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Direito Penal II

PROFª DANIELA CARLA GOMES FREITAS
CONCURSO DE PESSOAS (Art. 29 a 3 !o CP"
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime
incide nas penas a este cominadas, na medida de sua
culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
.7.9!"#
§ 1º - $e a participação %or de menor import&ncia, a pena
pode ser diminu'da de um se(to a um terço. (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de .7.9!"#
§ 2º - $e al)um dos concorrentes quis participar de crime
menos )ra*e, ser-l+e-, aplicada a pena deste- essa pena
ser, aumentada at. metade, na +ip/tese de ter sido
pre*is'*el o resultado mais )ra*e. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de .7.9!"#
Art. 30 - 0ão se comunicam as circunst&ncias e as condiç1es
de car,ter pessoal, sal*o quando elementares do crime.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de .7.9!"#
Art. 31 - 2 a3uste, a determinação ou insti)ação e o au('lio,
sal*o disposição e(pressa em contr,rio, não são pun'*eis, se
o crime não c+e)a, pelo menos, a ser tentado.
É também chamado de concurso de agentes, ou, concurso de delinqüentes,
ou ainda, co-delinqüência.
Em latim, não se deve confundir “concurso delinquentium4, que é o concurso
de pessoas, com o 5concurso delictorum4 que é o concurso de crimes.
uanto ao concurso de pessoas, os crimes são classificados em duas
espécies!
. Cri#e !e $on$%r&o e'ent%al( a$i!ental (#ono&&%)*eti'o"+ É o crime
que pode ser praticado por uma s" pessoa, embora admita o concurso de
pessoas.
E,e#-lo! uase todos os crimes.
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2. Cri#e !e $on$%r&o ne$e&&.rio( o)ri/at0rio (-l%ri&&%)*eti'o"+ É o crime
que necessariamente, obrigatoriamente tem que ser praticado em concurso
de pessoas. #crime que não pode ser praticado por uma s" pessoa$ su%eito
ativo&.
E,e#-lo&+
- uadrilha - art. '((, )*+
- ,rt. -., /ei de 0rogas+
- )onstitui1ão de mil2cia privada - art. '(( - ,, )*.
3 45 )orrente -6 72nimo duas pessoas
3 '5 )orrente -6 72nimo três pessoas
3 -5 )orrente -6 0eve se aplicar por analogia o art. '(( -6 72nimo de quatro
pessoas
2. Cri#e !e $on$%r&o ne$e&&.rio !e $on!%ta& -aralela&+ ,s condutas
de cada um dos agentes au8iliam-se mutuamente. #quadrilha ou bando,
associa1ão para o tr9fico&
2.2 Cri#e !e $on$%r&o ne$e&&.rio !e $on!%ta& $on'er/ente&+
: crime surge do encontro de duas ou mais condutas cu%as vontades são
convergentes
2.3 Cri#e !e $on$%r&o ne$e&&.rio !e $on!%ta& $ontra-o&ta&+
,s condutas dos agentes voltam-se umas contra as outras. #crime de ri8a-
art. 4-;, )*& < ,s regras do concurso de pessoas #art. '= a -4 do )*&, s" se
aplicam aos crimes de concurso
eventual, pois no crime de concurso de pessoas necess9rias, o concurso de
pessoas %9 é elementar do tipo penal. >ão ocorrendo o concurso de pessoas
elencados no tipo penal, é fato at2pico.
CONCEITOS
< AUTORIA
*ossui três teorias para a sua conceitua1ão.
ª 1 Teoria re&triti'a! ?" é autor quem pratica, e8ecuta o verbo nuclear do
tipo penal. -6 É a teoria ,0:@,0,.
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2ª 1 Teoria e,ten&i'a (&%)*eti'a2 %nit.ria"+ ,utor é toda pessoa que de
alguma forma colaborou na
ocorrência do crime, tenha ou não e8ecutado o verbo do tipo penal.
3ª 1 Teoria !o !o#3nio 4inal !o 4ato (teoria o)*eti'a1&%)*eti'a"!
,utor é quem pode decidir como se e quando o crime ser9 praticado,
independentemente de e8ecutar ou não o verbo do tipo.
O)&. ! *ara esta teoria, primeiro o autor nem sempre é o e8ecutor do crime.
O)&. 2+ Esta teoria n5o &e a-li$a ao& $ri#e& $%l-o&o&, é e,$l%&i'a !o&
$ri#e& !olo&o&.
*ara a teoria do dom2nio final, ser9 autor!
. uem tem o dom2nio da pr"pria vontade #e8ecutado&+
2. uem tem o dom2nio da vontade alheia+
Aip"teses de dom2nio da vontade alheia!
4& Erro determinado por terceiro #art. 'B,C'D do )*&+
'& Enimput9vel+
-& )oa1ão moral irresist2vel+
F& :bediência hier9rquica.
3. uem tem o dom2nio da parcela do crime que lhe compete+
6. ue tem G sua disposi1ão um aparato organiHacional estatal ou não para o
cometimento docrime
< Esta teoria permite punir o mandante do crime.
< : ?@I est9 adotando esta teoria no caso do mensalão.
<
COAUTORIA
É a reunião de dois ou mais autores.
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Coa%tor &%$e&&i'o é aquele que ingressa no crime depois de %9 iniciada a
e8ecu1ão e antes do seu encerramento.
REGRA+ , coautoria é simultJnea, ou se%a, os coautores iniciam %untos a
e8ecu1ão do crime.
E7CE89O+ >ada impede que ocorra uma autoria sucessiva.
>ão e8iste coautoria #nem participa1ão& em crime consumado.
PERGUNTA+ É poss2vel coautoria em crime pr"prio e em crime de mão
pr"priaK
RESPOSTA+ : crime pr"prio admite coautoria, mas o crime de mão pr"pria
%amais admitir9.
CRIME PR:PRIO
CDE M9O PR:PRIO (CRIME DE
MANDATO INFUNG;<EL"
3 E8ige condi1ão especial do su%eito ativo.
3 E8ige condi1ão especial do su%eito ativo.
3
,dmite coautoria e participa1ão.
E,e#-lo+ )rimes funcionais.
3 ?" admite participa1ão, %amais admitir9 coautoria.
E,e#-lo+ Ialso testemunho.
< É ma%orit9rio o entendimento de que falso testemunho não admite
coautoria, mas h9 decisLes do ?@I, admitindo coautoria em falso
testemunho.
< PARTICIPA89O
: part2cipe é aquela que não pratica a conduta criminosa, mas que de
alguma forma colabora na ocorrência do crime.
: part2cipe é aquele não pratica a conduta t2pica descrita na lei.
*ara que ele se%a punido, portanto é
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. In!%=i#ento+ : part2cipe cria a idéia para o autor.
2. In&ti/a>5o+ : part2cipe refor1a a idéia do crime que %9 era cogitado pelo
autor.
3. A%,3lio #aterial+ : part2cipe fornece meios para o autor e8ecutar o crime
#E8! Emprestar a arma pro homicida&.
< : induHimento e a instiga1ão são chamados de participa1ão moral, e o
au82lio de participa1ão material.
ACESSORIEDADE DA PARTICIPA89O
, participa1ão é um comportamento acess"rio, ou se%a, não e8iste sem a um
comportamento principal, que é a autoria.
@E:ME,? 0, ,)E??:MEE0,0E
ª 1 Teoria !a a$e&&orie!a!e #3ni#a+ : part2cipe é punido se a conduta do
autor configurar I,@: @N*E):, ainda que não il2cito.
E,e#-lo+ “,O induH “PO a reagir e leg2tima defesa.
< Q uma teoria absurdaR
2ª 1 Teoria !a a$e&&orie!a!e #?!ia( li#ita!a+ : part2cipe é punido, se a
conduta do autor é I,@: @N*E): e E/N)E@: ainda que não culp9vel.
3ª 1 Teoria !a a$e&&orie!a!e #.,i#a+ : part2cipe s" é punido se a conduta
do autor é um I,@: @N*E):, E/N)E@: e )S/*TUE/.
6ª 1 Teoria !a @i-era$e&&orie!a!e+ : part2cipe s" é punido se a conduta do
autor é I,@: @N*E):, E/N)E@:, )S/*TUE/ e *S>NUE/.
< ?e for e8tinta a punibilidade, a conduta do part2cipe não ser9 punida.
< *or essa teoria, as agravantes relacionadas com as condi1Les pessoais do
autor transmitem-se
ao part2cipe.
E8emplo! “,O é part2cipe e réu prim9rio. “PO é o autor e reincidente.
>este caso a condi1ão de reincidência do autor, transmite-se ao part2cipe.
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< >o Prasil é adotada a teoria !a a$e&&orie!a!e #?!ia, ou se%a, o part2cipe
é punido, se a
conduta do autor for 4ato t3-i$o e il3$ito ainda que não culp9vel.
AUTORIA MEDIATA( INDIRETA
: autor mediato$indireto não e8ecuta pessoalmente o crime. Ele utiliHa como
seu instrumento do crime uma terceira pessoa.
Aip"teses!
4& Erro determinado por terceiro #art. 'B, C'D do )*&+
E,e#-lo+ 7édico V autor mediato$indireto $ Enfermeira V instrumento do
crime.
'& )oa1ão moral irresist2vel #art. '' do )*&+
E,e#-lo+ Pandido V autor mediato$indireto $ Werente V instrumento do
crime.
-& :bediência hier9rquica #art. '' do )*&+
necess9rio o apoio da norma de e8tensão do art. '=, “caputO do )*, que
pune a tentativa, é a chamada norma de e8tensão que permite punir a
pessoa que não praticou a conduta t2pica. >a participa1ão ocorre, portanto
um caso de tipicidade indireta ou mediata, também chamada de adequa1ão
t2pica de subordina1ão mediata ou indireta.
E7EMPLO+ ?omando se a norma incriminadora #art. 4'4 do )*& com a
norma e8tensora #art. '= do )*&, a conduta ganha tipicidade.
E8istem três formas de participa1ão!
. In!%=i#ento+ : part2cipe cria a idéia para o autor.
2. In&ti/a>5o+ : part2cipe refor1a a idéia do crime que %9 era cogitado pelo
autor.
3. A%,3lio #aterial+ : part2cipe fornece meios para o autor e8ecutar o crime
#E8! Emprestar a arma pro homicida&.
< : induHimento e a instiga1ão são chamados de participa1ão moral, e o
au82lio de participa1ão material.
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ACESSORIEDADE DA PARTICIPA89O
, participa1ão é um comportamento acess"rio, ou se%a, não e8iste sem a um
comportamento principal, que é a autoria.
@E:ME,? 0, ,)E??:MEE0,0E
ª 1 Teoria !a a$e&&orie!a!e #3ni#a+ : part2cipe é punido se a conduta do
autor configurar I,@:
@N*E):, ainda que não il2cito.
E,e#-lo+ “,O induH “PO a reagir e leg2tima defesa.
< Q uma teoria absurdaR
2ª 1 Teoria !a a$e&&orie!a!e #?!ia( li#ita!a+ : part2cipe é punido, se a
conduta do autor é I,@:
@N*E): e E/N)E@: ainda que não culp9vel.
3ª 1 Teoria !a a$e&&orie!a!e #.,i#a+ : part2cipe s" é punido se a conduta
do autor é um I,@:
@N*E):, E/N)E@: e )S/*TUE/.
6ª 1 Teoria !a @i-era$e&&orie!a!e+ : part2cipe s" é punido se a conduta do
autor é I,@: @N*E):, E/N)E@:, )S/*TUE/ e *S>NUE/.
< ?e for e8tinta a punibilidade, a conduta do part2cipe não ser9 punida.
< *or essa teoria, as agravantes relacionadas com as condi1Les pessoais do
autor transmitem-se ao part2cipe.
E8emplo! “,O é part2cipe e réu prim9rio. “PO é o autor e reincidente. >este
caso a condi1ão de reincidência do autor, transmite-se ao part2cipe.
< >o Prasil é adotada a teoria !a a$e&&orie!a!e #?!ia, ou se%a, o part2cipe
é punido, se a conduta do autor for 4ato t3-i$o e il3$ito ainda que não
culp9vel.
AUTORIA MEDIATA( INDIRETA
: autor mediato$indireto não e8ecuta pessoalmente o crime. Ele utiliHa como
seu instrumento do crimeuma terceira pessoa.
Aip"teses!
4& Erro determinado por terceiro #art. 'B, C'D do )*&+
E,e#-lo+ 7édico V autor mediato$indireto $ Enfermeira V instrumento do
crime.
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'& )oa1ão moral irresist2vel #art. '' do )*&+
E,e#-lo+ Pandido V autor mediato$indireto $ Werente V instrumento do
crime.
-& :bediência hier9rquica #art. '' do )*&+
E,e#-lo+ 0elegado V autor mediato$indireto $ Envestigador V instrumento do
crime.
F& Enimputabilidade.
E,e#-lo+ “,O V autor mediato$indireto $ 0oente mental V instrumento do
crime.
>os crimes de autoria mediata$ indireta, a pessoa utiliHada como instrumento
do crime age sem dolo, sem culpa ou sem culpabilidade.
PERGUNTA+ É poss2vel autoria mediata$ indireta em crime pr"prio e em
crime de mão pr"priaK
RESPOSTA+ Em crime pr"prio é poss2vel autoria medita, mas em crime de
mão pr"pria não é poss2vel, pois a conduta tem que ser e8ecutada
pessoalmente pelo autor que ostenta a condi1ão especial e8igida no tipo.
REAUISITOS PARA O CONCURSO DE PESSOAS
. Pl%rali!a!e !e -e&&oa&+
2. Rele'Bn$ia $a%&al !a& $on!%ta&! >e8o de causalidade entre as
condutas e o resultado+
3. Lia#e &%)*eti'o+ A9 liame sub%etivo se o agente aderir G conduta
criminosa de outra pessoa, mesmo que essa outra pessoa desconhe1a a
adesão.
O)&.+ /iame sub%etivo não é o mesmo que pré a%uste. >ão é necess9rio que
os agentes combinem entre eles o crime, é poss2vel o concurso de pessoas,
mesmo que os infratores se desconhe1am.
6. I!enti!a!e !e in4ra>5o+ ,utores, coautores e part2cipes respondem pelo
mesmo crime.
O)&.! @em doutrina moderna que diH que a identidade de infra1ão não é
requisito, mas conseqüência do concurso de pessoas.
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TEORIAS SOCRE A PUNI89O NO CONCURSO DE PESSOAS
ª 1 Teoria #oni&ta( %nit.ria (te#-era!a2 relati'a o% #iti/a!a"+ ,utores e
participes respondem
pelo mesmo crime, pela mesma infra1ão penal.
ATEN89O! : crime é o mesmo para todos os infratores, mas as penas são
individualiHadas para cada infrator, na medida da culpabilidade de cada um.
: termo culpabilidade est9 sendo usado como sinXnimo de maior ou menor
importJncia da conduta do crime.
< É em regra a teoria adotada no Prasil.
2ª 1 Teoria !%ali&ta+ :s autores respondem por um crime e os part2cipes por
outro crime. A9 um crime para cada.
< >ão é adotada no Prasil.
3ª 1 Teoria -l%rali&ta( -l%ral3&ti$a+ :s agentes respondem por crimes
diferentes.
< É em e8ce1ão adotada no Prasil.
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