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Comentário ao trabalho da colega Maria Isabel

Ferreira

Depois de uma leitura atenta dos trabalhos apresentados, constato a existência


de um número muito significativo de aspectos transversais, a todos eles, nos vários
domínios abordados.
A minha escolha incidiu sobre o trabalho da colega que faz uma abordagem dos
aspectos que considero reflectida e abrangente, nos vários domínios seleccionados.
A colega começa por destacar, tendo como base a literatura sugerida, o conjunto
de competências que deverão definir o actual perfil do professor bibliotecário, as quais
destacam um conjunto multifacetado de competências humanas e profissionais, bem
como o importante papel da biblioteca escolar, como espaço de aprendizagem, de
construção de conhecimento, de articulação, cooperação, dinamização, reflexão e
inovação. Salienta no fundo, o facto da BE e/ou ameaças, dever afirmar-se como o
cento fulcral de uma Escola/Agrupamento, cuja prática se centra na construção do
conhecimento e na articulação com as estruturas pedagógicas, com os docentes e os
currículos.
No que concerne aos pontos fracos da BE e/ou ameaças, parece-me pertinente a
alusão ao facto do papel do professor ainda não ser devidamente reconhecido no seio da
escola. Esta opinião leva-me a pensar que apesar das conquistas já obtidas,
nomeadamente através da portaria nº 756/2009 de 14 de Julho, a qual salienta a
existência de uma biblioteca ou serviço de biblioteca em todas as escolas e a
importância de garantir a institucionalização do trabalho realizado pelas escolas e pelos
professores responsáveis, pela gestão funcional e pedagógica das bibliotecas em
articulação com a Rede de Bibliotecas Escolares, bem como um professor bibliotecário
a tempo inteiro, ainda temos um longo e árduo caminho a percorrer. A escassez de
recursos financeiros, as deficientes condições físicas, documentais e tecnológicas é um
problema que também verifico em grande parte das bibliotecas e que dificultam o curso
do processo de desenvolvimento que se impõe.
No domínio a “BE e os novos ambientes digitais” coluna das “fraquezas” refere
“número insuficiente de computadores para satisfazer as necessidades dos
utilizadores…equipamento anacrónico…Utilização incorrecta da informação recolhida
(copy/past)”. É essencial que o equipamento tecnológico esteja actualizado e seja em
número suficiente, para poder fazer face às necessidades dos utilizadores e às
transformações por que passam as Bibliotecas Escolares a saber «… de lugar de
informação para espaço de conhecimento…», segundo Ross Todd. É fundamental que
os utilizadores desenvolvam competências na área das literacias de informação.
Todavia, considero que se deve fazer uma gestão equilibrada dos recursos de
informação, diversificando os suportes.
Sabemos que a tendência actual é para o uso do computador, faltando depois
tempo para a busca de informação fiável e credível, para análise, reflexão da mesma e
para a transformação da informação em conhecimento.
É urgente mostrar as vantagens, do uso correcto das tecnologias de informação e
comunicação, mas ao mesmo tempo alertar para os riscos que se correm quando se faz
mau uso delas.
Refere também no seu relatório no domínio: “ A BE como espaço de
conhecimento e aprendizagem” “trabalho colaborativo e articulado com departamentos
e docentes” na coluna “ pontos fortes” “o horário da BE/CRE ( das 8 às 17h)”, com o
qual concordo, porque permite que a ela possam aceder utilizadores que de outra forma
não poderiam fazer por incompatibilidade de horário. Contudo, não está criado o hábito
de usar a BE nos tempos livres, para pesquisar, participar em actividades de leitura e de
análise e estudo da informação.
É nestes aspectos que a equipa deve apostar fortemente, criando, em primeiro
lugar empatias com os Professores, para depois trabalhar com os Departamentos.
Às bibliotecas escolares é reconhecido um papel determinante na dinâmica das
escolas, nomeadamente o seu contributo para a criação de hábitos de leitura e a
promoção das literacias e a sua importância na aplicação de metodologias educativas
mais activas e centrada nos alunos.
Impõe-se, por isso, uma gestão competente, uma inovação no sentido em que
implica uma ruptura com o sistema de gestão tradicional, ainda centrado na
disponibilização de informação e de recursos e não na construção de conhecimento.
As bibliotecas escolares são efectivamente o centro das escolas e deverão
promover um ambiente propício ao estudo e ao lazer. A investigação feita nas últimas
décadas, tem demonstrado, de forma consistente, uma relação positiva entre o sucesso
educativo e papel das bibliotecas escolares.
Muitos aspectos poderiam ser salientados nesta análise à tabela matriz da
formanda Isabel, muitos deles se repetem aliás, na minha e em muitas das outras tabelas
que tive oportunidade de ler. Vou destacar por isso, os que se referem às preocupações e
necessidades de intervenção que todos expressamos, face à implementação do Modelo
de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares. É evidente que é importante objectivar a
forma como se está a efectuar o trabalho nas bibliotecas escolares e o impacto que as
actividades realizadas vão tendo no processo de ensino/aprendizagem, bem como o grau
de eficiência dos serviços prestados e a satisfação dos seus utilizadores, para melhor
planificar e melhorar o seu desempenho no futuro. Como “acções prioritárias, a
implementar” - corroboro com a opinião da professora Isabel, quando salienta
“melhorar a articulação com as diferentes estruturas educativas”.
Não poderá ser uma preocupação e um esforço isolado do professor
bibliotecário, mas sim de toda uma Equipa, da Direcção Executiva, das Estruturas
Pedagógicas, dos Docentes em geral e de toda a comunidade educativa. Este esforço
deve ser um acção e uma preocupação colectiva.
Quero destacar ainda, a ideia de que se deve implementar na
Escola/Agrupamento, uma verdadeira cultura de Biblioteca e que esta deve abrir-se e
envolver a comunidade educativa, estabelecendo redes de trabalho cooperativo e
parcerias com entidades e instituições locais.
Estamos num contexto de mudança, com muitos desafios e oportunidades e como o
caminho se faz andando, não percamos tempo e caminhemos juntos, de modo a que as
nossas Bibliotecas Escolares possam ter, efectivamente, um papel informacional,
transformativo e formativo.

A Formanda
Maria Dolores Poças