CADASTRO TÉCNICO E PLANEJAMENTO URBANO

Profa. Dra. Maria Cecília Bonato Brandalize 2008

A Disciplina
Ementa Objetivos Programa Metodologia Avaliação Bibliografia
Conceito e Histórico. Estrutura Fundiária do Brasil. Legislação Cadastral Rural. Problemas na Demarcação de Limites. Técnicas e Métodos de Levantamentos Cadastrais. Cartografia Urbana. Cadastro Técnico Multifinalitário e Aplicações. Sistema de Informações Geográficas (SIG) aplicado ao Cadastro Técnico. Espaço Urbano: Aspectos da Urbanização Brasileira. Dinâmica do Espaço Urbano e Planejamento Estratégico. Metodologia do Planejamento Urbano. Elementos do Plano Diretor. Política Imobiliária e Fundiária e de Uso do Solo.
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A Disciplina
Ementa Objetivos Programa Metodologia Avaliação Bibliografia
Proporcionar ao estudante de Engenharia Cartográfica noções sobre a importância da cartografia e dos sistemas de informações geográficas na concepção de um cadastro técnico que sirva de ferramenta ao planejamento urbano, à administração municipal e à tributação justa. Inserir o Engenheiro Cartógrafo no contexto multidisciplinar que envolve os procedimentos de ordenamento do território, principalmente à delimitação das propriedades e ao georreferenciamento das mesmas.

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A Disciplina
Ementa Objetivos Programa Metodologia Avaliação Bibliografia
As aulas serão ministradas tendo como recursos didáticos: quadro negro e projetor. Como suporte às aulas e às avaliações de aprendizagem serão recomendadas bibliografias. O material encontrado em formato digital será oportunamente disponibilizado ao aluno para o devido acompanhamento das aulas. Eventualmente poderão ser agendadas visitas a empresas, instituições ou municípios de interesse. Eventualmente poderão ser agendadas, no dia e horário das aulas, palestras proferidas por especialistas em alguns temas de interesse.
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A Disciplina
Ementa Objetivos Programa Metodologia Avaliação Bibliografia
Para avaliação da aprendizagem do aluno serão utilizados os seguintes instrumentos: Trabalhos Práticos (individuais ou em grupos) Trabalhos Teóricos (individuais) Apresentação de Seminários (duplas)* Resolução de Exercícios (individual) Provas (individuais)

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A Disciplina
ABNT. NBR 14166: Rede de Referência Cadastral Municipal - Procedimento, 1998. Ementa ÁGUILA, M.; ERBA, D. A. A Função do Cadastro no Registro de Imóveis. LILP: 2005. Objetivos ANTUNES, A. F. A. Cadastro Técnico Urbano e Rural. Apostila. UFPR: 2007. BRASIL. Estatuto da Cidade: Guia para Implementação pelos Municípios e Cidadãos. Programa Brasília, 2005. Metodologia CARNEIRO, A. F. Cadastro Imobiliário e Registro de Imóveis. Porto Alegre: IRIB, 2003. ERBA, D. A.; OLIVEIRA, F. L. de; LIMA JUNIOR, P. de N. Cadastro Multifinalitário Avaliação como Instrumento de Política Fiscal e Urbana. Rio de Janeiro, 2005. FERRARI, C. Curso de Planejamento Municipal Integrado. São Paulo: Pioneira, 1982. Bibliografia INCRA. Manual de Regularização Fundiária em Terras da União. 2006. INCRA. Normas Técnicas para Levantamentos Topográficos. 2001. INCRA. Normas Técnicas para Georreferenciamento de Imóveis. 2003. LOCH, C.; ERBA, D. A. Cadastro Técnico Multifinalitário Urbano e Rural. Cambridge: LILP, -62007.

Básica:

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A Disciplina
Básica:
MINISTÉRIO DAS CIDADES. Planejamento Territorial Urbano e Política Fundiária. 2004. STOTER, J. E. 3D Cadastre. Netherlands Geodetic Commission, 2004. UN-HABITAT. Land Tenure, Housing Rights and Gender Review in Brazil. 2005.

Sítios Recomendados:
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA: www.incra.gov.br/ Instituto de Registro Imobiliário do Brasil - IRIB: http://www.irib.org.br/ International Federation of Surveyors - FIG: http://www.fig.net/ Lincon Institute - LILP: http://www.lincolninst.edu Ministério das Cidades: http://www.cidades.gov.br Permanent Committee on Cadastre - PCC (UE) - http://www.eurocadastre.org/ Secretaria do Patrimônio da União - SPU: http://www.spu.planejamento.gov.br/

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A Disciplina
Ementa Objetivos Programa Metodologia Avaliação Bibliografia

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A Disciplina
1. Introdução 2. Legislação Cadastral 3. Metodologia do Cadastro Técnico (CT) 4. CT Multifinalitário para Planejamento Urbano 5. Noções de Planejamento Urbano

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1. Introdução
1.1. Conceitos e Objetivos do Cadastro 1.2. Características e História do Cadastro 1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil 1.4. Estrutura Fundiária Brasileira 1.5. Importância do Cadastro no Desenvolvimento Sustentável

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1.1. Conceitos e Objetivos

Não há no mundo consenso em relação à definição de cadastro e de suas funções. ê Principalmente, porque as ocupações do território, em todas território as nações do mundo, ocorreram e ocorrem de formas muito diferentes (história, leis e costumes). ê Assim como, também são muito diferentes, as formas como estas nações gerenciam tais ocupações.
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1.1. Conceitos e Objetivos Há três possíveis origens para a palavra Cadastro 1ª) Capitum Registrum ► Capistratrum ► Catastrum (latim): registro das unidades de taxação territorial, pelas quais as províncias romanas eram divididas; 2ª) Capitatio (latim): captação; 3ª) Katastikhon* (bizantina): lista ou livro de registros. ê
Catasto (Itália); Catastro (Espanha); Kataster (Alemanha); Cadastre (França e Inglaterra); Cadaster (EUA); Cadastro Técnico (Brasil).
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1.1. Conceitos e Objetivos Cadastro deriva do termo francês cadastre e compreende o registro público dos bens imóveis de determinado território, ou ainda, o registro de bens privados de um determinado indivíduo.
AURÉLIO

Cadastro é um documento ou conjunto de documentos em que bens imóveis ou de raiz, ou os proventos por eles raiz proporcionados, são descritos e avaliados quanto à extensão, extensão ao valor e à qualidade, especialmente para servir de base para qualidade o cálculo dos impostos que devem incidir sobre esses bens ou rendas.
HOUAISS (ECONOMIA)

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1.1. Conceitos e Objetivos Bens Imóveis ou de Raiz O solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente.

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1.1. Conceitos e Objetivos O cadastro é um sistema de informação baseado na parcela, que contém um registro de direitos, obrigações e interesses direitos sobre a terra.
FIG

O cadastro inclui a descrição geométrica da parcela, unida a outros elementos que descrevem a natureza dos interesses de propriedade ou domínio, o valor e as construções que existem sobre ela.
FIG

Parcela: pode ser rural (propriedade rural) ou urbana (lote) e constitui uma unidade de registro do cadastro rural ou urbano, respectivamente, podendo ainda ser denominada objeto territorial, propriedade territorial ou propriedade imóvel.
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1.1. Conceitos e Objetivos Parcela e Objeto Territorial compreendem duas características comuns: definição do seu limite e da sua localização. localização Limites: entes culturais concebidos pela razão de quem interpreta um documento legal (registro) ou os fatos materiais existentes no território. Determinam onde começa e onde termina um direito de propriedade (parcela), uma jurisdição, uma divisão política ou administrativa ou ainda a soberania de uma nação. Podem ou não ser materializados → título registrado
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1.1. Conceitos e Objetivos Limites são representados cartograficamente ê Linhas (3D) → projetadas sobre o plano (2D)

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1.1. Conceitos e Objetivos Primeiros Registros Cadastrais ê Fins de Arrecadação Atualmente → Cadastro Imobiliário ê Principal fornecedor de dados sobre o imóvel Depósito de documentos → garantia de direitos sobre a propriedade imóvel
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1.1. Conceitos e Objetivos

IMPORTÂNCIA
ê Política Cadastral ê Promoção (ou não) do desenvolvimento (progresso) social e econômico de um lugar, região ou país ê Sustentável
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1.2. Características e História Cadastro → registro público que descreve a extensão, extensão qualidade e valor dos bens imóveis de certo território, compreendendo uma série de operações que tem por fim organizar este registro. O espaço geográfico cadastrado pode ser tanto o ambiente urbano como o rural. rural O cadastro pode ser definido através de um conjunto de técnicas cartográficas e de banco de dados sobre os bens imobiliários.
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1.2. Características e História Cadastro → registro oficial das informações que definem a propriedade → referem-se: área, utilização, tipo, valor, localização unívoca e direitos. O registro deve apresentar o assentamento metódico destas informações, tal que possibilite a identificação da propriedade na forma mais atual. A definição precisa de uma propriedade envolve diferentes aspectos, desde a sua localização até os direitos exercidos sobre esta, portanto é um assunto de natureza multidisciplinar. multidisciplinar
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1.2. Características e História Registro → compreende duas partes distintas: a) Base Cartográfica: mapas em escalas grandes Cartográ fica b)Dados Descritivos: dispostos em tabelas e contendo b)Dados Descritivos informações: indicação fiscal, proprietário, valor venal, etc. Em cada sistema cadastral a unidade básica ou territorial é a parcela, e esta pode ser definida como a área contínua de terra parcela na qual existe uma homogeneidade de direitos, restrições e responsabilidades, dependendo do paradigma social vigente.
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1.2. Características e História

Dados Descritivos Base Cartográfica
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1.2. Características e História O principal objetivo atendido pelo cadastro ainda é a arrecadação de impostos. impostos O cadastro, como base de dados cartográficos, revela-se importante em aplicações que transcendem a função fiscal. O cadastro atende atualmente às demandas de ampliação das redes de estradas, saneamento básico, transmissão de energia, estradas básico energia transporte, entre outras, desempenhando novas funções e transporte passando a denominar-se cadastro multifuncional ou cadastro multifinalitário. multifinalitário
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1.2. Características e História De acordo com a função, o cadastro pode ser classificado em: a) Fiscal: onde o aspecto fundamental constitui a identificação Fiscal do proprietário da parcela, sendo o objetivo geral a determinação do valor da propriedade e sua taxação b) Jurídico ou Legal: refere-se ao direito à propriedade e ao Legal registro do imóvel c) Multifinalitário: refere-se às múltiplas aplicações do Multifinalitário cadastro, principalmente no que concerne ao planejamento urbano e regional, servindo de base à tomada de decisões -25regional

1.2. Características e História Cadastro Multifinalitário
ê

Atualmente baseado em tecnologias de geoprocessamento A principal característica do cadastro multifinalitário reside no fato de ser o mais completo possível no que diz respeito à cobertura espacial (território ⊂ parcelas) O cadastro multifinalitário constitui a base do gerenciamento territorial, normalmente realizado através dos Sistemas de Informações Territoriais (SIT) ou Land Information Systems (LIS)
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1.2. Características e História Cadastro → Esquema

Cadastro

Código

Registro

Parcelas

Ligação Ligaç (matrícula) matrí cula)

Proprietário Leis Direitos

PLANTA + DOCUMENTOS DESCRITIVOS

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1.2. Características e História Cadastro → Origens
O Plano Cadastral mais antigo da história foi revelado ao mundo durante um simpósio de cartografia promovido em Istambul (Turquia), em 1999. Tal Plano Cadastral, elaborado para a cidade de CatalHyük (região de Cadastral Anatolia, na Turquia), data de aproximadamente 6.200 a.C. Este foi encontrado em um sítio arqueológico localizado ao sul de Ankara (capital da Turquia), cujas escavações iniciaram em 1961, tendo sido interrompidas em 1965. Acredita-se que o local (antigo assentamento) date de 6.800 a 5.700 antigo assentamento a.C. (radiocarbono 14).
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1.2. Características e História Cadastro → Origens
Em 1993 as escavações reiniciaram, após o sítio ter sido colocado sob a proteção do Governo da Turquia. Quando estas chegaram ao nível VII, em uma das paredes de um dos edifícios foi descoberto um mapa planimétrico entalhado da cidade. planimé

IMPORTÂNCIA??? IMPORTÂNCIA??? A escrita foi desenvolvida apenas em 3.500 a.C. Assentamento → Planejado (defesa)
(edificações com fundações, templos e cemitério)
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1.2. Características e História Cadastro → Origens

Planta Urbana - Catal Hyük

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1.2. Características e História Cadastro → Origens

Plano Cadastral de CatalHyük

Escavação do Nível XII (1999)
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1.2. Características e História Cadastro → Origens
Edificações Dormitórios Cozinha Sala de Estar Área: 11,25 a 48 m² Altura Telhado f(relevo) Janelas e Entradas Áreas de Laser Modelo (desenho 3D) (1963) Espaços Internos
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Sofisticação Urbana

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1.2. Características e História Cadastro → Origens
Pictografia do Vaso de Maikop (Russia, 3000 a.C.)

Planta de CatalHyük (6200 a.C.) Mapa Gravado sobre Rocha (Itália, 1500 a.C.)

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1.2. Características e História Cadastro → Origens A utilização mais remota do cadastro (aplicação fiscal), se aplicação fiscal deu através dos Caldeus (Caldéia - Sul Mesopotâmia - Rio Eufrates e Rio Tigre - Oriente Médio), aproximadamente 3.800 a.C. (tábuas de argila de 2.300 a 2.100 a.C.). Neste cadastro, as parcelas de terra eram descritas IRAQUE geometricamente, possibilitando o conhecimento da estrutura geometricamente fundiária para fins de tributação. Bloco de Argila - 2300 AC
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1.2. Características e História Cadastro → Origens

Egito, Arábia Saudita, Iraque, Jordânia, Síria, Irã, Omã, Iêmen, Israel, Palestina, Líbano e Emirados Árabes Unidos...

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1.2. Características e História Cadastro → História Ao longo da história indianos, gregos, egípcios e europeus indianos gregos egí reafirmaram a importância do cadastro atribuindo maior intervenção e aperfeiçoamento aos sistemas de registro e publicidade das propriedades. Egípcios → dispunham de um inventário descritivo da terra inventá (relativamente aos assentamentos ao longo do Rio Nilo), no Nilo qual figuravam ocupantes e confrontantes localizados por um sistema de coordenadas (XVIII dinastia: 1539 a 1295 a.C.).
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1.2. Características e História Cadastro → História
Demarcação dos Limites das Propriedades (stele stele) Gravação: nome, natureza do solo, situação (segundo um detalhe marcante do terreno: rio, lago, floresta) e, em alguns casos, o nome do mestre do faraó (dinastia vigente) Inscrito em um livro de registros pelos oficiais de levantamentos, contendo: nome do proprietário, nome dos proprietários de terras vizinhas, área e natureza do terreno Eram anotadas também as extensões, em cúbitos, das faixas de areia, lagos, canais, grupos de palmeiras, jardins, vinhedos e campos de milho* contidos na propriedade

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1.2. Características e História
Stele que marca os limites da antiga cidade egípcia de Akhetaten (1350 a.C.)

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1.2. Características e História Cadastro → História Império Romano → o censo e o cadastro eram atualizados a cada cinco anos, com medição e classificação das terras com vistas à melhor tributação dos imóveis, assim, por volta de 287 a.C., todo o império romano de então encontrava-se mapeado. Inglaterra → iniciou o cadastramento fundiário tendo como base o imóvel (parcela) em 1085 d.C., este tendo sido todo refeito em 1692. Diferentemente de outros países, a Inglaterra desenvolveu formas indiretas de taxação da terra. A Inglaterra detém também um dos mais antigos registros territoriais não -39apoiado em mapas (1066).

1.2. Características e História

133 a.C. a 117 d.C.

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1.2. Características e História Cadastro → História Alemanha → criou um sistema de registro imobiliário no século XII, que veio a constituir mais tarde o Grundbücher e o Stadtbüher, para terras rurais e urbanas respectivamente Stadtbüher (1801). Hannover é conhecida como a capital mundial do cadastro e o país acaba de completar o mapeamento cadastral de todo o território nacional na escala 1:500. Itália → idealizou seu cadastro somente em 1681 sendo, a atual lei de terras, datada de 1886 (Novo Cadastro Terreni). Novo Terreni Em 1956 a área cadastrada abrangia 290.000 km² de um total -41aproximado de 301.000 km² (área do país).

1.2. Características e História Cadastro → História Francês → as primeiras medições de terras datam de 1115 d.C., porém, as raízes do cadastro atual são do século XVIII, as quais se estenderam e inspiraram o cadastro de muitos outros países da Europa. Século XVIII foi um período extraordinariamente rico, cultural e cientificamente, para todos os países da Europa. ê Dois projetos de cadastro geral na França ê Bertin (1763) e Assembléia Constituinte (1791) -42-

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1.2. Características e História Cadastro → História Bertin (1763): pretendia registrar e taxar todas as propriedades territoriais, inclusive as pertencentes ao estado, à igreja, à aristocracia e às classes privilegiadas.

Falhou → duramente criticado; custo e tempo de implementação; falta de definição de uma metodologia apropriada

Assembléia Constituinte (1791): estabelecia a taxação eqüitativa da terra (desconsiderando todo e qualquer privilégio existente) e previa a elaboração de um mapa distrital geral (layout) e de todas as suas subdivisões (seções).

Falhou → falta de recursos financeiros -43-

1.2. Características e História Cadastro → História Bertin e Assembléia Constituinte → centralizadores ê Treinamento de pessoal, uso de uma unidade de medida comum e desenvolvimento de métodos de investigação e levantamento a partir de critérios normalizados (padrões). ê Base → cadastro de áreas cultivadas (1802)

Falhou → falta de topógrafos experientes, baixa qualidade dos mapas, proprietários desonestos e ignorantes relativamente ao conteúdo das suas terras, erros nas unidades de medida utilizadas, falta de experiência dos taxadores de impostos em utilizar mapas, entre outras.

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1.2. Características e História Cadastro → História Nasceu a demanda por um cadastro detalhado (plot) ê Meio de verificação, por parte do Estado, da informação verificação fornecida pelos proprietários a respeito de duas terras. Meio de estabelecer, por parte das autoridades, o exato estabelecer imposto das propriedades, garantindo que a taxas fossem distribuídas de forma justa. ê Projeto Político e Social Polí Compartilhado pelas autoridades e pelos cidadãos
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1.2. Características e História Cadastro → História Projeto Político e Social Polí ê Considerava a terra como sendo a base de todas as riquezas!!! ê Taxação da terra → fundo para manutenção da sociedade!!! (válido para o período pré-industrialização)

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1.2. Características e História Cadastro → História Projeto Político e Social Polí ê Base para o Cadastro Imperial de Napoleão (1807) ê Medição de mais de 7901 miriametros² Sobre mais de 100 milhões de plots Mapeando cada comuna com seus plots Classificando-os segundo a fertilidade do solo* Atribuindo o valor dos impostos a cada plot e cadastrando os plots pertencentes ao mesmo proprietário para avaliação do -47imposto total

1.2. Características e História Cadastro → História Cadastro Napoleônico ê Reorganização do sistema de contribuição e, conseqüentemente, a redefinição do imposto predial (1801). O primeiro projeto de registro da propriedade predial em escala nacional. Fins fiscais e era vinculado ao Ministério das Finanças. Objetivou reduzir o número de litígios ligados à delimitação dos bens imobiliários, sem, contudo, garantir a propriedade destes.
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1.2. Características e História Cadastro → História Cadastro Napoleônico ê Foram necessários 42 anos para completar o mapeamento de todas as propriedades imobiliárias do território francês. O mapeamento, quando terminado, já estava obsoleto. Tal fato reflete as escolhas políticas da época. A produção cartográfica em grande escala (>1:5000) do território teve como único propósito a taxação de impostos.
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1.2. Características e História

Planta Cadastral Francesa (1812)

Planta Cadastral Francesa (1750)

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1.2. Características e História Cadastro → Evolução Renovação Cadastro Francês Renovaç ê
A Lei de 16/04/1930 organiza a renovação geral do antigo cadastro fiscal. O dinamismo da propriedade predial constatado no século passado torna evidente a necessidade da atualização permanente das plantas cadastrais. Esta lei, portanto, instituiu um modo de conservação do cadastro, onde: a) as plantas deveriam ser anualmente atualizadas; b) as operações de renovação do cadastro deveriam ser efetuadas por reedição ou por revisão. revisão -51-

1.2. Características e História Cadastro → Evolução Renovação Cadastro Francês Renovaç ê

A lógica adotada, no entanto, continuava sendo atender as necessidades do fisco e não a qualidade geométrica das plantas. Portanto, a renovação estabelece apenas a capacidade de efetuar as avaliações fiscais de forma mais satisfatória. As plantas que foram apenas atualizadas, ainda conservam uma geometria geral medíocre, enquanto aquelas reeditadas sofreram uma melhora em função da adoção de uma rede geodésica estabelecida no sistema de Projeção de Lambert.
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1.2. Características e História Cadastro → Evolução
A partir de 2001, a realização pelo Instituto Geográfico Nacional (IGN), de um Referencial em Grande Escala (RGE) do território francês, tornou-se a reposta às necessidades crescentes de informações geográficas expressas pelas coletividades locais, pelos atores do desenvolvimento econômico e pela sociedade. RGE → um conjunto estruturado de dados geográficos numéricos, de exatidão geométrica homogênea e que compreende quatro componentes: ortofotográfico, topográfico, registro de imóveis e ortofotográfico, endereço.

Assim, o governo francês pretende obter uma imagem completa, contínua, atualizada e legível do seu território.
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TEMA PARA PESQUISA (INTERNET) Produzir um texto (mínimo 2 e máximo 5 páginas), ilustrado, em formato digital e impresso, sobre: "As Características do Cadastro: " Alemanha, Portugal, Espanha, EUA, Canadá, Itália, Inglaterra, Austrália, China, Suiça, México, Rússia, África do Sul, Angola ou outro país do seu interesse (exceções: França e Brasil). Cada aluno deverá discorrer sobre o cadastro de um único país. Porém, não serão aceitos textos sobre um mesmo país, por dois ou mais alunos. Entrega: 15 dias a partir desta data.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Processo Histórico Existência de dois períodos distintos: anterior e posterior à Constituição Federal de 1988. A história mostra que as mudanças acontecidas na legislação que trata da propriedade imóvel no Brasil, nem sempre ocorreram em função das demandas do país (suas necessidades). Ao contrário, técnicos e comunidade sempre esperaram a constituição de um sistema de publicidade imobiliária preciso, confiável e atualizado.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Processo Histórico Colonização → Início Iní Ao sistema de Capitanias Hereditárias (1534 a 1536) seguiu-se o sistema das Sesmarias Capitanias Hereditárias: divisão das terras brasileiras em faixas, que partiam do litoral até a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas, doadas (Carta de Doação) aos nobres e às Carta Doação pessoas de confiança do rei de Portugal (Dom João III).
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil As capitanias foram então doadas (posse) aos seus donatários, que tinham por donatários obrigação administrar, proteger, colonizar e desenvolver a região, além do direito de explorá-la (Carta Foral). Carta Foral
Forma de aquisição das terras: Herança ou Tradição
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Donatários: Direitos x Deveres Criar vilas e distribuir terras para cultivo (sesmarias) Exercer autoridade judicial e administrativa Escravizar e comercializar índios (agricultura) Receber lucros pelo comércio do pau-brasil (1/20) Entregar 10% do lucro total sobre a agricultura à coroa Entregar 1/5 dos metais preciosos explorados à coroa Respeitar o monopólio do pau-brasil
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Donatários: Primeiros Problemas

ê
Insuficiência de recursos financeiros Carência de pessoal para o trabalho na lavoura Resistência dos índios à escravização Baixa participação nos lucros Terras inadequadas ao plantio de cana-de-açúcar Dificuldade de comunicação com Portugal

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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil

Capitanias (1640) Capitanias (1586)

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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Processo Histórico A partir da instituição das capitanias hereditárias em território brasileiro, os donatários (posseiros de 20% das terras) decidem utilizar o sistema sesmarial português no Além-Mar (80% restantes), com algumas adaptações. Sesmaria: é um instituto jurídico português (presente na legislação desde 1375) que normatiza a distribuição de terras destinadas à produção. O estado português, recém-formado e sem capacidade de organizar a produção de alimentos, decide legar a particulares essa função.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Processo Histórico Com a chegada dos donatários ao Brasil, iniciou-se a distribuição de terras aos sesmeiros (nobres, navegadores e militares) que estariam encarregados de instalar as engenhos). plantações de açúcar nas propriedades (engenhos Enquanto os donatários possuíam o direito eminente (direto) sobre a propriedade, os sesmeiros possuíam o direito de uso (indireto) sobre as mesmas, porém, caso não cumprissem os prazos estabelecidos (5 anos) para cultivo e produção do açúcar, o direito de uso era cassado.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Processo Histórico Capitanias Hereditárias e Sesmarias → abolidas em 28/02/1821, às vésperas da Independência do Brasil e, portanto, as concessões de terras foram suspensas ê Organição Social/Trabalho → latifúndios monocultores e escravagistas ê Impacto sobre a estrutura fundiária brasileira que perdura até os dias atuais

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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil
Mapa das Sesmarias de Drumond - Vale do Itajaí (1810)

Mapa Divisão Sesmarias (1820)

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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Problema Gerado Coroa enfrentava alguns problemas, como o de implantar um sistema jurídico para promover o cultivo e assegurar a colonização. A obrigatoriedade do cultivo levou à criação de colonização novas personagens entre os sesmeiros, entre elas, a figura do sesmeiros posseiro. Muitas tentativas de regularizar o sistema de sesmarias foram em vão. Exemplos disso: a obrigatoriedade do cultivo; a fixação dos limites, feita à revelia da lei; e o processo de expansão territorial praticado pelos sesmeiros e posseiros. -65-

1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Sesmarias → Sistema Ineficiente Muitos sesmeiros ocuparam grandes extensões de terras, apossando-se de terras limítrofes. A inserção dos posseiros na legislação brasileira sobre sesmarias se relacionou ao esforço da Coroa em limitar o poder do sesmeiro. O reconhecimento da posse demonstrou a ambigüidade da legislação de sesmarias. Devido às irregularidades e à desordem na doação das sesmarias, houve a necessidade de elaborar um regimento próprio, obrigando a regularização e demarcação das terras. próprio
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil 18/09/1850 → Lei N° 601 N° Dispunha sobre as terras devolutas do Império e sobre as possuídas por título de sesmaria em condições ilegais, assim como, as possuídas por título de posse mansa ou pacífica. Regularizava a condição ilegal das sesmarias e posses, porém, com as seguintes condições: a terra, em toda sua condições extensão, deveria apresentar-se cultivada ou utilizada para criação de gado; e o possuidor deveria proceder à medição das suas terras nos prazos marcados pelo Governo.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil 18/09/1850 → Lei N° 601 N°
Fica o governo autorizado a vender as terras devolutas, em ata pública, ou fora dela, como e quando julgar mais conveniente, fazendo previamente medir, dividir, demarcar e descrever a porção das mesmas terras exposta à venda.
(Art.14)

O conceito de terras devolutas: as que não se achavam aplicadas a algum uso público nacional, provincial ou municipal; as que não se achavam no domínio particular por qualquer título legítimo, nem fossem havidas por sesmarias e outras concessões do Governo Geral ou Provincial; e as que não se achavam ocupadas por sesmarias ou posses e que, apesar de não se fundarem em título legal, fossem legitimadas por esta lei.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil 18/09/1850 → Lei N° 601 N°
O Governo fica autorizado a mandar vir anualmente à custa do Tesouro certo número de colonos livres para serem empregados, pelo tempo que for marcado, em estabelecimentos agrícolas, ou nos trabalhos dirigidos pela Administração Pública, ou na formação de colônias nos lugares em que estas mais convierem; tomando anticipadamente as medidas necessárias para que tais colonos achem emprego logo que desembarcarem.
(Art.18)

Lei de Terras de 1850 incentivou a importação de colonos estrangeiros livres, pois o tráfico de escravos havia sido proibido recentemente (Lei N°581 de 04/09/1850).
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil 18/09/1850 → Lei N° 601 N° A primeira lei de terras brasileira, discriminou os bens particulares dos de domínio público, criando o registro das público terras possuídas pelo Império (devolutas) e obrigando os possuidores de terras a medirem e registrarem suas terras (sesmarias → validadas/revalidadas; posses → legitimadas). O Registro do Vigário, como ficou conhecido, tinha efeito meramente declaratório, pois reconhecia a posse sobre qualquer imóvel através de mera declaração escrita. Não havia sistematização da informação!
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Registro do Vigário Os arquivos dos registros das terras eram administrados pela igreja que, posteriormente, encaminhava-os à Direção Geral de Terras Públicas da província, que os encaminhava à Direção Geral de Terras Públicas do Império. Não se efetuava a conferência das dimensões das propriedades declaradas: pela imensa extensão das sesmarias e posses; pela dificuldade de acesso; e pela falta de pessoal acesso habilitado para a execução dos serviços.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Lei N° 601/1850 N°
Não é possível pensar a Lei de Terras de 1850 sem analisar o contexto geral das mudanças sociais e políticas ocorridas nesta primeira metade de século. O desenvolvimento capitalista atuou diretamente sobre o processo de reavaliação política das terras em diferentes partes do mundo. No século XIX, a terra passou a ser incorporada à economia comercial, mudando a relação do proprietário com este bem. A terra, nessa nova bem perspectiva, deveria transformar-se em uma valiosa mercadoria, geradora de lucros tanto pelo seu caráter específico quanto pela sua capacidade de produzir outros bens.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Lei N° 601/1850 N°
Tentou remediar a questão das posses irregulares, prevendo que os irregulares sesmeiros em situação irregular, bem como os posseiros, fossem irregular posseiros transformados em proprietários de pleno direito de uso, mas não de venda uso da terra. Estes proprietários conseguiam a efetivação de suas propriedades, de acordo com o seu poder de influência na sociedade.

Lei de Terras de 1850 funcionou como uma errata do sistema de sesmarias e, ao mesmo tempo, uma ratificação do sistema de posses.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Estatuto da Terra → Lei 4504 de 30/11/1964 Antecedentes: a criação do Estatuto da Terra esteve intimamente ligada ao clima de insatisfação reinante no meio rural brasileiro e ao temor, por parte do governo e da elite conservadora, da eclosão de uma revolução camponesa. camponesa Afinal, os espectros da Revolução Cubana (1959) e da implantação de reformas agrárias em vários países da América Latina (México, Bolívia, etc.) estavam presentes e bem vivos na memória dos governantes e das elites.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Estatuto da Terra → Lei 4504 de 30/11/1964
Na década de 1950, iniciou-se a organização das lutas camponesas no Brasil com o surgimento de organizações e ligas camponesas, de sindicatos camponesas rurais e de uma maior atuação da Igreja Católica e do Partido Comunista Brasileiro. Brasileiro O movimento em prol da justiça social no campo e da reforma agrária generalizou-se no meio rural do país e assumiu grandes proporções no início da década de 1960. No entanto, este movimento foi interrompido pelo regime militar instalado em 1964. A criação do Estatuto da Terra e a promessa de uma reforma agrária foi a estratégia utilizada pelos governantes para apaziguar os camponeses e tranqüilizar os grandes proprietários de terra.

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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Estatuto da Terra → Lei 4504 de 30/11/1964
Reforma Agrária: o conjunto de medidas que visam promover uma melhor distribuição da terra, mediante modificações no regime de sua posse e uso, a fim de atender aos princípios da justiça social e ao aumento de produtividade. Módulo Rural: menor unidade de terra com condições de garantir a subsistência e o progresso social e econômico de uma família (dimensões são determinadas por órgãos oficiais, em hectares: localização, tipo de solo, topografia, ...). Minifúndio: propriedade de terra cujas dimensões não perfazem o mínimo para configurar um módulo rural. Latifúndio: propriedade que excede um certo número de módulos rurais ou, independente deste valor, que seja destinada a fins não produtivos (como a especulação).

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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Estatuto da Terra → Lei 4504 de 30/11/1964 Módulo Rural
Artigo 5°: a dimensão da área dos módulos de propriedade rural é fixada

para cada zona de características econômicas e ecológicas homogêneas, distintamente, por tipos de exploração rural que nela possam ocorrer. ê Tipos de exploração: hortigranjeira, lavoura ou cultura permanente, cultura temporária, pecuária e florestal. ê Dimensões ???

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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Estatuto da Terra → Lei 4504 de 30/11/1964
Instrução Espacial do INCRA (26/08/1997) ê Dimensões do Módulo Rural são: Hortigranjeira: entre 2 e 5 ha Lavoura Permanente: entre 10 e 40 ha Lavoura Temporária: entre 13 e 50 ha Pecuária: entre 30 e 110 ha Florestal: entre 45 e 120 ha Inexplorados: entre 5 e 100 ha
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Estatuto da Terra → Lei 4504 de 30/11/1964
Instrução Especial do INCRA (26/08/1997) ê Questões ??? Para a avaliação das dimensões do módulo rural, não são consideradas outras características, tais como: relevo, clima, solo, cultura regional e os diferentes níveis de desenvolvimento sócio-econômicos do país. Constituição Federal (1988) determina que é possível requerer usucapião de imóveis, em zona rural, não superiores a 50 ha. Sistema Nacional de Cadastro Rural (Lei 5.868 de 1972) determina que um imóvel pode ser desmembrado ou dividido (para fins de transmissão) em áreas de tamanho inferior ao módulo calculado. -79-

1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Estatuto da Terra → Lei 4504 de 30/11/1964
O Estatuto da Terra é considerada uma lei avançada com relação à reforma agrária, por ter tratado o tema de uma maneira mais completa. completa O Estatuto estabeleceu também uma política agrícola que poderia ser desenvolvida depois que fosse feita a redistribuição da terra. O Estatuto da Terra regulava os direitos e obrigações relativas aos bens imóveis rurais. Como política agrícola, englobava um conjunto de medidas que orientavam as atividades agropecuárias com o objetivo de garantir à propriedade rural sua plena utilização, harmonizando-a com o processo de industrialização. A reforma agrária defendida pelo Estatuto da Terra pregava o desenvolvimento auto-sustentável dos assentados. auto-80-

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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Estatuto da Terra → Lei 4504 de 30/11/1964
O Artigo 52 do Estatuto da Terra afirma que o cadastro das propriedades rurais deve ser atualizado a cada cinco anos e, que devem ser aperfeiçoados os métodos de apuração dos dados pelo uso de fotografias aéreas das áreas já recobertas. Cabe à União lançar e arrecadar o imposto territorial rural, sendo a elaboração, execução e coordenadação da Reforma Agrária atribuída ao Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), ligado diretamente à Presidência da República. Este possui a responsabilidade de elaborar o cadastro; classificar as terras, formas e condições de uso atual e potencial; preparar as propostas de desapropriação; e selecionar os candidatos à aquisição das parcelas.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Estatuto da Terra → Lei 4504 de 30/11/1964
Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA) Vinculado à Presidência da República ê Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) Lei N° 1.110 de 09/07/1970 Vinculado ao Ministério da Agricultura ê Autarquia federal com a missão prioritária de realizar a reforma agrária, manter o cadastro nacional de imóveis rurais e administrar as terras públicas da União. Compreende, atualmente, 30 Superintendências Regionais.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Estatuto da Terra → Lei 4504 de 30/11/1964
As metas estabelecidas pelo Estatuto da Terra eram basicamente: 1. A execução de uma Reforma Agrária 2. O desenvolvimento da Agricultura Três décadas depois, constatou-se que a primeira meta ficou apenas no papel, enquanto a segunda recebeu grande atenção do governo, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento capitalista ou empresarial da agricultura.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Décadas de 80 e 90
Em 1985 foi elaborado o Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), previsto no Estatuto da Terra, com a seguinte meta: assentar 1.400.000 famílias, em cinco anos. Porém, ao final de cinco anos, foram assentadas apenas 90.000 (6,4%). A década de 80 registrou um grande avanço nos movimentos sociais organizados em defesa da reforma agrária e uma significativa ampliação e fortalecimento dos órgãos estaduais encarregados de tratar dos assuntos fundiários.

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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Décadas de 80 e 90
Surgiram dois programas: o Programa Nacional de Política Fundiária (PNPF), previsto pelo Decreto 87.700/82, com o objetivo de desenvolver atividades de zoneamento, cadastro técnico e tributação; e o Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), instrumentado pelo Decreto 91.766/85, com a seguinte meta: assentar 1.400.000 famílias, em cinco anos. Ao final dos cinco anos, foram assentadas apenas 90.000 (6,4%). A década de 80 registrou um grande avanço nos movimentos sociais organizados em defesa da reforma agrária e uma significativa ampliação e fortalecimento dos órgãos estaduais encarregados de tratar dos assuntos fundiários.
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1.3. Evolução da Distribuição de Terras no Brasil Décadas de 80 e 90
No período 1990 - 1994, o programa de assentamentos foi paralisado, sendo que, neste período, não houve nenhuma desapropriação de terra com interesse social para fins de reforma agrária. No final de 1994, após 30 anos da promulgação do Estatuto da Terra, o total de famílias assentadas pelo governo Federal e pelos órgãos estaduais de terra, em projetos de reforma agrária e de colonização, foi da ordem de 300 mil (21,4%), estimativa esta sujeita a correções, dada a diversidade de critérios e a falta de recenseamento no período 1964 - 1994.

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1.4. Estrutura Fundiária Brasileira

A questão fundiária vive, atualmente, um de seus principais impasses.
Embora, em tese, a disposição para realizar a reforma agrária baseada num levantamento cadastral estivesse contida até mesmo em programas de governo dos militares, como no Estatuto da Terra do General Castello Branco, na prática, pouco tem sido feito para colocar fim aos latifúndios e alterar a correlação de forças no campo. Prova disso é o número reduzido de famílias beneficiadas, diante da necessidade real.
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1.4. Estrutura Fundiária Brasileira Estrutura Fundiária
Módulo Rural: tamanho mínimo da propriedade no campo, suficiente para garantir o progresso do agricultor e sua família. Parâmetro básico para a divisão da terra e a garantia de um sítio ideal para cada família. Latifúndio ou Grande Propriedade: propriedade com dimensão superior a 15 módulos rurais. Média Propriedade: propriedade com dimensão entre 4 a 15 módulos rurais. Minifúndio: propriedade com dimensão inferior a 1 módulo rural.
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1.4. Estrutura Fundiária Brasileira Estrutura Fundiária

626.958

15%

335.971.502

79,9%
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1.4. Estrutura Fundiária Brasileira Estrutura Fundiária Concentração de Terra → Desigualdade Acesso à Renda 5.000.000 famílias (CD, 2000) → < 2 salários mínimos famí salá mí Meio Rural → maior índice de mortalidade infantil; maior incidência de endemias e de insalubridade; e o maior índice de analfabetismo Cadastradas (2004) no PAT → 839.715 famílias famí Acampadas e Mobilizadas (2004) → 200.000 famílias-90famí

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1.4. Estrutura Fundiária Brasileira Estrutura Fundiária Por quê os pobres do campo são pobres? ê Não têm acesso à terra suficiente Não têm acesso a políticas agrícolas adequadas à polí agrí satisfação das suas necessidades de subsistência satisfaç Falta título de propriedade ou de posse da terra As terras são muito pequenas, pouco férteis, mal fé situadas e não dotadas de infra-estrutura infraTrabalho sazonal → salário aviltado (ociosidade) salá
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1.4. Estrutura Fundiária Brasileira Estrutura Fundiária Situação de Pobreza Agravada ê Industrialização da Agricultura ç Industrializa ê Trabalho humano é substituído por máquinas e por substituí má insumos químicos quí Qual a alternativa? ê Buscar nas cidades alternativas de sobrevivência!!! sobrevivência!!! -92(Êxodo Rural)

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1.4. Estrutura Fundiária Brasileira Estrutura Fundiária Por quê os pobres da cidade são pobres? ê Não têm condições de competir, no mercado de condiç trabalho, com aqueles que têm instrução instruç ê Não têm acesso à alfabetização e à instrução básica alfabetizaç instruç bá Qual a alternativa? ê Ocupar as terras nas RM → Invasões e Favelas
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1.4. Estrutura Fundiária Brasileira

Falta de Reforma Agrária

Conflitos e Violência nas Cidades

Conflitos e Violência no Campo → Êxodo Rural

Ocupações e Invasões Urbanas (Favelas) Favelas)

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1.5. Importância do Cadastro para o DS Fundamental
Estrutura instável atual → estrutura estável e confiável instá está confiá Fixação exata dos limites → garante a propriedade e evita litígios Fixaç lití Complemento indispensável à Publicidade Imobiliária indispensá Imobiliá Garante segurança nas transações imobiliárias seguranç transaç imobiliá Garante tributação eqüitativa tributaç eqü Constitui um registro da propriedade (descritivo e geométrico) geomé Veículo ágil e completo para o planejamento urbano e regional Veí Multifinalitário → Físico, Jurídico, Ambiental, Social e Econômico Multifinalitá Jurí Instrumento de gestão pública e de desenvolvimento racional e pú -95sustentável do território sustentá territó

1.5. Importância do Cadastro para o DS
VISITA TÉCNICA TÉ Local: Cidade de Paranaguá e Ilha de Valadares Local: Paranaguá Objetivo: conhecer locais de ocupação irregular (urbana e rural) Objetivo: ocupaç em áreas de preservação ambiental preservaç Data: 22/04/08 (terça-feira) Data: (terç Local: em frente ao prédio de Geomática Local: pré Geomá Hora: 7:45hs Hora: Retorno: 17:30hs Retorno: É importante participar! Os interessados, favor assinar a lista!!! lista!!!

A visita técnica substituirá a aula do dia 25/04/08 té substituirá
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TEMAS PARA PESQUISA (SALA DE AULA) TRABALHO PRÁTICO PRÁ Formação de 5 equipes com 5 alunos cada! Formaç Pesquisa sobre LEGISLAÇÃO CADASTRAL. LEGISLAÇ Cada equipe com um tema. Professor irá elaborar questões de cada tema que irá devem ser pesquisadas. Material: fornecido pelo professor. Entrega final e apresentação em PPT → 02/05/2008 apresentaç Tempo → 15 minutos Fechamento → Professor
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