You are on page 1of 29

3.4.

12
Chove. Que fiz eu da vida?
GRUPO I
A

Lê atentamente o texto que se segue.
\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\5-1909) tornam o seu nome familiar
nos nossos meios literários.
Nuno Júdice, Viagem Por Um Século de Literatura Portuguesa,
Lisboa, Relógio D‟Água Editores, 1997, pp. 44-45 (adaptado)


1. Seleciona a alínea correta, de acordo com as informações textuais.
1.1. Aquilino Ribeiro desenvolveu atividades na revista Ilustração Portuguesa, em
França,
a) em virtude do seu espírito revolucionário.
b) em consequência do seu exílio por motivos pessoais.
c) pelo facto de ter sido publicista.
d) em consequência do seu exílio, motivado pelo seu espírito irreverente e pelo
regime ditatorial de João Franco.

1.2. Começaram a surgir novas manifestações estéticas, tais como:
a) o cubismo na arte arquitetónica.
b) o futurismo a marcar o corte com a tradição.
c) o futurismo, difundido num manifesto de Picasso e Braque.
d) uma arte que cantava a época da eletricidade e do automóvel


2. Atenta na seguinte frase retirada do texto.

Aí dá conta, em alguns artigos, das primeiras exposições do cubismo de Picasso e
de Braque, bem como do choque provocado por essas manifestações estéticas.

2.1. Identifica o tipo de coesão que se verifica em cada um dos casos assinalados
a cores diferentes.

3. Há situações em que a mesma palavra, em contextos diferentes, pode ser um
anafórico ou um deítico.
3.1. Redige duas frases em que tal se verifique.
3.2. Explicita a diferença entre as duas ocorrências.
3.3. Refere se na frase dada em 2. ocorre a situação apresentada

GRUPO III

As manifestações artísticas são a expressão cultural de uma nação.

Partindo da afirmação, redige uma reflexão, entre 200 e 300 palavras, sobre a
importância da arte e suas manifestações para a afirmação da cultura de um país.
Para fundamentares o teu ponto de vista, recorre a dois argumentos, ilustrando
cada um deles, com pelo menos um exemplo significativo.
Publicada por Helena Maria à(s) 06:43
Etiquetas: Fernando Pessoa
11.5.10
Em toda a noite o sono não veio.
Em toda a noite o sono não veio. Agora
Raia do fundo
Do horizonte, encoberta e fria, a manhã.
Que faço eu no mundo?
Nada que a noite acalme ou levante a aurora,
Coisa séria ou vã.

Com olhos tontos da febre vã da vigília
Vejo com horror
O novo dia trazer-me o mesmo dia do fim
Do mundo e da dor –
Um dia igual aos outros, da eterna família
De serem assim.

Nem o símbolo ao menos vale, a significação
Da manhã que vem
Saindo lenta da própria essência da noite que era,
Para quem,
Por tantas vezes ter sempre ‟sperado em vão,
Já nada ‟spera.
Fernando Pessoa, Poesias, 15.ª ed., Lisboa, Ática, 1995

I

Apresente, de forma bem estruturada, as suas respostas aos itens que se seguem.

1. Caracterize os momentos temporais representados na primeira estrofe do
poema.

2. Refira um dos sentidos produzidos pela interrogação «Que faço eu no mundo?»
(v. 4).

3. Atente nos três primeiros versos da terceira estrofe. Explicite, sucintamente, a
relação entre a «noite» e a «manhã» estabelecida nos versos 14 e 15.

4. Tendo em conta todo o poema, identifique duas das razões do sentimento de
«horror» referido no verso 8.

II

Comenta o quadro (150-200 palavras) que se segue à luz das afirmações de
Fernando Pessoa:

Miguel Yeco. O Teatro íntimo do ser. 1986.

"Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que
torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em
nenhuma e está em todas."
Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Fernando Pessoa
Publicada por Helena Maria à(s) 05:47


























11.5.10
A criança que fui chora na estrada.


A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei de encontrá-lo ? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim
Fernando Pessoa, Poesia II


I

1. No poema o assunto estrutura-se de acordo com uma oposição temporal.
1.1 Explicite-a.

1.2. Identifique as formas verbais que sustentam essa oposição.

2. O eu poético manifesta no momento em que escreve um determinado estado
de espírito.
2.1. Descreva-o e justifique-o.

3. Comente o sentido dos versos:
«A criança que fui chora na estrada. Deixei-a ali quando vim ser quem sou...»

4. Divida o poema em partes lógicas, justificando-as.

5. Indique o tema tratado nesta composição e relacione-o com as temáticas mais
recorrentes da poesia pessoana.

II


Num texto expositivo-argumentativo de duzentas a trezentas palavras, comente a
afirmação transcrita, fazendo referência aos seus conhecimentos de leitor.

“Ao invés de ele [Fernando Pessoa] apenas transmitir, ou tentar transmitir, a
emoção pura e simples, (…) submete-a ao exame da inteligência ou da razão
poética.”
Massaud Moisés, A Literatura Portuguesa, Ed. Cultrix
Publicada por Helena Maria à(s) 05:27
Etiquetas: Fernando Pessoa









16.3.10
Cansa sentir quando se pensa
Lê-se num poema de Fernando Pessoa Ortónimo:


Cansa sentir quando se pensa.
No ar da noite a madrugar
Há uma solidão imensa
Que tem por corpo o frio do ar.


Evocando a sua experiência de leitura, apresente o aspecto para si mais
importante da poética de Pessoa Ortónimo. Fundamente a sua perspectiva,
referindo poemas lidos, num texto bem estruturado, com cerca de cento e
cinquenta palavras.



Publicada por Helena Maria à(s) 06:07
Etiquetas: Fernando Pessoa
1.12.09
A minha vida é um barco abandonado


A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado?

Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.

Morto corpo da acção sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.

Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.

Fernando Pessoa, Antologia poética,
sel. e apresentação de Isabel Pascoal,
Ed. Bibl. Ulisseia

I

1. Identifica os recursos expressivos presentes nos dois primeiros versos e
explicita o seu contributo para a construção de sentidos no poema.
1.1. Comenta o valor expressivo da interrogação.
1.2. Identifica aquilo de que o sujeito poético parece ter abdicado, referindo a
lacuna que detecta em si próprio.

2. Comenta o valor expressivo da caracterização do “corpo” presente na 3.ª
estrofe.
2.1. Explicita o contributo da forma verbal “Boiando” para o sentido da estrofe.

3. Identifica a figura de estilo que, na 4.ª estrofe, veicula a estagnação interior
do sujeito.

4. Demonstra que este poema exemplifica o efeito paralisante da auto-análise
característica da poesia de Fernando Pessoa ortónimo.

5. Analisa os aspectos formais do poema (composição estrófica, métrica, rima).

II

Lê atentamente o texto seguinte.


Surpreendidos pelo fenómeno literário insólito de uma constelação de poetas,
reivindicando pela boca do seu criador ou deles mesmos um direito à existência
(...), os primeiros intérpretes tentaram tudo o que estava em seu poder para
reduzir a estranheza desse desdobramento artístico. Essa redução tomou três
direcções principais, mas finalmente complementares: a primeira consistiu em
encontrar na vida do Poeta, na sua psicologia real ou suposta, as motivações
dessa diversificação em poetas, característica da sua criação literária; a segunda,
em mostrar, através da análise de cada um dos poetas que Pessoa pretendeu ser,
que a apregoada autonomia não resiste a um exame, nem dos temas, nem das
particularidades estilísticas; a terceira, finalmente, reenvia essa estranheza,
diagnosticada como simples difracção de um comportamento histórico absurdo
característico de uma classe sem futuro inteligível para essa mesma história de
que é reflexo. Assim se utilizaram as três perspectivas que, segundo o autor da
“Nova poesia portuguesa no seu aspecto psychologico”, se impõem na análise de
uma obra: a psicológica, a literária, a sociológica, respectivamente representadas
por João Gaspar Simões, Jacinto do Prado Coelho e Mário Sacramento. Por
maiores que sejam as diferenças entre elas (...) uma coisa as unifica: mau grado
o contributo histórico que cada uma representa e as inúmeras questões que
debateram ou resolveram em relação à génese ou interpretação dos poemas, mau
grado mesmo a subjectiva vontade de tentar erguer um monumento ao Poeta
(salvo Mário Sacramento), tido como “genial”, o perfil último que da sua poesia
(e mesmo do homem) se destaca é, paradoxalmente, negativo. De uma maneira,
por assim dizer, fatal, passou-se insensivelmente do campo da análise da
heteronímia ao do seu desmascaramento, já com forte coloração pejorativa e,
em seguida, à desmistificação não só do jogo heteronímico como do processo
poético que ele estrutura, finalmente submetido a uma espécie de
desmistificação.
Tudo se passa como se os críticos, inconscientemente, tivessem querido punir
Pessoa de ter levado consigo a chave de um labirinto onde eles se perdem.

Eduardo Lourenço, Pessoa Revisitado, Gradiva (texto com supressões)
1 In A Águia, 2.a série, 1912, p. 86.



Publicada por Helena Maria à(s) 05:48
Etiquetas: Fernando Pessoa
28.12.08
Fernando Pessoa - ortónimo
Diga se são verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmações:

1. A angústia existencial e a nostalgia são marcas de Pessoa ortónimo.
2. A poesia do ortónimo revela a despersonalização do poeta fingidor, que fala e
que se identifica com a própria criação poética, como impõe a modernidade.
3. A revista Orpheu reage contra o tradicionalismo e o academismo oficial e cria
uma ruptura com o passado.
4. Em Orpheu, encontramos de um lado a herança do decandentismo francês, do
outro o esprit nouveau de uma Europa que lutava p por uma estética de
vanguarda.
5. Em Pessoa ortónimo, a influência do lirismo tradicional é visível na
sensibilidade, na suavidade, na linguagem simples e no ritmo melodioso.
6. Em Pessoa ortónimo, o fingimento surge como elaboração mental dos conceitos
que exprimem as emoções ou o que quer comunicar.
7. Em Pessoa ortónimo, o poeta dá a conhecer a sua felicidade existencial e a sua
"alegria de viver".
8. Em Pessoa ortónimo, o poeta procura superar a angústia existencial através da
evocação da infância (símbolo da felicidade perdida) e da saudade desse tempo
feliz.
9. Em Pessoa ortónimo, os poemas não são rimados e a opção pelo verso longo é
evidente.
10. No Interseccionismo encontramos o processo de realizar o Sensacionismo, na
medida em que a intersecção desensações está em causa e por elas se faz a
intersecção da sensação e do pensamento.
11. Em Orpheu, a poesia alucinada, chocante, irritante, irreverente, procurava
provocar o burguês, símbolo acabado da estagnação em que se encontrava a
cultura portuguesa.
12. No poema Autopsicografia, Fernando Pessoa afirma que o acto poético apenas
pode comunicar uma dor verdadeira.
13. No poema O menino da sua mãe, há objectos (a cigarreira e o lenço) que
simbolizam a existência de vínculos afectivos que foram conservados.
14. No poema O menino da sua mãe, o modo indicativo dos verbos torna mais
irreal mais longínqua a descrição.
15. O poema Ela canta, pobre ceifeira destaca a inconsciência consciente da
ceifeira ou a razão que o Eu desconhece e a perturbação p face à ausência de
razões aparentes para cantar.
16. No poema Impressões do Crepúsculo, o significado de paul liga-se à água
estagnada, aos pântanos, onde se misturam e se confundem imensas matérias e
sugestões.
17. O Epicurismo considera que o bem se encontra nos prazeres intelectuais ou
morais, mas defende que os prazeres calmos, puros e duradouros são os únicos
capazes de proporcionar na vida uma completa ataraxia.
18. O Epicurismo preconizava a indiferença à dor e a firmeza de ânimo, como
forma de resistir aos males e agruras da vida.
19. O Futurismo caracteriza-se pela exaltação da energia, de "todas as
dinâmicas", da velocidade e da força até situações de paro
20. O Interseccionismo consiste na sobreposição de elementos como o aqui e o
além, o agora e o passado, o real e o onírico.
21. O Sensacionismo é uma doutrina que atribui a génese dos nossos
conhecimentos à intelectualização dos sentimentos.
22. O Interseccionismo deriva, ou melhor, é uma evolução do Paulismo e
caracteriza-se pelo entrecruzamento de planos que se cortam: intersecção de
sensações ou percepções.
23. Em Pessoa ortónimo, é visível a construção da arte pelo recurso à ironia que
põe tudo em causa, inclusive a própria sinceridade.
24. O Paulismo caracteriza-se pelas sugestões claramente definidas, separando o
espírito e a matéria.
25. São marcas do Modernismo: a simplificação da sintaxe; o aproveitamento das
imagens visuais e dos vocábulos musicais; a versificação irregular e o verso livre;
a liberdade estrófica.



Publicada por Helena Maria à(s) 09:55
Etiquetas: Fernando Pessoa
27.8.08
Não sei se é sonho, se realidade
Fernando Pessoa - ortónimo


Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida.
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri.

Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.

Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar,
Sob os palmares, ã luz da Lua,
Sente-se o frio de haver luar.
Ah, nessa terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.

Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.
Fernando Pessoa

I

1. A arquitectura do poema apresenta-nos duas estruturas paralelas.
1.1. Identifique os elementos estruturadores dessa construção.
1.2. Mostre a expressividade das palavras ou locuções que iniciam cada estrofe.

2. Uma dor de pensar sobressai na segunda parte do poema.
2.1. Faça o levantamento dos recursos utilizados para explicitar a transição entre
o sonho e o mundopen¬sado.
2.2. Evidencie a realidade que privilegia na conclusão do poema.

3. "Não é com ilhas do fim do mundo, /Nem com palmares de sonho ou não, /Que
cura a alma seu mal profundo,/ Que o bem nos entra no coração."
3.1. Explique o sentido dos versos transcritos.
3.2. Identifique os recursos estilísticos presentes nesses versos.

II

Comente, num texto bem estruturado de cem a duzentas palavras, a afirmação
de Yvette Centeno, tendo em atenção a obra pessoana, nomeadamente a
Mensagem.
A obra de Pessoa não é senão o esforço de uma vida em busca da sua alma:
múltipla, repartida, no ponto mais exterior buscando o mais interior,
intensamente.
Yvette Kace Cenleno, Hermetismo e Utopia, Lisboa, Salamandra, 1995

III

Resuma o excerto a seguir transcrito, constituído por trezentas e noventa e cinco
palavras, num texto de cento e vinte e uma a cento e quarenta e uma palavras.
Antes de iniciar o seu resumo, leia atentamente as instruções dadas em final de
pagina.

Poucos portugueses há que gostem de árvores. Tiram-lhes a vista... Querem o
campo visualdesafrontado como se temessem inimigo oculto.
De geração em geração, vai-se agravando esta sanha arboricida. Árvores isoladas,
que cresceram e se desenvolveram livremente, dando nome e beleza a certos
sítios, uma hoje, outra amanhã, foram sacrificadas a esse furor, porque eram
árvores. Aquele pinheiro manso, aquele castanheiro, aquele cedro - já não
existem. Foram degolados sem que ninguém os defendesse nem chorasse. O mais
que se diz, em seu louvor, é que deram bons carros de lenha.
Esta árvore deve ir abaixo, porque está velha. Esta árvore deve ir abaixo porque
estorva. Esta árvore deve ir abaixo porque não deixa ver quem vai na rua.
Verdade é que nem a árvore está velha, nem estorva, nem impede que se vejam
as pessoas que se querem ver. Mas, é árvore... Deve morrer porque teve a pouca
sorte de ser árvore.
O homem antigo, se não amava as árvores, respeitava-as por instinto. Foi a
maneira de nos legar algumas. O homem moderno põe em jogo uma espécie de
inteligência para as destruir. Não quer que tenham fisiologia. Não admite que
levantem passeios, nem arremessem folhas aos telhados. Quer que sejam inertes
como candeeiros. Q homem actual deixará à posteridade em vez de
árvores,pérgulas de cimento. Confunde urbanismo com desarborização. O
urbanismo que pede verdura, é entre nós sinónimo de secura. Ninguém urbaniza
sem pôr raízes ao sol.
Há quem diga que é preciso destruir árvores para dar lugar aos automóveis. Mas
se o motor de explosão, com as suas exalações, destrói a saúde pública e a árvore
é o seu contraveneno, éindispensável conciliar a existência do motor com a
existência da árvore. É preciso que se acomodem ambas no espaço que lhes
couber, sob pena de morrer¬mos envenenados.
Cada árvore é uma bica de oxigénio indispensável à vida. É, de mais a mais, filtro
de gases tóxicos provenientes de combustões devidas ao nosso comodismo. Tais
gases vão fazendo de cada povoado uma câmara de condenados ã morte. Os
moradores de certos países parecem moribundos.
Só a árvore os poderá salvar.
Conviria convencer de tal verdade o nosso homem comum, que não olha as
belezas da paisagem, mas é capaz de defender a beleza da sua pele. Só assim se
poderão salvar as árvores que ainda existam em cidades e vilas portuguesas.
João Araújo Correia, Passos Perdidos



Nota:
Há uma tolerância de quinze palavras relativamente ao total pretendido (cento e seis
palavras como limite mínimo e cento e cinquenta e seis como limite máximo). Para efeitos de
contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência de caracteres delimitada por
espaços em branco, mesmo quando hifenizada. De acordo com este critério, o fragmento a
seguir transcrito é constituído por nove palavras: "De/geração/em/geração,/'vai-
se/agravando/esta/sanha/arboricida/".


Publicada por Helena Maria à(s) 06:52
Etiquetas: Fernando Pessoa
22.3.08
Mar. Manhã




Suavemente grande avança
Cheia de sol a onda do mar;
Pausadamente se balança,
E desce como a descansar.

Tão lenta e longa que parece
De uma criança de Titã
O glauco'1 seio que adormece,
Arfando à brisa da manhã.

Parece ser um ente apenas
Este correr da onda do mar,
Como uma cobra que em serenas
Dobras se alongue a colear.

Unido e vasto e interminável
No são sossego azul do sol,
Arfa com um mover-se estável
O oceano ébrio de arrebol2.

E a minha sensação é nula,
Quer de prazer, quer de pesar...
Ébria de alheia a mim ondula
Na onda lúcida do mar.
Fernando Pessoa, Cancioneiro


1 - verde mar; 2 - luz a amanhecer.

I

Após uma leitura atenta, elabore um comentário global do poema de modo que
integre o tratamento dos seguintes tópicos:
- a delimitação das partes lógicas e respectiva justificação;
- o movimento do mar e as expressões que o veiculam;
- os recursos estilísticos e seu valor expressivo;
- o poema, reflexo do título;
- a características da poesia ortónima de Fernando Pessoa presentes no poema.

II

Redija um texto bem estruturado, de setenta a cem palavras, comentando a
citação a seguir transcrita com base em leituras sobre o poeta e sobre o contexto
literário que o envolve.

«Pessoa transforma a emoção antes estática em emoção-pensada, em
pensamento-emoção, ou, ainda, alcança surpreender a íntima identidade que
existe entre as sensações e as ideias a que as primeiras estão desde sempre
amarradas.»
Massaud Moisés, A Literatura Portuguesa

III

Resuma o excerto a seguir transcrito, constituído por duzentas e setenta e seis
palavras, num texto de oitenta e duas a cento e duas palavras.
A Dor de Pensar

A inteligência lembra uma varinha de condão: graças a ela, tudo o que dormia o
sono do nada, incluindo o próprio Homem, acorda para a existência. Ser é ser
objecto de conhecimento. A mesma varinha, porém, por um uso intenso e
persistente, acaba por esvaziar de realidade as coisas, fá-las regressar ao nada
donde vieram. É um instrumento de destruição que vitima aquele que o maneja,
lhe provoca a dor da «universal ignorância», a sensação de ladear nas trevas, e ao
mesmo tempo o cansa, o corrói, mina as condições elementares de felicidade.
Fernando Pessoa foi dos que mais sofreram com o terrível paradoxo. Vocacionado
para o exercício exaustivo duma inteligência esquadrinhadora que, na clausura
doeu, é vizinha impotente do caos obscuro da vida, e cuja presença vigilante se
manifesta até quando a intuição ou a imaginação poéticas alcançam a sua hora,
experimentou, a par do orgulho de conhecer afirmando-se contra a voragem, a
pena mais frequente de lhe ser inacessível a felicidade dos que não conhecem. O
privilégio duma extraordinária lucidez paga-se caro. Quanto mais humano mais
desumano. «Elevar é desumanizar, e o homem se não sente feliz onde se não
sente já homem» (P. D. E., pág. 131). Pessoa padeceu dramaticamente o suplício
da sua grandeza: «O emprego excessivo e absorvente da inteligência - diz ele na
carta a Cabral Metello publicada na Contemporânea em Fevereiro de 1923 -, o
abuso da sinceridade, o escrúpulo da justiça, a preocupação da análise, que nada
aceita como se pudesse ser o que se mostra, são qualidades que poderão um dia
tornar-me notável; privam, porém, de toda espécie de elegância porque não
permitem nenhuma ilusão de felicidade.»
Jacinto do Prado Coelho, Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa,
Ed. Verbo (pp. 105-106)


Publicada por Helena Maria à(s) 04:37
Etiquetas: Fernando Pessoa
14.12.07
Natal… Na província neva


Natal… Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
´Stou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!
Fernando Pessoa


I

1. Considera as referências – evocações temporal e espacial contidas no primeiro
verso.
1.1. Interpreta a sua expressividade.
1.2. Esclarece o sentido do verso 4.

2. “ Como a família é verdade!” (v.6)
2.1. Explicita os efeitos sugeridos pelo tipo de frase utilizado.

3. Identifica a figura de estilo presente no verso 8 “ ´Stou só e sonho saudade”.
3.1. Refere o seu valor, tendo em conta os sentimentos que dominam o sujeito
poético.

4. Relaciona o último verso com a temática pessoana que estrutura o poema.

5. Analisa formalmente a composição poética.

II

“ (…) na suposição de que ser poeta é ter acesso a um novo “estado de graça”,
Fernando Pessoa tenta recriar-se, artificialmente, como “criança” e, nela,
continuar a infância perdida. Mas a consciência do real atrapalha-lhe o sonho.”
Alfredo Antunes, Saudade e Profetismo em Fernando Pessoa


Depois de reflectir sobre o excerto transcrito, desenvolva-o num texto expositivo,
fundamentando as suas afirmações.



Publicada por Helena Maria à(s) 03:12
Etiquetas: Fernando Pessoa
13.12.07
Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar


Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar,
Sem nada já que me atraia, sem nada que desejar,
Farei um sonho, terei meu dia, fecharei a vida,
E nunca terei agonia, pois dormirei logo de seguida.

A vida é como uma sombra que passa por sobre um rio
Ou como um passo na alfombra de um quarto que jaz vazio;
O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é;
A glória concede e nega; não tem verdades a fé.

Por isso na orla morena da praia calado e só,
Tenho a alma feita pequena, livre de mágoa e de dó;
Sonho sem quase já ser, perco sem nunca ter tido,
E começo a morrer muito antes de ter vivido.

Deito aqui onde jazo, só uma brisa que passa.
Não quero nada do acaso, senão a brisa na face;
Dêem-me um vago amor de quanto nunca terei,
Não quero gozo nem dor, não quero vida nem lei.

Só, no silêncio cercado pelo som brusco do mar,
Quero dormir sossegado, sem nada que desejar,
Quero dormir na distância de um ser que nunca foi seu,
Tocado do ar sem fragrância da brisa de qualquer céu.
Fernando Pessoa

I

1. O sujeito poético situa-se na orla da praia.
1.1. Caracterize o espaço sugerido ao longo do poema.
1.2. Considerando o valor semântico dos adjectivos no primeiro verso das estrofes
alternadas, mostre que há um valor simbólico associado a esse espaço.

2. Na segunda estrofe, há uma definição da vida.
2.1. Explicite o conceito de vida revelado ao longo do poema.
2.2. Identifique e defina os valores morais que se destacam no conceito de vida.

3. "Por isso" (v. 9) introduz uma conclusão que resulta do sentimento de vida.
3.1. Explicite os sentimentos que o sujeito lírico exprime.
3.2. Determine a conclusão ou projecto de vida que formula.

4. Analise a construção formal do poema, tendo em atenção que há uma
segmentação do verso em redondilhas maiores que rimam entre si.

II

Num texto bem estruturado de cem a duzentas palavras, comente as seguintes
afirmações do semi-heterónimo pessoano Bernardo Soares:

«A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar
deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação. [...]
Para que eu, pois, possa transmitir a outrem o que sinto, tenho que traduzir os
meus sentimentos na linguagem dele, isto é, que dizer tais coisas como sendo as
que eu sinto, que ele, lendo-as, sinta exactamente o que eu senti.»

«A literatura, que é a arte casada com o pensamento, e a realização sem a
mácula da realidade, parece-me ser o fim para que deveria tender todo o esforço
humano se fosse verdadeiramente humano, e não uma superfluidade do animal.
Creio que dizer uma coisa é conservar-lhe a virtude e tirar-lhe o terror.»
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego de Bernardo Soares (fragmentos)

Publicada por Helena Maria à(s) 04:29
Etiquetas: Fernando Pessoa
16.2.07
Fernando Pessoa ortónimo
Assinala as afirmações correctas

□ Para Pessoa, viver é ser feliz.
□ Em Pessoa ortónimo, o fingimento poético é a chave da sua produção poética.
□ Na poesia do ortónimo, o sonho e a infância são os únicos momentos de
felicidade para o sujeito poético.
□ Pessoa rompe, formalmente, com o lirismo tradicional.
□ Muitos dos poemas pessoanos revelam a fragmentação do “eu”.
□ Sentir e pensar são opostos que se reconciliam na poesia ortónima.
□ Pessoa considera a emoção a chave da produção poética.
□ A tendência para a abstracção domina a estética de Pessoa.
□ O tédio e a náusea existenciais percorrem muitos dos poemas pessoanos.
□ Em Pessoa, a dor de pensar é fruto de uma consciência muito aguda.
□ A poesia ortónima caracteriza-se por uma extraordinária euforia e por uma
linguagem simples, mas carregada de expressividade.
□ É comum, na poesia do ortónimo, o uso de metáforas ricas com grande poder
evocador.


Publicada por Helena Maria à(s) 03:24
Etiquetas: Fernando Pessoa
15.2.07
Vida e obra de Fernando Pessoa ortónimo
Identifique as afirmações verdadeiras e falsas, convertendo estas últimas em
verdadeiras.

a) Fernando Pessoa recebeu uma educação fundamentalmente inglesa.
b) A perda da mãe, quando criança, influenciou a afectividade do poeta.
c) A infância deste foi vivida na companhia de alguns heterónimos.
d) O movimento artístico, divulgado na revista literária Orpheu, inaugurado pela
geração de Fernando Pessoa, designa-se Simbolismo.
e) Antes do Orpheu, Fernando Pessoa mantivera-se distante da participação em
revistas literárias.
f) O ano de 1914 é um marco importante na obra pessoana: dá-se a explosão
heteronímica.
g) O Modernismo representa a inquietude de uma geração.
h) A poesia do Orpheu é caracterizada pela alucinação, pelo choque e pela
irreverência, factores que cativaram as grandes elites da época.
i) O futurismo implementa-se na Europa, como movimento estético
revolucionário, com o escritor italiano Tommaso Marinetti.
j) O futurismo pretende dar continuidade às tradições, verificando-se, a nível
literário, o respeito pela ordem sintáctica e pela pontuação.
k) A morte do companheiro de geração e amigo, Mário de Sá-Carneiro, marcou
Pessoa profunda-mente.
l) O poeta concilia frequentemente o sentir com o pensar.
m) A obra poética de Fernando Pessoa reflecte vivências do seu passado.
n) O sonho e a realidade cruzam-se em algumas das suas composições poéticas.
o) Fernando Pessoa revela-se um poeta que transmite uma solidão interior,
traduzida nos sentimentos de tédio e melancolia.
p) Fernando Pessoa manifesta dificuldade em lidar com os afectos.
q) A constatação de uma realidade fugaz faz do poeta um ser lutador.
r) A teoria do fingimento poético consiste em representar as emoções de modo
abstracto.
s) Fernando Pessoa recorre frequentemente a alguns símbolos para representar
algumas realidades.
t) O fingimento poético deve ser visto como uma mentira e não como a
intelectualização das emoções.
u) A busca incessante de auto-conhecimento leva à fragmentação do “eu”.
v) A constante racionalização do sentir faz do ortónimo um ser feliz.


Publicada por Helena Maria à(s) 03:17
Etiquetas: Fernando Pessoa
0.5.12
A poesia dos heterónimos
1. Lê os dois textos que se seguem.


TEXTO A

Eu sou uma antologia.
„Screvo tão diversamente
Que, pouca ou muita a valia
Dos poemas, ninguém diria
Que o poeta é um somente.

Assim deve ser – qualquer,
Enfim porque já o seja –
Pode ser um, porque o é.
O poeta deve ser
Mais do que um, para poder.

Depois para si o poeta
Deve ser poeta também.
Se ele não tem a completa
Diversidade
Não é poeta, é só alguém…

Eu, graças a Deus, não tenho
Nenhuma individualidade.
Sou contra o mundo.
Fernando Pessoa, in Fernando Pessoa e a Geração de Orpheu,
Planeta DeAgostini



TEXTO B

(…) o autor destas linhas (…) nunca teve uma só personalidade, nem pensou
nunca, nem sentiu, senão dramaticamente, isto é, numa pessoa, ou
personalidade, suposta, que mais propriamente do que ele próprio pudesse ter
esses sentimentos.
Há autores que escrevem dramas e novelas; e nesses dramas e nessas novelas
atribuem sentimentos e ideias às figuras, que as povoam, que muitas se indignam
que sejam tomados por sentimentos seus, ou ideias suas. Aqui a substância é a
mesma, embora a forma seja diversa.
A cada personalidade mais demorada, que o autor destes livros conseguiu viver
dentro de si, ele deu uma índole expressiva, e fez dessa personalidade um autor,
com um livro, ou livros, com as ideias, as emoções, e a arte dos quais, ele, o
autor real (…), nada tem salvo ter sido, no escrevê-las, o médium de figuras que
ele próprio criou.
(…) Ele [o autor] nem concorda com o que nelas vai escrito, nem discorda. Como
se lhe fosse ditado, escreve (…).
Por qualquer motivo temperamental que me não proponho analisar, nem importa
que analise, construí dentro de mim várias personagens distintas entre si e de
mim, personagens essas a que atribuí poemas vários que não são como eu, nos
meus sentimentos e ideias os escreveria.
Assim, têm estes poemas de Caeiro, os de Ricardo Reis e os de Álvaro de Campos
que ser considerados. (…)
Fernando Pessoa, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação,
textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado
Coelho, Ática


1.1. No primeiro verso do TEXTO A, o sujeito poético apresenta uma tese.
1.1.1. Sugere um conector que ligue este verso aos seguintes, estabelecendo uma
relação de causalidade.
1.1.2. Explica a afirmação do primeiro verso, tendo em conta o sentido dos
quatro versos seguintes.

2. Qual é, na segunda estrofe, a expressão que dá conta da convicção do sujeito
poético na teoria
que acabou de expor?

3. Lê o TEXTO B e completa, com os conectores adequados, as afirmações
seguintes.

a. __________ os autores de novelas e romances criam personagens para as suas
obras, _________________ Fernando Pessoa criou diferentes figuras para exprimir
as suas diferentes personalidades.
b. Muitas foram as personalidades que nasceram dentro do poeta, ____________
ele só deu “índole expressiva” àquelas que mais se impuseram dentro de si.
c. Fernando Pessoa _______________ foi ______________ o intermediário entre
as diferentes personalidades que viveu e as respectivas produções poéticas.
d. ___________ tenham nascido todas dentro do poeta, as várias personagens são
diferentes entre si e dele próprio.
e. A poesia de Alberto Caeiro, de Ricardo Reis e de Álvaro de Campos
______________ expressa ____________ os sentimentos _____________ as ideias
do próprio Fernando Pessoa.

4. Relaciona as duas últimas estrofes do poema com o conteúdo do TEXTO B.





Ficha sobre Conhecimento explícito da Língua - 12º ano


Ficha de escolha múltipla com a correção no final

“(…) se o Guadiana foi já cenário [de] (…) disputas bélicas, também foi testemunha de
uniões bucólicas entre Portugal e Espanha. Sempre que os dois reinos decidiam algum
desposório régio, certo e sabido que o ponto de encontro era na fronteira, perto da
confluência entre o rio Caia e o Guadiana. Por regra, as comitivas de entrega e receção
encontravam-se à beira deste rio e a infanta, espanhola ou portuguesa, ficava então em
posse do nobre que a levaria. O seu protocolo foi alterado no início de 1728, quando os
dois países se quiseram unir em duplos laços matrimoniais, num evento que ficou
conhecido pela “troca das princesas”. Com efeito, em vez de se enviar a infanta
portuguesa para Madrid, de modo a casar com o futuro rei espanhol Fernando VI, e
receber em Lisboa a princesa castelhana para desposar o futuro rei D. José, fez-se o
casório em Caia, com o Guadiana e numerosa comitiva a assistir. E com pompa e
circunstância — além de muito dinheiro gasto. De facto, para se celebrar os casamentos,
fizeram-se dois palácios em madeira, em ambas as margens, concebidos pelos mais
distintos arquitetos de cada país. No caso de Portugal, foram incumbidos desta tarefa o
bávaro João Frederico Ludovice, arquiteto do convento de Mafra, e pelo romano
António Canevari, o primeiro diretor das obras do aqueduto das Águas Livres, na região
de Lisboa. Haveriam de se desentender e foram substituídos por um engenheiro militar
português.”
In Visão, Suplemento “Guia dos rios e barragens”, nº1

1. As palavras “desposório”, “matrimoniais” e “casamento” são palavras
a. derivadas por parassíntese.
b. derivadas por prefixação.
c. derivadas por sufixação.
d. derivadas por prefixação e sufixação.

2. Na palavra “arquiteto”, o elemento inicial tem o significado de
a. antigo.
b. chefia.
c. em volta de.
d. excesso.

3. Qual das palavras que se seguem não é derivada?
a. desentender.
b. engenheiro.
c. comitiva.
d. casório.

4. No enunciado “O seu protocolo foi alterado no início de 1728, quando os dois países se
quiseram unir em duplos laços matrimoniais, num evento que ficou conhecido pela
“troca das princesas”.” “que” é
a. um pronome relativo.
b. uma conjunção subordinativa causal.
c. um pronome interrogativo.
d. uma conjunção subordinativa consecutiva.

5. No que concerne ao excerto “No caso de Portugal, foram incumbidos desta tarefa o
bávaro João Frederico Ludovice, arquiteto do convento de Mafra, e pelo romano
António Canevari”, assinala a frase que está correta:
a. Esta frase encontra-se na voz ativa.
b. A frase contém um modificador apositivo.
c. A palavra “bávaro” significa “relativo à Bavária”.
d. Neste enunciado existe uma contração.

6. Em “ficava então em posse do nobre que a levaria”, as palavras são, respetivamente:
a. verbo-conjunção-conjunção-verbo-preposição-adjetivo-conjunção-determinante-verbo
b. verbo-advérbio-preposição-nome-preposição-adjetivo-pronome-pronome-verbo
c. verbo-conjunção-preposição-nome- preposição-nome-pronome-pronome-verbo
d. verbo-advérbio.-preposição-nome-preposição-nome-pronome-pronome-verbo

7. Em “O seu protocolo foi alterado no início de 1728”, o complexo verbal destacado é
constituído por:
a. verbo auxiliar da passiva + verbo principal.
b. verbo auxiliar temporal + verbo principal.
c. verbo auxiliar aspetual + verbo principal.
d. verbo auxiliar dos tempos compostos + verbo principal.

8. Em “Haveriam de se desentender”, a palavra “se” é
a. uma conjunção subordinativa condicional.
b. uma conjunção subordinativa completiva.
c. um pronome pessoal reflexo.
d. um pronome pessoal recíproco.

9. Em “se o Guadiana foi já cenário [de] (…) disputas bélicas”, a palavra “se” é
a. uma conjunção subordinativa condicional.
b. uma conjunção subordinativa completiva.
c. um pronome pessoal reflexo.
d. um pronome pessoal recíproco.

10. Em “fez-se o casório em Caia”, a palavra “se” tem um valor
a. inerente.
b. passivo.
c. recíproco.
d. impessoal.


11. Atenta na frase “De facto, para se celebrar os casamentos, fizeram-se dois palácios em
madeira, em ambas as margens, concebidos pelos mais distintos arquitetos de cada
país.”. A oração sublinhada é
a. a oração subordinante.
b. subordinada adverbial concessiva.
c. subordinada adjetiva restritiva.
d. subordinada adverbial final.

12. De entre os enunciados que se seguem, assinala a alínea onde encontras uma oração
subordinada adverbial final.
a. “Sempre que os dois reinos decidiam algum desposório régio, certo e sabido que o porto
o ponto de encontro era na fronteira, perto da confluência entre o rio Caia e o
Guadiana.”
b. “Por regra, as comitivas de entrega e receção encontravam-se à beira deste rio e a infanta,
espanhola ou portuguesa, ficava então em posse do nobre que a levaria.”
c. “Com efeito, em vez de se enviar a infanta portuguesa para Madrid, de modo a casar com
o futuro rei espanhol Fernando VI, e receber em Lisboa a princesa”
d. “E com pompa e circunstância — além de muito dinheiro gasto.”

13. Na frase “Por regra, as comitivas de entrega e receção encontravam-se à beira deste
rio e a infanta, espanhola ou portuguesa, ficava então em posse do nobre que a
levaria.”, a oração destacada é
a. subordinada adverbial concessiva.
b. subordinada adjetiva restritiva.
c. subordinada substantiva completiva.
d. subordinada substantiva relativa sem antecedente.

14. Na mesma frase, temos três sujeitos. Assinala a opção certa.
a. O primeiro é composto e os outros simples.
b. Todos são sujeitos simples..
c. O primeiro é nulo subentendido, o segundo é nulo indeterminado e o último composto.
d. O primeiro é composto, o segundo é nulo expletivo e o terceiro é simples.

15. Em “Sempre que os dois reinos decidiam algum desposório régio, certo e sabido que o
ponto de encontro era na fronteira”, a oração destacada é
a. subordinada substantiva completiva.
b. subordinada substantiva relativa sem antecedente.
c. subordinada adjetiva relativa restritiva.
d. subordinada adjetiva relativa explicativa.

16. “de modo a casar com o futuro rei espanhol” - o verbo “casar” pede
a. um complemento direto.
b. um complemento oblíquo.
c. um complemento do nome.
d. um modificador do grupo verbal.

17. Qual é a função sintática exercida pelo grupo de palavras sublinhadas em “Haveriam
de se desentender e foram substituídos por um engenheiro militar português.”?
a. Complemento direto.
b. Sujeito.
c. Complemento oblíquo.
d. Complemento agente da passiva.

18. O conector “com efeito”, usado no texto, serve para
a. dar uma opinião.
b. confirmar uma ideia.
c. exemplificar.
d. indicar uma consequência.

19. Que outro conector, também usado neste texto, tem o mesmo valor que “com efeito”?
a. No caso de
b. Sempre que
c. de facto.
d. além de

20. Quanto à sua tipologia, este é um texto
a. argumentativo.
b. narrativo.
c. descritivo.
d. instrucional.

Soluções:

1.c 2.b 3.c 4.a 5.b 6.d 7.a 8.d 9.a 10.d
11.d 12.c 13.b 14.a 15.a 16.b 17.d 18.b 19.c 20.b
Figuras de Estilo:





Aliteração - repetição de sons consonânticos



Assonância - repetição de sons vocálicos



Anáfora - repetição de uma ou mais palavras em inicio de verso ou de período



Anástrofe - inversão da ordem natural das palavras



Assíndeto - não há conjunção a ligar as palavras seguidas. Não tem "e" e tem uma vírgula



Elipse - omissão de uma palavra que se subentende



Hipérbato - inversão violenta dos elementos da frase



Paralelismo - repetição do esquema de construção da frase ou verso



Pleonasmo - repetição de uma ideia já expressa



Polissíndeto - repetição dos elementos de ligação entre palavras



Quiasmo - estrutura cruzada de quatro elementos agrupados dois a dois



Alegoria - coisificação de um conceito abstrato



Animismo - atribuição de vida a seres inanimados



Antítese - contraste entre duas ideias ou coisas



Apóstrofe (invocação) - expressões em que nos dirigimos a alguém



Comparação – utilização de uma palavra comparativa entre duas coisas "como"



Disfemismo - dizer de forma violenta aquilo que poderia ser dito de uma forma mais suave



Eufemismo - dizer de uma forma suave uma ideia desagradável



Enumeração - apresentação dos termos por ordem progressiva



Hipálage – atribuição de uma qualidade a um ser, pertencente a outro. "As tias faziam meias
sonolentas"



Hipérbole - ênfase resultante do exagero



Imagem - recurso a aspetos sensoriais



Interrogação - questão retórica não visa uma resposta



Ironia - sugere o contrário do que se quer dizer



Metáfora - comparação de dois termos



Antonomásia - quando nos referimos a uma pessoa não através do seu nome mas através de
uma característica da pessoa



Metonímia - emprego de um vocábulo por outro "tomar um copo"



Paradoxo - um mesmo elemento produz efeitos opostos "fogo frio"



Perífrase - dizer por muitas palavras o que pode ser dito por poucas



Personificação - atribuição de qualidades ou comportamentos humanos a seres que o não são



Sinédoque - o todo pela parte ou vice-versa "ocidental praia lusitana"



Sinestesia - mistura de dois sentidos "delicioso aroma"