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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE - INSTITUTO DE SAUDE DA COMUNIDADE

DISCIPLINA DE INTRODUÇÃO A HOMEOPATIA

PROFESSORAS:

ANNA ALICE MENDES (Coordenadora e responsável também pela Disciplina Propedêutica homeopática)

CÉLIA REGINA NEVES MORAIS CASTRO (responsável também pela Disciplina Terapêutica Homeopática)

VERA REGINA ARNAUD XAVIER (responsável pelo ambulatório de Homeopatia da UFF)

BIBLIOGRAFIA:

1. Organon da Arte de Curar de Samuel Hahnemann, versão para o português, sistematizada e comentada
por Marcelo Pustiglione e Romeu Carillo Jr. – São Paulo – Editora Homeopatia Hoje, 1994.

2. Homeopatia, Medicina Interna e Terapêutica – Romeu Carillo Junior – São Paulo – Livraria Santos
Editora, 2000.

3. 17 Lições de Homeopatia (Estudos avançados do Organon e leitura atualizada dos “Textos maiores de
Samuel Hahnemann”) – Marcelo Pustiglione – São Paulo – Editora Typus, 2000.

4. Fundamentos de Homeopatia Constitucional – Romeu Carillo Junior – São Paulo – Editora Santos, 1997.

5. Homeopatia em 1000 conceitos – Anna Kossak-Romanach – São Paulo – Editora Elcid, 1984.

6. Farmacotécnica Homeopática Simplificada – José Barros da Silva – Rio de Janeiro – Publicado pelo
Instituto Hahnemanniano do Brasil, 1977.

1 a AULA Apresentação do curso e programa. A individualidade como centro da abordagem homeopática.


2 a AULA Raízes Históricas da Homeopatia. História da vida de Hahnemann.
3 a AULA Conceito de Saúde e Doença. Conceito de Força vital.
4 a AULA Os quatro Pilares da Homeopatia . Anamnese homepática.
5 a AULA Classificação e hierarquização dos sintomas. Sintomas Mentais, Gerais e Particulares.
6 ª AULA Patogenesia. Matéria Médica, Repertório.
7 a AULA Classificação das doenças segundo Hahnemann. Doenças semelhantes e dessemelhantes.
8 a AULA Miasmas: Psora, Sífilis e Sicose. Significado para Hahnemann.
9 a AULA Constituição, Temperamento e Diátese.
10 a AULA Diáteses: Psora, Sicose, Sifilinismo e Tuberculinismo.
11ªAULA Diagnósticos em Homeopatia. Caso clínico.
12ªAULA Medicamento Homeopático.
13ªAULA. Estudo do medicamento homeopático (Silicea e Eupatorium).
14ªAULA Caso clínico.

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PROPEDÊUTICA HOMEOPÁTICA1

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE


INSTITUTO DE SAÚDE DA COMUNIDADE - DEPARTAMENTO DE SAÚDE E SOCIEDADE

PROGRAMA

1a AULA Revisão dos conceitos apresentados na disciplina de Introdução a Homeopatia


Fundamentos da Filosofia e da Prática Homeopática

2a AULA Ética Médica

3a AULA Relação Médico – Paciente e a Homeopatia

4a AULA Tomada do Caso

5a AULA Caso Clínico – exemplo de anamnese homeopática

6a AULA Anamnese homeopática em adultos

7a AULA Anamnese homeopática em crianças

8a AULA Classificação dos Sintomas Homeopáticos

9a AULA Diagnósticos em Homeopatia

10a AULA Leis de Cura de Hering. Observações prognósticas de Kent.

11ª AULA Estudo de um medicamento.

12ª AULA Prática de tomada do caso: coleta da anamnese, discussão e análise.

13ª AULA Prática de Repertorização de um caso clínico.

14ª AULA Estudo de casos: classificação dos sintomas; seleção da síndrome mínima de valor
máximo; Repertorização e consulta à matéria médica

15ª AULA Verificação do aprendizado

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Fonte: www.uff.br/ses/
abrir graduação / abrir optativas / na janela da matéria, após a ementa, está o link da apostila . A apostila é
de 2003
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1ª AULA

A INDIVIDUALIDADE COMO CENTRO DA ABORDAGEM HOMEOPÁTICA

A história dos esforços da humanidade em compreender e lidar com o sofrimento, as doenças e a


morte, é tão longa quanto a da própria humanidade. Nesta trajetória, muitos sistemas, teóricos e práticos
foram propostos.

A homeopatia, sistema médico-terapêutico criado por Samuel Hahnemann há dois séculos, é um


entre muitos outros. A palavra homeopatia, oriunda do grego homoios que quer dizer semelhante e páthos
que significa doença ou sofrimento, designa a ciência terapêutica baseada na lei natural de cura Similia
similibus curentur – os semelhantes curam os semelhantes.
“homoios” = semelhante

HOMEOPATIA:

“páthos” = doença

Hahnemann descobriu um método terapêutico baseado na lei da semelhança – toda a substância


capaz de produzir em doses ponderais, tóxicas, fisiológicas ou diluições imponderáveis, no indivíduo sadio
porém sensível, um quadro mórbido subjetivo e eventualmente objetivo ou lesional, será igualmente capaz
de, em doses convenientes conforme o caso, curar no indivíduo sensibilizado pela doença um quadro
mórbido semelhante, excetuando as lesões irreversíveis.

Todas as observações feitas por Hahnemann, em relação ao poder terapêutico dessas substâncias,
foram feitas a partir de experimentos no homem são, não em doentes nem em animais.

O homem é visto como um ser dotado de uma força vital responsável por mantê-lo saudável, isto é,
em harmonia consigo e com o meio ambiente. Quando esta força vital não é suficiente para restabelecer o
equilíbrio, a harmonia não é alcançada e o indivíduo apresenta sintomas indicadores de seu desequilíbrio
(doença).
A INDIVIDUALIDADE NA HOMEOPATIA

Por imposição do próprio método, este olhar sobre o indivíduo doente tem como objetivo perceber o que
nele há de individual, característico e peculiar, e que permite distingui-lo de todos os outros indivíduos em
sua maneira de adoecer.

Na Alopatia a conduta terapêutica está condicionada ao diagnóstico nosológico, construído a partir de


determinadas características que são comuns a muitos indivíduos portadores daquela doença, e que
portanto pertenceriam àquela entidade e não a um indivíduo em particular. Na Homeopatia para a
identificação do medicamento indicado (simillimum), é necessário acrescentar às manifestações próprias da
doença, outras pertencentes à reação individual do doente que traduzem o seu modo de reagir e de sentir
frente à agressão. A Homeopatia busca conhecer o indivíduo doente em sua totalidade. A individualidade,
para o homeopata, é a chave para o tratamento e a recuperação da saúde.

Nas páginas seguintes, para ilustrar o aspecto da individualidade na abordagem homeopática,


apresentamos o resumo de quatro casos clínicos de uma mesma patologia (asma brônquica), tratados
homeopaticamente, cada qual com um medicamento diferente, escolhido com base nas características
individuais.

A INDIVIDUALIDADE COMO CENTRO DA ABORDAGEM HOMEOPÁTICA

“Cada ser humano é absolutamente peculiar, especial, único”

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ASMA BRÔNQUICA - 3 PACIENTES = 3 MEDICAMENTOS DIFERENTES

Caso 1)

TOTALIDADE SINTOMÁTICA (= DIAGNÓSTICO) = Arsenicum album

- medo de morrer

- medo de ficar sozinho

- exaustão com inquietude

- preocupação e ansiedade com trabalho

- agrava após meia noite

- problemas de pele: impetigo, urticária, eczema seco, descamação

- asma brônquica entre meia-noite e 2 horas, com tosse seca, sibilos, dispnéia, dor constritiva, medo de
sufocação

- não tolera vento frio, quer agasalho

TRATAMENTO: Arsenicum album 30 CH – 1 pp a cada 3 dias até melhorar. Retornar em 3 semanas.

caso 2)

TOTALIDADE SINTOMÁTICA (= DIAGNÓSTICO) = Spongia tosta

-asma brônquica, por esforço físico e por exposição ao frio seco

-tosse rouca, laríngea, “de cachorro”, pior ao falar, comer ou beber, com cócegas na laringe

-só melhora da tosse e dispnéia na segunda metade da noite

- rinite, alternando obstrução com coriza aquosa

-orquite

TRATAMENTO: Spongia tosta 6 CH – glóbulos - 3 glóbulos 4 x ao dia. Retornar em um mês.

Caso 3)

TOTALIDADE SINTOMÁTICA (= DIAGNÓSTICO) = Antimonium tartaricum

- asma brônquica com tosse espasmódica, muito muco na árvore brônquica, de difícil expectoração

- dispnéia intensa, sensação de sufocação, pior deitada, melhor sentada - palidez e prostração

- inapetência, náuseas, e vômitos

- febre com tremores e calafrios

- sudorese fria e viscosa

- sede freqüente de pequenos goles

- infecções respiratórias freqüentes, inclusive pneumonias

TRATAMENTO:
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Antimonium tartaricum 5 CH – 3 glóbulos 3 vezes ao dia. Inalação de vapor d’água, aumentar ingestão de
líquidos.

- Retorno após uma semana: grande melhora do quadro de bronquite, não tem precisado fazer uso dos
broncodilatadores. Sem evidência de infecção. Ainda se alimentando mal.

Reduzida a prescrição para uma dose ao dia. Retornar em um mês.

- Retorno 2: sem secreção brônquica! A mãe comenta não se lembrar há quanto tempo não via a

menina respirar dessa forma tranqüila e silenciosa. Espaçamento gradativo entre as doses,

até uma dose por semana e retirar o medicamento, caso não apresentasse nenhum sintoma.

MEDICINA ANÁTOMO-CLÍNICA- 3 PACIENTES

UMA DOENÇA = UM TRATAMENTO


Medicina das doenças

MEDICINA HOMEOPÁTICA - 3 PACIENTES

UMA DOENÇA = TRES TRATAMENTOS

Medicina dos doentes

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2ª AULA

RAÍZES HISTÓRICAS DA HOMEOPATIA

Na Grécia clássica a Medicina era originada do Mito. O mais antigo deus-médico da Grécia foi Péon,
indicado por Homero como médico dos próprios deuses. Mas o culto que mais se alastrou entre os gregos
foi o de Asclépio (Esculápio para os romanos).

Asclépio, filho de Apolo, foi entregue por seu pai ao sábio centauro Quiron, que o instruiu nas artes
médicas, desvendando-lhe o segredo das virtudes curativas das plantas, a prática dos encantamentos e o
uso da faca na cirurgia. Nos templos dedicados a Asclépio ficavam guardadas as “tábuas volitivas”, onde os
pacientes relatavam seus casos, a terapêutica e a cura, formando o primeiro arquivo médico. Estes templos
constituíam verdadeiros sanatórios populares, dirigidos pelos sacerdotes gregos, mas a medicina na época
não se baseava na magia.

Os conhecimentos ali registrados foram incorporados ao Corpus Hippocraticum, maior monumento escrito
da Medicina de todos os tempos. Era composto de 53 tratados, incluindo ética, medicina preventiva, higiene
pessoal e coletiva, cuidados dietéticos, relacionamento das enfermidades à hereditariedade, formação
embriológica, meio ambiente, alimentação, higiene geral, higiene mental, trabalho, preparo físico, condições
climáticas e estacionais, terapêutica pela correção das causas, preceitos alimentares, re-equilíbrio humoral,
terapêutica pelo semelhante. Hipócrates (460-370AC.) é o provável autor de uma parte significativa dessa
obra.

A medicina helênica desenvolveu-se paralelamente à Filosofia tornando-se pela primeira vez uma Ciência,
substituindo a magia pela investigação. É atribuído a Hipócrates Ter desvinculado a Medicina da Religião,
além de ter organizado o conhecimento médico ocidental e introduzido conceitos éticos à prática. Trouxe
também o conceito de vis medricatrix naturae, ou força curativa. Foi reconhecido como o Pai da Medicina.

Hipócrates, nascido na ilha de Cós, era o 18 º descendente de Asclépio, por seu pai e 19 º descendente de
Hércules, por sua mãe. Pertencia à família dos Asclepíades, que há muito se dedicavam à medicina. Foi o
mais ilustre integrante da escola médica de Cós. Na medicina da Grécia Clássica havia duas grandes
escolas, com históricas divergências: as escolas médicas de Cnidos e de Cós, duas importantes cidades
gregas. A escola de Cós via a doença como um transtorno geral no equilíbrio da saúde, e a saúde como
dependente de um princípio organizador da vida. A escola de Cnidos pregava a especialização, a
impessoalidade, o organicismo, a classificação das doenças e estabelecia terapêutica mais intervencionista,
quando comparada à escola de Cós, de atitude mais expectante. A escola de Cós interpretava as doenças
dentro do quadro específico e particular de cada paciente, abordando-o como uma totalidade

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contraria contrariis -a terapia dos opostos- e por isso, ele utilizava o calor, se a doença fosse causada pelo
frio; e purgativos, caso achasse que o corpo estava sobrecarregado. Para explicar as doenças, abraça a
teoria da matéria pecans, algo externo ao organismo, que “ïnfecta” o indivíduo antes puro e perfeito. Essa
matéria pecans deve ser retirada, “exorcizada” do indivíduo para a restauração da saúde.
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Com o Renascimento renasce o pensamento greco-romano principalmente nas artes, pintura e escultura,
renascem a Filosofia e a Ciência, prevalecendo o domínio da religião católica do Vaticano. Surge o
Humanismo (movimento cultural caracterizado pela retomada de interesse pelos conhecimentos antigos por
meio do estudo direto das obras gregas e romanas). A antiga cultura grega e o racionalismo sem
preconceitos de Platão e Hipócrates alcançaram a Itália por meio dos estudiosos foragidos de
Constantinopla, conquistada pelos turcos em 1453. Mas é provável que o fator mais determinante tenha
sido a invenção da imprensa e seu rápido desenvolvimento por toda a Europa.

No século XVI, no Renascimento, surgem no contexto médico as figuras de Paracelso e Vesálio.

Paracelso, nascido na Suíça em 1493, foi o autor de mais de 300 obras, desde a medicina com base em
observações originais até estudos sobre alquimia e metafísica. Ele tinha consciência de que a medicina
precisava abandonar os ensinamentos de Galeno e recomeçar, mas errou ao postular que os componentes
básicos da matéria eram enxofre, mercúrio e sal.

Segundo seus princípios, as manifestações do corpo eram sujeitas às leis vitais químicas. Ele introduziu o
conceito de doença metabólica e preocupava-se com questões de higiene. Foi por causa de Paracelso que
os remédios químicos foram introduzidos na medicina e que a farmacologia começou a utilizar muitos
produtos novos. Em busca dos princípios ativos, percebia a possibilidade de encontrar medicamentos
mesmo entre os venenos: “O problema é que venenos e medicamentos são quase sempre integrados num
mesmo corpo químico, sendo apenas a dosagem o que iria determinar um ou outro efeito dessas duas
propriedades misteriosamente unidas”. Sua doutrina das “signaturae” buscava conhecer, aprender, através

dos signos que a Natureza manifesta, a cura para as moléstias. Pelos sinais e características das plantas e
das substâncias químicas, Paracelso indicava seus medicamentos, procurando encontrar semelhanças
dessas características com as dos pacientes. É uma nova apresentação da lei dos semelhantes.

Andreas Vesálio, considerado o pai da anatomia, nasceu em Bruxelas, em 1514, estudou medicina em
Louvain, Montpelier e Paris. O jovem empenhou-se na dissecação de corpos de animais vivos e de
cadáveres humanos de criminosos executados. Ensinava Medicina em Pádua e com apenas 28 anos de
idade, publicou sua obra monumental, De humani corporis fabrica, livro que sacudiu a medicina de catorze
séculos de um sono muito profundo. Vesalio descartou os dogmas de Galeno, apontando erros dos
professores do passado, mas ele não conseguiu descobrir o mecanismo da circulação sanguínea, que só
mais tarde foi esclarecido pelos estudos de Harvey.

Ao contrário do homem clássico do século XVI, o homem barroco (século XVII) só vê na natureza o que é
útil. Em meados do século XVII, começam a se concretizar os esforços para libertar o pensamento médico
das doutrinas antigas. Surge o mecanicismo através dos trabalhos de Decartes (1596-1650). Decartes via o
corpo como uma máquina ativada pelo calor coletado no sangue. Este conduzido até o cérebro pela aorta,
levava o elemento mais puro, o espírito vital.

O espírito vital, por sua vez, dilatava o cérebro, permitindo-o receber impressões de objetos externos, ou
seja, as sensações. Decartes também escreveu sobre a natureza da alma, distinguindo-a da matéria. No
“homem-máquina” da filosofia cartesiana, o calor é a origem, a fonte da vida; tudo é obra sua exclusiva,
exceto o pensamento, que é função da própria alma.

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Aristóteles tinha também esta visão binária: corpo e alma. O conhecimento médico avançou bastante
durante o século XVII mas o envolvimento dos médicos com o trabalho teórico e experimental não os
permitia perscrutar as necessidade daqueles que sofriam das doenças por eles estudadas. A doença veio
sempre sendo compreendida como um mal a ser combatido e as condutas terapêuticas eram sempre a
remoção deste mal ou por cura espiritual ou material, ou ambas.

Nos séculos XVII e XVIII criam-se vários sistemas médicos. Morgagni estabelece as bases da anatomia
patológica. Jenner, na Inglaterra, descreve e usa uma vacina para a varíola então epidêmica.

No século XVIII houve uma crescente valorização dos métodos experimentais, que formavam a base das
pesquisas científicas desde os tempos de Galileu. O Iluminismo do progresso científico refletiu-se na
medicina, aumentando a consciência do sofrimento dos pobres e enfermos o que levou à construção de
hospitais municipais e enfermarias. A antiga escola de pensamento ganhou vida nova com o surgimento do
animismo nas mãos do médico e filósofo alemão George Ernst Stahl (1660-1734). Ele reagiu contra a
medicina mecânica e a medicina química do seu tempo e, ao mesmo tempo, contra a metafísica cartesiana,
partindo da idéia de que a vida não está no funcionamento de uma máquina. Para Stahl, o princípio do
movimento vital é a alma racional, que se expressa através do corpo. Stahl afirmava que a doença era um

esforço salutar da alma para expelir matéria mórbida do organismo, o que acontecia quando houvesse a
ultrapassagem de certos limites, quando a alma conservadora tivesse descuidado ou tratado
negligentemente a conservação do conjunto. Segundo Stahl, o princípio vital era representado pela alma
universal, causa de toda e qualquer forma de vida, proveniente diretamente de Deus. Quando a alma
deixava o corpo, este entrava em putrefação. A doença era a tendência da alma de restabelecer a ordem às
funções do corpo.

O vitalismo era diferente do animismo, ocupando uma posição intermediária entre as doutrinas materialista
e espiritualista, e apregoando o conceito de um princípio especial distinto tanto da matéria quanto da alma
racional.

Joseph Barthez (1734-1806) foi um vitalista que influenciou bastante o pensamento de Hahnemann.
Introduziu o termo “princípio vital”, insistindo que a doença era toda forma de alteração da função normal.
No que passou a ser chamado “vitalismo ternário”, Barthez via o homem como a integração de espírito,
força vital e corpo. Tratou da força vital, mas não se preocupou em explicá-la: “eu chamo de princípio vital a
causa que produz todos os fenômenos da vida no corpo do homem”. Quanto à natureza do princípio vital,
ele diz: “a questão é de nenhuma importância para a verdade do sistema e nós somos condenados a uma
ignorância absoluta sobre a natureza das causas, seja em geral, seja em particular”.

O século XIX é dominado pelos trabalhos dos que mantinham uma postura mecanicista diante do homem,
com raras exceções. Uma delas foi Bichat, criador da histologia e da histopatologia, fundador do
organicismo. Bichat, apesar de ter compartimentado o organismo, via em cada órgão a manifestação de
algo que não poderia ser reduzido simplesmente a reações físico-químicas, mantendo uma postura vitalista
em relação ao ser humano.

Broussais reduziu toda a patologia a um fenômeno de excesso e, por conseguinte, toda terapêutica à
sangria, levando-a as últimas conseqüências.

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Magendie e Claude Bernard, contrários à doutrina vitalista de Bichat, retomaram enfaticamente o
mecanicismo e lançaram as bases da fisiopatologia – “as doenças nada mais são do que fenômenos
fisiológicos em novas condições”.

No século XIX ainda se dava grande importância à predisposição como causa da doença, mas aparecem os
trabalhos de Pasteur, que possibilitam o predomínio da causa bacteriana e o esquecimento da importância
do terreno no estabelecimento da doença.

Como podemos observar, algumas questões filosóficas interessam diretamente à medicina, e para elas
foram propostas diferentes respostas através dos tempos:

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HAHNEMANN: NASCIMENTO DA HOMEOPATIA

Cristiano Frederico Samuel Hahnemann, nasceu na cidade de Meissen, Alemanha, no dia 10 de Abril de
1755. Aos 20 anos de idade, em 1775, inicia seus estudos em Medicina.

Estudou medicina em Leipzig, mas como nesta Escola não havia ensino prático, Hahnemann foi terminar
seus estudos num hospital em Viena. Em 1779 deu inicio ao exercício da medicina,

após defender sua tese de doutorado: “Considerações etiológicas e terapêuticas sobre as afecções
espasmódicas”.

O conhecimento e a análise de qualquer terapêutica médica não podem ser realizados de forma
compreensiva sem uma visão do contexto médico de sua descoberta e aplicação. Como era a medicina na
época em que se deu o surgimento da homeopatia?

Durante o século XVIII, o pensamento médico estava dividido entre as correntes dos mecanicistas (os
materialistas) e a dos vitalistas. Os mecanicistas tinham como pressuposto fundamental a percepção do
organismo humano como uma máquina. Os vitalistas, entretanto, entendiam a doença como sendo
provocada por um desequilíbrio da energia vital e a definiam como aquilo que conferia vida aos organismos.
Estas duas correntes de pensamento refletiam possivelmente tradições provenientes da medicina grega
primitiva, através das históricas divergências entre as escolas médicas de Cnidos e Cós.

Na época de Hahnemann existiam várias idéias fantasiosas sobre como se originam as doenças no interior
dos indivíduos, que levaram a práticas médicas reconhecidamente nocivas e prejudiciais aos pacientes.
Chamada de “medicina heróica”, adotava a estratégia de provocar a eliminação dos venenos internos
através do aumento de diversas excreções orgânicas.

A sangria feita através de sanguessugas, ventosas ou secção de veias, peça-chave do tratamento, teve seu
esplendor no final do século XVIII até a segunda metade do século XIX,

ensinada em muitas escolas médicas da Europa e em todas dos Estados Unidos. Seus praticantes eram
chamados de vampiros.

Mas não ficava só na sangria o tratamento da época. Prescreviam-se substâncias muito tóxicas, como o
calomelano (cloreto de mercúrio) que atuariam como purgativos e eméticos, na falsa crença de que a
diarréia e os vômitos eliminariam as impurezas internas. Além disso, era comum o uso de substâncias

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cáusticas e irritantes sobre a pele, provocando supurações, o que era mais uma vez interpretado como
eliminação de impurezas internas, e portanto, altamente benéfico.

Ficou famosa a frase que se atribuía aos médicos da época, após o rotineiro falecimento dos pacientes
atendidos: “ele morreu curado”. Os médicos julgavam-se autoridades máximas e não duvidavam de seus
métodos mesmo diante de desastrosas evidências do dano que causavam.

Nem o mais ilustre americano, George Washington, falecido em 1779, escapou desta falácia, acometido na
manhã do dia 14 de dezembro por severa dor de garganta que lhe dificultava a respiração, seus médicos
realizaram neste dia uma sangria de dois litros, acompanhada de irritantes sobre a pele e administração de
calomelano. Às 22 horas do mesmo dia vinha a falecer, seguramente “curado” pela intervenção médica.

Neste ambiente iatrogênico e repleto de inúmeras explicações e especulações a respeito da doença e da


vida, Hahnemann, entre 1780 e 1789, também prescrevia diarréicos e eméticos, como o mercúrio e o
arsênico. Aos 34 anos, embora com diversas publicações sobre química, medicina preventiva e patologia,
membro de muitas sociedades científicas médicas e dono de uma clientela que a cada dia crescia mais,
Hahnemann via-se atormentado por escrúpulos e crises existenciais em função da observação dos efeitos
que sua prática médica provocava.

Decidiu abandonar a clínica em 1789, após nove anos de prática, para ele insatisfatória. Um dos seus
escritos reflete a angústia e o desânimo que pousaram sobre ele naquela época: “converter-me em
assassino de meus irmãos era para mim um pensamento tão terrível que renunciei à prática para não me
expor mais a continuar prejudicando”. Essa postura mostra sua sintonia com a máxima hipocrática:
“primeiramente não prejudicar”.

Hahnemann era um poliglota. Consta que conhecia grego, latim, hebraico, árabe, caldeu, inglês, francês,
italiano e espanhol, além do alemão. O conhecimento desses idiomas foi decisivo em seu futuro, pois
abandonando a prática médica, começa a sobreviver realizando traduções de obras científicas,
especialmente nas áreas de química e medicina, retomando estudos de antigos mestres como Hipócrates,
Paracelsus, Van Helmont, Sydenhan, Boerhaave, Stahl e Haller.

Proveniente de uma família pobre e humilde, Hahnemann casou-se com a filha de um farmacêutico, o que o
fez aprender e dominar as técnicas farmacêuticas da época. De acordo com a descrição de seus biógrafos
e a análise dos seus escritos, era uma personalidade prodigiosa, dotada de uma capacidade muito acurada
de observação e de um senso crítico muito pronunciado, tendo inclusive escrito um estudo sobre as
qualidades necessárias ao bom observador em medicina. Descrito por alguns como vaidoso e autoritário,
era extremamente obstinado e decidido naqu ilo em que acreditava. Como dominava vários idiomas, lia
muitas revistas médicas de sua época, ampliando assim o seu campo de conhecimento médico.

Foi quando trabalhava na tradução da Matéria Médica de Cullen, em 1790, que um fato descrito por aquele
autor chamou sua atenção. A Cinchona officinalis (quinina ou quina) proveniente do Peru, era usada na
Europa, para o tratamento do paludismo (malária). Segundo explicações do autor do livro, a quina era um
remédio eficaz graças ao efeito tônico que exerce no estomago, produzindo uma substância contrária à
febre. Não concordando com essa explicação, decidiu realizar um experimento em si mesmo, ingerindo
diariamente quatro dracmas de quina, como recomendado na sua época. Observando atentamente todas as
modificações que se seguiram após a ingestão da droga, concluiu que os sintomas resultantes da

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intoxicação a que se submetera eram bastante semelhantes aos das crises febris da malária, tais como
esfriamento das extremidades, rubor facial, sonolência, prostração, pulsações na cabeça, para cujo
tratamento a quina era o de eleição.

Seguindo rigorosamente os conselhos do grande fisiologista e botânico Haller, que já havia preconizado em
livro traduzido por Hahnemann, a necessidade de estudar a ação de cada medicamento no homem
aparentemente são antes de ser prescrito ao doente, repetiu várias vezes o experimento com a quina,
estendendo-o depois a outras substâncias como a beladona, o mercúrio, a digital, o ópio, o arsênico e mais
treze medicamentos de uso corrente na época.

Depois de seis anos de constante experimentação, em si mesmo e nos seus familiares, Hahnemann publica
em 1796 o “Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicinais,
seguida de alguns comentários a respeito dos princípios aceitos na época atual”, na mais importante revista
médica alemã de sua época, o Jornal de Hufeland.

O ano de 1796 marca, portanto, o nascimento da homeopatia, embora Hahnemann só viesse a chamar o
seu sistema de tratamento médico desta forma anos mais tarde, para diferenciá-lo da prática
medicamentosa abusiva, agressiva e pouco eficaz do seu tempo, a que denominou de alopatia.

A partir de 1801 Hahnemann começa a usar medicamentos dinamizados (técnica própria da homeopatia
que visa despertar a força medicamentosa latente na substância e que consiste em submeter a droga a
diluições e sucussões sucessivas).

Retomou a prática médica, já como homeopata, em 1805, ano em que publicou “Esculápio na Balança” e
“Medicina da Experiência”.

Em 1810 publicou a primeira edição do Organon, que intitulou de “Organon da Medicina Racional”. O
Organon da Arte de Curar é o livro onde expões as bases filosóficas, teóricas e metodológicas da
homeopatia, e que sofreu sucessivas edições, num total de seis, sempre commodificações e acréscimos a
partir da aprendizagem obtida através de vivências e experiências novas.

De 1811 a 1821 publica suas experimentações com 67 substâncias diferentes, em seis volumes que edita
sob o título de “Matéria Médica Pura”, e em 1828, o “Tratado das doenças crônicas”.

A história da medicina demonstra a resistência à mudança provocada por inúmeras descobertas


importantes. Com Hahnemann não poderia ser diferente, sendo ele acusado de dogmático, de estar
imbuído de um fanatismo religioso na defesa de suas idéias e de distorcer intencionalmente os fatos de
acordo com idéias preconcebidas, o que lhe rendia críticas e ridicularizações dos colegas médicos. Justo
Hahnemann, que no primeiro parágrafo do Organon,

criticava os médicos que perdiam tempo em sonhos e hipóteses sobre a natureza íntima dos processos
vitais, sem se preocuparem em aliviar e curar realmente, advertindo que “a única e suprema missão do
médico é a de restabelecer a saúde, isto é, curar”. Ou que escrevia, em 1818, que “ninguém indagou da
experiência, único método que pode fornecer esclarecimentos numa ciência essencialmente experimental
como é a medicina, porque era mais cômodo contentar-se com afirmações; assim é que se deu lugar de
honra aos mais temerários aforismos, às menos consistentes teorias e hipóteses, ao invés da verdade
baseada nos fatos”.

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Aos 80 anos, quando se transferiu da Alemanha para a França, os médicos franceses quiseram impedi-lo
de exercer a medicina. Guizot, ministro de Luís Felipe, escreveu então à Academia de Medicina da França
“Hahnemann é um sábio de grande mérito. A ciência deve ser para todos. Se a homeopatia é uma quimera
ou um método sem valor próprio, ela cairá por si mesma. Se é, ao contrário, um progresso, expandir-se-á
apesar de todas as medidas contrárias, e a Academia deve deseja-lo antes de qualquer outra, ela que tem
por missão impulsionar a ciência e encorajar as descobertas”.

Em 1843, Hahnemann morre, aos 88 anos, sem ver a sexta e última edição do Organon,

que vai para o prelo post mortem, em 1921.

Em sua obra, Hahnemann manteve-se fiel ao vitalismo, buscando em Bartez a visão ternária do homem:
corpo, alma e força virtal. No parágrafo 9 do Organon diz: “No estado de saúde, a força vital (autocrática)
que anima dinamicamente o corpo material (organismo), governa com poder ilimitado e conserva todas as
partes do organismo em admirável e harmoniosa operação vital, tanto com respeito às sensações como às
funções, de modo que o espírito dotado de razão que reside em nós pode empregar livremente este
instrumento vivo e sadio para os mais altos fins de nossa existência”. (§ 9).

Seus discípulos alemães propagaram a homeopatia para a América e a Inglaterra. Na França, formou
discípulos que a propagaram para os países latinos.

Nos EUA Hering fundou em 1833 a Academia Americana de Homeopatia, e um de seus discípulos, James
Tyler Kent produziu uma enorme obra homeopática, filosófica e prática, em sua Matéria Médica e
Repertório. Nos EUA a homeopatia teve seu apogeu no final da Primeira Grande Guerra e quase
desapareceu após a Segunda Grande Guerra, para renascer na década de 70 com o movimento naturalista.

Na Inglaterra a pratica hospitalar é exercida livremente. A família real britânica sempre foi e continua sendo
assistida por famosos homeopatas.

Na Índia o exercício da Homeopatia é permitido também ao pessoal para-médico. A literatura lá é muito


desenvolvida e estimulada.

No Brasil foi introduzida por um discípulo francês de Hahneman, Benoit-Jules Mure, que aqui chegou em
1840. Iniciou no Rio de Janeiro o ensino, a prática e a propagação da homeopatia, e seu discípulo João
Vicente Martins, médico português, propagou a homeopatia ao norte e nordeste brasileiros.

A homeopatia cresceu no Brasil, com apoio oficial do governo republicano e adesão de brasileiros ilustres,
como Rui Barbosa (“se eu tivesse um diploma de médico, seria homeopata”) e Monteiro Lobato, que
praticou a homeopatia no interior do Estado de São Paulo. Na década de 20 iniciou lentamente seu declínio,
com o advento da terapêutica química na medicina.

Sobreviveu através de alguns poucos abnegados, principalmente nas cidades de Rio de Janeiro e

São Paulo, entre estes David Castro, um dos responsáveis pelo renascimento da homeopatia no

Brasil, hoje entre as mais adiantadas de todo o mundo.

A melhor definição de médico homeopata é a do American Institute of Homoeopathy:

“médico homeopata é aquele que acrescenta ao seu conhecimento de medicina um conhecimento

especial de terapêutica homeopática e cumpre a lei dos semelhantes”.


Datas importantes na história da Homeopatia no Brasil:
12
1859 -- INSTITUTO HAHNEMANIANO DO BRASIL

1886 – Legalização das Farmácias Homeopáticas no Brasil. (oficializadas no

Império as farmácias e os médicos homeopatas).

1912 – FACULDADE HAHNEMANIANA.

1916 – HOSPITAL HAHNEMANIANO.

1926 – I. CONGRESSO BRASILEIRO DE HOMEOPATIA.

1936 – FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE HOMEOPATIA.


1980 -- A HOMEOPATIA É UMA ESPECIALIDADE MÉDICA

RECONHECIDA INICIALMENTE PELA ASSOCIAÇÃO MÉDICA

BRASILEIRA (AMB) E LOGO DEPOIS PELO CONSELHO FEDERAL

DE MEDICINA (CFM), ATRAVÉS DA RESOLUÇÃO NÚMERO 1000.

1994 - O CFM RATIFICOU O RECONHECIMENTO DA HOMEOPATIA

COMO ESPECIALIDADE MÉDICA.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

A) Responda às perguntas:

1. Cite duas proposições do “Corpus Hippocraticum” que vieram influenciar fortemente a medicina
homeopática.

2. Como se manifesta a vida segundo o vitalismo e segundo o mecanicismo?

3. Quem foi Samuel Hahnemann ? Em que época viveu?

4. Como era a medicina à época de Hahnemann e quais as principais críticas do autor à prática clínica
existente?

5. Em que bases Hahnemann construiu a doutrina homeopática?

B) Leia o caso clínico e responda às perguntas:


Mulher, branca, 27 anos, cozinheira.
Há cinco dias, com febre alta e mantida entre 39 – 40ºC, dores por todo o corpo, “como se todos os ossos
do corpo estivessem quebrados”, dor de cabeça que piora ao mover os olhos, náuseas, com alguns
episódios de vômitos, diarréia há três dias, muito cansaço físico que a impede de trabalhar.
Notou o aparecimento de pintinhas avermelhadas por todo o corpo, que coçam, a partir do terceiro dia de
febre. No quarto dia apresentou sangramento nasal de cor viva.
Relata que outras pessoas de sua vizinhança apresentam o mesmo quadro clínico, alguns faleceram com
sangramento generalizado.
1. Como seria a prescrição adotada pelos médicos da época de Hahnemann?
2. Em que se basearia Hahnemann para sua prescrição após suas observações como homeopata?

13
AULA 3 SAÚDE, DOENÇA E FORÇA VITAL
(...)
VITAL mantém no organismo vivo pode aceitar certas adaptações, que permitem que o indivíduo se
acomode ao meio que o rodeia.

Com isso, vemos outra propriedade da FORÇA VITAL: quando desequilibrada, tem a peculiaridade
de tentar, espontaneamente, recuperar o equilíbrio. E também, quando desequilibrada, é suscetível ao meio
e isto se manifesta pelos sintomas. É este conjunto de sintomas que o médico deve tratar. Sendo um
princípio dinâmico, a força vital somente pode sofrer efeito de influências morbíficas dinâmicas,
internas ou externas ao organismo.

No parágrafo 11, e em nota que o complementa, Hahnemann conceitua a doença como uma
perturbação da força vital, por influência dinâmica, energética, não material, de agentes morbígenos hostis à
vida:
“Quando o homem adoece, essa força vital imaterial de atividade própria, presente em toda parte no
seu organismo (princípio vital), é a única que, inicialmente sofre a influência dinâmica (*) hostil à vida de um
agente morbígeno. É somente o princípio vital, perturbado por uma tal anormalidade, que pode fornecer ao
organismo as sensações desagradáveis e impelí-lo, destarte, a atividades irregulares a que chamamos
doença; pois essa força invisível por si mesma, e apenas reconhecível por seus efeitos no organismo, torna
conhecida sua perturbação mórbida apenas pela manifestação de doença nas sensações e funções (as
partes do organismo acessíveis aos sentidos do observador e do médico), isto é, por sintomas mórbidos, e
não pode torná-lo conhecido de outra maneira”. (§ 11).

Portanto, para Hahnemann, O CONJUNTO DE SINTOMAS MANIFESTADOS NO PROCESSO DE


DOENÇA É EXATAMENTE A EXPRESSÃO DO DESEQUILÍBRIO DA FORÇA VITAL.

“A perturbação mórbida do dinamismo (força vital) que anima nosso corpo em seu interior invisível e a
totalidade dos sintomas perceptíveis externamente produzidos por tal perturbação no organismo,
representante da doença existente, constitui um todo: não são mais do que uma só e mesma coisa...”. (§
15).

No rodapé do parágrafo 11, Hahnemann tentou explicar aos seus contemporâneos o que seria uma
força dinâmica:
“O que é essa influência dinâmica, poder dinâmico? Nosso planeta, em virtude de energia invisível e oculta,
faz girar a lua ao seu redor 28 dias e algumas horas, e a lua, por suavez, em horas fixas e determinadas
produz em nossos mares do norte as marés, alta e baixa.
Aparentemente isto verifica-se sem intervenção material ou utensílio mecânico, como nas obras humanas.
Do mesmo modo, vemos inúmeros outros fatos como resultado da ação de uma substância sobre a outra
sem poder reconhecer uma relação sensível entre causa e efeito.... Tais efeitos são chamados: efeitos
dinâmicos ou virtuais, isto é, resultantes de energia e ação absolutas, específicas e puras de uma
substância sobre outra.
Por exemplo, o efeito dinâmico das influências patológicas sobre o homem são, assim como a energia
dinâmica dos medicamentos sobre o princípio vital para o restabelecimento da saúde, não é mais do que
uma “infecção”, porém de forma nenhuma material ou mecânica.
Exatamente como não é material ou mecânica a ação de um ímã sobre uma placa de aço ou ferro.
Observa-se que a peça de ferro é atraída pelo polo de um ímã, porém a forma como é atraída ninguém
pode ver. Esta energia invisível do ímã não necessita meio auxiliar mecânico (material), gancho ou alavanca
para atrair o ferro. Retira essa energia de si mesmo e é o que age sobre a peça de ferro ou agulha de aço
de um modo invisível, imaterial e essencial, isto é, dinamicamente, comunicando esta qualidade magnética
que também é invisível (dinâmica)”.
Podemos observar conceitos semelhantes ao de força vital e equilíbrio orgânico em obras
atuais.
No Tratado de Fisiologia Médica (nona edição) de Arthur C. Guyton, no capítulo I, lemos uma
concepção de “automatismo”, bastante semelhante à concepção vitalista de Barthez e Hahnemann:
“...na fisiologia humana, nossa preocupação é com as características e mecanismos específicos do
corpo humano, que o fazem um ser vivo. O próprio fato de que permanecemos vivos está quase além do
14
nosso controle, pois a fome nos faz procurar alimento e o medo nos faz buscar refúgio. As sensações de
frio nos fazem procurar calor e outras forças nos impelem a procurar por companhia e nos reproduzir”.
“Assim, o ser humano é, na verdade, um autômato e o fato de sermos organismos com sensações,
sentimentos e conhecimento é parte dessa sequência automática da vida; esses atributos especiais nos
permitem viver sob condições extremamente variadas que, de outra forma, tornariam a vida impossível”.
“O corpo é um agrupamento social de cerca de 100 trilhões de células, organizadas em estruturas
funcionais distintas,algumas sendo chamadas órgãos. Cada uma dessas estruturas funcionais contribui com
sua parcela para a manutenção das condições homeostáticas do meio interno. Enquanto as condições
normais forem mantidas, as células corporais continuarão a viver e a funcionar normalmente. Desta forma,
cada célula tira benefícios da homeostasia, mas por sua vez, contribui para a manutenção dessa
homeostasia”.
“Todas as células vivem em um mesmo ambiente chamado líquido extra-celular, também chamado meio
interno. As células são capazes de viver, crescer e desempenhar suas funções específicas enquanto
estiverem disponíveis, nesse meio interno, as concentrações adequadas de oxigênio, glicose, diversos íons,
aminoácidos, substâncias gordurosas e outros constituintes. A manutenção das condições estáticas ou
constantes deste meio interno chama-se homeostasia.
Por exemplo, os pulmões fornecem o oxigênio ao líquido extra-celular para repor contínuamente o oxigênio
que está sendo usado pelas células, os rins mantém constantes as concentrações iônicas e o sistema
gastrintestinal fornece os nutrientes. O corpo humano contém milhares de sistemas de controle que fazem
com que os sistemas funcionais atuem harmonicamente uns com os outros, contribuindo para a
homeostasia. Por exemplo, o sistema respiratório atua em associação com o sistema nervoso regulando a
concentração de dióxido de carbono no líquido extra-celular. O fígado e o pâncreas regulam a concentração
de glicose no líquido extra-celular”.

Homeostasia é o processo pelo qual um organismo mantém constante o seu equilíbrio. É também
definidodefinido como o estado de equilíbrio das diversas funções e composições químicas do corpo (ex:
temperatura, pulso, pressão arterial, taxa de açúcar no sangue, etc...).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde não apenas como ausência de doença, mas
como a situação de perfeito bem-estar físico, mental e social.

Nos livros de fisiologia vemos a definição de saúde como sendo um estado de HOMEOSTASIA, de
manutenção dos mecanismos defensivos e curativos do organismo na sua mais completa integridade, em
todos os órgãos, aparelhos e sistemas, em sintonia entre si, com pleno domínio e controle da situação
biológica, imunológica, metabólica, enzimática.

Organicamente falando, A DOENÇA SERIA UM AFASTAMENTO DA SITUAÇÃO DE SAÚDE


RELACIONADO À FALTA DE VELOCIDADE E EFICIÊNCIA DOS MECANISMOS DE HOMEOSTASIA,
ISTO É: SERIA A FALTA DE CAPACIDADE DO ORGANISMO DE MANTER SUAS CONSTANTES
INTERNAS.

Para Guyton, tal como para Hahnemann, a doença é a incapacidade de manter esta homeostasia.
“...cada célula tira benefícios da homeostasia, mas por sua vez, contribui para a manutenção dessa
homeostasia. Essa interação recíproca produz um automatismo contínuo do corpo, até que um ou mais
sistemas funcionais percam sua capacidade de contribuir com suaparcela funcional. Quando isso acontece,
todas as células do corpo sofrem. Graus extremos de disfunção levam à morte, enquanto as disfunções
moderadas levam à doença”.

Como exemplo do automatismo do corpo na manutenção da homeostasia, o fisiologista assim


discorre sobre a regulação da pressão arterial:
“Diversos sistemas contribuem para a regulação da pressão arterial. Um deles, o sistema baroceptor, é um
exemplo de sistema de controle. Os baroceptores (artérias carótidas e arco aórtico) são estimulados pelo
estiramento da parede arterial. Quando a pressão arterial fica elevada, os baroceptores emitem descargas
de impulsos para o bulbo, no encéfalo. Nesse local, esses impulsos inibem o centro vasomotor, que, por
sua vez, reduz o número de impulsos transmitidos pelo sistema nervoso simpático para o coração e vasos
sanguíneos. A falta desses impulsos diminui a atividade bombeadora do coração, além de promover maior
15
facilidade do fluxo sanguíneo pelos vasos periféricos; esses dois efeitos fazem com que a pressão arterial
caia até seu valor normal” .

Apesar destes discursos valorizando os fatores internos no processo de doença, a alopatia, na


prática, trata a doença como algo material a ser extirpado do organismo - como por exemplo um tumor, um
microorganismo invasor, ou uma intoxicação por alguma substância.

Como a concepção de doença é de algo externo ao organismo, a terapêutica dirige-se muitas vezes
para a eliminação de sintomas, sem considerar que estes podem representar uma reação de defesa natural,
benéfica, positiva e necessária ao organismo.

A concepção Hahnemanniana de força vital seria equivalente, na obra de Guyton, a um conjunto de


sistemas funcionais, que mantém o organismo em estado de saúde, e a doença seria o não funcionamento
de alguns destes sistemas necessários para a manutenção da homeostase.
“Muitos sistemas de controle atuam no interior dos órgãos para controlar o funcionamento das diferentes
partes dos órgãos, enquanto outros atuam por todo corpo para controlar as inter-relações entre os órgãos.
Estes sistemas de controle mantém o corpo funcionando com saúde. (para Hahnemann equivaleria a
FORÇA VITAL). Na ausência de qualquer desses controles, o resultado pode ser a doença ou, até mesmo a
morte” (Guyton).

Portanto a força vital no estado de doença é incapaz de trazer o organismo ao estado de saúde,
embora faça este esforço. Doença é uma reação do organismo para fazê-lo voltar ao estado de saúde; é
uma luta. A doença é um mecanismo imperfeito que tenta manter o indivíduo vivo.

Hahnemann apresentava uma concepção de doença surpreendentemente abrangente para sua


época. Descreveu com clareza a MULTICAUSALIDADE DO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA, percebendo a
influência, sobre a força vital, de fatores sócio-culturais (higiene, dieta, hábitos de vida), fatores físicos
(climáticos, acidentes, intempéries naturais), fatores químicos (medicamentos alopáticos, venenos), fatores
psíquicos e emocionais e mesmo de agentes infecciosos (endemias e epidemias). Incluía entre as funções
do médico não apenas o tratamento, mas também a prevenção das doenças. Disse também o grande
mestre de homeopatia: “a mais elevada e única missão do médico é tornar saudáveis as pessoas doentes,
o que se chama curar” (§ 1)
e que “o mais alto ideal de cura é o restabelecimento rápido, suave e duradouro da saúde, ou a remoção da
doença pelo caminho mais curto, mais seguro e menos prejudicial, segundo preceitos nitidamente
compreensíveis” (§ 2).

Apesar de reconhecer a influência de todos estes fatores no desencadeamento do processo de


doença, Hahnemann considerava como determinante, O DESEQUILÍBRIO DA ENERGIA VITAL.

Na visão de Hahnemann sobre a doença a SUSCEPTIBILIDADE INDIVIDUAL ocupa lugar


destacado. A ação dos agentes nóxios sobre a força vital depende da predisposição desta a se
desequilibrar: “As forças inimigas, psíquicas e/ou físicas, às quais estamos expostos em nossa existência
terrena, às quais chamamos agentes mórbidos, não possuem o poder incondicional de perturbar a saúde do
homem, apenas os afetando quando o organismo encontra-se (...)

2
A SAGA DA ENERGIA

2
fonte: BOLETIM CLÍNICO - número 14 - março/2003
endereço:http://www.pucsp.br/clinica/publicacoes/boletins/boletim14_03.htm
acesso 25/5/2008
autores: Efraim Rojas Boccalandro(1) e Irene Cardotti Boccalandro Podesta(2)
16
A Saga da Energia é uma viagem histórica, que começamos na antiguidade chinesa e terminamos com a
teoria dos Quanta de Max Planck.

Durante o percurso podemos perceber que embora cada autor em cada época modula coneitos de energia
à sua imagem e semelhança, no âmago do conceito encontramos quase que uma identidade, que apesar
da roupagem diferente, se mantém quase que sem modificações.

A energia Chi dos chineses antigos é uma energia universal, que anima os seres vivos. Aparece no século
III a.C. como princípio da natureza de Hipócrates, princípio vital de Hahnemann que se deriva cm Bach para
a energia sutil das flores, que age tanto no psíquico como no físico do indivíduo.

A energia Orgônica de Reich é conceituada também como uma energia universal e indispensável para o
fluxo da vida; a bioenergia de Lowen, continuador de Reich, no próprio nome já diz que é energia de vida. O
trabalho de Pethö Sandor, através dos toques sutis nos pés e pernas do paciente, visa estimular
energeticamente pontos da pele que tem ressonância no sistema nervoso central, desta forma se consegue
uma harmonização da energia global do organismo.

A Teoria da Relatividade de Einstein vira às avessas a física do século XIX, com seu principal físico Isaac
Newton. Resumindo de maneira muito sintética, podemos dizer que o universo passa a ser nas suas
diferentes manifestações, formas na verdade da velocidade, quantidade de movimento. Só que a energia
como realidade é inacessível ao entendimento humano. Isto é verdadeiro, basta ver o ideograma chinês em
que a energia Chi simbolizada por uma chaleira que tem o tampo levantado pela força do vapor, logo é um
símbolo de ação, trabalho. O ideograma carece de símbolo na base da chaleira, o que significa que os
chineses não sabiam o que era a energia básica, apenas conheciam suas manifestações.

Além das energias puramente físicas, temos as biológicas: um pirilampo contra um céu noturno nos fascina
com a luz que emana do seu corpo, um peixe elétrico quando emite uma descarga pode derrubar um
homem, a atividade neuroelétrica do cérebro da ordem de milionésimos de volts, comanda ações de todo
nosso organismo. Tanto a energia fosforescente do pirilampo como a atividade neuroelétrica do nosso
sistema nervoso são energias sutis. Além das energias puramente físicas, temos as biológicas.

ENERGIA NA ANTIGUIDADE GREGA

O velho Heráclito de Éfeso na Ásia menor teve a intuição genial de perceber tudo o que existe como uma
roda de transformações. Hoje diríamos que a cruz e os quatro elementos de Heráclito constituiriam um
processo de reciclagem de energia. O fogo de Heráclito pode ser visto hoje como o estado plasmático da
matéria, constituído por íons altamente acelerados. Esses íons aparecem tanto quando acendemos um
fósforo como quando a terra recebe, junto com os outros planetas, um vento solar, emissões de energia
provenientes da coroa solar.

Afirmava Heráclito que o fogo se transforma em água, a água em terra, e da terra emana o ar, que "recicla o
fogo"; podemos ver esse processo como uma permanente realimentação semelhante ao que afirmou
Lavoisier: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
O princípio de fogo (energia fogo) de Heráclito foi retomado por Hipócrates como Princípio de Natureza
(energia vital).

"Ele postula o princípio da homeopatia: "semelhante cure semelhante".

17
Que significa isso?

Temos de observar a natureza. Para que o semelhante cure. A doença é o desequilíbrio do Princípio de
Natureza, porque para ele, natureza é uma energia, que faz parte de todos os seres vivos. E que vai ter a
possibilidade de voltar ao equilíbrio, ou seja, à saúde, à harmonia.

Hipócrates elaborou um corpo doutrinário de mais de 260 aforismos, que são princípios e postulados da
prática médica. A primeira postulação que ele dá é:

"O semelhante cure semelhante". Há uma harmonia na natureza. Quando essa se desequilibra, temos de
agir sobre esse princípio da natureza.

É interessante que, assim como Heráclito, Hipócrates também propõem aforismos. E Hahnemann,
posteriormente, numa palestra sobre homeopatia, catalogou uma série de princípios de ação para os
médicos, uma série de conhecimentos básicos para os homeopatas, e, o mais importante, o princípio vital.
É ele que consegue restabelecer o equilíbrio perturbado na doença.

Isso já era falado por Hipócrates. Os médicos não devem contrariar a natureza. Devem ajudar a
restabelecer o equilíbrio. Por isso era contra purgativos fortes, contra sangrias, procedimentos estes que
continuaram durante a Idade Média.

Hahnemann elaborou um Organon, um órgão. Nesse órgão, o aforismo fazia papel de parte constituinte
entrelaçada com outras partes do Organon.

Hipócrates tentou mostrar também como manter a saúde, com a ginástica e a vida saudável, o pensamento
puro. Que já era recomendado no tempo de Asclépio: pensamento puro, ação pura, a vida saudável, o
equilíbrio e a harmonia, saúde. Os mesmos tipos de conceito.

De outro lado, a ligação íntima entre elemento, humor e temperamento já nos dá uma visão claramente
psicossomática, antecipando-se a Hahnemann que conseguiu melhorar ainda mais essa conceituação.

No início do século XX, um médico francês Leon Vannier, que trabalhou com os conceitos homeopáticos
mais recentes, falou de psicossomática. Esses conceitos de Vannier se mantêm firmes até hoje. A interação
psique-corpo, corpo-psique tem sido retomada, a partir de 1980, até hoje. E tem se podido comprovar como
corretas as afirmações de Vannier de 1930.

Falta, no entanto, no princípio psicossomático, uma dosagem maior do fator intuitivo-noético. Ainda estamos
muito impregnados do modelo mecanicista, positivista da Ciência. Ainda há gente que quer observar, sem
interpretar. Como se isso fosse possível."

Hipócrates recebe duas vertentes dos antepassados: uma mítica e uma de observação de
acompanhamento, de tratamento específico.

O CONCEITO DE ENERGIA NA ANTIGUIDADE CHINESA

Para os chineses a energia Chi é baseada na concepção taoísta que postula uma energia universal (Chi)
que se desdobra em duas modalidades diferentes, Yin e Yang, que no entanto podem transmutar-se: "o
excesso de Yin se transforma em Yang e o excesso de Yang se transforma em Yin". No corpo humano
essas duas modalidades de energia circulam através dos chamados meridianos, que são vias virtuais de
condução dessas energias sutis e cujo equilíbrio ou desequilíbrio ocasionarão saúde ou doença.

18
O Tao é um princípio filosófico que tem dois aspectos:

"como Princípio-origem, yuang-ché, de que emerge o cosmos, que a tudo anima sem que por qualquer
coisa existente seja animado, sem conteúdo substancial e, pois, sem identidade, por não ser definível em
termos materiais e espaço-temporais.

Como Poder, presente à vida, dotado da força de iniciar, continuar e concluir a ação como a que se
descobre na capacidade de estruturação de partículas para a formação do átomo"

Existe um símbolo gráfico do Tao, o Kua que consiste em "uma parte negra - Yin - e outra branca - Yang.
Yin, negativo, feminino, frio, úmido; Yang, positivo, masculino, quente e seco, duas forças cósmicas cujas
superfícies são rigorosamente iguais, e um círculo que os rodeia que é o Tao, princípio superior ou
conciliador. A parte negra encerra um ponto branco e a parte branca, um ponto escuro, para demonstrar
que qualquer que seja o elemento do mundo criado, não é ele absolutamente positivo ou negativo.

A manifestação dessas duas forças é observável em toda a criação. O sol e as estrelas, do ponto de vista
taoísta, são Yang. A lua e os planetas, Yin. O homem, o dia, o movimento, são Yang. A noite, a mulher, o
repouso, são Yin."

Estudos recentes tem comprovado de forma indireta a existência dessas correntes de energia sutil no
organismo humano. Foi possível comprovar que nos chamados pontos de acupuntura que foram
conhecidos pelos chineses há uns 38 séculos aparece uma diminuição da resistência da pele que facilita a
passagem dessas energias sutis.

ENERGIA DE CURA PELA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS

O primeiro terapeuta que usa mãos de cura é Quirão, o centauro filho de Cronos com a oceânida Fílira.
Conta o mito que Cronos apaixonou-se por Fílira e tentou possuí-la, só que Fílira não quis ceder ao desejo
de Cronos e se transformou em égua. Rapidamente Cronos se transformou também em garanhão e acabou
possuindo Fílira. Dessa união nasceu Quirão, aquele que trabalha com as mãos. Etimologicamente Kheir,
mão, de onde Kheirurgos: o que trabalha, o que age com as mãos.

Continuando com o mito, Fílira encaminhou Quirão para aprender medicina com Apolo, pois sendo filho de
Cronos, o tempo que conhece o presente, o passado e o futuro, precisaria desenvolver sua vocação de
sábio. Foi mestre de Asclépio, o grande médico que conseguiu ressuscitar mortos, de Peleu, Aquiles, Jasão
e outros heróis míticos. Ensinava aos seus discípulos música, a arte da guerra e da caça, a ética e a
medicina.

Heracles perseguia ao centauro Élato, quando este se refugiou na gruta de Quirão. Heracles atirou contra
Élato e sua flecha envenenada com o sangue da medusa, atingiu seu coração e transpassando-o feriu
acidentalmente Quirão. A ferida doía terrivelmente e a partir daí, movido pela compaixão, conseguiu ajudar
melhor seus pacientes e ser um médico melhor ainda.
As mãos de cura, constituem privilégio de pessoas possuidoras de grande energia etérica. Quando se faz
Kirliangrafia (fotos Kirlian), aparecem cores que são efeito da vibração eletromagnética no filme colorido.

A vibração eletromagnética também recebe o nome de aura que constitui aspecto fotografável do corpo
etérico. No comum das pessoas, essa vibração eletromagnética não chega mais do que uns dois
centímetros na periferia dos dedos; em pessoas dotadas de grande energia etérica, essa aura pode chegar
19
a uma distância de 50 a 60 cm ou mais, isto permite ao curador realizar energizações sem encostar na
pessoa ou na água.

O grande mestre da cura pela imposição das mãos foi Jesus, o Cristo, que durante sua vida terrena realizou
muitas curas utilizando-se da energia etérica à distância e também colocando seus dedos em partes do
corpo do paciente. No Novo Testamento da Bíblia, é relatada a cura de dois cegos, por Jesus, o Cristo:

"Como saísse de Jericó, uma grande multidão o seguia. E eis que dois cegos, sentados à beira do caminho,
ao saberem que era Jesus quem passava, puseram-se a gritar: "Senhor Filho de David, tem compaixão de
nós!"

A multidão os repreendia para que se calassem. Mas eles gritavam com mais força ainda: "Senhor Filho de
David, tem compaixão de nós!". Jesus deteve-se, chamou-os e lhes disse: "Que quereis que eu faça por
vós?", eles lhe dizem: "Senhor, que nossos olhos se abram!"

Tomado por compaixão, Jesus lhes tocou os olhos e imediatamente recuperaram a vista. E eles o
seguiram"

Consideramos importante esclarecer o sentimento de compaixão, quem é compassivo sente a dor do outro
como se fosse dele mesmo, é uma ressonância psíquica que leva o compassivo a tentar diminuir ou tirar a
dor do outro.

A imposição das mãos, ou seja, a obtenção de efeitos terapêuticos pela utilização da energia etérica teve
um grande expoente em Mesmer. Ele conseguia que pessoas que o procuravam entrasse em estados de
hipnose sem tocá-las. À essa energia etérica deu o nome de magnetismo animal, afirmando que esse
magnetismo tinha um forte poder de cura. Chegou a magnetizar uma
corda que pendurou num galho duma árvore em Paris para que seu magnetismo estivesse à disposição de
quem precisasse.

Os curandeiros naturais que operam pela imposição das mãos, passam para os pacientes estímulos
energéticos sutis, que tem sido demonstrado; "restauram enzimas danificadas com efeito semelhante à dos
campos magnéticos de alta intensidade. Isto sugere que as energias vitais sutis dos curandeiros parecem
ter principalmente propriedades magnéticas! Esta é uma revelação verdadeiramente fascinante quando se
considera que, na época dos experimentos curativos de Franz Anton Mesmer, realizados no século XVIII,
na França, essa prática era chamada de "cura pelo magnetismo" . Isto fica mais surpreendente porque na
época de Mesmer não existiam aparelhos que pudessem medir magnetismo.

A CURA PELA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS NO REIKI

Mikao Usui, monge cristão, que dirigia uma pequena universidade cristã em Kioto, recebeu um dia uma
pergunta que não soube responder: "como fazer para sanar doenças 'a maneira de Jesus, o Cristo?" Mikao
não se conformou em não saber, e depois de ter aprendido o sânscrito e o chinês, encontrou um antigo
texto escrito em sânscrito por um discípulo de Buda que continha os símbolos e a descrição de como Buda
curava.

Meditando na montanha sagrada Kuriyama, depois de 21 dias de meditação e jejum "Sucedeu, então, que
uma intensa luz branca o golpeou de frente e os símbolos, que até então não sabia aplicar, tornaram-se

20
claros ao seu espírito aparecendo uma outra vez em meio a resplendores dourados. O jejum e a meditação
ampliaram as fronteiras da sua consciência"

A primeira aplicação que Mikao fez do seu poder de cura, foi com ele mesmo, pois, na pressa de voltar ao
mosteiro e comunicar a descoberta aos outros monges, bateu o pé numa pedra e ficou ferido. Aplicando as
duas mãos ao pé ferido, conseguiu estancar o sangue e aliviar a dor.

A partir daí utilizou essa energia de cura para sanar inúmeras pessoas, percebendo que isso não era o
bastante, procurou seguidores aos quais transmitiu o seu saber. Entre esses se destacou Chujiro Hayashi,
continuador da obra espiritual de Mikao.

Os cinco princípios do Reiki são:

SÓ POR HOJE, NÃO TE PREOCUPES


SÓ POR HOJE, NÃO SINTAS RAIVA
SÓ POR HOJE, HONRA TEUS PAIS, MESTRES E ANCIÃOS
SÓ POR HOJE, GANHA A VIDA HONRADAMENTE
SÓ POR HOJE, SENTE GRATIDÃO POR TODO SER VIVO

Mikao faleceu por volta de 1929 e sua obra foi continuada no Havaí por Hawayo Takata, iniciada por Chujiro
Hayashi.

O SISTEMA USUI DE HARMONIZAÇÃO NATURAL

"Quando aproximamos nossas mãos do corpo de outra pessoa, as energias se intercomunicam, passam de
uma para outra, produzindo-se uma união energética, sendo imprevisíveis as conseqüências deste
intercâmbio." Isto pode acontecer entre duas pessoas comuns, não iniciadas no Reiki. Para poder trabalhar
no método Mikao Usui é importante "ter em conta que o sistema Usui não é nossa própria energia
harmonizada.

Como praticantes somos canais de energia Ki, que flui através de nossas mãos para que o receptor aceite
este convite de conectar-se com a harmonia cósmica, à qual pertence."

Reiki é um ideograma japonês que lido isoladamente significa Chuva Milagrosa de Energia Vital ou Chuva
Milagrosa que dá Vida.

"Em alguns casos, este ideograma encontra-se reforçado por pequenas formas que representam grãos de
arroz, como símbolo de vida. É a idéia de algo que vem do cosmos e que, em seu encontro com a terra,
produz o milagre da vida.
Leia detidamente e trate de sentir em você esta idéia: Chuva Maravilhosa que produz o milagre da vida.
Trata-se de sentir, não de pensar.

Sinta em você as seguintes idéias:

Energia Orgônica
Princípio Vital
Princípio de Natureza
Prana
Energia Bioplasmática
Mana
21
Sopro de Vida
Energia Vital Universal
Energia Cósmica
Chuva Milagrosa
Espírito Santo
Grande Espírito Universal

A conjunção REI e KI do ideograma dá toda uma idéia de pertinência e de ida e volta, algo assim como a
comunhão entre uma energia superior com uma mais terrena, porém que se pertencem mutuamente"

A EXPERIÊNCIA DE GRAD

"(...) Grad estava interessado em descobrir se as pessoas que praticam curas psíquicas realmente
produziam sobre os pacientes efeitos energéticos maiores do que aqueles que poderiam ter sido causados
pela crença ou pelo "carisma". Ele queria separar os efeitos fisiológicos das emoções (o assim chamado
efeito placebo) dos verdadeiros efeitos energéticos sutis sobre os sistemas vivos. Para estudar esse
fenômeno ele criou uma série de experimentos nos quais os pacientes humanos foram substituídos por
plantas e animais, a fim de eliminar os conhecidos efeitos da crença.

O trabalho de Grad que mais nos interessa aqui é aquele realizado com sementes de cevada. Para criar
uma "planta doente", Grad pôs sementes de cevada de molho em água salgada, o que, como se sabe,
retarda o crescimento da planta. Em lugar de trabalhar diretamente com as sementes, Grad fez com que
uma pessoa supostamente dotada de poderes de cura fizesse um tratamento de imposição das mãos sobre
um recipiente fechado contendo a água salgada que seria usada para a germinação das sementes. As
sementes de cevada foram colocadas pelos assistentes de laboratório em água salgada retirada de
recipientes tratados ou não tratados, os quais haviam recebido etiquetas que os designavam arbitrariamente
como "Um" e "Dois". Somente Grad sabia identificar corretamente as garrafas de água salgada.

As sementes foram separadas em dois grupos, diferindo apenas quanto à água salgada com que cada
grupo foi inicialmente tratado. Depois do tratamento salino, as sementes foram colocadas numa estufa,
onde o processo de germinação e crescimento foi atentamente acompanhado. A porcentagem de sementes
que germinaram foi calculada e fez-se uma comparação estatística entre os resultados obtidos nos dois
grupos. Grad verificou que as sementes submetidas à água tratada germinavam com maior freqüência do
que aquelas do grupo salino de controle.

Depois da germinação, as sementes foram colocadas em potes e mantidas em condições semelhantes de


crescimento. Ao término de várias semanas, as plantas foram estatisticamente comparadas quanto à altura,
tamanho das folhas, peso e conteúdo de clorofila. Grad

verificou que as plantas regadas com a água tratada eram mais altas e tinham um maior conteúdo de
clorofila. Seu experimento foi repetido diversas vezes no mesmo laboratório com resultados positivos
semelhantes. Depois da publicação do trabalho de Grad outros laboratórios norte-americanos conseguiram
reproduzir seus resultados utilizando diferentes pessoas para o tratamento da água salgada.

(...) o ângulo de ligação atômica da água havia sido ligeiramente alterado. As pequenas alterações na
estrutura molecular da água tratada pelo curandeiro também produziram uma diminuição na intensidade das

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ligações por pontes de hidrogênio entre as moléculas de água. Os testes confirmaram que a água tratada
pelo curandeiro havia apresentado uma significativa diminuição na tensão superficial, resultado das
alterações nas ligações por pontes de hidrogênio entre as moléculas de água energizadas. Curiosamente, a
água tratada com imãs apresentou não só diminuições semelhantes na tensão superficial como também
efeitos positivos na estimulação do crescimento de plantas."

A CURA PELA HOMEOPATIA

"(...) Na homeopatia, quanto mais diluída a dosagem da droga, mais potentes são os seus efeitos. Embora
as soluções usadas para produzir os remédios homeopáticos sejam tão diluídas que provavelmente não
chegam a conter uma única molécula da substância original, ainda assim elas aparentemente têm
poderosos efeitos curativos. Isso parece paradoxal, na medicina tradicional, tendo em vista a necessidade
física de um número adequado de moléculas para se alcançar o desejado efeito terapêutico.(...)"

O processo de elaboração do remédio homeopático se inicia com uma solução saturada da substância
medicamentosa. Um cm³ de solução saturada é diluída com 99 cm³ de hidroálcool, essa solução constitui a
1a centesimal. Dessa 1a centesimal se tira 1 cm³ que se dissolve em 99 de hidroálcool chegando-se a 2a
centesimal. A quantidade de substância medicamentosa na 1a centesimal é 1/100, na 2a, uma parte de
substância medicamentosa para 10.000 de solução ( 1/100 x 1/100 = 1/10.000 ). Prosseguindo esse
processo de diluição, quando se chega na 13a centesimal já não há mais substância medicamentosa na
solução. Parte fundamental do processo de elaboração do remédio é a sucussão, ou seja, batidas fortes
que se dão à solução para "dinamizar" o remédio.

Utilizando-se a experiência de Grad, podemos supor que com a sucussão se obtém um modelo vibracional,
na solução homeopática que aumenta em cada nova sucussão. Chegamos a um resultado surpreendente
pois a cada nível de diluição há uma maior potência do remédio.

O princípio fundamental estabelecido por Hahnnemann é o da semelhança: as substâncias que determinam


sintomas doentios em pessoas sãs, curam esses mesmos sintomas em pessoas doentes, só que ele
descobriu que o poder terapêutico aumentava com diluições repetidas da substância terapêutica. A
explicação de Gerber é plausível para compreender melhor o poder de cura do remédio homeopático,
baseando-se nos experimentos de Grad, ou seja, as alterações das moléculas de água, devidas à presença
do remédio, se transmitem pela sucussão às novas diluições mantendo-se esse padrão vibracional
(terapêutico) mesmo na ausência de moléculas do remédio.

A ENERGIA SUTIL DAS FLORES

No antigo Egito já se conhecia que as flores possuem propriedades curativas e eram usadas em infusões e
chás.

O criador dos florais foi Eduardo Bach, médico inglês que logo depois de sua formatura se deparou com a
medicina homeopática de Hahnemann, que foi por ele assimilada à sua própria prática clínica. Usou a
homeopatia como tratamento preventivo ou curativo dos efeitos de remédios químicos.

Aos 31 anos de idade, por causa de uma hemorragia, foi operado possivelmente de câncer no estômago. O
prognóstico médico foi que ele não teria uma sobrevida maior do que três meses. Lutou com sucesso contra

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esse prognóstico e conseguiu recuperar a saúde. Posteriormente Bach afirmou "quando você tem uma
doença incurável ou uma doença séria, se você tem um propósito de vida e força de vontade, você acaba
vencendo a doença."

Depois da recuperação de sua saúde, Bach passou por uma transformação psíquica e espiritual e
dedicando-se à pesquisar o poder curativo das ervas.

Observando o comportamento de seus pacientes no seu consultório em Londres, percebeu de forma clara
as conseqüências de determinadas características psicológicas no organismo das pessoas. Viu de forma
consistente o aparecimento de úlcera em pessoas ansiosas.

Em 1928, Bach deixou a clínica de Londres e foi morar no país de Gales, no campo. Baseando-se na
concepção chinesa de que o orvalho contém energia, e que no caso das flores acontece uma secreção que
poderia constituir o princípio curativo do orvalho. Bach chegou a estabelecer o processo de elaboração do
remédio floral.

Para Bach o homem é constituído de corpo, alma e espírito. A alma anima o corpo, por isso perturbações
psíquicas podem perturbar o corpo e ocasionar doenças nele.

Bach percebeu 39 "arquétipos de cura" para 39 estados de sofrimento. A determinação do remédio floral
seria dada pela analogia entre características psicológicas do doente e as propriedades curativas da
essência floral.

As essências florais tem qualidades energéticas que são usadas para livrar a pessoa de características
negativas responsáveis pelas doenças: medo, indecisão, falta de interesse no presente, solidão, submissão,
desespero e domínio.

A seguir apresentamos um exemplo da relação analógica entre essência floral e características


psicológicas. Essência 'impatiens' tem analogia com pessoas irritadiças, impacientes, o rapidinho, que vai
se batendo, se machucando, está sempre roxo. Ele não deixa as pessoas fazerem nada, porque elas são
muito devagar. Como a essência 'impatiens' vai ajudar a pessoa impaciente: "é uma essência que trás a
qualidade positiva. Quando você dá 'impatiens' para a pessoa 'impatiens', irritadiço, rapidinho, a grande
maioria, no começo, reclama que tem sono." Com 'impatiens' a pessoa consegue se centrar mais e
desacelerar o seu ritmo de vida.

Para chegar a conhecer a energia sutil da flor, é necessário primeiro detectar intuitivamente a energia sutil
da planta, depois pesquisá-la botanicamente. "Seu crescimento, sua relação com os insetos (atrai ou
repele), sua relação com outras plantas (próxima ou isolada), sua relação com o sol (escondida ou aberta).

(...) Bach começou sozinho, fez seu trabalho sozinho. Mas hoje as pesquisas não acabam. Há mais de 500
florais. Bach achou 38, que considerou sua missão cumprida".

Atualmente os florais têm diversas procedências, há florais de Minas Gerais, Itaúnas no Brasil, florais do
deserto Arizona nos Estados Unidos, do Canadá, da Austrália, da Argentina, do Havaí e do Alasca.

O poder energético das flores segundo o Gurudas citado por Gerber :

"Neste plano evolutivo, as flores foram e são a própria essência e a maior concentração de força vital
contida numa planta. Elas são a experiência que remata o crescimento da planta. As flores são uma
combinação de propriedades etéricas (da planta) e possuem o máximo de força vital, de modo que
freqüentemente são usadas nas porções férteis do vegetal.
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A verdadeira essência, naturalmente, é o padrão eletromagnético da forma da planta. Assim como há em
várias plantas elementos que fazem parte do corpo físico, também existem numerosos parâmetros de
energias biomagnéticas descarregadas pelas flores e por diversas outras partes das plantas. E a
intensidade da força vital aumenta nas proximidades do local de florescimento...

As essências preparadas a partir de flores são meramente uma impressão etérica; nenhuma molécula da
matéria física é transferida. Nesse trabalho, você lida exclusivamente com a vibração etérica da planta, com
a sua inteligência. Ao iluminar a água, o sol mistura a ela a força vital da flor, a qual é transferida às
pessoas quando elas assimilam essas essências vibracionais."

A ENERGIA ORGÔNICA DE REICH

Durante muitos séculos a ciência européia ficou alheia aos conceitos chineses de energia sutil Chi e suas
manifestações Yin e Yang. Foi necessário o trabalho de George Soulié De Morant divulgando a medicina
chinesa na Europa para que os conceitos chineses fossem aos poucos tendo aceitação.

Wilhelm Reich no início do século XX postulou a existência de uma energia cósmica muito semelhante à
energia Chi dos chineses batizando-a de orgônica.

"Reich considerava que o conceito freudiano de "libido" expressava uma energia real que flui no organismo
e é organizada segundo leis que se aplicam à estrutura de caráter do paciente, de acordo com uma
economia tal que o sistema permite liberar ou conter montantes dessa energia. Reich postulou que os
bloqueios de sensação ou sentimento aparecem desde o início da vida para serem evitadas punições ou
atitudes de rejeição por parte dos pais contra a criança, sendo realmente constituídos por enrijecimentos
musculares que regulam o fluxo das sensações e sentimentos.

Observou que existe um relacionamento entre a capacidade para fluir emocional e fisicamente e a descarga
de sentimentos e sensações durante o ato sexual. As pessoas contidas por bloqueios são incapazes de
uma descarga completa, quer dizer, são impossibilitadas de terem um orgasmo completo, mesmo que
eventualmente atinjam uma liberação parcial. Estes conceitos promoveram a formalização da teoria do
orgasmo e sua ligação a enfermidades e à saúde."

No início, Reich acreditava que esta energia, o orgônio, era específica aos organismos vivos, mas
ulteriormente definiu-a como uma energia pré-atômica universal. Trabalhou então com os conceitos de
energia e pôde desenvolver métodos físicos para desfazer os bloqueios e permitir à energia fluir através do
corpo. Queria ser reconhecido como descobridor desta "energia pré-atômica universal" que denominou de
orgônio, termo derivado das palavras organismo e orgasmo. De seu trabalho com a pessoa individual,
ampliou os limites para englobar o meio ambiente e, depois, o cosmos. Elaborou métodos para controle e
modificação do clima, e tentou compreender o funcionamento de corpos celestes em termos do conceito da
energia orgônica.

Energia Orgônica:

"1) Sendo isenta de matéria, a energia orgônica em si não tem inércia nem peso. Observe-se que essa é
uma das principais razões pelas quais é difícil medi-la através de técnicas convencionais.

2) Estando presente em toda parte, preenche todos os espaços, embora em graus ou concentrações
diferentes. Está presente até mesmo nos vácuos.
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Pesquisas subseqüentes permitiram a descoberta daquilo que denominou "bíons" - unidades básicas de
energia vital - e a configuração de um novo campo de estudo; a biofísica e a energia (vital) orgônica.

Reich começou em Nova York a realizar experimentos para testar a eficácia do orgônio em casos de
câncer, valendo-se de vários tipos de acumuladores de energia orgônica. As tentativas de fazer com que
Albert Einstein validasse a existência dessa nova energia, efetuadas em dezembro de 1940, terminaram em
poucos meses num desanimador fracasso. Só que depois Einstein, na ausência de Reich em 1941, fez um
experimento básico para mostrar o efeito do aumento de temperatura na caixa chamada acumulador de
orgônio (encontrou diferença de temperatura de 1- 2 oC) e admitiu ter constatado o efeito, embora tivesse
dito que era possível explicá-lo em termos da transmissão de calor."

A conceituação de orgone isenta de matéria, sem inércia nem peso contradiz o achado da Teoria da
Relatividade de Einstein que afirma a equivalência de massa e energia, assim como também contradiz o
achado de Max Planck que postula que a menor quantidade de energia é uma quantidade de ação, portanto
trabalho, constante h de Planck.

"mais recentemente, no entanto, uma diversidade de pesquisadores científicos, que trabalham


independentemente em campos tão distintos quanto os da biologia, medicina, parapsicologia e biofísica,
conseguiram obter evidências a respeito de energias dotadas de características surpreendentemente
semelhantes, à primeira vista, com as que supostamente configuram o orgônio. Na América, estão entre
esses cientistas o antigo biólogo de Yale, Harold S. Burr, L. Travitz e colaboradores, pertencentes aos
quadros da William and Mary Universities, que, aparentemente, estabeleceram a existência de campos de
força energéticos em torno de plantas, animais e organismos humanos.

A energia orgônica, segundo a concepção que dela fez Reich, está presente na atmosfera, relaciona-se ao
sol, penetra em todos os espaços como o "éter" é absorvida por todos os organismos e é a responsável
pelo movimento - de contração e expansão - de todos os seres vivos. Flui através dos organismos, cria um
campo em torno deles e pode ser transmitida de um organismo para o outro (entre seres humanos pela
imposição das mãos, por exemplo).

Governa o organismo total e se expressa nas emoções assim como em movimentos estritamente biofísicos.
No orgasmo sexual, acontece uma grande descarga de orgônio, cuja função biológica é a de resgatar o
equilíbrio energético do organismo. Se o fluxo de orgônio é antinaturalmente detido no seio de um
organismo (por exemplo, pelo processo de formação da couraça de caráter), aparecerão as enfermidades.
Crê-se que o orgônio tem uma poderosa afinidade com a água. Mantém unidos os elementos úmidos das
nuvens. É o elo básico entre a matéria orgânica e a inorgânica.

Raknes: "uma vida sexual saudável depende de uma completa descarga convulsiva da energia sexual no
encontro sexual com um parceiro amado (...) ao lado de uma momentânea perda da consciência. A
capacidade para essa experiência foi por Reich denominada potência orgástica" (Raknes, p. 23)

"A função da tensão e da carga é característica não só do orgasmo. Aplica-se a todas as funções do
sistema autônomo de vida. O coração, os intestinos, a bexiga urinária, os pulmões, todas as funções são
concordes a esse ritmo (...) Essa fórmula biológica básica abrange a essência do funcionamento vivo. A
fórmula do orgasmo apresenta-se como a fórmula (básica) da vida enquanto tal. (Gallert, pp 61-62)" .

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O Reich fez experiências que o levaram a propor o "bíon", vesículas de energia e, em sua tendência a se
organizarem em células como os protozoários, viu a demonstração da origem da própria vida. Os bíons
SAPA (derivados de areia da praia que formavam bolsas de vesículas com grande poder de refração da luz
e de cor azul) apresentaram poder de matar ou paralisar células cancerosas. Estes bíons SAPA emitiam
radiação orgônica que ocasionava aos pesquisadores que olhavam pelo microscópio irritação nos olhos e
conjuntivite das pálpebras, numa extensão muito maior do que a que acontecia com o uso do microscópio
para a observação de outros objetos, durante um tempo igual. "(...) esse foi o primeiro efeito registrado, um
outro efeito registrado dessa radiação foi quando colocaram as culturas de bíons SAPA numa lâmina de
vidro apoiada na palma da mão, produziam descoloração da pele e, depois de aplicações repetidas, um
problema inflamatório e doloroso era desencadeado na palma da mão.

O ar da sala onde as culturas estavam guardadas tornava-se extremamente "pesado" e as pessoas que ali
permaneciam tinham dor de cabeça, se as janelas ficassem fechadas apenas uma hora que fosse (Gallert,
p 63)"

O CASO EINSTEIN

Em 1941, Reich decidiu contatar Einstein com o propósito de obter dele a comprovação científica da
existência de uma energia nova. Depois do contato inicial que durou cinco horas e de uma longa
correspondência entre os dois, Reich ficou muito frustrado porque Einstein apesar de ter constatado o
aumento de 1oC na temperatura no acumulador de Orgone, não chegou a endossar a teoria de Reich,
dizendo que o aumento da temperatura seria explicado pela convecção de calor.

No acumulador de orgones, só se constatou aumento de temperatura quando se colocou uma placa


metálica como forro interno dele. Mesmo tendo Reich enviado novos dados que comprovariam que o
aumento de temperatura no acumulador não era devido à convecção de calor, Einstein não respondeu mais
às suas cartas, demonstrando assim total indiferença pelo assunto.

Reich define o orgônio como uma energia presente em todas as coisas vivas e até na atmosfera e no solo.
Não posso deixar de colocar após esta afirmação de Reich que qualquer alquimista da antigüidade diria que
Reich estava falando da pedra filosofal só que ele a batizou com outro nome, orgônio, energia esta que
pode ser observada com um aparelho especial, orgonoscópio; eletricamente mensurável e os aumentos de
temperatura que produz no acumulador de orgônio podem ser medidas com termômetros; a radiação visível
dos orgônios é de cor azul-acinzentada e pode ser percebida na atmosfera. Aliás, a previsão de Reich de
que a atmosfera terrestre fica de cor azul pela presença de orgônios foi confirmada anos depois pela
exclamação de Iuri Gagarin: "A Terra é azul!" (claro que ele falou em Russo).

Nas palavras de Reich: "todas as coisas vivas inspiravam e exalavam essa energia na atmosfera; que a
mesma era transportada pelos eritrócitos do pulmão, para todas as partes do corpo humano, e que era
também provavelmente o elemento responsável pela constante produção de calor corporal (Mann)" para
Reich a origem do orgônio é solar e que essa energia estava relacionada a variações no magnetismo da
terra.

Experimentando para perceber se haveria relação entre o crescimento de protozoários e a energia orgônica
colocou protozoários dentro e acima do acumulador de orgônios. Constatou que "dentro do acumulador

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desenvolviam-se (cresciam) num ritmo mais lento que os do grupo-controle, mas que, quando colocados
acima do acumulador, seu desenvolvimento era acelerado além do normal.

Valendo-se dessas pesquisas como pontos de partida, passou a estudar ratos com tumores malignos
espontâneos. Começou com duzentos ratos cancerosos que passavam meia hora por dia num acumulador.
Em comparação com o grupo-controle "não-tratado", os ratos que passaram pela irradiação tiveram um
tempo de vida muito maior (em média 9,3 meses) que os dos ratos-controle.(Mann)" O resultado dos
experimentos com ratos foram comunicados a Einstein, porém ele não deu resposta.

"Vários experimentadores, no dizer de Reich, indicam que o orgônio pode aparecer como vapores cinza-
azulados, ou pontos azul-violáceos que flutuam lentamente e formam alças a intervalos regulares e (...)
raios rápidos de amarelo puro"

Para Reich os gregos antigos quando friccionavam couro e vidro descobriram o orgônio e essa energia
descoberta na antigüidade difere fundamentalmente da eletricidade de Faraday, Volta, Coulomb, Ampère e
outros. Conclui que o conceito de eletricidade por fricção (estática) deveria ser modificado para o de
excitação orgonótica.

Com base em experimentos, Reich argumenta que a eletricidade estática e o orgônio não são bipolares,
cada uma dessas energias apresenta duas funções: atração e repulsa.

Considero muito importante abrir um espaço para um relato de Ola Raknes que teve a possibilidade de
testemunhar em diversas ocasiões o trabalho de Reich.

"Reich retomou o conceito de Freud sobre os distúrbios ocasionados pela energia obstruída no organismo.
Primeiramente, sem uma idéia clara sobre a natureza dessa energia, procurava descobrir como ela
funcionava nos organismos que reconhecia como sadios e nos organismos que reconhecia como não-
sadios, tanto de mulheres como de homens. Descobriu, assim, que a diferença fundamental entre gente
mentalmente sadia - vale dizer, entre o caráter neurótico e o caráter genital, como definiu posteriormente -
deveria ser procurada na sua capacidade, ou incapacidade, de conseguir a descarga orgástica durante a
relação amorosa.

Esse fato o induziu a indagar, da maneira mais exata possível, sobre o que acontecia durante a relação
sexual orgástica, e assim descobriu a fórmula do orgasmo: tensão > carga > descarga > relaxamento. Um
estudo sucessivo demonstrou que essa fórmula não era outra coisa senão um caso particular dos
movimentos pulsantes que caracterizam todos os organismos vivos e os diferenciam da matéria inanimada.
Experimentações e observações sobre os movimentos pulsantes lhe fizeram descobrir a biogênese, isto é,
a transição nos biônios da matéria inanimada para a matéria viva."

"Reich foi atraído pelo fato de que os movimentos orgásticos do corpo humano tinham uma imensa
semelhança ou podiam até mesmo ser idênticos àqueles dos protozoários observados no microscópio. Isso
o levou a se perguntar se a função do orgasmo era comum a toda a matéria viva, e se a sua fórmula podia
ser a fórmula geral do funcionamento da vida. Como sempre em suas pesquisas, Reich fez observações e
experimentos para confirmar ou rejeitar essa idéia. Se a fórmula do orgasmo era a fórmula da vida, essa
fórmula podia também desvendar o problema da biogênese, que havia ocupado a mente de Reich desde os
primeiros tempos de seus estudos.

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Ele havia lido e ouvido da parte de biólogos e filósofos que a biogênese deveria ser algum tipo de transição
da matéria inanimada àquela viva, não obstante fossem incapazes de demonstrá-lo. A maior parte dos
biólogos, de qualquer modo, acreditava que Pasteur havia demonstrado definitivamente que a vida podia ter
surgido apenas de algum outro organismo vivo, nunca da matéria inanimada.

Reich, então, empreendeu duas séries de experimentos, ambos com o objetivo de modificar a matéria não
viva em uma matéria tal que, com um processo espontâneo, se produzisse uma quádrupla fase rítmica:
tensão > carga > descarga > relaxamento, como no organismo."

"Durante as pesquisas sobre energia orgônica, Reich havia verificado diferentes fenômenos que podiam
indicar uma espécie de antagonismo entre a energia orgônica e a radioatividade. Pensou, então, que seria
possível usar o orgônio como defesa contra a radioatividade. No outono de 1950 preparou um grande
experimento para uma averiguação mais acurada sobre o antagonismo que havia observado. Obteve
alguns isótopos radioativos e os colocou dentro do acumulador de orgônio. Esperava-se que o orgônio
enfraquecesse ou reduzisse a radioatividade, mas produziu-se alguma coisa completamente diferente: a
radioatividade "escorvou", "excitou" ou "estimulou" o orgônio para uma atividade tão intensa, que todos
aqueles que tomaram parte no experimento adoeceram, não obstante houvessem observado atentamente
as medidas de precaução prescritas pela Comissão para a Energia Atômica.

O edifício onde foi realizado o experimento e toda a propriedade que o cercava ficaram, por diversos anos,
tão sobrecarregados de energia orgônica radioativa que se tornou impossível viver ali: Diversos
colaboradores de Reich, amedrontados, abandonaram qualquer pesquisa posterior. Apesar de tudo isso, o
experimento - que Reich chamou o Experimento Oranur - deu resultados válidos e importantes, já que
esclareceu muitos aspectos da atividade orgônica que anteriormente não haviam sido notados ou
compreendidos. Muitas das sucessivas pesquisas efetuadas por Reich fundaram-se sobre os resultados do
Experimento Oranur.

Antes do experimento Oranur, Reich já havia formulado a hipótese de que o fenômeno da formação dos
furacões e dos tornados e o fenômeno da formação das galáxias, mesmo que diferentes, poderiam ambos
dever-se ao encontro e à confluência de duas correntes orgônicas, as quais teriam então se sobreposto
uma à outra e assim teriam criado alguma coisa nova. Não só esses dois fenômenos, mas toda uma série
de outro fenômenos, grandes e pequenos, podiam dever-se a acontecimentos semelhantes.

No verão de 1950 aconteceu de eu estar presente quando Reich, pela primeira vez, formulou a hipótese de
uma sobreposição cósmica em uma conferência de um congresso de orgonomistas. Nunca na minha vida
havia visto um auditório - e este era composto por médicos, psicólogos, biólogos e físicos - tão excitado por
uma conferência. Esta foi rica em novas idéias, em novos pontos de vista e perspectivas tão amplas como
nenhuma outra conferência a que eu tivesse assistido.

Anteriormente ao Experimento Oranur, Reich havia observado que a energia orgônica podia variar de forma
e função segundo as circunstâncias. O invólucro orgônico da terra, o orgônio atmosférico - o qual podia ser
visto e do qual se podia mostrar o contínuo movimento em uma velocidade consideravelmente mais elevada
que aquela da rotação terrestre, mesmo que inconstante, de oeste para leste -, foi comparado por Reich a
um oceano de correntes energéticas.

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Nesse oceano de energia os sistemas orgônicos pré-formados, tais como os organismos vivos, as outras
formas de energia, como a eletricidade ou a radioatividade, podiam provocar concentrações, que Reich
comparou às ondas quando sobem sobre suas cristas e depois recaem no oceano. Já mencionamos o
potencial orgônico, e especificamente a lei pela qual um sistema orgônico altamente carregado absorve
energia de um sistema de carga mais baixa. Reich descobriu que quando a carga orgônica atingiu um certo
nível, o sistema orgônico descarregará a própria energia até que atinja o nível energético que o circunda -
vale dizer que os sistemas orgônicos estão sujeitos também ao potencial mecânico, no qual a carga
procede de alto para baixo. Em outras palavras, cada sistema orgônico está sujeito a um metabolismo
energético, carga > descarga > carga > descarga, e assim por diante.

Esse metabolismo é comum a todos os sistemas orgônicos vivos e não-vivos; a diferença consiste no fato
de que no sistema vivo a carga-descarga está coligada à tensão-relaxamento, de forma que obtemos a
fórmula da vida: tensão >

carga > descarga > relaxamento, descoberta pela primeira vez durante o orgasmo humano.

Já relatei, como, depois do experimento Oranur, a atmosfera dentro e em volta do Orgonon ficou tão
carregada de energia radioativa que por muito tempo as pessoas não podiam viver ali. A radiação nuclear
pareceu não só ter aumentado a carga orgônica, como, de qualquer modo, parece ter transformado a
energia orgônica. Em uma concentração normal, a energia orgônica será sentida como estimulante e
reavivante, e o mesmo é verdade para concentrações de alguma forma mais elevadas, como nos
acumuladores orgônicos e aparelhamentos do tipo, quando, por exemplo, o organismo se expõe a ela,
mesmo que apenas por um breve tempo.

Mas a atmosfera em Orgonon e à sua volta era opressiva e quase sufocante, e a sua cor azul, que
normalmente se pode observar olhando para o céu ou em direção às montanhas distantes, transformava-se
em um negro tenebroso, mal e mal transparentes. Reich chamou a essa variante do orgônio de DOR (isto é,
deadly orgone; vale dizer, "orgônio letal") e procurou descobrir-lhe as propriedades, como se manifestava,
qual papel desempenhava e como poderia ser contra-atacada e removida. Pensando que o DOR, assim
como o orgônio, podia estar sujeito ao potencial orgônico (carga baixa > carga alta), e tendo observado que
os tubos metálicos agiam como potentes concentradores orgônicos, ele tentou remover as "nuvens" de
DOR em torno do Orgonon por meio de tais tubos.

Construiu, então, um equipamento que consistia de um certo número de tubos metálicos que, com um
sistema telescópico, podiam ser alongados ou encurtados. Esses tubos foram fixados a um suporte de
modo que pudessem ser girados para qualquer direção, tanto horizontal quanto verticalmente. As partes
terminais superiores tinham coberturas e assim podiam ser fechadas ou abertas quando se desejava. As
partes terminais inferiores eram coligadas a longas tubulações flexíveis que penetravam na água ou na terra
úmida, para que a água ou a umidade - que atraem a energia orgônica - pudessem absorver o orgônio
através da tubulação. Reich chamou a esse equipamento de cloudbuster (sugador de nuvens). Através dele
conseguiu até certo ponto aliviar a opressão de DOR em Orgonon."

Sobre Reich e seu trabalho pioneiro poderia continuar durante muito tempo a trazer comentários, críticas e
até comprovações de sua teoria do orgônio. Só que como este ensaio é sobre energia preciso limitar-me a
apresentar os conceitos mais importantes sem querer entrar em uma apresentação exaustiva das diversas
teorias.
30
BIOENERGIA

Outro pesquisador da energia, Alexander Lowen, continuou o trabalho de Reich seguindo um caminho
pessoal embora o nome que deu à sua linha teórica retome o bíon reichiano, a energia de vida.

Alexander Lowen foi o criador da bioenergética, a qual constituiu uma nova maneira de encarar a relação
entre mente e corpo.

"A bioenergética é também uma técnica terapêutica que ajuda o indivíduo a reencontrar-se com o seu
corpo, e a tirar o mais alto grau de proveito possível da vida que há nele. Ela é uma aventura de
autodescoberta. Difere de formas similares de exploração da natureza do ser por tentar e perseguir o
objetivo de compreender a personalidade humana em termos de corpo humano. Segundo Lowen, os
processos energéticos do corpo determinam o que acontece na mente, da mesma forma que determinam o
que acontece no corpo"

A busca pessoal que levou Lowen até a bioenergética seguramente não teria tido final feliz se ele não
tivesse tido a formação terapêutica com Wilhelm Reich. Foi com Reich que ele assimilou a teoria da análise
do caráter e aprendeu a técnica terapêutica de Reich durante seu processo de terapia com ele.

Desde a mocidade Lowen teve uma inclinação muito grande para exercícios físicos que lhe ocasionavam
um extraordinário bem estar. Essa motivação para o trabalho corporal chegou a sistematizar-se quando foi
discípulo de Reich "Durante os anos trinta fui diretor de esportes em diversos acampamentos de verão e
descobri que um programa regular de atividades físicas não só melhorou minha saúde, como também teve
resultados positivos em meu estado mental". Teve contato com a Eurritmia de Emile Jacques-Dalcroze e
com o relaxamento progressivo de Jacobson e Ioga Hindu.

Discípulo de Reich desde que o conheceu em Nova York em 1940 até 1952. Neste período de tempo
realizou sua análise com Reich durante três anos.

Para Reich a energia sexual era a energia. Já Lowen não dá toda ênfase para a energia sexual, afirmando
que "Um indivíduo neurótico mantém um equilíbrio ao reter sua energia em tensões musculares e ao limitar
sua excitação sexual. Um indivíduo saudável não possui limites, e sua energia não fica confinada na
couraça muscular. Toda sua energia está conseqüentemente disponível para o prazer sexual ou para
qualquer outro tipo de expressão criativa".

Durante o curso que Lowen fez com Reich sentiu um grande ceticismo em relação aos seus pressupostos
por causa da "aparente supervalorização do papel do sexo nos problemas emocionais", no entanto no
decorrer da segunda metade do curso, depois de ter começado a ler os ensaios de Freud sobre a
sexualidade infantil, conseguiu perceber a validade das afirmações de Reich, ao entender o que Freud
colocava, em estreita relação com a sua própria sexualidade infantil.

Em 1942 Lowen começou a fazer terapia com Reich e em paralelo participava das atividades científicas no
laboratório:

"Iniciei minha terapia pessoal com Reich na primavera de 1942. Durante o ano anterior, fui freqüentador
assíduo do laboratório de Reich. Ele mostrou-me alguns dos trabalhos que estava desenvolvendo com
biopreparados e tecidos cancerosos. Um dia, então, ele me disse: "Lowen, se você está interessado neste
trabalho, só existe uma forma de se introduzir nele, que é através da terapia". Essa afirmação me
31
surpreendeu, pois eu não esperava por isso. E lhe disse: "Eu estou interessado, mas quero me tornar
famoso". Reich levou a sério essa minha ressalva, tendo respondido: "Eu o farei famoso". Por todos esses
anos, tive a afirmação de Reich como uma profecia. Era o impulso de que eu precisava para superar minha
resistência e iniciar o trabalho para o qual consagrei toda a minha vida.

Minha primeira sessão de terapia com Reich foi uma experiência da qual jamais me esquecerei. Cheguei
com a ingênua suposição de que não havia nada de errado comigo. Deveria apenas ser uma análise
didática. Deitei-me na cama e estava usando um calção de banho. Reich não utilizou o divã, pois essa era
uma terapia orientada para o corpo. Eu deveria dobrar os joelhos, relaxar, respirar com a boca aberta e o
maxilar relaxado. Segui tais instruções e aguardei para ver o que acontecia. Depois de algum tempo, Reich
disse: "Lowen, você não está respirando". Respondi: "É claro que estou, do contrário estaria morto". Ele
então respondeu: "Seu tórax não se move. Sinta o meu". Coloquei minha mão sobre o seu tórax e senti que
subia e descia com cada respiração. Eu certamente não estava respirando do mesmo modo.

Deitei novamente e voltei a respirar, desta vez cuidando que meu tórax se enchesse com a inspiração e se
esvaziasse com a expiração. Nada aconteceu. Minha respiração continuou fácil e forte. Depois de alguns
instantes, Reich disse: "Lowen, jogue sua cabeça para trás e abra bem os olhos". Fiz o que me foi pedido
e... um grito irrompeu da minha garganta.

Era um dia bonito de início da primavera e as janelas do quarto se abriam em direção à rua. Para evitar
qualquer embaraço com os vizinhos, o Dr. Reich me pediu que levantasse a cabeça, o que deteve o grito.
Voltei a respirar profundamente. Pode parecer estranho, mas o grito não me incomodou. Eu não estava
ligado a ele emocionalmente. Não senti medo. Depois que respirei por mais algum tempo, o Dr. Reich me
pediu que repetisse o procedimento: jogar a cabeça para trás e abrir bem os olhos. Mais uma vez me veio
um grito. Hesito em dizer que gritei, pois não me pareceu tê-lo feito. Simplesmente me aconteceu.
Novamente não havia sentido contato com o som. Deixei a sessão com a impressão de que eu não estava
tão bem quanto imaginara. Existiam coisas (imagens, emoções) na minha personalidade que não eram
conscientes e então compreendi que elas haveriam de vir à tona"

Em seu livro "A função do orgasmo", Reich relata um atendimento que foi fundamental para a confirmação
de seus pressupostos:

"Em Copenhague, no ano de 1933, tratei de um homem que opunha uma resistência especial ao
desmascaramento de suas fantasias homossexuais passivas. Essa resistência se manifestava numa atitude
extrema de tensão do pescoço ('pescoço-duro'). Após um ataque energético contra sua resistência,
finalmente ele cedeu, mas de forma bastante alarmante. A cor de seu rosto mudava rapidamente do branco
para o amarelo ou para o azul; sua pele estava manchada de várias cores; tinha fortes dores no pescoço e
no occipital; teve diarréia, sentiu-se abatido e parecia ter perdido o equilíbrio"

Lowen mais tarde, refletindo sobre esse caso atendido por Reich, percebeu que: "O 'ataque energético' foi
apenas verbal, mas foi direto à atitude de 'pescoço-duro' do paciente. Os sentimentos manifestaram-se
somaticamente após o paciente ter abandonado uma atitude de defesa psíquica. Nesse ponto, Reich
chegou a conclusão de que a "energia poderia ser contida por tensões musculares crônicas"

O estudo da atitude dos corpos de seus pacientes levou Reich a dizer que "não existe um indivíduo
neurótico que não apresente tensão abdominal".

32
A seguir "Notou uma tendência comum a todos os seus pacientes de reter a respiração e inibir a exalação,
correspondendo a um controle de seus sentimentos e sensações. Concluiu que o fato de reter a respiração
serviu para diminuir a energia do organismo ao reduzir suas atividades metabólicas, o que, por sua vez,
reduzia a formação da ansiedade. (...) Para Reich, então, o primeiro passo no procedimento terapêutico era
conseguir com que o paciente respirasse mais fácil e profundamente. O segundo seria mobilizar qualquer
expressão emocional que fosse mais evidente na face ou no comportamento do paciente."

Nas sessões subseqüentes, Reich continuou a sugerir a Lowen que se deitasse e respirasse o mais
livremente possível, tentando permitir que ocorresse uma profunda expiração, e que se entregasse a seu
corpo, não controlando qualquer expressão ou impulso que surgisse.

"Aconteceu uma série de coisas que gradualmente me puseram em contato com antigas recordações e
experiências. De início, a respiração mais profunda a qual eu não estava acostumado, produziu em minhas
mãos sensações fortes de formigamento que, em duas ocasiões, se transformaram num espasmo
carpopedal, com uma forte câimbra nas mãos. Essa reação desapareceu na medida em que meu corpo se
acostumou com o aumento de energia provocado pela respiração profunda. Houve um ligeiro tremor em
meus lábios e em minhas pernas quando movi ligeiramente meus joelhos juntos ou isoladamente, ao ter
seguido um impulso de esticar minha boca".

Durante uma sessão Lowen sentiu impulso de socar a cama em que estava deitado, vendo no lençol o rosto
de seu pai que tinha lhe dado uma forte surra quando era garotinho. Percebeu então que estava
esmurrando o pai e não a cama. Lowen relata várias experiências de infância, sendo a de emoção mais
intensa o carão que levou da mãe por estar chorando demais quando tinha nove meses. Percebeu que o
rosto que tinha visto quando gritou no início da terapia, era o rosto de sua mãe.

Depois desse fato a terapia entrou numa fase de pouco progresso, até que Reich falou para ele: "Lowen,
você é incapaz de se dar a seus sentimentos. Por que você não desiste?".

Esse questionamento de Reich foi um choque terrível para Lowen que viu ruir por terra todo o seu projeto
com Reich. As palavras de Reich fizeram Lowen cair e chorar com soluços como não tinha feito a muitos
anos. Depois que se entregou a seus próprios sentimentos, foi possível continuar a terapia.

"Para Reich, o objetivo do tratamento era o desenvolvimento no paciente de sua capacidade de se entregar
totalmente aos movimentos espontâneos e involuntários do corpo, os quais fazem parte do processo
respiratório. Conseqüentemente, a ênfase recaía em deixar que a respiração se processasse o mais plena e
profundamente possível. Se isso fosse feito, as ondas respiratórias produziriam um movimento de
ondulação do corpo chamado, por Reich, de reflexo do orgasmo" .

Reich considera que as pessoas neuróticas não tem capacidade de ter orgasmo, sendo esse clímax
condição para uma saúde emocional normal. "O orgasmo pleno, segundo Reich, descarrega todo o excesso
de energia do organismo, não restando, portanto, nenhuma energia para suportar ou manter um sintoma ou
comportamento neurótico". O orgasmo para Reich "representava uma reação involuntária do corpo como
um todo, manifestada em movimentos rítmicos e convulsivos".

A respiração profunda durante as sessões podem determinar em certos indivíduos o que Reich chamou de
reflexo do orgasmo. "Nesse caso, não existe clímax ou descarga de excitação sexual desde que não houve
o acúmulo desse tipo de excitação, o que acontece é que a pelve se move espontaneamente para frente a

33
cada expiração e para trás a cada inspiração. Esses movimentos são produzidos pela onda respiratória
conforme for circulando para cima e para baixo, movida pela inspiração e pela expiração. Ao mesmo tempo,
a cabeça executa movimentos similares aos da pelve com a diferença de que se move para trás na fase
expiratória e para frente na fase de inspiração. Teoricamente, o paciente cujo corpo está suficientemente
livre para ter esse tipo de reflexo durante a sessão de terapia também estaria capacitado a experimentar o
orgasmo total no ato sexual. Tal paciente deve ser considerado emocionalmente saudável".

Depois de um ano de férias da terapia, Lowen a retomou em 1945. Nessa fase Lowen atendeu seu primeiro
cliente em terapia reichiana. Apesar de Reich ter considerado a terapia de Lowen bem sucedida, anos mais
tarde ele percebeu que permaneceram sem solução muitos dos principais problemas de sua personalidade.
Os problemas não resolvidos com Reich, afirma Lowen tê-los superado anos mais tarde com a
bioenergética.

"Em Setembro de 1947, deixei Nova York e fui com minha esposa para a universidade de Genebra, a fim de
fazer o curso de medicina, de onde saí formado em junho de 1951, com o título de Dr. em Medicina (M.D.)"

A terapia reichiana foi modificada no sentido de que o terapeuta tivesse contato corporal com o paciente
para que esse contato permitisse o relaxamento dos músculos trabalhados. Lowen relata que no caso dele,
Reich trabalhou os músculos do maxilar.

Preciso acrescentar que "os terapeutas da bioenergética são treinados para utilizar suas mãos no intuito de
palpar e de sentir espasmos ou bloqueios musculares; para aplicar a pressão necessária ao relaxamento ou
à redução da tensão muscular, atentando para a tolerância do paciente à dor; para estabelecer contato
através de um toque suave e tranqüilizador, que forneça apoio e calor. Hoje em dia é difícil compreender a
amplitude do passo dado por Reich em 1943."

Depois de anos relutando Lowen chegou à conclusão "de que não existe apenas uma saída que desvenda
todos os mistérios da condição humana". Chegou a perceber que se pensasse mais em termos de
polaridades e de seus inevitáveis conflitos e soluções temporárias poderia compreender melhor seu cliente.
"Uma visão da personalidade que vê o sexo como única chave para a personalidade é por demais restrita,
mas ignorar o papel do sexo na determinação da personalidade do indivíduo é desprezar uma das mais
importantes forças da natureza".

Para Lowen a felicidade é a consciência do crescimento. A terapia pode ajudar a crescer mediante "novas
experiências e ajudando a remover ou reduzir os bloqueios e obstáculos à assimilação das experiências".

O GROUNDING - "Este conceito desenvolveu-se vagarosamente através dos anos, na medida em que se
tornou evidente que todos os pacientes sentiam a falta de ter seus pés firmemente plantados no chão". Isso
acontecia por estar fora de contato com a realidade. "Grounding, ou seja, fazer com que o paciente tenha
contato com a realidade, com o solo onde pisa, com seu corpo e sua sexualidade, tornou-se uma das
pedras fundamentais da bioenergética".

Lowen fez "um estudo intensivo sobre tipos de caráter, relacionando as dinâmicas físicas e psicológicas dos
padrões do comportamento". Isso tudo serviu de base para o trabalho sobre o caráter feito na bioenergética.

A bioenergética tem como objetivo ajudar o indivíduo a abrir o seu coração para a vida e para o amor.

A ENERGIA SUTIL NA CALATONIA DE PETHÖ SANDOR


34
A calatonia é constituída basicamente por um conjunto de estímulos táteis, o terapeuta vai estimular com
seus dedos os dedos dos pés, a sola dos pés e pontos nas pernas do paciente, finalizando na nuca.

Os toques do terapeuta constituem estímulos de energia sutil que passa para esses pontos do paciente.
Esses pontos tocados tem uma ressonância energética sutil com áreas do sistema nervoso central e com
glândulas de secreção interna. Se compreendermos desta maneira a calatonia, ela se alinha dentro da
técnica Shiatsu dos orientais.

A calatonia ficou durante muitos anos sem ter sua descrição completa publicada, porque seu criador, Pethö
Sandor, considerava que o aprendizado deveria começar pela vivência do método.

"No original grego o verbo Khalaó indica 'relaxação', e também 'alimentação', 'afastar-se do estado de ira,
fúria, violência', 'abrir uma porta', 'desatar as amarras de um odre', 'deixar ir', 'perdoar aos pais', 'retirar todos
os véus', etc.

(...) Assim, ainda conforme o próprio autor, a expressão calatonia indica uma condição de descontração,
soltura, porém não apenas do ponto de vista do tônus muscular: em seu sentido mais amplo, refere-se
também àquelas possibilidades de reorganização de tensões internas, cuja origem, o termo nos sugere
analogicamente. "

Atualmente, segundo a professora Rosa Maria Farah, a calatonia é uma forma de intervenção terapêutica
cuja extensão vai muito além das duas seqüências iniciais já citadas.

A ação do terapeuta na calatonia é de diluir as tensões acumuladas nos grupos musculares que manipula.

"Como sabemos, do ponto de vista fisiológico, o estímulo tátil é potencialmente capaz de eliciar uma variada
gama de respostas. (...) O ato de lamber o filhote recém-nascido, presente nos mamíferos, demonstrou-se
como fundamental para a sobrevivência do mesmo: muito mais do que 'lavar' o filhote, a fêmea fornece,
assim, uma estimulação essencial para o desenvolvimento normal de sua prole. Observou-se, em cães e
gatos privados das lambidas da fêmea, falhas severas do funcionamento do sistema geniturinário. A
reversão deste processo foi obtida com carícias propiciadas aos animais pelas pessoas que os cuidavam".

No ser humano, o contato do bebê com sua mãe é fundamental para o desenvolvimento saudável, tanto
físico como psicológico, a privação materna nos primeiros seis meses de vida do bebê pode levar à
chamada depressão anacrítica descrita por Spitz.

O efeito terapêutico da calatonia tem pelo menos duas causas:

1- o toque sutil estimula ramificações nervosas a nível da pele, que levam esses estímulos à zonas
neuronais nas quais se produzem endorfinas, substâncias que produzem um efeito psicológico de otimismo
e jovialidade.

2- Todo ser humano tem um corpo etérico, uma envoltura eletromagnética que se concentra de forma mais
intensa nos meridianos e pontos de acupuntura.

A energia que corre pelos meridianos e pontos de acupuntura, é a energia chi (energia universal) que
assimilada é integrada ao corpo físico à nível da pele.

Pelo caráter eletromagnético do corpo etérico, quando duas pessoas tem contato sutil há uma interação
entre as energias eletromagnéticas dos corpos etéricos, essa interação fluirá do corpo etérico com mais

35
energia para aquele que tem menor, quando os toques se fazem em pontos da pele que tem ressonância
com áreas cerebrais, essas áreas serão estimuladas pelo toque sutil.
A CALATONIA COMO RECURSO TERAPÊUTICO

Além dos efeitos bioenergéticos, ocasionados pela interação entre dois corpos etéricos e a ressonância do
sistema nervoso central e nas glândulas de secreção interna do paciente, a calatonia também tem o efeito
de mobilizar conteúdos psíquicos em nível consciente e inconsciente. É bastante freqüente que os
pacientes tenham vivências relacionadas com situações traumáticas de suas vidas, e em alguns casos
aparecem imagens coloridas que plasmadas com papel e guache, mostram uma criatividade artística não
manifesta até então. Tanto as vivências traumáticas quanto as vivências artísticas, constituem ponto de
partida para um enriquecimento do processo terapêutico.

Para o leitor que quiser aprofundar seu conhecimento sobre a calatonia, recomendamos o livro da
psicoterapeuta e professora Rosa Maria Farah que consta na bibliografia.

A ENERGIA NA TEORIA DA RELATIVIDADE

Como podemos perceber, os campos de energia são múltiplos e nos afetam de forma variada. Será que nós
poderemos chegar a um conceito geral de energia que possa integrar suas múltiplas variações?

Para tentar responder a esta pergunta examinaremos a equação de Einstein E = m c² (energia igual ao
produto da massa pela velocidade ao quadrado da luz). Nesta equação podemos perceber que a diferença
entre energia e massa é apenas uma diferença de velocidade, vibração ou freqüência. Se a energia perde
muitíssima velocidade ela se transforma em massa, e se uma massa é altamente acelerada ela se
transforma em energia. Entendemos como conseqüência desta equação que existe uma equivalência entre
massa e energia.

Desde um ponto de vista filosófico esta equação acaba com o conceito de substância, "aquilo que existe em
si e por si sub especie eternitatis"; a massa não pode ser considerada como sempre igual a si mesma
porque a interação com as energias que a circundam vai transformá-la; uma imagem banal, uma lata vazia
de refrigerante parece sólida mas é só deixá-la ao relento para verificar como em poucos dias ela se
enferruja iniciando um processo de transformação. O problema de nosso pensamento é que nós fabricamos
conceitos lógicos, racionais que tem a pretensão de se manterem iguais "sub especie eternitatis", o conceito
da lata de refrigerante seria de uma lata que nunca se enferruja e portanto é imutável, bem diferente da lata
real! Mas assim como em nosso mundo próximo e num universo distante tudo se transforma, tudo é
processo assim também esses conceitos racionais estão sujeitos a grandes modificações.

No século XIX os conceitos de espaço e tempo de acordo com Newton eram absolutos, relacionando estes
conceitos absolutos com qualidades divinas; já no século XX Albert Einstein demonstra que o espaço
depende das massas, que o peso é uma relação entre massas e que o tempo é modificado pela velocidade,
chegamos assim a uma formulação relativista mas que na verdade deveria ser chamada relacionista. O
termo relatividade deve ter surgido como oposição aos conceitos absolutos da física do século XIX, no
entanto o que nós entendemos dessa nova maneira de abordar a física é que não há "fenômenos em si" os
fatos que acontecem no universo, estão sempre relacionados uns com os outros..

36
A equação de Einstein nos induz a separar energia de massa e movimento, seguramente por imposição de
nossa mentalidade racional; mas pode-se ler essa equação como uma permanente transformação de
massa e energia devidas ao movimento em que sempre haveria uma massa por menor que fosse e que a
massa por mais "sólida" que fosse não deixaria de transformar-se em energia. A físico química nos mostra
como o gradual aumento de massa dos elementos químicos conhecidos leva ao ponto em que
"naturalmente" eles começam a emitir energia radiante e a diminuir de massa em processos extremamente
lentos.

ENERGIA QUÂNTICA

A equação de Max Planck dá um grande apoio ao que falamos anteriormente quando entendemos a
equação de Einstein como um processo de transformação.

O fundamento da teoria dos quanta (quantidades de ação) é a equação E = h.f onde E é energia, h a
constante de Planck quantum de energia) e f a freqüência.

A constante h é a menor quantidade de energia que segundo Planck pode existir; ou seja, essa constante
só tem múltiplos, ela não é divisível. Filosoficamente falando seria o verdadeiro átomo, e as suas unidades
são: grama, centímetro e segundo, que na equação aparece como gr.cm/s, nessas unidades temos grama
que é massa, cm/s que é unidade de velocidade, portanto h é ação, quantum de ação, em termos de física,
trabalho. Sendo quantidade de ação nós temos uma energia produzindo efeitos ou uma unidade que é
energia, massa e movimento. A pergunta filosófica agora é: é possível entender em separado energia,
massa e movimento? Se a física de Planck encontra como a menor quantidade de energia uma constante
de massa e movimento nós lemos isso como um processo em que não dá para separar energia de massa e
de movimento.

Por incrível que possa parecer, esta formulação de Planck em que a constante h é quantidade de ação, já
tinha aparecido na escrita ideográfica chinesa na qual o ideograma de energia era uma chaleira com a
tampa da chaleira deslocada pelo vapor. Temos aí uma massa, o tampo da chaleira, e o movimento dessa
tampa que formam exatamente uma imagem gráfica do quantum de ação de Planck. Não colocaram os
chineses a imagem do fogo embaixo da chaleira porque essa energia não existe sozinha, o que existe é a
manifestação do movimento da tampa da chaleira que é gr.cm/s.

Chegamos então a uma conclusão um tanto desapontadora, eu não posso, eu não sei conceituar energia,
eu só posso conceituar modalidades de energia. Retomando Planck, nosso entendimento só chega até o
quantum de ação, nós só podemos constatar o movimento da chaleira sem saber se há fogo, ou que fogo é
esse que está embaixo da chaleira.

BIBLIOGRAFIA

I - ROJAS BOCCALANDRO, Efraim. Capítulos 1 e 2. "Holística na Psicologia e na Medicina". São Paulo:


Vetor, 2001.

II - GALVES, José Francisco. Capítulo 3. "Holística na Psicologia e na Medicina". São Paulo: Vetor, 2001.

37
III - Bíblia - Edições Loyola: São Paulo, 1995
IV - GERBER, Richard. "Medicina Vibracional, uma medicina para o futuro". Tradução do original inglês por
Paulo César de Oliveira. Editora Cultrix: São Paulo: 1993.

V - KING, Roberto e ABARCA, Oriel. "Reiki para todos, Energia Vital em ação". Tradução do original em
espanhol de Luiz Carlos A. Ferreira e Vera Lúcia A. Ferreira. Record (Nova Era): Rio de Janeiro, 1996.

VI - KUCHEL, Kátia Dubiex. . " Holística na Psicologia e na Medicina". Capítulo 6. São Paulo: Vetor, 2001

VII - MANN, W. Edward. "Orgônio, Reich & Eros, a teoria da energia vital de Wilhelm Reich". São Paulo:
Summus editorial, 1989.

VIII - RAKNES, Ola. "Wilhelm Reich e a orgonomia". São Paulo: Summus, 1988.

IX -LOWEN, Alexander. "Bioenergética".

X - FARAH, Rosa Maria. "Integração Psicofísica, o trabalho corporal e a Psicologia de C. G. Jung".


Companhia Ilimitada & Robe editorial: São Paulo, 1995.

XI-. EINSTEIN, Albert. "A Teoria da Relatividade Especial e Geral". Tradução do original alemão por Carlos
Almeida Pereira. 3a reimpressão. Rio de Janeiro: Contraponto, 1999.
XII - RESNICK, Robert. "Conceptos de Relatividad y Teoría Cuántica". México: Editorial Limusa, 1976.

Notas:

(1) Psicólogo. Especialista e Doutor em psicologia clínica, PUC - São Paulo.

(2) Psicóloga, Psicoterapeuta Corporal (International Institute for Bioenergetic Analysis - New York - e
International Institute for Biosynthesis - Zurich). Psicoterapeuta familiar sistêmica e Psicodramatista.
Terapeuta do método Self - Healing Meir Schneider e do Instituto de Análise Bioenergética de São Paulo.
(3) BOCCALANCRO, Efraim Rojas. "Holística na Psicologia e na Medicina". Capítulo 1: Abordagem
Holística na Antigüidade Grega. São Paulo: Vetor, 1999. (I)
(4) BOCCALANDRO, Efraim Rojas. Holística na Psicologia e na Medicina. São Paulo: Vetor, 2001. Capítulo
2: Hipócrates. (I)
(5) GALVES, José Francisco. "Holística na Psicologia e na Medicina". Capítulo 3. São Paulo: Vetor, 2001.
(II)
(6) Bíblia - Edições Loyola: São Paulo, 1995. (III)
(7) GERBER, Richard. "Medicina Vibracional, uma medicina para o futuro". Cultrix: São Paulo, 1993. (IV)
(8) KING, Roberto e ABARCA, Oriel. "Reiki para todos, Energia Vital em ação". Record (Nova Era): Rio de
Janeiro, 1996. (V)
(9) Idem. (V)
(10) Idem. (V)
(11) Richard Gerber, opus citada. (IV)
(12) Idem. (IV)
(13) KUCHEL, Kátia Dubiex. . " Holística na Psicologia e na Medicina". Capítulo 6. São Paulo: Vetor, 2001
(VI)
(14) Idem. (VI)
38
(15) Richard Gerber, opus citada. (IV)
(16) Prefácio do livro de MANN, W. Edward. "Orgônio, Reich & Eros a teoria da energia vital de Wilhelm
Reich". São Paulo: Summus editorial, 1989. (VII)
(17) Compare-se esta afirmação de Reich sobre energia orgônica e a energia Chi não substancial, na
terceira página "Conceito de Energia na Antiguidade Chinesa".
(18) Edward Mann, Opus citada. (VII)
(19) GALLERT, Mark, New Light on Therapeutic Energies. London: James Clarke, 1966. In (VII)(20) Bíons
SAPA: Sand Packet; bíons PA (abreviação de Packet = pacote, bolsa)
(21) publicado no International Journal of Sex Economy and Orgone Research em outubro de 1944 com o
título de "Orgonotic Pulsation", citado no livro de Mann. (VII)
(22) Foram utilizados informações sobre os experimentos de Reich extraídas do livro: RAKNES, Ola.
Wilhelm Reich e a orgonomia. Capt. 4 : A descoberta da energia vital, pp 39/40. São Paulo: Summus, 1988.
(VIII)
(23) Opus citada. Capt. 3 : Biônios e biogênese. pp 29. (VIII)
(24) O importante é salientar aqui que Reich com suas descobertas de orgone positivo (azul) e o orgone
negativo (letal) chega às mesmas conclusões a que os chineses tinham chegado alguns milênios antes, ou
seja, o "Chi" positivo (principio de vida) e o "Chi" negativo (energia letal).
(25) Ola Raknes, Opus citada. pp. 34 a 37. (VIII)
(26) Os conceitos mais importantes da teoria de Reich foram extraídos do livro de Edward Mann, o que
inclui a excelente introdução escrita por Pierrakos. (VII)
(27) Agradecemos a amistosa colaboração do colega psicólogo Cláudio Wagner, especialista reichiano que
nos cedeu os livros necessários para redigir "A Energia Orgônica de Reich".
(28) Extraído do livro "Bioenergética" de Alexander Lowen. (IX)
(29) Alexander Lowen, opus citada (IX)
(30) Wilhelm Reich, The function of orgasm. "A função do orgasmo" em edição brasileira. In (IX)
(31) Alexander Lowen, opus citada (IX)
(32) idem. (IX)
(33) idem
(34) idem.
(35) idem.(IX)
(36) Idem.
(37) Idem.(IX)
(38) FARAH, Rosa Maria. "Integração Psicofísica, o trabalho corporal e a Psicologia de C. G.
Jung".Companhia ilimitada & Robe editorial. São Paulo: 1995. (X)
(39) Idem. (X)

39
3
4ª AULA

TOMADA DO CASO
A ARTE DE INTERROGAR

A tomada do caso tem por objetivo conhecer o paciente como um todo.


A tomada do caso “... somente requer do médico: ausência de preconceitos, sentidos perfeitos,
4
atenção na observação e fidelidade ao traçar o quadro da doença”.
As etapas a serem desenvolvidas são as que se seguem:
I - Observação clínica:
- Dados pessoais;
- Anamnese;
- Exame físico;
- Exames complementares.

II - Análise do caso:
- Resumo do caso;
- Hipóteses diagnósticas e prognósticas.

III - Conduta:
- Geral;
- Medicamentosa.

I- Observação clínica:

A- Dados pessoais:
Servem para identificar o paciente e avaliar circunstâncias que possam estar contribuindo para seu
estado atual. Por exemplo, profissões estressantes como operadores da Bolsa de Valores.
Dentre os dados mais significativos destacamos o nome, idade, sexo, cor, biotipo, estado civil,
naturalidade, endereço, profissão.

B- Anamnese:
1- Relato expontâneo:
Através dele “ O paciente detalha a marcha dos seus sofrimentos; os que estiverem perto dele
relatam de que o tem ouvido queixar-se, como tem se comportado e o que nele notaram. O médico vê,
ouve, e observa com os outros sentidos o que há de alterado ou fora do comum. Escreve com precisão o
que o paciente e seus amigos lhe relataram, nas próprias expressões empregadas por eles. Guardando
silêncio permite que digam tudo o que tem a dizer, evitando interrompê-los(*) a não ser que divaguem. O
médico, no início do exame, pede que falem devagar, de modo a poder anotar o que julgue importante e
necessário.
(*) Toda interrupção perturba a ordem das idéias dos narradores podendo não lhes ocorrer de novo
5
exatamente o que teriam dito a princípio, sem a interrupção” . ( § 84)
“ Deve abrir uma linha nova a cada circunstância diferente mencionada pelo paciente ou seus
amigos, de modo que os sintomas sejam anotados separadamente, uns debaixo dos outros. Pode assim

3
tirada de propedêutica, aulas 4, 5 e 6 pq introdução corrompida
4
Hahnemann, Samuel, Organon da Arte de Curar, §83.
5
Id., ibid., §84.
40
agregar novos dados a qualquer deles que tenha sido primeiro relatado de modo vago e depois exposto de
6
modo mais explícito” . ( § 85 ).

O objetivo do relato expontâneo é a coleta de sintomas relatados pelo paciente, e por ele
especialmente valorizados.
Metas a serem atingidas:
- Anotar tudo, com as palavras usadas pelo paciente, registrando no início sua queixa principal.
- Não traduzir em termos médicos, pois a homeopatia é escrita na linguagem simples daqueles que a
experimentaram.
- O médico deve ficar isento de preconceitos.
- Evitar interromper o paciente.
- Estimular o paciente fazendo com freqüência a pergunta: “O que mais?”.
- Observar o temperamento do paciente, dando o devido desconto (hipocondríacos supervalorizarão suas
queixas enquanto os reservados ou tímidos podem desvalorizar sintomas importantes).

2- Interrogatório Inicial:
Depois da narração feita pelo paciente, o médico retorna a cada sintoma e pede mais detalhes a
respeito dele, fazendo perguntas mais precisas, evitando perguntas que o levem a responder sim ou não,
ou que sugestionem as suas respostas. Deve usar perguntas amplas, que obriguem o paciente a entrar em
detalhes. Exemplo: não perguntar: “Você gosta de tempo frio ou seco?” E sim: “Qual é o tempo em que
você adoece mais?”
Pedir ao paciente que qualifique suas queixas. Exemplo: “Como é sua dor de cabeça?”, “Quando
surge?”, “O que a agrava e o que a melhora?”.
Assim, “Quando os narradores tiverem terminado seu relato, o médico retorna, então, a cada
sintoma em particular, e obtém informações mais precisas sobre eles lendo-os na ordem em que lhe foram
relatados, procurando obter mais detalhes. Por exemplo: “quando ocorreu tal sintoma? Foi antes de tomar o
medicamento que estava usando? Durante o período em que estava tomando o medicamento; ou somente
alguns dias depois de parar de usá-lo? Que espécie de dor, ou sensação experimentou, exatamente em
que lugar? Mostre o lugar. A dor veio repentinamente, em acessos? Acessos isolados ou periódicos?; ou
era contínua, sem interrupção? Quanto tempo durou? A que hora do dia ou da noite, e que posição do
corpo foi pior, ou cessou inteiramente? Qual foi a natureza exata deste ou daquele sintoma ou circunstância
7
mencionada? Todas estas informações devem ser expostas em linguagem simples, clara e concisa”. (§
86).
“E assim, o médico obtém informações mais precisas sobre cada detalhe em particular, sem jamais,
contudo, formular as perguntas de modo que induzam o paciente a responder, (*) sim ou não. Agindo de
outro modo levaria o paciente a afirmar ou negar algo não verdadeiro, ou meia-verdade, ou algo não
inteiramente correto, por indolência ou a fim de agradar o interlocutor, resultando em quadro falso da
moléstia, e, consequentemente, tratamento inadequado.”
(*) Por exemplo, o médico não deve perguntar: não havia esta ou aquela circunstância? Ele não
deve jamais fazer sugestões, que induzam o paciente a responder erroneamente, ou a relato falso de seu
sintoma.8 (§ 87 )

3- História Familiar:
Contribui para o conhecimento das potencialidades do terreno do paciente, e assim para a previsão
dos caminhos patológicos que ele poderá vir a percorrer.
O paciente ou seus acompanhantes serão indagados objetivamente das doenças a que foram ou
estão acometidos os familiares mais próximos.
4- História Patológica Pregressa:

6
Id., ibid., §85.
7
Id., ibid., §86.
8
Id., ibid., §87.
41
Nos possibilita o entendimento de sua evolução pessoal em seu processo de adoecimento. Deverá
ser escrita na ordem cronológica dos acontecimentos.

5- Hábitos e Condições de Vida:


São também de extremo interesse para o conhecimento global do indivíduo. Assim, é importante
saber das condições de alimentação, perguntar sobre uso ou não de fumo, álcool, tranqüilizantes, saber das
condições de moradia (se arejadas ou insalubres), sobre a situação sócio-econômica, saber da prática ou
não de esporte.

6- Interrogatório Geral:
Essa etapa busca saber as condições atuais de funcionamento de todo o organismo, em especial,
nos pontos não abordados pelo paciente durante seu relato expontâneo.
Este interrogatório tem duas fases. Numa primeira fase, perguntamos sobre sintomas que dizem
respeito ao organismo como um todo:
 Agravação e melhoria;
 Horário;
 Periodicidade;
 Relação com o clima;
 Desejo e aversão alimentar;
 Sede;
 Suor;
 Sono;
 Sexualidade;
 Menstruação.
Numa segunda etapa fazemos uma revisão de sistemas semelhante à realizada na anamnese
alopática, em geral seguindo as seções do repertório ( as partes do corpo da cabeça até as extremidades )
mas dando ênfase a modalização, tempo de instalação e duração dos sintomas.
“Se neste relato expontâneo nada se mencionou sobre determinados fatos, funções do corpo ou
estado mental, um médico pergunta sobre estas partes, funções e estados de espírito. (*). Ao proceder
desta forma, só deve empregar expressões gerais, a fim de permitir que seus informantes sejam obrigados
por si mesmos a entrar em detalhes específicos e explicações categóricas sobre estes diversos temas.
(*) Por exemplo, qual o aspecto de suas fezes? Como tem urinado? Como tem dormido de dia e de noite?
Qual o estado de seu ânimo, humor, memória? Como está seu apetite e sua sede? Que gosto tem na boca?
Que alimentos e líquidos tem apreciado mais? Quais os que mais o repugnam? Tem eles seu gosto natural,
ou algum outro gosto incomum? Como se sente após ingerir alimento ou líquido? Tem algo a relatar sobre
9
sua cabeça, membros, ou abdômen?”
(§ 88)
“ Quando o paciente (porque é nele que devemos fundamentalmente confiar para a descrição de
suas sensações, exceto em casos de doenças simuladas) por meio desses detalhes, relatados
espontaneamente ou em resposta ao interrogatório, proporcionou a informação requerida e traçou um
quadro razoável da doença, o médico estará livre e obrigado (se lhe parecer não ter adquirido todos os
dados necessários) a fazer perguntas mais diretas e especiais. (*)
(*) Por exemplo, qual a freqüência de suas evacuações? Qual o tipo de fezes? As fezes esbranquiçadas
consistem de catarro ou excrementos? Experimentou sensação de dor durante a evacuação? Que tipo de
dor, e onde se localizava? O que vomitou o paciente? O mau gosto da boca é pútrido, amargo, azedo, ou
algum outro? Antes, durante ou depois das refeições? Em que parte do dia foi pior? Qual o gosto de que
eructou? A urina só é turva algum tempo após descarregada, ou logo após descarregada? Qual a sua
coloração quando emitida pela primeira vez? Qual a cor do sedimento? Como se comporta o paciente
enquanto dorme? Geme, fala ou chora dormindo? Levanta-se a noite? Rouca ao inspirar, ou expirar?
Dorme de costas ou de lado? Cobre-se todo, ou não suporta as cobertas? Acorda com facilidade, ou dorme
profundamente? Como se sente logo após acordar? Com que freqüência ocorre determinado sintoma? Qual
a causa que o produz cada vez que ocorre? Surge quando está sentado, deitado, em pé ou em movimento?
Só quando está em jejum, ou de manhã, ou só a tarde, ou após uma refeição, quando costuma aparecer?

9
Id., ibid., §88.
42
Quando veio o calafrio? Foi simplesmente uma sensação de tremor, ou estava realmente com a
temperatura baixa, ao mesmo tempo? Em caso afirmativo, em que partes? Ou, ao sentir o calafrio estava
realmente quente ao toque? Era apenas uma sensação de frio sem tremor? Sentia calor sem estar com as
faces afogueadas? Que partes suas eram quentes ao toque? Queixou-se de calor sem estar quente ao
toque? Quanto durou o calafrio? E o período de calor? Quando veio a sede – durante a fase de frio?
Durante a de calor? Ou antes? Ou depois? Qual a intensidade da sede, e qual a bebida desejada? Quando
veio o suor, no começo ou no fim da sensação de calor? Ou quantas horas após esta sensação? Durante o
sono ou enquanto em vigília? Qual a abundância do suor? Era quente ou frio? Em partes? Que cheiro
tinha? De que se queixa antes ou durante o sono? Durante a fase de calor? Que sente após? Que sente
durante ou após a fase de transpiração?
Nas mulheres, anotar o caráter da menstruação e outras descargas vaginais”10. (§ 89)

C- Exame físico:
Escrever o que foi observado durante o exame clínico e as suas próprias observações a respeito do
paciente, incluindo o seu biotipo.
“Quando o médico terminar de anotar esses detalhes escreve, então, o que ele próprio observou no
paciente, (*) e investiga o quanto disto era peculiar a ele em seu estado normal, antes de adoecer.
(*)Por exemplo, como o paciente se comportou durante a visita; se estava mal humorado, briguento,
apressado, choroso, ansioso, desesperado ou triste, esperançoso, calmo, etc ... .Se estava sonolento ou em
estado de compreensão difícil; se falava com voz rouca, baixa, ou incoerentemente, ou de que outro modo
falou? Qual a cor de sua face, olhos e da pele em geral? Que grau de vivacidade e força havia em sua
expressão e olhar? Qual o estado da língua, respiração, hálito e audição? Estavam suas pupilas dilatadas
ou contraídas? Com que rapidez e até que ponto se alteravam no escuro e no claro? Qual o seu pulso?
Qual a condição de seu abdômen? Estava a pele ou outra parte úmida, ou quente, fria, ou seca ao toque?
Como estava ele ao toque, de um modo geral? Estava deitado com a cabeça bem virada para trás, de boca
semi ou inteiramente aberta, com os braços acima da cabeça, de costa, ou em que posição? Que esforço
11
fez para levantar-se? Deve anotar-se qualquer outra coisa que possa ser observada pelo médico.” ( § 90 ).

D- Exames complementares:
São utilizados como auxiliares na avaliação do prognóstico.

II- Análise do caso:

A- Resumo do caso:
Nesta etapa é feito um resumo dos sintomas modalizados pelo paciente e que serão levados ao
repertório para a obtenção de alguns medicamentos.

B- Construção da totalidade sintomática e hierarquização:


A totalidade sintomática não significa o agrupamento de todos os sintomas que obtemos durante a
consulta e sim o conjunto dos sintomas que analisados, detalhados, modalizados revelam o modo de sentir,
pensar e agir do paciente. Expressa o característico e individualizante desse ser humano que o distingue
dos demais.
É a totalidade sintomática que decide a escolha do medicamento.
Na hierarquização, os sintomas mentais são os mais importantes, seguidos dos gerais e finalmente
dos particulares.
Chamamos sindrome mínima de valor máximo, o menor número de sintomas que expresse melhor
a individualidade do paciente ( três ou quatro sintomas ).

10
Id., ibid., § 89.
11
Id., ibid., § 90.
43
Após a construção da totalidade sintomática, devemos buscar o medicamento que durante a
experimentação, forneceu os sintomas mais semelhantes aos que o paciente apresenta. Para isso é
utilizado o Repertório, livro que contém sintomas com todos os medicamentos que os apresentaram durante
a experimentação e observação clínica. Chegaremos então, através da repertorização, a alguns poucos
medicamentos com sintomas semelhantes aos do paciente. Caberá a essa altura fazer uma análise
cuidadosa de cada um desses medicamentos na Matéria Médica, livro que contém todos os sintomas
obtidos pela experimentação de cada medicamento, a ver qual deles melhor cobre a totalidade sintomática
do paciente.

C- Hipóteses diagnósticas e prognósticas:


As hipóteses diagnósticas clínicas permitem um melhor conhecimento do terreno do paciente, do
seu prognóstico ( funcional, lesional leve, lesional grave, incurável ), e das medidas não medicamentosas
necessárias ao correto tratamento desse paciente (hábitos de vida, dieta...).
No entanto, o fundamental para a seleção do medicamento é a hipótese diagnóstica homeopática.

III- Conduta:

A - Geral:
Do ponto de vista geral, a conduta deverá estabelecer alterações no modo de vida do paciente
somente naquilo que puder interferir com o seu tratamento e com sua cura. O bom senso determina que o
médico modifique o menos possível os hábitos do paciente.
B - Medicamentosa:
Prescreverá o medicamento a ser usado, sua potência e freqüência de uso.
Orientará em relação aos cuidados na hora da tomada do medicamento (evitar escovar os dentes
imediatamente após, pela presença de cânfora nos dentifrícios, alimentar-se imediatamente antes ou após o
uso do medicamento, etc.).
OBSERVAÇÕES FINAIS:
 O paciente deverá aprender a se auto-observar.
 O médico deve ter a maior amplitude de pensamento, com a maior isenção possível.
 Na homeopatia o tratamento não é dirigido à doença e sim ao doente.
 O que deve ser curado, modificado é a atitude errônea frente a vida
 Saber que o poder de cura existe dentro de cada um.
 Saber que a consulta médica é um encontro de seres humanos, onde dois sistemas diferentes vão tentar vibrar em uma só
pulsação para que ocorra a possibilidade de transformação.

12
ANAMNESE NO ADULTO

Como já foi visto na disciplina de Introdução à Homeopatia, a anamnese homeopática é a principal


ferramenta para a escolha do medicamento que seja o mais semelhante ao paciente que nos procura.
O roteiro para a colheita da anamnese é pessoal. O que existe de estabelecido é o relato
espontâneo fornecido pelo paciente, seguido de um interrogatório dirigido pelo médico. Discutiremos nessa
aula algumas sugestões na forma de colher a história.
Se na medicina de base anatomopatológica, a investigação das manifestações patológicas objetivas
é essencial, ficando o relato espontâneo fornecido pelo paciente em segundo plano, na homeopatia esse
relato é a base para o diagnóstico terapêutico.

12 a
propedêutica, 6 aula
44
Por exemplo: Um alopata, depois de examinar a garganta de dez pacientes diferentes com um
mesmo quadro: amígdalas inflamadas, apresentando falsas membranas e cujo resultado laboratorial indica
amigdalite pultácea, prescreverá um mesmo antibiótico. O homeopata, por sua vez, buscará todos os
detalhes que diferenciem um paciente em particular dos outros nove, uns vão apresentar falsas membranas
à direita, outros à esquerda, outros no véu do paladar; observará a cor, consistência, aderência ou não, se
sangram ou não; certos pacientes melhoram da dor ao beber líquidos frios, outros quentes, outros só
sentem dor ao beber e nenhuma dor ao comer. Todas essas modalidades permitem ao homeopata formular
com mais precisão não só o diagnóstico da enfermidade, como também o diagnóstico medicamentoso,
baseado na resposta reativa pessoal do enfermo a essa enfermidade. Para o homeopata, a anamnese é a
chave para a prescrição do medicamento. Por isso devem ser seguidas algumas orientações:
- Evitar perguntas diretas que levem o paciente a responder sim ou não. Ex: Você tem sede? Você gosta
de doce?
- Evitar sugerir respostas colocando palavras na boca do paciente. Ex: Tenho certeza que você gosta de
consolo quando é magoado.
- Evitar toda pergunta que obrigue o paciente a escolher entre duas alternativas. Ex: Você gosta de bebida
quente ou fria?
- O médico deve usar palavras que possam ser compreendidas pelo paciente, evitando perguntas com
linguagem técnica. Ex: Como se sente na posição ortostática? Em que situação a pirose ocorre?
O interrogatório deverá constar de: - sintomas mentais, desde que sejam modalizados; - sintomas
gerais (que são as reações do organismo ao meio ambiente); - desejos e aversões alimentares, desde que
muito marcantes; - sintomas sexuais, sobretudo nas mulheres, relacionados com sua menstruação, e -
sintomas sobre o sono e sonhos. Esses últimos são muito importantes, pois fazem parte do inconsciente,
mas só são valorizados quando se repetem.
Também devemos buscar os sintomas etiológicos, isto é, a partir de quando ou depois de que
adoeceu, às vezes será após a morte de um ente querido, após perda financeira, após decepção amorosa...
Um paciente novo, que nada conhece sobre a Homeopatia, pode se assustar ou se ofender, se o
interrogatório inicia com perguntas a respeito de seu caráter e reações emocionais, quando o que o levou a
buscar ajuda foi um sintoma físico como a enxaqueca. Por isso a experiência ensina que é preferível
começar pelos sintomas locais e gerais. Depois, uma vez estabelecida a confiança, é que passamos a fazer
perguntas relativas aos sintomas mentais. Por outro lado, é um erro deixar os sintomas mentais para o final,
pois o paciente estará cansado, e, como do seu ponto de vista, esses sintomas não tem relação com sua
doença, responderá mal, sem refletir e manifestará sua pressa por terminar.
Quando o paciente chega ao consultório com um papel contendo suas queixas é útil deixá-lo falar
tranqüilamente e enumerar seus sintomas até cansar, sem formular uma só pergunta. Se após um tempo
não tiver terminado, o interromperemos dizendo o quanto são importantes e que poderemos continuar numa
próxima consulta. Devemos esperar para começar a interrogar somente após o relato expontâneo do
paciente, insistindo se não esqueceu de nada, se realmente não tem mais nada a dizer.

CONDUTAS DO MÉDICO DURANTE A ANAMNESE


O que importa ao médico homeopata é conhecer a pessoa através de sua história. A consulta tem
seu início no primeiro contato com o paciente, que se dá, em geral, à porta da sala de atendimento e se
marca pelos olhos que se olham, pelas mãos que se tocam, que são gestos de acolhimento, que
demonstram a disponibilidade do médico em atendê-lo, dedicar-lhe os recursos técnicos e sobretudo seu
humanismo para entendê-lo e aceitá-lo.
As primeiras impressões podem ser decisivas. O homeopata já observou o modo dele entrar no
consultório, como ele o cumprimentou, a primeira frase dita (como foi afetuoso, que ar de superioridade, que
maneira fria, como sua mão está suada e gelada...). Na verdade a consulta já começa antes na sala de
espera, frente ao comportamento inusitado, exótico enquanto esperava a vez.
O comportamento do médico deve ser o da discrição atenciosa, que mostra um terreno indiferenciado
para receber qualquer tipo de enfermo. À medida que vai se estabelecendo o contato, este terreno vai se
diferenciando, se personalizando, conforme as suas necessidades.

45
A compreensão do enfermo e da enfermidade não se baseia somente na visão de alguém que
apenas tem sintomas físicos ou mentais, mas antes como uma pessoa que primeiro sofre pela condição e
natureza humana (psora) e por causa disso reage, fazendo surgir as doenças.
O elemento fundamental para criar o encontro entre paciente e médico é o desenvolvimento da
sensibilidade do médico.
A primeira pergunta geralmente parte do homeopata, que começa pelos dados de identificação.
Outras vezes o paciente, por ansiedade, se adianta e começa a falar do motivo que o traz ali, dos seus
sintomas. O que deve fazer o homeopata nesse momento? Deixá-lo seguir falando e, quando houver
espaço, voltar aos dados de identificação. A identificação é uma síntese da sua evolução biográfica: o nome
é a personalidade que ele desenvolveu, a idade fala do seu momento biológico e existencial (há estados
psicológicos característicos de cada faixa etária e há também doenças próprias de cada período etário), a
cor da pele interessa em função de maior prevalência de doenças em certas raças e também pelos fatores
sociais que participam de sua vida, a profissão dará indícios para conhecer sua vocação e para poder
penetrar no universo das suas relações profissionais.
Abre-se agora um novo momento da consulta: o início, propriamente dito, em que o homeopata deve
fazer uma pergunta bem genérica, que o deixe à vontade e livre para começar seu relato; como por
exemplo: “E então qual é o seu problema?” ou “O que o traz aqui?” Prestar atenção para a importância da
primeira frase, que o paciente carrega de emoção ou em que exprime a essência do seu problema.
O paciente começa a expor seu problema e o homeopata intensifica sua observação, pois o início da
verbalização deflagra um mecanismo de manifestação do ser e tudo fala por ele. Portanto o médico
observa, guardando silêncio, evitando interromper a condução feita pelo paciente. Vai escrevendo aquilo
que é dito, respeitando os termos utilizados pelo próprio cliente. Nesse primeiro momento de
desenvolvimento da anamnese a orientação geral é que se pergunte “O que mais?” assim que ele pare, e
com isso ir-se incentivando-o a informar espontaneamente aquilo que sofre. Quando o paciente não tem
mais o que dizer, chega o instante de outra intervenção, perguntando sobre as modalidades dos sintomas:
“Há quanto tempo sente isso? Quais os fatores desencadeantes? O que faz agravar?”
A partir daí o homeopata pega carona no seu relato e vai atrás daquilo que vai sendo informado. É
indicado ao homeopata ir fazendo colocações que incentivem o paciente a falar daquilo que escolheu,
procurando pinçar pontos mais reveladores, interpondo perguntas que visem clarear os motivos intrínsecos
de suas ações e reações, pedindo que fale mais de determinada coisa, que explicite aquilo, perguntando
quando é que sente assim, como é que reage?
Outros recursos precisam ser conhecidos para facilitar a fluidez do relato, nos momentos de parada
do relato.
Interrogatório dirigido para o conhecimento da pessoa:
I – Em cima de alguma informação revelada nas perguntas que remetem aos dados de identificação.
Ex: Como é seu modo de ser como profissional, como é visto por seus colegas de trabalho? Como é na
relação familiar, como é visto pelas pessoas a sua volta?
É um artifício para que se peguem os olhos dos outros emprestados para se olhar, o que permite
maior liberdade para falar de si. Como é visto por eles (familiares, amigos, colegas de trabalho, patrão...)
Que críticas lhe fazem?
II – Aproveitando os sintomas da queixa principal, é uma forma de ver como ele sente a doença.
Ex: Como reage enquanto doente?
III – Perguntas reveladoras de sua idiossincrasia.
- Sintomas mentais:
1. O que lhe faz sofrer?
2. O que faz você chorar?
3. Em que momentos ou situações se sente inseguro? Como reage? Como fica antes de compromisso (
provas, viagens... )?
4. Em ocasião de dificuldade, preocupações, como suporta o consolo?
5. O que lhe irrita? Como reage a contradição?
6. De que tem medo?
7. Em que situações fica ansioso?
8. Como é seu ritmo para fazer as coisas?
9. Como é seu cuidado com suas coisas? Como é seu cuidado com a casa?
10. Como é seu relacionamento com o dinheiro?
46
- Sintomas gerais:
1. Qual o momento nas 24 horas do dia em que não se sente bem?
2. Qual o clima que mais lhe afeta? Qual o que mais gosta? Que sente com a mudança de temperatura?
3. Como é seu apetite? Quais são os alimentos pelo quais tem desejo marcado? Quais os que lhe fazem
mal? A que tem aversão?
4. Como é sua sede, qual é a temperatura de sua preferência e qual a quantidade?
5. Como é seu suor, qual a parte do corpo que mais sua? Mancha a roupa, tem mau cheiro?
6. Como é seu sono, em que posição dorme? Que acontece durante o sono (fala, range dentes, chora
dormindo...)? Como são os sonhos que se repetem?
7. Como é seu desejo sexual?
8. Para as mulheres: em que idade surgiu sua primeira regra; qual sua freqüência, sua regularidade, qual
sua duração, abundância, cor, odor; que horas o sangramento é pior; como se sente antes, durante e
depois da menstruação (sintomas físicos e mentais)?

A partir daí deve se perguntar sobre os antecedentes patológicos e como atravessou tais
experiências, que servirão na avaliação do caso nas consultas subsequentes.
Ex: Quais foram suas doenças do passado, em que idade elas ocorreram? O que sentiu, como
reagiu?
A seguir deve se perguntar sobre antecedentes familiares.
O exame físico, na homeopatia, tem a mesma importância que na consulta médica clássica.
Nos casos difíceis, em que o paciente não se expõe, é uma conduta acertada ouvir aquele que
convive com ele, sendo aconselhável comunicar previamente ao paciente o desejo de ouvir os familiares ou
amigos a seu respeito, e ouvir dele se está de acordo com essa abordagem. É fundamental preservar um
clima de confiança, que auxilia a relação terapêutica, e por isso convém lhe tranqüilizar quanto a nossa
intenção, de somente ouvir outras informações, destacando que tudo aquilo que ele comentou conosco não
será ventilado com terceiros.
Há casos em que o paciente entra acompanhado e se deve conhecer ao longo da consulta se isto
parte dele ou é imposto. O médico deve tirar proveito deste acompanhamento, podendo observar o grau de
dependência, de tolhimento, de interferência, enfim como é a relação interpessoal e inferir dados que serão
confirmados ou não com a anamnese. Pode fazer perguntas ao acompanhante, se perceber que o diálogo a
três é possível e proveitoso.
Pode haver fatos, situações que são constrangedoras, mais difíceis de serem expostas. Deverá o
médico se conduzir com tato, sabendo o momento mais oportuno para abordá-los, (por exemplo, o paciente
relatar tentativa de suicídio, uso de drogas, taras sexuais... ).
No final da consulta, o médico precisa anotar as impressões que teve do paciente, seu
comportamento e seu humor, sua atitude ao falar e os sentimentos que fluíram da sua presença.
O médico vai tratar com pessoas, numa situação especial, que é a da doença, por isso é
imprescindível o conhecimento da natureza humana, a fim de que seus posicionamentos se dêem de forma
a assumir sua elevada missão, que é a de curar.
A atitude do médico não deverá ser apenas de um colhedor de história, mas é importante estabelecer
através dela uma relação que lhe permita veicular intervenções que auxiliem o paciente a se compreender e
se conhecer.
De posse da história de seu paciente e após breve informação do que será o tratamento
homeopático, finda-se o primeiro e o mais importante encontro daquele que sofre com aquele que foi
escolhido para lhe proporcionar a cura.

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO:
ANAMNESE NO ADULTO

V.L.B., 27 anos, solteira, branca, assistente social, natural do RJ.


QP: varizes nos membros inferiores, nervosismo.
HPP: viroses comuns da infância, amigdalectomia, aborto provocado.
HFa: nada digno de interesse.

47
12.04.99: Ando muito nervosa, irritada, indiferença muito grande e que já está me prejudicando. Não
sinto nada por namorados, parentes, tinha aversão a meus pais. Quando me conscientizei disso saí de
casa, há 8 anos. Fiz um aborto há 2 anos, a sensação que tive foi de alegria e alívio. Sou solteira e não
pretendo casar nunca. Já desmanchei três noivados porque não suportava os namorados. Não tolero
meus pais, a diferença de idade entre nós é de 45 anos. Não há diálogo. Também ando muito desatenta,
me desligando com facilidade. Apesar de estar me dando bem no trabalho, tenho horror a ter que manter
contato com as pessoas o dia inteiro. Eu prefiro ficar só, não suporto ter companhia me chateando. A
memória também está fraca, para nomes, datas e isso também prejudica meu trabalho. Sou muito
irritadiça, nervosa, guardo ódio das pessoas que já me prejudicaram. Tenho muito medo da morte e das
pessoas, acho que elas podem me prejudicar, isso é mais um motivo para preferir ficar só. Praticamente
não tenho amigos, também não procuro ter. Busquei o Budismo como alternativa, o Deus de vocês para
mim não significa nada. Já a Filosofia Chinesa, o rito me fascina. No momento estou afastada. Gostaria
de conhecer a China. Não sou uma pessoa sensível, sou fria. No entanto sinto muito os ruídos, qualquer
barulho ou ruído me irrita. Gosto de ambientes silenciosos. Sou reservada, não gosto de falar de mim,
não me abro com as pessoas, não gosto de ter gente se dizendo meu amigo.
Apetite: normal. Sede: normal. Sono: vou para a cama sonolenta, mas não adormeço logo, porque
fico pensando na vida. Choro no sono desde a infância. Sonhos: sempre com parentes mortos, já sonhei
quatro vezes que estava morta. Menstruação: menarca aos 14 anos, regular, dura 3 dias. Fico muito
alegre antes da menstruação, achando tudo mais bonito. Horário: fico sempre nervosa à noite.

1. Que características você considera importantes para descrever esta pessoa, em todos os seus
aspectos?
2. Classifique-as em mentais, gerais e particulares, conquanto se refiram a aspectos da mente (afeto,
vontade, intelecto, memória), a condições gerais do organismo e a determinadas partes do mesmo.
3. Selecione, entre as características que você anotou, algumas poucas que sejam bastante específicas,
capazes de distinguir essa pessoa de outras.

13
ANAMNESE DA CRIANÇA

O fator mais característico da consulta homeopática em criança é que as informações não são
fornecidas predominantemente pelo nosso paciente. A principal fonte, sobretudo durante o primeiro ano de
vida, é a mãe, mais tarde o pai ou pessoas que lidam diretamente com a criança. Isso é um fator que
dificulta a anamnese, pois as informações serão filtradas de acordo com a ótica daquele que está
informando, e nem sempre essa pessoa é um bom observador do comportamento e reação da criança. Por
isso é de fundamental importância para o médico estabelecer com os pais um livre canal de comunicação e
ajudá-los a superar seus próprios limites na tarefa de observar e cuidar da criança. Por outro lado, é
importante que o médico tenha sempre em mente que é necessário estabelecer este mesmo canal livre de
comunicação com a criança, pois ela também tem uma individualidade e uma capacidade, ainda que
limitada, de expressão.
A peculiaridade desta relação de triplo lugar para o médico (mãe, pai, criança) exige um grande
preparo, e com grande freqüência ocorre, por parte do médico, uma identificação excessiva com um dos
lados deste triângulo, o que obscurece às vezes de forma total a percepção da realidade. Existe uma
relação médico-criança que é uma conquista, mas que jamais deverá ser imposta. Temos que recebê-la
com o coração aberto e jamais agir com falsidade com ela.
O que pode nos ajudar na compreensão do nosso paciente:
 Relatórios dos que convivem próximo à criança.

13 a
propedêutica, 7 aula
48
 Relatório da creche.
 Manter relação com possíveis terapeutas ( fono, psicomotricista, psicólogo ) quando existirem.

Fatores extra-anamnese e que influenciam na mesma:


1. O que leva a criança ao médico: a procura pela homeopatia foi como último recurso, após serem
tentados vários tratamentos? Nesse caso, a criança vem organicamente muito enfraquecida, os pais
estão muito tensos, e é depositado no tratamento homeopático uma grande expectativa. Em outros
casos, a criança vem para acompanhamento de puericultura, geralmente os pais já conhecem ou se
tratam com homeopatia.
2. Disponibilidade interna do médico: postura de abertura para o relacionamento com crianças.
3. Dos responsáveis: disponibilidade interna numa relação de entrega e muita observação. Conflito dentro
da própria família, quando algum membro não aceita esse tipo de tratamento. Importância de alertar
sobre a agravação e retorno de sintomas.
4. Utilização de um outro profissional: para esclarecimento diagnóstico, quando necessário.

A anamnese homeopática em pediatria é composta de duas fases: aquela realizada com os pais e a
realizada com a criança, independente da idade. Com os pais o que varia é o conteúdo das perguntas. Com
a criança o que varia é a linguagem utilizada para a comunicação, de acordo com cada faixa etária: quanto
mais próximo do nascimento mais será utilizada a linguagem corporal, quanto mais próxima da
adolescência mais a verbal-racional; no campo intermediário lançaremos mão da linguagem do brincar.
A consulta homeopática portanto, apresenta peculiaridades próprias, de acordo com a idade.

ANAMNESE NO PRIMEIRO ANO DE VIDA


Não se pode falar de sintomas e sinais no lactente se não se conhece o que é normal em cada etapa
do primeiro ano de vida, pois o que é normal num mês, deixa de ser seis meses depois. Exemplo: se o bebe
não senta aos dois meses, não é o mesmo se não o faz aos dez meses, já que deve conseguir faze-lo aos
seis meses; ou se, durante o exame clínico, percebemos a fontanela anterior fechada antes dos seis meses,
quando normalmente se fecha entre quinze e dezoito meses. Por isso é tão importante a noção de
maturação e evolução anatomofisiológica do lactente para que se possa valorizar com exatidão os dados
clínicos obtidos.
No primeiro ano de vida a anamnese vai depender do relato dos pais e de uma observação
cuidadosa por parte do médico.
Anamnese com os pais: o que perguntar:
1. História gestacional: tipos de sentimentos maternos durante a gestação; fatores desencadeantes de
tristeza, alegria, irritabilidade...; problemas com a família, trabalho, saúde; se foi uma gravidez desejada
pela mãe e pelo pai; como evoluiu o parto. Serve como indicativo do estado emocional do bebê intra-
útero, das influências pré-natais que possam funcionar como fatores desencadeantes e da relação mãe-
filho no que diz respeito à fidedignidade das informações maternas sobre a criança.
2. Atitudes e reações da criança quando: mama, tem fome, sede, sem roupa, agasalhado, toma banho,
está sujo, com o movimento, silêncio, barulho, à música, ao toque, quando lhe são bruscos, se é
deixada só, em situações que a deixam irritada, ao estar com estranhos...
3. Se a criança vem com alguma queixa orgânica perguntamos sobre modalidades (agravação e
melhorias, horários, características...) e circunstâncias concomitantes a essas condições.
4. A seguir é feito um interrogatório de cada sistema afetado, com suas modalidades. Os mais atingidos
são os seguintes:
- Aparelho digestivo: diarréia, vômitos, transtornos pela dentição, constipação, aversão pelo leite materno.
- Sistema nervoso: transtornos intelectuais, convulsões, transtornos de marcha e fala.

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- Aparelho respiratório: tosse, dispnéia, ruídos laríngeos, obstrução nasal.
- Aparelho urinário: dor ao urinar, retenção urinária.
- Pele: erupções pruriginosas ou não.
- Febre: características que a acompanham.
- Emagrecimento.
- Órgãos do sentido: ouvido, nariz, olhos, garganta.
Durante o primeiro ano de vida, o exame físico da criança, é também uma forma de interrogatório,
pois a criança se comunica através de uma linguagem corporal. Como fazer?
1. Verificar todos os sinais objetivos e deixar vir um sentimento associado a cada um deles, por exemplo:
Como a criança reage ao ser tirada do colo da mãe, ao ser tocada pelo médico, despida? Demonstra
alguma reação? Se estiver dormindo que posição que fica melhor, se sobressalta durante o sono, ri,
chora, geme? Suas eliminações: cheiro, aspecto, periodicidade, o que dizem?
2. Este momento de conversar com a criança é crucial e mais do que nunca devemos estar atentos a
nossa própria individualidade, para que ela não invada a percepção da individualidade da criança.
3. Os dados objetivos coletados podem ser repertorizados como são coletados por exemplo: extremidades
frias com cabeça quente. Os dados subjetivos devem ser cruzados com a anamnese realizada com os
pais, dialogados com eles e depois repertorizados, se relevantes.
Antecedentes familiares: perguntar sobre o passado de sífilis, gonorréia, tuberculose nos pais.
Antecedentes pessoais: averiguar que enfermidades infecciosas já sofreu, se houve traumatismos, reações
as vacinas.

ANAMNESE DE UM A QUATRO ANOS


Nessa fase a criança passa a mostrar seu mundo interno através dos jogos, dramatizações,
desenhos e qualquer outra forma de brincar. Lápis e papel, figuras humanas, livros infantis, bonecos,
casinhas são objetos facilitadores da livre expressão da criança. Numa relação de empatia com ela,
deveremos observar seu comportamento geral ao brincar, o tema das brincadeiras ou desenhos, as cores
predominantes, as reações às figuras humanas, estórias. A criança deve ser sempre estimulada a
verbalizar, e os resultados podem ser confrontados com a anamnese dos pais.
 O que perguntar aos pais nesta fase?
Acrescentando ao que já foi dito para o primeiro ano de vida, pesquisar:
1. Atitudes e reações: quando é chamada à atenção, a reprovam, ou a criticam. Quando se entristece ou
se alegra. Na expectativa de eventos como festas, viagens e provas. Se está diante de perigos, se é
vítima de injustiças;
2. Como repercutem na criança as cenas comuns de seu ambiente: discussões e brigas entre os pais,
castigo dos irmãos, mudança de residência, doenças, morte ou perda de seres queridos ou animais de
estimação;
3. Humor ou sensibilidade: situações que a deixam irritada ou colérica, como demonstra a irritabilidade
(vingativo, insultante, cospe, bate, quebra coisas, esperneia );
4. Como pede as coisas: imperativo, suave, chorando, por favor;
5. Afetividade: como reage e dá carinho, desejo e aversão à companhia;
6. Medos, ansiedades, preocupações, fantasias;
7. Creche ou escola: como aceitou e se integrou;
8. Tarefas escolares: desordenado, detalhista, responsável, exigente consigo mesmo, atuação em público
(falar, cantar, dançar...);
9. Relação com a professora: indiferente, mimado, afetuoso, dócil, ressentido, amedrontado;
10. Relação com outras crianças: competitivo, covarde, isolado, agressivo, líder;
11. Como enfrenta as dificuldades escolares: pede ou recusa ajuda, chora, supera, intolerante ao erro;
12. Como se comporta nas brincadeiras: competitivo, não aceita perder, impõem sua vontade, submisso,
cauteloso, audaz;
13. Como se relaciona com seus brinquedos: reparte com outras crianças, destrói, prefere brincar só ou
com outras crianças;
14. Durante a alimentação: apetite, o que prefere, o que não tolera;
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15. Sua sede, suor, sono, evacuação;
16. Como reagiu ao nascimento de outro irmão.
Examinar a criança.

ANAMNESE DE CRIANÇAS DE CINCO AOS DEZ ANOS


A faixa etária de 5 a 7 anos marca a entrada da criança na fase lógica do seu desenvolvimento
cognitivo. Sua forma de compreender o mundo e de exprimir seus sentimentos vai se aproximando
progressivamente do modo adulto, sendo já possível manter com ela um diálogo mais freqüente e profundo,
mais verbal. As questões a serem pesquisadas com pais, familiares, escolas..., são as mesmas das fases
anteriores, mas agora é necessário ouvir a criança. Por isso é importante que o médico reserve um
momento para estar a sós com a ela.
É importante perguntar se a criança concorda com o relato feito por seu familiar. Indagar sobre suas
amizades. O que a deixa alegre ou triste. O tipo de filmes, livros e músicas que prefere. Quais são as
atividades que mais gosta de fazer. Como é sua relação com os irmãos, e animais. Como os amigos a
vêem, que papel assume no grupo. Na escola, como é. Como se sente no presente. O que acha de seu
passado e o que deseja para o futuro. O que gostaria que acontecesse a si para ser mais feliz.
Exame físico.

PRÉ-ADOLESCENTE E ADOLESCENTE
Nesta faixa etária, a motivação é fundamental e a que deve ser primeiro trabalhada, pois seu
envolvimento é necessário ao êxito do tratamento. É importante ficar a sós com o adolescente e entender
seu ponto de vista e seus conflitos com a família. Sem ganhar aceitação e confiança a consulta fica estéril.
Nesta fase ganham relevância os temas relacionados aos namoros, festas, amigos, luta pela
independência, o dinheiro, as aspirações profissionais.
A anamnese já é mais próxima daquela realizada com os adultos.
Exame físico.

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
ANAMNESE DA CRIANÇA

G.B.S, 2 anos e meio, menino, branco, natural do RJ.


Sempre teve boa saúde, depois dos 2 anos começou a adoecer. Há cinco meses teve uma
pneumonia, daí começou a asma brônquica e muita secreção nas vias aéreas superiores e conjuntivites.
Esse quadro melhora no calor, o tempo chuvoso e frio é que produz secreção. Tudo para ele tem que ser
ingerido frio, na temperatura ambiente (comida, mamadeira); rejeita a comida quente. Ainda não fala bem,
só melhorou quando foi para a escola. Agora já sabe repartir os brinquedos, não brincava sozinho, só
comigo. Mas ainda solicita a gente. Teve muito ciúme da irmã, que nasceu há 2 meses: batia e mordia.
Agora está com mais cabeça, mas a gente tem que dar mais atenção para ele. Gosta muito de ir a escola,
come, brinca com todos, é alegre, se dá bem com todos, gosta de brincar de tudo (de casinha, de pular, de
“Rambo”). Está começando a ficar teimoso, fica de castigo chorando, de vez em quando faz pirraça, mas
acata a ordem de castigo quando nós damos. Chora pela menor contradição. Tem medo do escuro, acorda
chorando, reclamando que está escuro, parece que acorda de um pesadelo. Propaganda, ou filme
assustador, ele corre. Quando recebe visita adora, sorri e cumprimenta, puxa conversa, quer brincar. Fora
de casa é vergonhoso, as vezes se esconde atrás da gente, quando alguém mexe com ele. O humor é mais
para sério, é meio parado em casa, só acho ele alegre quando tem companhia de criança, aí ele se
expande bem. Sempre requisitou muito colo, abraço, não é de carinho, só quando faz coisas erradas é que
vem consertar. Bate na gente quando damos carinho e se ele não quer no momento, é agressivo. Quando
quer faz carinho, é carinhoso com crianças. Em grupo de crianças de sua idade é covarde, se apanha corre
para o meu lado chorando e não volta mais. Quando doente fica dengoso. Qualquer não, abre a boca, com
qualquer pessoa em qualquer lugar, no consultório insistiu várias vezes comigo e deu show de choro porque
não deixei mexer no livro, na hora de ir embora queria bater pé e chorar porque queria ficar brincando, o
tempo todo da consulta ficou chamando a mãe para brincar.
É calorento. Preferência por doces. Transpira muito na cabeça, é um suor de cheiro forte,
desagradável, que gruda na pele, transpira se o cobrimos na cama, mesmo no frio. Sede constante,

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dorme com uma canequinha com água. Toda noite chora dormindo. Prisão de ventre, fezes duras, secas
como bolas.
Ao exame: Obeso. Conjuntivite purulenta com secreção esverdeada, abundante, excoriante; coriza
com secreção purulenta, excoriante. Tosse produtiva, MV presente, sem ruídos patológicos.
1- Quais sintomas homeopáticos você identifica nessa criança?;
2- Classifique-os em mentais, gerais, particulares;
3- forme uma Síndrome Mínima de Valor Máximo.

52
5 a . AULA

CLASSIFICAÇÃO E HIERARQUIZAÇÃO DOS SINTOMAS

SINTOMAS MENTAIS, GERAIS E PARTICULARES

SINTOMA

É tudo que distingue o homem doente de si mesmo quando não está doente. Para Hahnemann
“Sintoma é manifestação anômala na maneira de sentir e de agir por parte do organismo, acessível aos
sentidos do observador e do médico”. È um modo anormal de sentir, ser e agir do indivíduo, estando na
dependência do temperamento, constituição orgânica, e do tipo da doença em atividade, aguda ou crônica.
O paciente sente pessoalmente, as pessoas chegadas advertem e o médico observa.

Se o médico, atento às queixas do paciente, promover uma individualização das queixas, poderá
identificar a idiossincrasia daquele indivíduo e tratá-lo homeopaticamente; pois quando manifesta um
sintoma, o indivíduo está mostrando ao seu médico observador a sua particular maneira de reagir.

Na medicina alopática existe uma diferença entre sintomas e sinais dando-se maior valor aos sinais.
Sintomas são aqueles que o paciente relata, não sendo observados pelo médico, como por exemplo: “sinto
dor nas costas” ou “sinto tonteira”. Sinais são aqueles observados pelo médico ou pelos familiares; por
exemplo: palidez cutânea, cianose de extremidades.

Para o homeopata, sintomas (significando tanto sinais quanto sintomas) seriam as manifestações
acessíveis aos sentidos do observador, decorrentes da desarmonia da Energia Vital, que provocam
sensações desagradáveis no organismo, caracterizando o que chamamos de enfermidade. Quando um
indivíduo adoece, o que o médico pode observar através de seus sentidos, não é a doença em si, o ser
imaterial, a força vital desequilibrada, mas sim sua manifestação através de sintomas. A totalidade dos
sintomas, que é a expressão da essência interna da doença, deve ser o principal e único meio pelo qual a
enfermidade demonstre o medicamento de que necessita.

Hahnemann, ao longo do Organon, em vários parágrafos cita a importância dos sintomas:

§ 153 “Nessa busca de um remédio específico homeopático, isto é, na comparação do conjunto de sintomas
do mal natural com a relação de sintomas dos medicamentos conhecidos, cuja finalidade é encontrar entre
estes um agente morbífico artificial, correspondente, por semelhança, à doença a ser curada, deve se ter
em mente, precípua e exclusivamente,os sinais e sintomas do caso de doença que forem mais fortes,
singulares, incomuns e peculiares característicos pois é principalmente e quase que só a estes que, na
relação dos sintomas do medicamento escolhido, devem corresponder os que são muito semelhantes, a fim
de construir o mais conveniente para efetuar a cura”.

O objetivo da consulta homeopática é revelar os sintomas do paciente (sinais e sintomas), de forma


a permitir sua comparação com os sintomas da Matéria Médica, visando selecionar o medicamento
homeopático semelhante. Toda enfermidade possui sua imagem sintomática na Matéria Médica, que de

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uma certa forma, é como um “fichário policial” onde se encontram as “fotos” de muitos “vilões patológicos”
do mundo.

A palavra sintoma vem do grego, sendo a junção de syn (com) e pitpo (eu caio). Parece que esta
origem tem muito a ver com a visão homeopática, pois quando manifesta um sintoma, o indivíduo está
mostrando ao seu médico observador a sua particular maneira de reagir, a forma com que ele “cai” doente.
Se o médico, atento às queixas do paciente, promover uma individualização das queixas, poderá identificar
a idiossincrasia daquele indivíduo e tratá-lo homeopaticamente.
Na medicina alopática existe uma diferença entre sintomas e sinais dando-se maior valor aos
sinais. Sintomas são aqueles que o paciente relata, não sendo observados pelo médico, como por exemplo:
sinto dor nas costas ou sinto tonteira. Sinais são aqueles observados pelo médico ou pelos familiares, por
exemplo: palidez cutânea, cianose de extremidades.
Para o homeopata, sintomas (estão aqui incluídos os sinais e sintomas) seriam as manifestações
acessíveis aos sentidos do observador, decorrentes da desarmonia da Energia Vital, que provocam
sensações desagradáveis no organismo, caracterizando o que chamamos de enfermidade. Sintomas são
também definidos como o modo anormal de sentir, ser e agir do indivíduo, e estão na dependência do
temperamento, constituição orgânica e do tipo de doença em atividade (aguda ou crônica).
Toda doença em homeopatia consiste numa afecção da Força Vital: algo que a impede de correr
livremente. Ora, todo bloqueio da Energia Vital vem à tona através de sinais, que indicam sofrimentos
específicos ao sujeito. Esse conjunto de manifestações são os sintomas para o homeopata. Todos esses
sinais perceptíveis representam a doença em toda a sua extensão, formam juntos o quadro verdadeiro e
único que se pode imaginar da doença. Quando um indivíduo adoece, o que o médico pode observar
através de seu sentidos, não é a doença em si, o ser imaterial, a força vital desequilibrada, mas sim sua
manifestação através de sintomas. A totalidade dos sintomas, esse quadro da essência interna da doença
refletida para fora, deve ser o principal e único meio pelo qual a enfermidade dá a conhecer o medicamento
que necessita. (parágrafo 70 do Organon: “...na totalidade dos sintomas, por meio dos quais a moléstia
exige o medicamento necessário para seu alívio”...).
É necessário selecionar os sintomas que devem compor o conjunto representativo do paciente, que
superposto à descrição na Matéria Médica, permite-nos encontrar o medicamento mais semelhante ao
paciente.
Cada sintoma apresenta um valor intrínseco e um valor extrínseco.

A) Valor intrínseco: Os sintomas podem ser classificados segundo sua hierarquização, na ordem do
mais importante para o de menor valor, em:

Mentais: quando as manifestações consistem em desordem de natureza psíquica e então aparecem as


alterações da:
• Afetividade (vontade e entendimento - modo de agir e sentir)
• Intelecto (modo de pensar – raciocínio)
• Memória
Dentro dos sintomas mentais estão incluídos os sonhos, considerados de alta hierarquia, desde que
apresentem temas repetitivos e muito marcantes.
Exemplos de sintomas mentais: desejo de morrer, sensação de abandono, dificuldade no aprendizado,
esquecimento.

Gerais: referentes ao organismo em geral, ao desarranjo do todo. Mostrariam ao observador como o


indivíduo, no seu aspecto mais global, reage ao meio.
Exemplo: sensibilidade às mudanças do clima, transpiração, febre, desejos e aversões alimentares, fome e
sede, sintomas sexuais e menstruais.

Particulares ou locais: mostram apenas um setor do todo na sua desarmonia, isto é, mostram apenas a
forma de adoecer de uma parte do organismo.
Exemplo: dor de cabeça, artrose do joelho, gastrite, hemorróida.

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CLASSIFICAÇÃO DOS SINTOMAS SEGUNDO A HIERARQUIA:

vontade
Afetividade
entendimento

1- MENTAIS Intelecto

Memória

Desejos/Aversões
Sono/Sonhos
2- GERAIS Sexualidade
Menstruação
Febre
Transpiração
Posições
relação com o clima

Cabeça, dorso, abdome, extremidades...

3- PARTICULARES(ou locais)

Patognomônicos e comuns da entidade clínica

Os sintomas mentais são muito valorizados pelo homeopata, mas é necessário que sejam
característicos, e não comuns, isto é, que não sejam apenas vislumbres da personalidade do paciente. Falta
de auto-confiança, egoísmo, timidez, inveja, autoritarismo, medo da morte são comuns a todos, pertencem
a toda a humanidade. É só sua intensidade que pode convertê-los em sintomas. Exemplos de sintomas
mentais: desejo de morrer, sensação de abandono, dificuldade no aprendizado, esquecimento.

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Também as circunstâncias que mudam um sintoma são muito importantes. Constitui modalidade
de um sintoma, a condição de agravação ou de melhora do mesmo, sendo tanto mais importante quanto
mais nítida e intensamente influenciar determinada manifestação.

Como exemplo tomemos nosso estado de ânimo: qualquer circunstância pode modificá-lo. Nosso
ânimo pode se alterar completamente por estar com uma pessoa que nos desagrade, porque o tempo está
muito quente, ou porque soa alto a buzina de um carro. Há também uma dependência dos estímulos
internos, já que- uma má recordação (um contratempo ou um insucesso do passado) pode arruinar o nosso
humor. Esta variabilidade de ânimo é normal. Mas quando é sempre a mesma circunstância que altera
nosso humor, isto é digno de nota. Chama atenção que um homem se sinta deprimido todos os dias ao
meio-dia, ou sempre que transpire.

Não é nada incomum que se deprima hoje ao meio dia, amanhã quando transpira, e outro dia
quando caminha. Extraordinário é que um homem se deprima sempre nas mesmas circunstâncias, e isto é
o que, para a Homeopatia, caracteriza a sua depressão. Então podemos considerar esta depressão como
sintoma, como manifestação de desajuste, desequilíbrio. Esta depressão é o que podemos chamar de um
sintoma mental característico (ou modalizado).

É muito importante detectar a modalidade: a circunstância que converte o sintoma em


característico. É normal que uma pessoa tenha medo antes de fazer provas, é comum. O que não é normal
é que tenha um sintoma físico, desencadeado pela circunstância, por exemplo: “diarréia antes de prova”. As
pessoas que somatizam, que desencadeiam sempre um sintoma por uma situação ou insegurança, vão
mostrar individualização da sua ansiedade, seja por meio de diarréia, palpitações ou qualquer sintoma
físico.

O estado mental do paciente deve sempre entrar na escolha do medicamento, embora em alguns
casos os sintomas mentais possam não estar presentes, como em um paciente em coma, ou em um recém
nascido.

Hahnemann falava: “o estado do temperamento e da mente do paciente é muitas vezes da mais


decisiva importância na seleção homeopática do remédio, sendo um sintoma distinto e

peculiar que, menos que todos, não deve escapar à observação do médico”.

§213 “Portanto, jamais se curará de modo natural, isto é, de modo homeopático, enquanto em cada
caso individual de doença,ainda que aguda , não se tenha em conta ao mesmo tempo as mudanças
ocorridas no estado psíquico e mentais do doente. Além disso, não se conseguirá curar enquanto não se
escolha, para dar alívio ao doente, um medicamento capaz de produzir,por si mesmo, não só sintomas
semelhantes aos da doença, como também aos do estado moral e mental.”

Os sintomas mentais também devem ser hierarquizados. Os sintomas que se relacionam com a
memória não são tão importantes como os que se relacionam com a inteligência, e os que se relacionam
com a inteligência não são tão importantes como os que se relacionam com o afeto (vontade e
entendimento).

Sintomas mentais para terem valor devem ser sintomas mentais verdadeiros e não apenas traços
comuns da personalidade de cada um. Por conseguinte, nunca poderemos curar homeopáticamente se não

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observarmos em todos os casos de doença, aguda ou crônica, as mudanças e as características da mente
e do temperamento do paciente.

Sintomas Gerais: referentes ao organismo em geral, ao desarranjo do todo. Mostram ao


observador como o indivíduo, no seu aspecto mais global reage ao meio. Exemplo: sensibilidade a
mudanças do clima, transpiração, febre, desejos e aversões alimentares, fome e sede, sintomas sexuais e
menstruais.

Os sonhos, são considerados sintomas de alta hierarquia, desde que apresentem temas repetitivos
e muito marcantes.

Sintomas Particulares ou Locais: mostram apenas um setor do todo na sua desarmonia, isto é,
mostram apenas uma parte. Exemplo: dor de cabeça, artrose do joelho, gastrite, hemorróidas.

Os sintomas locais e gerais em muitas consultas representam grande porcentagem dos sintomas
relatados pelos pacientes e se houver objetividade nas descrições, podem nos permitir uma avaliação mais
fácil do que nos é exposto. Exemplo: uma criança com febre alta, face vermelha, pupilas dilatadas,
transpiração quente, com quadro de amigdalite, com garganta seca, de cor vermelho-brilhante escuro, pior
do lado direito, fala a favor da escolha de Belladona.

Outro exemplo: grande acúmulo de catarro no peito, com dificuldade de expectorá-lo fala a favor de
Antimonium tartaricum.

O exame físico de um doente nos fornece sintomas, que embora não possuam um grau de
hierarquia tão grande como o de um sintoma mental, são claros, objetivos e indiscutíveis, podendo sem
dúvida consolidar o diagnóstico de um remédio que os sintomas mentais já sinalizaram.

A análise biotipológica de um paciente pode confirmar alguns sintomas mentais da anamnese, ou


fazer com que suspeitemos de outros.

É necessário selecionar os sintomas que vão compor o conjunto representativo do paciente e que
superposto à Matéria Médica nos permitirá encontrar o medicamento mais semelhante neste caso.

Os sintomas mentais são hierarquicamente mais importantes do que os sintomas gerais, que por
sua vez são mais importantes hierarquicamente que os sintomas particulares, desde que sejam valorizadas
determinadas características que são:

1) Raridade do sintoma: quanto mais raro e estranho, mais valor terá o sintoma. Ex: transpiração é um
sintoma geral comum, mas transpirar ao sentir frio é raro, logo é mais importante.

Outro exemplo: chorar num velório é natural, mas se um indivíduo tiver um acesso de riso, é um sintoma
mental que se converte num sintoma a ser valorizado, porque é uma reação rara neste caso.

2) Antiguidade do sintoma: quanto mais tempo de existência mais valor terá o sintoma. Ex: roer unhas
durante a adolescência terá menos valor que roer unhas desde a infância até os 60 anos.
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3) Intensidade do sintoma: quanto mais intenso mais valioso o sintoma considerado. Ex: ranger os dentes
dormindo, às vezes pode ser tão intenso que o paciente quebra um ou mais dentes.

4) Freqüência do sintoma: quanto mais freqüente, mais importante. Ex: uma cefaléia intensa semanal
repercute na vida do paciente muito mais do que se for mensal ou semestral.

5) Duração do sintoma: quanto mais tempo durar um sintoma, evidentemente será hierarquicamente
superior.Ex: uma cefaléia que dure 2 a 3 dias não pode ser comparada à outra que persista por poucas
horas ou minutos.

O homeopata começa a encontrar seus instrumentos de trabalho quando, através de uma boa
anamnese, consegue sintomas que individualizem aquele caso particular de adoecimento.

É importante observarmos que um sintoma extremamente comum começará a ganhar mais


importância através de modalidades, que são circunstâncias que convertem um sintoma comum em
característico. São fatores que podem modificar um sintoma, provocá-lo ou fazer com que desapareça.
Dentro das modalidades temos as causalidades, que nos fornecem dados importantes para a
escolha de um remédio. Por exemplo: uma diarréia violenta, súbita e em jato tem diferentes significados, em
se tratando de Argentum nitricum ou de Arsenicum album. Em Argentum nitricum a diarréia ocorre em
situações que gerem ansiedade por antecipação (antes de viagens, antes de provas...), enquanto que em
Arsenicum album a diarréia pode ser conseqüência de uma intoxicação alimentar (abuso de frutos do
mar...).
Temos também os fatores de melhora e agravamento. Uma dor articular que melhora com o
repouso lembra logo Bryonia alba, enquanto que uma dor articular que melhora com movimento nos faz
lembrar de Rhus tox.
O homeopata busca portanto a individualização de cada caso, através das modalidades, que na
realidade descrevem detalhes, nuances, dão um “colorido” ao sintoma. Exemplos:

ansiedade é um sintoma mental comum, mas ansiedade ao anoitecer já é um sintoma mental modalizado.
Transpiração intensa é um sintoma geral, transpiração intensa durante o inverno é um sintoma geral
modalizado. Dor de cabeça é um sintoma particular, mas dor de cabeça por raiva é um sintoma particular
modalizado.

Diante de um paciente com um “processo gripal” apresentando coriza, mal-estar, dores no corpo,
falta de apetite, e outros sintomas comuns às pessoas com gripe, poderíamos pensar em usar
medicamentos como Eupatorium perf. ou Gelsemium. O que vai determinar a escolha de um ou de outro é a
existência de outros sintomas que darão a idéia da maneira como esse determinado paciente se manifesta
em seus momentos sintomáticos. Se naquele indivíduo, além dos sintomas acima tivermos calafrios
intensos especialmente entre 7 e 9 horas da manhã ou à noite; sede intensa insaciável, antes e durante o
calafrio e na febre; lassidão generalizada e dores ósseas intensas (especialmente na coluna e membros),
com a sensação de contusão, como se tivesse machucado todo o corpo, como se ossos estivessem rotos,
pensaremos mais em Eupetorium perf.
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Por outro lado, se os demais sintomas forem: início lento e progressivo; calafrios intensos que
começam nos pés e mãos, subindo e descendo pela coluna; febre contínua intensa com ausência de sede;
grande prostração e debilidade; cansaço e peso nos músculos (sensação de pálpebras pesadas, caídas);
confusão, sonolência; desejo de estar só e um grande medo de morrer, optaremos por Gelsemium.

Totalidade sintomática não significa o agrupamento de todos os sintomas que obtemos na


consulta. Refere-se ao conjunto de sintomas que analisados, modalizados e detalhados revelam em toda
sua história mórbida, o modo de ser, sentir, pensar agir e se comportar (física e emocional) do paciente.
Expressa o mais raro, peculiar, característico e individualizante desse ser humano e que o distingue dos
demais.

O significado da totalidade sintomática vai além de um conjunto de sintomas, chamado de “doença”


na medicina alopática. Esse conjunto de sintomas é apenas uma expressão parcial da doença verdadeira,
que se origina no desequilíbrio da energia vital.

A totalidade sintomática é o que individualiza o paciente, mas para a repertorização devemos


escolher, dentro desta totalidade, os sintomas mais importantes e que mais definem o quadro (como se
fossem os poucos traços que um caricaturista precisa para desenhar um personagem), e estes sintomas
que foram priorizados são chamados de “Síndrome Mínima de Valor Máximo”.

As modalidades fundamentais são:

1- HORÁRIOS E FREQUENCIA – manhã, tarde, noite, crepúsculo, a cada 2 dias, etc.


2- CLIMA – ar livre, quente, úmido, sol, tormentas, vento, nas mudanças de quente para frio, etc
3- MOVIMENTO – caminhar, subir, descer, repouso, viajar, bailar, mexer-se, fechar os olhos, exercícios
físicos, etc...
4- OCUPAÇÕES – trabalho físico, mental. Pensar, ler, escrever, calcular, tocar piano, etc...
5- POSIÇÃO – sentado, parado, encostado, agachado, genopeitoral, etc...
6- LUGAR – habitação, cama, na escuridão, multidão, etc...
7- OS OUTROS – sozinho, em companhia, conversar, falar, ser interrompido, más notícias, etc...
8- CAUSA – sem causa, por trivialidades, coisas horríveis, sonhos espantosos, música, ruídos...
9- EMOÇÕES – cólera, mágoa, pranto, depressão, lamentos, mortificação, reprovações, sustos,
excitações, etc...
10- FUNÇÕES – comer, beber, evacuar, urinar, transpirar, coito, menstruação, gestação, lactação,
menopausa, dormir, despertar, dentição, etc...
11- ALIMENTOS – agravação/melhora por alimentos, por odor de alimentos, por ver alimentos, etc.

Essas modalidades podem ser apreciadas individualmente ou combinadas na valorização de um


determinado sintoma.

VALORIZAÇÃO DOS SINTOMAS


SÍNDROME MÍNIMA DE VALOR MÁXIMO

É importante repetirmos que um sintoma extremamente comum começará a ganhar um tom muito
mais expressivo através das modalidades.

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Os sintomas mentais são muito valorizados pelo homeopata, mas é necessário que sejam
característicos, e não comuns, isto é, que não sejam apenas vislumbres da personalidade do paciente. Falta
de auto-confiança, egoísmo, timidez, inveja, autoritarismo, medo da morte são comuns a todos, pertencem
a toda a humanidade. É só sua intensidade, sua capacidade de desequilibrar o indivíduo, seu potencial de
trazer a ele ou aos que com ele convivem um sofrimento, que pode convertê-los em sintomas.
Também as circunstâncias que mudam um sintoma são muito importantes. Como exemplo
tomemos nosso estado de ânimo, qualquer circunstância pode modificá-lo. Basta estar um momento com
uma pessoa que nos desagrade, ou que o tempo esteja muito quente, ou que soe alto a buzina de um carro
para que nosso ânimo mude completamente. Depende também de estímulos internos, basta uma má
recordação, um contratempo que recordamos, um insucesso do passado para que se arruine o nosso
humor. Esta variabilidade de ânimo é normal. Mas quando um estado de ânimo aparece sempre na mesma
circunstância, chama a atenção. Chama atenção que um homem se sinta deprimido todos os dias ao meio-
dia, ou sempre que transpire. O normal é que se deprima hoje ao meio dia, amanhã quando transpira, outro
dia quando caminha. Portanto, o extraordinário é que o homem se deprima sempre nas mesmas
circunstâncias, pelo que esta circunstância passa a constituir-se no que caracteriza esta depressão. Então
podemos considerar esta depressão como sintoma, como manifestação de desajuste, desequilíbrio. Esta
depressão é o que podemos chamar de um sintoma mental característico (ou modalizado).O importante é
detectar a modalidade, a circunstância que converte o sintoma em característico. É normal que uma pessoa
tenha medo antes de fazer provas, isso é comum. O que não é normal é que tenha um sintoma físico ou
mental, desencadeado pela circunstância, por exemplo: “diarréia antes de prova” ou “ansiedade extrema
levando a confusão mental e esquecimento de tudo o que acabou de ler”. As pessoas que somatizam, que
desencadeiam sempre um sintoma por uma situação ou insegurança, vão provar que individualizam sua
ansiedade, seja por meio de diarréia, palpitações ou qualquer sintoma físico.
O estado mental do paciente deve, sempre que possível, ser considerado na escolha do
medicamento, embora em alguns casos eles possam não estar presentes, como por exemplo em caso de
um paciente em coma, ou em um recém nascido.
Hahnemann escreveu: “o estado do temperamento e da mente do paciente é muitas vezes da mais
decisiva importância na seleção homeopática do remédio, sendo um sintoma distinto e peculiar que, menos
que todos, não deve escapar à observação do médico”.
Os próprios sintomas mentais têm hierarquia. As coisas que se relacionam com a memória não são
tão importantes como as coisas que se relacionam com a inteligência, e as coisas que se relacionam com a
inteligência não são tão importantes com as coisas que se relacionam com o afeto (vontade e
entendimento).
Sintomas mentais, para terem valor, devem ser sintomas mentais verdadeiros e não apenas traços
comuns da personalidade de cada um. Por conseguinte, nunca poderemos curar homeopáticamente se não
observarmos em todos os casos de doença, aguda ou crônica, as mudanças e as características da mente
e do temperamento do paciente.
Os sintomas locais e gerais em muitas consultas representam grande porcentagem dos sintomas
relatados pelos pacientes e, se houver objetividade das descrições, podem nos permitem uma avaliação
mais adequada do quadro que nos é exposto. Exemplo: uma criança com febre alta, face vermelha, pupilas
dilatadas, transpiração quente, com quadro de amigdalite, com garganta seca, de cor vermelho brilhante
escuro, pior do lado direito, fala a favor da escolha de Belladona. Outro exemplo: grande acúmulo de
catarro no peito, com dificuldade de expectorá-lo fala a favor de Antimonium tartaricum.
O exame físico de um doente nos fornece sintomas que, se não alcançam um grau de hierarquia
tão grande como um sintoma mental, são pelo menos mais claros, objetivos e indiscutíveis, podendo sem
dúvida consolidar o diagnóstico de um remédio que os sintomas mentais já sinalizaram. A biotipologia, o
exame físico e constitucional de um paciente podem até confirmar alguns sintomas da anamnese ou fazer
com que suspeitemos de outros.
É importante a totalidade sintomática, que vai além de um conjunto de sintomas, chamado de
“doença” (=entidade nosológica) na medicina alopática. Na realidade, esse conjunto de sintomas é apenas
uma manifestação parcial da doença verdadeira, total, que se origina no desequilíbrio da energia vital que
permeia todo o corpo.
O objetivo da consulta homeopática é revelar os sintomas do paciente, de forma a permitir sua
comparação com os sintomas da Matéria Médica, visando selecionar o medicamento homeopático
semelhante. Toda enfermidade possui sua imagem sintomática na Matéria Médica, que de uma certa forma,
é como um “fichário policial” onde se encontram as “fotos” de muitos “vilões patológicos” do mundo.
Diante de um paciente com “processo gripal” incluindo coriza, mal-estar, dores no corpo, falta de
apetite, e ouros sintomas comuns a toda pessoa com gripe, poderíamos pensar em usar medicamentos
60
como Eupatorium perfoliatum ou Gelsemium. O que vai determinar a escolha de um ou de outro é a
existência de outros sinais e sintomas que darão a idéia da maneira global, total, como esse determinado
paciente se manifesta em seus movimentos sintomáticos. Assim, se além dos sintomas acima tivermos
calafrios intensos especialmente entre 7 e 9 horas ou de noite, sede intensa insaciável, antes e durante o
calafrio e a febre, lassidão generalizada e dores óssea intensas, especialmente na coluna e membros, com
a sensação de contusão, como se tivesse machucado todo o corpo, como se os ossos estivessem rotos,
pensaremos mais em Eupetorium perf. Por outro lado, se os demais sintomas forem: início lento e
progressivo, calafrios intensos que começam nos pés e mãos, subindo e descendo pela coluna, febre
contínua intensa com ausência de sede, grande prostração e debilidade, cansaço e peso nos músculos,
sensação de pálpebras pesadas, caídas, confusão, sonolência, desejo de estar só e um grande medo de
morrer, optaremos por Gelsemium.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Para o homeopata o que seriam os sintomas?

2. Qual o objetivo da consulta homeopática?

3. Classifique segundo a hierarquia os sintomas de um paciente.

4. Dê um exemplo de sintoma mental.

5. Como se dividem hierarquicamente os sintomas mentais?

6. O que são sintomas gerais?

7. Alem de hierarquizar os sintomas em mentais, gerais e particulares quais as

características que devem ser valorizadas em cada tipo de sintoma?

8. O que são modalidades? Dê cinco exemplos de modalidades.

61
6ª AULA

REPERTÓRIO e REPERTORIZAÇÃO

REPERTÓRIO

Definição:

É um livro composto por todos os sintomas observados na experimentação e na prática clínica,


relacionados cada qual, a todos os medicamentos que os produziram ou curaram.

Tipos de Repertórios:

O 1º Repertório foi o de Bönninghausen publicado em 1830.

O Repertório de Kent foi escrito em 1898, é o mais completo, mais metódico e mais organizado, James
Tyler Kent, levou 35 anos para completá-lo. Ele é baseado nas Matérias Médicas de Hahnemann, Allen,
Hering, Bönninghausen e nas curas clínicas do próprio Kent.

Está organizado em estrutura em árvore, como na computação moderna, em que o tronco


corresponde à seção (ex.: Mente), o galho a rúbrica ou sintoma (ex.: Medo do Escuro) e a folha
corresponde a sub-rúbrica ou modalidade (ex.: Medo do Escuro ao Entardecer).

Consiste em 37 seções, a primeira sobre os sintomas mentais, seguida de seções correspondentes


a cada parte do corpo, como um homem de pé e terminando com seções referentes aos sintomas
classificados como gerais. Em cada seção os sintomas são relacionados por ordem alfabética, com suas
modalidades, conforme uma sistematização que se repete por toda a obra, isto é, de cima para baixo e do
geral para o particular.

Emprega palavras extraídas das Matérias Médicas, isto é com a linguagem simples dos
experimentadores, não utilizando terminologia médica. Ex: Nefrite – é encontrada em inflamação dos rins.
Hipertrofia – é encontrada em aumento da glândula.

(...)

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

5. O que é Repertório? 6. Qual a utilidade do Repertório na prática homeopática?

14
REPERTORIZAÇÃO

Chamamos repertorização à busca, nos repertórios homeopáticos, daqueles medicamentos que


melhor cobrem a totalidade sintomática apresentada pelo paciente.
Antes do uso de programas de computação no auxílio da repertorização homeopática, esta era feita
escolhendo-se, entre todos os sintomas, aqueles que representassem uma “caricatura” do paciente,
compondo uma “Síndrome Mínima de Valor Máximo”, isto é, um grupo de sintomas que melhor pudessem

14 a
propedêutica, 13 aula
62
particularizar e descrever aquele determinado paciente. Procuravam-se, então, nos repertórios, os
medicamentos que apresentavam esse conjunto de sintomas. Como se pode supor, a escolha equivocada
de um sintoma poderia excluir a possibilidade de chegar-se ao medicamento mais adequado ao indivíduo.
Depois, com a facilidade que esses programas computadorizados trouxeram, os homeopatas
passaram a poder incluir na repertorização todos os sintomas modalizados do paciente, sem muitos
critérios. Isso levava a erros tais como:
• O não entendimento do paciente como um todo.
• A não percepção do que é mais essencial em sua individualidade.
• A prescrição sistemática de policrestos, já que esses são medicamentos que foram exaustivamente
experimentados, estando por isso presentes em um grande número de sintomas nos repertórios.
Por isso optamos por retomar o cuidado na arte da repertorização com aquele que dedicou trinta e
cinco anos de sua vida na elaboração do seu repertório, isto é com James Tyler Kent.
Para Kent o mais importante era estabelecer uma relação entre a sintomatologia do paciente e a
sintomatologia da Matéria Médica, da forma mais aproximada possível, onde o repertório serviria de ponte
entre os dois.
Naquela época ainda não se contava com os modelos desenvolvidos por Freud e Jung, de
interpretação e a análise dos sintomas psíquicos.
Kent usava como ponto de partida as rubricas que falavam dos estados gerais do paciente e ao invés
de pegar sintomas pequenos, ele propunha que se partisse de rubricas grandes (isto é, aquelas que estão
relacionadas a um grande número de medicamentos).
Exemplo: se o paciente dissesse que tinha sintomas que agravavam pela manhã, Kent começaria
usando generalidades manhã, ele não iria procurar especificamente na rubrica dos sintomas que pioravam
pela manhã. Assim, ao invés de estreitar a repertorização, desde o início, com uma lista pequena de
medicamentos, ele iniciava por uma lista enorme.
Primeiro, ele particularizava tudo que falasse de agravações e melhorias nos sintomas gerais do
paciente. Depois, ele considerava todos os seus desejos, mentais e físicos.
Ou seja, na técnica repertorial, ele ao invés de partir dos sintomas mentais como os mais
importantes, abria a repertorização como sendo as modalidades gerais as mais importantes. Ele observava
primeiro como o paciente como um todo reagia ao meio ambiente ( como ele reagia ao tempo, como ele
agravava ou melhorava... ) e depois sim, pegava os sintomas mentais, listando os sintomas da vontade
(desejos, aversões) e os sintomas do entendimento (quando o paciente perde a percepção da realidade, a
razão entre o certo e o errado).
Exemplo: Kent tomava primeiro um sintoma geral ( agrava no frio seco ) depois pegava um sintoma
da vontade (desejo de comer doces) e em terceiro tomava um sintoma do entendimento (medo de falhar).
Seguindo este caminho, Kent se resguardava de possíveis erros de interpretação ou julgamento na
identificação dos sintomas mentais. Os sintomas gerais, por serem objetivamente observáveis, pareciam-lhe
mais seguros. Feito esta lista com os primeiros sintomas, Kent buscava na Matéria Médica os
medicamentos com sintomas mais semelhantes aos sintomas particulares do paciente.
Kent dizia que o remédio homeopático tinha que apresentar, além dos sintomas mentais e gerais, a
potencialidade de desenvolver os sintomas orgânicos, daquela determinada forma.
Depois de fazermos esta lista que caracteriza o paciente, podemos ir então aos sintomas particulares
que vão falar da doença do paciente.
Kent dizia que, à medida que a doença orgânica evoluía, ela suprimia os sintomas que dirigiriam o
tratamento ( gerais e mentais ) e que seria um mau prognóstico o paciente não ter mais estes sintomas,
mesmo que ele conseguisse se lembrar deles.
Exemplo: um portador de câncer em uma forma mais avançada, não terá mais sintomas gerais ou
mentais, só os sintomas provocados pela dor do câncer, ou seja, aqueles sintomas da parte estão
ofuscando toda a sintomatologia própria da natureza do paciente.
Kent acreditava que a prescrição poderia até ser baseada naqueles sintomas antigos, mas
seria sempre nesse caso um mau prognóstico, porque a Energia Vital, estaria totalmente
combalida em função da doença orgânica.
Kent orientava como trabalhar com o repertório via sintomas particulares: “sempre que vocês forem
procurar um sintoma no repertório, devem imaginar se este sintoma pode ser subdividido em outros
sintomas. Isto se aplica, também, aos sintomas mentais”.

63
Por exemplo, podemos analisar o diagnóstico depressão e então subdividi-la em depressão a que
horas, como, porque? Vamos então transformar um aparente sintoma único em um número grande de
sintomas, enriquecendo nossa anamnese.
Outro exemplo: câimbra de escritor, se nos basearmos exclusivamente no diagnóstico, vamos chegar
em uma lista limitada de remédios. Mas se for examinado com mais cuidado saberemos, que locais
apresentam estes sintomas (dedos, braços e mãos ou os três), qual é a sensação apresentada (pontada,
paralisia, dormência), em que circunstâncias esse sintoma aparece, nesse caso o que promove a doença,
que é o movimento da mão.
Kent utilizava nos sintomas particulares as rubricas gerais e não as rubricas pequenas, no caso
acima ele utilizaria câimbras dos dedos e não câimbra do escritor.
Ele achava que as rubricas pequenas tinham um valor relativo, porque elas estavam, principalmente
assinalando os remédios, que confirmadamente na prática, tinham curado aqueles casos particulares, em
se utilizando o método das rubricas gerais. Portanto, as rubricas pequenas servem ao homeopata para
ratificar sua hipótese medicamentosa, mas não devem ser utilizadas na repertorização para excluir
medicamentos da nossa lista.

Ao se estudar um caso, deve-se observar quais são as modalidades que se repetem ao longo dos
sintomas do paciente. Pois se uma determinada modalidade se tornou constante nos sintomas
particulares, ela pode ser elevada a categoria de geral, embora não apareça dentro da experimentação
como geral. Por exemplo: pacientes que agravam pelo movimento (tanto os sintomas mentais, quanto os
gerais e os particulares).
O que Kent propunha era que se começasse o estudo via as rubricas grandes, pois as rubricas
pequenas, são na sua maioria confirmações de curas clínicas, pois Kent pedia para os médicos da época
que tivessem realizado curas a partir dos sintomas gerais, que mandassem para ele os resultados da cura,
esses resultados eram expressos na forma de rubricas pequenas.
Kent falava que esse era o legítimo uso do sintoma clínico; isto é, depois de curas feitas com o
remédio selecionado (desta forma), eles poderiam ser agregados a lista pequena de particulares. Desta
maneira o repertório cresceria em utilidade.
Kent: “O repertório está na sua infância e pode permanecer por muito tempo a não ser que
todos que o usam se unam para preservar sua experiência em casos bem prescritos e oferecer ao
autor tais casos. O autor está devotando sua vida ao crescimento e preenchimento e
aperfeiçoamento do seu trabalho. Implora a todos os trabalhadores verdadeiros que cooperem para
anotar os erros e omissões e acima de tudo, anotar estas modalidades particulares, que vieram a
partir dos gerais e foram observadas nas curas”.
Existem na atualidade vários programas de repertorização homeopática. A título de ilustração,
apresentaremos as várias etapas do processo de repertorização feita por um desses programas. Utilizamos,
para este trabalho um ou vários casos clínicos colhidos individualmente pelos alunos.
Para tal, após a colheita da anamnese, cada aluno deverá selecionar os sintomas homeopáticos,
classificá-los em mentais, gerais e particulares e compor uma síndrome mínima de valor máximo, a partir da
qual se iniciará o processo de repertorização.

64
8 a . AULA

MIASMAS: SIGNIFICADO PARA HAHNEMANN.

PSORA, SÍFILIS e SICOSE.

O primeiro ponto do trabalho do verdadeiro médico é saber o que é preciso para curar o
doente.

A doença aguda, no conceito Hahnemanniano, representa perturbação rápida da força vital que
inexoravelmente evolui ou para a cura, ou para a morte.

A doença crônica, por outro lado, tem carater recidivante e tendência a permanecer.

Hahnemann considerava as doenças agudas de fácil controle, mas observou que as doenças
crônicas se manifestavam nos pacientes até o fim de suas vidas, quando não os matavam durante o seu
transcurso. Por esta razão desenvolveu o conceito de MIASMAS CRÔNICOS.

MIASMA é uma palavra da época de Hahnemann e que servia para designar emanações dos
pântanos e que teriam poderes de provocar doenças. Atualmente usa-se também a palavra DIÁTESE como
MIASMA.

DIÁTESE é um modo de reagir, uma tendência ou uma predisposição a adoecer. Ë importante


lembrar que Hahnemann viveu do século XVIII para o XIX e chegou a ser companheiro de Laenec
(estetoscópio), ou seja, viveu numa época anterior ao aperfeiçoamento do microscópio.

Depois de quase 20 anos de prática clínica, Hahnemann reavaliando seus resultados, observou a
recorrência dos sintomas ou o aparecimento de novos males, em pacientes que haviam recebido o
medicamento aparentemente semelhante.

Viu que deveria existir um aspecto da enfermidade que estava sendo ignorado. Empreendeu
pesquisa exaustiva a partir de todos os casos crônicos reincidentes. Buscava a presença de algum
denominador comum, capaz de explicar a profunda e invisível “fraqueza” que predispunha a essa condição
crônica. Tal “fraqueza” Hahnemann chamou de MIASMA, e em 1827 após pesquisar por doze anos
convenceu-se de ter encontrado este denominador comum.

Estabeleceu que todas as enfermidades crônicas podiam ser consideradas MIASMÁTICAS. “As
verdadeiras doenças crônicas naturais são oriundas de um miasma crônico. Quando entregues à própria
sorte, e não combatidas pelo emprego de remédios específicos, continuam sempre aumentando e piorando.
Nào obstante os melhores regimes mentais e físicos, atormentam o paciente até o fim de sua vida, com
sofrimentos sempre crescentes. Esses são os mais numerosos e maiores flagelos da raça humana.. Mesmo
a constituição física mais robusta, o modo de vida mais normal e a força vital mais enérgica são
insuficientes para sua erradicação.” (§78)

Supôs de início a presença de um princípio contagioso, que se manifestava na desarmonia da


totalidade do organismo. Observou que havia uma tendência em localizar a desarmonia geral nos planos
superficiais do organismo. Esta localização em planos superficiais (ex: pele ) não significava a
desaparecimento de tal desarmonia, era só o intento de calar o sofrimento geral e de preservar o todo as
custas de uma parte.

65
Hahemann descobriu que em numerosos casos o obstáculo para a cura poderia ser atribuído a uma
erupção escabiótica anterior, mencionada pelos doentes; e que todos os males de que eles se queixavam
remontavam àquele período. Agrupou todos os tipos de erupções pruriginosas e similares a sarna e
determinou que correspondiam a um miasma que êle chamou de PSORA.

A sarna era chamada de PSORA pelos gregos. PSORA significa flor, com evidente referência à
floração na pele da enfermidade interna. Diziam que a sarna era uma enfermidadebenéfica que punha fim a
doenças graves, que preservava o organismo de muitas complicações e que inclusive era capaz de curar
algumas afecções quando inoculada em certos enfermos.

Hahnemann conferiu à PSORA, miasma representado externamente pela vesícula da sarna, a


responsabilidade por 7/8 das doenças crônicas. Afirmou ser este o maior e mais importante dos Miasmas.

Considerou ainda outros dois miasmas, aos quais atribuiu um contágio venéreo prévio: a SÍFILIS e
a SICOSE. O princípio contagioso destes miasmas para Hahnemann era o “coito impuro”. Descreveu como
primeira localização superficial da SÍFILIS o cancro, e para a SICOSE os condilomas e a secreção
gonorreica.

Comprovou que a resposta não satisfatória que mostravam alguns casos frente aos tratamentos
aparentemente bem indicados se devia ao fato da enfermidade ter sido considerada parcialmente, por ter-se
levado em conta ou apenas o desequilíbrio localizado ou só seu estado atual.

Todos os Miasmas começam como enfermidades internas do organismo inteiro, antes que a
supressão do sintoma exterior os rechace a um silêncio aparente. Observou a tendência do organismo em
localizar seu sofrimento em um plano superficial. Mas isto não levava a resolução da enfermidade. “...cada
uma dessas três infecções ( Psora, Sífilis, Sicose ) estava de posse de todo o organismo, invadindo-o em
todas as direções, antes do aparecimento do sintoma local vicário e substituto de cada uma delas ( da
Psora a erupção da sarna, da Sífilis, o cancro, e da Sicose os condilomas ),impedindo sua explosão. Estas
doenças crônicas miasmáticas, quando privadas de seus sintomas locais, estão destinadas pela Natureza
poderosa, cedo ou tarde, a desenvolverem-se e eclodem, propagando desta forma as misérias inominadas,
o número incrível de doenças crônicas que infestaram a humanidade por centenas de milhares de anos....”
.(§ 204)

Segundo suas primeiras observaçoes os três Miasmas apresentariam semelhanças na sua


evolução, compreendida por: um período de contágio, um de incubação em que o organismo inteiro seria
penetrado pela infecção, e um último, de manifestação exterior do Miasma por meio do qual a Natureza
anunciaria o completo desenvolvimento da enfermidade miasmática e sua propagação por todo o
organismo.

No caso da Psora definiu:

PSORA PRIMÁRIA – primeiro período da Psora, compreendido desde a infecção até sua primeira
manifestação externa.

PSORA LATENTE – quando após a supressão da manifestação externa, por tratamentos locais ou por
desaparição espontânea, a Psora se reduziu a um silêncio aparente; não significando que desapareceu
nem que deixou de destruir o organismo. Poderia passar desapercebida ou ser reconhecida por
66
deteminados sinais (transtornos funcionais, desejos e aversões, sensasões, suores localizados, transtornos
do sono, etc...).

PSORA EM ATIVIDADE - se este sujeito fosse colocado em um meio de circunstâncias adversas (físicas ou
morais), despertaria deste estado de letargia, manifestando patologias orgânicas (desde funcionais até
úlceras e tumores), bem como transtornos de carater e mentais.

Apesar de no início, Hahnemann ter atribuído a causa das enfermidades à “princípios contagiosos”,
mais tarde ele assinala a importância da susceptibilidade como colocado no parágrafo 31 do Organon: “As
forças inimigas, psíquicas e/ou físicas, às quais estamos expostos em nossa existência Ter rena, às quais
chamamos agentes mórbidos, não possuem o poder incondicional de perturbar a saúde do homem, apenas
os afetando quando o organismoencontra-se predisposto ou suscetível a seus ataques, alterando sua saúde
e fazendo-o experimentar sensações e funções anormais. Por isso não produzem doenças nem em todos,
nem sempre.”

Portanto, os Miasmas são anteriores a toda manifestação clínica. São êles que tornam possível aos
agentes exteriores adquirirem a condição de patogênicos.
O desenvolvimento de todo desvio da Energia Vital depende da sua condição prévia de ser
suscetível de se desequilibrar.

O conceito de Miasma foi reestudado por vários autores. A título de ilustração citaremos apenas
alguns, mas vários outros abordaram este mesmo assunto, tão vasto e tão polêmico.

Kent e Allen retiraram o valor da erupção escabiosa, do cancro e do condiloma como antecedentes
para a classificação miasmática das entidades nosológicas, e os substituíram pela atitude mental do
indivíduo. Segundo Kent a enfermidade é uma só, manifestada através do desequilíbrio da Energia Vital,
desequilíbrio este representado pela totalidade dos sintomas (particulares e peculiares de cada paciente e
de cada medicamento) e que expressam em seu conjunto a Dinâmica Miasmática. A susceptibilidade
constitucional é anterior às circunstâncias externas e é a origem e a primeira causa manifesta de seu
desequilíbrio sendo chamada por Kent de Psora Primária - o desacordo entre a maneira de sentir e atuar e
sua maneira de ser – idéia errada de ser.

Para Kent, a Psora corresponde ao sofrimento enquanto a Sífilis e a Sicose à ação para aplacar
esse sofrimento.

Outro autor que contribuiu para a evolução do estudo do conceito de Miasma foi Masi. Segundo êle
a enfermidade é uma só, que começando na angústia de saber-se vulnerável, impele o homem primeiro a
um estado de alerta exagerado, depois o faz reagir aperfeiçoando alguma das reações: fugir do meio,
destrui-lo ou dominá-lo.

67
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO:

1. Que significava na época de Hahnemann a palavra Miasma?

2. Atualmente qual o significado da palavra Miasma (Diátese)?

3. Quais eram os Miasmas para Hahnemann?

4. Quais as primeiras localizações em planos superficiais que Hahnemann relacionou

à Sífilis e à Sicose?

5. Hahnemann relacionou as erupções pruriginosas e similares à sarna a qual miasma?

6 Por que Hahnemann chamou o principal Miasma de Psora?

7 Apesar de Hahnemann no início atribuir a causa das enfermidades a princípios

contagiosos, o que ele assinala no parágrafo 31 do Organon e que explica a origem

do desequilíbrio da Energia Vital?

8 Os miasmas são anteriores ou posteriores a uma manifestação clínica?

68
9 a .AULA

CONSTITUIÇÃO, TEMPERAMENTO E DIÁTESE

A avaliação da constituição, do temperamento e da diátese é mais uma ferramenta a ser usada, em


conjunto com toda a semiologia homeopática, na difícil tarefa de encontrar o medicamento melhor indicado
para cada paciente. Esta análise nos auxilia a compreender melhor as predisposições dos diferentes
indivíduos a serem tratados. Podemos chamar este conjunto de avaliações como estudo do “terreno”.
Estudar tendências mórbidas, estigmas morfológicos ou modo funcional não é substituto para a procura da
totalidade sintomática característica, mas valioso complemento na busca do similimum.

Trata-se de assunto muito vasto, e seu aprofundamento é tema de cursos de pós-graduação;

assim aqui será mostrada apenas uma visão bem resumida, baseada na teoria clássica francesa, na teoria
atual do Professor Romeu Carillo Jr. e em recortes do livro “Os fundamentos da Medicina” – Walter E.
Maffei, incluído em “Doutrina Médica Homeopática”, publicado pelo Grupo de Estudos Homeopáticos de
São Paulo “Benoit Mure”em 1986.

O terreno é o pano de fundo indispensável ao “drama mórbido” de cada indivíduo. Seu conhecimento
permite compreender um estado patológico, suas origens e seu futuro - isto é: sua etiologia e sua evolução.

Doença, dentro da visão homeopática, é toda e qualquer alteração da Energia Vital que leva o organismo a
um desequilíbrio. A doença é uma reação do organismo para fazê-lo voltar ao estado de saúde,
manifestando-se por alterações das sensações e funções do organismo.

Segundo Maffei, doença é o complexo de alterações morfológicas, funcionais e mentais, de caráter


evolutivo, que se manifestam no indivíduo doente submetido a causas estranhas (noxas) e pelas quais ele
reage. As moléstias só se instalam em “terrenos propícios”, o que se denomina “predisposição”. As
alterações do equilíbrio da homeostase tornam o organismo sensível às moléstias às quais ele já era
potencialmente predisposto.

Podemos concluir que a doença surge porque o indivíduo encontrou sua causalidade extrínseca.

TERRENO compreende:

1. Constituição
2. Temperamento
3. Diáteses
A biotipologia engloba a constituição e o temperamento, e é considerada útil quando nos ajuda a ver no
indivíduo estigmas que indiquem “como seu organismo funciona”.

CONSTITUIÇÃO

Observa-se uma evolução histórica do conceito de constituição.

_ Hipócrates (460 AC -377 AC), já mencionava a existência do “habitus ptisicus” e do “habitus apopleticus”,
numa referência a tipos físicos onde se encontrava uma maior freqüência de casos de tuberculose e de

69
acidentes vasculares, respectivamente. Aristóteles (384 AC - 322 AC) e Porta (1652) foram outros dos
muitos autores que tentaram classificar os indivíduos em “tipos” que apresentassem características em
comum.

Passando por diversas tentativas de sistematização, chegamos a Henry Bernard, que para sua classificação
(1947) considerou funções, predisposições e comportamento dos indivíduos. Concepções modernas
definem constituição como estrutura total - física e psíquica - do indivíduo, conseqüência tanto de fatores
hereditários quanto adquiridos. A constituição não é apenas um elemento estático (morfológico entre
outros), mas pode ser alterada como resultado de reações dinâmicas que se dão no decorrer das doenças.

A constituição é portanto o biótipo do indivíduo. Raramente encontraremos biótipos “ puros” , sendo o


habitual observar-se que cada indivíduo tem características de várias constituições, havendo em geral a
predominância de uma delas.

Cada Constituição carrega determinadas características morfofisiológicas e uma forma própria de reagir, o
que tenderá a formar um conjunto particular de sintomas se o estado de equilíbrio for rompido.

Na Constituição Fosfórica o indivíduo é do tipo longilíneo, magro e alto, com membros longos, sendo a
envergadura maior que a altura. A face é triangular, sobressaindo o terço superior do crânio. O palato é em
ogiva, e seus dentes são amarelados, retangulares e separados. A oclusão dentária é imperfeita, com
protusão dos dentes anteriores, e arcada em elipse. O pescoço é longo. O tórax é achatado antero -
posteriormente, com ângulo condrocostal (ângulo de Charpy) inferior a 90°, e há o predomínio do tórax
sobre o abdome.

As mãos são flexíveis, com dedos longos em relação à palma, unhas longas, amendoadas e finas. Há
hipotonia muscular e frouxidão ligamentar moderadas. O ângulo de extensão dos membros superiores é
igual a 180°. Há uma hipersensibilidade nervosa e i maginativa.

Na Constituição Carbônica o indivíduo tende essencialmente à forma arredondada e à baixa estatura. A


face é em forma de lua e predomina seu terço inferior. A articulação dentária é regular, com oclusão perfeita
e dentes brancos e quadrados. O pescoço é curto. A mão é quadrada, larga e curta, e seus dedos são
curtos com pontas e unhas quadradas. O ângulo de extensão forçada de membros superiores (face interna
dos cotovelos) é menor que 180 º ; em pé mantém os membros em semiflexão. Tem um menor estímulo
tireoidiano, o que o torna mais lento e contribui para a obesidade, com predomínio do abdome sobre o
tórax, apresentando a cintura pélvica bem desenvolvida. Ângulo de Charpy superior a 90°. Suas atitudes
são rígidas. Tem grande resistência física. Os carbônicos são indivíduos com tendência ao hiper-
suprarrenalismo relativo, que pelo aumento do colesterol que provoca, acentua a tendência a esclerose.

Dentro da Constituição Sulfúrica temos três tipos:


o sulfúrico equilibrado (ou neutro),
o sulfúrico gordo (ou esclerótico),
e o sulfúrico magro.
O sulfúrico neutro apresenta a altura igual à envergadura, geralmente é um indivíduo bem proporcionado,
de estatura mediana, magro, de tipo esportivo e com bom desenvolvimento muscular. Apresenta a face
70
corada e medidas idênticas para os três terços faciais. Os dentes são quadrados, branco-amarelados, a
implantação dentária é perfeita e palato com curvatura suave Ângulo de Charpy igual a 90 º . Ângulo de
extensão forçada dos membros superiores um pouco inferior a 180 º , por uma leve tendência a hipertonia
muscular. Mãos equilibradas com o comprimento das palmas igual ao comprimento do dedo médio.

O sulfúrico gordo ou esclerótico é morfologicamente semelhante ao Carbônico. Apresenta predominância


de funcionamento da supra-renal, com tendência a aumento de colesterol e ao desenvolvimento de quadros
de esclerose. São robustos e resistentes, e evoluem com desenvolvimento progressivo do abdome.

O sulfúrico magro tende ao emagrecimento (que ocorre principalmente na parte superior do corpo), em
geral devido à recuperação incompleta de enfermidades agudas ou debilitantes.

Tem musculatura bem desenvolvida o que o faz diferente do fosfórico, apesar de apresentar-se de maneira
um pouco semelhante a ele.

Segundo Henri Bernard, a Constituição Fluórica é considerada uma constituição resultante de um desvio
de qualquer uma das três outras constituições de base. O tipo fluórico é física e mentalmente irregular. A
estatura é variável assim como o peso, mas freqüentemente são magros. Tem aspecto envelhecido, pele
seca, enrugada. Os dentes são amarelados, acinzentados, escuros e triangulares (estreitos na
implantação). Há tendência ao retrognatismo e as cáries são muito freqüentes. O palato é francamente
ogival. Os membros tendem a serem alongados.

Apresenta hiperfrouxidão ligamentar e o ângulo de extensão dos membros é maior do que 180 º .

As mãos têm grande flexibilidade dorsal. O arco plantar é caído e o indivíduo tem tendência a entorses.

TEMPERAMENTOS

Contrariamente à constituição, o temperamento é adquirido e evolui segundo as idades.

Durante a infância o organismo encontra-se adaptado a um trabalho de crescimento, enquanto que na


velhice estará minado por um processo geral de esclerose. A diferença desses modos reacionais manifesta-
se tanto na saúde quanto na doença; uma criança não tem as mesmas doenças que um adulto e vice-versa.
Cada temperamento reage com uma maior ou menor plasticidade (anabolismo / catabolismo), e uma
capacidade maior ou menor de se defender (tonicidade)

LINFÁTICO
TEMPERAMENTOS SANGUINEO
BILIAR
ATRABILIAR

__ Temperamento Linfático –

71
é o temperamento da infância, com predomínio das reações celulares anabolizantes. As reações são em
geral sistêmicas, mas pouco tônicas - por ser um sujeito jovem, ainda pouco adaptado às agressões
mórbidas.
. tonicidade baixa - grande plasticidade

__ Temperamento Sanguíneo –

encontrado no adolescente e no adulto jovem. A plasticidade celular está no máximo, e estes indivíduos
serão tônicos porque o já houve uma adaptação às agressões mórbidas da infância.
. amadurecimento da plasticidade e tonicidade – reações estênicas

__ Temperamento Biliar -

é o temperamento do adulto maduro. Há predominância do catabolismo sobre o anabolismo, embora ainda


apresente boa imunidade. As reações orgânicas serão mais localizadas, mas se farão ainda com um tônus
idêntico ao do sangüíneo.
. diminuição da tonicidade e acometimento da plasticidade

__ Temperamento Atrabiliar –

encontrado na velhice. Nesta fase os órgãos de eliminação já não funcionam tão bem, e o processo de
esclerose já se instalou. As reações orgânicas serão atônicas como as dos linfáticos, mas não mais
generalizadas, e sim localizadas, principalmente a nível do sistema nervoso e dos órgãos emunctorias (rins,
fígado).
.plasticidade e tonicidade baixas

DIÁTESES

O termo Diátese (do grego Diathesis, disposição) traduz-se por uma predisposição para contrair uma série
de doenças diferentes, mas de natureza idêntica., e que acomete um indivíduo simultânea ou
sucessivamente. Diátese ou Miasma é um modo especial de reagir a certas agressões sob forma de
manifestações mórbidas que são em geral específicas àquela diátese. A manifestação de uma diátese é um
mecanismo conjunto que depende por um lado da fragilidade que o organismo traz, e por outro da
causalidade extrínseca. comum observarmos as diáteses mistas, ou miasmas complexos convivendo num
mesmo organismo.

PSORA
DIÁTESES SÍFILINISMO
SICOSE
TUBERCULINISMO

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Tente identificar a constituição, e o temperamento de alguma pessoa que você conheça, justificando com
suas características.

72
10 a .AULA

PSORA, SICOSE, SIFILINISMO E TUBERCULINISMO

O dicionário médico de Stedman define diátese como “ conjunto de afecções diferentes quanto a sede e
sintomas, mas aparentemente de mesma natureza, e que acomete o mesmo indivíduo simultânea ou
sucessivamente” .

Podemos assim entender que diáteses são tipos de predisposiç es ou vulnerabilidades gerais do organismo
para adquirir determinados grupos de moléstias.

Embora este estado possua caráter hereditário, suas manifestações podem não aparecer desde o
nascimento, mas em qualquer época da vida. O indivíduo seria predisposto a esta ou aquela doença, em
vista de sua incapacidade de resolver os desequilíbrios das constantes internas provocados pelos agentes
mórbidos (causalidades).

Na “ Teoria das Doenças Crônicas” Hahnemann não utilizou o termo “ diátese” , mas definiu três modos
reacionais característicos - psora, sicose e sífilis - relacionando-os a fatores hereditários e adquiridos. Seu
estudo, por fundamentar-se em raciocínio eminentemente indutivo, resiste ao tempo!

A partir de Hahnemann a “ Teoria Miasmática” vem sofrendo uma evolução na sua concepção - desde a sua
primeira teoria contagiosa, depois evoluindo para o conceito de susceptibilidade, até a teoria fisiopatológica
que predomina nos dias de hoje.

A seguir falaremos destes quatro modos reacionais do organismo, visto que além dos 3 miasmas definidos
por Hahnemann será incluído o tuberculinismo, diátese descrita como “ estado miasmático independente”
pela primeira vez por Nebel, e que recebeu sua definição atual por Fortier-Bernoville, Henri Bernard e Zissu.

Identificar as diáteses presentes no paciente poderá facilitar a procura do remédio homeopático e orientar a
estratégia terapêutica curativa e/ou preventiva (sabendo o prognóstico, em função do conhecimento das
tendências evolutivas da diátese). Mas sempre deve ser lembrado que conhecer os sinais diatésicos não
substituirá a prescrição orientada pelos sinais patogenéticos dos remédios.

PSORA

Todos os distúrbios da saúde que estão presentes na Psora desenvolvem-se fundamentalmente a partir da
simpaticotonia e do aumento da secreção dos hormônios da supra-renal.

A Psora apresentará duas fases:

__ Fase estênica ou anabólica (onde encontraremos um paciente ativo, com tendência a manifestações
centrífugas). Haverá aumento de 17-ceto-esteróides o que provocará efeito anabólico e ação hipertrofiante
sobre as glândulas sebáceas.

__ Fase astênica ou catabólica. Ocorrerá a diminuição dos 17-ceto esteróides e aumento dos
glicocorticóides. Esta elevação dos níveis de glicocorticóides provocará, por exemplo: aumento da
glicogenólise, elevação do colesterol e calculose biliar, aumento da secreção gástrica, tendência a
supuração, vaso-constricção periférica (por simpaticotonia), hipertensão arterial sistêmica (por vaso-

73
constricção periférica +aumento do colesterol + nefrosclerose), azia, obstipação/diarréia, aversão às
gorduras, astenia, irritabilidade.

A Psora é uma auto e hetero intoxicação crônica, e tem como fatores etiológicos:

__ Sedentarismo

__ Excessos alimentares

__ Ambiente poluído

__ Emoções persistentes e situações conflitantes

O psórico se intoxica pelo que come e também pelo que não consegue metabolizar. O indivíduo acumula
toxinas resultantes de perturbações diversas do metabolismo orgânico. Os dejetos são insuficientemente
degradados ao nível dos órgãos de desintoxicação (principalmente o fígado), bem como são retidos pelo
mau funcionamento dos emunctórios (intestino, rim, pele).

Há um excesso de amônia e uréia; e uma produção aumentada de ácido úrico. È comum a elevação do
colesterol sérico, que é o fator esclerosante principal da psora.

Os biótipos sulfúrico e carbônico serão os mais predispostos à Psora, principalmente pelo comportamento
glandular e higieno-dietético.

As eliminações do psórico são bastante características:

__ São essencialmente cutâneas

__ Aliviam o doente

__ Têm tendência centrífuga

__ Fazem alternância

__ Seu bloqueio acentua a Psora


__ Têm a qualidade alterada, proporcionando excelente meio de cultura

Indivíduos psóricos têm transpiração abundante e quente, o que propicia condições favoráveis para a
instalação de parasitas na pele (exemplo: micoses superficiais, escabiose).

O psórico tem tendências alérgicas por causa dos níveis séricos de IgE elevados. Faz quadros como rinite,
asma, angioedema, urticária, erupções cutâneas pruriginosas.

Concluímos que além de doenças de pele como por exemplo acne, eczemas, micoses e parasitoses,
também faz parte da Psora a tendência às doenças do metabolismo como a gota úrica, a obesidade, o
diabetes, a calculose biliar e de vias urinárias, arterioesclerose, alguns tipos de reumatismo, neuralgias.
Com o tempo o indivíduo vai ficando astênico, diminui sua capacidade de trab alho, intelecto e memória vão
sendo prejudicados, e podem surgir perturbações neurológicas como insônia, sonolência pós-prandial,
irritabilidade, melancolia, pessimismo, cefaléia.

Achados freqüentes no tipo psórico:

74
__ Lactente – fortes e vorazes, com eczema alternando com bronquite.

__ Adolescente – em geral com boa saúde; pode ter problemas de pele com tendência a acne

__ Adulto jovem – dispepsias vagas, cefaléias, hemorróidas .

__ Adulto maduro – úlcera duodenal, cólicas nefréticas e biliares, hipertensão arterial e

envelhecimento prematuro.

__ Idosos – diabetes (por sobrecarga do pâncreas), hipertensão arterial grave e obstrução

coronariana.

Pag 57 corrompida

A sicose é mais comum nos biótipos Carbônico e Sulfúrico esclerótico.

Sinais psíquicos: tristeza (pensamento suicida), ansiedade e persistência anormal de idéias.

Sinais gerais: agravamento pela umidade e pela manhã (infatigável a tarde).

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO

1. Quais os componentes da tríade da sicose?

2. O que é o hidrogenismo?

3. Atualmente a sicose está relacionada a falha na produção de IgA secretória, o leva a

determinadas condições. Quais são?

4. A deficiência de IgA está também associada a que doenças?

5. Dê exemplos de manifestações proliferativas da sicose.

6. Quais os biótipos mais susceptíveis à sicose?

7. Qual a principal modalidade da sicose?

SIFILINISMO

O sifilinismo é um potencial reacional que recebeu este nome por uma analogia fisiopatológica com a sífilis
– o treponema pode provocar no organismo um modo reacional e uma patologia semelhantes.

A etiologia está representada pela “ toxina sifilínica” . A causa deste acúmulo de toxinas está no parênquima
hepático. O hepatócito tem uma grande função de proteger o organismo contra várias substâncias nocivas,
portanto o fígado mal funcionante vai deixar que permaneçam substâncias tóxicas, que vão impregnar os
diferentes órgãos - resultado de tudo o que o indivíduo deveria filtrar e não filtra.

No sifilinismo a deficiência do hepatócito leva a uma incapacidade de realizar metabolismo adequado e de


armazenar glicogênio - o que justifica a atração do indivíduo por álcool ou açúcar.

O sifilinismo e o alcoolismo têm como ponto em comum apresentar em determinado estágio a destruição do
parênquima hepático. Ambos têm uma diminuição das propriedades desintoxicantes do hepatócito, da
capacidade de armazenamento de glicogênio e de ferritina. O sifilínico, mesmo sem ser alcoólatra
apresenta as mesmas lesões que este último no sistema nervoso, artérias, glândulas, ossos e fígado.
75
A sífilis dá ao fígado o mesmo aspecto do alcoolismo, o processo lesional ocorre no mesmo lugar. No
sifilinismo há a perda da capacidade de coloidopexia (fixação de colóides) do S.R.E. com isso há prejuízo
da capacidade de assimilação, o que leva a desnutrição e a morte tecidual.

O sifilinismo já é uma situação de desnutrição. Num quadro de desnutrição extrínseca (ex: alcoolismo), o
processo será agravado. Doenças crônicas podem levar ao sifilinismo.

As lesões vasculares são as primeiras a aparecerem (“ a sífilis ama os vasos” ) e são essencialmente
arteriais (arterites, aortites, tromboses e infartos), capilares (síndromes de asfixia de extremidades,
gangrenas e úlceras) e acessoriamente venosas. Daí o tropismo diatésico por órgãos ricamente
vascularizados (entre eles as glândulas). O sifilinismo compromete preferencialmente o sistema linfo-
ganglionar, vasos, articulações, tecido ósseo, tecido nervoso, e tecido glandular.

As modalidades gerais são: agravação principalmente noturna, à beira-mar, por trovoadas

e pelo toque. Melhora na montanha.

As crianças têm aspecto envelhecido, são baixas, freqüentemente magras, agitadas, instáveis, com humor
variável. O desempenho escolar é insuficiente, por memória e atenção deficientes. Gritam à noite e têm
sono agitado. Apresentam tendência a rino-faringites, amigdalites, enurese e convulsões.

Os adultos são ciclotímicos, instáveis, com deficiência de memória e insônia. São indivíduos com tendência
ao alcoolismo, e que apresentam muitas cáries dentárias (principalmente de colo); suas dores têm
predominância noturna.

As constituições mais encontradas entre os sifilínicos são a fosfórica e a fluórica.

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO

1. Qual a etiologia do Sifilinismo?

2. Embora os dois processos lesionais sejam aparentemente diferentes, qual a semelhança

entre o alcoolismo e a sífilis?

3. O sifilinismo compromete preferentemente quais órgãos?

4. Quais as constituições mais predispostas ao sifilinismo?

5. Quais as primeiras lesões a aparecerem no sifilinismo?

6. Qual a principal modalidade do sifilinismo?

7. Como são as crianças sifilínicas?

TUBERCULINISMO

O tuberculinismo é a diátese resultante da impregnação pela “ toxina tuberculínica” .

Apesar do que sugere a palavra tuberculinismo, os transtornos desta diátese apenas se assemelham aos
da tuberculose. O acúmulo de “ toxina tuberculínica” resulta de uma falha do S R E hepático. Assim o
tuberculinismo é uma reticulo-endoteliose hepática.

76
o Toxinas entéricas e produtos de digestão incompleta, não sendo adequadamente fagocitados pelas
células de Kupfer do fígado, ganham a circulação pela veia hepática, e deverão ser então removidas por
macrófagos, daí resultando muitas vezes reações febris inespecíficas – é a fase hepato-humoral do
tuberculinismo.

o Depois vem a fase linfo-ganglionar, onde esta toxina é removida pelos gânglios linfáticos.

No primeiro momento leva a quadro de adenite febril. Segue-se uma poli-micro-adenopatia generalizada.

o Esgotadas as vias de defesa, com o aumento do aporte toxínico, vem a fase de desmineralização, onde o
paciente começa a apresentar emagrecimento, desmineralização, descalcificação, desidratação,
hipersensibilidade nervosa e obstipação.

Como fatores etiológicos do tuberculinismo encontramos:

o Má-nutrição

o Doenças anergisantes (coqueluche, IVAS de repetição, sarampo...)

o Tudo o que debilite muito o indivíduo no início da vida

O tuberculinismo apresenta uma tendência de evolução centrípeta. Um exemplo típico é o quadro de coriza
que evolui para broncoespasmo. (A psora apresenta tendência centrífuga – exemplo: asma que evolui para
coriza).

No tuberculinismo há uma grande tendência a doenças respiratórias.

Nas crianças o tuberculinismo é muito freqüente no temperamento linfóide, principalmente por


apresentarem deficiência do S R E hepático, devida à imaturidade das células de Kupfer.

Os biótipos mais predispostos ao tuberculinismo são os fosfóricos, os sulfúricos magros, e os fluóricos.

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO

1. O que é Tuberculinismo?

2. Qual a causa do Tuberculinismo?

3. Quais as fases do Tuberculinismo?

4. Quais são os indivíduos (biótipos) mais susceptíveis ao Tuberculinismo?

77
11 a AULA
DIAGNÓSTICOS EM HOMEOPATIA

O raciocínio diagnóstico em homeopatia integra vários aspectos.

1. DIAGNÓSTICO HOMEOPÁTICO (DO MEDICAMENTO)

No processo de conhecimento do doente (diagnose = conhecer através de), o médico homeopata


está interessado, como foi discutido em aulas anteriores, em construir uma imagem de seu paciente, a mais
completa possível (totalidade sintomática), incluindo seus sintomas mentais, gerais e particulares. Este
quadro fornecerá o chamado diagnóstico homeopático, também chamado diagnóstico do doente ou
diagnóstico do medicamento, já que no método homeopático o quadro que retrata o doente deve se
superpor ao quadro que retrata um medicamento. Neste sentido, esta etapa do raciocínio diagnóstico é, ao
mesmo tempo, a da decisão terapêutica.
Para um correto diagnóstico homeopático (e isto equivale a dizer para a escolha de um
medicamento homeopático adequado) é necessário:
a) que a anamnese contenha, da forma mais fidedigna e completa possível, o conjunto dos sintomas do
paciente;
b) que o médico saiba identificar, no conjunto de sintomas, os mais relevantes, hierarquizando-os e
construindo uma síndrome mínima de valor máximo;
c) que se escolha um medicamento que corresponda à totalidade sintomática hierarquizada
(repertorização);
d) que se observe, revendo a Matéria Médica, qual dos medicamentos destacados na repertorização dos
sintomas mais “se parece” com o paciente;
e) que se avalie a potência mais adequada em cada caso (esta questão será discutida na disciplina de
Terapêutica Homeopática).

2. DIAGNÓSTICO CONSTITUCIONAL

Além do diagnóstico do medicamento, o homeopata procura observar as características


constitucionais de seu paciente, através de seu biotipo, e da forma como seu organismo se tem
desenvolvido e funcionado, suas tendências funcionais e orgânicas.
O diagnóstico constitucional ajuda freqüentemente na escolha terapêutica, já que os
medicamentos, como as pessoas, têm seus traços constitucionais. Em outras palavras, existe uma
correlação (que deve ser sempre relativizada) entre cada medicamento e uma ou mais constituições,
tornando pouco provável que um paciente possa se beneficiar do uso de um medicamento completamente
estranho à sua constituição.
Existem muitas classificações constitucionais, mas adotaremos nesse curso a baseada nos estudos
de Henri Bernard, que propôs como três constituições básicas a carbônica, a sulfúrica e a fosfórica:
a) constituição carbônica: brevilíneo, tendência a adoecer em órgãos originados do endoblasto, hipocrínico
(hipotireodeu), tendência a escleroses;
b) constituição sulfúrica: normolíneo, tendência a adoecer em órgãos originados do mesoblasto,
normocrínico, variando entre tendências a escleroses e a desmineralização;
c) constituição fosfórica; longilíneo, tendência a adoecer em órgãos originados do ectoblasto, hipercrínico
(hipertireoideu), tendência a desmineralização.

OBS: Segundo Henri Bernard, a constituição fluórica é considerada uma constituição distrófica, resultante
de um desvio das três outras constituições de base. O tipo Fluórico é física e mentalmente irregular.

3. DIAGNÓSTICO MIASMÁTICO OU DIATÉSICO

78
Outra etapa importante do diagnóstico é a avaliação da forma particular como o processo de
enfermidade está se instalando ou desenvolvendo no organismo. À classificação de Hahnemann dos três
miasmas crônicos: psora, sicose e sífilis, Nebel e Vannier acrescentaram um quarto miasma ou diátese, o
tuberculinismo. A esta etapa chamamos diagnóstico miasmático ou diatésico.
Embora constituições e diáteses não se superponham, são freqüentemente correlacionáveis.
Enquanto a constituição tenta descrever como é o organismo, a diátese diz respeito a como o organismo
adoece, e existe uma relação entre essas duas instâncias, como foi visto nas aulas sobre constituições e
diáteses.
a) diátese psórica (auto e hétero intoxicação crônica):
b) diátese sicótica (distúrbio metabólico - falha de IgA)
c) diátese sifilínica: (toxina sifilínica/ alcoolismo)
d) diátese tuberculínica (toxina tuberculínica/ déficit de S.R.E.)

4. DIAGNÓSTICO DAS ENTIDADES NOSOLÓGICAS

Citado aqui por último, mas nem por isso com menor importância, o homeopata faz também o
diagnóstico das entidades nosológicas, utilizando as bases teóricas e metodológicas da medicina
anatomopatológica contemporânea. Importa saber que órgãos e tecidos estão lesados, que tipo de lesão
cada qual apresenta, em que extensão e grau.
Para tal, o homeopata lança mão da anamnese, do exame físico e, sempre que necessário, de
exames complementares, cuja importância não deve ser negligenciada. Em contraposição ao exagero de
solicitações de exames de laboratório em detrimento da escuta e exame clínicos por muitos especialistas,
alguns homeopatas tem caído na falha oposta, de desprezar a contribuição valiosa que pode ser dada pelas
técnicas complementares de investigação do paciente.
O diagnóstico correto das entidades nosológicas apresentadas pelo paciente importa não apenas
para melhor comunicação entre o homeopata e outros profissionais de saúde eventualmente envolvidos em
sua assistência e para os procedimentos administrativos vinculados a nossa profissão (laudos médicos,
atestados, atestado de óbito, etc.), mas também e principalmente para a avaliação prognóstica.

Avaliação do gráu de comprometimento da energia vital:


Com base no diagnóstico das entidades nosológicas apresentadas pelo paciente, poderemos
classificá-lo clinicamente em funcional, lesional leve, lesional grave ou incurável. Esta classificação retrata
o grau de comprometimento ou desequilíbrio da energia vital e aponta ao homeopata a evolução esperada
de seu paciente, ou seja, como se espera que ele reaja ao tratamento, a cada etapa (a esse respeito, ver os
ª
estudos de Kent sobre as observações prognósticas na 10 aula):

a) funcional: apresenta apenas manifestações sensoriais, sem alterações perceptíveis no corpo físico.
Exemplos: cefaléia, tendência a resfriados freqüentes, insônia, instabilidade emocional, diarréia antes
de exames;

b) lesional leve: apresenta alterações perceptíveis no corpo físico, geralmente de pequena gravidade ou
em órgãos não vitais. Exemplos: gastrite, edema de membros inferiores por varizes, impetigo,
estomatite aftosa, dermatite seborréica, colite amebiana, uretrite gonocócica;

c) lesional grave: apresenta alterações graves no corpo físico, geralmente em órgãos vitais, como fígado,
rins, cérebro, coração, ou em outros órgãos, mas com grande desequilíbrio da vitalidade. Exemplos:
neurotoxoplasmose, miocardiopatia hipertensiva com insuficiência valvular, adenocarcinoma de
estômago, carcinoma epidermóide de face com metástases ganglionares e hepáticas, SIDA com
múltiplas infecções oportunistas, glomerulonefrite crônica;

d) incurável : apresenta alterações tão graves no corpo físico que não se acredita possível uma
recuperação do equilíbrio da energia vital a ponto de restaurar a saúde. A energia vital já está tão
comprometida que o paciente não apresenta mais sintomas que retratem a sua individualidade, mas apenas
os sintomas comuns àquela entidade nosológica. Exemplos: fase final de doença neoplásica, com
79
insuficiência multissistêmica, novas metástases neoplásicas à distância, em múltiplos órgãos, após a
retirada cirúrgica de tecidos ou órgãos doentes, caquexia.

Para um correto diagnóstico do medicamento homeopático é necessário:

a) que a anamnese contenha, da forma mais fidedigna e completa possível, o conjunto dos sintomas do
paciente;

b) que o médico saiba identificar no conjunto de sintomas, os mais relevantes, hierarquizando-os e sabendo
determinar as diáteses que se escondem por detrás dos sintomas ou diagnósticos clínicos.

c) que se observe através do estudo da Matéria Médica, se o medicamento escolhido através da


repertorização dos sintomas realmente “ se parece” com o paciente.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

a) Responda às perguntas:

1. Quais os diagnósticos que o médico homeopata deve fazer?

2. Partindo do diagnóstico clínico como podemos classificar os pacientes?

3. O que é necessário para o correto diagnóstico do medicamento homeopático?

b) Para efeito de ilustração, descrevemos abaixo dados resumidos de uma anamnese homeopática. Leia
atentamente, e busque identificar e hierarquizar os sintomas mais relevantes para a análise do caso.

J.P.S., sexo masculino, 12 anos, estudante, natural do RJ. Menino de pele clara, bochechas vermelhas,
gordinho, de musculatura flácida. Veio à consulta trazido pela mãe, cujas queixas estão resumidas abaixo:

- muito medroso e impressionável. Não pode ver filmes de terror ou cenas de violência; nem ouvir notícias
ruins, de acidentes ou catástrofes. Fica muito nervoso e aquilo não lhe sai da cabeça. À noite fica com
medo de ir dormir, diz que é um medo que nasce na boca do estômago, que não pode fechar os olhos
porque vê monstros horríveis.

- muito guloso. Adora doces e fica doido se não tem balas em casa. Parece que vai passar mal se não
comer doces. Leva sempre lanche demais para a escola. Ele come bem, mas leva sempre mais do que
come. Parece que tem medo de passar fome.

Quando pequeno tinha mania de comer talco, não podia achar a lata.

- Sempre foi gordinho, desde bebê. Guloso, suava muito, principalmente na cabeça, de molhar o
travesseiro. Tendência a apresentar erupções no couro cabeludo. Quando bebê tinha crosta láctea. Já teve
impetigo de couro cabeludo. Atualmente com feridinhas em região occipital, com crostas e descamação,
que sangram após coçar.

- Custou muito para aprender a falar e só começou a formar frases com 2 anos. Sempre foi um pouco lento
no aprendizado escolar e está tendo muita dificuldade com o curso de inglês. Diz que o pior são as aulas de
educação física, que sente muito cansaço e fraqueza, mal começa a corrida. Pede um atestado para não
freqüentar essas aulas.

80
- Quer um remédio para parar de transpirar na cabeça – é um suor frio, no couro cabeludo, pior à noite,
quando está dormindo – acorda sentindo frio na cabeça, com o travesseiro molhado. Parece que o suor é
ainda pior no tempo frio, o ar frio faz o suor aumentar.
- friorento e piora de tudo no frio e quando se resfria.
- A maior parte das informações foi dada pela mãe. O menino aparenta timidez e desconforto com a
situação da consulta. Ao ser questionado, diz que “ não gosta de ficar falando porque piora do nervoso, do
suor, de tudo” .

EXERCÍCIOS TIRADOS DA APOSTILA PROPEDÊUTICA:


EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO

DIAGNÓSTICOS EM HOMEOPATIA

Apresentamos a seguir dois casos clínicos. Leia atentamente cada caso, tentando estabelecer para
cada um os vários tipos de diagnóstico:
1. Diagnóstico do Medicamento – você não precisa chegar ao nome do medicamento indicado, mas
realize os passos que puder nesta direção. Identifique os sintomas, classifique-os, selecione a
síndrome mínima de valor máximo, a ser usada na repertorização.

2. Diagnóstico Constitucional – tente identificar a constituição do paciente.

3. Diagnóstico Miasmático ou Diatésico - tente identificar a diátese do paciente.

4. Diagnóstico das Entidades Nosológicas com base apenas nos dados disponíveis, faça os diagnósticos
possíveis, tentando classificar o caso como funcional, lesional leve, lesional grave e incurável.

ª
Caso 1 - 1 consulta em 20/06/1995:

M.S.A, sexo masculino, 58 anos, branco, viúvo, aposentado, contador, natural do RJ.
Paciente magro, estatura mediana, postura curvada, usando chapéu (diz que não pode pegar vento
na cabeça), aparentando mais idade do que realmente tem.
Refere dores nas juntas e nos ossos das pernas, pés, braços, mãos e até nos ossos da face. Essas
dores são mais comuns do lado direito do corpo, pioram à noite quando se deita e são mais fortes durante o
tempo frio. As dores são muito fortes, como facadas, e o fazem sair da cama e andar pelo quarto.
Relata que essa tendência a dores nas juntas o acompanha desde novinho, tendo parado de jogar
futebol por dores e inchações freqüentes em dedos dos pés, tornozelos e joelho direito. Lembra de ter sido
diagnosticado “reumatismo” na mocidade e “gota” há 20 anos.
Há 6 anos foi constatada pressão alta, mas confessa não tomar corretamente os remédios
passados pelo cardiologista.
Já foi internado duas vezes no Procordis por crises de coração. Essas crises começam com uma
onda de calor no peito e na cabeça, com palpitações fortes no peito, sensação de aperto e sufocação e falta
de ar. A empregada, que mora na casa há muitos anos e que o socorreu nas duas crises, diz que seu rosto
fica vermelho, afogueado e que as veias do pescoço incham. O diagnóstico do cardiologista foi de que ele
teve angina.
Ao perguntar-lhe por que, mesmo tendo passado por esse susto duas vezes, ele continuava a não
tratar-se corretamente, o paciente responde que não tem importância para ele viver ou morrer, que ele não
tem gosto pela vida. Aliás, sua mulher o criticava por estar sempre “de mal com a vida”, sem querer
passear, divertir-se, sempre pessimista, esperando pelo pior. Ficava muito irritado com os problemas do
trabalho ou de família. Queria tudo muito certinho e vivia com a sensação de não estar conseguindo dar
conta de suas responsabilidades. Se errava, passava muitos dias com raiva de si mesmo, se criticando e
se cobrando por seus erros. Quando as coisas não corriam como ele esperava, ou quando as pessoas o
contrariavam, perdia o controle e brigava com todo o mundo. Depois se arrependia, mas não conseguia
81
pedir desculpas. Então se isolava e ficava no seu canto, com vontade de sumir do mundo. Acha que foi por
ter esse gênio que os amigos e parentes foram se afastando e hoje vive muito sòzinho. (seus olhos ficam
cheios de lágrimas).

Revisão dos sistemas:


- Muito apetite, com sensação de estômago inchado após as refeições maiores.
- Muita sede, prefere bebidas geladas.
- Desejo de café e de bebidas alcoólicas. Sempre gostou muito de beber e só não foi um alcoólatra por
controle dos familiares e, atualmente, por ordem médica.
- Desejo sexual sempre aumentado, tendo tido vários casos durante o casamento – acha que causou
grande desgosto a sua esposa.
- Dor de cabeça fronto-parietal direita, de forte intensidade, pior à noite, melhora abrindo as janelas e
tapando a cabeça. Não sai sem seu chapéu.
- Ficou careca muito cedo, o que deixa à mostra alguns caroços no crânio (exostoses).
- Usa próteses dentárias desde os 40 anos (perdeu os dentes cedo, por muitas cáries).
- Urina muito, especialmente à noite.
- Foi operado há 8 anos, de hidrocele à direita.
- Quando criança tinha freqüentemente otite, principalmente à direita, com secreção amarelada e fétida.

Exame Físico:
P.A- 180 x 110 mmHg. P.R.: 90 bpm, irregular.
Paciente pletórico, com nariz intumescido, com teleangectasias.
Gânglios cervicais, ligeiramente aumentados de tamanho, endurecidos, móveis, indolores.
Pulmões com estertores subcrepitantes em base, principalmente à direita.
Ritmo cardíaco irregular, com cêrca de 8 extrassístoles por minuto, em 3 tempos, com presença de quarta
bulha.
Abdome timpânico, com hepatomegalia de consistência aumentada e indolor, a 2 dedos do rebordo costal
direito, Traube livre.
Membros inferiores com edema ++/4.

Trouxe os seguintes exames complementares:


Rx de tórax – coração com aumento de VE, alargamento da croça da aorta, com placas de ateroma,
discreto infiltrado em 1/3 inferior de ambos os hemitórax.
ECG – alterações de repolarização ventricular, extrassístoles supraventriculares, hipertrofia de VE.
Hemograma sem anormalidades.

AULA

LEIS DE CURA E OBSERVAÇÕES PROGNÓSTICAS15

No segundo parágrafo do Organon da Arte de Curar, Hahnemann estabelece um conceito de cura


ideal:
“O mais alto objetivo da cura é o rápido, suave e permanente restabelecimento da saúde, ou
a remoção e total destruição da doença em toda sua extensão, pelo caminho mais curto, seguro e
menos prejudicial, baseado em princípios facilmente compreensíveis”.

O trabalho dos homeopatas tem sido dirigido a proporcionar a cada paciente este tipo de evolução,
curta, segura e menos prejudicial, para a recuperação da saúde.

15 a
propedêutica, 10 aula
82
Há que se relativizar, no entanto, esses termos:
- uma evolução curta, deve significar “poucos minutos” num caso de apendicite aguda, mas pode significar
“vários meses” no caso de um processo degenerativo de coluna vertebral que date de muitos anos;
- da mesma forma, segura e menos prejudicial não são sinônimos de “isenta de riscos e agravações”. No
curso do processo de cura é freqüente ocorrerem as agravações homeopáticas, as exonerações e o
retorno de sintomas antigos. Pode ocorrer também o surgimento de sintomas do próprio medicamento
(patogenesia). Por outro lado, supressões e metástases mórbidas, assim como agravações da moléstia
indicam má evolução e provável inadequação da terapia instituída.
Transcrevemos a seguir esses conceitos.

Agravação homeopática
É a agravação de sintomas já existentes, parecendo uma piora da moléstia primitiva, mas freqüentemente
acompanhada de uma sensação subjetiva de melhora do paciente. Hahnemann a atribuía à ação primária
do medicamento homeopático, que se somava à doença, intensificando seus sintomas. Geralmente melhora
espontaneamente e o paciente pode tolerar o quadro.

Exonerações ou eliminações
São produzidas pela reação do organismo, levando o desequilíbrio de suas partes mais nobres (órgãos e
sistemas vitais) para as mais superficiais e externas, provocando as necessárias eliminações, como suores,
pápulas, descamações, pruridos, corizas, catarros brônquicos, diarréias, secreções de toda natureza.

Retorno dos sintomas


É o reaparecimento no doente, durante o tratamento homeopático, de sintomas de males antigos, que já
não estavam aparentes por ocasião da primeira consulta. Indica que o medicamento foi bem escolhido e
está sendo capaz de provocar na energia vital um movimento profundo de cura, percorrendo o caminho de
volta até o início da enfermidade para, então, curá-la.

Patogenesia
Podem surgir, durante o tratamento, sintomas nunca antes apresentados pelo paciente, mas próprios da
patogenesia do medicamento. Se os sintomas surgiram em conseqüência de doses exageradas e
repetidas do medicamento, representam apenas manifestações da patogenesia, da mesma forma como
ocorria nas experimentações em homem são. Se, no entanto, esses sintomas surgem com pouco estímulo
medicamentoso, podem indicar que o medicamento foi semelhante ao indivíduo o bastante para provocar
neste a expressão de uma parte de sua psora que estava latente, silenciosa.
A melhora ou não dos outros sintomas, já referidos anteriormente pelo paciente e que motivaram sua
primeira consulta, indicará com maior segurança como devemos avaliar o surgimento dos sintomas
patogenéticos.

Agravação da moléstia ou má agravação


Diferentemente da agravação homeopática, não guarda relação com a ação do medicamento homeopático.
Indica apenas que a moléstia continua progredindo. Ou o medicamento homeopático foi mal escolhido ou o
paciente não tem condições energéticas para reagir.
Distingue-se, na evolução do caso, da agravação homeopática, porque nesta última “os sintomas estão
piores, mas o doente se acha melhor”. Na agravação da moléstia nada há de subjetivo ou objetivo que
indique a melhora do paciente.

Supressão e metástase mórbida


Os conceitos de supressão e metástase mórbida foram formulados por Hahnemann para descrever o que
ocorria com o paciente submetido a tratamento local e parcial de sua doença, pela “antiga escola” (anterior
à homeopatia).
A natureza, que antes tentava exteriorizar a doença com sacrifício de uma parte menos nobre do organismo
(por exemplo, através de uma erupção cutânea), sendo sustada em seus esforços pelo tratamento local,
tinha aqueles sintomas suprimidos e aprofundava a doença, sendo forçada a “pagar tributos mais altos”.

83
“Quando o médico da antiga escola destrói um sintoma local com a aplicação de um medicamento
externo, acreditanto ter curado a doença toda, a Natureza indeniza-se de sua perda excitando a
afecção interna e os sintomas que previamente existiam, em estado latente, junto com a afecção
local, isto é, aumenta a doença interna. Quando isto acontece é freqüente dizer-se, ainda que
incorretamente, que a afecção foi recolhida ao interior do organismo ou sobre os nervos, pelos
remédios externos” . (Organon, parágrafo 202).

A supressão dos sintomas sem a cura da doença interna na sua totalidade leva ao aprofundamento e
agravamento do quadro, atingindo órgãos mais nobres. A essa nova expressão da enfermidade chamamos
metástase mórbida.

Alguns homeopatas tentaram sistematizar indicações que pudessem ajudar seus sucessores no
acompanhamento dos pacientes.

Kent, na lição II de “Lectures on Homeopathic Philosophy” estuda o segundo parágrafo do Organon,


e escreve:
“A cura só pode ser suave e permanente se ela seguir o curso da direção natural, estabelecendo a
ordem e assim removendo a doença... O tratamento homeopático ajusta a desordem interna e
assim a superfície do homem retorna à ordem. Tudo se reordena a partir do interior. Se é o interior
do homem o que é primariamente desequilibrado na doença e só depois são lesados os tecidos, é
natural que no processo de cura o interior (a vontade, o entendimento) seja reequilibrado primeiro e
o exterior (os órgãos) por último”.

Neste sentido dizemos que a cura caminha de dentro para fora (do mental para o físico).

Sabemos que a progressão das doenças crônicas no corpo físico se faz da superfície para o centro.
Todas as doenças crônicas apresentam suas primeiras manifestações orgânicas na superfície (pele e
mucosas) e, na sua evolução, vão se aprofundando no organismo, acometendo órgãos mais vitais. À
medida que, durante o tratamento, a doença crônica vai sendo “mandada de volta” para a superfície, vemos
que o doente está realmente se recuperando.

Hahnemann, no livro Doenças Crônicas, escreve:


“Os sintomas que foram acrescentados por último a uma doença crônica que tenha sido
deixada à própria sorte (isto é, não-agravada por um tratamento médico errôneo) são sempre os
primeiros a ceder a um tratamento antipsórico, mas os transtornos mais antigos... são sempre os
últimos a deixarem livre o caminho...”.

Temos então que, no processo de cura, há um movimento, ao mesmo tempo:


- de desaparecimento primeiro dos sintomas dos órgãos mais importantes e por último dos sintomas de
pele e mucosas; e
de desaparecimento dos sintomas na ordem inversa de seu aparecimento (desaparecem primeiro os
últimos sintomas a terem surgido na progressão da doença e por último os primeiros sintomas da doença).

Hering sistematizou as LEIS DE CURA homeopáticas, que ficaram conhecidas como as


LEIS DE HERING:

1. a melhora dos sintomas ocorre de cima para baixo (na direção da cabeça para os pés),
2. a melhora da enfermidade ocorre de dentro para fora (do mental para o físico),
3. aliviam-se primeiro os órgãos mais importantes, e os sintomas da pele e das mucosas são os últimos a
desaparecer,

84
4. os sintomas desaparecem na ordem inversa de seu aparecimento. À medida que desaparecem os
últimos sintomas, vão reaparecendo os sintomas antigos.

AS OBSERVAÇÕES PROGNÓSTICAS DE KENT

Considerando sua vasta experiência clínica, Kent observou a evolução dos doentes após a primeira
prescrição e correlacionou cada tipo de evolução a uma situação prognóstica. Este estudo pode ser
encontrado em seu livro “Lectures on Homeopathic Philosophy” , lecture XXXV: “Prognosis after
observing the action of the remedy”.
Correndo os riscos da excessiva simplificação, apresentamos um breve resumo de suas
observações:

ª
1 ) Uma agravação prolongada e um declínio final do paciente
Trata-se de um paciente incurável, cuja energia vital não tinha forças para reagir e o estímulo
antipsórico foi forte demais (paciente incurável). Por isso recomenda-se cautela nos casos muito graves,
iniciando-se o tratamento com potências não superiores a 30 CH.

ª
2 ) Uma longa agravação, seguida de lenta melhora
Há uma lesão tecidual grave, mas ainda existe uma capacidade de reação. Pode ser possível uma
recuperação, mas talvez leve muito tempo (paciente lesional grave).

ª
3 ) Agravação rápida, curta e forte, com rápida melhora do paciente
Indica que a reação do organismo foi vigorosa e que não deve haver tendência a alteração
estrutural em órgãos vitais (paciente lesional leve).

4ª) Melhora do quadro, sem qualquer agravação


Não há doença orgânica, ou as alterações tissulares são tão leves que os instrumentos humanos
não podem observá-las. A condição crônica pertencia mais ao âmbito da função do que ao de alterações
tissulares (paciente funcional).

5ª) Melhora inicial, seguida de agravação


Ou o remédio foi superficial e suprimiu os sintomas sem promover o movimento de cura, ou o
paciente é incurável e o remédio só pode provocar na energia vital uma reação parcial e incompleta.

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO

LEIS DE CURA E OBSERVAÇÕES PROGNÓSTICAS

A título de ilustração, estamos transcrevendo um resumo da consulta de retorno dos dois pacientes
apresentados no capítulo anterior.
Leia com atenção as informações constantes na primeira e segunda consultas de cada caso, e
responda:

a) A evolução do caso está de acordo com as leis de cura? Justifique sua resposta.

b) Classifique o paciente, de acordo com as observações prognósticas de Kent, em funcional, lesional


leve, lesional grave ou incurável.

85
RETORNO DOS CASOS

Caso 1 - retorno em 25/07/95:

“Passei muito mal esse mês.


Logo na primeira semana que eu tinha tomado o remédio eu tive uma dor de cabeça fortíssima,
como há muito tempo eu não sentia, que demorou uns três dias para melhorar. Passei três noites quase
sem dormir. Quando a dor de cabeça passou, começou uma crise de gota. O tornozelo direito acordou
muito inchado e doendo, e o joelho direito também. Eu mal conseguia andar. Demorou vários dias para
melhorar. Já tinha até marcado consulta com um reumatologista quando comecei a melhorar e aí acabei
não indo. O pé e o joelho desincharam e a dor ficou suportável, como era antes. Também tenho tido dores
nos ossos (pernas, braços, mãos, rosto), mais à noite, mas tenho conseguido dormir.
Há três dias começou uma dor forte no ouvido direito, como se fosse uma dor no dente de trás, indo
para o ouvido. Só que não tenho mais dentes, há muitos anos que uso prótese. Passou a sair uma
secreção amarelada, com muito mau cheiro, pelo ouvido direito. Parecia as crises de ouvido que eu tinha
quando criança, só que dessa vez não tive febre.
Eu preciso de um tratamento para melhorar mais rápido desse reumatismo, porque ele me
atrapalha muito de fazer as coisas. Estou com passagem comprada para o sul, para visitar meus irmãos,
que eu não vejo há 20 anos. E lá no sul é muito frio. Queria poder curtir a viagem sem essas dores.
- Como as pessoas tem lhe achado nesse mês? Fizeram algum comentário?
A empregada está me achando mais animado, diz que eu estou reclamando menos das coisas.

Caso 2 – retorno em 03/11/98, 9 dias após a 1ª consulta:


A mãe trouxe J.P.S. muito antes da data agendada para a consulta, porque ele estava com quadro
O
de otite, com dor no ouvido direito, com secreção amarelada e odor fétido. Teve febre de 38,5 C à noite. O
quadro começou na véspera. J.P. diz que ficou doente porque esqueceu de levar o casaco para a escola e
estava ventando. À noite não conseguiu dormir por causa da dor de ouvido.
- Como você está?
De noite doeu muito, mas já está ficando bom. Eu não queria vir, mas a mamãe me trouxe porque
eu tenho que ficar bom logo porque ela fica muito cansada de ficar acordada por minha causa.
- Como está agora?
A dor já melhorou.
A mãe relata que a última dose de antitérmico foi dada às 3 horas da madrugada. Desde
que acordou, não teve mais febre (já são 18 h).
O
Ao exame, temperatura axilar de 37 C. Conduto auditivo externo direito cheio de secreção
amarelada e fétida, dificultando o exame. Mantido o antitérmico S.O.S. e telefonar no dia seguinte.

Contato telefônico em 04/11/98:


Havia melhorado desde a véspera e dormiu bem à noite. Ainda saindo secreção do ouvido direito,
mas em menor quantidade. Não teve mais febre. Conduta expectante, observar e retornar para consulta
após um mês se não houver outras intercorrências.

Terceira consulta, em 04/12/98:


Não teve mais inflamação do ouvido nem da garganta. Sem outras queixas.
- E como está na escola?
Está contente porque está conseguindo decorar a tabuada. Até a professora percebeu e elogiou!
(Ele sorri, meio sem graça). Também não veio nenhuma reclamação de brigas esse mês. (J.P.
acrescenta): “Eu fico com raiva, mas não adianta eu bater neles porque fico sòzinho, sem amigos. Na hora
que eu vou bater eu penso isso e aí não bato”.
- E com a irmã?

86
“Ela é chata e bagunceira mesmo, mas eu acho que é porque ela ainda é pequena”.
Exame físico: nada digno de nota.

87
12ª. AULA

MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO

PARÁGRAFO 26 DO ORGANON

“ Medicamentos Homeopáticos são aqueles que curam as enfermidades cujos sintomas mais se
assemelham àqueles que os medicamentos produzem. São portanto, as substâncias que vão ser
experimentadas no homem são (PATOGENESIAS) e posteriormente aplicadas no indivíduo doente (DE
ACORDO COM A LEI DOS SEMELHANTES )” .

PATOGENESIAS

O conjunto dos sintomas obtidos na experimentação de determinada substância medicinal recebe o nome
de patogenesia.

Hahnemann começou seus experimentos usando substâncias diluídas mas ainda em quantidades
ponderais. Tinha como resultado das experimentações inúmeros sintomas tóxicos, comuns a várias
pessoas, sendo pouco característicos da reação individual. Na prática clínica observava, com o uso dos
medicamentos, agravação inicial dos sintomas da doença, só havendo a recuperação com a suspensão da
droga. Objetivando evitar os sintomas tóxicos na experimentação, Hahnemann passou a diluir
metodicamente as substâncias em estudo: sempre 1 parte de substância em 99 partes de solvente hidro-
alcoólico, sucuccionando esta mistura com 100 movimentos verticais vigorosos do frasco sobre anteparo
duro e flexível. Criou assim a verdadeira Farmacotécnica Homeopática . Descobriu que o poder curativo das
drogas não guardava uma relação de proporcionalidade com a quantidade da droga natural e que mediante

uma diluição sistemática, dentro de uma escala regular com manipulação apropriada, muitas drogas de uso
comum e muitas substâncias inertes em seu estado natural adquiriam atividade e poderes novos até então
insuspeitados.
Deste modo, Hahnemann que se havia proposto simplesmente reduzir a quantidade de suas doses,
descobriu a dinamização, um princípio inteiramente novo na farmacotécnica.

PROCESSO DE DINAMIZAÇÃO
um processo físico, mediante o qual a energia dinâmica latente nas substâncias que serão utilizadas como
medicamento, é liberada, ampliada e modificada para uso terapêutico.
Toda força curativa dos medicamentos consiste no poder que possuem de alterar o estado de saúde do
homem.

PROCESSO DE DINAMIZAÇÃO HAHNEMANIANO


Nesse processo utilizam-se: a substância a potencializar, um veículo (lactose, álcool, água ou glicerina) em
quantidades e proporções definidas, submetidos a manipulação em condições sob controle. As
propriedades curativas e a ação do remédio homeopático dependem do rigor na sua preparação e da sua
correta administração.

CLASSIFICAÇÃO DOS MEDICAMENTOS:


Medicamento circunstancial: atua por organotropismo.
Drenador: age estimulando emunctórios (emunctórios são órgãos de eliminação para o meio externo dos
subprodutos tóxicos).
Medicamento antimiasmático: abrange toda a síndrome da doença crônica.
Medicamento simillimum: atua na totalidade sintomática do indivíduo.

88
PREPARAÇÃO
Os medicamentos homeopáticos são preparados de uma forma específica, descrita inicialmente por
Hahnemann. A dinamização compreende duas fases: uma diluição seguida por uma agitação (sucussão).
No caso de sólidos (quimicamente insolúveis em água e álcool) inicialmente é efetuada a trituração da
substância com lactose, utilizando-se um pistilo contra as paredes de um gral de porcelana áspera. Este
processo é repetido até a terceira trituração; a partir daí as dinamizações são feitas como nas substâncias
solúveis.
Sucussão consiste na agitação vigorosa e ritmada da substância diluida, contra um anteparo semi-rígido.

TERMINOLOGIA UTILIZADA

TINTURA-MÃE: é a resultante da ação extrativa, por contato prolongado (processo de maceração ou


percolação) de insumo farmacêutico, fármaco vegetal ou animal, fresco ou dessecado em veículo etanólico.

DINAMIZAÇÃO: é a liberação de energia dinâmica por meio de vibração molecular. Para as formas líquidas
utiliza-se a sucussão; para as formas farmacêuticas sólidas, utiliza-se o ato de triturar.

POTÊNCIA: é a energia adquirida pelo medicamento, mediante o trabalho da dinamização.

POTENCIAÇÂO: é a passagem de uma dinamização a outra mais elevada.

MÉTODOS DE PREPARAÇÃO
Os medicamentos homeopáticos são preparados nas escalas centesimal, decimal e cinqüenta milesimal, a
partir da própria substância ou de uma forma farmacêutica básica,diluídas em insumo inerte (as drogas
solúveis em água e álcool e as insolúveis em lactose).

No método Hahnemanniano são utilizados vários frascos, sendo colocado no primeiro frasco o volume de
insumo inerte na proporção indicada e uma parte da substância, sucussionando cem vezes.

Na escala centesimal a diluição é feita com 1 parte da substância em 99 partes de solvente, obtendo-se
desta forma a 1CH. Retirando-se uma parte deste primeiro frasco, transferindo para um segundo frasco e
acrescentando 99 partes de solvente obtém-se a 2CH, e assim por diante.

Na escala decimal a diluição é feita a partir de 1 parte da substância em 9 partes de solvente, obtendo-se a
1DH. Retirando-se uma parte deste primeiro frasco, transferindo para um segundo frasco e acrescentando 9
partes de solvente obtém-se a 2DH, e assim por diante.

No método Korsakoviano é utilizado um frasco único, e o ponto de partida é um medicamento já na 30CH.


Num frasco de 20ml coloca-se 5ml desta potência, depois este vidro é emborcado por 5 segundos para o
líquido escorrer livremente. A diluição que ficou aderida às paredes do frasco serve de ponto de partida para
a diluição seguinte. Coloca-se no frasco 5ml do veículo etanólico, efetuando 20 sucussões; estará pronta a
potência 31K. Repetindo-se a partir daí até a potência desejada.

No método de Fluxo Contínuo é utilizado um frasco único, a sucussão não é manual como no método
Hahnemanniano, mas sim um turbilhonamento mecânico através de equipamento adequado.

ORIGEM DOS MEDICAMENTOS


Os medicamentos usados em Homeopatia têm origem nos três reinos da Natureza, nos produtos químico-
farmacêuticos, nos materiais biológicos (patológicos ou não).

89
O reino vegetal é aquele que contribui com o maior número de drogas para a obtenção de medicamentos
homeopáticos. Os vegetais podem ser utilizados frescos ou secos, empregando-se os mesmos em sua
totalidade ou partes, bem como seus produtos de extração e/ou transformação.
O reino animal por sua vez, fornece drogas em menor quantidade. Assim como no caso dos vegetais, o
animal pode ser utilizado em partes, como também inteiro (vivo ou morto), recentemente sacrificado ou
dissecado.
O reino mineral fornece substâncias em seu estado natural, ou decorrentes de transformações químicas.
Os produtos químico-farmacêuticos englobam os medicamentos alopáticos, cosméticos e outros.
Os produtos biológicos, englobam materiais provenientes de organismos vivos ou mortos, de natureza
fisiológica ou patológica (Bioterápicos).

BIOTERÁPICOS
São medicamentos oriundos de tecidos animais e vegetais, tanto doentes como sadios, abrangendo
portanto nósodios e sarcódios.

SARCÓDIOS são os bioterápicos preparados a partir de secreções fisiológicas de animais ou vegetais.


Como exemplos temos Sepia (preparada a partir da tinta da Lula), Lachesis (preparado a partir de veneno
de serpente).

NOSÓDIOS são medicamentos homeopáticos preparados a partir de produto patológico de origem animal
ou vegetal (órgãos doentes, secreções patológicas, germes em geral e suas toxinas). Como exemplos
temos: Secale (preparado a partir do fungo que se desenvolve no centeio), Medorrhinum (a partir de
secreções blenorrágicas), Meningococcinum (a partir de cultura de Meningococos) e Carcinosinum (extraído
de um carcinoma).

AUTO-NOSÓDIOS são produtos patológicos obtidos do doente e aplicados nele próprio após dinamizados.
Exemplos: material colhido por swab de orofaringe em paciente com amigdalite, urina de indivíduo com
infecções urinárias de repetição.

APRESENTAÇÃO/ veículo

Formas Sólidas:
· GLÓBULOS (sacarose)
· TABLETES (lactose)
· PÓS (lactose)
· COMPRIMIDOS (lactose)

Formas Líquidas:
· GOTAS (água - álcool)
· DOSE ÚNICA (água)

Formas Semi-Sólidas:
· CREMES
· GEL
· POMADAS

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
1. O que é Medicamento Homeopático?
2. O que Hahnemann descobriu através do processo de dinamização?
3. Qual a origem dos medicamentos homeopáticos?
4. O que são Bioterápicos?

90
5. Dê exemplo de Sarcódio e Nosódio.
6. Quais as formas de apresentação dos medicamentos homeopáticos?

91
13 a AULA
ESTUDO DE MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO

Para conhecermos um medicamento devemos estudar o conjunto de todos os seus sintomas, presentes nas
Matérias Médicas.

Este estudo será complementado com uma revisão das rubricas em que o medicamento é referido no
repertório.

Lemos esse conjunto de informações disponíveis sobre o medicamento, como se estivéssemos lendo uma
anamnese.

Tentamos identificar, entre os sintomas mentais, gerais e locais, as modalidades que se repetem em
sintomas que ocorrem em diversas partes do corpo. Percebemos semelhanças entre a forma como a
doença se expressa no mental e no físico. Buscamos perceber a “ maneira de ser” do medicamento, suas
principais características, através das quais seja possível distingui-lo dos demais. O objetivo é conhecer a
identidade individual do medicamento.

Da mesma forma como, ao tomarmos o caso de um paciente, construímos a totalidade sintomática, ao


estudarmos um medicamento construímos o seu “ retrato” , com os sintomas mentais, gerais e locais.

A título ilustrativo, tomaremos como primeiro exemplo o medicamento Silicea .

SILICEA (Lathoud)

Silícea, Terra Silícea ou Ácido Salicílico, é um composto oxigenado de silícium.

Encontrado na Natureza em uma grande variedade de minerais: cristal de rocha, sílex, ágata, ônix, opala,
etc..

Para preparar o medicamento homeopático se usa sílica pura extraída de cristal de rocha.

As três primeiras dinamizações são feitas por trituração. A partir da terceira se obtém as dinamizações mais
elevadas por diluição Hahnemanniana.

um de nossos grandes remédios constitucionais, porem só terá valor terapêutico depois de ser submetido
ao processo de dinamização Hahnemanniana. No estado natural é um corpo insolúvel de ação nula.
Dinamizado é um dos remédios mais poderosos da Matéria Médica. um grande exemplo da eficácia da
dinamização.

A sílica existe nos três reinos. Os organismos marinhos apresentam um esqueleto de sílica. Nos animais
superiores, a sílica está presente no tecido conjuntivo e no esqueleto.

Ação geral no organismo:

Predomina no TECIDO CONJUNTIVO - é como uma espécie de cimento celular.

essencial em vários PROCESSOS DE ASSIMILAÇÃO nos tecidos mais diversos: nervoso, cutâneo,
ganglionar, ósseo, fibras elásticas do aparelho pulmonar e sistema vascular. Domina de certo modo a
NUTRIÇÃO GERAL do indivíduo e sua deficiência provoca DESMINERALIZAÇÃO AVANÇADA DA CÉ-
LULA que se manifesta por extrema DEBILIDADE FÍSICA E MENTAL, o que numa criança levará a parada
do crescimento.

92
A Silicea guarda uma relação estreita com a inflamação dos tecidos, principalmente quando esta progride
até SUPURAÇÃO.

Características:

__ Emagrecimento progressivo.

__ Friorento, hipersensibilidade ao frio.

__ Suores abundantes na cabeça e fétidos nos pés.

__ Cefaléia crônica que começa na nuca e ascende progressivamente para a região supra-orbitária e aí se
fixa, que melhora envolvendo a cabeça com um pano para aquecê-la.

__ Constipação com fezes que saem e retornam ao reto.

__ Regras adiantadas ou atrasadas, mas sempre abundantes, com sensação de frio gelado por todo o
corpo.

__ Supurações fáceis: toda pequena ferida supura.

__ Debilidade física e mental por falta de reação orgânica e desnutrição com parada de crescimento nas
crianças (aspecto envelhecido, tímido, ansioso) e hipersensibilidade no adulto (desencorajado e fatigado).

__ Hipersensibilidade nervosa com fadiga considerável.

Modalidades:

Agravações: pelo frio, durante as regras, na lua nova, no inverno.

Melhoras: pelo calor, se agasalhando, cobrindo a cabeça, no verão.

Metabolismo da sílica:

A Sílica é encontrada no tecido conjuntivo e nos tecidos que dele derivam: ósseo, derme, nervoso (na
neuróglia), ganglionar, glandular, pulmonar (elementos de sustentação dos alvéolos pulmonares), vascular,
e enfim no tecido retículo-endotelial (onde o papel nos processos de defesa orgânica é decisivo).

Toxicologia da sílica:

Somente a intoxicação profissional pela sílica, chamada silicose, reproduz uma experimentação no homem
são, mas limitada ao nível do pulmão; onde através da inspiração da poeira provoca um estado crônico de
irritação inflamatória, com intensa formação de tecido conjuntivo cicatricial.

A ação de supuração crônica e esclerose se faz eletivamente sobre os tecidos sensíveis à ação da sílica,
isto é sobre os tecidos ricos em elementos conjuntivos que são:

__ pele e tecido celular sub-cutâneo - Silicea é um grande remédio de supuração cutânea: abcessos,
antrax, piodermites, impetigos, onde há uma supuração crônica, em que a cicatrização não se produz; ou
em casos de fistulização crônica (é um grande remédio de fístulas cutâneas).

__ mucosas e submucosas - Silicea é um grande remédio de supuração ao nível dos olhos, ouvidos, nariz,
brônquios, pulm es e pleura, sistema urinário e genitais.

__ tecido ósseo

__ tecido ganglionar e glandular.


93
__ tecidos vascular

__ tecido nervoso

Os problemas motores são devidos a desmineralização do sistema nervoso que origina fraqueza muscular,
podendo chegar até paralisia com tremores das extremidades (mãos) e câimbras musculares.

As dores são agudas devido a desmineralização.

A sílica desenvolve, nos seus problemas patogenéticos três grupos de manifestações: da

desmineralização, da supuração, da falta de reação orgânica, e que explicam a totalidade de

suas características e de suas modalidades.

Silícea é um indivíduo caracteristicamente magro, friorento, chegado a supuraç es e

fraco.

Sinais que revelam a desmineralização:

__ Emagrecimento progressivo. O abdome é grande assim como a cabeça. A

desmineralização junto com a falta de reação orgânica explica a sensação de frio.

__ Resfriamento marcado com sensação de frio interior.

__ Suores excessivos caracterizam Silícea. Suores abundantes na cabeça e nos pés. Os pés são frios e
sempre úmidos, com um odor intolerável.

__ Dores, sob a forma de neuralgias, decorrem da desmineralização do sistema nervoso periférico. A


cefaléia melhora envolvendo a cabeça com um pano para aquece-la (grande modalidade do remédio). O
calor alivia os sintomas dolorosos da desmineralização.

__ Constipação conseqüente a inércia retal é responsável por fezes duras, parcialmente expulsas, que
saem e voltam a entrar no reto, podendo levar ao aparecimento de hemorróidas e fissuras anais. O lado
supurativo de Silícea acrescenta à constipação os abcessos ano-retais e as fístulas anais.

__ Regras: adiantadas ou atrasadas, mas sempre abundantes, com sensação de frio gelado por todo o
corpo, regras precedidas e acompanhadas de constipação.

Sinais que revelam a supuração

Toda pequena ferida supura. Tendência em todos os níveis à supuração crônica. útil no período em que a
supuração não quer cessar, não permitindo ocorrer a cicatrização.

Sinais que revelam a falta de reação orgânica

Debilidade física e mental, desejo de ficar deitado e hipersensibilidade nervosa com fadiga considerável,
devidos à falta de reação orgânica e à desmineralização. Falta de reação física depois de um excesso de
trabalho ou de uma doença, levando à fraqueza irritável.

Sintomas mentais

94
Podemos encontrar tanto um indivíduo com faculdades intelectuais conservadas, mas mascaradas por um
esgotamento mental (na criança ou no adulto) quanto um sujeito com funções intelectuais lentificadas por
conta da esclerose (no velho). Num e noutro caso Silícea apresenta um fundo de depressão, esgotamento
mental com desencorajamento e uma irritabilidade por fraqueza - o indivíduo é irritável, agitado e
sobressalta-se ao menor ruído, apresentando hiperestesia geral e reflexos exagerados; o sono é agitado,
com sonhos ansiosos e despertar em sobressalto, podendo ocorrer até mesmo sonambulismo.
O conjunto dos dois: fundo de depressão e irritabilidade por fraqueza, explica a síntese mental de
Silícea que é a timidez e a ansiedade (por exemplo: a criança não quer que se aproxime, nem que se fale
com ela, e chora facilmente), a obstinação e a teimosia, as idéias fixas (pensa constantemente em alfinetes,
os teme, os procura e os conta).

Silícea tem moral debilitada como todo o sistema nervoso em geral. Grande estado de debilidade, temor,
impotência e tem consciência de sua impotência. Tímido, ansioso, sem coragem, cérebro fatigado,
dificuldade para refletir, custa a fixar sua atenção, deve ser estimulado, porem se cansa facilmente mental e
fisicamente. Desalentado, tem asco pela vida.

Apreensão de falar frente a um auditório ou em público porque tem consciência de não poder faze-lo, de
não poder se concentrar. Medo de fracassar diante de um trabalho intelectual não usual. Apesar do medo
de não estar a altura e fracassar na sua tarefa, quando obrigado a faze-la obtém êxito. Muito sensível a
todas as impressões, hipersensível ao ruído.

Crianças voluntariosas, obstinadas, hipersensíveis, agitadas, tímidas, choronas. Idéias fixas, idéias fixas de
alfinetes, os teme.

Constituição

A criança SILÍCEA

tem a cabeça muito grande, transpira no couro cabeludo, pescoço e face. Com tendência a supuração das
lesões cutâneas. Seu abdome é volumoso, tem membros finos, rosto envelhecido, não ganha peso, demora
a andar, tem joelhos débeis, parece ter o desenvolvimento retardado. Pode tanto ter o quadro de
constipação típica, quanto apresentar diarréia persistente, especialmente durante a dentição.

O adulto é

magro, débil, com músculos fracos. Falta-lhe vitalidade para resistir às influências exteriores; pela falta de
calor vital tem sempre frio, mesmo fazendo exercício. Muito sensível ao ar frio, se resfria com facilidade.
Está melhor no calor que supre sua falta de calor vital e o aquece.

O idoso é

lento e desgastado.

95
16
ESTUDO DE UM MEDICAMENTO II:

Cada homeopata deve estabelecer sua sistemática para o estudo dos medicamentos, incluindo
sempre a leitura de todos os dados disponíveis nas matérias médicas, puras e aplicadas, com o
levantamento dos sintomas mentais, gerais e particulares.
No estudo dos sintomas mentais, vários modelos podem ser utilizados.
A título de ilustração, no estudo do Aurum metallicum, exemplo aqui adotado, apresentamos duas formas de
abordagem do quadro mental do medicamento.

- No primeiro, dividimos os sintomas mentais por grupos de temas, escolhidos após a primeira leitura das
matérias médicas. Esses temas são arbitrariamente escolhidos por quem estuda, de forma a facilitar
sua compreensão do medicamento e a memorização de suas características principais. Para cada
medicamento estudado, alguns dos temas escolhidos para o Aurum poderiam não se aplicar e outros
temas poderiam ser criados.

- No segundo, os sintomas foram agrupados nos cinco vértices componentes do ego, segundo o modelo
de psicodinâmica transpessoal proposto pelo Dr. Luiz Carlos Bernal. Todos os medicamentos, assim
como todas as pessoas, apresentam características de cada um dos cinco vértices, podendo num ou
noutro momento expressar, por desequilíbrio, o predomínio de um ou mais deles. Esta abordagem nos
facilita identificar o medicamento, qualquer que seja a face com que se nos apresente um dado
paciente.

No estudo dos sintomas gerais, observamos o que mais caracteriza o medicamento em seu
funcionamento como um todo e na relação com o ambiente físico que o cerca. São fundamentais sintomas
sobre a lateralidade, relação com clima, sede, sono, apetite, perspiração, fatores que agravam ou
melhoram.

No estudo dos sintomas locais ou particulares, devemos estabelecer um critério, uma ordem que
percorra todas as partes do organismo, estudando em cada parte os sintomas mais importantes. É
interessante observar, ao final, características que se repetem em várias partes do corpo ou em vários
sintomas e que se tornam marcas importantes do medicamento.

Também importa observar, diante de todos os sintomas estudados, a constituição e a diátese a que
o medicamento parece estar mais relacionado.

Transcrevemos a seguir, a título de exemplo, um estudo de Aurum metallicum.

AURUM METALLICUM

Sintomas psóricos:

- “Descontente com tudo; imagina obstáculos em todos os lugares do seu caminho, em parte causados
pelo destino adverso e em parte por sua culpa; a última possibilidade o deixa morbidamente
deprimido”.
- “Imagina que negligencia deveres e será repreendido”
- “Imagina que não é adequado ao mundo e não pode ter sucesso; está em desunião com ele mesmo”.

16 a
propedêutica, 11 aula

96
- “Não tem confiança nela mesma e acha que os outros também não tem; fica infeliz”
- “Imagina que perdeu o direito à afeição dos outros e isso o aflige às lágrimas”.

Ansiedade, angústia, inquietude:

- “grande angústia, vinda da região precordial, o levando de um lugar para o outro, de forma que ele não
fica em lugar nenhum”
- “grande angústia, aumentando até a auto-destruição, com contrações espasmódicas no abdome,
levando quase ao suicídio
- “ïnquietude e desejos apressados por atividade física e mental; ele não pode fazer nada rápido o
bastante e não pode viver de forma a estar satisfeito consigo mesmo”
- “angústia excessiva com palpitação do coração, cansaço nos membros e sonolência”
- “se sente inquieto e incerto, sem orgasmo. Ele constantemente imagina estar negligenciando alguma
coisa e merece reprovação em conseqüência; ele aparenta carregar essa inquietude sobre ele em sua
mente, o que lhe tira toda energia e perseverança”.
- “Enquanto está comendo, esta ansiedade mental o deixa”.
- “apreensividade; um simples ruído na porta o deixa ansioso, com medo de que alguém entre;
antropofobia”.
- “grande ansiedade e fraqueza, fazendo com que se pense que ele está perto da morte”
- “freqüentes ataques de angústia no coração e ansiedade trêmula”
- “angústia mental e uma grande tristeza”
- “desespero por si mesmo e pelos outros”
- “muito sensível, facilmente assustável, especialmente na hora de dormir”
- “ dores a deixam desesperada, de forma que ela gostaria de pular de uma janela ou atirar-se ao chão”

Consciência (não é clara):

- “ela está ansiosa por refletir profundamente sobre esse ou aquele assunto, mas isso a deixa bastante
fraca, trêmula, com frio e umidade sobre o corpo”
- “memória prejudicada”
- “as faculdades intelectuais estão mais aguçadas e a memória mais fiel”
- “ perdido em pensamentos, ele diz coisas absurdas ao conversar com alguém”
- “cabeça confusa ao levantar pela manhã, com peso no occipucio”
- “trabalho mental o afeta muito; se sente muito exausto”
- “trabalho mental lhe causa náusea, o que ocupa todo o seu ser”
- “distração e esquecimento”
- “lentidão mental; sente-se estúpido”
- “incapacidade de refletir”
-
Relação com as pessoas:

- “timidez”
- “irritado e não gosta de falar”
- “algumas pessoas lhe provocam antipatia”
- “colérico e briguento”
- “excessivamente disposto a sentir-se ofendido; até mesmo a menor coisa lhe parece ofensiva, lhe
afetando profundamente e causando ressentimento”
- “ele fica agitado quando pensa em alguém ausente”
- “mal humorado e irritável; a menor contrariedade o leva à raiva mais profunda”
97
- “ele se senta afastado, sozinho num canto, envolvido nele mesmo, como se estivesse na mais profunda
melancolia, quando é deixado quieto; mas a menor contrariedade atiça sua raiva e calor, e é quando
ele esquece dele mesmo, primeiro brigando e falando muito, depois com algumas palavras desconexas”
- “ele treme quando não consegue externar sua raiva”
- “ele tenta o mais que pode brigar com alguém e insultá-lo”
- “ardente e violento”
- “rabugento; não tem disposição de falar”
- “humor insociável”
- “ele briga com todo o mundo e diz coisas grosseiras”
- “impaciência, raiva”
- “raiva violenta e veemência”
- “humor melancólico, vontade de fugir das pessoas; se encontra-se com alguém, fica com tremores
nervosos e tem que chorar”
- “doente de tristeza, amor desapontado”

Relação com trabalho:

- “inquietude e desejos apressados por atividade física e mental; ele não pode fazer nada rápido o
bastante e não pode viver de forma a estar satisfeito consigo mesmo”
- “ele é levado a uma atividade constante e lamenta sua inatividade, apesar de não poder fazer nada”
- “desanimado, de mau-humor; acha que não pode fazer nada com sucesso”
- “remorso pela sua ociosidade, mas mesmo assim ele não pode trabalhar em nada; isso o leva para fora
da casa, ele tem que estar sempre se movimentando”.
- “desejo de ser ativo, de se movimentar”
- “piora com esforço mental; melhora com divertimento”
- “trabalho mental o cansa: dor de cabeça pelo menor esforço mental”
- “sente-se cansado e exausto quando realiza trabalho mental”

Humor – depressão, desânimo, melancolia:

- “deprimido e triste, cheio de melancolia”


- “desanimado e busca o isolamento”
- “Melancolia. Ele imagina não ser adequado ao mundo e por isso quer morrer, no que ele pensa com o
mais intenso prazer”
- “pusilanimidade (fraqueza de ânimo)”
- “a menor coisa o desencoraja”
- “desanimado; ele acha que não pode fazer nada com sucesso”
- “desencorajado e em desavença consigo mesmo”
- “chora e lamenta-se. Acredita estar irremediavelmente perdida, cansada da vida”
- “descontente com ele mesmo e com espírito deprimido”
- “desejo por isolamento”
- “ódio pela vida”
- “desgosto pela vida. Tendência suicida”
- “choro freqüente”
- “desanimado”
- “olha pelo lado escuro, chora, reza, pensa não ser adequada para este mundo; espera pela morte, forte
inclinação a cometer o suicídio; desesperada, desejo de pular de um lugar alto”
- “pensar na morte lhe proporciona uma imensa alegria”
- “muito triste, podia chorar o tempo todo”
98
- “o tempo todo um humor sombrio e sem esperanças, freqüente ansiedade e desespero; a vida é um
fardo para ele”

Humor – alegria, contentamento:

- “bem humorado o dia todo, falante e satisfeito consigo mesmo”


- “sereno e num estado de contentamento; sempre querendo conversar com os outros”
- “considerável alegria, sente-se à vontade”
- “calafrios trêmulos nos nervos, como se sentisse uma alegre esperança”
- “humor alegre; ele estava sempre disposto a falar com os outros e bastante contente com a sua
posição”

Humor – alternante:

- “ora chora, ora ri, à noite, como se não tivesse controle sobre si mesmo”
- “irritação silenciosa, freqüentemente alternada com alegria”
- “bastante rabugento (1 hora); alegria (3 horas); as duas emoções se alternam mais tarde”
- “humor histérico, ri num minuto, chora no próximo”
- “humor alternante, alegre ou desanimado: irritável: sem inconsciência”
- “impressionante mudança de humor; ora impulsivo, ora ríspido, ora muito alegre, ora triste, ansioso,
querendo morrer, pouco depois de estar rindo alto”.

AURUM METALLICUM - Psicodinâmica Transpessoal

Vértice 1 – Ego Mau

- tinha impulso para atividade, mas traiu a confiança dos outros em si:
- teve um prazer egoísta em rejeitar o estímulo para a atividade produtiva, física ou mental; preferiu
permanecer na ociosidade, na inação
- usou seu impulso de forma pervertida, como agressividade, raiva, rudeza, grosseria.

Vértice 2 – Ego Culpado

- sente remorso por não ter feito adequadamente o trabalho, pela preguiça, pela lentidão,
- culpa de não ter aproveitado o impulso para a atividade física e mental,
- culpa por ter negligenciado os seus deveres
- culpa por ter sido desleal. (sonha que é acusado de deslealdade).

Vértice 3 – Ego Frágil:

- fragilidade, indecisão, insegurança


- imagina que faz tudo errado e que não pode obter sucesso em nada
- não confia em si e acha que os outros também não confiam
- imagina que perdeu a afeição dos outros
(insegurança nas realizações e insegurança afetiva)

Vértice 4 – Ego Bom:


- impulso para atividade
- satisfação com o que faz, com sua posição
99
- disposto a conversar
- alegre, falante, bem humorado
- precisa estar sempre se movimentando, não consegue fazer nada rápido o suficiente

Vértice 5 – Ego Punido:

- autopunição e autodestruição
- melancolia, desistência, fraqueza, desânimo, sem perseverança
- condenado a ser infeliz, só vê obstáculos em seu caminho
- não pode trabalhar em nada
- privado de toda energia
- tristeza por desapontamento amoroso
- timidez
- depressão, tendência suicida (pular pela janela)
- prazer ao pensar na morte; asco pela vida.

AURUM METALLICUM - Generalidades:

- lateralidade direita
- sede e apetite aumentados – gula, desejo por bebidas frias, café, licores, bebidas alcoólicas.
- Alcoolismo
- agrava: pelo frio, no inverno
à noite
por susto, raiva, contradição, afronta, aborrecimento,
desapontamento amoroso
- melhora: com ar quente (mas deseja o ar livre e cobertas)
no verão

Manifestações Físicas:
- constituição linfático sanguínea
- facies vermelha, sujeito vivo e corpulento
- congestões, levando a hipertrofia e endurecimento
- eretismo vascular, congestão, pletora, com baixa de calor vital (desperdício do impulso da vida,
simbolizado pelo sangue)
- esclerose vascular da metade superior do corpo – das artérias cerebrais e coronárias
- sistemas mais acometidos: cardiovascular (hipertensão arterial, insuficiência cardíaca congestiva),
pele, ossos e partes moles.
- Manifestações sicóticas: hiperemia, congestões, endurações, fibroses, exostoses.
- Manifestações sifilínicas: cáries, úlceras, cânceres

Cabeça:
- vertigem ao levantar
- como bêbado ao caminhar, pende para a esquerda
- fadiga pelo trabalho intelectual – cefaléia como um golpe
- sensação de corrente de ar atravessando a cabeça, quer um gorro
- queda de cabelo
- exostose de crânio, com dores ósseas, à noite, como perfuração, uma pressão de dentro para fora.
100
- cáries na mastóide, com secreção ofensiva
- cefaléia intensa que o desespera, enlouquece
- fluxos de calor, congestão na cabeça, melhora enrolando a cabeça
- água fria alivia a dor de cabeça

Face:
- congesta, avermelhada, com sensação de ondas de calor,
- cáries nos ossos da face: zigoma, maxilar
- face colorida e inchada, azulada, brilhante

Olhos:
- dores, como areia
- pálpebras grudadas, vários tipos de inflamação: conjuntivite, coroidite, retinite, irite, ulcerações.
- exoftalmia
- olhos sensíveis, fotofobia, melhora com luz lunar
- hiperemia, congestão palpebral
- escotomas cintilantes
- glaucoma
- diminuição da acuidade visual
- diplopia
- hemianopsia horizontal – só vê a metade inferior das coisas
- descolamento de retina

Ouvidos:
- cáries dos ossos do ouvido
- necrose , ulceração fétida
- otorréia de odor fétido, otite crônica
- zumbidos (como vento ou água), hipersensibilidade ao ruído, melhora com música.
- secura nos ouvidos

Nariz:
- secreção fétida, coriza em clara de ovo, secreção amarelo-esverdeada
- congestão,
- necrose óssea, ozena
- hiperosmia – anosmia
- erupções: espessamento, telangectasias, epiteliomas, vascularização subcutânea acentuada

Boca:
- hálito fétido, como queijo velho
- ulcerações palatinas e gengivais
- sialorréia
- odontalgia por frio, pior à noitece
- cáries
- amigdalas com dores desgarrantes ao deglutir

Estômago:
- queimação, eructação, regurgitação, inchação epigástrica, dor à palpação leve do epigástrio
- apetite aumentado (aversão à carne)

101
- sede aumentada

Intestinos:
- diarréia noturna – constipação com síbalos
- pressão na parede abdominal, como hérnia

Fígado:
- congestão, por congestão cardíaca
- lesões pelo alcoolismo
- hipertrofia e enduração
- transtornos da circulação porta
- ptose hepática
- evacuações descoloridas, subicterícia.
- hidropsia abdominal

Cardiovascular:
- congestão no peito, ondas de calor, pletora, sensação de que o sangue vai explodir no peito –
melhoram com ar frio
- angústia, com opressão no peito, palpitação ansiosa
- debilidade cardíaca, com hipertrofia, e dispnéia aos esforços – insuficiência cardíaca congestiva; asma
cardíaca, com sensação de constricção no peito, de sufocação (noturna e ao ar livre)
- dispnéia: enquanto ri; após subir escada; em marcha rápida; depois de haver comido.
- afecções reumáticas do coração
- hipertensão arterial, esclerose da aorta, artérias cerebrais e coronárias
- veias congestionadas, congestão abdominal e edema de membros inferiores

Genito-urinário:
- poliúria, sedimento com depósitos e odor forte
- nefrite com transtornos cardíacos ou hepáticos
- aumento de volume e enduração do testículo (direito), poluções noturnas
- hidrocele
- desejo sexual aumentado, ereções violentas, priapismo ou falta de ereção
- menstruação com fluxo diminuído e atrasada
- leucorréia corrosiva, espessa,
- depressão melancólica na gravidez
- útero congesto, com hipertrofia, pólipos, enduração
- prolapso de útero
- hipersensibilidade vaginal
- esterilidade
- aborto por trabalho doméstico
- endurações de ovários
- endurações em mamas
- puberdade tardia ou ausente

Gânglios e glândulas:
- endurações de gânglios inguinais, submaxilares, cervicais, axilares
- endurações de amigdalas, parótidas, ovários...

Osteoarticular:
102
- reumatismo migratório (articular e cardíaco)
- gota – inchação das articulações, periostites
- cáries e úlceras nos ossos, com dores noturnas que desesperam, obrigam a sair da cama e caminhar
de um lado para outro
- exostose dos ossos do crânio
- ossos do crânio sensíveis ao toque

A CRIANÇA DE AURUM

Pálido, desanimado, lento, preguiçoso


Retardo no desenvolvimento – criptorquidia, puberdade tardia
Falta de memória, dificuldades de aprendizado
Catarros persistentes, hipertrofia e infecções de amígdalas, sempre com secreção ofensiva, halitose
Hipertrofia de adenóides, com secreção nasal fétida, amarelo-esverdeada, crostosa
Otite aguda, secreção purulenta, fétida, perfuração de tímpano

Hiperestesia a dor, aterrorizado e sensível


Raiva ao ser contrariado
Sensível a desapontamentos, assustados, ressentidos.
Soluçam dormindo, sem acordar e sem causa aparente.
Sensível a barulho, mas melhora com música. Zumbidos no ouvido
Aumento do paladar e olfato.
Perda do fôlego e sufocação aos exercícios físicos, sem causa física óbvia.

Resumo do estudo de um medicamento:

1. Saber a origem do medicamento e tentar estabelecer uma analogia entre as suas propriedades e maneira
de reagir do paciente

2. Estudar o medicamento nas várias Matérias Médicas já escritas, complementando com uma revisão de
todas as rubricas em que o medicamento é referido no repertório.

3. Ler todo esse conjunto de informações sobre o medicamento, como se estivéssemos lendo uma
anamnese.

4. Tentar identificar, entre os sintomas mentais, gerais e locais, as características que os modalizam neste
medicamento.

5. Identificar modalidades que se repetem em vários sintomas, nas diversas partes do corpo.

6. Perceber semelhanças entre a forma como a doença se expressa no mental e no físico.

7. Buscar perceber a “ maneira de ser” do medicamento, suas principais características, através das quais
seja possível distingui-lo dos demais.

8. Construir a totalidade sintomática com os sintomas mentais, gerais e locais.

9. Identificar as diáteses que o remédio cobre.

10. Identificar o tropismo do remédio.

103
104
14ª AULA

CASO CLÍNICO

Paciente do sexo masculino, com 72 anos, solteiro, engenheiro aposentado.

Sinto dor de cabeça, principalmente na testa, é contínua, e pior de madrugada, entre 2 e 3 horas.

Se me movimento ela piora, ex: se fico rolando na cama piora, mas se ficar quieto melhora, mesmo que
fique sentado.

Fiz cirurgia de cálculo renal à direita há 20 anos. Cirurgia de próstata e de hérnia inguinal direita há 2 anos.
Antes da cirurgia de próstata tinha dificuldade para urinar e urinava a cada 2 horas. A urina era vermelha,
ardia, o jato era fino. No final tinha que fazer força para urinar. Levantava muito à noite.

De uns anos para cá, tenho tido problemas na raiz dos dentes. Fui perdendo todos. Tinha mau hálito e o
dente começava a amolecer, ficava frouxo. Aí fazia RX que mostrava infecção no dente, ia ao dentista e
extraía.

Me alimento bem. Sou maluco por doces. Bebo muita água, copos grandes de uma vez. Gordura, eu
detesto. Não gosto de comida quente. Até café se estiver quente espero esfriar, se não me faz

mal.

Gosto mais do frio. Não me sinto bem no calor.

Às vezes tenho algo como se fosse asma. Tenho tosse seca. Sinto como se a garganta estivesse

fechando. Basta eu me mexer que vem a tosse. Se eu ficar parado a tosse demora a vir. A tosse é

pior à noite e eu ouço um chiado.

Minha vida sempre foi ligada a livros. Sou engenheiro civil. Sempre me dei bem profissionalmente. Me
aposentei, mas ficar sem trabalhar não é bom. Estou trabalhando em processamento de dados. Gosto de
trabalhar, preciso - se eu parar eu morro. Me preocupo em Ter dinheiro para minha subsistência. Tenho
medo da incapacidade de sobrevivência no futuro.

Faz parte de mim o fato de ser solitário. Tem ocasiões que tenho que ficar sozinho, mas não me

sinto uma pessoa isolada. Tenho muitos amigos.

Sempre fui nervoso, pavio curto, brigo à toa. Qualquer coisa eu pulo. Antigamente se uma

pessoa me dissesse algo que me desagradasse eu saía aos gritos. Quando eu era jovem, se alguém

me chamasse atenção, eu ficava com tanta raiva que passava mal. Eu mudei fazendo cursos de controle da
mente. Hoje quando algo me altera, com este treinamento consigo me controlar.

Sempre fui muito cuidadoso com a saúde. Qualquer coisa que sentisse ia logo ao médico.

O que me preocupa mesmo é não ter condições de me alimentar, de me vestir, de ter onde dormir

no futuro.

EXAME FÍSICO

PA: 190 x 100. FC: 74. Peso: 75 Kg. Altura: 1,70m. Normocorado, anictérico, jugulares

cheias e não túrgidas. Ausência de adenomegalias. Orofaringe sem alterações. Coração:

RCR 2T, BNF. AP: síbilos esparsos em ambos os pulmões. Abdômen: flácido, indolor, sem

105
visceromegalias. Sem edemas. PPL indolor. Constituição: Sulfúrico esclerótico.

TOTALIDADE SINTOMÁTICA

SINTOMAS MENTAIS:

Ficar sem trabalhar não é bom - se parar, morro

Preocupação - ter dinheiro

- com o futuro: de não ter condições de me alimentar, de me vestir, de ter onde dormir

Medo da incapacidade de sobrevivência no futuro

Solitário - tenho que ficar sozinho

Nervoso, pavio curto, brigão, grita

Raiva de passar mal

Cuidadoso com a saúde

SINTOMAS GERAIS:

Sede - aumentada

- copos cheios

Apetite - aversão à gordura

- desejo de doces

- aversão a alimentos quentes

Calor agrava

SINTOMAS PARTICULARES:

Dor de cabeça - na testa

- piora de madrugada

- agrava com movimento

- melhora com o repouso

Asma - tosse seca

- agrava com movimento

- melhora parado

- piora à noite

- chiado

Cálculo renal à direita

Cirurgia de próstata - prostatismo

Hérnia inguinal à direita

Infecção na raiz dos dentes - mau hálito

- dentes frouxos
106
Os sintomas foram repertorizados e o paciente foi medicado com BRYONIA.

BRYONIA

CONSTITUIÇÃO E MODALIDADES:

· Pessoas morenas, robustas, mas com tendência a emagrecer. O tecido muscular predomina em relação
ao tecido adiposo, e sua musculatura é firme.

· Tropismo pelos órgãos respiratórios e pelo tecido fibroso.

· Lateralidade direita.

· Suas principais modalidades são: agravação pelo movimento e melhora pela pressão (quer deitar sobre o
lado ou a parte dolorida).

· Age sobre as mucosas havendo excessiva secura ou falta de secreção nas membranas mucosas (lábios
secos e quebrados; fezes duras e secas; sede excessiva que só pode ser satisfeita tomando grandes
quantidades de água; pouca ou nenhuma expectoração brônquica e pulmonar, dor no peito quando tosse).

· Age intensamente sobre as serosas, atuando na fase da inflamação quando o exsudato se produz e
ocorre o derrame. Age sobre: sinóvias, pleuras, meninges, pericárdio, peritônio.

· Dores agudas e lancinantes, atingindo de preferência o lado direito do corpo e agravadas pelo menor
movimento.

· As dores têm agravação noturna, e melhoram sempre pelo repouso e por pressão forte.

SINTOMAS MENTAIS

Medo do que virá

Ansiedade pelo futuro

Preocupação

sobretudo um preocupado. Teme uma desgraça, mas não qualquer desgraça e sim a POBREZA. Teme a
pobreza. Tudo em Bryonia gira ao redor do tema do dinheiro. Teme não ser capaz de trabalhar, não ser
capaz de ganhar dinheiro. Sua hipocondria sempre está relacionada com seu medo de não poder ocupar-se
de suas atividades, seu trabalho, seus negócios. Crê que sua segurança consiste em ter dinheiro. E por
isto, se torna desconfiado e avaro. Não pode gastar o dinheiro. Está obcecado por seu trabalho. ativo,
laborioso, obstinado, fala de negócios. Tem ansiedade pelos negócios. Sonha que está ocupado, sonha

com seus negócios. Todas as formas de economia o atraem. Este homem guarda, economiza, mas nada
parece suficiente. Tem medo de tudo que possa lhe impedir de trabalhar. Tem medo de ficar doente e não
poder trabalhar, por isto tem ansiedade por sua saúde; se torna áspero, brigão, violento, intolerante à
contradição. Por uma insignificância se encoleriza.

Assim, passa a vida querendo se prevenir contra tudo, em um mundo mutante, imprevisível e inseguro.

Facilmente irritados e coléricos.

Tem desejos mas não sabe o que quer.

Desejo de solidão e tranqüilidade.; melhora com repouso físico e mental

Medo da pobreza e obsessão pelo trabalho são os dois temas principais de Bryonia.
107
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO

Encontre na descrição do medicamento Bryonia os sintomas que justificaram seu emprego no tratamento do
paciente descrito no caso clínico.

108
1ª AULA
REVENDO CONCEITOS BÁSICOS

A homeopatia é uma doutrina médico-terapêutica criada há 200 anos por Samuel


Hahnemann, médico alemão, e baseada no “tratamento pelo semelhante”.
A experimentação no homem são revela o conjunto de sinais e sintomas específicos a
cada medicamento (patogenesia), que pode então ser utilizado para curar, nos pacientes,
conjuntos de sinais e sintomas semelhantes.
A homeopatia está baseada, portanto, na correspondência entre duas individualidades – a
do medicamento e a do paciente; em outras palavras, na semelhança entre a totalidade
sintomática do medicamento e a do paciente.
A terapêutica busca utilizar um medicamento único, em dose mínima – isto é, em dose
capaz de estimular a energia vital mas isenta dos efeitos colaterais que a substância teria em
doses ponderais.
São esses os quatro pilares da doutrina homeopática: a lei da semelhança, a
experimentação no homem são, a dose mínima e o medicamento único.

Os homeopatas consideram a doença como o desequilíbrio da energia vital, expresso pela


totalidade sintomática – conjunto de sinais e sintomas que traduz para o médico a doença do paciente, e
que serve de base para o diagnóstico/ prescrição do medicamento homeopático.
Energia vital ou força vital é a força organizadora da vida, que mantém a integração e o
funcionamento harmônico do organismo no estado de saúde, para que este possa atender aos altos fins da
existência de sua alma. Na doença, a força vital, perturbada, só opõe resistência imperfeita, inadequada,
sacrificando parte do organismo e se revelando impotente para deter o alastramento do mal.

Hahnemann dividia as moléstias em duas categorias: agudas e crônicas.


As moléstias agudas são processos súbitos, com tendência a completar seu curso em tempo curto
ou moderado, com a cura ou a morte. Podem ser provocadas por fatores excitantes externos (físicos,
alimentares, emocionais...), mas representam geralmente apenas a explosão da psora latente, que retorna
espontaneamente a seu estado adormecido se as moléstias não forem de caráter demasiado violento.
As doenças agudas podem atacar o homem individualmente (doença aguda individual) ou diversas
pessoas ao mesmo tempo (doença coletiva).
A doença aguda coletiva pode ser esporádica, atacando diversas pessoas.suscetíveis a uma
influência externa ao mesmo tempo (por exemplo, várias pessoas podem se resfriar após mudança súbita
da temperatura ambiente), ou epidêmica, em que diversas pessoas são atacadas por sofrimentos muito
semelhantes, provenientes da mesma causa (que pode ser desde uma calamidade por guerra, inundação,
fome, até algum miasma agudo peculiar como a varíola e o sarampo).

As moléstias crônicas têm início insidioso e caráter progressivo ou recidivante, desviando o


organismo mais e mais do estado de saúde, até sua destruição. Podem ser:
- produzidas artificialmente no tratamento alopático, pelo uso abusivo de medicamentos
agressivos - doença crônica medicamentosa
- causadas pela exposição continuada a influências nocivas evitáveis, como ambientes
insalubres, desvios alimentares, hábitos de vida – doenças crônicas falsas ou não
miasmáticas
- oriundas de um miasma crônico – doenças crônicas verdadeiras ou miasmáticas.

109
Individuais
Agudas esporádicas
Coletivas por calamidades
epidêmicas
por gênios infecciosos
Doenças
Medicamentosas

Crônicas Falsas (exposição a fatores nocivos)

Verdadeiras (= miasmas: psora, sífilis, sicose)

Num esforço para compreender as inúmeras formas de expressão das moléstias crônicas
e de encontrar um denominador comum às várias enfermidades de um mesmo indivíduo ao longo
de sua vida, Hahnemann desenvolveu o conceito de miasma crônico – um princípio dinâmico
desorganizador da vida, que tornaria o organismo suscetível de se desequilibrar e vulnerável aos
agentes externos.
Identificou três miasmas crônicos: a sífilis e a sicose, apontadas pelas doenças venéreas
conhecidas em seu tempo, e a psora, monstro de mil cabeças, única causa fundamental de 7/8
dos males da humanidade.
Em todos os casos, o miasma acomete internamente toda a economia. O organismo
tende inicialmente a localizar seu sofrimento em um plano superficial (o cancro na sífilis, o
condiloma na sicose e a erupção da sarna na psora), mas sucumbe, cedo ou tarde, ao
desenvolvimento e aprofundamento do desequilíbrio aos órgãos mais nobres. Cada miasma não
se restringia, portanto, aos sintomas genitais ou cutâneos que ajudavam a identificá-lo, mas dizia
respeito a todo o desequilíbrio interno, com suas múltiplas expressões.

O conceito de miasma foi reestudado por vários autores.


Kent e Allen retiraram o valor da erupção escabiosa, do cancro e do condiloma como
antecedentes para a classificação miasmática das entidades nosológicas e o substituíram pela
atitude mental do indivíduo.
Para Kent, a psora primária, causa de toda enfermidade, é a origem de todo o
desequilíbrio: o desacordo entre a maneira de sentir e atuar e sua maneira de ser, e o sofrimento
que dele decorre. A sífilis e a sicose seriam as possíveis reações para aplacar este sofrimento: a
fuga (sífilis) e a luta, o enfrentamento (sicose).
Para Masi, a enfermidade do homem é uma só, que começando na angústia de saber-se
vulnerável e mortal, impele-o a um estado de alerta exagerado (psora) e depois o faz reagir, quer
fugindo do meio (sífilis), quer tentando destruí-lo ou dominá-lo (sicose).
A seguir listamos alguns sintomas freqüentemente relacionados a cada miasma:
PSORA - angústia, ansiedade, medos, insegurança, instabilidade; reações físicas fracas e
oscilantes, prurido.
SÍFILIS- fuga da vida, de si mesmo, da sociedade, misantropia, suicídio, desesperança,
depressão; reações físicas degenerativas e ulcerativas, cancro.
SICOSE- imposição ao meio, orgulho, egoísmo, ambição; reações físicas de hipertrofia e
proliferação, como neoformações, excrescências, hipersecreções, condiloma.

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Em que pesem todos esses conceitos, a “nobre e única missão do médico é curar,
restabelecer a saúde ao doente” (Hahnemann, Organon, #1), e não se perder em idéias e
hipóteses, palavras ininteligíveis e expressões abstratas...
O desequilíbrio da energia vital, verdadeira e única causa de toda enfermidade, só se
revela ao olhar do médico através da totalidade sintomática. É, portanto, esse conjunto de
sintomas, físicos e mentais, subjetivos e objetivos, a “doença” a ser curada pelo médico.

A anamnese homeopática caracteriza-se pela escuta atenta, interessada e sem julgamento


de todo o relato do paciente. Deve ser registrado com a maior fidedignidade o discurso pessoal e
particular daquele que é o dono do sofrimento. Só após concluída esta fase de relato expontâneo,
deve o médico proceder a um interrogatório, através de perguntas não diretivas. Inicialmente
visam esclarecer, especificar e modalizar os sintomas relatados pelo paciente. Depois, investigar
sua história familiar, seus hábitos e condições de vida, sua história patológica pregressa.
Finalmente, perguntas que buscam conhecer as condições atuais de funcionamento do
organismo, como um todo (relação com clima, horários, sono, sede, desejos e aversões
alimentares, sexualidade, suor...) e de cada parte (revisão de cada sistema e função).
O exame físico e os exames complementares não devem ter sua importância subestimada.
O médico homeopata deve ser sobretudo um bom clínico, capaz de fazer não apenas o
diagnóstico homeopático (medicamentoso), mas também o diagnóstico das entidades
nosológicas. Isto é importante não apenas pela necessidade de comunicação com o paciente,
seus familiares e o meio médico-sanitário em geral, mas também para o estabelecimento do
prognóstico e a avaliação do caso em consultas subseqüentes.
Na anamnese identificam-se os sintomas homeopáticos, que podem ser mentais, gerais e
locais (ou particulares). Para que um sintoma seja considerado homeopático deve estar
modalizado, isto é, associado às circunstâncias e condições que o provocam ou modificam. A
valorização dos sintomas, além de considerar a hierarquia mental > geral > local, depende de sua
raridade ( fator que torna o sintoma específico ao indivíduo e pouco comum no conjunto de
pessoas portadoras de uma determinada enfermidade), intensidade (diz respeito a o quanto o
sintoma perturba ou limita o indivíduo), antigüidade (diz respeito ao tempo prolongado de inserção
do sintoma na vida do indivíduo), freqüência e duração.
Construída a síndrome mínima de valor máximo (conjunto de sintomas mais relevantes)
para o paciente, procede-se à repertorização do caso, que conduz ao diagnóstico medicamentoso
– o medicamento a ser prescrito.
Com base no diagnóstico das entidades nosológicas, avalia-se o grau de acometimento da
energia vital e formulam-se as observações prognósticas: como se espera que o paciente reaja ao
tratamento? Como deve se apresentar na próxima consulta, obedecidas as leis de cura?

Hering e Kent se detiveram em estudar profundamente o processo de cura.


Hering postulou as chamadas “Leis de Cura”:
- A melhora dos sintomas ocorre de cima para baixo;
- A melhora da enfermidade ocorre de dentro para fora (do mental para o físico);
- Aliviam-se primeiro os órgãos mais importantes, a pele e a mucosa ao final;
- Os sintomas desaparecem na ordem inversa de seu aparecimento.

Kent relacionou os diferentes graus de acometimento da energia vital a formas esperadas


de evolução do caso. Essas correlações ficaram conhecidas como observações prognósticas de
Kent:
- Paciente incurável: uma agravação prolongada e um declínio final (também pode ocorrer uma
melhora inicial, seguida de agravação e declínio);
- Paciente lesional grave: uma agravação prolongada seguida de lenta melhora;
- Paciente lesional leve: uma agravação rápida e forte, seguida de rápida melhora;
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- Paciente funcional: melhora sem agravação.

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO

REVENDO CONCEITOS BÁSICOS

Após leitura do texto, preencha as lacunas:

A homeopatia, doutrina e prática médico-terapêutica, construída por


_____________________ há ____ séculos, está baseada em quatro pilares: a lei da
________________, a experimentação _____________________, a dose ____________ e o
medicamento ____________.

Na homeopatia a doença é concebida como o _________________________


_____________, expresso por um conjunto de sinais e sintomas a que denominamos
_____________________________. O estudo desse conjunto, desse retrato do paciente é que
oferece ao médico a possibilidade de diagnóstico e tratamento.

Com raízes no vitalismo, a homeopatia vê o ser vivo não como um simples conjunto de
órgãos e tecidos, mas possuidor de uma força organizadora, a que chamamos
___________________, que mantém, no estado de saúde, a integração e o funcionamento
harmônico do organismo e sua concordância com os ditames da alma.

Em seu esforço para compreender as moléstias, Hahnemann classificou-as em duas


categorias:
- _____________ - processos súbitos, de duração curta ou moderada, evoluindo geralmente para
a cura ou a morte e
- _____________ - com início insidioso e caráter progressivo ou recidivante, destruindo
paulatinamente o organismo.
Neste segundo grupo, Hahnemann separava três subgrupos de moléstias:
- ___________________ - produzidas artificialmente por medicamentos;
- ___________________ - causadas pela exposição a influências ambientais nocivas ou por
inadequadas condições de alimentação, higiene, hábitos, etc.
- ___________________ - as oriundas de um miasma crônico.

Se a palavra “miasma” à época de Hahnemann era utilizada para designar “emanações


dos pântanos capazes de provocar doenças”, este autor desenvolveu um conceito diferente de
“miasma crônico”, que seria um princípio dinâmico desorganizador da vida, que tornaria o
organismo suscetível de se desequilibrar e vulnerável aos agentes externos. Em outras palavras,
o miasma crônico coincidiria com o desequilíbrio da energia vital. Hahnemann reuniu todas as
doenças crônicas que conheceu em três tipos de miasmas crônicos: ________ , _______ e
_________.

Cada miasma correspondia a um conjunto de sinais e sintomas que tornavam possível sua
identificação. Hahnemann buscava encontrar não apenas medicamentos capazes de promover o
desaparecimento das moléstias apresentadas a cada momento pelos pacientes, mas dedicou a
vida a pesquisar medicamentos que pudessem curar os próprios miasmas crônicos, devolvendo
ao indivíduo a saúde.

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A anamnese homeopática se caracteriza pela _________ atenta e isenta de
preconceitos, onde o autor do discurso é o ___________ , cuja linguagem deve ser respeitada
nos registros.
Só após o relato espontâneo do __________ , o médico deve fazer ____________, para
tentar esclarecer e ______________ os sintomas, isto é, para conhecer a forma específica e
particular daquele paciente apresentar aquele sintoma, para que então este sintoma possa ser
valorizado como um sintoma _______________ . Fazem ainda parte da anamnese a história
_________, a história __________, a história _______________________, e a revisão dos
___________.
A anamnese é complementada pelo exame __________ e os exames _____________.
Para a construção da totalidade sintomática precisamos identificar, e classificar os
sintomas (______________, ________________ e ____________________).
Desse conjunto de sintomas, selecionamos alguns, considerando sua hierarquia
(________ > _________ > __________), e também características como raridade, ____________
, _____________, __________ e ___________. A esse conjunto selecionado de sintomas que
consideramos os mais relevantes no processo de repertorização e de escolha do medicamento
chamamos síndrome _______________________________________.

Hering, discípulo de Hahnemann, baseando-se no acompanhamento clínico de inúmeros pacientes,


formulou as chamadas leis de cura: a melhora dos sintomas ocorre de ________________________,
de________________________, dos órgãos ___________________________________________ e o
desaparecimento dos sintomas ocorre na ordem ______________________________________.

James Taylor Kent, outro grande expoente da homeopatia, estabeleceu observações prognósticas,
relacionando os diferentes graus de acometimento da energia viral com a esperada evolução do caso:
- no paciente ___________ poderia ocorrer uma agravação prolongada, seguida de declínio ou uma
ligeira melhora, seguida de agravação e declínio;
- no paciente __________________ deveria ocorrer uma agravação prolongada, seguida de lenta
melhora;
- no paciente __________________ deveria haver uma agravação rápida e forte, seguida de rápida
melhora e
- no paciente ____________ a melhora deveria ocorrer sem agravação.

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