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OAB PRIMEIRA FASE – XII EXAME – PILARES DA OAB
Processo do Trabalho
Aryanna Manfredini
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DISSÍDIO COLETIVO

Existem duas maneiras de solução dos
conflitos coletivos:

• Autocompositivas: convenção coletiva de
trabalho, acordo coletivo de trabalho e a
mediação;
• Heterocompositivas: jurisdição e
arbitragem (art. 114, §§ 1° e 2°, CF).

Quanto à arbitragem, vale destacar o MPT
pode “atuar como árbitro, se assim for
solicitado pelas partes, nos dissídios de
competência da Justiça do Trabalho” (art. 83,
XI, da LC 75/93).

Segundo Valentin Carrion “os dissídios como
denomina a CLT, na acepção de processo, ou
seja, o meio de exercer uma ação para compor
a lide, podem ser individuais ou coletivos.
Aqueles tem por objeto direitos individuais
subjetivos, de um empregado (dissídio
individual singular) ou vários (dissídio individual
plúrimo). O dissídio coletivo visa direitos
coletivos, ou seja, contém as pretensões de um
grupo, coletividade ou categoria profissional de
trabalhadores, sem distinção dos membros que
a compõe, de forma genérica”. (Comentários à
Consolidação das Leis do Trabalho, ed. em
CD-ROM, 1999, comentário ao art. 856,
verbete 1.).

De acordo com o art. 220 do RITST, os
dissídios coletivos subdividem-se em:
I – de natureza econômica: para a instituição
de normas e condições de trabalho;
II – de natureza jurídica: para a interpretação
de cláusulas de sentença normativa, de
instrumentos de negociação coletiva, acordos e
convenções coletivas, de disposições legais
particulares de categoria profissional ou
econômica e de atos normativos;
III – originários: quando inexistentes ou em
vigor normas e condições especiais de trabalho
decretadas em sentença normativa;
IV – de revisão: quando destinadas a reavaliar
normas e condições coletivas de trabalho
preexistentes que se hajam tornadas injustas
ou ineficazes pela modificação das condições
que a ditaram; e

V – declaração sobre a paralisação do
trabalho: decorrente de greve. (grifos nossos).

O dissídio coletivo de natureza econômica
(art. 114, § 2°, CF) subdivide-se em: a)
originário (art. 867, par. Único, a, CLT); b)
revisional (art. 873 a 875, CLT); e c) de
extensão, que visa estender a toda a categoria
as normas ou condições que tiverem como
destinatário apenas parte dela (art. 868 a 871,
CLT).

A Constituição da República estabeleceu como
requisito específico para os dissídios coletivos
de natureza econômica o comum acordo (art.
114, § 2, CF), sendo, para alguns, pressuposto
de desenvolvimento constituição e de válido e
regular do processo, para outros, condição da
ação – interesse de agir.

Art. 114.
§ 2º Recusando-se qualquer das
partes à negociação coletiva ou à
arbitragem, é facultado às mesmas, de
comum acordo, ajuizar dissídio
coletivo de natureza econômica,
podendo a Justiça do Trabalho decidir
o conflito, respeitadas as disposições
mínimas legais de proteção ao
trabalho, bem como as
convencionadas anteriormente.
(Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

O dissídios coletivos de greve pode ter
natureza exclusivamente declaratória, quando
apenas declarar a abusividade ou não da
greve, ou mista, quando além da declaração
ainda constituir novas relações de trabalho (art.
114, § 3°, CF e art. 8° da Lei 7783/89).

O MPT pode suscitar dissídio coletivo em caso
de greve em atividade essencial, com
possibilidade de lesão do interesse público. [
art. 114, § 3°, CF]

Art. 114.
§ 3º Em caso de greve em atividade
essencial, com possibilidade de lesão
do interesse público, o Ministério
Público do Trabalho poderá ajuizar
dissídio coletivo, competindo à Justiça
do Trabalho decidir o conflito.







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(Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

No dissídio coletivo de extensão o Tribunal
pode estender as condições de trabalho a
todos os empregados de uma mesma
empresa, embora o dissídio tenha sido
suscitado por apenas uma parte deles (juízo de
equidade). [art. 868, CLT]

O dissídio coletivo de revisão poderá ser
proposto quando decorrido mais de um ano da
vigência da sentença normativa.

As partes no dissídio coletivo são suscitante e
suscitado.

O dissídio coletivo é uma ação de
competência originária dos Tribunais, TRT e
TST, segundo o âmbito territorial do conflito ou
a representação das entidades sindicais, de
modo que, se o dissídio limitar-se a base
territorial do TRT, este será o Tribunal
competente para julgá-lo (art. 678, I, a, da CLT
e art. 6°, Lei 7783/89); se ultrapassar referida
base, será de competência do TST (art. 702, I,
b, CLT e art. 2°, I, a, Lei 7783/89).

Possuem legitimidade para suscitar o dissídio
coletivo, de um lado, necessariamente, o
sindicato da categoria profissional e, do outro
lado, o sindicato da categorial econômica ou
empresa(s).

Embora bastante criticado, o art. 856 da CLT
estabelece que o Presidente dos Tribunais
Regionais do Trabalho tem legitimidade para
suscitar o dissídio em caso de greve.

Art. 856 - A instância será instaurada
mediante representação escrita ao
Presidente do Tribunal. Poderá ser
também instaurada por iniciativa do
presidente, ou, ainda, a requerimento
da Procuradoria da Justiça do
Trabalho, sempre que ocorrer
suspensão do trabalho.





Art. 857 - A representação para
instaurar a instância em dissídio
coletivo constitui prerrogativa das
associações sindicais, excluídas as
hipóteses aludidas no art. 856, quando
ocorrer suspensão do trabalho.
(Redação dada pelo Decreto-lei nº
7.321, de 14.2.1945)

Como já referido, o MPT também possuem
legitimidade em caso de greve em atividade
essencial (art. 114, § 3°, CF).

Em caso de greve apenas o sindicato da
categoria econômica possui legitimidade para
ajuizar o dissídio coletivo, não podendo fazê-lo
a categoria profissional, já que fomentou o
movimento grevista. [OJ 12, SDC]

OJ 12, SDC, TST GREVE.
QUALIFICAÇÃO JURÍDICA.
ILEGITIMIDADE ATIVA "AD
CAUSAM" DO SINDICATO
PROFISSIONAL QUE DE-FLAGRA O
MOVIMENTO (cancelada) – Res.
166/2010, DEJT divulgado em
30.04.2010 e 03 e 04.05.2010
Não se legitima o Sindicato
profissional a requerer judicialmente a
qualificação legal de movimento
paredista que ele próprio fomentou.

Quando não houver sindicato representativo da
categoria profissional ou econômica, o dissídio
coletivo poderá se ajuizado pelas federações e,
na ausência destas, pelas confederações , no
âmbito de suas representações. [art. 857,
parágrafo único, CLT]

Art. 857 - A representação para
instaurar a instância em dissídio
coletivo constitui prerrogativa das
associações sindicais, excluídas as
hipóteses aludidas no art. 856, quando
ocorrer suspensão do trabalho.
(Redação dada pelo Decreto-lei nº
7.321, de 14.2.1945)
Parágrafo único. Quando não houver
sindicato representativo da categoria
econômica ou profissional, poderá a
representação ser instaurada pelas
federações correspondentes e, na
falta destas, pelas confederações







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respectivas, no âmbito de sua
representação. (Redação dada pela
Lei nº 2.693, de 23.12.1955)

A decisão proferida em dissídio coletivo
denomina-se sentença normativa. Tal decisão
não é executada, mas cumprida, por meio de
ação de cumprimento proposta perante o juiz
do trabalho.

A petição inicial do dissídio coletivo deverá
ser escrita (art. 856, CLT), dirigida ao
Presidente do Tribunal que designará uma
audiência de conciliação (art. 860, CLT).

O Presidente do Tribunal não está adstrito as
propostas de conciliação das partes (art. 862,
CLT). Havendo ou não o acordo, o processo
será distribuído, por sorteio, para relator e
revisor, sendo julgado pela SDC.

A sentença normativa vigorará desde o seu
termo inicial até que sentença normativa,
acordo coletivo ou convenção coletiva
superveniente produza sua revogação tácita ou
expressa. O prazo máximo, entretanto, de
vigência da sentença normativa é de 4 anos.

Nesse sentido é o precedente normativo 120
aprovado pelo TST em maio de 2011, em
consonância com o art. 868 da CLT.

PN-120 SENTENÇA NORMATIVA.
DURAÇÃO. POSSIBILIDADE E
LIMITES (positivo) - (Res. 176/2011,
DEJT divulgado em 27, 30 e
31.05.2011)
A sentença normativa vigora, desde
seu termo inicial até que sentença
normativa, convenção coletiva de
trabalho ou acordo coletivo de trabalho
superveniente produza sua revogação,
expressa ou tácita, respeitado, porém,
o prazo máximo legal de quatro anos
de vigência.

O recurso cabível para impugnar a sentença
normativa proferida pelo TRT é o Recurso
Ordinário de competência do TST. [art. 895, II,
CLT].


Em caso de acordo, apenas o MPT poderá
interpor Recurso Ordinário. [art. 83, VI, LC
75/93 e art. 7°, § 5°, Lei 7701/88]

É possível a propositura da ação de
cumprimento independentemente do transito
em julgado da sentença normativa. [súmula
246, TST]

Súmula 246, TST. AÇÃO DE
CUMPRIMENTO. TRÂNSITO EM
JULGADO DA SENTENÇA
NORMATIVA (mantida) - Res.
121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003
É dispensável o trânsito em julgado da
sentença normativa para a propositura
da ação de cumprimento.

A Lei 7701/88 estabelece o Recurso Ordinário
interposto de sentença normativa poderá ter
efeito suspensivo na medida e extensão
conferidas em despacho pelo Presidente do
TST.

A sentença normativa somente produz coisa
julgada formal, segundo o entendimento do
TST. [súmula 397, TST]

Súmula 397, TST. AÇÃO
RESCISÓRIA. ART. 485, IV, DO CPC.
AÇÃO DE CUMPRIMENTO. OFENSA
À COISA JULGADA EMANADA DE
SENTENÇA NORMATIVA
MODIFICADA EM GRAU DE
RECURSO. INVIABILIDADE.
CABIMENTO DE MANDADO DE
SEGURANÇA (conversão da
Orientação Jurisprudencial nº 116 da
SBDI-2) - Res. 137/2005, DJ 22, 23 e
24.08.2005
Não procede ação rescisória calcada
em ofensa à coisa julgada perpetrada
por decisão proferida em ação de
cumprimento, em face de a sentença
normativa, na qual se louvava, ter sido
modificada em grau de recurso,
porque em dissídio coletivo
somente se consubstancia coisa
julgada formal. Assim, os meios
processuais aptos a atacarem a
execução da cláusula reformada são a
exceção de pré-executividade e o
mandado de segurança, no caso de







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descumprimento do art. 572 do CPC.
(ex-OJ nº 116 da SBDI-2 - DJ
11.08.2003).

INQUÉRITO JUDICIAL PARA APURAÇÃO
DE FALTA GRAVE

O inquérito judicial é uma ação, cujo fim é
rescindir um contrato de trabalho, por isso
alguns doutrinadores a denominam de “ação
constitutiva (negativa) necessária para
apuração de falta grave que autoriza a
resolução do contrato de trabalho do
empregado estável por iniciativa do
empregador.”

Não são todas as hipóteses de estabilidade
provisória no emprego que exigem do
empregador a propositura do inquérito judicial
para apuração de falta grave, a fim de rescindir
um contrato de trabalho por justa causa do
empregado. Há grande divergência quanto a
tais hipóteses, entretanto, a maioria entende
cabível nas seguintes:

• dirigente sindical: estabilidade prevista
nos arts. 8º, VIII, CF e art. 543, §3º, CLT e
inquérito estabelecido nas súmulas 197 do STF
e 379 do TST;
• empregados membros do Conselho
Nacional da Previdência Social (art. 3º, §7º,
Lei 8213/91);
• empregados eleitos diretores de
sociedade cooperativa (art. 55, lei 5764/71).
• estável decenal (art. 492, CLT).

Além destes, cumpre destacar que os
empregados detentores da estabilidade
decenal também só podem ser dispensados,
por meio de inquérito judicial. Sabe-se que a
CF/88 pôs fim a estabilidade decenal.
Entretanto, os empregados que já à época da
Constituição tinham completado 10 anos de
trabalho na empresa e não haviam optado pelo
FGTS só podem ser dispensados através da
instauração de inquérito.

O empregador tem a faculdade de suspender o
empregado estável que cometer falta grave
(art. 494, CLT), devendo ajuizar o inquérito no
prazo decadencial de 30 dias (art. 853, CLT).

A propositura do inquérito para apuração de
falta grave contra empregado garantido com
estabilidade deve ser apresentada por escrito
à vara do trabalho (art. 853, CLT).

Caso fique comprovada a falta grave do
empregado, a sentença autorizará a rescisão
do contrato de trabalho. Caso o trabalhador
tenha sido suspendo, o contrato de trabalho
será considerado rescindido desde a data da
suspensão do empregado.

Nos termos do art. 821 da CLT no inquérito
admite-se até 6 testemunhas para cada uma
das partes.

Art. 821, CLT. Cada uma das partes
não poderá indicar mais de 3 (três)
testemunhas, salvo quando se tratar
de inquérito, caso em que esse
número poderá ser elevado a 6 (seis).

O inquérito é uma ação de caráter dúplice, de
modo que uma vez reconhecida a inexistência
de falta grave praticada pelo empregado, fica o
empregador obrigado a reintegrá-lo no serviço
e a pagar-lhe os salários a que teria direito no
período da suspensão.

Art. 495, CLT. Reconhecida a
inexistência de falta grave praticada
pelo empregado, fica o empregador
obrigado a readmiti-lo no serviço e a
pagar-lhe os salários a que teria direito
no período da suspensão.


AÇÃO RESCISÓRIA

A ação rescisória está prevista pelo artigo 836
da CLT, e seu processamento no Processo do
Trabalho segue as normas do Processo Civil,
com aplicação subsidiária dos dispositivos 485
ao 495, no que for compatível aos princípios
do Processo do Trabalho. Além destes, por se
tratar de uma nova ação deve atender também
aos requisitos do artigo 282 do CPC, que
regula a petição inicial.

Quando a prova mencionar que ocorreu o
trânsito em julgado é possível que a resposta
tenha por fundamento a ação rescisória ou a
execução definitiva.







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A ação rescisória no Processo Civil, de acordo
com o artigo 488, II do CPC, está sujeita ao
depósito prévio de 5% sobre o valor da causa.
No entanto, no Processo do Trabalho o
depósito prévio é de 20% sobre o valor da
causa da ação rescisória, salvo prova de
miserabilidade jurídica do autor da ação
rescisória. [art. 836, CLT].

Art. 836, CLT. É vedado aos órgãos
da Justiça do Trabalho conhecer de
questões já decididas, excetuados os
casos expressamente previstos neste
Título e a ação rescisória, que será
admitida na forma do disposto no
Capítulo IV do Título IX da Lei nº
5.869, de 11 de janeiro de 1973 –
Código de Processo Civil, sujeita ao
depósito prévio de 20% (vinte por
cento) do valor da causa, salvo prova
de miserabilidade jurídica do autor.
Parágrafo único. A execução da
decisão proferida em ação
rescisória far-se-á nos próprios
autos da ação que lhe deu origem, e
será instruída com o acórdão da
rescisória e a respectiva certidão de
trânsito em julgado.

Art. 488, CPC. A petição inicial será
elaborada com observância dos
requisitos essenciais do Art. 282,
devendo o autor:
I - cumular ao pedido de rescisão, se
for o caso, o de novo julgamento da
causa;
II - depositar a importância de 5%
(cinco por cento) sobre o valor da
causa, a título de multa, caso a ação
seja, por unanimidade de votos,
declarada inadmissível, ou
improcedente.
Parágrafo único. Não se aplica o
disposto no nº II à União, ao Estado,
ao Município e ao Ministério Público.

As hipóteses de cabimento da ação
rescisória no Processo do Trabalho
estão previstas no artigo 485 do CPC.

Art. 485, CPC. A sentença de mérito,
transitada em julgado, pode ser
rescindida quando:
I - se verificar que foi dada por
prevaricação, concussão ou corrupção
do juiz;
II - proferida por juiz impedido ou
absolutamente incompetente;
III - resultar de dolo da parte
vencedora em detrimento da parte
vencida, ou de colusão entre as
partes, a fim de fraudar a lei;
IV - ofender a coisa julgada;
V - violar literal disposição de lei;
VI - se fundar em prova, cuja falsidade
tenha sido apurada em processo
criminal, ou seja, provada na própria
ação rescisória;
VII - depois da sentença, o autor
obtiver documento novo, cuja
existência ignorava, ou de que não
pôde fazer uso, capaz, por si só, de
lhe assegurar pronunciamento
favorável;
VIII - houver fundamento para invalidar
confissão, desistência ou transação,
em que se baseou a sentença;
IX - fundada em erro de fato,
resultante de atos ou de documentos
da causa.

Nas hipóteses de juízo incompetente e
ofensa a coisa julgada só haverá juízo
rescindente, isto é, só existirá a rescisão do
julgado, sem que haja novo julgamento. Isto
se dá, pois no primeiro caso a competência
para julgar a lide não é da Justiça do Trabalho,
portanto não há que se falar em novo
julgamento; já na segunda hipótese não haverá
novo julgamento porque já existe uma decisão
protegida pelo manto da coisa julgada, logo
cabe ao Judiciário apenas rescindir a segunda
decisão que está ofendendo a primeira. Nos
demais casos, haverá o juízo rescindente, bem
como o juízo rescisório, ou seja, haverá a
rescisão de uma decisão e o novo julgamento
pelo Tribunal.







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PRAZO

A ação rescisória é uma ação que tem por
finalidade a desconstituição de sentença ou
acórdão. O direito de propor ação rescisória se
extingue em 2 anos (prazo decadencial),
contados do trânsito em julgado da decisão
rescindenda (art. 495 do CPC e Súmula 100,
TST).

A observância do disposto nas Súmulas 100 e
299 do TST é indispensável para a propositura
de ação rescisória.

Súmula 100, TST.
I - O prazo de decadência, na ação
rescisória, conta-se do dia
imediatamente subseqüente ao
trânsito em julgado da última decisão
proferida na causa, seja de mérito ou
não.
II - Havendo recurso parcial no
processo principal, o trânsito em
julgado dá-se em momentos e em
tribunais diferentes, contando-se o
prazo decadencial para a ação
rescisória do trânsito em julgado de
cada decisão, salvo se o recurso tratar
de preliminar ou prejudicial que possa
tornar insubsistente a decisão
recorrida, hipótese em que flui a
decadência a partir do trânsito em
julgado da decisão que julgar o
recurso parcial.
III - Salvo se houver dúvida razoável, a
interposição de recurso intempestivo
ou a interposição de recurso incabível
não protrai o termo inicial do prazo
decadencial.
IV - O juízo rescindente não está
adstrito à certidão de trânsito em
julgado juntada com a ação rescisória,
podendo formar sua convicção através
de outros elementos dos autos quanto
à antecipação ou postergação do "dies
a quo" do prazo decadencial.





V - O acordo homologado
judicialmente tem força de decisão
irrecorrível, na forma do art. 831 da
CLT. Assim sendo, o termo
conciliatório transita em julgado na
data da sua homologação judicial.
VI - Na hipótese de colusão das
partes, o prazo decadencial da ação
rescisória somente começa a fluir para
o Ministério Público, que não interveio
no processo principal, a partir do
momento em que tem ciência da
fraude.
VII - Não ofende o princípio do duplo
grau de jurisdição a decisão do TST
que, após afastar a decadência em
sede de recurso ordinário, aprecia
desde logo a lide, se a causa versar
questão exclusivamente de direito e
estiver em condições de imediato
julgamento.
VIII - A exceção de incompetência,
ainda que oposta no prazo recursal,
sem ter sido aviado o recurso próprio,
não tem o condão de afastar a
consumação da coisa julgada e,
assim, postergar o termo inicial do
prazo decadencial para a ação
rescisória.
IX - Prorroga-se até o primeiro dia útil,
imediatamente subseqüente, o prazo
decadencial para ajuizamento de ação
rescisória quando expira em férias
forenses, feriados, finais de semana
ou em dia em que não houver
expediente forense. Aplicação do art.
775 da CLT.
X - Conta-se o prazo decadencial da
ação rescisória, após o decurso do
prazo legal previsto para a
interposição do recurso extraordinário,
apenas quando esgotadas todas as
vias recursais ordinárias.

Súmula 299, TST.
I - É indispensável ao processamento
da ação rescisória a prova do trânsito
em julgado da decisão rescindenda.
II - Verificando o relator que a parte
interessada não juntou à inicial o
documento comprobatório, abrirá
prazo de 10 (dez) dias para que o
faça, sob pena de indeferimento.







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III - A comprovação do trânsito em
julgado da decisão rescindenda é
pressuposto processual indispensável
ao tempo do ajuizamento da ação
rescisória. Eventual trânsito em
julgado posterior ao ajuizamento da
ação rescisória não reabilita a ação
proposta, na medida em que o
ordenamento jurídico não contempla a
ação rescisória preventiva.
IV - O pretenso vício de intimação,
posterior à decisão que se pretende
rescindir, se efetivamente ocorrido,
não permite a formação da coisa
julgada material. Assim, a ação
rescisória deve ser julgada extinta,
sem julgamento do mérito, por
carência de ação, por inexistir decisão
transitada em julgado a ser rescindida.

Competência para Ação Rescisória:

A ação rescisória é uma ação de competência
originária dos Tribunais. Assim, perante uma
ação rescisória proposta em face de sentença
que transitou em julgado, a competência será
do TRT à que está subordinado o juízo de 1º
grau que proferiu a decisão.


Cada Tribunal é competente para julgar ação
rescisória de suas decisões. Atente-se para o
fato de que se o acórdão do TST NÃO apreciar
o mérito da causa, como ocorre, quando
aquela Corte não conhece do recurso
interposto, a ação rescisória voltar-se-á contra
o acórdão regional que tenha adentrado no
mérito, sendo competente o TRT para
processá-la e julgá-la.



Observe-se as súmulas e orientações
Jurisprudenciais relacionadas ao
CABIMENTO da Ação Rescisória:

Súmula 259, TST. Só por rescisória
é atacável o termo de conciliação
previsto no parágrafo único do Art. 831
da Consolidação das Leis do
Trabalho.

Súmula 407, TST. A legitimidade "ad
causam" do Ministério Público para
propor ação rescisória, ainda que não
tenha sido parte no processo que deu
origem à decisão rescindenda, não
está limitada às alíneas "a" e "b" do
inciso III do art. 487 do CPC, uma vez
que traduzem hipóteses meramente
exemplificativas.

Art. 487, CPC. Tem legitimidade para
propor a ação:
I - quem foi parte no processo ou o
seu sucessor a título universal ou
singular;
II - o terceiro juridicamente
interessado;
III - o Ministério Público:
a) se não foi ouvido no processo, em
que lhe era obrigatória a intervenção;
b) quando a sentença é o efeito de
colusão das partes, a fim de fraudar a
lei.

Súmula 514, STF. Admite-se ação
rescisória contra sentença transitada
em julgado, ainda que contra ela não
se tenham esgotado todos os
recursos.

Súmula 401, STJ. O prazo
decadencial da ação rescisória só se
inicia quando não for cabível qualquer
recurso do último pronunciamento
judicial.

Súmula 219, TST.
I - Na Justiça do Trabalho, a
condenação ao pagamento de
honorários advocatícios, nunca
superiores a 15% (quinze por cento),
não decorre pura e simplesmente da
sucumbência, devendo a parte estar







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assistida por sindicato da categoria
profissional e comprovar a percepção
de salário inferior ao dobro do salário
mínimo ou encontrar-se em situação
econômica que não lhe permita
demandar sem prejuízo do próprio
sustento ou da respectiva família.
II - É incabível a condenação ao
pagamento de honorários advocatícios
em ação rescisória no processo
trabalhista, salvo se preenchidos os
requisitos da Lei nº 5.584/70.

Súmula 329, TST. Honorários
advocatícios. Art. 133 da CF/1988
(mantida). Mesmo após a
promulgação da CF/1988, permanece
válido o entendimento
consubstanciado na Súmula nº 219 do
Tribunal Superior do Trabalho.

OJ 84, SDI-2, TST. AÇÃO
RESCISÓRIA. PETIÇÃO INICIAL.
AUSÊNCIA DA DECISÃO
RESCINDENDA E/OU DA CERTIDÃO
DE SEU TRÂNSITO EM JULGADO
DEVIDAMENTE AUTENTICADAS.
PEÇAS ESSENCIAIS PARA A
CONSTITUIÇÃO VÁLIDA E
REGULAR DO FEITO. ARGÜIÇÃO
DE OFÍCIO. EXTINÇÃO DO
PROCESSO SEM JULGAMENTO DO
MÉRITO. Alterada em 26.11.02
A decisão rescindenda e/ou a certidão
do seu trânsito em julgado,
devidamente autenticadas, à exceção
de cópias reprográficas apresentadas
por pessoa jurídica de direito público,
a teor do art. 24 da Lei nº 10.522/02,
são peças essenciais para o
julgamento da ação rescisória. Em
fase recursal, verificada a ausência de
qualquer delas, cumpre ao Relator do
recurso ordinário argüir, de ofício, a
extinção do processo, sem julgamento
do mérito, por falta de pressuposto de
constituição e desenvolvimento válido
do feito.




A Lei 11.280/2006 deu nova redação ao artigo
489 do CPC, para estabelecer que o
ajuizamento da ação rescisória não impede o
cumprimento da sentença ou acórdão
rescindendo, entretanto, em caso
imprescindíveis e sob os pressupostos
previstos em lei, é possível a concessão de
medidas de natureza cautelar ou
antecipatória de tutela.

Art. 489, CPC. O ajuizamento da ação
rescisória não impede o cumprimento
da sentença ou acórdão rescindendo,
ressalvada a concessão, caso
imprescindíveis e sob os pressupostos
previstos em lei, de medidas de
natureza cautelar ou antecipatória de
tutela.

O recurso ordinário previsto nesta súmula 158
do TST tem previsão no artigo 895, II, CLT.
Contra as decisões dos Tribunais Regionais
em processos de sua competência originária é
cabível a interposição de RO para o TST.



Súmula 158, TST. Da decisão do
Tribunal Regional do Trabalho, em
ação rescisória, cabível é o recurso
ordinário para o Tribunal Superior do
Trabalho, em face da organização
judiciária trabalhista.

MANDADO DE SEGURANÇA

O Mandado de Segurança está previsto no
artigo 5º, LXIX da CF e está disciplinado pela
Lei 12.016/2009, que foi sancionada em agosto
de 2009.

Art. 5º, LXIX, CF. Conceder-se-á
mandado de segurança para proteger
direito líquido e certo, não amparado
por habeas-corpus ou habeas-data,
quando o responsável pela ilegalidade
ou abuso de poder for autoridade
pública ou agente de pessoa jurídica
no exercício de atribuições do Poder
Público; [...]








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Art. 1º, Lei 12016/2009. Conceder-se-
á mandado de segurança para
proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou
habeas data, sempre que, ilegalmente
ou com abuso de poder, qualquer
pessoa física ou jurídica sofrer
violação ou houver justo receio de
sofrê-la por parte de autoridade, seja
de que categoria for e sejam quais
forem as funções que exerça.
§1º. Equiparam-se às autoridades,
para os efeitos desta Lei, os
representantes ou órgãos de partidos
políticos e os administradores de
entidades autárquicas, bem como os
dirigentes de pessoas jurídicas ou as
pessoas naturais no exercício de
atribuições do poder público, somente
no que disser respeito a essas
atribuições.
§ 2º. Não cabe mandado de
segurança contra os atos de gestão
comercial praticados pelos
administradores de empresas
públicas, de sociedade de economia
mista e de concessionárias de serviço
público.
§3º. Quando o direito ameaçado ou
violado couber a várias pessoas,
qualquer delas poderá requerer o
mandado de segurança.

Este remédio constitucional visa proteger
qualquer direito líquido e certo do cidadão,
salvo o direito de locomoção e o direito de
acesso a informações pessoais, que são
protegidos pelo habeas corpus e habeas data,
respectivamente.

A Carta Magna também prevê o mandado de
segurança coletivo, que pode ser impetrado
pela organização sindical, dentre outras
entidades.

Art. 5º, LXX, CF. O mandado de
segurança coletivo pode ser impetrado
por:
a) partido político com representação
no Congresso Nacional;


b) organização sindical, entidade de
classe ou associação legalmente
constituída e em funcionamento há
pelo menos um ano, em defesa dos
interesses de seus membros ou
associados;

Conclui-se que o mandado de segurança é
ação utilizada, diante da inexistência de outro
meio jurídico, para proteger um direito líquido e
certo, que fora violado por um ato de
autoridade. O MS pode compelir a autoridade
pública a praticar ou deixar de praticar algum
ato.

Inicialmente, apenas os Tribunais Regionais do
Trabalho e o Tribunal Superior do Trabalho
tinham competência para apreciar e julgar
mandado de segurança, uma vez que o artigo
652 e 653 da CLT não incluem o mandado de
segurança no âmbito da atuação jurisdicional
dos órgãos de primeira instância.

Contudo, o advento da EC 45/2004, que
modificou substancialmente o artigo 114 da CF,
parece-nos que a Vara do Trabalho será
funcionalmente competente para processar e
julgar mandado de segurança também.

Art. 114, VII, CF. Compete à Justiça
do Trabalho processar e julgar:
[...] VII - as ações relativas às
penalidades administrativas impostas
aos empregadores pelos órgãos de
fiscalização das relações de trabalho;
[...]


Cumpre salientar que o estudo das súmulas e
OJ’s relativas ao Mandado de Segurança são
fundamentais para o Exame de Ordem de II
fase.

Alguns Dispositivos Relevantes:

Art. 23, Lei 12016/09. O direito de requerer
mandado de segurança extinguir-se-á
decorridos 120 (cento e vinte) dias, contados







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da ciência, pelo interessado, do ato
impugnado.

Súmula 632, STF. É constitucional lei que fixa
PRAZO DE DECADÊNCIA para a impetração
do Mandado de Segurança.

Súmula 512, STF. Não cabe condenação em
honorários de advogado na ação de mandado
de segurança.

Súmula 105, STJ. Na ação de mandado de
segurança não se admite condenação em
honorários advocatícios.

Súmula 266, STF. Não cabe mandado de
segurança contra lei em tese.

Súmula 267, STF. Não cabe mandado de
segurança contra ato judicial passível de
recurso ou correção.

Súmula 268, STF. Não cabe mandado de
segurança contra decisão judicial com trânsito
em julgado.

Súmula 33, TST. Não cabe mandado de
segurança contra decisão judicial transitada em
julgado.

OJ 99, SDI.2, TST. Mandado de segurança.
Esgotamento de todas as vias recursais
disponíveis. Trânsito em julgado formal.
Descabimento. Esgotadas as vias recursais
existentes, não cabe mandado de segurança.

OJ 140, SDI.2, TST. Não cabe mando de
segurança para impugnar despacho que
acolheu ou indeferiu liminar em outro mandado
de segurança.

Súmula 201, TST. Da decisão do Tribunal
Regional do Trabalho em mandado de
segurança cabe recurso ordinário, no prazo de
8 (oito) dias, para o Tribunal Superior do
Trabalho, correspondendo igual dilação para o
recorrido e interessados apresentarem razões
de contrariedade.




OJ 148, SDI.2, TST. É responsabilidade da
parte, para interpor recurso ordinário em
mandado de segurança, a comprovação do
recolhimento das custas processuais no prazo
recursal, sob pena de deserção.

Súmula 414, TST.
I - A antecipação da tutela concedida na
sentença não comporta impugnação pela via
do mandado de segurança, por ser impugnável
mediante recurso ordinário. A ação cautelar é o
meio próprio para se obter efeito suspensivo a
recurso.
II - No caso da tutela antecipada (ou liminar)
ser concedida antes da sentença, cabe a
impetração do mandado de segurança, em
face da inexistência de recurso próprio.
III - A superveniência da sentença, nos autos
originários, faz perder o objeto do mandado de
segurança que impugnava a concessão da
tutela antecipada (ou liminar).

Súmula 417, TST.
I - Não fere direito líquido e certo do impetrante
o ato judicial que determina penhora em
dinheiro do executado, em execução definitiva,
para garantir crédito exeqüendo, uma vez que
obedece à gradação prevista no art. 655 do
CPC.
II - Havendo discordância do credor, em
execução definitiva, não tem o executado
direito líquido e certo a que os valores
penhorados em dinheiro fiquem depositados no
próprio banco, ainda que atenda aos requisitos
do art. 666, I, do CPC.
III - Em se tratando de execução provisória,
fere direito líquido e certo do impetrante a
determinação de penhora em dinheiro, quando
nomeados outros bens à penhora, pois o
executado tem direito a que a execução se
processe da forma que lhe seja menos
gravosa, nos termos do art. 620 do CPC.

Súmula 418, TST. A concessão de liminar ou a
homologação de acordo constituem faculdade
do juiz, inexistindo direito líquido e certo
tutelável pela via do mandado de segurança.

OJ 67, SDI – 2, TST. Não fere direito líquido e
certo a concessão de liminar obstativa de
transferência de empregado, em face da
previsão do inciso IX do art. 659 da CLT.








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OJ 92, SDI – 2, TST. Não cabe mandado de
segurança contra decisão judicial passível de
reforma mediante recurso próprio, ainda que
com efeito diferido.

OJ 98, SDI – 2, TST. É ilegal a exigência de
depósito prévio para custeio dos honorários
periciais, dada a incompatibilidade com o
processo do trabalho, sendo cabível o
mandado de segurança visando à realização
da perícia, independentemente do depósito.

OJ 137, SDI – 2, TST. Constitui direito líquido e
certo do empregador a suspensão do
empregado, ainda que detentor de estabilidade
sindical, até a decisão final do inquérito em que
se apure a falta grave a ele imputada, na forma
do art. 494, caput e § único, da CLT.