida degradação de plásticos m
Por Guilherme Kamio
Y
DO
GO
RÉ cenário atual da indústria de plás-

O
D
– AN

IO
AG ticos, como ela própria alega, está
UD
ST longe de ser entusiástico. Em que
pesem os recentes sinais de aque-
cimento da atividade econômica, ela enfrenta
ociosidade média de 25% de sua capacidade
instalada, e os transformadores se vêem
numa queda-de-braço sobre repasse de
preços com a clientela. Um nicho, porém, tem
conseguido manter-se em certo nível imune
aos problemas do setor: o das embalagens
plásticas de rápida degradação, obtidas a par-
tir da mistura de um aditivo aos seus proces-
sos triviais de fabricação.
Desde a sua estréia em ações de
vulto no país, no fim de 2003, na
forma de sacolas de duas gigantes
nacionais do setor de cosméticos e perfu-
maria, a Natura e O Boticário, tais
embalagens, capazes de sumir do am-
biente em questão de meses em vez
dos decênios inerentes às suas versões
comuns, tornaram-se objeto de uma grande
corrida de desenvolvimentos no Brasil – e de
uma corrida em que preços maiores, pelo plus
do aditivo, não vem sendo entrave.
Num viés, esse quadro pode levar a uma
constatação negativa: a de que essas embala-
gens diferenciadas estão em alta por-
que o país enfrenta sérios problemas
com o descarte das versões corriquei-
ras. É verdade. O momento, no entanto, me-
rece também ser analisado por outra embo-
cadura – essa, inegavelmente positiva. “A
escalada dessas embalagens, capitaneada
ESTRÉIA – Sacolas
atualmente pelo empresariado, tende a fazer
de rápida
degradação estão com que, num passo adiante, a consciência
chegando aos ambiental de fato cresça entre os consumi-
supermercados dores”, sinaliza Maurício Groke, diretor co-
através da rede
Pão de Açúcar mercial da Antilhas, a provedora das sacolas
utilizadas no ano passado pelo O Boticário.
“Haverá, então, a esperada maior exigência
da ponta da cadeia por soluções ambiental-
mente mais corretas.”

20 >>> EmbalagemMarca >>> agosto 2004


igas em alta
ovimentam setor de embalagens

De uma ação spot, restrita ao Natal, as


embalagens de degradação acelerada agora
são itens de linha nessa fabricante de cosmé-
ticos. Groke reporta ainda uma ação mundial
de conscientização ecológica da qual a Anti-
lhas participará em setembro, a Clean Up The
World, fornecendo sacolas de rápida degrada-
ção para coleta de dejetos em praias flumi-
nenses, e iniciativas ainda mantidas sob sigi-
lo em grandes indústrias nacionais (uma de
papéis, uma de itens de higiene e limpeza e
outra de perfumaria).

Estréia nos supermercados


Para se ter idéia, os apelos dessas embalagens
especiais vêm chamando até a atenção do
setor de auto-serviço. Tanto é que o Pão de
Açúcar, maior grupo supermercadista brasi-
leiro, está lançando sacolas desse material
para o acondicionamento das compras efetua-
das em uma loja recém-aberta em São Paulo,
no bairro Real Parque. “A novidade fortalece
o nosso compromisso com a preservação da
natureza e com o trabalho e o esforço da po-
pulação nos demais projetos de reciclagem
DIVULGAÇÃO – Ação que têm sido implementados com grande su-
no fim de 2003 de O
cesso em nossas lojas por todo o país”, afirma
Boticário, com sacolas
fabricadas pela Antilhas, Eduardo Romero, diretor de marketing corpo-
deu visibilidade rativo do Grupo Pão de Açúcar. De acordo
às embalagens de com ele, a iniciativa é um projeto piloto, que
rápida degradação
a rede pretende estender gradativamente a ou-
tras unidades da rede. “Trata-se do resultado
de cerca de um ano de conversas e estudos
com a rede”, relata Rogério Mani, diretor co-
mercial da Sol Embalagens, a fornecedora
das sacolas. O contrato estipula o forneci-
mento mensal de cerca de 720 000 unidades
desses envoltórios à nova loja.
A tecnologia empregada pela Antilhas e
pela Sol para a produção de sacolas de rápida
degradação é a D2W, da companhia inglesa
Symphony, cujo mecanismo de ação se baseia
no conceito de “oxi-biodegradabilidade” – no
qual umidade, raios solares, stress (grande
manuseio ou fricção) e altas temperaturas
aceleram a decomposição do plástico e o tor-
na “apetitoso” aos microorganismos, fazen-
do-o desaparecer num tempo passível de ser

DIVULGAÇÃO
programado em sua fase de fabricação (veja o
infográfico).
A Symphony é representada com exclusi-
vidade no território nacional pela RES Brasil,
situada em Valinhos (SP). No fim do ano pas- FRANGALHOS – de Campinas (SP) para produzir localmente
Diagrama mostra
sado, a empresa contava com quatro conver- a evolução da os aditivos com tecnologia da Symphony. As
tedoras licenciadas para o trabalho com seu decomposição acelerada obras, diz Van Roost, deverão consumir 3 mi-
aditivo, chamado EMC. “Atualmente, já tra- da embalagem lhões de reais e começarão em fevereiro. Es-
balhamos com um universo de quase cin- pera-se que a planta comece operando com
qüenta transformadoras de plásticos, entre as capacidade total, produzindo 100 toneladas
já aptas a fornecer e aquelas em fases de tes- mensais de aditivos. Além da substituição de
tes ou de certificação de seus produtos”, afir- importações, 60 toneladas serão exportadas
ma Eduardo Van Roost, diretor superinten- para países asiáticos, africanos e vizinhos sul-
dente da RES Brasil. Além dos já citados, americanos. “As matérias-primas para a fabri-
outros nomes de peso em fabricação de emba- cação dos aditivos são derivadas do petróleo e
lagens aderiram a parcerias com a empresa disponíveis no mercado nacional”, esclarece o
nos últimos meses. Exemplos são a Diadema, diretor da RES Brasil. “O Brasil é uma praça
a Zaraplast, e a Incoplast. Em 2003, a empre- muito promissora para as tecnologias que ace-
sa comercializou 4 toneladas de aditivos no leram a degradação de plásticos”, disse a
país. Para este ano, a expectativa é de que as EMBALAGEMMARCA o inglês Michael Laurier,
vendas atinjam 24 toneladas. Mais à frente, CEO da Symphony. No fim de agosto, ele es-
em 2005, a RES crê num salto para 40 tone- teve em São Paulo, onde comandou uma pa-
ladas. lestra sobre seus produtos para empresários e
Esse volume, aliás, está em projetos para executivos na sede da ABIEF (Associação
serem fabricados por aqui já no próximo Brasileira da Indústria de Embalagens Plásti-
exercício. A RES abrirá uma fábrica na região cas Flexíveis).

Não é feitiçaria, é tecnologia


Entenda como os plásticos de rápida degradação “somem” do ambiente.

Os plásticos são forma- Misturado aos plásticos Com suas ligações atômi- Os átomos livres de car-
dos por cadeias molecula- em sua fabricação, um cas fragilizadas, os plásti- bono e hidrogênio entram
ILUSTRAÇÕES: MÁRCIO TOMYA – FONTE: ANTILHAS

res compostas por áto- aditivo, que não altera as cos aos poucos se de- em contato com o oxigê-
mos de carbono e hidro- propriedades finais do compõem em fragmentos nio presente no ambiente
gênio fortemente ligados produto, faz com que fa- facilmente digeríveis por e formam novas molécu-
entre si, difíceis de serem tores como luz solar, umi- microorganismos (fungos las de água e dióxido de
digeridos por microorga- dade, temperaturas aci- e bactérias). Eles que- carbono, ou seja, aquilo
nismos e que custam a ma de 30ºC e stress do bram as ligações entre que exalamos na respira-
degradar sob condições material (fricção excessi- os átomos de carbono e ção. Assim, o plástico
normais – isso pode levar va) fragilizem as ligações hidrogênio, liberando-os “some” sem deixar sub-
até 100 anos entre os átomos no ambiente produtos nocivos

22 >>> EmbalagemMarca >>> agosto 2004


Quem igualmente apresenta evidências do

STUDIO AG – ANDRÉ GODOY


boom das embalagens de degradação rápida é
outra parceira antiga da RES, a Nobelplast.
De dez meses para cá, a empresa viu o núme-
ro de clientes seus nessa área saltar de três
para dez, levando a previsões de que as ven-
das de embalagens de sua linha Bioplast, que
reúne aquelas com degradabilidade acelerada,
responderão por 5% de seu faturamento já
neste ano, contra o 1% do exercício anterior.

Carteira engordada
Entre os fregueses conquistados desde o fim
de 2003 estão, entre outros, nomes como os
laboratórios Aché, a rede de lojas de brinque-
dos Laura e a Petrobrás. Até o Governo do
Estado de Pernambuco entrou em sua cartei-
ra: ele distribui saquinhos de degradabilidade
acelerada para os visitantes da ilha de Fernan-
do de Noronha recolherem seu lixo. Outro
cliente vem da agroindústria. É a catarinense
Renar, que está se valendo de embalagens fle-
xíveis de rápida degradação para exportar SORTIMENTO – Em pouco menos de um ano, Nobelplast amealhou clientes para sua
maçãs para a Europa. “As frutas são direcio- divisão Bioplast em diversos segmentos. Um deles foi o Governo de Pernambuco
nadas ao varejo europeu já nessas embala- çamento da Polo Bio, uma linha de filmes de
gens, certificadas para o contato direto com BOPP de rápida degradação. Sua acolhida
alimentos”, explica Beni Adler, diretor execu- junto às indústrias nacionais pôde ser sentida
tivo da Nobelplast. rapidamente, conforme Eduardo Franco Bata-
Outro resultado do trabalho de prospecção gini, supervisor de desenvolvimento de mer-
da RES Brasil no mercado nacional se mate- cado da Polo, contou à EMBALAGEMMARCA.
rializou por meio da Polo, grande fabricante REMESSAS – Maçãs da Quase instantaneamente ao anúncio de seu
de filmes de polipropileno bi-orientado Renar estão ganhando desenvolvimento, diversas empresas sinaliza-
mercados internacionais
(BOPP). Ela divulgou em junho, durante a com embalagens de
ram receptividade ao produto. Entre eles, fa-
feira de negócios Fispal, em São Paulo, o lan- degradação acelerada bricantes de cigarros, dispostos a implemen-
tá-lo nos envoltórios de suas carteiras de ci-
garro, aplicação em que o filme de BOPP
goza de mercado cativo. “É uma vontade do
setor de diminuir o impacto ambiental de suas
embalagens”, disse Batagini.

Uma provedora a mais


Recentemente, um sinal de outra natureza
também serviu para evidenciar que as emba-
lagens mais amigas do ambiente são aplica-
ções promissoras no país: abriu-se concorrên-
cia à RES Brasil no fornecimento de tecnolo-
gias de degradação rápida de polímeros. A
GMCJ Soluções, de São Paulo, representante
da companhia americana Willow Ridge Plas-
tics, está buscando negócios na área plástica.
Um dos aditivos da empresa, o PDQ-H, já
STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

pode ser visto numa aplicação no mercado


nacional. Produtora de embalagens para o
setor farmacêutico, a Apotek, de Campinas
(SP), acaba de lançar uma linha de recipientes
de rápida degradação para medicamentos

Filme celulósico quer aproveitar bom momento


O interesse crescente rada por fatores como wrap e sacos”, comenta antiestático e pode ser
das indústrias brasileiras alta temperatura, raios José Antônio Rufato, ge- levado ao forno de mi-
por embalagens menos solares e umidade”, infor- rente de vendas da UCB. croondas ou ao conven-
agressivas ao ambiente ma Daniel Negrão Vieira, De acordo com ele, uma cional – se biodegrada
não está passando em da área de marketing da vez descartado, o Natu- em aproximadamente
brancas nuvens para o UCB. “Ele também aten- reFlex – que também é trinta dias.
braço nacional da produ- de a normas de compos-
tora belga de filmes para tabilidade, ou seja, pode
embalagens UCB. Tanto ser usado como adubo”.
que a empresa está tra- No momento, a intenção
balhando para prospec- da empresa é divulgá-lo
tar negócios em sua li- principalmente para pro-
nha de filmes celulósicos dutos de apelo natural e
NatureFlex no país. “É os orgânicos. “Ele ofere-
um filme projetado para ce bom desempenho in-
ser facilmente quebrado dependente do tipo de
por microorganismos e aplicação utilizado: flow
cuja degradação é acele- wrap, form-fill-seal, twist

24 >>> EmbalagemMarca >>> agosto 2004


com esse aditivo. Ela é composta por frascos AB Plast
(47) 451-9103
soprados em polietileno e tampas injetadas
vendas@abplast.com.br
em polipropileno, que compreendem seis vo-
Antilhas
lumes, variando de 30ml a 250ml. “Os con- (11) 4152-1111 AUSPÍCIO – Após
juntos são voltados principalmente ao acondi- www.antilhas.com.br desenvolver peças
cionamento de cápsulas fabricadas por farmá- Apotek rígidas de rápida
(19) 3278-2990 degradação com poli-
cias de manipulação e laboratórios homeopá- www.apotek.com.br etileno e polipropileno
ticos”, informa Ubiratã Barbosa Lima, diretor GMCJ Soluções (ao lado), AB Plast irá
da Apotek. Ele adianta que alguns contratos (11) 3209-6544 lançar frascos de PET
de fornecimento com produtores de fármacos www.gmcjsolucoes.com.br
já foram fechados. Incoplast
(44) 232-8000
De acordo com Michael Ktisti, sócio-dire- www.incoplast.com.br
tor da GMCJ Soluções, os frascos da Apotek Nobelplast
são regulados para começarem a se degradar (11) 3782-5066 de frascos e tampas de polietileno e polipro-
em torno de três anos. Segundo ele, os produ- www.nobelplast.com.br pileno, bancou estudos para o desenvolvi-
tos da Willow Ridge possuem qualidade e efi- Packduque
mento de embalagens sopradas em PET com
(19) 3881-8600
ciência atestada por laboratórios internacio- www.packtec.com.br essa qualidade. Deu certo. “Testes com mol-
nais de renome, inclusive em relação a conta- Polo des de clientes já estão correndo e, certamen-
to com alimentos líquidos e secos. Além do (11) 3706-8202 te, prometemos novidades para os próximos
www.poloind.com.br
PDQ-H, o portfólio da companhia americana meses”, divulga André Bornschein Silva, di-
RES Brasil
conta com outras soluções em agentes acele- (19) 3871 5185
retor da AB Plast. Outras aplicações pioneiras
radores da degradação de peças plásticas. Há, www.resbrasil.com.br prometem mexer com o mercado de embala-
por exemplo, um aditivo de ação única, ex- Sol Embalagens gens num futuro breve. Mani, da Sol Embala-
clusivamente para acelerar a degradação pela (11) 4441-6800 gens, adianta já estarem em fase adiantada de
www.solembalagens.com.br
ação dos raios solares. projeto filmes shrink, para aplicações em
UCB do Brasil
Novidades em embalagens rígidas, aliás, (11) 3038-0823 multipacks, filmes para empacotamento auto-
prometem gerar repercussão nos próximos www.surfacespecialties.com mático e rótulos do tipo roll label, em polipro-
meses. A catarinense AB Plast, que na ocasião Zaraplast pileno, para garrafas de bebidas. Sabe-se que
da primeira abordagem de EMBALAGEM- (11) 3952-3000 a paulista Packduque também está estudando
www.zaraplast.com.br
MARCA sobre plásticos de degradabilidade o desenvolvimento de filmes de degradabili-
acelerada já anunciava o sucesso da produção dade acelerada para shrink. Conta-se que, nos
últimos meses, uma grande cervejaria vem
batendo à porta de convertedores disposta a
estabelecer uma parceria para o desenvolvi-
mento de shrinks. “A maior utilização da tec-
nologia por marcas notórias de segmentos de
bens de consumo de altíssimo giro é o empur-
rão definitivo para esses plásticos no país”,
arremata Mani.

PARA FÁRMACOS –
Apotek lançou linha de
frascos de rápida
degradação para cápsu-
las de medicamentos
com aditivo da Willow
FOTOS: DIVULGAÇÃO

Ridge. Nos destaques,


tampas após 12 dias
(em cima) e nove
semanas (embaixo) de
estímulos à degradação

26 >>> EmbalagemMarca >>> agosto 2004


mercado >>> cervejas

Um viva às diferentes
Mercado nacional recebe ifícil saber em que medida o fenô-

D crescentes lançamentos
meno pegou carona na onda do
“experimenta”, deflagrada pela re-
cente campanha publicitária de
uma marca do produto, mas o brasileiro vem
de cervejas especiais, abrindo a cabeça e o bolso para consumir ou-
tros tipos de cerveja que não o pilsen, respon-
com sabores, métodos sável por quase 99% da produção cervejeira na-
cional. Embora faltem índices de mercado para
produtivos, preços balizar esse corolário, é lógico crer que os fa-
bricantes locais não estejam lançando cada vez
mais tipos diferentes de cervejas – com sabores
e visuais distintos das e métodos de produção comuns em outros país-
es, porém pouco populares por aqui (veja qua-
hegemônicas pilsen dro abaixo) – a esmo.
Trata-se de um movimento capitaneado por
Por Maria Luisa Neves dois extremos. De um lado, pelas grandes cer-
vejarias, que encontraram nessas cervejas espe-
ciais, vendidas sob apelo premium, formas de
recuperar margens fora da guerra de preços das
pilsen (como já observado em EMBALAGEM-
MARCA nº 53, janeiro de 2004). De outro, pelas
microcervejarias, um negócio em alta no país.
Segundo o presidente da Associação Brasileira
de Microcervejarias (ABMIC) e proprietário da
Cervejaria Colorado, Marcelo Carneiro da Ro-
FOTOS: DIVULGAÇÃO

cha, o segmento já fatura 15 milhões de reais


por ano no Brasil. Essa desperta pluralização
do mercado de cervejas, escorada num público-
alvo de considerável poder aquisitivo, vem se
valendo de apresentações diferenciadas de pro-
duto. E com sucesso.
ROYAL ALE Já é famoso o caso da Bohemia Weiss,
Nova Bohemia
edição limitada de cerveja de trigo da AmBev
“exótica” da
AmBev lançada numa embalagem especial, no fim de
2003. A partida de quase 650 000 unidades,
prevista para se esgotar em um quadrimestre,

TIPOS DE CERVEJA
Cerveja Origem Coloração Teor alcoólico Fermentação
Pilsen República Checa Clara Médio Baixa
Dortmunder Alemanha Clara Médio Baixa
Stout Inglaterra Escura Alto Geralmente Baixa
Porter Inglaterra Escura Alto Alta e Baixa
Weissbier Alemanha Clara Médio Alta
FONTE: SINDICERV

München Alemanha Escura Médio Baixa


Bock Alemanha Escura Alto Baixa
Malzbier Alemanha Escura Alto Baixa
Ale Inglaterra Clara e Avermelhada Médio ou Alto Alta

28 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


PRETA – Petra, da Petrópolis, ganhou cápsula higiênica
durou menos de um mês nas gôndolas. As ven-
das de outra extensão da marca Bohemia em
cervejas especiais, a Escura, acusaram deman-
da reprimida. Frente a tais resultados, a AmBev
resolveu fazer da Bohemia Weiss produto de li-
nha, e acaba de lançar uma nova especialidade,
a Bohemia Royal Ale, cerveja do tipo ale, com
tiragem de 700 000 unidades. A embalagem da
novidade segue o padrão esmerado das ações
anteriores: uma garrafa de 550ml com formato
similar às de vinho, da Saint-Gobain, leva a
mesma tampa basculante com trava (a clip
lock, da Tapon France) utilizada na versão
Weiss. O rótulo, auto-adesivo, foi criado pela
DM9DDB. Como chamariz extra, um copo es-
pecial para degustação acompanha a garrafa.
A Cervejaria Petrópolis, que nos últimos
anos vem se firmando como player de peso no
cenário nacional da indústria cervejeira, tam-

SOUVENIR – Um cartucho com alça envolve a garrafa


da Baden Baden Celebration, de Campos do Jordão
bém acaba de estrear uma cerve- los auto-adesivos dessas garrafas são
ja especial, de maior valor perce- da Soft Color. Aliás, o uso de auto-
bido. É a Petra, uma cerveja es- adesivos nas garrafas de cerveja, em
cura. O nome (um jogo com as vez dos rótulos de papel do tipo
palavras “preta” e “Petrópo- magazine, é um dos movimentos
lis”) e a identidade visual do puxados pela ascensão das “mi-
lançamento levam a assina- crocervejas”.
tura da agência Mediterrâ- A Soft Color tem também
nea & Pantani. A Petra é como cliente a microcervejaria
engarrafada numa long carioca Devassa, cujos carros-
neck de shape diferencia- chefe são a Tropical Ale, a Tro-
do, “adaptada de um mo- pical Lager e a Tropical Dark,
delo europeu”, detalha Sô- cervejas que ganharam, res-
nia Graci, gerente de de- pectivamente, as alcunhas de
senvolvimento da Saint- “Devassa ruiva”, “Devassa
Gobain, com rótulos de loira” e “Devassa negra”. As
papel da Dixie Toga e garrafas long neck da Owens-
tampas da Tapon Corona. Illinois do Brasil, fechadas
O topo da garrafa é envol- com tampa twist-off da Mece-
to por uma cápsula (foil) sa, levam rótulos com “um
de alumínio, nos moldes quê de nostalgia tropical”, nas
dos selos higiênicos utilizados pela cervejaria palavras do sócio-diretor da cervejaria, Marce-
fluminense nas latas de suas cervejas Itaipava e RETRÔS – As long necks lo do Rio. Concebidos pela McCann-Erickson,
Cristal. Para conferir apelo de venda nos mais da carioca Devassa e da eles trazem impressas misturas de palmeiras
cerveja tipo stout La
diversos canais, a Petra ganhou uma também Brunette, da Schmittbier,
com pin-ups (modelos que estampavam folhi-
versão em lata de alumínio, fornecida pela La- de Porto Alegre (abaixo, nhas e cartazes, em poses sensuais, nos anos
tapack-Ball. à direita), exploram 50). Uma pin-up também é figura de destaque
figuras de pin-ups em
no rótulo de uma cerveja de outra microempre-
seus rótulos; apelo aos
Ascensão das micros “anos dourados” sa, a Schmittbier, de Porto Alegre. A La Brunet-
Sinais de que a sofisticação é premissa na cria- te (“a morena”, numa tradução livre do fran-
ção das apresentações das cervejas especiais cês), cerveja escura do tipo irlandês stout, é
são igualmente dados pelas microcervejarias. A vendida numa garrafa de vidro de 300ml que
Baden Baden, de Campos do Jordão (SP), igualmente apela a um estilo retrô. Ela é simi-
anunciou em julho uma edição limitada de lar à usada até os anos 90 pela centenária mar-
inverno da cerveja tipo double bock Celebra-
tion, cuja garrafa é envolvida por uma emba-
lagem secundária que faz as vezes de embrulho
para presente. O “estojo”, criado pela M De-
sign (que, a propósito, também desenhou o ró-
tulo da Celebration) e produzido pela Print-
pack, possui uma alça para facilitar o transpor-
te da cerveja.
Outro recente lançamento da Baden Baden
foi a cerveja tipo lager Golden. Seu sabor, leve
e adocicado, busca atrair o público feminino. A
garrafa de vidro da Golden é uma âmbar de
600ml, da Saint-Gobain, com corpo mais ro-
busto e pescoço menos esguio que os das tradi-
cionais retornáveis de cerveja com igual volu-
me. Ela também veste as outras cervejas do
portfólio da microcervejaria: Pilsen Cristal,
Stout Dark, Premium Bock e Red Ale. Os rótu-

30 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


ca Caracu. Fornecida à Schmittbier pela Saint- ABMIC REUTILIZÁVEIS
(16) 3941-6886 Catarinense Eisenbahn
Gobain, a garrafa leva rótulo auto-adesivo da
www.abmic.hpg.ig.com.br importa as
Gráfica Dolika, criado pela Design For Fun. garrafas alemãs
Design For Fun Biersiphon para facilitar
(51) 3333-6316 o consumo de
Jarra da alegria www.designforfun.com.br suas cervejas nos
Vale também destacar, entre as iniciativas das pontos-de-dose
microcervejarias relacionadas às embalagens Dixie Toga
(11) 6982-9200
de seus produtos, uma da Sudbrack, de Blume- www.dixietoga.com.br
nau (SC), detentora da marca Eisenbahn. Para
facilitar o abastecimento dos bebedores locais DM9DDB
(11) 3054-9999
com seu chope – ao que vale lembrar da fama www.dm9ddb.com.br
da cidade catarinense pelo seu Oktoberfest –, a
empresa lhes disponibiliza suas Biersiphons, Editora e Gráfica Odorizzi
(47) 326-2977
“garrafas retornáveis” de vidro de 2 litros im- www.odorizzi.com.br
portadas da alemã Wassmann. Elas funcionam
como jarras: podem ser enchidas na cervejaria Gráfica Dolika
(51) 3343-5533
ou nos pontos-de-dose, e apresentam uma alça www.dolika.com.br
para apoio dos dedos. Para preservar o frescor
da bebida, a Biersiphon possui uma tampa de Latapack-Ball
(12) 3955-4025
porcelana com trava metálica, similar à clip
lock. Para o varejo, a Sudbrack conta com cer- M Design
(11) 3833-0969
vejas dunkel, pale ale, weiss e uma pilsen pre-
mium, todas em long necks. De acordo com
www.mdesign.com.br
A pilsen orgânica
Juliano Mendes, diretor de marketing da cerve- McCann-Erickson
(21) 2559-2530
de Blumenau
jaria, há planos para implementar, até o fim do www.mccann.com.br Uma das últimas tacadas da micro-
ano, uma linha de cervejas com garrafas envol- cervejaria Sudbrack, de Blumenau
tas em papel de seda – “um costume de certas Mediterrânea & Pantani
(11) 3086-0752 (SC), é uma cerveja orgânica. De
marcas belgas” – e uma edição especial numa www.pantanidesign.com.br acordo com Juliano Mendes, diretor
garrafa de 500ml similar às de champanhe, da empresa, a Eisenbahn Orgânica,
com rolha de cortiça e gabieta (a “gaiola” de Mecesa
(85) 281-5144 loira do tipo pilsen, é totalmente pro-
arame que envolve o gargalo). www.mecesa.com.br duzida com ingredientes naturais cul-
Há indícios de que essa febre de lançamen- tivados sem agrotóxicos. “A bebida é
tos de cervejas especiais, tanto pelas gigantes Owens-Illinois do Brasil
(11) 6542-8000 certificada pelo Instituto Biodinâmico
cervejeiras como pelas microcervejarias, irá www.oidobrasil.com.br (IBD), que fiscaliza e certifica produ-
perdurar pelo menos num médio prazo. Sabe- tos orgânicos no Brasil
se que duas grandes marcas de cerveja plane- Printpack
(11) 4198-1211 de acordo com normas
jam lançar edições especiais para o próximo www.printpack.com.br internacionais”, ele diz.
verão, ainda mantidas sob sigilo. Entre as me- O produto chega ao
Saint-Gobain Embalagens
nores, a Colorado, de Ribeirão Preto (SP), re- mercado em long necks
(11) 3874-7626
centemente adquiriu uma envasadora que lhe www.sgembalagens.com.br da Owens-Illinois do
permitirá engarrafar suas cervejas de trigo, Brasil, fechadas por
Soft Color
pale ale e pilsen a partir de janeiro de 2005. Já (11) 6726-3000 rolhas metálicas da
a Cervejaria Universitária, de Campinas, tam- www.softcolors.com.br Mecesa, podendo ser
bém no interior paulista, iniciará o engarrafa- compradas individual-
Tapon Corona
mento de suas cervejas Amber, Porter Especial (11) 3835-8662 mente ou em multi-
e Pilsen até o final do ano. Na esteira desse au- www.tapon-corona.com.br packs de seis unida-
mento no sortimento de tipos de cerveja produ- des da Editora e
Wassmann
zidos por aqui, uma coisa é certa: frente à per- +49 (0) 231-43 63 63 Gráfica Odorizzi. “De-
gunta sobre qual o tipo de cerveja que mais lhe www.wassmann.com veremos começar a
apraz, o brasileiro encontra cada vez mais al- exportar o produto
ternativas para não ter que responder “o gela- em até seis meses”,
do”, como teve de fazer por muito tempo. adianta Mendes.

32 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


mercado >>> cervejas

Uma loira álcool zero


Novidade sob o guarda-chuva Brahma visa a novas ocasiões de consumo
ado o fato de que as cervejas na- 350ml e garrafas long neck de vidro, de 355ml.

D cionais classificadas como “sem


álcool” contêm até 0,5% de teor
alcoólico em volume, conforme
permite a lei, a AmBev está colocando no
O layout da embalagem, desenvolvido
pela Narita Design, mantém as características
da categoria, com logomarca e identidade
visual realçadas pelas cores azul e dourada.
mercado, sob a chancela da Brahma, a Liber, As latas são fornecidas pela Rexam, e as gar-
LIBERADA – Sem álcool,
primeira cerveja totalmente sem álcool da Liber tem o objetivo de rafas, pela Saint-Gobain e pela Owens-Illi-
América Latina. Embora haja quem veja nes- se difundir em almoços nois do Brasil, com tampas twist-off da Aro.
sa iniciativa mais um lance da multinacional diários ou de negócios Os rótulos, de papel metalizado, são impres-
hoje controlada pelos belgas, com o nome de sos pela Dixie Toga.
InBev, para enfrentar o avanço das micro e
pequenas cervejarias, a Brahma tem para o
lançamento o objetivo declarado de desenvol-
ver novas ocasiões de consumo, como os al- Aro Owens-Illinois
(11) 6412-7207 (11) 6542-8000
moços diários e encontros de negócios, se- www.aro.com.br www.oidobrasil.com.br
gundo o diretor de marketing de cervejas da
AmBev, Miguel Patrício. Dixie Toga Rexam
(11) 6982-9497 (11) 3371 6400
Ele conta que, para desenvolver a Liber, a www.dixietoga.com.br www.rexamcan.com.br
empresa investiu em processos e equipamen-
tos específicos, além de três anos de pesquisa, Narita Design Saint-Gobain
(11) 3167-0911 (11) 3874-7910
para obter tecnologia capaz de garantir a www.naritadesign.com.br www.sgembalagens.com.br
completa eliminação do álcool, “mas preser-
vando o aroma e o sabor de cerveja”. A fabri-
cação da bebida baseia-se na produção de
uma típica cerveja pilsen, com uma diferença:
depois de pronta, todo o álcool é retirado por
meio de equipamentos especiais, que formam
a planta de dealcoolização, importada da Ale-
manha. “É exatamente neste processo que
está a diferença entre Liber e as cervejas ditas
sem álcool existentes no mercado, que man-
têm teor alcoólico de até 0,5%, porque utili-
zam o processo de fermentação interrompi-
da”, explica Patrício.
DIVULGAÇÃO

Em garrafa e em lata
Atualmente, o segmento de cervejas sem ál-
cool, que representa 0,75% do mercado cerve-
jeiro do país, se divide entre a Kronenbier, da
própria AmBev, e a Nova Schin Sem Álcool,
da Schincariol. Essas marcas são comercializa-
das majoritariamente nas região Sudeste e Sul,
que consomem cerca de 88% da produção to-
tal do país. A Liber será vendida inicialmente
nas mesma áreas, em latas de alumínio de

34 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


prêmio >>> abre

Noite de prêmios
Divulgados os vencedores do Prêmio Abre de Design & Embalagem 2004

um jantar que reuniu importante parcela da que, Estudante e Embalagem do Futuro, o Prêmio laureou

N cadeia brasileira de embalagens, ocorrido no


dia 25 de agosto passado, no Espaço Único, em
São Paulo, a Abre – Associação Brasileira de
Embalagens anunciou os vencedores da edição 2004 do
22 embalagens, dois projetos e uma empresa, que são
apresentados a seguir. Todas as peças inscritas nas catego-
rias dos módulos Design e Embalagem Destaque também
concorreram nas Categorias Especiais Voto Popular, Em-
prêmio promovido anualmente pela entidade. presa do Ano e Ecodesign.
Com o objetivo declarado de incentivar o desenvolvi- As embalagens vencedoras serão expostas na Pack
mento e o aprimoramento da embalagem brasileira, o Prê- Expo 2004, que acontece em novembro, na cidade ameri-
mio ABRE de Design & Embalagem 2004 teve recorde de cana de Chicago, e concorrerão ao Prêmio WorldStar, pro-
inscrições – cerca de 400, vindas de todos os cantos do movido pela Organização Mundial de Embalagem (WPO).
país. Dividido nos Módulos Design, Embalagem Desta- Abre – Associação Brasileira de Embalagem • www.abre.org.br • (11) 3082-9722

Higiene e Limpeza
MÓDULO DESIGN Lata Omo Cores
Bebida Alcoólica Vencedor: Metalgráfica
Garrafa Bohemia Weiss Itaquá
Vencedor: Saint-Gobain Vidros Design: Romero Brito
Design: Saint-Gobain Vidros
Convertedor: Metalgráfica
Convertedor: Saint-Gobain Vidros
Itaquá
Usuário: AmBev
Usuário: Unilever
Alimentos Salgados
Linha de Pães Dr. Oetker
Vencedor: Segmento
Design: Segmento
Convertedor: Brasilgráfica
Usuário: Dr. Oetker

Cosméticos, Cuidados
Pessoais, Saúde e Farmacêutico
Embalagem do Perfume do Brasil
de Natura Ekos Redesign
Vencedor: Natura Cosméticos Nestlé Iogurte para Beber Molico
Design: Natura Cosméticos Vencedor: Sleever International
Convertedores: Pochet, Cerâmica Design: Future Brand
Teixeira e Embalagens Greco Prete Convertedor: Logoplaste do Brasil
Usuário: Natura Cosméticos Usuário: Nestlé

Bebidas Não-Alcoólicas Alimentos Doces


Via Natural Pote Paulistano
Vencedor: 100% Design Sorvetes Nestlé
Design: 100% Design Vencedor: M Design
Convertedores: Sig Beverages Design: M Design
Brasil e Embalagens Flexíveis Convertedor:
Diadema Metalgráfica Itaquá
Usuário: Trimax Usuário: Nestlé

36 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


Família de Produtos
Linha de Iogurtes para
Beber Nestlé
Vencedor: Sleever
International
Design: Future Brand
Convertedor: Logoplaste
do Brasil
Usuário: Nestlé

Bricolagem
Embalagens para
Misturadores
de Cozinha Deca
Vencedor: Deca
Design: Deca
Convertedores: Gráfica
São Januário e
Fenicce Embalagens
Usuário: Deca

Marcas Próprias
Linha de Embalagens
Pão de Açúcar
Vencedor: Grupo Pão
de Açúcar
Design: Esboço Design
Usuário: Grupo Pão
de Açúcar

Miscelânea
Da literatura ao prazer,
agora em cigarrilhas.
Vencedor: Menendez
Amerino & Cia.
Design: Multi
Participações
Convertedor: Tapon
Corona
Usuário: Menendez
Amerino & Cia.

MÓDULO MÓDULO
ESTUDANTE EMBALAGEM DO
Embalagem Laminada de
Sachê para Condimentos
FUTURO
Vencedores: Stéfannie
Ferreira e Flávio Vasconcelos

Instant
Water 2020
Vencedor:
Frederico
Hernandez
MÓDULO EMBALAGEM DE DESTAQUE
Alimentos Bebidas
Linha de Embalagens Garrafa Bohemia Weiss
para Frango Assado Vencedor: Saint-Gobain
Vencedor: Grupo Pão de Açúcar Vidros
Design: Esboço Design Design: Saint-Gobain Vidros
Convertedores: Reyco e Finepack Convertedor: Saint-Gobain
Usuário: Grupo Pão de Açúcar Vidros
Usuário: AmBev Cosméticos, Cuidados Pessoais,
Saúde e Farmacêutico
Intimus Days Micro
Vencedor: Kimberly-Clark
Design: Kimberly-Clark
Convertedores: C&D, IndPack e
WJA do Brasil
Usuário: Kimberly-Clark

Higiene e Limpeza
Detergente em Pó em Lata de Aço
Miscelânea
Vencedor: Grupo Pão de Açúcar
Pro Plan Biscuits
Design: Packing Design
Vencedor: Ápice Artes Gráficas
Convertedores: Brasilata e CSN
Design: Ápice Artes Gráficas
Usuário: Grupo Pão de Açúcar
Convertedor: Ápice Artes Gráficas
Usuário: Nestlé

Inovação Tecnológica
Lata Expandida
Galão 3,6 litros
Vencedor: Aro S/A
Design: M. Guarda
Convertedor: Aro S/A
Usuário: Tintas Coral
Embalagem
Promocional Design Industrial
Lata Expandida Queijitos Detergente em Pó Extra
Vencedor: CBL Vencedor: Grupo Pão
Design: Packing Design de Açúcar
Convertedor: CBL Design: Packing Design
Usuário: CBL Convertedores: Brasilata
e CSN
Embalagem Usuário: Grupo Pão de Açúcar
para Exportação
Tampa Child Proof Voto Popular
Vencedor: Védat CATEGORIAS ESPECIAIS Bombons Especiais
Tampas Herméticas Ecodesign Dia das Mães
Design: Védat Copimax Vencedor: Ibratec
Tampas Herméticas Vencedor: Müller Camacho Artes Gráficas
Convertedor: Védat Design: Müller Camacho Design: Nestlé
Tampas Herméticas Convertedores: PPPayne Convertedor: Ibratec
Usuário: Kral Farmaceutica e Finepack Artes Gráficas
Usuário: VCP Usuário: Nestlé

Empresa do Ano
Grupo Pão de Açúcar

38 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


prêmio >>> iF award

Chance perdida
Poucas embalagens se inscreveram no importante iF Award
pesar de apresentar em muitos casos excelente em agosto último, apenas cin-

A qualidade, o design brasileiro – o de embalagens


inclusive – perde às vezes ótimas oportunidades
de ganhar reconhecimento internacional, com as
vantagens comerciais que daí podem advir. Um exemplo
co projetos de embalagens ha-
viam sido inscritos, ao contrá-
rio do que ocorre em outros
campos do design, como o de
claro desse fato é a rarefeita presença de concorrentes bra- iluminação, jóias e utilidades domésticas, que
sileiros na categoria Embalagem do projeto Design Excel- tiveram expressivos números de candidatos.
lence Brazil, uma realização da Câmara do Comércio e In-
dústria Brasil-Alemanha de São Paulo em parceria com a Só para os melhores
APEX-Brasil e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria O iF product design award, realizado em Hannover desde
e Comércio Exterior. 1954, é um tradicional e importantíssimo fórum internacio-
O projeto foi lançado em 2003 para promover o reco- nal de design, recebendo centenas de inscrições de todo o
nhecimento internacional do design de produtos e serviços mundo em suas cinco áreas, todas voltadas para produtos
desenvolvidos no país, visando ao fortalecimento da ima- industrializados. Só os melhores candidatos recebem o prê-
gem e da projeção dos produtos brasileiros para exportação. mio, o certificado iF, e os melhores entre os melhores rece-
Através dele, os candidatos são homologados para concor- bem, adicionalmente, os troféus iF Gold e iF Silver. Essas
rer na Alemanha ao iF product design award, uma das pre- peças, denominadas o Oscar do Design, foram especial-
miações mundiais mais importantes da atividade, abrangen- mente criadas pelo alemão Herbert Schultes, em 1996.
do este ano cinco categorias, uma delas embalagem. O iF é um prêmio que tem a característica única de es-
O apoio oferecido pelo Design Excellence Brazil, para tar sediado dentro do parque de Feiras de Hannover onde
as empresas cadastradas e que tenham seus produtos sele- acontece a Feira Industrial de Hannover, o maior evento
cionados por um Comitê Brasileiro, é financeiro (de acordo mundial deste segmento.
com o porte da empresa fabricante) e logístico, gerencian- Na última edição dessa premiação, o iF Award 2004, fo-
do todas as etapas da premiação alemã e centralizando a co- ram premiados 25 produtos brasileiros, sendo que vinte de-
municação entre o iF product design award 2005 e as em- les foram apoiados pelo Design Excellence Brazil. Dentre
presas brasileiras inscritas. estes últimos, dois receberam o troféu iF Silver. Em emba-
Para se ter idéia do não aproveitamento dessa oportuni- lagem, o ganhador foi o conjunto de frasco e estojo do Na-
dade, basta lembrar que na fase de seleção, que se encerrou tura Ekos Perfume do Brasil Breu Branco, Cumaru. Além de
ficarem em exposição permanente em recinto específico do
parque de Feiras de Hannover, os projetos selecionados pelo
iF product design award são apresentados em primoroso
(e alentado) catálogo impresso. Os vencedores ga-
nham um exemplar. Os demais são vendidos.

PRATA – Embalagem da Natura


recebeu o iF Silver e ficará em
exposição permanente no
Parque de Feiras de Hannover

Design Excellence Brazil


www.debrazil.com.br
(11) 5187-5100

40 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


fechamentos >>> vinhos

Tradição em xeque
Tampas alternativas ameaçam reinado da rolha natural no mercado vinícola
ada vez mais global, com varieda-

DIVULGAÇÃO
des de boa qualidade se multipli-
cando muito além dos limites da
área do Mediterrâneo, o mercado
vinícola tem à disposição um número cres-
cente de alternativas na área de sistemas de
fechamento. Feitas de diferentes materiais, as
novas tampas de vinhos são lançadas não ape-
nas com a missão de substituir a prosaica ro-
lha de cortiça, como também de aposentar o
tradicional saca-rolhas.
É o caso da Vino-Lok, tampa de vidro do-
tada de vedante plástico e membrana decora-
tiva de alumínio no topo, que foi desenvolvi-
da pela subsidiária alemã da multinacional AVALIAÇÃO – Feita pela unidade alemã da Alcoa, a tampa Vino-Lok está sendo
testada por vinícolas européias, e poderá ser distribuída no Brasil ainda este ano
americana Alcoa. Especializada em fecha-
mentos metálicos e plásticos, a empresa sur- Em contrapartida, por ser feita de vidro,
preendeu parte do mercado de bebidas ao essa nova tampa da Alcoa não apresenta, da
anunciar o desenvolvimento dessa nova mesma maneira que a maioria dos fechamen-
alternativa às rolhas de cortiça, que dispensa tos produzidos com materiais alternativos à
Alcoa
o uso de qualquer tipo de utensílio para sua www.alcoa.com.br cortiça, uma característica extremamente im-
abertura. Apresentada na edição de 2003 da 0800 159888 portante quando se pensa em marcas destina-
feira de vinhos ProWein, realizada em Düs- das a paladares mais sofisticados: porosida-
Amorim
seldorf, a Vino-Lok já está sendo testada por www.amorim.com de. A vedação total impede a entrada de do-
diferentes vinícolas no mercado europeu. +351 (22) 747-5434 ses mínimas de oxigênio nas garrafas, difi-
Embora a solução ainda não esteja dispo- cultando o processo de envelhecimento de-
Gardner Technologies
nível no Brasil, Rodolfo Haenni, analista co- www.gardnertech.com fendido por consumidores e vinicultores
mercial da Alcoa, informa que isso poderá +001 (707) 226-2400 mais exigentes, e fortalecendo a teoria de que
acontecer até o final do ano. Ele adianta que as rolhas naturais são “insubstituíveis”.
Pasp
até outubro próximo um representante da Al- www.pasp.com.br
coa alemã deverá apresentar todas as caracte- (11) 3743-5546 Tratamento antifúngico
rísticas técnicas do produto. Haenni acres- Sabaté
Isso não significa, entretanto, que a indústria
centa que no Brasil a empresa está negocian- www.sabate.com vinícola mais ortodoxa será eternamente
do o fornecimento de uma de suas tampas de ameaçada por problemas relacionados a
Supreme Corq
alumínio – a Talog, que possui vedante plás- www.supremecorq.com substâncias que atacam a cortiça. Na verda-
tico e é usada no mercado de águas minerais +001 (253) 395-8712 de, tradicionais fabricantes de rolhas naturais
premium – a um fabricante de frisantes.
Como as demais alternativas às rolhas de
cortiça, a Vino-Lok apresenta entre suas prin-
cipais vantagens a garantia de ser feita de
material inerte, não suscetível a contamina-
ções. É um detalhe importante, a se conside-
rar a estimativa de que cerca de 10 bilhões de
dólares são perdidos anualmente pela conta-
minação de vinhos com substâncias provin- IMPORTADA – Também da Alcoa, tampa Talog, feita de
das de rolhas de cortiça. alumínio, poderá ser usada no mercado de frisantes

44 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


vêm investindo alto para aperfeiçoar tecnolo-

FOTOS: STUDIO AG – ANDRÉ GODOY


gias de tratamento antifúngico, já obtendo
bons resultados no esforço destinado a debe-
lar a chamada “síndrome da rolha podre”, ou
bouchonnée, em francês (ver pág. 48).
Uma dessas empresas é a francesa Sabaté,
que desenvolveu um processo de extração do
TCA (sigla do composto que contamina a
cortiça) envolvendo técnicas à base de dióxi-
do de carbono em estado supercrítico (deno-
minação referente à passagem de uma subs-
tância do estado líqüido para o gasoso). Bati-
zado de Diamante, o projeto tem dado provas
de sua eficiência em etapas piloto. Testes em
laboratório revelaram que amostras de rolhas
de cortiça contaminadas artificialmente tive-
LIMPAS – Rolhas naturais são submetidas na França a tecnologia de extração do TCA
ram de 94% a 100% dos compostos de TCA
extraídos em segundos. Distribuídas no LVMH, que controla quase 50% da produção
Brasil pela Pasp, empresa especializada na mundial de vinho champagne.
representação de fabricantes estrangeiros de Enquanto as técnicas de descontaminação
sistemas de fechamento para bebidas, as ro- da cortiça não se popularizam, as empresas
lhas submetidas a esse tratamento foram pa- que fornecem rolhas sintéticas para o merca-
tenteadas pela Sabaté com a marca Altec. do vinícola valem-se do TCA para justificar
a segurança de seus produtos, numa estraté-
Livre do bouchonée gia que, somada à pronta disponibilidade e
“O CO2 em estado supercrítico dissolve a ao custo competitivo, as tem ajudado a ga-
maioria dos componentes orgânicos da corti- nhar importantes fatias de mercado. Isso fica
ça, inclusive os que causam o bouchonée”, claro na trajetória da americana Supreme
explica Circe Pignatari, engenheira de ali- Corq, uma das maiores fabricantes de rolhas
mentos da Pasp. Método semelhante também sintéticas do mundo.
vem sendo desenvolvido pela portuguesa Também representada no Brasil pela
ELASTÔMEROS – Rolhas
Amorim, outra grande fabricante global de sintéticas, da Supreme Pasp, a empresa, fundada em 1992, produz
rolhas de cortiça, que fornece para marcas Corq: mais de 100 anualmente mais de 100 milhões de rolhas
como a francesa Don Pérignon, do grupo milhões de unidades feitas em sua maioria de elastômero, políme-
produzidas por ano
ro com propriedades físicas parecidas com as
da borracha. Os produtos, vendidos em dife-
rentes cores, são consumidos por cerca de
mil vinícolas em mais de trinta países.
“É claro que numa indústria tradiciona-
lista como a de vinhos as mudanças levam
tempo”, disse Robert L. Anderson, presiden-
te da Supreme Corq, em recente entrevista à
revista americana Market Watch. “Mas a
idéia de que as rolhas sintéticas eram uma
moda passageira revelou-se falaciosa”, assi-
nala, acrescentando que as tampas da empre-
sa estão presentes em vinhos que custam “de
5 a 100 dólares a garrafa”.
Indício de que esse tipo de tampa estaria
de fato presente em rótulos de diferentes fai-
xas de preço vem do Chile, um dos países
sul-americanos mais reconhecidos pela exce-

46 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


lência de sua indústria vinícola. Lá, mais de mais do que já o fazem para encarecer o pre-
20% dos vinhos já são vendidos com rolhas ço dos vinhos de guarda – hoje, já há milhei-
sintéticas. Tal aceitação pode ser explicada ros de rolhas naturais negociados a mais de
pelo fato de que, como em outros centros mil dólares. Portanto, a disputa entre a rolha
consumidores, também no mercado chileno feita de casca de sobreiro e suas concorrentes
os maiores volumes não estão concentrados não se resume a argumentos que opõem tra-
nas marcas altamente requintadas, mas na- dição e inovação. O que parece contar são as
quelas de giro veloz, consumidas rapidamen- finalidades de cada tipo de produto.
te depois de engarrafadas. Nesses casos, a
tendência mundial parece apontar para o uso DISPUTA – Rolhas plásticas
de tampas que vedam completamente as gar- ganham mercado com problemas
rafas, impedindo que vinhos mais simples, de contaminação da cortiça
não obtidos de cepas e vindimas excepcio-
nais, azedem no ponto-de-venda.
Aos consumidores ortodoxos, que torcem
o nariz para as alternativas às rolhas naturais,
resta o consolo de que os responsáveis pelos
chamados vinhos longevos, em cujas garra-
fas líqüido e rolha ficam em contato por

STUDIO AG – ANDRÉ GODOY


muito tempo, continuam absolutamente re-
fratários à idéia de abandonar a cortiça. O
problema é que, ante o crescimento da de-
manda e da exigência por qualidade, no
futuro as rolhas naturais poderão contribuir
fechamentos >>> cortiça

Os riscos da rolha podre


Cortiça contaminada pode comprometer a produção da indústria vinícola
ossivelmente um dos mais clássicos

P complementos de embalagem de
que se tem notícia, a rolha de corti-
ça, que já era usada pelos antigos
gregos para tampar ânforas com azeite, vinho e
água, continua sendo vista por connaisseurs do
mundo vinícola como um acessório de vedação
insubstituível.
Acredita-se que elas se tornaram o sistema
de fechamento padrão dos vinhos a partir do sé-
culo XVII, e até hoje não surgiu nada mais
avançado nem mais eficaz para preservar a be- INSUBSTITUÍVEIS –
Produzidas com a casca
bida em garrafas. Mais do que a tradição, três
do sobreiro, rolhas
características ajudam a entender essa consagra- naturais permitem que
ção. Em poucas palavras, a rolha de cortiça, que os vinhos respirem, e
é obtida a partir da casca grossa e mole do so- “alcancem a plenitude”

breiro, árvore natural da região mediterrânea,


apresenta elasticidade, porosidade e aderência. toda a diferença. É que somente com a rolha de
Graças a tais peculiaridades, as rolhas feitas cortiça – a um só tempo pulmão e filtro dos vi-
de matéria-prima natural vedam perfeitamente nhos de guarda – a bebida adquire corpo, buquê
as garrafas de vinho, impedindo a entrada de e sabor, além dos diferentes aromas e traços tão
oxigênio em excesso. Ao mesmo tempo permi- festejados pelos enólogos. O problema é que ao
tem que o vinho “respire” enquanto repousa nas longo dos anos a rolha de cortiça se tornou um
adegas. Nas safras destinadas a “alcançar a ple- acessório de embalagem caro.
nitude” após envelhecer nas próprias garrafas Enquanto a demanda não pára de crescer,
por longos períodos, esse processo pode fazer impulsionada pela ampliação do mercado mun-

Outra tentativa de aposentar o saca-rolha


Numa curiosa tentativa de ga uma rolha – sintética ou lucionária vedação” pode ser
aposentar um dos mais tradi- natural – e uma cápsula aberta até por uma criança.
cionais utensílios relacionados metálica. Batizado de Meta- Caso o vinho não seja consu-
ao consumo de vinhos, o Cork, o sistema permite que a mido totalmente, a tampa da
saca-rolha, a californiana rolha seja retirada da garrafa cápsula, que pode ser plástica
Gardner Technologies desen- a partir do giro da cápsula. ou metálica, também serve
volveu uma tampa que conju- Segundo a empresa, a “revo- para refechar a garrafa.

ABERTURA - DESCARTE - Retirada da SERVIR - Após o REFECHAR - A sobre-


Rosqueável, o conjunto garrafa, a rolha, que pode descarte da rolha, a cáp- tampa metálica é
pode ser retirado “até ser sintética ou natural, é sula metálica volta à usada para guardar
por uma criança” separada do MetaCork saída da garrafa o restante do vinho

48 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


dial de vinhos, o cultivo de sobreiros, concentra- Já chamado no meio vinícola de “síndrome
do basicamente em Portugal e na Espanha, da rolha podre”, o problema, que na França é
mantém-se praticamente estável. Assim, cada conhecido por bouchonée (derivação da palavra
vez mais produtores de vinhos buscam fecha- bouchon – rolha, em francês), não está restri-
mento feitos de materiais alternativos à cortiça, to a garrafas de alto giro e menor valor agre-
como PVC, alumínio, aglomerados e rolhas sin- gado. Na verdade o TCA costuma atacar os
téticas produzidas com plásticos ou elastôme- rótulos mais valorizados, exatamente os po-
ros (ver reportagem anterior). tenciais usuários das rolhas de cortiça, aniqui-
lando aromas que demoraram anos para adqui-
Cheiro desagradável rir os famosos traços “de carvalho”, “framboe-
Se não bastasse a barreira do preço, a rolha de sas”, “violetas”...
cortiça também vem perdendo participação no Embora nos restaurantes o consumidor
mercado vinícola em função de um problema INERTES – Cada vez tenha a garantia de poder trocar a garrafa infec-
que começa a comprometer um de seus mais mais parecidas com tada, os estragos que o TCA pode causar são po-
apreciados valores, a credibilidade. Ocorre que as naturais, rolhas
tenciais e, algumas vezes, até irreparáveis. Res-
sintéticas não causam
a casca do sobreiro se tornou pivô de uma dor bouchonée tringindo-se a um exemplo, o vinicultor italiano
de cabeça que já estaria comprometendo 8% da Elio Altare, um dos mais eminentes de seu país,
produção mundial dos vinhos vedados com ro- afirma ter perdido metade de uma de suas safras
lhas naturais. Trata-se de uma espécie de praga, de 1997 em decorrência do bouchonée.
conhecida pela sigla TCA (do composto triclo- É na trilha desse risco, além da hipótese de
roanisol), que pode se desenvolver na cortiça à que, com o aumento da demanda a cortiça so-
velocidade de microorganismos fúngicos, con- freu queda de qualidade, que cada vez mais fa-
taminando o vinho com cheiros desagradáveis, bricantes de sistemas de fechamento lançam
que o tornam em muitos casos intragável. tampas alternativas no mercado de vinhos.
mercado >>> sistemas

Caixas de novidades
Bag-in-box e caixinha longa
vida aumentam participação
no mercado de vinhos como
soluções aos desafios de
popularizar a bebida e de
aumentar suas exportações
Por Guilherme Kamio

s apreciadores reacionários po-

O dem torcer o nariz, mas o setor vi-


ticultor dá crescentes sinais de es-
tar receptivo a inovações em
embalagem para vinhos. Não bastassem os
crescentes desenvolvimentos de alternativas
sintéticas às rolhas de cortiça, mostrados nas
páginas anteriores, o engarrafamento vem
cedendo progressivo espaço ao encaixota-
mento nas grandes vinícolas mundiais. Ex-
plica-se. As embalagens bag-in-box (BIB),
aquelas que conjugam bolsas plásticas a ar-
mações de papelão ondulado, e as cartona-
das assépticas, popularmente mais conheci-
das como caixinhas longa vida, vêm aumen-
tando sua participação no escoamento das Desse modo, os vinhos em caixa – ou em HEXAGONAIS – Lançada
safras dos produtores de vinhos. em julho, linha Carmenet,
barril (cask wines), como os americanos pre-
da vinícola californiana
Para se ter idéia, um estudo da consultoria ferem chamá-los – vêm abrindo concorrên- Beringer, ganhou embalagens
internacional World Wine Report aponta que cia direta com os tradicionais vendidos em bag-in-box sem tradicional
as embalagens bag-in-box já detêm 52% das garrafas de vidro. Exemplos são as versões formato cubado
vendas de vinhos na Austrália, 33% nos paí- recém-lançadas em bag-in-box de 3 litros de
ses nórdicos e 10% na Inglaterra. De cada vinhos de boa reputação entre os connais-
cinco taças de vinho servidas nos Estados seurs, o californiano Black Box e os austra-
Unidos, uma provém de um BIB. Nesses mer- lianos Banrock Station e Hardys Stamp. Ou-
cados, o bag-in-box para vinho foi introduzi- tro destaque é a Carmenet Winery Vintner’s
do durante os anos 70. Todavia, como por Collection, da vinícola californiana Berin-
muito tempo eles ficaram restritos ao acondi- ger, uma linha de vinhos varietais num bag-
cionamento de vinhos de mesa em grandes in-box de 3 litros inovador: pela primeira
volumes, à maneira do que acontece com os vez, seu formato não é o cubado, mas sim
garrafões de vidro de 4,6 litros no Brasil, fi- um hexagonal. “A categoria de vinhos em
caram estigmatizados como produto de com- barris de 3 litros está crescendo rapidamente
bate, de apelo popularesco. A novidade dos porque oferece qualidade, valor e conve-
últimos meses tem sido uma febre de lança- niência ao consumidor rotineiro de vinhos”,
mentos de vinhos em BIBs de menores volu- entende Conness Thompson, gerente sênior
mes, notadamente os de 2 e 3 litros, com novo da marca Carmenet. Só que, num outro viés,
posicionamento: são vinhos de boa reputação, o bag-in-box também vem se configurando
de safras datadas e reservas especiais. como meio de a indústria conquistar maiores

50 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


vendas entre os consumidores eventuais –
principalmente aqueles que repudiam vinhos
de apelo popular, mas que também não se
dispõem a pagar 10 dólares, ou 30 reais,
numa garrafa só para consumir uma ou duas
taças durante uma refeição. “Ocorre que o
vinho em bag-in-box garante a integridade
dos vinhos por até um mês após sua abertu-
ra, contra os dois ou três dias das garrafas,
que deixam a bebida oxidar rapidamente,
tornando-se azeda e rançosa”, afirma Luiz nas ocasiões em que a qualidade do vinho é CANGURUS – Bolsas
seladas a vácuo
Alencar, gerente de vendas e marketing da mais importante que uma embalagem pom- carregam, no interior
subsidiária brasileira da americana Scholle, posa”, explica o executivo da Scholle. Nesse das caixas, finas
grande fornecedora mundial de sistemas sentido, vinícolas e fornecedores desse siste- reservas da australiana
Hardys Stamp
bag-in-box. A preservação é mérito do siste- ma não apenas vêm curiosamente estampan-
ma de fechamento do bag-in-box, uma vál- do imagens de garrafas em suas caixas, mas
vula plástica que impede o contato do con- também encampando ações de marketing de-
teúdo, envasado a vácuo na bolsa plástica, dicadas ao amolecimento da natural resistên-
com o ambiente – além de oferecer os bene- cia que os consumidores possam demonstrar
fícios de dispensar o saca-rolhas e evitar em relação aos vinhos em barril (a propósi-
contaminações do vinho por problemas que to, um dos principais produtos desse movi-
as rolhas de madeira eventualmente apresen- mento é um website, o boxwines.com). Por
tam (veja as duas reportagens anteriores). trás delas há um argumento principal: com o
bag-in-box se paga pela excelência do vinho,
Não é substituição sem o ônus de nobres garrafas e seus perifé-
“O bag-in-box não pretende de forma algu- ricos sofisticados, como rolhas, rótulos e
ma substituir o charme, o requinte e a sofis- cápsulas. Pelo que se vê no varejo, não se
ticação da garrafa de vidro”, atenta Alencar. trata de retórica oca. As versões encaixota-
Ninguém se iluda: é difícil imaginar um jan- das da Black Box, da Banrock Station e da
tar romântico, à luz de velas, embalado por Hardys Stamp têm preços entre 16 e 25 dó-
um bag-in-box. “A pretensão é difundi-lo lares. Uma garrafa dessas mesmas marcas,
com um quarto do volume das caixas, ou
APOSTA – Black Box, uma das marcas por trás do
seja, 750ml, custa cerca de 10 dólares.
enobrecimento do uso do bag-in-box para vinhos Ao garantir preços finais mais convidati-
vos, o sistema bag-in-box vem caindo nas
graças das vinícolas como solução ao anseio
de expandir sua massa de consumidores –
balizada principalmente através da difusão
da visão de que o vinho é uma bebida para o
dia-a-dia, para não dizer um “alimento”,
conceito insuflado pelos estudos científicos
divulgados poucos anos atrás dando conta de
que a ingestão diária de uma taça é benéfica
à saúde. Um dos reflexos claros desse dese-
jo do setor viticultor é que alguns vinhos de
mesa e sangrias lançados recentemente têm
embalagens com visual parecido com o das
encontradas no segmento de sucos prontos.
Exemplo, no mercado americano, é dado
pela vinícola nova-iorquina Canandaigua
com sua Red Sangria, apadrinhada pela po-
pular chancela Almaden. O design de seu
bag-in-box abusa do jogo de cores, num po-

setembro 2004 <<< EmbalagemMarca <<< 51


sicionamento moderno, jovial e “tropical”.
Por meio de iniciativas desse gênero, a
Canandaigua pretende crescer ainda mais na
praça americana, onde já vende anualmente
mais de 10 milhões de vinhos Almadén em
bag-in-box.

Sorriso das exportações


Outro forte desafio mercadológico vem
igualmente fazendo as embalagens bag-in-
box serem recebidas com tapete vermelho
pelas vinícolas: o de aumentar as exporta-
ções. Muitos dos principais países produto-
res têm seus mercados domésticos satura-
dos, e não encontram outra saída para o cres-
JOVIAIS – Caixão e
cimento dos negócios senão aumentar a pre-
caixinha do Almaden
sença em mercados externos. Desse modo, Red Sangria, da
os produtores estão se fiando nos atrativos Canandaigua, têm design
do bag-in-box para os processos logísticos, que abusa das cores:
quase sucos prontos
como seu formato cubado e peso menor que
o das garrafas. São os mesmos aspectos que
tornam o bag-in-box uma embalagem ideal
para o consumo ao ar livre, em piqueniques,
no camping e nos passeios de barco, entre
outras situações.
Todos esses atributos estão sendo traba-
lhados pelo braço local da Scholle, com fá-
brica em Vinhedo (SP). Embora a produção
brasileira de vinhos seja tímida em relação
às dos países nos quais o bag-in-box vem se

O buquê é menos atraente?


Um dos principais questio- discreto, praticamente
namentos dos apreciadores impossível de ser detectado fortalecendo, a companhia acredita haver
de vinhos mais exigentes pela maioria dos consumi- oportunidades no mercado local. Tanto que
frente ao crescimento dos dores. A publicação testou realizou, em meados de junho, numa parce-
recipientes alternativos à nove vinhos de apelo pre- ria com a Associação Brasileira de Enologia
garrafa de vidro é: os vi- mium vendidos em bag-in- (ABE), uma palestra sobre bag-in-box para
nhos tintos comercializados box, sendo dois australia- mais de cinqüenta enólogos do pólo vinícola
nessas embalagens pos- nos e sete californianos. de Bento Gonçalves (RS), o mais importan-
suem as mesmas delicadas Julgados por experts em te do país. A iniciativa deu resultado. De
misturas de sabor apuradas testes cegos, sem que eles acordo com Artur Gomes da Silva, da área
com o envelhecimento, ou soubessem se tratar de vi-
de desenvolvimento de negócios da Scholle,
seja, aquilo que no jargão nhos em caixa. Resultado:
uma importante vinícola nacional já está
dos enólogos é chamado de eles careceram da apurada
conduzindo testes com bag-in-box em uma
buquê, que as presentes mistura de sabores dos
de suas linhas de vinhos.
naqueles acondicionados em melhores vinhos mundiais.
Da mesma forma que para os provedores
garrafas de vidro? Segun- “Mas se saíram tão bem
de soluções em bag-in-box, os vinhos vêm
do um artigo publicado em quanto muitos merlots e
agosto pela revista america- chardonnays engarrafados
sendo vistos como uma fonte de potencial
na Consumer Reports, não, que já testamos”, ressalva crescimento de negócios para os fornece-
mas de um modo bastante a reportagem. dores de embalagens assépticas cartonadas.
Além do baixo custo e das vantagens logís-

54 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


ticas, mesmos atributos do bag-in-box, o ins-
tituto internacional de pesquisas de mercado
Euromonitor aponta outro detalhe que vem
fazendo as vinícolas olharem com atenção as
cartonadas assépticas. “Alguns produtores
também crêem em boas perspectivas de
crescimento de cartonadas para vinhos pela
proteção contra falsificações que elas pro-
porcionam”, sentencia um recente estudo.
“Embora os vinhos em cartonadas tenham
evocado certa desconfiança dos consumi-
dores, a persistência de vinícolas em promo-
ver suas marcas em cartonadas deve ajudar a
quebrar a resistência inicial”. Ao que tudo
indica, é o que já vem acontecendo no mer-
cado americano.

Para o consumo “on-the-go”


Em março, a Three Thieves (“três ladrões”,
traduzindo-se do inglês), chancela que une ARMA – Bandit em tilo de vida corrido da atualidade, “sendo
cartonada asséptica,
uma tríade de vinícolas, lançou no mercado ideal para consumidores que querem um
da Three Thieves, é
americano o Bandit, um vinho branco de lançamento de vulto modo simples e portátil de desfrutar do vi-
mesa feito de uvas italianas Pinot Grigio, em no mercado americano nho”. O apelo de conveniência é completado
embalagens Tetra Brik de 1 litro, da Tetra pelo fato de a embalagem, de formato octo-
Pak, com tampa plástica para maior conve- gonal, dispor de um selo de fácil abertura
niência do consumidor. (pull-tab).
De acordo com a Three Thieves, trata-se A Canandaigua e a Tetra Pak iniciaram
do primeiro movimento de vulto envolvendo parceria para desenvolver a embalagem da
vinho em embalagem da Tetra Pak nos Esta- sangria em 2001. Ela exigiu exaustivos tes-
dos Unidos. Um mês depois, em abril, a Ca- tes de shelf-life, provas de integridade da
nandaigua, divisão da Constellation Wines, embalagem e degustações com consumi-
considerada a maior companhia vinícola dores. “Conduzimos, com a Tetra Pak, uma
mundial, lançou o já citado Almaden Red pesquisa com consumidores que demonstrou
Sangria também em embalagem Tetra Pris- um alto interesse nesse conceito de embala-
ma de 500ml, para consumo individual. É o PULO-DO-GATO – Chilena gem”, afirma Diana Pawlik, gerente da mar-
Viña San Pedro aderiu
primeiro vinho no mundo a ser acondiciona- ca Almaden. “Tanto a visão do apelo geral
tanto ao bag-in-box
do nessa embalagem. Diz a empresa que o (abaixo) quanto às como os resultados de intenção de compra
produto foi desenvolvido para atender ao es- caixinhas longa vida pelo design da embalagem excederam nos-
sas expectativas iniciais.”
Apesar de sua presença
mundial no campo dos vinhos
ainda ser menor que a do bag-
in-box, a cartonada asséptica
já foi adotada no Brasil por
uma grande vinícola, a Aurora.
Uma pequena parcela dos vi-
nhos de mesa Sangue de Boi e
Frei Damião são acondiciona-
dos em caixinhas Tetra Brik de
1 litro, da Tetra Pak, desde
1988. “O vinho em garrafa
cumpre todo um ritual, enquanto o

56 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


vinho em Tetra Pak traz a vantagem do pre-
ço reduzido e mantém a qualidade do produ-
to, pois não há exposição à luz”, diz Alem
Guerra, diretor de marketing nacional da Au-
rora. O Frei Damião é vendido no Sul e em
alguma quantidade também no Sudeste. “Por
sua vez, o Sangue de Boi em caixinha é um
sucesso no Paraguai”, relata Guerra.
Do mesmo modo que a Aurora tem
encontrado espaço para as remessas para
outros países sul-americanos, o inverso tam-
bém acontece. Vinhos chilenos e argentinos
envasados em caixinha podem ser encontra-
dos em supermercados brasileiros. É o caso
do argentino Vino Toro, vendido ultima-
mente nas lojas da bandeira Carrefour.
VAIVÉM – Vino Toro, da
Vizinhos mais acostumados Argentina (acima), está
Aliás, nesses países “hermanos”, nos quais a sendo vendido no Brasil.
Frei Damião e Sangue
tradição de consumir vinho é culturalmente de Boi em caixinha, da
mais arraigada, as cartonadas assépticas en- Aurora, são sucessos
contram mercados mais maduros e acolhe- em outros países
dores. Exemplo: enquanto não possui ne-
nhum cliente ativo entre as vinícolas nacio-
nais, a SIG Combibloc, outra grande forne-
cedora mundial de sistemas em cartonadas
ABE
assépticas, coleciona cases de sucesso nos (54) 452-6289
países vizinhos. www.enologia.org.br
Poucos anos atrás, a chilena Viña San Pe- Scholle
dro lançou sua marca de vinho de mesa Gato (19) 3826-8800
Premium em caixinha (essa marca, aliás, www.scholle.com.br
possui também uma versão em bag-in-box). SIG Combibloc
Mais recentemente, no último verão, valen- (11) 3168-4029
do-se de um recurso que a SIG Combibloc www.sigcombibloc.biz
diz ser exclusivo de seus sistemas em carto- Tetra Pak nadas, a ligeira alteração de volume das cai-
(11) 5506-3200
www.tetrapak.com.br xinhas para ações promocionais sem neces-
sidade de troca de máquina, a fabricante ar-
gentina de vinhos Cartellone realizou no
mercado platino uma ação na qual a embala-
gem de 1 litro de seu vinho de mesa Zumu-
va brindava o consumidor com 10% a mais
de produto de graça – ou seja, possuía
1 100ml da bebida. “Durante a ação, as ven-
das da marca dobraram”, conta Luciana Gal-
vão, da área de marketing do escritório bra-
sileiro da SIG Combibloc. “O sucesso levou
FLEXIBILIDADE – a empresa a agendar outras quatro promo-
Vinícola argentina ções para este ano”, conta a executiva. Pelos
Cartellone obteve resultados anteriores e pelo porto seguro que
caixinha com 10%
a mais de vinho as caixinhas vêm encontrando no mundo, é
sem trocar linha de se crer que elas serão bem-sucedidas.

58 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


Gigante na adega
Projeto interpaíses cria a maior garrafa de vidro para vinho do mundo
Guinness, o famoso li- No dia 28 de julho, uma das gar-

O vro mundial dos recor-


des, acaba de incorpo-
rar mais um item em
seus anais: a maior garrafa de vinho
rafas foi cheia pela vinícola, com 15
garrafas de 9 litros do vinho Private
Reserve Napa Valley Cabernet Sau-
vignon, safra 2001. Ao ver a garrafa,
já produzida pelo homem. Apresen- Fred Dame, presidente da Corte de
tada no fim de julho nos Estados Mestres Sommeliers, apelidou-a de
Unidos, a peça possui 1,37 metro “Maximus” – seguindo a tradição de
de altura, 1,38 metro de circunfe- se batizar garrafas gigantes de vinhos
rência e diâmetro de 43,6 centíme- e champanhes com nomes de reis bí-
tros. Vazia, pesa 68 quilos. Cheia, blicos (há a garrafa Matusalém, a gar-
154 quilos. Enchida com 130 litros rafa Baltazar, a garrafa Nabucodono-
de vinho tinto da vinícola califor- sor e outras). Para decorá-la, rótulos
niana Beringer, a verdadeira escul- especiais (cartazes, na verdade) fo-
tura de vidro foi criada para cele- ram impressos em papel couché de
brar os 25 anos da cadeia america- alta gramatura. Para fechá-la, uma ro-
na de restaurantes Morton’s. lha gigante, com 13 centímetros de
Arquitetada pelo engenheiro diâmetro, foi fabricada à mão pela
americano Charles Parriott, a garra- Cork Supply com madeiras prove-
fa, capaz de servir nada menos que nientes de Portugal.
1 152 taças, começou a ser desenvolvida no fim GOLIAS – A garrafa A garrafa irá percorrer 27 restaurantes da
Maximus e as 15
do ano passado. Após realizar esboços estrutu- Morton’s espalhados pelos Estados Unidos. Em
garrafas de 9 litros
rais, Parriott buscou vidrarias para ajudá-lo na usadas para enchê-la novembro, ela será leiloada na famosa casa de
tarefa. No território americano, não encontrou leilões Sotheby’s, em Nova Iorque. Ainda não se
nenhuma. Pesquisando, soube de potenciais sabe o preço de partida do leilão. O dinheiro ar-
parceiros na Inglaterra e na República Tcheca. recadado irá para a ONG de combate à fome
Com o apoio da Bohemia Machine, fabri- Share Our Strenght. “Além de apoiar uma gran-
cante européia de máquinas para a indústria de Kavalier Glass Works de causa, quem arrematá-la irá ganhar um arte-
www.kavalier.cz
vidros, Parriott conseguiu que um molde preli- fato de 154 quilos de história do vinho”, afirma
minar para a embalagem fosse confeccionado Cork Supply USA Tylor Field, diretor de operações de bebidas da
no município tcheco de Kryf. Uma primeira ten- www.corksupplyusa.com Morton’s. “Com isso, será capaz de afagar um
tativa de soprar a peça foi feita na planta da parceiro de negócios com um brinde de Natal
Wear Glass Works em Sunderland, na Inglater- singular ou dar uma festa de degustação para
ra. Houve, contudo, problemas com o molde. quase 1 200 de seus melhores amigos.”
Resultado: a garrafa obtida apresentou proble-
mas estruturais. Parriott transportou-a para a
República Tcheca, estudou saídas para os pro-
Haja parreira
blemas técnicos e decidiu soprar novamente a Bebendo uma taça por dia, como recomendam os
médicos, a garrafa de vinho duraria 3 anos e 57 dias
embalagem em solo tcheco, na Kavalier Glass
Works, de Sazava. Um novo molde foi desenha- • Capacidade: 130 litros, ou 173 garrafas comuns,
do e construído com madeira de faia européia. de 750ml, ou ainda 1 152 taças
• Altura: 1,37 metro
Em 14 de junho, quatro novas garrafas gigantes,
• Circunferência: 1,38 metro
no estilo Bordeaux, foram sopradas, num traba-
• Diâmetro: 43,6 centímetros
FOTOS: DIVULGAÇÃO

lho manual com o vidro especial do tipo Simax.


• Peso: 68 quilos vazia e 154 quilos cheia
Bingo. Depois de retocadas, elas finalmente fo-
• Rolha: 13 centímetros de diâmetro e 7,5 centí-
ram despachadas de navio para a sede da Berin-
metros de comprimento
ger, em Santa Helena, Califórnia.

60 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


O futuro cada vez mais perto
A realidade da RFID se aproxima a passos largos com a pressão do varejo
m homem caminha pelos corredo- sa alemã, líder mundial na fabricação de apli-

U res de um supermercado, apanhan-


do produtos nas prateleiras e colo-
cando-os dentro de seu sobretudo.
Tudo sob a vigilância de um segurança e de
cadores de RFID (do inglês identificação por
rádio freqüência), ou smart labels, com a Gu-
temberg, agora sua representante no Brasil.
As imagens, que induziam o espectador a
outros clientes. Tudo registrado pelo circuito acreditar que o personagem do filme estava
interno da loja. Sem se abalar, o homem ca- furtando produtos num supermercado – práti-
minha para a saída. O segurança vai atrás Gutenberg ca tão comum no Primeiro Mundo quanto por
dele. Assim que o rapaz deixa o supermerca- www.gutenberg.com.br aqui, e motivo de grandes perdas dos varejis-
(11) 3225-4372 tas, das indústrias e dos consumidores hones-
do, o segurança o interpela e diz: “Senhor, o
seu recibo”, e lhe entrega o tíquete impresso tos – revelavam, na verdade, a revolução que
que deixara para trás. o RFID está causando no varejo. Quando cru-
Esse é o teor do filme com que Jürgen Re- zou a saída do supermercado, o homem não
xer, gerente de vendas da Bielomatik, abriu sua apenas realizou o seu check out, mas também
palestra na apresentação da parceria da empre- pagou a sua conta. Um pouco exagerado,
principalmente no que tange à parte do paga-
mento, o filme antecipa o futuro que Rexer
enxerga para daqui a cinco ou sete anos.

Modularidade
Apostando no potencial de crescimento desse
mercado, a Bielomatik resolveu investir, em
1999, no desenvolvimento de equipamentos
MODULAR – A série T-100
é totalmente modular, e
para aplicação e gravação do transponder (a
pode ser customizada e antena e o chip do smart label gravado sob
ampliada conforme a um substrato, normalmente de PET) em rótu-
necessidade do cliente.
los, etiquetas, embalagens flexíveis e semi-rí-
Na foto da esquerda,
equipamento com nove gidas. Desde então, tornou-se a maior forne-
blocos. Abaixo, máquina cedora mundial desse tipo de equipamento,
com dezoito da série T-100, cujo aspecto mais notável é a
modularidade, característica que permite cus-
tomizações e expansões posteriores.
Nos números da Bielomatik, cerca de
60% das máquinas desse tipo em todo o
mundo têm a sua marca. “Se falarmos em nú-
mero de transponders aplicados, chegamos a
85%, pois nossas máquinas são as mais rápi-
das do mercado, já que podem funcionar bo-
bina a bobina”, afirma Rexer.
Usando o exemplo de rótulos auto-adesi-
vos como ilustração, o funcionamento das má-
quinas – que não são colocadas em linha – se-
FOTOS: DIVULGAÇÃO

gue, grosso modo, três passos. Primeiro faz-se


a separação do liner e do frontal. Na seqüência,
lamina-se o transponder (os chips são testados
um a um, antes de serem aplicados). Finalmen-

62 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


CAMADA – O
transponder é
laminado entre o
liner e o frontal

te, une-se novamente o liner ao frontal. Se ne-


cessário, a gravação das informações pode ser
feita na própria máquina.

Crescimento esperado
Tendo como força motriz a exigência que o
Wal-Mart está fazendo aos seus principais
fornecedores para que passem a adotar o
RFID a partir de janeiro de 2005, inicialmen-
te em seus paletes e embalagens de despacho,
os smart labels, ou rótulos inteligentes, que
eventualmente substituirão os hoje onipresen-
tes códigos de barra, chegaram para ficar.
“Ainda há barreiras a serem superadas,
como o elevado custo dos tags, mas o fato é
que a força do varejo é muito grande, e o
RFID inevitavelmente se tornará padrão”, diz
Rexer. “Num primeiro momento, a indústria
terá de absorver esse custo adicional, mas ela
também pode se beneficiar se usar as infor-
mações da RFID em seu favor.”
Vale lembrar que um dos fatores que
podem contribuir para a queda nos preços dos
tags é o ganho de escala. Mas, para que se
ganhe escala, é necessário que o preço caia.
Nesse dilema do tipo “o ovo ou a galinha”, o
varejo parece estar dando um empurrãozinho.
Para aqueles que ainda acham que o RFID
é uma realidade distante, não custa lembrar
que, há alguns anos, o Wal-Mart “incentiva-
va” seus fornecedores a adotar códigos de
barra em suas embalagens. Hoje, seus princi-
pais provedores estão enquadrados nessa nor-
ma de fornecimento. No Brasil, sabe-se que
há redes que estudam exigir de seus suprido-
res de mercadorias a adoção de etiquetas inte-
ligentes. É sintomático também lembrar que,
nos mais diversos eventos em que o tema é
esse, é crescente a presença de representantes
das maiores bandeiras do varejo do país.
Mais flexibilidade Um jeito ameno na
O mercado de bisnagas plásticas, relação de negócios
cujo potencial foi retratado por
Na profusão de eventos técnicos
EMBALAGEMMARCA há mais de um
que toma crescentes parcelas de
ano (edição 47, julho de 2003) é o
tempo de empresários e funcioná-
principal foco da Avery Dennison
rios das empresas, a ABIEA – Asso-
para o seu laminado para auto-ade-
ciação Brasileira das Indústrias de
sivos Fasson FlexFilm, agora dispo-
Etiquetas Adesivas buscou um cami-
nível no Brasil.
nho diferente para estreitar o relacio-
Também conhecido como “squeeza-
namento entre os elos da cadeia
ble”, esse novo filme aposta no seu
produtiva desse segmento: um en-
nível de transparência e na resistên- à indústria usuária a compra de lotes
contro bienal de fornecedores,
cia à tração no sentido longitudinal de embalagens standard, sem deco-
prestadores de serviços e converte-
para ganhar espaço na decoração ração. A diversificação da linha seria
dores, no qual o traço principal é a
de bisnagas. Composto por uma pe- feita com o rótulo, reduzindo o custo
amenidade. Assim, de 19 a 21 de
lícula de poliolefina transparente de com estoques de diferentes embala-
agosto último, a entidade promoveu,
50 micra com top coating e com o gens e dando maior flexibilidade à
no Hotel Sofitel da Costa do Sauípe
adesivo Fasson S0250, o FlexFilm produção.
(BA), o 9º Encontro Nacional de
adere em diferentes substratos, Avery Dennison
Convertedores de Etiquetas Adesi-
como PEAD, PEBD, PP, PVC e PET. (19)3876-7600
vas. Apesar do lazer que o local ofe-
A opção por auto-adesivo permitiria www.averydennison.com.br
rece, a troca de informações carac-
terizou o aspecto profissional do
Um peso pesado na área de auto-adesivos evento, do qual participaram mais de
300 pessoas.
Mais uma evidência de que o mer- 3 milhões de reais, destinados à ade-
Os trabalhos começaram com a pos-
cado de rótulos auto-adesivos está quação de armazéns e à compra de
se da diretoria, que foi reeleita.Tam-
aquecido, devendo continuar a cres- equipamentos. Os filmes e papéis
bém houve palestras do jornalista
cer de forma significativa: o peso serão cortados e acondicionados nas
Alexandre Garcia, dos especialistas
pesado Gafor Distribuidora, do gru- dimensões determinadas no ato da
em recursos humanos e administra-
po Gafor, acaba de entrar na área, compra, em sistema de pronta entre-
ção Alfredo Rocha e Professor Gretz,
para comercializar e fornececer pro- ga, “para minimizar a necessidade
e do presidente da Abigraf – Associa-
dutos da italiana Arconvert, do Gru- de capital de giro dos clientes”.
ção Brasileira da Indústria Gráfica,
po Fedrigoni, líder europeu em pro- O fornecimento “on demand” repre-
Mário César de Camargo. Durante
dução de papéis especiais para ro- senta uma mudança significativa em
os intervalos para café, podia-se visi-
tulagem, segurança e moeda, com relação ao atendimento anterior, feito
tar os stands dos patrocinadores e
faturamento anual de 500 milhões pela subsidiária que a Arconvert
apoiadores, estabelecer contatos e
de euros. mantinha no país e cuja equipe de
trocar informações e cartões de visi-
A novidade foi marcada pela inaugu- vendas foi absorvida pela Gafor. Síl-
ta. Ao final do evento, o presidente
ração, no final de agosto último, de vio Fagundes prevê que a nova ope-
da ABIEA, Umberto Giannobile, pre-
uma grande unidade de distribuição ração elevará o faturamento da distri-
feriu não opinar sobre sua qualidade
em São Paulo. Nela, segundo infor- buidora dos atuais 25 milhões de
e seus resultados, deixando o julga-
ma Sílvio Fagundes, diretor da em- reais para 40 milhões de reais em
mento “a critério dos participantes”.
presa, foram investidos cerca de 2005. A nova atividade se insere na
O 9º Encontro de Convertedores teve
estratégia de expansão e diversifica-
o patrocínio das seguintes fornece-
ção de negócios do grupo Gafor, que
dores: ANI (Akzo Nobel Inks), Avery
atua nos segmenos de logística, ter-
Dennison, Braga Produtos Adesivos,
ceirização de frotas, empreendimen-
Colacril, Etirama, Fasson JAC, Gu-
tos imobiliários, agropecuária e distri-
tenberg, MLC Facas de Precisão,
buição de insumos para a indústria.
Otiam, Ripasa, Rotatek e RR Papéis.
Gafor Distribuidora
E o apoio de Arconvert/Gafor, Com-
(11) 3904-9693
print, GGS, KM Papel, Praxair, Voto-
www.gafor.com.br
rantim e Abflexo/FTA Brasil.
Proteção oculta
uem investe continuamente logia de retículas de segurança que

Q no fortalecimento de suas
marcas sabe os prejuízos que
possibilita ocultar logotipos, textos,
microtextos, assinaturas e imagens
a pirataria pode trazer. Produtos falsi- nos rótulos. Trata-se de um software
ficados hoje são oferecidos até por e- que esconde informações na impres-
mail. E, pior para os donos das marcas são, impedindo que essas sejam vistas
copiadas, as contrafações nem sempre sem o uso de um filme de checagem.
são grosseiras. Num mesmo produto pode-se
Nas artes gráficas, o avanço da combinar até cinco tipos de retícula
tecnologia digital, principalmente na estocástica e seis tipos de retícula con-
gravação de matrizes, melhorou muito vencional (esta pode ter diferentes li-
a qualidade de impressão. Mas a mes- neaturas dentro de uma mesma ima-
ma tecnologia que permite que se gem e/ou produto).
atinjam padrões de excelência impen- O problema para os falsificadores
sáveis num passado recente também é ocorre quando se tenta copiar o origi-
acessível aos contraventores. nal. Quando os fotolitos (ou as chapas,
Pensando em oferecer a seus quando o processo é filmless) são
clientes proteção contra a pirataria, a queimados, as mensagens escondidas
Gráfica RAMI, de Jundiaí (SP), espe- tornam-se visíveis, evidenciando as
cializada na impressão de rótulos, dis- reproduções não autorizadas.
ponibilizou em seu parque uma tecno- RAMI • (11) 4587-1100 • www.ramiprint.com.br
IMAGENS: DIVULGAÇÃO

EVIDÊNCIAS – Com o auxílio de


um filme de checagem é possível
ver as imagens ocultas no rótulo,
invisíveis a olho nu. O mesmo
resultado acontece quando se
tenta reproduzir o original

RECURSOS COMBINADOS – Com


ampliação de 1600%, percebe-se
o uso de retículas estocástica e
convencional combinadas, e o
microtexto de segurança, recursos
que dificultam a falsificação
ambiente >>> reciclagem

Ponto a favor do reuso


Produtora de resinas PET bate recorde de reciclagem de embalagens
uando se consolidou como uma das principais

Q matérias-primas na indústria de embalagem, o


PET se tornou alvo da pecha de “inimigo ecoló-
gico”. Adotada no Brasil pioneiramente pelo
mercado de refrigerantes, no qual hoje acondiciona mais de
70% da produção nacional, a resina chegou a enfrentar pro-
testos de ambientalistas, insuflados por imagens de rios po-
luídos com superfícies tomadas por garrafas PET. Mas a
cadeia produtora desse tipo de embalagens vem aos poucos
conseguindo apagar esse estigma.
Ao aumentar ano a ano seus índices de reciclagem, que
alcançaram a marca de 40%, ou 120 000 toneladas, em 2003,
os fabricantes de embalagens PET mostram que o material Mais de 1 milhão de embalagens
são recicladas por dia na Recipet
não está fadado a ser um vilão ambiental. O esforço para mu-
dar esta imagem fica claro, entre outros exemplos, nas ações gem desse tipo de plástico não exige grandes sacrifícios, a
de reciclagem empreendidas no Brasil pelo grupo italiano empresa diz que o ganho de performance da Recipet não foi
Mossi & Ghisolfi (M&G), cuja operação local é focada no obtido com “gastos em novos equipamentos”. Na verdade, a
desenvolvimento de resinas para os mercados têxtil e de ampliação é atribuída a medidas aparentemente simples,
embalagens PET. como maior manutenção dos equipamentos, gerenciamento
mais eficaz da cadeia de suprimentos e, principalmente, me-
Medidas simples lhor manuseio das embalagens usadas, conseqüência direta
Controlador da Rhodia-ster, o grupo M&G acaba de anunciar do treinamento de funcionários.
resultados recordes obtidos pela Recipet, sua instalação de Com o aumento da capacidade da Recipet, o grupo M&G
reciclagem de embalagens situada em Indaiatuba (SP). Se- espera ser responsável neste ano por cerca de 12% da recicla-
gundo comunicado, a capacidade de reaproveitamento da gem nacional de PET, quatro pontos percentuais a mais do
unidade foi ampliada em 40%, e apenas em junho último a que a participação de 2003, quando a unidade de Indaiatuba
Recipet reciclou 1 125 toneladas de PET, ou mais de 1 mi- alcançou a média de 770 toneladas recicladas por mês.
lhão de embalagens por dia. “É um resultado satisfatório, que demonstra nosso com-
Numa prova de que o incremento dos índices de recicla- prometimento com a reciclagem, e comprova que a empresa

Abre lança campanha para divulgar símbolos de reciclagem


Apesar de a maior parte do lixo urbano ser com- embalagens descartadas são atividades vitais para
posta por materiais orgânicos, a associação entre que se melhore a qualidade de vida das pessoas. En-
resíduos sólidos e embalagens é muito forte. A tretanto, essas tarefas esbarram, muitas vezes,
imagem negativa que isso traz para a cadeia de numa questão simples: boa parte das embalagens
embalagens afeta consumidores e legisladores, o produzidas não traz a identificação do material pre-
que cria potenciais riscos para a indústria, dos dominante. E, nesse ponto, com pouco esforço a in-
fornecedores de matéria-prima aos end-users. dústria pode dar uma grande contribuição.
É inegável que a cadeia de embalagem tem res- Por isso, a Abre – Associação Brasileira de Embala-
ponsabilidades a assumir. Recuperar e reciclar as gem está lançando uma campanha para a correta

Alumínio Aço Vidro Reciclado Papel PET PEAD PVC PEBD


reciclável

66 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


leva a sério o impacto ambiental da fabricação de embala-
gens PET”, diz Guido Ghisolfi, presidente da M&G’s
Technology and Manufacturing, companhia do grupo.
Não obstante esse tipo de conquista, as embalagens fei-
tas de PET reciclado praticamente não são usadas no Brasil
para acondicionar alimentos e bebidas, justamente os mer-
cados que consomem os maiores volumes da resina. Os flo-
cos reciclados são destinados basicamente à produção de fi-
bras têxteis, cerdas de vassouras e trabalhos artesanais.
É por isso que, além de programas de coleta seletiva,
parte dos fabricantes brasileiros de embalagens PET sus-
tenta que um aumento mais expressivo nos índices de reci-
clagem do setor demandaria a disseminação do chamado
processo “bottle-to-bottle”, que consiste no uso de garrafas
usadas para a produção de novas garrafas de bebidas.
De acordo com a Abipet, associação que representa os
fabricantes brasileiros de embalagens PET, isso não ocor-
re no país por determinação da Anvisa (Agência Nacional
de Vigilância Sanitária) de que somente material virgem
pode entrar em contato direto com alimentos e bebidas.
Uma das razões de tal restrição é o risco de contaminação,
existente pelo fato de boa parte do material coletado ter
origem em lixões.
Em outros países, contudo, há demonstrações da viabi-
lidade do “bottle-to-bottle”. Segundo o Compromisso Em-
presarial para Reciclagem (CEMPRE), as indústrias de be-
bidas dos Estados Unidos e da França já usam garrafas PET
recicladas, desde que contenham o mínimo de 60% de ma-
terial virgem. Isso é permitido porque os órgãos de contro-
le sanitário desses países sabem que, após o consumo, as
embalagens usadas vão diretamente para as usinas de reci-
clagem, sem passar por aterros sanitários.

Abipet CEMPRE Grupo Mossi & Ghisolfi


(11) 3801-3497 (11) 3078-1688 (11) 5502-1509
www.abipet.org.br www.cempre.org.br www.rhodia-ster.com.br

identificação das embalagens com os símbolos


de reciclagem de cada material, incluindo o picto-
grama da reciclagem, que indica ao consumidor
o descarte seletivo. A entidade disponibiliza em
seu site arquivos em CorelDraw, Illustrator e
JPG com esses símbolos. O endereço é
www.abre.org.br/conheca_ma.htm.

PP PS Plásticos Resíduo reciclável


(outros)
design >>> veterinários

Pensando nos
“membros da família”
Bayer muda embalagens para atrair mais os donos de animais de estimação
or mais que o público veja por trás

P
ANTES DEPOIS
das embalagens dos produtos uma
empresa como “confiável e com
sólida credibilidade”, ela pode não
obter o melhor rendimento dessa imagem se
for considerada também “relativamente fria e
distante”. Pelo menos foi o que deduziu a Ba-
yer, com base em recentes pesquisas que
mostraram tais resultados em relação à sua
Linha Pequenos Animais. Se isso é grave
quando se trata de gente, pior ainda no caso
de bichos de estimação, considerados como
membros da família por seus donos, como in-
dicou outra pesquisa, encomendada pela divi-
são de produtos veterinários da empresa. ANTES
Ocorre que as mesmas pesquisas suge-
riam que, no mundo de hoje, as pessoas cada
vez mais procuram produtos e empresas que
ofereçam não só credibilidade e responsabili- EQUITIES – Na reformulação
dade, mas também afetividade e relaciona- das embalagens da Linha
mento. Ante tais constatações, a Bayer tratou Pequenos Animais, da Bayer,
DEPOIS as mudanças introduzidas
de utilizar o mais poderoso instrumento de
foram sutis, como pode ser
comunicação direta de que dispunha – ou visto nas comparações das
seja, as embalagens dos produtos – para mos- versões antigas com as atuais
trar sua face mais amigável e chegar mais
perto do consumidor e do médico veterinário.
Assim os frascos, blisters e cartuchos das
linhas Vermicida, Parasiticida, Antipulgas,
Dermatológica e Antibióticos, que permane-
ciam inalterados desde o início dos anos ANTES
1990, foram redesenhados pela Zgraph De-
sign, com modificações sutis, a fim de que a
identidade dos produtos não fosse perdida.
As ilustrações e fotos que vinham estampa-
das nos rótulos de forma relativamente aca- DEPOIS
nhada foram substituídas por fotos novas de
animais domésticos, e a tipologia ficou mais
moderna.
FOTOS: DIVULGAÇÃO

Em algumas embalagens foi mantido o


amarelo de fundo visto pelo consumidor
como um fator de identificação. Como a cre-
dibilidade da marca Bayer mostrou ser muito
68 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004
forte perante o público pesquisado (consumi- ANTES DEPOIS
dores, médicos veterinários e donos de pet
shops), o frontal das embalagens ganhou a as-
sinatura “Se é Bayer, é bom”. Os mascotes,
que passaram a fazer parte da embalagem,
ilustram também a indicação do peso do ani-
mal, já que as raças foram escolhidas para re-
presentar os tamanhos existentes. SLOGAN – No redesenho, as embalagens ganharam a mensagem “Se é Bayer, é bom”

Os cartuchos e as cartelas foram impres- criou uma campanha de relacionamento com


sos em Cartão Duplex Super 6 Hi-Bulky da consumidores, lojistas e médicos veteriná-
Suzano, variando a gramatura de acordo rios, cujo eixo é a “Turma da Bayer”, com-
Rosset
com a utilização e o conteúdo, nas gráficas (11) 5642-1944 posta por cães reais, tratados e treinados. A
Rosset e Ibratec. A embalagem aerossol, em www.graficarosset.com.br trupe começou a rodar o Brasil em uma van
lata de aço, para a linha parasiticida, foi fei- estilizada, em agosto último, realizando
Ibratec
ta na Prada. (11) 4789-4200 shows de demonstração de habilidades. Fo-
Os rótulos em flexografia de Drontal www.ibratecgrafica.com.br ram criados também materiais complementa-
Puppy, Baytril Injetável e Bolfo Talco são da Polaris
res, como bonecos infláveis, barracas para
Sangar, e os da linha dermatológica são im- (11) 4158-3037 ações de conscientização sobre problemas de
portados. A empresa não revela quem são os zoonoses, estímulo da posse responsável e
Prada
fabricantes das outras embalagens. (11) 5682-1000
benefícios de se ter um animal de estima-
www.prada.com.br ção.O objetivo central é demonstrar que a Ba-
A Turma da Bayer yer tem “a solução certa, na dose certa”, para
Sangar
Paralelamente à modernização das embala- (11) 5588-1900 as doenças e pragas que atormentam os ani-
gens de sua Linha Pequenos Animais, a Bayer www.sangar.com.br mais de estimação.

"
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O Grupo Pão de Açúcar tem buscado a todo momento se diferenciar no mercado. Temos uma linha
de trabalho que busca o padrão de excelência em tudo o que nos propomos a fazer, pois temos
como missão exceder as expectativas dos nossos clientes. No caso de embalagens de Marcas Pró-
prias nossa missão é encantar nossos clientes, fazer com se sintam valorizados. Através de nossas
embalagens buscamos fidelizar os nossos consumidores. Ao agregarmos diferencial competitivo
em todos os nossos projetos de Marcas Próprias frente à concorrência (produtos e embalagens),
fortalecemos nossa imagem e incrementamos a lucratividade de cada uma de nossas bandeiras.
Sabemos onde queremos chegar, só estamos no começo da caminhada e há muito o que fazer. Pre-
tendemos fazer das Marcas Próprias da CBD uma referencia mundial em qualidade e inovação, co-
locando o Grupo Pão de Açúcar na vanguarda das melhores redes de varejo. Esse comprometi-
mento e profissionalismo fez com que o Grupo Pão de Açúcar recebesse em 2004 o prêmio de "Em-
presa do Ano - 2004" da ABRE - Associação Brasileira de Embalagem. Foi o reconhecimento à sig-
nificativa contribuição que o Grupo Pão de Açúcar deu ao avanço do mercado de embalagens.
Em conseqüência do novo posicionamento adotado pelo grupo desde maio de 2001, visando e
priorizando a qualidade e a inovação, o segmento de embalagens passou a ser um dos grandes
focos de investimento pela empresa. Hoje as nossas linhas das marcas Mr. Valley, Pão de Açúcar,
Extra, Barateiro/Compre Bem, Sendas e Good Light somam aproximadamente 3.600 produtos dife-
rentes já lançados em nossas lojas.
Acreditamos que inovação e diferenciação são as palavras que ditam as regras para aquelas em-
presas que pretendem se destacar e crescer. Por isso acredito que a revista EmbalagemMarca,
dada sua reconhecida seriedade no setor de embalagens, pode contribuir muito para o crescimen-
to do negócio de Marcas Próprias no Brasil. Consideramos EmbalagemMarca um referencial para
o conhecimento e o desenvolvimento de todo profissional de embalagens.
inovação >>> chás

Apelo instantâneo
Dr. Oetker lança chá em pó e cria novo conceito de embalagem no segmento

ara os consumidores ortodoxos,

P não há outra maneira de se preparar


chá que não pela infusão de folhas
em água fervente. Mas até mesmo
esses devem reconhecer que sem inovações
como os sachês de papel-filtro, ou mesmo as
versões prontas para beber, que inseriram a ca-
tegoria na disputa com as indústrias de sucos e
refrigerantes, talvez o chá não tivesse alcança-
FOTOS: STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

do o número de apreciadores de que frui hoje,


além do status de uma das bebidas mais consu-
midas mundialmente – há quem diga que atrás
apenas da água.
Para desgosto dos mais tradicionalistas, e
alegria daqueles que buscam acima de tudo pra-
ticidade na hora de tomar chá, um passo além
EMBALAGEM DISPLAY -
na maneira de consumir a milenar bebida foi Criados pela Rigesa, car- agência de design Segmento, que desenvolveu o
dado recentemente pela empresa alimentícia Dr. tuchos de PVC contam layout da marca, explorar o uso de cores vibran-
Oetker, que lançou no Brasil o InstanTea. Como com suporte na base tes e grafismos sofisticados. O sistema de im-
(abaixo), e ficam em pé
o nome indica, trata-se de um chá instantâneo, nos pontos-de-venda
pressão adotado nos cartuchos foi o off-set, com
cujo preparo se assemelha ao acabamento de verniz UV.
dos refrescos em pó: basta adi- Além de qualidade visual, é
cionar uma mistura liofilizada possível dizer que o projeto
na água e mexer. transmite sintonia entre os gra-
Mas a maior novidade do fismos do cartucho e as dife-
produto parece reservada a rentes cores dos sticks (uma
suas embalagens, que diferem para cada um dos quatro sabo-
totalmente dos cartuchos carto- res do InstanTea).
nados normalmente usados para acondicionar Já nas embalagens primárias, a preocupação
os usuais saquinhos de papel-filtro. O novo chá maior parece ter sido garantir barreira não só a
da Dr. Oetker é vendido em sachês individuais gases e umidade, mas também a luz, já que os
com forma de stick, por sua vez agrupados num estojos transparentes não provêem essa prote-
estojo semi-rígido feito de PVC transparente. ção. Assim, os sticks, fornecidos pela Empax,
Empax
são feitos de filme laminado, composto por ca-
(11) 5693-5400
Visibilidade www.empax.com.br madas de polietileno e PET, além de revesti-
Por contar com um suporte plástico na base, que mento de alumínio.
Rigesa
mantém o produto em pé, aumentando a visibi- (19) 3881-8873
Peculiaridades também não faltam na parte
lidade nas gôndolas, a solução é definida como www.rigesa.com.br nutritiva do novo chá. Segundo a fabricante,
“uma embalagem tipo display”. Fornecidos cada porção individual do InstanTea contém
Segmento
pela divisão de embalagens plásticas da Rigesa, (11) 3021-4566
menos de oito calorias. Ou seja, além de uma
os cartuchos são dotados de sistema de travas www.segcom.com.br boa pedida para apreciadores sem tempo de pre-
formado por abas, que permitem fechamento parar a bebida como preconizam os fleumáticos
após cada ocasião de consumo. britânicos, esse novo lançamento da Dr. Oetker
Na parte gráfica, as possibilidades de im- parece ter vindo a calhar para aqueles que que-
pressão da superfície de PVC permitiram à rem se refrescar sem prejudicar a silhueta.

72 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


Sport Lok Vodca em garrafa
para cachaça diferenciada
A Alcoa está apresentando uma nova Já está no mercado mais um produto
aplicação para a tampa Sport Lok, da Diageo com a marca Smirnoff. Após
que tem como principal mercado o de o lançamento no Canadá, nos Estados
águas minerais: garrafas para bebi- Unidos e na Irlanda, a linha Smirnoff
das alcoólicas, como cachaça. A tam- Twist chega ao Brasil. É uma vodca com
pa já é utilizada no Nordeste pela leve sabor de fruta, para ser misturada
Ypioca Agroindustrial na cachaça Sa- com refrigerantes, sucos e tônicas.
pupara. Um dos principais atrativos A embalagem é inovadora: uma garra-
para este segmento é a função dosa- fa de vidro torcida de 1 litro e rótulos
dora da tampa. A garrafa de PET é com cores vivas. O design vem ao en-
fabricada pela própria Ypioca. Os ró- contro da proposta da bebida: mistura
tulos são da Newgraf, de Fortaleza. e movimento. Também foi aplicado
atrás da embalagem o desenho das
frutas. As garrafas são da CIV – Com-
panhia Industrial de Vidros, os rótulos,
da Gráfica 43, e as tampas, da Guala.

Del Valle agora é mini


A Sucos Del Valle do Brasil está
entrando de cabeça no segmento de
sucos prontos de frutas adicionados
de soja, com a linha Mini Valle Soja.
Ela estréia no mercado nos sabores
pêssego e maçã, e em caixinhas
cartonadas assépticas de 200ml da
Tetra Pak. O desenho das embala-
gens é assinado pela agência
paulistana Packing Design.

Aymoré entra no
mercado de Trio vira cereal matinal
A United Mills, fabricante das barras Banana e Musli e Trio Frutas e Musli.
conveniência de cereais com a marca Trio, está Além dos novos cereais matinais, a
A Aymoré, fabricante de biscoitos, lançando novos produtos no seg- fabricante promoveu a total reformu-
está colocando no mercado o Minuto mento de alimentos funcionais. A em- lação da marca, introduzindo no mer-
Ayrado Aymoré, biscoito salgado em presa acaba de colocar no varejo cado novas embalagens, e ainda,
embalagem de conveniência de 189g, uma linha de cereais matinais batiza- novos sabores das barras de cereais.
com seis pacotinhos individuais. As da com a mesma marca das barras, A mudança da marca Trio foi condu-
embalagens, do tipo flow pack, são incluindo seis sabores – Trio Fiber zida pela a10 Design. As embala-
fornecidas pela Itap Bemis Bran Ameixa, Trio Fiber Bran, Trio gens de papel cartão são impressas
Granola, Trio Chocolate e Musli, Trio pela Gráfica Gonçalves.

74 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


Omo ajuda Projeto Aprendiz
Dando continuidade à estratégia de gens diferentes, sendo que cada uma
levar a arte e acessórios modernos delas retrata, no verso do cartucho,
para o consumidor, Omo Cores lança um tipo de arte utilizada por essas
a edição limitada de embalagens ilus- crianças e jovens: grafite, mosaico e
tradas por crianças e jovens carentes pintura em azulejo. As embalagens
do Projeto Aprendiz, uma ONG fun- são produzidas pela Dixie Toga em
dada há sete anos em São Paulo. papel cartão duplex couchê, impres-
A linha Omo Cores by Projeto Apren- sos na Toga.
diz está disponível nas versões 1 kg e Parte das vendas do produto será re-
500g, e é composta por três embala- vertida para o Projeto Aprendiz.

Menos lactose
na caixinha
A Batavo amplia sua linha de
produtos especiais com o lan-
çamento do leite Sensy, que
tem 90% menos lactose que o
leite tradicional. A embalagem
é produzida pela Tetra Pak,
com impressão em photopro-
cess. O layout é da Komatsu
Design.

Café Giro em
pet metalizado
O café Giro mudou a embalagem
para aumentar o impacto no ponto-
de-venda e ser percebido como um
produto de melhor qualidade. As
imagens selecionadas procuram
mostrar o sabor do café e a quali-
dade dos grãos.
As embalagens impressas em
rotogravura são de pet metalizado
produzidas pela João F. Camargo,
com layout da Packaging Design.
PP na área de copos... UCB com intenção de sair dos filmes
A Braskem está desenvolvendo um po- A multinacional belga UCB anun- cas (celofanes) e em filmes de poli-
lipropileno para brigar com o poliesti-
ciou ter assinado um acordo para a propileno bi-orientado (BOPP), a di-
reno como matéria-prima de copos
plásticos descartáveis. Esse mercado venda de seus negócios em filmes visão Films da UCB emprega 1 600
consome anualmente cerca de 60 000 para embalagens, por um total de pessoas, tem fábricas localizadas
toneladas de resina. 320 milhões de euros. O comprador no Reino Unido, nos Estados Uni-

...para brigar com PS é um consórcio liderado por Dennis dos, na Austrália e na Bélgica e es-
Para tanto, a Braskem está investindo Matthewman, ex-executivo da área critórios de vendas em vários país-
R$ 30 milhões em P&D e vai adquirir química, e pela Candover Partners. es, inclusive no Brasil.
28 máquinas produtoras de copos, as www.ucb-group.com
Especializada em soluções celulósi-
quais pretende fornecer a transfor-
madores em regime de comodato, em
troca de exclusividade como provedo- Sopro de velas na Sinimplast
ra da resina por cinco anos. Grande fabricante de embalagens recipientes estão nomes como Unile-
plásticas sopradas – a maior da ver, Avon, Johnson & Johnson, Col-
Tilibra na agenda da Rigesa
América Latina, como ela própria res- gate-Palmolive, L’Oréal, Reckitt
Por meio de sua subsidiária brasileira,
a Rigesa Celulose, Papel e Embala- salta –, a Sinimplast está completan- Benckiser, Quaker, Natura, Total Quí-
gens, a americana MeadWestvaco Cor- do vinte anos de atividades. Nascida mica e DM Farmacêutica. Para aten-
poration adquiriu o controle acionário da aquisição da divisão de embala- der à demanda dessas indústrias de
da Tilibra, tradicional marca de cader- gens da indústria de produtos de lim- peso, consome cerca de 28 000 to-
nos e agendas. peza doméstica Orniex, em Diade- neladas de resinas por ano, entre po-
ma, na Grande São Paulo, a compa- lietileno de alta densidade (PEAD),
Maior desova
De acordo com a Associação Brasileira nhia hoje ostenta cinco plantas in- polietileno de baixa densidade
da Indústria de Máquinas e Equipa- dustriais, sendo três no Estado de (PEBD), polipropileno (PP), PVC,
mentos (Abimaq), o faturamento dos São Paulo (a de Diadema, uma em PET e PETG (PET aditivado com gli-
fabricantes de máquinas para plásti- Osasco e outra em Vinhedo, que fun- col). A Sinimplast integra um grupo
cos subiu 55,5% no primeiro semes- ciona in-house na fábrica de produ- empresarial que fatura anualmente
tre, passando de R$ 207 milhões para
tos de higiene pessoal e de cosméti- 2,1 bilhões de reais e cujos negócios
R$ 322 milhões. O motivo é a recupe-
ração econômica. cos da Unilever), uma no Rio de Ja- se estendem aos ramos de transpor-
neiro e outra no Recife. Ao todo, tes, revenda de automóveis e desen-
Relacionamento novo essas unidades abrigam oitenta volvimento de soluções de e-busi-
Lúcio D’Almeida, diretor de Customer máquinas, empregam quase 1 000 ness, através da empresa MasterBiz.
Management da Unilever Bestfoods pessoas e produzem mais de 1 bi- Neste ano, a companhia pretende
do Brasil, é o novo presidente da Asso- lhão de frascos por ano. Em 2003, desembolsar de 6 a 10 milhões de
ciação ECR Brasil pela indústria. Ele
a empresa faturou 200 milhões de reais em mais uma renovação de
substitui Orivaldo Onofre Galasso,
também da Unilever, que ocupava o reais. Para este ano, prevê um seus parques industriais. Para 2005,
cargo desde 1997. Em dezembro, ha- faturamento 10% maior. o plano é de aposta em internaciona-
verá eleição para o cargo. Apta a produzir frascos de até 20 li- lização, com a inauguração de unida-
Focada na fabricação de itens meca- tros, a Sinimplast atende hoje os des na Argentina e no México.
trônicos para a automação do chão de mais variados segmentos industriais. (11) 4061-8300
fábrica, como motores, servo-contro-
Entre os principais usuários de seus www.sinimplast.com.br
ladores e robôs, a subsidiária brasilei-
ra da japonesa Yaskawa está comple-
tando 30 anos no Brasil. Recentemen-
te, a empresa inaugurou um escritório
em Campinas (SP).

Portal dos pampas


A Rede Gaúcha de Design lançou seu
portal na internet (www.rgd.org.br).
Nele, é possível encontrar notícias,
agenda de eventos e informações so-
bre prestações de serviços, entre ou-
tros pontos.

76 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


Nova liderança na KHS
A KHS Brasil, subsidiária da multina- pal executivo. Segundo ele, seus
cional alemã fabricante de equipa- principais objetivos serão promover
mentos para processos e embala- maior sinergia entre as subsidiárias
gem de bebidas e alimentos, anun- da KHS nas Américas e estreitar ain-
ciou recentemente Luiz Fernando da mais o relacionamento com os
Gomes como seu novo diretor presi- clientes locais – entre os quais Coca-
dente. Ele substitui Clemens Roth. Cola, AmBev, Schincariol, Kaiser, Lo-
Gomes, 36, esteve por dez anos à kal, Convenção, Hugo Cini, Fruki,
frente da KHS do México, na qual Cervejarias Petrópolis, Conti e Malta.
também chegou ao cargo de princi- (11) 6951-8343 • www.khs.com.br

Fitas para arquear com sinal verde


A Cyklop do Brasil acaba de rece- das pela AAR têm permissão para
ber da Association of American entrar no país. Na América Latina,
Railroads (AAR), dos Estados Uni- as fitas de poliéster da Cyklop do
dos, aprovação e certificação para Brasil são a únicas certificadas pela
três tipos de fitas em poliéster utili- instituição americana.
zadas no fechamento de embala- (11) 4173-5020 • www.cyklop.com.br
gens fabricadas em sua planta de
Diadema (SP). Desse modo, expor-
tadores brasileiros – principalmente
do segmento de madeira beneficia-
da – não precisarão mais recorrer a
fitas importadas e certificadas para
cumprir as exigências das autorida-
des americanas. Por motivos de se-
gurança, somente produtos arquea-
dos com fitas plásticas devidamen-
te testadas, aprovadas e certifica-

Krones intesifica exportações


A subsidiária brasileira da multina- mais de 58 instalações com trans-
cional alemã Krones, uma das maio- portadores produzidos localmente.
res provedoras de soluções em equi- A Krones do Brasil também acaba
pamentos para linhas de embala- de vender uma linha de enchedoras
gens, dará início às exportações de para a Cervejaria Petrópolis, a ser
transportadores, fabricados desde instalada na planta de Boituva (SP)
2001 na planta da empresa em Dia- da empresa. A linha completa para
dema (SP). O primeiro cliente a 62 000 garrafas/hora é, de acordo
receber os transportadores será uma com a Krones, uma das mais moder-
empresa da Argentina, que enco- nas e avançadas presentes atual-
mendou quatro finais de linha. Com mente no mercado cervejeiro nacio-
projetos iguais aos produzidos na nal. “A obtenção das máquinas faz
Europa, incluindo o acionamento por parte de nosso plano de expansão
meio de conversores de freqüência, para atender a demanda do merca-
os transportadores produzidos pela do a médio e a longo prazo”, diz
Krones no Brasil trabalham com cai- Douglas Costa, coordenador de pro-
xas, paletes e frascos. Só no Brasil, duto da cervejaria.
já foram fornecidas, desde 2001, (11) 4075-9500 • www.krones.com.br
Bingo Arte urbana em nova linha de papéis
corporativo
O papel da Suzano produzido na
Unidade de Mucuri ganhou uma
Vai até setembro a promoção nova identidade. As versões Offset
“Esse é tudo de bônus”, que e Laser agora serão distribuídas
desde o final do ano passado com a marca Paperfect, que segun-
está distribuindo prêmios aos do a empresa já está presente em
clientes da KSR Distribuidora – quarenta países. Para divulgar a
unidade de negócios da Voto- novidade, a Suzano produziu um
rantim Celulose e Papel (VCP). catálogo com pinturas urbanas cap-
De acordo com a empresa, no tadas em muros e fachadas da ci-
próximo dia 27 de setembro três dade de São Paulo. A linha Paper-
automóveis serão sorteados. fect pode ser encontrada em gra-
Para concorrer é necessário maturas que variam de 56g/m2 a
preencher cupons que são distri- 104g/m2.
buídos a cada 400 reais gastos www.suzano.com.br
nas linhas de papéis ou produ- 0800 555100
tos gráficos da KSR. Compras
feitas com o cartão KSR Card
Rilisa faz aliança no Nordeste
valem o dobro de cupons.
Unidade de negócios da Ripasa, a como a feita com a DPM Distribui-
www.ksr.com.br
Rilisa quer fortalecer sua atuação dora. Com a união, a distribuição
0800 558544
no Nordeste do país, onde acaba de papel, insumos gráficos, material
de inaugurar mais um centro de dis- de escritório e suprimentos para im-

Agfa Dots tribuição. Situada em Pernambuco, pressão e informática da Rilisa pas-


a nova operação conta com unida- sa a contar com catorze pontos lo-
versão 2004 vai des de apoio nos Estados da Bahia gísticos e mais de 500 profissionais
até dezembro e do Ceará, que segundo a empre- em todo o país, envolvidos na distri-
sa têm os mesmos “padrão de buição de aproximadamente 8 000
A Agfa lançou em agosto último
atendimento e recursos tecnológi- itens. “A região Nordeste, com todo
a versão 2004 do Agfa Dots,
cos do centro de distribuição de seu potencial de negócios e cresci-
programa de relacionamento
São Paulo”. Além de novas instala- mentos exige cada vez mais aten-
da empresa que estará em vi-
ções, a Rilisa planeja acentuar sua ção”, diz Dalila Vendrame, diretora
gor até dezembro. Como já
presença no mercado nordestino a comercial da Rilisa.
aconteceu em anos anteriores,
partir de alianças estratégicas, www.rilisa.com.br • 0800 7014410
os clientes interessados em
concorrer às premiações são
classificados em três grupos,
Estreitando os laços comerciais
de acordo com suas compras Um grupo de catorze empresários erciais já inicialmente estabelecidos
mensais. Quanto maiores os gráficos estrangeiros esteve no Brasil nas missões realizadas pelo Graphia
gastos, mais pontos (dots) são no início de agosto para participar de fora do país”. Os empresários estran-
acumulados, para posterior tro- evento organizado pelo Graphia, con- geiros visitaram quarenta empresas
ca por prêmios. Os participan- sórcio de exportação lançado pela brasileiras integrantes do consórcio,
tes podem receber desde fil- Abigraf-SP (Associação Brasileira da que representa quatro segmentos da
mes fotográficos a impresso- Indústria Gráfica) há dois anos. De- indústria gráfica nacional: embala-
ras, walkie-talkies e uniformes nominada Projeto Comprador, a ini- gem, editorial, papelaria e promocio-
de futebol. ciativa foi feita em parceria com o nal. A previsão é de que a visita gere
www.agfa.com.br Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de 4 milhões de dólares em negócios.
(11) 5188-6444 Apoio às Micro e Pequenas Empre- www.abigraf.com.br
sas), e visou “estreitar os laços com- (11) 5087-7777

78 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


Day Brasil amplia oferta de blanquetas
Os esperados indícios de retomada va em 50%. Com isso, a empresa
da economia brasileira começam a quer alcançar a marca de 65 000 m2
refletir no mercado gráfico. Atuando no de blanquetas produzidos por mês. “O
segmento de blanquetas – estruturas tempo de entrega dos produtos para
de borracha que envolvem o cilindro exportação deverá passar de três
de impressão off-set – com a marca meses para um mês”, comemora
Printec, a Day Brasil anunciou a cons- Jonathan Graicar, gerente de negó-
trução de uma nova fábrica desse cios Printec para a Ásia. Ainda de
acessório em São Paulo. Segundo a acordo com o executivo, a Day Brasil
empresa, serão investidos 5 milhões é a única produtora de blanquetas
de dólares no projeto, que deverá para off-set do Hemisfério Sul.
aumentar a atual capacidade produti- www.daybrasil.com.br • (11) 3613-7744

Couché próprio para impressoras laser


A VSP lançou no Brasil mais uma
linha de papéis com revestimento es-
pecial, a Couché Nevada. Produzidos
com acabamento fosco ou brilhante,
no formato A-4, os produtos são indi-
cados para impressões a laser. Outro
detalhe peculiar da linha Nevada está
relacionado a suas embalagens carto-
nadas, que têm formato de pastas do-
tadas de alça. Os produtos são distri- VSP Papéis Especiais
buídos em três gramaturas: 90g/ m , 2
São Paulo: (11) 3392-3390
115g/ m2 e 170g/ m2. Outros Estados 0800 550833

Reciclado colorido naturalmente


Cada vez mais disseminados no va- Disponíveis em quatro cores, os pro-
rejo em geral, produtos ambiental- dutos Natural Plus utilizam corantes
mente amigáveis também se consoli- base água obtidos a partir de plantas
dam como um nicho atraente no cultivadas e de um inseto criado em
mercado gráfico em particular. Prova escala, a cochonilla. “A utilização de
disso é o lançamento da marca Na- corantes biodegradáveis reduz o im-
tural Plus, da ArjoWiggins. Composta pacto ambiental e permite melhor
por papéis reciclados coloridos, a li- reaproveitamento da água resultante
nha é, segundo a empresa, “a pri- do processo de fabricação do papel”,
meira do mundo produzida em esca- diz a nota de divulgação do produto.
la industrial com corantes 100% na- Ainda segundo a empresa, todo o re-
turais”. síduo produtivo pode ser utilizado
como adubo. A linha está sendo pro-
duzida no formato 66cm x 96cm, nas
seguintes gramaturas:
90g/m2,150g/m2 e
220g/m2.
www.arjo-wiggins.com.br
0800 163631
Suzano divulga resultados de 2003 ABTCP faz evento
A Suzano distribuiu a seus clien- sas ligadas à Suzano foi de 586,5 sobre excelência
tes e acionistas o Relatório Anual milhões de reais em 2003, propi-
produtiva
de 2003, que contém as demons- ciando uma distribuição de 127 mi-
Acontece entre os dias 18 e 21 de
trações financeiras e o balanço lhões de reais em dividendos e ju-
outubro próximo, em São Paulo, o
social da companhia relativos ao ros sobre capital próprio. O relató-
37º Congresso e Exposição Anual
exercício passado. Segundo o re- rio também destaca a moderniza-
de Celulose e Papel. Organizado
porte, o lucro líquido das empre- ção da Fábrica (B), localizada em
pela ABTCP – Associação Brasileira
Suzano (SP), e os estudos para a
Técnica de Celulose e Papel, o
expansão da fábrica de Mucuri
evento tem como mote o tema efi-
(BA). Esta última medida visa, se-
ciência operacional. Nesse sentido,
gundo Murilo Passos, diretor-supe-
os mais de duzentos expositores
rintendente da empresa, à consoli-
esperados, entre empresas e enti-
dação da Suzano no mercado
dades de classe, deverão mostrar
mundial de celulose de eucalipto.
soluções para equacionar controles
“Para essa expansão serão dire-
operacionais e aumento de produti-
cionados 1,2 bilhão de dólares até
vidade, além de inovações tecnoló-
2008”, adiantou o executivo.
gicas para o alcance da excelência
www.suzano.com.br
na indústria de celulose e papel. A
0800 555 100
expectativa da ABTCP é reunir
12000 visitantes durante os quatro
Praxair anuncia construção de fábrica dias de evento, que acontecerá no
Com foco no fornecimento de cilin- priorizar o atendimento dos clientes Transamerica Expo Center. Entre
dros anilox com gravação a laser, a das regiões Sudeste e Centro-Oeste os expositores confirmados estão
subsidiária brasileira da Praxair está do país. Já a unidade localizada em empresas como Voith, Metso Paper,
anunciando duas novidades. A pri- Pinhais (PR) está começando a ope- Jaakko Poyry, Dow Brasil, Degussa,
meira é a construção de uma nova rar uma nova gravadora laser para Cargill, Basf e ABB.
fábrica no Brasil, que deverá ser ins- produção de cilindros anilox. “Esse www.abtcp.org.br
(11) 3874-2733
talada na grande São Paulo para equipamento permite obter anilox
gravados com geometrias de células
altamente definidas e transferência FSC certifica
de tinta otimizada”, resume Paulo
Lima, gerente de vendas da Praxair. Ripasa
Fornecido pela IPG Photonics, o pro- A Ripasa obteve uma nova certifi-
duto conta com tecnologia Ytterbium cação relativa a manejo florestal
Fiber Laser, e opera muito próximo sustentável. Dessa vez o aval foi
do range spectral do infravermelho. conferido pelo FSC - Forest Ste-
(11) 3825-5577 wardship Council, ou Conselho de
www.praxair.com Manejo Florestal. Cerca de 77 000
hectares das fazendas que com-
põem os oito parques florestais
Novas tintas para laminação paulistas da Ripasa receberam o
A Flint Ink anunciou o lançamento Arrowbond Ultra representa a pró- selo da entidade. As florestas fo-
da Arrowbond Ultra, sistema de xima geração em tintas para lami- ram certificadas após comprova-
tinta para laminação, que, segun- nação. “Além de qualidade de im- ção de que são manejadas de “for-
do a empresa, reduz custos para pressão, o sistema oferece baixa ma socialmente justa, economica-
uma ampla gama de aplicações retenção de solventes”, fala Im- mente viável e ambientalmente
na área de embalagens. Para Mi- pastato. correta”.
chael Impastato, executivo da www.flintink.com www.ripasa.com.br
Flint Ink nos Estados Unidos, a No Brasil: (11) 4613-5287 0800 11 32 57

80 >>> EmbalagemMarca >>> setembro 2004


Almanaque
Ontem e hoje, uma marca antenada
Nos anos 60, a Procter & Gam- saquinhos. Surgiu, então, a idéia
ble percebeu uma insatisfação de se fabricar um snack de bata-
dos americanos com as batati- ta a partir de uma massa, com
nhas fritas. Eram muitas as críti- fatias uniformes, que chegariam
cas de que elas vinham quebra- intactas ao consumidor por meio
diças e sem uniformidade nos de uma embalagem rígida. As-
sim, a P&G introduziu no mer-
cado americano, em 1968, o
Pringles, já acondicionado no
tubo cartonado multifoliado que A triste origem
se tornou um dos principais va- da marca diabo
lores dessa marca. Ultimamente, No Brasil, especialmente no Sul,
essa indefectível embalagem – “marca diabo” virou expressão
fabricada nos Estados Unidos popular para coisa fadada ao fra-
casso, negócio natimorto. O res-
pela Sonoco, com rótulo da
ponsável por isso é João Simões
American Packaging Corpora- Lopes Neto, um aristocrata gaú-
tion – tem se notabilizado por cho do século 19. Após estudar no
um inglório aspecto: hackers Rio, ele retornou a Pelotas, sua ci-
descobriram que ela funciona dade natal, cheio de idéias empre-
sariais. Na década de 1890, criou
como antena para explorar fa-
uma vidraria com operários fran-
lhas de proteção nas crescentes
ceses e montou uma destilaria, da
redes corporativas sem fio. qual diversos homens de posse
da região se tornaram acionistas.
Primeira tacada de mestre A guerra civil no Rio Grande do
Sul, porém, gorou os empreendi-
Em 1898, 114 panificadoras eram envoltos em camadas do- mentos. Com heranças do avô e
americanas se uniram e forma- bradas de papéis parafinados e do pai, o jovem construiu uma fá-
ram a National Biscuit Com- de papel cartão para atenuar o brica de cigarros, cujos produtos
pany. Com fins de marcar a gê- contato com a umidade. Hoje, receberam a marca Diabo. O im-
nese da companhia, seus direto- esse sistema protetor pode pare- pacto do nome rendeu algum su-
res decidiram lançar um produ- cer rudimentar. No entanto, a cesso, mas pressões religiosas le-
to que fizesse barulho. Surgiu, maior vida de prateleira que varam a empresa à bancarrota.
então, a idéia do Uneeda Bis- proporcionou fez do Uneeda um Abriu, em seguida, uma moenda
cuit (corruptela do inglês “you estouro de vendas – o primeiro de café, criou um elixir à base de
need a biscuit”, ou “você preci- da empresa que hoje é conheci- tabaco para combater sarna e car-
rapatos (o Tabacina, que ficou dez
sa de um biscoito”), um biscoito da como Nabisco.
anos no mercado) e fundou uma
do tipo água e sal que carrega-
mineradora. Todos os negócios
ria um diferencial mercadológi-
malograram. Sem dinheiro, Si-
co: chegaria aos consumidores
mões Lopes Neto viveu como jor-
mais crocante e fresco que os da nalista e escritor até morrer, em
concorrência. Para sustentá-lo, 1916. Pelo menos na profissão foi
a companhia criou o “inner seal bem-sucedido: hoje, é reconheci-
package”, ou “pacote com sela- do como o pai do regionalismo,
gem interna”. Consistia num vertente literária nacional pré-mo-
cartucho em que os biscoitos dernista derivada do romantismo.

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