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Resumos de Direito Fiscal

Tributos → receitas cobradas pelo Estado ou por outros entes públicos para a
satisfação de necessidades públicas, sem função sancionatória.
3 figuras: impostos, taxas e contribuições especiais. Cfr. Art. 3º/2 LGT: “os tributos
compreendem os impostos, incluindo os aduaneiros e especiais, e outras espécies tributárias
criadas por lei, designadamente as taxas e demais contribuições financeiras a favor de entidades
públicas”. As coimas e outras sanções pecuniárias seguem fins puramente dissuasórios
e não de obtenção de receitas, por isso não se encaixam aqui.
Impostos
O imposto é uma prestação pecuniária, singular ou reiterada, que não apresenta
ligação com qualquer contraprestação retributiva específica, exigida por uma entidade
pública a uma outra entidade (sujeito passivo), utilizada principalmente para a
cobertura de despesas públicas.
Conteúdo → dever de prestar que surge pela simples verificação de um facto previsto
na lei, dando irgem a uma relação jurídica tributária.

Exemplo: A compra uma moradia. No momento da transmissão, surge a obrigação de
pagar o IMT, isto porque num momento prévio o legislador identificou a aquisição de
um imóvel como uma manifestação de força económica dos cidadãos diferente de
outras e que justifica a sua oneração com o imposto. O que sucede à receita do IMT?
Será entregue aos cofres do Estado e, depois, ao Município da situação do imóvel. A
falta do pagamento do IMT não dá direito ao Município para negar qualquer prestação
pública e vice-versa.
≠ Distingue-se da taxa porque não implica qualquer contraprestação retributiva
individualizável → imposto é unilateral; taxa é bilateral.
Forma normal e principal de financiamento do Estado → Estado Fiscal. Os impostos e
o modo como são distribuídos os encargos tributários são uma questão constitucional.
Na CRP está patente a ideia de redistribuição de riqueza e solidariedade social (arts. 1º,
2º, 9º, 12º, 63º, 81º, 103º e 104º). Objectivo → elevar o nível dos rendimentos dos
cidadãos mais pobres ou das empresas com mais dificuldades através da redistribuição
dos recursos públicos oriundos dos impostos e aplicar normas tributárias que tributem
de forma diferente titulares de rendimentos diferentes (ideia de progressividade).

O legislador constituinte distingue entre impostos de rendimento pessoal, impostos
sobre o património e impostos sobre o consumo. Seguem as distinções tradicionais:

 Impostos directos e indirectos

- Impostos directos: há coincidência entre o devedor do imposto e aquele que o vai
suportar em termos económicos (ie, entre incidência e impacto). Exemplo: IRC, tem
como objectivo o lucro tributável das sociedades comerciais, que são devedoras e vão
suportar o imposto;
- Impostos indirectos: o devedor do imposto procede à sua repercussão junto daquele
que o deve suportar. Exemplo: Imposto sobre o Tabaco, aquele que deve o imposto
(importador ou produtor), vai repercuti-lo no consumidor final, que é quem suporta
economicamente o imposto.

Falha: nos impostos directos pode haver uma repercussão económica do mesmo nos
sujeitos a jusante da entidade que suporta o imposto – é o caso de, na renda de um
imóvel, o senhorio fazer reperutir o valor do IMT que suportou. Também pode o
mercado impor que um agente económico suporte um imposto indirecto, descontando
o seu valor na sua margem de comercialização final, tratando-o como um custo seu.