You are on page 1of 10

Belém (PA) - Demografia nos anos 60 com o software Philcarto

Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Licenciado pela Universidade Federal do Pará (UFPA)
Estagiou no Laboratório de Sensoriamento Remoto na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA
AMAZÔNIA ORIENTAL)
Instrutor/Monitor dos softwares: Phildigit, Philcarto, Google Earth e Adobe Illustrator aplicado a Cartografia Temática
Contato: henrique.ufpa@hotmail.com ou luizhenrique.ufpa@hotmail.com


1. INTRODUÇÃO

Recorrer as obras antigas dos primeiros
pesquisadores sobre determinado assunto é válido,
na medida em que podemos compreender melhor o
tempo presente. Nesse sentido, essa postagem
recorreu a um dos primeiros geógrafos a produzir
conhecimento científico sobre Belém: Antônio Rocha
Penteado. No livro Belém do Pará: Estudo de
Geografia Urbana. Volume 1. Coleção Amazônica.
Série José Veríssimo. Universidade Federal do Pará
- UFPA, 1968. Há uma tabela correspondendo a
população dos bairros de Belém na década de 60,
no qual será usado o software Philcarto para
representar através da Cartografia Temática, esses
dados sobre a Geografia urbana de Belém e em
seguida será comparado a mesma área com a
população segundo os dados demográficos do IBGE
2010 desses bairros.


2. MATERIAIS E MÉTODOS
No primeiro momento será vetorizado uma base
cartográfica dos bairros de Belém na década de 60,
segundo a obra de Antônio Rocha Penteado, em
seguida será espacializado os seguintes dados:
População dos bairros e Densidade demográfica por
Hectare.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 Regionalização de Belém em 1960

Segundo Antônio Rocha Penteado (1968), tomando
como base as características funcionais. A cidade de
Belém nos anos 60 era dividida em quatro áreas,
conforme podemos ver no (Figura 01).
a) Zona sul: Era formada pelos bairros da Batista
Campos , Jurunas, Cremação, Condor e Guamá
b) Zona leste: Era formada pelos bairros de Nazaré,
São Brás, Canudos e Terra Firme.
c) Zona norte: Era formada pelos bairros da Matinha
(Atual Fátima), Umarizal, Telégrafo sem Fio (Atual
Telégrafo), Sacramenta, Pedreira, Marco, Sousa e
Marambaia.
d) Zona Oeste: Campina, Reduto e Cidade Velha.

Figura 01. Divisão dos bairros de Belém em zonas
em 1960


Fonte: GUSMÃO, L. H. (2013)

Conforme a figura acima, Belém em 1960 era
constituída por 20 bairros situado em 4 zonas
diferentes, na qual a Zona Norte tinha a maior
extensão territorial, era a mais populosa e com o
maior crescimento urbano da época, predominando
uma população com baixo poder aquisitivo e
estando em áreas de várzea (Áreas inundáveis
periodicamente).

Os bairros da Zona Oeste eram predominantemente
comerciais, com imensas e variadas lojas,
principalmente em Campina. O bairro do Reduto era
industrial, contendo inúmeras fábricas alimentícias,
têxteis e de limpeza. O bairro da Cidade Velha
possuía e ainda tem um rico patrimônio histórico e
arquitetônico do século XVI, XVII e XVIII nas suas
ruas estreitas.

Os bairros de Batista Campos, São Brás, Canudos,
Marco, Nazaré e área Norte da Cremação possuíam
terrenos mais elevados, com quarteirões amplos e
traçados com um certo planejamento. Neles residia
a classe média e alta belenense. Suas casas eram
revestidas de azulejo, construídas no alinhamento
da rua, geralmente asfaltadas e, com exceção de
Canudos, todas eram arborizadas. Na porção sul do
bairro da Cremação moravam geralmente os
operários e comerciantes.

No bairro de Nazaré, havia o contraste entre novo e
o velho, se destacando a Basílica de Nazaré, os
grandes palacetes, alguns transformados em
repartições públicas, outros ainda ocupados pelas
famílias tradicionais de Belém, e as modernas
construções, como o edifício Manoel Pinto da Silva,
o mais alto de Belém na época. Além de ser um
centro religioso, o bairro funcionava como centro
educacional, comercial e recreativo, pois
concentrava a Faculdade de Administração da
Universidade do Pará, os núcleos de ciências exatas
e humanas, colégios de ensino médio, fundamental
e língua estrangeira, galerias, livrarias, papelarias,
institutos de beleza, cinemas, restaurantes, bares,
lanchonetes, farmácias, entre outros, sendo
responsável pela maior agitação da vida noturna de
Belém nos anos 60. (PENTEADO, A. R. 1968)

Nos outros bairros residia a população pobre de
Belém, alguns apresentando graves problemas de
saneamento básico, como a falta de água
potável. Guamá, Telégrafo sem fio, Matinha,
Sacramenta, Pedreira Jurunas e Condor eram
bairros de várzea e seus moradores viam-se sujeitos
às enchentes anuais do rio Guamá. As casas, a
maioria barracas de madeira e pau-a-pique, cobertas
de folhas de palmeira, eram construída em um nível
mais elevado, e eram ligadas as ruas por pontes
(Estivas). Nesses bairros as principais vias
comerciais e industriais eram a Estrada Nova (Atual
Bernado Sayão), a Tv. Pe. Eutíquio, a Av. Sen.
Lemos e a Av. Pedro Miranda.


3.2 População urbana de Belém


Tabela 1. População dos bairros de Belém em 1960
Bairros
População
Absoluta
% em relação a pop.
absoluta de Belém
Densidade por
hectare
Área em ha
Umarizal 26.290 11,67 113,6 231,4
Marco 26.286 11,66 59,1 444,4
Telégrafo Sem Fio 16.778 7,44 71,2 235,4
Pedreira 16.125 7,15 46,1 349,6
São Brás 15.701 6,97 132,9 118,1
Jurunas 14.904 6,61 74,5 200,0
Guamá 13.885 6,16 33,3 416,7
Comércio 13.824 6,13 144,3 95,8
Canudos 11.975 5,31 101,4 118,0
Cidade Velha 9.837 4,36 121,7 80,8
Reduto 9.211 4,08 121,0 76,1
Cremação 9.119 4,04 61,8 147,4
Matinha 8.189 3,63 145,9 56,1
Nazaré 7.518 3,33 55,0 136,5
Batista Campos 7.293 3,23 67,0 108,7
Sacramenta 6.686 2,96 22,4 297,2
Marambaia 4.933 2,19 6,9 713,7
Sousa 4.836 2,14 12,4 388,8
Condor 1.828 0,81 10,4 174,6
Terra Firme - - - -

Fonte: PENTEADO, 1968. p. 208.


Apesar da delimitação dos bairros não ser a mesma
da atualidade. Tomamos como base a delimitação
dos bairros da atualidade para podermos ter uma
noção da distribuição da população em 1960.


Figura 02. População dos bairros de Belém (PA) em
1960



Fonte: GUSMÃO, L. H (2013)

A partir da figura, fica evidente a distribuição
espacial da população de Belém nos seus bairros,
no qual Umarizal Marco, Telégrafo sem Fio,
Pedreira, São Brás e Jurunas eram os cinco mais
populosos da cidade, todos com mais de 15.000
habitantes.

A área central de Belém em rosa no cartograma é
uma aproximação longínqua de 1960 da área com
maior infraestrutura, no que se refere aos serviços
bancários, educacionais, de saúde, de recreação,
financeiro, entre outros, no qual a população de
classe média e alta habitava.
A maior parte da população ficava em bairros
periféricos, denotando um aglomerado de habitantes
de classe baixa ou de pobres no Umarizal, Telégrafo
sem fio, Pedreira e Jurunas, enquanto em São Brás
havia uma classe média ascendente decorrente da
exaustão de terrenos em Nazaré.
O polígono do bairro da Terra Firme e do
Universitário, apesar de evidência de ocupação, não
há dados registrados na obra de PENTEADO, A. R.
(1968).


3.3 Densidade demográfica (Habitantes por
hectares)


Agora, produzimos um mapa temático da densidade
demográfica (Habitantes por hectare) dos bairros
existentes em 1960, segundo dados de Antônio
Rocha Penteado.

Figura 03. Densidade demográfica dos bairros em
1960 de Belém (PA)



Fonte: GUSMÃO, L. H (2013)

A figura temática elaborado com o software Philcarto
nos mostra a densidade demográfica dos bairros de
Belém em 1960, no qual Condor, Souza,
Sacramenta e Marambaia eram os menos povoados,
com cerca de até 25 habitantes por hectare. Isso se
deve a incorporação recente dos mesmos a malha
urbana da cidade, sendo distantes do centro com
uma população extremamente pobre.

Entre 25 e 50 habitantes por hectare estão os
bairros da Campina (Comércio), Pedreira e Guamá.
O primeiro concentrava a área comercial da cidade
com a sua variedade de serviços, sendo um bairro
de circulação de milhares de belenenses todos os
dias; Pedreira e Guamá passavam por um processo
de ocupação das várzeas principalmente por
pessoas de baixo poder aquisitivo.

Entre 50 a 100 habitantes por hectare estão os
bairros do Jurunas, Nazaré, Cremação, Marco e
Telégrafo, que já possuíam uma população mais
expressiva e passavam por um acelerado processo
de crescimento populacional.

Acima de 100 habitantes por hectare estão os
bairros da Cidade Velha, Batista Campos, Reduto,
Umarizal, Matinha, São Brás e Canudos, que já
tinham uma ocupação mais consolidada e com
exceção de Matinha, Canudos e Umarizal, os outros
bairros eram moradia da população com maior poder
aquisitivo da capital do Estado do Pará em 1960.


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nessa postagem fica evidente a retomada da
discussão sobre o espaço geográfico de Belém com
base na autoria do Geógrafo Antônio Rocha
Penteado (1968) do livro Geografia Urbana Volume
1. Coleção Amazônia. UFPA; na tentativa de revelar
através da Cartografia Temática com o software
Philcarto, a situação demográfica de Belém na
década de 60 para poder nos orienta sobre a
dinâmica que os bairros da cidade vem passando
até a década atual (2010). Nesse caso, percebemos
uma primeira tentativa de regionalização do
município de Belém, com base em zonas
geográficas; o adensamento populacional nos
bairros centrais, enquanto os periféricos ainda
passando por um processo de urbanização mais
intenso e a distribuição populacional, principalmente
nos bairros periféricos.
Em 1960, Belém tinha uma população de 224.678
habitantes (PENTEADO, 1968), enquanto em 2010,
a cidade tem cerca de 1.392.031 habitantes (IBGE,
2010), evidenciando o quanto a cidade cresceu no
âmbito populacional.


5. REFERÊNCIAS

PENTEADO, A. R. Belém do Pará: Estudo de
Geografia Urbana. Volume 1. Coleção Amazônica.
Série José Veríssimo. Universidade Federal do Pará
- UFPA, 1968