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Fichamento

O SURGIMENTO DA FILOSOFIA
NA GRÉCIA ANTIGA



Danilo Marcondes






Instituto Florence de Ensino Superior
Curso: Direito
Período: 1º Noturno
Professor(a): Claudia Maria
Disciplina: Filosofia Geral e do Direito
Aluno(a): Diuene Gless
Data: 08.03.2014

Marcondes, Danilo, 1918
Iniciação à filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein/Danilo
12.ed. Marcondes. – 12.ed. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

A. A PASSAGEM DO PENSAMENTO MITICO PARA O FILOSÓFICO-CIENTÍFICO

“[...] Aristóteles, no livro I da Metafísica, talvez tenha sido o ponto de partida dessa
concepção, chegando mesmo a definir Tales de Mileto como primeiro filosofo. [...] Não
teria havido pensamento antes de Tales de Mileto e desse período de surgimento da
filosofia? É Claro que sim. [...] e é na cultura que podemos identificar o principio deste
tipo de pensamento que podemos denominar, nesta sua fase inicial, de filosofo-
cientifico” (p. 19).

“Um dos elementos centrais do pensamento mítico e de sua forma de explicar a
realidade é o apelo ao sobrenatural, ao mistério, ao sagrado, à magia [...]. É
Aristóteles, como dissemos acima que afirma ser Tales de Mileto, no sec. VI a. C, o
iniciador do pensamento filosófico-científico. Podemos considerar que este
pensamento nasce basicamente de uma insatisfação com o tipo de explicação do real
que encontramos no pensamento mítico. [...] A explicação dada pelo pensamento
mítico esbarra assim no inexplicável, na impossibilidade do conhecimento”. (p.20-21)

“O pensamento mítico, com seu apelo ao sobrenatural e aos mistérios, vai assim
deixando de satisfazer às necessidades da nova organização social, mais preocupada
com realidade concreta, com a atividade política mais intensa e com as trocas
comerciais. É nesse contexto que o pensamento filosófico-científico encontrará as
condições favoráveis para o seu nascimento [...].

B. NOÇÕES FUNDAMENTAIS DO PENSAMENTO FILÓSOFO-CIENTÍFICO

“A principal contribuição desses primeiros pensadores ao desenvolvimento do
pensamento filosófico, [...] encontra-se em um conjunto de noções que tentam explicar
a realidade e que construirão em grande parte, [...] alguns dos conceitos básicos das
teorias sobre a natureza que se desenvolverão a partir de então”. (p.24).

a. A phynes

“Aristóteles (Metafísica I,2) chama os primeiros filósofos de physiólogos, ou seja,
estudiosos ou teóricos da natureza (physis). Assim, objeto de investigação dos
primeiros filósofos-cientistas é um mundo natural[...]”chave da compreensão da
realidade natural encontra-se nesta própria realidade e não fora dela”. (p.24)

b. A causalidade

“A característica central da explicação da natureza pelos filósofos o apelo a noção de
causalidade, interpretada em termos puramente naturais. [...] Explicar é relacionar um
efeito a uma causa que o antecede e o determina. [...] É a existência desse nexo que
torna a realidade inteligível e nos permite considerá-lo como tal.” (p.24)

“[...] Cada fenômeno ser tomado como efeito de uma nova causa, que por sua vez
seria efeito de uma causa anterior, e assim sucessivamente, em um processo sem fim.
[...]” (p.25)

c. A arqué (elemento primordial)

“A fim de evitar a regressão ao infinito da explicação causal, o que tornaria
insatisfatória, esses filósofos vão postular a existência de um elemento primordial que
serviria de ponto de partida pra todo o processo. [...]”.

“Diferentes pensadores buscaram eventualmente diferentes princípios explicativos,
assim, por exemplo, os sucessores de Tales na escola de Mileto, Anaxímenes e
Anaximandro, adotaram respectivamente o ar e o apeíron (um principio abstrato
significando algo de ilimitado, indefinido, subjacente à própria natureza); Heráclito dizia
ser o fogo o principio explicativo, Demócrito o átomo e assim sucessivamente.[...] A
única explicação parece ser a de que o próprio fundador da escola tenha desafiado
seus discípulos a criticarem sua teoria e que eles tenham transformado esta nova
atitude critica de seu mestre em uma nova tradição”. (p. 27-28).

d. O cosmo

“O significado do termo kosmos (koous) para esse período liga-se diretamente às
idéias de ordem [...]. O cosmo é assim o mundo natural, bem como o espaço celeste,
enquanto realidade ordena de acordo com certos princípios racionais.”
“É importante que a ordem do cosmo é uma ordem racional, “razão” significando aí a
existência de princípios e leis que regem, organizam essa sociedade. [..]. (p.26).

e. logos

“[...] O logos enquanto discurso, entretanto, difere fundamentalmente do mytos, a
narrativa de caráter poético que recorre aos deuses e ao mistério na descrição do real.
[...] É nesse sentido que o discurso dos primeiros filósofos que explica o real por meio
de causas naturais, é um logos. [...] Portanto, um dos pressupostos básicos da visão
dos primeiros filósofos é a correspondência entre a razão humana e a racionalidade do
real, o que tornaria possível um discurso racional sobre o real”. (p. 26-27).
.
f. O caráter crítico

“Um dos aspectos mais fundamentais do saber quase se constitui nessas primeiras
escolas de pensamento, sobretudo na escola jônica, é seu caráter critico. [...] Como se
trata de construções de pensamento humano, de idéias de um filósofo – e não de
verdades reveladas, de caráter divino ou sobrenatural -, estão sempre abertas à
discussão, à reformulação, a correções. [...].
Segundo o importante filósofo da ciência contemporâneo Karl Popper:
[...] A nova atitude que tenho em mente é a atitude crítica. Em lugar de uma
transmissão dogmática da doutrina (na qual todo interesse consiste em preservar a
tradição autêntica) encontramos uma tradição crítica da doutrina. [...] A dúvida e a
crítica existiram certamente antes disso. O que é novo, porém, é que a dúvida e a
crítica tornam-se agora, por sua vez, parte da tradição da escola. Uma tradição de
caráter superior substitui a preservação tradicional do dogma. [...]” (p.27).

TIPO DO FICHAMENTO: Citação.