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Grounded

Up in the Air Series #3
R. K. Lilley


Sinopse:
A história de James e Bianca chega ao fim, em uma conclusão explosiva da trilogia Up In
The Air.

Depois de um namoro sério, mas curto, Bianca já não pode negar os seus sentimentos por
James, e embora ela tenha lutado muito, não pode mais evitar os seus sentimentos, mas ela
sabe também que ele se preocupa profundamente com ela. Em um salto de fé, ela decide
colocar de lado todas as suas dúvidas e viver com o bilionário enigmático. É o começo de
algo maravilhoso, ou as coisas estão acontecendo muito, muito rápido? Com James e Bianca
sentindo uma necessidade crescente de ficar juntos, que não pode mais ser negado, surgem
novas circunstâncias alheias, tentando separá-los. Em meio a ameaça de um monstro que
quer Bianca morta e as armadilhas constantes do passado indiscreto que James não
consegue escapar, esses dois amantes apaixonados conseguirão encontrar o seu felizes para
sempre?




























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Lei nº 9610/ 1998.

Maio/2013


















Este livro é dedicado a todos os
blogueiros e leitores maravilhosos
que saíram de seu caminho para
espalhar a palavra sobre esses livros.
Eu sou eternamente grata. Vocês
mudaram a minha vida.






CAPÍTULO UM
Sr. Cavendish

Nós aceleramos em direção a Manhattan, com o vidro de privacidade do
carro fechado. Stephan e Javier sentaram juntos, apertando as mãos, com os
olhos fixos em mim com preocupação. James me abraçou contra ele, suas
mãos reconfortantes enquanto me acariciava.
Eu descobri há poucos dias atrás, que meu pai havia se casado
novamente após a morte de minha mãe. Na cauda dessa revelação, eu havia
descoberto que eu tinha um meio-irmão, que era apenas um ano mais novo
do que eu. Isso significava que o meu pai tinha se encontrado com esta outra
mulher anos antes que minha mãe tivesse morrido. Antes que ele a tivesse
matado.
Eu não gostei daquela mulher que meu pai havia se casado, Sharon. Na
verdade, eu sentia um arrepio frio de desgosto atravessar o meu corpo, apenas
com o pensamento dela.
Eu acabei de descobrir que ela foi assassinada ontem à noite, e da
mesma forma que minha mãe tinha sido. Eu não tinha gostado da mulher,
mas desde que eu tinha descoberto a sua existência, senti a necessidade de
avisá-la sobre o meu pai. Eu queria garantir que ela soubesse em primeira
mão, o quão abusivo e violento ele era, eu queria avisá-la exatamente do que
ele era capaz de fazer, apenas para deixar a minha consciência tranquila.
Eu já havia tentado, por diversas vezes, conseguir falar com ela, mas eu
não tive sorte. Lógico ou não, eu sentia uma culpa esmagadora pelo meu
fracasso. James pareceu sentir a minha agitação interna, e tentou me consolar
com o seu toque.
Ele apenas me segurou por alguns minutos, antes de romper o silêncio
pesado que tinha alcançado todos nós. — Será que vocês gostariam de tomar

café da manhã em um restaurante ou em nosso apartamento? — Seu tom era
educado.
Stephan não hesitou. — Seu apartamento. Eu vi uma reportagem sobre
ele em uma revista de design de interiores há algumas semanas atrás. Eu
estou ansioso para fazer um tour.
James assentiu. — Ótimo! — Ele olhou para o relógio. — Infelizmente,
eu tenho apenas uma hora, então preciso voltar ao meu escritório.
Eu endureci, me sentindo excessivamente desapontada com a notícia,
apesar de que eu ainda nem tinha certeza se ele estaria lá para nos encontrar
no aeroporto. Ele havia mencionado várias reuniões hoje, mas eu ainda não
conseguia deixar de me sentir decepcionada que não iríamos ficar mais tempo
juntos, antes que ele tivesse que voltar para o trabalho.
Ele pareceu sentir a mudança em mim e começou a esfregar minhas
costas confortavelmente. Ele falou baixinho para mim. — Eu consigo resolver
as coisas no meu trabalho até às 16hs, e voltar para o apartamento, ainda
assim eu amaria se você viesse ao escritório para almoçarmos juntos.
Digamos por volta das onze? Eu...
— Eu estarei lá. — eu disse a ele rapidamente, querendo qualquer tempo
a mais que pudéssemos ter juntos.
Eu me sentia carente dele, como se tivéssemos sido separados por
semanas ou meses, em vez de dias. Eu nunca estive tão desesperada assim,
nem mesmo durante o tempo que eu o tinha afastado, por quase um mês. Eu
pensei que estava mais desesperada, porque agora eu tinha me permitido
começar a pensar que ele e eu poderíamos realmente ter um futuro juntos. O
pensamento tanto me animou, como fez torcer o meu estômago com uma
ansiedade aguda.
Ele beijou o topo da minha cabeça, mas não disse mais nada sobre isso.
Deixamos Stephan e Javier conversarem animadamente sobre seus planos
para o dia, que incluíam uma corrida no Central Park e um show da
Broadway, apesar de não conseguirem decidir sobre qual show iriam.
— Vocês se importam se eu fizer as reservas para nosso jantar mais
cedo? Eu vou escolher um bom lugar, apesar de que pode ser um julgamento
parcial, uma vez que provavelmente será meu. — James sorriu, aquele sorriso
auto-depreciativo, que eu sempre quis traçar com meus dedos.

Stephan e Javier concordaram com entusiasmo. Eu pensei que era doce
da parte dele pensar em fazer isso, mas eu me senti um pouquinho
desapontada. Eu queria um tempo a sós com ele, e até mesmo poucas horas a
mais de espera pareciam uma tortura.
Clark nos levou até o elevador na garagem subterrânea, sem precisar ser
avisado, me dando um sorriso muito amigável, quando James me ajudou a
sair do carro. Eu sorri de volta. O Motorista e guarda-costas de James estava
aparentemente satisfeito com o nosso retorno. Eu pensei que era bom ele,
aparentemente, me aprovar.
Stephan estava inquieto e empolgado, enquanto o elevador subia até a
cobertura.
James nos deu um tour um pouco apressado pelo opulento espaço,
fazendo questão de mostrar todos os ambientes que agora ostentavam minhas
pinturas. Eu ficava vermelha cada vez que ele fazia isso, ainda desconfortável
com elogios, sobre o meu lazer favorito.
O lugar era moderno e elegante, com o toque pessoal de design
Cavendish no apartamento inteiro. Eu já tinha visto tudo isso antes, e ainda
assim, continuava impressionada.
Ele nos levou por um longo corredor, o chão completamente revestido
de madeira moderna e cinza, até terminar na sala de jantar intimidante.
Stephan e Javier imediatamente caminharam até a janela que se
estendia por quase toda a parede da sala, e tinha uma vista espetacular do
Central Park.
— Uau! — Javier disse calmamente.
— Incrível. — Stephan suspirava.
Caminhei até a janela ao lado de Stephan, igualmente impressionada,
com a vista agora familiar.
James me abraçou por trás, inclinando-se na minha orelha.— Eu
preciso ir. Sua segurança estará esperando no elevador às 10:30hs para leva-
la ao meu escritório. Se você precisar ir a algum lugar antes disso, basta ligar
para o número da segurança em seu telefone.

A porta da cozinha se abriu, e Marion apareceu sorrindo. Ela pegou
nossos pedidos de café da manhã, e alegremente se apressou de volta para a
cozinha.
— Vem comigo? — James perguntou baixinho, a boca ainda colada no
meu ouvido.
Eu tremi, concordando.
James se despediu de Stephan e Javier, me puxando, rapidamente, da
sala.
Ele pegou um atalho para o elevador. Ou melhor, eu pensei que fosse
um atalho, até mesmo porque ele estava me puxando em uma pequena área
de estar.
Eu mal tive tempo de olhar para a sala vagamente familiar, antes que ele
fechasse a porta, me esmagando contra ele, me beijando como se sua vida
dependesse disso. O beijo não tinha nada da sua finesse, e nem um pingo de
seu controle. Era um beijo bruto, um beijo dolorido, e eu me alegrava com
isso. Eu o teria beijado de volta, mas não era esse tipo de beijo.
Tudo o que eu podia fazer era suavizar a minha boca para ele — todo o
meu corpo suavizado.
Ele se afastou abruptamente.
Eu gemi um protesto.
Ele colocou uma mão em volta do meu pescoço, apertando apenas o
suficiente para me fazer suspirar, a outra mão indo a minha boca. Ele
pressionou apenas um dedo sobre meus lábios. — Eu tenho que ir. Mas eu
preciso de você. Me prometa que você irá ao meu escritório às onze.
Eu encarei seus belos olhos, procurando algo ali. Seu rosto e sua voz
estavam em carne viva com a necessidade. E medo.
— Eu disse que estaria lá. — eu disse a ele, não sabendo por que ele
precisava de mim, ou como tirar aquele olhar terrível de seus olhos.
— Me prometa. — ele disse baixinho, a voz próxima o suficiente de um
pedido, para fazer meu peito doer.
— Eu prometo. — eu disse baixinho.

Ele apenas acenou com a cabeça, o rosto dolorosamente solene. Ele me
puxou atrás dele, e eu o segui até o elevador.
Ele apertou o botão, me puxando em seu peito enquanto esperava
chegar. Não foi por acaso que ele apertou minha bochecha sobre seu coração.
Direto sobre o lugar onde ele tinha tatuado o meu nome em vermelho.
Ele não me beijou novamente. Na verdade, ele mal olhou para mim. Sua
máscara profissional estava presente, quando a porta do elevador fechou no
meu último vislumbre dele.
Eu voltei para a sala de jantar com os pés pesados.
Nós terminamos nosso café da manhã rapidamente, todos nós prontos
para uma soneca.
Stephan e Javier ficaram no andar abaixo do meu quarto com James,
alinhados com a visão perfeita do Central Park. Eu os levei até à sua porta,
dando um beijo superficial em Stephan, antes de ir até o quarto que eu dividia
com James. Eu podia ouvir as suas exclamações espantadas e animadas,
quando estava saindo, e eu sorri com carinho. Esse era o maior benefício da
riqueza, pensei. Fazer os outros felizes.
Eu fiz o meu caminho até o nosso quarto solitário.
Eu fiquei congelada na porta do nosso quarto por longos momentos, me
sentindo tão estranha em ficar lá sem James. Ele parecia tão vazio e estranho.
Eu fiz o mínimo necessário para me preparar para deitar, rastejando na
cama só depois que eu tinha, cuidadosamente, acionado o alarme. Eu iria
tirar uma soneca rápida, mas valeria a pena para encontrar James em poucas
horas.
Eu acordei grogue e desorientada, mas quando o nevoeiro se dissipou
do meu cérebro, e eu percebi onde eu estava, e que estaria vendo ele em
apenas uma hora, o nevoeiro se dissipou completamente, e eu corri para o
chuveiro, nervosa e animada.
Meu telefone tocou uma mensagem para mim, quando retornei ao
quarto, eu fui até ele para ler, ainda envolta em uma toalha.
James: Use uma saia.
Era um pedido bastante inocente, simples até, mas como partiu de
James, foi o suficiente para minha respiração ficar presa em antecipação. Eu

não sabia exatamente o que seria possível fazer em seu escritório, então
mantive o pensamento de apenas um almoço inocente, embora,
naturalmente, eu esperasse por mais. Meu humor subiu quando fiquei pronta,
a emoção pulsando através de mim. Ele tinha planos para mim, eu apenas
sabia disso.
Eu tentei não ficar intimidada com meu novo guarda-roupa, e procurei
por uma saia. Aquelas marcas, porém, eram algo que jamais conseguiria
comprar com meu dinheiro, por isso era difícil eu não pensar no fato de que
eu estava deixando James gastar uma fortuna comigo. Eu estava contando
minhas moedas por tanto tempo, que eu não podia evitar em achar que tudo
aquilo era um pouco de desperdício. Metade do seu closet colossal estava
agora cheio de roupas de grife femininas extremamente caras. Não havia
maneira alguma de que ele não tivesse gasto dezenas de milhares de dólares
naquilo.
Eu sabia que era bobagem, mas de alguma forma a roupa me
intimidavam ainda mais do que todas as jóias com diamantes que ele tinha
necessidade em me proporcionar. Sim, isso era bobagem, mas o fato é que eu
sabia o suficiente sobre roupas para ter uma ideia de quanto aquelas marcas
valiam, ao passo que o meu conhecimento sobre o preço de jóias era além de
insignificante.
A roupa estava toda separada em estilos e com os acessórios. Eu teria
ficado mais grata por essa conveniência, se eu não soubesse que isso tinha que
ser trabalho de Jackie. Eu não era exatamente uma fã dela.
Eu rapidamente peguei um confortável vestido azul celeste de seda que
aparentava ser confortável. Eu tentei não olhar para a marca, mas não deu
certo, já que a etiqueta Coleção Armani praticamente pulava em mim.
Eu coloquei meu sutiã e calcinha, puxei o tecido extravagantemente
suave sobre a minha cabeça, e me apaixonei imediatamente.
Ele era extremamente confortável, e realmente fácil de arrancar. Ele
abraçava as minhas curvas da forma mais lisonjeira, sem ficar nem um pouco
apertado. E ao contrário da maioria das roupas que eu normalmente
experimentava, era feito para a minha altura, as proporções certas, sem ser
muito curto no peito, ou nas pernas.
Aparentemente, havia alguma vantagem em gastar uma fortuna em
roupas. Claro, a maioria das roupas que eu tinha anteriormente, nunca
custaram mais que vinte dólares, se muito...

Havia uma seção inteira do armário inteiramente dedicada a sapatos e
eu fui lá depois. Minha boca se curvou e meu coração se aqueceu, quando eu
vi o que James havia feito lá.
Não havia nada além de saltos anabela e tênis. De todas as coisas que
ele tinha comprado para mim nesta monstruosidade de closet, eu pensei que
isso era o mais doce. Eu tinha feito uma simples menção a ele uma vez, que os
únicos sapatos que eu gostava eram tênis e saltos anabela, e era evidente que
ele prestou atenção.
Todos os sapatos femininos estavam em caixas inclinadas abertas, e
todas as caixas foram marcadas com etiquetas amarelas com números em
grandes letras vermelhas. Minha testa franziu. As etiquetas em todas as
roupas tinham essa mesma coisa. Levei a mão nas minhas costas,
cuidadosamente tentando puxar a etiqueta nas minhas costas, sem causar
dano ao lindo vestido.
Minha testa franziu quando vi o número 543 marcado na etiqueta.
Estudei as fileiras de caixas de sapatos, meus olhos encontrando um número
correspondente lá. Eu suspirei, minha boca torcendo ironicamente, quando
eu vi o sistema que tinha sido criado.
Jackie, aparentemente, não confiava em mim para combinar os meus
sapatos e roupas sem sua ajuda.
Parte de mim queria ignorar suas sugestões não tão sutis e só usar o que
eu queria, mas ela era uma compradora profissional, e eu, quase nunca,
comprava.
Eu decidi corajosamente lhe dar uma chance e tentar seguir sua
recomendação. Por que não? Se eu odiasse os sapatos que ela tinha escolhido,
eu usaria outra coisa.
Eu abri a caixa para encontrar um par de peep toe amarelo Prada, com
saltos anabela de verniz, com um laço de couro na ponta. Eu achei adorável.
Eu os coloquei e descobri que Jackie sabia o que estava fazendo. E como
um bônus, eles eram confortáveis e fáceis de caminhar.
Eu fiz a minha maquiagem nos olhos um pouco mais pesada, fazendo
um olho esfumaçado, mas que achei que ficou muito bom. Eu fui liberal com o
rímel preto, e mantive os meus habituais gloss rosa nos lábios. Fiquei
satisfeita com o resultado final. Eu tinha levado mais tempo do que o habitual
com a minha maquiagem, mas ainda assim tinha demorado apenas dez

minutos, o que me proporcionou uns bons 10 minutos ainda para o meu
cabelo, que só precisava de uma secagem rápida. Eu me dei uma rápida
olhada mais uma vez, percebendo que aquele corte de cabelo foi uma ideia
muito boa para mim.
Uma franja reta loira agora emoldurava meu rosto, deixando destacado
de forma quase surpreendente o azul marinho dos meus olhos.
Eu estava pronta na hora certa, quando ouvi uma batida na porta do
quarto. Abri a porta, pensando que fosse Marion. Eu estava menos do que
emocionada ao olhar para Jackie. Ela sorriu para mim.
Ela me olhou de cima a baixo, sorrindo, como se ela já não tivesse
deixado claramente expresso o quanto ela não gostava de mim. — Muito bom.
Armani se encaixa bem em você. Eu vou fazer uma nota disso.
Mantive em meu rosto uma expressão cuidadosamente educada e
impassível com a visão dela. Eu simplesmente não conseguia me obrigar a
sorrir de volta para ela, mas eu conseguia ser civilizada. — Eu estou com
pressa, por favor me desculpe...
Ela levantou um dedo. — Mais uma coisa. Deixei a coleção de suas
bolsas no quarto de hospedes. James odeia desordem, e elas ocupam muito
espaço, por isso parecia a melhor opção. Venha por aqui.
Ela se afastou, sem esperar por minha anuência.
Segui sem entusiasmo, determinada a ver do que ela estava falando e
continuar o meu caminho em tempo hábil.
Ela me levou até o quarto de hóspedes que eu tinha usado há apenas
alguns dias atrás para experimentar vestidos. O grande armário tinha agora
metade dele dedicado exclusivamente às bolsas.
Eu gemi.
Jackie me lançou um olhar. Foi quase hostil. — Você não gosta de
bolsas? — ela perguntou, incrédula.
Eu fiz uma careta. — Eu gosto de algumas, mas não aquelas que preciso
segurar na mão, essas não funcionam para mim. Eu não suporto ter que
segurar alguma coisa o tempo todo. Eu preciso de algo com uma alça longa. —

Ela fez um barulho de nojo puro, mas não perdeu tempo selecionando
uma bolsa para mim. Ela simplesmente agarrou um bolsa grande de couro
bege, estilo mochila, segurando em minha direção.
— Pelo amor de Deus, pelo menos mantenha em seu braço. Se eu souber
que você usou transpassado, vou apenas gritar.
Peguei a bolsa dela, lhe dei um olhar bem hostil, e sai o quarto. Eu tive
que voltar para o nosso quarto rapidamente para colocar todas as minhas
coisas na bolsa antes de descer correndo as escadas, agora atrasada.






















CAPÍTULO DOIS
Sr. Violento

Desci as escadas, correndo até os elevadores. A equipe de segurança me
aguardava no elevador. Uma equipe...
Eu pisquei para os três homens austeros em ternos e uma mulher que
conseguia ser a mais intimidadora do grupo.
Blake acenou para mim, falando pela primeira vez. — Srta. Karlsson,
deixe-me apresentá-la ao resto de sua equipe de segurança. — Ela apontou
para o homem mais próximo a ela. Ele era enorme, com músculos definidos e,
obviamente, armado sob seu terno finamente costurado. Seu cabelo escuro
estava cortado muito curto e suas feições eram graves, mas atraente. — Este é
Williams.
— Srta. Karlsson. — disse ele, acenando para mim educadamente.
Eu inclinei a cabeça para trás, tentando registrar o nome em minha
memória. Eu, aparentemente, iria precisar aprender um monte deles, com
tanta segurança.
O elevador chegou e Blake me acenou para entrar. Eu entrei, tentando
não me sentir intimidada como os quatro me ladeado.
Blake pigarreou. —Precisamos nos apressar. Sr. Cavendish não ficará
satisfeito se você chegar atrasada. — Ele apresentou rapidamente os outros
dois homens.
Um deles era menor que os outros, pelo menos, alguns centímetro mais
baixo que eu, mesmo eu não estivesse usando salto de 7cm. Ele ainda era
intimidantemente largo, com músculos fortes, e o seu cabelo loiro curto
pareceu, sem dúvida, ex-militar. Blake o apresentou como Henry.

O último era quase exatamente da minha altura, com cabelos castanhos
e sorridentes olhos castanhos. Ele era menos grave do que os outros, e mais
atraente, mas ele ainda se mantinha naquela forma disciplinada que gritava
agente da lei, na testa. Blake o apresentou como Johnny.
Eu pensei que era estranho que alguns deles usassem seus primeiros
nomes, e outros seus sobrenomes, mas eu não perguntei a eles sobre isso. Eu
tinha sido condicionada desde muito jovem a não me intrometer.
Era final de junho, e quente como o inferno em Nova York. Eu estava
grata pelas minhas roupas leves, pois o calor e a umidade imediatamente
grudaram em mim, no segundo que saí. Meus seguranças me ladeavam de
perto, quando saímos do elevador para uma limusine estendida, que estava
alinhada diretamente com a entrada do prédio.
Eu tentei agir como se eu não estivesse desconfortável com a minha
configuração extremamente rica e minha superabundância ridícula de
seguranças, mas eu me sentia muito dura, enquanto andava do elevador até o
carro.
Minha equipe de segurança se organizou como se tivessem
coreografado, o que deviam fazer. Blake e Johnny se juntaram a mim na parte
traseira do veículo, Henry no lado do passageiro, e Williams na direção. A
curta viagem até o Hotel Cavendish foi um momento estranho. Blake manteve
silêncio total e absoluto, e Johnny parecia quase simpático demais para se
encaixar com o resto dos seguranças que eu conheci até agora.
— Então, Bianca, você está gostando da mudança para Nova York?
Eu pisquei para ele, perplexa. Eu estava tão acostumada à forma como
os outros guarda-costas eram profissionais a qualquer falha, que não estava
preparada para bate-papo casual. E a pergunta...
— Eu realmente não mudei para cá. Estou indo e voltando de Vegas.
Mas eu gosto de Nova York. Eu faço a rota aqui há alguns anos, e não há
planos para mudar isso.
Johnny me lançou um olhar perplexo. — Você continuará trabalhando?
Você vai continuar sendo comissária?
Eu olhei para ele com desconfiança. Eu não era de me intrometer, mas
Johnny aparentemente era. — Bem, sim. É o meu trabalho. Por que eu iria
sair?

— Hum, talvez porque o Sr. Cavendish gaste quatro vezes mais na
semana do que você ganha no mês, apenas em segurança para cada um de
seus vôos.
— Chega. — Blake o interrompeu asperamente. — Você deveria saber
melhor, Johnny. Se você chatear a Srta. Karlsson, o Sr. Cavendish vai demiti-
lo. Inferno, ele vai dispensar todos nós.
O clima no carro ficou dolorosamente pesado depois, e eu não tinha
ideia de como responder a uma explosão inesperada de um estranho, e é claro
que eu não iria, porque eu não devo quaisquer explicações sobre a minha vida
a ninguém. Que atrevimento...
Eu meditei por todo o caminho até o nosso destino, olhando para fora
da janela, meu rosto uma máscara impassível.
Eu nunca tinha estado dentro do Manhattan Cavendish Hotel, mas eu
reconheci a construção colossal. As janelas modernas azuis, de vidro reflexivo
que cobriam todo o edifício fazia ele se destacar, como uma nova e cintilante
joia entre os arranha-céus.
Minha equipe de segurança se moveu para a sua formação bem
coreografada quando eu saí do carro, me escoltando até o saguão como se eu
fosse um chefe de estado ameaçado. Eu me senti ridícula.
Eu não tinha ideia para onde ir, mas felizmente eu não precisava. Blake
me levou infalivelmente pelo saguão de mármore suntuoso.
Estávamos quase na área dos elevadores bem guardados, quando ouvi
uma voz feminina chamar meu nome. Surpresa, eu me virei para ver quem
era, e enrijeci.
Jolene caminhou em nossa direção, um sorriso exuberante nos lábios.
Ela estava além de seminua, vestindo os menores shorts que eu já vi e um top
esportivo que era tão minúsculo que eu não imaginava por um segundo que
ele realmente pudesse fazer seu trabalho. Eu não podia adivinhar para onde
ela estava indo vestida assim. Eu quase pensei que era para malhar, exceto
que ela estava usando sandálias pretas sensuais e seu cabelo estava solto,
pendurado em cachos enrolando ao redor de seus ombros e costas.
Johnny assobiou apreciativamente enquanto ela se aproximava. Ele
estava diretamente à minha direita, mas eu não lhe poupei um olhar.

— A garota mais fodidamente sexy que eu já vi na minha vida. — ele
murmurou, não falando baixo o suficiente. Ok, era oficial, eu não era uma fã
de Johnny.
Jolene tentou se aproximar, mas Blake entrou em seu caminho antes
que ela estivesse há menos de 1 metro de mim. Ela amuou um pouco, mas era
obviamente uma afetação. — Bianca! Como você está?
Eu sempre me considerei uma pessoa controlada. As coisas raramente
saíam da minha boca, a menos que eu realmente quisesse dizê-las. Eu soube
imediatamente que este seria um daqueles raros momentos em que o meu
cérebro não estaria controlando a conversa.
— O que você está fazendo aqui? E por que você está vestida assim? —
Perguntei-lhe friamente.
Ela me deu um olhar que me fez endurecer. Foi aguçado e esperto. Ela
foi ali apenas para me provocar.
— Acabei de malhar. Este lugar tem uma academia alucinante. E eu
estou vestida assim porque James gosta de ver meu corpo. Ele diz que eu
tenho a barriga mais sexy do planeta. — Enquanto ela falava, passava a mão
bem cuidada de sua garganta à cintura baixa dos shorts obscenos. Ela tinha
uma barriga adorável, todas as cavidades bem tonificadas na pele escura, a
cintura ridiculamente pequena, especialmente em comparação com os seios
grandes que quase derramaram do seu top. Ela exalava sexo, e eu a odiava.
Minha respiração ficou presa com sua implicação. Ela estava dizendo
que estava aqui para ver James? Que ele ainda a via? Ela estava mentindo
descaradamente, ou dizendo alguma versão distorcida da verdade? De
qualquer maneira, eu estava desejando a morte dela, e eu só a vi duas vezes...
—Você está dizendo que está aqui para ver James? Que ele convidou
você? Basta falar claramente, porque eu não tenho absolutamente nenhuma
paciência para estes joguinhos. — eu disse a ela na voz mais vazia e fria.
Aquela voz era um antigo mecanismo de defesa para mim.
Ela apertou os lábios, passando a língua sobre os dentes. Eu queria
bater nela. Fiquei chocada com o desejo, mas mesmo o meu choque não
parecia fazer minha raiva súbita diminuir.
— Nada que seja da sua conta. — ela disse com petulância, cruzando os
braços, o que empurrou mais ainda para cima os falsos seios fartos. Esse top

era tão inútil que eu poderia ver a simples sugestão de seus mamilos,
enquanto ela os empurrava.
Eu não podia acreditar que James tinha passado tanto tempo com esta
mulher, mesmo com seu sex appeal. Para mim, ele era a síntese de elegância,
com seu charme, seus modos e sua beleza impossível, enquanto ela era
absolutamente um lixo humano.
— É, certamente, da sua conta. — uma voz que me fez querer derreter
falou por trás de mim. A mão grande e quente pressionada na minha nuca,
afastando levemente de lado o meu cabelo comprido, para se estabelecer lá
possessivamente. Eu não olhei para James. Eu estava muito irritada, chateada
e simplesmente com fome da visão dele.
— Por que você ainda está aqui, Jolene? — ele perguntou friamente. —
Eu lhe disse para sair esta manhã, quando tentou invadir, sem ser convidada,
o meu escritório. Preciso mandá-la ser escoltada para fora da minha
propriedade?
Uma expressão dura passou em suas feições tão rapidamente, que eu
pensei que poderia ter imaginado. Seu belo rosto rapidamente mudou em um
sorriso de satisfação. Ela jogou o cabelo preto encaracolado para trás dos
ombros, empurrando os seios mais ainda para cima. Como se precisasse.
— Estou aqui com Scott. Ele está hospedado na cobertura, e eu sou sua
convidada. Você vai lhe pedir para sair, também?
James se aproximou mais das minhas costas, envolvendo os braços em
volta dos meus ombros. Eu poderia dizer pelos seus olhos nos seus braços,
que Jolene não apreciava a vista.
—Talvez eu lhe conte o que você anda fazendo. Quão tolerante você acha
que seu marido será, se ele souber que você anda aplicando seus velhos
truques?
Ela ficou rígida, aparentando apenas um toque assustado, antes de
esconder o rosto em uma expressão serena. — Ele não vai acreditar em você.
E, mesmo que ele acredite, você nunca faria isso. Você sabe o quanto isso iria
machucá-lo.
— Está se tornando muito claro para mim, que a verdade não poderia
machucar Scott tanto quanto saber o que tem feito, Jolene. Eu não tenho mais
um pingo de paciência com nada que seja referente a você. Tenha isso em
mente.

Um movimento me chamou a atenção pelo canto do meu olho, e eu
olhei para trás de Jolene, onde um grande homem se movia a passos largos e
determinação até o nosso grupo.
Ele era alto e magro, mas ainda se movia com o passo de um atleta. Sua
coloração era semelhante à de James, com o cabelo castanho claro e a pele
muito bronzeada, embora a sua provavelmente tenha vindo do sol. Ao se
aproximar, vi que seus olhos eram castanho escuro e turbulentos. À primeira
vista, ele poderia parecer um pouco com James, mas em uma inspeção mais
próxima, sua boa aparência era mais robusta, menos refinada.
—Eu disse para você ficar longe da minha esposa. — o homem rosnou
tão logo ele estava ao alcance da voz. Eu percebi com um pouco de choque e
surpresa, que o homem parecia muito familiar. Eu não poderia saber de onde,
mas definitivamente eu tinha visto seu rosto em algum lugar.
— Mas de alguma forma, toda vez que eu viro as costas por cinco
minutos, você está aqui. Você precisa deixá-la ir, James.
James endureceu contra mim, mas o tom de voz era
surpreendentemente calmo quando ele respondeu.
— Você precisa pensar sobre o que você está dizendo, meu amigo. Ela
não tem sido honesta com você, e se dependesse de mim, eu nunca colocaria
os olhos nela novamente. Sua esposa vem me perseguindo e a minha
namorada, e eu já aguentei o suficiente dela. Eu estou em um relacionamento
sério, comprometido, e eu não quero nada com ela. Não queria nada sério
quando descobri que ela era sua esposa há três anos, e eu certamente não iria
querer tocar em Jolene agora. Se eu pudesse voltar no tempo, eu teria lhe
poupado algumas dores, Scott, e eu não teria tocado nela , e certamente nunca
a teria apresentado a você. Ela não é quem você acha que ela é. Ela não é
digna que você a coloque em um pedestal.
Scott não levou as suas palavras, da maneira que eu sabia que James lhe
tinha destinado. Eu poderia dizer pela sinceridade em sua voz, que James só
estava falando a verdade brutal.
Scott zombou, fazendo uma cara feia. — Cuidado com a boca. Você está
falando da minha esposa. — Seu olhar rude se virou para mim.
— Então, ele está em um relacionamento sério com você, hein? Você
deve saber que ele não sabe o significado dessas palavras. Ele vai jogá-la fora

como todo o resto. Se você tiver sorte, ele vai passá-la para um amigo rico,
quando ele terminar com você.
Eu estava virando para o peito de James, antes que ele se movesse. Eu
enterrei meu rosto em seu pescoço, apertando meus braços em torno de suas
costelas, segurando firme.
— Não. — eu murmurei em seu pescoço. Ele parou seus movimentos.
Scott estava tentando provocá-lo, e eu sabia que tinha conseguido, mas eu
precisava que James controlasse seu temperamento - controlasse seus
punhos. James envolveu os braços firmes em volta de mim, como se fosse
incapaz de ignorar o meu gesto carinhoso, mesmo em um acesso de raiva.
— Se você falar assim com ela de novo, você vai se arrepender. — James
disse, sua voz cheia de uma fúria terrível.
Scott bufou, e até mesmo pelo ruído, eu poderia dizer que seu
temperamento estava tão perto da superfície quanto James. — Você está
preocupado com o que eu vou dizer a ela? Você comeu minha esposa, James,
só Deus sabe quantas vezes, e você está preocupado que eu vou o que...
magoar a sua mais recente foda, é isso?
James me virou gentilmente, me conduzindo até os elevadores
diretamente atrás de nós. Ele acariciou a mão sobre o meu cabelo, e eu podia
sentir que ele estava tremendo. — Meu amor. — disse ele, com a voz rouca,
mas ainda conseguindo ser amoroso. — Eu preciso que você vá lá para cima.
Por favor, espere por mim. Eu vou me juntar a você daqui a pouco. — Ele
apertou o botão enquanto falava, ainda me segurando perto.
Eu queria dizer alguma coisa, queria pedir a ele para não fazer nada
precipitado, não se meter em problemas, ou pior, se machucar, mas eu não
conseguia fazer as palavras saírem.
O elevador parou, e as portas se abriram, e eu entrei sem uma palavra.
Blake e Johnny entraram atrás de mim, e eu fiquei aliviada que pelo menos
dois dos guarda-costas ficaram com James.
As portas do elevador se fecharam e começamos a subir. Eu não tinha
ideia de que andar estávamos indo, ou mesmo quantos andares havia. Eu
olhei para o painel para ver, mas meus olhos estavam desfocados, e eu perdi
minha linha de pensamento.
O elevador finalmente parou e eu segui Blake para fora. Minha mente,
distraidamente, notando o meu redor, rico e opulento, meus saltos estalando

de forma constante nos pisos de mármore escuro, mas minha mente ainda
presa sobre o que poderia estar acontecendo lá embaixo — que eu tinha sido
muito covarde para ficar e assistir, ou até mesmo ficar e prevenir.
Um jovem e educada morena nos cumprimentou por trás de uma mesa
enorme.
— Srta. Karlsson, Sra. Blake, Johnny — ela murmurou quando
passamos por ela. Eu me perguntava como ela poderia ter me reconhecido a
primeira vista. Sem dúvida, era óbvio pela minha escolta armada...
Tudo isso apenas passando de forma distraída, o pensamento distante,
enquanto Blake me levava a um enorme escritório que tinha mais janelas
revestindo o local que paredes.
Blake fez uma busca minuciosa no escritório, verificando cada
centímetro do espaço e dentro das duas portas anexas. Johnny ficou ao meu
lado, enquanto ela fazia isso. Eu pensei que eles estavam exagerando um
pouco, mas o que eu sei?
Blake terminou sua busca, me dando um aceno severo com a cabeça
quando ela terminou. — Tudo limpo, Srta. Karlsson. Nós estaremos lá fora se
precisar de alguma coisa.
Ouvi a porta se fechar atrás de mim. Eu deixei minha bolsa em algum
lugar no chão, enquanto caminhava até as janelas. Notei distraidamente que a
decoração do escritório não tinha o toque de James. A decoração ali era um
estilo antiquado de New York, com uma mesa antiga e um piso de madeira
tradicional. A cadeira atrás da mesa era de couro marrom antigo, assim como
o sofá. Mesmo os tapetes davam uma sensação de dinheiro velho. Era tão
incomum para James, que eu fiquei pensando nisso um longo tempo,
deixando a estranha decoração me distrair.
Quando isso ficou cansativo, eu fui até a janela, olhando sem realmente
ver, a vista espetacular de Manhattan.
Eu não tinha ideia de quanto tempo eu estava ali como uma estátua,
antes que eu ouvisse a porta abrir e, em seguida, fechar atrás de mim. O
clique da porta sendo trancada era anormalmente alto naquele silêncio de
morte da sala.
— Vire-se e olhe para mim. — James disse, depois de um longo
momento, sua voz baixa e áspera.

Era uma loucura, não era razoável, era autodestrutivo... e masoquista,
mas eu fiquei molhada ao som daquela violenta voz áspera.
Eu me virei.

























CAPÍTULO TRÊS
Sr. Sádico

Estudei-o por um longo tempo, minhas pernas tremendo, enquanto eu
absorvia ele completamente. Eu me encostei apoiada na janela.
Ele estava sem paletó, sua gravata torta. As mangas de sua camisa
branca estavam enroladas. Mas de uma forma bagunçada, pelo menos para
ele. Eu vi uma gota solitária de sangue em seu colarinho. Estudei seu rosto,
em seguida, seus braços. Seus dedos pareciam um pouco inchados, os punhos
cerrados, mas seu rosto estava intacto.
— Ele era um homem adulto que tinha insultado a pessoa mais
importante na minha vida. A coisa mais preciosa no meu mundo. Duas vezes.
Tire esse maldito olhar de medo em seu rosto. Eu nunca iria lhe dar um soco,
nunca iria atacá-lo se não fosse provocado. Mas eu vou te punir. — Enquanto
falava, ele começou a desabotoar a camisa, puxando-a da calça bege. Sua
ereção estava fortemente delineada contra o tecido pálido.
Eu lambia os lábios dormentes. — Por quê?
— Por esse olhar. Pela falta de confiança. Por me deixar por dias,
qualquer que seja o caralho do motivo. E você estava atrasada.
Ele caminhou em minha direção sem camisa, incrivelmente lindo, seus
músculos fortes flexionando ao longo de sua pele dourada perfeita a cada
passo. Eu vi meu nome, gravado em vermelho no peito, enquanto ele se
aproximava de mim.
Sua mão pesada caiu na minha nuca. Ele me empurrou lentamente para
a mesa apenas com esse contato. Ele me pressionou, com firmeza, mas de
forma gradual, até a frente do meu peito encostar-se ao topo de sua mesa,
meus quadris na borda. Suas mãos se moveram sob o meu vestido, sem
hesitação, segurando minha calcinha rendada e puxando-a para baixo, pelas
minhas pernas, em um movimento suave. Ele tocou um tornozelo.
— Levante! — Ele ordenou bruscamente.

Eu levantei meu pé. Ele repetiu o processo com a outra perna.
Seus dedos se moveram contra as minhas costas, soltando meu sutiã
através da seda do meu vestido, como só alguém com experiência nesse
processo poderia fazer. Ele tirou isso de mim rapidamente, deixando meu
vestido intacto.
Ele subiu a parte inferior do meu vestido de seda até acima dos meus
quadris, deixando a minha bunda e sexo nus para a sua atenta leitura. Ele
ficou em silêncio atrás de mim por um longo tempo. Eu me contorci.
— Feche os olhos! — Ele ordenou.
Eu obedeci.
Eu o ouvi caminhar a passos largos para longe de mim. Uma porta à
minha esquerda abriu e fechou. Eu podia ouvir minha própria respiração
ofegante. Eu estava extremamente excitada.
Eu o ouvi se aproximar de mim novamente, longos minutos mais tarde.
Ele não estava tentando ser silencioso.
— Segure a borda da mesa! — Ele ordenou.
Segurei.
— Alguma coisa a dizer? — Ele me perguntou com frieza.
Eu não sabia por onde começar, não sabia o que ele queria, mas eu tinha
que tentar. — Sinto muito, Sr. Cavendish.
— Pelo que você sente muito?
— Por tudo isso. Por deixá-lo por dias, qualquer que seja o motivo. Pelo
atraso. Por favor...
Ele atingiu, as cerdas duras batendo contra meu traseiro. Eu me
contorci. Isso ardia, mas não necessariamente feria. Era como apanhar com
um cabelo muito grosso. Talvez fosse por isso que ele não se conteve, batendo
uma e outra vez, sem pausa. Eu mexia contra a mesa, gemendo.
Ele apertou a mão com força na parte baixa das minhas costas, me
segurando imóvel, enquanto continuava trabalhando mais em mim. Ele
estendia o chicote no meu bumbum e coxas liberalmente. Isso continuou por
momentos intermináveis, enquanto eu me contorcia.

De repente, ele parou. Eu podia ouvir sua respiração áspera.
— Você gosta do chicote de pelo de cavalo? — ele perguntou.
Eu fiz um pequeno zumbido na minha garganta. — Eu gosto, Sr.
Cavendish.
— Isso era o que seria considerado um aquecimento, Bianca. Você sabe
o que isso significa?
Eu balancei minha cabeça. — Não, Sr. Cavendish.
Ele se moveu contra mim, pressionando todo seu peso fortemente
contra minhas costas, sua ereção sob a calça comprimindo o meu sexo. Ele se
inclinou e soprou as palavras em meu ouvido. — Abra os olhos.
Eu obedeci, tendo apenas uma visão lateral da mesa que eu estava
inclinada, uma vez que James estava pressionando minhas costas. Ele colocou
um objeto preto e azul pesado lá. Eu não conseguia entender inicialmente o
que eu estava vendo.
Parecia quase como um buquê de flores, mas não era...
Parecia pesado, e as extremidades da cauda grossa do chicote foi
moldado maravilhosamente em rosas azuis e pretas.
Lambi meus lábios, de repente, mais nervosa e assustada. Havia uma
dúzia de botões de rosa ameaçadores ali.
James trouxe o alça do couro daquele dispositivo de tortura até o meu
rosto, e eu vi aquelas rosas pesadas arrastar sobre a mesa , enquanto o chicote
se movia. Ele traçou a minha bochecha.
— O chicote de pelo de cavalo foi um aquecimento. — ele repetiu — E
isso significa que eu tenho planos para você, Bianca, e a dor ainda nem
começou.
Respirei instável, então fiquei tensa, quando eu ouvi o som
inconfundível de um zíper.
— Será que as rosas te assustaram? — Ele perguntou baixinho, com a
voz quase insultuosa. Ele estava segurando minhas coxas, puxando minhas
pernas mais abertas, me inclinando mais sobre a mesa.
— Sim. — eu disse sem fôlego.

— Eu vou dizer uma coisa. — ele começou, empurrando duro dentro de
mim enquanto falava. Eu gemia, chocada com a penetração inesperada. — Se
você conseguir se controlar em não gozar, quando eu te levar até a borda, vou
poupá-la das rosas. Por hoje. — Enquanto falava, ele estava saindo de mim,
arrastando seu pau perfeito maravilhosamente ao longo de cada nervo dentro
de mim.
Ele puxou completamente antes de mergulhar de novo, um acidente
vascular cerebral lento, duro, que fez meus dedos enrolarem.
— Para que seja justo, eu vou fazer isso rápido. — disse ele, com um
sorriso frio em sua voz. Ele puxou para fora e para dentro de mim novamente,
então começou a bater sério.
Era dolorosamente difícil, o seu comprimento grosso batendo em mim,
trabalhando mais, para dentro e para fora. Mesmo seu pênis estava
dominante e sádico hoje.
Uma de suas mãos segurou minha coxa com tanta força que eu sabia
que iria ficar marcada, a outra mão nas minhas costas, me prendendo
firmemente à mesa.
Ele me fodeu como ele raramente me fodia, se levando a uma liberação
rápida.
Quando ele gozou dentro de mim, um ruído alto e selvagem escapou de
sua garganta, o som abafado, como se ele não pudesse controlá-lo. Aquele
barulho me trouxe ao longo da borda. Eu gozei com um gemido, enquanto ele
ainda empurrava dentro de mim, esfregando o último jato de sua própria
libertação selvagem.
Ele não se demorou, saindo de mim, enquanto eu ainda estava apertada
ao redor dele. Senti o líquido morno ainda jorrando de seu comprimento
duro, quando ele se inclinou contra a minha bunda.
Ele me puxou para trás, até os meus pés tocarem o chão novamente. Eu
tinha esquecido até mesmo que eu ainda estava usando saltos, até que eles
tocaram vacilante o chão novamente.
Ele levantou meu vestido até em cima, então me puxou pelos ombros.
— Braços para cima, — ele murmurou, quando eu fiquei em pé
novamente.

Eu obedeci.
Ele puxou meu vestido pela minha cabeça. Virei a cabeça para olhá-lo,
enquanto ele o colocava cuidadosamente sobre a cadeira de escritório.
Ele me estudou por um momento. — Tire seus sapatos.
Eu cambaleei para fora deles tão equilibrada quanto pude.
James estendeu a mão para mim, enganchando um dedo na argola no
meu pescoço, a outra mão segurando um punhado de meu cabelo. Ele me
puxou pela sala.
Ele me levou até uma das portas, que levavam a outro ambiente, que
não era a área da recepção. Eu não tinha entendido para onde ele me levou,
mas James rapidamente me mostrou.
Ele me levou até um pequeno quarto com uma grande janela. Engoli em
seco quando vi a cama.
Demorei olhando todo o espaço, grande o suficiente para ser um dos
quartos colossais em suas casas. A cama tinha uma cabeceira de treliça, com
uma coleção imensa de restrições já dispostas.
— Seu trabalho tem uma área de foda? — Eu perguntei a ele, sem
esconder a acusação na minha voz. Ele tinha sido um galinha, eu sabia isso,
mas eu estava cansada de ver a evidência disso, literalmente, em todos os
lugares que fomos.
— Isso é novo. Antes era apenas uma cama, em que eu dormia em paz.
Se você quer mais respostas, você irá receber mais tarde. Vá para a cama.
Subi em cima da cama, me movendo para o centro. Eu comecei a me
ajoelhar.
— Levante-se! — Ele gritou.
Eu obedeci.
Ele agarrou meu pulso em sua mão, levantando bem alto, mas
mantendo na lateral, afastado do meu corpo. Ele puxou uma das restrições
preta, da parte superior da cabeceira da cama. Fiquei surpresa ao perceber
que ele era feito de borracha. Era como um tubo macio, confortável e elástico.
Ele envolveu em torno do meu pulso várias vezes até que ele puxou muito
apertado.

Ele o amarrou, em seguida, virou a minha mão para que eu pudesse
segurá-lo. Ele repetiu o movimento do meu outro lado, quando acabou, os
meus braços estavam afastados do meu corpo.
Eu pensei que era ameaçador, ele ter escolhido usar algo tão confortável
para me conter. Embora isso me remetesse sobre as rosas...
Ele posicionou meus pés, me deixando confortável. Eu tremia, quando
ele se afastou para longe da cama.
Ele tinha me amarrado de frente para a janela, com uma linda vista de
Manhattan, mas todos os seus movimentos estavam atrás de mim, me
mantendo no escuro quanto às suas ações.
Eu o senti subir na cama alguns minutos mais tarde. Ele ficou atrás de
mim.
Ele me fez esperar por tanto tempo, que comecei a relaxar um pouco,
quando ele finalmente me atingiu.
Minhas costas se inclinaram com o golpe nas minhas coxas. Foi, de
longe, a punição mais dura que ele já tinha me causado. E isso com apenas
um golpe. Parecia que eu estava sendo atacada por uma dúzia de punhos
duros. James fez uma pausa por longos momentos depois do primeiro golpe,
e eu tremia.
O próximo golpe atingiu minha bunda, e fez meu corpo balançar para
trás e para frente nos meus apoios de borracha.
Eu gemia, minha cabeça caindo para frente.
Ele bateu de novo, e sem uma pausa, bateu mais uma vez. As lágrimas
corriam pelo meu rosto, e eu não consegui abafar um grito, quando ele me
golpeou novamente.
Foi a primeira vez que ele já havia tentado algo em mim, que era tão
profundamente doloroso que eu não tinha certeza se eu poderia aguentar. Eu
nunca estive tão perto de falar a palavra segura, quando ele parou.
Eu estava chorando, quando ele agarrou a frente das minhas coxas por
trás, puxando minhas pernas para cima, me mantendo completamente
suspensa.
Ele me manteve assim, enquanto se movia entre as minhas pernas por
trás. Ele entrou em mim brutalmente, como se isso também fosse um castigo.

Ele me levou uma e outra vez com raiva, nossos impulsos apenas com dois
pontos de contato, suas mãos em minhas coxas, e seu pênis dentro de mim.
Ele me levou rapidamente a borda, e eu gozei com um pequeno soluço,
minhas paredes internas apertando-o uma e outra vez, ele me ordenhando até
o fundo, e ele gozou novamente, soltando um grito.
Eu não acho que já tive um orgasmo mais poderoso, e eu chorei com o
prazer e a dor, quando ele finalmente saiu de mim, e baixou os meus pés de
volta para a cama. Ele me desamarrou rapidamente, me puxando para a cama
junto com ele. Ele empurrou meu rosto em seu peito nu, murmurando
palavras suaves, enquanto eu chorava sobre a tatuagem com meu nome em
seu peito. Ele acariciou suas mãos nas minhas costas e beijou meu cabelo, e
nada disso me fez sentir melhor.
Ele tinha trabalhado em mim mais difícil do que nunca, me fodendo
duas vezes, sem um segundo de contato intimo com seus olhos, sem um
segundo de intimidade em nada. E eu tinha gozado tão forte, que eu não
conseguia parar de chorar pela perda do controle. Pela primeira vez desde que
estávamos juntos, eu comecei a me preocupar que as coisas que ele levava
dentro de si, seria algo que eu poderia aguentar. Ou melhor, as coisas que ele
fazia comigo.
Eu sempre soube que tinha uma veia masoquista, embora eu a tivesse
mantido enterrada profundamente, mas eu pensava que sendo com James,
fazendo as coisas que fizemos, poderia ajudar a saciar os impulsos em mim.
Pela primeira vez, eu me perguntava, e se ele só tinha feito piorar?
James pareceu sentir a minha distancia. — Eu preciso voltar ao trabalho
em breve, mas primeiro...
Ele me deitou de costas na cama, abrindo minhas pernas e movendo-se
entre elas em um movimento suave. Ele empurrou minhas pernas mais
afastadas, em seguida, inclinou-se mais alto contra mim. Eu estava olhando a
sua magnífica ereção, enquanto ele se alinhava contra meu núcleo.
— Olhe para mim! — Ele retrucou em um tom furioso.
Olhei para aqueles olhos amados e me perdi, como se apenas a visão
deles pudesse fazer a minha mente perturbada ficar em branco.
Ele entrou em mim com um empurrão suave. — Saia da sua própria
cabeça, Bianca. Eu não vou deixar você se afastar de mim.

Ele começou a se mover dentro de mim, empurrando firmemente, seus
olhos me segurando cativa. Ele circulou seus quadris, movendo seu pau
grosso ao longo das paredes do meu sexo. Eu gemia, então suspirei. Ele tinha
tantos truques para me fazer gozar, e quando ele fez o movimento novamente,
eu apertei ao redor dele com a minha libertação.
Seus olhos eram tão ternos e tão íntimo quando ele encontrou sua
própria libertação longos momentos mais tarde, sua mão segurando minha
bochecha. Eu sabia que meus olhos tinham a mesma vulnerabilidade crua.






















CAPÍTULO QUATRO
Sr. Excessivo

James me deitou com ternura, beijando minha testa e me dizendo para
dormir um pouco. Eu não discuti. Eu duvidei que poderia ter me levantado de
lá, muito menos voltar ao seu apartamento ainda em pé, sem dormir. Eu
adormeci.
Acordei lentamente, languidamente, esticando meu corpo dolorido
contra os lençóis macios, meus olhos vagando abertos com esforço. A visão
que meus olhos encontraram, me deixaram completamente desperta.
O ofensivo buquê de rosas azuis e pretas estava arrumado no
travesseiro, como se fosse um arranjo real. James não estava na cama comigo,
é claro — ele estava trabalhando — mas o buquê era, aparentemente, o seu
substituto. Me afastei do lembrete brutal de nossas atividades anteriores, me
sentando.
Eu não sabia o que tinha acontecido com a minha roupa, além de que
elas não estavam no quarto comigo, devendo ainda estar em seu escritório. Eu
me encontrei na incômoda situação de ter que me enrolar em um lençol, e
espreitar cuidadosamente dentro da sua sala . Eu ficaria mortificada se James
tivesse companhia.
Felizmente ele estava sozinho, sentado à sua mesa em silêncio, um
telefone no ouvido. Ele me notou imediatamente. Ele acenou para que eu me
aproximasse dele. Eu me aproximei lentamente, segurando o lençol branco
enorme e macio contra mim firmemente.
Ele cobriu o bocal do seu telefone com cuidado.
— Bom dia, meu amor. Tire esse lençol e sente-se aqui. — ele disse,
acariciando um local em sua mesa, diretamente na frente de sua cadeira.
Oh Deus.
Ele tinha mais planos para mim.

Eu me senti constrangida quando deixei cair o lençol, mas esqueci o
sentimento quase que instantaneamente, ao ver seu olhar quente em meu
corpo.
— Então qual é o problema? — Ele disse no telefone, com a voz um
pouco rouca.
Eu tive que me roçar nele, para ir até o local que ele indicou. Eu sabia
que não era acidental. Ele me deu um beijo leve em meu quadril, quando mexi
para me acomodar.
Eu me sentei na borda de sua mesa, de frente para ele.
Ele estava com um terno novo completamente diferente. É claro que ele
teria alguns malditos ternos caros extras a mão, apenas no caso de precisar.
Este era um terno cinza escuro tradicional, perfeitamente adaptado ao seu
estilo moderno. Sua camisa era da mesma cor, mas com um colarinho branco
brilhante, a gravata de um vermelho chocante. Ele estava devastadoramente
perfeito e sinistro — tudo de uma vez só.
Ele estava bem vestido até os dedos dos pés, e eu não podia evitar. Eu
estava completamente molhada, e ele quase não me tocou. A decoração antiga
do escritório não estava ajudando a situação. Havia algo tão intrinsecamente
erótico sobre ele me dominar por trás da mesa, onde ele reinava sobre seu
próprio império poderoso.
Ele usou a mão livre para empurrar minhas coxas mais afastados com
um toque firme. Ele cobriu o bocal do seu telefone novamente. — Se encoste
em seus cotovelos. — ele ordenou.
Eu obedeci.
— Resolva isso. — Ele disse secamente ao telefone.
Ele esfregou minha coxa quase preguiçosamente, traçando o dedo
indicador da sua mão livre por todo o caminho, passeando até o meu sexo.
Eu me contorcia.
Ele usou um toque bastante suave para acariciar minhas dobras. Isso
me deixou louca. Me mexi contra a mesa, até que eu pudesse alcançar os lados
dos meus seios com as mãos. Eu amassei a minha própria carne
grosseiramente.

James me deu um olhar aguçado. Aquele olhar que falava que eu estava
sendo muito impertinente, mas ele não me impediu.
Ele enfiou dois dedos dentro de mim, sem aviso prévio e eu gritei.
Ele cobriu o bocal. — Silêncio! — ele me repreendeu, então voltou
rapidamente a sua ligação.
Ele passou os dedos do lado de fora, arrastando ao longo dos nervos
sem piedade.
Eu mal conseguia processar o que ele falava em seu telefone quando ele
mergulhou os dedos experientes de volta em mim. Foi algo na linha de "é para
isso que eu te pago", mas ninguém poderia ter pago qualquer valor para eu
retornar nesse ponto.
Ele me trabalhou com os dedos grossos por longos momentos, ainda
com o telefone ao ouvido. Eu estava à beira da libertação, quando eu o senti se
inclinando para mim.
— Envie-me o relatório. Sim. Isso é tudo. — Ele disse.
Segundos depois, ele enfiou o rosto entre as minhas pernas, a boca indo
diretamente até o meu clitóris, sugando, enquanto seus dedos permaneciam
ocupados dentro de mim.
Eu não durei dez segundos, antes que ele me tivesse gritando quando
gozei, minha própria mão enterrada em seu cabelo sedoso. Eu me apertei
firmemente em torno daqueles dedos hábeis.
Ele puxou-os lentamente, ficando em pé. Ele chupou os dedos e eu me
contorcia sob seu olhar. Suas mãos se moveram até a cintura de suas calças.
Eu assisti com os olhos famintos, ele liberando sua ereção pesada para fora
dos limites de sua calça.
Ele se inclinou e me beijou, um beijo de boca aberta, um beijo quente,
onde eu sentia meu gosto em sua boca. Eu chupava sua língua.
Ele se endireitou abruptamente, segurando uma das minhas pernas, e
levando meu tornozelo até seu ombro. Ele organizou minha outra perna em
seu outro ombro. Ele beijou o interior do meu tornozelo, e entrou dentro de
mim.

Seus olhos azul turquesa eram intensos nos meus, enquanto ele se
movia dentro de mim. Aqueles olhos tão marcados. Isso era incrivelmente
mais bonito para mim.
Esse ângulo, com meus quadris na beirada da mesa, e minhas pernas
tão altas, me faziam sentir ainda mais profundo e intensamente os golpes, e
ele rapidamente me levou até a borda em outro orgasmo, com mais alguns
golpes duros.
— Venha! — Ele ordenou com os dentes cerrados.
Eu me desfiz.
Ele não parou, enquanto meus músculos internos se contraiam em
torno dele, nem sequer abrandou. Ele se inclinou duro, empurrando minhas
pernas quase deitadas sobre meu peito. Seus olhos próximos da raiva contra
os meus, nossas testas quase se tocando, quando ele murmurou: — Eu vou
fazer você vir tantas vezes, que irá esquecer de todas as maneiras que puder
encontrar para duvidar de nós dois.
E ele fez. Bateu forte em mim, pressionando os pontos quentes no meu
corpo com habilidade consumada. Eu não tinha certeza se poderia formar um
pensamento coerente, quando ele finalmente se permitiu esvaziar dentro de
mim. Eu certamente não podia pensar o suficiente para contar meus próprios
orgasmos. Ele torceu os quadris violentamente à direita no final, me fazendo
gozar mais uma vez, apesar do fato de que eu estava além de saciada.
Eu não conseguia nem levantar o braço, quando ele saiu de mim
lentamente.
— Vá dormir, amor. Vou avisar aos rapazes que nosso jantar será mais
tarde. Você precisa descansar um pouco. — Enquanto falava, ele estava
abaixando as minhas pernas, e me carregando em seus braços. Eu estava
dormindo antes que ele pudesse me deitar de volta na cama.
Quando eu acordei de novo, James estava na mesma posição que o
encontrei na última vez. Ele estava em sua mesa, um telefone ao ouvido. Ele
girou a cadeira, quando eu pisei timidamente em seu escritório. Ele sorriu
maliciosamente enquanto me estudava. Era seu sorriso de Dominador. Ele
era novamente o homem controlador.
Ele cobriu o bocal do seu telefone. — Solte o lençol e venha aqui. — ele
ordenou, seu tom de voz, oh... tão casual.

Eu obedeci, sentindo a cena como se fosse surreal antes do meu
segundo cochilo, parecia que ela estava jogando do mesmo jeito novamente.
Ele cobriu novamente o telefone. — Fique de joelhos e me chupe! — Ele
ordenou casualmente.
Eu me abaixei, lambendo meus lábios enquanto o observava. Era como
se ele tivesse lido minha mente. Quando eu o vi sentado ali, esparramado
como um rei insolente em seu trono, isso foi exatamente o que eu queria fazer
com ele.
Eu abri a sua calça com as mãos gananciosas. Segurei com as duas mãos
em torno desse pênis perfeito, acariciando.
Ele enfiou a mão livre no meu cabelo com força, me puxando contra ele.
Ele me empurrou entre suas pernas, movendo os quadris para a beira da
cadeira. Ele se empurrou contra minha boca. Eu abri a boca para ele, sugando
sua ponta com um pequeno gemido. Ele enfiou em profundidade, fodendo
minha boca tão profundamente como se estivesse me amordaçando.
Ele puxou para fora, em seguida, empurrou novamente.
Eu mal percebi quando ele desligou o telefone.
— Relaxe os músculos da garganta. — ele me disse. — Me leve mais
profundamente. — Eu levei um pouco mais dele nesse momento.
— Use as mãos! — Ele ordenou, e eu torci minhas mãos em torno de sua
base, enquanto o chupava tão profundo quanto pude, balançando a cabeça
furiosamente.
Ele segurou as duas mãos no meu cabelo, me guiando mais duro. Ele fez
o som mais bonito em sua garganta, enquanto derramava em mim,
empurrando seus quadris. Eu adorei, fazendo meus próprios pequenos sons,
enquanto eu continuava a chupar, mesmo depois que ele gozou. Ele teve que
me afastar para longe com firmeza, me dando o olhar mais quente pelos meus
esforços.
— Você adora ter a boca fodida, não é? — Ele murmurou, acariciando
meu lábio.
Eu cantarolei em acordo. — Eu amo isso. — eu disse a ele, minha voz
baixa.

Tomamos um banho juntos no banheiro bem equipado do seu
escritório. Ele me lavou com as mãos delicadas e persistentes carícias, como
era seu costume.
— Seu escritório não é o que eu esperava. — eu disse, enquanto ele me
secava completamente. — Ele não tem o toque de James.
Ele beijou meu quadril, enquanto secava minhas pernas. — Era o
escritório do meu pai antes. Eu nunca tive coragem de mudar nada.
Eu acariciei seu cabelo molhado. Meu sentimental James.
Eu não deveria ter ficado surpresa que o quarto tinha um armário, ou
que aquele armário tinha roupa para mim. James parecia mais interessado
em encontrar roupas para mim, do que em se vestir, enquanto percorria a
grande prateleira de roupas femininas que pegava exatamente a metade do
armário. Ele estava praticamente seco, embora algumas partes de sua pele
dourada ainda estivesse deliciosamente úmida. Ele tinha uma toalha
pendurada baixa em seus quadris. Isso tornava difícil me concentrar no que
eu deveria estar fazendo, ou me lembrar se eu deveria fazer alguma coisa,
apenas fiquei olhando para ele com meus olhos famintos.
James puxou um vestido justo cinza claro, com um decote canoa para
fora do cabide.
— Use esse. — ele disse.
Eu revirei os olhos para ele. — E eu tenho que escolher suas roupas?
Ele acenou com a mão do seu lado do armário, ainda vasculhando
minha prateleira de roupas. — Como quiser, Botão de Ouro. — ele disse,
mexendo em uma exposição de cintos contra um armário grande no fundo.
Minha respiração ficou presa na frase, e eu olhei para ele. Ele não estava
olhando para mim...
Eu caminhei até o seu lado do armário, mexendo ali.
Eu peneirei através das roupas excessivamente caras, que eu me sentia
mal até mesmo em tocá-las.
— Você precisa usar um terno? — Eu perguntei, porque tão raramente o
tinha visto usando qualquer outra coisa.

— Seria melhor, já que vamos jantar em uma das minhas propriedades,
e eu prefiro parecer mais profissional no meu local de trabalho. Mas se outra
coisa chamar a sua atenção, eu certamente concordaria.
Eu lhe atirei um olhar, minha sobrancelha arqueada. — Você acha que
bater em um cara que insultou a sua namorada soa profissional?
Ele sorriu para mim, nem um pouco arrependido. Foi um pouco
irritante. — Eu sou apenas humano. — ele disse.
Eu balancei minha cabeça. Ele era impossível.
Peguei um belo terno cinza claro. Eu rapidamente achei uma camisa
azul turquesa brilhante e a gravata. Eu já tinha visto ele usar essa cor antes, e
ficava além de impressionante nele.
Eu me virei para lhe mostrar minhas escolhas, e vi ele se inclinando
para pegar um par de saltos anabela turquesa de camurça. Ele segurava um
cinto fino turquesa na mão para marcar minha cintura. Estudei suas escolhas,
e então as minhas, e comecei a rir.
Eu ri tanto, que eu tive que me sentar no chão, minha toalha caindo.
Eu ri ainda mais, quando um James sorridente me atacou, nossas
roupas caindo em montes ao nosso redor, enquanto ele me prendia ao chão.
Ele afastou o cabelo molhado do meu rosto e sorriu para mim, me
olhando nos olhos.
— Você viu o que eu estava escolhendo, ou estamos realmente ficando
insanos? — Eu perguntei a ele, o riso ainda na minha voz.
Ele acariciou meu rosto, me dando o sorriso mais doce. Eu não acho que
havia qualquer pessoa no planeta, que estivesse na ponta contrária recebendo
um sorriso daquele, não se apaixonaria por esse sorriso. Que não se
apaixonaria por ele...
— Claro que eu olhei. — ele me disse. — Eu estava preparado para
mudar toda a sua roupa , até que estivéssemos combinando.
Eu ri mais e ele beijou meus lábios rindo. Ele não se demorou, recuando
rapidamente.
— Você é insano. — eu disse a ele, e levantei para me vestir.

Ele me abraçou por trás, pressionando com força contra mim,
esfregando o peito liso em todas as minhas costas. Ele falou no meu ouvido. —
Insano por você, meu amor.
Eu endureci, aquecida com suas palavras, mas imediatamente
desconfortável. O que ele quis dizer com isso? Era tão sério como parecia, ou
apenas a sua natureza naturalmente afetuosa se mostrando? Ele dizia coisas
ultrajantes para mim desde o começo, então eu tinha tendia a não levá-las a
sério, mas estava ficando mais claro a cada dia, que ele era muito sério, que
ele sempre tinha sido. Ele estava esperando que eu respondesse na mesma
moeda? Porque eu não estava pronta para isso, nem sequer saberia como.
O momento estranho passou rapidamente. James simplesmente beijou
meu pescoço suavemente, e me soltou.
Ele manteve seu banheiro do escritório abastecido com produtos de
higiene pessoal e cosméticos para mim. Achei as duas coisas completamente
insanas e totalmente convenientes. Ele tinha até um secador de cabelo para
mim. Eu estava pronta em menos de 20 minutos, James em menos de dez.
— Você se importaria se eu marcasse um jantar com Frankie na próxima
vez, quando estivermos em Vegas? — James perguntou quando eu terminei.
— Na próxima semana, em algum dia.
— Não. — eu disse rapidamente, ainda envergonhada com a forma como
me comportei no nosso primeiro encontro, com ciúmes do claro carinho dela
com James. Mas ela era, aparentemente, uma das poucas mulheres bonitas do
planeta que James não tinha dormido, e eu me senti muito tola em assumir
que eles tinham algum tipo de passado juntos. Eu não me importaria em ter
uma chance de deixar uma impressão melhor a mulher.
— E Lana me ligou. Ela quer marcar um almoço com você. Ela está em
Nova York esta semana, e disse que pode ter qualquer horário flexível para
você. Eu disse a ela para te ligar, já que eu não tenho certeza de seus planos
enquanto estou trabalhando.
—Oh, isso parece bom. — eu disse, e quis dizer exatamente isso. Eu
gostei dela instantaneamente. Ela era agradável, sincera e fácil de conversar.
Eu não esperava ter amizade com muitas pessoas nos círculos abastados de
James, e ter uma amiga como ela era um grande conforto.

— Além disso, Parker e Sophia querem jantar conosco qualquer dia que
quisermos. Eu disse a eles, talvez em algumas semanas. O entendimento de
Parker sobre como não te assustar, me deixa apavorado, para ser honesto.
Eu sorri, concordando em silêncio. Conversa de filhos com certeza era o
caminho certo para me fazer fugir como uma louca.
James passou um braço possessivamente firme em torno da minha
cintura quando saímos seu escritório. Blake estava esperando por nós no
elevador. Ela acenou para James, o rosto definido com as habituais linhas
severas.
— Transfira Johnny. — James disse a ela brevemente.
Ela estava visivelmente embaraçada.
— Senhor, o que ele fez? — Ela perguntou, quando entramos no
elevador.
Virei a cabeça para estudar seu rosto. Sua mandíbula estava apertada,
mas o que ele falou não era nada do que eu estava esperando.
— Ele quer Bianca. Eu o vi olhando suas pernas, quando ele deveria
estar acompanhando-a em segurança para o elevador. Você não precisa
demiti-lo, ele só precisa ser transferido. Ele não ganha para olhar o seu corpo.
Eu não tinha particularmente gostado de Johnny, nem um pouco, na
verdade, mas ele estava sendo mais do que ridículo.
— James ... — eu comecei.
— Não. — James interrompeu, em tom brando. Mas suas palavras não
foram. — Se você fizer questão de mantê-lo perto de você, isso não vai ajudá-
lo, confie em mim.
Eu endureci. De todos os absurdos arbitrários de sua cabeça, e as coisas
completamente irracionais que eu já ouvi dele, esta foi a pior.
— Eu acho que você está sendo completamente louco. Isso não tem nada
a ver com Johnny
— Eu não gosto do jeito que você diz seu nome. É demasiado familiar,
considerando-se o curto espaço de tempo que você o conhece.
— Você está brincando? — Eu explodi.

— Vou transferi-lo o mais rápido possível, senhor. — Blake disse, não
questionando suas ações loucas. Eu não acho que ele iria tolerar se ela o
fizesse. Mas eu certamente poderia questioná-lo.
— James, eu não vou permitir que você seja um tirano. Johnny não fez
nada de errado. Você não pode dizer que ele me quer, por causa de algo que
você interpretou como uma olhada.
— Isto não é sobre o meu ciúme, Bianca. Ou pelo menos, não apenas
sobre isso. Trata-se de sua segurança, e se ele está ocupado demais
admirando suas pernas para fazer o seu trabalho, ele não é de nenhuma
utilidade para mim.
— E isto tudo baseado em uma olhada? — Eu perguntei a ele, meu
queixo cerrado.
— Sim. Tenho bons instintos.
— Eu não me importo. Você não o está transferindo depois de uma
olhada. Você me disse que eu poderia me manifestar sobre quem era
contratado ou demitido, ou qualquer outra coisa, e eu digo que ele não está
sendo transferido com base em uma olhada.
Sua mandíbula apertou dura, mas eu vi imediatamente que eu tinha
vencido.
— Tudo bem. Você precisa de mais provas. Eu vou mantê-lo por tempo
suficiente para consegui-la. Blake, me mantenha atualizado sobre o seu
comportamento, quando eu não estiver presente.
— Sim, senhor. — disse ela, totalmente inexpressiva. Gostaria de saber o
que ela pensava sobre suas loucuras, mas eu com certeza não ia perguntar.
— Para onde estamos indo? — Eu perguntei a ele, tentando seguir em
frente com a briga boba, tentando não ficar chateada, quando pelo menos ele
concordou com os meus desejos.
— Ele se chama Red. É um dos meus restaurantes. Fica bem perto. Os
rapazes vão nos encontrar lá para jantar.
Sorri, porque ele chama-los de rapazes, soou tão familiar e confortável,
como se Stephan e Javier fossem seus "rapazes" desde sempre.
Logo depois saímos do elevador, e caminhamos pelo enorme saguão do
hotel, sendo rapidamente ladeado por minha segurança e Clark.

Eu atirei a James um olhar com minhas sobrancelhas arqueadas. —
Você não acha tudo isso um pouco excessivo? — Eu perguntei a ele.
Ele apertou meu quadril com a mão com força suficiente para
machucar. — Até que seu pai seja encontrado e preso, nada é
demasiadamente excessivo. Eu posso pagar isso, então aceite.
— Hmmm... — eu disse, não sabendo o que fazer com suas medidas
excessivas de zelo. Se eu fosse honesta, uma parte de mim gostava da
proteção, gostava de saber que meu pai não poderia me alcançar, mesmo se
ele tentasse o seu melhor, mas o resto de mim sabia que quatro pessoas para
proteger uma mulher insignificante era completamente ridícula.




















CAPÍTULO CINCO
Sr. Magnânimo

Red era tão escandalosamente luxuoso, como eu tinha imaginado que
seria. James não parecia possuir qualquer propriedade que não fosse. Cada
centímetro do lugar era, é claro, em vermelho. Cada tom de vermelho era
representado no local, nas paredes, nos pisos de madeira vermelho escuro,
lustres de cristal vermelho sobre cada mesa e na sala de espera.
A primeira área do estabelecimento era um enorme bar, com tetos altos
e mármore vermelho cobrindo todas as superfícies. A fila existente em volta
da quadra para entrar no restaurante, significava que tinha, obviamente, uma
alta demanda, mas você não imaginaria isso pelo espaçoso bar. Os clientes
estavam bem vestidos e bem-comportados. Misturando o moderno com o
luxuoso, em um ambiente de bom gosto.
A hostess de cabelos negros e rosto confiante, que provavelmente já foi
modelo, nos levou rapidamente pelo bar até uma das salas de jantar
extravagantes. Havia três delas, pelo que eu pude ver.
Enormes arranjos mistos de flores decoravam todas as mesas. Todas as
flores eram vermelhas, é claro.
— É muito vermelho. — eu disse a James.
Ele apenas sorriu.
A hostess nos levou a uma mesa no centro do grande salão. Nada de
mesa de jantar privativa para nós. James aparentemente queria ser visto, esta
noite.
Stephan e Javier já estavam nos esperando na mesa. Stephan me
recebeu com um longo abraço, Javier um menor.
Sentamos à mesa muito bem arrumada, e eu olhei, impressionada,
quando a equipe de segurança começou a se posicionar ao redor da sala sem
dizer uma palavra.

— Eles são tão organizados. — eu disse.
Stephan e Javier pediram vinho tinto, e James e eu solicitamos água.
— Nós vamos querer o especial da noite. — James disse a garçonete, que
parecia deslumbrada com a visão dele. — Tudo bem para todos?
Todos nós concordamos. Como comissários de bordo, ficávamos em um
meio termo estranho, onde todos nós éramos estranhamente cultos, com
muitas viagens, mas nenhuma delas nos levou a qualquer lugar tão
intimidantemente caro. Eu pensei que isso nos deixava um pouco nervosos.
Nós conversamos confortavelmente, enquanto esperávamos pela
comida. Os rapazes se davam muito bem, o que era um alívio para mim. Além
de me ter em comum, Stephan e James sempre tinham muito o que falar. De
esportes, a carros, até debates políticos amigáveis, que apenas me davam uma
leve dor de cabeça, eles falavam como se fossem velhos amigos. Isso aqueceu
meu coração.
O jantar veio em uma série de deliciosos pratos, que eram pequenas
porções de alimentos ricamente temperados, e eu só sabia o que era tudo
aquilo, porque a garçonete apresentava cada prato com um floreio e uma
explicação. O prato principal, linguado assado com risoto de aspargo
primavera, que praticamente derreteu na minha boca.
— Muito bom. — James disse a ela, quando ela trouxe outro prato.
Ela praticamente brilhava, enquanto flutuava para longe, obviamente,
afetada pelo seu elogio.
— Você não deveria lançar seu charme de forma tão descuidada. Você
vai deixar todo mundo completamente apaixonado por você. — eu disse a ele,
sorrindo ligeiramente.
Ele agarrou minha mão, beijando meus dedos. Ele me estudou
solenemente. — Você acha, amor?
Eu desviei o olhar, corando, e ficando sem palavras.
A sobremesa foi ainda mais deliciosa do que o jantar, com petit gateau
de banana e sorvete de rum. As porções eram pequenas, mas ainda assim eu
estava satisfeita, no momento em que terminou a longa refeição.
Nós ainda ficamos lá por um longo tempo, mesmo depois do jantar,
aproveitando o belo cenário e a companhia maravilhosa. Os rapazes iriam

assistir a uma peça da Broadway, após o jantar. O pensamento me fez sorrir.
Broadway não era coisa de Stephan, e isso era muito doce, porque ele iria por
Javier.
— Oh, eu quase esqueci. — disse James com um sorriso. A revista
masculina Health me chamou para fazer uma sessão de fotos e conceder uma
pequena entrevista.
Eu pisquei para ele por um momento. — Uma sessão de fotos? — Eu
perguntei a ele. Eu não deveria ter ficado surpresa. Ele era uma supermodelo
entre os homens. Porque a revista não gostaria que ele fosse sua capa?
— Eu vi sua última reportagem. Foi muito boa. — Javier disse.
James encolheu os ombros. — Eu faço de vez em quando. Eles queriam
que eu fizesse esta sessão de fotos para a edição de outono, mas eu insisti em
fazer o próximo lançamento. Eu tenho um bom relacionamento com a revista.
Eu tive um pensamento súbito. — Você está fazendo isso apenas para
mostrar suas tatuagens? — Perguntei.
Ele sorriu, um sorriso perverso e os rapazes começaram a rir. Isso foi
uma loucura romântica ao extremo, e ainda assim James queria mostrar a
evidência de sua devoção para o mundo. Corei escarlate.
— Você vem comigo para a sessão de fotos? É quarta-feira à tarde, logo
depois que eu sair do escritório.
Eu dei o meu pequeno encolher de ombros. — Se você quer que eu esteja
lá, eu estarei.
Seus olhos brilhavam e seu rosto aberto com um sorriso largo. — Amor,
eu sempre quero que você esteja comigo. Eu a colocaria no meu bolso, se eu
pudesse.
Todos nós rimos, mas eu não acho que qualquer um de nós pensou por
um segundo que ele não quis dizer isso.
— Além disso, Stephan e Javier tem algumas notícias para você. — disse
James, olhando para eles.
Eu o olhei, surpresa ao ver que ele parecia nervoso. Eu virei para
Stephan, com um olhar que ele sabia que significava: fale logo!

Ele mordeu o lábio, enquanto pensava no que dizer. — Eu tive uma
reunião com James, hoje, enquanto você estava dormindo. — ele começou.
Isso era novidade para mim. Eu não tinha ideia de que ele tinha ido ao
escritório. — Ele magnanimamente concordou em colocar o capital inicial
para Javier e eu abrirmos um bar em Las Vegas.
Eu não reagi, apenas estudei todos eles, surpresa com o que havia
acontecido sem o meu conhecimento.
James não conseguia evitar, ele se insinuava em todos os aspectos da
minha vida, mas como eu poderia ficar brava, quando ele fazia coisas tão
maravilhosas para o meu melhor amigo? A resposta era simples. Eu não
podia.
Olhei para James. — Obrigada. — eu lhe disse sinceramente.
Ele deu de ombros. — É um investimento. Stephan me presenteou com
uma ideia que eu acho que vai ser bem sucedida. É simples assim. Não precisa
me agradecer.
Eu lhe dei um olhar irônico, mas isso foi tudo.
Nós terminamos, saindo com os rapazes. Dei um abraço de despedida
em Stephan, lhes desejando uma boa noite. James haviam liberado seu
próprio carro e motorista para a noite, e eles estavam no céu, amando o
tratamento VIP.
Nosso curto retorno ao apartamento, no carro, foi feito em um silêncio
constrangedor, já que Blake e Johnny tinham se juntado a nós na parte de
trás. James entrelaçou os dedos com os meus, mas isso foi tudo.
— Você vai me explicar o que aconteceu esta manhã? Jolene é casada? E
você era amigo do seu marido? — Eu perguntei, minha voz baixa. Eu estava
tentando ser razoável, tentando que o dia acabasse sem mais drama, mas eu
precisava que ele deixasse algumas coisas claras para mim.
Ele suspirou. Era um suspiro resignado, e seu rosto estava perturbado
quando ele olhou para mim. — Sim, é claro que eu vou explicar. Obrigado por
perguntar, e não apenas reagir. Vamos para a cama. Eu vou te dizer o que
você quer saber lá.
Estudei-o bastante desconfiada. — Você não pode simplesmente me
amarrar sempre que precisamos ter uma conversa que você acha que não vou
gostar.

Ele me deu um olhar presunçoso. Era irritante. — Por uma questão de
fato, eu posso. Mas esse não é o meu plano agora. Eu só prefiro falar no
quarto.
Estávamos em seu closet, nos despindo para deitar, antes que ele falasse
novamente.
— Scott conheceu Jolene quando ela era a minha sub. Ele se apaixonou
imediatamente por ela. Quando terminou o nosso contrato, Scott me
perguntou se eu me importaria se ele a convidasse para sair. Eu não me
importava, mas eu disse a ele que isso poderia não ser a melhor ideia, por
causa dele. Isso foi tudo o que eu disse e tudo o que eu soube. Sem que eu
imaginasse, eles se casaram menos de duas semanas mais tarde.
Ele conseguiu se despir primeiro, e se aproximou para me ver terminar.
— Poucos meses depois disso, Jolene me ligou, me pedindo para
encontrá-la para jantar. Eu não vi problema nisso, nem sequer sabia, se no
final das contas ela e Scott tinham saído, e eu estava entre as subs, então eu
simplesmente vi isso como uma chance para me distrair.
Eu fiz o meu rosto ficar cuidadosamente inexpressivo, enquanto olhava
para ele. O comentário casual me fez sentir... sensível, por razões que eu não
queria investigar.
—Nós... ficamos juntos naquela noite, e novamente alguns dias mais
tarde. Ela manifestou interesse em retomar nosso acordo anterior. Eu tentei
lhe dizer gentilmente que eu não estava interessado, e que eu achava que ela
deveria seguir em frente. Foi quando ela me disse que havia se casado com
Scott. Ela lançou isso como se fosse uma prova de que ela já havia seguido em
frente, pensando que isso iria, na verdade, me incentivar a reconsiderar.
— Nem preciso dizer que isso não ajudou em nada. Ao contrário, eu lhe
disse que não iria vê-la, nem tocá-la, se ela estava casada. Eu nunca quis ser
um amante, a ideia é repugnante para mim, especialmente quando eu estava
corneando um amigo meu.
— Eu parei de vê-la, parei de atender suas ligações, por pelo menos um
ano. — ele continuou. Eu estava entre as subs novamente, quando ela
finalmente conseguiu me cercar novamente. Ela estava divorciada então, pelo
que eu soube, mas eu não sabia exatamente o que tinha acontecido na época.
Mais tarde eu descobri que ela tinha se separado, porque me recusei a vê-la
enquanto estivesse casada. Eu nunca deveria tê-la tocado depois que

terminamos o nosso arranjo original. Vejo isso claramente agora. Minha
amizade com Scott atualmente é irreparável, infelizmente eu percebi isso
tarde demais. Ele é completamente apaixonado por ela, tanto que é incapaz
de ver a verdade. Eu costumava ficar completamente chocado com ele, por
perder a cabeça tão completamente por uma mulher — Ele me deu um sorriso
autodepreciativo... — Eu não estou perplexo com isso mais. Agora, a única
coisa que me deixa chocado é o seu gosto por mulheres.
Eu tive que sufocar o desejo de lhe dizer que eles pareciam compartilhar
um gosto semelhante. Eu disse a mim mesma com firmeza que isso não seria
uma coisa construtiva a dizer. Havia muita coisa sobre seu passado, que eu
precisaria esquecer se queria ter alguma esperança de ficarmos juntos. E
enquanto isso fosse realmente passado, eu pensei que poderia aprender a
lidar, embora sua explicação me incomodasse em uma série de níveis.
Fiquei em silêncio por um longo tempo, enquanto eu examinava os
meus próprios pensamentos, e terminava de me preparar para dormir.
James não gostou me ver pensativa. — Me diga o que você está
pensando? — Ele explodiu finalmente. — Você está brava?
Eu fui até o banheiro, lavei o rosto e escovei os dentes. James me
seguindo o tempo todo, a preocupação estampada em seus olhos brilhantes,
que nunca se afastava do meu rosto.
Eu estava subindo na cama, quando eu finalmente respondi. — Eu acho
que estou um pouco surpresa com você, que depois de tudo isso, ainda saiu
com ela apenas um dia antes de me conhecer. Eu não estou chateada,
apenas... é tão difícil para você ficar longe dela?
Eu olhei para ele apenas quando terminei de falar, mas eu vi claramente
ele recuando.
— Não é como você está pensando. Eu não sei se você vai pensar que
isso é melhor ou pior, mas eu não continuei encontrando com ela por todo
esse tempo, porque eu não poderia ficar longe. É mais o oposto. Tínhamos
preferências em comum, mas eu nunca gostei dela. Eu soube desde o início
que ela era gananciosa. Talvez apenas soubesse a extensão disso, quando ela
foi atrás de Scott, mas eu já percebia, pelo menos o suficiente para saber que
eu nunca poderia gostar dela. Eu a encontrava, porque eu precisava de uma
saída para as coisas que eu faço, e nos meus piores momentos, eu pensei que
nós merecíamos um ao outro. Eu nem sequer tinha muito contato com ela,
muitas vezes, só a encontrava quando estava entre subs e em um clima

particularmente sombrio. Na maioria das vezes, ela não tinha permissão para
falar...
Eu levantei a mão, ouvindo mais do que o suficiente. — Eu não acho que
eu posso suportar ouvir esses tipos de detalhes. Uma última pergunta, e
então, eu vou deixar esse assunto morrer. Por que Scott ainda a chama de sua
esposa?
Ele fez uma careta. — Scott nunca superou. Ele nunca a viu como ela é.
Ele só vê o pacote, e o fato de que ela é insaciáv...
Eu levantei a mão novamente. — Por favor.
Ele afastou meu cabelo do meu rosto. Eu olhei sua garganta bronzeada,
quando ele engoliu em seco, se inclinando sobre mim. — Sinto muito. Eu não
quero ser insensível. É difícil explicar essas coisas sem tocar nas coisas
sensíveis.
— Enquanto eu não tiver que ouvir mais sobre suas coisas sensíveis... —
eu disse a ironicamente.
Ele sorriu. — Você sabe que eu só estou interessado em suas coisas
sensíveis.
Eu torci o nariz para ele.
— Muito cedo para brincar com isso? — ele perguntou.
Eu balancei a cabeça.
Ele suspirou. — De qualquer forma, a verdade é que ele se casou com ela
novamente há algumas semanas. Pobre coitado. Ela vai torcer ele até secar.
Nada que eu possa fazer sobre isso, embora eu tenha tentado avisá-lo. E eu
não perdi o controle, Bianca, não como você está pensando. Ele tentou me dar
um soco, ele errou, e eu não. Eles foram escoltados para fora das instalações.
Não será permitida sua entrada novamente. Qualquer coisa mais que você
precise saber?
Eu balancei minha cabeça. Uma parte de mim poderia questioná-lo a
noite toda. Tudo nele me interessa, do seu passado até o seu presente, e o meu
lado masoquista, queria saber cada pequeno detalhe. Eu sabia o que eu
precisava saber, no entanto, e isso teria de ser suficiente.
Ele fez a sua rotina de médico depravado, examinando cada centímetro
de mim, e, em seguida, massageando meu corpo lentamente e com cuidado.

Eu estava bem satisfeita das atividades vigorosas da tarde, mas eu ainda o
queria de novo no momento em que ele terminou.
Ele estudou as minhas costas por um longo tempo, mas não disse nada,
apenas beijando suavemente as marcas que ele havia deixado lá com as rosas
pretas e azuis.
Eu senti como se tivesse dormido o dia inteiro, mas de alguma forma eu
me sentia deslizando novamente para o sono. Ele não tentou me distrair.
Eu estava naquela casa novamente. Eu me sentei como se estivesse
sendo puxada por uma corda. Meu pai estava gritando em algum lugar na
casa, um palavreado indecifrável em sueco, que meus ouvidos captaram,
mas que o meu cérebro não conseguia traduzir. Mesmo sabendo que era
uma má ideia, eu saí da cama.
Olhei para os meus pés descalços frios, e eles eram maiores, mais
crescidos, não como eu me lembrava. Algo estava errado, ainda mais errado
do que o normal. Ainda assim, caminhei em silêncio por esse longo corredor.
A cozinha era o lugar onde ele deveria estar, mas tudo estava errado.
A piscina vermelha grossa estava absorvendo a luz azul tapete do corredor,
visível antes que eu sequer chegasse à cozinha. Olhei para as minhas mãos.
Elas já estavam cobertas de sangue. Errado, errado, errado.
Ainda assim, eu me aproximei da cozinha, incapaz de ficar longe.
O corpo da minha mãe estava no chão, e isso foi tudo que eu podia
olhar por longos momentos, enquanto estava na porta. Sua cabeça tinha ido
embora — apenas várias partes do seu corpo no chão, e no meu cabelo, e em
minha camisola. Eu a reconheci apenas pelos nacos de longos cabelos
dourados espalhados por todo o seu corpo. Me ajoelhei ao seu lado,
segurando uma de suas delicadas mãos. Era a única parte dela ainda livre
de sangue.
No momento em que eu a tocava, mais partes do quarto entraram em
foco.
O corpo dela não era o único no chão. Outra mulher estava a alguns
poucos metros de distância, e eu vi por seu cabelo vermelho berrante que era
Sharon. Olhei para ela, confusa e horrorizada, como se minha mente se
recusasse a ver esse outro horror na sala. Só meu pai gritando me fez
finalmente olhar, e só porque suas palavras mudaram, uma frase com forte
sotaque em Inglês chamando a minha atenção.

— Olha, sotnos, olhe.
Eu olhei. Eu estava em pé, um grito construindo na minha garganta.
Meu pai ficou de frente para mim, mas não era ele que eu olhei — não era ele
que eu vi. A grande figura que estava diante dele, de costas para mim.
Perfeito cabelo castanho dourado apenas roçando o colarinho branco, de
uma camisa limpa, suas costas definidas, com aqueles músculos duros que
eram dolorosamente familiar.
— James. — eu disse, minha voz entrecortada, um pouco mais que um
sussurro.
Ele não se virou, sequer uma contração para mostrar que reconhecia a
minha presença.
Eu me aproximei, incapaz de desviar o olhar. — James. — eu disse de
novo, ainda chamando, mesmo com o quadro horrível na minha frente. Meu
coração parou no meu peito, quando todas as peças da imagem se
encaixaram no lugar com uma clareza assustadora.
Meu pai estava quase encostado nele, uma arma apontada dentro da
boca de James, empurrando em sua garganta, como se já considerasse sua
morte como fato consumado.
Os olhos de James estavam abertos, mas estavam vidrados, como se o
gatilho já tivesse sido puxado. Seus braços estavam moles do lado. Eu
agarrei o braço, mas a sensação de seus músculos soltos me fez recuar.
— Veja, Sotnos, assista. — meu pai disse friamente. Comecei a chorar,
quando o meu pai puxou o gatilho, incapaz de detê-lo — incapaz de desviar o
olhar.
James caiu em uma pilha no chão, a parte de trás de sua cabeça
desaparecendo em um respingo vermelho sangrento.
Sentei-me com um grito, meus olhos arregalados no escuro.
Eu comecei a me mover, necessitando de ação, embora eu não pudesse
ver onde eu estava, ou para onde eu estava indo. Eu estava chorando com
soluços entrecortados, quando braços fortes e duros me rodearam por trás,
me levantando e me virando com cuidado contra seu coração e um peito
dolorosamente familiar. Engoli em seco e me agarrei em James, mesmo
quando ele me levantou.

Fechei os olhos, enquanto James me levava até o banheiro, acendendo
as luzes ofuscantes brilhantes. Ele não me soltou, quando entrou no chuveiro,
ainda me segurando firmemente com um braço forte. Segurei-o com os dois
braços, me agarrando tão firmemente quanto pude. Eu não o deixei se afastar
mesmo quando ele tentou tirar a minha camisola.
— Não! — eu gritei, agarrando-o.
— Ok, shh, tudo bem, amor, eu não vou te soltar.—
Ele sentou no fundo da banheira, me mantendo firmemente contra ele,
esfregando uma mão calmante contra as minhas costas e me mantendo perto,
murmurando palavras suaves, enquanto eu lentamente acalmava.
Eventualmente, ele se afastou o suficiente para tirar minha camisola e depois
arrancou lentamente sua cueca boxer. Ele me puxou em um piscar de olhos
contra ele, assim que terminou, até que éramos carne contra carne.
Ele me lavou, me esfregando suavemente, mas completamente, como se
ele soubesse sobre o meu sonho sangrento, e sabia exatamente o que eu
precisava.
Ele não me questionou sobre o pesadelo — não me perguntou nada, mas
em vez disso me deu conforto, antecipando as minhas necessidades melhor do
que eu poderia ter pedido, se eu tivesse sido capaz de falar.
Eventualmente eu falei, derramando todos os detalhes do sonho em um
sussurro baixo agonizante.
Ele acariciou minhas costas enquanto eu falava, permanecendo em
silêncio, enquanto eu lhe contava sobre o pesadelo. Ele só falou quando eu
tinha terminado e fiquei em silêncio.
— Foi apenas um sonho, Bianca. Eu estou aqui, e eu estou bem. Seu pai
não seria capaz de chegar a mim, mesmo se tentasse. E nós vamos tomar
todas as precauções para garantir que ele nunca possa chegar até você. Nós
vamos ficar bem, amor. Tudo vai ficar bem.
Eu me senti melhor depois que eu contei tudo e, claro, depois que
James me tranquilizou com tanta convicção em sua voz. Nós nos secamos e
adormecemos. Eu agarrada nele enquanto entrava novamente a deriva.
Eu acordei, quando senti James sair da cama. Eu me sentei, quando a
porta do banheiro fechou, o chuveiro ligando um momento depois. Eu me

deitei, quase adormecendo novamente, quando ele ressurgiu. Eu me obriguei
a me levantar.
Eu o observei se vestir na entrada do closet, mal conseguindo não babar,
mesmo no meu estado de sono atordoado.
James me lançou um olhar quente. — Volte para a cama, amor. Eu
tenho que ir para o trabalho, mas isso não significa que você tenha que
acordar a esta hora. — ele disse, encolhendo os ombros para vestir uma
camisa branca.
Eu dei de ombros. Eu tinha dormido o suficiente.
Ele terminou de se vestir rapidamente, movendo-se para mim com um
propósito. Ele me beijou, um beijo lento e quente, mas se afastou levemente
para trás, sem fazer mais nada. Seu cabelo dourado arrastando em seu rosto,
quando ele se inclinou. Não estava nem seco ainda, mas ainda parecia um
modelo perfeito. Corri um fio entre os dedos.
James se afastou com relutância. — Todas as pinturas que você estava
trabalhando, foram trazidas para seu estúdio aqui. E eu acredito que Lana vai
tentar ligar para te convidar para o almoço hoje, no entanto, se ela não o fizer,
eu adoraria ter o privilégio.
Minhas sobrancelhas franziram. Eu tinha conseguido fazer um rápido
tour pelo meu novo estúdio, mas eu não tinha visto meus projetos atuais lá.
— Todos eles? — Eu perguntei, pensando no nu que comecei a pintar
dele, o que eu tinha enterrado em um baú no quarto de hóspedes da minha
pequena casa.
Ele sorriu maliciosamente. — Todos eles. Eu preciso ir. Se você não for
deitar, me acompanhe até a porta. — Enquanto falava, ele enganchou um
dedo na coleira em meu pescoço.
Ele me beijou no elevador. — Vamos jantar hoje à noite, então eu vou te
levar para o quarto andar. — ele me disse com a porta se fechando.
Eu já senti saudades no segundo que ele tinha ido embora. Eu estava
ainda pior do que achava.
Eu não conseguiria voltar para a cama vazia, então eu pintei.
Eu tive que sorrir, quando vi que ele tinha sido bastante literal sobre ter
trazido todas as pinturas que eu estava trabalhando em meu estúdio. Mesmo

o nu dele, de alguma forma tinha sido encontrado em minha casa e trazido
para cá. O homem não tinha limites, em absoluto.
Eu trabalhei no retrato de James com quatorze anos de idade, que eu
tinha iniciado na semana anterior. Eu trabalhei por horas, ficando totalmente
absorvida na imagem dele, uma foto de uma criança escandalosamente linda,
com a dor da perda e o peso do mundo sobre seus ombros.
Eu tinha feito um bom progresso na pintura, mas ainda estava nos
traços mais simples, quando ouvi uma batida rápida na porta do meu estúdio.
Eu me encolhi. Eu não tinha me trocado ainda. Eu comecei a pintar, por
volta das 5 da manhã, me esquecendo que poderia aparecer mais alguém na
monstruosidade desse apartamento.
Pousei meu pincel e abri a porta, mantendo meu corpo escondido.
Fiquei surpresa ao encontrar Blake na porta, segurando meu celular. Eu
tinha imaginado, naturalmente, que seria ou Marion ou Stephan na porta, e
eu estava esperando que fosse Stephan. Se alguém poderia me flagrar de
camisola, além de James, é claro que só poderia ser Stephan.
— Srta. Karlsson, o Sr. Cavendish gostaria falar com você. Por favor,
tente manter o seu celular ao seu lado, por questões de segurança. — ela disse,
com o rosto definido naquelas linhas dolorosamente solenes.
Eu só balancei a cabeça e fechei a porta na cara dela. Eu não estava
tentando ser rude, mas era difícil não ser, quando eu era uma mulher crescida
e ela parecia sentir a necessidade em me dizer o que fazer.
Eu nem sequer tive a chance de ligar para James, antes que ele estivesse
me ligando.
— Olá, Sr. Cavendish. — Eu disse ao telefone.
— Você está pintando. — disse ele com a voz mais quente.
— Mmmhmm. Como você soube?
— Só com o som da sua voz. É uma espécie de voz sonhadora e suave.
Eu queria estar ai. Gosto de vê-la pintar. Adoro ver esse olhar sonhador em
seu rosto.

Eu tremia, adorando essas palavras românticas e à baixa cadência de
sua voz rouca. — Eu queria que você estivesse aqui também, se estivesse, eu
estaria trabalhando no nu.
— Eu vou posar hoje à noite, se você quiser.
— Eu quero.
— Eu principalmente te liguei porque eu estou entre as reuniões e eu
queria ouvir o som da sua voz, mas também porque Lana está tentando falar
com você. Ela é uma mulher cruel e persistente, e ela me fez te ligar para
pedir que ligue para ela. Ela está tentando, mas obviamente você se esqueceu
de que tem um telefone. Mais uma vez.
— Eu esqueci. — eu concordei. Eu não podia negar.
Eu o ouvi suspirar pesadamente. — Eu preciso ir, mas por favor,
mantenha o seu telefone com você.
— Ok. — eu disse. Eu poderia dizer pelo seu tom de voz que ele
precisava se apressar, e assim eu fui rápida. — Eu te vejo hoje à noite. — eu
disse a ele em voz baixa.
— Sim, você vai. Adeus, Amor.














CAPÍTULO SEIS
Sr. Romântico

Eu estava procurando na minha lista de contatos, na esperança de que
alguém houvesse acrescentado o número de Lana, quando meu celular
começou a tocar na minha mão. Era um código de área estranho em New
York, então eu pensei que deveria ser ela.
Eu respondi imediatamente. — Olá. — eu disse com um sorriso. Eu já
estava pensando em nosso encontro para o almoço.
Uma voz definitivamente masculina e completamente estranha
respondeu de volta. — Bianca Karlsson?
Eu não respondi imediatamente, confusa e desconfiada de alguém que
sabia o meu número. Era um tabloide? Era parte do exército Cavendish de
seguranças?
— Sim, é ela. — eu disse, finalmente, mantendo minha voz calma e
educada.
O homem limpou a garganta do outro lado. Ele estava nervoso. Eu tinha
quase certeza disso. Quem era?
— Sinto muito incomodá-la... Eu sou Sven. Sven Karlsson.
Meu coração parecia ter congelado no meu peito, quando ouvi o nome
do meu pai. Meus ouvidos apenas se enchendo com uma espécie de ruído
rouco, e por um longo tempo, eu apenas fiquei lá, em um silêncio atordoado.
— Eu sou seu, hum, meio-irmão. Sven Jr., eu acho.
Eu ainda não conseguia encontrar as palavras para responder. Eu
precisava me sentar, mas não conseguia me fazer virar para procurar uma
cadeira.

Por fim, ele falou de novo: — Desculpe incomodá-la. Eu provavelmente
não deveria ter ligado. — Sua voz soou tão triste que de repente eu descobri
que poderia falar.
— Não, não, não fique triste. Acabei de ouvir sobre sua mãe. Sinto muito
pela sua perda. Eu nem sabia que você existia até poucos dias atrás.
— Oh. — ele disse. — Bem, eu sei que isso é estranho, mas eu ouvi dizer
que você fica bastante tempo em Manhattan. Eu moro aqui, e eu queria saber
se poderíamos nos encontrar para tomar um café em algum momento. Eu não
tenho qualquer família, e para ser honesto, eu queria conhecê-la há um longo
tempo.
Ele me surpreendeu, e fiquei em silêncio novamente. Esta era a última
coisa que eu esperava, quando eu soube que eu tinha um meio-irmão. O
pensamento de alguém que estava relacionado a mim pelo sangue, que
realmente quer me conhecer era tão... estranho. Eu não poderia dizer que
adorava a ideia, mas como eu poderia recusar?
— Ok. — eu concordei, finalmente. — Mas eu não tenho certeza quando
poderia ser.
— Que ótimo. Você pode simplesmente ligar para mim quando puder.
Qualquer hora e local que você esteja confortável.
Ele parecia tão... legal. Quando eu tinha pensado no filho do meu pai, eu
tinha automaticamente pensado em meu pai, mas este homem não soava
assim.
— Ok. — eu disse com mais firmeza. Eu queria fazer isso, eu queria ver
esse homem, que era uma peça estranha que faltava na minha família
quebrada. — Eu vou fazer isso. Talvez em uma ou duas semanas, em uma
sexta-feira na hora do almoço?
— Parece ótimo. Apenas me confirme quando quiser. O ideal é se
pudesse me avisar com algumas horas de antecedência, mas se conseguir
avisar apenas na última hora, está tudo bem para mim, também.
Nós nos despedimos ainda um pouco duros, e finalmente eu me
esparramei no divã branco do estúdio, tentando envolver minha mente
entorpecida naquela reviravolta estranha dos eventos.
Eu estava apenas começando a me sentar, tentando fazer algo diferente
do que apenas deitar e pensar, quando meu telefone tocou na minha mão.

Era um outro número estranho de New York, e eu atendi, esperando
realmente que fosse Lana neste momento.
— Ahá! Eu encontrei você! — Lana disse sem preâmbulos. — Venha me
encontrar no Hotel Cavendish, no Light Café. James me disse que ia
emprestar você para mim no almoço, mas só se almoçarmos em seu hotel.
Você já reparou que seu namorado é um pouco mandão?
Eu ri. — Tenho notado isso. — eu disse, meu humor subindo
instantaneamente. Um almoço com uma amiga divertida era exatamente o
que eu precisava.
Decidimos nos encontrar ao meio-dia, encerrando a conversa
rapidamente.
Tomei banho rapidamente e vesti uma elegante saia cinza plissada,
combinando com uma blusa leve azul de seda, sem mangas e gola alta.
Sandálias de couro com salto anabela laranja completaram o conjunto. Eu
aceitei a sugestão de Jackie para os sapatos e, novamente, ficou muito bom,
embora jamais teria pensado nisso sozinha.
Eu havia notado que a penteadeira ostentava agora uma seção inteira
apenas para as minhas jóias. Eu havia sido cautelosa até mesmo em olhar
para elas, mas sabendo que, provavelmente, iria ver James, já que estávamos
indo para o hotel, pensei que nada lhe agradaria mais, Olhei para o que eram,
obviamente, novas adições à minha coleção de joias.
Eu usava o meu colar, então eu só olhei para a seleção de brincos. Notei
uma pequena caixa branca imediatamente, uma vez que parecia diferente do
resto. Ela parecia mais antiga, e a caixa tinha a data em que foi vendida, com
um bilhete por cima. Eu arranquei o bilhete, me sentindo corajosa.

Bianca, meu amor,
Estes eram da minha mãe. Por favor, aceite-as. Vai quebrar meu
coração se você rejeitá-las.
James
Minha mão tremia e meus olhos se encheram de lágrimas. Com amor e
com culpa, porque eu as teria rejeitado, especialmente sabendo que eram de

sua mãe, se não fosse por esse bilhete, terrivelmente romântico. Eu abri a
caixa com as mãos trêmulas.
Dentro dela havia um par de brincos bem grandes, modelo princesa,
com pingentes de diamantes, e rodeado por pequenas pedras de safira. Na
verdade, isso é o que eu imaginei que seriam aquelas pedras preciosas.
Eu não me deixei pensar muito sobre isso - não me permiti duvidar.
Coloquei aquelas coisas lindas, sabendo que elas eram muito mais do que
apenas brincos absurdamente caros.
Eu sequei meu cabelo, escovando solto nos meus ombros. Os brincos
brilhavam mesmo com meu cabelo solto, mas eu decidi prender meu cabelos
de um lado e apresentá-los de forma mais clara.
Eu levei mais tempo do que o habitual com a minha maquiagem,
sabendo que Lana estaria apenas a modelo perfeita, e que eu iria ver James.
Bati na porta de Stephan e Javier quando estava pronta para sair.
Stephan atendeu a porta, absolutamente lindo, vestindo apenas uma
cueca boxer. Sorrimos um para o outro. Ele me puxou para o seu peito em um
abraço quente, beijando o topo da minha cabeça. Abracei-o com força, minhas
mãos em suas costas, me enterrando em seu peito. Ele cheirava a família... e
Javier, mas tomei isso como um bom sinal.
—Vou almoçar com Lana, é uma mulher realmente agradável e uma
amiga íntima de James que eu conheci na semana passada. Vocês se
divertiram a noite? — É evidente que eles tinham se acabado, pois Javier
ainda estava de bruços na cama, inconsciente.
Stephan riu. — Você poderia dizer isso. Estávamos um pouco malucos,
com o carro e motorista.
Javier fez um som muito sexual da cama, movendo-se contra os lençóis
de uma forma sugestiva.
Corei.
Stephan riu. — Ele está sonhando comigo. Divirta-se, Abelhinha. Eu te
amo.
— Eu também te amo. — eu disse, saindo rapidamente. Os rapazes
obviamente precisavam de privacidade.

Lana já estava me esperando no Light Café, dentro do hotel Cavendish,
quando eu cheguei lá. Ela estava sentada em uma das mesas centrais bem
espaçadas, ao lado de uma estranhamente silenciosa fonte de pedra enorme.
Era um enorme salão, com um imenso pé direito, e alinhado a três grandes
janelas, que deixavam entrar uma quantidade quase ofuscante de luz. Eu tive
que colocar meus óculos de volta quando entrei no café.
A decoração era toda de pedra cinza e alguns detalhes em vermelho,
como se pequenos pedaços do restaurante Red, que estava bem próximo,
tivesse sangrado até o restaurante.
Ela se levantou e me deu um abraço caloroso quando me aproximei da
mesa. Ela usava uma saia lápis de marfim, com uma camisa branca
masculina. Seria a roupa típica de uma mulher de negócios, se não fosse pelo
seu corpo de modelo de biquíni, e seus peep-toe altos carmesim. Suas jóias
eram simples e de ouro, brincos de argola em suas orelhas e um colar que
combinava com a pulseira, um modelo simples e liso.
Todas as mulheres ricas que eu tinha sido apresentada nos últimos
tempos pareciam usar jóias menos extravagante do que eu usava. Era um
pensamento alarmante.
Com o canto do meu olho, eu vi os meus seguranças se posicionarem em
torno da sala.
Nós sentamos.
— James é incorrigível. Eu juro que ele chamou os paparazzi para mim!
Eles estavam do lado de fora me fotografando quando cheguei. Eu não
costumo chamar a atenção deles, a menos é claro, quando eu vou sair com
James. Eu sou muito entediante. Mas agora eles vão fazer uma reportagem
sobre como até mesmo a herdeira Middleton prefere o hotel Cavendish,
aquele maldito!
Eu ri, porque ela estava o amaldiçoando com um sorriso genuinamente
amoroso em seu rosto.
Depois que nós duas pedimos chá puro e água. Lana sorriu para mim. —
Nós realmente poderíamos ser irmãs. Então me diga, como você está com
James? Você sabe que ele é perdidamente apaixonado por você, certo?
Corei e engoli em seco. — Ele é maravilhoso, mas tão avassalador. Eu
não sou do tipo que se apressa em nada, nem mesmo nas menores coisas, mas

ele simplesmente não entende. Eu amo estar com ele, mas tem sido uma
montanha-russa.
— É por isso que você precisava de um tempo longe dele. Eu entendo. —
ela disse, sua voz cheia de compreensão e simpatia. — Ele estava tão triste
naquele mês, tão... desolado. Eu nunca o tinha visto assim antes. Fico feliz
que isso ficou para trás. Ele precisa de você, Bianca. Todos devem ter a
experiência de um amor assim. Esse tipo de amor nos torna pessoas
melhores.
Suas palavras me fizeram pensar no homem que ela tinha se referido
brevemente na primeira vez que nos conhecemos. Eu ainda me lembrava do
nome, uma vez que tinha mexido tanto com ela, apenas em falar seu nome.
A garçonete voltou em seguida, apenas para trazer nossas bebidas e
pegar os nossos pedidos. Eu pedi um pão de trigo com peru derretido, e
batata-frita. Eu pensei que era estranho ter essa opção no menu em um café
tão chique, mas para mim era ótimo.
— Me conte sobre Akira Kalua. — eu disse, porque ela me prometeu que
faria.
Ela me deu um olhar zombeteiro. — Eu sabia que você não ia esquecer
isso. — Ela suspirou profundamente. — Eu sou apaixonada por ele desde que
eu tinha dez anos. Infelizmente, quando eu estava com 10, ele já tinha vinte
anos. Mas isso foi bom. Eu estava disposta a esperar o tempo que fosse
necessário, desfrutando de sua companhia, tentando ficar ao seu lado na
maior parte do tempo que eu conseguisse. Ele me ensinou a surfar. Sua
família foi tão boa, me adotando quando os meus pais deixaram Maui. Ele me
fazia rir. Deus, como ele me fazia rir. Minhas memórias mais felizes eram de
fazer piadas sobre ele. Eu o atormentava muito, mas ele nunca ficou com
raiva, nunca perdeu a paciência. Ele era tão maravilhoso para mim, e eu
pensava que ele era a criatura mais bela do planeta.
Ela olhou para suas mãos, e eu sabia que a história estava prestes a
tomar um rumo pior. — Quando eu tinha dezoito anos eu o seduzi. Eu fui
completamente implacável sobre isso. Eu disse a ele que se ele não aceitasse
tirar a minha virgindade, e fazer de uma forma que fosse inesquecível para
mim, eu a daria para qualquer garoto bêbado, pertencente a alguma
fraternidade na faculdade, provavelmente odiaria sexo para o resto da minha
vida depois disso, e provavelmente ainda pegaria uma DST.
Eu sufoquei uma risada, porque era uma coisa tão escandalosa a fazer.

Ela não se ofendeu com minha risada.
— Oh, sim, eu o fiz se sentir culpado. Não há outra forma de ver isso.
Depois que aconteceu, eu tive que sair. Mas eu pensei que o sexo mudaria
tudo para nós, e realmente mudou. Ele estragou tudo. Depois disso eu fiquei
mais apaixonada do que nunca, e ele me via apenas como sua irmã mais nova.
Ele ainda era apaixonado pela sua ex-namorada. Ele voltou com ela no dia
seguinte que ficamos juntos. Eu ouvi o que ele disse a ela sobre mim. Ele disse
que eu era uma amiga da família, com uma paixão inconveniente. Ele não
estava errado, mas isso ainda quebrou meu coração. Fui embora naquele
mesmo dia. Deus, eu ainda sinto falta daqueles rochedos.
Eu a estudava. Eu tive muita dificuldade em acreditar que ele só teve
relações sexuais com ela por pena. — Ele devia te querer, para que aceitasse a
sua oferta. Eu não sou nenhuma expert, mas eu não acho que os homens
fazem sexo com mulheres que eles não querem. E os homens sempre querem
mulheres que se parecem com você.
Ela encolheu os ombros. — Nada disso importa agora. Isto tudo é
passado. Eu gosto de ficar sozinha. Envolvimentos românticos simplesmente
não me interessam. Estou feliz com o trabalho. Eu me mantenho ocupada.
—Você ainda é apaixonada por ele. — eu disse, sabendo com certeza de
que eu estava certa.
Ela encolheu os ombros. — Eu não posso evitar, mas eu tento pensar
nisso o mais raramente possível. A última coisa que eu soube é que ele ficou
noivo da sua namorado da escola.
— Você precisa voltar para Maui. Você ainda pensa em lá como sua casa.
Você deve retornar, nem que seja apenas para fechar o ciclo. Quantos anos já
se passaram, desde que você partiu?
— Oito anos. — Ela encolheu os ombros novamente. — Talvez eu vá,
algum dia. Eu sinto saudades. Sua vez. Me conte sobre você e James.
Olhei em volta, me certificando de que tínhamos privacidade. Eu me
inclinei para ela. — Ele gosta de BDSM. Bem, nós dois gostamos, na verdade.
Ela sorriu com ironia, sem qualquer olhar, no mínimo surpreso.
— Você sabia?

— Não em primeira mão, mas Jules tentou me dizer sobre isso uma vez,
quando ela pensou que ele e eu estávamos namorando. Ela estava tentando
me assustar. Você já reparou que todos os homens realmente bonitos sempre
tem uma coisa dessas? As mulheres são simplesmente muito fáceis para eles,
eu acho, então eles parecem sempre desenvolver... peculiaridades, você não
acha?
Eu ri, porque eu amei saber sua opinião sobre o assunto, e que no final
não fazia a menor diferença para ela. — Não, eu não sei muito. Eu só sei que
James, na verdade ele e eu compartilhamos... peculiaridades.
Ela encolheu os ombros. — Eu tenho uma coisa com homens gigantes
havaianos que tem o corpo musculoso e bem definido, são lutadores
profissionais, e estão cobertos de tatuagens.
— Os homens? Portanto, este é um padrão para você? — eu perguntei,
genuinamente curiosa.
Ela torceu o nariz, os olhos cor de violeta brilhando. — Só Akira.
Ela olhou para algo atrás do meu ombro. — Oh, senhor, lá vem Jackie.—
Ela pegou minha expressão. — Você não gosta dela?
Eu dei o meu pequeno encolher de ombros. — Não muito até agora.
Lana acenou com uma mão elegante para a mulher. — É um fato de que
ela é mais do que meio louca. Você sabia que ela realmente acha que fazer
compras é um trabalho legítimo? Mas ela é muito engraçada quando você
começa a conhecê-la. Ela é apenas bruta no jeito, isso é tudo.
Ela não conseguiu ser mais agradável ou engraçada em nenhum dos dia
que a vi, mas eu segurei minha língua.
Jackie se aproximou de nós, com seus pequenos passos severos, usando
short alfaiataria, habilmente costurado, e uma camisa de colarinho quase
severamente modesta. Todo o conjunto era verde ervilha, uma cor que
funcionava bem com sua aparência, mas que eu não achava que iria funcionar
para muitos. Suas pernas eram bonitas, e seus saltos com solas vermelhas,
sustentando o traje mais conservador.
Jackie estava olhando para o meu colo, como se tivesse algo nojento
crescendo lá.

Eu olhei para minha bolsa creme, que ela tinha escolhido no dia
anterior.
— Duas vezes usando a mesma bolsa, Bianca? Você tem um armário
cheio de bolsas! Você está tentando me envergonhar?
Lana fez tsc,tsc para ela afetuosamente. — Parece que você está fazendo
isso tudo por conta própria, Jackie. Relaxe. É uma bolsa. Uma bolsa
encantadora. Vá embora, se você não estiver confortável com isso.
Jackie a olhou surpresa, mas não ofendida. — Você não vai me convidar
para acompanhá-las no almoço?
Lana balançou a cabeça. — Não... O que você está fazendo aqui?
Jackie deu de ombros. — Eu venho aqui todo o tempo. É um bom lugar
para ser vista. E eu queria discutir algumas coisas com Bianca.
— Agora não... Você a está perseguindo?
— Nããão. Eu só preciso de um minuto.
— Então, marque uma reunião. — Lana disse com um sorriso doce.
— O que você quer, Jackie? — eu perguntei, tentando deixar o meu tom
suave ao invés de hostil.
Ela enfiou a mão na própria monstruosidade de bolsa. Era de couro
verde ervilha, com um grande faixa vermelha do lado. Ela tirou um pequeno
pedaço de papel, brandindo-o como uma arma. — Eu tenho uma lista de
eventos que você precisa participar. Principalmente almoços.
Eu suspirei, acenando para uma das cadeiras vazias na nossa mesa. —
Sente-se e me diga sobre o que você está falando, Jackie.
Ela se sentou e começou a falar, como se tivesse ensaiado toda aquela
lenga lenga. — Como namorada de um homem poderoso e influente na
cidade, você tem algumas novas obrigações. Você vai ter que comparecer a
almoços, brunchs e eventos políticos, quase todos os dias da semana.
Senti meu rosto endurecendo, enquanto ela falava.
— Ficar com James é um trabalho em tempo integral. Estou disposta a
lhe mostrar o caminho, já que você não pode entender o que tudo isso
implica...

— Eu tenho um trabalho. — eu interrompi. — Eu não estou à procura de
outro. Não tenho nenhum desejo de ir para eventos com um bando de
mulheres estranhas todos os dias.
Ela soltou um pequeno suspiro. — Eu estava com medo que você fosse
dizer isso. Você não pode entender o tipo de responsabilidades que James e
eu tivemos que ter desde nossas infâncias...
Eu ri na sua cara, meu temperamento feroz, que raramente mostrava
sua cara, subindo rapidamente na minha cabeça, as palavras que ela tinha
escolhido me obrigando a isso. — Responsabilidade? Você vai me ensinar
sobre responsabilidade? Eu tive que cuidar de mim desde que eu era uma
criança. Você provavelmente ainda vive com o dinheiro dos seus pais. — Eu
adivinhei. Eu vi pela sua expressão que eu estava certa. — Não se atreva a
dizer uma palavra sobre responsabilidade para mim!
Eu imediatamente me arrependi de perder minha calma, mas eu não
levaria nada do que disse de volta. Não era nada mais que a verdade, mesmo
que fosse indelicado.
— Eu não queria incomodá-la novamente. — disse ela com cuidado. —
Eu sei que você não gosta de mim. E eu sei que você acha que eu não gosto de
você, mas isso não é verdade. Estou tentando ajudá-la.
Eu levantei a mão. — Não faça isso. Não tente me ajudar. Não tente me
dizer o que eu preciso fazer com meu tempo.
Ela suspirou, aquele pequeno suspiro novamente. — Tudo bem, eu vou
parar, mas me avise se você reconsiderar.
Olhei para Lana depois que ela saiu. — O que há com ela?
Lana balançou a cabeça. — Ela é um pouco estranha, então eu não posso
dizer com certeza, mas eu estou imaginando que é uma forma de se auto-
promover, uma vez que ela poderia reivindicar em vesti-la em todos esses
eventos que ela está tramando. Uma outra coisa seria que ela realmente acha
que está tentando ajudá-la, na sua própria maneira equivocada. Meu conselho
seria desafiá-la. Sua personalidade exige. Dê-lhe algumas condições
arbitrárias para montar seu closet.
Ela estalou os dedos como se tivesse acabado de ter uma ideia.
— Já sei. Diga a ela que você só quer usar roupas de estilistas que
estejam começando agora e sejam promissores. Insista que você não irá usar

qualquer outra coisa. Isso vai deixá-la louca, mas é perverso o suficiente para
fazer com que ela goste.
Eu torci o nariz para ela. — Eu vou tentar, mas eu não a entendo.
Ela apenas deu de ombros. — Jackie leva tempo para se entender, mas
eu garanto que você irá gostar dela.























CAPÍTULO SETE
Sr. Inspiração

Nós conversamos e comemos, e conversamos um pouco mais.
Estávamos conversando e rindo durante horas, quando Lana olhou para o seu
telefone e gemeu.
— Eu preciso ir a uma reunião. Obrigada por vir me encontrar. — Lana
disse, começando a recolher suas coisas.
— Obrigada por me convidar. É bom descobrir que James tem algumas
amigas que não são completas psicopatas.
Ela jogou a cabeça para trás e riu. Ela era uma visão, com o cabelo loiro
de sereia, e seus olhos cintilantes.
Nós estávamos nos levantando da mesa, quando vi James caminhando
pela porta do café agora lotado. As pessoas pararam em seus passos para vê-
lo, inclusive eu.
Ele só tinha olhos para mim, quando se aproximou.
Ele passou um braço em volta da minha cintura, segurando com força,
antes de dar um sorriso deslumbrante para Lana. — Nós vamos acompanhá-la
até a saída. — ele disse.
Andamos ladeados pelos nossos seguranças, no qual Lana não tinha
dito nem uma palavra, e nos despedimos. Fiquei surpresa quando James me
levou até o carro, e depois entrou comigo no grande SUV. Eram apenas 14hs,
e eu não tinha imaginado que ele sairia do trabalho tão cedo.
— Você já encerrou o dia? — Eu perguntei a ele, quando me acomodei
no assento do meio.
Ele me manteve em suspense com o seu excesso de controle, antes de
responder. — Eu encerrei. — Ele sorriu. Era o sorriso mais charmoso e
incorrigível, o sorriso de uma criança cabulando a escola, porque ninguém
poderia falar que não podia.

Eu trilhei os seus lábios com um dedo. — É uma boa notícia. — eu disse
baixinho.
— Eu repassei algumas reuniões para meu Vice-Presidente. Reuniões
que estavam acima de seu nível, assim talvez eu tenha que lhe dar um
aumento. Eu quero vê-la pintar. Eu precisava ver esses olhos sonhadores em
primeira mão.
Ele tocou um dos meus brincos, seus olhos tão suaves como eu nunca
tinha visto.
— Obrigado por isso. — ele sussurrou, sua voz emocionada.
Eu me derreti.
Fomos direto para o apartamento. Encontramos Stephan e Javier em
uma das maiores salas de entretenimento, jogando videogames e comendo
sanduíches. Eles ainda estavam de pijama.
Eu ri quando olhei para eles.
Stephan sorriu de volta para mim.
Javier nem sequer olhou para cima. Ele estava muito ocupado tentando
caçar e matar o personagem de Stephan no jogo. Ele não foi bem sucedido.
Stephan atirou na cabeça do personagem de Javier em poucos
segundos, mal olhando para a tela. Ele era o pior jogador para ter como
adversário. Ele nunca perdia.
Javier amaldiçoou. — Eu quase peguei você!
— Acertei sua cabeça. — Stephan apontou.
James puxou a minha mão, desviando o meu olhar para ele. Ele sorriu
para mim, um brilho nos olhos. — Bem, nós poderíamos jogar uma ou duas
partidas. Estou gazeteando meu trabalho. O jogo é praticamente uma
exigência.
— Estou na equipe de Stephan! — Eu disse rapidamente. Se eu ia jogar,
que fosse pelo menos para ganhar.
James apontou para mim. — Você vai pagar por isso.

E eu paguei. Acabamos jogando por horas, e eu fiquei acuada. James me
matou, de novo e de novo, sem nenhum remorso. Ele, aparentemente, levou
para o lado pessoal, quando eu escolhi outra pessoa para a equipe. Bom saber.
Marion nos trouxe comida enquanto jogávamos, já que estávamos ali há
tanto tempo.
Ganhamos alguns jogos e perdemos um pouco, mas era mais uma
disputa entre James e Stephan. Javier e eu irremediavelmente éramos um
caso perdido.
Eu dei uma cotovelada em James, quando ele atirou na minha cabeça
mais uma vez.
— Este jogo é tão machista. — eu reclamei. — Eu ainda não posso
acreditar que não há uma opção para eu jogar como uma garota.
— Você acha que se estivesse jogando como uma loira peituda, isso iria
me distrair? — James perguntou divertido.
— Você não poderia me machucar.
Ele jogou seu controle no chão. Eu dei um gritinho constrangedor
quando ele me jogou por cima do ombro. — Nós encerramos aqui, pessoal.
Botão de Ouro quer me distrair. Me considere distraído.
Os rapazes nos deram 'boa noite' quando James me pegou, mesmo que
ainda não fosse 18hs. Acho que eles entenderam que, se fossemos para nosso
quarto, não iríamos sair tão cedo.
Fiquei surpresa quando James não me levou para o nosso quarto, em
vez disso fomos para o estúdio.
— Você vai posar nu? — eu perguntei, sem fôlego, quando ele me
empurrou em seu ombro.
— Sim. Com uma condição.
— Que condição?
— Eu também quero você nua, enquanto você pinta.
Não parecia justa essa condição, mas eu ainda meio que queria.
Minha respiração saiu dos meus pulmões em uma corrida, quando
James de repente me jogou no divã confortável que ocupava um canto do

estúdio, perto da janela. Ele não se lançou sobre mim, como eu tinha
pensado, e desejado que ele fizesse. Em vez disso, ele começou a tirar a roupa.
— Tire suas roupas e me pinte, amor. — ele disse, com um sorriso de
parar o coração.
Organizei meu material primeiro, separando apenas o que iria precisar.
O sol estava lentamente se pondo, e o melhor da luz do dia tinha passado,
então eu acendi as luzes brilhantes do teto, para iluminar o homem mais
bonito do mundo, descansando em um divã, nu e a meu dispor.
Eu comecei a pintar, me esquecendo que eu também deveria estar nua.
James não teve escrúpulos em me lembrar. — Arranque as roupas.
Todas elas. Agora!
Tirei devagar e um pouco sem jeito. Não era strip tease. Eu não acho
que eu tinha isso em mim. Eu não tinha dúvidas de que tinha algo selvagem
dentro de mim, mas não era isso.
Eu não usava nada, apenas o colar em meu pescoço, e os meus brincos,
quando finalmente comecei a pintar. Surpreendentemente, eu fui capaz de ir
direto para o projeto, não tão distraída com minha própria nudez como eu
pensei que ficaria. Isso era, provavelmente, porque eu estava completamente
cativada pelo homem que inspirou a pintura.
James me assistiu pintar, como ele disse que precisava. Era difícil não
se sentir auto consciente, mesmo se não estivesse nua, quando alguém estava
olhando para você como se fosse a criatura mais bela e fascinante sobre o
planeta.
Eu tinha pintado a maior parte de seu rosto, face e peito, antes que me
distraísse com o tópico da minha pintura. Quando eu tinha pintado o seu
peito, eu queria tocá-lo, beijar, e enterrar meu rosto lá. Eu senti um desejo
semelhante quando eu comecei a trabalhar com a curva de seu pescoço, e seu
abdômen, inferno, até mesmo seu cabelo. Mas quando eu comecei a trabalhar
naquele pequeno músculo pélvico em forma de V sexy, eu me perdi
completamente.
Eu me vi lambendo muito os lábios, enquanto estudava essa área do
corpo. Eu sentia, mas não conseguia parar.
Como se isso tivesse me tirado daquele transe sonhador, que eu parecia
entrar quando me perdia em uma pintura, de repente comecei a sentir um ar

quente contra a minha pele nua, como se temperatura tivesse repentinamente
subido dez graus no quarto. Minha pele estava quente, meus seios tão
pesados, meus mamilos endurecendo até que tremiam. Eu sabia com toda
certeza, eu não iria fazer mais progressos no seu quadro naquela noite.
Pousei a minha paleta, pegando outra. Elas eram um luxo que eu nunca
tive antes. Geralmente, eu misturava as tintas em qualquer pedaço de plástico
que eu achava ser da forma e do tamanho certo. James tinha uma dúzia para
mim aqui, em sua própria gaveta separada.
Comecei a procurar entre uma seleção de tintas acrílicas que estavam
classificadas por cor. Eu encontrei uma chamada Turquoise, mas não era
muito boa, então eu misturei com apenas um toque de esmeralda na paleta.
— O que você está fazendo? Você mistura os tons das cores quando
pinta? Eu não percebi isso antes em seu trabalho. — James perguntou,
parecendo surpreso.
Meu rosto corou de prazer. Que ele soubesse muito sobre o meu
pequeno passatempo, e que ainda estudava o que eu fiz, ainda me
surpreendia, mas cada vez mais, era apenas mais uma boa surpresa. Meu
instinto natural para duvidar de tudo o que ele falava e fazia, estava se
transformando em outra coisa agora. Ele não mentia. Sobre nada. Eu percebi
que era libertador para mim, de alguma forma. Se ele não mentia, eu não
tinha que questionar cada pequena coisa que ele falava ou dizia. Era uma
sensação libertadora.
Peguei um pincel maior, mergulhando-o levemente na tinta da minha
nova paleta quando eu voltei para o meu cavalete. Eu caminhei como se
estivesse indo pintar sobre o papel, em seguida, trouxe a escova lentamente
para o meu próprio peito. Eu segui o grande globo da minha mama direita
com um leve toque.
James respirou fundo, se sentando ao me ver. Seu pênis tinha se
acalmado a semi-duro, pela primeira vez, mas rapidamente ficou em atenção,
inflando como um brinquedo particularmente maravilhoso.
Eu segui o pincel até o meio da minha barriga, quase alcançando o meu
sexo, antes de trilhar para o lado, pintando o meu quadril.
— Venha aqui! — James disse rispidamente.

Eu tinha a intenção de provocá-lo um pouco, mas meu corpo começou a
se mover imediatamente com suas palavras, caminhando para ele lentamente,
arrastando o pincel para o meu outro quadril com uma pincelada leve.
Ele lambeu os lábios. — Continue. — ele disse, sem fazer nenhum
movimento para me tocar, mesmo depois que eu me aproximei.
Eu pintei o meu torso novamente, traçando as minhas costelas, uma por
uma lentamente, primeiro um lado e depois o outro. Eu mergulhei na minha
paleta, pegando uma quantidade generosa do turquesa. Eu pintei os ossos
abaixo do meu pescoço, com muito cuidado para não arranhar a minha
gargantilha trancada. Eu pintei meu outro seio, passando o pincel em círculos
largos ao longo dele, até chegar ao mamilo duro como pedra no centro.
James fez um pequeno hmm, de aprovação em sua garganta, então eu
permaneci ali, pintando pequenos círculos, enquanto observava meu pincel se
mover, com muita atenção. Eu dei ao outro seio o mesmo tratamento lento.
James se inclinou para trás nos cotovelos. Ele bateu um local perto de
seu quadril. — Coloque o seu pé direito aqui. Eu quero que você pinte suas
coxas para mim.
Apoiei meu pé em seu quadril, e ele conteve um suspiro. — Porra, eu
posso ver como você está molhada daqui.
Eu pintei o meu corpo, passando no meu quadril e nas minhas coxas. Eu
pintei as bordas superiores das minhas coxas cuidadosamente, parando
apenas timidamente antes do meu monte. Eu pintei para trás e para frente,
para trás e para a frente, a partir do topo da minha coxa até o joelho e
voltando, o provocando com o movimento.
— Você está ferida? — Ele perguntou, sua voz grossa.
— Como ferida? Pelas rosas? — Eu perguntei, pintando um padrão
preguiçoso na minha perna, então de volta a minha panturrilha.
— Eu sei que você está ferida das rosas. Eu vi as marcas em você. Estou
falando dentro. Você está muito sensível para foder duro?
— Hmmm. Só há uma maneira de descobrir. — eu disse a ele.
Aproximei-me dele, minhas pernas abertas entre as suas coxas,
deslizando sobre sua ereção palpitante, finalmente passando o pincel contra
seu estômago duro. Eu segui o pincel sobre seu rosto perfeito. Ele inclinou o

rosto para me dar melhor acesso. Eu pensei que eu tinha acertado a cor de
seus olhos, mas quando comparei a pintura contra essa cor singular, eu vi que
não tinha sequer chegado perto. Seus olhos tinham pequenas manchas de
ouro ao redor da íris, e seus olhos eram ainda mais claros, uma limpidez que
aparentava ser mais leve, como de alguma forma lhes desse ainda mais
substância.
— Você tem os olhos mais lindos do mundo, James.
Ele cantarolava de prazer. Ele absorvia cada pequeno elogio que eu lhe
dava como uma esponja, o que sempre me surpreendia, pois eu não podia
imaginar que fosse possível que ele não ouvisse coisas assim todos os dias.
Eu pintei uma linha fina para baixo em seu nariz, em seguida, ao longo
de seu queixo perfeito. Eu arrastei o pincel do seu pescoço até sua clavícula.
Eu me demorei lá, apenas desfrutando em olhar para ele. Eu nunca poderia
olhar o suficiente para sua pele, e não importava o quanto eu tinha, eu ainda
me sentia carente.
Eu pintei pequenos círculos em todo o seu músculo peitoral direito,
amando os músculos duros, mas ao mesmo tempo suaves sob sua pele.
Me inclinei para beijar meu nome em vermelho sobre o seu coração,
antes que eu pintasse lá. Quando me inclinei para a frente, senti seu pênis
entre as minhas nádegas e eu arqueei contra seu comprimento duro, fazendo
um contato forte. Eu circulei meus quadris, esfregando o meu sexo molhado
contra sua barriga, minha bunda contra sua ereção se contraindo.
— Quando você vai me levar? — Eu lhe perguntei, me esfregando contra
ele. — Você disse que iria levar cada centímetro de meu corpo.
Ele agarrou meus quadris, proibindo que eu continuasse me esfregando
contra ele. A ponta de sua ereção arrastando pela parte inferior das minhas
costas, seu comprimento esfregando a minha bunda.
— Você quer isso? — Ele perguntou. — Eu vou te machucar mais do que
eu estou disposto, se eu começar a te bater sem uma preparação. Eu pretendo
fazer você gozar tantas vezes, que cada músculo em seu corpo estará relaxado,
antes de terminar isso.
Eu me esfreguei contra ele. — Hmmm. Isso soa agradável.
Ele soltou uma risada abafada. — Não vai ser agradável. Vai ser um
monte de coisas, mas não isso.

Passei o pincel por todo o comprimento do seu peito. Ele era muito mais
divertido se pintar do que eu, com tantos ângulos, linhas definidas, e os
músculos duros. Eu amei o local logo abaixo do peito, onde uma linha
profunda definia o local entre seus músculos e costelas. E seus abdomens.
Deus, seus abdomens.
Meus quadris fizeram pequenos círculos involuntários contra ele,
quando fui deslizando o pincel cada vez mais e mais, ao longo dos músculos
fortes do seu abdômen. Eu tive que mexer o meu corpo para trabalhar mais
baixo, e eu gemi quando passei sobre seu pênis novamente no caminho. Eu
fiquei mais alta, para esfregar meu sexo molhado lá. Eu gemia, mas continuei
me movendo, até ficar em cima de suas coxas. Eu tremia de prazer quando eu
vi a ponta de sua ereção molhada.
Eu pintei os seus quadris, e aquele comestível V perfeito, acariciando
meu pincel apenas timidamente em seu pênis que se projetava. Quando
comecei a pintar círculos lentos em suas coxas, me roçando contra o seu
escroto, ele quebrou.
Mãos duras agarraram meus quadris, me puxando bruscamente sobre
seu membro. Ele me soltou. — Me leve para dentro de você. — ele murmurou.
Eu trabalhei nele devagar, apreciando todo o trecho enquanto
empurrava cada centímetro perfeito dele profundamente. Um tremor
poderoso sacudiu meu corpo, quando finalmente estava sentada ao máximo.
James pegou a paleta e o pincel de minha mão, e depois de mergulhar o
pincel, começou a me pintar com pinceladas sem pressa. A tinta na minha
pele já estava começando a secar, e a tinta fresca que ele distribuía em mim,
se arrastava deliciosamente sobre a primeira camada.
— Me monte! — ele ordenou.
Meu corpo começou a se mover em um meio galope naturalmente. Os
movimentos exagerados eram perfeitos, contra seu longo pau grosso.
— Como estão seus pulsos? — Ele perguntou, passando o pincel ao
longo de um mamilo duro.
— Bom. — eu disse, minha voz baixa e grossa.
Ele agarrou um dos meus pulsos, estudando, e em seguida levou aos
lábios. — Bom.

Ele inclinou contra mim de repente, me empurrando apenas o suficiente
para me fazer apertar deliciosamente em torno dele.
Ele gemeu e agarrou meus quadris, me derrubando completamente, e
me deitando de costas.
Ele ficou em cima de mim, inclinando-se para colocar um dedo no anel
em meu colar. Ele me puxou para cima devagar, com cuidado, até que eu
estava ao lado dele. Ele agarrou meu cabelo, puxando minha cabeça para trás.
Nós olhamos um ao outro por um longo momento. Eu, honestamente, não
poderia dizer quem estava no comando esta noite, o Dominador ou meu
amante amoroso, havia uma mistura de sentimentos em seus olhos.
Ele quebrou o contato visual para me arrastar até a janela, com uma
mão puxando meu cabelo, a outra em meu colar. Ele me apertou com força
contra a janela, esmagando meus seios contra o vidro frio. Engoli em seco e
estremeci.
Ele pressionou as palmas das minhas mãos no vidro, mantendo-as
amplamente abertas.
— Não se mova um centímetro. — ele me disse, afastando-se.
Eu o vi passar por um ponto na parede, ao lado da grande janela, em
seguida, ouvi o zumbido e o barulho de algo de metal. Esse som me fez pensar
na engenhoca que ele tinha usado em mim no quarto andar, quando ele me
segurou suspensa pelas cordas, e, em seguida, me fodeu. Eu amei esse som.
Me mexi um pouco, querendo olhar em volta, para ver o que tinha feito
aquele barulho. Quando ele continuou e ficou mais alto, percebi que estava
diretamente acima de mim. Demorou cada grama de autocontrole que eu
possuía para não olhar para cima.
Senti James mover atrás de mim novamente e então ele estava
levantando meus braços. Eu senti um firme estofamento contra um pulso
direito, antes do sólido clique de uma algema me segurar cativa. Ele
empurrou uma espécie de barra na palma da minha mão.
— Agarre com força! — ele ordenou. Segurei a barra com força. Ele
repetiu o processo no meu outro pulso, voltando a esse ponto na parede
apenas na borda da minha visão.
Eu dei um gritinho, quando as correntes começaram a girar novamente,
me puxando até que eu estava em pé na ponta dos meus pés. Eu não tinha

nenhuma influência nessa posição, qualquer controle. Meus olhos se
fecharam, quando eu senti James nas minhas costas. Ele me empurrou com
força contra o vidro.
— Eu vou te foder contra o vidro, mas você não vai gozar até você o
momento que estiver olhando nos meus olhos.
Eu gemia, porque eu não queria esperar, porque eu já estava naquela
borda fina, pronto para gozar, e porque eu não queria, não sem a sua
permissão.
Ele agarrou meus quadris, inclinando-os de volta, deixando meus seios
pressionados com mais força no vidro. Minha bochecha ardia onde ele me
empurrou contra a janela, mas eu simplesmente não ligava.
Ele começou a entrar, parando quando estava na metade, e eu gemi um
protesto. Ele trabalhou o resto do caminho, lentamente, dolorosamente,
segurando meus quadris com as mãos, para controlar cada centímetro do meu
corpo, enquanto me penetrava.
Ele colocou a boca no meu ouvido, enquanto batia profundamente
dentro de mim, esfregando duro. — Agora lembre-se, você não pode gozar, até
que eu esteja de frente para você.
Eu tive alguns maus pensamentos sobre esse sadismo, quando ele
começou a bater contra mim, seus quadris batendo contra a minha bunda
com os movimentos pesados. Eu poderia ter gozado, queria gozar a partir dos
primeiros golpes, mas ele não cedeu, arrastando-se para fora, em seguida,
entrando novamente com golpes rápidos. Eu gritei contra o vidro, quando ele
se moveu atrás de mim, contra mim, dentro de mim.
Ele não parou, não desistiu, empurrando implacavelmente. Eu pensei
que meu corpo iria me trair e ignorar seu comando, meu clímax pronto para
liberar de maneira tão poderosa, que eu não sabia como para-lo.
Ele arrancou de mim, me virando na corrente com uma facilidade
surpreendente. Aquela coisa deve ter sido projetada para isso.
Ele agarrou meu cabelo com uma das mãos, inclinando minha cabeça
para trás, para olhar para os seus olhos de frente. Sua outra mão se moveu
para a minha bunda. Ele empurrou-se dentro de mim com o movimento mais
suave. Enfiou uma, duas, três vezes, e eu estava indo ao longo da borda.

— Venha. — ele resmungou, mas eu já estava perdida. Eu sabia que
meus olhos mostravam a minha necessidade por ele, minha vulnerabilidade,
aquela coisa crua que havia se tornado meus sentimentos por ele. Seus olhos
eram tão carinhosos, tão amorosos, enquanto ele absolvia o meu olhar. Foi
um momento de clareza absoluta, perfeita e aterrorizante. Eu nunca iria
conseguir voltar a partir deste ponto. Eu ficaria tão perdida quanto Lana, se
isto terminasse, ansiando desesperadamente por esse homem, se tudo
explodisse.
O pensamento deveria ter me feito desejar fugir dele. Meu senso de
auto-preservação era perfeitamente saudável, antes que eu conhecesse James,
e eu me perguntava agora se ele tinha me abandonado completamente, mas
quando eu retornei do meu pequeno pedaço do céu, eu achava difícil reunir a
energia para fazer isso.



















CAPÍTULO OITO
Sr. Danificado

Ele me soltou rapidamente, me segurando contra ele. Ele me deitou no
sofá, rastejando em cima de mim. Ele sorriu em meus olhos, seu cabelo
dourado escuro emoldurando seu rosto. Ele parecia um anjo.
— Nós vamos precisar de um novo divã aqui. Este está coberto de tinta.
— ele disse em voz baixa, mas não como se importasse.
Eu balancei minha cabeça, passando a mão ao longo de seu rosto e em
seus cabelos. — Não. Esta sala ainda vai ter muitas sessões de pintura. Eu
acho que devemos deixá-lo.
Ele sorriu, um sorriso alegre, a expressão mais despreocupada que eu já
tinha visto em seu rosto perfeito. — Eu adoro como isso soa. Eu já te disse
hoje o quão feliz você me faz? Eu nunca poderia retornar a partir deste ponto,
Bianca. Isso me quebraria, se você fosse embora. Você sabe disso, né?
Ele tinha lido a minha mente?
Senti uma lágrima deslizar pelo meu rosto, depois outra. O que havia,
sobre estar apaixonada, que tinha me transformado em um bebê?
Eu não sei, mas eu não podia parar e voltar ao quer que tenha sido
antes, não mais do que eu poderia parar de amá-lo. Eu tinha lutado, em cada
etapa do caminho, mas isso não ajudou, nem um pouco. Eu o queria muito.
Demais.
— Eu não saberia como retornar a partir desse ponto, James. — eu disse
em um sussurro. Foi, talvez, a coisa mais próxima de fazer um compromisso a
longo prazo que eu já tinha dado a ele, mesmo assim insignificante pelo que
eu sentia. Mas ele sabia o que eu tinha dado a ele, e ele aceitou com uma
promessa tão amorosa em seus olhos que eu não poderia ficar triste por isso.

— Se você pudesse escolher um lugar no mundo que você quisesse
visitar, qualquer cidade, qualquer país, qualquer continente, onde seria?
Estudei-o, minhas sobrancelhas unidas, enquanto eu tentava seguir o
seu processo estranho de pensamento. No entanto, eu nem sequer tive que
pensar para dar a minha resposta. — Japão. Especialmente Tóquio.
Ele parecia um pouco confuso. — Essa foi uma resposta rápida, mas
inesperada. Por que o Japão?
Eu dei o meu pequeno encolher de ombros, embora não fosse a mesma
coisa, com ele me prendendo na cama. — Ele apenas me fascina. Ele sempre
fascinou. E é o lar de Mangá e anime.
Ele sorriu. — Claro. Ok, Japão, principalmente Tóquio. Entendi.
Eu apontei um dedo em seu peito. — Por quê? O que você está
planejando?
— Nada ainda, mas em poucas semanas, talvez um mês, eu quero que se
afaste por uma semana ou duas.
Isso soou divino, mas...
— James, eu não tenho tantas horas para ficar afastada do trabalho. Eu
usei tudo que tinha com o meu... acidente.
Ele me deu um olhar suplicante.
Eu desabei num piscar de olhos.
— Você só precisa encontrar alguém para pegar seus turnos, certo? —
Perguntou ele. — Você pode fazer isso, se você desejar, e encontrar alguém
para trabalhar neles. Stephan me explicou. Deixe isso comigo. Eu cuido de
tudo. Basta dizer que você vai.
Eu deveria ter dito não. Eu deveria ter dito a ele que sim, poderia ser
feito, mas era realmente difícil encontrar pessoas para trabalhar em uma
simples troca de turno, quando poderiam estar trabalhando e ganhando horas
extras, para não falar que, se eu perdesse esses dias, eu não ganharia nada. Eu
queria dizer-lhe tudo isso, mas ao invés disso eu olhei em seus olhos e apenas
cedi. — Sim. Eu não consigo pensar em nada que eu amaria mais.
Ele me apertou com tanta força que eu gritei. — Obrigado.

Ele me pegou de novo, me embalando contra ele quando deixou o
estúdio e me levou para o nosso quarto. Era no mesmo andar e fechado,
graças a Deus, porque nós dois estávamos totalmente nus e cobertos de tinta
azul.
Ele nos levou diretamente para o banho, entrando na banheira
profunda comigo, depois de encher de água.
Ele me lavou lentamente, mas completamente, esfregando a tinta já
endurecida na minha pele. O banho rapidamente ficou azul. Nós rimos, pois a
água apenas ficava mais e mais escura.
James teve que trabalhar em nós dois por um tempo.
— Quer uma ajuda? — Eu perguntei, tão relaxada que eu não tinha
certeza se eu poderia conseguir alguma energia e ser útil.
— Não, amor. Eu quero que você relaxe. Quando acabarmos aqui, eu
vou levá-la para o quarto andar e lhe dar uma massagem completa.
— Mmm. — eu disse, fechando os olhos. Senti seus dedos se moverem
entre as minhas pernas, e eu abri mais ampla. Ele começou a trabalhar em
mim, cantarolando contra a minha garganta, enquanto seus dedos
inteligentes trabalhavam. Ele me dava prazer com as mãos, enquanto chupava
apenas o local perfeito no meu pescoço. Foi um orgasmo quase calmo, pelo
menos em comparação com o que ele normalmente me dava.
Quando ele continuou a empurrar os dedos dentro de mim, mesmo
depois que eu gozei, eu comecei a me balançar. — Eu quero você dentro de
mim, James.
Ele mordeu meu pescoço com força. — Você saberá quando eu estou
pronto para lhe dar o meu pau, porque você vai tê-lo dentro de você. — disse
ele, empurrando o pau duro contra a minha bunda, com a minha pergunta. —
Enquanto isso, abra mais suas pernas.
Ele trabalhou comigo, dois dedos empurrando para dentro, arrastando a
outra mão pelo meu corpo para esfregar meu clitóris com a pressão certa.
— Venha. — ele disse em meu pescoço, e eu caí de novo.
Acabamos o banho. Eu tive um pouco de excesso de zelo com a pintura,
aparentemente, porque quando terminamos nosso banho, a banheira, parecia
que tinha sido atacada por uma pistola de pintura.

James me secou, mas nos deixou nus, me puxando para o elevador pelo
colarinho.
Eu tive um pensamento, quando toquei os brincos de sua mãe, ainda em
minhas orelhas, meus cabelos molhados arrastando em torno deles. — Oh,
James. Eu esqueci que estava usando os brincos de sua mãe. Eu não tive a
intenção de deixá-los molhados.
Ele me deu um sorriso muito apaixonado por cima do ombro. — Eles
não são da minha mãe. Eles são seus agora, e um pouco de água não vai
estragá-los.
Ele foi direto para o elevador, apertando o botão. Ele sorriu para mim.
— Só prazer esta noite, amor. Você precisa de algum tempo para curar das
rosas. O quarto andar não é apenas sobre dor.
— Eu sei. — eu respondi suavemente.
Isso sempre foi muito mais do que apenas dor, cada pedacinho.
Ele me puxou para dentro do elevador, assim que a porta abriu, me
empurrando com força contra a parede, me prendendo lá.
— Você já foi fodida em um elevador? — Ele perguntou com um sorriso.
Eu ri. — Você sabe que eu nunca fui.
Eu tinha pensado que ele estava brincando, mas é claro que ele não
estava, e ele deslizou uma perna entre as minhas coxas, empurrando-as
abertas, e me levantando. Ele envolveu minhas pernas ao redor de seus
quadris e foi deslizando para dentro de mim em um piscar de olhos. Ele
prendeu meus braços acima da minha cabeça com as mãos e começou a
empurrar. Segurei-o com força com minhas coxas, choramingando quando
ele saia de mim, arrastando os nervos perfeitos e entrando novamente, me
dirigindo incansavelmente em direção a outro orgasmo. Ele bateu em mim,
aqueles olhos hipnotizantes me olhando com desespero, e um ardor que fez
parecer impossível que ele já tinha me levado há menos de uma hora atrás.
— Porra, venha! Ele me apertou, suas palavras difíceis, seu tom duro,
mas seus olhos tão incrivelmente suaves sobre o meu.
Eu obedeci, perdendo todo o controle sob o seu comando. — James. —
eu chorei.

Ele me beijou, não me abaixando, não saindo de mim. Ele deixou meus
pulsos livres para envolver seus braços em volta das minhas costas.
Ele começou a andar, mas não desistiu de me beijar, não saindo de
dentro de mim. Ele caminhou pelo corredor cinza e ameaçador até nosso
playground.
Ele se debruçou para frente, e de repente me deixou cair.
Engoli em seco. Eu não cai muito longe, minhas costas fazendo contato
com uma mesa firme almofadada. Ele empurrou dentro de mim mais duas
vezes, antes de gozar com um gemido baixo.
— Minha! — Ele disse.
Só então percebi que eu estava deitada em uma mesa de massagem,
quando ele arrastou sua ereção longe de mim, me virando sobre o meu
estômago, e me deslizando até que meu rosto estava sobre a abertura da
mesa.
Dentro de rápidos instantes, ele estava derramando o líquido morno no
centro das minhas costas, esfregando o óleo firmemente em minha pele. Ele
massageou até o pescoço, esfregando nessa área sensível por longos minutos,
trabalhando sobre meus ombros, tomando seu tempo, esfregando até que
cada um dos meus músculos se afrouxasse completamente com suas mãos
fortes.
Ele trabalhou em um braço, com especial atenção a todo o caminho por
cada um dos meus dedos. Ele trabalhou mais uma vez de volta, dar atenção
igual ao outro lado.
— Suas mãos são mágicas. — eu disse a ele, os olhos fechados de prazer.
Ele não respondeu, trabalhando nas minhas costas, amassando e
esfregando até minha pele soltar completamente. Ele deu uma maior atenção
na parte inferior das minhas costas, trabalhando com lentidão provocante na
minha bunda. Ele fazia um pequeno ruído delicioso em sua garganta,
enquanto ele massageou minha bunda. Eu senti um beijo ali, um momento
antes que sentisse um dedo naquela entrada. Engoli em seco e fiquei tensa,
quando ele empurrou um dedo bem lubrificado em mim.
— Shhh, Bianca, relaxe. Relaxe. — Ele puxou o dedo sorrateiro de mim,
me olhando por muito tempo antes de voltar. Ele começou a massagem onde
tinha parado, amassando o meu bumbum e coxas.

Ele cobriu cada centímetro das minhas costas com um amasso forte,
todo o caminho até os dedos dos pés, antes que me virasse de costas.
Começou o mesmo tratamento na frente, primeiro nos meus ombros, levando
o seu tempo, relaxando cada parte de mim, enquanto ele trabalhava mais para
baixo. Quando chegou o meu sexo, mergulhou um dedo em mim. Eu estava
molhada, é claro, e ele trabalhou na carne com golpes certeiros, usando a
outra mão para separar minhas pernas mais abertas, levando meus joelhos ao
meu peito. Engoli em seco e fiquei tensa quando ele usou a outra mão na
minha entrada por trás novamente, trabalhando um dedo solitário
lentamente, não parando os movimentos suaves no meu sexo com a outra
mão.
— Você vê por que você precisa estar relaxada? — ele me perguntou,
inclinando-se, enquanto aquelas mãos perversas trabalhavam juntas para
levar tanto prazer ao meu corpo oprimido.
Eu achei a outra penetração mais assustadoramente intensa do que eu
teria imaginado. Não era nem mesmo sobre a dor, mas mais sobre a
estranheza dela, a plenitude estranha em um lugar onde, talvez, não deveria
estar, enquanto tê-lo a encher meu sexo apenas me fazia sentir bem. Ainda
assim, eu não queria que ele parasse, não queria que ele desistisse. A
estranheza deu ao ato uma qualidade quase proibida, que minha parte
perversa tanto apreciava, como acontecia com todas as coisas proibidas que
me atraíam em James.
Ambos os dedos se moviam dentro de mim, trabalhando juntos, e ele
tinha-me ofegante em um outro orgasmo com habilidade consumada. Antes
que eu retornasse daquela viagem feliz, ele estava empurrando outro dedo em
cada entrada, uma fenda recebendo golpes duros, o outro um toque mais
suave, mais fácil, apenas trabalhando dentro e fazendo pequenos e deliciosos
círculos.
— Relaxe e empurre para fora, sim, desse jeito. — disse James, enfiando
os dedos duro e áspero em meu sexo, até que eu vim novamente.
Ele puxou o conjunto de dedos para fora, usando a mão para me virar
contra o meu estômago e arrastando meus quadris até que minhas pernas
ficassem penduradas para fora da borda da mesa. Ele moveu seus quadris
contra mim por trás, levando uma mão na frente do meu pescoço e aplicando
uma leve pressão.

— Não se mova. — ele disse. Eu o ouvi sair, e sabia que ele saiu da sala,
porque ouvi uma porta do corredor abrir e fechar forte, em seguida, abrir
novamente. Curtos minutos depois, ele estava em minhas costas,
aproximando-se por trás de mim, separando minhas pernas para se
aproximar mais.
Eu senti algo quente e duro vibrando e escovando meu clitóris, e eu
sabia que não era uma parte de James.
— James. — eu protestei, enquanto trabalhava o meu clitóris com a
pressão muito intensa.
— Shhh. — disse ele, movendo o vibrador no meu clitóris, provocando
sobre a minha fenda. Ele mergulhou uma vez, e mais uma vez, segurando-o
dentro de mim enquanto ele trabalhava outro objeto bem lubrificado, mais
suave na minha outra entrada. Eu sabia que não era ele, porque era menor, e
embora fosse firme, não era o suficiente.
— James! — eu disse de novo, minha voz mais urgente neste momento.
Ele trabalhou o brinquedo dentro de mim por trás lentamente, o
vibrador ainda profundamente dentro do meu sexo.
— Relaxe.
— Não é...
— Sim, você quer meu pau, eu sei. Relaxe agora e eu vou te dar o que
você quer. — Ele rosnou, e eu tentei obedecê-lo, tentei relaxar em torno
dessas duas pressões estranhas.
Eu senti que estava começando a me acostumar, quando ele puxou para
fora e substituiu quase que imediatamente com seu pênis. Era tão liso, mas
também muito maior do que o outro. Mas era James, e eu achei que meu
corpo se submetia muito mais rapidamente com esse conhecimento. Ele
trabalhava lentamente.
Ele arrastou o vibrador de uma entrada, mesmo quando ele se
empurrava para a outra. Eu ouvi o barulho, quando ele deixou cair no chão,
levando a mão agora livre para a frente de mim, circulando meu clitóris.
Ele começou a empurrar, quando estava quase dentro, pequenos
impulsos que eram um pouco mais longo a cada movimento, mas nunca
empurrava todo o caminho. Eu soluçava. Os sentimentos eram estranhos,

mas ainda não precisamente doloroso, mais como um alongamento que sentia
indo longe demais.
— James... — eu chorei enquanto seus dedos trabalhavam e suas
estocadas ficaram mais longas e mais rápidas.
— Diga, Bianca. — ele disse em minhas costas, então mordeu forte o
suficiente para deixar marcas. Eu pensei que a mordida foi para desviar a
atenção do fato de que ele estava batendo em mim agora, e isso doeu. Mas a
dor nunca foi um impedimento para o meu próprio prazer, e eu vim, um
clímax forte que me deixou mole.
— Eu sou sua, James. — eu engasguei. — Sua.
Ele esvaziou-se dentro de mim, demorando o tempo suficiente para
beijar minhas costas e me acalmar, antes de puxar lentamente para fora de
mim.
Ele me pegou, me embalando. Ele me levou pelo corredor cinza. Ele
entrou em uma daquelas salas escuras e misteriosas, e quando ele acendeu a
luz, eu vi que a sala mais próxima do playground era apenas um grande
banheiro, com uma banheira branca insanamente grande.
— Já que a nossa outra banheira está azul, no momento, eu acho que
nós vamos usar esta. — disse ele, com um sorriso em sua voz.
Eu ri, um pouco delirante do que sentia, como se fosse uma centena de
orgasmos.
Ele me levou para dentro da banheira, me arranjando até que eu estava
montada nele, minha bochecha apoiada contra seu delicioso peito, e ele ligou
a água.
Ele acariciou o meu cabelo e eu suspirei de prazer, enquanto a água
quente nos cobria lentamente. Eu não acho que jamais me senti tão relaxada,
tão delirantemente saciada, apenas querendo deitar e curtir o momento. Eu
estava sempre inquieta desde que eu conseguia me lembrar, sempre com os
instintos de um fugitivo, sempre ansiosa que o momento seguinte me traria
algo de ruim, e me senti tão bem em apenas deixar essa parte ansiosa partir, e
saborear algo tão maravilhoso.
Eu estava perdida em meus próprios pensamentos, praticamente
ronronando contra ele, quando olhei para cima.

Seu rosto era uma máscara cuidadosamente inelegível.
Eu acariciei seu rosto com uma mão. — O que há de errado, James? —
Perguntei.
Ele fechou seus olhos, inclinando-se contra o meu toque. Ele não
respondeu por um longo tempo, mas eu sabia que ele não estava me
ignorando. Eu sabia, mais do que ninguém, que as coisas realmente difíceis
sempre levam um tempo para se transformar em palavras.
— Essa coisa que fizemos, levam minha cabeça a um lugar escuro. — ele
disse finalmente, as suas palavras tão baixas, que eu tive que me esforçar para
ouvi-lo.
De nós dois, ele era de longe o melhor em mostrar seus sentimentos,
mas eu poderia dizer que foi uma luta para ele compartilhar isso comigo.
Eu esfreguei minha mão suavemente sobre o local onde meu nome foi
gravado tão lindamente. — Você vai me dizer sobre isso?
Ele engoliu em seco. — Nós não vamos fazer isso muitas vezes, se
fizermos mais alguma vez. Eu não quero desapontá-la. Eu precisava fazer isso
uma vez, precisava reivindicá-la assim, mas isso não me leva para um bom
lugar. É como as rosas para você, eu acho, levando demasiadamente profundo
naquilo que me fez como eu sou.
Eu entendi muito bem o que ele quis dizer. Éramos tão iguais, nas
coisas realmente importantes. Eu coloquei o rosto dele em minhas mãos.
— Eu não vou ficar desapontada. Eu gostei do que você fez, eu
realmente gostei, mas eu certamente não preciso disso. Você preenche tantas
necessidades que eu nem sequer sabia sobre mim, e isso não é uma delas.
Obrigado por me mostrar, por me iniciar em tantas coisas que eu acho
maravilhoso. Nunca pense que você poderia me decepcionar, me dizendo
quais as suas preferências, me dizendo não.
Ele ficou em silêncio novamente, e eu não poderia dizer se as minhas
palavras o tinham tranquilizado, ou se eu tinha o tinham alcançado
totalmente. Seus olhos estavam distantes e um pouco vidrados, enquanto
olhava para o teto.
— Spencer fez isso comigo. — disse ele, finalmente, sua voz rouca, mas
seus olhos ainda olhando fixamente para cima. — Isso me fez sentir tão
impotente, tão... inútil. Eu não sei como explicar isso. Eu sei que não estava

disposto, que não concordei, mas eu me lembro como me senti depois que ele
fez isso comigo, e uma parte de mim se sente como se eu tivesse feito algo
terrível com você, algo terrível, algo parecido com o que ele fez comigo. Eu
sabia que isso iria me fazer sentir desse jeito, se não durante, pelo menos,
depois, e eu ainda assim fiz isso, ainda consegui me divertir. Eu sinto...
aversão por minha fraqueza, por minha necessidade, me perguntando se isso
fez você sentir, nem que seja um pouco, como eu me senti. Isso me faz pensar
se tudo que eu faço para você é uma espécie de estupro. Se eu estou me
aproveitando dessa linda submissão que você dá para mim.
Eu comecei a falar, para tentar acalmá-lo, mas ele me cortou. — Eu sei
que você vai me dizer que não é verdade, e alguma parte de mim sabe disso,
mas eu ainda sinto isso. Como eu disse, esse ato só me leva a um lugar escuro.
Eu coloquei minha mão em seu rosto suavemente. — Eu entendo. As
rosas foram assim para mim. Me lembraram mais do meu pai do que
qualquer coisa que você tenha feito, e isso me aterrorizou. Eu senti mais dor e
medo naquilo, do que em qualquer outra coisa que fizemos, mas o prazer foi
tão grande... até mais. Isso me fez pensar nessas coisas obscuras, ao mesmo
tempo que me fez gozar. Eu não conseguia controlar meu prazer mais do que
eu podia controlar o meu medo. Isso me assustou.
Eu tive que tomar algumas respirações profundas antes de continuar,
ainda encontrando dificuldade para ser generosa com as minhas emoções, e
as minhas palavras, mesmo que ele não tenha sido nada mais do que generoso
com as suas.
— Nós não temos que enfrentar esses pensamentos escuros sozinhos,
James. Eu não posso dizer que passei pelo que você está passando, mas eu
entendo a sua auto aversão sobre uma coisa que você não pode controlar.
Você admite que você foi um galinha com o seu corpo, mas eu acho que você é
mais bem ajustado do que eu sou quando se trata de sexo. Você tem uma
preferência, mas você ainda pode funcionar sem a sua preferência. Eu tenho
um fetiche. Eu nem estava interessada em um homem até que eu encontrei
você, até que encontrei isto. Isso me assusta muito, como eu sou quebrada.
Mas eu também sei que tenho sorte, tanta sorte em ter encontrado alguém tão
perfeito para mim, de modo seguro, para me ajudar a me dar as coisas que eu
preciso, sem ter a minha auto estima destruída, e sem me colocar em perigo.
Você é um presente para alguém como eu, James. Nunca se esqueça disso.
Ele empurrou meu rosto duro em seu peito úmido, meu queixo apenas
deslizando na água, mas não antes que eu visse as lágrimas em seus olhos.

—Obrigado, Bianca. — ele disse, sua voz trêmula.
Fechei os olhos, minhas lágrimas deslizando lentamente pelo meu rosto
e no peito.
— Obrigada, James. — eu disse, minha voz grossa.
























CAPÍTULO NOVE
Sr. Maravilhoso

Eu estava acordando lentamente, sozinha em uma cama gigante,
quando ouvi a porta do quarto abrir.
Eu abri meus olhos para um Stephan sorridente.
Ele subiu na cama ao meu lado, empoleirando-se com o queixo na
palma da mão, enquanto ele olhava para mim.
Estendi uma mão, acariciando seus cabelos loiros ondulados. — Bom
dia. — eu disse, minha voz ainda áspera do sono.
— Bom dia, Botão de Ouro. Javier ainda esta dormindo, e James foi
para o trabalho, e nós dois vamos tomar café da manhã em sua nova cama
fodidamente gigante. Marion vai trazer quando estiver pronto.
Eu sorri. — Isso é doce. É uma boa maneira de acordar.
— Você não quer saber o que vai ter no café da manhã?
Eu lhe dei o meu pequeno encolher de ombros. — Eu realmente não me
importo. A companhia é tão boa, que a comida fica secundária.
Nós compartilhamos um olhar.
— Sempre foi. — ele disse. — Lembra quando a comida costumava ser
inexistente?
Eu ri e balancei a cabeça, pensando na maravilha que era algo que já foi
uma luta tão dolorosa, se tornar apenas uma lembrança — uma memória que
não me dava nada, exceto o alívio te ter ficado no passado.
— Lembra de quando vivemos naquele fosso do supermercado por um
mês?

Eu sorri, mais uma vez surpreendentemente não sentindo nada, exceto
o conforto em saber que aquele tempo era um passado distante.
— Eu lembro. E eu me lembro que nós pensamos na sorte que tivemos,
porque não morreríamos de fome lá, e ninguém nos incomodaria, e você nem
iria precisar lutar por um tempo.
— Você vai manter a sua casa, agora que você está vivendo com James?
— Ele perguntou, sua voz apenas curiosa, mas eu não podia imaginar que
fosse apenas uma pergunta casual.
— Claro que eu vou. Eu ainda vou ficar lá também.
— Não mantenha a casa só por minha causa, Bianca. Não faça isso
apenas por causa dos nossos planos antigos. Você não vai ser uma sem-teto
novamente, mesmo se as coisas não derem certo com James. Você não precisa
manter esse lugar para ter uma sensação de segurança. A vida não vai ser
assim de novo. Nós não podemos viver nossas vidas sempre pensando que vai
— sempre nos preparando para isso. E um compromisso para você, não é o
que foi para sua mãe, porque James não é o seu pai. Você não pode ficar
comparando-os, e você não pode continuar tratando uma coisa boa, como um
desastre em potencial. Isso não é vida.
Eu escutei, sem fazer nenhum comentário, aceitando o conselho da
forma como ele pretendia. Foi um discurso emocional de Stephan, e não
fiquei ofendida. — Eu estou trabalhando nisso, Steph, eu realmente estou. Eu
estou enfrentando isso e lidando com a situação, e eu não estou fugindo.
—Então as coisas estão bem com vocês? Você ainda está planejando
viver com ele?
Eu ri. — Por quê? Você acha que eu mudei de ideia?
Ele deu de ombros. — Eu não sei. Eu acho que estava com medo que
você mantivesse tudo embrulhado dentro de você, e que, à luz do dia, você iria
entrar em pânico com o que você tinha concordado em fazer, e mudar de
ideia.
— Estou trabalhando nisso, Steph, eu realmente estou. Eu estou
enfrentando e lidando com isso, e eu não estou fugindo, isso é um bom sinal,
não é?
Ele apenas acenou com a cabeça, sorrindo.

Marion chegou com nosso café da manhã, e nós comemos waffles de
mirtilo na cama, rindo e contando cada pequeno detalhe da vida um do outro.
Nós geralmente não precisamos atualizar as noticias, uma vez que estávamos
tão acostumados a ficar sempre juntos, mas isso foi bom, também. Ele me
disse o quão apaixonado ele estava por Javier, e eu lhe disse como apaixonada
estava por James, e sobre como estávamos em geral.
Foi uma boa conversa, e eu percebi que, mesmo que eu não encontrasse
Stephan todos os dias, ele ainda poderia ser a minha rocha. Eu esperava que
ele tivesse sentindo pelo menos uma fração de conforto comigo, que eu estava
com ele.
— Javier e eu vamos nos encontrar com uma das equipes de tripulação
hoje à noite, se vocês quiserem se juntar a nós. Eu sei que vocês tem essa
sessão de fotos, mas eu pensei em te avisar.
Eu balancei a cabeça. — Obrigada. Eu não tenho certeza qual serão seus
planos, mas eu vou falar com James. Eu conheço a tripulação?
Ele fez uma careta. — Vance e companhia. Não tenho certeza se é a
melhor ideia, mas eu estou tentando fazer o meu melhor.
Eu fiz uma careta de volta. Vance era um ex de Javier, e nem ele nem o
resto da tripulação eram grandes fãs de Stephan. Eu sempre pensei que era
porque Vance ainda estava preso a Javier. — Isso é muito legal de sua parte.
Vamos esperar que eles também tentem fazer o seu melhor.
— Javier jura que eles vão se comportar bem.
Eu balancei a cabeça, esperando que fosse assim, embora as situações
com ex nunca tendam a ser tão simples. O que parecia bom no papel, ficava
muito confuso quando as emoções afloravam, como eu vim a aprender, até
muito bem ultimamente.
Eu contei a ele sobre o meu irmão, e ele ficou um pouco chocado que eu
iria me encontrar com ele. Eu dei de ombros quando ele me perguntou o
porquê.
— Ele parecia... legal. Nada como o meu pai. O que poderia acontecer, se
eu apenas tomasse um café com ele em algum momento?
— Eu acho que é uma boa ideia, mas eu acho que você deve ser
cautelosa. Posso ir com você?

Eu acenei com ele. — Já vai ser um encontro estranho. Embora eu vá
levar os seguranças, assim você não precisa se preocupar comigo.
Ele acenou com a cabeça, mas ainda parecia um pouco preocupado.
Nós dois estávamos gargalhando, enquanto Stephan me contava uma
história da noite anterior. Eles tinham ficados tão animados em ter o seu
próprio motorista, que tinham ido de clube em clube, não ficando mais que
20 minutos em qualquer um deles antes de prosseguir, aproveitando o carro e
motorista ainda mais do que as boates. Meu telefone tocou na mesa de
cabeceira.
Eu respondi com um sorriso ainda em meus lábios.
Era James. — Ah, agora sim, um som que eu gosto de ouvir. Como você
está nesta manhã, meu amor?
— Mmm, bem. Como você está?
—Melhor agora. Tem sido uma manhã... difícil. O que você está
fazendo?
Olhei de relance ao meu redor. — Eu estou tomando café da manhã em
nossa ridiculamente cama gigantesca com Stephan. — eu disse a ele sem
rodeios. Não há razão para mentir.
Houve uma pausa longa na outra extremidade da linha. Stephan tinha
ficado em silêncio, me olhando com os olhos arregalados. Percebi pela
primeira vez que ele usava apenas cueca boxer e um sorriso, e eu usava
apenas um lençol. Me ocorreu, tardiamente, que o nosso café da manhã na
cama, poderia parecer ruim para um observador externo.
— Eu tenho que dizer que, se você tivesse dito qualquer outro nome
nessa frase, eu estaria à beira de um assassinato.
Eu ri. Eu ouvi o tom nervoso dele. Eu me senti estranhamente tensa ao
ouvir a reação dele.
— Diga a Stephan que eu estou mandando bom dia. — disse ele, sua voz
neutra.
Eu disse a ele.
Stephan sorriu. — Bom dia, James. — ele chamou alto o suficiente para
ser ouvido na outra extremidade.

— Entregue a ele o telefone. — James disse em meu ouvido.
Eu entreguei o telefone a Stephan.
Eu observei com cautela, mas relaxei completamente quando Stephan
começou a rir quase no instante em que colocou o telefone no ouvido.
— O prazer é meu, James. — ele respondeu, ainda rindo. Ele me passou
o telefone.
Eu o segurei no meu ouvido.
— Eu tenho que desligar, mas temos a sessão de fotos, às três da tarde.
— ele disse. — Você se importaria de vir ao meu escritório antes de sairmos?
Tipo, 14:30hs?
— Eu estarei ai. — eu disse a ele. — O que você falou para Stephan? —
Eu perguntei. Eu não poderia evitar. A conversa apenas havia sido muito
rápida e estranha.
— Eu disse a ele que a próxima coisa que eu vou lhe comprar é uma casa
ao lado da minha, para fazer você rir assim. Não há nada que eu não faria
para ouvir essa alegria em sua voz, mesmo que eu seja o único a não conseguir
isso.
Meu peito doeu um pouco. Eu lutava para encontrar as palavras para
responder. Ele era tão terrivelmente romântico, de um jeito de cortar o
coração. — Você também faz isso por mim, James. Eu não sou boa com as
palavras, mas só de ter conhecido você, me faz sentir privilegiada.
Ele fez um pequeno zumbido feliz no meu ouvido. — Lá vai você,
fazendo o meu dia de novo.
As palavras ficaram presas na minha garganta. Eu nem sabia o que
responder.
— Eu te vejo às duas e meia. Se cuide, Bianca. — ele disse baixinho, com
apenas um toque triste.
— Eu estarei ai. — eu disse a ele.
Ele desligou o telefone.
Stephan me deu um olhar aguçado. — Se você não sabe que ele é
completamente apaixonado por você, e achar que é por isso que está com
medo de assumir um compromisso, é mentir descaradamente para si mesma.

Eu sabia que ele tinha razão. Fingir que ele não correspondia aos meus
sentimentos, de alguma forma, era apenas a minha forma de ganhar tempo.
Tempo para quê? Eu não sabia. Isso estava rapidamente chegando a um
ponto que eu não queria mais resistir. Talvez tenha sido só uma tentativa em
tentar abrandar aquele trem desgovernado que era a personalidade do Sr.
Cavendish.
No entanto, eu sabia de uma coisa com certeza. Eu faria qualquer coisa
para mantê-lo na minha vida agora. Para melhor ou para pior, ele estava se
tornando essencial para mim.
— Você se preocupa que as coisas que ele faz S&M, faz de você uma
vítima de sua infância, mas isso não acontece, Abelhinha. — Stephan disse.
Engoli em seco e ele pegou minha mão, me puxando para perto, me
fazendo olhar em seus olhos, me mostrando o quão sério ele estava falando.
— Mas se você tem sentimentos por James, se você preferir perdê-lo a
se abrir o suficiente para lhe dizer como você se sente, isso pode acontecer.
Entendo que você tem dúvidas, mas eu só quero que você olhe para essas
dúvidas e me diga se elas têm algo a ver com James, com a pessoa que você
sabe que ele é, e a maneira como ele se sente sobre você.
Se tivesse sido qualquer outra pessoa no mundo me fazendo esse
discurso, me segurando e falando comigo dessa maneira, eu teria corrido, me
afastado, ou atacado, mas Stephan dizendo essas coisas em um tom tão sério,
sabendo que isso poderia me deixar louca, sabendo que eu não gostava do que
ele estava dizendo, mas sentindo a necessidade de dizê-lo de qualquer
maneira, teve um efeito completamente diferente em mim. Com Stephan, eu
só ouvia e tentava encontrar a resposta verdadeira.
— Você está certo. — eu disse a ele finalmente. A maneira que eu me
sentia não estava indo embora, e não olhar para isso diretamente, era apenas
mais uma maneira que eu tinha em ser covarde.
— Você está absolutamente certo sobre tudo isso. Eu preciso lhe dizer.
Ele tem sido maravilhoso para mim, e eu lhe devo a verdade. É apenas o
próximo passo que me assusta... e, também, o quão pouco tempo que o
conheço. Eu sinto que o amor verdadeiro deve levar tempo, ou pelo menos,
mais tempo do que isso. Eu tenho tentado fazer a minha cabeça, governar
minhas ações, quando meu coração tão obviamente assumiu, mas eu sinto
verdadeiramente assim, e eu sei que não vai embora.

— Pare de pensar tanto sobre isso. Basta lhe dizer como se sente. Isso
não tem que ser tão complicado.
Eu balancei a cabeça. — Você está certo. Eu tenho feito isso desde o
início, e ele só tentou se manter perto de mim, me mostrando o que ele sente
por mim. Eu lhe devo a minha própria honestidade emocional.
Ele acariciou meu cabelo, sorrindo para mim dessa maneira que ele
tinha, como se eu fosse a coisa mais maravilhosa do mundo — como se eu
fosse da família. Eu esperava que meus olhos falassem a mesma coisa, porque
o meu coração sentia.
— Sim. Isto é tudo. Agora acabei meu discurso. Eu apenas pensei que
você precisava de um pequeno puxão na direção certa. Eu não quero ver você
jogar fora algo que te faz tão... incandescente de amor.
Corei até os dedos dos pés, porque ele estava certo, e porque eu tinha
feito um trabalho sombrio ao esconder. James fez isso comigo. E ele era tão
maravilhoso que eu não poderia evitar E alguém que é tão maravilhoso
merece um de salto de confiança? Será que eu realmente preciso de tempo
para reafirmar algo que eu sentia em um nível tão profundo? Meu coração já
sabia a resposta.
Agarrei a mão de Stephan. — Eu te amo. Eu não tenho ideia do que eu
faria sem você.
Ele acenou com a cabeça, sorrindo, seus olhos tão suaves.
— Eu te amo. Não há nada que eu não faria por você, mas não podemos
nos impedir de dar um passo adiante. Nós não temos que ser vizinhos para
sermos os melhores amigos, assim como nós não temos que viver juntos. Este
movimento não será diferente disso. Estamos crescendo, Bianca, mas nunca
vamos crescer distantes. Eu conheço você muito bem, e eu sei que isso é parte
do que está prendendo você, então apenas tire esse medo para fora de sua
cabeça. Você está presa comigo para sempre.







CAPÍTULO DEZ
Sr. Supermodelo

Levei um tempo anormalmente longo para ficar pronta. Experimentei
um bom número de roupas, fazendo Stephan me dar a sua opinião sobre
todas, e mudei de ideia várias vezes. Era uma inversão estranha de papéis
para nós dois. Aparentemente, havia algo sobre ir à sessão de fotos do meu
namorado supermodelo, que me fez querer aparecer com a minha melhor
aparência.
Eu finalmente me decidi em um vestido amarelo Betsy Johnson. Era um
pouco brilhante para mim, com uma saia mais justa, e um corpete um pouco
decotado, mas quando eu coloquei no corpo, eu me senti sexy e bonita, e eu
precisava de um impulso extra de confiança para aquela sessão intimidante.
Saltos vermelhos brilhantes completaram o conjunto, e eu secretamente
amava o talento de Jackie por essa combinação de cores extravagantes.
Passei um tempo extra no meu cabelo, secando-o e em seguida fazendo
uma escova lisa, e ainda mudei minha rotina escassa de maquiagem habitual
para um estilo mais marcante, com um lábio cor de rosa escuro, uma sombra
violeta profunda em minhas pálpebras, e uma cor mais escura revestindo o
fundo, destacando bastante os meus olhos.
Eu dei um pequeno giro para Stephan quando estava pronta, e ele me
deu um sorriso de aprovação.
— A mulher mais bonita do mundo. — ele disse, e eu sabia que ele
queria dizer exatamente isso, porque para seus olhos, eu realmente era.
Eu fiquei pronta mais cedo, e me preparei para sair. Nós nos
despedimos no elevador.
Blake já estava esperando por mim lá, parecendo tão solene como
nunca.

— Não se esqueça de avisar a segurança, quando estiver pronta para sair
do apartamento, Srta. Karlsson. — Blake me repreendeu.
Eu tinha esquecido. Percebi que ela deveria apenas ter ficado me
esperando no elevador, tentando antecipar minhas ações.
— Desculpe. — eu resmunguei, me sentindo como uma criança sempre
que lidava com ela, o que não fazia com que eu a valorizasse muito. Mas eu vi
onde tinha errado desta vez.
— Vou avisar a próxima vez que estiver saindo, assim, ninguém terá que
ficar esperando por mim sem nenhuma razão.
Ela apenas balançou a cabeça como se não acreditasse em mim e então
ficamos em um silencio constrangedor. Meus seguranças não tinham
mudado, mas tinham sido reconfigurados para que Johnny ficasse o mais
distante de mim em todos os momentos. Achei isso ridículo, mas senti um
pouco de alívio, pois ele não foi uma pessoa muito encantadora em nosso
breve conhecimento
Entramos na limusine, Williams e Johnny sentados na frente, e Blake e
Henry ficaram comigo na espaçosa traseira do carro. Chegamos ao hotel cedo,
esperando na calçada, ninguém falou uma palavra. Eu olhei o edifício,
cuidadosamente procurando por James.
Quando vi sua bela figura de terno, emergindo rapidamente da entrada
principal do hotel, o meu coração revirou significantemente no meu peito.
As pessoas pararam para olhar, mesmo no curto espaço de tempo que
ele levou para atravessar rapidamente do prédio até o carro. Ele prendia a
atenção, tão incrivelmente impressionante. Devia ser um choque apenas ter
uma visão assim na rua. Ele certamente tinha a minha atenção.
Ele estava dentro do carro ao meu lado em um piscar de olhos, e seus
olhos eram tão suaves quando caíram sobre mim, que eu senti como se
estivesse derretendo quando olhei para ele. Seu rosto tinha mudado tão
drasticamente com a minha visão, que eu senti como se meu coração tivesse
aquecido no meu peito.
Ele agarrou o meu cabelo, inclinando-se para mim, obviamente
consciente do fato de que não estávamos sozinhos. Ele beijou minha
bochecha.

— Deus, eu senti saudades de você, meu amor. Será que 30 anos é jovem
demais para se aposentar do trabalho? Eu adoraria apenas fazer amor com
você em tempo integral, no lugar. — Ele falou baixinho, e a última frase, sua
voz era apenas um sussurro em meu ouvido.
Eu sorri para ele, puxando a mão dele do meu cabelo, e levando até meu
rosto, beijando suavemente a palma de sua mão suavemente.
— Você tem 30 anos? — Eu perguntei a ele, surpresa. Eu tinha
simplesmente assumido que ele era mais jovem. Eu poderia jurar que tinha
ouvido ele falar que estava na casa dos vinte anos. E ele não parecia ter 30
anos para mim, e não era porque agia como um jovem, ao contrário, ele
carregava o peso de inúmeras responsabilidades com uma facilidade
inconsciente naqueles ombros elegantes.
Ele balançou a cabeça, os olhos manchados sorrindo suavemente para
mim.
— Eu fiz aniversário há algumas semanas. Você pensou que eu fosse
mais jovem?
Eu balancei a cabeça, incapaz de negar. Mas de repente eu estava
distraída com o que ele disse, e o que isso significava. — Eu perdi o seu
aniversário? — Eu perguntei, sentindo uma culpa horrível.
Ele mordeu o lábio, e por algum motivo isso me fez querer chorar. Ele
parecia muito mais vulnerável de repente. — Sim. Ele caiu em um daqueles
dias difíceis, mas você mandou uma mensagem no dia do meu aniversário, e
isso ajudou.
Fiquei horrorizada quando uma lágrima caiu pelo meu rosto, mas eu
não conseguia evitar. — Eu não sabia. — eu sussurrei, me inclinando. — Eu
me sinto terrível. Como pude fazer isso com você?
Ele limpou aquela lágrima do meu rosto com um sorriso triste nos seu.
— Não perca outro. Nunca mais. Isso iria mais do que compensar.
Eu balancei minha cabeça. — Eu não saberia o que poderia dar para
você, o que você quiser, mas eu tenho que fazer alguma coisa por você.
Ele sorriu de repente, um sorriso bastante perverso, mas os olhos ainda
suaves. — Há uma imagem que eu quero que você pinte para mim. Isso seria
um presente maravilhoso. Mas isso não vai anular a outra coisa que eu
mencionei. Você não poderá perder mais nenhum dos meus aniversários.

Eu balancei a cabeça, concordando com ele, mesmo sabendo que isso
era louco.
Suas sobrancelhas se ergueram em uma surpresa genuína. — Só assim,
você concorda? Você entende que eu estou pedindo um compromisso a longo
prazo com você, quando eu falei isso?
Eu balancei a cabeça novamente, e ele me olhou, expondo todos seus
sentimentos naquele olhar, antes de fechar os olhos e enterrar seu rosto no
meu pescoço. Eu entendi suas ações perfeitamente. Eu não queria também
que ninguém me visse em um momento tão cru.
— Você realmente quer dizer isso? — Ele sussurrou.
Fiquei um pouco chocada pela sua perplexidade. No fim das contas, eu
já tinha até concordado em viver com ele. Eu queria naquele momento lhe
dizer que eu o amava, para tranquilizá-lo, para me expressar com mais
liberdade, mas as outras quatro pessoas no carro me fizeram segurar minha
língua sobre os sentimentos mais profundo que eu queria dizer.
— Eu quero dizer isso, James. Eu quero dizer exatamente isso, eu quero
que a gente fique juntos. Eu estou desesperada por isso. — Minha voz era um
sussurro cru, quando eu falei no ouvido dele.
Ele me agarrou contra ele com força, sua boca no meu ouvido.
— Eu estou desesperado por isso também. Eu estou disposto a lutar por
isso, Bianca, disposto a lutar por nós, porque vai ser uma luta, às vezes. A vida
que eu levo pode ser esmagadora, e a imprensa pode ser implacável. Você
pode jurar que não importa o que eles atirem em nós, você vai ficar do meu
lado?
Eu fiquei tensa com as suas palavras, de repente apreensiva que ele
estava se referindo a alguma ameaça indefinida no futuro, algo pior do que
qualquer coisa que tinha passado antes. Eu não sabia se era a minha
imaginação — se eu estava tão acostumada a esperar o pior, ou se eu poderia
ler um sentimento estranho de medo em sua voz, mas de repente eu estava
cheia de medo também.
— Eu prometo tentar. — eu disse a ele finalmente.
— Obrigado. — ele murmurou baixinho.

Ele se afastou, olhando firmemente para fora da janela, segurando
minha mão, e eu poderia dizer pelo seu comportamento, que ele estava
tentando recuperar a compostura. Eu também precisava. Eu virei até a minha
própria janela, olhando para fora, enquanto tentava recuperar minha própria
fachada calma habitual.
Chegamos ao nosso destino rapidamente, desembarcando do carro
lentamente, os seguranças saindo primeiro, e depois nos flanqueando. Todo o
processo ainda me fazia sentir surreal, mas quando James levou uma mão
quente na minha nuca, eu pensei que eu poderia acostumar com qualquer
coisa, com ele ao meu lado.
Todo esse evento de sessão de fotos me fazia sentir estranha. Eu sabia
desde o segundo que entramos a porta que eu estava fora do meu lugar. Eu
estava cumprindo meu papel de namorada do bilionário, mas isso não era eu,
e quando entramos, eu me senti um pouco desconfortável em minha própria
pele
James saiu para se arrumar para a sessão, e eu só desejava ficar ali por
perto, e esperar.
Todo mundo foi educado o suficiente, me perguntando se eu precisava
de alguma coisa, procurando o melhor lugar para eu me sentar e assistir as
filmagens, mas tudo isso só me deixou mais auto consciente. Eu estava
rapidamente me escondendo atrás da minha expressão mais calma e vazia,
deixando para dentro todo o meu nervoso.
Os seguranças não estavam ajudando, é claro, parecendo graves e
intimidadores, quando se posicionaram em volta de mim, olhando para a
sala. Eu finalmente recorri aos joguinhos no meu telefone. E vi que havia
perdido uma mensagem de Stephan, eu cliquei sobre ela imediatamente.
Stephan: Eu acho que o encontro com esses caras foi uma má ideia.
Eles estão sendo abertamente hostis, e eu não sei porquê.
Bianca: Eu acho que Vance ainda é apaixonado por Javier. Eu sempre
tive essa impressão. Existe algo que eu possa fazer para ajudar? Quer que eu
vá ai para dar apoio moral?
Senti meu rosto esquentar em agitação com o pensamento de alguém
provocando Stephan. Ele era um homem muito forte — uma pessoa muito
forte, mas eu ainda não podia suportar a ideia.

Stephan: Não, não é tão grave, B. Eu vou provavelmente apenas tentar
escapar antes do cronograma aqui. Eu gostaria de sair quando você acabar
ai, então, me dê um grito.
Bianca: Claro. Você fale a hora e o lugar, e eu estarei lá. Sempre.
Stephan: Por enquanto, apenas se encoste em um divã confortável, e
admire o seu supermodelo ser fotografado, e assim que terminar a gente se
encontra.
Bianca: É isso aí. Amo você.
Stephan: Eu te amo, B.
Eu senti um forte desejo de ignorar o que ele disse, e apenas ir lá,
encontrá-lo e me certificar que ele estava bem, mas eu sufoquei. Stephan era
geralmente muito bom em me dizer exatamente o que ele precisava de mim, e
se ele falou que não era tão grave — que ele só queria sair quando tudo aqui
tivesse terminado, então, era o que ele queria, e era isso que eu faria.
Eu ainda estava ponderando sobre isso, quando James saiu do local
onde foi se trocar. Meu queixo caiu, e minha mente ficou completamente em
branco.
Ele estava usando calça cinza clara e uma gravata branca brilhante. E
isso era tudo. Seu peito e até mesmo os seus pés estavam descalços, sua pele
escura e dourada pálida contra o tecido da gravata. Seu peito foi lubrificado, e
vê-lo, literalmente, me deixou com água na boca. Sua calça era ridiculamente
baixa, o que significava que era do guarda roupa da revista, e não dele.
Eu não poderia imaginá-lo vestindo um terno para trabalhar que não se
encaixasse perfeitamente, e aquela calça parecia perigosamente perto de cair,
e mostrando suas partes mais deliciosas para todos na sala.
Engoli em seco, enquanto ele caminhava para mim, observando o V
acima de sua cintura movimentar distraidamente junto com seus músculos
definidos.
Ele se aproximava.
— Olá, Sr. Magnifico. — eu disse, minha voz muito suave. Apenas
algumas partes das palavras saindo.
— Você não deve olhar para mim desse jeito agora, Bianca. — ele disse
com um sorriso carinhoso. — A não ser que você queira que um grande

número de assinantes da revista consigam ver uma imagem muito clara do
meu tesão.
Eu balancei a cabeça. Ele tinha um ponto muito bom, mas eu ainda não
conseguia parar de olhar para ele. Seu peito tinha um maravilhoso brilho de
óleo sobre ela.
Eu toquei com um dedo.
Ele agarrou minha mão. — Ora, ora. — ele disse, mas ainda havia um
sorriso em sua voz.
Obriguei-me a olhar para o seu rosto. Claro, que a visão era tão
perturbadora quando o resto. Alguém tinha amarrado o cabelo para trás de
seu rosto. Seu cabelo parecia mais escuro assim, todos as mechas mais claras
escondidas.
Cerrei os punhos para não tocá-lo. Eu estava achando muito difícil
manter minhas mãos junto de mim recentemente. Era um novo desenrolar
estranho, quando eu quase sempre tinha achado a ideia de tocar e ser tocada
quase como uma maldição.
Limpei a garganta. — Você parece... Delicioso. Comestível. De dar água
na boca. — Muito bem.
— Obrigado. — Ele limpou a garganta. — Espero que possa terminar isso
rapidamente.
Ele se afastou antes que eu pudesse responder, movendo-se em direção
ao local onde estavam montando as filmagens.
Observei todo o processo muito mais como se fosse uma observadora
estranha. Um pessoa que estivesse de fora, olhando obcecada e apaixonada.
Mas pelos olhares femininos semelhantes, totalmente vidrados — que notei
onde quer que eu olhasse, eu não era a única.
Uma mulher de sorte teve a tarefa de mostrá-lo onde ficar e o que fazer.
Eu não perdi o fato de que ela usou cada desculpa para tocá-lo. Eu poderia
acusá-la? Sim. Mas eu descobri que eu não estava nem um pouquinho
ciumenta. Como eu poderia ficar, quando James tentava se afastar a cada
toque dela? Ele foi profissional, mas muito legal com a mulher.
A mulher era quase magra demais, mas ainda indiscutivelmente
atraente, com cabelos e olhos escuros, e os lábios cheios de atriz de

Hollywood. Ela poderia estar em qualquer lugar entre 30-45 anos. Não
importava para ela. Juventude ou a falta dela não alterava a sua beleza. Ainda
assim, eu não sentia nem mesmo uma agitação de insegurança, quando ela
colocava as mãos sobre ele.
Em vez disso, eu quase lamentava a situação constrangedora que ele se
encontrava. Ele me lançou olhares desconfortáveis ocasionais, quando ela
lidava com ele, como se tivesse mais medo de me perturbar que se preocupar
em fazer as filmagens. Isso me fez corar um pouco a cada vez que ele fazia
isso, mas aqueles eram os únicos momentos em que ele olhava para mim.
A mulher se afastou dele, finalmente, e as filmagens começaram.
Quando ela começou a gritar ordens para a equipe, eu percebi que ela devia
ser a diretora. Pela maneira que ela estava agindo, eu achava que ela era uma
espécie de assistente fascinada por ele, uma fã. Eu acho que eu sabia melhor
do que ninguém como Sr. Magnifico poderia transformar até mesmo a mulher
mais estóica em uma tola fã ardorosa.
Cada movimento que ele fez de repente se tornou ainda mais fascinante,
e ele sempre foi absolutamente fascinante para mim. Ele não sorriu, apenas
mudou seu rosto, de uma forma e maneira que pegasse todos os ângulos
perfeitos para as diversas fotos.
Suas mãos estavam em seus quadris, mas subiram para se cruzarem
atrás da cabeça, levantando seu abdômen duro e fazendo os músculos dos
seus braços ficarem mais atraentes. Poderia ter sido apenas impressão minha,
mas a gravata parecia estar apontando sugestivamente para baixo, e eu não
pude deixar de notar como a pose estendeu a Bianca em seu peito, exibindo-o
como um prêmio. Isso me fez sorrir.
Ele era louco, mas isso só estava se tornando mais uma coisa que eu
adorava nele. Aparentemente isso era contagioso em relacionamentos, porque
eu estava começando a suspeitar da minha própria sanidade.
Eles tiravam foto após foto, enquanto ele mudava de posição sob o
comando da diretora. Ela pediu uma pausa depois de talvez, 10 minutos.
— Annie, me traga alguns suspensórios. — ela gritou.
Uma pequena mulher loira correu de volta para o closet.
As duas mulheres rapidamente prenderam os suspensórios na calça de
cintura baixa, o que parecia totalmente desnecessário, e muito pouco

profissional para mim, mas o que eu sei? Eles retomaram as fotos
rapidamente.
James teve que puxar um suspensório para o lado para mostrar sua
tinta vermelha, mas ninguém parou.
Eu podia ver por que eles tinham adicionado os suspensórios, embora
eu pensasse que era uma coisa estranha a se fazer. Era sexy. Como era sexy
foder em cima do cavalo. Algo sobre a roupa de trabalho, com seu peito nu
untado e bronzeado era obsceno, beirando a um alucinante orgasmo só de
olhar, era realmente sexy.
Eles tiraram fotos intermináveis de todas as mudanças em sua postura e
expressão. Eventualmente, eles o fizeram virar, tirando diversas fotos de suas
costas definidas. Ele balançou os ombros, suspendendo uma alça solta, para
mostrar a tatuagem em suas costas.
Eu me aproximei para estudá-la, ainda sentindo um pequeno estado de
choque toda vez que eu pegava um vislumbre do meu rosto em suas costas. Eu
sabia de ouvir vários amigos falarem sobre isso, que as tatuagens descascam
bastante no inicio, às vezes chegando a estragar a tinta, mas eu podia ver
nenhum sinal disso naquela. Parecia perfeita, ainda como se fosse uma
pintura em suas costas.
Eu ainda pensei que a tatuagem era uma loucura, mas eu estava
começando a entender por que ele tinha feito isso.
Ele se apaixonou por mim, por qualquer louco motivo, e eu estava tão
fechada que ele não conseguiu simplesmente sair e dizer isso, e eu acreditar
nele. Eu era muito quebrada, muito cética em relação a tudo que é bom na
vida. Isso tinha sido o seu jeito completamente irracional, a maneira insana
que ele encontrou, em tentar provar isso para mim.
Isso dele era tão parecido com Stephan, tão disposto a jogar todo o
orgulho de lado por minha causa, por me amar. Eu sabia, dentro da minha
alma, que não havia nada que Stephan não faria por mim, e eu estava
começando a ver que James tinha a mesma qualidade surpreendente. O que
eu tinha feito para merecer tais homens dedicados em minha vida? Eu não
conseguia entender isso. Tudo parecia ser bom demais para ser verdade.




CAPÍTULO ONZE
Sr. Deslumbrante

Depois de uma quantidade exaustiva de poses, James foi levado para o
camarim, para trocar de roupa para mais fotos. Eu não poderia imaginar o
porquê. Eu já tinha visto as fotos. Não havia nenhuma maneira que não
tivessem conseguido uma boa sequência ali.
A diretora se aproximou de mim, quando James desapareceu na área do
camarim. Ela sorriu para mim. Era um tipo de sorriso educado e profissional.
Eu me perguntei se ela tinha sido modelo, antes de dirigir sessões de fotos.
Ela acenou com a mão em seu próprio peito. — Então, eu imagino que
você seja aquela Bianca? — Ela perguntou, e eu percebi que ela estava se
referindo a tatuagem que tinha acabado de ficar olhando na última hora.
Eu balancei a cabeça, realmente não sabendo como responder.
Ela estendeu a mão. — Eu sou Beatrice Stoker. Eu sou a diretora.
Eu apertei a mão dela, e ela apertou com força, como se fosse algum tipo
de teste. Eu lhe dei uma resposta tímida, não interessada em nada que ela
imaginasse estar me testando com uma ação tão estranha.
— Bianca. — eu disse a ela, embora, obviamente, ela soubesse disso.
— Você é uma mulher de sorte, Bianca. — disse ela. Algo um pouco
familiar no seu tom elevou um pouco os arrepios no meu pescoço.
Eu lhe encarei com firmeza. — Estou muito bem ciente disso. Confie em
mim quando eu digo que você não pode sequer imaginar o quão sortuda eu
sou.
Ela piscou, mas não pareceu se alterar com minha declaração
embaraçosa. Eu não sabia o que me fez querer provocá-la, mas cada vez mais
e mais, eu parecia estar tendo dificuldade em segurar a minha língua.

— Bem, bom para você. — ela disse finalmente. — Sobre isso, as novas
tatuagens do Sr. Cavendish dedicadas a você e tudo mais, eu tive uma ideia
para uma foto, se você não tiver objeção.
— Objeção a quê? — Eu perguntei desconfiada.
Ela sorriu, aquele sorriso educado. — Se você não se importaria em
passar pelo incômodo de cabelo, maquiagem e guarda-roupa, eu adoraria tê-
la participando em algumas das fotos. Mais como um acessório para James,
do que como um foco principal, se você me entende.
Eu não entendi. — Você quer que eu apareça na foto? — Eu perguntei,
perplexa. — Era algo que eu nunca esperava.
— Bem, ele está mostrando tatuagens que são, obviamente, em sua
honra, então eu pensei que seria bom colocá-las em algumas fotos. Nada de
mais. Eu só gostaria que você talvez o abraçasse por trás, algo muito inocente
e discreto. Ele saiu sem camisa em nossas capas, várias vezes, sem nenhuma
tatuagem. Eu pensei que poderia ser bom mostrar ao leitor o que inspirou sua
nova paixão por essa arte.
Eu fiz uma careta, desconfortável com a ideia. — Você teria que
perguntar a James. Isso é uma decisão dele.
Ela assentiu com a cabeça e afastou-se com um propósito, e eu me senti
um pouco como se eu tivesse acabado de jogar ele para os lobos.
Com certeza, porque James saiu do camarim momentos depois,
caminhando em minha direção em passos rápidos, com a testa franzida.
Ele estava em um novo traje de dar água na boca, uma calça bege clara,
seu peito dourado descoberto e o que parecia ser o mais suave cachecol bege
que eu já vi na minha vida, envolvido em torno de seu pescoço até formar
uma espécie de capuz um pouco obsceno.
— O que você pensa dessa ideia? — Ele me perguntou.
Eu dei de ombros, sem saber o que pensar, e tive dificuldade em focar
em qualquer outra coisa, exceto no que eu queria que ele fizesse comigo com
aquele cachecol.
— Meu primeiro impulso foi dizer nem fodendo, eu não quero que você
fique exposta assim, mas a minha necessidade de escondê-la do mundo é,
obviamente, um ponto discutível. Eles já deram uma olhada em você, então

eu acho que nós deveríamos deixá-los olhar para você, mas nos nossos
termos, se isso faz sentido. Então eu acho que eu estou dizendo que, sim, eu
gostaria que você participasse das fotos, se você estiver confortável com isso.
Ele parecia quase defensivo quando traçou seu raciocínio para mim. Era
tão incomum para ele ficar na defensiva, que eu fiquei um pouco surpresa. Na
verdade, ele parecia tão preocupado, que eu decidi afastá-lo dessa tristeza.
— Tudo bem, eu vou fazer isso. — eu disse calmamente. Era um fato que
já havia muitas fotos horríveis de mim lá fora, até mesmo demais para
acompanhar, então o que uma imagem não tão horrível me machucaria?
Ele parecia atordoado, e não totalmente satisfeito, mas ele apenas
acenou com a cabeça.
Depois disso, me senti como se entrasse em um turbilhão de atividade,
tendo que fazer o meu cabelo, maquiagem e unhas.
O camarim foi um fiasco total. Simplesmente não havia outra maneira
de olhar para aquilo. As pessoas que cuidavam das roupas, acostumadas a
trabalhar com profissionais, e dificilmente a lidar com namorados
excessivamente ciumentos, tentaram trabalhar profissionalmente como era o
seu habitual.
Alguém começou a levantar minha saia e eu meio que gritei, surpresa.
Eu me virei para olhar para a garota atrás de mim. Ela estava me dando um
olhar impaciente, apenas fazendo seu trabalho. E então foi James...
— Não toque nela! — Ele disse a pobre moça, seu tom de voz quase
gritando. Eu não tinha apreciado sua familiaridade, mas eu senti um forte
sentimento de piedade com o olhar arrasado em seu rosto. Ele dirigiu-se à
sala em geral. — Todo mundo para fora. Ela não precisa de uma plateia.
Apenas uma ajudante feminina deve ficar.
Apenas uma pobre assistente feminina afortunada permaneceu,
começando a mexer na pequena arara, enquanto vasculhava por roupas. Ela
era a pequena assistente loira que estava ajudando com as fotos. Ela tirou um
jeans e me deu um olhar duvidoso.
— Eu posso supor que você não concorda com topless? A foto ficaria
encoberta, é claro.
— Fora de questão. — disse James. Ele afastou a ideia ferozmente.

Ela suspirou, não mais feliz do que ele sobre toda a situação. — Talvez
eu devesse simplesmente deixar você escolher a roupa dela. Apenas as mãos
e, talvez, o topo de sua cabeça estará mostrando, por isso realmente não
importa, e você, obviamente, vai ter uma opinião sobre isso.
Eu pensei que ela tinha sido sarcástica quando lhe mandou escolher,
mas ele levou a sério a sua palavra, vasculhando as prateleiras de roupas com
um propósito.
Pelo menos James não perdeu tempo escolhendo. Revirei os olhos, mas
tive que sorrir quando vi o que ele havia escolhido.
A assistente, na verdade, parecia satisfeita com suas escolhas. — Ohh,
isso é uma ótima ideia. Isso será uma bela maneira de prestigiá-la na foto.
— Ela não precisa de ajuda para se vestir, mas ela precisa de
privacidade. — James disse sem rodeios.
A assistente lhe lançou um olhar hostil, mas saiu apressadamente.
Estudei James, meio esperando ele me atacar. Foi uma suposição
natural. Estávamos sozinhos agora, e quando estávamos sozinhos...
Porém ele não fez isso, só começou a me ajudar a vestir. Eu não
precisava de ajuda para isso, mas eu sabia que não era esse o ponto. Ele
queria fazer isso, precisava fazer isso. Se eu tentasse analisá-lo, como eu
parecia fazer com tudo, eu achava que ele fazia isso, porque ele gostava dessa
sensação de cuidar de mim.
Como ele era um novato nesse negócio de relacionamento, como eu, eu
achava que ele fazia isso, porque era algo que nos deixava mais próximos.
Embora isso fosse um pouco bizarro e poucos casais agiam assim, por mais
estranho que pareça, me fazia sentir mais perto dele, e mais querida.
Ele me vestiu com uma calça bege e uma regata justa e macia, também
bege, que era quase um conjunto para o cachecol. Toquei esse tecido quando
chegou ao meu alcance.
Ele me deu um olhar quente. — Eu vou ficar com o cachecol. Eu tenho
planos.
— Claro que sim. — eu murmurei de volta.
Seus olhos se estreitaram em mim. — Esse olhar em seus olhos vai
deixar você em apuros.

Eu apenas continuei olhando para ele, deixando aquele 'olhar' ainda
pior.
Ele sorriu. — É uma sorte para nós dois, que você gosta de entrar em
apuros.
Eu senti minhas entranhas apertarem de uma maneira muito boa, com
certeza isso significava que ele ia fazer alguma coisa, tipo agora, mas ele
acabou de me vestir e recuou.
— Use os mesmos saltos vermelhos. — ele disse. Eu me aproximei dele,
que me levou de volta para o estúdio.
A foto foi mais rápida e menos complicada do que eu tinha previsto. No
fim das contas, posar foi como tomar uma brisa. Tudo o que eu tinha que
fazer era ficar atrás dele, braços em volta de sua cintura, com as mãos no seu
peito e abdômen. Eu tentei não deixar que minhas mãos vagassem, ou
acariciá-lo, mas foi uma luta. Meu rosto não ficava realmente visível, apenas o
topo da minha cabeça e meus olhos espreitando por cima do ombro, quando
eu não estava colocando o meu rosto contra suas adoráveis costas. Me excitar
foi fácil. Não me excitar descontroladamente foi a parte mais difícil. No
entanto, eu consegui disfarçar melhor essa parte do que James, e isso só
porque a sua parte era mais difícil de controlar em geral.
A diretora pigarreou algumas fotos depois. — Hum, então, não há nada
que você possa fazer sobre isso, Sr. Cavendish? Esta não é uma publicação
pornográfica...
James, o filho da puta sem vergonha que era, parecia completamente
imperturbável. — Você só precisa tirar fotos da cintura para cima. Você foi a
única que queria que a minha namorada participasse da foto, colocando as
mãos em mim. O que você achou que ia acontecer?
— Se pudéssemos tirar foto apenas da cintura para cima, isso não seria
um problema, mas parece que o, humm... problema é maior do que isso.
Eu senti ele dar de ombros contra a minha bochecha e eu simplesmente
perdi o controle. Eu comecei a rir, e eu não conseguia parar por uns bons
cinco minutos.
James se virou de frente, até que os nossos corpos estavam
pressionados juntos. Ele estava sorrindo para mim, o riso em seus olhos. —
Eu não consigo pensar em nenhum som que eu goste mais de ouvir do que
esse.

As coisas melhoraram depois que eu tive minha crise de risada. James
parecia ter um melhor controle sobre as coisas depois, e tiraram fotos de suas
costas e frente, enquanto eu me inclinava contra ele. Eles pararam
brevemente para alisar o seu cabelo, deixando-o cair solto, em seguida,
amarrando-o de volta. A coisa toda parecia meio boba e fútil para mim, mas o
que eu sabia sobre sessões de fotos? E eu não poderia dizer que eu não me
diverti. Exatamente o oposto, uma vez que meus nervos se acalmaram, eu me
diverti bastante.
Eles fizeram mais uma troca de roupa em James, e eu fui deixada de
fora agora. Eu não me importava.
Eles o vestiram na verdade, com quase nada, apenas short de cintura
baixa e tênis. Eles não lhe deram meias, o que deveria ficar impraticável nas
fotos, mas ele tinha tornozelos sensuais, então eu acho que fizeram por isso.
Eles trançaram algumas mechas de seu cabelo para trás, o que eu pensei
que era estranho, mas que funcionou muito bem para ele. Ele estava
deslumbrante, como sempre.
Eles tiraram fotos das poses padrão que ele já estava fazendo desde o
inicio, em seguida, mudaram para algumas cenas de ação. Estes eu assisti
com renovada fascinação. Fizeram ele saltar impressionantemente alto, fazer
algumas flexões e, em seguida, levantamento nas barras. Tive de conter um
pequeno sorriso quando ele fez levantamento de peso.
Ele usou mais expressão nessas fotos, até sorrindo para a câmera em
algumas delas. Ele não precisava de direção, em nenhuma parte do processo,
como eu imaginava que um modelo profissional precisaria.
Alguém me trouxe um sanduíche de peru, e eu agradeci. Eu comi a coisa
toda, sem tirar os olhos de James por um segundo.
Fizeram algumas pausas para fazer, o que eu imaginava ser algum óleo,
muito desnecessariamente para baixo. Ele tentou afastar as duas mulheres
que pulavam nele, me lançando um olhar muito desconfortável. Eu pensei
que li o olhar perfeitamente. Ele estava preocupado que eu ficasse chateada
com todas aquelas mãos tentando tocá-lo, e ele queria que parasse.
Elas finalmente cederam, mas ainda insistiram em fazer nas suas costas.
Sua mandíbula estava apertada, e ele parecia positivamente agitado no
momento em que terminou. Eu olhei sem nenhuma expressão no meu rosto,
mas eu apenas me sentia levemente irritada. Se eu tivesse inclinada a ficar

chateada com toda aquelas mãos lhe tocando, sua reação teria rapidamente
me curado. Ele estava muito mais chateado com isso do que eu.
Ele se aproximou de mim para conversar durante um dos curtos
intervalos, e uma das diversas assistentes se aproximou de nós, um olhar
tímido no rosto. Eu vi que ela estava segurando uma revista enrolada.
Desenrolou-a e estendeu para ele quando se aproximou, uma caneta
preta na outra mão. —Desculpe incomodá-lo, mas você se importaria de
autografar aqui? — Ela perguntou.
James pegou a revista, sem hesitação, assinando a capa. Eu congelei
quando vi o que era. Uma foto dele e Jules. Eu sabia, pelas suas roupas, que
foi tirada na noite que eu fugi de seu apartamento. Ele viu minha expressão,
quando entregou a revista de volta para a garota.
— Muito obrigada. — ela murmurou, afastando-se rapidamente. Ela
sabia que não deveria pressionar sua sorte, pensei.
— Você está chateada. — James disse baixinho, me estudando.
Eu lhe dei o meu pequeno encolher de ombros, não querendo falar, mas
também sem saber se eu poderia manter minha boca fechada sobre o assunto.
— Naquela noite. — eu disse finalmente, quando ele continuou me
olhando. — Eu sei que você disse que não era um encontro, mas doeu que
ainda assim você foi com ela para o evento de gala, depois de tudo que havia
acontecido.
Seus olhos se arregalaram. — Não. — ele disse suavemente. — Eu não fui
com ela. Eu não faria isso. Eu fui ao evento por apenas trinta minutos, porque
eu me sentia obrigado a ir, por causa de minha mãe. Mas eu estava infeliz, e
eu fui sozinho. Essa foto é bem típica de Jules, querendo obrigatoriamente
uma foto comigo na imprensa. A única vez que eu mesmo falei com ela, foi
para dizer para me deixar em paz. Eu juro, Bianca. Uma vez que eu vi como
você se sentiu, eu não teria feito isso.
Eu me senti fraca de alívio. Eu nem sabia o tanto que eu estava
incomodada com isso.
Já que eu estava me humilhando, eu ia aproveitar e limpar tudo. — Esse
colar que ela usava naquela noite... Você deu a ela?

Ele balançou a cabeça. — Eu nunca dei a ela nenhum tipo de jóia que
seja.
— Ela percebeu meu colar, e deu a entender que sua própria gargantilha
era algo semelhante...
Ele corou. Sua mão fez um movimento como se cortasse através do ar.
— Ela está preocupada com a minha vida pessoal, e ela é uma mentirosa.
Sinto muito que você tenha ficado incomodada com isso, mas ela estava
manipulando você. Eu não dei a ela.
Eu só balancei a cabeça para mostrar a ele que o havia escutado. Eles já
estavam chamando-o de volta para a sessão.
— Você está bem? Você tem alguma pergunta?
Eu balancei minha cabeça, encontrando o olhar dele para lhe mostrar
que eu estava bem. Relutantemente, ele voltou para terminar.
Quando tudo foi dito e feito, toda a sessão de fotos levou quase quatro
horas. Fiquei surpresa ao notar que horas eram quando eu chequei meu
telefone.
James estava na parte de trás se trocando, quando eu vi que tinha
perdido várias mensagens de Stephan.
Stephan: B, você me liga assim que puder?
Stephan: Eu vou voltar para o apartamento. Por favor, me avise assim
que você estiver livre. Eu não quero ficar sozinho agora.
Um arrepio de medo percorreu minha espinha, e eu me senti
imediatamente culpada por esquecer meu telefone, de novo. Tentei chamá-lo
cinco vezes na sequência, meu coração batendo acelerado, mas ele não
respondeu.
Sua mensagem sobre não querer ficar sozinho realmente tinha me
atingido. Ele não deveria ter que ficar sozinho, nunca, não enquanto eu ainda
respirasse, porque era exatamente como isso funcionava com a gente, mas ele
estava, obviamente, sozinho e sofrendo, e eu precisava chegar até ele.
Tentei varias mensagens de texto, embora eu soubesse que seria inútil,
se ele sequer atendia o telefone.

Bianca: Acabei de ver suas mensagens. Voltando ao apartamento o
mais rápido que posso. Por favor, diga-me se está bem.
Quando eu olhei para cima do meu telefone, James estava caminhando
na minha direção. Ele deve ter visto alguma coisa no meu rosto porque seu
sorriso sumiu, ficando com uma expressão alarmada entre um passo e outro.
— O que foi? — Ele me perguntou em voz baixa, quando se aproximou.
— É Stephan. Eu preciso voltar para o apartamento. Ele está chateado
com alguma coisa, e ele precisa de mim.
Ele assentiu, lançando um olhar rápido para um ponto atrás de mim.
Ele pegou meu cotovelo e começou a me levar para fora do estúdio
imediatamente.
— Espere, Sr. Cavendish. — a diretora estava dizendo. — Nós só
precisamos finalizar com a entrevista. Não vai demorar mais do que 30
minutos.
Ele nem sequer diminuiu os passo. — Mande email com as perguntas
para mim. Nós temos alguns negócios urgentes para resolver. — ele disse
bruscamente.
Ela não protestou. Eu duvidava que muitos fariam, quando ele usava o
tom Sr. Cavendish.
Ele não perdeu tempo em nos fazer entrar no carro, viajando
rapidamente de volta para o apartamento.
— Obrigada. — eu disse a ele, minha voz aguda muito baixa, sempre
consciente das outras pessoas no carro. — Eu não posso suportar a ideia que
ele está sozinho e chateado.
Ele balançou a cabeça e passou a mão sobre o meu cabelo. — Eu sei.
Estaremos em casa em poucos minutos. Você tem alguma ideia do que
aconteceu?
Eu dei o meu pequeno encolher de ombros. — Ele e Javier estavam
saindo com outros comissários de vôo esta noite. É uma equipe que é amiga
de Javier, mas não de Stephan. Algo deve ter acontecido com eles. Ele
mencionou anteriormente que eles estavam sendo abertamente hostis. Eu
deveria ter ido na hora ao seu encontro. Eu me sinto péssima.
— Então ele pediu para você ir?

— Não, mas...
— Ele lhe pediu para ir agora? — Ele perguntou.
— Sim, mas isso já tem quase uma hora..
— Pare de se martirizar. Você não poderia adivinhar sobre Stephan. Nós
estamos indo ao encontro dele agora, e tudo vai ficar bem.























CAPÍTULO DOZE
Sr. Compreensivo

Corri para o apartamento no segundo que o elevador se abriu, me
movendo em direção ao quarto dos rapazes. James era uma presença
silenciosa, mantendo o ritmo nas minhas costas.
Eu só sabia que eu estava indo na direção certa, por causa da voz
ecoando alta pelo longo corredor. Eu comecei a correr.
Javier estava gritando, sua voz áspera e irritada. Era tão incomum nele,
que eu parei abruptamente na porta aberta do quarto.
— Nós vamos falar sobre isso agora. — Javier estava dizendo com uma
voz horrível. Ele estava parado em frente de Stephan, perto o suficiente para
gritar em seu rosto.
Seu tom e sua atitude instantaneamente me fizeram perder minha
habitual calma, mas não foi só isso que me fez perdê-la completamente.
Stephan estava com os braços cruzados na frente dele, olhando para o
chão, sua postura derrotada. Ele havia se retirado do confronto, e foi para
aquele lugar escuro em sua mente, onde sua família abusava dele e o
abandonou sem olhar para trás. Eu sabia disso em um piscar de olhos. Algo
horrível tinha acontecido entre os dois homens, algo tão ruim que Stephan
tinha se afastado completamente, e tudo o que Javier estava fazendo apenas
servia para ele ir cada vez mais longe nesse lugar escuro. Isso foi o que me fez
perder a calma.
Eu estava indo até Stephan, antes mesmo que meu cérebro processasse
totalmente o que estava acontecendo entre eles, como se meu corpo soubesse
o que fazer, antes que meu cérebro fizesse. Entrei no meio dos dois homens, e
enfrentei Stephan, enterrando meu rosto em seu peito, meus braços
envolvendo apertado ao redor das suas costelas.

Ele gaguejou um suspiro, como se estivesse prendendo a respiração, me
abraçando de volta. Essas foram suas únicas reações. Seu rosto e postura não
mudaram nada além disso. Eu sabia que era um péssimo sinal.
Virei o rosto apenas o suficiente para olhar para Javier. — É preciso lhe
dar algum espaço. Agora.
Javier apontou para mim, ficando visivelmente mais furioso. — Este é o
problema com vocês dois. Como diabos alguém consegue chegar perto de
qualquer um de vocês, para ter qualquer tipo de relacionamento, quando
vocês só se preocupam um com o outro, apenas confiam um no outro?
Javier tinha um temperamento raro, mas memorável. Ele era um cara
lúcido e doce em noventa e nove por cento do tempo. Ele era doce, gentil e
amável, talvez legal demais para o meu gosto. Mas aquele outro um por cento
era um tufão emocional. Eu sabia, desde o rompimento passado, que quando
ele ficava assim, ele falava coisas horríveis, dava ultimatos, e queimava
qualquer chance de um diálogo. Eu sabia isso. Eu conhecia essa disfunção
dele muito bem, mas ele tinha ferido Stephan, mais de uma vez, e eu tinha um
problema sério de verdade com isso.
Eu apontei para a direita de volta para ele. — Eu já falei, dê espaço para
ele.
Seu lábio superior tremia. Ele segurou as duas mãos em seu cabelo
como se quisesse puxar tudo para fora. Eu não poderia dizer se era raiva ou a
dor que o deixava assim, mas eu sinceramente não me importava naquele
momento. Minha prioridade era Stephan, sempre.
— Ele não precisa de espaço! Ele precisa falar comigo, em vez de correr
para você cada vez que está chateado!
Comecei a caminhar para Javier, para fazer o quê, eu não tinha certeza.
Empurrá-lo da sala? Bater em seu rosto? Eu honestamente não poderia dizer,
mas isso não importava, porque Stephan me impediu, me segurando perto.
— Deixe-a fora disso, Javier. — Stephan disse, sua voz inexpressiva e
tranquila. Eu odiava esse tom, porque eu sabia que escondia uma dor
profunda.
— Não, você deve deixá-la de fora. — Javier gritou de volta.

— Saia, Javier. Eu não tenho nada para te dizer agora, e eu ouvi o que
você tem a dizer. Agora nos deixe em paz. — Stephan disse, ainda nesse tom
alarmante morto.
Javier visivelmente esvaziou. Ele se virou e foi embora.
Distraidamente, notei que James o seguiu para fora, fechando a porta
suavemente atrás deles.
Stephan me puxou para baixo em uma poltrona, me abraçando a ele.
Agarrei-lhe ainda mais forte do que ele fazia. Se ele precisava de conforto, eu
estava aqui para lhe dar. Ele estava sofrendo, e eu sofria com ele. Nós nunca
tínhamos sido capazes de manter algum nível de distanciamento do
sofrimento um do outro, e não o fizemos agora.
Eu acariciava seu cabelo ondulado macio com as minhas mãos, mais e
mais, sem falar, apenas reconfortando e esperando. Se ele precisava me dizer,
ele iria me dizer. Eu não me intrometeria.
Nós nos abraçamos assim por um longo tempo, meu rosto enterrado em
seu pescoço, o seu no meu cabelo, antes dele falar em um sussurro em meu
ouvido. — Eu disse a ele que eu o amava ontem. — ele disse finalmente.
Eu tentei não ficar tensa, tentei ficar reconfortante, relaxada, esperando
que ele continuasse, mas eu não imaginava que ele teria uma boa notícia
depois disso. O eu te amo, obviamente, não tinha sido recebido com uma
resposta positiva.
— Ele me disse que precisava de mais tempo para conhecer seus
sentimentos, que eu estava indo rápido demais. Ele disse que não tinha
certeza se podia confiar em mim, com a nossa história e tudo mais. Eu tentei
não ficar mal com isso, mesmo que tenha entendido como uma rejeição.
Ele não falou por um tempo. Eu acariciava seu cabelo, e esfregava as
costas.
— Eu apenas o assustei, está tudo bem, eu pensei. Eu poderia lhe dar
um tempo. Nós temos tempo, certo? Talvez eu estivesse correndo. Mas, então,
saímos esta noite. Para o bar de Melvin. Não foi uma ideia minha, mas eu não
achei que houvesse qualquer problema. E não houve. Pelo menos não da parte
de Melvin. Melvin estava completamente civilizado, amigável mesmo. Javier
foi a exceção do clima amigável. Ele me perguntou se eu tinha saído com
Melvin. Eu disse que sim, por alguns dias. Ele entrou em um acesso raivoso
de ciúmes. Eu fui até o banheiro. Quando eu voltei, eu encontrei Javier preso

à parede, sendo beijado por Vance. Ele não estava exatamente tentando se
afastar. Eu fui embora na hora. Javier me seguiu até aqui.
— Ele falou que só fez aquilo porque estava com raiva de mim. Ele teve a
coragem de me enfrentar, falando que eu estava exagerando. Eu odeio isso.
Eu simplesmente não posso aceitar esse tipo de coisa, o ciúme e a
infidelidade. Eu prefiro ficar sozinho que lidar com tudo isso.
—Eu não posso fazê-lo me amar. — ele continuou, um terrível tremor
em sua voz. Meus canais lacrimais respondendo de acordo, produzindo as
temidas lágrimas, como se o botão fosse pressionado. — Eu já fui por esse
caminho. Antes de te conhecer, isso era tudo que eu conhecia. Eu fiz tudo o
que eu poderia pensar em fazer para que a minha família me amasse, mas no
final, eles disseram que eu era uma erva daninha, e sem salvação, eles
pensaram que eu era a escória. Eu não vou fazer isso de novo, não vou ser
aquele garoto patético que não pode fazer alguém amá-los, nem mesmo por
Javier.
— Oh, Stephan. — eu sussurrei, chorando como um bebê agora, porque
ele estava chorando, e porque não havia distância entre a sua dor e meu
coração. — Você é a pessoa mais linda que eu já conheci. Não há nada de feio
dentro de você, nada de ruim. Se ele não pode amá-lo, se ele já não te ama, só
pode ser porque ele não é digno de seu amor. Você não precisa tentar fazer
alguém te amar, nunca mais. Você é a pessoa mais amável que eu conheço.
— Eu não sou, Abelhinha. Minha própria família me jogou fora. Tem
que haver algo de errado comigo. Eles não jogaram as outras crianças para
longe. Foi só comigo, e eu tentei o meu melhor. — ele estava chorando duro,
antes de terminar. Eu estava lá com ele. Nos abraçamos e choramos como
bebês. As lágrimas pareciam fluir mais livremente nestes dias. As valentes
crianças de rua, de olhar duro que tínhamos sido um dia, teriam ficado
envergonhadas.
— Eu te amo tanto. — eu disse baixinho em seu ouvido quando as
lágrimas tinham cessado. — Eu não teria sobrevivido sem você. Você me
salvou de muitas maneiras. Você ainda faz, todos os dias. Eu não sei se ainda
seria capaz de amar outra pessoa, se você não chegasse, como você fez. Eu
estava tão dormente por dentro, tão resignada a apenas observar minha vida
sendo jogada fora em um episódio horrível após o outro, até que um desses
episódios finalmente terminasse mal.

Ele choramingou, me apertando tão forte, que eu tive que parar por um
momento.
— Você me salvou de tantas coisas horríveis. — eu continuei. — Você me
impediu de ter que fazer muitas das escolhas difíceis que uma menina teria
que fazer vivendo na rua. Você era um adolescente, mas você me
proporcionou tudo que eu precisava, e me amou mais do que alguns pais
amam seus filhos.
— Oh, Abelhinha. — ele sussurrou.
— Nós nos encontramos na sarjeta. — eu continuei — Mas até lá, você
brilhou como uma luz no escuro para mim. Você foi a única coisa boa na
minha vida, mas você era tão bom, que eu sabia que tudo tinha se equilibrado.
Todos o mau foi equilibrado porque eu tinha você comigo. Mesmo cansada,
abusada e morta por dentro, eu vi isso claramente. Se Javier não pode ver
isso, confie em mim, ele não é digno do seu amor.
Ele beijou minha testa.
Nós não falamos sobre essas coisas, muitas vezes, então quando eu
comecei, era difícil parar. — Eu nunca conheci sua família. — eu continuei —
Mas eu posso te dizer que você era o melhor deles, e não o pior. Eles não te
jogaram fora. — eu disse, e ele fez um leve barulho de um gemido. Isso me
matava, ao saber que isso ainda o machucava tanto, ainda o afetava tanto.
— Eles podem ter de jogado fora, mas isso não diz nada sobre você, e
tudo sobre eles. Você nunca iria jogar alguém fora, nunca faria isso a alguém
que precisasse de você.
Eu tinha falado tudo o que eu queria, e depois ficamos em silêncio. Ele
me abraçou junto dele por um longo tempo, enterrando seu rosto no meu
cabelo.
— Eu te amo, Botão de Ouro. Você é a minha rocha. A melhor coisa que
já me aconteceu. — ele sussurrou.
Fechei os olhos, me sentindo indigna dessas palavras, mas saboreando-
as igualmente.
Eu não sabia que eu tinha dormido até que as vozes tranquilas me
acordaram. O peito de Stephan como o meu travesseiro. Ele falava em voz
baixa com alguém atrás de mim, enquanto acariciava meu cabelo.

— Você tem que saber o quão orgulhosa que ela é, se você estiver
caminhando para mantê-la com você. É um tipo resistente de orgulho. Ela
tinha exatamente um par de calças e três camisetas em nosso penúltimo ano
do ensino médio, mas ninguém nunca teria suspeitado que era porque ela era
sem-teto, apenas por causa da maneira como ela se comportava. E isso é
apenas uma amostra disso, apenas um pequeno pedaço superficial. É muito
mais profundo do que isso. É o tipo de orgulho que mantém uma pessoa que
nunca fala como se sente, correndo o risco de ser rejeitada. Você entende?
Ouvi um profundo barulho de zumbido atrás de mim, e sabia que era
James.
Oh Stephan, pensei.
Ele era um casamenteiro, tentando trazer duas almas teimosas mais
perto; duas pessoas que ele estava com medo de serem incapazes de conseguir
fazer isso por eles mesmos.
Senti um peso baixar no sofá ao nosso lado, uma mão apoiada no meu
quadril, com um toque macio.
— Eu entendo. — James disse calmamente.
Eu não poderia começar a ler seu tom.
— Você está bem, Stephan? — ele perguntou.
Senti Stephan acenar com a cabeça. — Estou melhor. Eu ter me
expressado, colocar tudo para fora, isso realmente ajudou.
— Você está pronto para conversar com Javier hoje à noite? Eu o
coloquei em outro quarto, mas ele pediu para falar com você o mais cedo
possível. Ele jura que não vai gritar. Jura que vai ser civilizado
Senti o aceno de Stephan novamente. — Com certeza. Estou pronto para
conversar. Você vai acordá-la?
— Vou levá-la para o nosso quarto.
Senti Stephan beijar minha cabeça e, em seguida, James estava me
pegando em seus braços. Eu o deixei dar alguns passos, antes que eu
esfregasse meu rosto contra seu peito. — Eu posso andar. — eu disse a ele,
minha voz sonolenta.
— E eu posso levá-la. — ele disse, me segurando com mais força.

E ele fez isso, me levando para cima e me colocando na nossa cama.
Deixei que ele me despisse completamente sem falar uma palavra, apenas
olhando para ele. Eu não poderia começar a ler o seu humor. Ele estava
chateado? A noite não poderia ter caminhado como ele estava planejando.
Ele tirou suas próprias roupas, deitando ao meu lado na cama. Eu
estava de frente para ele, e ele se acomodou ao meu lado, com uma mão
apoiando minha cabeça, a outra sobre a minha barriga com um leve toque.
Era uma espécie pacífica de impasse. Deitamos e nos observamos,
esperando que o outro falasse. Eu pensei que era bem adequada para esse
concurso.
James perdeu pela primeira vez.
— Eu escutei você e Stephan conversando. — ele disse finalmente.
Eu não fiquei surpresa, então eu não reagi. — Por quê? — Foi tudo o que
eu perguntei.
— Eu levei Javier até o quarto mais afastado do quarto de Stephan, e
quando eu saí pelo corredor, eu ouvi você chorando. Eu não poderia me
manter afastado. Eu não podia ouvi-la chorando daquele jeito e apenas deixar
pra lá. É melhor você já saber disso sobre mim.
Eu já sabia disso. Eu só balancei a cabeça para ele continuar.
— Eu apenas sentei do lado de fora da porta e escutei. Tentei lhe dar
espaço, mas isso foi o melhor que eu pude fazer. Deixe-me começar dizendo
que sou grato por Stephan. Eu sinto que eu tenho uma dívida com ele, uma
dívida que jamais poderei pagar, por cuidar de você, por mantê-la segura, de
corpo e alma, antes que nos conhecêssemos. Ele é uma parte de você. Eu vejo
isso. Mas... Javier tinha razão, de uma certa forma.
Eu abri minha boca para falar.
Ele apenas cobriu com a mão. — Deixe-me terminar. Ele estava certo
que, a cada vez que vocês ficam chateados com alguma coisa, vocês não
conseguem evitar apenas de correr um para o outro. Você pode depender de
outras pessoas. Deixar que outra pessoa cuide de Stephan, passar a guarda,
não vai diminuir o que você tem com ele, ou o que vocês são um para o outro.
O amor que um sente pelo outro é uma coisa bonita, mas não deve ser uma
coisa tão egoísta. Vocês transformaram o amor em uma parede que mantém

todos os outros afastados, e isso é lamentável, porque vocês tem muito mais
para dar do que apenas isso.
— Como estamos descobrindo juntos, os relacionamentos podem ser
difíceis. Isso que nós temos pode ser difícil. Mas se você se afastar de mim, se
você correr para Stephan cada vez que as coisas ficarem difíceis, onde isso nos
deixa? Onde isso vai deixar Javier e Stephan? Você precisa ter espaço em seu
coração para mais do que apenas Stephan.
Eu não respondi, não sabendo o que dizer, porque ele estava tão certo e
tão errado. Stephan e eu sempre dependemos um do outro contra a exclusão
do resto do mundo. Isso tinha nos servido tão bem durante tanto tempo, que
era difícil me fazer querer quebrar esse hábito. Impossível, realmente. Mas ele
estava errado sobre o resto. Eu tinha agora, claramente, mais do que apenas
Stephan em meu coração.
Ele abaixou a cabeça muito lentamente para o meu peito, colocando um
beijo suave a direita, sobre o meu coração. Ele olhou para mim, os fios
dourados escuros de seu cabelo caindo com sua cabeça abaixada. — Você
precisa ter espaço aqui para mim. — ele disse baixinho, colocando outro beijo
suave lá.
Segurei seus cabelos em meus punhos, procurando desesperadamente
as palavras para dizer a ele.
Ele se afastou suavemente para fora do meu alcance. — Isso é tudo o
que eu queria dizer.
Eu não conseguia falar com o nó em minha garganta.










CAPÍTULO TREZE
Stephan

STEPHAN
Tomei um longo banho, e coloquei uma bermuda preta de corrida, sem
me preocupar com uma camisa. Pensei que uma corrida seria bom, para
clarear a minha mente. Eu poderia estar no Central Park, em minutos. Eu
adorava correr lá. Estava escuro e eu sabia que não era a coisa mais segura a
fazer, mas inferno, eu quase queria ter problemas. Então pelo menos teria
uma boa luta, mesmo sabendo que eu me odeio depois da violência. Mesmo
quando a violência era em autodefesa, eu me odiava por isso.
Eu estava em pé na porta do armário, agarrando meus tênis de corrida
na minha mão, quando Javier entrou no quarto.
Eu estava planejando falar com ele, sabia que tinha que falar, mas eu
vinha adiando. A conversa que seria mais provável ser um rompimento, não
era algo que eu tinha qualquer desejo em apressar.
Ele olhou para mim, algo cru e feroz movimentando atrás de seus olhos
escuros. Eu poderia dizer que ele estava chorando, mas não mudou muito as
suas feições encantadoras.
— Eu sei que você vai acabar comigo. — ele disse baixinho, com a voz
trêmula. — Eu te conheço bem o suficiente para ver que você está apenas
trabalhando a sua raiva. Eu só peço uma coisa antes de você fazê-lo.
Olhei para os meus pés, meu cabelo ainda molhado e caindo pelo meu
rosto.
— O que é? — Eu perguntei.
— Eu só quero que você se sente e me ouça. E olhe para mim enquanto
eu faço isso. Se você ainda se importa um pouco comigo, você vai me dar pelo
menos isso, que não é muito, antes de acabar tudo.

Eu caminhei até o sofá baixo do outro lado do quarto. Eu me sentei
finalmente, e olhei para ele com firmeza.
— Vá em frente. — eu disse a ele calmamente.
Ele caminhou em minha direção. Seu queixo tinha uma inclinação
orgulhosa, como sempre tinha. Bianca achava que ele era um pouco frio, mas
eu nunca o vi assim. Na verdade, ele era muito parecido com Bianca, tão
composto, tão controlado, tão reservado para um observador casual. Mas
nada entre Javier e eu já havia sido casual, então eu não tinha comprado isso
nem por um segundo. Ele era reservado, sim, mas nunca frio.
Ele se ajoelhou aos meus pés.
— Posso tocar em você? — ele perguntou. Seus olhos nos meus eram
mais abertos e mais crus do que eu jamais vi.
Era difícil dizer não quando ele estava olhando para mim desse jeito,
mas eu me recusei a ser aquela pessoa auto destrutiva, então eu balancei a
cabeça para ele. — Não.
Seus lábios tremeram, e ele quase quebrou minha determinação. Foi um
esforço para não desviar o olhar.
Ele estava de joelhos, e se aproximou o mais perto que poderia ser
possível, sem me tocar. Ele estava usando uma camisa preta muito justa, e seu
estômago duro estava apenas uma respiração de meus joelhos. Eu tentei não
deixar isso me distrair.
— Eu sei o que você pensa. — Javier disse. — Você acha que eu gosto de
drama. Você acha que eu tive ciúmes daquele bartender, e tentei deixá-lo com
ciúmes. Eu posso admitir que eu já fui esse cara antes. Eu já estive nesse tipo
de relacionamento dramático antes, mas eu não sou mais assim. Isso é o que
eu tive com Vance, na verdade.
Minha mandíbula se apertou dura, mas eu o deixei continuar, sem dizer
uma palavra, apenas olhando para ele.
— É besteira buscar por drama. É o tipo de coisa que se faz quando você
não está apaixonado, quando você realmente não se importa para onde seu
relacionamento está caminhando, e não é isso que nós temos, Stephan. Nós
temos uma coisa verdadeira, real. Eu não faria isso com você, jamais. Eu
admito que estava com ciúmes de Melvin, e que eu estava sendo insuportável

sobre isso, mas eu não iria retaliar traindo você. Eu não iria jogar isso fora por
nada.
Seu queixo abaixou enquanto ele falava, mas ele nunca afastou seu olhar
para longe do meu. Ele olhava para mim com aqueles olhos escuros lindos,
através dos cílios mais grossos que eu já vi.
Eu queria comprar suas palavras, teria ficado muito mais feliz se fizesse
isso, mas mais uma vez eu me recusei a ser auto destrutivo. Eu trabalhei
muito duro para me valorizar e parar agora.
— Você não pode dar uma interpretação sobre o que eu vi, Javier. Vance
estava em cima de você, e você não estava fazendo nenhuma contração para
sair dali. Você não estava sequer tentando se afastar. — Eu tentei não levantar
a minha voz, mas foi uma luta.
Ele colocou a mão no meu joelho, como se fosse involuntário — como se
ele não pudesse evitar em me tocar.
Eu o empurrei. — Não. — eu disse, minha voz baixa e grossa.
Eu tentei não ficar afetado quando uma lágrima solitária percorreu seu
rosto.
— Para explicar o que você viu, eu tenho que explicar um pouco o que
Vance e eu tínhamos quando ficamos juntos. — Ele engoliu em seco, e olhei
sua garganta trabalhar. Eu me obriguei a olhar novamente em seus olhos.
— Nós éramos um veneno juntos. — ele disse. — Nós éramos o casal
drama. Era praticamente a única coisa que tínhamos em comum. Ele era
obcecado por mim, e eu era imaturo o suficiente para pensar que isso era o
suficiente para fazer um relacionamento funcionar. Isso acariciava meu ego, e
eu o deixava louco, e ele gostava de ficar louco. Ele queria uma reação de
mim, sempre. Se essa reação era boa ou ruim, ele realmente não se importava.
Ele iria dizer ou fazer algo horrível para mim, e eu reagiria, e ele adorava.
Chegou a um ponto em que poderíamos ter sido a mesma pessoa, no que diz
respeito ao relacionamento. Fizemos coisas dolorosas, dissemos coisas
dolorosas, e nós nem sequer nos amávamos. Esse é o sentimento mais vazio,
saber que você vai machucar alguém só para sentir alguma coisa. Eu não
tenho orgulho disso, mas eu fui aquela pessoa. Eu não sou essa pessoa agora.
Ele colocou a mão no meu joelho, e eu não queria afastá-lo, mesmo
achando que deveria. Ele se aproximou, batendo os quadris entre os meus

joelhos até que eles se separaram o suficiente para deixá-lo se aproximar. Eu
podia ver sua outra mão tremer, quando ele a colocou no meu peito.
Eu mantive minhas mãos afastadas, mas eu o deixei me tocar.
— Vance ainda é essa pessoa. Ele ainda está obcecado por mim,
obcecado com o que tínhamos, mesmo que eu tenha colocado um fim há mais
de três anos atrás. Ele faz acrobacias, querendo nada mais do que uma reação
minha. Eu aprendi há muito tempo que a melhor coisa a fazer é não lhe dar
uma. Não lhe dar nada. Nem sequer uma contração...
Ele se aproximou lentamente, me dando todas as oportunidades para
lhe dizer não. Ele se moveu até que pudesse acariciar seu rosto no meu peito.
Minha respiração tornou-se irregular.
— Ele me beijou para obter uma reação. Ele queria que eu lutasse com
ele, o esbofeteasse, gritasse, qualquer uma dessas coisas. Então eu não lhe dei
nada. Esperei passivamente que ele terminasse, para ele perceber que eu não
me importo mais o suficiente para lhe dar essa reação.
Segurei a mão naquele cabelo preto e grosso. Puxei seu rosto para trás
até que ele estivesse olhando diretamente nos meus olhos novamente. — Você
está dizendo que ele agrediu você? Que ele já fez isso antes? Ele colocou as
mãos em você, sabendo que você não queria que ele te tocasse?
Aqueles olhos misteriosos escuros se arregalaram, suas profundezas
mudando um pouco em pânico. Ele se aproximou novamente de mim,
correndo as mãos suaves sobre os meus ombros.
— Sim. — ele finalmente respondeu.
Eu fiquei duro como uma tábua, minha mente ficando um pouco
nebulosa e vermelha de raiva.
— Não faça nada precipitado, Stephan. — ele implorou. — Ele não vale a
pena.
Uma imagem de Vance entrou na minha cabeça, uma imagem muito
clara minha batendo no rosto dentro, eu iria destruí-lo em uma briga física.
Isto sequer era uma questão. Ele era um pouco baixo, um pouco magro, com
um rosto bonito que eu não via problemas em quebrar.
— Por que você ainda sai com ele? Por que nós nos encontramos com ele
esta noite, se ele é assim?

— Eu tenho uma boa amizade com todos os seus amigos. Eu estaria
junto de toda a equipe, e ele jurou que não iria me forçar mais. E com você lá,
eu não achei que ele seria mesmo capaz de fazer. Eu não imaginava que ele ia
tentar algo no segundo que você saísse de vista. E eu pensei que se ele fizesse,
você me defenderia. Eu não sou um lutador.
Meus olhos se arregalaram de horror. — Você está dizendo que ele
agrediu você, eu vi isso, e então eu fui embora? Foi isso que aconteceu ali?
Eu tentei levantar, mas ele agarrou-se a mim com força. — Não é um
grande negócio. — ele disse baixinho. — Só não acabe comigo por causa de um
mal-entendido. Por favor. Eu estou te implorando, Stephan.
— Você não acha que é um grande negócio alguém forçá-lo na minha
frente, e eu simplesmente ir embora?
Ele esfregou seu rosto em meu peito, e eu engoli em seco. — Vance não
me incomoda. Esta foi a sua última chance de ser civilizado publicamente, e
ele estragou tudo. Eu vou ficar longe, muito longe dele. A única coisa que ele
poderia fazer para me machucar agora é te afastar de mim. Eu te amo. Eu sei
que eu disse que eu precisava de um tempo, mas isso foi uma grande mentira.
Eu me apaixonei por você há mais de um ano atrás, e esses sentimento nunca
foi embora, não para mim. Eu só estava tentando proteger o meu coração,
quando eu lhe disse que eu precisava de mais tempo para me apaixonar por
você. Eu estou apaixonado por todo esse tempo.
Eu não era de analisar uma coisa boa até a morte. Eu estudei o rosto
sério e desmoronei totalmente. Eu acreditei nele, e o amava, e isso era o
suficiente para mim.
Corri minhas mãos pelo seu cabelo escuro como breu, agarrando-o em
meus punhos para puxar seu rosto perto. Beijei-o forte, e ele se derreteu
contra mim. Ele empurrou seu peito contra o meu, se esfregando.
Eu me afastei. — Sem dramas mais. Eu não posso suportar isso. E se eu
ver Vance novamente, eu vou chutar sua bunda. Você pode avisá-lo, se quiser,
mas isso é o que vai acontecer.
Ele apenas acenou com a cabeça, me dando um pequeno sorriso. Aquele
sorriso era um problema. Um bom problema. Eu mantive minhas mãos
segurando o seu cabelo aveludado, quando ele começou a beijar meu peito.
Minha cabeça caiu para trás enquanto ele movia a boca perversa para baixo
com um propósito. As coisas que Javier conseguia fazer com a boca confundia

a minha mente. Ele tinha um talento raro e extraordinário. Ele puxou meu
short para fora, e eu o deixei trabalhar a sua magia.
Um bom sexo oral frequentemente envolvia tanto as mãos como a boca,
mas não com Javier. Ele me chupava tão forte, e tão profundamente que eu
esqueci até onde eu estava, chegando tão rápido que teria sido embaraçoso
para mim se fosse outra coisa, que não um boquete. Ele me manteve no fundo
de sua garganta quando eu gozei, acariciando as mãos sobre qualquer parte
do meu corpo que ele podia alcançar.
Puxei-o até minha boca por um longo beijo. Eu estava em pé, levando-o
para a cama com um aperto firme em seu cabelo. Eu o prendi deitado sobre
seu estômago. Eu beijei seu pescoço e o senti tremer.
Eu não tinha acabado ainda com ele, longe disso, mas eu segurei por
muito tempo, deixando sua antecipação aumentar e lhe dando conforto.
Javier gostava de ser controlado, e eu gostava de controlá-lo. Eu acariciei meu
rosto em seu pescoço, esfregando a minha metade inferior nele por trás.
— Você contou a Bianca o que aconteceu com Vance? — ele finalmente
perguntou.
Eu estava um pouco surpreso que isso era o que ele estava pensando
naquele momento, mas eu respondi. — Sim. Eu lhe digo tudo.
Ele fez um pequeno som de aflição. — Ela vai me odiar agora. Mesmo
que você conte a ela toda a história, ela nunca vai confiar em mim agora, e se
ela me odeia, não temos uma chance. Eu sei como é. Ela é a pessoa mais
importante na sua vida, e se ela está contra nós, não vamos conseguir ficar
juntos.
Eu suspirei. — Você não entende Bianca. Ela nunca faria isso. Ela nunca
trabalharia contra nós. Isso seria muito parecido com trabalhar contra mim, e
ela não tem isso nela. Ela está do meu lado, sem reserva, e ela respeita o meu
juízo. Se eu disser a ela que eu estou com você, que apenas vai ser assim. Ela
vai aceitar completamente, sem exceções. Fomos parceiros em muita coisa
ruim, para que isso funcione de outra maneira.
— Eu espero que você esteja certo... — disse ele.
Mordi o tendão entre o pescoço e o ombro com força suficiente para
fazê-lo gemer. — O que você estava dizendo? — Perguntei-lhe com um sorriso.
— Eu esqueci! — ele suspirou.

Eu comecei a trabalhar arrancando suas roupas por trás. Meu sorriso
cresceu perverso. — Era isso o que eu pensava...


























CAPÍTULO QUATORZE
Sr. Perfeito


BIANCA
James se levantou, caminhando até o armário. Ele voltou usando uma
cueca boxer.
— Não se mova. — ele me disse. — Eu preciso pegar rapidamente algo
na entrada do apartamento.
Eu não disse nada, e ele olhou para mim. Ele apontou para mim, sua
boca torcida, quase brincalhona agora. — Eu estou mandando. Não se mova.
— Com isso, ele saiu.
— Maluco. — eu murmurei alto o suficiente para ele ouvir, mas eu não
me mexi. Eu o ouvi rir, enquanto ele caminhava pelo corredor.
Eu parei imediatamente minha risada, quando ele caminhou de volta
para o quarto. Ele tinha o cachecol bege suave da sessão de fotos em volta do
seu pescoço. Ele sorriu, um tipo perverso de sorriso. Me vi subitamente
molhada apenas com esse olhar.
Ele estava fora de sua cueca e de volta a cama em um piscar de olhos,
sua pele dourada nua. Eu não conseguia desviar o olhar.
Ele montou em mim, desembrulhando o cachecol em seu pescoço
lentamente, me provocando. Demorou para sempre, aquela coisa era muito,
muito comprida.
Eu o assisti, completamente cativada. Eu me sentia como se estivesse
recebendo um strip tease pornográfico de um Deus glorioso. — Você é a coisa
mais linda do planeta, James. — eu disse a ele.
Na borda inferior da minha visão, eu vi a sua ereção contraindo, e ele
fechou os olhos por um longo momento. Não havia como negar que ele era
suscetível à lisonja, mas não era por isso que eu disse. Eu disse isso porque eu

não conseguia olhar diretamente para o sol, e não notar que era ofuscante e
brilhante.
Uma vez que estava livre do cachecol, ele cobriu meus olhos com ele,
envolvendo-o duas vezes ao redor da minha cabeça. Ele levantou os meus
braços acima da minha cabeça, esticando-os totalmente, seu comprimento
duro esfregando ao longo do meu peito, enquanto ele fazia isso. Seu pênis
pressionou o meu esterno, quando ele passou o lenço em volta dos meus
braços. Engoli em seco.
Ele estendeu o comprimento macio dos meus pulsos aos meus
cotovelos. Estava firme, mas não apertado. Quando estava seguro, ele
envolveu-a sobre minha clavícula, alinhando-a até as minhas axilas. Ele mal
me puxou enquanto o envolvia em volta de mim duas vezes lá, antes de descer
para os meus seios e, em seguida, as costelas. Ele envolveu-o em volta de
mim, com movimentos suaves e certeiros, de alguma forma conseguindo
passar sob o meu corpo, enquanto mal me movia. Ele amarrou em torno da
minha cintura, trazendo-o de volta para finalizar em torno dos meus braços,
os unindo sobre os meus olhos.
Ele me tinha bem e verdadeiramente presa quando se afastou,
montando em meus quadris.
Ele disse uma palavra, antes que ele começasse a trabalhar no meu
corpo com a boca. — Lute.
Eu testei minhas restrições, hesitante no início, não imaginando que o
lenço representaria qualquer desafio real. Ele era tão suave, tão elástico, mas
o homem sabia o que estava fazendo. Sempre.
Engoli em seco quando ele lambeu o caminho do meu umbigo até
minhas coxas. Ele chupou em um ponto sensível, enquanto eu trabalhava
contra o lenço, não fazendo nenhum progresso, apenas movendo aquela
perversão contra o meu corpo deliciosamente, enquanto ele fazia as coisas
ainda mais deliciosas embaixo. Ele trabalhou aquela boca inteligente da
minha virilha até o ponto sensível atrás do meu joelho e retornou. Eu lutei
duro, porque o que ele estava fazendo era bom, porque eu não podia acreditar
que aquele cachecol ridículo poderia me manter tão segura, e porque eu
queria as minhas mãos livres para empurrar aquela boca provocante onde eu
precisava que fossem.
Eu só consegui me deixar ainda mais presa, e James teve seu doce
momento, movimentando a língua exatamente onde ele queria levá-la.

Eu parei de lutar quando ele finalmente enterrou seu rosto entre as
minhas pernas, empurrando sua língua dentro de mim, antes de lamber até o
meu clitóris.
Ele ergueu a cabeça quando eu parei. — Continue lutando. — ele me
disse.
Eu não conseguia ver nada, mas eu podia ouvir o sorriso malicioso em
sua voz.
Ele mergulhou dois dedos duros dentro de mim, uma vez, duas vezes, e
eu gozei. Ele estava beijando meu corpo, empurrando de lado o material onde
ele cobria um mamilo. Ele chupou meu mamilo duro, enquanto mergulhava
dentro de mim. Engoli em seco, e lutei mais contra as suaves restrições.
Ele estava arrastando seu pênis para fora de mim, batendo todos os
nervos perfeitos, quando ele descobriu meus olhos. O resto ele deixou preso,
enquanto se apoiava com os cotovelos no colchão, nas laterais dos meus seios
e empurrava dentro de mim, sem parar. Seus olhos me mostraram que o
amante amoroso estava dirigindo esse passeio, embora o sorriso em sua voz,
quando ele me atormentava havia me dado um aviso justo.
— Diga, Bianca. — ele disse, a voz mais macia do que exigente. Ainda
assim, eu sabia que era uma ordem.
— Eu sou sua, James. — eu lhe disse em voz baixa.
Suas pálpebras vibraram brevemente, quando ele começou a entrar em
mim, ele foi ate o fundo com o mais sexy pequeno gemido, e eu gozei.
— Porra de Cashmere. — ele me disse com um sorriso, que me deixou
sem fôlego.
Eu ri. — Então é assim que se chama. Bom saber.
Ele me desembrulhou do cachecol lentamente, se esfregando ao longo
do meu corpo enquanto fazia isso. Eu me esfregava contra ele, sempre
desejando seu toque, mesmo com meus olhos se fechando, e eu caí em um
sono profundo.
Eu tive o pesadelo novamente, e acordei lutando para fora da cama, no
escuro, desorientada e com medo. Braços duros e familiares me pegaram
quase imediatamente, me levantando por trás, e me levando até o banheiro.
Eu tive que fechar os olhos com força quando a luz inundou o ambiente.

Nós já estávamos nus, então ele apenas entrou na banheira, nunca me
soltando, e ligou a água, se encostando na borda da banheira enorme. Eu me
virei para ele, envolvendo meus braços ao redor de seu pescoço, me agarrando
nele tão forte quanto podia. Braços suaves acariciaram minhas costas, me
acariciando e reconfortando, suaves sussurros me dizendo que tudo ficaria
bem.
— Eu não posso suportar isso. Eu sei que é um pesadelo, mas parecia
tão real. — eu sussurrei. Eu não quebrei, não chorei neste momento, embora o
sonho tivesse me abalado tanto quanto antes. Até mais.
— Shhh, amor. Apenas respire. As lembranças vão desaparecer.
Lembranças de um pesadelo sempre desaparecem.
Ele disse como alguém bem familiarizado com pesadelos. Eu não fiquei
surpresa.
Eu levantei minha cabeça para olhar para ele. Ele acariciou meu cabelo,
encontrando meus olhos de frente. Ele poderia se comunicar tanto comigo,
apenas com aqueles olhos manchados extraordinários dele.
Engoli em seco. Medo residual do pesadelo ainda me assombrava. O
pensamento de perdê-lo me fez desesperada e vazia, e me encheu de um
desespero mais escuro do que qualquer coisa que eu já tenha conhecido, e eu
não era uma estranha em pensamentos sombrios.
Eu me afastei, o suficiente para mover o seu corpo, fazendo com que a
água transbordasse. Tracei um dedo na sua testa lisa, no buraco em sua
bochecha, o nariz perfeitamente reto, os lábios bonitos, e, em seguida, seu
queixo duro.
Eu coloquei seu rosto entre minhas mãos, olhando-o firmemente. Ele
pressionou suas mãos sobre a minha, me dando um olhar tão amoroso que eu
derreti.
— O pensamento de perder você me deixa desesperada. — eu disse,
levando o meu rosto para mais perto dele. Meus olhos estavam firmes nos
seus, quando eu dei o salto de confiança. — Eu amo você, James. — eu disse,
minha voz apenas um sussurro. — Muito.
Ele fechou os olhos por um instante, e então respirou fundo. Quando os
abriu novamente, havia um alívio tão cru ali, que me fez tremer.

— Obrigado. — disse ele asperamente. — Eu estive esperando por isso, e
querendo isso, por muito tempo.
Ele acariciou as mãos no meu cabelo, me olhando, seus olhos
caminhando para aquele lugar de amor doce, que eu vim a desejar e depender
tão rapidamente.
Ele ficou em silêncio por tanto tempo, me observando e me tocando,
que eu perdi o impasse silencioso.
— Você... me ama? — Eu perguntei a ele, o medo machucando meu
peito.
— Essa é uma pergunta tola. — ele disse, acariciando minha bochecha.
— Uma pergunta desnecessária. Eu nunca fiz segredo dos meus sentimentos,
Bianca. Eu sei que você é cética, mas deve ter percebido que eu me apaixonei
por você desde o momento que te vi.
Eu me inclinei, meu rosto em sua mão. — Por que você nunca disse as
palavras, então?
Ele mordeu o lábio.
Olhei aquela vulnerabilidade com muita atenção.
— Eu queria que você falasse primeiro. Não por orgulho, e não para o
meu ego, mas para o meu coração. Eu não disse essas palavras para ninguém
desde que meus pais morreram, e eu não queria que a primeira vez que
falasse, fosse respondida com uma rejeição. Eu estava com medo que você se
assustasse e corresse novamente. Eu preferia lhe dar tempo, ao invés de
quebrar o meu próprio coração. Você consegue entender isso?
Eu balancei a cabeça, me sentindo esmagada sob o peso do meu próprio
ceticismo. Eu odiei o que a minha bagagem tinha feito com ele, o que ela
poderia fazer no futuro, toda a dor que lhe tinha causado, porque não havia
cura para todos os meus problemas. Um dos maiores estava elevando sua
cabeça feia, um pensamento recorrente que eu tinha.
— Mas por quê? — Eu perguntei a ele, minha voz muito menor do que
eu gostaria que fosse. — Isso é o que eu não entendo.
Suas sobrancelhas se ergueram, e ele me deu um olhar genuinamente
perplexo.
— Por quê o que?

— Por que você me ama?
Seus olhos ficaram tão suaves, mudando instantaneamente de confuso a
um olhar incrivelmente amoroso, que me derrubou de vez. — Você quer que
eu explique para você? — Ele perguntou de forma solene.
Eu balancei a cabeça.
Ele traçou um dedo na minha testa. — Eu posso fazer isso. Eu realmente
gosto de falar sobre isso. Você é o meu assunto favorito, amor. Vou começar
com os olhos. Foi a primeira coisa que eu me apaixonei. Seu olhar foi como
um soco no meu estômago. Você tem esses olhos sem idade, em um rosto tão
jovem. Eu apenas sabia que você já tinha visto coisas ruins, vivido coisas ruins
e, desde o início, eu sabia que você poderia entender a dor. Entender a solidão
e desespero. Entender o sentimento de viver sem esperança, desamparado e
sozinho. Eu me apaixonei pelos seus olhos primeiro, porque eu olhei para
suas profundezas, e vi a outra metade da minha alma.
O que acontecia comigo, que meus olhos se enchiam a todo momento de
lágrimas? Um embaraço eu não conseguia evitar ultimamente.
Ele traçou uma lágrima pelo meu rosto, me dando o seu sorriso mais
querido.
— Admito que foi o suficiente para me apaixonar, e você vai me dizer
que eu sou louco, mas eu já estive com muitas mulheres, vezes demais até
para contar, e eu tinha experiência suficiente para saber que, desde o nosso
primeiro encontro, eu estava apaixonado por você. Eu não entendi isso até
depois da nossa primeira vez juntos, não tinha dado esse nome, mas isso não
muda o fato de que eu estava perdido desde então. Mas vamos voltar para o
meu assunto favorito.
Ele mudou para do outro lado da banheira, transbordando a água para
fora. Ele mergulhou a mão no meu cabelo por trás, segurando minha nuca.
— Em seguida, eu me apaixonei por aquela sua compostura duramente
conquistada, seu autocontrole de aço. Quando conseguia fazer com que você
sorrisse para mim, ou até mesmo reconhecesse a minha presença, eu me
sentia realizado. Eu nunca precisei persegui nenhuma mulher, na verdade, eu
nunca quis fazer isso realmente, mas eu apreciava fazer com você, mesmo
sabendo que isso era um problema para mim, que você era problema.
— Em seguida, hmm, vamos ver, isso é mais difícil de definir, porque é
um monte de coisas ao mesmo tempo. Vou citá-los todos juntos e resumir que

eu me apaixonei por sua reação a mim. Sua submissão. Eu nunca senti nada
parecido com essa química antes. A maneira como você tremia ao meu toque,
a sua resposta inocente que não podia esconder, e que eu não podia duvidar.
E depois fizemos amor. Depois disso, eu não poderia chamar o que eu sentia
por você de qualquer outra coisa que não fosse amor, pelo menos para mim,
mesmo sabendo que você não sentia o mesmo, pelo menos não como eu
sentia. Ainda não
Havia um entendimento tão adorável em seus olhos, que eu senti algo
cru curar dentro de mim. Sim, meu ceticismo natural o tinha machucado, mas
pelo menos ele parecia saber porque eu era assim. Ele parecia me entender.
Ele não havia terminado.
— E depois havia as pinturas. Esses sonhos em seus olhos. O mundo
pode não ter sido um belo lugar para você, mas você o torna mais bonito com
as suas pinturas. Você coloca sua alma nessas pinturas, e não há nada neste
mundo mais bonito para mim do que a sua alma.
Eu sempre tinha ficado desconfortável com elogios, qualquer tipo de
elogio, e o seu desabafo apaixonado e os elogios que me fez, me arrancaram
do meu próprio eixo, me atingindo profundamente. Eu me senti tão
sobrecarregada, que era difícil continuar olhando diretamente para ele,
naqueles profundos olhos turquesa manchados, apenas consegui através de
pura força de vontade, todo o meu corpo tremendo com o esforço.
Ele continuou implacavelmente. — E então há o fato de que você é
belíssima, e você não poderia se importar menos sobre isso. Sua beleza
Bianca, me devasta, mas você dá menos importância a beleza do que qualquer
mulher que eu já conheci. Mesmo se você percebesse o quão impressionante
você é, o que eu sei que você não percebe, isso não importaria para você, não
faria qualquer diferença em nada, e eu acho isso absolutamente encantador.
—Às vezes me sinto como se eu estivesse fazendo uma completa
confusão. — ele continuou. — Como se tudo que fizesse é estragar as coisas,
mas eu juro que estou tentando o meu melhor. Eu apenas sou péssimo nesta
coisa de relacionamento, porque eu nunca tinha feito isso antes, mas eu
prometo que vou continuar trabalhando até que eu acerte. Eu sou uma pessoa
extremamente determinada.
O pensamento me deixou chocada. Falei sem pensar. — Agora, isso
realmente é um pensamento deprimente, James, porque se você é péssimo

para isso, não há sequer uma palavra para descrever o quanto eu sou uma
merda.
Ele jogou a cabeça para trás e riu, e minha boca automaticamente se
curvou em um sorriso. Ele trouxe seus lábios ainda sorrindo perto do meu. —
Não é verdade, amor. Você está fazendo tudo tão perfeito, que me deixa ainda
mais preocupado o quando tenho que melhorar.
Sua boca estava uma respiração distante da minha, quando eu falei. —
Você não faz confusão nenhuma, James. Você não poderia ser péssimo em
nada, mesmo se você tentasse. Eu acho que você é perfeito.
Ele me beijou, um beijo que começou suave, mas, como sempre, a nossa
fome insaciável pelo outro rapidamente tomou algo mais. Logo depois, ele
estava segurando meu cabelo e saqueando a minha boca por dentro. Eu
esfreguei meu peito molhado contra o seu.
Fizemos amor devagar, sem pressa, com amor. Eu apoiei minha
bochecha contra seu peito molhado quando nós terminamos, beijando meu
nome em vermelho, no seu coração ainda batendo forte.
Ele acariciou o meu cabelo por longos minutos, ainda enterrado dentro
de mim. Ele parecia não ter pressa para sair.
— Eu te amo, Bianca. — ele disse calmamente. — Não há nada sobre
você que eu não adore. Mesmo as coisas que difíceis que você me fez passar,
ainda tem um lugar especial no meu coração. Eu nunca pensei que um dia iria
encontrar uma mulher que eu não pudesse duvidar, uma pessoa que eu
poderia facilmente entregar a minha completa confiança, mas eu conheço a
sua alma, e ela é tão pura e clara para mim que eu sinto como se pudesse vê-
la.
Eu não sei como ele pode dizer essas coisas. Eu me sinto tão cínica às
vezes. Mas eu absorvia suas palavras, amando o jeito que me faziam sentir. Eu
não tenho que concordar com as palavras, mas posso me sentir tocada por
elas.
— Eu te amo. — eu lhe disse simplesmente.
Ficamos em silêncio por longos minutos, apenas nos comunicando
através de toques carícias e beijos suaves. Eventualmente e relutantemente,
ele se afastou lentamente para fora de mim, me puxando contra ele
imediatamente.

— Posso lhe falar sobre meus pais? — ele perguntou finalmente.
— Claro. — eu disse rapidamente, surpresa nele pensar que deveria me
perguntar antes. — Eu gostaria de saber mais sobre eles. Eu gosto de aprender
mais coisas sobre você.
—Você teria gostado de minha mãe. Ela era tão apaixonada, tão
teimosa, mas era também muito amável. Ela não veio do mundo do meu pai,
mas ela não aceitava qualquer um dos disparates que o grupo da alta
sociedade tentava lançar em sua direção. Ela odiava almoços e chás, inferno,
ela odiava todas as funções sociais insuportáveis que não estavam ajudando
diretamente uma instituição de caridade, e o termo 'socialite' a deixava
absolutamente louca.
Suas palavras me trouxeram uma sensação incrível de alívio. Se ele
esperava que eu fizesse o que Jackie sugeriu, e dedicar minha vida a uma série
inútil de funções sociais desagradáveis, apenas para manter as aparências, eu
teria ficado extremamente incomodada, porque isso simplesmente não era
para mim.
— Ela tinha alguns amigos muito próximos, e dedicou seu tempo para a
família e para suas obras de caridade. Ela era tão linda.
Ele fez uma pausa, acariciando minha bochecha.
— Meu pai era um homem reservado, mas ele a amava. Eu me lembro
disso. Ele trabalhava muito, mas todos seus momentos livres, ele dedicava
para minha mãe e para mim. Ele adorava o chão que ela pisava. — Ele
acariciou o meu cabelo quando ele disse isso, seus olhos amorosos.
— Eles tinham um bom casamento. Eu era jovem, mas mesmo eu podia
ver como eles eram devotados um ao outro. Eles sempre compartilhavam
esses olhares... Mesmo quando eu criança, eu sabia que eles tinham algo
especial.
— Quando fiquei mais velho, muito tempo depois que eles faleceram, eu
não imaginava que poderia encontrar algo semelhante para mim, que eu
pudesse sentir algo parecido com o que eles tinham. Eu honestamente não
pensava que fosse capaz disso... Até que eu conheci você, eu nem sabia que
tinha esse tipo de sentimentos dentro de mim. Agora eu vejo claramente que,
com a pessoa certa, é tão simples. Esses sentimentos não são algo que se pode
forçar, e eles não são algo que eu poderia negar uma vez que começa a sentir.

Isso me tira do chão ainda, como me apaixonei por você tão rápido e
profundamente.
— Meu pai gostava de dizer que ele se apaixonou por minha mãe à
primeira vista. Mesmo há algum tempo atrás, eu pensava que ele estava
apenas tentando ser romântico, mas eu acredito nele agora. Aconteceu
comigo exatamente a mesma coisa.
Eu olhei para ele. — Você é louco. — eu disse a ele. A ideia de amor à
primeira vista era tão absurda, especialmente quando era de mim era que ele
estava falando. — Mas, sem dúvida, terrivelmente romântico. — eu concordei.
Ele apenas sorriu. — Eu sei. Mas eu estou sendo honesto, e aconteceu
comigo, exatamente o que aconteceu com ele.
Eu esfreguei meu rosto contra seu peito, me sentindo como se isso fosse
tudo um sonho. Ele era apenas perfeito demais para ser real.


















CAPÍTULO QUINZE
Sr. Inseguro

Dormimos até o final da manhã seguinte. Eu fiquei agradavelmente
surpresa que James tinha tirado a manhã de folga, para que pudéssemos
passar a manhã juntos, antes que eu retornasse ao trabalho. Eu só ficaria
distante um dia, retornando para Nova York na manhã do dia seguinte, mas
ainda sentia como um deleite ficar mais tempo com ele.
Nós permanecemos na cama, o que era surpreendente, uma vez que eu
acordei com ele empurrando dentro de mim. Ele devia estar há pouco tempo,
mas eu já estava molhada o suficiente, definitivamente o meu corpo o aceitava
facilmente. Ele segurou minhas pernas mais abertas, quase no limite
doloroso, e bateu em mim sem piedade, seus olhos fixos em mim o tempo
todo.
— Diga, Bianca! — ele disse asperamente.
Eu não estava realmente certo sobre o que o "diga" dele queria dizer,
depois de nossas confissões na noite anterior, então eu segui os meus
instintos. Ele estava me fodendo como se quisesse me possuir, então eu disse
o que veio à minha mente.
— Eu sou sua, Sr. Cavendish. Só sua.
Eu descobri que meus instintos estavam certos, porque ele bateu mais
forte, gozando e gritando meu nome.
Eu fui com ele, observando-o com fascinação e amor, enquanto o meu
corpo se apertava deliciosamente em torno dele em um orgasmo perfeito.
Ele começou a cuidar de mim depois, mas era uma espécie possessiva de
cuidado. Tomamos banho, e ele assumiu por completo, lavando o meu corpo e
cabelo, como era seu costume. Eu estava além de questioná-lo. Deixei que ele
cuidasse de mim, cumprindo uma necessidade para nós dois, e agora eu
apenas me sentia apreciada com os seus cuidados.

Ele me vestiu, dando beijos suaves por todo o meu corpo, antes de
cobri-lo com suas roupas. Corri as mãos famintas por seu cabelo molhado,
como ele tendia a fazer comigo. Ele me deixou de camiseta e uma cueca boxer
dele, porque eu teria que me trocar para o trabalho em apenas algumas horas.
Descemos para o café da manhã. Teria sido tentador ficar e tomar café
da manhã na cama, mas eu estava morrendo de vontade de ver Stephan. Eu
precisava ter certeza de que ele estava bem, então fomos até a sala principal
tomar nosso café. James nem sequer questionou. Ele parecia entender
sempre como Stephan e eu funcionávamos. Eu não sabia se ele era
exatamente observador, ou se Stephan tinha explicado a ele em mais detalhes
do que eu tinha conseguido. O porque não importava, apenas a sua
compreensão era importante.
Senti todo o meu corpo ficar um pouco mole com o alívio, quando ouvi
as risadas vindo da sala de jantar quando nos aproximamos. Eu reconheci a
risada de Javier primeiro, e aquele que se juntou a dele era mais familiar para
mim do que minha própria risada. E mais bem-vinda.
Eu sorri ao ouvir o som, o meu passo acelerando para alcançá-las.
James era uma presença silenciosa nas minhas costas.
Stephan ficou em pé quando me viu, sorrindo de orelha a orelha.
Ele estava do outro lado da sala e me envolveu em seus braços em um
piscar de olhos. Eu me aninhei naquele peito familiar.
— Você está bem? — Eu perguntei a ele.
Ele me apertou. — Eu estou muito bem.
— Acho que posso supor que foi tudo resolvido. — disse ironicamente.
— Nós resolvemos. — Sem hesitação.
Eu balancei a cabeça contra ele, e depois de um momento, ele me soltou
para voltar ao seu café da manhã.
Eu não preciso saber mais do que isso. Isso estava resolvido, e eu só
podia esperar que Javier, que estava me dando olhares muito cautelosos, não
fosse machucá-lo novamente.
James puxou a cadeira para mim, agindo como um perfeito cavalheiro.
— Omelete de ovo branco soa bem para você? — Ele me perguntou, indo para
a cozinha.

Eu balancei a cabeça, me perguntando como consegui atrair, o que
parecia ser os últimos dois cavalheiros que restavam no planeta.
Notei que Stephan e Javier estavam comendo crepes cobertos com calda
crocante de chocolate e creme de chantilly. Fiquei surpresa que James tivesse
esses produtos em sua casa.
James voltou rapidamente, trazendo um serviço de chá Inglês. Ele nos
serviu todo o chá, sendo o epítome do personagem Inglês bem educado. Eu
disse isso a ele.
Ele sorriu. — Eu puxei o meu pai. Inglês da cabeça aos pés. Cada xícara
de chá Inglês que eu bebo me faz lembrar dele.
Eu pensei que era uma coisa doce para compartilhar, e eu lhe dei um
sorriso doce.
Ele piscou para mim.
Fiquei surpresa como sua resposta me atingiu. Era um gesto muito
inocente, considerando-se as coisas que ele falava e fazia comigo diariamente,
mas ainda assim ele me tinha excitado com um piscar de olhos. O homem era
quente.
Estávamos quase terminando o café da manhã, quando notei James
olhando seu telefone, seu rosto ficou cuidadosamente inexpressivo de um
segundo para outro.
— Me desculpem. — disse ele secamente.
Ele se levantou da mesa e saiu da sala.
Eu não tinha percebido o quão educado ele geralmente era, jamais
recebendo ligações durante os nossos momentos juntos, ele simplesmente
não fazia isso. O que me deixou ainda mais curiosa sobre o que tinha
chamado a sua atenção, e tinha colocado aquele olhar em seu rosto. Eu fiquei
em estado de alerta instantâneo.
A sensação rara de curiosidade incontrolável me fez segui-lo em poucos
segundos. Eu queria ver o que o tinha perturbado tanto, com apenas algumas
palavras.
Eu flagrei ele de costas para mim, em uma das salas de estar. A porta
não estava completamente fechada, mas ele estava falando baixinho ao
telefone.

— Continue e lhe ofereça mais. O que quero dizer simplesmente é que
não tem um limite pelo que vou pagar para manter isso afastado. — Ele fez
uma pausa. — Eu não dou a mínima se é ou não uma decisão profissional
inteligente, Roger. Não se trata de negócios. Trata-se de manter intacta a
minha vida, do jeito que eu preciso que ela fique, e eu estou pouco me
fodendo se ele levar toda minha fortuna para conseguir isso. Você entendeu?
— Outra longa pausa. — Eu não sou um garoto de quatorze anos de idade, que
você ainda pode mandar, Roger. Eu não preciso de tempo para pensar. Eu
preciso que você faça o que eu estou mandando. Cuide disso.
O medo congelou os meus passos, e eu fiquei na porta, escutando. Seu
tom de voz estava em pânico, desesperado. Eu não queria saber o que tinha
colocado esse medo nele.
Eu não me movi da porta quando ele terminou a chamada e se virou. Eu
estava escutando sua conversa e queria que ele soubesse logo. Talvez então ele
me dissesse o que tinha acontecido, e não seria tão ruim quanto o medo que
corria através de mim e me dizia que era.
Ele se encolheu quando me viu lá, o que não foi nada bom para a minha
paz de espírito. Sofremos por um tempo muito longo, um silêncio
constrangedor enquanto ele esfregava as têmporas e eu o olhava.
— Tudo bem? — Eu finalmente perguntei.
Ele fez uma careta. — Ficará. — ele disse. E isso foi tudo.
— Quem é Roger? — Perguntei. Ficar com James parecia ter adicionado
uma veia intrometida com bastante firmeza à minha lista de falhas de caráter.
—Um velho amigo da família. Uma espécie de mentor para mim. E o
meu advogado.
Eu achei que isso soava ameaçador, mas ele não entrou em detalhes, e
eu não perguntei. Se ele não quisesse compartilhar, eu não poderia obrigá-lo.
Finalmente ele caminhou em minha direção. Ele passou a mão no meu
cabelo, agarrando-o firmemente em minha nuca. Ele a usou como uma alça
para inclinar meu rosto para ele. Havia preocupação em seus olhos. — Você
realmente quis dizer o que você disse ontem à noite?
Estudei-o, completamente confusa. — Sobre o quê?

Sua mandíbula se apertou e ele ficou me olhando por um longo tempo.
— Que me ama. Eu sei que você estava cansada e com medo do pesad..
Eu não podia escutar mais. Eu o interrompi bruscamente. — É claro que
eu falei! Eu não diria algo assim só porque eu estava cansada
— Diga isso de novo. — ele ordenou bruscamente.
— Eu te amo. Com toda certeza que sim. Você não deveria duvidar de
mim. Eu não diria a menos que eu quisesse realmente dizer isso.
— É um amor condicional? Quanto você está disposta a suportar para
ficar comigo?
Eu estava começando a ficar com raiva. — Eu não gosto da pergunta. O
amor em uma relação monogâmica tem que ter algumas condições, James. Se
você fosse infiel...
— Eu não estou falando sobre isso. Eu nunca faria isso. Será que o seu
amor tem outras condições?
Eu olhei para ele, mas balancei a cabeça, encontrando a resposta muito
rapidamente. — Eu não acho que teria, James. Mas, novamente, eu não gosto
da pergunta. Você quer me dizer por que você está perguntando isso?
Ele estava segurando o meu cabelo a ponto de doer agora. — Eu estou
perguntando isso, porque toda vez que eu acho que nós estamos finalmente
no caminho de construir um futuro juntos, algo do passado entra no caminho,
e eu preciso saber que não vai acontecer nada com a gente de novo.
Eu pensei que ele estava sendo deliberadamente vago, mas eu deixei
quieto. Eu não estava com disposição para abrir a Caixa de Pandora. — O
passado só pode nos ferir, se deixarmos, se realmente é do passado que
estamos falando.
Ele me estudou, em seguida, me beijou com força. Ele levou a boca ao
meu ouvido. — Eu quero te amarrar na minha cama. Agora. Eu quero mantê-
la lá.
Meu cérebro entrou em curto circuito, indo por um instante para aquele
lugar sublime que só James poderia me levar. — Eu preciso sair para o
aeroporto em breve.
— Eu sei. É por isso que eu quero fazer isso. Então você não poderá sair.

Eu tentei encontrar seus olhos para lhe dar um olhar exasperado, mas
ele estava me beijando, invadindo minha boca até que eu esqueci por que o
que ele disse era tão ultrajante.
Ele se afastou apenas quando me deixou sem fôlego e querendo mais.
— Você já pensou sobre sua carreira na pintura? — Ele exigiu. —
Quando você gostaria de começar a planejar sua primeira exibição?
Eu, na verdade, estive pensando sobre isso. Era uma espécie persistente
de distração no meu cérebro. Especialmente quando me lembrava que James
atualmente pagava muito mais para me ver protegida nos vôos, mais inclusive
do que eu estava realmente ganhando nesses vôos. Parecia tão inútil e sem
sentido.
— Eu tenho pensado. — eu admiti.
Sua mandíbula se apertou quando eu não entrei em detalhes. — E quais
são os seus pensamentos?
Dei-lhe o meu pequeno encolher de ombros. — Estou ponderando sobre
isso.
Ele me deu um sorriso dolorido. — Bem, me avise quando já tiver uma
decisão. — ele quase rosnou. — Eu gostaria de saber a sua opinião sobre o
assunto.
Ele estava obviamente chateado, mas ele não falou mais nada depois
disso.
Nós caminhamos até o quarto. Eu coloquei meu uniforme, enquanto ele
vestia um dos seus ternos ofensivamente caros. Ele estava pronto primeiro,
dando outro misterioso telefonema. Ele saiu do quarto, o telefone na sua
orelha, enquanto eu passava uma leve maquiagem.
Ele ficou quieto e um pouco distante da sua casa até o aeroporto. Ele me
manteve perto, uma mão no meu cabelo e a outra no meu joelho. A distância
estava totalmente em seus olhos e sua expressão, que tinha ficado
cuidadosamente inexpressiva, desde aquele segundo telefonema.
Ele só retornou a vida brevemente, quando chegamos ao aeroporto e era
hora de dizer adeus. Ele afastou aquele olhar, antes de esmagar sua boca
contra a minha, seu beijo era faminto e desesperado.
Nós dois estávamos sem fôlego e agitados quando ele se afastou.

— Você está bem? — Eu perguntei a ele.
Ele acenou com a cabeça, mas a preocupação não tinha deixado seus
olhos.
— Até logo. — eu disse a ele.
Ele foi o primeiro a se entregar. — Eu te amo, Bianca. — ele disse.
Eu balancei a cabeça. — Eu também te amo, James. — eu disse
firmemente. Eu nem sequer sentia necessidade de entrar em pânico ou retirar
as palavras. Elas já vinham facilmente aos meus lábios. Eu estava muito
apaixonada.
Stephan, Javier e eu tivemos a sorte de conseguir uma fileira de
assentos juntos no vôo, já que estávamos voando com qualquer espaço que
estivesse disponível. Todos nós tentamos dormir, uma vez que iríamos
trabalhar bastante na manhã seguinte, mas eu não acho que nenhum de nós
conseguiu mais do que um cochilo de uma hora, naquelas quatro horas e meia
de voo.
Eu acordei do meu cochilo quando o avião começou a descer para o
pouso, o sentimento era familiar o suficiente para agitar o alarme de
despertar no meu corpo. Minha cabeça estava apoiada no ombro de Stephan.
Eu esfreguei meu rosto contra esse músculo flexível, antes de me afastar para
trás para olhar para ele. Seus braços estavam cruzados sobre o peito, fazendo
com que seus músculos se destacassem. Ele estava sorrindo e acordado. Ele
parecia tão feliz como eu nunca tinha visto. Era uma boa visão para o meu
coração, especialmente depois de todo o drama da noite anterior.
Vi que Javier ainda estava desmaiado, sua cabeça apoiada no outro
ombro de Stephan.
— Bom dia, Botão de Ouro. — Stephan disse suavemente.
— Você só ficou aqui sorrindo, enquanto dormimos em você? — Eu lhe
perguntei com um sorriso.
Ele apenas mostrou sua covinha para mim, balançando a cabeça. —
Colado nas minhas duas pessoas mais favoritas no mundo. O que não há para
sorrir?
Eu tive que rir. — Então o que aconteceu na noite passada? — Eu
perguntei a ele. Eu não queria arruinar o seu humor, mas eu precisava saber.

Isso tinha sido um monte de drama para ser jogado de lado com tanta
facilidade.
— Javier disse que me ama. — ele disse, com um sorriso muito suave.
Fiquei aliviada e confusa ao mesmo tempo. — E antes disso?
Ele fez uma careta e me contou rapidamente sobre Vance e o jeito que
ele tinha intimidado Javier.
Segurei sua mão, quando ele terminou. Eu não sabia o que pensar sobre
tudo isso. Javier tinha uma reputação de amar um drama, mas, por outro
lado, eu conhecia Vance, e sabia que ele vivia e respirava isso. Eu sabia de
uma coisa. Com toda certeza Stephan acreditou em Javier, e ele deveria estar
se sentindo péssimo em não defender o outro homem — e de ter ido embora
quando ele estava sendo assediado.
— Se foi isso o que realmente aconteceu, você não tinha como saber na
hora.
Ele me deu um olhar severo. — Você não acredita que foi isso o que
aconteceu?
Eu lhe dei o meu pequeno encolher de ombros. — Você sabe que eu sou
mais cínica do que você. Eu não sei em que acreditar, mas é claro, eu tenho
minhas dúvidas. Isso não importa, no entanto. Se estão juntos, eu apoio isso,
porque é o que você quer.
Ele me deu um sorriso triste. — Você não devia ser tão cínica. Eu não
tenho dúvidas sobre Javier, Bianca.
Eu balancei a cabeça, olhando-o com cuidado. — Eu sei. E como eu
disse, isso é suficiente para mim.
— Quando é que você vai saber que eu não sou a única pessoa confiável
no mundo?
Eu não tinha uma resposta para isso. Pelo menos, não uma que ele
quisesse ouvir. Nada, exceto o tempo e a consistência me faria confiar em
Javier, com o coração que Stephan tem, e o drama da noite anterior, não tinha
feito nada, exceto definir que o tempo diria qual seria o final dessa historia.
— Você acha que ele não é bom o suficiente para mim. — disse ele, a
repreensão clara em sua voz.

Eu tive que sorrir para isso. — Eu não acho que ninguém é bom o
suficiente para você, eu inclusive.
Ele apenas balançou a cabeça.
Encerramos a conversa depois disso, e nenhum de nós fez qualquer
movimento.
— Eu disse a James que eu o amo. — Eu lhe contei em voz baixa.
Eu ouvi o som familiar das rodas do avião descendo. Fiquei surpresa
que Javier ainda estava dormindo pacificamente.
Stephan sorriu para mim. — Isso é maravilhoso. Sua terapeuta estaria
orgulhosa.
Eu ri, quase ofendida, já que ele só falou a verdade.
— Você não vai me perguntar o que ele disse? — Eu perguntei a ele.
Ele balançou a cabeça, sem hesitar. — Ele está de cabeça para baixo por
você desde o início, Botão de Ouro. Eu não tinha dúvidas. Esse homem adora
o chão que você pisa.















CAPÍTULO DEZESSEIS
Sr. Insensível

Nós não tivemos quase nenhum tempo livre, desde o momento em que
pousamos em Las Vegas. Javier e Stephan disseram um adeus rápido e
cauteloso, e eu podia praticamente ver o calor estalando entre eles.
Nós fomos transportados até a sede da nossa companhia aérea, para
fazer o check in e nos preparar para o nosso vôo, no entanto, todo esse
processo não aconteceu sem intercorrências.
Todos os outros membros da tripulação que encontramos, estavam
alvoroçados com o recente anúncio de que a nossa companhia aérea tinha
entrado com um pedido de Concordata. Por enquanto ainda continuaríamos
funcionando normalmente, mas as especulações sobre o que isso significava
para nós estava correndo solto.
Eu estava em completo estado de choque com a coisa toda. Stephan e eu
compartilhamos um longo olhar, que significava que iríamos falar sobre isso
mais tarde. O ônibus que nos levou de volta para o aeroporto estava com um
barulho absurdamente alto, com todos expressando opiniões e medos, que
não poderia ter ouvido alguém falando ao meu lado, mesmo se tivesse
tentado.
Eu mandei uma mensagem para James.
Bianca: Você ouviu as notícias sobre a companhia aérea?
James: Sim. Você pode falar no telefone agora?
Bianca: Está muito barulho no ônibus. Ligo do avião.
Quando entrei no avião, consegui alguns breves minutos para ligar para
James, entre o tempo de preparação e o embarque.
Ele estava muito Sr. Cavendish quando atendeu o telefone. — Olá,
Bianca.

— Olá, Sr. Cavendish. — eu disse, para ele saber que já sabia com quem
estava falando. — O que você acha desse negocio da falência? Eu não sei o que
isso significa. Parece muito ruim, mas as pessoas estão dizendo que ainda
continuaremos trabalhando.
Ouvi seu suspiro audível sobre a linha. Isso não parecia nem um pouco
um bom sinal.
— Se você quer minha opinião profissional e sincera sobre o assunto,
isso significa que a companhia aérea vai permanecer ativa por cerca de um
ano, antes que sua frota de aviões seja proibida de levantar vôo e penhorada
para garantir a dívida. Seu CEO esgotou literalmente todas as vias de
financiamento à sua disposição, agarrando cada conexão, grande ou pequena,
que ele tinha. Ele se recusa a abrir mão do controle da companhia aérea, e ele
nunca acerta uma, embora ele tenha tentado várias vezes. Ele me procurou
pedindo um financiamento, o que foi o motivo, na verdade, para eu estar no
voo em que te conheci, mas eu tive que recusar com base unicamente no fato
de que isso teria sido uma decisão de negócio desastrosa para mim. Ele não
estava disposto a fazer concessões de liderança, e eu não estava disposto a
jogar uma centena de milhões de dólares em um homem com uma clara
história de fracasso.
— Em um futuro próximo. — continuou ele implacavelmente. —
Digamos que nos próximos dias ou semanas, provavelmente será dada a vocês
você uma opção para uma licença voluntária, e se isso não produzir
candidatos dispostos suficientes, uma licença involuntária terá inicio. A
companhia aérea precisa reduzir os custos e número de funcionários. Todas
as rotas que não são rentáveis serão abortadas no próximo mês. Quaisquer
outras perguntas?
Me senti esvaziando com suas revelações, embora eu não duvidasse por
um segundo que ele sabia o que estava falando. —Você sabia o tempo todo
que isso ia acontecer?
— Sim. — disse ele sem hesitação. — Era tudo apenas uma questão de
contagem regressiva. A sua companhia aérea foi uma hemorragia de dinheiro,
desde o início. Esta é a era de tarifas com desconto, e sua companhia aérea
trabalha priorizando o vôo de alto luxo. Todo mundo na indústria está
inclusive surpreso por ter durado tanto tempo. Você já pensou mais na sua
carreira com a pintura? Basta dizer a palavra, e eu vou ter a minha equipe
com sua exibição pronta.

Eu pensei que isso era um pouco insensível da parte dele. Eu pensei que
de nós dois, eu que tinha o monopólio em ser insensível.
— Eu não pensei. — eu disse a ele, com a voz firme. — Eu não tive
tempo de processar nada disso.
Houve uma longa pausa do outro lado. — Bem, eu vou deixá-la
processar sobre isso, então. Eu preciso ir. Vejo você pela manhã.
— Adeus, Sr. Cavendish. — eu disse a ele friamente, pensando no seu
humor. Quando eu tinha ligado para ele, eu não esperava falar com este
homem insensível.
— Adeus, Bianca.
Eu desliguei, me sentindo um pouco machucada com sua forma fria.
Será que a minha hesitação em exibir as minhas pinturas realmente o
incomodava tanto assim? Ou era outra coisa? O que estava acontecendo com
Roger, talvez?
Eu sabia que seria inútil especular, e eu tinha que trabalhar. No entanto,
isso continuava me incomodando persistentemente. Sem saber qual era o
motivo de seu comportamento distante, deixava minha mente livre para
correr solta com as possibilidades e medos paranóicos, cada um mais
alarmantes do que o outro.
Eu tentei o meu melhor para me distrair durante a duração do voo. Foi
pelo menos um vôo cheio, incluindo é claro meus dois guarda-costas, um em
cada classe. Mesmo completo, eu estava sem nada para fazer, na metade do
voo.
Damien e Murphy estavam estranhamente quietos nos procedimentos
pré-embarque e no vôo. Eu sabia que eles deviam estar chateados com a má
notícia. Se eles começassem a trabalhar em outra companhia aérea, eles
provavelmente não poderiam voltar a trabalhar juntos por anos. Damien
provavelmente seria rebaixado para a posição de Primeiro Oficial, o que torna
impossível para eles trabalharem nos mesmos vôos. Mesmo depois que ele se
tornasse capitão de novo, levaria tempo para eles terem antiguidade
suficiente na companhia para obter rotas regulares, teriam que trabalhar em
rotas sozinhos. Fiquei triste por eles. Eles formavam uma equipe tão
divertida.

Eu os visitei na cabine de vôo por um tempo. Eles ainda brincavam sem
parar, e fizeram um grande esforço para me encantar, mas senti uma corrente
de tensão nos dois homens.
Isso era o que mais me chateava sobre o colapso da companhia aérea.
Não era tanto pelo meu futuro que eu temia. Eu gostava do meu trabalho, e eu
estava grata pelas oportunidades que ele me deu, mas eu era uma
sobrevivente. Mesmo sem James, eu encontraria outra maneira de sobreviver.
Mas as pessoas que colocaram todas as suas esperanças na companhia aérea
por quatro anos e meio, aqueles que seriam os mais afetados por ela, é o que
me atingia. Empresários brincando de jogar Monópolio
1
com o seu dinheiro,
enquanto o resto de nós rolava com os golpes. Isso me deixou com raiva.
Claro, não havia nada a fazer com relação a isso, por isso era uma espécie de
raiva inútil.
Tive uma longa conversa com Stephan no vôo sobre a esperada licença
voluntária. Eu tinha tomado uma decisão rápida, mas difícil sobre isso. Eu
abordei o assunto com receio, mas como de costume, Stephan só respondeu
com o seu apoio incondicional.
Ele apenas segurou meus ombros com suas grandes mãos suaves, me
dando o seu melhor sorriso. — Eu acho que faz todo o sentido, Bianca. Você
estava com medo de me dizer, não é?
Eu balancei a cabeça.
Ele beijou minha testa. — Você devia me conhecer melhor. — ele me
repreendeu suavemente.
Ele estava certo. Deus, eu o amava. Como eu podia ser tão sortuda?
Eu estava cansada e esgotada no momento em que retornamos a Nova
York, minha mente correndo irregularmente com todas as mudanças
iminentes em minha vida. Apenas quando eu resolvo tomar uma grande
decisão e fazer uma grande mudança em minha vida, descubro que mais
mudanças estavam a caminho, de novo?
Eu não tinha certeza de qual era o plano, quando chegamos com a
equipe no local onde a van da empresa iria nos recolher. James, ou melhor,
Sr. Cavendish Gelado, não tinha me dito. Eu pensei que se ele tivesse enviado
um carro, eu iria para sua casa, se não, eu iria para o hotel com a tripulação.

1
Banco Imobiliário, no Brasil

Ele tinha enviado um carro. Na verdade, ele tinha enviado a si mesmo,
percebi quando ele me encontrou na porta, pegando minha bolsa e meu
braço, sem uma palavra. Seu rosto era uma máscara bonita, os olhos
inexpressivos.
James assentiu rigidamente para Stephan. Stephan tinha que
acompanhar a tripulação para o hotel e fazer o check-in, por isso ele me
beijou na testa e disse adeus.
Eu não tive a chance de dizer adeus a ninguém, pois James estava me
levando longe, assim que eu me despedi de Stephan.
Ele entregou as malas para Clark, entrando no carro comigo
rapidamente. Minha equipe de segurança entrou rapidamente, logo depois,
quando James e eu estávamos sentados. Eles tinham sido a minha sombra
silenciosa durante todo meu vôo e jornada de trabalho.
— Guarda-costas são desnecessárias quando estou trabalhando, James.
— eu disse a ele, minha voz baixa para manter a conversa privada. — Estou
bastante segura no trabalho.
Ele olhou para mim. Foi o primeiro olhar direto que ele tinha me dado,
desde que me encontrou na porta. Seu rosto estava indecifrável como eu
nunca tinha visto. — Acho que é muito necessário. — ele disse brevemente.
Ele olhou para fora da janela.
Eu odiava o seu humor, odiava sua distância, mas ainda assim eu queria
me agarrar a ele. Eu sabia como venenosa era aquela vontade, e eu tentei o
meu melhor para silenciá-la. Ainda assim, eu levei a minha mão buscando seu
joelho, esfregando-o confortavelmente.
Isso não teve o efeito pretendido. Sua mão cobriu a minha
instantaneamente, empurrando duro em sua perna. Eu não poderia tê-la
afastado, nem se eu tivesse tentado.
— Você esta com vontade de ser presa ao assento e que eu te foda em
público, amor? — Ele disse, sua voz suave e perigosa.
Tentei puxar a minha mão, mas ele segurou-a rapidamente. Eu não
respondi a pergunta ridícula, e ele não disse mais uma palavra, olhando para
fora da janela, uma tempestade em seus olhos.

— Você vai me dizer o que está acontecendo com você? — Eu finalmente
lhe perguntei em voz baixa.
Ele apertou minha mão, sua mandíbula cerrada. — Tenha paciência
comigo, Bianca. Estou passando por alguns problemas jurídicos bastante
difíceis, e deixá-la se afastar a cada semana testa cada última gota de meu
autocontrole.
Fiquei em silêncio por um longo tempo, pensando se eu deveria dizer a
ele sobre a minha decisão. Me pareceu um pouco como se eu estivesse o
recompensando pelo seu mau comportamento naquele momento, mas eu já
tinha tomado a minha decisão. E apenas fazia sentido contar, mesmo que eu
não quisesse que ele soubesse agora.
A licença voluntária para os comissários de voo já havia sido anunciada.
Eu recebi o e-mail quando estávamos taxiando no JFK
2
. Eu tinha antiguidade
na função para continuar trabalhando, mesmo se não houvesse número
suficiente de pessoas para se inscrever para a licença voluntária e ela se
tornasse involuntária, mas eu vi isso como uma coisa realmente egoísta. Eu
não preciso do trabalho, não como tantos outros precisam. Ou talvez estivesse
apenas adiando uma situação, e a falência tornou isso mais fácil e mais
rápido. Eu suspeitava que era esse o caso, mas isso realmente não importa
mais.
— Eu vou aceitar a licença voluntária. — eu disse a ele.
Eu vi a mão dele apertar com um leve tremor. Ele não olhou para mim.
Eu senti que ele não apreciava que não estivéssemos sozinhos naquele
momento.
— Obrigado. — ele disse baixo, com a voz trêmula.
— Eu estou fazendo isso porque me sinto ridícula em ver mais dinheiro
gasto para me proteger no trabalho do que o que eu estou realmente
ganhando. E porque há pessoas que precisam de emprego mais do que eu. —
eu disse a ele, o meu tom duro. E não estava falando assim por causa de sua
birra. — E eu gostaria de começar a planejar a exibição na galeria.
Ele acenou com a cabeça, ainda não se virando para me olhar.
— Claro. Obrigado. Vou marcar uma reunião para você com Danika
quando estivermos em Vegas. Ela é gerente nas minhas galerias de L.A. e de

2
Aeroporto de NY

Las Vegas. Ela esta batendo de frente contra a minha equipe de Nova York
para exibir seu trabalho em suas galerias. Ela é uma fã.
Eu tive muita dificuldade em acreditar nisso. A ideia de ter fãs era um
conceito muito exagerado para me agarrar facilmente.
Chegamos a nossa casa pela garagem subterrânea, e James me levou
pelo apartamento, até o nosso quarto.
Ele me observava da porta do closet, enquanto eu me despia para o meu
cochilo.
— Eu não posso ficar. Eu realmente preciso voltar para o trabalho, já
que eu vou voltar para Las Vegas com você amanhã.
Eu só balancei a cabeça, meio sem roupa, de costas para ele. Eu o senti
me olhando por longos minutos antes de sair.
Eu me preparei para deitar e dormir, mas demorei muito tempo. A
maneira como James estava agindo me enchia de tensão e ansiedade. Tentei
dizer a mim mesma que ele era apenas um homem mal-humorado e
imprevisível. Essa era uma das primeiras coisas que eu aprendi com ele. Mas
eu sabia, no fundo do meu coração, que era algo pior, algo que ele se sentiu
ameaçado, ou talvez nos ameaçasse. Ele disse a Roger para oferecer toda a sua
fortuna para protegê-lo da ameaça misteriosa, e eu sabia que ele não iria usar
essas palavras se não fosse uma coisa realmente séria.
Meu telefone me acordou, e enquanto atendia, eu sabia que tinha
dormido demais. Eu só tinha esse sentimento grogue se meu cochilo fosse
longo demais.
— Docinho, você vai sair com a gente hoje à noite? — Stephan
perguntou.
Pisquei tentando acordar. — Quem somos nós? E onde você está indo?
— A tripulação vai se encontrar hoje noite na cidade, no restaurante
Red, com as outras duas equipes que estão aqui em uma escala. Eles vão
direto para lá dos hotéis da companhia que estão hospedados. Mais pessoas
estão vindo para a cidade, também. Falei com Javier, Jessa, Marnie, e Judith
que estão voando para cá a noite. Nosso vôo da manhã tem quase trinta
lugares em aberto, assim não terão nenhum problema em voar para casa com
a gente. Isso se transformou em uma espécie de festa de falência. Eu
conversei com James. Ele disse que as pessoas poderiam hospedar em sua

casa, e no seu hotel. Ele está mesmo separando uma seção VIP no Red para
nós. Ele ia te falar sobre isso, mas eu acho que você estava dormindo.
Eu tive que sorrir um pouco com a ideia de Stephan em transformar a
falência em uma festa, mas inferno, por que não?
— Nós todos temos que nos levantar de manhã cedo. — ele disse. E não
será um vôo complicado, porque tem vários assentos desocupados.
— Está tudo bem. Não é como nós fizéssemos isso sempre. Todo mundo
realmente precisa desabafar.
Eu entendia isso perfeitamente. Eu sentia a mesma vontade. — Que
horas preciso para estar lá?
Ele riu. — Em uma hora. Mexa-se, Botão de Ouro!
Eu me mexi, tomei banho, secando meu cabelo, e colocando minha
maquiagem em tempo recorde. Havia uma bandeja de comida apoiado dentro
da porta do meu quarto quando eu saí do banheiro.
Eu comi o hambúrguer de peru no pão de trigo rapidamente,
impressionada com a eficiência de Marion. Estava muito bom, ela colocou
ainda legumes frescos, molho de guacamole picante, que deu um sabor ainda
mais especial. Ou eu estava me acostumando com esse menu fanaticamente
saudável, ou Marion era especialmente talentosa em fazer comida saudável
gostosa.
Limpei o prato em questão de minutos, correndo para ficar pronta.
Eu escolhi uma roupa vermelha. Parecia apropriado para o local, e eu
amei o vestidinho. Ele tinha apenas uma alça sobre um ombro, deixando o
outro nu, e a forma como ele caia no corpo, valorizava minha figura. O decote
era perfeito para meu colar, e eu achei as pulseiras modelo algema na minha
caixa de joias, que combinava perfeitamente. Eu usei também brincos de
argola com diamantes em meus ouvidos, o que pode ter sido um exagero, mas
por que não? Eu tinha toda uma equipe de guarda-costas para impedir que eu
fosse roubada.
O sistema de Jackie me apontou na direção de alguns saltos com um
solado vermelha. Estes vinham com um bilhete.
Este vestido precisa de saltos mais finos. Por favor, estou implorando
para você mudar de ideia sobre os saltos anabela. Jackie

A nota me fez rir. Eu estava quase começando a desfrutar em
atormentar aquela mulher estranha. Eu conhecia algumas pessoas ligadas em
moda, mas ela levava isso a um nível totalmente novo. A ideia de que ela
havia escolhido cada roupa, sapato e bolsa com tanto cuidado, e, em seguida,
os bilhetes aparentemente deixados em alguns deles, apenas me divertiu.
Peguei o pequeno bilhete amarelo e fui até o closet das bolsas, pegando
uma pequena bolsa nude, com o número correspondente. Pelo menos ela
tinha uma longa alça.
Eu enviei algumas mensagens antes descer. O primeiro foi para James.
Bianca: Eu estou indo para a festa de Stephan no red. Você vai nos
encontrar lá?
Ele respondeu rapidamente, mas uma resposta curta.
James: Você irá.
Homem enigmático.
A segunda mensagem foi para o contato de segurança no meu celular.
Eu não tinha certeza qual era o protocolo, mas eu prefiro mantê-los
informados das minhas ações, em vez de apenas deixá-los esperando por mim
por horas.
Bianca: Eu vou sair. Descendo agora.
A resposta veio de volta em menos de um minuto.
Segurança: Roger that.
3

Eu pensei que era uma resposta estranha, mas eu apenas caminhei em
direção ao andar de baixo.
Blake estava esperando por mim, vestindo um terno preto e parecendo
tão solene como sempre. Eu balancei a cabeça para ela.
Ela acenou com a cabeça para trás. — Os outros estão nos esperando lá
embaixo, Srta. Karlsson.
Entramos no elevador.
— Você sabe que não tem que me chamar assim. — eu disse a ela. Valia a
pena pelo menos uma tentativa.

3
Gíria Militar, significa Entendido

Ela me olhou assustada. — Claro, Sra. Cavendish.
Bati a mão na minha testa. Literalmente. — Não me chame assim. Me
chame de Bianca.
— Isso é contra as minhas ordens, Sra. Cavendish.
Mão na testa. Novamente. — Ok. Então pode me chamar de Srta.
Karlsson, por favor.
— Claro, Srta. Karlsson.
Eu não iria tentar isso de novo. Definitivamente tinha aprendido minha
lição.
Eu estava ladeada pelo resto da minha segurança no segundo que
entramos no saguão do prédio imponente. Tive a sensação surreal enquanto
caminhávamos por esse lobby, que todas as pessoas ricas estavam me
observando, como se eu fosse uma pessoa a ser notada. Eu deveria imaginar
que uma equipe de guarda-costas faria isso com qualquer pessoa.
Johnny caminhou um pouco na minha frente, à minha esquerda. Ele me
lançou um olhar bastante ousado por cima do ombro, obviamente, encarando
as minhas pernas.
Pisquei lentamente, um pouco chocada que James não estava sendo
apenas um louco possessivo sobre aquele assunto. Aquilo tinha sido
definitivamente um olhar, e ele não poderia estar me protegendo, se ele
estava distraído.
— Está muito sexy, Srta. Karlsson. — ele disse em voz baixa,
reafirmando a minha opinião.
E o ponto vai para o Cavendish Louco, pensei.








CAPÍTULO DEZESSETE
Sr. Controlador

Blake e Williams foram na parte traseira da limo comigo, e Johnny e
Henry na frente. Era uma curta distância de carro. Eu tive o tratamento VIP
do carro até no clube, sendo levada sem uma alma sequer tentar fazer contato
visual comigo. Eu recebi até mesmo um leve cumprimento do segurança. Ser
namorada do proprietário tinha algumas regalias um pouco bizarras.
Fui levada até uma área VIP que já estava lotada de rostos familiares. A
festa já estava animada. Um grito saiu da multidão quando cheguei.
Eu tive que sorrir. — Vocês chegaram há muito tempo? — Eu perguntei,
quando Marnie e Judith me agarraram, quase derramando seus martinis
vermelhos no processo. Eu tive abraços laterais por conta de suas bebidas.
Jessa estava vindo nos calcanhares das duas.
Nós começamos a rir, quando percebemos que todas nós estávamos
usando diferentes tons de vermelho.
— Eu ouvi o nome do lugar, e simplesmente parecia ser uma boa idéia.
— Jessa disse, rindo. Ela passou a mão pelo seu vestido vermelho frente única
enquanto falava. Ela tinha uma figura espetacular, com pernas longas, cintura
fina e seios firmes.
Judith estava usando uma minissaia vermelha com uma blusa branca
com babados em cima do ombro, Marnie uma mini saia preta com uma blusa
de babados igual vermelha. Eles haviam planejado isso, é claro, e combinaram
com saltos vermelhos.
— Este lugar é um luxo. Não posso acreditar que consegui entrar na ala
VIP aqui sem ter que fazer boquete em alguém! — Marnie gritou acima do
barulho. As suas palavras saíram um pouco mais alta do que eu acho que ela
pretendia, porque ela recebeu vários olhares dos outros convidados depois
disso.

Um desses olhares era de Jessa. — Realmente, Marnie? Você sempre
tem que levar para esse lado? — Ela perguntou, rindo.
Marnie encolheu os ombros, franzindo o nariz bonito. — Eu nunca disse
que era uma garota de classe. Longe disso. Judith é a única que tem classe na
nossa dupla.
Judith ergueu as sobrancelhas. — Agora, que triste maldição é essa?
Senti um peito firme contra as minhas costas, mas eu não endureci ou
me afastei. Eu conhecia perfeitamente a altura e a sensação daquele peito. Ele
costumava dormir nas minhas costas, quando nós nos amontoávamos em
busca de conforto, segurança e calor.
Stephan passou os braços em volta de mim, beijando o topo da minha
cabeça.
— Que bom que você veio, abelhinha. Nunca é a mesma coisa sem você.
Eu sorri, virando a cabeça para olhar para ele. — Eu sinto o mesmo,
Steph.
Como se estivesse lendo minha mente, ele se inclinou para que eu
pudesse beijar sua bochecha.
— Onde está o Javier? — Eu perguntei quando ele se afastou,
procurando pelo outro homem.
— Banheiro. — ele disse, se afastando para conversar com as outras
pessoas. Ele sempre tinha que socializar com todos os convidados, eu sabia.
Isso era exatamente como ele operava.
— Eu ouvi sobre o drama com Vance na noite passada. — Jessa disse,
depois que ele foi embora. — O boato é que ele e Javier estavam se pegando
no banheiro...
Eu fiz uma careta. — Eu não estou surpresa com o rumor. A versão de
Javier é diferente. Ele diz que Vance o empurrou contra a parede e começou a
beijá-lo. De acordo com Javier, Vance apenas o forçou para tentar provocar
uma reação, e Javier não o afastou, porque ele aprendeu que a melhor
maneira de lidar com Vance é não reagir.
Jessa balançou a cabeça, franzindo os lábios. — Eu já vi Vance fazer isso.
Ele é um cara louco e idiota, e ainda apaixonado por Javier. Ele continua
empurrando-o desse jeito há anos. Vance precisa seguir em frente.

Ela lançou um olhar estranhamente maligno em direção a Damien. —
Assim como um certo piloto teimoso que eu conheço...
Lancei um olhar para Damien. Definitivamente Jessa tinha algum ponto
ali.
— Eu acredito em Javier. — Judith disse em voz alta. — Eu já vi como
Vance o trata. Ele faz qualquer merda fodida para pressionar e fazer Javier
reagir.
— Eu já vi isso também. Ele não parava de tocá-lo em uma festa no ano
passado, apesar de Javier claramente lhe pedir para se afastar. Finalmente
Javier deu um tapa na cara dele, e eu poderia jurar que isso deixou Vance
feliz, pelo olhar em seu rosto quando isso aconteceu.
Eu senti uma onda de alívio com suas confirmações. Eu realmente
queria acreditar na versão de Javier. Querer e poder, infelizmente, são duas
coisas bem diferentes. Ainda assim, suas palavras me deram esperança de que
Javier não estava apenas fazendo um jogo com esse drama para Stephan, que
era o meu maior medo.
— Eu não me importaria em levar um tapa de Javier. Ele está gostoso. —
disse Marnie, que nos surpreendeu e fez todas caírem na gargalhada. Claro
que ela ia por esse caminho.
Damien se aproximou do nosso grupo, Murphy no reboque. Ele parecia
um pouco aflito quando olhou para o nosso grupo gargalhando. — Por que
meus ouvidos sempre queimam quando vejo todas vocês rindo desse jeito? —
Ele perguntou.
Marnie ergueu as mãos, como se mostrando uma boa medida de 25 cm.
— Não se preocupe, querido, sempre será lisonjeiro.
Damien esfregou as têmporas, parecendo ainda mais aflito.
Murphy assentiu com a cabeça, esfregando o queixo e olhando
impressionado. — Eu sabia! — Ele disse.
Eu não poderia evitar em rir ainda mais.
— Sim, ele tem um pau grande, mas se ele sai correndo após o sexo, uma
coisa anula a outra, pelo menos para mim, pessoalmente. — Jessa disse
ironicamente.

Eu fiquei chocada. Eu não sabia que Jessa e Damien tinha ficado juntos.
Jessa nunca fazia esse negocio de sexo casual. Ou assim eu pensava.
Marnie ergueu as mãos, fazendo um pouco grande círculo com os dedos,
ilustrando claramente a circunferência de um pênis. — Isso aqui é o que anula
a parte dele sair correndo depois.
Murphy xingou em voz alta. — Porra, eu sabia!
Marnie caiu em gargalhadas adoráveis, segurando seu estômago. Judith
estava lá com ela. Elas se cumprimentaram, bateram as mãos no ar.
Eu sentia um pouco de pena de Damien, uma vez que parecia realmente
estar sofrendo de verdade, mas eu ainda não conseguia parar de rir.
Stephan caminhou até nós, balançando a cabeça e sorrindo. — Pobre
Damien. O que ele fez para merecer tal provocação implacável?
Marnie quem respondeu, é claro. — Ele fodeu muitas de nós, e ele é
muito bom no que faz, é por isso.
— Fale por você. — Jessa disse. — Não houve nada de muito bom na
minha experiência. Tamanho não é tudo.
— Ooouuch! — Murphy disse, alongando o som. — Que queimaaaaada!!
Jessa encolheu os ombros. — Não estou tentando queimá-lo. Apenas
indicando os fatos.
— Brutal. — disse Murphy.
Senti um leve toque no meu ombro e me virei para encontrar Javier logo
atrás de mim. Ele parecia um pouco nervoso, quando se inclinou até o meu
ouvido.
— Podemos ir a algum lugar e conversar? — ele perguntou.
Eu o estudei, me perguntando o que estava acontecendo agora, mas eu
simplesmente assenti. — Claro. Onde?
Eu o segui até uma parte vazia no longo balcão do bar ao lado da nossa
área VIP. O garçom se aproximou de nós instantaneamente.
— Eu não quero nada. — eu disse a ele.
— Eu vou aceitar outra especialidade da casa. — disse Javier.

Eu o estudei. Ele parecia um pouco com os olhos vidrados. Eu não acho
que já tenha visto Javier bêbado antes, mas eu suspeitava que estivesse vendo
agora.
Me sentei em um dos bancos almofadados no bar.
Ele não se sentou, mas caminhou, se aproximando mais perto de mim,
inclinando-se para falar em voz baixa. — Eu sei que você está preocupada com
Stephan ficar comigo. Você acha que eu não sou bom o suficiente para ele.
Você acha que eu sou um problema.
Eu abri minha boca para protestar, embora a maioria das coisas que ele
falou fossem verdade, mas ele continuou acelerado. — Eu entendo. Eu não
estou tentando brigar com você. Eu só queria esclarecer algumas coisas.
Eu balancei a cabeça para ele continuar.
— Você não tem que se preocupar que eu vá machucá-lo, Bianca. Se
alguém vai se machucar aqui, sou eu. Eu nem sequer saí com outro cara,
desde que ele me deixou. E isso foi o que, mais de um ano e meio atrás? Eu
ansiava por ele, Bianca. Eu sei que ele é bom demais para mim. Eu sei que ele
é bom demais para qualquer um. Todo cara que eu conheço tem uma queda
por ele. Ele está muito próximo de ser malditamente perfeito. E eu sou apenas
um cara imbecil e estúpido, loucamente apaixonado por ele. Agradeço a Deus
todos os dias que ele aceitou ficar comigo. Eu não iria estragar isso por nada.
Senti um alívio tão grande com suas palavras, que minhas pernas
ficaram moles. Mas ainda havia algumas coisas que ele precisava esclarecer...
— E sobre Vance ser esse cara problemático? Se ele foi tão terrível para
você, porque diabos você ainda estaria saindo com ele?
Ele fez uma careta. — Ele me escreveu uma longa carta, pedindo
desculpas sobre seu comportamento e que deveríamos seguir em frente. Pela
primeira vez, ele parecia realmente sincero sobre isso, e ele e eu éramos
amigos antes de formarmos um casal. Ele era um bom amigo, apenas um
namorado horrível, e um ex ainda pior. Sua carta me tinha permitido pensar
que poderíamos voltar a ser amigos casuais. Eu queria isso, porque muitos
dos rapazes da sua tripulação são meus amigos, e eu gostaria que ficasse
menos constrangedor cada vez que ele e eu estivéssemos no mesmo ambiente.
Tem sido assim há muito tempo, desde que ficamos juntos. Eu só não entendo
por que ele não viu ainda que eu não me importo mais com ele. Eu acho que
pensei que ele finalmente tinha entendido isso, apenas porque era algo que eu

queria acreditar, eu acho. Isso não vai acontecer novamente. Eu
definitivamente encerrei qualquer contato com ele.
Eu balancei a cabeça. Isso sova melhor. Eu só esperava que ele quisesse
realmente dizer isso.
Era como se ele pudesse ler minha mente. — Eu sei que você não vai
confiar em mim imediatamente. Isso simplesmente não é como você trabalha.
Mas eu espero que você venha a confiar. Tenho a intenção de provar isso a
mim mesmo. Isto é por mim, Bianca. Stephan é uma coisa séria para mim, e
se ele me quiser, eu vou ficar por aqui.
Ele se aproximou mais, envolvendo os braços em volta do meu corpo
com força. Deveria ter sido estranho, já que eu estava sentada e ele estava em
pé, mas de alguma forma se encaixou bem. Eu o abracei de volta.
— Eu espero que sim, Javier. Você sabe, a primeira vez que vocês
saíram, ele voltou para casa com esse olhar sonhador no rosto. Ele estava tão
feliz. Eu sei que você acha que eu não sou fã de vocês, mas eu me tornei um fã
naquela noite. Não há nada que eu ame mais do que Stephan estar com
alguém que o faz tão feliz. E você não deve subestimar os sentimentos dele
por você. Ele anseia por você também, Javier. Eu conheço um monte de caras
que têm uma queda por ele, mas você é a única pessoa que ele vê. Confie em
mim. E eu serei eternamente grata a você por ajudá-lo a ver que ele não
precisava mais esconder quem ele é, ou com quem ele está.
Ele me apertou com mais força. Eu o abracei de volta.
Javier riu. — Olhe para Stephan. — ele disse. — Nosso abraço fez seu
dia.
Eu me afastei para olhar.
Stephan estava do outro lado da sala, em pé ao lado Jessa, sorrindo para
nós como se tivesse acabado de ter um desejo concedido.
Javier deu um gole no martini vermelho escuro que o barman tinha
deixado para ele no bar, enquanto estávamos conversando.
— Isso parece saboroso. — eu disse a ele, apontando para sua bebida.
Suas sobrancelhas levantaram. — Quer que eu peça um para você?

Eu balancei minha cabeça. — Eu e o álcool realmente não nos damos
bem. Eu não consigo manter uma média entre completamente sóbria ou uma
louca desvairada bêbada.
Ele segurou o copo para mim. — Apenas prove. É um martini de
framboesa preta. É um cocktail exclusivo do Red. É a minha nova bebida
favorita.
Peguei o copo da mão dele, e cheirei. Ele cheirava bem. — O que tem
nele? — Eu perguntei, dando um gole muito pequeno, e saboreando na boca
um tempo.
— Chambord de framboesa, vodka, e suco Blood de laranja.
— Tem um sabor incrível. O que é Chambord?
— Licor de framboesa. É pra morrer, não é? Melhor bebida da vida.
Eu balancei a cabeça. — É muito bom.
Eu senti uma pressão de um corpo duro contra mim por trás, e eu
endureci. Eu entreguei a Javier sua bebida.
— Quantos desse que você já tomou? — James sussurrou em meu
ouvido. Ele enfiou uma mão em meu cabelo, segurando um punhado apertado
com o punho. Seu outro braço serpenteou em volta da minha cintura por trás,
segurando meu quadril com sua mão.
Seu tom de voz era suave como seda, mas eu ainda ouvi a ameaça ali.
— Nenhum. — eu respondi calmamente. — Javier me deu o dele para
sentir o sabor.
— Você vai beber esta noite? — Ele exigiu.
Eu não estava planejando isso, mas seu tom de voz e sua atitude quase
me fizeram mudar de ideia.
— Eu não estava planejando isso. — Eu disse finalmente.
— Isso é bom. — ele disse, ainda falando suave como seda. — Você sabe
que eu não gosto de álcool. E eu não vou te foder sem sentido se você tiver
bebido.
Meus olhos foram para Javier. James não se preocupou em baixar a voz,
mas o outro homem não parecia ter ouvido.

James me virou em seus braços, o seu aperto inquebrável. Ele inclinou
meu queixo para cima até que eu tive uma visão clara de seus olhos
manchados. — Me diga uma coisa. — ele começou naquele tom sedoso. — É
romântico ou psicótico quando eu digo que jamais vou permitir que você me
abandone?
Eu o estudei. Eu não poderia afirmar se havia uma pitada de humor nas
suas palavras, quando ele estava neste estado de espírito. — Eu acho que vai
depender se eu estiver tentando deixá-lo ou não. Se eu nunca tentar, é
romântico, e se eu tentar, e você não me deixar, definitivamente psicótico. Por
que você está tentando me assustar, James? — Minha voz era firme e calma.
Eu iria lidar com isso. Eu não iria fugir, só porque ele estava agindo de modo
estranho.
O sorriso dele tinha um toque amargo em sua boca bonita. Eu não gostei
nem um pouco. Ele sempre me falou sobre seus segredos e medos. — Eu não
estou tentando assustar você, amor. Quero dizer, sobre mantê-la. Eu só estou
tentando avaliar o quanto você quer ser mantida.
— Eu quero que você me diga o que está acontecendo. Tem algo a ver
com a conversa que teve com Roger?
Suas sobrancelhas se ergueram. — Estou tão feliz que você perguntou
sobre Roger. Acabei de ter uma reunião com ele, e ele está morrendo de
vontade de conhecê-la, então ele estará aqui em breve. Você vai gostar dele.
Um homem excelente.
Tracei um dedo suavemente na sua bochecha. Eu esfreguei no local
onde havia as covinhas quando ele sorria. — Então você se recusa a me dizer?
É assim que vai ser com a gente? — Eu perguntei a ele.
A máscara que ele estava mantendo escorregou por um instante, me
dando um vislumbre dos seus olhos desesperados.
— Não, Bianca. Eu quero partilhar tudo com você, nós dois devemos
partilhar tudo. E eu quero dizer realmente isso. Mas será que você pode
apenas me dar um tempo?
— Você vai parar de agir como se o mundo estivesse prestes a cair em
cima de nós dois?
— Sim, é claro. Se eu sei que você vai se dedicar a mim, se dedicar a nós
dois ficarmos juntos, isso iria ajudar imensamente.

— Eu já lhe disse como me sinto. Mas você não pode me fazer depender
de você tão rapidamente, tão desesperadamente, e depois se fechar. Eu não
posso aguentar isso, James. Isso levanta todas as minhas defesas, desencadeia
todos os meus alarmes, quando você age com medo e segredos.
Ele acenou com a cabeça. — Sim. Sinto muito. Eu estava à beira de uma
negociação crucial. É um cenário tipo perde-perde. Eu vou tentar não levar
para casa comigo. Ah, aí vem Roger.
Roger era um homem atraente, de cabelos grisalhos e uma expressão
que parecia que tinha sido forrada por linhas de sorrisos ao invés de
carrancas. Ele era um homem em forma, talvez por volta dos cinquenta e
poucos anos. Seu sorriso era grande e sincero, enquanto se aproximava de
nós.
— Apenas James para conseguir me arrastar a um clube nos meus
cinquenta anos. — ele disse como saudação.
Eu sorri para ele. Ele estendeu a mão e me puxou perto o suficiente para
James se agitar.
— Eu sou Roger, um velho amigo da família. E você é Bianca. Eu já ouvi
muito sobre você. Eu começo a ver porque meu jovem amigo se transformou
em um novo homem. — Seu tom era rico e quente, com sinceridade.
Um garçom se aproximou do nosso grupo, parecendo nervoso e ansioso.
James lhe dirigiu um olhar tão duro, que fez a ansiedade do garçom ser
compreensiva.
— Sr. Cavendish. Jeff, o gerente, precisa de um momento do seu tempo.
James olhou outro homem, seu olhar frio a epítome da intimidação. —
Sério? Ele precisa da minha presença agora? Será que ele pensa que eu estou
aqui a negócios?
— Não, senhor. Ele sabe que você está aqui, uh, socialmente. Ele disse
que era muito importante.
James deu um sorriso afiado, que mostrou todos seus dentes brancos e
perfeitos. Era assustador. — Diga a ele que eu vou falar daqui a pouco.
Ele acenou para Roger, beijando minha bochecha com força. Ele parecia
agitado, sua mandíbula apertada. — Se vocês dois me dão licença, eu estarei
de volta em um minuto. É melhor que seja importante.


CAPÍTULO DEZOITO
Sr. Curioso


Nós olhamos ele se afastar a passos largos.
Roger falou, quando ele estava a uma boa distância. — Desculpe minha
franqueza, Bianca, mas você está totalmente consciente do passado de James?
Eu me virei para olhá-lo, encarando seus olhos muito firmemente. —Ao
que você está se referindo exatamente?
Ele suspirou, parecendo desconfortável. — Ele foi dado aos cuidados de
um primo, pouco tempo depois que seus pais morreram. Eu lutei contra essa
decisão, lutei duro, mas fui derrubado por sua família. Eu não tinha
capacidade legal para protegê-lo. Eu só tenho minhas suspeitas sobre a sua
guarda, e aqui realmente não é o lugar certo para falar sobre isso, mas, a fim
de entender um pouco do que James fez, eu acho que você deve saber...
— Eu sei tudo sobre Spencer, se é nisso que você quer chegar. Por que
você está me dizendo isso?
Ele me estudou. — Ele te contou sobre Spencer?
Eu balancei a cabeça.
Ele me olhou assustado. — Provavelmente é um bom sinal ele ter
compartilhado algo parecido com você. Porém, a razão que eu pergunto isso, é
que depois que ele saiu dos cuidados de Spencer, tornou-se uma criança
diferente por um longo tempo. Ele era selvagem e incontrolável. Eu mal o
conhecia mais. O que aconteceu com o seu tutor, o afetou de uma forma
muito negativa. Eu não sei se você sabe disso, mas ele costumava ser
bastante... promíscuo.
Senti meus olhos se endurecem quando eu olhei para ele. — Estou bem
ciente disso. Confie em mim quando eu digo que isso foi trazido a minha
atenção muitas vezes.

— Então você sabe como ele costumava ser? Até que a conheceu, ele
era...
— Ele era uma vagabundo. Sim, eu sei. Qual é o seu ponto? — Senti que
estava sendo rude, mesmo quando ainda falava as palavras, mas Deus eu
estava doente deste assunto.
— Bem... Eu tenho a impressão que James... bem, que ele ficaria
bastante abalado se algumas coisas sobre o seu passado fossem trazidos à
tona. Estou sendo levado a acreditar que ele tem um grande temor que você
fosse abandoná-lo, se descobrisse sobre suas ex-indiscrições, e foi por isso
que ele ficou tão chateado com algumas coisas que estão sendo reveladas.
Você sabe sobre sua... preferências heterodoxas?
Eu suspirei, completamente confusa e tãaaao cansada dessa conversa. —
Sim. Estou muito consciente. — eu disse, tentando não corar enquanto
mantinha o olhar firme.
Algo sobre o homem era tão composto, tão digno. Eu não podia
acreditar que estava discutindo o meu estilo de vida BDSM com ele. Suas
sobrancelhas grossas, e escuras, dispararam.
— Bem, isso é um alívio, embora não deixe as coisas exatamente claras
para mim. Mais uma vez, desculpe a minha franqueza, mas talvez você deva
deixar claro para James que conhece o seu passado e não vai se assustar e
querer abandoná-lo.
— Por quê? Qual é o sentido de tudo isso? O que está acontecendo com
James?
Ele lançou um olhar por trás de mim e parecia particularmente
desconfortável. — Eu não tenho a liberdade de lhe dizer. — disse ele,
distraído.
— Agora você está falando como um advogado. — eu disse a ele.
Enquanto eu falava, uma mão firme desceu à minha nuca.
— Isso foi bem rápido. — Roger disse a James, que estava pressionando-
se firmemente contra minhas costas.
— Não era nada. — afirmou James com desdém. — Sobre que vocês
estão conversando? Por que ele soa como um advogado, amor?
Eu me virei para olhar para ele.

Ele se moveu comigo, não tirando a mão da minha nuca.
— Qual foi a emergência? — Eu perguntei com uma sobrancelha
arqueada.
Ele curvou seu lábio superior. — Não era nada demais. Apenas um
gerente de meio período precisando de um rebaixamento no cargo. Me diga,
sobre o que vocês estavam falando?
— Essa é uma questão curiosa. Será que você realmente rebaixaria
alguém por fazer você perder cinco minutos do seu tempo?
Ele se moveu até que estava perto contra mim, pressionando-se contra a
minha lateral. Mesmo sabendo que ele estava fazendo isso para me distrair,
eu estava longe de não ficar afetada pela sua proximidade.
— Eu o rebaixei e o coloquei em liberdade condicional, com uma
rescisão pendente sob sua cabeça, porque ele está gerenciando um dos clubes
mais rentáveis em Manhattan, e ele não consegue lidar com uma simples falta
de vinho. Ele me fazer perder cinco minutos do meu tempo por isso, só
clareou definitivamente os fatos para mim. Sua vez. Sobre o que vocês
estavam falando?
Roger limpou a garganta. — Nada de importante, James. Eu realmente
preciso ir. Eu ligo para você se eu descobrir algo novo.
Roger apertou nossas mãos, inclinando a cabeça educadamente antes de
se virar.
— Eu vou acompanhá-lo até a saída, Roger. — disse James nas minhas
costas.
Roger acenou para ele. — Não, está tudo bem. Fique algum tempo com
Bianca. É óbvio que vocês ainda não conseguiram ficar juntos direito.
Tenham uma boa noite.
— Você vai me dizer o que vocês conversaram? — James me perguntou,
quando Roger saiu de vista.
Eu balancei minha cabeça. — Por que você está tão curioso?
Ele se moveu para ficar mais perto de mim, pressionando seu corpo de
frente contra o meu. Ele se inclinou, como se quisesse me beijar. — Estou
curioso sobre tudo que você faz, Bianca. O que eu preciso fazer para você me
dizer o que ele disse a você?

Eu apenas balancei a cabeça para ele novamente.
Ele soltou um pequeno grunhido em sua garganta, me beijando. Era um
tipo de beijo possessivo e esmagador. Nós estávamos em público, em um de
seus clubes, mas ele não se conteve. Ele sugava minha boca, as mãos
movendo-se contra a minha bunda, para me puxar com força contra a prova
de seu desejo. Ele esfregou contra mim como um gato.
Eu ronronei. Minha mão enrolou nas lapelas de seu paletó, agarrando
desesperadamente.
Ele serpenteou uma mão até meu cabelo, segurando firme, em seguida,
puxando fortemente o suficiente para provocar um pequeno gemido
involuntário. Ele se afastou apenas o suficiente para respirar contra a minha
boca. — Você está com vontade de ser fodida contra uma parede hoje à noite,
não é?
Ele estava me beijando novamente, antes que eu pudesse responder, a
mão na minha bunda passando para a parte de trás da minha coxa, a
afastando um pouco, para que ele pudesse moer mais forte contra mim.
Ele parou abruptamente, afastando para trás, mas não imediatamente.
Meus quadris esfregavam contra ele, antes que eu registrasse que não
estávamos sozinhos. Oh yeah. Nós não chegamos a ficar sozinhos. Estávamos
em um clube.
Ele se afastou, pegou minha mão e começou a me puxar.
— Nós voltaremos. — ele gritou para Stephan. — Nós apenas vamos ter
uma conversa.
Eu não olhei para Stephan, não ouvi sua resposta. Eu estava perdida em
uma névoa sensual, apenas colocando um pé na frente do outro, seguindo-o
cegamente. James tinha dito algo sobre me foder contra uma parede. Sim.
Isso soava perfeito.
Ele me levou para fora da área VIP, um corredor vermelho longo, e
depois outro. Ele me puxou para um grande escritório. Havia um homem
atrás da mesa, digitando em um computador. Ele parecia assustado com a
nossa entrada.
— Nos dê privacidade. — James disse ele, sua voz aguda.
O homem bateu em retirada.

James fechou e trancou a porta atrás dele. Agradeci silenciosamente por
ser possível trancá-la.
Ele começou a afrouxar a gravata. Quando estava solta, ele enganchou
um dedo na argola no meu pescoço. Ele empurrou minhas costas para a
parede. Ou melhor, contra a porta.
Ele estendeu a mão acima da minha cabeça e olhei para cima. Havia um
cabide bem em cima de mim, enganchado sobre a parte superior da porta.
James estava amarrando a gravata nele com movimentos rápidos e certeiros.
Ele puxou meus braços para cima, ao mesmo tempo envolvendo a gravata ao
redor deles, amarrando em nós mais rápidos em torno de meus pulsos. Isso
levou mais tempo, e assisti aquelas mãos hábeis com muita atenção.
— Isso vai fazer barulho, Bianca. Eu vou te foder tão duro que você vai
gritar meu nome. E você vai gritar tão alto que ninguém vai duvidar qual o
motivo que você está gritando. Gostaria de me dizer o que você e Roger
estavam falando, antes que eu esteja dentro de você? Ou será que prefere a
confissão de foda, qual vai ser?
Eu só balancei a cabeça novamente.
Ele sorriu, um sorriso muito problemático. Sr. Cavendish estava prestes
a tomar as rédeas.
Ele trabalhou em sua própria roupa, primeiro, puxando sua camisa para
fora da calça, então desabotoando e abrindo sua calça. Ele tirou aquele
delicioso pau lentamente, de forma zombeteira. Ele acariciou a si mesmo
enquanto me observava.
Ele puxou o meu vestido para baixo, o lado sem alças, e viu que eu
estava usando um sutiã tomara que caia, puxando para baixo também. Ele se
inclinou e começou a chupar duro o meu mamilo, enquanto deslizava suas
mãos até minha saia, e tirava minha calcinha.
Quando terminou, ele se endireitou muito lentamente, se inclinando
para mim e empurrando minha perna para cima, ao mesmo tempo em que
empurrava duro dentro de mim. Eu o olhei, e vi o seu sorriso frio quando
conseguiu me provocar um pequeno suspiro afiado.
Ele bateu em mim tão duro e rápido, que me fez soltar um pequeno
grito. Um grito que rapidamente estava virando o que ele havia previsto. Eu
estava na borda fina, prestes a gozar, quase ele saiu de dentro de mim, seus
olhos intensos e raivosos no meu.

— Me diga o que você e Roger conversaram, Bianca! — Ele ordenou.
Levei longos momentos para conseguir manter qualquer pensamento
relativamente coerente. Quando eu tive, uma centelha de raiva passou por
mim.
— Você não pode usar o sexo para me controlar, James. Você não deve
brincar com meu coração assim.
Ele riu. Era uma risada sinistra. — Oh amor, não é com seu coração que
eu estou brincando. E eu vou brincar com o seu corpo sempre que eu bem
entender.
Ele me empurrou contra a porta e, em seguida, estava dentro de mim
novamente. — Nem pense em gozar. — ele murmurou para mim de uma
forma quase casual. Ele martelava tão duro e tão rápido em mim, uma e outra
vez, por longos momentos, antes que saísse de dentro de mim novamente. Eu
fiz um barulho que parecia suspeitosamente como um grito de angústia,
quando ele puxou para fora.
Ele tocou meu lábio inferior suavemente com o dedo indicador. — Me
diga, Bianca. Me diga o que você falou com Roger.
— Você está sendo um canalha. — eu disse a ele depois de um tempo.
Ele apenas sorriu, novamente aquele sorriso sinistro e acariciou meus lábios
com o dedo. — Um bastardo sádico.
Ele riu. — Sim. Eu sou isso. Apenas me diga o que você falou, Bianca.
Antes que isso vá longe demais.
Tivemos um longo e silencioso impasse, antes que eu cedesse. Eu fiz isso
porque eu percebi que não era realmente importante, e porque eu não queria
ver o quão longe ele iria, para no final provar seu ponto.
— Nós conversamos sobre você, James. Sobre o seu passado, sobre a sua
promiscuidade, e as suas... preferências. Eu acho que ele só queria saber o
quando eu sabia. Ele parecia pensar que você tinha me mantido no escuro
sobre tudo. Eu tenho a sensação de que ele estava com medo de que algo
sobre o seu passado estava prestes a ser divulgado, e que era algo que iria me
afastar. Por que ele acharia isso, James? O que está acontecendo?
Ele amaldiçoou fluentemente. — Maldito Roger. Não é nada, Bianca. Ele
está sendo apenas cuidadoso. Alguém estava ameaçando ser... indiscreto
sobre algumas das minhas façanhas. Eu estou lidando com isso. Eu estive

agitado porque eu tenho tentado me distanciar do meu passado, para limpar a
minha imagem, para seu bem, para o bem do nosso futuro, e esse vazamento
teria o efeito oposto. Mas como eu disse, eu estou lidando com isso. Obrigado
por responder minha pergunta.
Ele se moveu contra mim novamente.
Falei assim que ele estava alinhando na minha entrada. — Não é como
se eu tivesse uma escolha. — eu murmurei mal-humorada.
Ele empurrou para dentro em um movimento duro.
Eu gritei entrecortado o nome dele.
— Que tal eu lhe dar alguns orgasmos?
Eu não respondi. Ele já me tinha incoerente quando fez sua oferta.
Ele bateu em mim incessantemente, com uma mão puxando meu
cabelo, o outro esfregando meu clitóris. Ele me fez gozar, mais uma vez, e
depois novamente. Ele era implacável. Eu estava completamente espremida
até o momento que ele gozou com um gemido áspero, esfregando dentro de
mim, a mão no meu cabelo e fazendo eu levantar o meu queixo. Ele agarrou-o
duro enquanto me olhava.
Ele me deu um beijo rápido, antes de se arrancar de dentro de mim.
Ele me deixou onde eu estava, apoiada na porta, meus braços ainda
amarrados, enquanto ele caminhava até a mesa.
Ele limpou nós dois, da melhor forma que conseguiu, usando apenas
alguns lenços de papel. Ele me beijou profundamente, mas suavemente, um
tipo romântico do beijo, enquanto desamarrava meus pulsos. Ele me puxou
contra ele, me apoiando quando eu recuperei meu equilíbrio, massageando os
meus pulsos devagar e cuidadosamente, até retornar a sensação no local.
— Eu te amo, Bianca. — ele disse, quando finalmente se afastou.
— Eu também te amo, James, mas isso não lhe dá passe livre.
— Não, isso não dá. Ser o seu Dom faz isso, amor. Eu estou muito mais
comprometido com você, do que eu já fiquei com alguém ou alguma coisa na
minha vida. Te controlar sexualmente é algo que não vou me curvar, mas eu
tenho certeza que você já sabia disso.



CAPÍTULO DEZENOVE
Sr. Dócil

James estava com um humor incrivelmente melhor, quando voltamos
ao encontro do nosso grupo. Ficamos por horas, rindo e brincando com meus
amigos. Ele estava até mesmo amigável com Damien, embora o homem não
pudesse ficar a menos de dois metros de mim, sem que James me agarrasse
para provar um ponto. Embora, se eu fosse justa, ele raramente mantinha as
mãos longe de mim, estando juntos de Damien ou não.
Damien, por sua vez, estava dando a James ainda menos razão para ter
ciúmes do que o habitual. Ele estava distraído e tranquilo. Ele passou a maior
parte do tempo atirando olhares perplexos em direção a Jessa. Descobri que
achava isso estranhamente animador. Talvez houvesse algo ali. Poderia ser
apenas ele levando para o lado pessoal, ela não ter gostado da sua aventura de
uma noite, mas eu esperava que fosse mais do que isso. Eu peguei um
pequeno trecho de uma conversa entre eles, quando a noite estava quase
acabando, e Damien tinha conseguido encurralar Jessa logo atrás de onde
estávamos em pé, conversando com Murphy.
— Hey. Tudo bem entre nós? — Damien perguntou a ela, sua voz
preocupada.
— Tudo bem entre nós. — Jessa respondeu com uma voz sem qualquer
cadência, soando nada bem.
— Eu me sinto como um idiota. Eu não sabia que você se sentia assim.
Francamente, eu pensei que você tinha se esquecido da coisa toda, desde que
você jamais mencionou isso.
— Não se preocupe com isso, Damien. Um cliente insatisfeito em mil,
dificilmente deve atrapalhar a sua média.
Ele xingou, e eu não poderia evitar, e eu olhei para eles.
Damien estava de costas para mim, mas Jessa estava de frente, e eu vi o
rosto dela claramente, quando ela revirou os olhos.

— Eu não sabia que foi ruim para você. Não foi ruim para mim. Na
verdade, foi bastante surpreendente. Eu gostaria de... fazer as pazes com você,
se você me deixar. Você poderia me mostrar o que você não gosta, me ajudar a
trabalhar com a minha técnica.
Jessa bufou alto.
Aparentemente, eu não era a única descaradamente escutando. Murphy
começou a balançar e cantar. — E lá vai ele, com este papo de garanhão...
— Aqui está um resumo de como foram as coisas, Damien. Foi um
inferno de muito mais do que sua técnica que não estava funcionando para
mim. O anseio por uma garota que nunca vai olhar para você duas vezes foi o
maior corta foda, e o fato de que você não se preocupou em me dar uma pista
sobre esse seu problema emocional, antes de pular na cama comigo. Eu nunca
faço essa coisa do sexo casual, e a forma que você se transformou em um
estranho no segundo que terminamos me lembrou claramente o porquê dessa
minha decisão. Sexo não é apenas uma função corporal para mim. Preciso de
alguma aparência de intimidade com o ato, e você não saberia reconhecer a
intimidade nem se ela te desse um soco na cara.
— Ouvi dizer que você foi celibatário durante os últimos meses. — Jessa
continuou sem piedade. — À espera de uma garota que nunca vai querer você.
Você não é um idiota, você sabe que ela não vai deixar seu namorado
bilionário por você, aquele homem lindo de morrer, gostoso, e que claramente
estão tão loucos um pelo outro, que se olham como se pudessem se foder em
público. É apenas uma outra forma idiota da sua parte em evitar sentimentos
reais. A única maneira que você poderia ser bom na cama para mim, seria se
você se tornasse uma pessoa completa, não apenas uma concha de um
homem que não tem um meio termo entre colocar as mulheres em um
pedestal ou degradá-las com o sexo sem sentido.
Murphy apertou o peito, caindo de joelhos. — Eu senti isso aqui, meu
amigo. — ele gritou para Damien, nem mesmo se preocupando em esconder o
fato de que estávamos vergonhosamente ouvindo toda a conversa.
— E nós vamos ter essa pequena conversa em privado. — Damien disse,
seu tom duro. Nós todos olhamos em silêncio, enquanto ele agarrava Jessa
pelo braço e levou-a resolutamente para longe.
Ela foi levada facilmente, apenas murmurando um alto "Neandertal",
quando eles se afastaram.

Olhei para James, que tinha ficado em silêncio durante a troca. —
Talvez os dois consigam resolver as coisas e comecem a namorar. — eu disse
esperançosa.
James me estudou. — Você quer isso?
Eu lhe enviei um olhar perplexo. — Claro que sim. Damien precisa
seguir em frente, e Jessa seria excelente para ele como ninguém. Ela é uma
das pessoas mais abertas e honestas que eu já conheci. Falar com ela é como
conversar com um bom terapeuta.
— Não acho. — Murphy disse, retornando na conversa. — Damien é
bastante claro sobre o que ele gosta nas mulheres. Ele gosta de ser ignorado,
não xingado. Ela não é o tipo dele.
Eu dei o meu pequeno encolher de ombros. — Talvez ele precise
encontrar um novo tipo.
Murphy sorriu. — Agora, isso não seria incrível.
Damien e Jessa não retornaram mais ao clube, pelo menos não antes
que James e eu fossemos embora, e eu entendi isso como um sinal muito
bom.
Demos uma última volta, nos despedindo dos onze convidados. James
estava bastante tranquilo, mas doce na curta viagem de volta para o
apartamento. Ele se aninhou em meu pescoço, colocando suaves beijos lá.
Não era o seu estilo habitual, mas eu ainda derreti.
Ele fez amor comigo de novo, antes que eu mergulhasse em um sono
profundo e sem sonhos.
Fiquei agradavelmente surpreendida na manhã seguinte, quando eu
percebi que ele estava retornando para Las Vegas comigo naquele dia. Eu
sabia que ele estava planejando passar parte de sua semana lá comigo, mas
não tínhamos discutido quando seria.
Nós nos vestimos juntos, e ficamos de mãos dadas em silêncio,
enquanto fizemos o nosso caminho até o carro que nos esperava.
— Eu conversei com Stephan na noite passada. Você não tem que pegar
o transporte até o aeroporto com a tripulação. É a critério da sua liderança, e
ele nos deu a luz verde, então você pode vir comigo.
Eu apenas assenti.

O voo foi bem. O dia inteiro, na verdade. Houve um breve momento de
tensão quando James descobriu que, embora eu fosse aceitar a licença
voluntária, eu ainda trabalharia com minha programação regular por pelo
menos mais duas semanas. Ele não gostou disso. Eu não tinha pensado que
ele iria gostar, mas eu não iria ceder.
— Esta empresa me deu uma oportunidade inestimável que mudou
minha vida. Isso significa muito para mim. Eles nos pediram apenas para
manter as nossas agendas por mais duas semanas, e eu não vou abandonar o
pessoal mais cedo e atrapalhar esse período difícil. Eu não vou ceder a isso,
James.
Meu pequeno discurso foi apaixonado o suficiente para que ele o
aceitasse rapidamente. Mesmo se ele não conseguisse entender por que eu
tinha um sentimento de lealdade com a empresa que estava me mandando
para fora, ele pelo menos respeitava isso. O que aqueceu o meu coração. Ele
nem sempre me entendia, mas eu não podia ter dúvidas de que ele tentava.
Os próximos dias se passaram assim. Cada solavanco na estrada nos
causando quase nenhuma resistência. Ele não reclamou quando eu tive que
trabalhar quase o domingo inteiro, apenas me beijando longamente com um
sussurrado — Eu te amo.
As coisas estavam bem entre nós. Bem era pouco. Nós éramos
simplesmente incríveis juntos. As coisas estavam se tornando cada vez mais
tão fácil, mas o calor entre nós não refrescou em nada. Ficou muito claro para
mim o quão perfeito as coisas poderiam ser entre nós, se eu apenas deixasse
fluir. Tudo parecia tão perfeito, na verdade, que eu comecei a ficar um pouco
paranóica, sempre à espera de que algo acontecesse e estragasse tudo.
Eu repetia para mim mesma, que a vida não tinha que ser apenas uma
série de tragédias. Talvez eu pudesse ter essa coisa maravilhosa, sem
condições. Talvez a vida fosse fácil de agora em diante. Eu queria acreditar,
mas a tensão doente nunca largava meu estômago, e os meus pesadelos
estavam mais persistentes do que nunca.
Ficamos na casa dele em Vegas nessa semana, concordando em ficar na
minha pequena casa na próxima viagem a Vegas.
Na segunda-feira, saímos para jantar com a tatuadora, Frankie. Eu
estava nervosa. Eu sabia que tinha causado uma péssima impressão na
primeira vez que nos encontramos, e eu queria corrigir isso, mas eu não
conhecia a mulher, então eu não tinha certeza de como fazer.

Nós encontramos com ela em um restaurante da moda, no Cavendish
Hotel & Casino. Vesti o estilo Vegas casual, uma bonita blusa branca, short
curto bege e saltos alaranjados. Você nunca poderia mostrar pele suficiente
em Las Vegas, e os saltos apenas deixaram a roupa vistosa o suficiente para
que eu pudesse ficar confortável em qualquer lugar.
Frankie foi calorosa e cordial, nos abraçando bastante e me dando um
sorriso genuíno. Eu senti a minha tensão ir embora. Ela iria deixar as coisas
fáceis para mim.
Frankie estava usando uma camiseta cinza justa, que foi rasgada tão
baixa na parte inferior, que eu podia dar uma boa olhada na parte inferior de
seus seios. O corte do seu short jeans não era muito mais decente. Sua pele
coberta de tinta surgia em toda sua glória.
Ela me pegou olhando e sorriu. — Estou sendo fotografada para meu
Reality Show. Os produtores gostam de ver a tatuagem. Eu juro que a cada
temporada preciso usar menos roupa. Na próxima temporada, eles apenas me
mandarão andar nua.
Eu sorri de volta para ela. Ela tinha um sorriso muito agradável. Sua
maquiagem estava escura, os lábios quase preto. Seu olhar era duro, mas não
prejudicava em nada seu rosto bonito. Com aquele sorriso cativante, ela era
realmente uma figura adorável. Com aquela massa de cachos negros, ela meio
que parecia uma Shirley Temple adulta.
Nós nos demos muito bem, sem quaisquer problemas. Frankie não era
nada do que eu estava preocupada que ela seria. Eu comecei a ver por que ela
e James se davam muito bem. Ela tinha um charme absurdo; reúna isso com
o seu carisma incontestável, e eu entendia facilmente por que ela tinha seu
próprio reality show.
Eu nunca entendi o apelo em assistir as pessoas que eu não gostava ou
respeitava fazer papel de tolas, mas eu aposto que gostaria de assistir Frankie.
— O que eu tenho que fazer para colocar você na minha mesa, Bianca?
— Frankie perguntou, com um sorriso encantador depois que estávamos
conversando por quase uma hora.
James fez um barulho de desaprovação, e eu olhei para ele. Ele estava
lançando um olhar irritado na direção da outra mulher. — Não dê em cima da
minha mulher, Frankie.

Ela ergueu as mãos em um show de inocência, rindo. Ela ficou
claramente afetada por seu ciúme. — Eu não faria isso, James. Você entendeu
tudo errado. Eu só acho que ela ficaria linda com um pouco de tinta nessa
pele perfeita.
James parecia longe de ser apaziguado por isso. — Pare com isso,
Frankie.
Ela acenou para ele. — Oh, relaxe, James. Eu realmente não estou
dando em cima. Eu tenho uma namorada agora, e nunca estive tão feliz.
Apenas me deixe divertir um pouco.
Eu vi seus olhos se moverem para algum lugar atrás de Frankie. Meu
olhar seguiu o seu. Um homem enorme caminhava em nossa direção. Ele
estava várias mesas de distância, mas eu poderia dizer pelo seu passo
decidido e a intenção em seu olhar, que ele estava vindo em nossa direção.
Ele parecia... sinistro. E sexy. Ele tinha o cabelo escuro como breu que
pendia reto até os ombros maciços. Ele era tão grande que eu teria imaginado
ele como um jogador de futebol americano, ou algum tipo de atleta
profissional, se não fosse pela forma como se vestia. Ele usava uma camiseta
branca, com o que parecia ser o logotipo de uma banda na frente.
Ela era tão apertada, que eu podia ver cada pedaço dos cumes bem
definidos em seu abdômen, e partes das tatuagens extensas que cobriam seu
peito. A calça jeans parecia ter saído de uma zona de guerra, de tão rasgada.
Seus braços estavam cobertos de tatuagens em toda a extensão. Eu imaginei
que ele deveria trabalhar no estúdio de tatuagem de Frankie, uma vez que ele
estava tão coberto delas.
Quando ele se aproximou, vi que sua dura mandíbula tinha uma sombra
de barba, como se tivesse feito pela manhã e cresceu um pouco durante o dia,
mas nele parecia ser uma característica que nunca ia embora. Ele tinha até
mesmo esses traços no rosto, com sobrancelhas grossas, cílios mais espessos,
olhos estreitos, um nariz arredondado, e uma boca feita para o pecado. Ele era
um diabo de homem bonito.
Ele sorriu enquanto se aproximava de nós, mostrando covinhas gêmeas
que eram problemas puro.
James amaldiçoou. — Que diabos ele está fazendo aqui? — Ele
perguntou a Frankie. Ele parecia muito irritado.

Frankie se virou para ver de quem ele estava falando, mas teve a reação
oposta, quando viu quem se aproximava. Ela sorriu.
— Tristan fez uma nova tatuagem hoje. Claro, meu produtor apenas
tinha que agarrá-lo para o show. Eles adoram quando as celebridades entram
na historia. Seu episódio entrará no ar em duas semanas, provavelmente.
Naturalmente que ele iria ser exibido em um reality show de tatuagens,
pensei, enquanto minha mente ligava os pontos.
No entanto, eu não tive tempo em lidar com a questão, antes que
Tristan estivesse sobre nós. Seus olhos estavam em mim quando ele chegou a
nossa mesa. Eles eram dourados e cintilantes, absolutamente desarmadores.
Eu sorri timidamente, sentindo uma estranha tensão de James.
Tristan se sentou na única cadeira vazia na mesa, deslizando-a até que
ele estivesse sentado quase perto demais de mim. Seus olhos eram quentes
em mim.
— A famosa Bianca. Eu tenho que dizer, eu estava ansioso em conhecê-
la. James e eu nos conhecemos há muito tempo. Eu sou Tristan.
Ele estendeu a mão para apertar e eu respondi automaticamente. James
conteve um gemido quando Tristan levantou a minha mão até a sua boca, e
ele estava arrancando a minha mão para fora do alcance do outro homem,
antes que eu pudesse reagir.
— Mantenha suas mão afastadas, Tristan. — James disse com os dentes
cerrados.
Tristan apenas sorriu, aquele sorriso sinistro com aquelas covinhas
problemáticas. — Relaxe, Cavendish, eu sei que ela é sua. Eu estava apenas
dizendo oi.
— Sim, bem, se você disser 'oi' mais uma vez, eu vou quebrar seu nariz.
— Eu adoraria ver você tentar, mas eu realmente odeio a ideia de você
arruinar a sua manicure.
Eu me virei para James, lhe dando um olhar severo, e ignorando
completamente o outro homem. Eu esfreguei seu peito até que ele olhou para
mim. Eu não disse uma palavra, apenas o encarei, desejando que ele se
acalmasse, para não levar isso a um pequeno confronto totalmente
desnecessário.

Depois de um longo momento, ele relaxou uma fração, me puxando até
que eu estava colado ao seu lado.
Apenas um tempo depois que eu olhei de volta para Tristan. Ele era
estranho, pensei, enquanto ele nos estudava atentamente, com a testa
franzida. — Alguém me disse que você estava caído de quatro, mas eu
simplesmente não acreditei nisso. Eu me corrijo agora. Você esta apaixonado,
meu amigo.
— Qual é a sua nova tatuagem? — Eu perguntei a Tristan, tentando
encontrar um tema neutro para aqueles homens hostis. Eu olhei para ele
quando fiz a pergunta.
— Eu fiz um pequeno cinco, para comemorar cinco anos limpo e sóbrio.
— disse ele sem hesitação, como se tivesse praticado a resposta.
Eu pisquei. — Parabéns! — Eu entendia isso. Vício era uma coisa
horrível, poderosa. Eu já tinha visto pessoas arruinadas por ele.
— Obrigado. Eu fiz algumas coisas ruins, quando estava usando, coisas
que eu não posso mudar, mas manter cinco anos de sobriedade na minha
cabeça ainda me faz sentir muito bem.
Frankie bateu na sua própria testa. Para chamar nossa atenção. Todos
nós olhamos para ela. — Você pode contar isso, sem a adição de um aviso
sobre todos os seus pecados. — ela repreendeu. — Você tem todo o direito de
se orgulhar de si mesmo.
Ele deu de ombros, franzindo a testa severamente. Ele era um cara legal,
duro, mas de alguma forma essa carranca o fez parecer vulnerável ao invés de
bravo.
— Eu não vejo isso dessa forma. Mesmo com todas as melosas besteiras
da reabilitação, eu ainda sei que era eu mesmo quem estava fazendo todas
aquelas coisas, e não o álcool ou as drogas, e há algumas coisas que uma
pessoa não pode simplesmente se perdoar, especialmente quando o que eu
mais machuquei, não pode me perdoar, também.
Frankie amaldiçoou, apontando para ele. Eu poderia dizer apenas pelos
últimos dois minutos, que os dois tinham um tipo de relacionamento de amor
implacável, mas próximo.

— Eu vou ligar para seu terapeuta só porque você disse isso. Você
deveria ter passado por essa fase agora, e o fato de que você não passou ainda,
me diz que você precisa voltar a vê-lo mais vezes.
Tristan a ignorou, virando-se para me abordar. Ele tinha esse tipo de
olhar intenso que era difícil não prestar atenção. Ele me lembrava um certo
bilionário que eu conhecia...
Ele acenou com a mão entre James e eu. Foi um gesto estranhamente
elegante para um homem tão grande. — Eu costumava ter o que vocês têm.
Eu encontrei uma sub uma vez, que adaptou tão perfeitamente comigo...
Eu me senti um pouco chocada com suas palavras, se referindo ao nosso
estilo de vida de forma tão casual e se incluindo também nele também com
poucas palavras. Me lembrei que James havia descrito Frankie também como
uma Dominadora. Eu me perguntei se eles tinham o seu próprio clube... Será
que eles se encontram uma vez por semana para tomar um café? A coisa toda
parecia surreal.
— Toda essas outras merdas que eu faço hoje é apenas uma imitação
barata daquilo. — continuou ele. — Ela era primorosa.
— O que aconteceu? — Eu perguntei a ele.
Ele mordeu aquele exuberante lábio inferior. Eu pensei que tudo o que
aquele homem fazia soava pecaminoso.
— O que mais? — Ele perguntou com amargura. — Eu fodi tudo. Eu a
empurrei tão forte que ela me abandonou. Para ser honesto, eu a empurrei
para longe de propósito. As coisas estavam ficando muito íntimas, e eu não
poderia ter isso. Eu era como qualquer outro viciado. Ser auto-destrutivo era
um modo de vida para mim.
Ele olhou para James. — Como esta Danika? Ela tem trabalhado bem?
James suspirou, e eu o estudei enquanto ele respondia. — Ela é boa, até
mais do que isso. Ela é ótima em seu trabalho. Na verdade, estou deixando ela
responsável por todas as minhas galerias de arte, não apenas da costa oeste.
Beth em Nova York, vai ter um ataque de ficar sob seu controle, mas eu decidi
que preciso trabalhar menos e viver mais, de modo que meus melhores
administradores estão sendo promovidos com pressa. Você deve chamá-la,
Tristan. Eu sei que você se preocupa com ela, por isso ligue, veja por si mesmo
como ela está.

Tristan soltou um suspiro de frustração. — Você acha que eu não tentei
chamá-la? Eu mantenho um controle rígido sobre ela. A verdade é essa. Eu
preciso saber que ela está bem, mas a mulher não quer ter nada a ver comigo.
— Já tentou ligar para ela ultimamente?
— Você conhece Danika. Ela não vai mudar de ideia.
— Se você a procurasse com outra proposta que não uma foda casual na
cabeça, e usasse essa sua persistência irritante, eu não ficaria surpreso se ela
lhe desse outra chance. — James disse, seu tom casual.
Os olhos de Tristan aguçaram sobre ele como um foco do laser, que me
lembrou muito James. — Por que você acha isso? Ela disse alguma coisa para
você?
James deu de ombros e fez uma careta, o braço em volta do meu ombro
me acotovelando com o movimento.
— Ela é apenas... Eu não sei, falta alguma coisa. Ela é muito reservada,
muito controlada, muito desinteressada sobre qualquer outra parte de sua
vida, exceto o trabalho. E ela trabalha muito. Eu sei por experiência própria
que, se você consegue fazer um bom dinheiro e ainda tem o desejo de passar a
maior parte de sua vida no trabalho, é porque alguma coisa importante está
faltando ali.
Tristan parecia quase cru, enquanto estudava James, seus olhos
dourados com manchas familiares que falavam de dor, mas que eu achei
lindo.
— Será que ela está saindo com alguém? — Ele perguntou, por fim, as
palavras soando como se tivesse sido arrancado dele contra a sua vontade.
James suspirou. — Eu não tenho certeza. Ela estava, há poucos meses
atrás. Eu não tenho certeza o quão sério era, ou se ele ainda está por aí. Ela
não é de falar da sua vida pessoal, nem eu sou de ficar perguntando. Eu
apenas o vi de passagem na galeria, quando eu estava ali a negócios.
— Eles vão encontrar com ela amanhã. Bianca vai exibir seus quadros
na galeria em LA. — Frankie falou de repente. — Eles não definiram uma data
para isso ainda, mas eu sei que eu vou ser convidada. Você deve vir como meu
acompanhante, Tristan.

Ele lhe deu um sorriso irônico. — Sua pequena submissa latina, com
aquele temperamento incendiário iria arrancar seus olhos por isso.
— Então, vamos fazer um ménage à trois. Ela não vai se importar com
isso. Ela pode gostar até um pouco demais, na verdade.
Frankie se dirigiu a mim, apontando para Tristan. — Se eu tenho a sorte
de achar uma sub gay, ele vai lá e faz ela virar hetero novamente. Bastardo.
O que me fez cair em uma surpreendente gargalhada.
Tristan deu de ombros e mostrou uma covinha para ela. — Só estou aqui
para ajudar.




















CAPÍTULO VINTE
Sr. Brincalhão

Nós permanecemos durante o jantar com o estranho casal. Tristan
pediu comida, embora todos nós já tivéssemos terminado de comer. Ele
estava muito a vontade, brincando e conversando com Frankie e eu. Eu
gostava dele. Bastante. Eu gostei dos dois. Eles eram divertidos.
James estava tranquilo e um pouco tenso nas minhas costas, mas ele
não fez nenhum movimento para ir embora.
Quando finalmente nos preparamos para ir embora, depois de horas de
conversa, Frankie me deu um grande abraço. Tristan também tentou, mas
James estava lá para bloqueá-lo, nem mesmo tentando ser sutil sobre isso.
Tristan não se intimidou. Ele sorriu, aquele sorriso malicioso para mim,
inclinando a cabeça. — Foi um prazer conhecê-la, Bianca. Um prazer
absoluto. Eu vou voltar a vê-la.
James não falou até que estávamos na parte de trás de sua limusine,
voltando para casa.
— Você gostou dele. — ele disse em um tom brando, mas eu não
acreditei naquele tom nem por um segundo.
— Eu gostei dos dois. — eu disse, esfregando seu braço. — Seus amigos
são muito agradáveis. É bom ver que você tem mais do que alguns bons
amigos. Eles estão começando a superar todas as cadelas do mal que eu tive
que encontrar, porque você sentiu necessidade de dormir com elas.
Ele ignorou completamente a última parte da minha declaração, ainda
focado em Tristan.
— Ele é um Dom, como eu tenho certeza que você entendeu. Puramente
BD sem o SM. Você ficou atraída por ele.
Uh oh. — Bem, eu estou apaixonada por você. Eu gosto dele, como eu
disse. Como um amigo. Ele é um homem atraente, eu não posso negar, mas

apenas isso, James. Você não pode pensar que cada Dom que for encontrar
vai ter alguma influência impossível em mim, só porque você tem.
E foi realmente assim tão fácil. Algumas garantias e ele relaxou,
sorrindo de volta, receptivo novamente. Eu pensei que era um bom presságio
para nós. As pequenas coisas já estavam se resolvendo com facilidade.
Nós fomos encontrar com Danika na Galeria turística do Cavendish
Hotel & Casino na manhã seguinte. Danika conseguiu tanto as galeria de LA
como Vegas, que era especialmente impressionante, já que ela parecia ainda
estar no seu início ou metade dos vinte anos.
Com toda a conversa na noite anterior, minha mente começou a tentar
imaginar Danika e o fisicamente imponente Tristan, até o momento em que a
vi, e foi quase desconcertante imaginar os dois juntos. Ele era tão grande e
musculoso que poderia ter sido um lutador de MMA. Ela, por outro lado, era
o epítome da graça delicada.
Ela tinha talvez, um metro e setenta, com cabelo liso, reto e escuro como
breu, que caia até a metade das suas costas. Ela era magra, mas
definitivamente tinha curvas em todos os lugares certos. Ela tinha uma pele
clara, mas sua herança era obviamente, muito misturada. Parte da mistura
era asiático, mas o resto era uma incógnita. Pelo menos a parte branca, com
seus olhos cinzentos claros.
Tristan tinha razão. Ninguém podia negar que ela era primorosa.
Ela estava vestida como uma mulher de negócios, com uma saia lápis e
uma camisa com as mangas dobradas. E usava sapatilhas, eu percebi quando
ela saiu de trás do balcão quando nos aproximamos. Eu a teria imaginado
como uma garota de saltos, apenas porque ela era tão dolorosamente
equilibrada. No entanto, eu descobri em um instante por que ela não usava.
Ela tinha um levíssimo percalço no andar, percebi enquanto ela se
aproximava de nós dois com um sorriso encantador. Alguma lesão antiga, eu
imaginei. Era o mancar mais gracioso que eu já vi, como se ela tivesse
absorvido a lesão e isso fosse uma parte dela, sem enfatizá-la ou escondê-la.
Essa marcha aparentemente sem esforço me disse muito sobre a mulher. Ela
parecia delicada, mas havia aço nela.
— É tão bom finalmente conhecê-la, Bianca. Eu tive o privilégio de
conseguir a distinta honra em ser sua primeira grande fã. Mais virão, porém,
posso te assegurar.

— Hey, nada disso. — James disse, balançando a mão com um sorriso.
— Não esta contando a minha adoração pelo trabalho dela. Lembre-se quem a
descobriu.
Ela inclinou a cabeça. — Touché, James. Por favor, me sigam. Nós
temos muito o que discutir.
Sentamos em uma grande sala de reuniões, na parte de trás da
imponente Galeria. Danika puxou uma enorme pasta de couro, e eu só percebi
que era um portfólio do meu trabalho, quando ela abriu.
— Me permita começar falando que a arte é minha vida, e eu
simplesmente adoro o seu trabalho. É, no entanto, uma mistura bastante
eclética de pinturas. Isto pode ser tratado de várias maneiras. Minha
preferência pessoal seria dividir todos os diferentes temas em salas, pois
temos muitos quadros para trabalhar, e nós vamos utilizar todos os cômodos
do espaço em LA para a exibição.
Eu balancei a cabeça. — Isso soa bem.
Ela parecia um pouco perplexa, como se ela estivesse esperando um
argumento. — Bem, isso foi fácil. Se todos os problemas forem fáceis de
resolver, podemos agendar uma mostra para a próxima semana!
Toda a reunião foi semelhante. Danika tinha sugestões muito úteis
sobre todas as coisas que eu precisava do meu sinal verde para a exibição, e eu
estava mais do que feliz em respeitar a sua experiência em algo que eu era
uma completa novata.
Ela foi rápida e profissional, abrangendo detalhes que eu não tinha
sequer considerado, até que ela estava convencida de que tinha a exibição
completamente traçada.
James ficou razoavelmente silencioso durante toda reunião, apenas
apreciando. Se ele tivesse assumido, como fazia em tantas coisas, eu não teria
sentido que era uma coisa minha. Mas trabalhar com Danika, vendo todas as
etapas do processo, sem sua interferência, começou a parecer como se fosse
uma coisa real, como se eu tivesse uma carreira aqui, em vez de um hobby que
estava sendo financiado pelo meu namorado rico.
Fomos almoçar com Danika depois que terminamos. Sandra, a gerente
assistente da galeria Vegas, que trabalha diretamente sob o comando de
Danika, se juntou a nós.

Ela era uma mulher pequena, de cabelos castanhos com olhos castanhos
e uma atitude bastante severa. Se eu tivesse que adivinhar, eu teria dito que
ela estava em seus trinta e tantos anos.
Eu tinha esquecido completamente de Danika, até que ela pediu licença
para ir ao banheiro. Sandra murmurou algo sobre a necessidade de verificar a
galeria, e também saiu rapidamente.
— O que aconteceu com o pé de Danika? — Eu perguntei James.
— É o joelho, eu acredito. E eu não sei. Ela nunca fala sobre isso, mas eu
tenho a nítida impressão de que esse incidente, de alguma forma, é culpa de
Tristan.
Eu fiz uma careta. Isso soou além sinistro.
Nós tivemos uma produtiva e agradável manhã com Danika, definindo
uma data na semana seguinte para um novo encontro, quando ela jurou que
estaria com o grosso do planejamento da exibição pronto. Eu estava animada
e entusiasmada quando nos separamos. O sonho louco que era uma carreira
na pintura parecia que estava moldando em algo real e substancial.
James deu a equipe de sua casa a tarde de folga, e passamos horas
nadando em sua ridícula piscina. A coisa era exagerada demais, com
montanhas e fontes falsas, e quatro piscinas diferentes, e sim, uma gruta
debaixo de uma das pequenas cachoeiras.
— Eu não sabia que estávamos na mansão Playboy. — eu brinquei com
ele.
Ele fez uma careta. — Esta é realmente uma parte da casa que eu não
projetei. É uma longa história, mas eu deleguei esta parte do projeto para a
minha equipe do casino, e uma vez que sabiam que eu faria algumas festas
promocionais aqui, foi isso que eles resolveram fazer. Eu não fiquei muito
feliz quando eu vi, mas tem servido ao seu propósito. Se eu estou fora da
cidade, e o cassino tem que preparar uma festa na piscina para alguns
figurões, eles fazem isso aqui.
Eu torci o nariz para ele. Eu conhecia o cenário em Vegas bem o
suficiente, mesmo que isso não fosse realmente a minha praia. — Espero que
tudo tenha sido desinfetado.
Ele tocou meu nariz. — Sim, é claro. Você sabe que me deixa louco
quando você faz isso com o seu nariz. Isso faz você ficar tão fofinha.

Bati em seu nariz. — Não me chame de fofinha. — eu disse a ele.
Até o seu nariz é sensual, eu pensei.
Eu estava deitada em uma espreguiçadeira almofadada, com um biquíni
branco que eu não seria pega nem morta vestindo em público, enquanto ele
esfregava o protetor solar por todo o meu corpo. Ele não foi muito eficiente no
processo, esfregando mais nas partes de dentro do biquíni minúsculo do que
fora dele, e sorrindo o tempo todo.
— Você não tem que trabalhar hoje o dia inteiro? — Eu perguntei a ele.
Ele havia trabalhado no dia anterior, mas não fez menção de ir naquele dia.
— Eu tirei o dia de folga. Eu quero transar com você em plena luz do dia.
Eu quero espalhar suas pernas e pegá-la nua sob o sol.
Isso me fez contorcer no meu lugar. Eu tinha esperanças quando ele
dispensou a sua equipe, mas agora tinha certeza. Nós não estávamos aqui
apenas para nadar.
— Você vai me deixar queimar em alguns lugares dolorosos. — eu previ.
Ele ergueu a embalagem do protetor solar. — Eu tenho tudo sob
controle. Vamos lá, agora você me conhece melhor.
Ele foi profundo, mas lento, enquanto me cobria com o protetor. Ele até
passou um tempo extra em meus pés, esfregando e amassando até que eu
gemia de prazer. Ele era bom com as mãos de todas as maneiras imagináveis.
A segunda camada que ele passou de protetor solar era completamente
desnecessária, é claro, mas ele fez do mesmo jeito. Somente James poderia
transformar um protetor solar em preliminares. Eu estava me contorcendo,
antes que ele conseguisse voltar às minhas coxas.
Seus dedos com o protetor solar brincaram ao redor do meu sexo,
tocando até o minúsculo limite do laço do meu pequenos biquíni, mas ele
afastou seus dedos com um sorriso perverso. — Apenas para uso externo,
amor. Eu acho que você vai ter que se contentar com a minha língua.
Ele puxou as cordas em ambos os meus quadris com os dentes. Eu
enterrei minhas mãos em seu cabelo quando ele escondeu o rosto entre as
minhas pernas.
Não era a sua técnica oral habitual, evitando o meu clitóris, a princípio,
e enfiando a língua mais fundo dentro de mim. Eu me sentia como se

estivesse drogada — mas era uma boa sensação, quando ele finalmente
mudou para o meu clitóris e chupou com força, eu gozei forte, ofegando seu
nome.
Ele se estendeu sobre o meu corpo em um piscar de olhos,
desamarrando o meu top, e movendo a minha perna em seu peito,
posicionando-a na diagonal com o meu tornozelo no seu ombro, me virando
para o meu lado, e escancarando minha outra perna. Ele por um breve
momento quase entrou dentro de mim.
— Me fodendo de lado? — Eu perguntei, quase sem fôlego
Ele sorriu e entrou em mim duro. — Todas as formas, até estivermos
saciados ou mortos, amor.
Ele puxou lentamente, arrastando-se perfeitamente ao longo de cada
nervo, me jogando como um instrumento, então bateu novamente. Seu
tamanho e a posição inflexível, fazia com que cada impulso ficasse próximo
do doloroso. Ele repetiu a tortura, uma e outra vez, e eu gozei com um grito
áspero arrancado de mim.
Ele não parou, apenas bateu mais rápido. Ele gozou dentro de mim com
um grito áspero. Eu adorei, absolutamente amava esses momentos em que ele
se perdia assim.
Ele empurrou minhas pernas, ficando sobre mim, e me beijando
languidamente. Ele tirou de mim lentamente, puxando-o para fora, até que eu
o queria novamente, como se não tivéssemos acabado de fazer amor.
Uma vez que ele tinha separado o corpo do meu, ele se mudou em um
piscar de olhos contra mim novamente.
— Envolva seus braços e pernas em volta de mim. — ele ordenou contra
a minha orelha.
Meu corpo obedeceu, mas minha mente ainda naquele lugar sonhador e
suave que só ele poderia me levar. Ele me pegou, se levantando lentamente.
Foi só quando eu estava voando pelo ar que eu percebi sua intenção. Eu
bati na água com um pequeno grito de surpresa. Eu estava olhando para ele
quando vim a tona.
Ele apenas sorriu, mergulhando atrás de mim.

Brincamos na piscina por um longo tempo. Como crianças, pensei,
apenas nadando nus em plena luz do dia. Eu amei cada segundo. Eu pensei
que James brincalhão tinha chance de ser apenas o meu favorito.
Ele me puxou contra ele, me beijando ardentemente, e depois me
empurrou para longe.
— Corra. — ele me disse com um sorriso malicioso.
Eu fiz isso, apenas chegando até a borda da piscina e a um passo para
fora, antes que ele me pegasse, me puxando para trás na água e contra ele, sua
frente deslizando contra minhas costas. Ele mordeu meu pescoço e se
esfregou contra mim. Sua ereção dura como pedra, cutucando duro em minha
bunda.
— Você é insaciável. — eu disse a ele, com a voz ofegante.
— Sim. — ele sussurrou em meu ouvido. — Eu sou. Agora corra.
Eu fiz isso, conseguindo sair da piscina, correr pelo concreto, e até a
grama. Foi só quando ele foi me agarrou pelo meu estômago, que eu percebi
que era exatamente o que ele queria, exatamente o que ele tinha planejado.
Ele estava entrando em mim por trás rudemente dentro de segundos.
Ele me fodeu na grama, de quatro, bombeando em mim com um
propósito.
— Diga, Bianca. — ele ordenou em meu ouvido, sua voz baixa e rouca.
Eu estava distante, mas não o suficiente para não conseguir falar as
palavras.
— Eu sou sua, James. Só sua.
Ele continuou o ritmo forte, enquanto o meu corpo apertava
convulsivamente, e arrepios de prazer sacudiam meu corpo. Ele continuou até
que cada pequena onda de choque tinha passado. Ele gemeu baixo em sua
garganta, quando ele se permitiu ir.
Minhas mãos e joelhos estavam vermelhas pela grama, quando James
me levou de volta para a piscina. Eu não poderia imaginar que ele estivesse
muito melhor.

Ele me jogou de volta na piscina. Mesmo sabendo que estava chegando,
eu soltei um gritinho antes de atingir a água. Quando reapareci, James estava
caminhando em direção à casa, uma toalha baixa pendurada em seus quadris.
— Onde você está indo? — Eu gritei para ele.
— Verificar como está o outro homem da sua vida. — ele respondeu de
volta.
Eu pensei que era a coisa mais doce do mundo. E isso era tão James.
Nada poderia me amolecer mais do que ele entender o meu vínculo com
Stephan, compreendê-lo totalmente, como ele fazia. Ele sempre soube que
cordas puxar. Homem manipulador, perceptivo, e maravilhoso.
Quando ele voltou, ele foi direto para o divã, onde tínhamos descartado
todas as nossas roupas. Ele colocou a bermuda cinza de cintura baixa e
agarrou meu biquíni, caminhando de volta para a piscina com um propósito.
Ele me encurralou na piscina.
Eu o beijei. — Obrigada por ser tão compreensivo sobre Stephan. Isso
significa tudo para mim.
— Eu não tenho nada além de amor por aquele homem. Se eu tiver que
dividir você com alguém, eu estou contente que seja ele. E eu vou fazer de
tudo para fazer sempre o melhor. Eu sei que Stephan feliz significa Bianca
feliz. — Ele me deu um beijo duro e começou a me colocar de volta naquela
pequena série de laços que ele chamava de biquíni.
— Os rapazes queriam sair. — ele continuou. — Então, eu disse a eles
para virem pra cá. E não sei como isso aconteceu, mas Stephan transformou
a coisa toda em uma festa improvisada na piscina. Eu nem sei quem está
chegando. Talvez eu tenha conhecido um oponente a minha altura. Aquele
homem é esperto.
Isso me fez sorrir de verdade grande. O sujo falando do mal lavado...
— Eu preciso colocar uma túnica ou algo para me cobrir. — eu disse a
ele. — Se nós vamos ter uma festa, eu prefiro não mostrar tanta pele.
Ele me olhou, passando a língua sobre os dentes em uma exibição
exuberante.
— Sim, eu concordo. Eu prefiro não compartilhar essa grande parte da
sua pele com os convidados. Especialmente porque eu nem sei quem está

chegando. Eu não posso mesmo começar a contar os estragos que irá causar
com a segurança. Uma festa de último minuto, sem lista de convidados.
Ele balançou a cabeça e sorriu de repente. — Eu acho que é por isso que
eu pago tão bem. Agora vamos arrumar alguma coisa para te cobrir.
Stephan e Javier foram os primeiros a chegar, nem mesmo 30 minutos
mais tarde. Ambos estavam já em seus trajes de banho, sem camisa e
sorrindo.
Eu olhei para os três homens quentes, seminus em torno de mim.
— O que foi que eu fiz para merecer tanta sorte? — eu perguntei.
Stephan brilhou uma covinha para mim, aquela ondulação que indicava
uma travessura a caminho. Ele me pegou, correndo pela casa com um grito
feliz. Ele nunca tinha sido capaz de se comportar em torno da água.
Ao contrário de James, Stephan pulou ainda me segurando, em vez de
me lançar. Eu tive uma epifania repentina, mas clara sobre os dois homens
mais importantes da minha vida, e quão parecidos eles eram de muitas
maneiras estranhas, ambos tão implacavelmente carinhosos, física e
emocionalmente abertos para mim, em diferentes níveis.
Stephan não me soltou, mesmo quando estávamos na água, apenas me
segurando com ele e sorrindo.
— Quem você convidou para isso? — Eu perguntei a ele, desconfiada. Eu
poderia dizer pelo olhar em seu rosto que ele estava com um humor teimoso.
Seu sorriso enorme com minha questão, apenas confirmou.
— Pergunta errada, Botão de Ouro.
Eu puxei seu cabelo levemente. — Qual é a pergunta certa, então? — eu
perguntei. Eu conhecia esse jogo.
— Quem eu não convidei?
Eu ouvi uma risada atrás de mim, e estiquei a cabeça ao redor para ver
James caminhando de volta para a casa.
— Se isso vai ser aquele tipo de festa, eu vou pelo menos abastecer o
local. — ele murmurou enquanto andava. — E eu posso supor que uma casa
cheia de pilotos e comissários de bordo vai ser bar a vontade.

Eu tive que rir. Ele avaliou a situação com precisão. Se Stephan tinha
enviado um convite aberto a todos que ele conhecia, nós estávamos a poucos
minutos de ter uma casa cheia de pilotos e comissários de bordo, e eles
estariam bebendo.
As primeiras pessoas a chegar eram completos estranhos para mim, e
me senti além de tímida em conhecer novas pessoas, vestindo um biquíni
minúsculo, que era uma molhada e pequena cobertura, mas eu tentei relaxar.
Eu atirei a Stephan um olhar. — Você sequer sabe quem são eles?
Ele deu de ombros. — Eu acho que eles são pilotos. Os amigos de
Murphy? Eles me parecem vagamente familiar.
James mergulhou na piscina, sua forma perfeita. Ele nadou direto para
mim, ficando debaixo d'água até que ele me alcançou. Ele me agarrou pela
cintura e me arrastou até onde eu estava encolhida com Stephan. Ele me
encurralou contra a lateral da piscina.
— Stephan vai ser o responsável pelo palco hoje à noite, uma vez que
esta foi uma ideia dele, e eu planejava passar o meu dia inteiro tocando em
você, então eu vou continuar fazendo isso.
Não tive nenhum problema com isso. Eu apenas sorri para ele.














CAPÍTULO VINTE E UM
Sr. Escandaloso

Claro que uma festa em uma mansão imponente com bar livre atraiu
um monte de gente, e dentro de uma hora, o lugar estava lotado. Reconheci
talvez um terço das pessoas que invadiram as piscinas.
Nosso grupo habitual acabou ficando com a gente, separando uma das
grandes piscinas para nós mesmos.
Marnie e Judith estavam lá. Eu imaginei que estariam. Se elas
estivessem na cidade, você não poderia mantê-las longe de uma boa festa.
Marnie, no entanto, não entrou na água, o que era incomum para ela. Eu lhe
perguntei porquê.
Ela acenou com a taça de martini no ar. — Você viu isso?
Eu balancei a cabeça, sorrindo. Eu sabia que seria uma piada.
— Isto não é um martini. Isto é um relax-tini, porque eu estou um trapo.
Hoje é um dia de fluxo intenso!
— Ooohhhh — Murphy choramingou. — ID
4
, Marnie, ID! Eu já estou
imaginando a cena!
— Bem imaginem a piscina inteira ficando vermelha, se eu der um passo
para dentro.
Todo homem dentro de 4 metros gemeu de desgosto. Exceto o Sr.
Magnifico, que não parecia ter escrúpulos em nenhum osso em seu corpo. Ele
apenas riu.
— As mulheres são nojentas! — Murphy disse a ela. — E o que isso diz
sobre mim, que fiquei excitado agora?
— Você quer uma chance aqui? — Marnie falou zombeteira, acenando
com a mão em seu corpo bonito. — Liz me disse que você era bom de cama,

4
ID = Informação Demais

mas eu vou avisá-lo agora, se você não me fizer gozar, vou espalhar para todo
mundo.
Murphy deu um tapa na testa. — Como é que eu vou trabalhar sob esse
tipo de pressão?
Ela apontou para ele. — Se você não consegue trabalhar sob pressão,
como vai segurar meu ultimado. Se isso o deixa nervoso, o que você vai fazer
quando eu agarrar o meu cinto com pênis? A pressão ainda nem começou. É
pegar ou largar, Capitão!
Os olhos de Murphy arregalaram comicamente. — Você vai gritar meu
nome, quando estivermos quase lá? Isso pode ajudar a minha performance.
Ela começou a gritar. — Ay Ay, capitão!
Apesar de ter gritado as palavras, mal conseguiu ser ouvida sobre os
sons de todos nós rindo. A parte mais engraçada é que eu não tinha ideia se
eles realmente estavam brincando.
Murphy virou-se para Damien, estendendo a mão, como se fosse
cumprimentá-lo.
— Nós finalmente seremos irmãos esquimós companheiro! Eu estava
ansioso por este dia!
Damien apenas balançou a cabeça, parecendo aflito. Ele estava
particularmente calmo, conversando com Jessa no canto da piscina.
— Isso é errado. — ele murmurou.
Murphy jogou os braços no ar.
— Você achou muito grosseiro? Como se fossemos peixes-pau
5
?
Podemos cruzar os peixes-pau agora?
— O que significa irmãos esquimós? — Eu perguntei a James, achando
que era uma coisa entre homens.
Ele fez uma careta. — É uma forma muito grosseira de dizer que ficou
com a mesma mulher.
Judith levantou dois dedos para Murphy, saltando para ele na piscina.
— Peixes-pau!

5
Piada típicamente americana, brincando com as palavras fishsticks com gayfish

Eles começaram uma longa luta de espada simulada com os dedos.
— Seus amigos gostam de fazer um barulho. — James falou. — Mas eu
não posso imaginar que eles não foram um choque para uma virgem.
Eu lhe dei um olhar. — Eu era virgem, mas já vi muita coisa, James. Eu
já estava nas ruas quando era uma jovem adolescente. Eu tinha passado da
capacidade de ficar chocada antes que tivesse dezesseis anos. Acho que Judith
e Marnie ficaram mais chocadas com a minha virgindade, do que já
conseguiram me chocar.
Ele riu. — Eu posso muito bem imaginar.
— Elas tentaram me aliviar da minha 'condição' por meses. Eu tive que
realmente pegar pesado para fazê-las parar.
Seu rosto escureceu. — Eu estou contente que não tiveram êxito. Só a
ideia me deixa violento.
Revirei os olhos. — Elas nem sequer chegaram perto de conseguir. Elas
estavam tentando me unir com os caras que tinham ficado antes, ou que
estavam no momento.
— Murphy está ganhando suas asas vermelhas esta noite! — Marnie
gritou bem alto.
Olhei para James, que tinha me encurralado contra o lado da piscina.
— O que significa isso? — Eu perguntei a ele, sabendo que era algo
depravado, e que ele era o especialista nisso.
Ele sorriu, aproximando-se contra mim. — Quando você transa pela
primeira vez com uma garota em seu período, se chama ganhar suas asas
vermelhas. Eu vou ganhar as minhas asas vermelha com você.
Eu senti que corava da cabeça aos pés. Eu tive que desviar o olhar. Eu
não sei como, mas ele ainda conseguia me chocar.
Ele segurou meu queixo, e eu me virei para olhá-lo.
— Então, você nunca fez isso antes? — Eu perguntei a ele.
Ele balançou a cabeça.
— E as pessoas realmente fazem isso?
Ele deu de ombros. — Eu vou.

Eu torci o nariz para ele. — Você é tão bizarro nas coisas mais estranhas.
Eu meio que assumi que as pessoas simplesmente pararam de fazer... coisas...
durante essa época do mês.
Ele riu. — Olhe para você. Você não pode sequer dizer isso. Eu não vou
ficar uma semana sem sexo, só porque você está em seu período, posso lhe
garantir isso. E não vai ser uma semana sem ir para baixo em você também.
Então, sim, eu vou ganhar minhas asas vermelha em breve.
Eu corei com mais força ainda. A ideia era tão embaraçosa, mas o fato
de que nada sobre mim era proibido para ele, sempre era uma espécie de
estímulo para mim.
Ele sorriu, segurando meu queixo em uma mão, e inclinando-se para
perto.
— As palavras não podem sequer expressar o quanto eu gosto de colocar
esse olhar escandalizado em seus olhos.
— Por que não me surpreendo? — Eu sussurrei de volta, ainda corando.
— Deus, vocês são bons em foder com os olhos um no outro! — Marnie
gritou para nós, apenas me fazendo corar ainda mais. — Arranjem um quarto!
— Eu poderia não estar no humor quando estiver no meu período. — eu
disse a ele, ignorando Marnie. — Eu posso ficar cansada e mal-humorada.
Ele riu, imperturbável. — Oh, acredite em mim, eu vou deixar você no
clima.
Conhecendo-o, eu não podia duvidar.
— Eu preciso ir ao banheiro, seu bastardo pervertido. — eu disse a ele.
Ele fez um show constrangedor ao me tirar da piscina, me secar e
colocar uma toalha por cima de mim. Meus amigos aplaudiram, e eu corei.
Ele ainda tentou me levar até o banheiro.
Eu dei a ele um olhar firme. — James, eu posso ir ao banheiro sozinha.
Ele não parecia muito feliz com isso, mas me entregou a chave do bolso
de sua bermuda. — Use o do nosso quarto. A porta está trancada.
Eu só balancei a cabeça e me afastei, mantendo a toalha enrolada em
volta do meu peito.

Depois que eu terminei e voltei para o andar principal, eu fiquei
particularmente surpresa ao encontrar uma pessoa que eu o reconheci, mas
eu certamente não esperava ver.
— Oi, Melissa. — Eu disse a ela.
Melissa estava bebendo um martini e parecia estar flertando com um
barman em um dos bares improvisados que tinham sido criados em torno da
casa.
Ela me mandou um olhar muito desgostoso para alguém que estava em
uma festa na casa do meu namorado.
— Bianca. — ela disse com um sorriso de escárnio.
Eu não tenho certeza se foi o seu veneno, ou se era a sua má atitude
neste local particular, totalmente zombeteira, mas tirou toda a classe de
dentro de mim.
Eu agarrei o braço dela, praticamente arrastando-a para a sala mais
próxima. Ela era uma espécie de sala de entretenimento, com uma TV gigante
montado na parede, assentos como se fosse um cinema, e um longo sofá na
parte de trás da sala. Eu só tinha visto essa sala uma vez antes e brevemente,
quando eu tinha finalmente feito a turnê completa pela casa.
Um casal estava se beijando no sofá. Eu pedi que saíssem como se fosse
a dona do lugar. Eles pareciam pensar que eu era, porque ouviram e
obedeceram sem um protesto. Eu fechei a porta, e me virei para Melissa.
— Ok, vamos ouvi-la. — eu disse a ela na minha voz mais fria. — Qual é
o seu problema? Você não gosta de mim, ou esta é apenas a sua horrível
personalidade habitual?
Normalmente quando tinha que ser rude com alguém, literalmente, a
minha pele se arrepiava, mas não parecia ter qualquer problema com isso
naquele momento.
Ela cruzou os braços sobre o peito e olhou para mim, fazendo beicinho
de mal humor que não me convenceu em nada.
— É você. Você é apenas o tipo de mulher que eu absolutamente
desprezo.
Eu levantei minhas sobrancelhas para ela. Eu não estava surpresa que
ela não gostasse de mim — não foi um choque, porque ela não tinha tentado

manter isso em segredo, mas eu raramente me encontrei sendo descrita dessa
forma. O normal, talvez, que o meu tipo era reservado e distante. E esse tipo
raramente inspirava este tipo de animosidade. Eu não tive que perguntar a ela
o que queria dizer, ela estava mais do que feliz em elaborar.
— Você age como uma cadela certinha, você olha com arrogância para
as garotas que querem um cara para pagar suas contas, mas você é como nós!
Você está jogando o mesmo jogo que eu estou, você é apenas menos honesta
sobre isso. Isso é o que eu odeio! E você conseguiu o cara mais rico de todos!
Você não merece isso. Você não merece nada disso! Eu nasci rica. Nasci neste
tipo de vida, nasci merecedora desta vida, mas depois o meu pai perdeu tudo,
e agora eu tenho que entregar a porra de amendoins para bancar minhas
contas, fazendo boquete em caras de sessenta anos de idade, apenas para
conseguir as bolsas que eu costumava ganhar com apenas um beijo na
bochecha do meu pai. E você, com sua suposta virtude, agarrou o cara rico em
sua primeira tentativa. E você dá a garotas honestas como eu nomes
ofensivos.
Eu ri. Eu não poderia me segurar. Eu ri bem na sua cara.
— Então esse é o seu problema. — eu lhe disse, meu tom mordaz. Eu
simplesmente não podia acreditar que ela era ainda mais fútil e inútil do que
o que eu tinha pensado. — Você é uma pivetinha mimada que nunca cresceu.
Seu pai lhe deu tudo, e olha o que você se tornou. Uma prostituta de bolsas?
Ela, na verdade, teve a coragem de tentar me bater. Eu vi isso acontecer
e peguei seu pulso no ar.
— Eu não sou nada como você. — continuei como se ela não tivesse
acabado de tentar me socar. — O fato de James ter dinheiro, para mim
trabalhou contra ele, não a favor dele, e eu estou pouco me fodendo sobre
bolsas. Você precisa de uma pequena dose do mundo real, garota, e eu espero
que você entenda isso.
A porta se abriu, e James entrou, seus olhos selvagens, quatro
seguranças atrás dele. Ele nem sequer olhou para Melissa, que ele
simplesmente mandou escoltar para fora.
Mas eu olhei, encontrando o brilho em olhar, antes que saísse
carregada.
Finalmente, eu encontrei seus olhos. Eu sabia o que ia encontrar lá.
Preocupação e fúria suficiente para me deixar tensa.

— Isso esta fodidamente decidido. Você não irá ao banheiro sem
segurança, nunca mais.
Revirei os olhos. — Por favor. Era Melissa. Ela é hostil, mas dificilmente
uma ameaça para mim.
— Ela jogou a porra de um copo com bebida em sua cabeça!
Ele estava realmente trabalhado em um acesso de raiva, eu percebi.
Caminhei até ele, enterrando meu rosto em seu peito. Ele me envolveu
em seus braços. Foi uma resposta automática, enfurecido ou não. Eu pensei
que isso falava bastante.
— Eu estou perfeitamente bem. Na verdade, tivemos uma conversa
esclarecedora.
— É mesmo? — Ele perguntou, suas mãos correndo possessivamente
sobre as minhas costas.
— Isso ai. Eu descobri qual é seu problema.
— Eu adoraria ouvir.
— Ela é uma criança mimada. — eu disse simplesmente.
— Huh
— E uma prostituta para bolsas de grife.
O que fez com que ele desse uma verdadeira risada. — Ela deve
realmente gostar de bolsas. — ele disse, com um sorriso em sua voz.
— Eu espero que sim, pois ela afirma que fez sexo oral em um homem
de sessenta anos, apenas para conseguir uma. — Eu não sei por que isso me
surpreendeu como uma coisa extremamente engraçada quando eu disse, era
na verdade realmente triste e patético, mas eu não consegui fazer a declaração
sem rir.
Deve ter sido contagioso, porque James começou a rir tão forte quanto
eu.
Stephan nos encontrou ainda rindo quando explodiu na porta, sem
fôlego. Ele apontou para James. — Isso não foi legal. Você me assustou até a
morte que ela tinha desaparecido, e aqui está você, rindo e brincando, e não
se preocupou em avisar que a busca foi cancelada.

— Minha culpa. — James disse, ainda rindo. Esse riso deve ter sido
como uma tensão aliviando, porque eu não podia parar o meu.
— O que é tão engraçado? — Perguntou Stephan, seu rosto já abrindo
em um sorriso como nosso riso delirante. Ele sempre foi rápido em se adaptar
as coisas.
— Melissa fez sexo oral em um homem de sessenta anos por uma bolsa.
— eu disse ofegante. Eu sabia que era maldade repetir o que ela falou, mas era
Stephan, e eu simplesmente não me importava mais em ser uma vaca quando
era algo sobre ela.
Suas sobrancelhas se ergueram, o seu sorriso aumentando. — Isso não
me surpreende, acho que vou falar isso e deixá-lo como o toque no meu
celular.
— Por quê? — Eu perguntei a ele.
— Porque eu não consigo imaginar um momento do dia em que eu não
ouça isso e não me faça sorrir. Então, vocês dois finalmente a colocaram para
fora?
Eu balancei a cabeça, ainda tentando segurar o riso. — Ela pensou que
eu era uma caça-fortuna como ela, apenas sendo sorrateira sobre isso. Tal fato
insultou sua sensibilidade oh... tão apurada. Eu a chamei de pivetinha
mimada e prostituta de bolsa.
Isso fez com que Stephan risse tão forte como James e eu.
— Oh Deus. — Stephan engasgou. — Eu amo você ter dito isso a ela. Ela
merecia ouvir há muito tempo.
Depois voltamos a festa, e eu me senti mais relaxada após o confronto, o
que era um pouco estranho. Eu não imaginava que enfrentar Melissa
realmente iria apaziguar a tensão que estava em mim. Talvez eu precisasse
fazer isso mais vezes.
Nós não contamos a nossos amigos sobre a pequena confissão de
Melissa. Isso teria me soado como uma fofoca mesquinha, mesmo que fosse a
verdade. O personagem de Melissa fala por si só. Eu não preciso ser a sua
mensageira.


CAPÍTULO VINTE E DOIS
Sr. Distante

James chegou em casa do trabalho na quarta-feira estranhamente tenso
e silencioso. Ele foi tão intenso quando fez amor comigo naquela noite, os
olhos cheios de... alguma coisa. Eu não poderia identificá-la, mas isso me
preocupou. E ir para a cama sem ele colocar para fora, me preocupou ainda
mais.
Minha preocupação não me deixou na manhã seguinte, quando acordei
para abraçá-lo e ele se afastou de mim. Ele estava nu, um sussurro do lençol
apenas tocando no quadril moreno. Mesmo preocupada, eu tive que admirar
os músculos elegantes ao longo da sua lateral nua. Eu nunca cheguei a ver
esse lado dele. Eu acariciei seu quadril com uma mão.
Ele se afastou, ainda dormindo.
Meu primeiro instinto foi recuar, lhe dar espaço. Eu poderia muito bem
entender a necessidade de espaço. Mas eu estava começando a entendê-lo
bem o suficiente para saber que o espaço não era o que ele queria, ou até
mesmo o que ele precisava.
Eu pressionei meu corpo contra as costas dele, esfregando minha mão
sobre esse quadril dourado sexy. Eu me aninhei em seu pescoço.
Ele endureceu, depois relaxou contra o meu toque. — Bianca. — ele
gemeu. Eu tive que verificar novamente para ver se ele estava dormindo. Ele
estava.
— Bianca. — ele disse de novo em um sussurro áspero. — Fique, Bianca,
fique. Por favor.
Eu acariciei seu quadril e beijei seu pescoço. — Eu não vou a lugar
nenhum, amor. — eu lhe disse em um tom tranquilizador.
Isso pareceu ajudar. Ele relaxou contra mim e eu abracei suas costas e
me enterrei nele. Ainda passaria uma hora antes que ele acordasse, então eu
adormeci novamente, ainda me segurando ele.

Quando acordei novamente duas horas mais tarde, James já estava
longe.
Eu trabalhei naquela noite, voando para JFK, para a nossa rota
habitual. James ocupava o seu lugar habitual no assento 2D. Ele viria para o
aeroporto direto de seu casino, por isso nem sequer conseguimos nos ver
antes do voo.
Ele parecia bem, só um pouco quieto e reservado.
Foi um voo lotado, e ele estava dormindo antes que eu terminasse o
meu serviço. Isso me perturbou, preocupada com ele e suas mudanças de
humor.
— A equipe vai às compras amanhã. — Stephan estava me dizendo. —
Channel Street. — Channel Street era um designer famoso pelas suas cópias
de grifes famosas pela metade do preço, na capital dos EUA. Cada tripulante
que eu já havia trabalhado, fazia pelo menos uma visita por mês lá. — Você
quer ir conosco?
Estávamos comendo nossas refeições da tripulação na cozinha. Eu
balancei minha cabeça, mastigando e engolindo minha comida antes de
responder. — Não, obrigada.
Eu tinha outros planos para amanhã, planos que me deixavam nervosa e
me davam uma outra razão para minha perturbação.
Ele não me perguntou sobre qual era meu plano, e eu fiquei aliviada. Eu
não teria coragem de mentir para ele, mesmo sabendo que ele não gostaria do
que eu decidi fazer. Na verdade, ele odiaria tanto, que eu pensei que ele
poderia até mesmo tentar interferir. Me pedindo para não fazer aquilo,
tornando as coisas mais fáceis para mim.
James tornou as coisas ainda mais fáceis para mim, assim que
chegamos a Nova York. Ele pediu ao motorista para deixá-lo diretamente em
seu hotel, ao invés de ir para casa dar uma cochilada antes de voltar ao
trabalho.
— Há um monte de coisas que eu preciso resolver hoje. Eu tenho que
começar a trabalhar imediatamente. — ele explicou.
— Você quer que eu vá almoçar com você? — Eu perguntei a ele. — Eu
estou tranquila, apenas o meu cochilo por causa do fuso.

Ele apenas balançou a cabeça, seu rosto inexorável. — Não hoje. — ele
disse.
Isso foi tudo.
Foi apenas quando ele me deu um breve beijo na testa, nem mesmo
olhando para mim antes de sair do carro, que eu sabia com certeza que algo
estava errado. Isto não era apenas um estado de espírito.
Eu tentei tirar uma soneca quando cheguei na nossa casa, mas não
consegui. Eu estava chateada, nervosa e mal humorada. Melhor resolver logo
com isso. Talvez pudesse até mesmo me distrair, por um tempo, dos meus
pensamentos sobre James.
Eu rolei pelos contatos no meu telefone, procurando por Jr.
Eu havia tentado colocar o seu primeiro nome no meu telefone , quando
eu tinha marcado seu número, mas eu simplesmente não fui capaz de fazer.
Mesmo sabendo que não era meu pai, eu ficava horrorizado apenas em pensar
nesse nome na minha lista de contatos.
Bianca: Hoje seria um bom dia para nos conhecermos?
Sua resposta foi quase imediata, o que eu achei encorajador.
JR: Sim! A qualquer hora. Tenho duas horas de almoço, que eu posso
usar a hora que eu quiser. Me diga apenas quando e onde.
Comecei a digitar uma mensagem de volta, então, decidi ligar para ele.
Ouvir sua voz de novo talvez reforçasse a minha confiança.
Ele atendeu no terceiro toque.
— Oi! — Sven disse. — Como você está, Bianca? — Sua voz era tão
quente quanto eu me lembrava.
— Eu estou bem. Eu queria saber se você consegue tomar um café mais
cedo ou mais tarde. Tipo agora.
Ele não perdeu o ritmo. — Isso seria perfeito. Onde pode ser?
Eu marquei em um lugar que eu poderia ir caminhando, uma das
principais cafeterias de uma rede, desta forma seria em um lugar público e
provavelmente lotado.
Ele concordou sem hesitar.

— Eu trabalho há menos de cinco minutos de distância de lá. — ele me
disse.
Eu escolhi um short de alfaiataria marinho discreto, com uma camisa
com decote canoa listrada de azul e branco. Eu não queria me arrumar demais
para conhecer o meu meio-irmão, mas eu não queria parecer desleixada
também. Eu ignorei completamente as sugestões de Jackie para os sapatos,
usando sandálias azul marinha simples, sem salto.
Eu deixei meu telefone e minha bolsa no meu quarto. Eu só levava o
meu cartão de débito comigo quando entrei no elevador. Isso foi um esforço
estressante, já que eu podia ouvir Blake e Marion falando na outra sala,
enquanto eu esperava impacientemente o elevador chegar.
Eu não queria segurança comigo para o que seria com certeza um
encontro difícil, e eu não acho que estaria realmente em perigo, saindo em um
lugar tão público, em plena luz do dia, para um breve encontro. Se eu
conseguisse sair despercebida, eu poderia ir lá e voltar, antes que alguém
percebesse que eu não estava dormindo na cama.
Eu tive um outro breve momento de pânico quando passava pelo
saguão. Johnny estava lá, presumivelmente para me proteger. Ele estava
inclinado sobre a mesa do hall social, conversando com a recepcionista, e nem
sequer se contorceu enquanto eu caminhava apressadamente até a porta da
frente.
O porteiro acenou para mim, e eu acenei de volta.
— Tenha um bom dia, Srta. Karlsson. — ele disse, enquanto me afastava.
Bem, ele tinha me reconhecido, mas talvez isso não trouxesse
problemas. James já tinha colocado segurança. Talvez o pessoal do prédio não
fosse notificar ninguém sobre minhas atividades. De qualquer maneira, eu
estava planejando ser muito rápida para chamar atenção.
Ainda assim, fiz a curva na esquina abruptamente, andando rápido,
apenas no caso de descobrirem. Eu caminhei direto no caminho até meu
destino, me afastando o mais rápido possível de ser descoberta. Tanto quanto
eu poderia dizer, eu fui bem sucedida.
Foi só quando me aproximei da entrada do café que eu percebi que eu
não tinha ideia do que procurar. Parecia uma coisa tão ridícula para ignorar.
Por que eu pensei apenas que saberia como ele era? Porque nós
compartilhamos uma linhagem contaminada?

Eu estava arrependida de não ter trazido o meu telefone, enquanto
empurrava a porta para entrar. Eu descobri que não precisava ter suado por
causa disso.
Eu reconheci Sven num piscar de olhos, quando ele olhou para mim. Eu
gelei com a visão dele.
Ele teria sido devastadoramente bonito, se não parecesse tanto com o
nosso pai. O mesmo cabelo loiro bege pálido, cortado reto e limpo. Seus olhos
eram de um azul gelo, mas não frios, não como eram aqueles mesmos olhos
no outro homem. Suas características claramente nórdicas eram uniformes e
atraentes. Ele tinha uma pele perfeita, clara.
Não sei quanto tempo fiquei ali, apenas olhando para ele,
profundamente atingida pelo reconhecimento.
Ele já havia conseguido uma mesa, e se levantou quando me aproximei.
Ele era alto. Alto como Stephan, possivelmente mais alto do que James,
tão alto quanto o nosso pai, embora mais magro do que todos os três.
Ele era a cara do monstro que assombrava meus pesadelos, e ele estava
me dando um sorriso amigável e aberto.
— Bianca — ele disse como meio de saudação.
Sentamos ao mesmo tempo, apenas olhando um para o outro,
absorvendo todas as características do outro.
— Sven — eu disse finalmente.
Voltamos a nos olhar.
— Nós poderíamos ser gêmeos. — ele disse.
Isso me fez piscar, mas ao processar suas palavras, eu percebi que ele
não estava errado. Era apenas uma conclusão que a minha mente não queria
fazer por conta própria.
— Nós parecemos com ele. — eu disse a ele.
Ele acenou com a cabeça, franzindo os lábios. — Sim.
E nós parecíamos. Eu sempre tive a esperança escondida em alguma
parte distante do meu cérebro, que eu de alguma forma, parecesse com a

minha mãe. Ela compartilhava a minha cor, pelo menos. Embora o resto fosse
tudo do meu pai...
Todas essas esperanças foram frustradas, enquanto eu olhava para o
meu meio-irmão, que parecia tanto comigo e meu pai, que eu não podia negar
mais isso.
Sven parecia ler meus pensamentos, o que foi além de desconcertante.
— Podemos parecer com ele na aparência, mas pelo menos nós não herdamos
suas tendências loucas, violentas e homicidas.
Estranhamente, isso me fez sorrir. — Você não me conhece ainda. — eu
disse a ele.
Ele sorriu.
Era o meu sorriso, não do meu pai. Era uma espécie de sorriso amável,
mas triste, e o sorriso de Jr. era ainda mais reservado que o meu.
— Bianca, você e eu reconheceríamos um desses, mesmo de relance.
Estamos muito familiarizados com monstros para não reconhecê-los a
primeira vista.
Suas palavras me fizeram perceber várias coisas ao mesmo tempo.
A primeira foi que eu poderia reconhecer um monstro á minha vista, e
talvez eu tenha desperdiçado muito tempo fugindo das sombras, e duvidando
de pessoas que não mereciam a minha dúvida.
A segunda foi que Sven deve ter sofrido muito das coisas que eu tinha
sofrido, vivendo em uma casa com o meu pai.
— Ele ia embora na maioria das vezes. — Sven disse. — E ele raramente
vinha atrás de mim. Isso era muito difícil para mim, vê-lo fazer isso com
minha mãe, e ser poupado. Isso me fez sentir tão inútil. Ainda faz. Eu não
acho que serei capaz de um dia esquecer essa vergonha.
Enquanto ele falava, eu registrei que a aparência poderia ser a única
coisa que tínhamos em comum. Ele era um livro aberto, onde o meu era
completamente fechado.
— Eu tive que abandoná-la. — ele continuou. — Eu estava fora de lá no
segundo que fiz dezoito anos, mas ela não quis sair. Não importa o que ele fez
com ela, ela não iria abandoná-lo. Isso me deixava doente, e quebrou meu
coração, mas eu me salvei e fui embora. Eu não falei com nenhum deles desde

então. E agora ela se foi. Qualquer um poderia ter visto isso caminhando a
quilômetros de distância, mas eu ainda estou em choque.
Sua voz era tão aberta, processado tudo aquilo, que no fim eu senti a
necessidade de confortá-lo. Eu olhei minha mão cobrindo a dele, sentindo
surreal.
Ele parecia apreciar o gesto, sorrindo para mim, apesar de que o sorriso
morreu abruptamente.
— Ele bateu em você? — Ele perguntou, e eu endureci.
— Sim. Muitas vezes. Ele tratava minha mãe e eu da mesma forma
quando ele estava distribuindo os golpes.
Sven estremeceu. — Isso é horrível. Eu pensei que ele me poupava,
porque eu era uma criança.
— Ele achava que as mulheres eram inúteis. Ele sempre deixou isso
muito claro quando estava em uma de suas crises de raiva. Acredito que a sua
mãe foi quem lhe cortou o dinheiro de sua família, quando ele se casou com
minha mãe, e então ele a culpava pelo seu infortúnio.
— Eu sinto muito.
Eu dei de ombros. A ideia de alguém compassivo comigo, quando meu
pai estava envolvido, me deixava desconfortável. Eu era a menor de suas
vítimas...
— Sven, eu tenho algo a lhe dizer. — eu disse, querendo tirar isso do
meu peito.
Ele apenas acenou com a cabeça para eu ir em frente.
— Nosso pai matou minha mãe. Foi por isso que eu fugi. Eu não sabia
sobre você, nem sobre a sua mãe, ou eu teria tentado avisá-los. Sua mãe
entrou em contato comigo pouco antes de morrer. Ela saiu, antes que eu
pudesse lhe dizer, e então depois eu não conseguia falar com ela. Eu queria
avisá-la sobre o que ele era capaz. Eu não fui bem sucedida, e eu me sinto
responsável.
Desta vez, sua mão cobriu a minha. — Você não deveria. Mesmo se
minha mãe tivesse descoberto sobre a sua, ela teria continuado com ele. Eu
duvido que qualquer coisa pudesse ter feito sua cabeça, então não coloque
esse fardo sobre você. Tudo isso recai sobre os ombros dele. Tudo o que

podemos esperar é que eles encontrem o desgraçado, e o prendam para
sempre.


























CAPÍTULO VINTE E TRÊS
Sr. Primitivo
Eu fiquei muito mais tempo do que eu tinha planejado. Eu não esperava
que tivéssemos tanta coisa para dizer um ao outro. Eu pensei que seria difícil,
rápido, e provavelmente inútil. Eu não esperava ter esse sentimento de
parentesco. Nós imediatamente tivemos algum tipo de vínculo que eu não
entendia, mas sabia sem dúvida que estaríamos nos encontrando muito mais
vezes.
Eu fui privada de todos os laços de sangue por tanto tempo, que era uma
revelação para mim que este laço pode realmente significar alguma coisa.
Sven e eu tínhamos algumas coisas em comum que ninguém mais teria, e que
ninguém mais poderia ter. Havia algo aqui que valeria a pena cultivar. Eu não
tinha achado que isso aconteceria.
— Então o que você faz aqui em Nova York? — Eu perguntei a ele. Nós
trabalhamos na conversa ao contrário, começando com as coisas realmente
pesadas.
Ele sorriu um sorriso auto depreciativo. — Corretor de ações. Eu
trabalho muito bem com isso, mas eu reconheço que a minha profissão
significa que eu tenho pelo menos um pouco do gene familiar da aposta.
Embora, em minha defesa, uma aposta em New York seja muito menos
destrutiva do que uma aposta em Vegas. Eu acho que todos nós falamos isso
brincando, até perdemos demais. E você é uma comissária de bordo.
Confesso, eu li tudo sobre você que poderia chegar em minhas mãos. Eu sou
curioso por natureza.
Isso me fez recuar visivelmente.
Ele ergueu as mãos em sinal de paz. — Eu sei que a maior parte é lixo,
mas é uma coisa de irmão perdido que eu tive sempre dentro de mim. Eu
tenho tão poucos parentes, que sempre senti como se algo estivesse faltando.
Eu só queria te ver, ver fotos de você, e ter uma ideia do que você estava
fazendo. Embora eu tenha que admitir, algumas dessas fotos me fizeram
corar.

Corei só de pensar nisso. A primeira imagem que me veio à mente foi ele
me ver de camisola na capa de uma revista. Eu tinha pouca esperança de que
ele não tenha visto aquela.
— Como você conseguiu meu número? — Perguntei.
— Minha mãe mandou—o para mim. Ela disse que procurou um dos
seus colegas de trabalho, e convenceu essa pessoa a dar para ela. Eu não
tenho nenhuma ideia de quem seja ou como foi.
— Eu talvez precise conseguir um novo número em breve. Algumas
fontes da mídia também estão tentando conseguir. Eu vou te avisar quando
mudar o número.
Ele inclinou a cabeça. — Eu agradeço isso.
— E eu não vou ser uma comissária de bordo por muito mais tempo.
Minha empresa entrou com pedido de concordata.
— Eu fiquei sabendo sobre isso. E eu senti muito em ouvir.
Eu dei de ombros. — Eu vou aceitar a licença voluntária. Vou tentar
transformar a pintura em uma carreira.
— Wow! Isso é incrível! Eu adoraria ver o seu trabalho.
Eu corei. — Eu vou fazer uma exibição em uma galeria de L.A
brevemente. Eu vou garantir que você receba um convite, embora, é claro, eu
vou entender se você não puder fazer isso. Tem que atravessar o país.
Ele acenou dispensando. — Eu estarei lá. Apenas me diga quando. É um
grande feito. Ouvi dizer que é quase impossível conseguir uma exibição.
Eu corei ainda mais. — Para ser honesta, meu namorado desempenhou
um grande papel nisso, pode não dar certo, mas eu vou arriscar.
— James Cavendish. — Ele disse.
Eu balancei a cabeça.
— Bem, me avise quando acontecer. Estou ansioso para ver o seu
trabalho. — Ele parecia sincero.
— Eu vou. Ela ainda está sendo planejada, mas eu vou avisá-lo.
— Eu tenho uma namorada. — ele falou. — Ela é muito legal. E estamos
sérios juntos. Espero que você possa encontrá-la em algum momento.

Eu balancei a cabeça. — Isso soa agradável. Talvez possamos jantar
algum dia.
Ele acenou com a cabeça. — Eu gostaria disso. Ela trabalha em horários
estranhos... um monte deles, mas eu tenho certeza que nós podemos
conseguir alguma coisa.
— O que ela faz? — Eu perguntei.
— Ela é modelo. Eu fui a uma de suas sessões de fotos. É um tipo
estranho de trabalho, mas ela adora.
Eu sorri, lembrando da minha recente e semelhante experiência. — Eu
fui em uma sessão de fotos com James. Eles são bizarros. Eu juro que tinha
uma equipe apenas para esfregá-lo com óleo.
Ele riu. — Sim, é um negócio estranho.
Ele olhou para o telefone de repente, a primeira vez que ele fez isso,
desde que eu tinha chegado lá.
— Isso é estranho. — ele murmurou.
— O que é? — Perguntei.
— É do meu colega de trabalho, perguntando onde eu estou. Ele diz que
o meu chefe está me procurando, mas eu estou no meu intervalo, de modo
que isso é inaceitável. — Ele começou a responder a mensagem.
— O que você quis dizer? — Eu perguntei, sentindo um repentino mal
estar em meu estômago.
Ele acenou com a cabeça. — Não é uma coisa usual nele, então eu ainda
não quero pensar que esta fazendo por mal. É simplesmente bizarro ele estar
me procurando no meu intervalo. Isto é inaceitável.
Eu tinha deixado o meu telefone em casa, mas ninguém deve sequer
saber que eu tinha ido embora. Então, por que eu estava de repente tensa e
preocupada?
Olhei em volta nervosamente. — Eu poderia estar enganada, mas pode
ter algo a ver com o meu namorado. Ele é extremamente superprotetor
comigo, desde o ataque.

Eu sabia que estava me enganando com essa afirmação. Ele
provavelmente seria dessa forma independente de haver ou não o ataque
como uma desculpa. Era a sua natureza.
— O ataque? — Sven perguntou, e eu me lembrei que ele não sabia. O
ataque não foi para as manchetes como o que realmente era. Eles
provavelmente me viram apenas sair em uma ambulância e ficar
hospitalizada por uma semana como uma história de overdose, ou só Deus
sabia o quê. Eu não queria verificar.
— Foi o nosso pai, mais de um mês atrás. Ele veio à minha casa e me
atacou. Depois disso eu fui a polícia contar sobre o que ele tinha feito para a
minha mãe. A polícia e uma equipe de detetives particulares estão à procura
dele desde então.
— Mesmo depois de todo esse tempo, ele ainda estava vindo atrás de
você?
Expliquei alguns dos eventos que antecederam o ataque, tanto quanto
eu entendi, de qualquer maneira.
— Ele me viu nas manchetes. Ele viu que eu estava namorando alguém
rico, e ele achava que isso, provavelmente me tornaria mais segura para
entregá-lo a policia. A parte louca é que ele estava certo, pelo menos em
algumas partes. Eu estava me preparando para entregá-lo, embora o dinheiro
não tenha nada a ver com isso.
Sven olhou em volta, parecendo um pouco nervoso. — Estou surpreso
que ele não tenha feito você trazer segurança aqui com você, com o ataque e
tudo mais.
Eu suspirei. — Na verdade, eu não disse a ele que eu estava vindo. Tanto
quanto ele sabe, eu ainda estou dormindo na cama.
— Vocês vivem juntos? — Ele perguntou.
Eu balancei a cabeça.
Seus olhos se arregalaram. — Sim, eu vou adivinhar que ele tenha algo a
ver com o meu chefe agindo de forma estranha, então. Talvez eu deva levá-la
para casa antes dele explodir.

Acenei meu copo meio vazio de café. Havíamos passado uma hora e
meia falando, antes que eu finalmente pegasse um copo. — Parece bom.
Deixe-me terminar o meu café e vamos embora.
Eu tinha quase terminado esse objetivo, quando a expressão de Sven
congelou. Eu estava de costas para a entrada do café, e ele estava de frente,
mas ainda assim eu soube imediatamente quem acabara de entrar pela porta.
— Parece que você não estava tão longe do seu namorado. — ele disse,
com os olhos colados à porta da cafeteria.
Respirei fundo, ficando muito nervosa de repente. Eu sabia que deveria
apenas me levantar e caminhar até a porta. Que seria a melhor coisa que eu
poderia fazer, na medida do possível para desarmar a situação. Eu disse ao
meu corpo para fazer exatamente isso, mas eu estava congelada no lugar, meu
corpo só esperando para ver o que James faria.
Eu não me virei para olhá-lo, mas eu teria jurado ter sentido sua
presença atrás de mim — os olhos em mim. Senti sua quietude, quando ele
ficou na porta, e então senti ele se mover, caminhando lentamente pela sala
lotada. Eu sabia com certeza quando ele estava diretamente nas minhas
costas.
Sven parecia completamente congelado, olhando para o outro homem
com os olhos arregalados. Foi um bom minuto antes dele tentar falar.
— Oi... — foi tudo que ele conseguiu falar.
— Não agora, Sven Karlsson. — James disse calmamente. Seu tom era
mais ameaçador que eu já ouvi. — Você e eu vamos falar mais tarde, mas
agora não é um bom momento.
A mão desceu até a minha nuca, oh tão gentilmente. Essa mão me
deixou quase que instantaneamente, como se James tivesse recuado. Isso não
fez nada bem para a minha paz de espírito. Meu coração parecia que estava
tentando bater para fora do meu peito.
— Levante-se, Bianca. — Sr. Cavendish disse calmamente. Sua voz não
era menos ameaçadora para mim. O Dom estava dirigindo naquele momento,
nenhum indício do seu outro lado presente.
Me levantei, meu corpo obedecendo a esse tom perigoso sem hesitação.

James segurou meu braço muito levemente, esse ponto logo acima do
meu cotovelo, e me levou do café sem outra palavra.
Eu vi que toda segurança estava lá em peso, à medida que passamos por
eles. Minha equipe habitual estava lá, exceto Johnny e Clark que estava ao
lado da porta do carro. Ele acenou com a cabeça educadamente, seu rosto
inexpressivo, quando ele abriu a porta para nós.
James me colocou dentro do carro. Eu deslizei através do assento, mas
ele não se aproximou, ficando o mais longe possível de mim no longo assento.
Clark começou a dirigir no segundo que as portas fecharam, deixando o
resto dos guarda-costas no café.
Virei a cabeça para observá-los quando fomos embora. Aparentemente,
eles voltariam andando.
Eu tomei uma respiração profunda. — James...
Ele levantou uma mão. — Definitivamente. Agora. Não.
Isso me calou. E se suas palavras não tivessem, o olhar que ele me deu,
antes de se virar novamente teria.
Seu rosto era uma máscara impassível, mas seus olhos... eram
primitivos.
Quando chegamos na entrada da garagem subterrânea para o
apartamento, ele me ajudou a sair do carro sem dizer uma palavra, o seu
toque leve e breve.
Ele só pegou no meu braço mais uma vez quando chegamos ao nosso
apartamento, me puxando para fora do elevador e diretamente para as
escadas.
Nós não tínhamos dado o primeiro passo até as escadas, quando uma
comoção na direção da cozinha me chamou a atenção.
Vi Stephan pelo canto de olho, parecendo frenético.
— Abelhinha! Graças a Deus! James enviou uma equipe de busca lá
fora!
Ele caminhou até nós e James levantou uma mão.
— Não agora. — James disse a ele, lançando-lhe um único olhar.

Esse olhar deve ter alarmado Stephan de alguma forma, porque ele
caminhou até nós, olhando firme.
— Eu acho que você precisa tomar um fôlego, James. Você não está em
estado para...
— Não se atreva. — James disse em uma voz perigosa, caminhando ao
encontro do outro homem, soltando meu braço no processo.
Os dois homens estavam nariz com nariz, o ar na sala de repente hostil
entre uma respiração e outra.
— Você não vai ficar entre nós. Isso não é da sua maldita conta,
Stephan. Eu deixei isso acontecer uma vez, mas eu vou ser amaldiçoado se
isso acontecer novamente. Ninguém fica entre eu e Bianca, e isso inclui você.
— Isso não é com você. Eu estarei aqui por Bianca sempre que ela
precisar de mim.
Stephan olhou para mim, tendo que torcer o pescoço para fazê-lo. —
Você está bem, Abelhinha?
Eu balancei a cabeça, esperando que fosse suficiente para acalmar a
situação. Não foi.
— Vá embora, Stephan.
Stephan balançou a cabeça. —Não. Eu não posso fazer isso. Eu não me
sinto confortável com isso. Parece que você está pronto para matar alguém,
James. Eu nunca te vi assim, e eu não vou deixar minha garota sozinha com
você, até que você se acalme.
— Sua garota? — James resmungou, agarrando a camisa do outro
homem com seus punhos.
Eu vi que as coisas iam ficar rapidamente fora de controle. Eu coloquei a
mão nas costas do Sr. Cavendish. Não foi reconfortante que um tremor
percorreu-o com o meu toque.
— James. Leve-me para cima. Por favor.
Isso funcionou, graças a Deus. James lançou outro olhar a Stephan,
dando um passo para trás.
Olhei para Stephan. — Nós estamos bem, Stephan. Ele está chateado,
mas tem um autocontrole impecável. Você nunca terá que se preocupar com

James comigo, e ele e eu temos algumas questões que precisamos trabalhar
do nosso próprio jeito.
Stephan me estudou cuidadosamente, tentando me entender, mas ele
pegou minhas palavras e, finalmente, apenas balançou a cabeça. — Eu estou
aqui para você, se você precisar de mim. Sempre.
Eu balancei a cabeça. — Eu sei.
James enganchou um dedo na minha coleira, agarrou a parte de trás do
meu pescoço levemente e começou a me levar lá em cima sem uma palavra.
Ele estava em um estado raro, e cada obstáculo entre nós e a privacidade iria
apenas antagonizá-lo ainda mais.
Ele fechou e trancou a porta do quarto atrás de nós, com um clique forte
e muito definitivo.
Eu o vi afrouxando a gravata enquanto caminhava diretamente para o
elevador. Ele apertou o botão e ele abriu instantaneamente.
— Entre. — ele disse bruscamente.
Tirei os meus sapatos e entrei. Ele me seguiu, e descemos para o quarto
andar.














CAPÍTULO VINTE E QUATRO
Sr. Reticente

Ele enfiou um dedo no meu colarinho, quando a porta do elevador se
abriu, me levando para baixo pelo longo corredor. Ele parou antes do
playground, abrindo uma porta a direita.
Mesmo me sentindo nervosa e ansiosa, eu estava mais do que curiosa
em saber o que havia lá dentro. Apesar de que não soava como um bom
presságio, ele me levar para lá nesse momento, com este estado de espírito.
Era um quarto bem pequeno e sem qualquer característica que o
definisse, nenhum outro objeto, exceto uma cama de solteiro.
— Deite na cama! — Ele disse, ainda com aquela voz preocupante. — Em
seu estômago.
Eu fiz isso, virando a cabeça para olhá-lo, enquanto ele se aproximava
da minha figura de bruços.
— Não olhe para mim. — ele disse.
Eu virei minha cabeça rapidamente, me sentindo ferida.
— Braços acima da cabeça. — ele ordenou.
Eu obedeci.
Ele prendeu as minhas mãos e os pés juntos na pequena cama. Eu tentei
puxar experimentalmente, e vi que ele deixado uma pequena folga.
Eu fiquei tensa quando eu o senti puxando minhas roupas. Um som alto
rasgando me disse que ele estava cortando. Eu estava nua quando ele
terminou.
— James. — eu comecei de novo. Talvez agora que eu estava presa ele
iria se sentir mais calmo.

— Não faça isso. Eu não confio em mim agora. — ele disse com uma voz
rouca.
Ele ajustou a minha cabeça, colocando um travesseiro macio lá. — Vá
dormir. Você esteve acordada a noite toda, e eu preciso me acalmar. Nós
conversaremos mais tarde.
Antes que eu pudesse responder, ele apagou a luz, fechando a porta e
trancando com um barulho alto, e foi embora.
Eu não podia acreditar. Depois de toda aquela raiva, ele me deixou. Ele
sabia que essa era a punição que eu mais odiava, o suspense e as perguntas
não respondidas, e ele me deixou no escuro. E em cárcere privado. O
bastardo.
Eu tive alguns pensamentos sombrios sobre ele por um bom tempo
naquele quarto escuro como breu, antes que fosse capaz de relaxar minha
mente o suficiente para deixar o sono me levar. Ele não tinha deixado nem
uma luz sob a porta trancada. Eu estava no escuro e amarrada.
Acordei quando a porta se abriu e um raio de luz do corredor caiu sobre
mim. Eu virei o rosto. A luz do teto se acendeu. Minhas restrições já estavam
mais soltas que o normal, mas o Sr. Cavendish adicionou mais folga na corda,
me puxando pelos ombros, até que eu estivesse sentada.
Eu olhava para ele, meus olhos ainda se ajustando à luz súbita. Ele
estava sem camisa e suado, com o cabelo amarrado para trás. Ele segurava
um prato de comida em seu colo.
Ele desamarrou minhas mãos, colocando o prato no meu colo, e se
afastou. Eu olhei suas costas rígidas por um tempo, sem saber o que dizer.
Eu comi. Porque eu estava com fome, e porque eu estava esperando que
se eu comesse, James fosse começar a falar quando eu terminasse.
Eu comi talvez metade do frango temperado, com arroz integral e
espinafre antes que eu entregasse para ele.
Ele pegou sem dizer uma palavra, levantou-se e saiu.
Ele apagou a luz, em seguida, fechou e trancou a porta antes que eu
percebesse sua intenção.
— James! — Eu gritei.

Ele não respondeu.
Fiquei tão frustrada que gritei.
Eu estava tão furiosa e ansiosa que isso me fez demorar ainda mais
tempo para relaxar no sono. Eventualmente, meu corpo cedeu a escuridão
implacável.
Quando eu acordei de novo ainda estava escuro, mas havia uma linha
tênue de luz entrando pela porta. Ela estava entreaberta.
Eu me sentei, testando meus pulsos e tornozelos. Eu estava livre. Eu
caminhei lentamente até a porta, empurrando-a.
Eu tive que apertar os olhos contra a luz brilhante do corredor. Pisquei
tentando me adaptar por longos momentos, enquanto eu caminhava pelo
corredor.
James estava sentado em uma cadeira encostada contra a parede,
vestindo nada além de suas cuecas boxers. Ele estava caído para frente, com a
cabeça entre as mãos, os cotovelos sobre os joelhos. Era uma postura
derrotada.
Eu me aproximei dele lentamente, hesitante. Eu não poderia dizer se ele
estava cochilando.
— James. — eu disse calmamente.
— Me chame Sr. Cavendish. — ele disse em voz baixa. Ele não se mexeu.
Eu estava tão zangada com ele, realmente furiosa, mas aquilo drenou de
mim mais rápido do que eu teria pensado possível, eu caminhei até ele.
Ele era como um animal ferido naquele momento, e eu só queria deixá-
lo melhor.
Eu me ajoelhei na frente dele. Toquei sua cabeça, e ele se sentou, me
dando um olhar muito ruim.
Eu me aproximei, me aninhando entre suas pernas.
Ele agarrou minha garganta. — Por quê? — Ele perguntou em voz baixa.
Engoli em seco, molhando meus lábios.
Ele observou a ação com muita atenção.

— Por que eu fui encontrar Sven sem segurança? — Eu perguntei, para
não ter duvidas.
— Sim. Isso.
— Eu estava nervosa sobre o encontro com ele. Eu tive momentos
difíceis até quando estava a caminho. Eu sabia que seria perfeitamente
seguro, uma vez que estaria em um lugar público, lotado, e em plena luz do
dia. Eu não vi nenhuma ameaça, e eu queria ter um encontro normal. Minha
equipe de segurança me deixa nervosa. Eu não posso nem imaginar o que
uma pessoa de fora pensaria com todo aquele alarde. Eu só queria alguma
aparência normal no meu primeiro encontro com ele. Isto foi tudo. Me
desculpe, eu não queria ter preocupado você.
— Me preocupar? É assim que você chama isso? Tenho uma equipe
guardando você, Bianca, porque é a única maneira que eu posso suportar que
você saia da minha vista. Há um homem lá fora, um homem que já matou
pelo menos duas mulheres, e ele quer te matar. Ele é desequilibrado e
totalmente imprevisível. A única coisa que podemos prever é o seu rancor
contra você. Você sabe o que isso faz comigo? Você é mais preciosa para mim
do que minha própria vida, de longe. Isso sequer é uma questão. Eu faria
qualquer coisa por você. Tudo que eu peço é que você me deixe protegê-la de
uma ameaça conhecida. Como você pôde ser tão descuidada, Bianca? Tão
insensível?
Eu abri minha boca para responder e ele cobriu-a com a outra mão, os
lábios se curvando em um grunhido.
— Seu pai está desaparecido há semanas. Nós só podemos saber qual o
local que ele estava há uma semana atrás, porque há um corpo marcando o
lugar. Ele poderia estar, literalmente, em qualquer lugar. E tudo o que ele
teria que fazer para ver onde você estava em Nova York seria procurar online.
Os paparazzi mapearam sua rota semanal com luzes de néon. Eu entendo que
você queira conhecer o seu meio-irmão. Eu não estava tentando mantê-la
longe dele. Tudo o que eu pedi foi que você levasse seus guarda-costas com
você. Seu pai e seu irmão poderiam estar trabalhando juntos. Seu irmão
poderia ter feito isso apenas para atraí-la para lá. Eles poderiam ter levado
você, antes que alguém pudesse tê-los impedido.
Tentei protestar, mesmo através de sua mão, mas seus olhos me
pararam.

— Não faça isso. Só porque isso não aconteceu, não significa que você
estava segura. Você não estava segura. Um homem com uma arma quer ver
você morta. Levaria apenas a porra de uma bala.
Seus olhos estavam terríveis pela angústia, e eu sabia que o medo havia
penetrado nele. Ele estava fazendo tudo o que podia, e eu ainda continuava
em perigo. Ele sentia isso como se ele tivesse falhado comigo, e isso estava
corroendo ele por dentro.
Ele descobriu minha boca.
Falei baixinho. — Sinto muito. Eu pensei que conseguiria ir e voltar
antes que você soubesse. Eu não queria fazer isso com você. Eu juro que não
vou abandonar a minha segurança novamente. Pelo menos, não até que meu
pai seja encontrado.
Ele fechou os olhos e assentiu. — Quando eu não consegui falar com
você, e Blake me disse que tinha encontrado o seu telefone na cabeceira da
nossa cama, eu pensei que você tinha me abandonado.
Minha testa franziu. — Por que você acha que eu vou embora? Eu não
entendo.
A mão no meu pescoço moveu e agarrou o meu cabelo. — Não. Não há
respostas até que você tenha sido punida.
Lambi meus lábios nervosamente. — O cativeiro não foi um castigo?
Ele balançou a cabeça. — Isso foi apenas um cochilo. E uma chance para
eu descarregar toda minha agressividade na academia. Sem mais perguntas.
Sua outra mão começou a arrancar para fora sua cueca boxer, e eu tentei
olhar para o que ele estava fazendo, mas a mão no meu cabelo me segurou
rápido.
Ele empurrou minha cabeça para baixo, até sua ereção nua. Ele se
empurrou em minha boca, e eu o chupava, pensando que esta parte não era
absolutamente um castigo.
Ele guiou minha cabeça para cima e para baixo, não mais do que quatro
vezes, antes que ele viesse no fundo da minha garganta. Eu quase engasguei,
ficando muito surpresa. Não era comum ele gozar tão rápido. Seu controle
sobre sua própria libertação constantemente me surpreendia, embora eu
supunha que não deveria, já que ele era tão bom em controlar o meu.

Ele me puxou para cima, ainda ejaculando, me erguendo pelos meus
pés, enquanto eu podia ver seu pau ainda se debatendo com o seu orgasmo.
Eu murmurei um protesto.
Ele bateu na minha bunda, duro, então enganchou o dedo no meu anel.
Ele começou a me puxar, mas não para o playground. Ele se dirigiu na direção
oposta, de volta para o cativeiro. Eu tive que engolir um protesto. Eu não
queria ficar lá novamente, mas eu sabia que estava tudo em suas mãos agora.
— Ajoelhe-se no chão. — ele me disse, quando soltou meu pescoço.
Eu obedeci, observando-o. Ele caminhou até a pequena cama. Ele
apertou um botão na parede com um toque do seu dedo, e a cama retraiu
imediatamente. Eu não sabia que era esse tipo de cama.
Um outro toque na parede e ele tinha algo grande descendo do teto. Eu
assisti com os olhos arregalados quando um grande X abaixou na minha
frente. Era da mesma altura que James, e me deu uma boa ideia para que
servia.
— Isso é o que chamamos de uma cruz de Saint Andrews. — ele me disse
baixinho. Isso foi tudo.
Ele me puxou para cima com o dedo na minha coleira e um puxão no
meu cabelo. Ele apertou duro meu corpo de frente aquele X sinistro. Ele
amarrou meus pulsos e tornozelos, para que fosse agradável e rápido, antes
de pressionar seu corpo duro nas minhas costas. Eu senti sua ereção contra
minha bunda e tentei arquear contra ele. Ele bateu na minha bunda dura
antes de se afastar.
Eu encostei minha cabeça no meu braço, inclinando para frente,
enquanto esperava e ouvia o que ele faria em seguida.
Ele começou passando algo duro sobre a minha bochecha, suavemente
me acariciando com aquele objeto. Virei a cabeça para ver uma pá oval preta
grossa que foi modelada com furos. Ele a afastou longe, antes que eu pudesse
dar uma olhada melhor.
Ele bateu rápido e repetidamente ao longo do meu bumbum e coxas. Eu
ainda estava dolorida das rosas, quando ele adicionou ainda mais dor, mas ele
foi implacável, não segurando nada. Ele trabalhou mais duro em mim.

Eu não tinha nada para me agarrar, nada para me segurar na cruz,
apenas as minhas mãos enrolado e desenrolado quando os golpes me
atingiam.
Minhas pernas estavam abertas, e alguns golpes irregulares às minhas
coxas, atingiram minha parte mais sensível me deixando ofegante com a dor.
Ele tinha sido um Dom reticente, desde que me pegou no café, mas a força de
seus golpes estavam me dizendo muito, me comunicando o que ele não tinha.
Ele ficou furioso, ferido e assustado, e aquela emoção reprimida e frustrada
estava sendo despejada toda em mim agora.
Minha carne estava em chamas quando ele terminou. Não houve pausa
entre o último golpe e ele entrar dentro de mim por trás.
— Essa não foi a sua punição, Bianca. — ele murmurou em meu ouvido.
— Você quer saber qual realmente será sua punição?
Eu balancei a cabeça, incapaz de falar, enquanto ele se empurrava para
dentro de mim de novo e de novo. Eu estava quase gozando, quando ele saiu
de mim abruptamente.
— Você não irá gozar até a noite, amor. Não por horas. Eu vou trabalhar
em você cada vez mais, te fodendo completamente, e você não terá um
orgasmo. Isso é uma ordem. E se por acaso você desobedecer a essa ordem,
você não irá gozar por uma semana.
Eu queria gritar de frustração, mas ao invés disso engoli em seco
quando ele empurrou de volta dentro de mim, batendo mais forte, uma e
outra vez.
— Não. — eu disse a ele, sabendo que eu estava tão perto.
Ele bateu mais fundo dentro de mim, gozando com aquele pequeno
gemido áspero que eu amava. Eu odiei isso agora, chorando de frustração.
— Por favor. — Eu implorei, quando ele saiu de mim.
— Não até hoje à noite. — ele disse com firmeza.
Ele me deixou lá por longos minutos, antes de voltar a me soltar. Eu não
me mexi depois que estava solta, em vez disso, apenas encostei contra esse X
e esperei.
Ele suspirou e me arrastou pelo porão em seu colo.

Ele me levou até o playground, me colocando em uma superfície firme
almofadada. Ao primeiro toque das minhas costas contra a mesa, eu comecei
a olhar ao redor. Havia mais duas dessas mesas nesta sala que eu conhecia,
com certeza. Eu vi de onde estava posicionada, exatamente o que ele tinha em
mente, mas não antes que ele tivesse meus pulsos e tornozelos amarrados
firmemente nos cantos da mesa.
Ele me observava atentamente enquanto escorregava suas mãos em
luvas apertadas de látex.
— Alguma objeção? — Ele perguntou, com um toque de sarcasmo, quase
como se ele estivesse me desafiando.
Eu apertei o meu queixo duro, apenas observando-o, desafiando-o a
fazer o seu pior.
Ele me deu um sorriso apertado e começou a trabalhar.
Ele lavou e secou a área ao redor dos meus mamilos com um rigor
clínico. Retirou pequenas pinças metálicas da gaveta aberta construída na
mesa.
Ele não hesitou, usando-a para agarrar meu mamilo esquerdo com
firmeza. No final do instrumento de metal havia um pequeno aro, que se
encaixava perfeitamente em torno de meu mamilo. Ele me segurou cativa,
enquanto se inclinava para perto e marcava com cuidado em cada lado.
Eu tive que dizer a mim mesma para respirar, enquanto o assistia. Eu
estava dolorosamente tensa, sem saber o que esperar. Eu nunca tive nada
perfurado antes, apenas minhas orelhas.
Ele estudou cuidadosamente as marcas que tinha feito, meu mamilo
ainda firmemente seguro com o pequeno fórceps. Ele afastou a caneta,
puxando uma agulha que soava sádica com a mesma mão.
Meus olhos estavam grudados na agulha grossa, quando ele a empurrou
forte, a ponta oca dela na minha pele. Puxei uma respiração profunda e
prendi.
Ele a empurrou contra a minha pele, e através dela, com um movimento
rápido, quase uniforme. Foi doloroso, mas rápido, a visão e a sensação quase
um choque para o meu sistema.

Ele entrelaçou uma pequena argola de prata na outra ponta da agulha,
puxando-a completamente, e depois deslizando a agulha maior para fora.
Eu vi meu peito subir e descer, quando eu comecei a respirar de novo.
Ele pressionou um pano muito gentilmente na área recém-perfurada,
antes de caminhar para longe.
Ele voltou menos de um minuto depois, com dois pequenos pacotes
frios de gel nas mãos. Uma ele pôs na gaveta aberta, a outra contra o meu
mamilo perfurado.
— Você está pronta para a outra? — Ele perguntou, me olhando com
cuidado. Mesmo neste estado de espírito perigoso, eu ainda via a preocupação
em seus olhos.
Eu respirei fundo e assenti.
Ele trocou suas luvas, antes de dar ao meu peito direito o mesmo
tratamento, de forma rápida e com habilidade consumada. Ele cuidou dos
dois seios, limpando cuidadosamente e colocando as compressas geladas. O
pós-tratamento levou muito mais tempo do que o piercing em si tinha levado.
Quando ele foi terminou, tirou as luvas e me soltou, me pegando e me
levando diretamente para a cama.
Ele me deitou de costas, sua mão se movendo entre as minhas pernas
para empurrar um dedo em mim.
Eu olhei para ele.
Ele riu. Foi uma risada fria. Meu amante amoroso ainda estava
completamente ausente, mesmo com esses pequenos vislumbres de
preocupação que eu tinha visto nele, quando cuidou de mim.
— Agora, agora, amor. Olhar para mim assim, e você pode ser punida
por isso também. Não pense que não pode ficar pior do que uma bunda
dolorida, alguns mamilos perfurados, e um dia sem um orgasmo.
Muito deliberadamente, fechei os olhos e virei minha cabeça,
desafiando-o sobre o que eu sabia que ele queria de mim. Eu estava chateada.
Ele simplesmente riu aquele riso cruel. — Ok, vamos fazer à sua
maneira. Eu ia deixá-la sozinha, mas assim será certamente mais divertido
para mim.

Ele me levou de volta para o quarto, e me amarrou com os braços e
pernas abertas à cama. Eu mantive meus olhos fechados.
Ele se arrastou entre as minhas pernas e segurou meu queixo, com
muito cuidado para evitar roçar em meus seios sensíveis.
— Olhe para mim. Agora! — Ele rosnou.
Eu hesitei, mas finalmente olhei para ele. Engoli em seco, em seguida,
gemi alto quando ele alinhou-se na minha entrada, batendo até o fundo.
— Nem malditamente pense em vir. — ele me disse, enfiando-se em
mim uma vez, duas, três vezes. Ele veio com aquele delicioso gemido dele,
apenas me fazendo perder a cabeça.
— Muito bom, amor. — ele murmurou enquanto tirava de mim, sua
ereção grossa ainda se debatendo.
Ele soltou os meus pés, mas apenas um dos meus pulsos. Um ele ainda
deixou amarrado, mas com bastante folga. Ele se enrolou nu contra as minhas
costas, enterrando o rosto no meu pescoço. Eu me arranjei com cuidado, me
mexendo para evitar escovar meus seios contra os meus braços ou da cama.
— Você está com medo que eu vá tentar fugir? É por isso que ainda
estou amarrada? — Eu perguntei a ele, já que ele nunca tinha feito isso antes.
Algo estava seriamente errado.
— Sim. — ele disse de forma sucinta. — Sem mais perguntas agora.
Eu tentei rolar, mas ele me segurou firme. Ele apertou com força contra
mim. Seu pênis estava semi-duro contra a parte de trás da minha coxa. —
Relaxe. Tudo que você tem a fazer agora é cair no sono. Quando você acordar
de novo, sua punição estará encerrada.
Isso era muito mais fácil dizer do que fazer. Eu estava agitada, confusa e
louca como o inferno, e o fato de que James dormiu logo depois,
profundamente e pacificamente contra as minhas costas não ajudou muito.






CAPÍTULO VINTE E CINCO
Sr. Manipulador

STEPHAN
Eu estava acordado depois de tirar uma soneca de apenas 30 minutos,
mas eu sabia que não seria capaz de voltar a dormir. E eu não podia deixá-la
aqui sozinha, embora eu soubesse que não tentaria interferir novamente.
Então eu fiquei. Eu comi, joguei, e mandei uma mensagem a um Javier
aflito. Eu não era normalmente uma pessoa ansiosa, mas quando envolvia
Bianca, eu simplesmente não poderia evitar. Se ela estava bem, eu estava
bem, e se ela não estava...
Me lembrei da primeira vez que eu a vi. Ela estava usando um jeans
largo e um capuz que cobria a maior parte de seu cabelo, mas ela não foi
capaz de disfarçar o fato de que era incrivelmente linda, com traços
impecáveis e uma pele perfeita.
Nos conhecemos em um abrigo, mas nenhum de nós demorou muito
ali. Na nossa idade, se você fica muito tempo perto de pessoas que querem
ajudá-lo, se torna inevitável que eles tentem ajudá-lo a encontrar seus pais.
Era sempre bem intencionado, mas de uma certa forma, quase um insulto.
Como se tivéssemos vivendo nas ruas, se tivéssemos outra escolha
aceitável... Mas mesmo esse pensamento não era justo, e eu sabia.
Algumas das crianças perdidas não estavam realmente perdidas. Às
vezes, elas eram loucas, ou tentando preocupar seus pais, ou até mesmo
tentando provar um ponto que não precisavam de ninguém.
Eu sabia em um piscar de olhos que ela não era desse tipo. Sim, ela
tinha uma inclinação orgulhosa em seu queixo delicado, mas ela não era
mimada. Ela era como eu. Ela não tinha para onde ir. Ela estava realmente
perdida.
Eu a tinha seguido, mantendo distância, instintivamente, querendo me
certificar de que ela estava segura. Se ela fosse como eu, talvez poderíamos

ajudar um ao outro. Ela aparentava ter a minha idade. Talvez pudéssemos
fazer companhia um ao outro. O pensamento me deu uma quantidade
patética de esperança.
Eu fiquei muito longe, apenas observando, mas não demorou muito
para eu ver o velho a perseguindo.
Eu sabia para onde ela estava indo. Havia um armazém não muito
longe. Era um local popular para sem tetos. Ninguém, exceto os sem-teto
estavam interessados naquele lugar. Eu parei ali.
Estava ficando escuro lá fora, e por isso eu não reconheci o grande
homem que entrou na minha frente. Eu olhei desconfiado para quem tinha
parado o meu progresso, tentando reconhecê-lo no escuro.
— O velho Sam tem uma luta para você. — o homem disse, e eu,
vagamente, lembrei quem ele era. Eu tinha quase certeza de que seu nome
era Mike.
— Agora não é um bom momento. — eu disse, desviando dele e
continuando o meu caminho. Eu não estava confortável em deixá-la sozinha
perto daquele velho, nem por um minuto, e muito menos naquela escuridão,
onde ninguém se importaria com o que estivesse acontecendo.
Eu comecei a andar rapidamente em direção ao armazém, os olhos
deslocando freneticamente, tentando descobrir sobre as formas
sombreadas.
— Você vai se arrepender se fizer a escolha errada! — Mike gritou nas
minhas costas.
Eu o ignorei completamente.
Eu estava quase na entrada lateral que foi quebrada, quando ouvi um
leve ruído no beco. Tinha sido um gemido abafado, um feminino, e isso foi o
suficiente para me levar ao beco sem hesitação.
Eu vi o velho tarado em primeiro lugar, uma vez que ele estava de
costas. Ele já estava com suas calça abaixada até seus tornozelos, e estava
trabalhando na parte da frente da calça dela com uma mão. A outra estava
sobre sua boca.
Ele xingou, tirando a mão de sua boca fora para bater na parte de trás
de sua cabeça, ao mesmo tempo em que ela gritou.

Eu ataquei com um rugido furioso. Minha visão ficou vermelha por um
longo tempo, e eu não podia formar um pensamento coerente novamente até
que eu senti um toque suave no meu ombro.
— Você pode parar. Ele não vai me incomodar agora. — ela disse, com
a voz suave e gentil.
Eu parei de bater sua cabeça contra o chão, soltando e estudando
minhas mãos sangrentas.
Ela puxou minha camisa, tentando me convencer a acompanhá-la. —
Vamos lá. Eu conheço um lugar onde você pode se limpar. Você não deve
continuar com esse sangue imundo em suas mãos.
Ela pegou meu braço e me levou, naquela forma suave dela, me
levando para trás do prédio. A cada toque era como uma pergunta. Ela
tinha certeza de suas ações, mas eu não acho que ela fosse capaz de dar
ordens.
Eu olhei para ela, com tanto medo do que eu ia ver em seus olhos.
Ela encontrou meu olhar, e o dela estava cheio de gratidão e
compreensão, e nem um pingo de medo. — Muito obrigada. Eu não sabia
que realmente havia homens agradáveis no mundo. Eu pensei que era um
mito, mas você me salvou.
Quando ela falou isso. Eu já estava perdido.
— Eu sou Bianca. — ela disse com um sorriso triste, os olhos um pouco
perdidos, enquanto me limpava.
— Eu sou Stephan. — eu disse a ela entorpecido. Fazia tanto tempo que
ninguém se importava comigo, ou me tocava de alguma forma, e eu me
sentia quase em choque com suas ações.
— Você parece comigo. — ela disse em voz baixa, ainda trabalhando
com cuidado para lavar o sangue das minhas mãos e pulsos. Ela não olhou
para cima.
Eu tive que limpar minha garganta para falar. — O que você quer
dizer?
Ela olhou para cima, em seguida, encontrando meus olhos de frente.
Eu vi a força naqueles olhos, e uma tranquila determinação. — Você nunca
poderia voltar para sua casa.

Minha mandíbula se apertou, e eu balancei a cabeça lentamente.
Ela nunca demostrou nenhum leve toque de medo por mim, e quanto
mais eu a conhecia, mais eu percebia que, considerando seu passado, ela
tinha todo o direito.
Nós nunca perguntamos se iríamos ficar juntos, e nunca nos
separamos.
— Você nunca precisa se preocupar que eu... tente o que aquele velho
tentou. Eu sou gay, então não é um problema. — eu disse a ela na primeira
noite que dormimos amontoados juntos, compartilhando um cobertor fino.
Não foi apenas para aliviar seus medos que eu disse isso a ela. Se as
minhas preferências iam fazê-la fugir de mim com nojo, eu queria saber
mais cedo do que mais tarde.
Ela apenas se aproximou mais de mim. — Eu não estava preocupada,
Stephan. Isso nem sequer me ocorreu, que você poderia tentar me fazer mal.
Você é um bom rapaz, um herói. Eu nunca tive uma certeza tão grande na
minha vida. Eu me sinto tão segura com você. Mais segura do que eu jamais
me senti.
Suas palavras me deram uma sensação de calor no peito e, acima de
sua cabeça, meus olhos se encheram de estranhas lágrimas. Pela primeira
vez em anos, eu senti uma alegria feroz no meu coração. Talvez eu tivesse
encontrado uma pessoa que poderia me amar. Talvez eu tivesse encontrado
uma família.
Eu estava além de aliviado, quando James reapareceu cerca de duas
horas depois que tinha subido, eu teria ficado mais aliviado se Bianca
estivesse com ele. Ele usava apenas um short preto, e estava coberto de suor.
Seu cabelo estava amarrado para trás e seus olhos eram assustadores. Ele
carregava um pequeno laptop na mão.
Engoli em seco. Eu queria ver Bianca, precisava saber que a coisa
assustadora em seus olhos não era mais do que ela podia aguentar, mas eu
sabia que ela confiou em mim para não interferir, e eu valorizava essa
confiança.
— Nós precisamos conversar. — ele me disse.
Eu balancei a cabeça. Gostaria de qualquer informação que pudesse
receber.

Ele sentou ao meu lado e abriu seu laptop. Colocou-o no meu colo. Um
vídeo estava passando na tela. Eu o assisti por talvez um minuto, antes que eu
tivesse que desviar, corando profusamente. Eu entreguei de volta para ele
com uma careta.
— Jesus! Por que você me mostrou isso James?
— Então, Bianca não mencionou isso para você?
Eu estava furioso num piscar de olhos, pronto para socá-lo. — Você
mostrou isso a ela?
— Não! Claro que não.
Meus olhos se arregalaram quando entendi. — Isso está online?
Ele balançou a cabeça, parecendo miserável e furioso ao mesmo tempo.
— Eu não sei como. Eu estou tentando descobrir isso. Mas eu preciso
saber se ela sabe sobre isso. E eu preciso de sua opinião. Será que ela vai me
deixar se ela ver isso?
Eu esfreguei minhas têmporas. — Eu posso assumir que é antigo. Muito
antes de você conhecê-la.
— Claro. Eu nem sabia que existia até algumas semanas atrás.
— Ela ficará perturbada. E ela é tão arisca. Eu não tenho nenhuma ideia
do que ela vai fazer, James. Ela é tão diferente com você. Quando saíram pela
primeira vez, eu tinha quase certeza de que ela nunca lhe daria outra chance.
Todas as regras mudam para ela, quando você entra em cena. Eu não posso
prever o que ela vai fazer com você. Mas não deixe que ela veja esse vídeo.
Isso certamente não vai ajudar. Conhecer e ver são duas coisas diferentes.
— Como eu posso impedi-la? Você a conhece. Ela vai querer vê-lo. Eu só
sei isso. Isso está me matando, Stephan. O que posso fazer?
Eu balancei minha cabeça. — Então isso é o que você está tão chateado?
Não é porque ela saiu sem segurança?
Eu assisti seus punhos apertarem, e senti o meu copiando o movimento.
— As duas coisas. Você sabe a merda que ela fez? Ela foi sozinha
encontrar seu irmão. Sven Karlsson. Ele ainda tem a mesma porra de nome, e
ela foi sozinha vê-lo.

Eu senti meu estômago se apertar. — O que aconteceu? Ele é como o seu
pai?
Ele balançou a cabeça. — Eu não sei. Acho que não. Eu vou descobrir.
Não se preocupe com ele, Stephan. Vou me certificar em conferir todos os
seus antecedentes, antes que ele respire o mesmo ar que ela novamente. Eu
juro.
Eu balancei a cabeça. Eu sabia que ele faria. E eu vi que estava errado
em duvidar dele.
Mesmo neste estado de espírito perigoso, ele ainda só pensava em
Bianca. Ele tinha sido assim desde o início, e foi por isso que tinha sido tão
fácil para mim compartilhá-la com ele. Havia algo tão constante sobre ele. Ele
tinha varrido em nossas vidas com uma espécie tão benevolente de
autoridade.
A criança confusa e ferida que ainda vivia dentro de mim ansiava por
sua aprovação, e ele também foi generoso com ela. Ele pensava que eu era
incrível — e me disse isso, muitas vezes, e ele me achou digno em ajudá-lo a
cuidar de Bianca, que eu sabia que ele adorava mais do que a vida.
Demorou para eu reconhecer isso, mas ele preencheu um papel de
amigo e mentor para mim, que eu não tinha percebido eu era ausente na
minha vida, o que tornava ainda mais difícil para mim lutar com ele.
Mas quando ele veio até mim e Bianca, ele tinha que saber que seu lado
era meu lado. Nunca poderia ser uma questão de escolha.
— Me desculpe, eu tentar interferir, James. É tão difícil para mim...
— Está tudo bem, ele me cortou com impaciência. — Nós temos mais
uma coisa para discutir.
Eu balancei a cabeça para ele seguir em frente, aliviado que ele não
parecia estar guardando rancor.
— Eu sei que sua primeira inclinação vai ser me dizer que não, mas
lembre-se que isto é por Bianca. Eu quero que ela saia daquela casa. Ele sabe
que ela mora lá, ela foi atacada lá, e toda vez que ela está lá, sem mim, me
deixa fodidamente enlouquecido, minha mente correndo paranóica. Ela não
vai deixar aquele lugar até que você faça. Eu sei disso. Eu preciso que você
venda a sua casa.

Eu pisquei para ele, a surpresa das suas palavras me oprimindo.
— Há uma propriedade ao lado da minha, que eu acho que vai servir
muito bem para você, e vocês ainda seriam vizinhos. Ela precisa disso. Você
sabe que ela precisa. Eu vou comprar essa casa para você. E você precisa me
ajudar a convencê-la a vender a dela. Ela vai resistir à ideia, mas isso é
importante. Ela precisa sair de lá. Minha casa é muito mais segura.
Ele pareceu sentir minha inquietação.
— Eu vou lhe dar tempo para pensar sobre isso, mas você vai ver que eu
estou certo. Eu sei que você está desconfortável com a ideia que eu compre a
casa para você, mas isso literalmente, não é nada para mim, então se você não
pode aceitar por si mesmo, aceite isso por Bianca.
Eu sabia que ele era um homem manipulador. Generoso, mas
manipulador. Eu honestamente não acho que ele poderia até mesmo evitar
isso, ele estava tão habituado a fazer as coisas à sua maneira. Mesmo sabendo
disso, no entanto, eu considerei a ideia.
Jogando nas suas regras significa ficar perto dela para sempre. Como eu
percebi rapidamente, isso sequer era mesmo uma questão para mim.















CAPÍTULO VINTE E SEIS
Sr. Desesperado

BIANCA
Acordei com James se empurrando dentro de mim. Eu estava tão
molhada, que ele escorregou em mim suave como seda. Estremeci e suspirei
de prazer, antes do sono ter deixado totalmente meu corpo. Esta era, sem
dúvida, a minha maneira favorita de acordar.
— Bom dia, meu amor. — James murmurou, seu rosto encostado ao
meu, mas seu peito cuidadosamente longe dos meus seios.
Estudei seus olhos, minha mão livre movimentando e apertando o seu
cabelo suave e sedoso. Eu queria ter um vislumbre do meu amante amoroso
naqueles olhos intensos, e fiquei aliviada ao vê-lo ali, no calor profundo azul
turquesa. Eles estavam tão frios antes. Eu precisava de garantias e respostas
agora. Eu precisava desse calor. Mas, primeiro, eu precisava disso...
Ele bateu em mim com golpes deliciosamente longos. Suas mãos
afastando mais as minhas pernas, até um limite quase doloroso adicionado
aos seus golpes perfeitos. Engoli em seco quando ele se arrastou para fora, em
seguida, se enterrando ao máximo, uma e outra vez.
Eu apertei a sua volta, no mais delicioso orgasmo pela manhã, mas ele
apenas continuou empurrando dentro de mim sem pausa, e eu já estava
crescendo em outro climax, sem descer totalmente do anterior. Eu gritei o
nome dele, quando eu gozei de novo.
Eu segurei seu rosto com minhas mão em concha, meus olhou cobiçosos
quando ele bateu para fora sua própria libertação longos momentos mais
tarde.
Nossos olhos ficaram trancados um no outro, enquanto ele pairava
sobre mim, ainda enterrado profundamente, enquanto me observava. Foi um
dos nossos impasses silenciosos, e eu desisti primeiro.

— Você vai me dizer sobre o que você está tão preocupado que eu vou te
deixar? Tão preocupado que você me manteve amarrada à cama enquanto
dormimos?
Sua mandíbula se apertou e seus olhos se encolheram, mas ele balançou
a cabeça.
— Um... vídeo sobre mim foi liberado esta manhã. É um vídeo que está
espalhado pela internet. Não há nenhuma maneira de controlá-lo. Já sabia do
vídeo há cerca de uma semana, e eu tenho tentado o meu melhor para mantê-
lo afastado de um vazamento, mas eu falhei. Quem estava por trás disso não
se preocupou em ganhar dinheiro.
Engoli em seco, uma pequena bola de medo se formando em meu
estômago.
— Uma fita de sexo. — eu imaginei.
Ele quebrou o contato visual, olhando para os nossos corpos unidos. —
Sim. Sinto muito. Apenas quando eu venho tentando limpar minha imagem,
limpar a minha vida, isso iria acontecer. Estou revoltado comigo mesmo, se
isso te faz sentir melhor.
Não fez.
— Quando foi feito este vídeo? — Eu perguntei a ele.
Ele se puxou para fora de mim, e eu engasguei com a sensação crua. Seu
cabelo parou em seu belo rosto quando ele olhou de volta para mim.
— Cerca de três anos atrás, eu acho, ou possivelmente mais perto de
quatro. A filmagem ocorreu sem o meu conhecimento, eu tenho vergonha de
admitir. Era uma armadilha. Uma das poucas vezes em que eu não estava em
uma das minhas próprias propriedades. Sinto muito. Meu passado
simplesmente não parece ir embora. Por favor, me diga que isso não é o seu
ponto de ruptura.
Estudei-o, imaginando como sua mente trabalhava. — Claro que eu não
estou feliz com isso, mas eu dificilmente iria deixá-lo por causa disso, James.
Eu não podia falar por um longo minuto, porque ele esmagou minha
respiração. Eu engasguei com a sensação crua que causou nos meus mamilos
ainda doloridos.

Ele se afastou quando ouviu meu suspiro, murmurando um pedido de
desculpas. Ele voltou para cima de mim, desta vez com mais cuidado. —
Obrigado. — ele murmurou em meu ouvido.
— Eu sei sobre o seu passado. — eu continuei, quando ele me liberou. —
Você sempre foi muito franco comigo sobre sua promiscuidade. Mas você
deveria ter me dito há uma semana, quando ouviu pela primeira vez sobre o
assunto. Você ficou mal-humorado e estranho, e eu não gosto de ser mantida
no escuro. Você deveria me conhecer melhor. Se queremos que as coisas
funcionem entre nós, você não pode manter coisas como esta longe de mim.
Uma das coisas que me fez confiar em você é a sua honestidade. Eu preciso da
sua honestidade, James. Você entendeu?
Ele acenou com a cabeça, com o rosto enterrado em meu cabelo. — Eu
estava com tanto medo que você fosse fugir novamente.
Eu puxei com força uma mecha de seu cabelo. — O que vai me impedir
de fugir é você ser honesto comigo.
— Sim, tudo bem. Eu entendo.
Eu respirei fundo, odiando essa próxima parte, mas não o suficiente
para não perguntar.
— Quem é?
Ele ficou tenso contra mim. — Jolene.
Eu balancei a cabeça. De alguma forma eu sabia, no entanto, estar certa
não me deixou feliz.
— Então ela fez o vídeo, e vazou. Obviamente.
Ele balançou a cabeça. — Eu não posso descartar essa possibilidade
completamente. E sim, ela, obviamente, que gravou o vídeo. Mas eu não
posso imaginar ela vazando, não com a quantidade de dinheiro que eu estava
oferecendo para manter em segredo. E isso vai estragar tudo o que ela tem
com Scott. Ela é muito mercenária em fazer isso só por despeito, e sem
ganhar nada.
Aceitei sua palavra com relação a isso, já que ele obviamente conhecia
ela melhor do que eu.

Ele afastou meu cabelo para trás do meu rosto, e a luz pegou essas
cicatrizes em seus pulsos. Eu peguei sua mão, levando-a para os meus lábios.
Eu beijei o interior de seu pulso suavemente.
— Você nunca vai me dizer o que é isso?
Seus olhos tinham um brilho vulnerável que eu estava começando a
reconhecer. Isso ia ser ruim, embora eu sempre tivesse imaginado que as
cicatrizes em seus pulsos eram feridas profundas.
— Spencer usava em mim algemas afiadas. Elas me cortaram. Foi uma
das primeiras coisas que notei. Estes cortes em meus pulsos foram as
primeiras coisas a aparecerem em mim. Escondi-os, porque é um lugar de
destaque e embaraçoso em se ter um corte, especialmente quando se tem
quatorze anos, e uma percepção auto consciente de todas as pequenas coisas,
para começar.Eu não posso dizer se ele usou esse tipo de algema para eu ficar
quieto, ou se ele só queria me fazer sangrar. Se ele estava tentando me
impedir de lutar, isso não funcionou. Se eu pudesse ter cortado as minhas
próprias mãos para ficar longe dele, eu juro que teria. Eu certamente tentei.
Ele me deixou rastrear essas pequenas cicatrizes, em seguida, beijar
cada centímetro deles, com muito cuidado. Lágrimas corriam silenciosamente
pelo meu rosto. Eu não conseguia ouvir o que ele estava me contando, e não
ser afetada por isso.
Ele traçou as minhas lágrimas com um dedo macio.
— Foi nessa época que eu comecei realmente a me tornar promíscuo. Eu
não passava um dia sem transar, indiscriminadamente. Eu não analisei dessa
forma naquela época, mas eu suponho que estava tentando recuperar um
pouco do controle, uma vez que havia perdido tanto. E não ajudava que eu
tivesse os hormônios completamente em ebulição na época. Na verdade eles
estavam em uma espiral ascendente, porque quando me tornei adulto, não
fiquei melhor. Eu preferia as conexões mais casuais, então eu quase sempre
desviava dos caminhos normais, para encontrar mulheres que eram quentes,
mas que eu sabia que não iria me sentir mal em largar depois, o que eu acho
que poderia explicar Jules e Jolene, embora eu não me limitei exclusivamente
às cadelas furiosas.
Eu tive que segurar um comentário sobre isso. Ele estava falando agora,
e eu queria que ele me contasse tudo. A última coisa que eu queria fazer era
parar o fluxo de informações.

— Nunca foi sexo baunilha para mim, mas as coisas realmente bizarras
desenvolveram ao longo do tempo. Eu sabia que gostava de coisas um pouco
mais obscenas do que o normal, e eu estava sempre me empurrando um passo
adiante. Mais ou menos na época em que uma criança normal estava animada
em dirigir seu primeiro carro, eu estava administrando uma cadeia mundial
de hotéis, obsessivamente aprendendo a amarrar nós, e fodendo cada mulher
à vista. Eu melhorei quando comecei a ir na terapia. Me tornei mais focado,
mais controlado, mas isso levou tempo. Entrar no cenário BDSM, quando eu
tinha dezoito anos ajudou muito também. Havia regras lá, e pessoas que
estavam dispostas a me orientar sobre como fazer o certo, e eu tive uma
formação adequada.
Isso foi um pouco chocante para mim, mas provavelmente não deveria
ter sido. Eu não tinha experiência com essas coisas, mas o seu controle era tão
perfeito que eu deveria ter concluído que ele teve algum tipo de treinamento.
— Foi quando eu conheci Frankie. Ela é três anos mais velha do que eu,
e ela já era experiente na área. Eles não aceitam que você participe de uma
cena até que tenha dezoito anos, por razões óbvias, mas os três anos que ela
tinha a mais, foram três anos de experiência com o BDSM. Eu bati nela
primeiro, tentando transformá-la em um sub, e você sabe, em hetero, mas ela
riu na minha cara. Mesmo depois disso, porém, ela saiu do seu caminho para
me orientar - para me ensinar as regras. Nessa comunidade você não é
autorizado sequer a se aproximar de uma mulher, até que você esteja
devidamente controlado. Até hoje ela é uma das minhas melhores amigas.
— Eu ainda fui indiscriminadamente promíscuo por anos, mas o BDSM
é muito mais gratificante para mim e, finalmente, eu foquei apenas nele, mas
até mesmo minhas subs contratadas eram estritamente uma coisa sexual. Há
uma entrada para o quarto andar, que não é pelo meu elevador, e a maioria
nem era permitido entrar minha casa, além do playground.
— Você não pode imaginar como você é uma anomalia para mim,
Bianca. A intimidade era insuportável para mim, antes que eu colocasse os
olhos em você. Você mudou tantas coisas em mim, e eu nunca sonhei que
poderia ter um sentimento tão maravilhoso. Eu me sinto como se eu tivesse
sido trazido à vida, como se eu fosse agora realmente uma pessoa, em vez de
um impostor.
Eu sabia muito bem como era esse sentimento. Eu duvidava que muitas
pessoas pudessem ter entendido suas palavras tão perfeitamente como eu
entendi, eu sabia exatamente o que ele quis dizer com isso.

— Sim. — eu sussurrei, vendo aqueles olhos estranhamente manchados.
— Eu me sinto dessa forma também. Eu sei exatamente o que você quer dizer.
Ele me deu um olhar quase desesperado. — Eu sei que você entende. Eu
já lhe disse desde o início que fomos feitos um para o outro, e eu realmente
acredito nisso. As coisas vão ser mais ásperas que o normal por um tempo,
por causa deste vídeo, e principalmente com a imprensa. Eu estou te
implorando, Bianca, por favor, fique do meu lado. Não me abandone, não me
peça um tempo. Nem mesmo uma pequena pausa.
Doeu um pouco que ele não confiasse em mim, mas eu sabia que era
minha culpa. Meus olhos e minha voz estavam firmes. — Eu não vou, James.
Eu vou ficar. Eu te amo.
Seu rosto ficou um pouco menos tenso, como se as palavras ainda
fossem um choque para ele. — Obrigado. Eu amo você, também. Mais do que
a vida, Bianca.
Eu não gostei dessa última parte. Soou como se ele pudesse se sacrificar
por mim, trazendo à minha mente os meus pesadelos sombrios durante a
noite.















CAPÍTULO VINTE E SETE
Sr. Estrela Pornô

Decidimos malhar um pouco, já que eu tinha dormido a maior parte do
dia, e estaria voando cedo na manhã seguinte. A ideia era trabalhar a energia
acumulada, que o excesso de cochilo tinha me dado.
Eu não gosto muito de malhar, mas dessa vez estava muito mais fácil, eu
fiquei na bicicleta ergométrica, assistindo James enquanto ele treinava em
cada aparelho de sua grande academia. Ele era um espetáculo a ser visto, sem
camisa enquanto fazia força. Meu queixo caiu completamente, me dando água
na boca quando ele fez flexões na barra, seu short bem baixo.
Eu achei que poderia ter encontrado uma nova motivação para amar o
treino na academia.
Ele sorriu para mim, quando se mudou para os pesos. — Continue
olhando para mim desse jeito, se você quiser ser fodida em uma bicicleta
ergométrica, amor.
Eu não tinha nenhum problema com isso, então eu continuei olhando.
Ele me olhou de volta pelos espelhos que revestiam as paredes da sala.
Corri meus olhos sobre seu corpo. Mesmo suas panturrilhas eram sexy,
pensei. Tão longo e magro, mas com esses músculos duro saltando sob a
superfície.
Ele abaixou seus pesos. — É isso aí. Venha aqui.
Eu andei até ele sem hesitação.
Ele me levou a um local na frente do espelho. Ele começou a tirar as
minhas roupas sem outra palavra. Eu deixei, observando nossos reflexos
enquanto ele se inclinava sobre mim. Eu amava aquele olhar em seu rosto
quando ele cuidava de mim. Sua expressão ficava tão suave, quase pacífica,
quando ele fazia isso comigo.

Quando eu estava nua, ele ergueu meus braços acima da minha cabeça.
Estávamos ao lado de um equipamento e havia uma barra em cima da minha
cabeça. Ela era ajustável, e ele abaixou até que eu pudesse alcançá-la.
— Agarre firme. — ele me disse.
Estendi a mão para segurá-la. O movimento puxou bruscamente os
meus seios sensíveis, mas eu não disse uma palavra, porque, então, ele
poderia parar...
Ele se apertou contra as minhas costas, me olhando no espelho. Suas
mãos corriam pela frente do meu corpo, enquanto observávamos os nossos
reflexos. Ele segurou apenas a parte inferior dos meus seios com muito
cuidado, mas rapidamente soltou. Uma mão desceu para o meu quadril,
enquanto a outra serpenteava mais para baixo, passando pelas minhas
costelas, o meu abdômen, até chegar em meu sexo. Ele me tocou, mas parou
abruptamente. Ele levantou seus dedos molhados.
— Você está sempre molhada para mim. Sempre. Eu amo isso
fodidamente, amor. — ele disse asperamente.
O seu short caiu no chão, e ele se posicionou contra mim por trás. Ele
abriu as minhas pernas, suas mãos duras nas frentes das minhas coxas, me
puxando para trás contra ele. Eu vi seus joelhos dobrados endireitarem,
quando seu pau desapareceu dentro de mim.
— Oh, Deus! — Engoli em seco quando ele bateu em mim.
Eu vi quando ele saiu. Foi um processo longo, arrastado, os meus olhos
se deleitando com sua ereção pesada entre as minhas pernas por trás.
— Como está o seu equilíbrio? — Ele perguntou, empurrando de volta
dentro de mim.
Eu tive que forçar minha resposta para sair, meus olhos ainda colados
ao seu magnífico pênis.
— Bom. — eu consegui responder.
— Ótimo. Olhe para mim, Bianca. Eu vou te foder muito duro. Eu
preciso que você me diga se se suas mãos começarem a deslizar.
Eu balancei a cabeça, encontrando seus olhos.

Ele mordeu o lábio e começou a bater sério dentro de mim. Eu gemia,
amando a mistura de prazer e dor, enquanto ele me fodia com tanta força a
ponto de doer. Eu ansiava por isso cada vez mais, pensei.
Meu punho começou a deslizar no final, e eu lhe disse isso, quase sem
fôlego.
Ele quase parou. — Pode soltar. — ele me disse, suas mãos se movendo
para os meus quadris. Ele me empurrou mais perto do espelho, até que meus
seios estavam quase tocando o vidro. Ele gemeu com a visão.
— Mãos no espelho. — ele me disse, e eu obedeci. Seus quadris batiam
contra mim, com a força de seus golpes.
Meus olhos estavam abertos, mas fiquei um pouco confusa quando eu
despenquei em pedaços, me apertando ao redor dele. — James! — Eu chorei
quando eu gozei.
Ele estremeceu gemendo, e se enterrou ao máximo, seu pênis se
contorcendo dentro de mim quando ele veio.
— Tão perfeito. — ele me disse simplesmente, beijando meu ombro.
Minhas pernas tremiam quando ele saiu de mim, mas ele estava firme, e
me segurou em seus braços.
— Hora do banho. — ele me disse com um sorriso.
— Hum, não devemos nos vestir? — Perguntei.
A academia era no segundo andar, e nós teríamos que caminhar pelo
corredor, subir as escadas, em seguida, descer até outra sala, totalmente nus,
apenas para chegar ao nosso quarto.
Seus ombros balançaram com um encolher de ombros. — Eu vou andar
rápido. — ele disse.
Eu ri.
Obvio que Stephan nos viu quando James estava me levando pelas
escadas.
— Hum...hey. — ele nos chamou do primeiro andar. — Imagino que
vocês estavam malhando?
Nós dois rimos.

— E foi perfeito. — James disse a ele, ainda subindo as escadas. Eu tinha
certeza de que Stephan estava recebendo uma vista espetacular de sua bunda.
— As roupas só se perderam no caminho, certo? — Stephan gritou de
volta, rindo agora.
— Sim. — disse James. — Boa noite.
— Boa noite. — Stephan respondeu.
— Boa noite. — eu disse entre risadas incontroláveis.
Tomamos banho e havia comida na nossa porta quando saímos. James
me deu comida na boca, batendo nas minhas mãos quando eu tentava pegar o
garfo. Era uma espécie de suflê de legumes. Estava delicioso, e eu estava
morrendo de fome, então comi uma porção enorme, antes de acenar que não
queria mais.
Ele se levantou, colocando a bandeja para fora da porta.
Ele voltou para a cama, me puxando contra ele. — Você está cansada o
suficiente para dormir? — Ele perguntou.
Eu balancei minha cabeça. — Eu dormi muito hoje.
Seus dedos serpentearam entre as minhas pernas, me tocando. — Quer
foder até nós dois estarmos inconscientes? — Ele perguntou com um sorriso.
Eu ri. — Você é insaciável, e eu estou ferida.
Ele tirou os dedos, me dando um olhar arrependido. Ele suspirou. —
Tudo bem. Nós vamos vestir alguma coisa e assistir televisão.
Nós assistimos filmes com Stephan na maior parte da noite. Os rapazes
insistiram em assistir A princesa prometida novamente. James se inclinou
para mim em uma cena e sussurrou em meu ouvido: — Como quiser, Botão de
Ouro.
Eu atirei-lhe um olhar.
De repente lembrei que ele tinha me dito isso antes, algumas vezes, na
verdade, com o mesmo significado que tinha no contexto no filme, mas, a
gente só havia se visto poucos dias, na primeira vez que isso aconteceu...
— Você é louco. — eu disse a ele calmamente.

Ele acenou com a cabeça, sorrindo. — Completamente excêntrico. — ele
concordou.
Ele estava no meu voo para Las Vegas na manhã seguinte, fazendo
aquela sua coisa de homem rico e perseguidor. Ele estava ainda mais atento
do que o habitual no voo matinal, raramente tirando seus olhos de mim, como
se estivesse com medo que eu fosse simplesmente desaparecer. Como parecia
ser seu hábito, seu estado de ânimo mais distante, era seguido pelo mais
atento.
Ainda assim, eu estava ocupada com o trabalho, sem nenhum momento
de folga para dar atenção a ele, além do serviço normal. Tivemos um bom
vento de cauda, que acelerou o nosso tempo de voo, assim a viagem foi
agradável e rápida.
Nós fomos para nossa casa. Eu peguei carona com Stephan. Um carro
cheio de segurança seguia de perto. James iria nos encontrar na minha casa.
Ele estava esperando na minha garagem, e parecia estar gritando com
um paparazzo quando chegamos.
— Merda. — Stephan amaldiçoou. — Acho melhor evitar a porta da sua
garagem. Vamos diretamente para a minha, e você pode simplesmente pular
o muro de volta para seu quintal. Você não tem ter que lidar com essa
bagunça.
Eu suspirei. — Minha segurança terá um acesso de raiva, se eu for em
qualquer lugar antes de avisá-los, até mesmo a sua garagem.
— Oh yeah, — ele disse. — Agora eu também estou recebendo
tratamento real. Você sabia que eu tenho também um guarda-costas para
quando eu sair agora?
Eu não sabia. Eu só olhava para ele, estupefata. Eu andava tão distraída
ultimamente. Mas eu senti uma onda de alívio imediato, e uma sensação mais
quente no meu peito. Eu amava aquele homem louco. Tanto.
Ele estacionou em sua garagem, e esperou o tempo necessário para a
segurança flanquear o carro, antes de sairmos. Stephan e eu compartilhamos
uma olhada antes de sairmos do carro. O olhar dizia: — Isso é uma loucura.
James, pelo menos, tinha parado de gritar com o fotógrafo, quando nós
nos aproximamos da casa. Ele me viu e caminhou ao nosso encontro. Clark

estava bloqueando o paparazzo com uma experiente habilidade. Tão bem, na
verdade, que eu não conseguia nem ver o homem.
James pegou meu braço, o rosto tenso pelo aborrecimento. Ele acenou
para Paterson ir em frente até a minha casa. Um guarda-costas que eu não
reconheci já estava indo para a casa de Stephan.
Esperamos do lado de fora enquanto Paterson fazia uma busca pela
casa.
— Bianca! Como é a sensação de estar vivendo com uma estrela pornô?
Quando você está planejando lançar seu próprio vídeo? — O paparazzo gritou
bem alto nas nossas costas.
Eu me virei, agarrando James antes que o homem tivesse terminado a
gritar. Ele tinha endurecido, e eu sabia o que ele queria fazer. Eu joguei meus
braços ao redor de seu pescoço. Ele me abraçou ao redor das costelas, mas sua
cabeça estava virada na direção do homem detestável.
— Vamos para dentro. Alguém abra a porta! — Eu disse em voz alta.
— Você gosta de ser espancada também, Bianca? Eu vou bater em você
sempre que quiser! — O homem detestável gritou.
Meu abraço transformou em um aperto de morte. James teria que me
levar com ele, se fosse atrás do homem. Enviei um olhar selvagem a nossa
segurança, que para mim parecia completamente inútil naquele momento.
— Se James bater naquele cara, eu vou demitir todos vocês! — Eu gritei
para eles. — Nos levem para dentro, ou tire esse homem daqui!
Finalmente nós entramos em casa. James acabou tendo que me levar
para dentro, já que eu não o soltava.
Eu não sabia que Stephan não estava conosco até eu soltar James. Olhei
em volta.
James ainda estava fervendo, mas ele falou mais calmamente do que
aparentava. — Você conseguiu me parar, mas há apenas nós dois aqui, e eu
não fui o único que se irritou.
Eu estava para fora da porta novamente, antes que James visse qual era
a minha intenção. Ele me pegou do lado de fora, seus braços envolvendo os
meus ombros. No entanto, nem havia necessidade.

Stephan e Clark estavam caminhando em nossa direção, sorrindo.
— O que aconteceu? — Eu perguntei a Stephan. Não havia nenhum sinal
do fotógrafo.
Stephan encolheu os ombros. — Eu fui para dar uma mão a Clark com
aquele idiota, mas ele já tinha resolvido a situação.
Todos nós olhamos para Clark.
Ele deu de ombros. — Eu simplesmente expliquei algumas coisas para
ele, e ele foi embora. Alguns outros paparazzi podem voltar aqui, mas esse
cara não voltará mais.
— O que você disse a ele? — Eu perguntei, absolutamente curiosa. Os
fotógrafos eram difíceis de abalar.
Clark riu. Ele tinha uma grande risada. — Eu expliquei a ele que, se não
fosse embora, o que eu faria o afetaria pelo resto de sua vida, ao passo que me
daria apenas de 5 a 10 anos na prisão. E expliquei que os milhões de dólares
que estariam me esperando ao final, combinados com o humor que ele me
deixaria fazendo isso, tornariam as coisas ainda mais interessantes para mim.
Ele meio que fez puf depois disso. — Ele fez um gesto com as mãos enquanto
falava.
Nós rimos, e a tensão que aquele homem horrível tinha criado
desapareceu assim. Eu não tinha notado que Clark era tão engraçado. Ele era
normalmente tão impassível, mas ele estava sorrindo livremente agora.
Talvez ele estivesse cada vez mais gostando de mim e de Stephan.
A casa estava liberada. E nós conseguimos chegar ao quarto sem
maiores incidente.
— Estou surpresa que você consiga vir de novo para Vegas tão breve. —
eu disse a James, enquanto nós nos trocávamos no meu closet. — As coisas
estão caminhando bem em Nova York?
— As coisas estão indo bem. Porém eu teria vindo mesmo se eles não
estivessem.
Eu olhei para ele.
Ele me deu um sorriso triste. — Eu não consigo dormir mais sem você,
amor. E deixá-la ficar aqui nesta casa, onde aquele homem te atacou, bem, eu
não consigo fazer isso novamente.

— Há toda uma equipe vigiando o lugar.
Ele deu de ombros. — Eu repeti isso a mim mesmo, e eu mesmo
consegui aguentar você passar um fim de semana aqui sem mim, mas eu
conheço os meus próprios limites, e eu não posso fazê-lo novamente, não
depois que ele matou aquela mulher.
— Talvez seja melhor ficar na sua casa, pelo menos até que ele seja pego.
Eu me pergunto se poderíamos convencer Stephan a ficar lá com a gente. Eu
me sentiria...
Ele me empurrou contra a parede do armário, me embolando no meio
das roupas. Ele me beijou. — Obrigado. Eu vou lidar com Stephan. Podemos
cochilar aqui, e ir para minha casa hoje à noite, depois da reunião com
Danika. Ela precisa de sua aprovação para algumas coisas, e ela está na cidade
hoje.
Tiramos um cochilo de três horas e acordamos para nosso
compromisso. Entre o sexo no banho, e James indo para cima de mim no
closet enquanto eu tentava pegar as roupas, passou bem mais de uma hora
entre acordarmos e conseguirmos ficar prontos para sair até o cassino
encontrar com Danika.
Eu usava uma saia lápis marinho e preto, e combinei com uma blusa de
seda azul royal folgada com mangas três quartos. Eu não sabia o que Jackie
acharia da roupa, mas ela não tinha feito as combinações das minhas roupas
nesse closet, e eu gostei do conjunto.
Depois que eu fiz um trabalho rápido no meu cabelo e maquiagem, e
coloquei sandálias brancas de salto, fiquei olhando James terminar de se
aprontar. Foi a primeira vez que eu fiquei pronta primeiro, e aquele era um
show que valia a pena assistir.
Ele estava abotoando as calças , quando eu empoleirei em cima da
cama, com os olhos colados às suas mãos. Ele arqueou uma sobrancelha para
mim, enquanto encolhia os ombros para vestir uma camisa branca.
— Aproveitando o show? — Ele perguntou, enquanto abotoava a
camisa.
Eu balancei a cabeça.

Ele sorriu. — Eu me sinto como se tivesse que dançar para você. Você
está com um brilho inconfundível em seus olhos, Bianca. Eu não sou um
pedaço de carne, você sabe.
Eu apenas sorri de volta, observando cada movimento dele.
Ele enfiou a camisa em suas calças, colocando um colete cinza escuro
que combinava com a calça. Ele colocou uma gravata amarela no pescoço, os
dedos hábeis fazendo rapidamente o trabalho, antes que ele abotoasse o
colete perfeitamente adaptado.
— Eu amo suas mãos. — eu disse a ele.
— Estamos atrasados. — ele murmurou.
Eu deixei meus olhos mostrar a ele o quanto eu não me importava com
isso.
Foi ainda outra boa meia hora antes que conseguíssemos sair pela porta
da frente.
James me acompanhou até a galeria, antes de ir ao seu escritório para
resolver alguma papelada. Ele cumprimentou Danika com um sorriso.
— Venha ao meu escritório quando terminar. — James avisou. — Blake
ou Danika podem lhe mostrar onde fica. — Ele me deu um beijo carinhoso na
testa , antes de se retirar.
Danika o observou, enquanto ele saia. Ela sorriu para mim. — Ele é tão
diferente com você. É uma coisa linda de se ver.
Eu sorri de volta.
Danika usava um moderno terno feminino, com short cinza chumbo
plissado, e uma larga camisa branca masculina, com um cinto na cintura. Ela
parecia delicada e encantadora. Eu pensei que ela era a mulher mais elegante
que eu já conheci. Seu cabelo estava repartido ao meio, e quando ela se
abaixou para me mostrar alguns detalhes de seus planos, ele arrastou em seu
rosto como uma cortina de seda preta.
Eu me perguntei novamente o que tinha acontecido entre ela e Tristan,
mas eu afastei longe esses pensamentos inúteis. Tínhamos muito trabalho
para fazer, e dificilmente poderia perguntá-la sobre isso.

Nós trabalhamos bem juntas. Danika em nenhum momento foi
agressiva, mas ela acabou me convencendo a marcar uma data para a
exibição. Nós programamos para a primeira sexta-feira após o inicio da
minha licença. James ficaria extasiado. Eu estava nervosa — tão nervosa que
eu me sentia um pouco enjoado só em pensar nisso.
— Você tem outros grandes planos para depois que tirar sua licença?
Eu sorri, me lembrando dos nossos planos. Isso era algo que me deixava
muito animada. — James e eu vamos para o Japão.
Ela ergueu com surpresa as sobrancelhas elegantes. — Bem, isso é
emocionante. Minha mãe era meio japonesa Eu não a conheci muito bem,
mas eu sempre tive um fascínio pela cultura japonesa.
Eu sorri. — Eu não tenho laços de sangue lá, mas eu também sempre me
interessei. Nós vamos para lá, porque James me disse para escolher um local
no mundo que queria conhecer, e eu sabia exatamente onde queria ir.
Ela sorriu de volta, inclinando a cabeça. — Bem, se divirtam. Aposto que
os moradores irão querer chutar vocês, quando olharem os dois juntos.
Eu ri. — Sim, você tem razão. Eu suponho que não vamos conseguir nos
misturar.
Ela apertou os lábios. — Vocês já se olharam no espelho? Eu não vejo
muitos casais supermodelos passeando juntos.
Eu torci o nariz para ela. — James é o supermodelo.
Sua linda testa enrugou em consternação. — Então é isso que você
pensa? Você vai precisar trabalhar a sua auto estima garota, ficando com um
homem assim, caso contrário, poderia ser o fim de vocês dois.
Eu pisquei para ela. Seu tom de voz era suave, mas firme, por isso não
me ofendeu. Eu apenas não concordava. — Eu não tenho baixa auto estima.
Eu só sei que eu não jogo nessa liga.
Ela balançou a cabeça teimosamente, seu cabelo de seda preto
balançando em seus ombros com o movimento, sua boca como um botão de
rosa franzida. — Isso é ridículo. Responda a uma pergunta para mim. Você já
foi abordada antes por algum olheiro para ser modelo?
Eu corei. — Nunca por uma pessoa séria. Algumas pessoas já falaram
alguma coisa, mas eu sabia que elas estavam apenas tentando me enganar.

Ela me deu um olhar simpático. — Sério, como uma verdadeira garota
hetero atraída por você, te falo, você precisa trabalhar sua auto estima. Você é
impressionante, e precisa apenas reconhecer esse fato e superar.
Toda a conversa me deixou desconfortável. — Hum, obrigada. Então,
ainda temos mais alguma informação que eu deva saber, antes da exibição?
Ela suspirou e balançou a cabeça. — Não. Vamos pegar Frankie e comer
alguma coisa. Eu não posso vir a cidade e não vê-la. Ela me mataria.
Tivemos um almoço improvisado só de meninas. Eu não tinha certeza se
era um almoço ou um jantar.
Frankie me cumprimentou com um abraço, um beijo na bochecha, e um
enorme sorriso. Usava uma camiseta curta, como de costume, com short
extremamente curto, mostrando suas inúmeras tatuagens.
— Acabei de falar com James. — ela nos disse. — Ele ainda precisa
trabalhar por algumas horas, e ele me disse para mantê-la entretida. Otário.
— Ela esfregou as mãos como um personagem de desenho do mal. — Eu
tenho planos.
Danika riu ricamente. — Oh rapaz. Ele está em apuros, certo?
Frankie assentiu. Tentei acompanhar a conversa estranha.
— Primeiro vamos comer, ela avisou.
Fomos ao restaurante mexicano do cassino. Nós começamos com salsa e
batatas fritas.
— Você se importaria se eu levasse Tristan a exibição de Bianca na
galeria? — Frankie perguntou a Danika, estudando-a de perto.
Danika não hesitou. — Por que eu me importaria? Traga quem quiser.
— Bem, eu sei que você não está falando com ele...
— Isso não é verdade. Ele e eu não temos absolutamente mais nada para
falar, mas eu não vou evitá-lo.
Frankie assentiu. — Bom. Porque eu tenho um evento de gala com essa
coisa do meu show em breve. É na próxima semana aqui na cidade, e eu quero
que você venha. Eu estava preocupada que você não viesse, já que Tristan vai
estar lá, mas agora você não pode usar isso como desculpa.

Danika apenas deu de ombros. — Se você me quer lá, eu estarei lá.
Tristan e eu só vamos ficar fora do caminho um do outro.
Frankie suspirou. — Vocês costumavam ser os melhores amigos. Eu
gostaria que ao menos vocês começassem a se falar de novo.
Danika lhe deu um olhar duro. — Não se intrometa, Frankie. Confie em
mim quando eu digo que você não vai querer pressionar esta questão. Eu
posso ser civilizada, mas ele e eu nunca vamos ser próximos novamente.
Somos péssimos um para o outro, até mesmo como amigos. Coisas ruins
acontecem quando estamos juntos.
— Você se sentiria melhor se o perdoasse...
— Eu já o perdoei. Passamos por tudo isso quando ele estava fazendo
essa coisa de reabilitação. Eu superei isso, mas perdoar não significa que eu
estou disposta a cometer todos os mesmos erros estúpidos novamente.
— Você sabe que ele é apaixonado por você, certo?
Danika riu, e era um som amargo. — Por favor. Não me faça rir. Aquele
homem não é capaz disso. Agora mude de assunto, Frankie, antes que eu saia.
Frankie levantou as mãos em derrota, sua boca torcida. — Ok, ok, eu
sinto muito. Considere assunto descartado.
A comida chegou, e as duas mulheres agiam como se toda a estranha
interação nunca tivesse acontecido.
Eu fiz o mesmo, embora estivesse mais do que curiosa sobre o que tinha
acontecido entre Danika e Tristan.










CAPÍTULO VINTE E OITO
Sr. Enfurecido

Nós nos fartamos de enchiladas de queijo e chiles com pimenta. Eu
estava mais do que satisfeita quando terminei, mas eu achei o meu novo
restaurante favorito, onde encontro comida que me conforta e traz a tona
sentimentos e lembranças boas.
A refeição correu bem depois daquele pequeno confronto, e as mulheres
riam e brincavam como velhas amigas. Estávamos terminando a refeição
quando Frankie olhou para mim com um sorriso perverso, esfregando as
mãos.
— Como você se sente em fazer uma marca em seu corpo para James?
Apenas uma coisa pequena. Ele fez isso por você. Você não quer retribuir o
favor?
Eu deveria saber que era esse o seu plano. Afinal, ela era um tatuadora.
Eu considerei a ideia, não a descartando imediatamente. Eu estava
encontrando novas maneiras de me surpreender diariamente.
— O que você tem em mente? — Eu perguntei a ela com cautela.
Ela acenou para Danika em sua cadeira. — Pode me emprestar as suas
costas por um momento, Danika? — ela perguntou alegremente.
Danika apenas se levantou e virou, como se elas fizessem isso todos os
dias.
Frankie circulou uma pequena área no ombro da outra mulher. —
James. Bem aqui. Mesmo tamanho, cor e estilo do Bianca em seu peito. O que
você acha?
Fiquei chocada ao me ver gostando da ideia. Eu sabia que James tinha
feito algo tão extremo para provar algo para mim, e eu poderia usar a mesma
coisa que ele parecia precisar, para provar o mesmo para ele. Eu tomei uma
respiração profunda.

— O mesmo tamanho que o dele? — Eu perguntei.
Frankie gritou, sentindo a vitória. —Sim, mas nas suas costas. Eu
conheço James bem o suficiente para saber que ele não gostaria que fizesse
uma tatuagem em seu seio. Vamos fazer isso!
Frankie teve que ter uma breve, mas firme conversa com o produtor e a
equipe de filmagem que gravava seu reality show. Eles não iriam gravar esta
sessão.
Blake insistiu em examinar o local, mas fiquei surpresa quando ela não
tentou se intrometer quando viu o que obviamente estávamos fazendo. Ela só
ficou atrás da cortina esperando por mim.
Em um tempo surpreendentemente curto, me vi deitada de bruços
sobre a mesa de Frankie, minha blusa de seda puxada até em cima do meu
ombro, meu sutiã solto. A posição empurrou com força os meus mamilos
recém perfurados, mas eu não reclamei. Eu imaginei que sequer sentiria dor
ali, quando ela começasse com a agulha.
— James vai me matar. — Frankie murmurou, enquanto ela traçava o
padrão nas minhas costas. — Ele vai ficar com raiva de mim por um bom
tempo apenas por ver e tocar este parte da sua pele.
Danika estava rindo enquanto observava, uma clara cúmplice no crime.
— Sério? — Eu perguntei a Frankie, não tendo certeza se ela estava
falando sério.
— Oh yeah.
— Por quê?
— Ele colocou o colar em você, Bianca. Isso é uma coisa realmente séria
para ele. Ele é possessivo como o inferno sobre cada centímetro seu.
— Mas é só para fazer a tatuagem. Eu sei que ele vai ficar irritado com
isso no começo, mas ficar com ciúmes por você tocar meu ombro parece tão
irracional.
Ela riu. — Se você acha que há alguma coisa razoável em um Dom, você
está mal informada, minha amiga. Ele vai ficar furioso com isso, mas ele vai
superar, e eu sei que, eventualmente, ele vai adorar ver seu nome em você.
Eu suspirei, pensando que ela provavelmente estava certa.

Mesmo sabendo que era uma tatuagem pequena, o processo foi ainda
mais rápido do que imaginei.
Doeu, mas a dor não foi tão ruim quanto eu tinha ouvido. Depois que
ela trabalhou na área por poucos minutos, apenas se tornou uma espécie de
picada latejante, e no final, eu até gostei da sensação. Eu entendi um pouco
porque alguns dos meus amigos achavam que as tatuagens eram viciantes.
Frankie me mostrou quando terminou, e eu senti uma grande emoção
quando vi o nome dele na minha pele. Eu poderia me acostumar com isso,
pensei. O que era bom, porque era permanente.
Ela espalhou gel sobre a área e cobriu-a com um plástico filme.
— Fique sem camisa, tanto quanto puder em casa. Deixe-a tomar ar. Um
prêmio de consolação para James, eu acho. Você tem seios fabulosos.
Eu lhe lancei um olhar. Ela nunca tinha visto os meus seios, mas tudo
bem, eu levaria isso como um elogio.
Ela pegou sua pequena bolsa, sorrindo para nós. — Estou saindo fora
daqui o mais rápido possível. Ele não vai querer me ver por alguns dias, então
eu vou dar uma sumida. Vejo vocês no evento de gala para o meu show.
— Covarde! — Danika gritou, quando ela saiu as pressas.
Danika me levou pelo cassino até os escritórios executivos, Blake e
Henry nos seguindo em silêncio. Eu tive que parar e olhar quando passamos
por um dos auditórios do hotel.
Dentro do auditório, havia um pôster gigante de um show do teatro, era
uma longa fileira de show girls, chutando as pernas bem alto no ar,
mostrando todos as suas partes íntimas, e bem no meio da imagem, com o
braço em torno de duas artistas, estava um James sorridente.
Danika balançou a cabeça quando viu. — Se isso faz você se sentir
melhor, foi tirada há anos atrás.
Dei de ombros, mas eu não podia evitar em me perguntar quantas das
mulheres nessa fileira de dançarinas que ele dormiu.
— Parece haver um monte de coisas que ele fez anos atrás, que só
continuam surgindo. — eu disse, meu tom neutro. No entanto, eu não me
sentia neutra.

Ela fez uma careta. — Essa fita de sexo... Eu ouvi sobre isso. E
justamente quando ele mudou seus hábitos. A vida é engraçada, nos fazendo
pagar pelos mesmos erros estúpidos, mesmo depois que aprendemos com
eles.
Agora isso realmente soou como uma declaração sincera. Eu a estudei,
ainda morrendo de vontade de saber o que tinha acontecido entre ela e
Tristan, aquele homem sexy como o inferno. No entanto, eu não me
intrometeria. Talvez possamos ter outras oportunidades em sair juntas, e um
dia ela pode me contar sobre isso.
Danika me acompanhou até a recepção do escritório, antes de nos
despedirmos. Marcamos uma nova reunião para a semana seguinte. Ela iria
retornar a Vegas novamente apenas para me encontrar, mas ela não parecia
se importar.
A recepcionista me levou imediatamente para o escritório de James,
mas enquanto entrava, vi que ele estava ocupado no telefone. Blake só me
seguiu até a porta. Ela parecia não sentir necessidade em fazer uma busca no
escritório, quando James estava lá.
Me sentei na cadeira em frente a sua mesa, cruzando as pernas e
olhando para ele. Eu estava dividida em quando deveria lhe contar sobre a
tatuagem. Deveria deixá-lo encontrar por sua própria conta? Se eu o deixasse
descobrir dessa forma, as chances de estarmos prestes a transar era grande, e
ele obrigatoriamente estaria em um melhor estado de espírito sobre isso...
James olhou para cima, o telefone ainda no ouvido. Seus olhos
mudaram quando me viu, passando do modo profissional e sério, para
ardentes, entre uma piscada e outra. Eu adorava saber que podia colocar esse
olhar em seus olhos apenas por estar lá.
Ele levantou um dedo para me mostrar que seria apenas mais um
minuto. Eu só balancei a cabeça, olhando para ele. A visão nunca me cansava.
Ele desligou o telefone e sorriu para mim. — Vamos para a minha casa
direto daqui. Stephan está dentro, e mandou avisar que nos encontrará lá esta
noite. Ele não se importa em ficar conosco, até o perigo ter passado. —
Fiquei aliviada, mas eu realmente não tinha pensado que Stephan
poderia criar dificuldades.

Não surgiu o assunto da tatuagem, melhor dizendo, eu não tive coragem
suficiente para trazer o assunto, até que ele descobriu isso sozinho naquela
noite.
Frankie também tinha previsto corretamente a reação dele. Ele estava
completamente enfurecido.
Ele estava atrás de mim, tirando a minha camisa quando viu.
Eu sabia o que estava por vir, e assim eu endureci um pouco antes que
ele começasse.
Seus olhos se cravaram nas minhas costas por longos momentos, antes
que ele começasse a praguejar, de forma clara e fluentemente. Ele terminou
seu discurso com um apaixonado: — Eu vou matá-la.
— Ela disse que você ia falar exatamente isso. — eu disse a ele.
Isso só o fez amaldiçoar ainda mais. — Eu não posso acreditar que não
desconfiei de nada disso, quando ela me ligou dizendo que vocês iriam ter um
dia das meninas, e que eu deveria continuar a trabalhar. Eu sabia que ela
queria pôr as mãos em você.
Eu lhe atirei um olhar exasperado. — Você realmente acha que ela fez
tudo isso só para que pudesse me tocar muito brevemente? Ela foi
completamente profissional, James.
— Eu deveria ter imaginado que ela iria tentar, mas eu não posso
acreditar que você concordou com isso. O que você estava pensando?
— Você fez a mesma coisa por mim, para provar algo para mim. Você
queria que eu visse que realmente era dedicado a mim, e que queria um
compromisso a longo prazo. Eu estava tentando fazer a mesma coisa por você.
Eu queria que você visse que eu estou tão comprometida quando você. Não é
algo que deveria deixá-lo com ciúmes. Eu marquei seu nome no meu ombro, e
tudo que você consegue é ficar com ciúmes de alguém que estava segurando a
agulha. Eu não fiz isso porque Frankie queria que eu fizesse. Eu fiz isso por
você. Nós pertencemos um ao outro, James, e agora nós dois temos uma
tatuagem eterna para provar isso. Eu pensei que você gostaria de ver o seu
nome em mim.
Em termos de neutralizar sua raiva, isso trabalhou como um encanto.
Ele se apertou com força contra minhas costas, murmurando em meu ouvido.
— Eu adoro ver isso em você. Como eu posso ficar bravo, quando você diz

coisas tão maravilhosas para mim? Então me diga, Bianca, o quão
comprometida você está? Comprometida o suficiente para levar o meu
sobrenome e usar o meu anel? Comprometida o suficiente para gostar do som
de Bianca Cavendish?
Meu coração acelerou em meu peito. Porque eu sabia que ele não estava
realmente brincando, apesar de seu tom de voz leve. E porque ouvir ele dizer
essas palavras simplesmente não me faziam mais entrar em pânico. Agora
essa imagem estava começando a se formar em minha mente como algo real e
sustentável para nós dois. Talvez o que tenha acontecido com a minha mãe
não me arruinou para sempre sobre qualquer possibilidade do meu felizes
para sempre. O pensamento era tanto encorajador como aterrorizante.
James não esperou eu responder. Ele me conhecia muito bem.
Ele beijou meu pescoço. — Comece a se acostumar com a ideia, amor, e
tente não dar nós em sua cabeça se questionando. E principalmente se lembre
que eu sou loucamente apaixonado por você, e que eu nunca sequer cheguei
perto de dizer essas palavras a outra pessoa.
— Eu também te amo. — Eu sussurrei de volta, amando-o mais naquele
momento do que eu mesmo pensava ser possível. Como eu poderia imaginar
que o Sr. Magnifico poderia ser tão incrivelmente sensível às minhas
necessidades? Era como se ele tivesse me conhecido desde sempre.
Se eu fiquei surpresa com a rapidez com que ele esqueceu o assunto da
tatuagem comigo, eu fiquei igualmente surpresa em ver como ele não
esqueceu o assunto com Frankie. Mesmo uma semana depois, no Vegas Strip,
o evento de gala do seu show, James estava lhe dando um tratamento frio.
James usava um smoking preto, com uma camisa preta e uma gravata
branca borboleta. Ele estava muito bem vestido, muito fashion, e muito
James supermodelo.
Eu usava um vestido branco com detalhes em prata. Era curto o
suficiente para ser adequado a Vegas, com um belo decote e a alça
contornando o pescoço, eu achei que ficou muito bom, embora nas costas
fosse alto o suficiente para cobrir a minha nova tatuagem. Ao contrário de
James, eu não estava tentando apresentá-la ao mundo logo de cara.
Saltos brilhantes vermelhos tiraram qualquer inocência da cor do
vestido, e James parecia um pouco estupefato quando eu saí do closet no traje
sexy. O olhar em seu rosto me disse que eu tinha escolhido muito bem.

O clima neste tapete vermelho era uma vibração muito mais divertida,
ao contrário daquele clima mais tenso que eu tinha visto antes. As pessoas
estavam bem vestidas, mas em um estilo Vegas, bem mais sexy, adequado ao
salão abafado. Mesmo Frankie decidiu renunciar a seu habitual visual short e
blusa muito curta, e usava um minúsculo vestido vermelho que parecia
pecaminoso.
Era a noite de Frankie, e ela tinha sido inteligente o bastante para
estender um convite a Stephan e Javier. James tinha comprado os smokings
para eles, feito sob medida e personalizados, e os dois homens estavam
sorrindo de orelha a orelha, quando nós caminhamos juntos pelo tapete
vermelho.
Frankie correu para abraçar um James duro, assim que ela nos viu no
evento.
— Será que você, pelo menos vai conversar comigo sobre isso? Você não
pode me tratar com essa frieza para sempre, James. — ela disse em sua
bochecha.
— Oh, nós vamos falar. — ele disse para ela ameaçadoramente.
Ela apenas sorriu, parecendo tomar isso como um bom sinal.
Ela cumprimentou Stephan e Javier como se fossem todos velhos
amigos, antes que se mudasse para mim. Ela claramente não tentou me
abraçar, apenas dobrando a cintura para me dar uma pequena reverencia. —
Bianca, a domadora de leão. — ela disse, sorrindo para James.
Eu coloquei a mão no braço dele, desejando que ele apenas relaxasse e
esquecesse isso. Mas James era James, e ele tem o seu próprio tempo.
Frankie parecia conhecê-lo bem o suficiente para ver isso, e lhe deu
espaço.
Fomos cumprimentar Tristan logo depois. Ele estava parecendo afável
em um smoking preto, enquanto posava para os fotógrafos. Os fotógrafos
pareciam estar em um frenesi para conseguir fotos dele. Eu atirei a James um
olhar perplexo.
— Será que ele é famoso ou algo assim? — Eu perguntei.
James sorriu e depois riu abertamente

— Ou algo assim. Ele é a estrela do Espetáculo Magico das propriedades
Cavendish, e ele é o vocalista de uma banda que teve dois singles de sucesso
ano passado. Não me deixou nem um pouco triste saber que você não é uma
fã do seu trabalho.
Tristan se virou para nós no instante em que encerrou as fotos. Ele
sorriu, aquele seu sorriso perverso de orelha a orelha, quando ele me viu.
Ele se moveu, e no segundo que estava ao nosso alcance, ele inclinou
como se fosse me abraçar, mas James estava esperando por isso. James
entrou no meio de nós dois, segurando o outro homem em um abraço de urso
e dizendo algo em seu ouvido, que eu não consegui ouvir.
Tristan jogou a cabeça para trás e riu.
Os dois homens eram da mesma altura, mas Tristan batia em James em
massa muscular. Enquanto James era rasgado, mas elegante, Tristan parecia
um jogador de futebol americano em um terno.
James se afastou do outro homem, e ficou na minha frente, obviamente
me protegendo com seu corpo. Eu pensei que era ridículo, mas ainda me fez
sorrir.
Dei a Tristan um pequeno aceno.
Ele se inclinou para frente em uma educada reverência, mas seus olhos
maus nunca deixando o meu rosto, e seu sorriso não vacilou. Ele me deu um
sorriso com aquelas suas covinhas perigosas.
— Portanto, sem tocar. — ele disse, com sua voz profunda e rica. —
Posso pelo menos ver sua tatuagem? Eu ouvi falar sobre isso. Ouvi dizer que
suas costas são lindas, assim todo o resto.
Ele estava claramente provocando James, mas isso ainda me fez dar
uma risadinha inesperada. O homem era ultrajante.
James concordou comigo, e ele não estava tão chateado com os
comentários do outro homem como eu pensei que ele ficaria. — Bastardo
imoral, — ele murmurou, mas com pouco calor. Talvez ser deliberadamente
provocado lhe tinha feito ver como estava sendo desnecessariamente
possessivo. Ou talvez os dois homens fossem melhores amigos do que eu
percebi.
Quem saberia com o Sr. Magnifico?

Nós apresentamos Tristan para Stephan e Javier. Claro, Stephan sabia
quem ele era. Ele, entre nós dois, era o mais experiente sobre a mídia. Eu não
sabia como eu tinha conseguido ser tão ignorante quanto à sua identidade. Se
ele tivesse um show como atração principal em Las Vegas, deve ter outdoors
dele espalhado em todos os lugares. Eu fiz uma nota em manter um olho nos
anúncios.
Minha suspeita que James e Tristan eram realmente amigos próximos
foi confirmada pela forma como os dois homens brincaram e falaram besteira
um com o outro por pelo menos uns 20 minutos, em meio ao caos do tapete
vermelho. Apenas bons amigos podem dar um ao outro verdadeiros golpes
baixos, sem muita tristeza
Tristan deveria saber sobre a fita de sexo, todo mundo parecia, mas ele
não mencionou isso em nenhum momento. A maioria de seus golpes envolvia
falar sobre como James era bonito demais, o que não incomodou James em
nada.
E James jamais mencionou Danika, que eu tinha percebido de imediato
era a própria ferida de Tristan. A maioria dos golpes destinados a Tristan
eram comentários sobre sua ' cantoria de mágico', que só parecia fazer Tristan
sorrir.
Em um ponto Tristan passou a mão pelo cabelo, então incisivamente
olhou para o relógio, que parecia familiar. — Você já acabou de me assediar,
garoto bonito? — Ele perguntou.
James amaldiçoou, depois estendeu a mão. — Me devolva o meu
relógio! — Ele disse.
Tristan acenou o relógio para ele. — É quase o meu aniversário. Nós
podemos apenas deixá-lo aqui, certo?
James balançou a cabeça, sorrindo. — Eu não gosto de você tanto assim.
Tristan foi devolvê-lo para ele, quando seu olhar prendeu em algo, seus
olhos se movendo para olhar algo atrás de nós. Algo cru apareceu nas
profundidades de ouro, que pareciam incrivelmente tristes para aquele
homem tão carismático.
Olhei para trás.
Danika se aproximou. Ela estava olhando para nós, e não para Tristan,
mas ela parecia diferente de como a tinha visto antes, mais dura, seu mancar

mais pronunciado. Se eu não soubesse que havia uma história entre os dois,
eu teria imaginado isso rapidamente pela forma como mudaram com a
proximidade uma do outro.
Ela usava um vestido longo prata, que abraçava sua figura
perfeitamente como uma luva. Seu cabelo liso, preto azulado estava repartido
ao meio e solto, descendo pelas costas. O estilo severo e simples levou ainda
mais elegância de seu rosto, dos lábios como um botão de rosa, as maças altas
do rosto, e seus deslumbrantes olhos cinza claro.
Danika caminhou diretamente em minha direção, dando um beijo na
minha bochecha. Ela não sorria, mas era educada até os dedos dos pés. — Que
adorável vê-la novamente, Bianca.
Ela acenou para James, que a apresentou a Stephan e Javier.
— Olá, Danika. — Tristan disse suavemente, depois que todas as
apresentações foram feitas.
Ela balançou a cabeça em sua direção, mas não olhou para ele. — Olá,
Tristan.
— É muito bom ver você. — ele disse a ela. — Você esta primorosa, como
sempre.
Ela deu um sorriso forçado. — Claro. — ela disse.
Um homem se aproximou dela por trás, passando a mão na sua cintura
e sorrindo calorosamente. Ele era da minha altura, com cabelo castanho
médio e uma construção leve. Ele era bonito, mas de uma forma um pouco
indescritível, eu pensei que ele combinava com Danika. Eles formavam um
elegante casal.
Ela tocou seu ombro levemente. — Todo mundo, este é Andrew.
— O namorado dela. — Andrew acrescentou.
Ela nos deu outro sorriso apertado, em seguida, apresentou o grupo
para ele.
Eu dei uma olhada a Tristan, mas a forma que ele estava olhando para
Danika era tão flagrante e crua, que eu rapidamente desviei o olhar. Ficar em
torno daqueles dois, eu me sentia como se tivesse ouvindo a pior briga de um
casal. Parecia que todos nós deveríamos nos desculpar e deixá-los sozinhos
para resolver as coisas, Andrew inclusive.

Danika e Andrew rapidamente pediram licença, e seguiram em frente.
Tristan rapidamente seguiu o exemplo. — Se você me derem licença, eu
preciso socar algo agora, antes que eu ceda à vontade de socar alguém. — Com
essa observação, ele se afastou.
— Posso presumir que há uma grande tensão entre Tristan e Andrew? —
Eu fiz a pergunta.
James encolheu os ombros. — Eu não sei se eles já se encontraram
antes. Eu acho que é apenas um comportamento que Tristan teria com
qualquer homem que Danika namorasse. Ele está apaixonado por ela desde
que eu o conheci. Há cinco anos, pelo menos. Pobre coitado.




















CAPÍTULO VINTE E NOVE
Sr. Desesperado

James ficou colado constantemente ao meu lado quase durante uma
semana inteira. Se eu não estava trabalhando em algum vôo, ele estava lá, e
eu não podia dizer que me importava com isso, embora eu começasse a
suspeitar do motivo.
Ele estava com medo de que eu iria assistir ao vídeo dele e Jolene. Ele
não me pediu para não assistir aquela coisa, mas ele me conhecia bem o
suficiente para suspeitar que eu gostaria de ver o que estava lá fora, para o
mundo inteiro ver.
E então, acabou acontecendo de não conseguir nenhum momento
sozinha por quase uma semana, após o lançamento do vídeo de sexo.
James tinha trabalhado muito nessa semana, mas apenas quando eu
também estava trabalhando, ou quando tinha alguém para me fazer
companhia. Lana me levou para fazer compras. Stephan ficava sentado
comigo enquanto eu pintava. Marnie e Judith voaram para Nova York para
passar a tarde comigo. Danika me procurou uma tarde para conversar sobre
os meus atuais projetos. Eu tive um constante bombardeio de amigos para me
fazer companhia, quando James tinha que trabalhar e eu não precisava, e eu
não pensei nem por um segundo que qualquer um desses fatos era apenas
uma coincidência.
Eu estava no apartamento de Nova York, pintando, quando me dei
conta de que eu estava realmente sozinha.
Olhei para o computador no meu estúdio, mas apenas continuei a
pintar. Mas uma vez que o pensamento me ocorreu, eu achei difícil me
concentrar em qualquer outra coisa. Eu sabia que iria vê-lo, eventualmente, e
parecia melhor apenas acabar logo com isso. Parecia que até agora o mundo
inteiro já tinha visto o vídeo, e ele era o meu amante devotado e fiel, então
porque não devo vê-lo também?

Eu estava sentada em frente ao computador na busca online antes que
eu pudesse pensar demais. Eu digitei “James Cavendish sex tape" no motor de
busca. Foi muito fácil.
Meu instinto apertou dolorosamente a partir do momento que eu
arrastei o mouse sobre o botão play. Cada instinto dentro de mim mandando
que eu apenas desligasse. Algumas coisas que você faz pode não ter volta, e
ver James fazendo sexo com outra mulher, uma mulher que eu conhecia,
alguém que eu odiava tão abertamente, não poderia ser uma coisa saudável
para a nossa relação. Ainda assim, eu insisti.
A fita não havia sido gravada em qualquer lugar que eu conhecia. Mas
eu esperava isso. Era um quarto pequeno com uma cama grande, e a câmera
deve ter ficado escondida em algum lugar alto na sala, com o foco para baixo,
e no canto.
O pequeno quarto ficou vazio por longos momentos, antes que Jolene
entrasse e se ajoelhasse no chão em frente à cama.
Ela estava vestindo apenas uma peça preta minúscula, que pendia em
seus quadris e não cobria nada. Eu reconheci a peça, ou pelo menos o estilo
dela. Senti como um tapa na cara, ao ver que ele tinha me feito usar algo tão
parecido com o que ela tinha usado para ele. Não foi um bom começo, não
que houvesse qualquer coisa naquele horrível vídeo que poderia ter tido um
bom começo.
Ela ficou ajoelhada ali, exibindo gloriosamente o seu belo corpo, com
seus mamilos estendido para fora com os piercings. Momentos depois James
se juntou a ela no quarto.
Alguém, ou foi a pessoa que liberou o vídeo ou a pessoa cujo site eu
estava assistindo, tinha adicionado pequenos comentários sarcásticos no
vídeo. Diretamente abaixo de Jolene,
'A MAIS QUENTE FODIDA DE UMA CADELA QUE JÁ VI NA VIDA!'
Estava escrito em um rosa forte.
James estava sem camisa, e sua calça apenas desabotoada. Seu corpo
era rasgado e espetacular, embora fosse um pouco mais magro na época, com
o cabelo mais comprido, os fios loiros escuros amarrados para trás em seu
rosto.
Seu rosto era uma máscara de indiferença fria, apenas a sua persona
dominante presente, pelo que eu podia ver. Ele disse algo para ela e ela se

inclinou mais baixo. Não havia áudio, além de uma canção rap
particularmente obscena sobre ser um cafetão tocando ao fundo, cortesia do
editor do vídeo.
Ele puxou-a pelos cabelos e a levou até a curta distância para a cama.
Ela manteve os olhos baixos o tempo todo.
A cama foi projetada vagamente como uma versão menor das camas que
James tinha em suas casas, com uma estrutura robusta e uma cabeceira
projetada para as restrições. Esta cama tinha barras sobre a parte superior da
cabeceira. James amarrou os braços dela acima da sua cabeça com
movimentos rápidos. Eu não conseguia entender suas palavras, e ele não
falava muito, mas quando falava, Jolene estremecia de prazer.
Ela me fez lembrar de uma gata no cio, com as costas arqueadas e seu
corpo balançando, respondendo a cada movimento seu. Eu odiava ver isso,
mas eu não parei. Eu me senti obrigada a terminá-lo, uma parte dentro de
mim querendo ver se ele lhe mostrava sequer um lampejo da ternura, que ele
me mostrava em nossos momentos de paixão.
Ele ficou atrás dela, depois que ela estava amarrada. Ele se pressionou
contra ela, e teve que se abaixar bastante para dizer algo em seu ouvido. Eu
pensei comigo mesma, de forma bem mesquinha, que ela era muito baixa
para ele. A diferença de altura parecia ridículo. Ela mal chegava ao seu peito.
Ela estremeceu e ele se afastou. Ele saiu da sala sem olhar para trás,
retornando pouco tempo depois, com um objeto em uma das mãos.
Era um chicote gato de nove caudas
6
, com longas caudas e ainda
pequenas bolas de prata. Parecia brutal, e não parecia com nada que ele já
tenha usado em mim. Ele disse algo para ela, pouco antes de começar a
açoitar suas costas.
A partir do primeiro golpe, a música no vídeo mudou para "Smack My
Bitch Up”. Quem quer que tenha editado o vídeo, parecia estar se divertindo.
Ele trabalhou nela completamente, não mostrando nenhuma clemência.
Ela manteve a cabeça inclinada para a frente, os olhos baixos o tempo todo.
Ela parecia ser uma pessoa diferente da Jolene que eu tinha sido subjugada.

6
Chicote com muitas pontas

Seu corpo se contorcia, seus grandes seios tremendo com cada golpe
duro. A carne de seu bumbum e coxas estava marcada com vergões rosa no
momento em que ele parou.
Eu senti como se estivesse assistindo em câmera lenta, quando ele
deixou cair o chicote e começou a desabotoar as calças. Minhas mãos se
apertaram em punhos, minhas unhas cavando duro em minhas mãos. Assistir
isso ia me machucar. Ainda assim, eu não conseguia desviar o olhar.
Ele puxou a grossa ereção livre.
'SANTO PAU GIGANTESCO!' Rolava ao longo da parte inferior da tela.
Eu desprezava com uma paixão enorme quem tinha editado essa coisa.
Eu pensei que eu poderia vomitar, enquanto ele acariciava a si mesmo,
em pé atrás dela.
Ele tirou uma camisinha do bolso, rasgando e rolando-a com um
movimento rápido e suave.
Ele ficou pronto atrás dela, sua enorme excitação parecendo ainda
maior contra a sua forma miúda. Eu sabia que era totalmente irracional, mas
Deus, eu a odiava.
Minha mão cobriu minha boca quando ele se dirigiu para dentro ela. Eu
sabia, antes de apertar o play que que seria muito ruim para o meu coração
vê-lo assim, mas, ainda assim, tive tinha o pensamento novamente.
Ele a fodeu com tanta força, que deve ter doído, embora eu supunha que
era este o ponto. Ela estremeceu quando gozou, e ele puxou para fora dela,
ainda duro, enquanto as ondas de prazer ainda devastavam seu corpo.
Ele a virou de frente, e eu percebi que por mais difícil que tenha sido
assistir até agora, as coisas estavam prestes a piorar.
Ela começou a levantar os olhos, assim que ele entrou nela novamente,
mas ele disse algo e os olhos dela se abaixaram novamente. Senti a mão que
apertava o meu coração soltar um pouco. Não houve contato com os olhos,
quando ele bateu nela por esse ângulo. Ele fodeu com força, até que ele a
tinha feito gozar de novo, e de novo.
Novas palavras enroladas ao longo da parte inferior da tela.
'RICO, LINDO E FODE COMO UMA MÁQUINA, COMO NÃO AMAR'

Mais uma vez, eu tive alguns pensamentos desagradáveis sobre o editor.
Ele puxou para fora de sua entrada, e vi seu pênis se contorcendo dentro
do preservativo com sua própria libertação. Infelizmente, o vídeo era bom o
suficiente para que eu pudesse ver todos os detalhes, mesmo a ponta do
preservativo enchendo com esperma.
Pelo menos ele não tinha gozado dentro dela. E pelo menos ele tinha
usado o preservativo. Eu sabia que era ridículo sentir possessiva de um corpo
que eu ainda não conhecia na época do vídeo, mas saber isso não mudava o
sentimento.
Ele a deixou amarrada à cama e saiu do quarto. Quando ele voltou, ele
estava completamente vestido em um terno.
Eu notei que eles não trocaram mais nenhuma palavra, e ela em
nenhum momento levantou os olhos para ele, enquanto ele a desamarrava e a
deixava deitada na cama. Ela enrolou seu corpo em torno de um travesseiro,
quando ele saiu da sala. Ele em nenhum momento olhou para trás.
Meu coração estava batendo forte quando o vídeo acabou. Assisti-lo
tinha me machucado, mas ainda assim eu senti como se tivesse aprendido
alguma coisa importante. Era fato que James tinha sido um vagabundo antes
de me conhecer. Por mais que as imagens do vídeo tenham me incomodado,
não houve um instante que ele tenha interagido, tenha compartilhado
qualquer coisa, exceto seu corpo e sua fria dominação sobre ela. Não havia
nada que eu poderia chamar de intimidade entre os dois.
Ele me disse uma vez que sexo, antes de me conhecer, tinha sido apenas
uma função corporal para ele, e eu tinha acabado de ver a prova disso. Eu
sabia que era loucura, mas eu me sentia tanto doente quando aliviada, as duas
coisas ao mesmo tempo.
Um movimento com o canto do meu olho me chamou a atenção. Eu me
virei para olhar.
James estava na porta.
Seu rosto estava marcado — seus olhos sombrios, enquanto olhava para
a tela do computador. Gostaria de saber quanto tempo ele estava lá, mas,
obviamente, ele esteve tempo suficiente para ver o que eu estava assistindo.
Tarde demais, eu fechei a janela daquele vídeo horrível.

Olhei para ele, mas ele não estava olhando para mim. Seus olhos
estavam vidrados e cegos, ainda colados ao computador. Ele deu um passo
para trás e fechou a porta atrás dele, me deixando sozinha na sala.
Fiquei lá por alguns minutos, minha mente ainda processando o que eu
tinha visto. Eu precisava de um minuto para me recompor, antes de falar com
ele sobre isso, se é que houvesse alguma coisa a dizer.
Então, ele tinha relações sexuais com aquela mulher horrível,
provavelmente vezes demais para contar. Assistir isso tinha pelo menos me
dado alguma clareza. James em seu tom mais raivoso, em sua fúria mais fria,
nunca tinha sido comigo, o que ele era com Jolene. Tinham sido um Dom e
uma sub fodendo, nada mais.
Embora eu não tenha percebido isso na época, James sempre foi
diferente comigo.
Olhando para trás agora, James havia demonstrado desde a nossa
primeira vez juntos, uma profunda ternura e amor, algo que pertencia
somente a mim. Eu percebi que eu precisava ver isso, para valorizar ainda
mais o que eu tinha, porque era um presente muito mais precioso, do que eu
me permitia ver. Ele era o meu Dom, e eu era sua Sub, mas o nosso amor
tinha transformado em algo muito maior do que eu tinha visto naquele vídeo.
Sim, James tinha sido um hedonista e vagabundo antes de me conhecer,
mas confirmei agora que sou realmente a única mulher que ela amou. Ele
mudou suas regras para mim. Ele se dobrada para mim constantemente.
Porque ele me amava.
Fiquei sentada meditando sobre tudo aquilo por talvez dez minutos,
antes que eu me levantasse e fosse atrás dele.
Eu pensei que iria encontrá-lo em nosso quarto. Ele estava vazio. Eu
peguei o meu telefone e liguei para ele. Ele não respondeu. Eu procurei no
enorme apartamento por ele, me aventurando até mesmo no quarto andar,
com meus esforços em achá-lo.
Eu finalmente recorri a Blake.
— Srta. Karlsson. — ela respondeu prontamente.
— Blake, você sabe onde está James? Ele saiu do apartamento?
— Sim, senhora. Ele saiu poucos minutos depois que chegou.

— Você sabe para onde ele foi?
— Não...
— Você tem como descobrir? — Eu perguntei, começando a entrar em
pânico.
Eu queria vê-lo. Eu sabia que ele esperaria o pior sobre a reação que eu
teria ao assistir esse vídeo, e eu sabia que isso o deixaria desesperado.
— Eu vou fazer algumas ligações, Srta. Karlsson.
— Obrigada. — eu disse.
Eu desliguei o telefone.
Ela ligou de volta cerca de dez minutos mais tarde. — Eu não consigo
localizá-lo, Srta. Karlsson. Clark não está atendendo, e ele é o único que
acompanhou o Sr. Cavendish. A única resposta que eu consegui dos outros é
que ele saiu.
















CAPÍTULO TRINTA
Sr. Pervertido

Depois disso eu tentei apenas esperar, mas eu estava inquieta e
preocupada. Eu não tinha ideia de onde ele poderia ter ido. Eu não sabia para
onde ele iria quando estava querendo escapar e chateado. Eram apenas duas
horas da tarde. E se ele tivesse apenas voltado ao trabalho? Eu não tinha a
menor ideia.
Eu tentei fortemente apenas esperar pacientemente ele voltar. Eu tentei
pintar, mas não ficou bom. Tentei assistir TV, mas eu estava
irremediavelmente distraída. Liguei para Stephan, que estava em Las Vegas
com Javier, mas ele não tinha falado com James. Eu disse a ele o que tinha
acontecido.
— Você está bem? — Ele perguntou. — Você quer falar sobre isso?
Claro que os meus sentimentos seriam sua primeira preocupação, eu
pensei.
— Eu estou bem. — eu disse a ele. — Me machucou em um primeiro
momento, mas não é como se James fizesse segredo de seu passado. Mas
serviu para alguma coisa, porque ele me fez ver que, o que ele faz com as
outras mulheres não é a mesma coisa que ele faz comigo. Estou preocupada
com ele, não comigo. O olhar em seus olhos, Stephan... Eu sinto que eu
quebrei seu coração novamente. Preciso encontrá-lo.
Ele não tinha ideia de onde James poderia ter ido, mas Stephan fez o
que faz melhor. Nós conversamos por horas, sobre tudo, mas principalmente
sobre James, e eu me senti melhor quando nos despedimos.
Esse sentimento bom durou apenas mais uma hora, quando ainda não
havia nenhum sinal de James. Eram quase sete horas quando entrei em
desespero.

Eu estava usando um vestido curto de verão, sem sutiã. Era aquele tipo
de roupa para ficar em casa em um dia quente do verão. Aproveitei o tempo
quente, para colocar apenas um sutiã, e calçar sapatos confortáveis, que
combinavam com o vestido branco sem mangas. Liguei para Blake enquanto
pegava a minha bolsa. Eu estava no topo da escada quando ela atendeu.
— Eu vou sair. — eu disse, antes que ela pudesse dizer uma palavra.
— Eu vou encontrá-la no elevador.
E lá estava ela, rápida como um raio.
O resto da equipe de segurança estava nos esperando no lobby. Eles não
tinham substituído Johnny, e eu estava bem com isso. Eu imaginei que se esse
monte de gente não pudesse me proteger, significa que eu era uma causa
perdida, de qualquer maneira.
Ninguém me perguntou para onde estávamos indo, até que estávamos
todos na grande SUV preta que havia sido separada para o meu uso.
— The Cavendish Hotel. — Eu disse, era só uma suposição da minha
parte, mas eu podia vê-lo indo ao seu escritório, quando estava chateado.
Os seguranças me acompanharam até o seu escritório, e eu pensei que
devia estar certa, quando vi que a sua recepcionista ainda estava trabalhando.
Ela acenou para eu entrar na sua sala, como se tivesse sido instruída apenas
em me deixar entrar
Ninguém me seguiu, enquanto eu abria a porta timidamente.
James estava lá, sentado à sua mesa, olhando fixamente para o seu
computador, com a mão imóvel em seu mouse.
Eu entrei e fechei a porta suavemente atrás de mim. Eu andei até ele,
mas ele não olhou para mim.
Ainda assim, enquanto me aproximava, eu vi alguma coisa ferida e
vulnerável se mover por trás daqueles olhos manchados.
— James. — eu disse baixinho.
— Sinto muito. — ele disse, sua voz entrecortada, não mais do que um
sussurro. —Eu só pareço decepcioná-la. Se isso faz você se sentir melhor,
estou começando a odiar o homem que eu fui antes de te conhecer.

Eu acariciei o seu cabelo. — É claro que não me faz sentir melhor. Tanto
quanto eu posso dizer, você sempre foi maravilhoso, mesmo durante seus dias
de promiscuidade.
— Eu sinto que a vida era fácil antes de te conhecer, porque eu não me
importava. — ele disse com uma voz rouca, inclinando-se em minha mão. —
Antes de te conhecer, nada importava. Eu era um mentiroso, tocando a vida
com meu dinheiro como se fosse um jogo de monopólio. Eu não sentia nada.
Nada realmente mudava, porque eu não me importava. E agora que ela
realmente importa... agora que tudo importa, é muito mais difícil. Porque as
coisas têm peso agora, e minha vida finalmente tem conteúdo. Você pode
machucar uma coisa que tem conteúdo. Eu me tornei vulnerável, onde nada
antes poderia ter me machucado. Meus erros, mesmo aqueles do passado,
terão consequências agora.
Eu me aproximei dele, puxando sua cabeça em meu peito. Ele se
aninhou ali, me fazendo balançar com a força de seu afeto. Beijei o topo de
sua cabeça confortavelmente.
— Eu entendo completamente, James. Lutei contra meus sentimentos
por você por tanto tempo apenas por essa razão. Deixá-lo entrar, significava
me abrir para a dor que eu pensei que era imune, porque eu tinha ficado
congelada para tudo isso. Eu fui injusta com você, e até mesmo com alguns
dos meus amigos. Você estava certo quando me disse que eu tenho espaço no
meu coração para mais do que apenas Stephan. Você me lê tão bem, sem ter
que me dizer as palavras. Isso me surpreende. Eu hoje acredito que nós fomos
feitos um para o outro. Você me transformou em uma pessoa que crê, meu
amor.
Ele passou os braços em volta de mim. — Eu sinto muito que você teve
que ver esse vídeo, Bianca. Eu tentei tanto mantê-lo longe de você.
Eu esfreguei meu rosto contra aquele cabelo sedoso. — Você não me fez
assisti-lo. Eu assumo a responsabilidade por isso. E eu aprendi uma coisa
importante com ele. Doeu ver você com ela, mas acho que, de certa forma
valeu a pena.
Ele se afastou o suficiente para me olhar com uma expressão
genuinamente perplexa. — Por quê?! Como?
Eu lhe dei um pequeno sorriso e o encarei firmemente. — Porque eu
aprendi que você pode ter fodido um monte de mulheres, James, mas eu sou
o seu único amor.

— Sim. — ele murmurou, me beijando como se quisesse me possuir. Eu
amei esse beijo, e principalmente, a propriedade que havia nele.
— Você é tão diferente comigo. — eu disse a ele quando se afastou o
suficiente para me puxar para cima dele. Eu sentei em seu colo. — Você
sempre foi, desde o início.
— Sim. — ele murmurou, abrindo suas calças para tirar aquele delicioso
pau. Estava duro como uma pedra, e pronto para ir, como sempre.
— Eu já lhe disse isso. É lamentável que você tenha que me ver no meu
pior para acreditar. — Ele arrancou minha calcinha enquanto falava, fazendo
com que suas palavras saíssem duras e cruas.
Ele me empalou com sua excitação com força, não verificando se eu
estava pronta. Não me deixando responder as suas palavras. Estremeci com o
prazer e a dor, da sua possessão.
Ele não se moveu depois que me fez sentar ao máximo em sua ereção,
apenas me segurou lá, olhando para mim com seu coração exposto em seus
olhos. Eu amava tanto esses olhos.
Eu segurei seu rosto. — Você é tão diferente comigo. — repeti. — Você
nunca me mandou olhar para baixo, você nunca permitiu que meu olhar fosse
para longe do seu. Você nunca se afastou de mim.
Ele balançou a cabeça. — Nunca.
— Eu amei seus olhos primeiro. — eu disse a ele, repetindo suas
palavras de algumas semanas atrás, porque era verdade, e porque nós éramos
duas metades de um todo — como foi o tempo todo, e ele tinha sido tão
inteligente em saber disso imediatamente. Eu costumava pensar que era uma
insanidade, mas agora eu via que era simplesmente de um brilhantismo puro.
— Eu também vejo isso, James. Vejo a outra metade da minha alma em você.
Ele empurrou contra mim, de repente, me esfregando contra ele. Ele
nunca quebrou o contato visual, quando gozou dentro de mim.
Ele puxou minha testa contra a sua, me dando um sorriso auto
depreciativo.
— Bem, isso foi embaraçoso. Eu me sinto como um adolescente. Eu vou
ter que fazer alguma coisa por você.

Eu sorri de volta, muito longe de estar chateada com isso. Eu amava
afetá-lo de uma forma tão poderosa, que ele perdia o controle assim.
— Eu não tenho nenhuma dúvida de que você vai. — eu disse, sabendo o
que isso significava. Se estivéssemos mantendo uma contagem em orgasmos,
eu estava na frente dele, por pelo menos quatro a um. O homem podia sempre
tocar o meu corpo como um instrumento.
Ele deslizou a mão entre nossos corpos, movendo o dedo em círculos
suaves sobre o meu clitóris, circulando seus quadris para mover seu
comprimento grosso dentro de mim em um forma inebriante.
— Toque-me. — ele disse asperamente. Eu apreciei a chance. Era mais
frequente apenas ele me tocar.
Corri minhas mãos sobre o seu peito até os ombros. Eu segurei o rosto
dele em minhas mãos, antes de correr meus dedos famintos nos botões de sua
camisa. Eu soltei desajeitadamente, arrancando alguns tristes botões
enquanto fazia isso. Eu gemia quando eu deixei o seu peito descoberto o
suficiente para acariciar a pele dourada perfeita.
Ele me levou ao climax assim, com aqueles pequenos círculos de seus
quadris e aquele polegar inteligente, sua pele sob minhas mãos. Foi uma onda
suave de sensações.
Ele agarrou meus quadris com firmeza e empurrou mais difícil,
enquanto eu ainda tremia ao redor dele. Grandes estocadas rígidas batendo
contra mim asperamente. Ele me ergueu quase completamente fora seu
comprimento, antes de me puxar de volta para ele. O que havia começado
suave se transformou em um passeio deliciosamente áspero, enquanto eu
ainda estava me recuperando do primeiro orgasmo.
Seus olhos, entre um duro impulso e outro, mudaram de amorosos para
um brilho possessivo. Ele nem sequer teve que falar. Eu sabia o que ele
queria. — Eu sou sua, James. Apenas sua.
Aquelas profundezas manchadas brilharam para mim, quando ele me
fez cair sobre aquela borda fina novamente. Ele não desistiu, me batendo até
que eu sabia que iria ficar deliciosamente dolorida, me batendo fundo,
controlando os movimentos do meu corpo, sem ter que dizer uma palavra. Eu
amava que na maioria das vezes, eu poderia me colocar sob seu controle e,
pelo menos aqui, desse jeito, ele sempre sabia exatamente o que eu precisava.

Ele me trouxe de novo, e encontrei seus olhos enquanto eu
desmoronava, antes que ele se derramasse dentro de mim, com aquele áspero
gemido que eu mais amava.
Ele estava puxando para fora de mim, quando congelou. Seus olhos
foram aos meus, aflitos. — Você está sangrando. — ele me disse.
Eu fiz uma careta. — Argh... Estou começando o meu período. Desculpe.
Eu acho que nós a aceleramos.
Ele riu, parecendo aliviado. — Contanto que eu não tenha feito isso. E
não se desculpe. Eu não me importo.
Ele empurrou meus quadris contra a borda da mesa, empurrando o meu
vestido para o alto. Eu tentei bater em suas mãos.
Ele riu de novo. — Este é o momento onde você quer traçar o limite? Eu
nunca vou entender por que algumas coisas são mais proibidas do que outras.
— E isso é o que te faz tão pervertido, o fato de que você não vê a
diferença.
Ele apenas deu de ombros. Ele estava em paz com a parte pervertida. —
Levanta a perna. Deixe-me olhar para você.
Eu bati novamente em suas mãos, me encolhendo quando vi o sangue
em sua roupa. — Eu não quero nem saber o preço deste terno que acabei de
destruir.
Ele olhou para si mesmo e deu de ombros. — Eu estou pouco me
fodendo com isso. Eu estou me fodendo bem mais com esse olhar
escandalizado em seu rosto. Você tem que saber que seu sangue é exatamente
como água para mim.
— Literalmente. — eu murmurei, ainda batendo nas suas mãos.
— Coloque sua bunda em cima da mesa. — disse ele com um sorriso. —
Eu quero ir ai embaixo, enquanto você esta envergonhada desse jeito.
Eu olhei para ele, dolorosamente envergonhada. Apenas o pensamento
me tinha congelado no local em mortificação.
— Eu estou indo ai embaixo. — ele me disse com uma voz severa,
embora o sorriso ainda brincando ao redor da boca arruinasse o tom. — Sobre
a mesa ou no chuveiro. Eu vou deixar você escolher o local.

— Chuveiro. — Eu disse rapidamente. Era preferível. Pelo menos não
seria uma bagunça no chuveiro.
Ele me puxou para o banheiro, arrancando as nossas roupas, e deixando
as pilhas bagunçadas no chão.
Ele não deu uma pausa, me empurrando contra a parede de azulejos e
descendo de joelhos no jato do chuveiro. Ele enterrou seu rosto contra o meu
núcleo, jogando minha coxa por cima do ombro. Agarrei seu cabelo,
deixando-o levar mais do meu peso enquanto ele trabalhava aquela língua
inteligente em mim. E se a sua língua era inteligente, seus dedos eram
brilhantes. Ambos trabalhavam, jogando em diferentes nervos, me fazendo
soltar gemidos, e me empurrando naquela borda fina rapidamente.
Eu perdi toda lembrança do meu próprio embaraço sob seu toque
perfeito.
Ele se levantou, dirigindo duro dentro de mim, enquanto ainda se
endireitava. Eu gemia, as ondas de prazer ainda balançando através de mim
deliciosamente. Eu estava um pouco dolorida, mas eu estava tão
condicionada, que a dor só aumentava o prazer.
Ele me beijou duro, enfiando sua língua em minha boca, enquanto
enfiava o seu pau desenfreadamente em meu núcleo. Eu senti meu gosto e o
dele, e tudo misturado com o gosto de cobre. Era diferente, mas não
desagradável.
— Veja. — disse ele, dentro de mim, me batendo na parede, minha coxa
pendurada no seu braço, erguida bem alta. — Você ainda pode gozar quando
está sangrando. O botão de orgasmo não desliga magicamente.
Eu tentei lhe dar um olhar exasperado, mas era difícil de administrar,
quando ele estava me fodendo tão duro. — Eu...eu não... mmm... acho que...
isso é...
— Seu corpo me pertence, Bianca, não importa a porra do dia do mês. —
ele rosnou contra mim. Só ele poderia encontrar uma maneira de usar o meu
período como uma forma de mostrar a sua posse. Foi o meu último
pensamento, antes dele bater com tudo dentro de mim, e eu gozei mais uma
vez, ofegante em sua boca.
Ele continuou empurrando, finalmente, erguendo seu corpo mais alto, e
me empurrando para cima com o movimento, enquanto ia duro até o fundo.
Ele resmungou e estremeceu contra mim, sua mão deslizando no meu cabelo

e puxando meu rosto, para que eu visse o que o prazer fazia com ele nessas
profundezas azul turquesa. Eu amei cada segundo.
Depois nos secamos e vestimos, antes dele falar novamente, de costas
para mim.
— Eu acho que ganhei minhas asas vermelhas. — Havia um sorriso em
sua voz.
Corei até meus dedos do pé.






















CAPÍTULO TRINTA E UM
Sr. Caseiro

As notícias do vídeo de sexo ainda corriam desenfreadas pelas
manchetes, mas se fosse medida pela minha preocupação e a de James, isso já
era noticia velha. Havíamos passado por isso. Encarei como um sinal
encorajador. Estávamos bem juntos. Nós não ficamos engasgados com as
coisas, simplesmente elas se assentavam, em vez de vir de novo e de novo,
como parecia acontecer em tantos relacionamentos venenosos que eu tinha
observado.
Aquela sexta-feira marcou a nossa última rota para Nova York. A equipe
queria sair, é claro, mas James queria marcar um almoço mais tarde com seus
amigos Parker e Sophia. Eu não via por que não poderíamos fazer as duas
coisas.
Sophia nos encontrou na porta do seu apartamento luxuoso, um filho se
contorcendo em seus braços. Eu pensei que era um menino, embora seu
cabelo fosse mais comprido, e seu rosto era bonito demais, dificultando dizer
em poucas palavras.
James pegou a criança de seus braços e levou no seu colo, sem dizer
uma palavra.
— Este é Elliot. — ele me disse com seu sorriso mais encantador. —
Elliot, esta é Bianca. Diga: Que bom conhecer você, Bianca.
Eu sorri para o garoto bonito. Ele tinha cabelos negros como o pai, mas
com cachos adoráveis de sua mãe, e olhos cinza azulado que me estudaram
atentamente.
— Pazer conece você, Banca. — ele disse com um aceno de cabeça. Ele
abraçou o topo da cabeça de James, esfregando seu rosto contra aquele cabelo
dourado escuro. — Eu pazer você, James

James levantou a mão e fez cócegas no joelho do garoto. Elliot se
enrolou apertado contra ele, dissolvendo-se em risos deliciosos.
Parker cozinhou para todos nós, o que eu achei encantador. Eu sabia
que ele era importante no mundo dos negócios, um herdeiro do império
lucrativo de sua família, mas você não imaginaria isso, pela maneira como ele
cozinhava e servia a todos nós.
Ele e Sophia claramente eram loucamente apaixonados. Era algo que
você poderia dizer só pela maneira que eles se olhavam. Eles agiam como
recém-casados, embora estivessem casados há anos.
Ficamos por horas, conversando e brincando com Elliot. James era
maravilhoso com ele, rolando no tapete, como se ele próprio fosse uma
criança.
Não é que eu não goste de crianças. Eu achei Elliot absolutamente lindo
e encantador. Eu só não acho que era adequada para tê-los. Eu tinha muitos
pensamentos sombrios e medos sobre a vida, que eu não acho que pessoas
normais teriam, e eu não quero passar a minha própria bagagem torcida para
outra geração.
Eu realmente gostei de Parker e Sophia. Eles pareciam realmente boas
pessoas, e pareciam se importar com James. Eu também achei
particularmente encorajador que as pessoas decentes em sua vida agora
estavam superando as cadelas loucas.
No entanto, quando fomos embora eu estava perturbada. Vendo James
interagir com Elliot só tinha deixado mais claro para mim que ele queria ter
seus próprios filhos.
— James, eu não tenho certeza de que ser mãe é algo que algum dia eu
esteja prepar...
Ele me puxou contra ele, cobrindo minha boca com a mão. Ele suavizou
o gesto ao beijar o topo da minha cabeça. Ele murmurou em meu ouvido,
antes que a porta do elevador se abrisse.
— Não importa, amor. Nós temos todo o tempo do mundo para decidir,
e eu vou deixar que a decisão seja somente sua. Eu não posso viver sem você.
Isso é tudo o que há para dizer sobre isso.

Eu desejava que fosse tão simples, mas ele obviamente queria ter filhos.
O pensamento em ser a única coisa que o impedia de ser pai me encheu de
culpa. Eu não sabia se poderia ser tão egoísta.
A louca celebração no Red mais tarde naquela noite, era exatamente o
que eu precisava para me arrancar desse tipo de pensamento. Todo mundo
estava de bom humor. Toda nossa equipe, exceto Melissa, estava lá para
minha despedida e de Stephan, uma vez que fomos os únicos que aceitaram a
licença voluntária imediatamente, e todos eles brindaram a nós dois,
desejando muita sorte, o que nos fez sentir muito bem, mas triste em deixar
esse divertido grupo.
Ainda assim, nada disso me trouxe dúvidas. Eu sabia que estava
fazendo, considerando tudo, o que fazia mais sentido para mim.
O fim da minha carreira como comissária foi estranhamente como um
anticlímax. Eu trabalhei pela última vez no domingo, e, em seguida, na
segunda-feira, eu passaria imediatamente de uma comissária de bordo em
tempo integral a uma aspirante a pintora em tempo integral. Era difícil, mas
emocionante.
Stephan e Javier também aceitaram a licença, porque, graças à rara
oportunidade que eles tiveram, poderiam abrir o seu próprio bar em um dos
cassinos mais quentes de strip-tease. Eles tinham muito trabalho pela frente,
mas muitas pessoas não têm o financiamento que tiveram, sem muita
pergunta. Estávamos todos agradecidos a James por fazer algo assim, e
mudar a vida deles.
Fomos para Los Angeles na noite anterior a exibição na galeria, ficamos
hospedados no Resort Cavendish, que era convenientemente localizado ao
lado da Galeria Cavendish.
Eu tive uma prévia da mostra naquela noite, e fiquei chocada com as
maravilhas que Danika tinha criado. Minhas pinturas foram exibidas de
forma espetacular, os quadros primorosos, a iluminação simplesmente
perfeita em cada sala, os quadros agrupados por cor, exibidos para
complementar um ao outro da melhor maneira possível.
Danika nos levou em uma visita à galeria, cada sala exibindo as minhas
pinturas. Senti a necessidade de abraçar a mulher quando nós terminamos,
grata e aterrorizada com o que ela tinha feito com o meu trabalho.

Senti uma ansiedade nervosa atravessar meu corpo com o pensamento
da proximidade de evento, mas acabou sendo uma noite agradável. Eu já
tinha decidido que eu não iria ler nenhum dos comentários negativos sobre o
meu trabalho. Ninguém era mais crítico com o meu trabalho do que eu, e eu
sabia que só iria causar estragos na minha criatividade se eu ficasse obcecada
com as coisas negativas que falassem sobre mim, então eu pensei no evento
pelo que ele era, uma noite para conhecer novas pessoas, e uma chance de ver
alguns rostos amigáveis.
Eu usava um vestido frente única cinza escuro que ficava bem no meu
corpo, e James usava um smoking combinando com meu vestido, e uma
gravata azul clara.
James ficou segurando meu braço a noite inteira, uma escolta perfeita e
atenciosa. E, claro, os doces braços mais preciosos para mim na face da terra.
Eu cheguei a vender algumas pinturas que eu imaginava altamente
improvável sair, quando vi os preços que eles tinham fixado. Algumas das
grandes eles tinham colocado valores superiores a cinquenta mil dólares.
Quando Danika me deu a noticia, fiquei tão surpresa, que fiquei até um pouco
em estado de choque.
Ela catalogou para mim cada pintura que foi vendida, me dizendo quem
tinha comprado, o que e por quanto.
Ela me abraçou, radiante. Ela se tornou a maior líder de torcida do meu
trabalho, e eu estava tão agradecida por isso.
Ela era aquele tipo de mulher estável e, portanto, obviamente, com
bastante conteúdo, e ainda com influência no mundo da arte. Ter alguém
como ela admirando o meu trabalho, com tamanha sinceridade, reforçava
minha confiança, o que eu precisava, e que era fundamental nesta fase da
minha carreira
James e Stephan eram fãs do meu trabalho, mas ter um profissional da
área dando suporte ao meu trabalho, alguém que não era o meu melhor
amigo ou meu namorado, era uma benção que eu não iria esquecer tão cedo.
Algumas das pinturas menores eram vendidas na marca de dez mil
dólares. Danika nos informou sobre isso com um aviso: — Isto acontece
porque esta é a sua primeira exibição. Na próxima o seu trabalho vai receber
valores maiores nas etiquetas, eu garanto. Você vai ver no mínimo os
números dobrados ou triplicados do que estamos vendo hoje. — Isso me

deixou com as pernas moles. Eu tinha pensado que os preços eram mais alto
por isto...
Frankie estava lá. Ela levou Tristan, e sua namorada, Estella, a reboque,
como ameaçou. Me lembrei da descrição de Tristan sobre Estella como uma
pequena latina incendiária, e eu sabia, com poucos momentos que a conheci,
que era muito provável que ele estivesse certo.
Ela tinha cabelo preto, grosso e ondulado, que caia quase até a sua
cintura, um corpo ampulheta perfeito, e uma atitude atrevida que era
divertida, mas elas não eram nada pudicas e completamente incontroláveis.
Ela e Frankie tinham uma química visível, compartilhando olhares e
comentários que poderiam ter feito até James corar
Tristan, Frankie, e Estella se deram super bem com Stephan e Javier, e
os cinco passaram grande parte da noite juntos conversando e rindo, fazendo
com que todo o evento ficasse ainda mais divertido.
Observamos um daqueles momentos voláteis, quando Danika e Tristan
compartilhavam o mesmo ar, mesmo que fosse apenas de passagem, e foi tão
intenso como a primeira vez que tinha visto.
James e eu compartilhamos um olhar, quando Danika o cumprimentou
educadamente, mas dura. Por mais que Danika quisesse que fosse diferente,
claramente ainda havia um forte sentimento entre os dois. Mas a bagagem
pode ser uma coisa poderosa, e os sentimentos nem sempre eram suficientes.
Eu tinha convidado o meu meio-irmão, Sven e sua namorada, Adele, e
eu fiquei lisonjeada e feliz por eles terem conseguido vir.
Adele parecia uma modelo, pela altura correta e corpo, mas não era
daquelas modelos com o rosto belíssimo. Não era como Lana. Ela tinha
aquela boa aparência indescritível, que provavelmente lhe conseguia bastante
trabalho, uma vez que era o tipo mais versátil. Seu cabelo era castanho claro e
liso até os ombros, os olhos um belo, castanho suave.
Ela tinha aquele sorriso doce sempre presente no rosto, como se
estivesse feliz em qualquer lugar que estivesse. Eu gostava dela. Quando Sven
tinha dito que ele estava namorando uma modelo, eu tinha imaginado
aquelas modelos de olhos vagos, do tipo narcisista, e Adele ultrapassou as
minhas injustas expectativas.
Blake e companhia não estavam colados a cada passo que eu dava, como
se fossem sombras, uma vez que a lista de convidados era muito exclusiva, e

eles estavam obstinadamente guardando as entradas e saídas. Eu pensei que
era bom ser capaz de ir ao banheiro sem ter uma sombra, embora James se
aproximasse bastante disso, me levando pelo corredor até o banheiro da
galeria, e me esperando diligentemente na sala mais próxima.
Eu estava terminando quando a porta do banheiro abriu e fechou, em
seguida, abriu novamente.
— Agora você está me seguindo? — Perguntou uma voz feminina
agitada.
Eu reconheci imediatamente como Danika.
— Se essa é a única maneira que você vai falar comigo, então sim. — Um
homem respondeu.
Eu conhecia aquela voz profunda e grave muito bem. Era Tristan.
— Não temos mais nada para falar sobr... — Danika começou.
— Eu ainda penso em você todos os dias. — Tristan interrompeu
asperamente. — Vamos falar sobre isso.
Eu fiquei perfeitamente imóvel, agora oficialmente escutando de dentro
de uma cabine de banheiro.
— Oh, por favor. Pegue a sua culpa e saia de perto de mim, Tristan. Eu
não quero ter nada a ver com isso.
— Não é da culpa que eu estava falando. — ele disse, em voz baixa e
crua. — É em você que eu penso. Sempre você.
Ela bufou deselegante. Era uma coisa tão... não-Danika.
— Por favor! Você parou de tentar me procurar anos atrás. Eu não ouvi
uma palavra sua desde o término da sua reabilitação, até há pouco tempo
atrás, quando você resolveu entrar nessa turnê de arrependimento.
— Eu não confiava em mim, Danika. Eu precisava ter certeza da minha
sobriedade. Eu não sou nada sem ela, e você era um lindo gatilho para mim.
Aquele olhar em seus olhos, depois de tudo que eu tinha feito... O jeito que
você me olhou, como se eu fosse a escória, e sabendo que eu merecia todo o
seu ódio. Eu sabia que, se você me olhasse assim de novo, é porque eu tinha
batido no fundo do poço, e desta vez eu não iria sair dele.
— Eu estou com alguém, Tristan. — Ela disse bruscamente.

— E se não fosse ele? Você estaria disposta a falar comigo, passar um
tempo comigo, se você não estivesse com alguém?
— Não! Coisas ruins acontecem quando estamos juntos, Tristan. Você e
eu não somos nada além de problemas. O tempo não mudou isso. Por favor,
fique longe de mim.
Eu ouvi o movimento e, em seguida, um sussurro agonizante de Tristan,
— Danika, eu sinto muito. Eu nunca vou parar de sentir. Você era minha
melhor amiga. Você pode me perdoar pelo que eu fiz?
A resposta de Danika foi rápida, firme e definitiva. — Eu te perdoei há
muito tempo, Tristan, mas eu nunca vou esquecer. Por favor, mantenha
distância.
A porta se abriu e fechou. Duas vezes. Esperei mais alguns minutos
antes de sair, me sentindo culpada por ser tão intrometida. Eu deveria ter dito
algo no segundo que ouvi eles falarem, mas em vez disso, para nos poupar de
todo um momento de constrangimento, e sim, porque eu estava curiosa, eu
tinha ouvido essa troca dolorosa e pessoal.
Eu confessei meus pecados a James imediatamente, dizendo o que eu
tinha ouvido. Eu queria ouvir sua opinião sobre isso.
Sua testa franziu e ele sacudiu a cabeça.
— Eu realmente não sei o que aconteceu entre eles. Frankie que mantém
uma amizade intima com os dois, mas mesmo ela não vai falar sobre isso.
Presumo que eles chegaram a namorar um período, porque Tristan é tão
obviamente apaixonado por ela, mas mesmo isso é especulação da minha
parte. E eu sei que ele tem algo a ver com a lesão que ela tem, mas isso é tudo.
Eu não sei o que causou esse problema, ou qual a sua participação nele. Ele
apenas mencionou para mim uma vez que Danika costumava ser uma
dançarina incrível, e que ele tinha arruinado isso para ela.
— Isso é horrível. — Eu disse.
Ele acenou com a cabeça. — Sim. Há um monte de bagagem ruim lá,
mas o que ele disse a você na hora do almoço naquele dia, foi realmente o
mais próximo que o ouvi falar sobre o assunto em um encontro. Nenhum
deles fala muito sobre o assunto. Nós provavelmente nunca saberemos todos
os feios detalhes.
Eu sabia que ele provavelmente estava certo.

— Você se importa se eu for verificar se ele está bem? — James
perguntou.
— Nem um pouco. — Eu garanti, pensando que ele era o homem mais
doce e atencioso do mundo.
Danika se aproximou de mim, parecendo mais séria do que esteve
durante toda a noite. Toda vez que ela tinha me procurado antes, estava
radiante, em êxtase ao me dar a notícia de outra venda.
— Eu sinto muito que você teve que ouvir essa pequena discussão no
banheiro. — disse ela, encarando meus olhos firmemente.
Eu acho que deve ter corado até meus dedos do pé. — Eu sinto muito
sobre isso.
Ela acenou despreocupadamente. — Não foi sua culpa. Você só estava
usando o banheiro. Mas eu vi os sapatos sob a cabine, e eu queria me explicar.
Eu provavelmente soei como uma puta fria.
Eu a parei, segurando a sua mão. — Você não soou assim. Eu entendo
completamente. Às vezes, proteger o nosso coração é o único caminho para
manter nossa sanidade.
Ela assentiu com a cabeça, sua boca firme. — Sim, exatamente. Eu não
vou me envolver com ele de novo, e eu me recuso a permitir que isso vá
adiante. Quando eu era mais jovem e estúpida, eu pensava que ele era a coisa
mais maravilhosa e emocionante do mundo. Eu caí de amor por ele como
uma louca estúpida, eu pularia de um penhasco por ele. Era como estar
apaixonada por um tornado. E quando ele terminou comigo, eu realmente me
senti como se estivesse dentro de um tornado. Levei anos para juntar todas as
peças que ele deixou destruída, mas eu fiz isso, e eu não vou voltar. Hoje eu
quero estabilidade na minha vida. Eu preciso disso.
Eu balancei a cabeça. Eu poderia muito bem entender isso. Quando você
já esteve no inferno, a estabilidade era o paraíso.
Ela pareceu perceber que eu tinha entendido seu ponto. Ela me deu um
tapinha no ombro e se afastou.
Blake tinha se aproximado, pairando perto de mim quando James foi se
encontrar com Tristan. Como sempre atenta a tudo, ela também foi capaz de
me levar até onde ele estava.

Ele estava do lado de fora, falando com Frankie e Tristan em um pátio
privado. James estava de costas para a porta, com as mãos nos bolsos.
Eu me aproximei dos três timidamente, sem querer me intrometer.
Tristan estava tragando um cigarro, como se sua vida dependesse disso,
os olhos arregalados em Frankie, enquanto ela jogava os braços no ar e falava
com ele em voz baixa, obviamente, lhe dando uma bronca animal.
Ele tinha tirado o paletó do smoking e afrouxado a gravata. As mangas
brancas arregaçadas, revelando seus antebraços tatuados. Ele jogava bem em
ficar todo certinho e arrumado por algumas horas, mas seu bad boy,
obviamente, tinha retornado.
Tristan me viu primeiro. Ele exalou alto.
— Bianca, me ajude aqui! Frankie esta sendo uma megera. Por favor, lhe
diga que um cigarro não vai me matar.
James se virou para olhar para mim, seus olhos aquecendo
imediatamente, enquanto eu ia ao seu encontro. Ele agarrou meu braço
quando fiquei ao seu alcance, me puxando de costas contra ele, e beijando o
topo da minha cabeça.
Um dos dedinhos de Frankie batia no peito maciço de Tristan. — Não se
trata de um cigarro. Trata-se de logo após uma breve conversa com ela, já
pegou um hábito que tinha largado há cinco anos. Você precisa chamar o seu
conselheiro de reabilitação, neste segundo!
Tristan revirou os olhos, dando outra longa tragada no cigarro. — Você
sabe, irritação pode ser um gatilho.
— Isto não é uma piada. — ela se irritou, soando mais preocupada que
brava. — Estou preocupada com você. Você está agindo de forma estranha, e a
primeira coisa que tenta fazer é escapar e ficar aqui sozinho. A última coisa
que você precisa fazer é ficar sozinho agora.
— Eu não estou no espírito de suicídio, Frankie. Eu estou fumando um
maldito cigarro e então eu vou voltar, ok? Se você está preocupada com o que
eu poderia fazer, talvez você e sua garota devam dormir comigo esta noite. Eu
não deveria ficar na minha cama enorme sozinho.
Ela jogou as mãos no ar. — Como se você tivesse qualquer dificuldade
em encontrar corpos para aquecer sua cama.

— Você mesmo disse isso. Eu estou vulnerável agora, e eu deveria estar
cercado por pessoas que eu amo. Então venha dormir comigo, Frankie.
Ela lhe bateu com força no braço. — Quando é que 'tentar fazer com que
a lésbica durma comigo' vai te cansar? Eu realmente gostaria de saber.
Ele sorriu, mostrando as covinhas profundas para ela. Ele estava dando
um bom espetáculo de cara durão, mas ele ainda parecia estar sofrendo. —
Você não é 'a lésbica', você é a minha lésbica favorita. E eu só estava falando
de afeto. Sua mente suja fez o resto.
Ela suspirou, parecendo derrotada. — Tudo bem. Eu vou dormir
abraçada com você esta noite, se isso significa que você não ficará sozinho.
Sem dar em cima da minha namorada!
Eles faziam um par engraçado. O topo de sua cabeça mal alcançava seu
peito, e ela claramente o convencia com seus argumentos, mesmo ele se
elevando sobre ela e pesando pelo menos o dobro do que ela tinha.
Tristan terminou seu cigarro como se fosse o último na terra,
desfrutando-o até a última tragada. Ele e Frankie voltaram para dentro
juntos, mas James me segurou antes que eu os seguisse.
Ele segurou meu rosto, sorrindo para mim.
— Já que consegui ter um momento sozinho com você, eu queria te
dizer uma coisa, eu estou muito orgulhoso de você. Você já sabe que eu sou
seu maior fã, mas eu só queria que você soubesse que esta noite foi uma
grande conquista. Eu sei que você se convenceu de que eu fiz tudo isso por
você, mas não é verdade. Eu marquei a reunião. Isso foi tudo. No segundo que
Danika viu o seu trabalho, ela já foi conquistada, e você teria esta exibição,
com ou sem uma conexão comigo. Essas pinturas foram vendidas porque as
pessoas a queriam, e viram o valor delas. Você tem um talento que me deixa
de joelhos. Obrigado por compartilhar isso com o mundo.
— Obrigada. — Eu respondi a ele simplesmente, sentindo meus olhos
começarem a marejar. O maldito homem sempre me fazia ficar toda
emocional. E ele tinha um jeito com as palavras que toda vez me pegava.
— Eu te amo com loucura, James.
Seus olhos sorriam para os meus. — Sim, eu sei. Eu também te amo
assim. O mundo passou de preto e branco a colorido, no momento em que
coloquei meus olhos em você, meu amor. Não há como voltar atrás.

Foi um momento tão perfeito, que eu tive que bater com força para
afastar longe as malditas dúvidas em minha mente, que me falava que se algo
era tão perfeito, então tinha vida curta e um final infeliz. A vida pode ser
simplesmente boa, eu repetia a mim mesma. Este sentimento ruim não é uma
premonição. Nada de ruim vai acontecer com a gente. Eu tinha que dizer isso
muito para mim ultimamente.
No final da noite, Tristan comprou o meu maior quadro, de uma
paisagem e outro menor de natureza-morta. Frankie também comprou uma
pintura. Era uma aquarela do gato gordo do meu quintal. Ela disse que iria
colocá-la no seu estúdio de tatuagem para o mundo ver. Ela até assediou
James que ele deveria lhe dar meu auto retrato, que havia inspirado a
tatuagem em suas costas. Ele respondeu tranquilamente, o que deixou claro
para mim que já tinha lhe perdoado pela tatuagem nas minhas costas.
Sven comprou uma das minhas pequenas pinturas acrílicas, de uma flor
do deserto.
Insisti várias vezes que ele não precisava comprar nada.
— Eu quero. — ele me disse com firmeza. — Significaria muito para mim
ter algo que você fez, pendurado na parede da minha casa, e eu amo esse
quadro.
— Eu vou pintar algo de graça! Você não deveria ter que pagar treze mil
apenas para ter uma lembrança. Não é tarde demais para mudar de ideia.
Ele balançou a cabeça. — Não. Isto é perfeito. Porém, se você quiser
pintar alguma coisa para mim, eu certamente não iria dissuadi-la!
Isso me aqueceu e me deixou um pouco envergonhada, como todos
estavam sendo tão favoráveis.
À medida que a noite chegava ao fim, eu me senti tonta com a percepção
de que eu realmente me diverti muito. A noite tinha ultrapassado as minhas
expectativas. Meu nervoso era tão grande, que nem me permiti ficar ansiosa
com a estreia da minha nova carreira, mas eu amei que eu poderia olhar para
trás, e lembrar da minha estreia com alívio e prazer. Acabou, e realmente
tinha sido um sucesso.
Houve apenas uma pequena mancha na noite, quando saímos da
galeria.

A galeria ficava em um grande prédio de três andares, situado em uma
área moderna e ao lado do LA Cavendish hotel, compartilhando o mesmo
estacionamento na parte de trás da construção. Saímos pela frente, pelo
mesmo local onde tínhamos entrado. Um pequeno tapete vermelho foi
colocado para tirar fotos antes do evento.
Uma multidão bastante educada de fotógrafos tinha tirado várias fotos
da nossa entrada. Mas uma grande multidão deles ainda estava reunida no
momento em que saímos, já tarde da noite. Fiquei surpresa que tenham
esperado tanto tempo. E ainda mais estranho para mim era a multidão de
curiosos que reuniram por trás deles, apenas acompanhando a nossa saída.
James manobrou para ele ficar mais perto da multidão, embora não
houvesse uma barreira que os separasse. Ele jogou um braço em volta dos
meus ombros, sua mão indo até o aro de diamantes ligada a minha
gargantilha.
Nós tínhamos caminhado talvez seis passos, quando houve um suspiro
coletivo da multidão, e eu me virei a tempo de ver Blake saltar alguns
centímetros no ar e pegar um grande copo de plástico na mão em pleno ar. A
tampa da coisa voou e refrigerante escuro e gelo voaram em todas as direções,
mas ainda foi uma captura impressionante. Ela havia sido destinada a mim ou
James, eu mesmo, a ambos, mas nem mesmo uma gota daquilo chegou até
nós. Blake estava encharcada. Ela parecia imperturbável sobre sua própria
camisa e rosto molhado. Ela jogou o copo no chão e examinou a multidão, um
olhar muito hostil em seu rosto.
Era como se a bebida arremessada tivesse aberto uma comporta. As
pessoas começaram a gritar comentários obscenos em nossa direção. Eu não
poderia entender tudo o que falavam, mas os comentários mais altos
pareciam vir das mulheres, e se destinava a James.
— Você está tão gostoso! — Uma mulher gritou.
— Com um pau enorme desse, você pode me surrar a qualquer
momento! — Outra gritou.
Era tudo tão bobo que me escapou uma risadinha quando Clark nos
conduziu para a limusine. Blake entrou conosco
— Boa pegada, Blake. — disse James. — Eu vou te dar um aumento por
não deixar uma gota daquilo alcançasse Bianca.

Ela assentiu com a cabeça solenemente. — Só estou fazendo o meu
trabalho, senhor.
Sua resposta me acalmou um pouco, até eu começar a pensar sobre o
que era o trabalho dela. Se fosse uma bala em vez de uma bebida, ela
provavelmente teria feito a mesma coisa. Eu odiava isso. Eu não queria me
machucar, mas o pensamento de alguém ser prejudicado no meu lugar
parecia ainda pior para mim.






















CAPÍTULO TRINTA E DOIS
Sr. Casamenteiro

Eu mal respirei depois de meu último vôo, antes que chegasse a hora da
nossa viagem ao Japão. Quando tudo ficou pronto, eu estava mais animada do
que já estive sobre qualquer viagem.
Eu viajava muito a trabalho, mas sempre curtas viagens, com breves
escalas, mais trabalho do que diversão, e algo tão frívolo como duas semanas
inteiras sendo apenas uma turista, era um prazer. James teria que trabalhar
um pouco, ele me disse, uma vez que estávamos visitando também sua
empresa em Tóquio, mas mesmo ele estaria ausente do trabalho na maior
parte da viagem.
Eu sabia que era um voo muito longo, poderíamos ficar no avião por até
14 horas, e que essas horas poderiam dar sensação de dias, mas minha mente
já estava em Tóquio, quando embarcamos no seu jato.
James estava no seu estilo costumeiro de maníaco por controle,
amarrando meu cinto de segurança, quando ele me informou de um pequeno
desvio. — Nós vamos almoçar em Maui primeiro. — ele disse, em um tom
casual.
Minha testa franziu. Parecia um pouco fora do caminho...
— Maui? — Eu perguntei a ele.
Ele deu de ombros e me deu seu sorriso mais encantador. — Eu quero
que você tente adivinhar porquê.
Havia apenas uma coisa que me fez pensar em Maui. — Algo a ver com
Lana? — Eu imaginei.
Ele deu de ombros novamente. — Eu não consegui evitar. É a primeira
vez que ela abriu o jogo sobre isso. Marquei um almoço com esse cara, Akira.
Eu sei que estou me intrometendo, mas alguém tem de fazê-lo.

Eu o estudei, e fiquei ainda mais apaixonada por ele. Ele tinha uma
alma tão romântica. Basta estar com ele e eu já fico mais romântica. Era um
estado de espírito contagiante. — O que você pretende dizer a ele?
Ele beijou a ponta do meu nariz quando o avião começou a se mover.
— Não muito. Primeiro, eu só quero conhecê-lo, para ver se ele é digno
de alguém tão forte como Lana. E se ele for, eu só vou dizer a ele que precisa
começar a se mexer. Um homem apaixonado tem que fazer o primeiro
movimento. É o mínimo que ele deve fazer.
Eu sorri para ele. Eu podia sentir o quão suave aquele sorriso era. —
Então você é do tipo casamenteiro? — Ele me lembrou tanto Stephan. — Vai
tentar fazer que todos nossos amigos se estabeleçam?
Ele retornou meu sorriso suave com um largo. — O amor é assim. É
como um fogo no meu sangue, e agora que eu sei como é esse sentimento, ele
me tornou generoso. Eu sinto que o mundo deveria ter o privilégio. E se eu
puder ajudar alguém que me preocupo em encontrá-lo, então certamente vou
tentar.
— Isso é tão doce. — eu lhe disse sinceramente.
Ele sorriu para meus olhos, e seu sorriso não era tão doce. — Você não
vai achar que eu sou doce daqui a aproximadamente dez minutos, quando eu
amarrá-la na minha cama e foder com você completamente.
Senti a parte mais baixa do meu corpo apertar. — Você está em um
humor tão romântico. Você não vai chamá-lo de fazer amor hoje?
— Que tal chamar o que iremos fazer de foder carinhosamente até seus
miolos explodirem?
Eu ri. Isso soava ainda mais obsceno, pensei.
James trabalhou comigo durante horas, antes dele parar por tempo
suficiente para eu tirar um cochilo. O homem redefiniu a palavra insaciável.
Parecia que eu mal tinha pego no sono, quando ele me acordou novamente.
Passamos no Middleton Resort para nos refrescar, antes do nosso
almoço com Akira. James usava a sua versão de férias casual, que consistia de
uma camisa macia com decote em V branca, que destacava os seus músculos e
sua pele dourada à perfeição. Ele usava uma bermuda cargo cinza clara, de
cintura baixa, e sapatos sem meias. Eu estudei seus tornozelos com fascínio.

— Se alguém tivesse me dito que tornozelos podiam ser sexy, antes de te
conhecer, eu teria dito que a pessoa estava louca.
Ele sorriu. — Eu sempre achei que os seus eram sexy. O primeiro marco
no caminho do chão até o paraíso, amor.
Eu ri. É claro que iria por esse caminho.
Vesti uma regata de seda rosa, e short cinza escuro, que estava a um
dedo de ser indecente. Eu usava chinelos brancos, pensando apenas em ficar
confortável.
James olhou para as minhas pernas. Ele segurou meu colarinho
distraidamente. — Mesmo sem salto, você tem as pernas mais sexys do
planeta.
Ele tinha trabalhado tão duro comigo, mas eu queria ele novamente, era
como uma droga movimentando pelo meu sistema .
Nós marcamos nosso encontro com Akira no bar do Middleton Resort.
No instante em que eu vi Akira, eu entendi o apelo. Ele era um homem
enorme. Antes de conhecer Akira, eu nunca tinha visto James em pé, lado a
lado, com alguém tão mais alto que ele. Eu notei, quando ele apertou a mão
do outro homem, que ele era uns cinco centímetros mais alto que James. Ele
era um homem intimidante, mas Deus, ele era um espetáculo.
Ele tinha características havaianas clássicas, com grossas sobrancelhas
escuras sobre os olhos castanhos bonito, e uma boca generosa. Ele tinha
cabelos pretos ondulados, e tudo nele era grande, mas completamente
musculoso. O homem cuidava muito bem de si mesmo, pelos músculos
volumosos movimentando inquieto sob seu terno.
Ele me tratou com uma deferência educada desde o início. James, nem
tanto. Ele não teve escrúpulos em intimidar o outro homem desde o primeiro
momento.
— Você saiu com Lana. Eu vi você com ela nos jornais uma vez. — O tom
de Akira não poderia ser confundido como amigável ou indiferente.
James sorriu. Perversamente, eu pensei, pois James viu a hostilidade de
Akira como um bom sinal. E, perversamente, eu pensei que ele poderia estar
certo. — Nós somos amigos há anos. Nós temos feito companhia um ao outro
apenas em eventos sociais.

— O que isso significa, exatamente? Eu li em uma dessas reportagens
que vocês tinham namorado.
James estudou o outro homem. — Por que você pergunta? É
curiosidade, ou você está com ciúmes?
Akira não respondeu, apenas olhou para James como se quisesse
estrangulá-lo.
James estava longe de estar intimidado. — Eu quero saber por causa da
Lana. Eu gostaria de saber como você se sente sobre ela.
Akira se manteve em um silencio irritado. Era fácil perceber que ele era
um homem volátil, mas eu também pude perceber que ele tinha passado um
tempo trabalhando em controlar seu temperamento.
James suspirou. — Você é difícil. Totalmente oposto de Lana. Ela tem
um jeito tão suave, então é claro que ela iria se apaixonar por um homem que
é um barril de pólvora. A vida é muito engraçada.
Eu teria jurado que a pele escura de Akira estava ficando vermelho.
— Eu vou facilitar as coisas para você, Akira. Lana não namora, ela
nunca namorou, então ela certamente nunca namoraria comigo. Ela apenas
esta suspirando por você há tanto tempo, e tão completamente, que ela sequer
pensa em namorar outro homem. Ela anseia por você há anos. Eu vim apenas
para saber sobre você. Você é solteiro, você é hetero, então qual diabos é o seu
problema? Você não se importa com ela?
Akira corou. Com muito cuidado, ele colocou os punhos cerrados em
cima da mesa. — Porque diabos isso seria problema seu? — Ele rosnou.
James se inclinou para frente, implacável. — Porque eu me preocupo
com Lana, e porque eu sei que ela nunca vai ter coragem de procurar você. É a
hora que um homem deve trabalhar, Akira. Se você a ama, é seu trabalho
mostrar isso a ela.
Akira encostou um punho gigante sobre a mesa. A mesa balançou um
pouco, porque um toque de um homem do seu tamanho, era como um
completo soco de outro.
— Como é que você propõe que eu faça isso? Duvido que ela atenda
meus telefonemas, e ela não voltou para a ilha uma vez sequer desde que ela
partiu.

— Ligue para seu pai. Ela é um workaholic. Mande ele enviá-la aqui a
negócios. Se você não conseguir mantê-la aqui, isso será por sua culpa
exclusiva.
Akira aceitou isso melhor do que eu esperava, apenas definindo sua
boca em uma linha dura e balançando a cabeça, pensativo. — Você jura que
nunca a tocou?
James lançou as mãos para cima. — Eu nunca tentei. Eu juro! É
provavelmente a razão pela qual ficamos amigos tão próximos.
Nós almoçamos e nos despedimos de Akira. Ele foi duro, mas educado
quando nos separamos. Ele era um homem do tipo ilegível, mas eu pensei que
ele tinha relaxado com James, pelo menos um pouco até o momento em que
partimos. Comigo, ele foi perfeitamente educado, embora é claro que eu
nunca tenha sido ligada romanticamente a Lana na mídia, como James tinha.
A próxima parte da viagem era maior. Mas viajar com James por mais
oito horas, em um jato particular espaçoso, não foi nem um pouco cansativo.
O jato particular não foi projetado com uma composição normal, ou
qualquer coisa normal, na verdade. A comissária de bordo e nossa segurança
tinham seu próprio espaço fechado entre nós e a cabine de vôo, onde eles
poderiam ter sua própria privacidade, e nos dar a nossa. James aproveitou
isso ao máximo.
O avião mal tinha atingido 10 mil pés, quando ele estava ajoelhado na
frente do meu assento, se inclinando para beijar minhas coxas, acariciando
todo o caminho, e espalhando minhas pernas abertas, enquanto enterrava seu
rosto contra o meu sexo. Eu ainda estava usando short, quando ele brincou no
meu centro com seu nariz.
Ele sentou inocentemente depois ao meu lado, soltando meu cinto de
segurança e tirando meu short e minha calcinha, e eu agarrei seu cabelo em
meus punhos, quando fiquei nua e ele começou a trabalhar em mim.
— Você é insaciável. — Engoli em seco, quando ele me lambeu como se
nunca fosse parar.
— Sim. — ele murmurou contra a minha pele. — Eu nunca vou ter
minha cota de você, e eu nunca vou deixá-la esquecer isso, mas você
dificilmente irá reclamar, amor.



CAPÍTULO TRINTA E TRÊS
Sr. Indulgente

O Hotel Cavendish estava localizado no distrito de Ginza, em Tóquio. Eu
tinha lido cada folheto turístico que conseguia chegar em minhas mãos sobre
a cidade, mas James tinha uma riqueza de informações, além do mais ele
tinha, aparentemente, passado muito tempo em Tóquio. De acordo com meu
guia turístico, e as informações de James, Ginza é uma das principais áreas
comerciais da cidade.
Nós recebemos o tratamento real desde o momento em que passamos
pela porta. Eu já estava ficando acostumada com isso, embora os japoneses
levassem o tratamento real a um nível totalmente novo. Eu ainda estava me
acostumando com o modo japonês de se curvar em respeito um ao outro. Eu
achei seus costumes encantadores, e tentei imitá-los rapidamente, querendo
me misturar na sua cultura tanto quanto possível, embora, é claro que fosse
impossível eu me misturar lá. Ainda assim, eu queria muito aprender, para
evitar me destacar como uma estrangeira rude.
James imitava suas reverencias perfeitamente, como se ele tivesse
visitado o local muitas vezes. Pelo que eu podia saber, ele realmente visitou.
Ele até falava relativamente bem a língua. Eu tinha estudado, mas fui
irremediavelmente ultrapassada.
Uma frase em japonês que saia de sua boca e eu ficava perdida, apenas
observando-o com admiração, sem entender uma palavra. No entanto, os
moradores pareciam não ter nenhum problema.
Nós havíamos discutindo por semanas que tipo de viagem que eu tinha
imaginado, quando pensei em visitar Tóquio. James parecia achar charmoso
que eu só pensava em um passeio pelo circuito turístico pela cidade. Eu queria
usar o metrô, visitar cada templo, santuário e parque, e todas as atrações
populares.Basicamente, eu queria ver tanto da cidade peculiar quanto
humanamente possível.

O plano era passar nove dias ao redor da cidade, em seguida, outros
quatro nas áreas do entorno do Monte Fuji, e então um dia no topo da
montanha em si. Eu tinha falado mesmo a James em acampar no topo por
uma noite. Ele tinha sido fácil de convencer, já que ele nunca realmente
acampou antes. Eu não era um especialista em acampamento, mas eu era um
especialista em viver em ambientes precários, e uma noite em uma barraca no
topo de uma montanha famosa apenas parecia divertido para mim. Eu tinha
essa ideia na minha cabeça, e James nem sequer tentou me dissuadir.
— Claro, eu vou providenciar os suprimentos. — foi tudo o que ele disse,
me dando um sorriso indulgente.
Começamos nosso primeiro dia de passeio em Tóquio no início da
madrugada. Ambos de shorts, camisetas e sapatos confortáveis, como os
turistas que éramos, e partimos a pé para o nosso primeiro destino.
Kyokyo, o Palácio Imperial, estava apenas há vinte minutos do nosso
hotel, então fomos lá primeiro. Nossa segurança nos seguindo a uma
distância discreta, e eu quase esqueci que eles estavam lá na maior parte do
tempo. Apenas o palácio tomou a maior parte do nosso dia.
Encontramos uma pista de jogging com um belo cenário de paisagens
naturais, que cercavam todos os jardins do palácio. Eu tinha lido em voz alta
sobre essa trilha no guia turístico na noite anterior, então James sorriu
quando apontou para mim. — Quer dar uma corrida? — Ele me perguntou.
Eu balancei a cabeça e sorri. Eu não era um grande atleta. Mesmo
quando eu tentava, era geralmente de uma forma mais suave do que uma
verdadeira corrida, mas parecia perfeito naquele momento.
Nós corremos por talvez 10 minutos, James mantendo o ritmo ao meu
lado, antes que eu desacelerasse para uma caminhada rápida.
Eu fiz uma careta para ele. — Eu sei que isso não vai ser um choque,
mas você está em melhor forma do que eu.
Ele me deu um rápido e lascivo olhar. — Eu discordo. Eu acho a sua
forma muito melhor, amor.
Eu ri. O homem podia transformar qualquer coisa em algo sugestivo.
Passamos horas caminhando na trilha em volta do terreno, cobrindo
cada centímetro dos jardins com as lindas paisagens naturais. Era um cenário
romântico e James, sendo uma alma romântica, usava cada pedacinho dele

para vantagem pessoal, apertando minha mão e sorrindo para os meus olhos.
Se eu já não estivesse perdidamente apaixonada por ele, apenas uma manhã
como esta, e eu juro que ele teria mudado isso.
Nós levamos o nosso tempo explorando o palácio, e quando
terminamos, encontramos um charmoso parque a poucos quarteirões de
distância. Crianças jogavam alguma versão de futebol em um campo de terra.
As pessoas que tínhamos encontrado até agora tinham sido o epítome de
educação, nem mesmo olhando para nós, apesar de, provavelmente,
aparentarmos estar completamente fora de lugar para todo mundo lá.
A única diferença eram as crianças com menos de quinze anos. Eles
olhavam descaradamente para nós dois, o jogo chegando a um impasse
enquanto caminhávamos por lá. À medida que fomos passando por eles,
todos os jovens adolescentes levantaram as mãos no ar, como se tivessem
planejado isso, e começaram a aplaudir. Eu ri com a reação estranha, olhando
para James.
— O que foi isso? — Eu perguntei a ele.
Ele estava sorrindo. — Acho que acabei de encontrar alguns novos
membros do seu fã-clube.
Revirei os olhos, ainda rindo. Os garotos eram estranhos.
Nós passeamos pelo grande parque circular, fazendo uma pausa quando
vimos um concerto improvisado no parque. Uma multidão se reuniu para
assistir a uma pequena orquestra tocar.
James me puxou em seus braços, me levando com maestria e
cavalheirismo, sem dúvida, uma combinação rara. Ele mudou o passo para
uma valsa leve, sorrindo nos meus olhos.
— Que cidade encantadora. — eu disse a ele, sorrindo de volta, e
apreciando a novidade de uma dança da manhã no parque.
Ele acenou com a cabeça. — Eu estou me apaixonando por esta cidade.
Por tudo. Você fez o mundo um lugar novo e excitante para mim.
Eu corei de prazer, acreditando em cada palavra inebriante que ele me
dizia.
Nós saímos do agradável distrito do Palácio Imperial e de volta para o
distrito de Ginza, comprando algumas coisas, mas na maior parte apenas

explorando a fascinante cidade. Caminhamos por um shopping, e usamos o
guia para tentar encontrar um dos grandes jardins da cidade, na baía de
Tóquio que eu tinha marcado.
Nós estávamos tentando decifrar o mapa por talvez cinco minutos,
rindo de nossa confusão, quando Clark se aproximou. Ele tinha caminhado
com Blake, no seguindo a uma distância discreta durante todo o dia.
— Os Jardins Hamarikyu, certo? — Ele perguntou, olhando para o nosso
mapa.
Eu balancei a cabeça.
Ele apontou para a rua. — Por ali. — ele disse. Aparentemente ele já veio
aqui antes. — Nós vamos passar pelo mercado de peixe, que é fechado
durante o dia, mas é apenas algumas quadras depois disso.
Nós agradecemos e começou a seguir pelo caminho que ele indicou.
James tinha um braço em volta da minha cintura, me segurando perto, sem se
importar com o calor e a umidade.
— Nós vamos ter que visitar o mercado de peixe amanhã de manhã. —
disse James. — Vale a pena. É o melhor sushi do mundo.
Eu não tinha certeza se era a hora do dia, ou o dia da semana, mas os
belos jardins estavam quase desertos, apenas um pintor aqui e ali,
capturando um dos marcos do parque. A beleza dos jardins bem cuidados
faziam um grande contraste com os arranha-céus do distrito shiodome. Nós
circulamos pelo grande parque, parando muitas vezes para desfrutar a vista
das lindas paisagens do jardim, e as águas da baía ao lado dele.
— Me avise se achar algo que deseja pintar. — James me disse, quando
passamos por um outro artista. — Eu posso conseguir que os suprimentos
necessários sejam trazidos imediatamente, se você desejar. Este lugar parece
inspirar os artistas.
Eu sorri para ele, amando o quando ele conseguia me entender. Eu
estava pensando exatamente o quando gostaria de passar uma manhã
pintando aqui.
— Você é tão doce. — eu disse a ele.

Ele sorriu, e foi tão doce como poderia ser, diante de suas palavras. —
Eu estava planejando aonde poderia te foder aqui. Você tem ideias estranhas
sobre ser doce.
Eu ri. Eu tinha a sensação de que, ver o mundo sob a ótica de James iria
me dar ideias estranhas sobre um monte de coisas. — Como é que você
propõe que façamos isso?
Seus olhos arderam nos meus. — Você me preocupa com essa resposta.
Há uma casa de chá localizada numa pequena ilha no centro dos jardins. Você
gostaria de assistir a uma tradicional cerimônia japonesa do chá?
Fiquei encantada com a ideia. — Não há nada mais que eu amaria fazer
agora. Talvez, exceto seus outros planos.
Ele piscou para mim, me dando um sorriso maroto. — Não há nenhuma
razão que não possamos fazer as duas coisas.
A casa de chá era pitoresca, mas eu achei incrivelmente bela, as janelas
abertas, com vista para os jardins, como uma moldura para uma foto perfeita.
Nós sentamos de pernas cruzadas sobre uma esteira de bambu escura,
enquanto uma japonesa com idade indefinível, preparava o ritual de forma
meticulosa e elegante.
Eu assistia com muita atenção, fascinada com cada detalhe, porque cada
um deles era tão perfeitamente orquestrado. Os movimentos mais simples se
tornando arte, enquanto a experiente mulher trabalhava fluidamente pelo
ritual, as mangas em seu quimono rosa claro mal ondulando, enquanto seus
braços se moviam.
James se inclinou para ela, quando foi presenteado com seu chá,
jorrando um fluxo fluente em língua japonesa que eu não poderia nem tentar
começar a seguir, mas ele estava, obviamente, elogiando-a.
Eu senti uma onda completamente irracional de ciúmes. Eu tentei
encobri-lo, sabendo que isso era uma loucura. Mas o seu elogio dirigido a uma
outra pessoa além de mim, me fez sentir possessiva com ele.
A mulher corou com seu elogio, deixando a sua beleza pálida ainda mais
pronunciada.
Eu me curvei a ela , quando ela ofereceu o chá para mim, tropeçando no
obrigado em japonês. A mulher era a epítome da graça, o que me fez sentir
um pouco desajeitada apenas em olhar para ela.

A mulher saiu, quando o prolongado ritual terminou, nos deixando
sozinhos no local. Eu sabia que a privacidade deferente era um efeito James
Cavendish.
Eu dei a James um olhar de soslaio, ainda tomando meu chá. Ele estava
me observando, e o olhar em seu rosto me fez contorcer. Ele tinha um leve
sorriso, mas seus olhos estavam completamente no modo Dom.
— Isso te deixou com ciúmes, apenas em me ver elogiando-a pela
cerimônia do chá, não é? Você agora é possessiva do meu afeto.
Eu torci o nariz, desejando que ele não pudesse me ler tão bem. Era
constrangedor para mim que ele soubesse exatamente o qual excessivamente
ciumenta eu poderia ser. Eu balancei a cabeça. Não havia nenhum ponto em
esconder, já que ele havia visto isso claramente.
— Ela é linda, e você estava fascinado por ela. — eu disse, como se não
conseguisse manter as palavras para dentro. — Você a desejou? — Eu
perguntei, sabendo que era uma pergunta estúpida. Eu não quero saber se ele
a desejava, e eu não queria que ele mentisse, por isso era apenas masoquista
fazer essa perguntar.
Seus olhos se suavizaram apenas um pouco. — Não, amor. O
pensamento nem sequer passou pela minha cabeça. Me ocorreu apenas que
adoraria que você aprendesse a fazer isso. O pensamento de você me servindo
com tamanha restrição de movimentos é inebriante...
— Eu nunca poderia fazer isso como ela. Ela é perfeita.
Ele apenas passou a língua sobre os dentes. — Eu não quero que você
faça isso como ela. Eu quero que você faça do seu jeito. O que você acha?
Gostaria de um quimono e algumas aulas de cerimônia do chá?
Eu balancei a cabeça, sem hesitar. — Eu adoraria.
Ele sorriu, levando sua mão até a parte de trás da minha cabeça. Ele se
aproximou mais perto de mim. — Então iremos separar uma manhã para isso.
Ele me beijou, em seguida, me empurrou contra o chão, ficando em
cima de mim. Ele apertou sua ereção dura contra mim, ainda totalmente
vestido, enquanto arrebatava minha boca. Ele não mostrou nada de sua
finesse habitual, enquanto ele agarrava meus quadris, e se movia contra mim,
mordendo duro o meu lábio inferior. Era como se ele quisesse ser tão
selvagem quanto possível, um contraste perfeito naquele lugar refinado.

Ele se afastou, se sentando e olhando para mim. Sua linda boca estava
um pouco torcida, quando ele sorriu para mim, passando a mão pelo seu
cabelo.
— Levante-se e tire suas roupas. Cada peça. — Sr.Cavendish ordenou.
Olhei em volta, um pouco chocada com essa perspectiva, quando eu
deveria estar muito além do ponto de ainda conseguir ficar chocada. Talvez
tenha sido as maneiras perfeitas que todos nós agimos ali, mas parecia um
pouco errado em fazer algo tão grosseiro naquela serena casa de chá. Além
disso, havia janelas abertas em todos os pontos, e uma boa chance de que
poderíamos ser visto ou ouvido.
— Nós podemos? — Eu perguntei sem fôlego.
Isso o fez rir, e quando seus olhos Dom voltaram para o meu rosto, eu
sabia que ele amava com paixão o olhar escandalizado que eu tinha agora.
— Eu posso fazer qualquer coisa que eu quiser. — ele me disse. — Isso
deveria ser uma das primeiras coisas que você tinha que ter aprendido sobre
mim. Agora, tire suas roupas, ou eu farei algo que realmente te
envergonharia.
Obedeci, acelerando, porque eu me sentia muito estranha fazendo isso
aqui.
Ele inclinou a cabeça, encostando para trás apoiado em suas mãos.
— Devagar. Tire uma por uma vagarosamente. E toque seu corpo para
mim, como se estivesse me mostrando cada parte dele
Eu puxei lentamente minha camiseta sobre a cabeça, soltando a frente
do meu sutiã para deixar os meus seios derramarem livres.
— Se acaricie. Me mostre o quão áspero você gosta que eu trate eles.
Eu espalmei minhas mãos nos grandes globos com firmeza,
empurrando-os juntos, evitando meus mamilos ainda doloridos, mas
amassando a carne em torno deles. Eu gostava quando ele trabalhava assim
em mim, mas suas mãos eram muito mais adequadas para isso do que as
minhas.
— Tire o seu short e calcinha agora, mas não se toque.

Eu deslizei dos meus sapatos, descendo meu short e minha calcinha em
um movimento suave.
— Venha aqui. Eu quero que você coloque o pé no meu ombro. Eu
preciso ver como você está molhada antes mesmo que eu te toque.
Obedeci com cuidado, me inclinando um pouco para manter o
equilíbrio. A casa de chá era iluminada apenas com luz natural, mas ainda
acho que nunca me senti mais exposta, enquanto olhava para fora da janela
aberta, me certificando de que ninguém estava nos observando.
Ele cantarolou em aprovação. — Olha isso, já tão molhada. Me deixe vê-
la se tocando. Esfregue o seu clitóris para mim.
Eu obedeci, mas um som de desapontamento escapou da minha
garganta. Eu queria que ele me tocasse.
— Não se queixe. Diga: Sim Sr. Cavendish, ou eu não vou deixar você
gozar.
— Sim, Sr. Cavendish. — eu murmurei, tentando não soar ressentida.
No final das contas, ele que tinha me estragado. Seu toque era uma droga que
eu nunca mais poderia abandonar.
Eu circulei meu clitóris com um leve toque, remexendo meus quadris
enquanto fazia isso. Ele olhou de perto, suas pálpebras ficando pesadas. Ele se
aproximou, segurando o meu pé em seu ombro para me manter firme.
Estremeci quando senti sua respiração em mim.
— Apoie suas mãos e joelhos no chão. — ele me disse, enquanto eu
trabalhava em mim mesma em um ritmo febril.
Eu obedeci, e ele simplesmente me olhou por um tempo. Ouvi o
farfalhar de suas roupas, o movimento de seu zíper se abrindo, e então o som
dele se mexendo sobre a esteira de bambu.
— Arqueie mais as suas costas. — ele me disse. — Abra um pouco mais
as pernas. Eu vou bater com tanta força, que você vai ficar com dor em seus
joelhos e uma boceta ferida quando eu terminar.
Eu gemia e arqueava meu corpo. Ele agarrou meu cabelo, puxando
minha cabeça para trás, e bateu em mim duro. Ele estabeleceu um ritmo
chocante, brutal, um contraste gritante com o nosso meio gentil, e eu adorei
tanto quanto ele sabia que eu faria.

Ele tinha inúmeros movimentos suaves, mas ele não usou nenhum
deles, batendo em mim como se estivesse no cio, com um único duro
propósito. Eu pensei que ele já tinha me levado em todos os sentidos
possíveis, mas a maneira como ele me levou em seguida era tão violentamente
selvagem, alimentando tanto a minha necessidade de prazer como de dor, e
eu gozei com um soluço irregular, sentindo a punição e o prazer em partes
iguais.
Meus joelhos estavam doloridos até o momento em que ele encontrou a
sua própria libertação, puxando com força o meu cabelo, quando ele chegou
ao seu limite, se esfregando grosseiramente contra os meus quadris.
— Oh, Bianca. — Ele gemeu, e havia um mundo de louvor em sua voz,
como se apenas comigo ele conseguisse se desfazer assim, e eu fechei os olhos
de puro prazer com o pensamento.
Ele se inclinou contra as minhas costas, dando um beijo em seu nome
tatuado ali, e depois um beijo duro no meu pescoço minhas costas.
— Foda malditamente perfeita. — ele disse, ainda se debatendo dentro
de mim. — Cada centímetro de você foi enviado do céu para mim.
Sorri com o pensamento. Ele ás vezes ainda me pegava desprevenida,
como extravagante e romântico poderia ser, especialmente depois do que
tínhamos acabado de fazer.
— Só você pode transformar uma foda como animais no cio no chão, em
algo romântico. — eu disse a ele com uma risada.
Ele me puxou com o mais delicioso ruído. — E por que não deveria ser?
O que não é romântico em encontrar alguns momentos perfeitos de felicidade
com a mulher que eu amo?
Eu não tinha uma resposta a isso.
Andamos pelo resto dos jardins, de mãos dadas e compartilhando
toques e olhares amorosos. Seu olhar era particularmente ardente, quando ele
olhava para os meus joelhos rosa. Ele gostava de deixar sua marca em mim.
Fomos pela manhã ao mercado de peixes de Tsukiji, e na hora do
almoço nós provamos alguns dos melhores sushis do mundo lá. Passamos a
tarde inteira no famoso Ueno Park e no Zoologico, desfrutando apenas em
observar as pessoas e passear.

Ao longo dos próximos dias, visitamos cada santuário, templo, museu, e
paisagem que valia a pena na cidade. Clark ou Blake tiravam fotos de nós dois
na frente de todos os famosos monumentos. Pensei que deveríamos ter pelo
menos mil fotos apenas nos primeiros cinco dias de viagem.
Nós ficamos horas comprando no enorme shopping de descontos
existente em torno do Templo de Senso-ji, e comemos vários tipos de comida
de rua. Eu tentei tudo corajosamente, mas, às vezes, pegava James cerrando
os punhos, quando ele me via experimentando algo diferente demais.
— O quê foi? — Eu perguntei com uma risada. Ele estava carrancudo,
enquanto eu experimentava uma mordida de bolo de polvo frito.
— Se você ficar doente por comer isso, eu vou torcer o pescoço do
vendedor de rua.
Eu não fiquei surpresa. O homem nunca foi capaz de controlar
totalmente sua raia protetora.
James me seduziu nos Jardins Koishikawa Korakuen uma manhã, no
pequeno santuário, que ficava em uma clareira privada. Eu tinha certeza que
Clark ou Blake deveriam estar a postos para nos proteger contra intrusos,
porque ele levou muito tempo comigo lá, pedaços de raios de sol atravessando
nosso corpo, através das frondosas árvores que guardavam nosso pequeno
pedaço do paraíso.
Dedicamos todo um domingo a Harajuku Street e ao Santuário Meiji, já
que eram grandes, mas a uma curta distância um dos outro.
Tentei não ser rude, mas eu não podia deixar de assistir a uma das
procissões de casamento intrincadas atravessando o Santuário Meiji.
James se envolveu contra as minhas costas. Eu assisti muito tempo,
fascinada pela adorável espetáculo. Olhei para James quando terminou. Eu
estava esperando que ele fizesse alguma brincadeira sobre casamentos, mas
ele tinha ficado excepcionalmente silencioso com tudo isso.
— Foi lindo. — eu disse a ele.
Ele apenas acenou com a cabeça, franzindo os lábios e olhando para
nossas mãos unidas.
A Rua Harajuku era tudo o que eu tinha imaginado e muito mais. Parei
e olhei para cada uma das garotas de Harajuku que passava, as vezes em

bandos, vestidas como Lollis e Lollis góticas, com bastante babados e luvas
longas, algumas completamente caracterizadas como os personagens.
Eu sempre ficava animada quando reconhecia o anime que elas estavam
usando. James achava isto adorável, me dizendo com seu sorriso mais
indulgente.
Eu encontrei algumas camisetas de personagens em uma loja temática
de anime. Eram versões dos uniformes escolares de um anime que eu gostava.
Um era negro, um branco. Eu os peguei, e me assustei quando James tirou a
própria camisa. Eu estava cobiçando aquele peito dourado, quando como ele
puxou a camiseta branca do anime e vestiu. Ficou perfeito como uma luva.
Eu usei o provador para vestir a mesma versão da camisa, em preto. A
garota da loja estava dando a James olhares arregalados, enquanto ele
pagava, e eu não podia culpá-la. Ele tinha acabado de lhe dar um show. James
mostrando a pele era sempre uma exibição dar água na boca, não importa o
motivo.
Eu pensei que era tão doce que ele estava disposto a me agradar, usando
a camisa pelo resto do dia. O material era macio e fino, e eu não conseguia
manter as mãos longe de seu peito, enquanto caminhávamos pelas ruas cheia
de gente. Ele não se importava.
Passamos uma noite em Akihabara, no Electric City, até mesmo
arriscando em um dos famosos Maid Café
7
. Havia bonitas garotas japonesas
que pareciam jovens demais para estar trabalhando em nos servir comida e
gatinhos passeavam pelo local, um até mesmo saltou em nossa mesa para ser
acariciado. O local era encantador, mas teria sido mais, se não houvesse
aqueles homens mais velhos que pareciam estar lá apenas para cobiçar
aquelas meninas demasiadamente jovens.
James foi um grande sucesso com as garotas, é claro. A empregada que
nos serviu não conseguia nem olhar para ele sem corar, e muitas pediram
para tirar fotos com ele antes de sairmos, ainda que houvesse uma grande
placa em inglês, afirmando claramente que custava 700 ienes tirar fotos com
elas.
No momento em que partimos da cidade para a nossa viagem ao Monte
Fuji, eu sentia que havia conhecido cada atração turística que seria possível
conhecer.

7
Estilo de restaurante tipicamente Japonês, em que as mulheres trabalham caracterizadas como empregadas vitorianas,
agindo como servas e tratando os clientes como mestres.


CAPÍTULO TRINTA E QUATRO
Sr. Para Sempre

Nós pegamos um trem para Hakone, para desfrutar de um dia e uma
noite das nascentes de água quente, antes de subimos ao majestoso Monte
Fuji. James tinha alugado um imóvel inteiro apenas para ficarmos o dia. Não
era um hotel Cavendish, mas era bastante impressionante. Era tão grande que
eu, honestamente não poderia dizer se era alugado como hotel ou casa.
A propriedade ostentava estruturas japonesas tradicionais, a parte de
trás da propriedade alinhada com o lago, e pontilhada com inúmeras
nascentes naturais de água quente.
Foi o dia mais relaxante que tivemos, desde que tínhamos chegado ao
Japão. Apenas ficamos lá e fizemos amor no que parecia ser o dia inteiro.
Nós não estávamos na casa nem há 30 minutos, quando James me
arrastou para as águas termais, arrancando nossas roupas enquanto
caminhamos.
A água quente estava deliciosa, a temperatura certa para o local que
ficava mais perto da montanha, e alguns graus mais frios do que em Tóquio.
Olhei para a montanha, enquanto caminhava até a água, e deslizava para a
beira da piscina, ainda admirando a vista espetacular.
Ele fez amor comigo lá, me apertando com força contra a lateral da
piscina, eu olhando para aquela visão perfeita da montanha, enquanto ele me
fodia sem sentido.
Nós iniciamos a subida ao Monte Fuji um pouco mais tarde no dia
seguinte. James me garantiu que não seria necessário iniciar mais cedo, se
nós íamos acampar, e a vista era ainda mais bonita com o sol da tarde de
verão. Então, nós ainda mergulhamos um pouco na nascente, almoçando
depois, antes de finalmente sairmos.

— O verão é a melhor época para conhecer o Monte Fuji. — James me
disse quando começamos a nossa subida. — Mas precisamos voltar para o
Japão na primavera, na época das flores de cerejeira.
Nós caminhamos lado a lado até a trilha pronunciada de pedra. Eu
carregava o menor pacote de hidratação. James não permitiu que eu levasse
mais nada, mas ele e Clark estavam sobrecarregados com o equipamento para
o acampamento.
— Existe alguma coisa no mundo que você ainda não viu? — Eu
perguntei a ele. — Eu adoraria ir a um lugar que é realmente novo para você.
Ele parou para me dar um de seus mais intensos olhares, aqueles de
parar o coração. — Tudo parece novo, agora que eu tenho você. O mundo
ficou colorido agora, e eu quero ver tudo de novo com você.
Fizemos um bom tempo até a montanha, já que estávamos em boa
forma, e os que estavam mais sobrecarregados com mochilas pesadas estavam
na sua melhor forma. Paramos muitas vezes para apreciar a vista, mas apenas
para isso, estabelecendo um ritmo acelerado.
James me deu uma bebida energética de arroz com lichia em um saco
prata. Era um daqueles alimentos com um gosto estranho, que tinha
acostumado depois de algum tempo. Dificilmente se encaixava com seus
padrões de dieta habitual, distante de açúcar e carboidratos simples, mas ele
tinha ficado mais relaxado sobre isso nas férias.
Eu tomei a bebida estranha, que era basicamente um pacote de calorias,
e apreciamos a vista.
Eu tinha um sentimento de admiração sobre onde eu estava, enquanto
eu observava a grande sombra da montanha em toda a terra. O mundo
parecia tão grande aqui, e eu tão pequena, e eu senti que era uma coisa boa.
Na maioria das vezes, na minha vida o mundo parecia me fazer sentir muito
pequena, como se não importasse onde eu estava, todos os meus problemas
poderiam ainda me seguir e me devorar. Eu sentia o oposto disso aqui — os
meus problemas se tornando pequenos demais para sequer me preocupar.
Eu peguei James me olhando, com um olhar confuso em seu rosto.
Eu sorri para ele. — Eu amo tudo isso. — Eu disse a ele.

Um canto de sua boca bonita subiu ironicamente. — Eu espero que sim.
Parece que vamos passar a noite. Devo dizer que fiquei surpreso ao descobrir
que você era o tipo que acampa.
Eu dei de ombros. — Eu não sou, realmente. Eu só fiz algumas vezes
com amigos, mas foi fácil, e o pensamento de fazer aqui era muito tentador.
— Quando foi a última vez que você acampou?
Eu tive que pensar sobre isso. — No verão passado, em Mount
Charleston, com a nossa equipe.
Uma sobrancelha se levantou. — Alguém que eu conheço?
Eu suspirei. — Murphy e Damien, e algumas pessoas que você não
conhece.
Sua mandíbula se apertou.
Eu lhe dei um olhar exasperado. — Realmente, James. Você ainda acha
que precisa ficar com ciúmes dele?
— Eu suponho que você não tenha dividido com ele um saco de dormir?
Revirei os olhos, o início de uma raiva se agitando. — Não. Eu
compartilhei uma pequena barraca com Stephan.
Ele acenou com a cabeça. — Eu não estou mais com ciúmes dele. Ou,
pelo menos, eu estou tratando disso.
Estudei-o, perplexa. — Que diabos isso significa?
Ele sorriu, o aperto na sua expressão simplesmente desaparecendo. —
Eu decidi ajudá-lo a marcar um encontro. Se ele estiver feliz e apaixonado,
talvez ele pare de pensar tanto em você.
Isso me surpreendeu tanto que eu caí na gargalhada. — Você está
realmente sendo casamenteiro de novo? Você leva a palavra controle a um
nível totalmente novo. Suas tendências maníacas por controle e seu charme
Cavendish são uma combinação perigosa para a vida amorosa dos nossos
amigos.
Ele apenas deu de ombros. — Eu sei que ele é seu amigo, e eu realmente
ainda gosto do cara, mas apenas saber os pensamentos que ele estava tendo
sobre você, e considerando a maneira que ele se sente, estava me deixando
louco. Para lidar com isso, eu tive que arrumar uma estratégia em como lidar

com ele. Vê-lo com Jessa foi como se uma luz se acendesse. Ele está
interessado nela, mais do que eu acho que ele percebeu, mas ele estava tão
preso a você, por tanto tempo, que ele estava cego a isso. Não me interprete
mal, eu simpatizo com isso. Ser excessivamente obcecado por você se tornou
um dos meus passatempos favoritos, mas eu vou ser amaldiçoado se outra
pessoa tiver essa honra.
Eu pensei sobre Damien e Jessa. — É um jogo que faz sentido para mim.
— Um antigo amigo está precisando de uma nova tripulação para seu
jato particular. Eu recomendei Murphy e Damien como seus pilotos, e Jessa
como sua comissária de bordo. Isso vai colocar os dois muitas vezes bem
próximos. Tudo o que podemos fazer é esperar que isso seja o suficiente.
— Isso é tão doce da sua parte. Eu estava tão preocupada com Damien e
Murphy não trabalharem mais juntos, e como tão triste que isso seria.
Ele piscou para mim. Isso fez o meu estômago dar uma pequena
reviravolta. — Eu sei que você estava. Eu estou de olho em empregos para
seus amigos, uma vez que muitos vão ficar desempregados nesse ano.
Deus, eu amo esse homem, eu pensei nisso, pela milionésima vez. —
Obrigada por isso. — Eu disse a ele.
Ele acariciou minha bochecha. — Eu amo o seu coração mole. Eu vou
manter como missão de vida deixá-la sempre feliz.
Continuamos a subir rapidamente a trilha. Mesmo parando com
frequência para apreciar a vista incrível, fizemos a subida em pouco mais de
quatro horas.
Tivemos uma vista espetacular do pôr do sol, quando chegamos na
cratera no topo da montanha.
— Nós não poderíamos ter cronometrado mais perfeitamente. — eu
disse, admirada com a vista. Era, sem dúvida, o mais belo pôr do sol que eu já
vi na minha vida.
— Sim, eu sei. — Ele disse de forma sucinta.
Eu lhe atirei um olhar. — Você cronometrou o tempo para isso?
— Sim. Eu queria que hoje fosse especial. Eu queria que fosse perfeito.

Eu ainda admirava a vista enquanto ele falava, mas eu sentia ele me
estudando. Eu lhe atirei um outro olhar rápido. — O que há de tão especial no
dia de hoje? — Eu perguntei, a nota grave em seu tom de voz me alertando
para o seu humor.
Meu coração parou e, em seguida, fez uma volta lenta no meu peito
quando ele ficou de joelhos na minha frente.
— Eu queria que você tivesse uma visão perfeita do mundo que eu quero
colocar a seus pés, meu amor. — ele começou. Seus olhos estavam claros e
incrivelmente bonitos, com o que só poderia ser uma súplica.
Meus olhos se encheram de lágrimas quando vi o que ele estava
fazendo, e o esforço meticuloso que ele fez para que tudo fosse perfeito.
Ele puxou uma pequena caixa do bolso, e eu engasguei com um soluço.
Ele abriu, me mostrando um anel com um grande diamante com corte da
princesa, rodeado de safiras. Percebi imediatamente que esse deve ter sido o
anel de noivado de sua mãe. Combinava com os brincos que ele já tinha me
dado.
— Eu vou te amar até morrer, Bianca. Case-se comigo. — Não havia
dúvida em sua voz. Mas estava tudo lá em seus olhos, uma vulnerabilidade
que era tão difícil para mim resistir , como sua certeza de dominação.
Eu tanto temia como antecipava este momento. Ele me deu um aviso
claro, porque ele me entendia muito bem. Casamento representava tantas
coisas assustadoras para mim, sempre fizeram, e era difícil mudar o jeito que
eu pensava sobre isso. Era difícil, mas não impossível, já que desde que James
tinha entrado em minha vida, tudo ficou de cabeça para baixo, e eu mudei de
ideia sobre tantas coisas.
Fiquei chocada com o quão rápido eu levei minha mão trêmula para ele.
— Sim. — eu sussurrei. Falei novamente, fazendo com que a minha voz
soasse mais firme, mais segura. — Sim, James, eu vou me casar com você.
Tracei uma lágrima que descia pelo seu rosto com a outra mão,
enquanto ele deslizava o anel no meu dedo. Ele ficou perfeito.
Ele se levantou e me puxou contra seu peito em um movimento fluído,
me beijando com uma ternura áspera. Eu o beijei de volta com uma fome que
nunca seria apagada. Não havia nenhuma dúvida em minha mente que eu iria
amá-lo até a minha própria morte. Como não amar?

Nós fizemos amor no chão, junto à cratera da grande montanha, e com
o pôr do sol glorioso ainda nos banhando em sua luz.
Eu não pensei que poderíamos ser vistos, enquanto ele rasgava a minha
roupa. A temperatura esfriou quando subimos mais no alto, e nós
rapidamente fomos enchendo nosso corpo com mais camadas a medida que
subíamos.
Ele me tirou dessas camadas ainda mais rápido. Ele arrancou minha
calça, e apenas abriu a minha camisa. Ele fez ainda menos com suas roupas,
apenas puxando seu comprimento duro para fora da calça e me espetando
com um golpe duro. Ele se movia dentro de mim, um mundo de necessidade
crua em seus olhos, necessidade e gratidão. Ele deve ter estado incerto qual
seria a minha resposta, e ainda assim ele pediu.
Ele se movia dentro de mim, com precisão cruel, atingindo cada ponto
sensível perfeitamente e repetidamente, e com uma força implacável. Ele me
tinha à beira do orgasmo, quando falou. — Diga, Bianca.
— Eu sou sua, James.
— Para sempre. — Ele acrescentou.
— Para sempre. Oh sim, eu sou sua para sempre, James.
Ele veio dentro de mim, batendo ainda mais profundo. Seus
movimentos dentro de mim, e um polegar inteligente no meu clitóris, me
fazendo gozar, com ele me seguindo rapidamente.
Nós vestimos, sorrindo um para o outro como tolos.
Encontramos Clark e Blake montando nossas barracas um pouco abaixo
da trilha, colocando as barracas ao lado de uma das pequenas estruturas que
pontilhavam a superfície do topo da montanha.
Clark sorriu, o maior sorriso que eu já vi em seu rosto quando viu como
estávamos sorrindo. — Parabéns! — ele nos disse com um aceno de cabeça.
— Obrigada.
— Obrigado.
— Oh! — Eu disse de repente, apenas alto o suficiente para James ouvir.
— Eu preciso dizer a Stephan imediatamente. Ele seria esmagado se não fosse
um dos primeiros a saber.

— Nós vamos avisá-lo o mais cedo possível. — ele respondeu
calmamente, puxando minha mão e me levando para admirar os últimos
minutos gloriosos do pôr do sol.
— Ele vai ficar tão feliz. — Eu disse a James calmamente, me sentindo
um pouco triste. Eu não queria ver menos Stephan, mas nossas vidas estavam
mudando tão rapidamente e de maneiras tão estranhas, que eu não poderia
deixar de ter medo de que as coisas não ficassem iguais para nós dois. Ele
tinha sido a coisa mais importante na minha vida por tanto tempo...
—Bianca, meu amor, me deixe lhe fazer uma promessa. — James disse
calmamente, estudando meu rosto com cuidado. — Não importa onde vamos
viver, não importa o que vamos fazer, nós vamos mantê-lo perto de nós.
— Você não acha que ele e eu somos irremediavelmente dependentes?
— Eu perguntei a ele. Eu sabia a resposta. Nós éramos, mas nenhuma parte de
mim estava preparada para mudar isso.
Ele apenas sorriu com carinho. — Eu sei que vocês dois são, mas eu
acho que, às vezes, como em um casamento, ou apenas com as pessoas certas,
isso pode ser bom. Vocês dois não são tóxicos juntos. Não é esse tipo de
dependência. Vocês dois sobreviveram juntos, você prosperaram juntos. Eu
não sonharia em fazer você mudar isso. Estou tentando me juntar a sua
família, e não destruí-la, amor.
Eu não acho que ainda houvesse algo que ele poderia me dizer, que iria
me fazer perceber ainda mais profundamente o quanto eu o amava. Medo do
que tinha acontecido com a minha mãe não tinha sido a única coisa que tinha
me assustado com compromisso. Perder Stephan, mesmo em pequenas
quantidades havia sido um medo presente, também. Eu estava tão agradecida
e aliviada que eu poderia apenas afastar esse medo para sempre.









CAPÍTULO TRINTA E CINCO
Sr. Obcecado

Nós fomos a um evento de gala de caridade, a noite, no mesmo dia que
foi anunciado o nosso noivado, o que talvez tenha sido um erro. O tapete
vermelho foi um caos puro.
Por pura coincidência, a revista masculina Health tinha lançado sua
capa com James no mesmo dia. Tudo tinha acabado bem, mas tinham usado
várias das fotos com nós dois. A foto da capa que eles escolheram era uma de
nós dois, onde James estava de costas para a câmera, e eu estava claramente
rindo em seu ombro. Meus olhos risonhos eram visíveis por cima do ombro,
seu rosto inclinado para acariciar o meu ouvido, pegando a ponta do seu
sorriso embriagado.
É desnecessário dizer, a liberação das fotos românticas, combinada com
a primeira aparição de suas loucas tatuagens, e o anúncio de nosso noivado,
tinha chamado a atenção da mídia, e nós fomos bombardeados no segundo
que descemos do carro.
Nós não podíamos nem ouvir o que os paparazzi estavam nos
perguntando, de tão alto que eles gritavam um acima do outro. Dois
fotógrafos masculinos exageraram a ponto de trocaram alguns socos.
Assim que começou a briga, a nossa segurança nos conduziu
diretamente para a festa.
Jackie tinha escolhido um vestido longo para mim, que eu tive que
levantar a barra para acelerar meus passos, enquanto éramos levados
rapidamente para dentro. Ele tinha um corpete de seda champanhe decotado,
que pendia artisticamente nos meus ombros, mas logo abaixo dos meus seios,
ele sangrava em uma saia esvoaçante longa vermelha. Eu combinei com
sapatos de couro vermelhos brilhantes, e eu pensei que poderia ser meu
vestido favorito até o momento. Eu me sentia feminina, sexy e bonita o
suficiente para andar nos braços do homem mais lindo do mundo.

James usava um smoking preto clássico, com uma camisa de cor
champanhe e uma gravata preta borboleta. Ele tinha um lenço vermelho
dobrado no bolso da camisa. Eu não tinha certeza se foi Jackie ou James que
o escolheu, para ficarmos parecidos. Era uma incógnita neste momento.
Dentro havia ainda houve mais alarido, tanto que a principio imaginei
que não iríamos ficar muito tempo. Especialmente quando a primeira pessoa
que avistamos foi um irado Scott. Nós o vimos chegar do outro lado da
antecâmara para o evento, e notei novamente que ele parecia estranhamente
familiar.
— Por que ele parece tão familiar para mim? — Eu perguntei a James,
que estava estudando o outro homem com intensidade acentuada.
James riu. — Ele é um jogador de tênis muito famoso. Eu presumi que
você soubesse quem ele era. Ele é altamente conhecido. Eu nunca vou deixar
de amar o fato de que você nunca fica impressionada com as celebridades.
Eu encolhi os ombros, pensando que não era tanto sobre ficar
impressionada, mas mais sobre não me manter atualizada sobre esses
assuntos.
— Eu espero que você esteja feliz, James. Jolene e eu nos separamos por
causa de seu vídeo pornô. — Scott falou em voz alta no segundo que ele estava
ao nosso alcance de voz. Foi um mau começo para a conversa, e eu não
poderia deixar de perceber que o salão inteiro ficou em silêncio, enquanto eles
tentavam ouvir os dois homens famosos discutirem.
James deu um passo na minha frente em um gesto instintivo de
proteção. Eu não imaginava que estivesse em perigo de qualquer coisa, exceto
das suas palavras, com a nossa segurança de prontidão no evento.
— Isso não me faz feliz, Scott, embora eu acredite que você possa
conseguir coisa melhor do que uma mulher que só está interessada em seu
dinheiro, e provavelmente nem sequer é capaz de ser fiel. Não há nenhuma
razão para que o vídeo tivesse poder em terminar seu relacionamento. Isso foi
filmado há pelo menos três anos atrás, antes mesmo de você a tivesse
conhecido.
Scott mordeu o lábio, estudando James atentamente. — Você sabia
sobre essa coisa há três anos, e nunca se preocupou em me dizer?

— Não. Eu não sabia sobre isso até algumas semanas atrás. E foi
gravado sem o meu conhecimento. Eu nunca teria consentido com isso.
Ninguém na minha posição jamais faria isso.
— Bem, isso não importa. Eu não poderia ficar casado com uma mulher
que o mundo viu fazendo sexo com você. Uma mulher que liberou uma fita de
sexo dela com outro homem, enquanto estava casada comigo.
— Se é de alguma ajuda, eu não acredito que ela tenha alguma coisa a
ver com a fita ter vazado. Ela não tinha nada a ganhar com isso, e tudo a
perder. Tudo que o vídeo fez foi queimar todas as suas pontes. Jolene é
pragmática demais para fazer algo tão emocional, e sem ganhar nada.
Scott olhou para ele com desconfiança. — Quem mais poderia ter sido?
— Eu não sei ainda, mas estou determinado a descobrir. Você gostaria
que eu o avisasse quando tiver essa resposta? Será que isso ajudaria?
Scott balançou a cabeça. — Está me rasgando, e eu sei que você não
entende isso, mas eu estou achando que é impossível mantê-la longe de mim.
Saber que ela ainda não está tão presa a você a ponto de fazer algo assim só
por despeito já ajudou. Eu acho que a ideia de que ela iria deixar vazar, não se
importando se fizesse isso acabaria tudo entre nós, é o que me incomodou
mais.
— Gosto não se discute, mas eu posso entender muito bem estar
obcecado por uma mulher e não ser capaz de deixá-la partir, Scott. Desejo-lhe
o melhor. Talvez ela tenha mudado.
— Eu sei que ela não é um anjo, mas eu gosto dela do jeito que ela é. Se
eu pudesse convencê-la a cuidar de mim, como eu cuido dela, eu acho que nós
poderíamos ter um bom casamento.
Eu não conseguia ver o rosto dele, mas eu vi claramente James balançar
os ombros.
— Eu não tenho certeza se as coisas funcionam assim, mas eu sei que as
pessoas são capazes de mudar, e eu espero por você, que ela tenha mudado.
Desejo-lhe apenas o melhor, Scott. Eu sempre desejei.
Scott hesitou por um momento, parecendo inseguro, antes de
finalmente concordar. — Eu acho que no fundo eu sei disso. Eu acho que
soube todo o tempo. Era apenas mais fácil culpar você, sabe? Me avise se

descobrir qualquer coisa. — Ele estava indo embora antes mesmo de terminar
de falar, suas palavras escapando, enquanto ele se afastava.
Eu pensei que Scott poderia ter pedido desculpas, se admitiu que ele
estava errado sobre James, mas eu não disse nada. Amizades podem ser
coisas complicadas, e eu nem sonharia em pisar em uma coisa deles que eu
não entendia.
Eu achava que Scott e Jolene apenas mereciam um ao outro, mas
mantive esse pensamento para mim, também.
Eu fiquei tão feliz ao ver que os próximos rostos familiares eram
amistosos. Tanto Sophia como Parker me abraçaram calorosamente, nos
parabenizando sobre o noivado. Eu corei de prazer, e se eu fosse honesta, com
um toque de ansiedade. Uma parte de mim gritava que isso tudo era muito,
muito rápido, coisa que ocorria toda vez que acordava e me lembrava do que
eu tinha concordado.
— Você já contratou uma cerimonialista? Você já escolheu o local do
casamento? — Sophia perguntou, sorrindo para mim.
Eu pensei que ela era adorável, com seus cachos loiros e seu
entusiasmo, mas a pergunta me deixava completamente em pânico.
— Não. — Eu disse finalmente. — Eu nem sequer pensei nisso.
Sophia pareceu sentir a minha aflição. Ela tocou no meu ombro
levemente. — Não há pressa. E você pode ter o casamento do tamanho que
você quiser. Só não se esqueça de nos convidar.
Eu balancei a cabeça, minha mente ficando em branco com o
pensamento de planejar um casamento. — Claro. Pequeno ou grande, você
certamente vai estar na lista de convidados. Eu não posso dizer a mesma coisa
da sua cunhada.
Ela riu. — Eu espero que não. Ela vai tentar queimar o lugar, aquela
louca imbecil.
Isso me fez rir. Louca imbecil parecia uma maneira perfeita de
descrever Jules, e eu tinha certeza de que Sophia deveria estar ainda mais
farta dela do que eu, desde que ela se casou com sua família.
Nós nos misturamos por um tempo, mas eu me afastei de James,
quando precisei ir ao banheiro. Blake me seguiu, pairando mesmo fora da

cabine, mas já havia me acostumado com ela. Eu estava até começando a
gostar do seu estoicismo implacável.
Não demorei muito tempo no banheiro, mas eu ouvi algum tipo de
comoção do lado de fora da minha cabine bem antes que saísse.
Blake estava tão perto da outra mulher, que eu nem sequer consegui
reconhecê-la inicialmente. Percebi que a atendente do banheiro estava
ausente, foi só quando eu peguei o suficiente de um vislumbre da mulher,
para saber porque.
— Jules. — Eu disse friamente quando a vi. —Blake, pode soltá-la. Estou
preparada desta vez, e ela não trouxe a sua parceira no crime.
Jules estava com um vestido decotado preto, de um ombro só. Ela
estava bem vestida e bonita, mas isso não adiantava nada se o seu interior era
podre e estragado.
Jules estava sorrindo, a malícia clara em seus olhos, quando eu a olhei
de frente. Conhecendo-a, isso significava problemas. — Eu só queria uma
palavra com você Bianca. É realmente patético que você esteja com tanto
medo de mim, que precisa de uma guarda-costas agora.
Blake tinha saído do caminho, mas estava preparada para atacar a outra
mulher.
Sorri para Jules. Era um sorriso desagradável. Eu me sentia
desagradável. Mas fiz para demonstrar o que pensava dessas ceninhas loucas
que ela gostava de apresentar.
— Parabéns pelo noivado. Você deve saber que isso nunca vai durar com
James. Ele vai cansar de você antes que a tinta seque, mas boa sorte com isso.
— É isso o que você queria falar? Mas que desperdício do nosso tempo.
— Não. Isso foi apenas uma pequena observação lateral, na verdade. —
Jules respondeu, parecendo visivelmente mais agitada com a minha resposta.
— O que eu vim aqui para te dizer, é que eu fui a pessoa que soltou a fita
de sexo. Eu roubei de Jolene anos atrás, com medo de que ela fizesse alguma
loucura com isso. Ela me contou sobre isso uma noite, quando ela estava
louca de ópio, e por isso eu sabia que ela tinha uma língua solta. Na época, eu
queria salvar a reputação dele, porque eu não podia permitir que o meu
futuro marido fosse visto daquela forma. Eu apenas queria que você soubesse

que fui eu que soltei isso. Se ele vai baixar o nível em desfilar com uma pessoa
como você, sua reputação já estaria na merda, então eu quis apenas espalhar a
merda.
Fiquei tão revoltada com ela que senti minha boca se mover em um
sorriso de escárnio. Eu nem sabia que tinha isso em mim.
— Você é patética, você sabe disso? Ele nunca foi sequer o seu
namorado, muito menos o seu futuro marido. — Eu levantei a minha mão
esquerda, lhe mostrando o meu anel de noivado. — James não é sutil. Ele
simplesmente teria lhe entregue isso, se ele tivesse qualquer intenção de se
casar com você. O que você ainda tem a ganhar com isto?
Ela encolheu os ombros. — Eu perdi meus melhores anos por...
— Uma ilusão. — eu a interrompi, incapaz de parar.
Ela parecia pronta para cuspir. — Vingança. Eu fiz isso por vingança.
Foi tão simples. E me senti bem.
Ela estava tão presunçosa quando disse isso, como se tivesse feito algo
grande, que eu só rebati.
— Bem, não funcionou. Ele ainda está em pé. Agora, continue com sua
vida de merda. — Eu estava caminhando em direção a ela, enquanto eu falava.
Ela e Jolene tinham me pego desprevenida quando me encurralaram antes, e
conseguiram se dar melhor em uma briga física, mas eu já estive no inferno e
voltei, e não tinha nenhuma dúvida em minha mente que eu poderia levar
essa cadela mimada.
Agarrei-a pelos cabelos antes que ela visse a minha intenção, e ela quase
não lutou enquanto eu a arrastava pelo banheiro até uma cabine. Eu
mergulhei sua cabeça no vaso sanitário, enquanto ela puxava meu pulso,
tomando muito cuidado para não molhar a minha mão. Segurei-a lá por um,
dois, três, quatro, cinco segundos antes de puxá-la de volta e arrastá-la para
fora da cabine fora. Eu a empurrei para longe de mim, ainda só tocando seu
cabelo.
Ela se virou para mim, parecendo chocada, assustada e furiosa. — O que
diabos há de errado com você?
Eu sorri para ela, mostrando um monte de dentes. — Vingança. Eu fiz
isso por vingança. Foi tão simples, e eu me senti bem. — eu disse, citando suas
próprias palavras ridículas de volta para ela.

— Eu vou mandar prendê-la! Eu... eu vou processá-la. — Ela gaguejou.
Eu ri. A cadela era um amadora. — Você se livrou de sua única
testemunha, para que pudesse ficar sozinha comigo. Não há uma marca em
você, e você realmente acha que a minha guarda-costa vai concordar em
testemunhar contra mim? Eu sugiro que você saia tão rapidamente e
silenciosamente quanto possível, de modo que eu não fique tentada a fazer
isso novamente. Isto foi um desperdício de seu tempo e do meu. Então vá, e
continue nessa sua vida de merda.
Ela me deu mais um olhar cheio de ódio, antes que saísse correndo de
lá, como se o lugar estivesse em chamas.
Olhei para Blake. Ela estava sorrindo. Isso me fez rir de novo. — Você
acha que ela vai me deixar em paz agora? — Eu perguntei a ela, querendo sua
opinião profissional.
Ela assentiu com a cabeça. — Pelo andar da carruagem, isso
provavelmente foi a coisa mais humilhante que a princesa já teve que passar,
então eu vou dizer que sim, ela não vai incomodá-la agora.
Eu balancei a cabeça. — Bom negócio. Esse era o ponto. Me divertir foi
apenas um bônus.
Blake abafou uma risada.
Eu ainda estava lavando minhas mãos, querendo limpar Jules da minha
pele, quando Lana e James freneticamente irromperam pela porta. Eu só
levantei uma sobrancelha para eles.
— Você está bem? O que aconteceu? — James perguntou, obviamente
preocupado.
— Nós vimos Jules queimando pelo corredor, com o cabelo molhado, e
sua maquiagem uma bagunça. — acrescentou Lana, me estudando com
cuidado.
Eu dei de ombros. — Ela roubou o vídeo de Jolene, e o colocou na
internet. Ela veio aqui para me dizer isso. Eu não levei muito tranquilamente
essa informação.
James lançou a Blake um olhar questionador, se aproximando de mim.
— O que aconteceu?

— Eu mergulhei seu rosto no vaso sanitário. Ela foi embora. Eu não
acho que ela vá me incomodar de novo.
Ele chegou perto de mim, passando a mão sobre o meu cabelo com um
toque suave. Sua testa franziu por um momento, enquanto ele processava
isso. Ele piscou algumas vezes, em seguida, jogou a cabeça para trás e riu.
























CAPÍTULO TRINTA E SEIS
Sr. Miserável

James não queria, mas poucos dias depois que eu retornei a Las Vegas,
eu voltei para a minha antiga casa para recolher algumas coisas. A maioria
delas seriam embaladas e depois transportadas para a casa maior, mas eu
queria arrumar minhas coisas pessoais, antes de permitir que estranhos
fizessem essa tarefa.
Eu dividi um carro com Stephan e Javier, que iriam fazer a mesma coisa
na casa de Stephan. Mesmo Stephan me acompanhando a essa tarefa, tinha
sido um longo caminho para aliviar a mente do Sr. Cavendish Maníaco por
Controle sobre a coisa toda.
Não que ele pudesse ter me parado, apesar de que pelo menos ele não
teve que sair do trabalho para me escoltar, quando soube que Stephan
também iria. Eu não podia imaginar o que ele pensava que Stephan poderia
fazer e que a minha escolta de guardas armados não poderia, mas era apenas
a maneira que ele pensava.
Os dois homens haviam se aproximado em um nível elementar que,
mesmo se não entendesse totalmente, eu podia ficar grata por isso.
Coloquei etiquetas marcando para onde queria que as minhas coisas
fossem levadas, já que que grande parte dos móveis e equipamentos
domésticos iriam para um depósito, e outros para a caridade. James,
obviamente, tinha todas as suas residências abastecidas com esmero.
Eu trouxe algumas caixas pequenas para embalar as minhas pequenas
lembranças e fotografias.
Blake pairava dentro da casa perto de mim, Paterson patrulhando em
frente, e Henry patrulhava o bairro. Williams teve uma emergência familiar,
na Califórnia, e por isso estava fora em uma licença pessoal. Eles não
conseguiram encontrar um substituto com aviso prévio de apenas um dia, o
que foi uma das razões que James havia ficado tão nervoso em me deixar
voltar para a casa sem ele, mesmo que no meio do dia.

A reação nervosa de seu chefe para este passeio mundano parecia ter
deixado Blake a beira de um ataque de nervos. Eu ficava nervosa apenas em
olhar para ela. Ela continuou andando pela casa, olhando para fora das
janelas por nenhuma razão que eu pudesse entender.
— Está tudo bem?— Eu finalmente perguntou.
Ela assentiu com a cabeça, mas sua boca estava apertada. — Sim, apenas
impaciente hoje, eu acho. Eu não vejo Paterson lá fora, mas isso é normal.
Não houve tempo suficiente para ele fazer o check-in ainda. Eu não sei qual o
meu problema.
Isto foi o maior desabafo que eu já tinha a visto fazer, e apenas me
deixou mais nervosa, porque era raro ela manter qualquer conversa mais
casual. Seja qual for o humor estranho que fez aquela mulher tão
imperturbável ficar tão ansiosa, não fez muito bem para a minha paz de
espírito.
Voltei para arrumar algumas fotos antigas, sorrindo quando encontrei
algumas fotos antigas minha com Stephan. Havia vários fotos da minha festa
de 21 anos, quando tínhamos bagunçado feito loucos. Alguém havia tirado
cerca de uma dúzia de fotos de Stephan me levando de cavalinho pelas fontes
do Caesar’s Palace. Nós estávamos ainda arrumados, e parecíamos malucos,
com a parte inferior de suas calças molhadas, e meus saltos arrastando na
água. Eu sorria na foto.
Era uma boa lembrança, essa época foi que as coisas realmente
começaram a melhorar para nós dois. O sorriso no rosto de Stephan aqueceu
meu coração, agora e sempre. Ele estava sorrindo para a câmera, e eu estava
sorrindo para ele, o fato de que ele era a coisa mais querida do mundo para
mim estava claro em todas as linhas do meu rosto.
Peguei a pilha de fotos e coloquei na minha bolsa, pensando sozinha que
tinha que dar algumas das fotos a Stephan, e encontrar um lugar de honra na
minha nova casa, para colocar pelo menos uma delas.
Eu estava mexendo na minha bolsa, ainda sorrindo com as lembranças,
quando meu telefone começou a tocar. Eu verifiquei na tela.
Era James.
— Hey. — eu disse ao telefone, ainda sorrindo. — Como vai o trabalho?

— Poderia estar melhor, mas pelo menos está quase pronto. Meus
advogados e os agentes de Tristan estão fazendo algumas revisões, mas não
deve demorar mais de 30 minutos, e então estará terminado, graças a Deus.
Tristan está tentando falir o cassino com alguns truques de mágica de dois
dígitos.
James teve que ir ao trabalho para acertar alguns detalhes no novo
contrato de Tristan, e eu poderia dizer pelo seu tom de voz que o outro
homem devia estar próximo, e ele estava tentando provocá-lo.
— Diga a Tristan que mandei um oi. — eu disse a ele.
— Bianca esta mandando um Olá. — ele avisou na outra extremidade.
— Eu vou te encontrar ai quando terminar. — James me explicou. —
Você está acabando ai?
Olhei ao redor da sala. Eu tinha certeza que tinha embalado tudo o que
eu queria, mas queria dar uma última olhada para ter certeza.
— Yeah. Isso seria perfeito.
— Tristan vem jantar conosco esta noite. Como se eu não estivesse
pagando o suficiente para fazê-lo desaparecer coelhos, agora eu tenho que lhe
fornecer ainda o jantar.
— Eu tenho um truque novo, onde posso fazer CEOs bonitos
desaparecerem. — Tristan disse em voz alta, na outra extremidade.
Eu ri.
— Você avisa aos rapazes que eles também estão convidados? — James
disse.
Eu podia ouvir o sorriso em sua voz.
— Isso soa divertido. — eu disse, e realmente achava. Havia algo
realmente brincalhão e travesso sobre Tristan. Nunca haveria um momento
de tédio, quando aquele homem estava por perto. — Posso entender que ele
conseguiu um bom contrato para os shows do próximo ano? — Eu perguntei.
— Ele assinou por mais um ano, mas tivemos que pagar o dobro ao
bastardo. — ele disse, sem rancor.
Ele disse outra coisa, mas um barulho do lado de fora me distraiu
naquele momento. O que estava acontecendo? Não tinha sido

particularmente alto, como se fosse algo batendo contra o concreto, mas me
distraiu o suficiente sobre o que James continuava falando do outro lado da
linha por longos momentos.
— Bianca? — ele perguntou, me tirando da minha distração
momentânea.
— Hmm? Oh, desculpe. — Eu disse tentando me concentrar.
Poderia ter sido qualquer coisa. Um vizinho estava trabalhando na
construção de alguma coisa em seu quintal antes, mas era muito mais alto do
que aquela simples pancada foi. E porque aquele barulho que estava me
incomodando tanto?
Eu mantive o meu telefone no meu ouvido, enquanto me movia pela
casa, à procura de Blake. O barulho não era provavelmente nada, mas achei
que me sentiria melhor se ela tivesse feito a checagem.
Eu ouvi o barulho novamente quando caminhei em direção a cozinha.
Desta vez foi mais alto, e eu podia jurar que foi acompanhado por um baixo
gemido de dor.
— Blake? — eu chamei, com certeza agora de que algo estava errado.
Ela entrou na cozinha rapidamente, quando James começou a soar um
pouco frenético do outro lado do telefone.
— Bianca, o que é? — Ele estava dizendo. — Tem alguma coisa errada?
Fale comigo, amor.
Eu abri minha boca para responder, meus olhos encontrando os de
Blake, quando ouvi um barulho que fez o meu sangue correr frio e meu
coração parar no meu peito. Era um boom ecoando alto que eu conhecia
muito bem, e isso me fez congelar de terror. Um suspiro escapou da minha
garganta, minha mão voando para o meu peito.
Blake estava se movendo instantaneamente, me empurrando para o
chão, a arma já na mão. — Abaixe-se, Bianca. — ela disse. — Não se mova, e
aconteça o que acontecer, não deixe esta casa. Eu estarei de volta.
Ela desapareceu em direção à frente da casa, embora eu imaginasse que
o som tinha vindo da parte de trás.
Eu estava prestando tanta atenção ao que estava acontecendo na parte
de trás que levei algum tempo para lembrar que James ainda estava ao

telefone, o que foi surpreendente, já que ele estava mantendo um diálogo
desesperado constante o tempo todo.
— Me diga o que está acontecendo, Bianca? Que barulho foi esse? Por
que Blake mandou você ficar no chão? Para onde ela foi? Eu preciso saber o
que está acontecendo!
Pisquei, minha mente rapidamente entrando em choque em reação ao
ruído e as memórias que trouxeram de volta. Como ele não percebeu sobre o
que era aquele barulho? Poderia soar muito diferente do outro lado da linha?
O terrível barulho soou novamente, e meu corpo estremeceu como se
tivesse sido atingido, mesmo que eu estivesse lá dentro e segura.
— Nós estamos a caminho, amor, e nós já avisamos a polícia, mas eu
preciso que você me diga o que está acontecendo. Que barulho foi esse?
Engoli em seco, tentando me concentrar naquela voz amada. Fechei os
olhos com força. — Eu amo você, James. — Eu lhe disse em voz baixa.
Ouvi ele puxar uma respiração instável. — O que está acontecendo ai? —
ele perguntou asperamente. Sua voz entrecortando as palavras.
Eu balancei minha cabeça, mas é claro que ele não poderia ver.
O barulho soou novamente, e eu choraminguei.
— Eu te amo, James. — Eu disse de novo, meu rosto colado no chão da
cozinha. Eu estava tão feliz, tão indizivelmente aliviada de que ele não estava
perto o suficiente para ser ferido pelo que estava acontecendo no meu quintal.
— Fale comigo. Eu tenho que saber o que está acontecendo. Estamos no
carro agora. Nós estaremos ai em menos de 20 minutos, mas você precisa
falar comigo. O que é todo esse barulho?
Eu não queria falar isso. Era completamente ridículo, mas falar iria
torná-lo mais real. O barulho soou novamente e eu estremeci, impotente no
chão.
— Isso são tiros? — James perguntou com a voz mais miserável. Eu
poderia dizer apenas pelo seu tom de voz que ele já sabia a resposta,
provavelmente tinha adivinhado desde o primeiro tiro.

— Sim. — eu respirei. — No meu quintal, eu acho. Estou com medo,
James. Eu preciso que você me diga que você me ama de volta. Por favor.
Apenas no caso.
— Não. — ele sussurrou. — Eu estarei ai. Todas as suas portas estão
trancadas? Basta ficar escondida, e ficar abaixada. Você vai ficar bem, e eu
vou estar ai bem rápido para dizer essas palavras.
Fechei os olhos, eu só queria ouvir a sua voz até que o perigo tivesse
passado. Como se isso fosse apenas passar como uma mágica depois de tantos
tiros...
Eu estava indo tão bem, apenas planejando ficar exatamente onde eu
estava, quando ouvi outro som que mudou tudo.
Um grito áspero soou na parte de trás. Era um pequeno ruído, e que
deveria ter sido indistinguível com todos os outros sons, mas de alguma
forma, eu sabia com certeza absoluta quem tinha feito. Eu lutava para
respirar, porque de repente me sentia como se estivesse me afogando. Esse
grito tinha mudado tudo. Eu fui em um instante de um pequeno rato
encolhido com medo, tão desesperadamente aterrorizada, para uma pessoa
além daquilo, e eu comecei a levantar com as pernas tremendo.
Outro tiro soou, e depois outro. Um grito áspero que rasgou meu
coração em pequenos pedaços irregulares soou em algum lugar entre esses
dois fortes estrondos.
Comecei a mover resolutamente pela casa. Eu não esqueci que ainda
segurava o telefone. Eu tinha ido do choque completo a uma espécie de
clareza desesperada.
— Eu amo você, James. — eu disse a ele novamente. — Tanto. Eu sinto
muito.
Eu desliguei o telefone, sentindo-o escorregar pela minha mão antes
que eu alcançasse a porta dos fundos. Puxei uma respiração profunda antes
de destrancar a porta e escancará-la completamente aberta. Decididamente,
eu pisei fora.





CAPÍTULO TRINTA E SETE
Sr. Trágico

STEPHAN
MINUTOS ANTES
Eu tinha finalizado quase tudo em tempo recorde, até o momento em
que achei uma caixa de fotos. Javier e eu olhamos a primeira pilha de fotos e
caímos na gargalhada. Eram fotos da festa de Natal da empresa há uns três
anos atrás. Elas haviam sido tiradas em um câmera bem safada, então
estavam granuladas, todas as fotos apresentando um monte de olhos
vermelhos, mas trouxe de volta boas lembranças, e me sentei na minha cama,
olhando uma por uma com cuidado.
Javier riu, jogando uma outra foto para mim. Eu ri tanto que cheguei a
ficar com dor. Murphy estava sem camisa e tentando fazer espacate, que era
um completo desastre. Isso era engraçado, mas o destaque na foto de longe
era o olhar no rosto de Damien ao fundo. Era uma mistura de admiração /
horror / confusão. Eu que devo ter tirado a foto, porque Bianca estava ao
lado, se dobrando de rir, e eu não estava ao lado dela.
Javier me deu outra foto, ainda sorrindo amplamente.
Este era um close de Bianca ainda rindo. Seus olhos brilhavam
enquanto ela olhava diretamente para a câmera. Era uma bela foto, mas ela
não iria reparar ou se importar o quão bonita ela estava naquela noite em um
vestido verde brilhante, seu cabelo claro caindo suave ao redor de seus
ombros.
Eu fiz uma nota mental para conseguir uma cópia dessa foto para
James, que assim como eu, amaria ter uma foto dela rindo assim. Às vezes eu
achava que nossa amizade tinha sido tão rápida porque aderimos a um clube
formado por homens que pensavam que Bianca Karlsson era a mulher mais
perfeita do planeta.

Javier me deu outra foto, rindo mais do que nunca. Me juntei a ele
quando olhei a imagem.
Esta era de Murphy deitado de costas no chão. Ele ergueu os braços em
linha reta na frente dele. Paletó e gravata estavam amassados e espalhados no
chão, ao seu redor. Me lembrei que essa foi durante seu strip tease
improvisado.
Marnie estava ao lado dele na foto, fazendo uma reverência. Javier me
deu outra foto.
Murphy estava fazendo um grande esforço em fazer levantamento de
peso, utilizando a pequena mulher.
Javier me deu outra foto.
A mesma pequena mulher havia desabado em cima dele, e ambos
estavam rindo de seu fracasso. Nós rimos ainda mais difícil com a lembrança.
— Eu vou sentir falta desse emprego. — eu disse melancolicamente.
— Bem, nós não temos de perder contato com os nossos amigos. Quanto
você quer apostar que Damien e Murphy serão clientes regulares no nosso
bar?
Eu sorri para ele. — Você está absolutamente certo. Nós provavelmente
teremos que expulsá-los todas as noites na hora de fechar.
O pensamento me encheu de calor. Nossas vidas estavam mudando,
sim, mas estavam apenas ficando cada vez melhor.
Javier estava se divertindo mais do que me ajudando a arrumar, e eu
não poderia ter me importado menos. Eu não me importo em fazer isso
sozinho, e iria querer sua companhia aqui, ajudando ou não.
Estendi a mão para baixar uma caixa em cima do meu armário e senti
seu braços me envolvendo por trás. Ele se aninhou no meio das minhas
costas, propositadamente me fazendo cócegas com o nariz, e eu me virei para
ele com uma risada, empurrando-o até que a parte de trás de seus joelhos
tocaram a cama. Ele caiu para trás com uma risada, e eu o segui.
Ele tentou se levantar, mas ele começou, e eu pretendia terminar. Eu
fazia cócegas sem piedade, lutando com ele na cama, quadros e roupas caindo
com a nossa bagunça.

— Eu desisto! — Ele gritou, ainda rindo. — Eu desisto!
Eu o soltei, lhe dando um beijo. Ele praticamente se derreteu debaixo de
mim. Eu adorei. Eu podia sentir como o afetava, e isso era muito valioso para
mim. Me afastei, acariciando seu rosto enquanto olhava em seus olhos.
Ele abriu a boca para dizer algo, mas um grande estrondo o fez parar.
Eu fiquei tenso por um longo momento, ainda olhando para ele, antes
que entrasse em ação.
Me levantei, apontando para ele. — Fique aqui, e se mantenha abaixado,
ok?
Ele engoliu em seco. — Isso foi um tiro? — Ele perguntou em um
sussurro.
— Eu não tenho certeza do que era aquilo. — eu menti. — Mas eu
preciso ver Bianca.
Eu já estava caminhando para a porta do quarto, antes que ele falasse
novamente.
— Não vá, Stephan. Por favor. Eu te amo. Não se coloque em perigo.
Eu olhei para ele, o meu coração nos meus olhos. — Eu também te amo.
Mantenha-se abaixado. Eu preciso saber se ela está segura, Javier. Eu não
poderia suportar se ela estivesse ferida.
Eu tentei parecer calmo enquanto fechava a porta do quarto atrás de
mim, mas eu estava rasgando pela casa como um louco no segundo que
fechei. A segunda e a terceira bala já tinham soado até o momento em que
cheguei na minha porta de trás. Meu coração estava tentando pular fora do
meu peito com o medo. Eu não podia perdê-la. Eu era um sobrevivente por
natureza, mas eu sabia que não iria sobreviver a isso.
Abri, e rasquei por aquela porta em um instante, alimentado pelo terror
cego. Se esse monstro a tivesse machucado, Meu Deus, se ele a tivesse
machucado, eu juro que iria destruí-lo com minhas próprias mãos.
Um quarto tiro soou pouco antes que eu saltasse desesperadamente
sobre o muro, raspando minhas mãos com o esforço. Caí do outro lado,
olhando para aquela cena sangrenta diante de mim com choque e horror.

O pai de Bianca se endireitou sobre o corpo caído de Blake. Seu peito
estava sangrando, círculos sangrentos florescendo em seu peito, mas ele ainda
estava de pé. Ele segurava uma pequena pistola em sua mão carnuda. Era tão
pequena contra suas mãos enormes, que quase parecia um brinquedo.
Outro corpo estava no quintal. Patterson, eu pensei, mas eu não poderia
mesmo lhe poupar outro olhar, quando Sven apontou a arma para Blake, com
o objetivo de dar mais um tiro.
— Não. — eu gritei, correndo para ele.
Ele se virou incrivelmente rápido para um homem tão grande. Ele
sorriu para mim, com os dentes sangrentos, enquanto apontava para o meu
peito e disparava.
Meu último pensamento foi de alívio. Bianca não estava entre as
vítimas.

















BIANCA

Eu pisei para fora, entrando em um pesadelo sangrento, meus olhos
indo diretamente à figura dobrada de Stephan no chão. Eu não fiz nenhum
som, mas meu rosto estava molhado de lágrimas.
Ele tem que estar bem, eu disse a mim mesma. Eu poderia sobreviver a
um monte de coisas, mas eu sabia que a perda de Stephan não era uma delas.
Eu estava tão decidida com esse pensamento, que eu nem sequer olhei
para o monstro em meio à carnificina por longos momentos. Eu caminhei
para mais perto de Stephan, antes que levantasse meus olhos para os pálidos
azuis que se pareciam tanto com os meus.
Era como olhar nos olhos de um animal raivoso, sua maldade escrita em
cada linha tensa de seu rosto. Era difícil imaginar que ele já tinha sido uma
pessoa sã, olhando para ele agora. Mas ele já tinha sido realmente são? Eu
não poderia afirmar isso. Talvez a sua sanidade nunca tenha sido uma
realidade. Ele não era nem um ser humano para mim, apenas um demônio
monstruoso que destruía e aterrorizava. E o único que tinha sido capaz de agir
e me proteger com seu corpo contra ele, estava agora dobrado aos meus pés,
círculos vermelhos no seu peito. Finalmente, ele tinha feito isso. O monstro
tinha me quebrado.
Meu instinto foi ficar congelada, e assim eu o olhei sem me mover,
enquanto ele se aproximava, uma expressão terrível que tinha a forma de um
sorriso aparecendo em seu rosto.
Eu não tenho essa coisa violenta dentro de mim, como o meu pai tinha.
Eu não tinha vontade de machucar ninguém, por qualquer motivo. Não era
nem mesmo um desejo que eu conseguia entender. Ou pelo menos eu não
tinha — não até Stephan estar dobrado aos meus pés.
Meus olhos se mudaram daquele rosto horrível até a pequena pistola ao
lado do meu pai. Eu a olhava como uma tábua de salvação, deixando-o ver
que eu estava olhando para ela — que eu tinha me fixado nela.
Ele riu, uma gargalhada seca, e a loucura da risada me fez notar, de uma
forma distraída, que ele tinha tomado alguma coisa. Algum tipo de droga
estava correndo através dele, tornando-o mais louco, deixando-o mais forte,
anestesiado para a dor e o medo. O homem tinha sido uma besta sem

qualquer droga correndo em seu sistema, e isso não era uma constatação
reconfortante.
— Eu avisei, sotnos. Eu avisei que, se você fosse à polícia, ninguém
poderia mantê-la a salvo de mim, mas você não acreditou. E agora, seu amigo
está morto. Valeu a pena?
Eu soluçava, um som totalmente involuntário. Ele não podia estar
morto, eu disse a mim mesma. Eu tinha que acreditar nisso, ou apenas iria
cair junto a ele no chão, e nunca mais me levantar.
Meus olhos ainda estavam grudados naquela pistola na sua mão.
Ele riu novamente, acenando para mim. — Você não consegue tirar os
olhos disto. Você acha que isso vai ajudar? Você não tem coragem, assim
como sua mãe. Você não poderia machucar nem uma mosca. Inúteis,
mulheres choronas.
Ele a segurou bem na frente do meu rosto, sorrindo tristemente, os
olhos vermelhos e loucos colados ao meu, seu brilho maníaco me prendendo.
— Pegue-a, se você tiver coragem. Vamos ver o que acontece, sotnos.
Eu não afastei meus olhos para longe dos seus. Eu não conseguia
lembrar de qualquer época em que eu não o odiasse, mas eu sentia isso agora
como uma ferida fresca. Eu poderia matá-lo sem remorsos, eu percebi. Ele
tinha feito isso comigo, finalmente quebrado essa parte dentro de mim. Eu
não iria me arrepender se ele estivesse morto, ainda que fosse pela minha
mão.
Eu queria derrubar aquela besta selvagem, eu estava com uma sede de
vingança para matar. O único arrependimento que tinha, era ele ter
conseguido fazer isso, antes de ser interrompido.
Eu não era como minha mãe, embora tivesse desejasse tanto isso. Tanto
quanto eu queria fugir dessa noção, eu tinha o suficiente do meu pai em mim,
pelo menos para isto. Não era sequer uma questão, nem mesmo houve uma
fração de segundo de indecisão, não com Stephan deitado imóvel aos meus
pés. Eu tinha errado gravemente, eu via isso claramente, guardando o seu
segredo, vivendo com medo. Muito melhor se ele tivesse me matado naquela
época, do que deixá-lo causar toda essa destruição agora. Essa era a minha
tristeza, e eu sentia isso profundamente, quando olhei para ele, cercado por
suas vítimas.

Se ao menos eu tivesse olhado além do meu próprio medo, para aquilo
que ele tinha feito, e pensasse em tudo o que ele ainda era capaz de fazer.
Sim, manter o meu silêncio durante todos esses anos era o meu pesar,
mas era o meu único arrependimento. Esta coisa que eu estava prestes a fazer
Eu não me arrependeria, nem por um momento.
Eu não tinha palavras para ele. Nada faria jus ao ódio que eu sentia, e
ele não iria ouvir de qualquer forma. Ele nunca tinha me valorizado, e você
não ouve alguém que você não valoriza. Minhas palavras não poderiam tocá-
lo. Então, eu não me preocupei em lhe dizer como me sentia. Eu provei a ele.
Ele entregou a arma para mim, sem hesitação, sem medo, e eu a aceitei,
virando-a para ele em um único movimento. Eu empurrei duro em seu peito,
apontando para seu coração. Eu apertei o gatilho, sequer sentindo o recuo da
arma na minha mão, uma vez que disparei contra ele.
Estupidamente, eu pensei que seria o fim de tudo.
O monstro riu, arrancando a arma da minha mão. Eu atirei em seu
peito, um rio vermelho descendo com seu próprio sangue, e ele apenas riu. Eu
tive essa repentina ideia louca que ele realmente não era humano. Como ele
ainda está em pé?
Ele abriu a boca, e o sangue jorrou em meu rosto enquanto falava. —
Minha vez, sotnos.
Ele agarrou meu cabelo, puxando minha cabeça para trás, segurando-a
imóvel. Eu comecei a lutar, mas ele era forte.
Ele colocou a arma dentro da minha boca, sem esforço, empurrando a
minha própria mão sobre a alça, o seu sorriso maníaco ainda fixo em seu
rosto.
Eu tentei puxar meu rosto de um lado para o outro, ainda preso entre a
sua mão no meu cabelo e uma arma na minha boca. Eu ainda estava
balançando a cabeça desesperadamente, quando dois tiros simultâneos
soaram. O mundo ficou preto.




STEPHAN

Meu peito estava em chamas. Cada respiração era uma agonia, mas eu
consegui abrir meus olhos só um pouquinho, quando ouvi a voz dela. Claro
que ela viria por mim.
Não, não, não, eu pensei em desespero, quando vi o seu pai se
aproximar dela.
Levei muito tempo, desesperado, até conseguir virar a cabeça para o
lado. Blake estava imóvel, a menos de um metro de distância.
Senti uma enorme onda de alívio quando percebi que havia uma arma
ao seu lado. Eu sabia que não podia soltar um som, enquanto me arrastava
até ela. Fui o mais rápido que podia, e não podia deixar que a dor tão forte me
atrasasse.
Outro tiro disparou antes eu tivesse chegado até a metade do caminho, e
eu tive que me segurar para não gritar em desespero, ou olhar para ver o que
tinha acontecido. Não havia tempo para olhar. Eu precisava pegar a arma.
Peguei a arma com a mão trêmula, logo que cheguei ao seu alcance.
Rolei sobre minhas costas, a agonia do movimento fazendo a minha visão
ficar turva por alguns preciosos momentos.
Mirei a cabeça de seu pai e atirei.
Não, eu pensei em agonia, quando vi que foi apenas uma fração de
segundo tarde demais. Observando ela cair ao mesmo tempo que seu pai, e
era uma visão que eu jamais esquecerei.
Não. Por favor, não.
Eu apaguei.







CAPÍTULO TRINTA E OITO
J ames

JAMES — MINUTOS ANTES

Normalmente eu apreciava uma boa negociação. Mesmo sabendo os
resultados prováveis, eu tinha prazer em passar pelas discussões. Não hoje,
no entanto. Eu sentia uma estranha tensão me corroendo. Eu gostava de
provocar Tristan, como ainda fiz, mas foi um pouco sem brilho hoje.
— É melhor que tenha alguns truques extras naquele baralho. — eu
disse a ele, enquanto os advogados faziam outra revisão do contrato. Foi pura
provocação que me levou a dizer isso a ele. O homem era um gênio em seu
ofício. Em poucos anos, ele fez seu nome no mundo dos grandes em Vegas,
com seus shows de mágica. Ele trouxe inovações impressionantes e corajosas
em uma indústria que precisava desesperadamente de uma reforma, e ele fez
isso sozinho, com a sua veia visionária e extrema competência.
A melhor parte, e eu sabia disso, era que ele ainda não tinha nos
mostrado todos os seus truques. Ele estava constantemente nos apresentando
algo novo. E como esperado, o homem sabia o quanto valia, e estava cobrando
exatamente por isso.
Tristan sorriu, exibindo seus dentes brancos para mim. Olhou para seu
relógio no pulso com uma sobrancelha levantada, e obviamente, o meu Rolex
estava piscando para mim. Eu olhei para o meu pulso nu e amaldiçoei. Ele
tinha o comprimento de uma mesa de reuniões inteira afastado de mim.
— Como você fez isso dessa distancia? — Eu perguntei a ele.
Ele apontou para meus advogados que estavam regateando com o seu
agente.

— Eu acredito que o contrato estipula que eu não estou autorizado a
falar sobre coisas desse tipo. Segredos comerciais e tudo mais. Seus
advogados, provavelmente, teriam que fazer uma revisão, se eu lhe disser.
Você realmente tem tempo para isso? — Ele bateu ostensivamente no meu
relógio para dar ênfase.
Eu ri. Ele não era fácil. Ele era um filho da puta detestável, mas
absolutamente divertido. — Nós vamos ter que revisá-lo de qualquer maneira,
se você está planejando se presentear com um relógio de cinquenta mil
dólares como um bônus.
Ele estendeu a mão por cima da mesa, e o relógio apareceu na palma da
mão em um borrão. Eu cheguei a me levantar para pegar da mão dele, e ele
estava de volta no meu pulso com uma mesma velocidade impressionante. Eu
balancei minha cabeça para ele. Bastardo esperto.
— Parabéns pelo noivado. A notícia está em todos os lugares. Como você
conseguiu convencê-la a aceitar? Eu teria jurado que Bianca tinha mais bom
senso.
Eu olhei feio para ele, mas foi um olhar fraco, na melhor das hipóteses.
Apenas a menção do meu futuro casamento já me fazia querer sorrir como um
idiota. — Eu lhe pedi tão pateticamente que ela, finalmente, apenas teve pena
de mim. — eu disse a ele.
— Isso foi legal da parte dela. Ela poderia conseguir coisa muito melhor.
Sem ofensa.
Eu apenas ri, porque ele disse que não era ofensa, ao mesmo tempo que
tão descaradamente tentava ofender. — Não me ofendi. Eventualmente, ela
apenas descobriu que conseguiria ser capaz de acompanhar o homem que a
estava perseguindo tão implacavelmente. Eu prometi a ela que ela poderia
colocar um sino em mim.
Tristan meneou a cabeça. — Pobre garota. Ela nunca teve uma chance.
Você provavelmente a cortejou com a sua abordagem para aquisições hostis.
Revirei os olhos. — Eu nem mesmo trabalho com aquisições hostis.
Atenha-se aos truques de mágica, Tristan. O seu conhecimento do mundo dos
negócios é embaraçoso.
A verdade é que eu o achava estranhamente competente nas
negociações do seu trabalho, mas isto era apenas como nós éramos. E era

bom ser capaz de provocar uma pessoa que era tão insensível quanto eu,
quando insultado.
Tristan sorriu. — Claro que sim, Chefe. Você está me convidando para
jantar? Se eu vou assinar esse papel para você, espero que pelo menos me
pague o jantar. E eu quero ver sua noiva novamente.
— Por que não, diabos? Claro, venha para o jantar, se você conseguir
evitar em roubar nossos talheres. — Peguei meu telefone. — Me deixe ligar
para Bianca. Vamos convidar os rapazes também.
Bianca respondeu prontamente. — Hey. — ela disse, com um sorriso em
sua voz. — Como vai o trabalho? — Aquele sorriso em sua voz me fez sorrir, e
sua voz me deixou duro entre uma respiração e outra. Apenas uma palavra
dela, apenas nesse timbre firme dela, me afetava mais do que qualquer outra
mulher tinha afetado em toda a minha vida.
Imagens de todas as maneiras que eu a tinha levado, de todas as
maneiras que eu planejava foder com ela, passou pela minha mente, me
distraindo como nada mais poderia. Deus, eu a queria. Apenas o pensamento
dela, era mais erótico para mim do que o efetivo sexo tinha sido com outras
mulheres. Eu sentia isso desde o começo com ela, e apenas foi aumentando
cada vez mais com o tempo.
— Poderia estar melhor, mas pelo menos está quase pronto. — eu disse
a ela, tendo que me concentrar para responder. Me obriguei a parar de pensar
em estar dentro dela, e tentar manter uma conversa inocente por telefone,
mas foi uma luta. Meu pau se contorcia inquieto, e eu estava apenas contente
por ele estar escondido sob a mesa de reunião naquele momento.
— Meus advogados e os agentes de Tristan estão fazendo algumas
revisões, mas não deve demorar mais de 30 minutos, e então estará
terminado, graças a Deus. Tristan está tentando falir o cassino com alguns
truques de mágica de dois dígitos — Eu olhei para Tristan, sorrindo quando
disse isso.
Ele me ofereceu seu dedo médio.
— Diga a Tristan que eu mandei um oi. — ela disse.
— Bianca esta mandando Olá. — eu disse a Tristan, não gostando do
nome dele nos seus lábios, mas socando meu ciúme ultrajante para baixo.
Esse ciúme seria um problema para nós se não o controlássemos. Eu entendia

isso. Minha necessidade em trabalhar a nosso favor, me ajudava a tentar
mantê-la para mim, mesmo quando eu sabia que não era razoável.
— Eu vou te encontrar ai quando eu terminar. — eu disse a ela. — Você
está acabando?
Realmente não me importava muito se ela estava. Eu estava impaciente
para vê-la, e eu esperaria por ela, se necessário. Eu esperava que ela não
estivesse ficando cansada da minha companhia, porque nós nos separamos
apenas por algumas horas, e eu já estava faminto pela visão dela.
Eu estava imaginando como iria fodê-la naquela pequena casa, quando
ela respondeu.
— Yeah. Isso seria perfeito.
Eu pensei que seria perfeito transar com ela pela última vez naquela
casa, mesmo que ela estivesse ainda arrumando as coisas. Eu me enterrar
dentro dela exatamente no local que eu a encontrar. Talvez eu a dobre sobre o
balcão da cozinha, ou seria melhor fodê-la na mesa da sala de jantar? Eu me
balancei. Ela tinha colocado um feitiço em mim, e eu não ficaria livre dele
rapidamente. Ou nunca, eu pensei com um sorriso. Sra. Cavendish. Ela usava
o anel que eu lhe dei.
— Tristan vem jantar conosco esta noite. Como se eu não estivesse
pagando o suficiente para fazê-lo desaparecer coelhos, agora eu tenho que lhe
fornecer ainda o jantar.
— Eu tenho um truque novo, onde posso fazer CEOs bonitos
desaparecerem. — Tristan me disse.
Bianca riu em meu ouvido. Eu adorava aquela risada.
— Você avisa aos rapazes que eles também estão convidados? — Eu
perguntei, sorrindo.
— Isso soa divertido. — Ela disse. — Posso entender que ele conseguiu
um bom contrato para os shows do próximo ano?
— Ele assinou por mais um ano. — eu disse, olhando para Tristan com
uma sobrancelha levantada — mas tivemos que pagar o dobro ao bastardo.
Engraçado como ele rapidamente se esqueceu quem descobriu a sua bunda.
Bianca estava repentinamente muito calada na outra extremidade. Meu
corpo inteiro ficou tenso, como se estivesse se preparando para um golpe, e

sem saber de onde esse golpe poderia vir. Eu distraidamente arranhei as
cicatrizes em meus pulsos, meu tique nervoso. Eu pensei que já tinha me
treinado para perder esse hábito. O que havia de errado comigo hoje?
— Bianca? — Eu questionei. Eu ficaria bem se eu apenas ouvisse sua voz
novamente.
— Hmm? Oh, desculpe. — ela disse, a nova distância na voz dela só me
deixando mais agitado.
— O que foi, amor? — Eu perguntei.
Me levantei e comecei a andar, incapaz de ficar parado. — Você parece
chateada.
Ela não respondeu por momentos intermináveis. Eu estava ficando
desesperado quando sua voz soou novamente.
—Blake? — ela disse, uma linha clara de pânico em sua voz.
Não! Eu pensei, meu coração tentando bater fora do meu peito.
Eu me virei, meu olhar encontrando o de Clark. Ele era bom em ler
meus pensamentos, e já estava com seu telefone na mão.
— Polícia? — Ele perguntou.
Eu balancei a cabeça. Pode não ser nada, mas eu estou pouco me
fodendo. Se fosse alguma coisa, quanto mais cedo eles estivessem a caminho,
melhor.
— Bianca, o que é? — Eu tentei de novo. — Tem alguma coisa errada?
Fale comigo, amor.
Um estrondo ecoando no outro lado da linha fez o meu sangue gelar.
Bianca engasgou em meu ouvido.
Não!! pensei, e comecei a me mover.
— Abaixe-se, Bianca. — Eu ouvi dizer Blake na outra extremidade. —
Não se mova, e aconteça o que acontecer, não deixe esta casa. Eu estarei de
volta.
NÃO. Um punho duro agarrou meu coração.
Eu podia ouvir sua respiração, mas enquanto eu falava, tentando fazer
ela falar, me dizer o que estava acontecendo, ela se absteve de falar por longos

momentos na outra extremidade. Me lembrei daquela terrível tarde, poucos
meses atrás, assistindo a ambulância levá-la embora, meu coração em
pedaços enquanto esperava em agonia para ver se ela estava bem.
Clark me seguiu, um passo atrás de mim sem dizer uma palavra,
enquanto eu caminhava pelas salas no corredor, até chegar ao elevador. Eu vi
que ele estava no térreo, e fui pelas escadas, não disposto a esperar, o telefone
ainda firme na minha orelha. Voei pelas escadas até lá embaixo.
— Me diga o que está acontecendo, Bianca? — Eu tentei de novo,
rasgando pelo cassino agora. — Que barulho foi esse? Por que Blake mandou
você ficar no chão? Para onde ela foi? Eu preciso saber o que está
acontecendo!!
Outro tiro alto soou do outro lado da linha, e eu morri um pouco por
dentro apenas em ouvi-lo.
Eu tentei o meu máximo para parecer calmo, mas foi uma luta.
— Nós estamos a caminho, amor, e nós já avisamos a polícia, mas eu
preciso que você me diga o que está acontecendo. Que barulho foi esse? — Eu
estava me agarrando em cordas, eu sabia, esperando que de alguma forma era
um barulho de um escapamento de motor. Duas vezes...
— Eu te amo, James. — Ela disse baixinho.
Isso me quebrou, um sentimento de impotência e medo me enchendo.
— O que está acontecendo aí? — Eu perguntei asperamente. Eu mal
percebi que minha voz se quebrou nas palavras.
Outro tiro soou, e ela choramingou. Isso me destruiu. Eu queria agarrar
o meu peito e gritar com o medo, mas eu corri, determinado em chegar até
ela.
— Eu te amo, James. — Ela disse novamente. A resignação em sua voz
não era tranquilizadora, no mínimo.
Clark manteve o ritmo comigo, e quase quebrou a porta da frente
quando chegamos, falando freneticamente com o gerente do valet, para trazer
nosso carro o mais rápido possível. Ele ficou ao volante, enquanto eu sentava
no banco ao lado dele. Ele estava arrancando, antes que eu estivesse
completamente para dentro.

— Fale comigo! — Eu disse a ela desesperadamente. — Eu tenho que
saber o que está acontecendo. Estamos no carro agora. Nós estaremos ai em
menos de 20 minutos, mas você precisa falar comigo. O que é todo esse
barulho?
Outro tiro soou e eu fechei os olhos com medo. — Isso são tiros? — Eu
perguntei miseravelmente. Nunca me senti tão impotente e inútil na minha
vida.
— Sim. — ela choramingava agora. — No meu quintal, eu acho. Estou
com medo, James. Eu preciso que você me diga que me ama de volta. Por
favor. Apenas no caso.
O terror gritante que eu já tinha conhecido apertou meu peito. Eu não
era um homem supersticioso, mas eu me sentia como se, de repente, eu
dissesse isso a ela agora, seria a última vez, e eu simplesmente não podia fazê-
lo. Era ilógico, mas eu não podia me obrigar a dizer as palavras novamente,
até que eu a segurasse em meus braços.
— Não. — eu sussurrei, a recusa brutal fazendo meu peito doer. — Eu
estarei ai. Todas as suas portas estão trancadas? Basta ficar escondida, e ficar
abaixada. Você vai ficar bem, e eu vou estar ai bem rápido para dizer essas
palavras.
Ela suspirou de repente, sua respiração mudando, como se ela estivesse
se movendo. Pânico tinha apertado firmemente em meu peito e eu tive que
simplesmente ouvir inutilmente quando mais dois tiros soaram ao fundo.
Dois soluços irregulares escaparam de sua garganta, como se arrancado dela.
Não, não, não, eu pensei.
— Eu te amo, James. — Ela me disse, a voz tão firme agora. De alguma
forma, isso me aterrorizava mais do que qualquer outra coisa tinha feito. —
Tanto. Eu sinto muito.
Eu estava gritando com ela, um grito quebrado quando ela desligou na
minha cara.






CAPÍTULO TRINTA E NOVE
Sr. Desolado
JAMES
Eu poderia ter desejado que aqueles 20 minutos de carro fossem apenas
um borrão para mim, mas é claro que não foram. Foi a mais longa viagem de
carro da minha vida. Eu morri um milhão de pequenas mortes ali, a minha
mente indo para os lugares mais escuros.
Eu mesmo me encontrei xingando Deus, quando sempre fui a alma mais
agnóstica.
Por que você me odeia tanto? Eu perguntava com raiva. Primeiro, levou
meus pais, que eu adorava, e agora que eu tinha encontrado um lar e uma
família de novo, que eu desejava e adorava, ele levava novamente sem
nenhum propósito.
Eu não podia suportar a ideia de que eu iria perdê-la, justamente
quando a tinha encontrado. Eu rejeitei a ideia. Isso não poderia acontecer. Se
o seu pai tinha tentado atacá-la, certamente a segurança o tinha subjugado
antes que ele pudesse ter tocado nela. Não havia outra alternativa aceitável.
Eu olhei o relógio no painel durante todo caminho. Clark ultrapassou
sinais vermelhos, fluindo através do tráfego, e dirigindo como se sua vida
dependesse disso. Ele fez em um bom tempo, e estávamos parando na sua
calçada menos de quinze minutos depois que tínhamos entrado no carro.
Eu estava pulando para fora do carro antes que ele tivesse parado,
correndo para a porta da frente. Ela estava trancada, e amaldiçoei enquanto
procurava minhas chaves. Distraidamente notei que Clark tomou outro
caminho, pulando o muro para o quintal enquanto eu entrei na casa.
Era onde ela estava quando estava falando com ela, então eu olhei
dentro da casa primeiro.
Os primeiros quartos estavam vazios, e ouvi as sirenes se aproximando,
enquanto examinava a cozinha.

Clark estava em pé na frente da porta de trás que dava para o quintal,
quando eu entrei. Meu estômago se apertou, quase me dobrando. A porta dos
fundos estava aberta...
Corri para frente, mas Clark se moveu para me parar. Ele me pegou
antes que eu chegasse à porta.
Eu lutei com ele forte. Não havia um segundo a perder.
— Por favor, James. — ele disse em uma voz suave que mal reconheci
como a dele.
— Você não quer ver o que está lá atrás. Ninguém deveria ter que ver
isso. Os paramédicos estão aqui. Vamos deixá-los fazer o seu trabalho.
Eu ouvi um barulho horrível de um gemido, como se fosse longe, mal
notando que havia escapado da minha própria garganta.
Ele só diria uma coisa dessas se não houvesse nada a ser feito, e
claramente Bianca não estava na casa.
— Ela está lá atrás? — Eu perguntei a ele, minha voz quebrando com as
palavras. Parecia que cada parte de mim estava quebrando.
Ele acenou com a cabeça, e uma lágrima correu pelo seu rosto. — Você
não pode fazer nada por ela, James, mas você pode impedir a dor de vê-la
assim.
Eu não poderia ficar afastado dela. Eu me recusei a aceitar as suas
palavras implícitas, mesmo que eu sentisse meu rosto molhado com o
aumento das lágrimas.
— Deixe-me passar. — Eu disse a ele, um tremor na minha voz. — Eu
tenho que ficar com ela.
Ele abaixou a cabeça e me deixou passar, vendo a minha determinação.
A visão que me cumprimentou literalmente me deixou de joelhos.
Não houve um segundo, desde que eu a encontrei pela primeira vez, que
sentia como se já tivesse agarrado tudo o que ela tinha para oferecer.
Eu a amava. Eu a guardava. Eu a desejava. Eu adorava cada polegada
dela, mas ainda assim não parecia nunca ser suficiente. Eu cometia erros, eu
estragava as coisas muitas vezes, mas eu trabalhava para melhorar o tempo

todo. A vida poderia ter sido perfeita. Tudo o que nós precisávamos era de
mais tempo...
Eu me arrastei até ela, apenas de longe observando que o corpo dela não
era o único esparramado no pequeno quintal.
Ela estava de costas, com a cabeça virada bruscamente para o lado,
escondendo um lado de seu rosto. O que estava mostrando de seu rosto estava
estranhamente intacto, quase pacífico. Seu cabelo estava espalhado ao redor
dela, as mechas loiras claras agora molhadas e tingidas de vermelho pelo
sangue. Tentei dizer a mim mesmo que ela poderia ficar bem, que ela poderia
sobreviver a isso, mas eu podia ver claramente pelo local do sangue
acumulado, que devia ser um ferimento na cabeça.
Sons crus de angústia eram arrancados de dentro de mim, a cada
movimento que fazia no meu caminho para ela.
Levemente, com cuidado, como se fosse feita de vidro, eu segurei sua
mão e solucei. Eu não iria sobreviver a isso. Eu não queria sobreviver a isso.
Não havia nada no mundo que me faria viver para suportar isso.
Pela primeira vez na minha vida, eu comecei a orar. Por ela, pela sua
vida ou a minha morte, eu não sabia. Eu teria aceitado qualquer uma dessas
coisas naquele momento.
Eu nem sequer olhei para cima quando os paramédicos começaram a
trabalhar vigorosamente. Eu só notei o corpo que estava deitado ao lado dela,
quando ele foi deslocado para longe. Aparentemente, os paramédicos não
estavam tentando ajudar aquele, uma vez que estavam balançando a cabeça
com desanimo.
Seu peito maciço estava cheio de buracos, e percebi que era seu pai. Sua
morte não me deu nenhuma satisfação. Não o suficiente, e certamente, ele
não morreu antes que tivesse feito isso a ela.
Como é que ele conseguiu fazer isso? Eu me perguntava
miseravelmente.
Minha visão estava turva e eu não conseguia me concentrar em nada,
apenas na sua mão. Ele estava mole na minha, mas ilesa, e se eu olhasse mais
para cima, eu sabia que havia uma boa chance de encontrar respostas que eu
não estava disposto a aceitar.

De alguma forma, a incerteza era algo para me agarrar, esse cenário era
melhor do que a provável alternativa se olhasse para cima.
Um paramédico estava agachado do outro lado dela, mas eu não
conseguia me obrigar a olhar diretamente para ele, eu não podia me permitir
ver o que ele iria encontrar, enquanto rapidamente verificava os seus sinais
vitais.
O paramédico gritou alguma coisa em voz alta. Eu não entendi o que ele
falou. Minha mente não estava processando palavras naquele momento. Eu
ainda estava focada em um único propósito, aquela linda mão. Não havia
como dizer quanto tempo eu fiquei agachado ali, imóvel, com medo, tentando
prolongar os momentos, dizendo a mim mesmo que ela iria ficar bem, mas
cheio de uma desolação gritante que tornava difícil até mesmo respirar.
O paramédico disse outra coisa, e eu não sabia que ele estava falando
comigo até que alguém me cutucou impaciente por trás. Eu pisquei para o
homem, sem realmente vê-lo, enquanto eu tentava ouvir o que ele estava
dizendo.
— Por favor, se mova, senhor. Precisamos levá-la em uma maca. Você
está no caminho.
Me movi automaticamente, não acostumado com alguém me mandando
fazer alguma coisa, e eu obedeci, instintivamente, sabendo que ninguém se
atreveria a me dar uma ordem, se não fosse importante.
Eu só me movi o mínimo possível distante dela, mas a maca estava
sendo empurrada persistentemente contra mim, até que eu afastei o
suficiente para lhes dar espaço para trabalhar.
Eu me levantei com desespero, quando percebi que eles estavam a
colocando na maca.
Eu não vou deixá-los levá-la para longe de mim, pensei. Eu vou morrer
antes que permita que a coloquem em um saco.
Braços grandes me envolveram por trás, me puxando. — Deixe-os
trabalhar, James. — Tristan disse suavemente em meu ouvido. Eu nem tinha
percebido que ele nos seguiu até aqui.
— Senhor, a cada segundo que nos atrasar pode ser crucial para sua
sobrevivência. — o outro paramédico disse, a impaciência clara em seu tom de
voz.

Deixei Tristan me puxar para trás, enquanto eu tentava processar essas
palavras.
Sobrevivência, ele falaram, como se ela tivesse uma chance. Eles não
estavam a colocando em um saco, pois eles estavam estancando o fluxo de
sangue do lado de sua cabeça e a movendo.
Ele disse sobrevivência, pensei novamente. Eles não estavam a
carregando porque ela estava morta. Eles pensavam que poderiam ajudá-la.
Eu fiquei trêmulo, meus pensamentos se tornando lentamente mais
coerentes quando eu comecei a perceber que ela não estava morta, e se Deus
quiser, ela pode sobreviver. Com desespero, comecei a deixar a esperança me
tomar, cada centímetro do meu corpo tremendo.
Eu lhes dei espaço para trabalhar, mas eu pairava o mais próximo
possível, desesperado para ver o que eles fariam, temendo que, se eu sequer
olhasse para longe dela, eu poderia perdê-la.
Eu estava me movendo ao seu redor, tentando me aproximar dela sem
ficar no caminho, quando eu vi o primeiro paramédico virar sua cabeça o
suficiente para aplicar pressão sobre a ferida. Eu soluçava quando vi o buraco
sangrento na lateral do rosto. Era tão perto do local onde sua mandíbula
encontrava seu ouvido, ou pelo menos eu pensava que era.
Era difícil dizer com todo aquele sangue.
Eu jamais afastei meus olhos dela, e que eles estavam fazendo para
ajudá-la, mas eu comecei a ouvir outros sons no quintal, quando mais
paramédicos chegaram. Eu ouvi outro homem soluçando. Isso vinha
acontecendo há algum tempo, mas eu realmente não tinha notado isso - eu
também estava fazendo muito barulho.
Javier, eu pensei, o horror me tomando e fazendo procurá-lo. Ele
pairava sobre a forma caída de Stephan. Um paramédico estava ocupado
estancando o fluxo de sangue do peito de Stephan, preparando-o para levar
em uma maca, um outro homem o ajudando. Não, eu pensei, por favor não.
Ambos tinham que sobreviver.
Segui a maca de perto, enquanto eles a moviam para dentro da
ambulância, e ninguém se atreveu a me dizer que não. Eu olhei o seu peito
enquanto ela respirava fracamente na longa viagem para o hospital. É um
milagre, pensei. Ele colocou a arma em sua boca e puxou o gatilho, e se ela
sobreviveu a isso, eu testemunhei um milagre. Fiz promessas malucas para

Deus nessa longa viagem, prometendo lhe dar a minha alma em troca desse
milagre.
Eu estava me sentindo fora da realidade, enquanto eu seguia sua forma
inconsciente dentro do hospital. Eu me sentia desconectado da realidade,
enquanto eles trabalharam nela. Comecei a lutar quando eles não me
deixaram segui-la para a cirurgia.
Clark e Tristan tiveram que me tirar a força de perto dela. Não foi até
que o mundo voltou a ter foco, que eu percebi que eu estava em estado de
choque.
— James, você precisa estar presente para isso. — Tristan estava me
dizendo, a voz firme, os olhos firmes. — Sua influência pode ajudá-los. Eu
garanto isso. Você não pode segui-la para a cirurgia, mas você pode pedir
alguns favores.
— Compre a porra do hospital, se quiser dar a Bianca, Stephan, e Blake
suas melhores chances. — Clark acrescentou.
A enfermeira estava colocando um cobertor sobre meus ombros,
dizendo coisas reconfortantes, e atirando a Tristan e Clark olhares perplexos.
Tristan me entendia bem, e sua tática não poderia ter sido mais brilhante. Eu
não tenho tempo para me chafurdar nisso, e certamente nenhum em agonizar
sobre isso. O que eu precisava era de ação. Quanto mais, melhor. Havia coisas
que eu poderia fazer para ajudar.
— Consiga o telefone do conselho de administração e do diretor do
hospital. — Eu disse a Clark. — Se perguntarem para que você quer esses
números, diga que alguém está disposto a doar uma quantia obscena de
dinheiro para o tipo de tratamento especial.
Ele acenou com a cabeça, e se afastou, um pequeno sorriso, satisfeito
enfeitando sua boca. Me lembrei que ele citou Blake também. Fiquei aliviado
que pelo menos ela também tinha uma chance.
Eu sabia também que os nomes que ele não tinha mencionado estavam
certamente mortos. Paterson e Henry tinham sido derrubados no seu dever
de proteger Bianca. Eu fiz uma nota mental para pagar as famílias dos dois
homens. Era um consolo menor, mas pelo menos nenhum deles havia
deixado filhos ou esposas.

Minha primeira convocação foi para os meus escritórios em Vegas, e,
em seguida, New York - o meu segundo em comando. Eu alistei toda a ajuda à
minha disposição para fazer a bola rolar mais rápido.

























CAPÍTULO QUARENTA
Sr. Desamparado

BIANCA

Acordei com um puxão violento, meus pensamentos indo
imediatamente para Stephan. Era como se ao vê-lo ali sem vida, com buracos
sangrando em seu peito, tinha apenas circulando na minha cabeça enquanto
estava longe.
Me lembrei de tudo como se tivesse acontecido a poucos instantes,
embora eu soubesse muito bem que estava em um hospital, pelos sons
familiares e cheiros.
Virei a cabeça bruscamente, procurando James. O movimento curto
aumentou minha dor de cabeça, e o lado do meu rosto ardia violentamente.
Senti minha mão na sua, e sabia que ele havia ficado ao meu lado
durante todo o calvário. Eu vi no seu rosto cansado e agoniado o quando isso
lhe custou, tudo o que ele tinha passado expresso ali.
— Stephan? — Foi a primeira palavra que saiu da minha boca. Era uma
agonia tentar falar. Eu tinha que falar por entre os dentes, já que eu mal
conseguia abrir a boca. Eu ignorei a dor, me concentrando em James,
desesperada por uma resposta.
James levantou os olhos injetados de sangue agonizantes até os meus.
Essas profundezas turquesas nunca pareceram tão aliviadas. Ele arquejou um
fôlego, como se procurasse o ar. Ele piscou para mim várias vezes, antes de
encontrar sua voz.
— Ele está se recuperando de uma cirurgia.
Eu só ouvi a sua voz em um ouvido, e me perguntei vagamente se eu
tinha perdido a audição no outro. Mas isso não importa. Nada importava para
mim, apenas a descoberta sobre Stephan naquele momento.

— O quanto ele estava machucado? Será que ele vai ficar bem? Eu
preciso vê-lo agora! — Eu disse, tentando me sentar.
Ele ficou um longo tempo para escolher suas palavras, o que me
assustou mais do que qualquer coisa. — Ele está na UTI. Ele ficou gravemente
ferido. Ninguém pode vê-lo.
Puxei o soro do meu braço, me sentando. A dor na minha cabeça e
ouvido escureceram temporariamente minha visão, e um rugido surdo
começou a subir no ouvido que estava funcionando.
— Eu preciso vê-lo agora!
Eu não sabia a comoção que eu tinha causado, até que fui empurrada de
volta para a cama, e vi a quantidade de pessoas que se reuniram para me
conter.
Meus olhos procuraram James, enquanto uma enfermeira enfiava
agulhas em meu braço. Eu me senti horrível quando vi as lágrimas escorrendo
pelo seu rosto e o olhar impotente em seu rosto. —Por favor, James. Eu tenho
que vê-lo.
Por fim, ele concordou. — Por favor, não faça isso de novo. Vou
providenciar para que você o veja, mas você deve ficar na sua cama.
Eu balancei a cabeça, fechando os olhos relaxando com suas palavras.
Ele cumpriria sua palavra. Ele sempre cumpria.
Eu não dormi, mas eu não abri meus olhos novamente até que eu senti
minha cama começar a se mover. Uma equipe de enfermeiras me cercava,
James à minha direita, segurando a minha mão, enquanto seguia ao lado da
cama de hospital com rodas.
— Quem mais esta aqui? — Eu perguntei a James, me preparando para
a resposta.
— Blake ficou ferida gravemente, mas eles me falaram agora que ela vai
sobreviver.
— Então isso significa que... — Engoli em seco, encontrando dificuldade
para terminar a frase.
— Paterson e Henry morreram antes que os paramédicos pudessem
chegar. Seu... pai também.

Eu processei isso, enquanto enxugava as lágrimas. — Você não
acreditaria quantos buracos que ele tinha em seu peito, e ele ainda continuava
vindo...
— Foi um tiro na cabeça, que finalmente acabou com ele. — James me
contou.
— Stephan teve apenas tempo suficiente para fazer isso. É mais uma
dívida que tenho com ele, que jamais poderei pagar.
Meu peito ardia e eu fechei os olhos, deixando as lágrimas terríveis
correrem pelo meu rosto. Claro que Stephan tinha sobrevivido tempo
suficiente para me salvar. Meu herói. Eu não podia perdê-lo. Meus olhos
dispararam de volta se abrindo, quando me ocorreu um pensamento.
— Ele viu o meu pai atirar em mim?
— Ele deve ter visto. Eles deduziram que o seu pai deve ter atirado antes
que Stephan o acertasse. Me falaram que a sua luta foi o que te salvou. Ele
atirou em sua bochecha. Houve dano, mas ele errou o alvo.
Eu tentei tocar o lado do meu rosto enfaixado. — Qual o meu
diagnóstico?
— Você perdeu uma audição significativa em um ouvido, e eles tiveram
que fazer uma cirurgia no maxilar. Haverá cicatrizes ao longo de sua
mandíbula e bochecha, mas vamos ter certeza que será minimizado tanto
quanto possível. Você terá os melhores cirurgiões plásticos do mundo à sua
disposição.
Ele continuou a falar, mas eu quase não o ouvia, minha mente ainda em
Stephan. Eu não poderia me importar menos sobre a cicatriz, o meu queixo,
ou até mesmo a perda da audição. Eu estava viva. O resto eram detalhes.
Mas Stephan... Stephan tinha que viver.
— Quanto tempo estive desacordada?
— Hoje fazem quatro dias.
— Me fale sobre as feridas de Stephan.
— As duas balas não atingiram seu coração por pouco, mas perfuraram
um pulmão, e ele teve uma hemorragia interna que tem persistido. O médico
que realizou a cirurgia acredita que foi um sucesso, mas ele diz que Stephan

não será considerado fora de perigo até que seus sinais vitais estabilizem. Ele
ainda está instável. Me falaram que ele melhorou, seguido por um declínio,
mas ele está recebendo o melhor tratamento disponível, e ele é um homem
jovem e saudável, por isso dizem que podemos ter esperança, mesmo que ele
ainda não esteja estabilizado.
— Se eu vê-lo, se eu falar com ele, isso vai ajudar. Eu disse, mais
esperançosa do que qualquer outra coisa. — Se ele souber que eu escapei, ele
também vai escapar dessa. Ele deve ter ficado arrasado, se ele viu meu pai
atirar em mim. Isso vai ajudar.
Minha visão estava completamente borrada com lágrimas, enquanto
rolavam minha cama ao lado de Stephan. Eles me levaram tão perto quanto
possível, os meus pés apontados na direção de seu encosto de cabeça. Eles
foram atenciosos o suficiente para levar nossas mãos uma perto da outra.
Javier estava do outro lado dele, com a cabeça inclinada sobre a outra mão
coberta com o soro.
Segurei seus dedos nos meus, apertando forte. — Eu consegui, Stephan.
Eu estou bem. Você me salvou de novo, mas você precisa acordar agora. Você
foi ferido, mas não é nada que você não possa sobreviver. Por favor, acorde. —
Eu terminei de falar mais alto, minha voz rouca de emoção.
Ele não fez nem sequer uma contração. Olhei para o monitor de
frequência cardíaca, mas não conseguia entender. Olhei para a enfermeira
mais próxima.
— Seus sinais vitais melhoraram? — Eu perguntei a ela.
Ela apertou os lábios. — Ainda não houve alteração.
Eles me deixaram ficar por mais alguns minutos, e eu murmurei
suavemente para Stephan. Ele não respondeu, não mexeu. Eu realmente não
tinha pensado que ele iria, mas eu senti uma decepção esmagadora quando
me levaram para longe dele. Uma parte arrogante em mim tinha esperado que
o som da minha voz, e o conhecimento que eu tinha sobrevivido, seria
suficiente para despertá-lo.
Ele tinha sido meu último pensamento quando eu tinha desmaiado, e
meu primeiro pensamento ao acordar. Conhecendo-o, como eu conhecia, eu
tinha acreditado que ele ouvindo que eu tinha sobrevivido, ele acordaria.
Talvez ele realmente estivesse fora do meu alcance. Esse pensamento me
derrotou mais do que qualquer coisa.

Eu adormeci quando eles me levaram de volta para o meu quarto, e eu
sabia pelo sentimento flutuante, que era um sono induzido por droga.
Quando eu acordei de novo, James estava me olhando. Ele estava
falando comigo no instante que meus olhos se abriram, ainda grogue.
— Ele melhorou. Menos de duas horas depois que você falou com ele,
ele abriu os olhos pela primeira vez, e eles me falaram que seus sinais vitais
começaram finalmente a melhorar. O médico foi tão longe a ponto de dizer
que há uma boa chance dele sair da UTI mais rápido do que imaginavam.
— Quanto tempo eu dormi?
— Apenas quatro horas. A primeira palavra que Stephan falou foi seu
nome. Ele estava tão desesperado quando você, querendo te ver, mas ele não
estava em condições de puxar o seu próprio soro para fora.
Havia uma repreensão em sua voz, e eu não podia culpá-lo. Estudei-o,
tentando ver o quanto ele tinha ficado danificado com tudo isso, porque eu
sabia com certeza que ele tinha.
— Você estava certo. — Eu disse a ele: — Eu não deveria ter voltado para
a casa.
Eu tinha tanta certeza de que ele estava exagerando, mas de alguma
forma seus instintos estavam como sempre certos. Eu nunca sonhei que meu
pai ainda poderia chegar em mim, com tanta gente me protegendo, mas ele
conseguiu bater todas as expectativas razoáveis.
— Você está furioso comigo?
Seu rosto ficou menos tenso, como se a pergunta lhe pegasse
completamente desprevenido.
— O pensamento nunca ocorreu. Não há espaço dentro de mim para
fúria. Depois de pensar que estava morta, em seguida, descobrir que iria
sobreviver, eu fui capaz de sentir apenas alívio. Provavelmente vamos ter que
começar a ir a igreja agora.
— Igreja? — Eu perguntei, perplexa.
— Sim. Eu implorei por um milagre, e você sobreviveu.

Eu supunha que realmente tudo isso era um milagre, e eu estava mais
do que agradecida pela minha vida que passou por mais esta provação, mas
eu tinha mais perguntas.
— O meu pai usou alguma coisa? Ele tinha tantos danos, e ainda assim,
continuava apenas vindo.
Eu falei devagar e com cuidado. Falar seria difícil por um tempo, e eu
sabia que minhas palavras eram difíceis de entender.
James assentiu. — Sim. Ele usou coisas pesadas. Algumas misturas de
metanfetamina e mefedrona. Seu pai emboscou Henry, em seguida, o
espancou até a morte com uma grande pedra a poucos quarteirões de sua
casa. Ele pegou sua arma, e caminhou até sua casa. Ele pulou a cerca e
encontrou com Paterson, que atirou nele. Ele atirou de volta, a arma
encostada no seu peito. Eles disseram que mataram Paterson quase que
instantaneamente, em parte por causa do tipo de balas na arma, e a distancia
do tiro.
— Blake o confrontou, e atirou novamente em seu peito. Eles deduziram
que este tiro o fez derrubar sua arma. Ele, então, pegou a arma de Paterson.
Esta era uma arma menor, com munição mais leve, e foi com ela que ele
atirou em todos os três, o que é mais provável explicar porque você
sobreviveu. Stephan encontrou a arma de Henry, e utilizou para acertar seu
pai na cabeça. Vamos apenas dizer que a arma tinha mais efeito sobre um
homem drogado gigante, especialmente se Stephan tinha uma mira infalível.
Os guarda-costas são treinados para atirar no coração, mas Stephan atirou
direto no cérebro.
Eu balancei a cabeça, agradecida por ele me dar uma explicação
completa, mas devastada por toda aquela perda sem sentido. — Aqueles
pobres homens.
James balançou a cabeça gravemente. — Sim, eu sei. Tanta coisa deu
errado. É difícil imaginar que um homem possa causar tanto estrago, quando
ele estava em clara desvantagem assim, mas eles falaram que a combinação
de drogas lhe deu uma explosão de força sobre-humana. Nenhum de nós
havia considerado essa possibilidade, para meu eterno pesar.
Eu apertei sua mão, que envolveu a minha calorosamente. Eu procurei
seus belos olhos, sabendo que ele sentia uma culpa esmagadora, como eu
sentia também.

— Eu sinto muito, James. Se eu tivesse qualquer ide...
— Não. — Ele me interrompeu. Ele suavizou a voz e os olhos. — Por
favor, não. Nós não podemos trazer as coisas de volta, assim como nós não
poderíamos ter visto o futuro. Tudo o que podemos fazer é ser gratos que não
foi pior. Quando eu pisei no seu quintal, eu estava convencido de que o meu
pior pesadelo havia chegado. Eu nunca vou deixar de ser grato que você
sobreviveu a isso. Nós tivemos uma sorte indescritível que não houve mais
vidas perdidas. Vocês três estavam em estado crítico até poucos dias atrás, e
agora estão no caminho para a recuperação completa.
Ainda passou alguns dias até Stephan sair da UTI, e nós dois estarmos
com condições para nos encontrar. Tivemos um encontro com lágrimas nos
olhos, apertando as mãos e chorando como bebês.
— Eu estava com tanto medo que você não fosse se recuperar. — Eu
engasguei.
Ele deu uma risada meio estrangulada, meio soluço.
— Você estava com medo? Eu o vi atirar na sua cabeça. Eu acho que
nunca vou recuperar totalmente daquela visão.
Estremeci com aquela imagem. — Mas você me salvou.
— Sempre, Botão de Ouro. — Ele disse, apertando minha mão com
força. — Sempre.
Ele continuou, mudando rapidamente para um tema mais leve. — Seria
brega se eu ficasse noivo um pouco mais de uma semana depois que você
ficou?
Olhei em volta procurando Javier, surpresa com a pergunta. Estávamos
completamente sozinhos, mesmo James nos dando um momento de
privacidade.
— Você está noivo? — Eu questionei.
Ele balançou a cabeça, usando seu sorriso mais jovial. — Não, mas eu
quero pedi-lo em casamento. Eu queria ter a sua benção primeiro.
Eu lhe dei um olhar exasperado, depois ri.
— Sim. Se você quer ser bobo e pedir a minha bênção, então você a tem.
Sempre. Nada me faria mais feliz.

— Tudo vai ser mais fácil de agora em diante, Abelhinha. Nós
merecemos.
Eu devolvi o sorriso despreocupado, na esperança de que ele estivesse
certo.
























CAPÍTULO QUARENTA E UM
Epílogo

QUASE UM ANO DEPOIS
Respirei fundo. Eu contei até 10. Eu obriguei todo o meu corpo a
relaxar. Eu estava nervosa - muito nervosa e inquieta, mas muito menos do
que pensei que estaria neste dia.
— Respire fundo, Botão de ouro. — Stephan disse suavemente. Eu não
conseguia olhar para ele hoje. Ele, mais do que ninguém, me deixava ainda
mais emocionada hoje.
Apenas havia tanta alegria em seus olhos, uma emoção tão mal contida.
Isso me fez querer chorar como um bebê, e eu tinha acabado de passar por
um processo de maquiagem meticulosamente elaborada. E para não falar que
o meu objetivo no dia não era ficar com o rosto borrado na frente de
quatrocentos convidados do casamento.
— Se você fizer ela estragar a maquiagem agora, eu vou expulsá-lo! —
Lana disse a ele, mas seu tom de voz era de pura afeição. Stephan e Lana
tinham se apaixonado um pelo outro também - quase tanto quando Stephan e
eu. Ela ameaçava roubá-lo de mim quase todas as vezes que nós três
estávamos juntos.
Lana estava deslumbrante, é claro, em um vestido lavanda que fez seus
surpreendentes olhos violetas se destacarem ainda mais. Ela que escolheu a
cor. Como era seu costume, ela assumiu a completa liderança nesse caso. Eu
não tinha ficado incomodada. Pelo contrário, eu só tinha ficado aliviada. Esse
tipo de evento era completamente fora da minha área de especialização. Eu
nunca tinha sido aquele tipo de garota que sonhava com isso, e muito menos
imaginava nem como começar a planejar uma coisa dessas. Eu estava
agradecida por toda a ajuda que poderia receber.
— Bianca, você deve saber que fui promovida como sua guardiã pelo seu
determinado noivo. Ele disse que se você tentasse correr, eu poderia te atacar.

Isso me fez rir, e aliviou um pouco a tensão, como ela presumiu
corretamente.
— Eu não sei se alguém já lhe disse isso. — ela continuou. — Mas eu
meio que tenho a reputação de lutadora durona em Maui, então, eu não me
testaria se eu fosse você...
Não somente alguém tinha me contado essa história, mas todo mundo
tinha. A avó de Lana, a sua tia, e até Akira amava contar essa história em
detalhes, e frequentemente. Uma garota luta e eles acham que ela é campeã
de pesos leves.
Lana não concluiu e virou de costas para mim e Stephan. Ela tinha um
dedo elegante apontado para os dois duendes travessos que usavam vestidos
que combinavam com o dela.
— E vocês. Dupla de devassas. É melhor ficar longe de meu irmão na
festa. Vi o jeito que vocês estavam olhando para ele. Nem pensem nisso.
Tenho planos para ele que envolvem ele finalmente se estabelecer, e vocês
duas acabariam com meu plano se o chamassem para um ménage à trois!
Elas apenas riram, completamente impertubáveis.
— Nós já cuidamos dele. — Marnie exclamou.
— Nós duas nos juntamos a ele logo após o jantar de ensaio! — Judith
disse.
— Ele foi incrível! — Marnie acrescentou.
Lana esfregou as têmporas. — Oh, Deus! Eu nem sei quem é mais sem
esperança. Ele ou vocês duas?
— Elas! — Jessa acrescentou de onde estava sentada, terminando o seu
penteado. — Eu conheço essas duas há anos. Definitivamente elas.
— Elas me contaram uma história sobre seduzir um padre uma vez. —
Danika acrescentou, dando a Lana um olhar simpático. — Seu irmão não é
fácil, mas essas duas são ninfomaníacas. Então, se estamos falando de
esperança, ou a falta dela, eu voto nas duas.
— Eu juro que vi essas duas lançando olhares para o ministro que vai
realizar o casamento. — Sophia acrescentou amavelmente, ajustando a manga
de seu próprio vestido lavanda.

— Tenho quase certeza de que eles estavam tentando atacar o meu pai
ontem à noite, antes de desaparecerem com o irmão de Lana. — Jackie
adicionou, de onde estava trabalhando na bainha do meu vestido. Olhei para
ela, enquanto continuava falando. — Meu pobre pai é viúvo há cinco anos, e
está se aproximando dos sessenta. Eles poderiam ter lhe dado um ataque
cardíaco.
Marnie e Judith apenas riram, apreciando as brincadeiras.
Isso tudo ajudou. Eu precisava dessa distração. Não que eu tivesse
dúvidas sobre James. Eu tinha certeza sobre ele, certeza que eu precisava
dele, e que ele era a pessoa certa para mim. Era apenas essa parte do
casamento realmente acontecendo que me assustou. E ainda por cima um
grande casamento, que tinha começado tão pequeno, não estava ajudando
muito.
Era apenas essa certeza que incorporou dentro de mim, que eu não
podia mais controlar esse negócio, embora eu não tenha certeza se em algum
momento eu pude controlar alguma coisa. Nós deveríamos apenas ter
fugido...
Eu nunca pensei que seria aquela pessoa com mais damas de honra que
eu pudesse controlar, mas isso aconteceu. Eu tinha aberto o meu coração para
mais pessoas que apenas Stephan, e foi como quebrar as comportas de uma
barragem.
Havia tantas pessoas que eu valorizava em minha vida agora. Meu
coração já não era um bloco de gelo, com apenas uma parte descongelada
para Stephan. Ele era quente no meu peito agora. Eu estava viva, como nunca
estaria, se não tivesse conhecido James. Ele estava certo desde o início. Nós
fomos feitos um para o outro, e ele me tinha feito uma mulher melhor, uma
mulher mais completa, quando finalmente permiti que ele entrasse no meu
coração.
Até o momento em que Javier espreitou com a cabeça na porta do
quarto, eu já tinha me acalmado consideravelmente.
Tínhamos decidido por um casamento ao ar livre no final da primavera,
porque amamos a ideia de um casamento em meio a flores desabrochando.
James tinha escolhido Wyoming, insistindo que não havia nenhum outro
lugar que gostaria mais que fosse trocado nossos votos, uma vez que este era o
lugar onde ele jurava que eu tinha me apaixonado por ele.

Ele alegou que eu tinha me apaixonado primeiro pela sua assombrosa
habilidade equestre ... Eu não tinha sido capaz de convencê-lo do contrario,
que na verdade me apaixonei muito antes, mas ele não quis ouvir nada.
Mas eu realmente não me importava. Eu não conseguia pensar em
nenhum outro lugar que eu teria preferido meu casamento.
A fazenda foi completamente transformada para o grande evento, uma
grande clareira na frente da casa foi cuidadosamente ampliada para a
cerimônia. Era uma visão espetacular, com relva e flores silvestres bem
cuidadas, e os convidados acomodados, com flores plantadas ao longo de todo
o caminho, enquanto o restante corria selvagem por todo o local, espalhando
lindamente as flores silvestres brancas e violeta pelo ambiente.
Grandes tendas tinha sido montadas ao lado da casa principal, para a
recepção que se seguiria.
Uma área próxima a sala de estar tinha sido adaptada em uma estação
de preparação para minha festa de casamento, enquanto os padrinhos
aguardavam no hall completamente iluminado.
— Hora do show! — Javier nos disse, sorrindo.
Stephan e Javier foram ainda mais impulsivos do que nós, e já tinham
se casado no Natal. Eles tiveram uma linda cerimônia de compromisso em
Bali, com uma recepção mais tarde, que acabou virando uma longa festa de
quatro dias, com todos seus amigos mais próximos. Toda a viagem tinha sido
mágica, e eu nunca tinha visto dois noivos mais felizes. Até mesmo depois de
vários meses, ambos ainda brilhavam.
Stephan estava mais feliz do que eu já tinha visto. Dois meses atrás, ele
foi procurado por uma de suas irmãs. Ela tinha acabado de fazer dezoito anos,
e se afastou da família para freqüentar a faculdade. Ela o encontrou no
Facebook, e lhe enviou uma séria mensagem, desejando lhe conhecer.
Ela pediu desculpas pela forma como ele foi tratado pela família,
embora, é claro fosse muito jovem na época para ter alguma coisa a ver com a
forma como as coisas aconteceram. Stephan me contou que eles estavam
começando a se conhecer, lentamente no inicio, mas que agora estavam
conversando quase todos os dias.
Javier me soprou um beijo antes de fechar a porta atrás dele. Ele ficou
na parte dos padrinhos do noivo. Dividir os nossos amigos se transformou em

um longo debate. Nós tínhamos tido uma disputa sobre quem iria manter
Stephan como primeiro padrinho. A discussão me deixou furiosa.
No final, nós tínhamos decidido em padrinhos sem o gênero tradicional,
com Frankie como a primeira madrinha de James, e Stephan como meu
primeiro padrinho.
Apenas fazia sentido para nós dois. James argumentou que queria ficar
com Lana, e eu criei um caso para ficar com Javier, mas no final nós deixamos
eles escolherem, então Javier era um dos seus padrinhos, e Lana era minha.
Eu sabia que isso era um sinal de quão abençoados nós éramos, já que
os nossos amigos estavam tão interligados que pertenciam igualmente a nós
dois.
Um dos maiores transtornos da festa do casamento estava ajoelhada aos
meus pés, se preocupando com algum pequeno detalhe na barra do meu
vestido. Jackie foi a que eu mais demorei para me acostumar, mas hoje eu a
amava incondicionalmente.
Nossa amizade havia crescido ao longo de inúmeros bilhetes que ela
deixava no meu closet. Lana estava absolutamente certa sobre ela - o que ela
precisava era ser desafiada. Algo em sua natureza tinha uma necessidade
constante disso, e eu me obriguei a agir dessa forma. Primeiro, eu insisti em
usar apenas roupas de novos estilistas por meses, o que a fez querer arrancar
os seus cabelos, mas no final, a descoberta de novos estilistas para me
apresentar era um desafio que ela adorava.
Ela tinha aprendido a me respeitar, e com esse respeito, teve inicio a
nossa amizade. E quando nós duas começamos a procurar o meu vestido de
noiva, isso tinha crescido a um vínculo genuíno. Eu percebi que tinha espaço
no meu coração para outra irmã.
Jackie e eu não ficamos amigas imediatamente, mas hoje nós nos
amávamos tanto, que era difícil alguém imaginar que foi diferente no inicio.
Enquanto ela estava obcecada em encontrar o vestido perfeito, eu tinha
começado a abrir para ela pequenos detalhes que eu poderia gostar em um
vestido, e ela acrescentava suas próprias sugestões. Quando ela começou a
fazer esboços elaborados para o vestido, eu fiquei impressionada com a sua
visão, e fiz uma improvisada sugestão que ela deveria desenhá-lo sozinha. Ela
tinha aceitado minha oferta emocionada, e desenhou meu vestido perfeito. Eu

sabia, pelo seu talento, e a forma como ela cumpriu essa tarefa, que esta não
seria a ultima roupa que ela desenharia para mim.
As mulheres começaram a sair do quarto, me lançando palavras de
incentivo, antes de partirem. Isso me fez sentir como se elas me
considerassem louca, já que era uma clara indicação que todo mundo ainda
estava um pouco receoso que eu fosse me transformar no personagem de
filme: 'uma noiva em fuga'.
Stephan e eu demos uma espreitada pela porta com a saída delas, para
pegar um vislumbre do altar.
James já estava ali, parecendo perfeito demais para ser real, em um
smoking feito sob medida. Ele usava a clássica jaqueta e calça preta, com uma
camisa branca de seda, colete e gravata. Seu cabelo estava artisticamente
arrumado para fora de seu rosto. Frankie estava ao lado dele, vestido a sua
própria versão sexy de um smoking.
Ele nos viu olhando e sorriu. Ele sabia que eu estaria nervosa com isso,
assim como eu sabia que ele não estaria. Nós compartilhamos um desses
olhares complexos que dizia claramente que nós nos entendíamos. Sua
expressão foi para um sorriso indulgente, e o meu foi uma pequena careta de
dor. Eu voltei para o quarto.
Além de ser meu primeiro padrinho, Stephan iria me levar até o altar.
Aquela questão sequer foi debatida. Ele usava um smoking quase idêntico ao
de James, mas com uma gravata de seda lavanda. Ele se manteve atento a
nossa deixa para sair, quando me acompanharia até o altar, e enquanto
aguardávamos a minha hora para entrar, ele me mantinha atualizado sobre
todos os detalhes que estava acontecendo, no estilo Stephan.
— Primeiro a entrar é o Elliot. Ele está com a aliança no topo de sua
cabeça, e ele está pulando.
Eu ri.
— Agora é Parker e Sophia. Eles estão bem na cola do Elliot, no caso
dele fugir. Ops.. ele começou a correr... Não, está tudo bem agora. Acho que
ele estava apenas os enganando.
Nós compartilhamos um sorriso. Elliot era muito adorável.
— Em seguida vem Lana e Akira. Ele parece perfeito, como sempre, e ela
é o retrato da elegância. Ao vê-los lado a lado, você nota imediatamente como

são perfeitos um para o outro, mas você tem que ver para crer, já que eles são
tão diferentes.
Eu tive que concordar com essa observação.
— Agora é Murphy e Judith. Eles realmente parecem que estão tentando
se comportar. Eu estava esperando um pouco de dança até o altar, estilo vídeo
para o YouTube.
— Murphy me perguntou se podia dançar, e eu disse que não me
importava, contanto que ninguém esperasse que eu fizesse o mesmo. — Eu
disse.
— Oh, bem, lá vai ele. Eles estão fazendo aquela dança misturada. Eles
definitivamente parecem ter praticado. — Nós compartilhamos uma risada.
— E agora, Javier e Marnie. - Stephan continuou. — Ele está
malditamente sexy, e ele piscou para mim enquanto passava pela porta.
— Agora é Jessa e Damien. Eles têm grandes sorrisos em seus rostos.
Ele fez uma pausa ainda observando, seu sorriso sumindo um pouco. —
Em seguida vem Tristan e Danika. Dói meu coração ver esses dois juntos.
Eu sabia exatamente o que ele queria dizer. Havia este sentimento de
questões mal resolvidas quando os dois estavam juntos. Danika não ficou feliz
em ter que entrar com ele, mas tinha levado na esportiva. No entanto, como
sempre, ela tratava Tristan com uma fria civilidade.
— Sven Jr. e Adele são os próximos, e estão espetaculares. Eles estão
completamente modelo-y
8
.
— Essa palavra existe? — Eu perguntei de brincadeira.
— Claro. E os últimos a entrarem são Jackie e Camden. — ele continuou.
— Ele lhe deu um sorriso maroto, e ela segurou seu braço, sem lhe lançar
sequer um segundo olhar. Eles formam um casal estranho.
Eu tive que concordar. O irmão de Lana, Camden, era o oposto de
Jackie em praticamente todas as maneiras que se poderia imaginar. Ele era
alto e musculoso, com cabelo dourado ondulado como sua irmã, e esses
mesmos surpreendentes olhos cor de violeta. Com seu tamanho, ele deixava a

8
É um modelo de um Ford 1933 – um clássico do automobilismo. Stephan faz uma comparação como se os dois
fossem uma beleza clássica e tradicional

pequena figura de Jackie ainda menor, e era tão brincalhão como ela era
séria.
Stephan se afastou da porta aberta quando o último casal partiu, se
movendo rapidamente para ajustar a minha saia, alisando as suaves rendas
do tecido.
O vestido era absolutamente extraordinário. Era um creme bem claro,
com intricadas rendas de fios de ouro, e detalhes luxuosos ao longo de cada
centímetro. Era sem mangas, com um decote algo de renda na gola, e a minha
gargantilha com a tranca era claramente visível por baixo. Jackie teve a
empreendedora ideia em cortar um pedaço do colarinho, e tinha funcionado
perfeitamente. Minha gargantilha parecia fazer parte do vestido. Por baixo eu
usava uma peça branca lisa que vinha até acima dos meus joelhos. A
sobreposição de renda era mais longa, quase tocando o chão, com a calda um
pouco mais longa atrás. Eu não queria uma calda longa demais, onde alguém
teria que carregar para mim, e finalmente ela se comprometeu em fazer esse
detalhe da calda, observando para que isso não se tornasse necessário.
Ele me entregou o meu grande buquê. Era uma bela mistura de lírios
violeta, rosas roxas, e pequenos lírios brancos. As mesmas flores foram
entrelaçadas em uma coroa na minha cabeça, e eu deixei meu cabelo
comprido solto, que tinha sido cuidadosamente enrolado em cachos que
pendiam até as minhas costas.
Ele tocou meu rosto levemente, um mundo de alegria em seus
brilhantes olhos azuis, antes de me oferecer seu braço. Começamos nossa
caminhada em um ritmo lento pelo corredor florido, o sol nas nossas costas,
os nossos movimentos sincronizados com anos de perfeita união.
James era um homem ciumento, o homem mais possessivo que eu já
conheci. Eu duvidava de que houvesse uma coisa em mim que ele não
considerava como seu. Mas ele nunca me fez escolher, nunca questionou,
tentou alterar ou comprometer qualquer coisa no meu relacionamento com
Stephan. Ele só tinha aceitado, mesmo que essa aceitação deve ter ido de
encontro a todas as suas inclinações naturais.
Eu pensei que era talvez o sinal mais seguro de seu amor por mim - que
ele tão obviamente colocava as minhas necessidades antes da sua. Seu amor
era uma coisa tão bonita, sempre tão perfeitamente adequada às minhas
próprias necessidades, e tão altruísta.

Ele me transformou em uma pessoa que acredita. Nós estávamos
vivendo juntos há quase um ano, e eu estava completa e verdadeiramente
convencida de que realmente fomos feitos um para o outro. A vida não era
perfeita, mas estava muito perto.
Eu tinha pensado que olhar para Stephan me faria perder toda a minha
compostura e querer chorar, mas à medida que me aproximava do altar,
percebi que o olhar nos olhos do Sr. Magnifico seria a minha verdadeira
ruína. Ele não se preocupou em esconder dos nossos convidados aquele olhar
especial que ele tinha apenas para mim. Ninguém poderia duvidar de que ele
era louco por mim. Eu não sabia como, mas eu já duvidei. Embora tivesse
uma visão do mundo com olhos diferentes naquela época. Como eu poderia
saber que eu estava sendo arrastada para o meu próprio conto de fadas? Eu
nunca acreditei nessas coisas.
Stephan me entregou a James quando chegamos ao seu alcance. James
me deu seu sorriso mais suave, uma mão subindo para limpar uma lágrima
solitária que tinha conseguido fazer o seu caminho silenciosamente pelo meu
rosto.
De repente, ele me puxou para perto e me beijou. Durou tempo
suficiente, e teve paixão suficiente, para arrancar aplausos altos e gargalhadas
da plateia, e o ministro limpando a garganta alto. Eu estava sem fôlego
quando ele se afastou com um sorriso malicioso.
— Era isso ou arrastá-la para o quarto mais próximo. Eu não poderia ver
você me lançar aquele olhar adorável em toda a cerimônia, e não fazer nada.
— ele murmurou para mim, sem vergonha como sempre.
Eu ainda estava me recuperando, quando o ministro começou a falar.
Deixei as palavras oficiais me envolverem, meus olhos firmes, apenas um
pouco úmido, com o meu amor por ele.
— Estamos hoje aqui reunidos para fazer parte na celebração mais
honrada da família humana, unindo este homem e esta mulher no casamento.
— Começou o ministro.
Escutei cada palavra da cerimônia cuidadosamente, tentando absorver
tudo, mas meus olhos não vacilando do dele.
Nós recitamos os nossos votos, e minha voz era tão firme como poderia
ser em público. Nós tínhamos optado pelos votos tradicionais mais curtos,
porque eu tinha uma forte aversão a falar em público.

Lágrimas corriam silenciosamente pelo meu rosto, mas James se
manteve firme em quase toda a cerimônia. Embora isso mudasse da metade
para o final, quando o ministro estava recitando uma pequena parte que
James queria acrescentar a cerimônia.
O ministro leu, citando a Bênção dos Apaches.
Agora vocês não sentirão mais a chuva,
Pois cada um de vocês será o abrigo do outro.
Agora vocês não sentirão mais frio,
Pois cada um de vocês será o calor do outro.
Agora não haverá mais solidão para vocês.
Seu olhar nunca vacilou do meu, mesmo quando eles se encheram de
lágrimas, as lágrimas rapidamente transbordando e escorrendo pelo seu
rosto, antes que o ministro tivesse terminado a benção.
Eu ergui minha mão, e suavemente enxuguei seu rosto. Isso apenas era
o justo. Ele havia discretamente secado minhas lágrimas em toda a cerimônia.
Pois cada um de vocês será o companheiro para o outro.
Agora são dois corpos,
Mas só há uma vida diante de vocês.
Havia mais algumas belas linhas adicionadas aos votos, mas eu mal
ouvi, enquanto observava os lábios trêmulos do meu noivo formar as
palavras: — Eu te amo! — em um sussurro abafado.
Vagamente, eu ouvi a famosa frase sobre beijar a noiva, mas eu ainda
não tinha registrado as palavras antes que James me puxasse contra ele em
um beijo suave e doce. Era um beijo cheio de finesse, e um promessa de
eternidade. Os meus próprios lábios responderam ansiosamente aquela
promessa.
Engoli em seco e soltei um grito envergonhado, quando ele de repente
me levantou no ar. Ele riu, me girando.
Minhas mãos agarraram seus ombros, seus olhos rindo para os meus.
— Nós fizemos isso, amor. — ele me disse baixinho, sua voz cheia de
admiração tranquila. — Você é minha, para sempre, Sra. Cavendish.

Eu balancei minha cabeça, enquanto ele me abaixava lentamente de
volta no chão. Sua alegria era contagiante, e eu estava rapidamente rindo com
ele.
— Você é louco. Eu sempre fui completamente sua, Sr. Cavendish.























5 ANOS DEPOIS

Acordei de madrugada com uma sensação estranha na região mais baixa
do meu corpo, que havia ficado quase insensível nestas últimas semanas.
Bati na mão que estava enrolada em volta da minha cintura.
— James! — Eu choraminguei.
Eu o senti tenso contra mim, instantaneamente acordando.
— Está na hora, Bianca?
Mordi o lábio, mortificada. — Eu não sei. Ou minha bolsa estourou ou
eu fiz xixi.
O desgraçado riu, e eu lhe dei uma cotovelada dura. Ele se sentou ao
meu lado da cama, sorrindo quando mergulhou no meu centro em um piscar
de olhos. Ele estudou as minhas pernas molhadas, e eu apertei meus olhos
fechados, mais envergonhada que eu já estive em toda a minha vida.
— Será que a minha bolsa d'água estourou? — Eu perguntei a ele.
Ele continuou a me estudar, com a testa franzida. — Eu não sei. Você
não pode dizer?
Dei de ombros, me sentindo miserável.
- Está tudo dormente no momento. — Engoli em seco, odiando ter que
fazer essa pergunta.
— Você consegue sentir o cheiro?
Ele não se sentiu ofendido. Ele nunca ficava. Ele era o mais obediente
dos maridos, para a primeira vez de uma mulher grávida completamente
confusa.
Eu não conseguia olhar para ele, quando ele puxou o ar naquela área.
— Nenhum cheiro. Acho que vamos ter nosso bebê, amor.
Nós dois sabíamos o que fazer, e James entrou em ação imediatamente,
mas eu não conseguia me mover, sobrecarregada com o pensamento de que
na próxima vez que voltasse aqui, estaria trazendo um bebê para casa com a
gente.

Ouvi James falando em seu telefone no closet.
— Stephan. Está na hora. Você tem cinco minutos para nos encontrar no
carro, ou então você vai ter que nos encontrar no hospital. — Ele fez uma
pausa. — Sem dúvida. Sua bolsa estourou. Nós vamos conhecer nosso bebê
hoje.
Ele estava de volta ao meu lado, poucos momentos depois, já vestido. Eu
não consegui ajudá-lo, quanto ele tirou minha camisola, e colocou um vestido
confortável sobre a minha cabeça.
— Você pode caminhar? — Ele perguntou gentilmente.
Eu balancei a cabeça e me levantei devagar, me sentindo desajeitada.
James me ajudou, seus braços fortes me mantendo firme até que eu
conseguisse ficar em pé sozinha.
Ele se ajoelhou aos meus pés, usando um pano úmido para me limpar, e
trocar a minha calcinha sem dizer uma palavra. Ele passou um braço em volta
da minha cintura, a outra segurando firmemente meu braço, enquanto me
levava para baixo pelas escadas e depois até a garagem.
Clark e Blake estavam nos esperando ao lado de um grande SUV preto.
Tínhamos feito as malas do hospital há meses atrás, cortesia do Sr. Cavendish
Maníaco por Controle, então fiquei aliviada por não ter que me preocupar
com isso naquele momento.
James me ajudou a ficar confortavelmente acomodada, com o cinto de
segurança afivelado, antes que cuidasse de si mesmo. Minha barriga enorme
tinha tornado tudo tão difícil ultimamente, e eu nunca tinha apreciado tanto
sua infinita solicitude do que durante este período de gravidez.
Clark levou o carro até o lado de fora da garagem colossal, antes de
parar, um enorme sorriso em seu rosto quando ele olhou para nós.
— Os rapazes já chegaram. — Ele falou.
Olhei para trás, vendo os nossos dois vizinhos favoritos correndo ao
nosso encontro, Stephan deixando Javier na poeira durante a corrida até o
nosso carro.
James e eu compartilhamos um sorriso feliz.
Segundos depois Stephan estava entrando no carro, sem fôlego e me
atirando um olhar preocupado. Ele entrou na fileira atrás da nossa, se

movendo diretamente atrás de mim, para que ele pudesse beijar o topo da
minha cabeça, antes de sentar.
— Como você está? Como está o nosso bebê? — Ele me perguntou, mas
olhando para James.
James não conseguia parar de sorrir. — Nosso bebê está pronto para
nosso encontro de hoje.
Eu esfreguei minha barriga, tentando não liberar de dentro de mim, o
terror ao pensar sobre o calvário a caminho. James viu a minha ação, e se
inclinou para beijar minha barriga, como fez inúmeras vezes ao longo dos
últimos oito meses e meio. Eu acariciava minha mão sobre seu cabelo sedoso.
Javier entrou no carro, enquanto James ainda estava prestando
homenagem a minha grande barriga. Ele sorriu com a visão. — Nós não
vamos ver mais essa cena frequente depois de hoje. — Ele disse.
Acariciei a cabeça de James.
— Eu vou sentir falta. — Eu disse suavemente.
Ele mudou de posição, para que pudesse encarar os meus olhos, seu
rosto ainda pressionado suavemente na minha barriga. — Nós podemos fazer
isso quantas vezes quiser, Sra. Cavendish.
Estávamos a dez minutos do hospital, e foi um passeio de carro com
muita conversa, então passou em um piscar de olhos, assim como a minha
admissão no hospital, graças ao meu marido ofensivamente rico. Eles me
tinham deitada em uma cama, no que imaginei ser um tempo recorde.
Dra. Lisa parecia que já estava lá há tempos quando nos encontramos,
como se não tivesse sido arrastada para fora da cama, mas eu sabia que foi
isso que aconteceu.
Ela sorriu para mim tranquilizadora. — Você vai ser mamãe hoje. — Ela
me disse, depois de um curto exame.
Era um pensamento assustador.
Várias horas angustiantes depois, mais para James do que para mim,
pensei, e um pacote pequeno de alegria foi colocado em meus braços.
Eu tinha tanta certeza de que essa criança iria abrir velhas feridas -
apenas rasgar as coisas dentro de mim que nunca tinham se curado

completamente. Mesmo depois que tive certeza que queria ter filhos, e até
mesmo durante a gravidez, quando eu senti as primeiras agitações profundas
do perfeito amor de uma mãe, eu sentia essa dúvida.
Não havia maneira que eu poderia ter imaginado, que apenas ver o
rosto perfeito do nosso filho teria o efeito oposto. Não tinha me rasgado as
velhas feridas. Ele não agravou os ferimentos. Como o meu amor por James,
ele só me curou. Como James sempre disse que tinha feito comigo, eu me
apaixonei por Duncan Stephan Cavendish à primeira vista.

Fim