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O objetivo da resenha é guiar o leitor pelo emaranhado da produção cultural

que cresce a cada dia e que tende a confundir até os mais familiarizados com
todo esse conteúdo.
Como uma síntese, a resenha deve ir direto ao ponto, mesclando momentos de
pura descrição com momentos de crítica direta. O resenhista que conseguir
equilibrar perfeitamente esses dois pontos terá escrito a resenha ideal.
No entanto, sendo um gênero necessariamente breve, é perigoso recorrermos
ao erro de sermos superficiais demais. Nosso texto precisa mostrar ao leitor as
principais características do fato cultural, sejam elas boas ou ruins, mas sem
esquecer de argumentar em determinados pontos e nunca usar expressões
como “Eu gostei” ou “Eu não gostei”.
QUALIDADES DE UMA RESENHA
A resenha deve possuir as mesmas qualidades de estilo imprescindíveis a todo
texto escrito, como: simplicidade, clareza, concisão, propriedade vocabular,
precisão vocabular, objetividade e impessoalidade.
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Além disso, a resenha deve apresentar imparcialidade, atitude científica e
privilegiar o essencial. Veja seguir.
Imparcialidade
Seja na defesa ou no ataque, o resenhista deve julgar as ideias da obra sem
paixão, devendo posicionar-se criticamente como um juiz e apresentar tanto os
aspectos positivos quanto os negativos da obra, sem defender ou lado ou outro
devido a motivos externos à obra (amizade com o autor, imposição de
editoras,professores, colegas, etc.)
Cientificidade
A resenha, assim como todo trabalho acadêmico, deve ter cunho científico. Ou
seja, estar em conformidade com as exigências de objetividade e
impessoalidade.
Privilegiar o essencial
Você deve falar apenas do que é mais importante na obra, pois seu leitor
raramente estará interessado em muitos detalhes ou em partes menos
importantes. Devido a isso é necessário respeitar o tempo que ele está
reservando para ler seu texto.
TIPOS DE RESENHA
Até agora eu falei sobre as resenhas de uma forma geral e livre e esses dados
são suficientes para você já esboçar alguns parágrafos.
Contudo, as resenhas apresentam algumas divisões que vale destacar. A mais
conhecida delas é a resenha acadêmica ou universitária, que apresenta moldes
bastante rígidos, responsáveis pela padronização dostextos científicos. Ela, por
sua vez, também se subdivide em resenha crítica, resenha descritiva eresenha
temática.
Na resenha acadêmica crítica, os oito passos a seguir formam um guia ideal
para uma produção completa:
1. Identifique a obra: coloque os dados bibliográficos essenciais do livro ou
artigo que você vai resenhar;
2. Apresente a obra: situe o leitor descrevendo em poucas linhas todo o
conteúdo do texto a ser resenhado;
3. Descreva a estrutura: fale sobre a divisão em capítulos, em seções, sobre o
foco narrativo ou até, de forma sutil, o número de páginas do texto completo;
4. Descreva o conteúdo: Aqui sim, utilize de 3 a 5 parágrafos para resumir
claramente o texto resenhado;
5. Analise de forma crítica: Nessa parte, e apenas nessa parte, você vai dar sua
opinião. Argumente baseando-se em teorias de outros autores, fazendo
comparações ou até mesmo utilizando-se de explicações que foram dadas
em aula. É difícil encontrarmos resenhas que utilizam mais de 3 parágrafos
para isso, porém não há um limite estabelecido. Dê asas ao seu senso
crítico.
6. Recomende a obra: Você já leu, já resumiu e já deu sua opinião, agora é
hora de analisar para quem o texto realmente é útil (se for útil para alguém).
Utilize elementos sociais ou pedagógicos, baseie-se na idade, na
escolaridade, na renda etc.
7. Identifique o autor: Cuidado! Aqui você fala quem é o autor da obra que foi
resenhada e não do autor da resenha (no caso, você). Fale brevemente da
vida e de algumas outras obras do escritor ou pesquisador.
8. Assine e identifique-se: Agora sim. No último parágrafo você escreve seu
nome e fala algo como “Acadêmico do Curso de Letras da Universidade de
Caxias do Sul (UCS)”
Na resenha acadêmica descritiva, os passos são exatamente os mesmos,
excluindo-se o passo de número 5. Como o próprio nome já diz, a resenha
descritiva apenas descreve, não expõe a opinião o resenhista.
Finalmente, na resenha temática, você fala de vários textos que tenham um
assunto (tema) em comum. Os passos são um pouco mais simples:
1. Apresente o tema: Diga ao leitor qual é o assunto principal dos textos que
serão tratados e o motivo por você ter escolhido esse assunto;
2. Resuma os textos: Utilize um parágrafo para cada texto, diga logo no início
quem é o autor e explique o que ele diz sobre aquele assunto;
3. Conclua: Você acabou de explicar cada um dos textos, agora é sua vez de
opinar e tentar chegar a uma conclusão sobre o tema tratado;
4. Mostre as fontes: Coloque as referências Bibliográficas de cada um dos
textos que você usou;
5. Assine e identifique-se: Coloque seu nome e uma breve descrição do tipo
“Acadêmico do Curso de Letras da Universidade de Caxias do Sul (UCS)”.
O outro tipo de resenha é aquele que serve para divulgar uma obra,
simplesmente. Ele permite ao leitor tomar conhecimento do livro, filme ou artigo
de que trata a resenha e, consequentemente, decidir se deseja lê-lo ou assisti-
lo. Esse tipo é muito comum quando referida a uma obra da literatura, o que
constituirá uma resenha literária.
ANTES DE COMEÇAR - 3 PASSOS PRELIMINARES
Antes de iniciar a produção do texto há alguns passos importantes que você
deve considerar para que a qualidade do seu trabalho possa atingir um
patamar de excelência.
Passo 1 Leitura da obra a ser resenhada
Chega a ser ridículo ter que colocar este ponto, mas já vi MUITA gente fazendo
resenhas de livros que nunca leu, de filmes que nunca assistiu ou de palestras
às quais não compareceu. Soou familiar? É uma realidade crescente entre os
estudantes universitários.
Mas você não pretende ser um desses, certo? Então o primeiro passo é
conhecer o objeto que será resenhado.
Um detalhe importante: essa sua leitura deve ser rápida, com o objetivo de
conhecer a obra como um todo. Portanto, não faça anotações e nem sublinhe
nada.
Passo 2 Releitura
Ok, você vai achar que estou exagerando. Porém, o fato é que na primeira
leitura que fazemos de qualquer coisa há muitos elementos que passam
despercebidos.
É nessa etapa que devemos, lentamente, analisar aspectos mais pontuais da
obra que será alvo da resenha. Use a técnica de sublinhar, fazer esquemas
com as ideias principais (tanto da obra quanto de cada capítulo) e tente
estabelecer relações entre tudo isso.
Algo que eu faço e que ajuda muito: fazer perguntas e anotá-las no canto das
páginas (se você estiver resenhando um material escrito, claro). Isso força você
a pensar sobre o material que tem em mãos.
Passo 3 Parar para pensar
Muitos já começam a escrever a resenha logo após a leitura do material.
ERRADO!
Você deve para um tempo para pensar sobre tudo, rever suas anotações,
formar uma opinião e, quem sabe, até buscar outras fontes que tratem dos
mesmos assuntos, para poder fazer contrapontos em seu texto.
Se possível, essa pausa deve durar mais de 24h, mas não ultrapasse as 72h
para que as ideias não lhe fujam da memória.
Faça mais anotações e já tente formular os argumentos que utilizará em seu
texto.
Você talvez goste de ler:

COMO COMEÇAR UMA RESENHA?
Partindo de tudo que foi dito, talvez você já tenha uma boa ideia sobre o que
escrever em sua resenha e até mesmo sobre a estrutura que deve seguir. Mas
vamos falar especificamente de uma das perguntas que eu mais ouço dos
alunos: Como começar uma resenha?
Há uma série de questões que você deve tentar responder em sua introdução.
Veja:
1. De que trata o livro?
2. Ele tem alguma característica especial?
3. De que modo o assunto é abordado?
4. Qual é a tese do autor?
5. Qual a intenção do autor?
6. Que conhecimentos prévios são exigidos para entendê-lo?
7. A que tipo de leitor se dirige o autor?
8. O tratamento dado ao tema é compreensível?
9. O livro foi escrito de modo interessante e agradável?
10. As ilustrações foram bem escolhidas?
11. O livro foi bem organizado?
12. O leitor, que é a quem o livro se destina, irá achá-lo útil?
13. Comparando essa obra com outras similares e com outros trabalhos do
mesmo autor, a que conclusões chegamos?
Evidentemente, você não precisa responder a todas essas questões, sendo
elas sugestões que você pode utilizar no início de sua resenha.
COMO ESCREVER A CONCLUSÃO?
Outro ponto em que muitos têm dúvidas é na hora de escrever a conclusão.
Esse espaço final da resenha serve para expor sua avaliação geral sobre a
obra.
Até aqui você já deve ter discutido os argumentos do autor e como ele os
defende, assim como ter avaliado a qualidade e a eficiência de diversos
aspectos do livro ou artigo.
Agora é o momento de avaliar o trabalho como um todo, determinando coisas
como se o autor conseguiu ou não atingir os objetivos propostos e se a obra
contribui de maneira significante para a área de conhecimento da qual faz
parte.
Ao escrever a conclusão, você pode considerar as seguintes perguntas:
o A obra usa graus de objetividade ou subjetividade apropriados à
proposta inicial do autor?
o O autor consegue manter o foco da obra, sem incorrer em excesso de
opinião própria ou falta de fontes que comprovem seus argumentos?
o Em algum momento o autor deixa de considerar aspectos relevantes de sua
área, como outros pontos de vista ou teorias contrárias às dele?
o O autor conseguiu atender aos objetivos a que se propôs ao iniciar a obra?
o Que contribuições a obra traz para sua área de conhecimento ou grupo
específico de leitores?
o É possível justificar o uso dessa obra no contexto em que foi indicada (uma
disciplina da universidade, por exemplo)?
o Qual o comentário final mais importante que você faria a respeito dessa
obra?
o Você tem sugestões para futuras pesquisas nessa área?
o De que maneiras ler/assistir essa obra contribuiu para sua formação?
o Escrever uma resenha é um excelente exercício de redação. A resenha
é a espécie de texto mais usada em atividades acadêmicas e está
sempre presente no chamado jornalismo cultural. O que popularmente
recebe o nome de "crítica" de livros, filmes, CDs, DVDs, peças teatrais,
balés, exposições, shows, nada mais é do que resenhas. Ou seja,
sínteses e comentários sobre uma obra artística. Claro, elas podem
abranger apreciações sobre livros técnicos, científicos ou filosóficos.
o O objetivo da resenha, geralmente, é hoje divulgar o fato cultural e servir
ao seu leitor como uma bússola em meio à produção cada vezmaior da
indústria cultural. Quem entra numa megalivraria abarrotada de milhares
de ofertas, tende a sentir-se mais confortável se já leu uma resenha a
respeito de tal ou tal livro. Resenhas ajudam na seleção
bibliográfica para trabalhos acadêmicos ou científicos, evitando perda de
tempo com leitura de livros e mais livros e funcionam para a atualização
de estudiosos.
o A resenha oscila da síntese para a análise e vice-versa. Será bem-
sucedida a resenha que equilibrar essas duas vertentes. Pois, sendo um
gênero necessariamente breve, é perigoso ocaminho do resenhador
parar no buraco negro da superficialidade. Mas, a brevidade do texto,
assim como no conto, é o segredo de um estilo que pode ser sedutor,
elegante e incisivo.
o Há vários nomes para a resenha: resumo, recensão e outros que
sempre remetem à idéia de exame abreviado, verificação minimizada de
um texto. E resenhar tem tudo a ver com um texto argumentativo, que
visa a expressar a opinião do seu autor, supostamente alguém com um
referencial de conhecimento capaz de avaliar o que está sob sua visão e
possuidor de argumentos que convençam que essa avaliação é correta
ou, pelo menos, flua na direção exata. A resenha parece, para o leigo,
algo fácil de fazer e, por isso, nos jornais e revistas - onde a pressa é
amiga do patrão - há tantas resenhas arrogantes, ruins e levianas.
o Como evitar uma, digamos, pisada na bola ao fazer uma resenha? Há
várias recomendações dos especialistas, mas talvez a mais importante
seja a da humildade. Quem escreve uma resenha é um tipo de filtro
entre o fato cultural e o leitor. Estes dois últimos é que importam.
Sobretudo para o resenhista-jornalista, é preciso não colocar os seus
interesses ou uma visão totalmente subjetiva à frente de tudo. Como
dizia o tio do Homem-Aranha, grandes poderes trazem grandes
responsabilidades. E, conforme o lugar, resenhistas podem fazer um
livro mofar nas prateleiras ou uma peça ser encenada para poltronas
vazias.
o Usar uma lista de verificação
o Para ajudar na síntese do conteúdo da obra, uma lista de checagem da
avaliação pode incluir o "assunto", ou seja, do que a obra trata e seu
desenvolvimento, os objetivos do autor com seu texto, como evolui o
raciocínio do autor, o que geralmente é explicitado capítulo a capítulo.
o Se você ainda quiser fazer uma verificação final, após ter escrito a
resenha, uma lista de check-in como a dos pilotos que vão fazer um
avião decolar, há algumas perguntas que você deve responder:
o - Seu texto está adequado ao público para que você está escrevendo?
- Sua resenha mostra que você é uma pessoa que refletiu sobre o texto
e tem um repertório suficiente para avaliá-lo?
- Está na resenha o que o autor destacou como importante na sua obra?
- Aqueles elementos essenciais da estrutura da resenha estão todos
ali?
- Suas opiniões estão equilibradas e fundamentadas? Você não
cometeu excessos de avaliação?
- Releia para conferir se adjetivos, verbos estão corretos e se não há
problemas de correção gramatical no texto
o Respeitar o leitor
o O resenhista tem de saber exatamente a que público se destina seu
trabalho. Uma resenha acadêmica exige um determinado tipo de texto
mais culto e permite citações mais complexas. A jornalística requer um
texto mais acessível e o cuidado de situar fatos e pessoas com as
devidas explicações para um público não tão enfronhado no assunto.
o Como a resenha é um texto breve, uma boa dica é capturar o leitor
desde o primeiro parágrafo (ou da primeira frase). O melhor é descobrir
algo provocativo, intrigante, que agarre o leitor de cara. As resenhas
acadêmicas, contudo, seguem um modelo quase padronizado, de ter um
cabeçalho informativo sobre os dados bibliográficos da obra resenhada,
depois passam para os dados do autor, seu currículo acadêmico, por
exemplo.
o Para a resenha não-acadêmica, não há tais limites. Identificar algo
insólito sobre o texto ou o autor pode ser um modo interessante de
começar. Ou falar de um aspecto muito recorrente, como o texto em
forma de diário, o filme que conta a história em flashback, o CD que
revive standards de uma década afastada...
o Equilibrar a síntese
o Por ser texto breve, é recomendável usar frases curtas e diretas.Fazer o
contrário é dar pijama e travesseiro para o leitor. Não se perca em
detalhes demais, porque o espaço é curto. Pense na condição básica:
resenha é síntese.
o Na estrutura essencial da resenha há certos elementos que não devem
faltar. Aonde você irá colocá-los, é questão de gosto e estilo. Sem
desprezar o bom senso. Uma menção ao nome da obra e do autor, a
descrição do conteúdo da obra, a avaliação, a comparação com outras
obras do mesmo autor, tema ou contexto histórico-artístico e uma
conclusão que sintetize a opinião de quem escreve. Comparar um livro
ou um filme com outros semelhantes - ou diferentes - pode ser
esclarecedor na busca de aspectos originais ou vigorosos daquilo que
se resenha.
o O estilo do autor é outra pista a ser seguida. Da mesma forma que a
maneira de construção dos personagens, a avaliação de que eles serão
lembrados ou esqu


Heathcliff, its me, Cathy, come home. Im so cold, let me in your window.
É tão fácil escrever resenhas sobre livros que não me agradaram! Nisso eu sou
especialista (basta consultar minha resenha sobre Marcada), como, aliás, acho
que qualquer outro ser humano seja. Criticar o trabalho alheio e enumerar os
defeitos de uma obra é algo fácil de se fazer. Mas e quando o livro te agrada a
tal ponto, que se torna o seu favorito? Como é possível elogiar algo que se
funde com seu sentimento de tal forma, que em certos momentos você não é
mais você, e sim a personagem que está na cena, perdida na Inglaterra do
século XVIII?

Deparamo-nos com uma obra desse tipo quando nos deixamos levar pelos
ventos ardentes e arrebatadores de O Morro dos Ventos Uivantes, único
presente deixado pela célebre Emily Brönte.

Entrei em contato com a obra antes que esse clássico incrível fosse maculado
devido aos fãs adolescentocas desmiolados de Eclipse, 3º livro da série
vampiresca purpurinada de Stephenie Meyer (tá, eu gosto da série de Meyer,
mas que de vez em quando tenho um pouquinho de raiva, tenho...
Principalmente pela injustiça cometida a minha banda predileta, MUSE. Quem
é fã entende...). O meu O Morro dos Ventos Uivantes é em capa dura, que
imita um couro avermelhado, com floreios dourados na capa, lateral dourada,
1º edição e provêm do ano de 1971!!! É o meu orgulhinho! Agora, navegando
pelo submarino, me deparo com uma edição desse livro maravilhoso, onde na
capa encontro a seguinte citação: O livro preferido de Bella e Edward da série
Crepúsculo. Nesse momento tive uma sincope, cai da cadeira do computador e
tive vontade de botar fogo na editora Lua de Papel. Até hoje me pergunto como
o fato do livro ser citado em Eclipse é relevante o suficiente para ser colocado
na capa do livro! A única explicação, e temo estar correta, é que querem
explorar ainda mais as pobres mentes alienadas das adolescentes, fazendo
com que comprem o livro só para falarem que possuem o predileto do casal
dentucinho, e que assim possam ficar debruçadas na janela, esperando um
vampiro vegetariano que brilha na luz do sol pular para dentro de seus quartos
cor-de-rosa.

Tá, chega do momento desabafo... Com certeza serei xingada por milhares de
gurias por causa da minha opinião... Mas, é a vida.... Agora, partamos para a
história em si!

O livro conta a conturbada história, não somente de amor, mas de obsessão,
inveja e ódio entre Heathcliff, Catherine e a família Linton. Sentimentos que
combinados só poderiam deixar destruição e mágoa por onde passassem.
Descrevendo emoções arrebatadoras e muitas vezes primitivas, Brönte nos
fez entrar nesse mundo hostil e ardente. Da maneira como escreve, a autora
não nos dá espaço para condenar os cruéis atos cometidos pelo casal, muitas
vezes perdoamos (mas não justificamos) suas crueldades devido ao passado
de cada um e de entender o que os levou a agir de tal maneira. Se me
permitem, Heathcliff me fascina, sendo um dos meus personagens prediletos.

A obra é de tal forma complexa, que não é possível resumi-la de uma maneira
na qual não venha a perder o fascínio de sua natureza. O Morro dos Ventos
Uivantes é um livro que proporciona uma leitura singular, nenhum outro tem
uma história como a sua, não sendo mais uma daquelas formulinhas prontas
de tragédia grega, que encontramos aos montes em cada livraria.

Ler O Morro dos Ventos Uivantes exige certa preparação. Eu já estava
acostumada com a linguagem utilizada nos clássicos, então não tive problema.
Agora, se você esta acostumado com esses livros moderninhos, o caminho
será árduo, e provavelmente você não conseguirá compreender a total
exuberância da obra na primeira leitura, o que exigirá certa paciência.

A história do amor doentio e letal entre Catherine e Heathcliff é algo encanta
os leitores de diversas gerações. Apesar do tempo, é uma obra atual, que
mostra o ser humano em sua natureza nua e crua, e nos extremos em que uma
mente perturbada pela paixão pode chegar para obter sua vingança. É
impossível ler esse livro sem que ele nos deixe profundamente marcados.
Resumindo, é o meu predileto, sendo simplesmente perfeito e digno de
inúmeras releituras. Os escritores e leitores atuais deveriam adotar O Morro
dos Ventos Uivantes como uma base para determinar se um livro é bom ou
não, acho que ainda é possível aprender muito com Brönte. Isso só traria
benefícios, uma vez que haveriam menos atentados oculares e mentais por
meio dessas coisas mal acabadas e estruturadas que, atualmente, são os chamados ótimos livros.