You are on page 1of 7

FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ

CURSO DE DIREITO










JANNYMARLA LACERDA DE OLIVEIRA









PROCESSO CONSTITUCIONAL





















NATAL
2014



QUESTIONÁRIO

1) Diferencie os requisitos da petição inicial a luz do CPC e da petição inicial
trabalhista.
A petição inicial é uma peça formal, caracterizada pelos requisitos que deverão
ser preenchidos pelo autor na propositura da ação, observando-se os arts. 840
da CLT e 282 do CPC.
Comparando os requisitos exigidos por esses artigos, percebemos que a
petição trabalhista, prevista no art. 840 da CLT, é mais simples, pois não será
exigido que o reclamante apresente os fundamentos jurídicos do pedido, o
requerimento de produção de provas e da citação do reclamado. Quanto ao
valor da causa, apesar do art.840 não o indicar como necessário, o promovente
deverá determina-la na inicial, por dois grandes fundamentos:
1) o valor da causa serve de parâmetro para o cálculo das custas processuais.
2) o valor da causa é fundamental para a identificação dos procedimentos
(ritos) trabalhistas.
Art. 840 - A reclamação poderá ser escrita ou verbal.
§ 1º - Sendo escrita, a reclamação deverá conter a designação
do Presidente da Junta, ou do juiz de direito a quem for
dirigida, a qualificação do reclamante e do reclamado, uma
breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido, a
data e a assinatura do reclamante ou de seu representante.
§ 2º - Se verbal, a reclamação será reduzida a termo, em 2
(duas) vias datadas e assinadas pelo escrivão ou secretário,
observado, no que couber, o disposto no parágrafo anterior.

Art. 282. A petição inicial indicará:
I - o juiz ou tribunal, a que é dirigida;
II - os nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e
residência do autor e do réu;
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
IV - o pedido, com as suas especificações;
V - o valor da causa;
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade
dos fatos alegados;
VII - o requerimento para a citação do réu.
2) No que toca à audiência trabalhista, aborde as consequências da
ausência tanto do reclamante, quanto do reclamado, em ambas
audiências, a de conciliação, bem como na audiência de prosseguimento.

Ausência na audiência inaugural:
 Reclamante: importa em arquivamento da reclamação, que tem natureza
jurídica de extinção do processo sem resolução do mérito.
 Reclamado: acarreta a revelia, além da confissão quanto à matéria de fato.
Art. 844 - O não-comparecimento do reclamante à audiência importa o
arquivamento da reclamação, e o não-comparecimento do reclamado importa
revelia, além de confissão quanto à matéria de fato.
Súmula nº 9 do TST : AUSÊNCIA DO RECLAMANTE (mantida) - Res.
121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 - A ausência do reclamante, quando adiada
a instrução após contestada a ação em audiência, não importa arquivamento
do processo
Ausência na audiência de instrução:
 Reclamante e reclamado: poderá ser verificada a consequência da pena de
confissão se a parte (autor ou réu) não comparecer à audiência em
prosseguimento para prestar seu depoimento, dela se ausentando.
Súmula nº 74, I, do TST:´´CONFISSÃO. (nova redação do item I e inserido o
item III à redação em decorrência do julgamento do processo TST-IUJEEDRR
801385-77.2001.5.02.0017) - Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e
31.05.2011 - I – Aplica-se a confissão à parte que, expressamente intimada
com aquela cominação, não comparecer à audiência em prosseguimento, na
qual deveria depor``.
Trata-se de confissão ficta, havendo presunção relativa de veracidade dos
fatos afirmados pela parte contrária. Nesses casos, as provas pré-constituídas
que já se encontram nos autos, poderão ser confrontadas com a confissão
ficta.

3) Explique a aplicação do art. 769 da CLT (cláusula de contenção), bem
como o atual conceito de lacuna.
A cláusula de contenção é utiliza para deter a aplicação intensa e
desnecessária do direito processual civil no direito processual do trabalho, já
que aquele é mai formal.
O processo do trabalho surgiu da necessidade de se implementar um sistema
de acesso a justiça do Trabalho que fosse, a um só tempo, simples, rápido e de
baixo custo para os seus atores sociais. Daí a necessidade de uma clausula de
contenção (CLT, art. 769) das normas do processo civil, que só deverá ser
aplicado ao processo do trabalho dependendo do preenchimento de dois
requisitos cumulativos: na omissão (lacuna, anomia) da CLT e na
compatibilidade principiológica.
O conceito atual de lacuna foi ampliado. Considera-se lacuna a omissão da lei,
as normas que estão desatualizadas e em casos específicos que a aplicação
de determinadas normas implica em injustiças. Elas podem ser classificas de 3
formas:
a) lacunas normativas: são aquelas representadas pela ausência de norma
reguladora do caso concreto, ou seja, não há regulamentação em lei sobre
determinada situação processual. Tratam-se das lacunas primárias.
b) lacunas antológicas: partem da premissa de existência de norma reguladora
do caso concreto. Todavia, a norma existente está desatualizada, não
apresentando mais compatibilidade com os fatos sociais e com o progresso
técnico.
c) lacunas axiológicas: também partem da premissa da existência da norma
reguladora do caso concreto; entretanto, a aplicação da norma existente
produzirá uma solução injusta ou insatisfatória, ou seja, não observará os
valores de justiça e equidade, que são indispensáveis para eficácia da norma
processual.

4) Em que consiste o principio da concentração e da eventualidade que se
aplica a Contestação?
Essa princípio afirma que na contestação, cabe ao réu alegar toda a matéria de
defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que impugna o pedido do
autor. Mesmo que o réu esteja seguro quanto a certa preliminar, deve alegar
toda a matéria de defesa na contestação, sob pena de preclusão, não podendo
mais mencioná-la, assim, posteriormente.
Artigo 300, CPC: “Compete ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de
defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que impugna o pedido do
autor e especificando as provas que pretende produzir”.
O princípio da concentração objetiva prestigiar o princípio da celeridade
processual, assegurando a todos a razoável duração do processo e os meios
que garantam a celeridade de sua tramitação, conforme reza o artigo o 5º,
inciso LXXVIII da Constituição Federal de 1988, acrescentado pela Emenda
Constitucional nº
45/2004.

5) Explique em que consiste o ônus da impugnação especificada e as
consequências da sua inobservância.

O ônus da impugnação especifica consiste no dever do réu impugnar
especificadamente cada fato, pois aquele que não for impugnado torna-se
incontroverso, havendo a presunção relativa (juris tantum) de veracidade. O
que for omitido na defesa não poderá ser apresentado posteriormente.
Consequências: a aplicação da presunção relativa da veracidade e da
preclusão consumativa.
Presunção relativa de veracidade: não havendo impugnação do fato, este será
considerado como verdadeiro.
Preclusão consumativa: ocorre quando há perca da faculdade de praticar ato
processual decorre do fato de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, isto
é, de o ato já haver sido praticado e, portanto, não pode tornar a sê-lo.


6) No que toca ao rol de preliminares presentes no art. 301 do CPC, quais
não se aplicam ao processo do trabalho. Justifique.

Perempção – no processo do trabalho, não há a figura da perempção nos
moldes do art.268 CPC. Todavia, o art. 732 da CLT prescreve que, se o autor,
por duas vezes seguidas, der causa ao arquivamento da reclamação (art.844
da CLT), perderá, pelo período de seis meses, o direito de propô-la novamente.
Portanto, no processo do trabalho, não ocorre perempção, mas sim a perda
temporária do direito de agir.

Arbitragem – esse preliminar não é compatível com processo do trabalho a
convenção, uma vez que, a arbitragem (inciso IX) não é aplicável nas ações
individuais oriundas da relação de emprego (porém, aceita em direito coletivo),
haja vista a prevalência do princípio da irrenunciabilidade (em regra, os direitos
trabalhistas são irrenunciáveis).

Caução - em regra, na justiça do trabalho não é exigido no processo do
trabalho, por isso, não poderá ser alegado nas preliminares do art. no art. 301
do CPC.


7) O princípio da vedação às provas obtidas por meio ilícito no processo do
trabalho pode ser mitigado? Justifique.
Sim, o processo do trabalho admite a utilização de provas obtidas por meio
ilícito quando for estritamente necessária e não houver outra forma para
comprovar o fato. Como por exemplo, no caso que para provar o assédio
sexual ou moral, a funcionária apresenta gravações realizadas por ela, sem a
autorização da outra parte.

8) O princípio do in dúbio pro misero tem aplicação no processo do
trabalho? Justifique.

Não. Esse é um princípio de hermética jurídica, próprio de direito material,
aplicado quando o juiz se deparar com a pluriexistência de sentidos da norma,
devendo interpretá-la em favor da parte mais fraca na relação jurídica
trabalhista, isto é, o empregado.
No processo do trabalho, o juiz deverá velar pela igualdade processual entre as
partes. Logo, na ausência de provas ou na sua insuficiência, ou ainda na
chamada prova dividida, a lide deve ser solucionada considerando as regras de
ônus de prova.
Segundo Carlos Henrique Bezerra Leite (2012; p. 602), o princípio do in dúbio
pro misero não é aceito pacificamente pela doutrina no âmbito do direito
processual do trabalho, pois, neste, o juiz deve velar pelo tratamento igualitário
às partes, orientando-se, em tal mister, pela teoria da distribuição da prova.

O magistrado deverá conferir às partes a igualdade de oportunidades no que
concerne à produção de provas, mas as provas deverão ser provas por quem
as alega, somente em casos especiais, o ônus deverá ser invertido.
Com a distribuição do ônus da prova o legislador infraconstitucional
estabeleceu uma igualdade entre os demandantes, atribuindo a cada um o
dever de provar a veracidade dos fatos alegados, sob pena de suportarem as
drásticas consequências decorrentes de suas letargias. Dessa forma, atribui-
lhes uma séria incumbência que, se não cumprida rigorosamente, acarreta
para a parte inerte a perda da lide, com os seus ulteriores efeitos.



9) Diferencie depoimento pessoal de interrogatório.
O depoimento pessoal poderá ser requerido pela parte ou de ofício pelo juiz,
será prestado uma única vez em audiência de instrução e julgamento. É o meio
de prova destinado além de obter esclarecimento de fatos da causa, a
confissão da parte contrária. A sua finalidade é provocar a confissão, fazendo
com que a parte compareça e, pessoalmente, fale sobre os fatos da causa. Por
isso, será ela intimada também pessoalmente, constando do mandado que se
presumirão confessados os atos contra ela alegados caso não compareça, ou
comparecendo, se recuse a depor. Não pode ser imposta a pena de confesso
se a parte não for intimada com essa advertência (artigo 343, parágrafo único
do CPC 9 e Súmula 74, I, do C. TST 10).
O interrogatório será requerido de ofício pelo juiz, quantas vezes for necessário
e a qualquer tempo. É um meio legal de prova por meio do qual a parte
esclarece ao juiz fatos da causa. Trata-se de um ato personalíssimo entre o juiz
e parte. Pode ser determinado de ofício pelo magistrado e renovado quantas
vezes entender necessário o juiz antes da sentença. Durante o interrogatório,
pode sobrevir a confissão da parte, mas não é da essência do interrogatório,
como o é do depoimento pessoal, a obtenção confissão. Por causa disso, nada
obsta que as partes, indistintamente, façam reperguntas aos interrogado.
Na prática, o interrogatório e o depoimento pessoal, tanto no processo civil,
como no processo do trabalho se realizam em um único ato. Primeiramente, o
juiz faz as perguntas para esclarecimento dos fatos da causa e firmar seu
convencimento e, posteriormente, as partes fazem as reperguntas, objetivando
a confissão.

10) Explique o instituto da inversão do ônus da prova a luz da súmula 212 do
TST.

O ônus de provar o término da relação de emprego, quando ocorre o
prolongamento do contrato, é do empregador, considerando-se o princípio da
continuidade da relação de emprego. Portanto, pairando controvérsia acerca da
data de extinção do contrato de trabalho, incumbe ao empregador o ônus de
demonstrar a data da rescisão contratual, em razão da presunção favorável ao
trabalhador da continuidade da relação de emprego. É o que afirma a Súmula
212 do TST
Súmula nº 212 do TST: DESPEDIMENTO. ÔNUS DA PROVA (mantida) - Res.
121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 - O ônus de provar o término do contrato de
trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do
empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui
presunção favorável ao empregado.