Aula do dia 16 Fevereiro, sala 315

História - 12.º Ano I II I – 2010/2011 Prof. Margarida Martins
História - 12.º Ano I II I – 2010/2011 Prof. Margarida Martins
Caricatura publicada na revista catalã Triunfo, 1974
Nos primeiros anos da década de 70, o regime do
Estado Novo vivia já em “agonia política”:
Portugal não aceitou a sua plena inclusão no Plano
Marshall, com a consequente falta de estímulo
financeiro na sua economia;
Não podia aspirar a entrar na CEE, devido a instituições
e práticas políticas não democráticas;
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e práticas políticas não democráticas;
O problema da guerra colonial continuava por resolver,
apesar das críticas da ONU, e da “sangria” financeira;
Movimentos internos clandestinos intensificaram a
“guerrilha” social após a “primavera marcelista” (Ex.
MUD)
A partir de 1973 começou a organizar-se um movimento
clandestino de militares (na sua maioria capitães) – o
Movimento das Forças Armadas – que preparou a
operação «Fim Regime».
O MFA estará no epicentro do derrube do Estado Novo,
no desmantelamento das suas estruturas e na condução
política do país nos dois anos que se seguiram.
O MFA defendia ideias que o opunham ao regime marcelista:
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O MFA defendia ideias que o opunham ao regime marcelista:
O movimento defendia que o problema maior do povo
português era a guerra colonial em três frentes africanas,
assegurando que a solução colonial era política e não militar;
Defendia que Portugal devia respeitar, tal como a ONU
propunha, as legítimas aspirações independentistas dos
povos colonizadas;
(Continua)
Lamentava que o "regime marcelista" continuasse a
fortalecer na opinião pública a ideia de que as Forças
Armadas pactuavam com a opção da guerra colonial;
O movimento pretendia unir o povo português em
torno da análise que fazia do país e das soluções que
preconizava, criticando a arrogância do governo por
reivindicar “o direito exclusivo em matéria de
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reivindicar “o direito exclusivo em matéria de
patriotismo”;
Afirma-se que só com instituições democráticas
Portugal encontraria soluções válidas para os
problemas nacionais.
Recurso de aprendizagem:
Filme - “Capitães de Abril”
Projecção das ideias “requeridas” no Guião
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Projecção das ideias “requeridas” no Guião
[…]
O movimento das FA e a Eclosão da Revolução:
Operação "Fim Regime" coordenada pelo Major Otelo
Saraiva de Carvalho;
As canções-senha marcaram o início e a coordenação da
operação militar;
Os primeiros sucessos: controlo de estações de rádio, e da
RTP; controlo do aeroporto e dos quartéis-generais de Lisboa
e Porto; cerco aos ministérios do Terreiro do Paço;
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e Porto; cerco aos ministérios do Terreiro do Paço;
Neutralização, pelo diálogo, da contra-ofensiva militar do
Regimento de Cavalaria 7;
Invasão das ruas da baixa lisboeta por populares
Cerco ao Quartel do Carmo e encaminhamento de Marcelo
Caetano e alguns ministros para o exílio;
A "Revolução dos Cravos” (!) havia triunfado.
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Primeira Página do jornal “A Capital ”, Edição especial do dia 25 de Abril de 1974
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Primeira Página do Jornal “Diário Popular ”, edição de 25 de Abril de 1974
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Primeira Página da 2.ª edição do Diário de Notícias de 25 de Abril de 1974
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Primeira Página da 2.ª edição do jornal República, de 25 de Abril de 1974
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Primeira Página do jornal O Século, edição de 26 de Abril de 1974
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Primeira Página do “Diário de Lisboa “, edição de 26 de Abril de 1974
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Capa da Revista O Século Ilustrado, edição especial, 26 de Abril de 1974
Destituição formal do Presidente da Republica
(Américo Tomás), do Presidente do Conselho de
Ministros (Marcelo Caetano), governadores civis, e
quadros administrativos;
A “Junta de Salvação Nacional”, constituída por
militares de MFA no dia 26 de Abril, tomou de imediato
um conjunto de medidas que desmantelou o Estado
Novo:
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quadros administrativos;
Extinção da DGS (!), Acção Nacional Popular (o partido
único), Legião Portuguesa, Mocidade Portuguesa (!),
censura …;
Libertação dos presos políticos e apelo ao regresso de
exilados (Ex: Mário Soares, Álvaro Cunhal)
(Continua)
Legalização dos partidos políticos e de sindicatos;
Compromisso do MFA - passar o poder para as mãos
de civis, definindo o prazo máximo de um ano para
eleições legislativas livres;
Nomeação de António de Spínola para presidente da
República; Adelino Palma Carlos foi convidado a
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República; Adelino Palma Carlos foi convidado a
formar o I Governo provisório;
Início da III República (!) e instauração da democracia
em Portugal, cumprindo-se um dos três "D" que
nortearam o MFA: Democratizar, Descolonizar,
Desenvolver
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MFA– “25 de Abril em cartaz”, s/d, in museu da imagem, pt
Prática de competências
Analisar uma fonte histórica escrita Analisar uma fonte histórica escrita
“Os receios de Spínola”
Discurso do Presidente da República,
na tomada de posse do II Governo Provisório,
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na tomada de posse do II Governo Provisório,
em 17 de Agosto de 1974
(Manual, pág. 131)
Orquestração de excessos revolucionários praticados
em nome da liberdade, por todo o país;
Decisões e práticas não democráticas em empresas,
escolas e repartições públicas (Ex: saneamentos arbitrários);
Reconhecimento da existência de sectores da sociedade
portuguesa que não aceita os princípios da Revolução
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portuguesa que não aceita os princípios da Revolução
de Abril (Ex: tentativa de contra-revolução, liderada pelo general Kaúlza
de Arriaga …);
"Alerta" para o desenho de uma "outra" ditadura;
O autor exorta a "maioria silenciosa" do país a
manifestar-se pela defesa da liberdade, sob pena de se
esfumarem as esperanças na democracia".
Prática de competências
Interpretação de fonte iconográfica Interpretação de fonte iconográfica
“O novo dragão”, caricatura caricatura de Augusto Cid”
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“O novo dragão”, caricatura caricatura de Augusto Cid”
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“O novo dragão” – Caricatura de Augusto Cid, 1974
Após a “Revolução de Abril” o nosso país
viveu um período de grande instabilidade.
Os anos de 1974 e 1975 foram de enorme
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Os anos de 1974 e 1975 foram de enorme
agitação social e violentos confrontos
políticos.
1. O I Governo Provisório demitiu-se dois meses após
a sua formação, em rota de colisão ideológica com
Tensões político-ideológicas na sociedade e
no interior do movimento revolucionário:
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a sua formação, em rota de colisão ideológica com
o MFA e incapaz de lidar com a onda de
manifestações laborais;
(continua)
Formação do II Governo Provisório (Agosto de 1974):
o O Governo passa a ser presidido pelo General
Vasco Gonçalves;
o As opções políticas evoluíram para uma clara
tendência "de esquerda", com a aproximação ao
partido comunista;
o Saneamentos sumários de professores,
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o Saneamentos sumários de professores,
empresários e gestores;
o Ocupação de fábricas, propriedades agrícolas e
residências;
o Passividade das polícias, agora tuteladas pelo
COPCON (Comando Operacional do Continente, presidido pelo
general Otelo Saraiva de Carvalho).
(continua)
Agravaram-se os desentendimentos entre o Presidente
da República e o Movimento das Forças Armadas:
O Presidente da República – António de Spínola
o congregava simpatias do partido socialista e
grupos políticos moderados;
o pretendia um projecto federalista para a
"África Portuguesa"
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"África Portuguesa"
O Movimento das Forças Armadas
o foi-se identificando com as forças políticas
mais radicais e com o partido comunista;
o defendia para as colónias a "independência
pura e simples".
2 . A “Maioria Silenciosa” (28 de Setembro de 1974)
o Manifestação de apoio ao Presidente da República;
o Foi proibida pelo MFA e impedida de entrar em Lisboa
por barricadas de forças políticas da esquerda radical;
o Spínola demite-se do cargo de Presidente da República;
o A Junta de Salvação Nacional indigita o General Costa
Gomes para a presidência da República;
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Gomes para a presidência da República;
o Mário Soares e o Partido Socialista afastam-se das
iniciativas governamentais e acusam o Partido
Comunista de querer para Portugal uma "democracia
popular" do tipo do leste europeu;
o O poder político estava claramente fraccionado.
Governos Provisórios
período pré-constitucional
I Governo 15-5-74 A. Palma Carlos
II Governo 17-7-74 Vasco Gonçalves
III Governo 30-9-74 Vasco Gonçalves
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III Governo 30-9-74 Vasco Gonçalves
IV Governo 26-3-75 Vasco Gonçalves
V Governo 8-8-75 Vasco Gonçalves
VI Governo 19-9-75 Pinheiro de Azevedo
3. O “11 de Março” de 1975
o Militares de tendência política moderada, sob
orientação do General António de Spínola, tentaram
um golpe militar para travar o radicalismo político do
Governo de Vasco Gonçalves;
o O golpe falhou e as forças de esquerda, afectas ao
governo de Vasco Gonçalves saíram reforçadas;
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governo de Vasco Gonçalves saíram reforçadas;
o Criação do Conselho da Revolução (Criado numa
Assembleia das Forças Armadas, o Conselho da Revolução
substituiu a Junta de Salvação Nacional e passou a
funcionar como órgão executivo do MFA);
o Radicalização crescente do processo revolucionário
(…)
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Primeira Página do "Diário de Lisboa” de 11 de Março de 1975
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Primeira Página do Diário de Notícias de 11 de Março de 1975
Prática de competências
Analisar/cotejar fontes de diferente tipologia Analisar/cotejar fontes de diferente tipologia
Documento 36 B
Artigo e capa da Revista “Time”
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Artigo e capa da Revista “Time”
de 11 de Agosto de 1975
(Manual, pág. 133)
Orientação de trabalho:
1. Que personalidades portugueses aparecem na
capa da revista Time? Que cargos ocupam no
aparelho político português?
2. Quais os argumentos que fundamentam o título
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2. Quais os argumentos que fundamentam o título
do artigo sobre Portugal?
3. A fonte é válida e independente?
Que acontecimentos do evoluir político
português poderão ter justificado as ideias
expressas no artigo da revista “Time”? ….
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[…]
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Histórias de Amor, in Público, 1994
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