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FILOSOFIA MEDIEVAL

Cassio dos S. Oliveira
A ESCOLÁSTICA
Filosofia Licenciatura - UFMA
 As reflexões filosóficas produzidas durante a Idade
Média tiveram como pano de fundo a doutrina do
cristianismo;
 Entretanto, a Idade Média produziu algumas
correntes de pensamento independentes da fé cristã
que devem ser mencionadas.
 Essa escolas filosofias mantêm pelo menos um
ponto em comum com a filosofia cristão: o fato de
se inspirarem também em doutrinas religiosas
 Apartir do século V, os pensadores cristãos perceberam a
necessidade de aprofundar uma fé que estava
amadurecendo, com o intuito de harmonizá-la com as
exigências do pensamento filosófico. Desse modo a
Filosofia, que até então possuía traços marcadamente
clássicos e helenísticos, passa a receber influências da
cultura judaica e cristã. Alguns temas que antes não
faziam parte do universo do pensamento grego, tais
como: Providência e Revelação Divina e Criação a
partir do nada passaram a fazer parte de temáticas
filosóficas.
 A partir do século IX desenvolve-se a principal linha filosófica
do período, que ficou conhecida como escolástica. Essa filosofia
ganha acentos notadamente cristãos, surgidos da necessidade de
responder às exigências de fé, ensinada pela Igreja, considerada
então como a guardiã dos valores espirituais e morais de toda a
Cristandade e, por assim dizer, responsável pela unidade de toda
a Europa, que comungava da mesma fé. A Escolástica teve uma
constante de natureza neoplatônica, que combinava elementos
do pensamento de Platão com valores de ordem espiritual,
reinterpretados pelo Ocidente cristão. No século XIII Tomás de
Aquino introduz também elementos da filosofia de Aristóteles
no pensamento escolástico.
 A Escolástica (ou Escolasticismo) é uma linha dentro
da filosofia medieval, de acentos notadamente cristãos,
surgida da necessidade de responder às exigências da
fé, ensinada pela Igreja, considerada então como a
guardiã dos valores espirituais e morais de toda a
Cristandade. Por assim dizer, responsável pela unidade
de toda a Europa, que comungava da mesma fé.
 A Filosofia que até então possuía traços marcadamente clássicos e
helenísticos sofreu influências da cultura judaica e cristã, a partir
do século V, quando pensadores cristãos perceberam a necessidade
de aprofundar uma fé que estava amadurecendo, em uma tentativa
de harmonizá-la com as exigências do pensamento filosófico.
Alguns temas que antes não faziam parte do universo do
pensamento grego, tais como: Providência e Revelação Divina e
Criação a partir do nada passaram a fazer parte de temáticas
filosóficas. A Escolástica possui uma constante de natureza
neoplatônica, que conciliava elementos da filosofia de Platão com
valores de ordem espiritual, reinterpretadas pelo Ocidente cristão.
E mesmo quando Tomás de Aquino introduz elementos da filosofia
de Aristóteles no pensamento escolástico, esta constante
neoplatônica ainda é presente.
 Basicamente, a questão chave que vai atravessar todo o
pensamento escolástico é a harmonização de duas esferas: a
fé e a razão. O pensamento de Agostinho, mais
conservador, defende uma subordinação maior da razão em
relação à fé, por crer que esta venha restaurar a condição
decaída da razão humana. Enquanto que a linha de Tomás
de Aquino defende uma certa autonomia da razão na
obtenção de respostas, por força da inovação do
aristotelismo, apesar de em nenhum momento negar tal
subordinação da razão à fé.
 Os maiores representantes do pensamento escolástico são
os dois pensadores citados acima, que estão separados pelo
tempo e pelo espaço: Agostinho de Hipona, nascido no
norte da África no fim do século IV e Tomás de Aquino,
nascido na Itália do século XIII. Embora seja arriscado
dizer que sejam as únicas referências relevantes do período
medieval, ambos conseguiram sintetizar questões discutidas
através de todo o período.
 Para a Escolástica, algumas fontes eram
fundamentais no aprofundamento de sua reflexão,
por exemplo os filósofos antigos, as Sagradas
Escrituras e os Padres da Igreja, autores dos
primeiros séculos cristãos que tinham sobre si a
autoridade de fé e de santidade.
Fonte: http://corujasapiens.wordpress.com/6o-ano-2/oitavo-ano/filosofia/do-inicio-da-patristica-ao-fim-da-escolastica/
 O termo escolástica se origina do grego schole, que
significa lugar onde se aprende. Nasce com o
surgimento das universidades. Dois tipos de
universidades são comuns nesse período: o italiano,
onde os alunos organizavam e administravam suas
próprias escolas; o francês, seguindo o modelo
monástico, a faculdade era constituída dos
professores e administradores da escola. O currículo
era baseado no trivium(gramática, lógica e retórica);
quadrivium (música, aritmética, geometria e
astronomia) e claro, teologia.
 A escolástica pode ser definida como a tentativa de
racionalizar a teologia para que se sustente a fé com a
razão. Os dados da revelação bíblica eram
organizados através da lógica dedutiva de Aristóteles.
É importante salientar que a busca da escolástica não
era pela verdade, mas sim organizar racionalmente
um corpo de verdades aceitas, seja através da fé ou
da razão, num corpo harmônico.
 A partir da filosofia grega, seja Platão ou Aristóteles,
os escolásticos se dividiram em tendências no
tratamento da natureza dos universais ou da realidade
última de todas as coisas, bem como a relação entre
fé e razão. São encontradas pelo menos três
tendências predominantes na escolástica: Realismo,
Realismo Moderado e Nominalismo. A seguir a
definição de cada tendência seguida pelos seus
principais representantes.
Realismo
 Platão ensinava que os universais (idéias) tinham
uma existência objetiva independentemente das
coisas particulares. Cria-se por exemplo que há
universais de beleza, verdade e bondade fora dos
atos particulares do homem de beleza, verdade e
bondade. A frase latina que resumia essa tendência
era universalia ante rem , isto é, os universais
existem antes das coisas criadas.
 Anselmo (1033-1109)
 Pedro Lombardo (1100-1160)
Realismo Moderado
 Diferentemente de Platão, Aristóteles possuía uma
visão moderada da natureza da realidade. Ele defendia
que os universais ou idéias possuíam uma existência
objetiva, embora não existissem aparte das coisas
individuais mas sim nelas. A frase que resume essa
idéia é: universalia in re. Os escolásticos que
adotaram essa idéia foram chamados de realistas
moderados ou conceptualistas.
 Abelardo (1079-1142)
 Alberto Magno (1225-1274)
 Tomás de Aquino (1225-1274)
Nominalismo
 A tendência nominalista se opunha ao realismo e
realismo moderado. Suas idéias foram expressas na
frase: universalia post rem / flatus vocis. Verdades ou
idéias gerais não têm existência objetiva a não ser
como resultado da observação das coisas
particulares. Desta forma os nominalistas são os
precursores dos empiristas dos séculos XVII e XVII
e da ciência experimental.
 Jonh Duns Scotus (1265-1308)
 Guilherme de Occam (1280-1349)
Universais
 No século X, decaíram muito os estudos e só no século XI se
iniciou alguma reação. Com o estudo da Dialética, o interesse
dos estudiosos voltou-se para o problema dos universais,
que foi o tema mais debatido no século XI.
 “O universal é um conceito ou ideia que tem uma essência
comum a muitos seres e que, portanto, deve ser aplicável a
todos esses seres. Por exemplo, o conceito de homem
representa uma essência, animal racional, que vai permanecer
sempre a mesma, indiferentemente de a quantos indivíduos
do mesmo gênero (homem) se aplique (e a todos deve ser
aplicável) e à distinta aparência que esses indivíduos possam
ter”.
REALISMO
REALISMO
MODERADO
NOMINALISMO
Relação entre fé e
razão
Eu creio a fim de que
possa conhecer
Eu conheço a fim de que
possa crer
Eu creio separado do que
eu conheço
Natureza da
Realidade
Universalia ante rem Universalia in re
Universalia post rem
(flatus vocis)
Pensadores Anselmo
Tomás de Aquino e
Abelardo
Guilherme de Ockham
Obras Proslógio e Monológio Summa Theologiae Ordinatio
Proponentes
Modernos
Evangelicalismo Catolicismo Romano Renascença e Iluminismo
A Decadência do Escolasticismo
 O chamado iluminismo, um movimento intelectual da elite
européia do século XVIII, que procurou mobilizar o poder
da razão para reformar a sociedade e o conhecimento
herdados da tradição medieval, muitas vezes é apontado
como sendo responsável pelo fim do escolasticismo. O
Iluminismo floresceu até cerca de 1790-1800, após o qual a
ênfase na razão deu lugar à ênfase na emoção e surgiu um
movimento contra-iluminista. No entanto, quando o
movimento iluminista eclodiu, praticamente já não
existiam autores escolásticos. Apenas no final do século
XIX é que houve uma tentativa de resgatar o
escolasticismo sob um prisma mais moderno,
principalmente com Jacques Maritain (1882-1973),
um filósofo francês de orientação católica e tomista, cujas
obras influenciaram a democracia cristã.
 Na raiz do catolicismo como religião, Deus pode ser
compreendido pelas faculdades do homem, ou seja, não
apenas por meio da fé, mas também pela razão e os
sentidos. O protestantismo e, especialmente, o
calvinismo, coloca Deus severamente fora das
faculdades do homem e considera, por exemplo,
modalidades sensoriais de amor do homem por Deus,
como pinturas ou esculturas, como constituindo atos de
idolatria e blasfêmia, que precisam ser eliminados para
limpar o caminho para a única comunicação adequada
com Deus, que seria a pura fé na revelação. A ênfase
tomista na razão como meio de apreender a lei natural de
Deus e até mesmo aspectos da lei divina choca-se com a
ênfase protestante na fé na vontade arbitrária de Deus.
 A tendência protestante básica, com raras exceções, era
opor-se a qualquer lei natural para derivar Ética ou
Filosofia Política a partir do uso da razão do homem, pois
o homem era muito pecaminoso e corrupto em sua razão e
seus sentidos, uma personificação da corrupção e, portanto,
só a fé pura em comandos arbitrários, e revelada por Deus,
era aceita como base para a ética humana. Essa descrença
por parte dos protestantes na lei natural os impedia de
criticar as ações do Estado. Com efeito, o calvinismo e até
o luteranismo foram incapazes de contestar o Estado
absolutista que floresceu em toda a Europa durante o
século XVI e triunfou no século XVII.
 Com isso, na primeira parte do século XVII, dois
filósofos contrastantes conseguiram fortalecer o
racionalismo e o empirismo, que continuam a
assolar o método científico até os dias atuais. Foram
eles o inglês Francis Bacon (1561-1626) e o francês
René Descartes (1596-1650).
01 – Analise as frases que seguem: Aquilo que a verdade descobrir não
pode contrariar aos livros sagrados, quer do Antigo quer do Novo
Testamento (Sto Agostinho); Deus não pode infundir no homem opiniões ou
uma fé que vão contra os dados do conhecimento adquirido em virtude das
forças naturais (Sto. Tomás de Aquino). Elas resultam do desenvolvimento
do Cristianismo e da dominação da Teologia sobre a filosofia entre os
séculos II e XVI d.C. Essa nova filosofia presa ao Cristianismo se
diferenciava da Filosofia Clássica, porque procurava promover a crença em
um Deus todo poderoso proclamado por Jesus Cristo. Aesta fase da História
da Filosofia chamamos:
A- Filosofia Católica
B - Filosofia Clássica
C - Filosofia Medieval
D - Filosofia Protestante
Exercício
02 – Quando o Império Romano iniciou sua derrocada, havia uma
instituição religiosa pronta para assumir a direção do mundo. O
Cristianismo se expande através da filosofia dos Padres da Igreja. No
esforço de converter pagãos, combater heresias e justificar a fé, os
Padres da Igreja daquele século desenvolveram a apologética,
discurso racional religioso em defesa do Cristianismo. Essa realidade
caracteriza a primeira fase da Filosofia no período medieval, também
conhecida como:
A - Patrística
B - Reforma
C - Contra-Reforma
D - Escolástica
Exercício
03 – São tendências da Escolástica:
A - Pré-Milenismo, Amilenismo e Pós-milenismo
B - Realismo, Irrealismo, Cubismo
C - Apologistas, Polemistas e Alexandrinos
D- Realismo, Realismo Moderado e Nominalismo
04 – É comum fazer referência a Idade Média como a
Idade das Trevas, devido à monopolização do
conhecimento formal pela igreja católica, no entanto
nesse período houve o surgimento das:
A - Escolas e universidades
B - Catedrais e igrejas
C - Escolas Filosóficas
D - Escolas técnicas
05 – Durante a Idade Média, a questão dos universais foi um dos
grandes problemas debatidos pelos filósofos da época. Realismo,
Conceitualismo e Mominalismo foram as soluções típicas do
problema. Outra preocupação da época foi o da possibilidade ou
impossibilidade de conciliar fé e razão. Santo Agostinho, sobre a
relação fé e razão, protagoniz ou uma tese que se pode resumir na
frase: "Credo ut intelligam" (Creio para entender). A partir dos seus
conhecimentos sobre a questão dos universais e da filosofia
medieval, identifique as proposições verdadeiras:
I - O apogeu da patrística aconteceu no século XIII com Santo Tomás de
Aquino (1225-1274), que, retomando o pensamento de Platão, fez a
síntese mais bem elaborada da filosofia com o cristianismo durante a
Idade Média.
II - O pensamento filosófico medieval, a partir do século IX, é chamado de
escolástica. A filosofia escolástica tinha por problema fundamental levar o
homem a compreender a verdade revelada pelo exercício da razão, contudo
apoiado na Auctoritas, seja da Bíblia, seja de um padre da Igreja.
III - Para os nominalistas, o universal é apenas um conteúdo da nossa mente,
expresso por um nome. O que significa dizer que os universais são apenas
palavras, sem nenhuma realidade específica correspondente.
IV - No conceitualismo de Pedro Abelardo, os universais são conceitos,
entidades mentais, que não existem na realidade, nem são meros nomes.
V - De acordo com a teoria da iluminação de Santo Agostinho, o ser humano
recebe de Deus o conhecimento das verdades eternas. Tal como o sol, Deus
ilumina a razão e torna possível o pensar correto. Em verdade, Santo Agostinho
não conflita a fé com a razão, sendo esta última auxiliar e subordinada da fé.
Assinale a alternativa que contém as afirmativas VERDADEIRAS:
A - I, II e III B - I, III e V C - II e V D - I, II e IV E - II, III, IV e V
Boa Prova!
Ótima Concentração nos Estudos!
Referência
 MARCONDES, Danilo; Iniciação à História da Filosofia: dos Pré-
Socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.
 FILOSOFIA MEDIEVAL. Wikipédia, a Enciclopédia Livre. Disponível
em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_medieval> Acesso em 20
julho 2014.
 ESCOLÁSTICA; Wikipédia, a Enciclopédia Livre. Disponível em: <
http://pt.wikipedia.org/wiki/Escol%C3%A1stica > Acesso em 21 julho
2014
 NOMINALISMO; Wikipédia, a Enciclopédia Livre. Disponível em: <
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nominalismo> Acesso em 21 julho 2014