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FACULDADE METROPOLITANA

CURSO DE LETRAS PORTUGUÊS E LITERATURA
JOSÉ ANTÔNIO LEAL LEMOS
O CONTEXTO E OS IMPLÍCITOS NA PRODUÇÃO DE CARTUNS
DE ZIRALDO E MILLÔR FERNANDES
Porto Ve!o " RO
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JOSÉ ANTÔNIO LEAL LEMOS
O CONTEXTO E OS IMPLÍCITOS NA PRODUÇÃO DE CARTUNS
DE ZIRALDO E MILLÔR FERNANDES
Projeto de Pesquisa apresentado à Faculdade
Metropolitana como requisito parcial para obtenção do
grau de Licenciatura em Letras/Português e Literaturas.
Orientadora: Pro!. Me. Maria "n#sia $oares de $ou%a.
Porto Ve!o " RO
#$%&
SUM'RIO
%( INTRODUÇÃO((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((&
&.& '"M( " )"L*M*'(+,O.................................................................................-
&.. P/O0L"M(....................................................................................................-
#( O)JETIVOS((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((*
..& O01"'*2O 3"/(L.........................................................................................4
... O01"'*2O$ "$P"56F*5O$.........................................................................4
+( JUSTIFICATIVA((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((*
&( REVISÃO DA LITERATURA((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((*
*( METODOLOGIA(((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((%,
-( CRONOGRAMA(((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((#$
.( REFERÊNCIAS(((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((#%
%( INTRODUÇÃO
O surgimento do cartum tem uma data muito importante na 7ist8ria: &9-&.
:esse ano; uma re<ista inglesa c7amada Punc7 começou a publicar cartuns com
regularidade. (s pessoas gostaram e a ideia seguiu adiante. Os cartuns começaram;
então; a aparecer tamb=m em jornais; nas p>ginas reser<adas a coment>rios e
cr#ticas de acontecimentos que circula<am com muita rapide%.
:o 0rasil; o cartum tornou?se muito popular. O principal cartunista que
contribuiu para isso oi @iraldo
&
; com a re<ista Pererê; que aborda<a problemas
pol#ticos e sociais do 0rasil. Mas ele não oi o Anico. (ntes e depois de @iraldo
muitos desen7istas criaram cartuns para comentar situaçBes objeti<ando a conquista
do riso. Para se compreender um cartum = preciso de um pr=<io con7ecimento do
que se passa em nossa <olta; principalmente sobre pol#tica; cultura e celebridades.
O oco desta pesquisa = tratar o conteCto e os impl#citos que estão por tr>s
desse gênero teCtual escrito com linguagem <erbal e não <erbal; baseando?se em
pelo menos cinco cartuns de @iraldo e mais cinco do acer<o do eterno cartunista e
7umorista MillDr Fernandes
.
.
&.& '"M( " )"L*M*'(+,O
O objeto da pesquisa e de estudo são os cartuns; interessando?nos
compreender o conteCto e os impl#citos na produção de cartuns; a partir de cinco
peças produ%idas por @iraldo e MillDr Fernandes.
&.. P/O0L"M(
Por que estudar os impl#citos e o conteCto de produção de um teCtoE
/esponder a essa questão eCige que pensemos na condicional; dita por
Maingueneau F&GGHI: J$e a linguagem = um instrumento de comunicação; e ela
recorre com tanta constKncia ao impl#cito; maniestadamente est> <inculada a
princ#pios de economiaL. M esta economia que nos interessa e que nos instiga a
buscar deciração desses subentendidos; que contribuição tamb=m para a
compreensão do conteCto discursi<o.
1
@iraldo (l<es Pinto = um cartunista; c7argista; pintor; dramaturgo; caricaturista; escritor; cronista;
desen7ista; 7umorista; colunista e jornalista brasileiro.
2
MillDr Fernandes F&G.N?.O&.I oi um desen7ista; 7umorista; tradutor; escritor e dramaturgo
brasileiro.
#( O)JETIVOS
..& O01"'*2O 3"/(L
(nalisar cartuns; considerando o conteCto de sua produção.
... O01"'*2O$ "$P"56F*5O$
aI )escre<er o gênero cartum; seus aspectos 7ist8ricos e sociaisP
bI /econ7ecer a linguagem do gênero cartum; e seus principais temasP
cI (pontar 5aracteri%ar nos teCto escol7ido o conteCto de sua produçãoP
+( JUSTIFICATIVA
( pesquisa <isa compreender as regras que go<ernam os intercKmbios
discursi<os nos cartuns objetos de an>lise; captar boa parcela dos conteAdos
impl#citos em @iraldo e MillDr Fernandes; compreendendo ainda seu conteCto de
produção.
&( REVISÃO DA LITERATURA
Para se entender mel7or o signiicado da pala<ra cartum; Moretti no li<ro
JAprenda a desenhar cartuns” di%:
( pala<ra cartum <em do italiano cartone e signiica gabarito de
papelão para esboçar desen7os em murais. Para os ingleses; cartoon;
identiica<a cartão ou papelão duro. Cartoonist era o desen7ista de
carta%es; orma de anAncios retangulares ou quadrados impressos
num s8 lado de papel. Qualquer desen7o eito em papel duro era um
cartoon FMO/"''*; .O&.; p.&OI.
(inda no li<ro JAprenda a desenhar cartuns” somos ensinados sobre o conteCto
7ist8rico e surgimento desse gênero. O cartoon começou na *nglaterra quando o
pr#ncipe (lbert $aCe?3oburgo?3ota F&9&G?&9H&I oi nomeado presidente da 5omissão
/eal de 0elas (rtes. Para redecorar ao Pal>cio de Restminster ele c7amou <>rios
artistas e encomendou cartoons para os murais. :uma eCposição aberta ao pAblico;
em &9-N; os cartoons oram satiri%ados pelos <isitantesP e a re<ista semanal Punc7
F$ocoI não perdeu a oportunidade de acertar um direto no queiCo dos pol#ticos de
Restminster publicando sua <ersão parodiada dos cartoons; particularmente os de
1o7n Leec7. ( partir da# a pala<ra cartoon icou ligado as cenas cDmicas.
(qui :no 0rasil; os cartunistas s8 produ%em cartum; termo usado pela
primeira <e% por @iraldo em &GH-.
"ntende?se por cartum; segundo Moretti F.O&.I; como
... uma piada desen7ada que não se prende a =pocas; locais e seus
personagens são precisam ser permanentes. Podem ser objetos;
animais iguras 7umanas caricaturas e eCpressar pensamentos e
açBes em orma de cr#tica pol#tica ou de costumes; esporti<a; religiosa;
social. " di% ainda. O cartum t#pico tem personagens uni<ersais:
bruCas; <erdugos; caçadores; pescadores; astronautas; marcianos;
sogras; iguras recon7ecidas de imediato pela maioria das pessoas
FMO/"''*; .O&.; p. &&I.
Fa%er piada = uma tarea para poucos; considerando a sua caracter#stica com
marcas de 7umor e no caso espec#ico; piada com poucas pala<ras e com a
associação da linguagem não <erbal. )esen<ol<er um cartum; nesse sentido; requer
<isão ampla e poder de s#ntese. O cartum pode ser usado para ilustrar li<ros
did>ticos; artigos de jornais e; re<istas; capas de 5)s e )2)s; carta%es de anAncios;
displaSs; olders; transparências; camisetas; embalagens de jogos dentre outros.
"Cistem dois tipos de cartum: com legenda ? dentro de balBes ou na base do
desen7oP sem legenda ou mudo ou pantom#mico ? pode ser publicado e entendido em
quase todo lugar do mundo.
Para entender o cartum; = preciso acontecer a interação do leitor/receptor com
o conteCto do desen7o. Para que isso ocorra o autor ter> que recorrer a recursos da
linguagem na construção de sentido do cartum. )ispondo de elementos para deinir
sua real mensagem. O impl#cito est> diretamente ligado aos cartuns; pois o autor
utili%a estrat=gias como Jsinali%açãoL teCtual para junto com o leitor que; eCpressar>
seu con7ecimento pr=<io; ser> le<ado a recorrer ao conteCto sociocogniti<o; seus
con7ecimentos interteCtuais e outros recursos para a interpretação do cartum. 2isto
que:
:ão podem eCistir teCtos totalmente eCpl#citos; o produtor de um teCto
precisa proceder ao JbalanceamentoL do que necessita ser eCplicitado
teCtualmente e do que pode permanecer impl#cito; por ser recuper><el
<ia inerenciação a partir das marcas ou pistas que o locutor coloca no
teCto ou do que = suposto por este como con7ecimento partil7ando
com o interlocutor Fc. :Sstrand T Riemelr; &GG&P Marcusc7i; &GG-I.
:a <erdade; = este o grande segredo do locutor competente FUO5V;
.OO4; p. -.I.
Portanto; o autor procura <iabili%ar o seu Jprojeto de di%erL; recorrendo a uma
s=rie de estrat=gias de organi%ação teCtual e orientando o interlocutor; por meio de
sinali%açBes teCtuais para a construção dos sentidos. Pois 'odo enunciado =
linguisticamente descrit#<el como uma s=rie de pontos de deri<a poss#<el oerecendo
lugar a interpretação. "le = sempre suscet#<el de ser/tornar?se outro. )epende de
cada interpretação ou das mais <ariadas maneiras de se interpretar. $endo assim; o
lugar do outro enunciado = o lugar da interpretação; maniestação do inconsciente e
da ideologia na produção dos sentidos e na constituição dos sujeitos.
:os cartuns os sentidos e os sujeitos se constituem em processo em que 7>
transerências; jogos simb8licos dos quais não temos o controle e nos quais o
equi<oco W o trabal7o da ideologia e do inconsciente W estão largamente presentes.
Os sentidos dos cartuns podem ser ilustrados atra<=s da met>ora do iceberg:
como este; todo teCto possui apenas uma pequena super#cie
eCposta e uma imensa >rea imersa subjacentes. Para se c7egar às
prounde%as do impl#cito e dele eCtrair um sentido; a%?se necess>rio
o recurso aos <>rios sistemas de con7ecimento e a ati<ação de
processos e estrat=gias cogniti<as e interacionais FUO5V; .OO4; p.
NOI.
*mpl#citos e implicaturas se conundem. $egundo *lari e 3eraldi F&GGO; p. X4I;
consistem implicaturas; casos em que uma eCpressão; sem preju#%o de sentido;
assume signiicação real resultante da eCploração de inormaçBes e eCpectati<as dos
interlocutores engajados numa con<ersa espec#ica; o sentido que a eCpressão
assume então no conteCto de ala pouco ou nada tem a <er com o sentido que se
poderia esperar para a eCpressão a partir de pala<ras que a compBem.
Os autores entendem as implicaturas a partir das ideias do Fil8soo Paul 3rice
a prop8sito dos enDmenos con<ersacionais; que obedecem a uma l8gica pr8pria;
eCpressa por Jregras con<ersacionaisL; como Jseja bre<eL; Jrele<anteL ou tão
inormati<o quanto o eCigido no momento da con<ersação F*demI.
Os impl#citos; circunstancial ou con<encionalmente <eiculados na con<ersação
e muitas iguras de linguagem; podem ser analisados como implicaturas; que tamb=m
são entendidas como acarretamento e a deri<ação de um sentido passa
obrigatoriamente pelo conteCto con<ersacional.
:esse sentido; promo<er a especiicação das implicaturas con<=m estabelecer
uma comparação com as pressuposiçBes; percebendo uma importante dierença: o
conteAdo pressuposto; quando; por eCemplo; as implicaturas eCigem o con7ecimento
do conteCto da construção lingY#stica; j> as pressuposiçBes; o entendimento de
intençBes; são elas que contam.
( literatura encontra o impl#cito em dois n#<eis: na representação das
pala<ras dos personagens Ftanto no teatro quanto na narraçãoI; mas
tamb=m na comunicação que se estabelece entre obra e seu
destinat>rio FM(*:3Z":"(Z; &GGH; p. 9GI.
:o nosso caso; são as representaçBes de impl#citos nas representaçBes de
personagens dos cartuns de @iraldo e MillDr que nos interessam. 2ale di%er que:
( problem>tica do impl#cito abre para as leis do discurso para as
regras que go<ernam tacitamente os intercKmbios discursi<os.
(poiando?se nelas e na situação de enunciação; os co?enunciadores
conseguem captar uma boa parcela dos conteAdos impl#citos; no caso;
os /01e2te2343o/. "m compensação; o outro grande tipo de
conteAdos impl#citos; os 5re//05o/to/; inscre<e?se na estrutura do
enunciado; independentemente de seus conteCtos de emprego
FM(*:3Z":"(Z; &GGH; p. G&I [grio do autor\.
M na estrutura do enunciado dos teCtos que aparecem; de acordo com o
emprego da linguagem; subentendidos ou impl#citos; bem como outros princ#pios
semKnticos que; ainda que não seja o nosso principal interesse contribuirão para
percebermos mel7or o que pretendemos estudar; conorme podemos <eriicar no
cartum a seguir.
C6rt07 % ? 5onissão
Fo2te:7ttp://sintesenuaecrua.blogspot.com.br/.O&./ON/millor?ernandes?algumas?obras?dele.7tml
(qui subtendemos que 7> a ideia de julgamento; de que as contra<ençBes
cometidas W golpe da mandioca e o assassinato do procurador não sejam crimes; o
que implica di%er que 7> no cartum uma cr#tica às ormas jur#dicas no pa#s.
:este outro material; ica ainda mais >cil compreender tanto os impl#citos
como o conteCto de sua produção.
C6rt07 # ? /emodelo de mascotes do 5orint7ians; Mosqueteiro e Mosquetin7o
Fo2te: 7ttp://globoesporte.globo.com/"sportes/:oticias/'imes/5orint7ians
:esta amostra de @iraldo percebemos a correlação que ele a% da rase no
<idro traseiro do carro com a torcida Fiel do 5orint7ians; insinuando que )eus = um
dos torcedores do clube paulista. *sso nos le<a a recorrer a Maingueneau F&GGHI que
pergunta e ele mesmo responde.
Por que o impl#citoE
$e a linguagem = um instrumento de comunicação; pode surpreender
ela recorrer com tanta constKncia ao impl#cito. ( eCistência do
pressuposto est> maniestadamente <inculada a princ#pios de
economiaP a comunicação seria imposs#<el se não se propusesse
como adquirido um certo nAmero de inormaçBes a partir das quais =
poss#<el introdu%ir no<as. M para os subentendidos JintencionaisL; isto
=; para aqueles em que o enunciador pro<oca a deciração no co?
enunciador; que a resposta parece menos e<idente FM(*:3Z":"(Z;
&GGH; pp. GN?G-I.
$endo o cartum constitu#do por linguagens; ele = pass#<el de deciração pelo
leitor; a quem imitamos Maingueneau e di%emos ser um co?enunciador respons><el
pela leitura e pela compreensão dos subentendidos presentes no teCto.
V>; então; de uma maneira interessante certa abertura para que o co?
enunciador possa intererir; encontrar ideias; a%er pressuposiçBes; Jdes<endarL o
conteCto de produção e os impl#citos do teCto lido.
Por alar em pressuposição; mais uma <e% recorremos a Maingueneau F&GGHI
que di% ser uma esp=cie de intererência. 2ejamos a seguir o que di% o autor:
( deinição de pressuposto como uma intererência inscrita no
enunciado independentemente da <ariedade de seus e<entuais
conteCtos enunciati<os supBe que seja eita uma distinção entre dois
n#<eis de conteAdo de um enunciado:
? um n#<el de primeiro plano; que corresponde ao que se reere o
enunciado: o 5o/toP
? Pressupor = iniciar intererência no teCto; = atribuir sentido; =
perceber o que 7> de 8b<io e o que não = ou est> posto
eCpressamente; mas implicitamente. um n#<el no plano de undo;
sobre o qual se ap8ia o posto: o 5re//05o/to FM(*:3Z":"(Z;
&GGH; p. G4I [grio do autor\.
"sse pressuposto estudado por Maingueneau F&GGHI pode; em outras pala<ras; a
abertura de intererência de leitor sobre o escrito.
Os sentidos e os sujeitos se constituem em processo em que 7>
transerências; jogos simb8licos dos quais não temos o controle e
nos quais o equ#<oco W o trabal7o da ideologia e do inconsciente W
estão largamente presentes FO/L(:)*; .OOO; p. HOI.
(s transerências são de possibilidades inAmeras; não 7> controle nem
ronteiras. )epende do con7ecimento de mundo do leitor; da relação que ele ten7a
com a leitura e com o uni<erso de inormaçBes sobre o que o rodeia.
O teCto de MillDr Fernandes que se segue pode representar o que estamos
di%endo; ainda que não traga linguagem <erbal. Podemos começar conteCtuali%ando
a imagem W linguagem não <erbal com as enc7entes em di<ersos lugares do 0rasil;
especialmente em in#cio de ano; quando as grandes cidades; aqui lembramos /io de
1aneiro e $ão Paulo que são acometidas pela Aria da nature%a. ( imagem representa
as possibilidades de transerências de sentido.
C6rt07 + W "nc7ente
Fo2te:7ttp://]]].jb.com.br/otos?e?<ideos/galeria/.O&./ON/.9/<eja?desen7os?e?teCtos?de?millor?ernandes?no?jornal?do?brasil/
:aturalmente que a interpretação assume n#<eis. O que est> posto
teCtualmente tra% um certo JdeiCar?seL manipular; um certo tom de manipulação pelo
leitor; que; no caso; pode ser c7amado de des<elador de signiicados.
)ependendo se são colocados em um outro n#<el; os conteAdos não
recebem absolutamente o mesmo estatuto interpretati<o. $e os postos
são apresentados como aquilo ao que se reere a enunciação e
portanto submetidos a uma contestação e<entual; os pressupostos
lembram de maneira lateral elementos cuja eCistência = apresentada
como 8b<ia. "ssa dissimetria = capital; permite ocali%ar a atenção
sobre o posto e Ja%er passarL discretamente o pressuposto. )ecerto
os pressupostos são necessariamente utili%ados para inalidades
manipuladoras; mas = ineg><el que oerecem essa possibilidade
FM(*:3Z":"(Z; &GGH; p. G4I.
M o jogo de comunicação elementar para operar os sentidos e completar o
esquema comunicati<o. "squema esse que tra% o discurso; o dito e o interpret><el;
semanticamente.
( inormação semKntica contida no teCto distribui?se; como se sabe;
em Fpelo menosI dois grandes blocos: o dado e o novo; cuja
disposição e dosagem intererem na construção do sentido. (
airmação dada W a aquela que se encontra no 7ori%onte de
consciência dos interlocutores Fc. 57ae; &G9XI W tem por unção
estabelecer os pontos de ancoragem para o aporte da inormação
no<a FUO5V; .OO4; p..9I
Zm teCto se constitui enquanto tal no momento em que os agentes de uma
ati<idade comunicati<a global; diante de uma maniestação lingu#stica; pela atuação
conjunta de uma compleCa rede de atores de ordem situacional; cogniti<a;
sociocultural e interacional; são capa%es de construir; para ela; determinado sentido.
2ejamos como @iraldo trabal7a essa situação no teCto abaiCo.
C6rt07 & W ( con<ersa
Fo2te8 7ttp://espacoculturalcidadedoli<ro.blogspot.com.br/
"ste cartum oi dedicado ao jornalista; contista; no<elista; romancista e
ensa#sta; Or#genes Lessa F&GON W &G9HI com reerência a Lenç8is Paulista sua cidade
natal; Lessa = <isto como um dos nomes consagrados na literatura ju<enil brasileira.
Ocupando "m G de jul7o de &G9& a 5adeira nAmero &O da (cademia 0rasileira de
Letras.
$8 = poss#<el a interação com o teCto ap8s um con7ecimento pr=<io dos
atores que o mesmo aborda; no caso acima; oi tratada a morte de Or#genes.
$eguindo na lin7a de pensamento podemos <er que a cidade natal oi preser<ada;
nos le<ando a acreditar na importKncia do escritor para a cidade paulista. (pesar do
mesmo ter alecido no /io de 1aneiro aos 9N anos.
2ejamos mais um material de MillDr Fernandes:
C6rt07 * ? 5ensura
Fo2te: 7ttp://ga%etaonline.globo.com/^conteudo/.O&./ON/noticias/a^ga%eta/dia^a^dia/&&HG&G9?millor?outro?genio?se?<ai.7tml
MillDr como bom cr#tico que era; utili%a<a?se da linguagem at= em momentos
mais di#ceis da 7ist8ria. Fundando em &GHG em parceria com <>rios jornalistas
brasileiros. O Pasquim; um seman>rio alternati<o brasileiro; de caracter#stica
paradoCal; te<e ediçBes entre .H de jun7o de &GHG e && de no<embro de &GG&. Zma
das inalidades do jornal era o uso do 7umor inteligente na eCposição de <isBes.
'udo isso nas entrelin7as. /eunir releCBes; posicionar pontos de <ista; propor
soluçBes; juntar denAncias; oposição ao regime militar; e claro; rir da pr8pria
desgraça.
5om esse conteCto do regime militar; onde qualquer eCpressão de cun7o
jornal#stico contra o sistema era censurada; MillDr nos deiCa claro que o sentido de
um teCto est> alem do que somos capa%es de enCergar.
@iraldo n8s d> mais eCemplos das poss#<eis ormas de trabal7ar as pala<ras e
as imagens como orma de protesto.
C6rt07 - ? /elorestamento
Fo2te: 7ttp://_leitongoncal<es.blogspot.com.br/.O&./O-/<ida?moderna.7tml
"m &GX.; @iraldo j> a%ia 7umor com a oligorenia
N
do relorestamento; onde
>r<ores nati<as são derrubadas para dar lugar às mudas de eucalipto. "nim;
eCigências do consumo cada <e% mais desenreado.
2ejamos a seguinte eCplicação.
O sentido de um teCto =; portanto; construído na interação teCtos?
sujeito Fou teCto?co?enunciadoresI e não algo que preeCista a essa
interação. 'amb=m a coerência deiCa de ser <ista como mera
propriedade ou qualidade de teCto passando a di%er respeito ao modo
como os elementos presentes na super#cie teCtual FUO5V; .OO4;
p.&XI.
MillDr <ai trabal7ar no cartum X com um mal que <em assolando a nação e
gan7ando cada <e% mais adeptos na pol#tica brasileira. ( corrupção; esse mal
enrai%ado na gama pol#tica tem causado problemas em <>rios setores na sociedade.
MillDr; como bom cr#tico que era; não deiCou de cutucar os pol#ticos que go<ernam o
pa#s. )eiCando?nos essa amostra como superaturamento de ser<iço pAblico. :o
di>logo entre os personagens ica claro a ideia de querer eCtrair pri<il=gios em cima
de obras pAblica.
O conteCto que temos no quadro = de >cil percepção; porem temos todo um
jogo l8gico de linguagens de eCpressBes para c7egar na compreensão que
conseguimos absor<er. "ssa organi%ação = mencionada por Uoc7 F.OO4I; que nos
ensina da seguinte maneira.
&. O produtor/planejados; que procura <iabili%ar o seu Jprojeto de
di%erL; recorrendo a uma s=rie de estrat=gias de organi%ação
teCtual e orientando o interlocutor; por meio de sinali%açBes
teCtuais Find#cios; marcas; pistasI para a construção dos
Fposs#<eisI sentidos:
.. O teCto organi%ado estrategicamente de dada orma; em
decorrência das escol7as eitas pelo produtor entre as di<ersas
possibilidades de ormulação que a l#ngua l7e oerece; de tal sorte
que ele estabelece limites quando às leituras poss#<eis:
N. O leitor/ou<inte; que; a partir do modo como o teCto se encontra
linguisticamente constru#do; das sinali%açBes que l7e oerece;
bem como pela mobili%ação do conteCto rele<ante à interpretação;
<ai proceder à construção dos sentidos FUO5V; .OO4; p.&GI.
C6rt07 . W )i>logo .
3
)oença que pro<oca o retardo no desen<ol<imento mental de um indi<#duo(
Fo2te:7ttp://]]].jb.com.br/otos?e?<ideos/galeria/.O&./ON/.9/<eja?desen7os?e?teCtos?de?millor?ernandes?no?jornal?do?brasil/
5amin7ando pelos sentidos do teCto; obser<emos a pr8Cima imagem que nos
mostrar uma con<ersar na mesa de um bar. (o ol7a o teCto que est> numa
linguagem não <erbal; temos N personagens; sendo que em .; oi desen7ado
c7uteiras de utebol no lugar do rosto; tomemos como somati<a na an>lise; a paiCão
do po<o brasileiro pelo utebol. )iante do que j> temos na imagem e no nosso
con7ecimento s8cio?cultural; @iraldo nos le<a a pensa que em mesas de bar; o
assunto com maior decorrência; são times de utebol; jogadores.
C6rt07 9 W 5on<ersa no botequim
Fo2te: 7ttp://tulipio.uol.com.br/menulateral^cartumcon<idado.7tm
0art7es F.OO.I não economi%a pala<ras para demonstra alguns sentimentos
quando est> diante de um teCto.
O teCto = um objeto etic7e e esse etic7e me deseja. O teCto me
escol7e; atra<=s de toda uma disposição de telas in<is#<eis; de
c7icanas seleti<as: o <ocabul>rio; as reerências; a legibilidade; etcP
e; perdido no meio do teCto Fnão atr>s dele ao modo de um deus
quinariaI 7> sempre o outro; o autor F0(/'V"$; .OO.; p. N9I
( pr8Cima obra não tem um tom 7umor#stico; oi eita pelo pr8prio MillDr pouco
tempo antes de sua morte; ainda quando se encontra<a enermo. MillDr aleceu em .X
de março de .O&.; deiCando um legado para <>rias geraçBes.
C6rt07 , W O tAnel
Fo2te: 7ttps://]]].google.com.br/searc7Eq`cartunsadeaMilloraFernandesTtbm
2ejamos como @iraldo trabal7ou o impl#cito de maneira mais aproundada.
C6rt07 %$ ? )ilma no Poder
Fo2te:7ttp://casa%iraldodecultura.blogspot.com.br/.O&O/&&/c7arge?%iraldo?dilma?no?poder.7tml
"m N& de outubro de .O&O a candidata pelo partido dos trabal7adores FP'I.
)ilma 2ana /ousse <enceu o segundo turno; tornando?se a primeira mul7er a ser
eleita para o posto de c7ee de "stado e de go<erno; em toda a 7ist8ria do 0rasil.
( eCpressão WJela <ai icar um c7arme com a aiCa presidencialL a% com que
pensamos na seguinte pergunta: ( presidente eleita )ilma /ousse oi s8 uma
manobra pol#tica para que o antigo presidente pudesse continuar no comando da
situação por de tr>s das cKmerasE $omamos então o detal7e da aiCa est> na
cintura; seria @iraldo nos mostrando que a mul7er ainda = <ista na sociedade como
um sujeito que não tem con7ecimento de pol#tica; = que o po<o e% uma escol7a
erradaE
2imos então como o gênero cartum = aberto a debates; não = algo preso e
parado no espaço; as discussBes que se eCtraem podem ser amplas; e pass#<eis de
releCBes. Orlandi F.OOOI nos reorça esse argumento quando di% J(o ol7ar os
teCtos; o analista deronta?se com a necessidade de recon7ecer; em sua
materialidade discursi<a; os ind#cios F<est#gios; pistasI dos processos de signiicação
ai inscritosL.
*( METODOLOGIA
Para an>lise do conteCto e dos impl#citos utili%ar?se?a a orientação de teorias
da semKntica; da estil#stica e da semi8tica. "ntender os impl#citos; circunstancial ou
con<encionalmente <eiculados nos cartuns de @iraldo e de MillDr Fernandes passa
obrigatoriamente pelo conteCto con<ersacional; o que ser> estudado a partir do que
<em antes e depois da produção teCtual; pela promoção das implicaturas; às quais
serão comparadas a partir de pressuposiçBes de leitura e pelo entendimento de
intençBes autorais.
-( CRONOGRAMA
ETAPAS
JA
N:#$%&
FE
V:#$%&
MA
R:#$%&
A)
R:#$%&
MA
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JU
N:#$%&
Le;62t67e2to 1414o<r=>4?o
F4?!67e2to 3e te@to/
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A3o?07e2to/:B0r4/5r03C2?46 et?(D
A2=4/e 36/ >o2te/
Re36EFo 3o tr616!o
Re;4/Fo:e2tre<6:3e>e/6
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