A Revolta da Vacina

Durante essa aventura, os jogadores serão convocados a investigar uma epidemia que está assolando o Brasil no Porto de Santos e na Cidade do Rio de Janeiro. Terão que enfrentar não só as doenças, mas também a fúria da população, que induzidos por jornais e grupos esquerdistas, tentam derrubar o atual governo e impedir as ações implantadas por Oswaldo Cruz. A história está dividida da seguinte forma:

•Cena 1: A Missão: Onde os personagens são chamados pelo Governo Federal e
recebem uma missão muito importante: descobrir que doença está dizimando a população e como combatê-la ( de onde vem, como é transmitida).

•Cena 2: A Campanha: Onde os personagens, através de Decretos do Governo
Federal, implantam a vacinação em massa contra a varíola, as visitas obrigatórias nos imóveis, isolamento de doentes e o extermínio de ratos na cidade.

•Cena 3: Os Mata-mosquitos e Mata-ratos: Os personagens irão criar grupos de
combate, onde serão contratados agentes sanitários, para vistoriar os imóveis em busca de criadouros do mosquito, para destruí-los e tratá-los quando necessário. Ao mesmo tempo para acabar com a Peste Bubônica, surge os mata-ratos (rateiros) que tentarão eliminar a população de ratos da cidade, mas com isso, geram revolta na população.

•Cena 4: A Revolta: Onde os jogadores serão atacados pela população revoltada
com os procedimentos adotados, principalmente porque o jornal local os induz contra Oswaldo Cruz e suas medidas profiláticas. Surgem caricaturas, charges e músicas que satirizam as ações da saúde.

•Cena 5: O Reconhecimento: Onde o Brasil é reconhecido mundialmente pelo seu
trabalho contra a varíola, a peste bubônica e o controle da febre amarela urbana, recebendo inclusive premiação.

CENA 1: A MISSÃO
Nossa aventura começa na cidade do Rio de Janeiro, que apresenta graves problemas sociais, crescimento rápido e desordenado, devido a entrada de grandes contingentes de imigrantes europeus e de ex-escravos, atraídos pelas oportunidades de trabalho. A região central do Rio era a mais complicada, multiplicando-se as habitações coletivas, agravando as violentas epidemias de febre amarela urbana, varíola e peste bubônica, conferindo à Cidade Fama Internacional de “Porto Sujo”.

Rio de Janeiro: O dia amanhece maravilhoso como sempre, já que uma das características dessa cidade é seu clima quente. O presidente Rodrigues Alves levantou cedo, abriu as janelas, respirou fundo e se preparou para mais um dia de trabalho, que sabia não seria fácil. Os rumores de que uma estranha epidemia estava se aproximando do Porto do Rio de Janeiro lhe tirava o sono. Desde que assumiu o cargo de Presidente da República no final de 1902, tinha como meta melhorar o saneamento básico da cidade e principalmente do Porto. O incidente com o navio Lombardia, onde quase todos os tripulantes morreram causou uma imagem muito negativa para o Brasil. Afirmou: “A Capital da República não pode continuar a ser apontada como sede de vida difícil, quando tem fartos elementos para constituir o mais notável centro de atração, de atividades e de capitais nesta parte do mundo”. Arrumou-se e mandou chamar em seu gabinete algumas pessoas que poderiam lhe ajudar nestas ações.(Oswaldo Cruz, Adolfo Lutz e Vital Brazil). Faça um teste com os dados para verificar se os personagens irão aceitar a proposta. Oswaldo Cruz - Ao regressar de Paris, fica surpreso ao receber um convite em nome do Presidente da República Rodrigues Alves, para uma reunião em seu Gabinete às 14:00h de hoje. Achou estranho, quem poderia ter indicado seu nome ao presidente, já que com certeza o mesmo nem sabia da sua existência. Adolfo Lutz - Médico formado pela Universidade de Berna, na Suíça, publicou estudos sobre o bacilo de Hansen, causador da Hanseníase (lepra). Ficou bastante interessado no convite que recebera do Presidente da República, desconfiava que devia ser algo relacionado aa ações que desenvolvera em São Paulo contra a varíola. Vital Brazil - Médico, estudou as funções do baço, o que lhe rendeu o mérito de Doutor na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Gostava muito de enfrentar novos desafios, junto com Adolfo Lutz já havia enfrentado outras epidemias em São Paulo. O Encontro: A tarde estava insuportavelmente quente naquele dia. O grupo de médicos se dirigiu ao Gabinete do Presidente um pouco receosos, não sabiam exatamente o que lhes aguardava. A sala para a qual foram encaminhados era ampla, pintada em tons sóbrios, com vários quadros pendurados que retratavam a história do Brasil. Ao centro uma mesa retangular imensa, de cor escura entalhada finamente, cercada de muitas cadeiras de espaldar alto, recobertas de um veludo vermelho rubro muito bonito. Os convidados se sentaram e aguardaram a chegada do Presidente. Assim que este entrou, Oswaldo Cruz, Lutz e Brazil se levantaram para cumprimentar o ilustre senhor de cabelos grisalhos, olhar respeitoso, barba branca e espessa que acabara de chegar. Caros senhores, preciso que investiguem as causas da mortandade de ratos no Porto após a chegada de um navio que trouxera imigrantes portugueses, além de verificar que estranha doença é essa que está levando a morte tantas pessoas.

Neste momento deixar que os jogadores personagens definam se aceitam ou não a proposta, caso alguém queira fazer alguma pergunta ao Presidente, jogue os dados para verificar se podem ou não perguntar. CENA 2: Os três aceitam a proposta desde que o Governo dê carta branca a Oswaldo Cruz. Faça o teste de sabedoria para saber se o Presidente irá aceitar as normas impostas por Oswaldo Cruz. Oswaldo Cruz apresenta um plano estratégico, baseado nas ações desenvolvidas em Cuba a qual conseguiu controlar a epidemia de febre amarela urbana e demais pestes, sendo rigorosos na questão de higiene, saneamento básico e eliminação de criadouros do mosquito. Em 31 de outubro de 1904, o texto foi aprovado pelo governo Federal, era chamado pela oposição de “Código de Torturas”. A parte mais polêmica foi à obrigatoriedade da vacinação contra a varíola. A Formação das Brigadas de Mata-Mosquitos e Mata-Ratos: Oswaldo Cruz cria o grupo de mata-mosquitos, que são agentes sanitários munidos de larvicida e instrumentos apropriados para a eliminação dos focos de mosquitos – percorriam a cidade, lavando caixas d’água, desinfetando ralos e bueiros, limpando telhados e calhas, eliminando depósitos de larvas do inseto. Os doentes eram isolados em casa ou removidos para o Hospital de isolamento São Sebastião. Isso gerou revolta na população que não aceitava estas medidas, principalmente porque muitos guardavam tinas com água dentro de casa e quando estes agentes chegavam viravam e quebravam todos os depósitos que acumulavam água limpa e parada, quando o proprietário não queria permitir a visita, os agentes forçavam a entrada e invadiam o imóvel. Os mata-ratos - antes de promover a vacinação contra a peste bubônica, Oswaldo Cruz desencadeou uma guerra aos ratos, (o que lhe trouxe novas ondas de caricaturas e inspirou canções populares como a polca “rato”). Cada agente deve apresentar pelo menos 150 ratos por mês, sob pena de demissão. Acima dessa cota, embolsavam trezentos réis por animal abatido. Além dessas ações começa a ser implantado a vacinação em massa, aqueles que se negarem a tomar a vacina não poderão casar, freqüentar a escola, etc... Faça com que os jogadores personagens comuniquem estas ordens aos agentes mata-mosquitos e mata-ratos. Os jornais continuam a influenciar a população com textos contra Oswaldo Cruz e sua equipe, criticam o método de trabalho, invasão de domicílio, Vocês percebem que essa atitude não é suficiente para acabar com a infestação de ratos da cidade. Joguem os dados e façam um teste de IQ para verificar se surgem novas idéias. (Faça com que eles tenham outras idéias).

Muito bem, vocês resolvem que para efetivar o controle aos ratos é necessário que a população se envolva no controle. Sugerem às autoridades que ofereçam a qualquer cidadão uma recompensa em dinheiro por cada rato morto. Faça um teste para verificar se o governo vai aceitar ou não a proposta. Verifique também a aceitação da população. Se o resultado for menor ou igual a 10, eles apóiam, do contrário surgirá a revolta.

Devido a toda a questão financeira que envolvia o problema do controle de ratos, muitas pessoas aceitaram o novo ofício de “rateiros” e saíam pelas ruas a comprar os ratos a preço baixo e em seguida, revendiam à Diretoria Geral de Saúde Pública, que pagava 200 réis por unidade de rato. CENA 3: A Revolta A oposição não dava trégua a Oswaldo Cruz e seus companheiros, principalmente porque o objetivo destes era derrubar o atual governo, no fundo até acreditavam na eficácia da vacina, mas por interesses políticos orientavam a população a criar tumultos e rebeliões. Através dos jornais divulgavam caricaturas e críticas a Oswaldo Cruz, levando o público à não aceitar o trabalho dos agentes e as vacinas. Duas músicas foram lançadas para atacar Oswaldo Cruz e sua campanha, uma era a “Rato, Rato” e a outra, “Espere um pouco... eu vou a Cuba”.

UM CERTO AMARAL: espertalhão, malandro, boa vida. Não gosta de trabalho pesado, quer sempre tirar vantagem em tudo. Excelente negociador.

O governo acabou devendo tanto dinheiro a esse “negociante de ratos”, que foi detido e interrogado. DECLAROU: “que comprava ratos sim”, mas ratos cariocas, procriados, nascidos e apanhados aqui no Distrito Federal “. 10/11/1904 – a polícia tenta prender um grupo de estudantes que pregavam resistência à vacinação. 11/11/1904 – Adversários do Governo e da vacina obrigatória promoveram manifestações no Largo de São Francisco, no Centro da Cidade. Os ânimos estavam excitados, e cenas iguais se repetiriam no dia 12, quando, no Bairro da Lapa, os manifestantes chegaram a atirar contra o carro de um comandante da polícia. Os embates se tornariam ainda mais violentos nos dias seguintes, com quebra-quebra em vários pontos do Centro do Rio de Janeiro, sobretudo na Gamboa e na Saúde, conforme relata o Jornal:

As arandelas do gás, tombadas, atravessaram-se nas ruas: os combustores de iluminação, partidos, com os postes vergados, estavam imprestáveis: os vidros fragmentados brilhavam nas calçadas; paralelepípedos revolvidos, que servem de projéteis para essas

depredações, coalhavam a via pública, em todos os pontos, destroços de bondes quebrados e incendiados, portas arrancadas, colchões, latas, montes de pedras, mostravam os vestígios das barricadas feitas pela multidão agitada. A viação urbana não se restabeleceu e o comércio não abriu suas portas.

No dia 14/11/1904 – na escola militar – cadetes se amotinaram, arrombaram os depósitos e se apossaram de armas e munição. Oswaldo Cruz apresenta ao Presidente sua Carta de demissão, que não é aceita. 15/11/1904 – terça-feira – O dia amanheceu sombrio, o desfile comemorativo de 15 de novembro precisou ser cancelado. O governo solicita reforços de Tropas do Exército, sediadas em Minas Gerais e São Paulo(para conter a tentativa de Golpe e depor o presidente Rodrigues Alves). No dia 16/11/1904 – estado de sítio – o governo começa a recuperar o controle da situação. Os distúrbios se prolongam até 23/11, a polícia auxiliada pelo exército derruba o último foco de resistência, o morro da Providência, conhecido como o morro da Favela. O LÍDER POPULAR PRATA PRETA – ex-escravo, excelente capoeirista, extremamente forte. Faça o teste de resistência ou força para saber se Prata Preta conseguirá escapar. Para prender o líder Prata Preta, que comandava a resistência no morro da saúde, foram necessários, segundo jornais, cinco homens da polícia e do exército. A VITÓRIA – O governo Rodrigues Alves teve que ceder em alguns pontos. O presidente recusou-se a demitir Oswaldo Cruz da Diretoria Geral de Saúde Pública, como queriam muitos – mas revogou a medida que tornava a vacina obrigatória. Em conseqüência disso, outros surtos ainda ocorrerão no futuro. Depois da Revolta o Reconhecimento: Antes mesmo que o surto de varíola de 1908 viesse dar razão a Oswaldo Cruz, o país começou a reconhecer o acerto de sua batalha pela vacinação antivariólica obrigatória. Os ataques na imprensa diminuíram, substituídos progressivamente por elogios, e aos poucos o traço impiedoso dos caricaturistas tornou-se benigno. Ainda que a obrigatoriedade tivesse sido regovada, de modo geral as condições sanitárias apresentavam sensível melhora, graças à atuação do sanitarista à frente da Diretoria Geral de Saúde Pública.

“O progresso já é grande, e será cada vez maior”, saudou Olavo Bilac numa crônica em maio de 1906, para em seguida perguntar: “Que é que não é lícito esperar a quem já viu o que era o Rio há cinco anos e vê o que ele é hoje?”. Em toda parte se repetia, com admiração e orgulho, a fórmula posta em moda pelo jornalista Figueiredo Pimentel, o pioneiro da crônica social no Brasil: “O Rio civiliza-se”. Em abril de 1907, anunciou Bilac: o antigo “Túmulo do estrangeiro”, o RJ já era, do ponto de vista sanitário, suficientemente confiável para receber, em julho, a sua primeira leva de turistas, que chegaria no navio Byron, em viagem organizada pela agência inglesa Cook. Grande sensação. Outro grande momento no Rio: a chegada em janeiro de 1908, dos 23 navios de uma esquadra americana, desembarcando 15 mil marujos. A erradicação da febre amarela urbana no Rio, anunciada por Oswaldo Cruz naquele ano, mereceu o primeiro prêmio do Congresso, medalha de ouro que o sanitarista recebeu em nome da equipe de Manguinhos.