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UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS

CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM FÍSICA

Hermano Gerhardt

A FÍSICA E A FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO

São Leopoldo

2009
Hermano Gerhardt

A FÍSICA E A FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO

Trabalho de Conclusão apresentado como


requisito parcial para a obtenção do título
de Licenciado em Física na Universidade
do Vale do Rio dos Sinos.

Orientadora: Neiva Manzini

São Leopoldo
2009
HERMANO GERHARDT

A FÍSICA E A FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO

Trabalho de Conclusão apresentado como


requisito parcial para a obtenção do título
de Licenciado em Física na Universidade
do Vale do Rio dos Sinos.

Data de aprovação: ___/___/___

BANCA EXAMINADORA

________________________________________________________________
Profª. Me. Neiva Manzini

________________________________________________________________
Profª. Dra. Cecília Pires

________________________________________________________________
RESUMO

O presente trabalho constitui um estudo sobre a possibilidade de uma abordagem


interdisciplinar no ensino da Física e Filosofia no Ensino Médio. Buscando-se subsídios na
literatura concernente ao assunto e na legislação vigente, mais especificamente nos
Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio, construiu-se um referencial teórico
capaz de fornecer o necessário embasamento para prosseguimento do estudo. Os resultados do
trabalho de pesquisa realizado junto a professores de Física ou de Filosofia que lecionam em
escolas do Ensino Médio de São Leopoldo possibilitaram que se tivesse uma visão clara e
objetiva dos filósofos mais estudados nas aulas de Filosofia do Ensino Médio, dentre os quais
podem ser destacados Sócrates, Platão, Aristóteles e Descartes. Também permitiu identificar
as contribuições desses filósofos para a Física. Dessa forma, os resultados aqui apresentados
demonstram a relevância de se realizar um trabalho interdisciplinar e, ao mesmo tempo,
revelam sugestões de professores sobre metodologia e recursos que podem ser utilizados em
sala de aula para se trabalhar interdisciplinarmente da Física e da Filosofia.

Palavras-chave: Interdisciplinaridade, Física, Filosofia.


ABSTRACT

This project presents a study referring to an interdisciplinary approach to the Physics


and Philosophy teaching in High School. The research, made through interviews with high
school teachers in São Leopoldo, has indicated the most important philosophers studied
during classes, such as Plato, Socrates and Descartes. The study has also identified these
philosophers’ contributions to the Physics. Due to this, the results here presented show the
relevance of performing an interdisciplinary work and, at the same time, reveal teachers
suggestions concerning to methodologies to Physics and Philosophy teaching.

Key words: Interdisciplinar, Physics, Philosophy.


LISTA DE QUADROS

QUADRO 1 Eixos temáticos de Filosofia............................................................................ 18


QUADRO 2 Temas estruturadores de Física: fenomenologia cotidiana.............................. 27
QUADRO 3 Variação e conservação da quantidade de movimento.................................... 28
QUADRO 4 Energia e potência associados aos movimentos .............................................. 29
QUADRO 5 Equilíbrios e desequilíbrios ............................................................................. 30
QUADRO 6 Fontes e trocas de calor ................................................................................... 30
QUADRO 7 Tecnologias que usam calor: motores e refrigeradores ................................... 31
QUADRO 8 O calor e a vida no ambiente ........................................................................... 31
QUADRO 9 Energia: produção para uso social................................................................... 32
QUADRO 10 Fontes sonoras ............................................................................................... 32
QUADRO 11 Formação e detecção de imagens .................................................................. 33
QUADRO 12 Gravação e reprodução de sons e imagens .................................................... 33
QUADRO 13 Transmissão de sons e imagens..................................................................... 34
QUADRO 14 Aparelhos elétricos ........................................................................................ 34
QUADRO 15 Motores elétricos ........................................................................................... 35
QUADRO 16 Geradores....................................................................................................... 35
QUADRO 17 Emissores e receptores .................................................................................. 36
QUADRO 18 Matéria e suas propriedades .......................................................................... 36
QUADRO 19 Radiações e suas interações........................................................................... 37
QUADRO 20 Energia nuclear e radioatividade ................................................................... 37
QUADRO 21 Eletrônica e Informática ................................................................................ 38
QUADRO 22 Terra e sistema solar...................................................................................... 38
QUADRO 23 O Universo e sua origem ............................................................................... 39
QUADRO 24 Compreensão humana do Universo............................................................... 39
QUADRO 25 Dados demográficos dos professores de Filosofia ........................................ 45
QUADRO 26 Outros filósofos citados................................................................................. 47
QUADRO 27 Teorias dos pensadores que contribuíram para o desenvolvimento
da Física, citados por professores de Filosofia ..................................................................... 48
QUADRO 28 Formação acadêmica dos professores de Filosofia ....................................... 49
6

QUADRO 29 Trabalhos interdisciplinares realizados por professores de Filosofia


utilizando a Física................................................................................................................. 50
QUADRO 30 Possibilidade de trabalhar interdisciplinarmente a Física e a Filosofia,
segundo professores de Filosofia.......................................................................................... 52
QUADRO 31 Metodologia e recursos didáticos sugeridos por professores de Filosofia .... 53
QUADRO 32 Livros-texto utilizados por professores de Filosofia ..................................... 55
QUADRO 33 Dados demográficos de professores de Física............................................... 56
QUADRO 34 Teorias dos pensadores que contribuíram para o desenvolvimento
da Física, segundo os professores de Física ......................................................................... 58
QUADRO 35 Formação acadêmica dos professores de Física ............................................ 60
QUADRO 36 Trabalhos interdisciplinares realizados por professores de Física
utilizando a Filosofia ............................................................................................................ 61
QUADRO 37 Possibilidade de trabalhar interdisciplinarmente a Física e a Filosofia,
segundo os professores de Física.......................................................................................... 62
QUADRO 38 Metodologia e recursos didáticos sugeridos por professores de Física......... 63
QUADRO 39 Livros-texto utilizados por professores de Física.......................................... 65
QUADRO 40 Resumo da relação de livros adotados por professores de Física.................. 66
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................. 9
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO ................................................................................................ 9
1.2 O PROBLEMA ................................................................................................................ 9
1.3 OBJETIVOS................................................................................................................... 10
1.3.1 Objetivo Geral ............................................................................................................. 10
1.3.2 Objetivos Específicos .................................................................................................. 10
1.4 RELEVÂNCIA DO ESTUDO ....................................................................................... 10
1.5 ESTRUTURA DA MONOGRAFIA.............................................................................. 12

2 REFERENCIAL TEÓRICO .......................................................................................... 13


2.1 INTERDISCIPLINARIDADE ....................................................................................... 13
2.1.1 Conceituação ............................................................................................................... 13
2.1.2 A interdisciplinaridade à luz da legislação .................................................................. 15
2.1.3 A interdisciplinaridade na prática................................................................................ 16
2.2 A FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO ........................................................................... 17
2.2.1 Alguns filósofos........................................................................................................... 20
2.2.1.1 Sócrates..................................................................................................................... 20
2.2.1.2 Platão ........................................................................................................................ 21
2.1.1.3 Aristóteles................................................................................................................. 22
2.2.1.3 René Descartes ......................................................................................................... 24
2.3 FÍSICA, PCN E ALGUNS FILÓSOFOS....................................................................... 24

3 METODOLOGIA DA PESQUISA................................................................................ 40
3.1 CRIAÇÃO DO QUESTIONÁRIO................................................................................. 42
3.2 ANÁLISE QUANTITATIVA........................................................................................ 43
3.3 ANÁLISE QUALITATIVA........................................................................................... 43

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS .............................................. 44


4.1 FILOSOFIA.................................................................................................................... 45
4.2 FÍSICA ........................................................................................................................... 56
8

CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................. 67

REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 70

APÊNDICES ....................................................................................................................... 73
9

1 INTRODUÇÃO

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO

A Física nasceu da Filosofia. No estudo da história das ciências, esta afirmação


encontra pleno respaldo entre diversos autores. Conforme Aranha e Martins (1986), a
separação só ocorreu no século XVII, quando Galileu introduziu o método científico.

Esta influência da Filosofia na Física pode ser verificada nas mais diversas áreas de
pesquisa acadêmica. Na formação de professores no Ensino Superior, por exemplo, onde
estudos sobre os epistemólogos da ciência como Popper, Kuhn, Lakatos, Laudan, Bachelard,
Feyerabend, tentam fazer com que o estudante amplie o seu entendimento sobre questões
como: ética, a importância da linguagem, a influência social no fazer científico, a
contextualização das grandes descobertas e muitos outros temas.

No caso da educação dos estudantes do Ensino Médio, o ano de 2006 se tornou de


extrema importância no modo em como eles foram influenciados por esta relação da Filosofia
com as outras disciplinas do currículo. Através do Parecer 38/2006 do Conselho Nacional de
Educação (CNE), o ministro da Educação Fernando Haddad define como obrigatório o ensino
de Filosofia e Sociologia em todas as escolas públicas e privadas de Ensino Médio do país.

1.2 O PROBLEMA

Nesse contexto de mudanças do currículo, principalmente quando ele diz respeito,


mesmo que de forma indireta, como por exemplo, na disciplina de Física, cabe aos
professores envolvidos com o ensino da mesma perguntar: como é possível aproveitar a
inserção desse novo conteúdo que, na verdade, sempre teve total relação com a Física?
10

1.3 OBJETIVOS

1.3.1 Objetivo Geral

Ampliar a visão do trabalho conjunto da Física com a Filosofia no Ensino Médio,


proporcionando uma visão conjunta por meio de uma conexão interdisciplinar de tais
conteúdos, nos diferentes aspectos que se encontram nos caminhos do conhecimento humano.

1.3.2 Objetivos Específicos

• Listar, através de pesquisa de campo, entre os professores de Filosofia, os


principais filósofos estudados nas aulas de Filosofia no Ensino Médio;

• visualizar, por meio de pesquisa bibliográfica, algum vínculo entre estes filósofos
e suas possíveis contribuições para a Física;

• demonstrar a importância de um trabalho interdisciplinar entre a Física e a


Filosofia, no Ensino Médio.

1.4 RELEVÂNCIA DO ESTUDO

A atual legislação que torna obrigatória a inclusão da Filosofia e da Sociologia no


currículo do Ensino Médio em todo o país, traz à tona, também, a questão da
interdisciplinaridade, ou seja, a necessidade de se promover a integração entre disciplinas,
como forma de se proporcionar ao aluno uma visão integrada de mundo.

Sendo a interdisciplinaridade a integração entre as disciplinas, torna-se relevante


colocá-la na prática dentro das escolas, pois, segundo Lenoir (1992), a interdisciplinaridade
escolar tem como característica ser curricular, didática e pedagógica. Ainda segundo o
referido autor, neste conceito foge-se da simplificação da ação educativa em um só nível, mas
11

amplia-se o campo de atuação, envolvendo assim a escola como um todo e não deixando
somente para os professores interessados.

Assim, em uma perspectiva de trabalho interdisciplinar, o desafio está em estabelecer


conexões entre as disciplinas envolvidas, a fim de que seus conteúdos específicos possam ser
enriquecidos com as particularidades de cada um. Lück (1994) infere que a
interdisciplinaridade pretende superar a fragmentação do conhecimento e, para tanto,
necessita de uma visão de conjunto para que se estabeleça coerência na articulação dos
conhecimentos.

Fazer um projeto visando o trabalho interdisciplinar entre a Física e Filosofia do


Ensino Médio, após relatar o quanto estas duas disciplinas têm em comum, não deve soar
muito estranho à imaginação de quem visa o aprendizado dos alunos.

A identificação do real objetivo de se trabalhar interdisciplinarmente é o primeiro


passo que deve ficar bem claro para ambos os responsáveis pelo projeto. O risco de seguir
modismos em prol da busca de “milagres” na aprendizagem dos alunos é constantemente
utilizado com novas teorias e propostas que acabam sendo muitas vezes mal interpretadas,
devido à falta de estudo dessas teorias. Deve-se avaliar os riscos e ganhos com esta proposta
de trabalho, visto que exigirá forte comprometimento dos profissionais durante as várias
etapas do trabalho.

Depois deste entendimento, as disciplinas devem identificar quais são os conceitos-


chave, para servir de ponto de partida para o diálogo entre os professores acerca da
abordagem a ser tomada nas reuniões.

No que tange a esses conceitos-chave, os professores não terão muita dificuldade na


sua identificação, pois, como já se viu, a grande ligação entre ambas as disciplinas facilita
bastante a criação destas pontes, tão necessárias para a evolução das discussões acerca das
propostas de conteúdo tratados em sala de aula.

Nesse sentido, justifica-se a realização desta pesquisa, pois seus resultados podem
contribuir para demonstrar que é possível trabalhar interdisciplinarmente a Física e a
Filosofia.
12

1.5 ESTRUTURA DA MONOGRAFIA

Esta monografia está assim estruturada: o primeiro capítulo, composto pela


introdução, apresenta a contextualização do tema abordado, o problema, que dá origem a esta
pesquisa e os objetivos, geral e específicos, que norteiam a condução do trabalho apresentado.
Também contém as razões que demonstram a relevância do estudo e justificam a sua
realização.

O segundo capítulo apresenta o referencial teórico, com tópicos relativos à


interdisciplinaridade, sua conceituação, e as disposições emanadas do MEC através dos
Parâmetros Curriculares Nacionais. Ainda neste mesmo capítulo, apresenta-se uma
abordagem sobre a Filosofia no Ensino Médio (Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs),
alguns tópicos sobre os filósofos Aristóteles, Sócrates, Descartes e Platão, por serem estes os
mais lembrados pelos respondentes da presente pesquisa. Consta, ainda, um breve relato sobre
a Física e o PCN, assim também como a relação entre os conteúdos de Física sugeridos pelo
MEC e os filósofos mais citados.

Prosseguindo, tem-se o capítulo que apresenta a Metodologia da Pesquisa. Nele são


descritas a forma de elaboração do questionário, os procedimentos adotados para se realizar a
análise quantitativa e a análise qualitativa dos dados obtidos. Os questionários foram
aplicados a professores das redes de ensino estadual e particular, que lecionam nas disciplinas
de Física ou Filosofia em escolas do Ensino Médio na cidade de São Leopoldo.

Já compondo o quarto capítulo, tem-se a apresentação e análise dos resultados obtidos


com esta pesquisa e, logo a seguir, em capítulo sequencial, as considerações finais.
Referências e apêndices complementam este trabalho.
13

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 INTERDISCIPLINARIDADE

As discussões sobre a importância do trabalho interdisciplinar se iniciaram na década


de 1960, na Europa, mais precisamente, quando Georges Gusdorf (apud JAPIASSÚ, 1976)
apresentou à UNESCO um projeto que reuniria vários cientistas em busca de uma
convergência nos estudos das ciências humanas. Ele tinha como intenção diminuir a distância
teórica entre as ciências humanas, buscando assim uma reflexão sobre a totalidade do espírito
humano. Ainda hoje, passados quase cinquenta anos, as discussões sobre interdisciplinaridade
continuam em voga, e trazê-las como pano de fundo para subsidiar a discussão em torno de
trabalhos em conjunto entre as disciplinas de Física e Filosofia no Ensino Médio tende
somente a enriquecer o embasamento teórico, buscando-se, assim, aproveitar os principais
pontos desta teoria.

Lück (1994) infere que a interdisciplinaridade pretende superar a fragmentação do


conhecimento e, para tanto, necessita de uma visão de conjunto para que se estabeleça
coerência na articulação dos conhecimentos. Nesta perspectiva de trabalho interdisciplinar, o
desafio está em estabelecer conexões entre as disciplinas envolvidas, a fim de que seus
conteúdos específicos possam ser enriquecidos com as particularidades de cada uma.

2.1.1 Conceituação

No Brasil, este tema foi abordado pela primeira vez com significativa produção por
Japiassú, a partir de 1976. Escritor de vários livros sobre interdisciplinaridade, o referido
autor assegura que é importante estabelecer uma intercomunicação entre diferentes
disciplinas, sendo relevante, no entanto, que essa intercomunicação ocorra por meio de um
diálogo que aborde pontos em comum entre os interlocutores. Como ressalta Japiassú (1976),
o ato de trocar informações, por si só, não representa uma atitude interdisciplinar.
14

Na visão do citado autor, o trabalho interdisciplinar nasce de um propósito em comum


entre no mínimo duas disciplinas, em que os participantes do projeto buscam ir além de seus
limites a fim de conseguirem adentrar de alguma forma nos limites da outra disciplina.

Ressaltam-se aqui a importância da existência e o fortalecimento das próprias


disciplinas, possuidoras de identidade devido às especificidades existentes dentro de cada uma
delas. Jamais se poderá fazer um trabalho interdisciplinar sem possuir a clara definição do que
constitui cada disciplina, tanto relativo aos seus conteúdos quanto aos seus métodos de ensino.

Também sobre a identidade de cada disciplina consta nas Orientações Educacionais


Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN+), das
Ciências Humanas e suas Tecnologias (p. 21):

Um trabalho interdisciplinar, antes de garantir associação temática entre


diferentes disciplinas – ação possível, mas não imprescindível –, deve buscar
unidade em termos de prática docente, ou seja, independentemente dos
temas/assuntos tratados em cada disciplina isoladamente. Os educadores de
determinada unidade escolar devem comungar de uma prática docente
comum voltada para a construção de conhecimentos e de autonomia
intelectual por parte dos educandos.

Fica evidente que apesar do respeito às especificidades de cada disciplina, é também


importante que exista uma proximidade na prática docente, principalmente no que concerne
ao modo de construção do conhecimento do educando e sua autonomia intelectual.

Outro ponto importante sobre as disciplinas é a distinção que se deve fazer das
disciplinas escolares e das disciplinas científicas. Segundo Lenoir (1992), o ponto em comum
entre as disciplinas escolares e as disciplinas científicas é que elas compartilham uma lógica
científica, ou seja, são muito diferentes, pois possuem finalidades diferentes, escopos
diferentes, aplicações diferentes, referenciais diferentes. Diante disso, não basta a simples
transposição de formatos e referenciais do campo científico para o escolar.

Para Siepierski (1987, p. 27.), o significado da palavra interdisciplinaridade não possui


unanimidade entre seus estudiosos, mesmo assim, para ele:

[...] é na convivência com especialistas de outras áreas que o cientista


submete suas teorias, impregnadas de particularismos de sua área específica,
15

ao crivo da crítica de seus, por assim dizer, primos. Portanto, a característica


principal da interdisciplinaridade é o conflito e não a harmonia.

Pode-se verificar o quanto é desafiador o trabalho com a interdisciplinaridade, pois faz


com que se saia da zona habitual da área de conhecimentos para alçar voos mais altos através
da comunhão com saberes além dos próprios limites, exigindo habilidades talvez nunca antes
demonstradas.

2.1.2 A interdisciplinaridade à luz da legislação

A Lei nº 11.684/08, publicada no Diário Oficial da União de 30 de junho de 2008,


altera o art. 36 da Lei Federal nº 9.394/1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação
nacional, para incluir a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias nos currículos
do Ensino Médio.

Sobre o modo em que as duas novas disciplinas deverão ser articuladas dentro do
contexto escolar, o Parecer nº 322/2007 do Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do
Sul (CEED) afirma:

Tanto as escolas cuja organização curricular for estruturada por componentes


curriculares ou as que adotarem outra organização curricular devem assegurar
tratamento interdisciplinar e contextualizado, a fim de que seja proporcionado ao
educando um espaço de investigação intelectual no qual articule conhecimentos de
Filosofia e Sociologia, necessários ao exercício da cidadania (p.4).

Nos PCN+ para o Ensino Médio, das Ciências Humanas e suas Tecnologias, é bem
evidente o incentivo ao trabalho interdisciplinar. No trecho a seguir transcrito, dentro de uma
abordagem sobre novas orientações ao ensino, está assim estabelecido:

Nessa nova compreensão do Ensino Médio e da educação básica, a organização do


aprendizado não seria conduzida de forma solitária pelo professor de cada disciplina,
pois as escolhas pedagógicas feitas numa disciplina não seriam independentes do
tratamento dado às demais, uma vez que é uma ação de cunho interdisciplinar que
articula o trabalho das disciplinas, no sentido de promover competências (p.14).

A referida legislação ressalta, assim, a importância de existir uma sintonia de todas as


disciplinas escolares, sintonia essa, que pode muito bem ser expressada dentro do próprio
projeto pedagógico da escola, conforme se pode perceber:
16

A articulação entre as áreas é uma clara sinalização para o projeto pedagógico da


escola. Envolve uma sintonia de tratamentos metodológicos e, no presente caso,
pressupõe a composição do aprendizado de conhecimentos disciplinares com o
desenvolvimento de competências gerais (p.17).

Mais especificamente, no que se referem à Filosofia, as Orientações Educacionais


Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN+), das
Ciências Humanas e suas Tecnologias, assim estabelece:

A divisão de territórios entre as distintas ciências humanas é outro exemplo de


como, na organização disciplinar do conhecimento, não há demarcações absolutas,
pois há mesmo aspectos comuns da Geografia Humana e da Sociologia, ou também
da História e da Antropologia, tanto na perspectiva da temática quanto na de
instrumentos analíticos. A Filosofia partilha com as ciências humanas e com as
ciências da natureza alguns de seus temas centrais (p.14).

Na organização das ciências humanas o conhecimento não possui territórios bem


claros e definidos. Já na organização escolar, apesar das disciplinas também se entrelaçarem
criando uma grande rede, a diferença é o controle que se tem sobre esta organização
artificialmente preparada, portanto, a interdisciplinaridade deve ser uma atitude, uma postura.

2.1.3 A interdisciplinaridade na prática

Tanto para Japiassú quanto para Gusdorf, existem pontos chaves dentro de um projeto
de interdisciplinaridade que devem ser muito bem observados. São eles:

- estabelecimento de conceitos-chave para facilitar a comunicação entre os


especialistas;
- delimitação das questões e problemas a serem desenvolvidos;
- clara repartição das tarefas;
- a comunicação dos resultados aos envolvidos no projeto;
- o pleno domínio dos especialistas de suas próprias disciplinas;

Estes pontos chaves destacados acima ressaltam ainda mais o dizer de Bianchetti (In:
FRIGOTTO et al., 1999) sobre a interdisciplinaridade. Para o referido autor, a
interdisciplinaridade envolve o fazer de cada um dos envolvidos, proporciona a descoberta de
17

novas estratégias de ação, mas não chega a criar uma nova teoria. Estas estratégias são um
exemplo que se pode visualizar e buscar na construção de projetos interdisciplinares.

Note-se que para o sucesso do projeto interdisciplinar, surgem então necessidades e


cuidados que acabam por demandar habilidades dos profissionais envolvidos. Para a
professora Fazenda1 (1994, p. 31), após dois anos de pesquisa com professores que tinham
uma atitude interdisciplinar, ela conseguiu traçar um perfil deste profissional, afirmando que

[...] o professor interdisciplinar traz em si um gosto especial por conhecer e


pesquisar, possui um grau de comprometimento diferenciado para com seus alunos,
ousa novas técnicas e procedimentos de ensino, porém, antes, analisa-os e dosa-os
convenientemente.

Sendo assim, fica notória a necessidade da postura do profissional que busca este modo de
ação interdisciplinar, cabendo também sempre a análise e a busca pela medida certa de suas ações.

2.2 A FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO

No âmbito estadual, o Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul (CEED),


no ano de 2007, através do Parecer nº 322/2007 determina que sejam oferecidos dois períodos
semanais de cada um dos componentes curriculares – Filosofia e Sociologia – em cada um
dos anos do Ensino Médio para os alunos que iniciam o 1º ano deste curso a partir de 2008.
Além disso, no Parecer nº 622/2008, o CEED esclarece que esta implantação pode ser gradual,
respeitando o limite de que até 2012 todos os anos do Ensino Médio deverão ofertar estas duas
disciplinas.

Atualmente, no PCN+ do Ensino Médio, das Ciências Humanas e suas Tecnologias


(MEC, 2009, p. 52), são apresentadas as seguintes sugestões de Eixos Temáticos, conforme se
pode ver no Quadro1, a seguir inserido:

1
FAZENDA, Ivani. Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas da Interdisciplinaridade (GEPI) da PUC-
SP.
18

Eixos Temáticos
Relações de poder e democracia
Temas Subtemas
1. A democracia grega • A ágora e a assembleia: igualdade nas leis e no direito
à palavra
• Democracia direta: formas contemporâneas possíveis
de participação da sociedade civil

2. A democracia • Antecedentes:
contemporânea – Montesquieu e a teoria dos três poderes
– Rousseau e a soberania do povo
• O confronto entre as idéias liberais e o socialismo
• O conceito de cidadania
3. O avesso da democracia • Os totalitarismos de direita e esquerda
• Fundamentalismos religiosos e a política
Contemporânea
A construção do sujeito moral
Temas Subtemas
1. Autonomia e liberdade • Descentração do indivíduo e o reconhecimento do
outro
• As várias dimensões da liberdade (ética, econômica,
política)
• Liberdade e determinismo
2. As formas da alienação • O individualismo contemporâneo e a recusa do outro
moral • As condutas massificadas na sociedade contemporânea
3. Ética e política • Maquiavel: as relações entre moral e política
• Cidadania: os limites entre o público e o privado
O que é Filosofia
Temas Subtemas
1. Filosofia, mito e senso • Mito e Filosofia: o nascimento da Filosofia na Grécia
comum • Mitos contemporâneos
• Do senso comum ao pensamento filosófico
2. Filosofia, ciência e • Características do método científico
tecnocracia • O mito do cientificismo: as concepções reducionistas
da ciência
• A tecnologia a serviço de objetivos humanos e os
riscos da tecnocracia
• A bioética
3. Filosofia e estética • Os diversos tipos de valor
• A arte como forma de conhecer o mundo
• Estética e desenvolvimento da sensibilidade e
imaginação
QUADRO 1 Eixos temáticos de Filosofia
Fonte: PCN+ do Ensino Médio, das Ciências Humanas e suas Tecnologias

Apesar de existir a sugestão oficial do MEC, essa mesma instituição dispõe: “[...] é
simplesmente uma proposta, nem obrigatória nem única, de uma visão ampla do trabalho
19

[...]”. Além de ser uma disciplina nova no currículo, existem algumas especificidades que a
caracterizam como sui generis dentro da organização escolar, pois, a Filosofia comporta “um
acervo próprio de questões, uma história que a destaca suficientemente das outras produções
culturais, métodos peculiares de investigação e conceitos sedimentados historicamente”.
(LEOPOLDO E SILVA apud SILVEIRA, 2000, p.139). Uma destas especificidades está na
própria delimitação do conteúdo a ser trabalhado em sala de aula, para exemplificar, conforme
PCN+ do Ensino Médio, das Ciências Humanas e suas Tecnologias:

Estabelecer o que o aluno deve conhecer e que competências desenvolver no curso


de Filosofia no Ensino Médio configura uma tarefa a ser enfrentada de maneira
diversa daquela que se espera em qualquer outra disciplina, por causa das
características que são próprias ao filosofar (p.41).

Cabe ressaltar também a interdisciplinaridade como característica inerente a esta


disciplina, visto que ela “abre o espaço por excelência para tematizar e explicitar os conceitos
que permeiam todas as outras disciplinas, e o faz de forma radical, ou seja, buscando suas
raízes ou fundamentos e pressupostos.” (PCN, p. 45).

Especificamente sobre o ensinar Filosofia, Gallo (2002, p. 199) afirma que:

ensinar filosofia é um exercício de apelo a diversidade, ao perspectivismo; é um


exercício de acesso a questões fundamentais para a existência humana; é um
exercício de abertura ao risco, de busca de criatividade, de um pensamento sempre
fresco; é um exercício da pergunta e da desconfiança da resposta fácil. Quem não
estiver disposto a tais exercícios, dificilmente encontrará prazer e êxito nesta
aventura que é ensinar filosofia, aprender filosofia.

Explorando mais a questão do ensino de Filosofia, é importante salientar que este tema
vem sendo bastante discutido entre os filósofos, visto que na opinião deles os PCNs são
insuficientes. Considerando que o documento oficial que deveria servir de parâmetro
norteador para a prática docente é contestado por diversos motivos, fica claro que algumas
consequências serão sentidas dentro das salas de aula.

Biancheti (in BARBOSA, 2008) diz que não é difícil perceber, em conversas
cotidianas de ambientes sociais diversos (principalmente dentro da escola), reclamações
acerca do ensino de Filosofia, oriundas de pessoas que tiveram contato com a disciplina no
Ensino Médio.
20

O referido autor aponta, ainda, algumas causas como: complexidade do discurso


docente; longas exposições sobre a vida de filósofos ilustres e abordagens temáticas
prendendo-se a questões muito específicas. Ele também se refere ao fato de existirem escolas
públicas e particulares que oferecem a disciplina de Filosofia ministrada por pessoas não
habilitadas.

Segundo Marcondes (2004, p. 64),

[...] O grande desafio para o ensino da filosofia consiste em motivar aquele que
ainda não possui qualquer conhecimento do pensamento filosófico, ou sequer sabe
para que serve a filosofia, a desenvolver o interesse por este pensamento, a
compreender sua relevância e a vir a elaborar suas próprias questões.

O autor reforça a idéia de que a Filosofia deve ser apresentada ao aluno de forma a
motivá-lo, como uma grande descoberta, porém de algo que já faz parte do seu próprio dia a
dia.

2.2.1 Alguns filósofos

Tendo-se como referência Padovani e Castagnola (1958), apresentam-se, neste


subcapítulo, breves informações sobre alguns dos filósofos que estão sendo usados dentro das
salas de aula na disciplina de Filosofia do Ensino Médio.

2.2.1.1 Sócrates

Na visão de Padovani e Castagnola (1958), o pensamento do filósofo grego Sócrates


(469-399 a.C.) marca uma reviravolta na história humana. Até então, a filosofia procurava
explicar o mundo baseada na observação das forças da natureza. Com Sócrates, o ser humano
voltou-se para si mesmo. A preocupação dele era levar as pessoas, por meio do
autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem.

Sócrates concebia o homem como um composto de dois princípios, alma (ou espírito)
e corpo. De seu pensamento surgiram duas vertentes da Filosofia que, em linhas gerais,
podem ser consideradas como grandes tendências do pensamento ocidental. Uma é a idealista,
21

que partiu de Platão (427-347 a.C.), seguidor de Sócrates. Ao distinguir o mundo concreto do
mundo das ideias, deu a estas status de realidade. A outra é a realista, partindo de Aristóteles
(384-322 a.C.), discípulo de Platão que submeteu as ideias, às quais se chega pelo espírito, ao
mundo real.

Defensor do diálogo como método de educação, conforme destacam Padovani e


Castagnola (1958), Sócrates considerava muito importante o contato direto com os
interlocutores – o que é uma das possíveis razões para o fato de não ter deixado nenhum texto
escrito. Suas ideias foram recolhidas principalmente por Platão, que as sistematizou, e por
outros filósofos que conviveram com ele.

Para Sócrates, o papel do educador é de ajudar o discípulo no despertar de sua


inteligência e consciência. Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos,
mas alguém que desperta o espírito. Ele deve, segundo Sócrates, admitir a reciprocidade ao
exercer sua função iluminativa, permitindo que os alunos contestem seus argumentos da
mesma forma que contesta os argumentos dos alunos. Para o filósofo, só a troca de ideias dá
liberdade ao pensamento e a sua expressão, condições imprescindíveis para o
aperfeiçoamento do ser humano.

Ainda segundo os referidos autores (1958), quando Sócrates já era septuagenário, foi
acusado de desrespeitar os deuses do estado e de corromper os jovens. Julgado e condenado à
morte por envenenamento, ele se recusou a fugir ou a renegar suas convicções para salvar sua
vida. Ingeriu cicuta e morreu rodeado por seus amigos.

2.2.1.2 Platão

Ainda em Padovani e Castagnola (1958), verifica-se que na história das ideias, o grego
Platão (427-347 a.C.) foi o primeiro pedagogo, não só por ter concebido um sistema
educacional para o seu tempo, mas, principalmente, por tê-lo integrado a uma dimensão ética
e política. O objetivo final da educação, para o filósofo, era a formação do homem moral,
vivendo em um estado justo.
22

Baseado na ideia de que os cidadãos que têm o espírito cultivado fortalecem o estado e
que os melhores entre eles serão os governantes, o filósofo defendia que toda educação era de
responsabilidade estatal, um princípio que só se fundiria no Ocidente muitos séculos depois.
Igualmente avançada, quase visionária, era a defesa da mesma instrução para meninos e
meninas e do acesso universal ao ensino.

Platão, conforme os citados autores (1958), acreditava que por meio do conhecimento,
seria possível controlar os instintos, a ganância e a violência. O acesso aos valores da
civilização, portanto, funcionaria como antídoto para todo o mal cometido por seres humanos
contra seus semelhantes.

Platão defendia a ideia de que a alma precede o corpo e que, antes de encarnar, tem
acesso ao conhecimento. Dessa forma, todo aprendizado não passaria de um esforço de
reminiscência – um dos princípios centrais do pensamento do filósofo. Com base nesta teoria,
que não encontra eco na ciência contemporânea, Platão defendia uma ideia que,
paradoxalmente, sustenta grande parte da pedagogia atual: não é possível ou desejável
transmitir conhecimentos aos alunos, mas, antes, levá-los a procurar respostas, eles mesmos, a
suas inquietações.

2.2.1.3 Aristóteles

Padovani e Castagnola (1958) ensinam que de todos os grandes pensadores da Grécia


antiga, Aristóteles (384-322 a.C.) foi o que mais influenciou a civilização Ocidental. Até hoje
o modo de pensar e produzir conhecimento deve muito ao filósofo. Foi ele o fundador da
ciência que ficaria conhecida como lógica e suas conclusões nessa área não tiveram
contestação alguma até o século XVII. Sua importância no campo da educação também é
grande, mas de modo indireto. Poucos de seus textos específicos sobre o assunto chegaram
aos nossos dias. A contribuição de Aristóteles para o ensino está principalmente em escritos
sobre outros temas.

As principais obras de onde se podem tirar informações pedagógicas são as que tratam
de política e ética. Em ambos os casos o objetivo final era o de obter a virtude. Em suas
23

reflexões sobre ética, Aristóteles afirma que o propósito da vida humana é a obtenção do que
ele chama de vida boa. Isso significa ao mesmo tempo vida no bem e vida harmoniosa.

Um dos fundamentos do pensamento aristotélico, conforme os referidos autores


(1958), é que todas as coisas têm uma finalidade. É isso que, segundo o filósofo, leva todos os
seres vivos a se desenvolver de um estado de imperfeição a outro de perfeição.

Grande parte da obra que originou o legado aristotélico se desenvolveu em oposição à


filosofia de Platão, seu mestre e fundador da Academia ateniense, que Aristóteles frequentou
durante duas décadas. Posteriormente, ele fundaria uma escola própria, o Liceu. Uma das duas
grandes inovações do filósofo em relação ao antecessor foi negar a existência de um mundo
supra-real, onde residiriam as ideias. Para Aristóteles, ao contrário, o mundo em que
pertencemos é suficiente, e nele a perfeição está ao alcance de todos os homens.

A segunda inovação de Aristóteles foi no campo da lógica. De acordo com o filósofo,


determinar uma verdade comum a todos os componentes de um grupo de coisas é a condição
para conceber um sistema teórico. Para a construção de tal conhecimento, Aristóteles não se
satisfez com a dialética de Platão, segundo a qual o caminho para chegar à verdade era a
depuração dos argumentos e pontos de vista por intermédio do diálogo.

Aristóteles quis criar um método mais seguro e desenvolveu o sistema conhecido


como silogismo. Ele consiste de três proposições – duas premissas e uma conclusão que, para
ser válida, decorre das duas anteriores, necessariamente, sem que haja outra opção. Um
silogismo precisa partir de verdades, necessariamente contidas nas duas premissas, elas não se
sujeitam a um raciocínio que as demonstre. Demonstram-se a si mesmas na realidade e são
chamadas de axiomas.

A observação empírica, a experiência do real, ganha, assim, papel central na


concepção de ciência de Aristóteles, em contraste com o pensamento de Platão.
24

2.2.1.4 René Descartes

Conforme Padovani e Castagnola (1958), René Descartes (1596-1650) tinha suas


ideias constantemente alimentadas pelo intenso desejo de libertar o saber de qualquer forma
de preconceito ou de falsos pensamentos. Era um estudioso que no momento de elaborar seu
pensamento privilegiava a reflexão solitária, mas não deixava de se corresponder com os
maiores cientistas de sua época.

Descartes foi sobretudo filósofo, no mais completo sentido que se atribuía ao termo no
início do século XVII. Isso porque era um homem de curiosidade universal, que privilegiava
as pesquisas naturais e matemáticas, mas sem deixar de lado a metafísica e a moral.

Em 1637, decidiu publicar três pequenos resumos de sua obra científica: A Dióptrica,
Os Meteoros e A Geometria. Esses resumos, que quase não são lidos atualmente, são
acompanhados por um prefácio e este último foi que se tornou famoso: é o Discurso sobre o
Método. Ele faz ver que o seu método, inspirado nas matemáticas, é capaz de provar
rigorosamente a existência de Deus.

2.3 FÍSICA, PCN E ALGUNS FILÓSOFOS

Alguns documentos oficiais mencionam direta ou indiretamente a utilização de


métodos de ensino de ciência que considerem seus aspectos históricos e filosóficos e os
consideram essenciais para a formação de um cidadão contemporâneo que pode compreender,
intervir e participar do mundo. Os Parâmetros Curriculares Nacionais Para o Ensino Médio
(PCNEM) cita que “O uso da história da ciência para enriquecer o ensino de Física e tornar
mais interessante seu aprendizado, aproximando os aspectos científicos dos acontecimentos
históricos, possibilita a visão da ciência como uma construção humana.” (Brasil, 2006:64). E
ao mesmo tempo considera como competências e habilidades do processo de
ensino/aprendizagem de Física, elementos que poderão ser contemplados se a metodologia de
ensino envolver história e filosofia da Física. Isto é evidenciado no bloco de competência
intitulado “Contextualização sócio-cultural” e cujas habilidades a serem adquiridas são:
25

1. Reconhecer a Física enquanto construção humana, aspectos de sua história e


relações com o contexto cultural, social, político e econômico.

2. Reconhecer o papel da Física no sistema produtivo, compreendendo a evolução dos


meios tecnológicos e sua relação dinâmica com a evolução do conhecimento científico.

3. Dimensionar a capacidade crescente do homem propiciada pela tecnologia.

4. Estabelecer relações entre o conhecimento físico e outras formas de expressão da


cultura humana.

5. Ser capaz de emitir juízos de valor em relação a situações sociais que envolvam
aspectos físicos e/ou tecnológicos relevantes.

No PCN+ que trata das Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias


aparecem como objetivos do ensino a constituição de habilidades e competências que
permitam ao educando:

1) Compreender as ciências como construções humanas, entendendo como


elas se desenvolvem por acumulação, continuidade ou ruptura de paradigmas,
relacionando o desenvolvimento científico com a transformação da sociedade,
2) Entender a relação entre o desenvolvimento das ciências naturais e o
desenvolvimento tecnológico e associar as diferentes tecnologias aos problemas que
se propuseram e propõem solucionar e
3) Entender o impacto das tecnologias associadas às ciências naturais na
sua vida pessoal, nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento
e na vida social.

Percebe-se, assim, que para o desenvolvimento de habilidades e competências nos


alunos, a fim de que possam entender e compreender os aspectos relacionados acima, as aulas
da disciplina de Física devem considerar a história e a filosofia da ciência, portanto, os
professores não só podem como devem utilizar a Filosofia como auxílio no processo de
ensino/aprendizagem de Física.

Nos quadros a seguir inseridos são demonstrados os conteúdos sugeridos pelo MEC
para as aulas de Física no Ensino Médio relacionando os nomes de alguns filósofos que
contribuíram determinantemente para o avanço de teorias físicas. Tentar-se-á demonstrar
26

como alguns conceitos de física, hoje já consagrados, foram estudados e propostos como
teorias científicas há vários séculos.
27

Temas Estruturadores
1. Movimentos: variações e conservações
Temas Subtemas Filósofos relacionados
1. • Identificar diferentes movimentos Aristóteles2,
Fenomenologia que se realizam no cotidiano e as René Descartes3, Leibniz4,
cotidiana grandezas relevantes para sua Galileu Galilei5.
observação (distâncias, percursos,
velocidade, massa, tempo, etc.);
• Caracterizar as variações de
algumas dessas grandezas, fazendo
estimativas, realizando medidas,
escolhendo equipamentos e
procedimentos adequados para tal;
• Reconhecer que as modificações
nos movimentos são consequência de
interações.
QUADRO 2 Fenomenologia cotidiana
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

2
VIEIRA, Kátia Maria Dias e BATISTA, Irinéia de Lourdes (2005).
3
PONCZEK, Roberto Leon (2000).
4
Idem, ibidem
5
BAPTISTA, José Plínio (2003).
28

Temas Estruturadores
1. Movimentos: variações e conservações
Temas Subtemas Filósofos relacionados
2. Variação e • A partir da observação, análise e Aristóteles6,
conservação da experimentação de situações René Descartes7, Leibniz8,
quantidade de concretas como quedas, colisões, Galileu Galilei9,
movimento jogos, movimento de carros, Isaac Newton10;
reconhecer a conservação da Helmholtz11.
quantidade de movimento linear e
angular;
• Reconhecer as causas da variação
de movimentos, associando as
intensidades das forças ao tempo de
duração das interações;
• Utilizar a conservação da
quantidade de movimento e a
identificação de forças ou torques
para fazer análises, previsões e
avaliações de situações cotidianas
que envolvem movimentos.
QUADRO 3 Variação e conservação da quantidade de movimento
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

6
VIEIRA, Kátia Maria Dias e BATISTA, Irinéia de Lourdes (2005); BAPTISTA, José Plínio (2003).
7
BAPTISTA, José Plínio (2003); PONCZEK (2000); BAPTISTA, José Plínio (2006).
8
PONCZEK, Roberto de Leon (2000)
9
BAPTISTA, José Plínio (2003); BAPTISTA, José Plínio (2006).
10
Idem, ibidem.
11
BAPTISTA, José Plínio (2006).
29

Temas Estruturadores

1. Movimentos: variações e conservações

Temas Subtemas Filósofos relacionados


3. Energia e • Identificar formas e transformações Aristóteles12,
potência de energia associadas aos René Descartes13,
associadas aos movimentos reais; Leibniz14,
movimentos
• A partir da conservação da energia Galileu Galilei15.
de um sistema, quantificar suas
transformações e a potência
disponível ou necessária para sua
utilização;
• Acompanhar a evolução dos
processos de utilização de potência
mecânica.
QUADRO 4 Energia e potência associadas aos movimentos
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

12
VIEIRA, Kátia Maria Dias e BATISTA, Irinéia de Lourdes (2005).
13
PONCZEK, Roberto de Leon (2000).
14
Idem, ibidem.
15
BAPTISTA, José Plínio (2006).
30

Temas Estruturadores

1. Movimentos: variações e conservações

Temas Subtemas Filósofos relacionados


4. Equilíbrios e • Diante de situações naturais ou em Aristóteles16
desequilíbrios artefatos tecnológicos, distinguir
situações de equilíbrio daquelas de
não-equilíbrio (estático ou dinâmico);
• Estabelecer as condições
necessárias para a manutenção do
equilíbrio de objetos, incluindo
situações no ar ou na água;
• Reconhecer processos pelos quais
pode ser obtida amplificação de
forças em ferramentas, instrumentos
ou máquinas.
QUADRO 5 Equilíbrios e desequilíbrios
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

Temas Estruturadores
2. Calor, ambiente e usos de energia
Temas Subtemas Filósofos relacionados
1. Fontes e • Identificar fenômenos, fontes e Helmholtz17
trocas de calor sistemas que envolvem calor;
• Reconhecer as propriedades
térmicas dos materiais e os diferentes
processos de troca de calor;
• Utilizar o modelo cinético das
moléculas para explicar as
propriedades térmicas das
substâncias.
QUADRO 6 Fontes e trocas de calor
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

16
VIEIRA, Kátia Maria Dias e BATISTA, Irinéia de Lourdes (2005).
17
BAPTISTA, José Plínio (2006).
31

Temas Estruturadores
2. Calor, ambiente e usos de energia
Temas Subtemas Filósofos relacionados
2. Tecnologias • Compreender a relação entre
que usam calor: variação de energia térmica e
motores e temperatura;
refrigeradores • Identificar a participação do calor e
os processos envolvidos no
funcionamento de máquinas térmicas;
• Identificar o calor como forma de
dissipação de energia e a
irreversibilidade de certas
transformações.
QUADRO 7 Tecnologias que usam calor: motores e refrigeradores
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

Temas Estruturadores
2. Calor, ambiente e usos de energia
Temas Subtemas Filósofos relacionados
3. O calor na • Compreender o papel do calor na
vida e no origem e manutenção da vida;
ambiente • Reconhecer os diferentes processos
envolvendo calor e suas dinâmicas
nos fenômenos climáticos;
• Identificar e avaliar os elementos
que propiciam conforto térmico em
ambientes fechados.
QUADRO 8 O calor na vida e no ambiente
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.
32

Temas Estruturadores
2. Calor, ambiente e usos de energia
Temas Subtemas Filósofos relacionados
4. Energia: • Identificar as diferentes fontes de
produção para energia e processos de transformação
uso social
presentes na produção de energia
para uso social;
• Identificar os diferentes sistemas de
produção de energia elétrica;
• Acompanhar a evolução da
produção, do uso social e do
consumo de energia.
QUADRO 9 Energia: produção para uso social
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

Temas Estruturadores
3. Som, imagem e informação
Temas Subtemas Filósofos relacionados
1. Fontes • Identificar objetos, sistemas e
sonoras fenômenos que produzem sons para
reconhecer as características que os
diferenciam;
• Associar diferentes características
de sons a grandezas físicas (como
freqüência, intensidade etc.);
• Conhecer o funcionamento da
audição humana.
QUADRO 10 Fontes sonoras
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.
33

Temas Estruturadores

3. Som, imagem e informação

Temas Subtemas Filósofos relacionados


2. Formação e • Identificar objetos, sistemas e Descartes18
detecção de fenômenos que produzem imagens
imagens
para reconhecer o papel da luz e as
características dos fenômenos físicos
envolvidos;
• Associar as características de
obtenção de imagens a propriedades
físicas da luz;
• Conhecer os diferentes instrumentos
ou sistemas que servem para ver,
melhorar e ampliar a visão humana.
QUADRO 11 Formação e detecção de imagens
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

Temas Estruturadores
3. Som, imagem e informação
Temas Subtemas Filósofos relacionados
3. Gravação e • Compreender, para utilizar
reprodução de adequadamente, diferentes formas de
sons e imagens gravar e reproduzir sons;
• Compreender, para utilizar
adequadamente, diferentes formas de
gravar e reproduzir imagens:
QUADRO 12 Gravação e reprodução de sons e imagens
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

18
SIMON, Samuel; SERRA, Almir; e BIÃO, Ruslane (2004).
34

Temas Estruturadores
3. Som, imagem e informação
Temas Subtemas Filósofos relacionados
4. Transmissão • Conhecer os processos físicos
de sons e envolvidos nos diferentes sistemas de
imagem transmissão de informação sob forma
de sons e imagens para explicar e
monitorar a utilização de transmissões
por antenas, satélites, cabos ou através
de fibras ópticas;
• Compreender a evolução dos meios e
da velocidade de transmissão de
informação.
QUADRO 13 Transmissão de sons e imagem
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

Temas Estruturadores
4. Equipamentos elétricos e telecomunicações
Temas Subtemas Filósofos relacionados
1. Aparelhos • Em aparelhos e dispositivos elétricos
elétricos residenciais, identificar seus diferentes
usos e o significado das informações
fornecidas pelos fabricantes;
• Relacionar essas informações a
propriedades e modelos físicos;
• Compreender o significado das redes
de 110V e 220V, calibre de fios,
disjuntores e fios-terra.
QUADRO 14 Aparelhos elétricos
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.
35

Temas Estruturadores
4. Equipamentos elétricos e telecomunicações
Temas Subtemas Filósofos relacionados
2. Motores • Compreender fenômenos magnéticos;
elétricos • Reconhecer a relação entre
fenômenos magnéticos e elétricos;
• Conhecer critérios que orientem a
utilização de aparelhos elétricos.
QUADRO 15 Motores elétricos
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

Temas Estruturadores
4. Equipamentos elétricos e telecomunicações
Temas Subtemas Filósofos relacionados
3. Geradores • Em sistemas que geram energia
elétrica, identificar semelhanças e
diferenças entre os diversos processos
físicos envolvidos e suas implicações
práticas;
• Compreender o funcionamento de
pilhas e baterias;
• Compreender o funcionamento de
diferentes geradores para explicar a
produção de energia.
QUADRO 16 Geradores
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.
36

Temas Estruturadores
4. Equipamentos elétricos e telecomunicações
Temas Subtemas Filósofos relacionados
4. Emissores e • Identificar a função de dispositivos
receptores como capacitores, indutores e
transformadores;
• Compreender o funcionamento de
circuitos oscilantes e o papel das
antenas;
• Avaliar o impacto dos usos da
eletricidade sobre a vida econômica e
social.
QUADRO 17 Emissores e receptores
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

Temas Estruturadores
5. Matéria e radiação
Temas Subtemas Filósofos relacionados
1. Matéria e suas • Utilizar os modelos atômicos Aristóteles19, Platão20,
propriedades
propostos para a constituição da René Descartes21.
matéria para explicar diferentes
propriedades dos materiais;
• Relacionar os modelos de
organização dos átomos e moléculas na
constituição da matéria às
características macroscópicas
observáveis em diversos materiais;
• Compreender a constituição e
organização da matéria viva e suas
especificidades.
QUADRO 18 Matéria e suas propriedades
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

19
VIEIRA, Kátia Maria Dias e BATISTA, Irinéia de Lourdes (2005).
20
<http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/Megahist-filos/D-PLATAO/6316y174.html. Acesso em 23 ago.2009.
21
PONCZEK, Roberto de Leon (2000).
37

Temas Estruturadores
5. Matéria e radiação
Temas Subtemas Filósofos relacionados
2. Radiações e • Identificar diferentes tipos de
suas interações radiações presentes na vida cotidiana;
• Compreender os processos de
interação das radiações com meios
materiais;
• Avaliar efeitos biológicos e
ambientais do uso de radiações não-
ionizantes.
QUADRO 19 Radiações e suas interações
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

Temas Estruturadores
5. Matéria e radiação
Temas Subtemas Filósofos relacionados
3. Energia • Compreender as transformações
nuclear e nucleares que dão origem à
radioatividade radioatividade;
• Conhecer a natureza das interações e
a dimensão da energia envolvida nas
transformações nucleares;
• Avaliar os efeitos biológicos e
ambientais, assim como medidas de
proteção, da radioatividade e radiações
ionizantes.
QUADRO 20 Energia nuclear e radioatividade
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+
38

Temas Estruturadores
5. Matéria e radiação
Temas Subtemas Filósofos relacionados
4. Eletrônica e • Identificar a presença de
informática componentes eletrônicos e suas
propriedades nos equipamentos
contemporâneos;
• Identificar elementos básicos da
microeletrônica para compreender o
processamento de informação;
• Acompanhar e avaliar o impacto
social e econômico da automação e
informatização na vida contemporânea.
QUADRO 21 Eletrônica e informática
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

Temas Estruturadores
6. Universo, Terra e vida
Temas Subtemas Filósofos relacionados
1. Terra e • Conhecer as relações entre os Aristóteles22,
sistema solar movimentos da Terra, da Lua e do Sol;
Galileu Galilei23.
• Compreender as interações
gravitacionais.
QUADRO 22 Terra e sistema solar
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

22
VIEIRA, Kátia Maria Dias e BATISTA, Irinéia de Lourdes (2005); MOSCHETI, Marcelo (2003).
23
PONCZEK, Roberto de Leon (2000).
39

Temas Estruturadores
6. Universo, Terra e vida
Temas Subtemas Filósofos relacionados
2. O Universo e • Conhecer as teorias e modelos Aristóteles24,
sua origem propostos para a origem, evolução e Galileu Galilei25,
constituição do Universo;
Einstein26.
• Reconhecer ordens de grandeza de
medidas astronômicas.

QUADRO 23 O Universo e sua origem


Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

Temas Estruturadores
6. Universo, Terra e vida
Temas Subtemas Filósofos relacionados
3. Compreensão • Conhecer aspectos dos modelos Aristóteles27, Leibniz28,
humana do explicativos da origem e constituição Einstein29, Platão30.
Universo do Universo;
• Compreender aspectos da evolução
dos modelos da ciência para explicar a
constituição do Universo;
• Identificar diferentes formas pelas
quais os modelos explicativos do
Universo influenciaram a cultura e a
vida humana;
QUADRO 24 Compreensão humana do Universo
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa, com base no PCN+.

24
VIEIRA, Kátia Dias e BATISTA, Irinéia de Lourdes (2005); MOSCHETI, Marcelo (2003).
25
PONCZEK, Roberto de Leon (2000).
26
GÖDEL, Kurt (2006); BAPTISTA, José Plínio (2006); MOSCHETI, Marcelo (2003).
27
VIEIRA, Kátia Dias e BATISTA, Irinéia de Lourdes (2005).
28
PONCZEK, Roberto de Leon (2000).
29
GÖDEL, Kurt (2006); BAPTISTA, José Plínio (2006).
30
BAPTISTA, José Plínio (2006).
40

3 METODOLOGIA DA PESQUISA

O presente estudo se caracterizou como uma pesquisa do tipo exploratório-descritiva, com


trajetória metodológica de pesquisa qualitativa. O município onde se desenvolveu este estudo está
localizado na região metropolitana do estado do Rio Grande do Sul, contando com,
aproximadamente, 210 mil habitantes.

Nesta pesquisa, foram sujeitos os professores que estão atuando nas disciplinas de Física e
Filosofia no Município de São Leopoldo, tanto em escolas particulares quanto em escolas
estaduais.

Para o levantamento das escolas que poderiam fazer parte da pesquisa, visto que estas
duas disciplinas são ofertadas somente no Ensino Médio, foram acessados os sítios da Secretaria
da Educação do Rio Grande do Sul e da Prefeitura Municipal de São Leopoldo. No sítio da
Secretaria da Educação foi utilizado um filtro que define a cidade a ser pesquisada, neste caso,
São Leopoldo. O sítio da Prefeitura foi utilizado para levantamento de maiores detalhes de cada
escola, como telefone e endereço.

Foram selecionadas vinte e uma escolas, pois estas trabalhavam com Ensino Médio. A
fim de organização, foi criada uma planilha (APÊNDICE 1) para controle do andamento da
coleta dos dados.

No período de coleta dos dados, confrontando dados da 2ª Coordenadoria Regional de


Educação (CRE 02) – São Leopoldo e levantamento nas escolas particulares e estaduais através
de telefonemas, a população de professores que atuavam nestas duas disciplinas era de cinqüenta
e dois sujeitos, separados entre vinte e oito professores de Física e vinte e quatro professores de
Filosofia.

Para participar do estudo, foram delineados dois critérios de inclusão: atuar em sala de
aula na disciplina de Física ou Filosofia em escola no Município e devolver o questionário
preenchido ao pesquisador até primeira semana de novembro de 2009. Assim, participaram deste
41

estudo vinte e três professores, separados em doze professores de Física e onze professores de
Filosofia.

Para a coleta dos dados, foi construído um questionário com questões fechadas e abertas
no intuito de atender os objetivos propostos no estudo. Segundo Minayo (2006), algumas das
vantagens das questões abertas se referem: à possibilidade do surgimento de informações
inesperadas, ao menor poder de influência nos respondentes, além de possibilitar mais
informação, proporcionando comentários, explicações e esclarecimentos significativos para se
interpretar e analisar as respostas.

Por telefone os supervisores das escolas foram contatados sobre a intenção da aplicação
do questionário e foi lhes perguntado sobre como este questionário poderia ser aplicado aos
professores. Após a análise do questionário por parte da supervisão, por escolha própria, o
questionário foi encaminhado pelo supervisor aos professores das duas disciplinas dentro de cada
escola.

Na medida em que os professores devolviam os questionários à supervisão, por


telefonemas ou correio eletrônico, foi combinada com o pesquisador a melhor forma da busca
destes questionários. Somente cerca de quinze por cento dos questionários foram devolvidos
através de correio eletrônico.

A metodologia de Coleta e Tratamento dos Dados que integra contribuições quantitativas,


visando abranger dados objetivos e contribuições qualitativas, com intuito de compreender
aspectos considerados subjetivos, tem sido denominada como Triangulação de Métodos. Como
salientou Minayo (2006, p.31) “A realização metodológica da proposta não exige grande
teorização, uma vez que busca apenas integrar as vantagens da avaliação tradicional com a
abordagem qualitativa e com elementos participativos”. Tal estratégia, que combina e cruza
diferentes pontos de vista, revela uma compreensão dialética de que dados subjetivos
(significados, relações dinâmicas, percepções, crenças, entre outros) e dados objetivos (como
indicadores, porcentagens, taxas de frequência e correlações), embora de diferentes naturezas,
não necessitam ser considerados antagônicos, podendo ser encarados como inseparáveis e
42

interdependentes. Considera-se, então, que a proposta de um diálogo entre dados objetivos e


subjetivos privilegia, como defendeu Minayo (2006), a análise dos consensos, dos conflitos e das
contradições observadas nos fenômenos psíquicos e sociais a serem investigados.

3.1 CRIAÇÃO DO QUESTIONÁRIO

No caso deste projeto, propõem-se como pontos chaves a utilização de alguns filósofos
que são estudados nas aulas de Filosofia como sendo personagens não somente
contextualizadores de determinados conteúdos de Física, mas principalmente como personagens
que realmente alavancaram vários campos que depois vieram a ser de responsabilidades da
chamada “filosofia da natureza”.

Como ponto de partida na busca destes filósofos, foi realizado um levantamento entre
alguns professores de Filosofia de São Leopoldo através de telefonemas e correio eletrônico. O
resultado deste levantamento é demonstrado abaixo:

a) Sócrates
b) Platão
c) Aristóteles
d) Descartes
e) Hegel
f) Kant
g) Nietzsche

Após este levantamento inicial, foi realizada através de pesquisa bibliográfica uma busca
na obra de cada filósofo na tentativa de se achar contribuições no campo da Física respectivo a
estes filósofos.

Foram consultados livros e artigos de Filosofia e Física, além, é claro, de pesquisa entre
professores destas duas disciplinas.
43

3.2 ANÁLISE QUANTITATIVA

A análise quantitativa envolveu os dados objetivos obtidos por meio dos Questionários
(APÊNDICES 02 E 03) aplicados aos professores. No que diz respeito às variáveis demográficas
(escola, ano do Ensino Médio em que trabalha e formação acadêmica) dos participantes do
presente estudo, realizou-se uma análise da estatística descritiva do grupo. Este tipo de análise,
segundo Minayo (2006, p. 208), “fornece um perfil das características do grupo estudado e da
distribuição dos eventos neste grupo”. Em seguida, fez-se uma comparação entre esses grupos,
segundo as referidas variáveis.

3.3 ANÁLISE QUALITATIVA

Para análise dos dados foi utilizada a técnica da análise temática, uma das modalidades de
análise de conteúdo. Essa técnica desdobra-se operacionalmente em três etapas: pré-análise,
exploração do material, tratamento dos resultados obtidos e interpretação.

Para a pré-análise foi realizado o contato direto e intenso com o material de campo
(leitura flutuante), observadas a exaustividade, a representatividade, a homogeneidade e a
pertinência; e destacadas unidades de registro (núcleos de sentido, que podem ser palavras-chave
ou frase), as quais foram agrupadas conforme a similaridade de conteúdo, visando uma
categorização em temas de análise.

O tema, de acordo com Bardin (1979, p. 105), “é uma unidade de significação que se
liberta naturalmente de um texto analisado segundo certos critérios relativos à teoria que serve de
guia à leitura”. Assim, os dados foram analisados em torno de temas pré-estabelecidos, eles
formam as próprias perguntas do questionário utilizado.

Os resultados permitiram colocar em destaque as informações obtidas, encaminhando-se


para a última etapa deste estudo, em que foram realizadas as interpretações, retomando-se o
referencial teórico.
44

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Neste capítulo apresentam-se os resultados dos questionários aplicados aos professores de


Filosofia e de Física que lecionam em escolas do Ensino Médio na cidade de São Leopoldo, tanto
da rede estadual quanto da rede particular de ensino e, ainda, uma análise das respostas oferecidas
pelos mesmos professores. Para preservar a identidade dos respondentes, entendeu-se adequado
identificá-los pelos seguintes códigos:

FILO, para os professores de Filosofia, denominação essa acrescida de um número de


ordem.

FÍS, para os professores de Física, código esse também seguido de um número de ordem.

Para melhor visualização dos resultados desta pesquisa, as respostas a cada


questionamento foram dispostas em quadros e, logo a seguir, foram inseridos os comentários que
se fizeram necessários.
45

4.1 FILOSOFIA

Professor Dados demográficos


FILO1 Escola: ( ) pública ( X ) privada Ano do Ensino Médio: 1, 2, 3
FILO2 Escola: ( ) pública ( X ) privada Ano do Ensino Médio: Não respondeu.
FILO3 Escola: ( X ) pública ( ) privada Ano do Ensino Médio: Não respondeu.
FILO4 Escola: ( X ) pública ( ) privada Ano do Ensino Médio: 1
FILO5 Escola: ( X ) pública ( ) privada Ano do Ensino Médio: 2
FILO6 Escola: ( X ) pública ( ) privada Ano do Ensino Médio: Não respondeu.
FILO7 Escola: ( ) pública ( X ) privada Ano do Ensino Médio: 1, 2, 3
FILO8 Escola: ( X ) pública ( ) privada Ano do Ensino Médio:
FILO9 Não respondeu.
FILO10 Escola: ( X ) pública ( ) privada Ano do Ensino Médio: Não respondeu.
FILO11 Escola: ( ) pública ( X ) privada Ano do Ensino Médio: 1
QUADRO 25 Dados demográficos dos professores de filosofia
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa

Dentre os onze professores de Filosofia respondentes à pesquisa, cinqüenta e quatro por


cento foram de escolas estaduais e trinta e três por cento de escolas particulares. Nota-se ainda
que, as aulas de Filosofia não foram implantadas em todos os anos do Ensino Médio, visto que
alguns professores, únicos desta disciplina em sua escola, só lecionam em uma das três séries que
compõem o Ensino Médio, fato este que a pesquisa demonstrou ocorrer principalmente nas
escolas estaduais.

As escolas têm até 2012 para ofertar a disciplina de Filosofia em todas as séries do Ensino
Médio, conforme define a Legislação Estadual, mas, aqui fica claro que existem ainda lacunas no
sistema de ensino, necessitando principalmente de profissionais com formação adequada.
46

Pergunta 1: Assinale quais dos pensadores filósofos abaixo você trabalha suas teorias nas
aulas de filosofia?
( ) Sócrates
( ) Platão
( ) Aristóteles
( ) Descartes
( ) Hegel
( ) Kant
( ) Nietzsche
( ) outros (favor citar)
( )

GRÁFICO 1 Filósofos mais citados pelos professores de Filosofia


Fonte: elaborado pelo autor da pesquisa.

Neste gráfico, fica evidente que o levantamento inicial através de correio eletrônico e
telefonemas, na época da formulação do questionário, foi muito relevante (metodologia da
pesquisa). Além destes sete filósofos mais citados, em torno de sessenta e quatro por cento dos
professores de filosofia citaram mais alguns outros nomes de filósofos, pois o questionário
apresentava a opção de escrever outros nomes. O quadro abaixo demonstra os nomes de outros
filósofos citados e a freqüência que estes nomes apareceram entre os respondentes.
47

Outros filósofos citados Frequência Outros filósofos citados Frequência


Pré socráticos 1 Spinoza 1
Foucault 1 Macintery 1
Voltaire 1 Helena Petrovna 1
Galileu Galilei 1 Tales 1
Bacon 1 Anaximandro 1
Maquiavel 2 Anaxímenes 1
Rousseau 2 Pitágoras 1
Schopenhauer 1 Pirro 1
Mill 1 Parmênides 1
Soutu 1 Zenão 1
Popper 1 Empédocles 1
Heráclito 2 Protágoras 1
Demócrito 2 Górgias 1
Hobbes 2 Heidegger 1
Locke 2 Sartre 1
Montesquieu 1 Agostinho 1
Tomás de Aquino 1 Diderot 1
QUADRO 26 Outros filósofos citados
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa

Constata-se neste quadro a grande variedade de nomes que contribuíram para o avanço
das teorias e sistemas filosóficos que estão sendo utilizados nas aulas de Filosofia. Apesar da
grande variedade, vemos que a frequência com que aparecem não os coloca como sendo uma
unanimidade entre os professores.

Pode ser que isso esteja ocorrendo justamente pelo fato dos professores respondentes
estarem distribuídos entre as três séries do Ensino Médio, acarretando assim abordagens muito
diversas umas das outras, variando além do mais com as características de cada turma.
48

Professor Pergunta 2: Algumas das teorias dos pensadores que você assinalou contribuíram
para o desenvolvimento da Física? Quais teorias?
FILO1 Grande parte deles eram também matemáticos. Não tem como separar a filosofia das
exatas.
FILO2 Não respondeu.
FILO3 Não respondeu.
FILO4 Desenvolvimento da lógica.
FILO5 Galileu Galilei, defensor da cosmologia que se desenvolveu a partir da teoria
heliocêntrica de Copérnico.
FILO6 Aristóteles
FILO7 Operacionalismo científico, transcendência, relativismo, probabilidade, geometria
analítica, mecânica quântica, movimento, falseabilidade entre outros que não os
tenho em mente no momento.
FILO8 Não respondeu.
FILO9 Aristóteles sem sombra de dúvida contribuiu muito para o desenvolvimento da
Física, uma vez que deu as bases do pensamento lógico, estudos sobre o movimento,
etc. No Liceu, dava atenção especial às ciências da natureza. Também René
Descartes a partir do Método Cartesiano. Diria que indiretamente também Helena
Petrovna Blavatsky, uma vez que há referências de que Albert Einstein era leitor
frequente de suas obras.
FILO10 Sim. Origem do Universo, teorias do conhecimento.
FILO11 A reflexão sobre a questão do tempo e do espaço, a questão do ser humano inserido
no contexto onde o ser é somente porque está contextualizado dentro de um
perímetro maior do que o senso comum do viver uma vida sem noção. A questão da
teoria e da prática, onde a física está inserida. O referencial do pensamento, a fim de
compreender o que significa a física e a sua maneira de ver o universo. A questão de
que ciência não é sinônimo de física ou matemática, mas sim de reflexão e de
pensamento organizado dentro de padrões onde a racionalidade humana precisa estar
presente para que a compreensão seja algo mesurável e crítico.
QUADRO 27 Teorias dos pensadores que contribuíram para o desenvolvimento da Física, citados
pelos professores de Filosofia.
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa

Primeiramente, cabe salientar que aproximadamente setenta e três por cento dos
professores de Filosofia afirmaram que têm conhecimento de que os filósofos citados na pesquisa
contribuíram para o desenvolvimento da Física. Em segundo lugar, fica notório também que
muitos deles têm uma boa noção de como foi esta contribuição, pois inclusive detalharam-na.

Esta constatação corrobora como mais uma justificativa de que a Física e a Filosofia,
devido as suas semelhanças, podem ser trabalhadas de forma interdisciplinar.
49

Professor Pergunta 3: Qual sua formação acadêmica?


FILO1 Teólogo, cursando Ciências Sociais na Ulbra.
FILO2 Licenciatura Plena e Bacharelado em Ciências Sociais. Pós graduação em
Sociologia e Política.
FILO3 Licenciatura Plena em Filosofia.
FILO4 História.
FILO5 História
FILO6 Filosofia.
FILO7 Filosofia, graduação e pós-graduação.
FILO8 Licenciatura Plena em Geografia.
FILO9 Graduada em História e Biologia pela UNISINOS. Pós-graduada na área da
Biologia.
FILO10 Pedagogia Habilitação Magistério.
FILO11 Mestrado em filosofia

QUADRO 28 Formação acadêmica dos professores de Filosofia


Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa

Apenas trinta e seis por cento dos professores de Filosofia respondentes à pesquisa têm
formação na área da Filosofia. Uma das explicações possíveis para este fato é a recente
obrigatoriedade desta disciplina no currículo do Ensino Médio, incluindo também que a própria
legislação estadual possibilita que professores de outras áreas ministrem aulas de Filosofia, pelo
menos até o ano de 2012, conforme estabelecido pelo Conselho Estadual de Educação do Rio
Grande do Sul.

Apesar da formação em outras áreas, nota-se que quase cinqüenta por cento dos
professores de Filosofia possuem pós-graduação, o que denota um professor especializado em
alguma área do conhecimento e com provável experiência na área de pesquisa.
50

Professor Pergunta 4: Considerando o conceito apresentado sobre interdisciplinaridade, já


fizeste trabalhos interdisciplinares utilizando a Filosofia? Cite: Como se desenvolveu
este trabalho?
FILO1 Sim, com a História e Sociologia. Um dia na História fizemos um trabalho específico
sobre Idade Média.
FILO2 A filosofia é naturalmente trabalhada de forma interdisciplinar. Filosofia é trabalhada
com conhecimentos [...] envolvendo também geográficos (para estudo por exemplo
de cultura) e física para análise do conhecimento científico da comprovação, dentre
outras disciplinas.
FILO3 Sim, entre alunas do Magistério. Trabalhávamos em conjunto (português, geografia,
filosofia e sociologia), também com o currículo.
FILO4 Sim, história e filosofia. Seminário sobre democracia.
FILO5 Não.
FILO6 Não.
FILO7 Sim. Aplicação da teoria do conhecimento em várias áreas. Trabalho em grupo no
primeiro momento. Estudou-se a influência da filosofia na sociologia, psicologia, na
história, nas artes, nas ciências naturais.
FILO8 Sempre tento unir as demais disciplinas (integração). Procuro dentro da Filosofia
ressaltar aspectos históricos.
FILO9 Com a minha disciplina de formação (História) frequentemente há a interação, assim
como com a Sociologia. Atualmente estou desenvolvendo um trabalho com a
professora de Artes. Não foi nenhum projeto em especial. A interação se dá pela
complementação de um conhecimento em outro. Já com a professora de Artes
estamos trabalhando com a ilustração através de charges, de Silogismos criados pelos
alunos na disciplina de Filosofia, pois estávamos trabalhando com Lógica.
Até esse ano, apenas o 1º ano do Ensino Médio tinha aula de Filosofia. Para 2010
também o 2º ano terá, o que ampliará as possibilidades de trabalho e de interação
com outras disciplinas.
FILO10 Sim. Ensino religioso, artes, sociologia, ciência.
FILO11 Minhas aulas são sempre voltadas para uma idéia interdisciplinar, pois não haveria
razão da filosofia existir para alunos do Ensino Médio se não fosse uma reflexão,
inicial e bastante simplificada é verdade, a partir do seu mundo de estudos e de
conhecimento. 1 aula presencial a cada 15 dias e leituras e fomentos à pesquisa
reflexiva no dia a dia.
QUADRO 29 Trabalhos interdisciplinares realizados por professores de Filosofia
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa
51

As seguintes frases “Sempre tento unir as demais disciplinas...”, “Minhas aulas são
sempre voltadas para uma idéia interdisciplinar...”, “A filosofia é naturalmente trabalhada de
forma interdisciplinar...” demonstram que a interdisciplinaridade vem fazendo parte das aulas de
filosofia o que está condizente com as orientações contidas no PCN+.

Interessante apontar também a diversidade de disciplinas com as quais os professores de


Filosofia estão se envolvendo em trabalhos conjuntos, como: História, Sociologia, Geografia,
Artes, Ciência, Português. Cabe salientar que nenhum professor citou a Física como disciplina
com a qual já tenha realizado algum trabalho de forma interdisciplinar, reforçando ainda mais a
reflexão sobre esta possibilidade.
52

Professor Pergunta 5: Você acha que é possível trabalhar Física e Filosofia em projetos
interdisciplinares?
FILO1 SIM.
FILO2 SIM.
FILO3 NÃO RESPONDEU.
FILO4 SIM.
FILO5 SIM.
FILO6 SIM.
FILO7 SIM.
FILO8 SIM.
FILO9 SIM.
FILO10 SIM.
FILO11 SIM.
QUADRO 30 Possibilidade de trabalhar interdisciplinarmente a Física e a Filosofia, segundo os
professores de Filosofia
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa

Apesar das respostas à pergunta 4 terem demonstrado que nenhum professor de Filosofia
já realizou trabalhos em conjunto com a Física, fica muito claro nas respostas da pergunta
seguinte quanto a esta possibilidade. Aliada ao fato de que muitos professores demonstraram
possuir boas noções sobre a produção científica na área da Física, de vários filósofos, conforme
demonstram as respostas à pergunta nº 2. Evidencia-se não só a possibilidade, mas uma
incipiente prática na prática docente.
53

Professor Pergunta 6: Qual a metodologia que você sugere para trabalhar física junto com a
filosofia (de modo interdisciplinar)? Como? Quais recursos que utilizarias?
FILO1 Poder-se-ia pegar um filósofo e trabalhar a sua teoria e contribuição para ambas as
áreas. Ex: Galileu. Seria um desafio bem importante um trabalho interdisciplinar
entre estas duas áreas, pois elas parecem tão opostas; e o pior é que muitas vezes nós
profissionais de ambas é que fizemos esta “separação e distância”. Mas elas estão
mais próximas do que se imagina e ambos se complementam.
FILO2 Utilizo a física para compreensão do que é ciência, comprovação, conhecimento
científico para compará-lo ao conhecimento do senso comum, por exemplo.
FILO3 Não respondeu.
FILO4 Teoria atômica de Demócrito, aula expositiva com demonstração de imagens.
FILO5 A lógica filosófica.
FILO6 Utilizando exemplos de causas naturais, acho que deveriam ministrar aulas fora da
sala de aula, mostrando exemplo da Natureza.
FILO7 O trabalho interdisciplinar exige várias competências de conhecimento, portanto, o
trabalho é coletivo e fundamentalmente especial. Os recursos variam de acordo com
o propósito a ser trabalhado. Quanto à metodologia, quantitativa, qualitativa,
dialética, hipotética, dedutiva, fenomenológica... vai depender do tipo de trabalho.
FILO8 A filosofia faz uso da lógica (baseia-se em leis, princípio, demonstrações, provas,
etc). Muitos filósofos eram cientistas, matemáticos (Descartes, Pitágoras) etc.
FILO9 Não havia pensado sobre isso ainda. Mas acredito que contextualizando a construção
dos conceitos de Física e o papel que os pensadores da época tiveram para que tal
conhecimento fosse desenvolvido. Penso que seria um caminho. Já pensando na
Física Quântica acredito que novas e interessantes possibilidades se abririam, porém
sinto necessidade de buscar mais formação para efetivar tal proposta.
FILO10 Mostrando aos alunos que tudo teve um começo com os filósofos, que foram os
primeiros teóricos.
FILO11 a) Equiparação de relevância do componente curricular em número de aulas e de
interação de assuntos, pois interdisciplinaridade só pode ocorrer quando um lugar
respeita qualitativa os diferentes modos de ver a vida e de se apropriar do
conhecimento;
b) projetos comuns, onde a linguagem é conceitualmente perpassada entre as duas
áreas;
c) conceitos e prática trabalhados de forma compartilhada;
d) leituras e projetos feitos a partir de referenciais objetivos de ensino e
aprendizagem e não na atual conjuntura do sistema de ensino brasileiro ditado pelo
vestibular.
QUADRO 31 Metodologia e recursos sugeridos por professores de Filosofia
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa
54

As respostas a esta pergunta demonstram as várias formas de como se pode realizar um


trabalho interdisciplinar envolvendo as duas disciplinas. Salientam-se os seguintes procedimentos
sugeridos pelos respondentes:

• Escolher um filósofo e trabalhar a sua teoria e contribuição para ambas as áreas;

• aula expositiva com demonstração de imagens;

• utilizando exemplos de causas naturais [...] ministrar aulas fora da sala de aula,
mostrando exemplo da natureza;

• quanto à metodologia, quantitativa, qualitativa, dialética, hipotética, dedutiva,


fenomenológica... vai depender do tipo de trabalho;

• contextualizando a construção dos conceitos de Física e o papel que os pensadores da


época tiveram para que tal conhecimento fosse desenvolvido;

• projetos comuns, onde a linguagem é conceitualmente perpassada entre as duas áreas;

Sobre a aproximação ou distanciamento das duas disciplinas no Ensino Médio, salienta-se


a a resposta do professor FILO1, quando ele afirma que “[...] seria um desafio bem importante
um trabalho interdisciplinar entre estas duas áreas, pois elas parecem tão opostas; e o pior é que
muitas vezes nós profissionais de ambas é que fizemos esta “separação e distância” [...]”

Outro aspecto interessante levantado em uma das respostas foi a surpresa que um
professor teve ao ser indagado sobre como realizaria trabalhos interdisciplinares entre a Física e a
Filosofia, ele afirmou: “Não havia pensado sobre isso ainda.”. Este mesmo professor havia
comentado em resposta anterior que já tinha realizado trabalhos com a História, Sociologia e
Artes.
55

. Pergunta 7: Você adota livro texto? Qual? Utilizas outros livros para preparação de
Professor suas aulas? Quais são eles?
FILO1 Sim, Fundamentos da Filosofia, Gilberto Cotrin, Ed. Saraiva, e da Marilena Chauí e
outros.
FILO2 Utilizo os módulos (polígrafos) desenvolvidos pela escola.
FILO3 Não adoto livro texto, monto um polígrafo.
FILO4 Utilizo fontes diversas: livros, internet, ensaios, jornais.
FILO5 Para filosofar, livro didático de ensino fundamental e médio.
FILO6 Não, Marilena Chauí, Reale, Marcondes.
FILO7 Não. Utilizo textos originais e/ou montados por mim a partir das ideias dos
pensadores. Tenta-se sempre apreciar (...) eliminando-se a opinião (achômetro).
FILO8 Sim, Filosofia: da Ática.
FILO9 Não. Preparo os textos e os exercícios.
FILO10 Não, os alunos não compram livros e o governo não fornece livros de filosofia para
os alunos. Utilizo os livros do Gilberto Cotrim, Marilena Chauí, Maria Lúcia
Aranha, Maria Helena Martins, Ubaldo Nicola.
FILO11 Utilizo pela primeira vez, este ano, um livro texto. Mas continuo abastecendo meus
alunos com leituras complementares e de cunho investigativo à pesquisa científica.
QUADRO 32 Livros-texto utilizados por professores de Filosofia
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa

A diversidade de respostas à pergunta 7 demonstra as diferentes escolhas dos professores


de Filosofia, o que denota uma grande autonomia no que tange ao modo de preparação das aulas.
Porém, isso também pode ser reflexo de ainda não existir, por parte do governo brasileiro, a
indicação oficial de sugestões de livros didáticos a serem usados nas aulas de Filosofia, o que já
ocorre nas disciplinas de Física, Química, Biologia, Mmatemática, Português, Geografia, História
e Espanhol.

O que existe hoje, como orientação oficial por parte do MEC são os PCNs, que já incluem
a disciplina de Filosofia como componente curricular.

Além da variedade de livros utilizados, apareceram também textos elaborados pelo


próprio professor, apostilas criadas pela escola, uso de jornais, revistas, internet, etc. Talvez esta
diversidade de fontes de consulta evidencie também uma característica importante do estudo da
Filosofia, que é o seu caráter transdisciplinar.
56

4.2 FÍSICA

Professor Dados demográficos


FÍS 1 Escola: ( X ) pública ( X ) privada Ano do Ensino Médio: Não respondeu.
FÍS 2 Escola: ( ) pública ( X ) privada Ano do Ensino Médio: 1, 2, 3
FÍS 3 Escola: ( X ) pública ( ) privada Ano do Ensino Médio: Não respondeu.
FÍS 4 Escola: ( X ) pública ( ) privada Ano do Ensino Médio: Não respondeu.
FÍS 5 Escola: ( X ) pública ( ) privada Ano do Ensino Médio: 1, 2, 3
FÍS 6 Escola: ( X ) pública ( ) privada Ano do Ensino Médio: 1, 2, 3
FÍS 7 Escola: ( ) pública ( X ) privada Ano do Ensino Médio: 1, 2, 3
FÍS 8 Escola: ( ) pública ( X ) privada Ano do Ensino Médio: 1, 2, 3
FÍS 9 Escola: ( ) pública ( X ) privada Ano do Ensino Médio: 1, 2, 3
FÍS 10 Escola: ( X ) pública ( ) privada Ano do Ensino Médio: 1, 2
FÍS 11 Escola: ( X ) pública ( ) privada Ano do Ensino Médio: Não respondeu.
FÍS 12 Escola: ( X ) pública ( ) privada Ano do Ensino Médio: Não respondeu.
QUADRO 33 Dados demográficos de professores de Física
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa

Dentre os doze professores de Física respondentes à pesquisa, cinqüenta e oito por cento
foram de escolas públicas e trinta e três por cento de escolas particulares. Cabe salientar que na
maioria das escolas de Ensino Médio de São Leopoldo existe geralmente mais de um professor de
Física, tendo inclusive, entre os respondentes, uma escola com três professores.
57

Pergunta 1: Assinale quais dos filósofos abaixo você conhece como contribuinte para o avanço
da Física.
( ) Sócrates
( ) Platão
( ) Aristóteles
( ) Descartes
( ) Hegel
( ) Kant
( ) Nietzsche
( ) outros (favor citar)
( )

GRÁFICO 2 Filósofos mais citados entre os professores de Física


Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa

O gráfico apresenta significativos resultados sobre o quanto os professores estão


informados quanto à produção científica destes filósofos, pois conforme se viu em Padovani e
Castagnola (1958), dos quatro filósofos lá apresentados, realmente, Aristóteles e Descartes são os
que possuem maior contribuição no ramo das ciências físicas.

Embora com menos frequência, também foram citados nos questionários. São eles:
Newton, Galileu Galilei, Arquimedes e Einstein. O nome de Newton foi citado por duas vezes,
enquanto os outros apenas uma.
58

Professor Pergunta 2: Algumas das teorias dos pensadores que você assinalou contribuíram
para o desenvolvimento da Física? Quais teorias?
FÍS 1 Existência de uma causa eficiente em toda a mudança; Princípio da ação e reação;
Conservação do movimento.
FÍS 2 Aristóteles – Inércia, queda dos corpos. Descartes – Plano cartesiano, origem do
cálculo diferencial. Kant – Teoria da relatividade.
FÍS 3 Para se chegar a uma teoria passaste pelos questionamentos, então mesmo as teorias
que pouco mantiveram, tem sua validade, pois o homem iniciou os questionamentos
das coisas da natureza.
FÍS 4 Mecânica Clássica (Isaac Newton; Galileu Galilei...)
FÍS 5 Aristóteles para teoria dos corpos, Força.
FÍS 6 Aristóteles: a idéia de que corpos com maior massa, quando em queda livre, chegam
antes no solo. Descartes: a compreensão de um sistema a partir da modelagem das
suas partes.
FÍS 7 Não respondeu.
FÍS 8 A física como ciência que hoje conhecemos não existia na época de alguns filósofos
mencionados acima, como é o caso de Aristóteles. A “filosofia natural”, como era
conhecida, antigamente era baseada em deduções lógicas, e por isso mesmo, muitas
vezes erradas do ponto de vista físico. A experimentação, quando surgiu com
Galileu, começou a pôr fim à inúmeras “concepções errôneas” que ainda eram
adotadas desde a época de Aristóteles. Muitos dos filósofos mais modernos, também
citados acima, contribuíram talvez com trabalhos no campo da lógica e da
matemática (como é o caso de Descartes, com a Geometria), porém não me recordo
se houve alguma contribuição direta destas mentes para um real avanço da física
como a conhecemos hoje, de uma forma mais direta.
FÍS 9 A Física tem por característica a reflexão, portanto, todos os filósofos que abordam
aspectos da Física no intuito de desenvolver o pensamento lógico, contribuem.
Teorias Físicas: Aristóteles e o modelo geocêntrico; Descartes - tentou provar a
existência de Deus por argumentos lógicos. Deve-se a ele a adoção do nome “sistema
cartesiano”, em homenagem a “Renato Cartesius”, seu nome em latim.; Arquimedes
– teoria da flutuação dos corpos em fluidos; Isaac Newton- As três leis de Newton
que regem a mecânica clássica e a gravitação universal que explica os movimentos
dos corpos celestes. Capra - segundo o seu modelo sistêmico, vê o todo como
indissociável; o estudo das partes não permite conhecer o funcionamento do
organismo. As comparações são feitas em vários campos da cultura ocidental atual,
como a medicina, a biologia, a psicologia e a economia.
FÍS 10 Sim. O sistema cartesiano (coordenadas) e as teorias de Aristóteles na matemática,
geometria, etc.
FÍS 11 Sim. Toda a mecânica é baseada em pensamentos de Aristóteles.
FÍS 12 Não respondeu.
QUADRO 34 Pensadores que contribuíram para o desenvolvimento da Física, segundo os
professores de Física.
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa
59

Interessante ressaltar o nível de detalhamento de algumas respostas, o que demonstra


haver algum tipo de envolvimento já existente entre o professor de Física e a produção científica
destes filósofos.

Outro aspecto importante é o de que várias respostas não remetem especificamente sobre
alguma descoberta científica, mas sim sobre a discussão do método aplicado para se chegar ao
conhecimento científico.
60

Professor Pergunta 3: Qual sua formação acadêmica?


FÍS 1 Licenciatura plena em física.
FÍS 2 Licenciatura plena em física.
FÍS 3 Licenciatura plena em física.
FÍS 4 Engenharia Elétrica e Licenciatura plena em física.
FÍS 5 Licenciatura plena em física.
FÍS 6 Licenciatura plena em física. Mestre em computação científica.
FÍS 7 Ciências – Habilitação Física
FÍS 8 Licenciatura plena em física e cursando pós-graduação em nível de
especialização.
FÍS 9 Ensino Superior em Bacharelado em Física e licenciatura pela UFRGS
FÍS 10 Engenharia Mecânica e Formação Pedagógica com habilitação para Física
FÍS 11 Licenciatura plena em física.
FÍS 12 Licenciatura plena em matemática.
QUADRO 35 Formação acadêmica dos professores de Física
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa

Impressiona positivamente a constatação que mais do que noventa por cento dos
professores de Física que responderam à pesquisa, possuem sua formação na área de Física.
Alguns, inclusive, com mais de uma graduação e também com algum tipo de pós-graduação. Este
fato reforça a conclusão de Gobara e Garcia (2007) em relação ao crescimento do número de
formandos nos cursos de licenciatura em Física no Brasil nos últimos anos.

É relevante também o fato de que a formação adequada do professor colabora ainda mais
para a prática de uma interdisciplinaridade, visto que ela pressupõe o domínio do professor de sua
própria disciplina.
61

Professor Pergunta 4: Considerando o conceito apresentado sobre interdisciplinaridade, já


fizeste trabalhos interdisciplinares utilizando a Filosofia? Cite: Como se desenvolveu
este trabalho?
FÍS 1 Comparação entre a Física Newtoniana e a Aristotélica. Através de seminário.
FÍS 2 Não.
FÍS 3 Sim. Filosofia, português e física. (Aula) formular texto sobre formação do Universo,
um grupo pró teoria do Big Bang, outro pró visão eclesiástica – português corrigiu o
texto – filosofia e física apresentaram os trabalhos.
FÍS 4 Realizar experiências em grupo; relatos através de revistas. Escolher um assunto,
investigar, testar, criar situações favoráveis de observação, eliminando fatores que
prejudiquem a análise do fenômeno estudado e posterior relato.
FÍS 5 Não.
FÍS 6 Mostra de cinema e filosofia. Veja a descrição em mittmann.blogspot.com
FÍS 7 Não.
FÍS 8 Não.
FÍS 9 Nenhum foi feito.
FÍS 10 Não.
FÍS 11 Não.
FÍS 12 Não.
QUADRO 36 Trabalhos interdisciplinares já realizados por professores de Física utilizando a
Filosofia
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa

Entre os respondentes, 40% dos professores já fizeram algum tipo de trabalho que
consideram interdisciplinar com a filosofia. Considerando que fazem menos do que 2 anos da
entrada da Filosofia no currículo do Ensino Médio, esta constatação reforça ainda mais a
possibilidade de trabalhos interdisciplinares entre a Física e a Filosofia.

Impressiona positivamente a variedade de trabalhos diferentes: comparações entre teorias;


formulação de textos sobre algum tema; defesa em debates sobre teorias contrárias; utilização do
cinema, etc.
62

Professor Pergunta 5: Você acha que é possível trabalhar física e filosofia em projetos
interdisciplinares?
FÍS 1 SIM.
FÍS 2 SIM.
FÍS 3 SIM.
FÍS 4 SIM.
FÍS 5 SIM.
FÍS 6 SIM.
FÍS 7 SIM.
FÍS 8 SIM.
FÍS 9 NÃO.
FÍS 10 SIM.
FÍS 11 SIM.
FÍS 12 NÃO.
QUADRO 37 Possibilidade de trabalhar interdisciplinarmente a Física e a Filosofia, segundo os
professores de Física
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa

Nas respostas à pergunta 5, fica ainda mais evidente que já existe uma conscientização da
possibilidade do trabalho interdisciplinar entre a Física e a Filosofia. Aliás, analisando as
respostas das perguntas 4 e 5 de forma conjunta, torna-se muito claro que esta questão não está
presente somente como intenção e possibilidade, mas sim como uma realidade da prática
pedagógica.

O que talvez ainda falte entre o corpo docente é justamente a iniciativa do começar algo
novo. Uma barreira natural que pode ser vencida através das trocas de experiências entre os
próprios professores.
63

Professor Pergunta 6: Qual a metodologia que você sugere para trabalhar física junto com a
filosofia (de modo interdisciplinar)? Como? Quais recursos que utilizarias?
FÍS 1 Pesquisa e seminário.
FÍS 2 Nas aulas de filosofia, poderia ser trabalhado as ideias dos pensadores e na física as
consequências de tais pensamentos.
FÍS 3 Grupos – questionamentos sobre coisas da natureza – separar em grupos defendendo
diferentes pontos de vista. Objetivo: Aprender a argumentar; redação de textos;
aceitar opiniões; aprender a convencer.
FÍS 4 Não respondeu.
FÍS 5 Trabalhos de pesquisa orientados envolvendo as duas disciplinas, propondo temas
que tivessem relação comum entre as duas disciplinas utilizando internet, biblioteca
para pesquisa de livros.
FÍS 6 Aula expositiva e dialógica, com proposta de trabalho que provoque a interação
física-filosofia.
FÍS 7 Relacionando filósofos à teorias físicas. Acho importante que o aluno saiba da teoria
inicial sobre conceitos físicos para que perceba o avanço da ciência.
FÍS 8 Poderia ser abordada a parte histórica com alguns filósofos / cientistas, seus métodos
de pesquisa e a lógica utilizada para se chegar a tal conclusão.
FÍS 9 1 - Nas aulas de física comentam-se teóricos físicos que tem pensamentos filosóficos
ou influenciaram no pensamento da humanidade. Ex. Newton(1981): “Para descobrir
todos os fenômenos que deseja, basta ao sábio três coisas: pensar, pensar, pensar.
2 - Os professores de física, em regra, não possuem formação para discutir as teorias
filosóficas e, sim, Físicas.
FÍS 10 Não respondeu.
FÍS 11 Como metodologia, sugiro fazer com que os alunos pesquisem sobre os pensadores,
conhecendo sua história de modo a perceber as semelhanças entre estas duas
ciências. Poderiam ser feitos slides e apresentações em grupo onde seria contado um
pouco da história destes filósofos.
FÍS 12 Não faria, pois não sei nada de filosofia.
QUADRO 38 Metodologia e recursos didáticos sugeridos pelos professores de Física
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa

As respostas a esta pergunta são muito ricas no que concerne ao dia a dia da prática
pedagógica do professor. São sugestões claras de como se pode realizar um trabalho
interdisciplinar envolvendo as duas disciplinas. Destacam-se as seguintes sugestões:

• Pesquisa e seminário;

• Separar em grupos defendendo diferentes pontos de vista;


64

• Trabalhos de pesquisa orientados envolvendo as duas disciplinas, propondo temas que


tivessem relação comum entre as duas disciplinas utilizando internet, biblioteca para
pesquisa de livros;

• Aula expositiva e dialógica, com proposta de trabalho que provoque a interação física-
filosofia;

• Relacionando filósofos teorias físicas;

• Poderia ser abordada a parte histórica com alguns filósofos / cientistas, seus métodos
de pesquisa e a lógica utilizada para se chegar a tal conclusão;
65

Professor Pergunta 7: Você adota livro texto? Qual? Utilizas outros livros para preparação de
suas aulas? Quais são eles?
FÍS 1 Utilizo livro didático.
FÍS 2 Física – Alberto Gaspar; Física – Beatriz Alvarenga; Física – Bonjorno; Os
fundamentos da Física – Ramalho.
FÍS 3 Basicamente livros de física do Ensino Médio. Em casa, jornais, livros e filmes para
atualização.
FÍS 4 Os alunos receberam livro de física para utilizar em casa, resolvendo exercícios e
pesquisando, ou seja, é utilizado como complemento do que é visto nos dois períodos
semanais.
FÍS 5 Não adoto livro texto e utilizo os seguintes livros: Física, único, Wilson Carron e
Osvaldo Guimarães, 2003; Física, único, José Bonjorno, Clinton Ramos, 2005 e
Física, 1, 2 e 3, Halliday.
FÍS 6 Livro texto: Física-Ciência e tecnologia, Penteado e Torres. Outros: Física,
Bonjorno; Física, Alvarenga e Máximo.
FÍS 7 Sim. Adotamos Física Fundamental – Bonjorno e Clinton. Utilizo apenas para
exercícios.
FÍS 8 Utilizo o livro texto do Sampaio & Calçada, intitulado Física (volume único) da
editora Atual. Também faço uso de diversos livros, de autores diferenciados, para
preparar as aulas e para servir de apoio para questões a serem resolvidas juntamente
com os alunos.
FÍS 9 Não, preparei um polígrafo próprio, pois percebi que a ordem dos conteúdos nos
livros não era adequada à capacidade de abstração e compreensão dos alunos.
FÍS 10 Vários. Utilizo um padrão para as aulas e não costumo fazer preparações. Na 1ª série
atualmente disponho de um único período semanal para o conteúdo de Física, o que
torna muito restritas as aulas. Os alunos apresentam sérias deficiências na base para
os cálculos e isto torna bastante difícil a tarefa de ensinar a matéria. Considero um
sucesso quando consigo que compreendam os conceitos e cálculos de cinemática e as
Leis de Newton. Já na segunda série sim, com 2 períodos semanais se tem mais
condições de transmitir conhecimentos de hidrostática, termologia, gases, etc. Mas
mantenho um padrão das aulas e confesso que não invisto tempo extra, preparando
novas aulas.
FÍS 11 Sim, utilizo Paulo Cesar Penteado e Carlos Torres da editora Moderna. Com certeza
utilizo outras bibliografias, gosto bastante dos livros de Beatriz Alvarenga, Alberto
Gaspar e gosto dos exercícios do Bonjorno da editora FTD.
FÍS 12 Sim. Física, Ciência e Tecnologia – Ed. Moderna e Beatriz Alvarenga.
QUADRO 39 Livros-texto utilizados por professores de Física
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa
66

Baseado nas respostas acima, que demonstram uma grande variedade de títulos usados,
foi construído o seguinte quadro resumo para melhor visualização.

AUTOR TÍTULO Frequência


Alberto Gaspar; Física 2
Beatriz Alvarenga e Antônio
Máximo Física 4
José Bonjorno e Clinton Ramos Física 5
Ramalho Os fundamentos da Física 1
Wilson Carron e Osvaldo
Guimarães Física 1
Halliday – Resnick Fundamentos de física 1
Penteado e Torres Física-Ciência e tecnologia 3
Sampaio & Calçada Física 1
QUADRO 40 Resumo da relação de livros adotados por professores de Física
Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa

Cabe ainda ressaltar que no ano de 2006, pela primeira vez, o MEC divulgou a lista de
livros didáticos aprovados em sua avaliação, dentro do Programa Nacional do Livro Didático
para o Ensino Médio (PNLEM), criado pela Resolução nº 38 do seu conselho deliberativo, datada
de 15/10/2003.
.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

A interdisciplinaridade é um conceito discutido há várias décadas. Muitos pesquisadores,


das mais diversas áreas do conhecimento humano, realizam estudos acerca de sua utilidade, sua
aplicabilidade, seus ganhos e perdas. Na educação, este tema é de grande relevância também,
visto que a compartimentalização do conhecimento, tentando criar cada vez mais a figura do
especialista, tem sido o foco de muitos questionamentos quanto a sua eficácia na colaboração à
busca dos problemas da humanidade.

Neste trabalho de pesquisa, buscou-se investigar e discutir a possibilidade de um trabalho


interdisciplinar entre a Física e Filosofia no Ensino Médio. Afinal, o retorno oficial ao currículo
escolar de uma disciplina como a Filosofia, devido às suas particularidades, não pode deixar de
ser analisado quanto à sua influência nas outras disciplinas, principalmente na Física, pois suas
origens se confundem ao longo da história da humanidade.

Em decorrência da incipiente mudança curricular, fez-se necessário ir a campo verificar,


diretamente com os professores, como a Filosofia vem sendo trabalhada, aproveitando-se este
recurso para, também, começar uma busca de pontos em comum com a Física ensinada no Ensino
Médio.

Através da coleta de dados via questionários, ficou muito evidente o real interesse dos
professores de ambas as disciplinas no aproveitamento dos pontos em comum da Física e da
Filosofia, visando um trabalho interdisciplinar.

Com os resultados disponíveis, a pesquisa bibliográfica sobre os filósofos citados nos


questionários como os grandes colaboradores para a evolução da Física foi o passo seguinte na
busca da afirmação de que através destes filósofos-físicos, ou físicos-filósofos, os professores
pudessem se aproximar, a fim de caminharem juntos rumo a um entendimento integral do homem
que faz ciência, dentro de um contexto histórico.
68

A pesquisa bibliográfica comprovou que muitos filósofos eram também considerados


matemáticos, físicos, químicos, etc. Demonstrando assim, de forma clara, o quanto realmente a
Física origina-se da Filosofia e que esta relação não acabou e que, pelo contrário, continuará
sempre devido ao fato de ambas compartilharem da lógica e da razão.

Não se pode deixar de comentar sobre as dificuldades existentes nesta pesquisa,


principalmente no que concerne ao trabalho de campo, pois num sistema de ensino onde
praticamente não existem horas livres para os professores dentro das escolas, depender da
colaboração dos profissionais fora de seu horário de trabalho deixa a pesquisa numa posição
ainda mais delicada do ponto de vista de receber de volta os questionários respondidos.

Outra dificuldade existente foi o cruzamento de informações acerca dos filósofos citados
no questionário e suas contribuições para a Física. Ao longo do período deste trabalho, foram
pesquisadas dezenas de artigos, livros, revistas e internet, tendo como resultado os quadros
localizados no item que trata da física, dos PCNs e de alguns filósofos. Apesar das dificuldades
em encontrar este material, o resultado foi muito gratificante, pois nele estão contidas várias
referências bibliográficas que podem vir a ajudar os professores no seu fazer pedagógico em sala
de aula.

Ao todo foram vinte e uma escolas convidadas a participarem da pesquisa, sendo que
quatro se negaram, alegando falta de tempo. Foram dezessete escolas que receberam os
questionários, dentre as quais, onze foram representadas por seus professores ao responderem os
questionários, totalizando um público de vinte e três professores, distribuídos entre a rede de
ensino pública e a rede privada da cidade de São Leopoldo.

Sabe-se da limitação deste trabalho, visto que aspectos importantes como a historicidade
no ensino de Física e a própria formação de professores não foram levantados, mas cabe também
ressaltar que contribuições relevantes foram realizadas no âmbito da interdisciplinaridade, no
conhecimento dos PCNs, na demonstração de uma parcela significativa da realidade de
professores de Física e Filosofia no município de São Leopoldo.
69

As sugestões de como realizar trabalho interdisciplinar envolvendo a Física e a Filosofia,


apresentadas pelos professores de ambas as disciplinas (Quadros 31 e 38), além de representarem
uma importante contribuição para este estudo, também permitem que se responda ao problema
formulado inicialmente e que norteou os rumos desta pesquisa.

Com relação aos objetivos traçados, pode-se afirmar que foram plenamente cumpridos,
pois no decorrer do trabalho foram listados os principais filósofos utilizados em aulas de
Filosofia no Ensino Médio, relacionadas as contribuições de cada um deles para o
desenvolvimento da Física e, também, demonstrada a importância de se trabalhar a
interdisciplinaridade entre a Física e a Filosofia.

Cabe destacar, ainda, que este trabalho representou muito mais do que o simples
cumprimento de exigências curriculares. De parte deste formando, faz-se necessário revelar a
grande satisfação na realização desta pesquisa, por ter que caminhar por caminhos
desconhecidos, envolvendo duas disciplinas que vão muito além dos bancos escolares, pois se
fazem presentes no dia a dia do ser humano. Para encerrar, destaca-se a seguinte frase dita por um
professor ao ser indagado sobre o trabalho interdisciplinar entre a Física e a Filosofia “Não havia
pensado sobre isso ainda.”
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Artigo. Revista Brasileira de Ensino de Física. v.25, n.1. São Paulo, 2003.

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possível. Artigo. Revista Educação. UNISINOS. mai/ago.2008

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BRASIL. Lei nº 11.684/2008 - Altera o art. 36 da Lei Federal nº 9.394/1996, que estabelece as
diretrizes e bases da educação nacional, para incluir a Filosofia e a Sociologia como disciplinas
obrigatórias nos currículos do Ensino Médio. DOU de 3.06.2008

CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO RIO GRANDE DO SUL. Comissão de Ensino


Médio e Educação Superior. Parecer 322/2007. Manifesta sobre a inclusão obrigatória de
Filosofia e Sociologia no currículo do ensino médio, a partir do início do ano letivo de 2008, no
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PONCZEK, Roberto Leon. A polêmica entre Leibniz e os Cartesianos: MV ou MV²? - Artigo.


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72

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http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/CienciasHumanas.pdf

em http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/Megahist-filos/D-PLATAO/6316y174.html
73

APÊNDICE 01
PESQUISA ENTRE PROFESSORES DE FILOSOFIA
Escola: ( ) pública ( ) privada Ano do ensino médio: Email:
1 - Assinale quais dos pensadores filósofos abaixo você trabalha suas teorias nas aulas de filosofia?
( ) Sócrates
( ) Platão
( ) Aristóteles
( ) Descartes
( ) Hegel
( ) Kant
( ) Nietzsche
( ) outros (favor citar)
( )
( )
2 – Algumas das teorias dos pensadores que você assinalou acima contribuíram para o desenvolvimento da
Física? Quais teorias?

3 - Qual sua formação acadêmica?


______________________________________________________________________________________

Na visão de Japiassú, o trabalho interdisciplinar nasce de um propósito em comum entre no mínimo


duas disciplinas, em que os participantes do projeto buscam ir além de seus limites a fim de conseguirem
adentrarem de alguma forma nos limites da outra disciplina.

4 – Considerando o conceito acima, já fizeste trabalhos interdisciplinares utilizando a filosofia?


Cite:__________________________________________________________________________________
Como se desenvolveu este trabalho?_________________________________________________________
______________________________________________________________________________________

5 – Você acha que é possível trabalhar Física e Filosofia em projetos interdisciplinares?


( ) SIM ( ) NÃO

6 – Qual a metodologia que você sugere para trabalhar a Física junto com a Filosofia (de modo interdisciplinar)?
Como? Quais os recursos que utilizarias?_______________________________________
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
7 – Você adota livro texto? Qual? Utilizas outros livros para preparação de suas aulas? Quais são eles?
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
74

APÊNDICE 02
PESQUISA ENTRE PROFESSORES DE FÍSICA
Escola: ( ) pública ( ) privada Ano do ensino médio: Email:
1 - Assinale quais dos filósofos abaixo você conhece como contribuinte para o avanço da Física.
( ) Sócrates
( ) Platão
( ) Aristóteles
( ) Descartes
( ) Hegel
( ) Kant
( ) Nietzsche
( ) outros (favor citar)
( )
( )
2 – Algumas das teorias dos pensadores que você assinalou acima contribuíram para o desenvolvimento da
Física? Quais teorias?

3 - Qual sua formação acadêmica?


______________________________________________________________________________________

Na visão de Japiassú, o trabalho interdisciplinar nasce de um propósito em comum entre no mínimo


duas disciplinas, em que os participantes do projeto buscam ir além de seus limites a fim de conseguirem
adentrarem de alguma forma nos limites da outra disciplina.

4 – Considerando o conceito acima, já fizeste trabalhos interdisciplinares utilizando a filosofia?


Cite:__________________________________________________________________________________
Como se desenvolveu este trabalho?_________________________________________________________
______________________________________________________________________________________

5 – Você acha que é possível trabalhar Física e Filosofia em projetos interdisciplinares?


( ) SIM ( ) NÃO

6 – Qual a metodologia que você sugere para trabalhar a Física junto com a Filosofia (de modo interdisciplinar)?
Como? Quais os recursos que utilizarias?_______________________________________
______________________________________________________________________________________

7 – Você adota livro texto? Qual? Utilizas outros livros para preparação de suas aulas? Quais são eles?
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
75

APÊNDICE 03

Nº ESCOLA ESTADUAL TELEFONE CONTATO EMAIL


1 ESC TECNICA EST VISCONDE DE SAO LEOPOLDO - AGRÍCOLA 3588-2175 Supervisora Rosane Lau 22/ago
2 ESC ENS MEDIO CRISTO REI 3592-2991
3 ESC EST ENS MED VILLA LOBOS 3592-2209 Coordenadora Raquel 22/ago
4 INST EST EDUC PROF PEDRO SCHNEIDER 3592-6044 Prof. Juliano 20/ago
5 ESC EST ENS MED PROFESSORA HELENA CAMARA 3590-5553 Diretor Anderson ou Maria Helena 22/ago
6 ESC EST ENS MED PROF HAYDEE MELLO ROSTIROLLA 3588-3820 Coordenador Gilberto
7 ESC EST ENS MED POLISINOS 3588-4544 Supervisora Cláudia
8 ESC EST ENS MED OLINDO FLORES DA SILVA 3568-2448 Coordenadora Liane 20/ago
9 ESC EST ENS MED JUNTO AO CAIC MADEZATTI 3588-6702 Diretora Iara 22/ago
10 ESC EST ENS MED EMILIO SANDER 3568-1799 Coordenadora Tatiane - eja 20/ago
11 ESC EST ENS MED AMADEO ROSSI 3590-4964 Supervisora Vânia 22/ago
12 ESC TECNICA EST FREDERICO GUILHERME SCHMIDT 3592-1795
13 ESC EST ENS MED PARQUE DO TRABALHADOR 3590-5553

Nº ESCOLA PARTICULAR TELEFONE CONTATO EMAIL


14 ESCOLA ENSINO MÉDIO SINODAL 3592-1584 Coordenadora Merlinde 22/ago
15 COLÉGIO SÃO LUIS 3037-1692 Supervisora Neiva
16 COLÉGIO SÃO JOSÉ 3592-1575 Supervisora Cíntia 22/ago
17 COLEGIO PROF GUSTAVO SCHREIBER 3592-1058 Orientadora Marlene
18 COL EVANGELICO DIVINO MESTRE 3568-1583 Coordenadora Karen 20/ago
19 COL LUTERANO CONCORDIA 3592-9611 Coordenadora Leandre 22/ago
20 COLEGIO CIENTIFICO PORTO SEGURO 3037-7877 Coordenadora Carla Scherer 20/ago
21 INSTITUTO RIO BRANCO 3592-1428
21 CETEMP 3579-5900