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Engenharia Civil

Mecânica dos Solos 1











Apontamentos de
Mecânica dos Solos 1






Luís Pedro Carreira

Leiria, Julho de 2005














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Instituto Politécnico de Leiria
Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria
Engenharia Civil







Apontamentos de
Mecânica dos Solos 1

















Luís Pedro Carreira
Nº. 11280
ec11280@student.estg.ipleiria.pt
www.estg.ipleiria.pt
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Mecânica dos Solos 1

Introdução:

Definição:

Solo: “Conjunto natural de partículas minerais que resulta da desagregação ou decomposição
das rochas, pela acção da água, do gelo, das variações de temperatura ou como resultado da
vida animal, e vegetal”.

(Vocabulário de estradas e aeródromos) (E470): “Conjunto natural de partículas que podem ser
separadas umas das outras por agitação em água”.

As partículas do solo podem ser separadas umas das outras por agitação em água, e esta é
uma das características que distingue os solos das rochas.

Da análise da definição anterior pode extrair-se uma conclusão importante. Os solos são
materiais polifásicos.

Os solos são constituídos por três fases distintas: Partículas sólidas, Água, e Ar.













(1) (2)

Figuras – (1) Esquema representativo de uma amostra de solo e das suas fases distintas; (2)
Diagrama de Pesos (W) e diagrama de Volumes (V), das fases distintas de uma amostra de
solo.


Origem e formação dos solos:

As partículas do solo são resultado de acções químicas e físicas (mecânicas) actuantes sobre
as superfícies das rochas.

- Alterações mecânicas (sem alteração da rocha de origem); variações de temperatura (∆T), e
formação de gelo;

- Alterações Químicas (com alteração da rocha de origem);

Quando as partículas do solo estão depositadas junto da rocha de origem, o solo designa-se
por solo residual.

Quando as partículas do solo são transportadas para longe do local de origem o solo designa-
se por solo transportado ou sedimentar.





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Figura 3 – Exemplo tipo de um corte geológico.

Corte geológico:
- Terra vegetal (crosta);
- Solo;
- Camada rochosa (bedrock);
- Lençol de água (NF);


Constituintes dos solos e suas propriedades:

Os solos são materiais polifásicos (sistema trifásico):

- Partículas sólidas;
- Ar;
- Água;

O solo pode ser representado através de diagramas simplificados:











Figura 4 – Diagrama de Pesos e Volumes, das fases distintas de uma amostra de solo.


Fase sólida:
- Minerais derivados da rocha de origem (d ≥ 0.002 mm) com forma arredondada;
- Minerais argilosos (alteração química d < 0.002 mm) com forma laminar;
- Matéria orgânica;

Fase líquida:
- Água (resiste a esforços normais, não de corte);
- Sais dissolvidos (ex: Sulfatos com efeitos destrutivos);

Fase Gasosa:
- Ar;
- Vapor de água;
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Sendo os solos materiais polifásicos, existe um determinado número de grandezas necessárias
para descrever o seu estado físico, grandezas essas que são as seguintes:

Tabela 1 – Grandezas físicas necessárias para descrever o estado físico de um solo.

Todas estas grandezas estão relacionadas, ou seja, quanto maior for o índice de vazios (e),
maior será a porosidade (n) e vice- versa. Quanto maiores forem aquelas duas grandezas,
menores serão o peso volúmico, (g), o peso volúmico seco (gd), e o peso volúmico submerso
(g´). Quanto maior for o teor em água (w), para uma dada porosidade (n), menor será o grau de
saturação (S), etc.

Análise granulométrica de um solo:

Existem algumas grandezas que podem ser retiradas do exame da curva granulométrica e que
fornecem informações muito úteis sobre o solo.











(5) (6)

Figuras – Execução de uma análise granulométrica: (5) Colocação de uma amostra de solo
num conjunto de peneiros (6) resultado da operação de peneiração.



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- Diâmetro efectivo de um solo (D10): Um solo com um determinado diâmetro efectivo tem 10%
em peso de partículas com dimensões inferiores a D10. Quanto maior o D10, maior a
permeabilidade;
- Diâmetro efectivo de um solo (D60): Um solo com um determinado diâmetro efectivo tem 60%
em peso de partículas com dimensões inferiores a D60. Quanto maior o D60, maior a
permeabilidade;
- Coeficiente de uniformidade (CU): Esta grandeza dá uma ideia da variedade de dimensões
que as partículas de um dado solo possuem.
Quanto maior o CU, maior será essa variedade, considerando-se nesta situação que o solo é
bem graduado. Um CU baixo corresponde a solos de granulometria pobre ou mal graduados.







Solo bem graduado → CU > 4 / 6 (maior que 4 a 6)
Solo uniforme → CU ≈ 1 → D10 = D60

- Coeficiente de curvatura (CC): Está relacionado com a forma da curva granulométrica. Dá
uma ideia da curva granulométrica entre D60 e D10.







Se 1 ≤ CC ≤ 3 → Solo bem graduado. Fora destes valores, o solo está mal graduado.

Para compactação um solo fica melhor, se for bem graduado, pois as partículas mais finas vão
ocupar o espaço entre as partículas mais grossas.

Um solo é bem graduado, se satisfizer duas condições:

→ Seixo: CU > 4

→ Areia: CU > 6

→ 1 ≤ CC ≤ 3



- Índice de compacidade (ID): Este índice permite comparar o respectivo índice de vazios de
ocorrência (e) com os valores máximos (emax.) e mínimo (emin.) que aquela grandeza pode
assumir.







É uma grandeza que varia entre 0 e 100% consoante o solo apareça na compacidade mínima
ou máxima, respectivamente.
O Índice de compacidade é um parâmetro útil pois fornece indicações acerca da maior ou
menor possibilidade do solo em experimentar deformações volumétricas quando carregado, ou
seja, sobre a sua compressibilidade. Quanto maior for o Índice de compacidade, menos
compressível será o solo.
10
60
D
D
CU =
(grandeza adimensional)
10 60
30
2
D D
D
CC

= (grandeza adimensional)
[ ] % 100
. min .
.



=
e emáx
e emáx
ID
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Limites de Attemberg ou de consistência:

À diferença entre o limite de liquidez (WL), e o limite de plasticidade (WP) (São os dois limites
que mais se utilizam e que mais informações úteis fornecem acerca do comportamento do
solo), chamamos índice de plasticidade (IP).




- Índice de consistência ou de liquidez: A comparação do teor em água natural (W), de um solo
argiloso, com os limites de Attemberg fornece-nos uma indicação aproximada da consistência
do solo.
Chama-se Índice de consistência (IC), à equação:






O Índice de consistência pode ser superior à unidade, quando no seu estado natural, o solo
ocorre com um teor em água inferior ao limite de plasticidade, caso em que o solo argiloso já é
muito consistente.

- Actividade da argila (AT): É a razão do índice de plasticidade do solo, pela percentagem em
peso da fracção de argila desse solo.




Um solo com uma actividade elevada, pode variar o seu volume bastante. Do ponto de vista
geotécnico é negativo. São solos problemáticos pois interagem muito com a água.


Se actividade: > 1.25 → Argila muito activa (Montmorilonite) – muito expansiva;
0.75 – 1.25 → Normal (Ilite);
< 0.75 → Pouco activa (Caulinite);

Classificação dos solos:

- Classificação quanto ao tipo e dimensões;
- Classificação quanto à origem;
- Classificação relacionada com as aplicações dos solos como materiais de construção;


- Classificação quanto ao tipo e dimensões: → Argilas;
→ Siltes;
→ Areias;
→ Cascalhos;

- Classificação quanto à origem:
→ Solos residuais: resultam da desintegração e (ou) decomposição “in situ” da rocha mãe;
→ Solos transportados (solos sedimentares): são solos que se formaram a maior ou menor
distância da rocha mãe, após terem sido levados pela água, vento, ou pela acção da
gravidade. Os depósitos formados após o transporte pela água designam-se por aluviões.

- Classificação quanto às aplicações: Utiliza-se a classificação unificada. Esta classificação é
destinada a orientar a utilização dos solos como materiais de aterro (aterros para estradas,
aeródromos, barragens de terra, etc).

[%] WP WL IP − =
IP
W WL
WP WL
W WL
IC

=


=
Argila
IP
AT
%
=
(Finos, médios, ou grossos)
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Estados de tensão nos maciços terrosos:

A tensão total (s) decompõe-se em tensão efectiva (s´) (tensão no esqueleto sólido), e tensão
neutra (m) (tensão no líquido intersticial).



Onde:
σ - Tensão total;
σ´- Tensão efectiva;
µ – Tensão neutra;

Princípio da tensão efectiva de Terzaghi:



Onde:
σ´ - É a tensão efectiva: é a tensão instalada no esqueleto sólido e é responsável por uma
parte importante do comportamento do solo.

A tensão efectiva controla certos aspectos essenciais do comportamento do solo, em especial
a compressibilidade e a resistência.

Estado de tensão em repouso:

Tensões num maciço terroso:

- Tensões virgens: existentes nos maciços independentemente de qualquer obra humana;
- Tensões induzidas: associadas às acções impostas pelas obras que sobre o maciço, ou no
interior dele são construídas.

Considerando o seguinte maciço homogéneo:











Figura 7 – Exemplo de maciço homogéneo com um estrato de solo



Onde:
γ- Peso volúmico
z – Profundidade



Onde:
γw – Peso volúmico submerso




µ σ σ + = ´
µ σ σ − = ´
z ⋅ = γ σ
z w⋅ = γ µ
z w
v
⋅ − = ) ( ´
0
γ γ σ
(Tensão total vertical no estado de repouso)
(Tensão neutra)
(Tensão efectiva vertical no estado de repouso)
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Coeficiente de impulso em repouso: (K
0
): é a razão da tensão efectiva horizontal pela tensão
efectiva vertical em cada ponto. (Estas, são ambas as tensões devidas ao peso próprio do
solo).





Este coeficiente de impulso é determinado experimentalmente. Para solos arenosos e solos
normalmente consolidados, considera-se K
0
= 0,4 / 0,5

Sendo assim, as tensões efectivas e total horizontais no estado de repouso são:






Tensões introduzidas nos solos por forças exteriores:

Quando uma obra vai ser construída sobre, ou no interior de um maciço é indispensável
averiguar:

- Se as alterações do estado de tensão associadas à obra são compatíveis com a estabilidade
do próprio maciço:

- Quais as deformações que tais alterações do estado de tensão acarretarão no maciço, e se
elas serão compatíveis com a estabilidade e a funcionalidade da própria obra.











Figura 8 – Esquema de uma sapata actuando num terreno
















Figura 9 – Assentamento de uma sapata num solo de fundação, e respectivo diagrama de
carga/assentamento


0
0
0
´
´
v
h
K
σ
σ
=
0 0 0
´ ´
v h
K σ σ ⋅ =
µ σ σ + =
0 0
´
h h
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Figura 10 – Maciço constituído por vários estratos diferentes, e com nível freático à superfície,
carregado posteriormente com a construção de um aterro de grandes dimensões em planta.


Ao aplicar uma carga num solo, a carga dispersa-se de forma quase circular, descrevendo o
que se chama de “bolbos de tensões”; tendo o valor máximo junto á superfície, e depois vai-se
reduzindo o seu efeito em percentagem á medida que se avança em profundidade.
O acréscimo de tensão é máximo sob o eixo da sapata.















(11) (12)

Figuras – Área quadrada uniformemente carregada; (11) linhas de igual incremento da tensão
vertical; (12) incremento da tensão vertical sob o eixo da área carregada.



















Figura 13 – Corte geológico de um maciço com 3 estratos diferentes com construção posterior
de um aterro de grandes dimensões em planta.
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Após um carregamento, e numa situação de equilíbrio verifica-se que:




Onde:
∆σv – Acréscimo de tensão devido à carga na superfície

Através de tabelas de acréscimos de tensões é possível obter os acréscimos de carga vertical,
em que:




Onde:
q – carregamento a actuar no maciço





Da mesma forma através de tabelas, vem que:




Os coeficientes de impulso K1 e K2 são valores a determinar com recurso a tabelas.



v v v
σ σ σ ∆ + =
0
q K
v
⋅ = ∆ 1 σ
h h h
σ σ σ ∆ + =
0
q K
h
⋅ = ∆ 2 σ
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Tabela 2 – Carga p uniformemente distribuída segundo a base duma fundação contínua de
largura B



























Tabela 3 – Carga p uniformemente distribuída segundo a base duma fundação rectangular
AxB sendo A > B





























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A água nos solos:

Percolação:

- Água livre ou gravítica: água presente no solo que não está influenciada por forças eléctricas
que se manifestam na superfície das partículas, e é comandada pelas forças do seu peso
próprio.

A superfície que limita superiormente a massa da água gravítica existente no solo chama-se
nível freático (NF). No nível freático, a água está com uma pressão igual à pressão
atmosférica.

Os terrenos permeáveis que contém águas freáticas designam-se por aquíferos. Se num
terreno (maciço) existirem alternadamente aquíferos e estratos praticamente impermeáveis
podem existir vários níveis freáticos.

Ocorre percolação, quando a água freática se movimenta no interior do maciço terroso.

- Água capilar: É a água que sobe acima do nível freático nos canículos formados pelos poros
do solo, devido à tensão superficial que se manifesta na interface ar-água.

Uma rede de percolação é definida por linhas equipotenciais, e por canais de fluxo, perdendo
energia, a água quando os atravessa.
O caudal vai-se subdividir em valores iguais por cada canal de fluxo (canais por onde a água
passa).

NF – nº de canais de fluxo

Na perpendicular aos canais de fluxo, temos as linhas equipotenciais.

NE – nº de equipotenciais, ou de perdas de carga hidráulica

A perda de carga hidráulica, faz-se não por espaço percorrido, mas por elementos percorridos.
A perda de carga hidráulica é igual em todos os elementos, independentemente da dimensão
dos elementos.

As redes de percolação são definidas um pouco por tentativas, tendo em conta a regra de que
quanto mais equipotenciais houver, menor é a perda de carga hidráulica em cada elemento.



















Figura 14 – Rede de fluxo para um escoamento bidimensional num meio isotrópico e
homogéneo com 8 canais de fluxo (NF = 8), e 13 fronteiras equipotenciais (NE = 13).

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O caudal que se movimenta numa rede de percolação é dado por:







Onde :
∆H – Perda de carga hidráulica total no sistema;
NE - nº de equipotenciais, ou de perdas de carga hidráulica
NF – nº de canais de fluxo
L – comprimento (extensão) em profundidade da rede de percolação. Se não for dito nada em
contrário, considera-se dimensão 1.
K – coeficiente de permeabilidade do solo

Principais critérios a que deve obedecer o traçado de uma rede de percolação:

- As superfícies horizontais do terreno, a montante e a jusante são consideradas
equipotenciais;
- O contacto impermeável do solo com o substrato é uma linha de fluxo;
- O contorno do diafragma impermeável é também uma linha de fluxo;
- Procurar sempre traçar redes de forma semelhante a quadrados;
- As linhas de corrente tem de partir, e de chegar normais (perpendiculares) ás fronteiras
equipotenciais; e tem de se cruzar ortogonalmente com as equipotenciais.

Figura 15 – Exemplo de diversas redes de fluxo
NE
H
Q

=
L NF
NE
H
k Q ⋅ ⋅

⋅ =
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Algumas questões relativas a redes de percolação:

Gradiente Hidráulico crítico:

O gradiente hidráulico crítico (i
crit.
) corresponde à situação extrema na qual o solo se comporta
como um líquido, pois a força total aplicada pela água ao solo iguala as forças gravíticas, e
anula portanto as tensões efectivas.

Piping:

O piping é a erosão interna do solo, e consiste no arrastamento progressivo das partículas do
solo, e ocorre na zona de saída das linhas de corrente. Nestas zonas, as forças de percolação
são elevadas, e podem produzir a erosão interna. Quando o gradiente hidráulico de saída
ultrapassa o gradiente hidráulico crítico (i
crit.
).

Para aumentar o factor de segurança ao piping, pode-se aumentar a cortina impermeável e
consequentemente aumentar a rede de percolação.

Caudal percolado:

Para reduzir o caudal perdido por percolação pode-se aprofundar uma ou ambas as cortinas de
maneira a aumentar a rede de percolação, e colocar do lado montante uma baqueta
impermeável constituída por um solo de baixa permeabilidade.


















Figura 16 - Colocação de um estrato de argila, no lado esquerdo da cortina, com 1m de
altura e comprimento 20 m.


Lei de Darcy – Permeabilidade:

- Linha de fluxo, ou linha de corrente: É a trajectória ao longo da qual se desloca uma partícula
de água pertencente a uma massa de água em movimento, dentro de um meio poroso.

A carga hidráulica total, num ponto, é a soma da cota geométrica com a altura piezométrica:





Onde:
z – Cota geométrica
µ – tensão neutra no ponto
γw – peso volúmico da água
w
Z h
γ
µ
+ =
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- Altura ou carga piezométrica: é a altura a que a água sobe quando se coloca no solo um tubo
piezométrico:





Onde:
hw – Altura ou carga piezométrica


A perda de carga entre dois pontos distintos no solo, designa-se também por carga hidráulica
de A, em relação a B (Sendo A, e B dois pontos distintos do solo), e expressa-se por:








Onde:
∆h – Perda de carga
h1 – Carga hidráulica num ponto
h2 – Carga hidráulica noutro ponto


O gradiente hidráulico entre 2 pontos distintos no solo (pontos A e B) designa-se por:





Onde:
L – distância entre os pontos A e B


A água ao deslocar-se do ponto A para o ponto B dissipa energia igual a ∆h, ou seja perde
carga. Essa energia é dissipada por atrito entre a água e as partículas do solo.
A energia dissipada, corresponde a um trabalho realizado, verifica-se em consequência da
alteração da cota geométrica e do estado de compressão da água do ponto A para o ponto B.

















w
hw
γ
µ
=
⇔ − = ∆ 2 1 h h h
) 2 2 ( ) 1 1 ( hw Z hw Z h + − + = ∆ ⇔
) 2 1 ( ) 2 1 ( hw hw Z Z h − + − = ∆ ⇔
L
h
i

=
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Lei de Darcy:
























Figura 17 – Experiência de Darcy

Utilizando um circuito hidráulico composto por uma amostra de solo de secção transversal (S) e
comprimento (L), tendo um tubo piezométrico de entrada de água, num dos extremos, e na
outra extremidade outro tubo piezométrico de saída de água em contacto com a atmosfera,
pode-se concluir que:











Onde:
Q – caudal
k – coeficiente de permeabilidade do solo


A força de percolação transmitida ao solo, por unidade de volume deste designa-se por:





A força de percolação total transmitida ao solo é dada por:



Onde:
S – Secção transversal. Geralmente, admite-se S = 1
S
L
h h
k Q ⋅

⋅ =
2 1
S i k Q ⋅ ⋅ = ⇔
i k
S
Q
V ⋅ = = ⇔
w i j γ ⋅ =
L S j J ⋅ ⋅ =
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O facto de a água em movimento aplicar ao solo determinadas forças vai resultar que as
tensões no maciço são modificadas pela percolação. Sempre que ocorrer percolação no
sentido oposto ao da gravidade as tensões efectivas são reduzidas. Se a percolação ocorrer no
sentido gravítico as tensões efectivas são melhoradas.

A diminuição do teor em água (descida do nível freático), faz aumentar a compacidade de um
solo, e a sua resistência. Com a descida do nível freático, aumentam as tensões efectivas
(tensões no esqueleto sólido do solo).

A carga (tensão no solo) com a descida do nível freático, deixou de ser suportada pela água
(diminuiu a tensão neutra), e passou a ser suportada pelo esqueleto sólido (aumento da tensão
efectiva).


A percolação descendente favorece o aumento da tensão efectiva no solo. Logo, aumenta as
características de resistência do solo.


Coeficiente de permeabilidade (k):

Representa a dificuldade que a água tem em percolar através de um solo.

A determinação deste coeficiente pode ser realizada através de:

- Expressões empíricas (No caso de solos granulares. Não se pode utilizar expressões
empíricas em solos argilosos.)

- Ensaios de laboratório: Utilizando permeâmetros de carga constante (K<10
-5
m/s), ou
permeâmetros de carga variável (K>10
-5
m/s).

- Ensaios “In Situ”

Expressões empíricas (para solos granulares):

(HAZEN)


(TERZAGHI) [ ] s m D e k / 20000
2
10
2
⋅ ⋅ =

Onde:
C1 – da ordem de 10000
D10 – Diâmetro efectivo
e – Índice de vazios

Algumas considerações sobre o comportamento dos solos:

Deformação dos solos:

Transmissão de forças aos solos:

Através de forças de contacto:
- Normais (N);
- Tangenciais (T);
Com o carregamento verifica-se um aumento das áreas de contacto, e também o movimento
das partículas (movimento relativo).

“A deformação de um solo é controlada pela interacção das partículas, principalmente pelo seu
movimento relativo.”

[ ] s m D C k /
2
10 1
⋅ =
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Desempenho dos vazios:

Interacção Química:

“Os constituintes da fase porosa influenciam as superfícies dos minerais afectando a
transmissão de esforços entre as partículas”.

Interacção Física:

“A água quando se movimenta através de um solo interage com as partículas sólidas, alterando
o valor das forças de contacto entre as partículas, influenciando a resistência à compressão e
ao corte dos solos.”

Principais problemas nos solos:

Como material de construção o solo pode ser utilizado nas seguintes situações:

- Material de fundação (fundações, aterros);
- Material de construção (barragens, enrocamentos, terraplanagens, estradas);

Fundações:

Fundações superficiais ou directas (sapatas);

1) Sapatas isoladas, ou contínuas; Os problemas mais usuais que podem ocorrer neste tipo de
fundações, são os assentamentos a curto e longo prazo.












Figura 18 – Exemplo de sapata isolada.

2) Ensoleiramento geral; Os problemas mais usuais que podem ocorrer neste tipo de
fundações, são os assentamentos a longo prazo.











Figura 19 – Exemplo de ensoleiramento geral.






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Figura 20 – Construção de dois depósitos metálicos cilíndricos de grande diâmetro para
armanezamento de combustíveis líquidos. Estes depósitos estão assentes sobre
ensoleiramento geral.





Fundações indirectas;

Estacas, Pegões, caixões (secções pequenas e grandes); Os problemas mais usuais que
podem ocorrer neste tipo de fundações, são os assentamentos das camadas superficiais.


Figura 21 – corte de um maciço onde se pretende construir uma estação ferroviária. As
fundações do edifício da estação são por estacas cuja ponta ficará alojada no estrato inferior
constituído por margas de elevada resistência e baixa deformabilidade e praticamente
impermeáveis.










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Solo como material de construção:

- Barragens de terra




















(22) (23)

Figuras – (22) Exemplo de barragem de aterro; (23) Ilustração tipo de barragem de aterro com
pormenor de piezómetro instalado.
















Figura 24 – Secção típica de uma barragem de aterro com designação dos elementos
constituintes.

- Enrocamento (taludes);
- Terraplenagens (escavações e aterros);
- Estradas









Figura 25 – Esquema de terraplenagem de uma via de comunicação.
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Compactação:

Introdução:

Objectivo: Melhorar as características dos solos através da aplicação repetida de cargas.

Compactação: Processo mecânico que, por aplicação repetida e rápida de cargas, conduz a
uma diminuição do volume aparente de uma dada massa de solo, com a consequente redução
do índice de vazios.

Uma redução do índice de vazios (e), implica um aumento da baridade seca (gd), o que faz
aumentar também a capacidade de carga do solo, reduzindo as deformações do mesmo.
Ocorre também uma diminuição do coeficiente de permeabilidade (k), diminuindo desta forma
também os assentamentos.

Necessidade de compactação:

A compactação utiliza-se com vista a:
- reduzir assentamentos;
- prevenir o arrastamento das partículas finas, devido a fenómenos de percolação da água;
- diminuir o risco de ruptura do solo;

Compactação no campo:

Construção de obras de terra (barragens, aterros, entre outras).

- Estudos de zonas de empréstimo. Ensaios de identificação (granulometria, limites Attemberg);
- Estudos das amostras de solo em laboratório (ensaios de compactação, ensaios triaxiais,
ensaios de permeabilidade);
- Elaboração do projecto. Caderno de encargos.

No caderno de encargos deve constar:
- o grau de compactação mínimo exigido;
- compactação do lado seco ou húmido.

Especificação tipo:

“Cada camada deve ser compactada até se obter uma baridade seca (gd) no mínimo igual a 95
% do (gd max.), obtido pelos ensaios Proctor normal e o teor em água do material antes e
durante a compactação deve ser controlado de forma a situar-se entre o valor óptimo e 2%
menos.”