Mauá: O Imperador e o Rei filme de Sérgio Rezende

Jhone Silva Santos
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Mauá: O Imperador e o Rei é um filme brasileiro de 1999, com direção de Sérgio
Rezende. O filme conta a história, de dois personagens peculiares e familiares à nossa
historiografia brasileira, período que se estende de (1813–1889). Irineu Evangelista de Sousa,
e o século XIX, Brasil Imperial. Este dois personagens são o contraponto que marcaram a
ruptura entre O Brasil agrícola, escravocrata, patriarcalista, para o Brasil Industrial,
burocrático, britânico, urbano; e explorador. O menino Irineu representa a mentalidade de
uma nova ordem política e econômica que se instalou no Brasil nesta metade de século, é o
espírito burguês da própria imagem híbrida do Brasil, o que tem de mais britânico na história
brasileira, a idéia de revolução Industrial.
A obra recebeu uma indicação no Grande Prêmio Cinema Brasil, na categoria de
Melhor Ator (Othon Bastos como Visconde de Feitosa). Em 1999, Sérgio Rezende foi
acusado de plágio por Jorge Caldeira, autor do livro Mauá, Empresário do Império (publicado
pela Companhia das Letras), e de não ter recebido os créditos, uma vez que o filme traz
trechos inteiros de diálogos contidos no livro. Os juízes da 15ª Vara de São Paulo
determinaram que não houve plágio e condenaram Caldeira a pagar 90 salários mínimos de
indenização aos cineastas. Por sorte do cineasta o juiz não compreende a linguagem
cinematográfica, de modo que, a reprodução não foi percebida, a fim de que o filme não
trouxe nada de inovador no que está no livro, o fato é que o livro é bem mais esclarecedor,
aponto que o filme não esboça a sensibilidade da reflexão do qual copiou.
A trama do filme narra à história do menino e o homem Irineu. Quando menino
nascido no campo, e ultrajado pela a morte de seu pai, e que jaz do contexto de lutas, no que
dá aparecer que o menino que foi renegado pela sua própria família (mas o contexto é
totalmente outro), sua mãe precisava se casar, pois era mãe solteira, violação em um sistema
patriarcal (o filme não aborda este fato). Irineu foi mandado ao começo do século XIX,
educado no criadouro mental da economia e da política que estava dividia entre escravocratas
e abolicionista, que logo percebe a importância de uma boa relação com os escravos,
sobretudo, a importância da obediência e do trabalho. Irineu constrói uma nova narrativa

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Graduando no curso de Licenciatura- História pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), matrícula
10112347. Trabalho apresentado à disciplina História do Brasil I. Ministrado pelo profº. José Vieira da Cruz,
2014.
sobre a escravidão, e o trabalho, desta forma, Irineu consegue mudar seu destino, transformar
a sua vida, viver na casa que deseja casar com a mulher que quer, viver sua existência
autônoma, até falir sem dever nada a ninguém, assim Irineu Evangelista de Sousa transforma-
se também o Brasil. Entra para história militante por seus feitos, mas, sobretudo, por sua
obstinação de vencer. O homem que teve mais finanças do que o próprio Império, líder
financeiro de uma guerra, que construiu bancos, estradas de ferro, companhia de gás, ampliou
o sistema de telecomunicação, sistemas de encanação, foi o homem que industrializou o
Brasil, o puxou do atraso e das trevas, colocou rodas nos pés do Brasil, assim conta o filme.
O século XIX é o personagem intrínseco, ele é o produto de duas mentalidades que
implicavam o Brasil economicamente, ideologicamente, e politicamente como socialmente.
No aspecto econômico e político temos duas memórias: a da abdicação de D. Pedro I, e novo
imperador do Brasil. Em uma primeira memória. O Brasil regência esta sendo encolhido
pelas políticas britânicas náuticas, e as ideologias liberalista de mercado, como de vida e de
existência ,pois os ingleses estavam combatendo o comércio ilegal (Pirataria) de escravos, que
por ventura era produto substancial que permitia a existência do Brasil, algo que a elite não
permitiria sua liquidação, além de toda uma agitação política nas. Os senhores das províncias
pediam ordem, progresso e escravidão. O filme eventualiza este contexto, mas, como produto
do meio, no sentido que o protagonista é o centro. A construção das narrativas não perpassa
diretamente ao meio historicizante onde elas ocorrem, mas está ligado ao produto do meio,
neste caso o endereçamento narrativo que é a vida Biográfica e literal de Irineu Evangelista de
Sousa, resumindo, o meio historicizante é apenas uma conseqüência.
Com a abdicação de D. Pedro, e a ascensão da toda poderosa classe dos escravistas ao
poder, esse acordo nunca foi obedecido. Foi a chamada ―lei para inglês ver‖. Cumpria
formalmente as intenções do governo brasileiro, que na prática nunca cuidou de executá-la. A
Inglaterra, na clandestinidade, atribuiu a si própria essa tarefa, redobrando as perseguições em
alto mar. Os grandes lucros que gerava estimulavam o tráfico. ―Os contrabandistas, ao menor
sinal dos cruzeiros britânicos, não hesitavam em lançar ao mar a carga humana, com pesos no
pescoço para que não boiasse‖. (Malerba, P.39)
Neste período enquanto D, Pedro II saia das fraudas, o Brasil era comandando pelos os
seus regentes, seus viscondes e coronéis, resumindo primeira na estrutura política do período
o Brasil era comandado pelos os senhores de engenhos, e sua corte subjugada de pequenos
comerciantes. São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro eram o local onde os celeiros
políticos centralizavam. No aspecto ideológico o filme traz a narrativa do confronto entre
maços, puritanos, luteranos, contra o patriarcalismo católico brasileiro.
Outro elemento deve ser mencionado é que o filme diferente da obra, trás uma visão,
simplista da estratificação da escravidão brasileira, do mesmo modo que a própria
historiografia do século XX lhe atribuía. Pesquisas já avançaram na compreensão desta
estratificação, logo, se ―sabe que a escravidão do século XVI é diferente do VII, e muito mais
diferente do século XVIII e metade do século XIX‖, (Maria Odila Leite da Silva Dias) sabe-
se, portanto, que no Brasil Imperial no segundo reinado escravos livres compravam escravos
para aumentar sua produção, seu pequeno comércio, (pecúlio) e nesta relação totalmente
nova, as relações sociais entre senhor (A) e escravos (a), escravos e escravos estão voltadas
para outras dinâmicas. Por exemplo, o sistema escravista não era apenas apoiado por senhores
donos de grande propriedade de terras e consequetemente possuidores de levas de escravos,
mas também por pequenos comerciantes urbanos, e escravos livres que compravam outros
escravos para ampliar a sua produção. Até no ponto de vista urbano um filme foi elitista,
apesar de ter mostrado estreitamente o espaço urbano, silencio-se diante da dinâmica das
cidades. Como nos descreve VIOTTI (199, p.236): ―As cidades eram freqüentemente palco de
lutas de famílias. As relações pessoais de parentesco, clientela e patronagem e as formas
autoritárias de poder geradas pelo regime de propriedade‖. ―As áreas urbanas funcionarão
assim, freqüentemente, como extensão do domínio do grande proprietário rural‖. De modo
que o filme elege mais um patrono na história do pensamento político, e fortalece os anais de
uma historiografia elitista, talvez, por isso, que a obra não foi sentenciada como plágio, neste
aspecto o livro de Jorge Caldeira é diferente, é mais realista.
Referências Bibliográficas
FREYRE, Gilberto. Casa- Grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime
da economia patriarcal. -51ª ed, re, - São Paulo: Global 2006.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. “O semeador e o ladrilhador. In: Raízes do Brasil. 26. ed.
— São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
MALERBA, Jurandir. O Brasil Imperial (1808-1889): Panorama da história do Brasil no
século XIX / Jurandir Malerba. -- Maringá: Eduem, 1999.192 p
REZENDE, Sérgio. Mauá: O Imperador e o Rei. 1999.
COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos. – 6.ed. – São
Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999