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!"# %&'&( S E M I N Á R I O )*+,&(-+.".& /&.&("0 .& "0"12"- +*-3+3)32 .& 4+5*4+"- -24+"+- 6(21("!" .& 67-81(".)"9:2 &! -24+2021+" ulsclpllna: 661- ;<= > 3&2(+" -24+"0 40?--+4" Þrofessor: .@A '(&+3*&( 3","(&- ulscenLes: /&0+6& 4B",&- 1)+!"(:&- C 1?(.+" (2.(+1)&- ." -+0," Maceló, 16 de novembro de 2011. - A Clôncla como vocação. . - C Senudo da ºneuLralldade Axlológlca" nas Clônclas Soclals e Lconômlcas. Conslderações lnlclals ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 2 Relação entre Ciência e Juízos de Valor ;D;E: C Senudo da ºneuLralldade Axlológlca" nas Clônclas Soclals e Lconômlcas ;D;D: A Clôncla como vocação A Clôncla como vocação Ponto de partida: Quais são os aspectos materiais do cultivo da ciência e da erudição como vocação? Estados Unidos • Habilitação como Privatdozent; • Sem percepção de salário regular (taxas per capitas – frequentadores dos cursos); • Uma vez nomeado, reduz-se a possibilidade de ser dispensado; • Primeiros anos disponíveis para o trabalho científico (cursos principais são dados pelos catedráticos, ocupando-se o privatdozent com os cursos suplementares). ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 3 Alemanha • Nomeação como assistente; • Percepção de salário (salário definido); • Possibilidade de ser dispensado, caso não “lotar a casa”; • Primeiros anos sobrecarregado (porque é remunerado). A Clôncla como vocação ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 4 LlemenLos lrraclonals (ausôncla de conLrole) CaracLerlsucas 8aclonals (aspecLos da clôncla) Þalxão Lspeclallzação lnsplração Þrogresso 1alenLo (Þersonalldade) A Clôncla como vocação ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 3 “A crescente intelectualização e racionalização [...] significa antes, que sabemos ou acreditamos que, a qualquer instante, poderíamos bastando que o quiséssemos, provar que não existe, em princípio, nenhum poder misterioso e imprevisível no decurso de nossa vida, ou, em outras palavras, que podemos dominar tudo por meio do cálculo. Isto significa que o mundo foi desencantado. Já não precisamos recorrer aos meios mágicos para dominar os espíritos e exorcizá-los, como fazia o selvagem que acreditava na existência de poderes misteriosos. Podemos recorrer à técnica e ao cálculo. Isto, acima de tudo, é o que significa intelectualização” (p. 439). Racionalização, intelectualização, “desencantamento do mundo”: A Clôncla como vocação Qual é o significado da ciência? A República, de Platão – Alegoria da Caverna (prisioneiros confinados à caverna): “Os rostos dos prisioneiros estão voltados para a parede rochosa que se levanta diante deles. Atrás deles se encontra uma fonte de luz que não podem ver, condenados que estão a só se ocuparem das sombras que se projetam sobre a parede, sem outra possibilidade além da de examinar as relações que se estabelecem entre tais sombras. Ocorre, porém, que um dos prisioneiros consegue romper suas cadeias, volta-se e encara o sol. Deslumbrado, ele hesita, caminha em sentidos diferentes e diante do que vê só sabe balbuciar. Os seus companheiros o tomam por louco. Aos poucos, ele se habitua a encarar a luz. Feita essa experiência, o dever que se incumbe é o de tornar dos prisioneiros da caverna, a fim de conduzi-los para a luz. Ele é o filósofo e o sol representa a verdade da ciência, cujo objetivo é o de conhecer não apenas as aparências e as sombras, mas também o verdadeiro” (p. 440-441). ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 6 A Clôncla como vocação Qual é, afinal, o sentido da ciência como vocação? • A ciência coloca à disposição certo número de conhecimentos que nos permitem dominar tecnicamente a vida por meio da previsão, tanto no que se refere à esfera das coisas exteriores como ao campo das atividades dos homens; • A ciência pode contribuir com métodos de pensamento, instrumentos técnicos e treinamento científico; • A ciência contribui para a clareza. Na medida em que isso ocorre, podemos afirmar o seguinte: na prática, podeis tomar esta ou aquela posição em relação a um problema de valor simplificando; [...] Quando se adota esta ou aquela posição, será preciso, de acordo com o procedimento científico, aplicar tais ou quais meios para se levar o projeto a bom termo (p.449). ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 7 A Clôncla como vocação / C senudo da ºneuLralldade axlológlca" em Clônclas Soclals e Lconômlcas “O verdadeiro professor evitará impor, da sua cátedra, qualquer posição política ao aluno, seja ela expressa ou sugerida. ‘Deixar que os fatos falem por si’ é a forma mais parcial de apresentar uma posição política ao aluno” (p. 445 ... Vocação ... ). “... o profeta e o demagogo não pertencem à cátedra acadêmica. A um professor é imperdoável valer-se de tal situação para incutir, em seus discípulos, as suas próprias concepções políticas, em vez de lhes ser útil, como é do seu dever, transmitindo-lhes conhecimentos e experiência científica” (p. 445 ... Vocação ...). ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 8 Como qualquer outra pessoa, o professor tem outras oportunidades para a propagação de seus ideais. Quando faltam tais oportunidades, ele pode facilmente criá-las de maneira apropriada [...]. Mas o professor não deveria reivindicar o direito de, como professor, trazer em sua mochila o bastão da autoridade do homem de Estado ou do reformador cultural. Contudo, é exatamente isso que faz ao se utilizar da inatingibilidade da tribuna da preleção acadêmica para a expressão de sentimentos políticos – ou cultural-políticos. (2001, p. 364-365) ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 9 NEUTRALIDADE AXIOLÓGICA = Wertfreiheit "liberdade em relação aos valores" ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 10 2 -&*3+.2 ." F*&)3("0+.".& "#+2071+4"G *"- 4+5*4+"- -24+"+- & &42*H!+4"- 2 -&*3+.2 ." F*&)3("0+.".& "#+2071+4"G *"- 4+5*4+"- -24+"+- & &42*H!+4"- • Tese da impossibilidade da ciência de inferir verdades dos "preceitos práticos" é aplicada na "deontologia" do professor universitário; • O professor universitário deve num curso universitário "afastar dentro do possível, numa lição, todas as questões práticas de valor" (p. 368); • As opiniões "pessoais" são baseadas em representações de mundo, isto é, em visões morais, culturais, políticas e estéticas e não em representações científicas do mundo, representações estas "objetivas", em suma: "verdadeiras”; • Assim, a verdade seria monopólio da ciência, pois esta teria uma fundação racional, ao contrário dos preceitos normativos e morais que não teriam uma capacidade de produzir "verdades”. ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 11 2 -&*3+.2 ." F*&)3("0+.".& "#+2071+4"G *"- 4+5*4+"- -24+"+- & &42*H!+4"- ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 12 • Com o princípio da neutralidade axiológica, Weber quis mostrar, por um lado: que a ciência não podia excluir a intervenção dos valores nos seus procedimentos, e, por outro, que estes deviam ficar circunscritos pela utilização exclusiva que ela faz deles e pelo controle exclusivo que exerce sobre eles, em suma, que ela se devia proteger da intrusão ilegítima de valores, no seu seio, que implicariam avaliações práticas de ordem política ou moral. 2 -&*3+.2 ." F*&)3("0+.".& "#+2071+4"G *"- 4+5*4+"- -24+"+- & &42*H!+4"- • A neutralidade axiológica significa que o fundamento da ciência não reside numa objetividade pura de ordem ideal, mas que depende sempre das escolhas valorativas do cientista. • O apelo aos valores integra plenamente todo o procedimento científico, já que a construção de conceitos ou de tipos ideais, assim como o estabelecimento de relações causais, depende de opções subjetivas últimas que refletem as crenças, as convicções ou as ideologias de cada cientista; ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 13 2 -&*3+.2 ." F*&)3("0+.".& "#+2071+4"G *"- 4+5*4+"- -24+"+- & &42*H!+4"- • Para Weber é inútil a busca por um consenso de “juízo de valor” (p. 369); • Os valores podem ser vistos como "fatos normativos" e, mesmo não justificando o que funda sua validade, podem ser estudados como "causas" do comportamento dos indivíduos. ! estudo dos meios ! experiência; • A ciência não pode justificar os fins, mas pode muito bem analisar os meios pelos quais atinge-se um fim; A discussão dos meios gera a discussão da experiência. (p. 369-370) ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 14 2 -&*3+.2 ." F*&)3("0+.".& "#+2071+4"G *"- 4+5*4+"- -24+"+- & &42*H!+4"- • Weber não busca verdades universalmente válidas (consensual). Seu objetivo é problematizar a ciência; • “O que realmente é discutível é o seguinte: que na ciência seja possível se contentar com qualquer uma de tais evidências fatuais, que foram estabelecidas convencionalmente, no que se refere a certas tomadas de posição, por mais difundidas que sejam. A função da ciência é, a nosso ver, exatamente a contrária: transformar em problema o que é evidente por convenção”. (p. 370) ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 13 2 -&*3+.2 ." F*&)3("0+.".& "#+2071+4"G *"- 4+5*4+"- -24+"+- & &42*H!+4"- • Este é o verdadeiro sentido da discussão sobre valores: aprender o que o oponente (ou até e também eu mesmo) realmente entende, isto é, o valor ao qual cada uma de ambas as partes se refere – realmente e não apenas aparentemente – e a partir disso se poder posicionar no que diz respeito a este valor. (p. 371); ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 16 O anarquista que defende valores extremos, opostos aos valores convencionais, como, por exemplo, os da aceitação das prerrogativas jurídicas ou estatais, pode dignificar e enriquecer a sociologia do Direito ou do Estado, ao evidenciar pontos até então ignorados. E X E M P L O 2 -&*3+.2 ." F*&)3("0+.".& "#+2071+4"G *"- 4+5*4+"- -24+"+- & &42*H!+4"- Avaliações unívocas e puramente econômicas; • A transposição do “ser” para o “dever ser”, faz com que o pesquisador não encontre outras verdades; ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 17 “A destruição deliberada de bens de consumo cujo preço desceu abaixo do seu preço de custo de produção, tendo em vista os interesses de rentabilidade dos produtores”. (p. 389) E X E M P L O 2 -&*3+.2 ." F*&)3("0+.".& "#+2071+4"G *"- 4+5*4+"- -24+"+- & &42*H!+4"- • A neutralidade axiológica não pode significar um compromisso ou um equilíbrio entre diferentes avaliações antagônicas; • A ciência não é capaz de resolver a questão do "politeísmo dos valores", já que, aos olhos do cientista, a própria ciência constitui um valor que merece ser defendido e que embate muitas vezes contra valores contrários; • Desse modo, Weber fez-se o crítico das diferentes formas de cientismo; ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 18 2 -&*3+.2 ." F*&)3("0+.".& "#+2071+4"G *"- 4+5*4+"- -24+"+- & &42*H!+4"- • A ciência poderá, eventualmente, indicar ao ator social o que pode fazer, eventualmente o que pretende fazer, mas em caso nenhum o que deve fazer. • Da mesma forma, em virtude da separação categórica entre o ser e o dever ser, entre os juízos de fato e os juízos de valor, é vedada à ciência a possibilidade de fundamentar normativamente um imperativo qualquer. • Os fins e os valores não se impõem em virtude de verdades científicas, mas no seio de lutas incessantes; ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 19 2 -&*3+.2 ." F*&)3("0+.".& "#+2071+4"G *"- 4+5*4+"- -24+"+- & &42*H!+4"- • A neutralidade axiológica implica também que nenhuma atividade, de ordem intelectual ou prática, poderá resolver as questões específicas da ciência. • Significa que uma proposta científica é exclusivamente válida por razões intrínsecas, em virtude de métodos e de procedimentos que assentam a sua especificidade na demonstração e na verificação das propostas. • Logo, uma proposta científica não vale por razões extrínsecas, pela intrusão de valores em virtude de preconceitos políticos, de crenças religiosas ou de princípios morais. ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 20 2 -&*3+.2 ." F*&)3("0+.".& "#+2071+4"G *"- 4+5*4+"- -24+"+- & &42*H!+4"- Assim, a neutralidade axiológica implica que a ciência deve restringir-se ao cumprimento da sua própria finalidade, que é a procura da verdade, mesmo quando esta finalidade não constitua o objeto de um consenso: "É verdade científica unicamente aquela que pretende valer para todos aqueles que querem a verdade”. ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 21 2 -&*3+.2 ." F*&)3("0+.".& "#+2071+4"G *"- 4+5*4+"- -24+"+- & &42*H!+4"- ÞÞCS/ulAL | SLMlnÁ8lC | Max Weber 22 !"# %&'(')*'+#, -./0 )'+ *',')1#21'&3 )'+ *'4')*'&3 )-(/&-2+')('3 ',(' #/ ./-2./'& #/(&# %#)(# *' 10,(- -50#26708# %#,,91'2: ;#+')(' ./'&9-+#, 2'+<&-& ./'3 ,' => /+ (-2 %#)(# *' 10,(-3 - #<&07-?"# +-0, &'8#+')*>1'2 %-&- /+ @%'),-*#&A *' %&#B,,"# C - *' +-)('& - 8-<'?- 4&0- 4&')(' -#, 0*'-0, *#+0)-)(',3 +',+# 4&')(' -#, 0*'0-, +-0, +-D',(#,#,3 )# ,')E*# *' 8#),'&1-& - 8-%-80*-*' %',,#-2 *' @)-*-& 8#)(&- - 8#&&')('F-A 8-,# ,'D- )'8',,>&0#: S E M I N Á R I O )*+,&(-+.".& /&.&("0 .& "0"12"- +*-3+3)32 .& 4+5*4+"- -24+"+- 6(21("!" .& 67-81(".)"9:2 &! -24+2021+" SLMlnÁ8lC - !"# %&'&( - A Clôncla como vocação. - C Senudo da ºneuLralldade Axlológlca" nas Clônclas Soclals e Lconômlcas. fellpe[fellpegulmaraes.com.br gardla[folha.com.br 2I@JKLMNO lellpe Culmarães e Cárdla 8odrlgues Maceló, 16 de novembro de 2011.