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LEGISLAÇÃO MINERAL
Aluno(a):
Belo Horizonte
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1 NOÇÕES GERAIS – A MINERAÇÃO NO BRASIL
1.1 Regulação
No Brasil, a mineração é regulada basicamente pela Constituição Federal e o
Código de Mineração.
A Constituição, que é a Lei Maior de um Estado, assegura que todos os recursos
minerais do solo e do subsolo pertencem ao Governo Federal, cabendo a ele a
pesquisa e a lavra. Há permissão, contudo, de con!aação co" e"#!e$a$
#!%&a'a$ #a!a %$o( "e'%ane auo!%)ação, se empresa brasileira. E"#!e$a$
e$!ange%!a$ *ue #!een'e" la&!a! no B!a$%l nece$$a!%a"ene 'e&e" $e!
con$%u+'a$ no&a"ene no ,a+$ e e! a*u% $e'e e a'"%n%$!ação.
Hoje em dia, discute-se muito acerca do papel do Governo Federal na mineração,
sobretudo na questão dos royalties do petróleo, com a descoberta da camada Pré-
sal. Ro-al%e$ . u"a co"#en$ação #elo u$o 'e u" '%!e%o e( a e"#!e$a 'e
"%ne!ação *ue e/!a% o #e!0leo( g1$ nau!al e 'e"a%$ 2%'!oca!3oneo$ 'e&e
#aga! o$ !o-al%e$. A alíquota será de 15% da produção e deve ser pago
mensalmente.
O valor arrecadado, de acordo com a an%ga legislação (12.351/2010), era dividido
da seguinte forma:
• 40% para o Governo Federal;
• 22,5% para o Estado em que é efetuada a lavra;
• 30% para o Município em que é efetuada a lavra
• 7,5% para os demais Estados do Brasil.

No entanto, em razão de os Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo discordar da
proposta de divisão igual para todos os Estados, pois perderá significativa fonte de
renda proveniente das empresas de mineração, isto porque recebem mais de 170
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milhões de reais anualmente somente dos royalties, o Congresso Nacional foi
provocado a elaborar nova legislação, a fim de colocar termo às questões debatidas.
Tal discussão veio à tona principalmente porque foi descoberta a camada pré-sal,
presente no litoral do Espírito Santo a Santa Catarina. Os royalties pagos pela
exploração de jazidas neste local serão destinados à pesquisa e incentivo para o
desenvolvimento tecnológico e científico do Norte e Nordeste, que autorizou também
a PETROBRAS a pesquisar e lavrar petróleo, gás natural e hidrocarbonetos fluídos,
sem licitação, em áreas não concedidas no pré-sal, ou seja, restando áreas em que
nenhuma empresa desejou pesquisar, a PETROBRAS poderá fazê-la
1
. O governo
brasileiro pretende criar uma empresa estatal, a PETROSAL, para administrar a área
do pré-sal, já que diversos campos já foram descobertos.
Desta forma, 30/11/2012, foi alterada tal Legislação, sendo publicada a Lei
12.734/2012, garantindo a seguinte distribuição:
Art. 42-B. Os royalties devidos em função da produção de petróleo, de gás
natural e de outros hidrocarbonetos fluidos sob o regime de partilha de produção
serão distribuídos da seguinte forma:
Ì - quando a produção ocorrer em terra, rios, lagos, ilhas lacustres ou
fluviais:
a) 20% (vinte por cento) para os E$a'o$ ou o 4%$!%o 5e'e!al, se for o
caso, #!o'uo!e$;
b) 10% (dez por cento) para os Mun%c+#%o$ #!o'uo!e$;
c) 5% (cinco por cento) para o$ Mun%c+#%o$ a6ea'o$ #o! o#e!aç7e$ 'e
e"3a!*ue e 'e$e"3a!*ue 'e #e!0leo( g1$ nau!al e ou!o 2%'!oca!3oneo
6lu%'o( na 6o!"a e c!%.!%o$ e$a3elec%'o$ #ela Ag8nc%a Nac%onal 'o ,e!0leo(
G1$ Nau!al e B%oco"3u$+&e%$ (AN,);
1
Ver a respectiva Lei no anexo.
3
d) 25% (vinte e cinco por cento) #a!a con$%u%ção 'e 6un'o e$#ec%al( a
$e! '%$!%3u+'o en!e E$a'o$ e o 4%$!%o 5e'e!al, se for o caso, de acordo
com os seguintes critérios:
2. o rateio dos recursos do fundo especial obedecerá às mesmas regras do
rateio do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE), de que
trata o art. 159 da Constituição;
e) 25% (vinte e cinco por cento) #a!a con$%u%ção 'e 6un'o e$#ec%al( a
$e! '%$!%3u+'o en!e o$ Mun%c+#%o$ de acordo com os seguintes critérios:
2. o rateio dos recursos do fundo especial obedecerá às mesmas regras do
rateio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), de que trata o art. 159 da
Constituição;
f) 15% (quinze por cento) para a União, a ser destinado ao Fundo Social,
instituído por esta Lei, deduzidas as parcelas destinadas aos órgãos específicos
da Administração Direta da União, nos termos do regulamento do Poder
Executivo;
ÌÌ - *uan'o a #!o'ução oco!!e! na #laa6o!"a con%nenal
9
( no "a!
e!!%o!%al
:
ou na )ona econ;"%ca e/clu$%&a
<
:
a) 22% (vinte e dois por cento) para os E$a'o$ con6!onane$;
b) 5% (cinco por cento) para os Mun%c+#%o$ con6!onane$;
c) 2% (dois por cento) para os Mun%c+#%o$ a6ea'o$ #o! o#e!aç7e$ 'e
e"3a!*ue e 'e$e"3a!*ue 'e #e!0leo( g1$ nau!al e ou!o 2%'!oca!3oneo
6lu%'o( na 6o!"a e c!%.!%o$ e$a3elec%'o$ #ela AN,;
2
A plataforma continental é a parte do fundo do mar que começa na linha da costa e desce até uma
profundidade de 200 metros.
3
Ma! e!!%o!%al é uma faixa de águas costeiras que alcança 12 milhas náuticas (22 quilômetros) a
partir do litoral de um Estado que são consideradas parte do território soberano daquele Estado.
4
É o espaço marítimo para além das suas águas nacionais para as quais tem prerrogativas na
utilização de recursos, A ZEE do Brasil é de 3 660 955 km²,
4
d) 24,5% (vinte e quatro inteiros e cinco décimos por cento) #a!a
con$%u%ção 'e 6un'o e$#ec%al( a $e! '%$!%3u+'o en!e E$a'o$ e o 4%$!%o
5e'e!al( $e 6o! o ca$o, de acordo com os seguintes critérios:
2. o rateio dos recursos do fundo especial obedecerá às mesmas regras do
rateio do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE), de que
trata o art. 159 da Constituição;
e) 24,5% (vinte e quatro inteiros e cinco décimos por cento) para constituição
de fundo especial, a ser distribuído entre os Mun%c+#%o$ de acordo com os
seguintes critérios:
2. o rateio dos recursos do fundo especial obedecerá às mesmas regras do
rateio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), de que trata o art. 159 da
Constituição;
f) 22% (vinte e dois por cento) para a =n%ão, a ser destinado ao 5un'o
Soc%al, instituído por esta Lei, deduzidas as parcelas destinadas aos órgãos
específicos da Administração Direta da União, nos termos do regulamento do
Poder Executivo.
Os contratos assinados antes da vigência da atual Legislação seguirão a distribuição
passada e, somente de a publicação da nova Lei é que a atual distribuição será
respeitada.
A Constituição prevê, também, que a exploração de recursos minerais tem por
consequência a recuperação da área degradada, além de, obrigatoriamente, ser
pagos tributos sobre a atividade desenvolvida. A$$%"( $e"#!e *ue 2ou&e! a
!e%!a'a 'e !ecu!$o$ "%ne!al( 'e&e $e! #aga >o"#en$ação 5%nance%!a #ela
E/#lo!ação 'e Recu!$o$ M%ne!a%$ (>5EM), além dos royalties, que é calculada
sobre o valor do recurso mineral extraído.
Do valor arrecadado, 12% são destinados ao Governo Federal, 23% ao Estado e
65% ao Município.
5
A mineração em 1!ea %n'+gena é permitida, sendo que a Constituição admite, mas o
>ong!e$$o Nac%onal 'e&e $e! ou&%'o( al." 'a #o#ulação a6ea'a( *ue e"
'%!e%o a !ece3e! #a!e 'o !e$ula'o 'a la&!a e #ela ocu#ação 'o $olo. Ne$a$
1!ea$( o ga!%"#o $o"ene #o'e $e! !eal%)a'o #o! +n'%o$.
O Código de Mineração, em seu art. 6º, que representa o aspecto prático da
Legislação Mineral, admite a existência de dois tipos de minas:
a) Manifestada: É aquela que, descoberta até 1934 e devidamente registrada,
pode ser explorada sem prévia permissão do Governo Federal, sendo de
propriedade do dono do solo.
b) Concedida: É o regime atual, que depende de autorização do Governo
Federal para a pesquisa e lavra.
Fazem parte da mina todas as construções, máquinas, aparelhos e instrumentos
destinados à mineração e ao beneficiamento do produto da lavra, desde que este
seja realizado na área de concessão da mina, os veículos.
Ainda, as servidões fazem parte da mina. Servidão é a utilização de propriedade
alheia pela empresa de mineração. Assim, caso a mina se localize em área cuja
entrada seja difícil e a do vizinho seja mais fácil, tal entrada fará parte da mina.
Entretanto, a nossa Legislação também prevê que aquelas pessoas que sofrem com
a servidão deverão ser indenizadas, ou seja, no caso, o vizinho deverá receber uma
indenização pelos danos ou prejuízos causados.
1.9 ?%#o$ 'e Reg%"e
O Código de Mineração trouxe, também, regimes para a exploração de recursos
minerais. São eles:

• De aplicação ampla:
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Regime de Autorização: fase de pesquisa mineral, que antecede a fase de
lavra.
Regime de Concessão: efetiva lavra da mina
• De aplicação restrita:
Regime de Permissão de Lavra Garimpeira: aproveitamento de recursos sem
prévia pesquisa.
Regime de Registro: aproveitamento de recursos sem prévia pesquisa.
O art. 2º diz, também, a existência do Regime de Monopolização. O Mono#0l%o
constituía na pesquisa e exploração e/clu$%&a somente por parte do Governo
Federal, por meio de empresas estatais. Antes da Constituição de 1988,
determinados recursos minerais, como o petróleo e os minerais nucleares seriam
monopólios da União. Ocorre, contudo, que o petróleo não mais faz parte do Regime
de aplicação ampla, restando os minerais nucleares ao Monopólio da União.
Tal situação se justifica em razão do risco causado à população caso os mesmos
não sejam aproveitados corretamente ou "caírem em mãos erradas¨.
9 @RGÃOS
9.1 M%n%$.!%o 'e M%na$ e Ene!g%a (MME): É o órgão do Poder Executivo Federal
responsável pela coordenação e formulação da política mineral brasileira. É
responsável, também, pelas empresas públicas que executam tal política e
administram os recursos minerais, além de regulamentar e fiscalizar o consumo e
comércio.
9.9 4e#a!a"eno Nac%onal 'e ,!o'ução M%ne!al (4N,M): É uma autarquia do
MME que planeja e incentiva o aproveitamento dos recursos minerais, além de
controlar e fiscalizar a mineração e, em especial:
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• Conceder e fiscalizar a pesquisa mineral, a lavra e beneficiamento, por meio
de vistorias e fazer autuações, em caso de infração;
• Elaborar normas para a fiscalização, higiene e segurança das atividades de
mineração;
• Manter os dados geológicos dos depósitos minerais para a elaboração de
textos e mapas geológicos;
• Estabelecer áreas para o garimpo.
9.: Sec!ea!%a 'e E$a'o 'e Me%o A"3%ene e 4e$en&ol&%"eno Su$en1&el
(SEMA4): Formula e coordena a política Estadual do Meio Ambiente, buscando o
desenvolvimento sustentável do Estado. Atua especificamente em:
• Supervisão de planos e programas de preservação ambiental, conservação e
uso sustentável dos recursos minerais;
• Planejamento e organização das atividades de controle e fiscalização e
combate à poluição
• Expedir Licenças Ambientais, obrigatórias quando a atividade causar efetiva
ou potencialmente degradação ao meio ambiente. São elas:
a) L%cença ,!.&%a: Concedida na fase de planejamento da atividade de lavra,
aprova a localização, sendo necessária a apresentação de:
> Plano de Aproveitamento Econômico (PAE): Relatório que faz a análise da
viabilidade econômica da lavra;
> Plano de Recuperação da Área Degradada (PRAD): É a solução apontada
como adequada pela empresa de mineração que tem por objetivo reabilitar o
solo degradado pela atividade;
> Estudo e Relatório de Ìmpacto Ambiental (EÌA/RÌMA): O EÌA é uma análise
técnica dos efeitos que a atividade causa ao meio ambiente, enquanto o
RÌMA torna claro aquele documento, já que deve ser tornado público para que
qualquer interessado tenha acesso ao projeto.
8
b) L%cença 'e In$alação: Autoriza a instalação da atividade, como as
máquinas e equipamentos.
c) L%cença 'e O#e!ação: Autoriza a realização da atividade, ou seja, a lavra.
9.< >on$el2o 'e ,ol+%ca A"3%enal (>O,AM): É o órgão responsável pela
formulação e execução da política ambiental, de caráter preservacionista e
fiscalização das normas.
9.A 5un'ação E$a'ual 'o Me%o A"3%ene (5EAM): Propõe e executa políticas de
prevenção, proteção e correção da poluição ou degradação ambiental causada pela
mineração, desenvolvendo pesquisas, além de fiscalizar o cumprimento da Lei.
9.B >on$el2o 'e 4e6e$a 'o Me%o A"3%ene (>O4EMA): É o órgão municipal
responsável pela fiscalização e execução da legislação mineral.
9.C In$%uo M%ne%!o 'e Ge$ão 'a$ Dgua$ (IGAM): Tem por finalidade
desestimular o desperdício de água, buscando a disponibilidade de tal recurso às
áreas mais necessitadas, nas quais ocorrem secas.
: ?I,OS 4E REGIMES
:.1 Auo!%)ação 'e ,e$*u%$a: Quando o minerador desejar efetuar a lavra de
determinado recurso mineral, deve, entretanto, fazer um Pedido de Pesquisa ao
DNPM.
Se necessário, pode ser efetuado Reconhecimento Geológico do local, antes da
pesquisa, para que sejam levantados dados, sendo que o pedido é feito ao DNPM e
terminado em até 90 dias.
9
A ,e$*u%$a M%ne!al e" #o! o3Ee%&o e/ecua! o$ !a3al2o$ nece$$1!%o$ #a!a
'e6%n%! o 'e#0$%o "%ne!al( a&al%a! e 'ee!"%na! a #o$$%3%l%'a'e 'e
a#!o&e%a"eno econ;"%co.
Qualquer pessoa física ou jurídica pode fazê-la, desde que apresente:
• Requerimento padrão do DNPM devidamente preenchido (com qualificação.
CPF ou CNPJ, domicílio, nacionalidade, área da pesquisa);
• Prova de pagamento das taxas;
• Planta e memorial descritivo da área;
• Orçamento e cronograma
• Anotação de Responsabilidade Técnica preenchida pelo Engenheiro
responsável.
A área pretendida deve estar disponível, ou seja, nenhuma outra pessoa física ou
jurídica deve ter elaborado o pedido de Pesquisa Mineral. O Código trata da
possibilidade de direito de prioridade da área, no art. 11, preceituando que, caso o
requerimento seja apresentado ao DNPM, mesmo não analisado ainda, a área já se
encontra reservada àquela pessoa que apresentou o pedido.
O local em se desenvolverá a Pesquisa poderá ser de propriedade da empresa ou
de terceiro. Caso a propriedade seja particular, a empresa deverá pagar ao
proprietário do solo um valor sobre a ocupação, denominado renda (aluguel) e ainda
uma indenização pelos prejuízos causados (art. 16, § 2 e art. 27º).
O aluguel será proporcional à área ocupada e, a princípio, os danos serão custeados
com base no valor venal do imóvel, aquele que serve como base do ÌPTU, exceto se
os mesmo inutilizarem a área para fins agrícolas e pastoris.
Caso o titular do Alvará de Pesquisa até a data de publicação do Alvará não juntar
prova com o de acordo com os proprietários ou posseiros do solo acerca da renda e
indenização, o Diretor-Geral do DNPM enviará ao Juiz da Comarca a cópia do
Alvará para que os vizinhos sejam notificados para comparecerem e se
manifestarem e a fim de evitar invasão de área. No prazo de 15 dias, contados a
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partir da data do recebimento dessa comunicação, o Juiz mandará proceder à
avaliação da renda e dos danos e prejuízos.
Deve, ainda, ser paga a Taxa Anual por Hectare (TAH) até o final dos trabalhos de
pesquisa, cujo valor é alterado periodicamente, sendo que o não pagamento poderá
acarretar na aplicação de multa ou no cancelamento do Alvará de Pesquisa.
Com todos os documentos apresentados, o Diretor-Geral do DNPM concederá o
Al&a!1 'e ,e$*u%$a, e, e com isto, surgem as seguintes obrigações:
a) Ìniciar a pesquisa em até 60 dias;
b) Não interromper os trabalhos injustificadamente por mais de três meses
consecutivos ou 120 dias descontínuos;
c) Pagar a taxa anual por hectare;
d) Custear as visitas realizadas pelo DNPM.
O Alvará poderá ser transmitido, gratuita ou onerosamente, a qualquer pessoa física
ou jurídica, desde que comunicado ao DNPM e perderá a eficácia se:
a) Abandonar a pesquisa;
b) A pesquisa não for iniciada ou fazê-la de forma diversa ao que foi concedida;
c) Não for efetuado o pagamento da taxa anual por hectare.
Ao final da pesquisa, deve ser apresentado Relatório de Pesquisa ao DNPM, que
descreve tudo aquilo que foi efetuado durante os trabalhos, que pode ser:
a) Aprovado, se verificada a existência de jazida passível de exploração;
b) Não aprovado, se a pesquisa realizada for insuficiente ou deficitária;
c) Arquivado, quando verificada a inexistência de jazida
d) Suspensa a decisão sobre o Relatório de Pesquisa, se ocorrer a impossibilidade
temporária da lavra.
Aprovado o Relatório, haverá publicação no Diário Oficial da União e o interessado
terá até 01 ano para requerer a Concessão de Lavra ao MME.
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:.9 Reg%"e 'e >once$$ão 'e La&!a
O requerimento é dirigido ao Ministério de Minas e Energia, pelo titular da
Autorização de Pesquisa, sendo que, neste regime, $o"ene #e$$oa$ Eu!+'%ca$
podem pedi-lo.
A lavra é entendida como o conjunto de operações coordenadas objetivando o
aproveitamento industrial da jazida, desde a extração das substâncias minerais úteis
que contiver, até o beneficiamento das mesmas, quando, então, será obtido o
mineral útil para a comercialização (art. 36).
A prioridade da área, geralmente, é de quem efetuou a pesquisa e cujo Relatório foi
aprovado, entretanto, outra empresa poderá apresentar o pedido para requerer a
lavra e, quando mais de uma o fizer, serão analisados os requerimentos
protocolizados dentro do prazo, definindo-se, dentre estes como #!%o!%1!%o$ o
#!een'ene( *ue a Eu+)o 'o 4N,M( melhor atender aos interesses específicos do
setor minerário, ou seja, aquela empresa que detiver maior capital, melhor estrutura
para a atividade, como máquinas e equipamentos, etc.
O pedido deve ser acompanhado por:
• Certidão de Registro no CNPJ;
• Designação da substância a lavrar;
• Aprovação do Relatório de Pesquisa;
• PAE
• Prova da disponibilidade de fundos
Pode ocorrer que, durante o planejamento da lavra, seja verificado que a mesma
seja considerada prejudicial ao bem público ou comprometer interesses que
superem a utilidade da exploração industrial, a juízo do Governo. Neste último caso,
o pesquisador terá direito de receber do Governo a %n'en%)ação 'a$ 'e$#e$a$
6e%a$ co" o$ !a3al2o$ 'e #e$*u%$a( u"a &e) *ue 2aEa $%'o a#!o&a'o o
Rela0!%o (art. 42).
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O MME irá analisar os documentos que, se apresentados corretamente, é outorgada
a Portaria de Lavra, surgindo as seguintes obrigações:
• Requerer ao DNPM a posse da jazida em até 90 dias e iniciar os trabalhos
em até 6 meses;
• Não interromper a lavra por mais de 6 meses;
• Não suspender a lavra sem prévia comunicação ao DNPM;
• Extrair somente a substância determinada;
• Promover a segurança e salubridade;
• Responder por danos e prejuízos causados;
• Pagar a participação do proprietário do solo correspondente a 50% da CFEM
• Recuperar a área degradada,
A Portaria de Lavra poderá ser transmitida, gratuita ou onerosamente.
Durante a fase de Pesquisa e de Lavra o DNPM irá realizar visitas periódicas para
verificar se estão sendo cumpridas as obrigações legais e os planos de pesquisa e
lavra. Tais visitas não são agendadas e são custeadas pelo titular do Alvará de
Pesquisa ou Portaria de Lavra, sendo que os valores são reajustados
periodicamente.
Além disto, deverá ser apresentado Relatório Anual de Lavra (RAL) até o dia 15/03
até o término das atividades.
Quando ocorrer a hipótese de várias concessões de lavra de um mesmo titular e da
mesma substância mineral em áreas de um mesmo jazimento ou zona mineralizada,
o DNPM poderá reuni-las em uma só unidade de mineração, sob a denominação de
G!u#a"eno M%ne%!o. As atividades da lavra poderão ser concentradas em uma ou
algumas das concessões agrupadas (art. 53).
Da mesma forma, quando os titulares de concessões e minas próximas ou vizinhas,
abertas situadas sobre a mesma zona mineralizada, poderão obter permissão para a
formação de um >on$0!c%o 'e M%ne!ação, autorizado pelo Governo Federal (art.
13
86), com o objetivo de potencializar a produtividade da extração ou a sua
capacidade. Para tanto, deverão ser apresentados:
Ì - Memorial justificativo dos benefícios resultantes da formação do Consórcio,
com indicação dos recursos econômicos e financeiros de que disporá a nova
entidade;
ÌÌ - Minuta dos Estatutos do Consórcio, plano de trabalhos a realizar,
enumeração das providências e favores que esperam merecer do Poder Público.
Na hipótese de a Concessão ser transferida, doada ou vendida, que somente será
válida se notificados ao DNPM, os direitos, obrigações, limitações ainda persistirão
(art. 55).
De acordo com o art. 56, a concessão de lavra poderá ser desmembrada em duas
ou mais concessões distintas, a Eu+)o 'o 4N,M, caso não comprometer o racional
aproveitamento da jazida e desde que haja viabilidade técnica e economia em
relação ao do aproveitamento autônomo das unidades mineiras resultantes.
O l%"%e $u3e!!Fneo da mina corresponde ao plano horizontal concedido pelo
DNPM (art. 85).
:.: Reg%"e 'e Reg%$!o 'e L%cenc%a"eno
É uma opção para o minerador que pretende a extração imediata de determinados
recursos minerais sem prévia pesquisa, sendo, também, concedido pelo DNPM.
O pedido somente pode ser feito por pessoa jurídica, que, se não for a proprietária
do solo, deve obter autorização.
A área máxima é de 50 há e as substâncias aproveitadas por este regime são,
$o"ene:
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a) Areia e cascalho para uso imediato na construção civil, no preparo de argamassa
ou agregado;
b) Rocha, para paralelepípedo, guia ou sarjeta
c) Argila para cerâmica vermelha e rocha britada.
A concessão de L%cença A"3%enal é obrigatória, sendo que o órgão competente
para a concessão depende da quantidade de aproveitamento:
• Será o >O4EMA se areia e cascalho até 2.000 m³/mês e 700 m³/mês de
argila para cerâmica vermelha;
• Será o >O,AMG5EAM quando exceder o limite acima e nos demais casos.
Quando a extração ocorrer em leito de rio, em distância inferior a 3 Km de pontes ou
viadutos, o DER será ouvido, para que sejam realizados levantamentos de
batimetria periodicamente e verificadas as condições da via.
O pedido deve ser acompanhado com:
• Requerimento padrão do DNPM devidamente preenchido;
• Certidão do CNPJ;
• Licença Ambiental;
• Planta e Memorial Descritivo
• Anotação de Responsabilidade Técnica preenchida.
Presentes todos os documentos, será expedido Registro de Licença, que será
publicado no Diário Oficial da União, sendo cancela'o quando:
• A produção for insuficiente em relação ao mercado;
• A extração for suspensa, injustificadamente, por mais de seis meses;
• Extraída substância diversa do permitido.
15
>ancela'o o Reg%$!o( *ual*ue! %ne!e$$a'o #o'e!1 e/#lo!a! a 1!ea( "e$"o
$e" auo!%)ação 'o #!o#!%e1!%o( *ue 'e&e!1 !ece3e! #ela ocu#ação 'o $olo e
#elo$ #!eEu+)o$ cau$a'o$.
:.< Reg%"e 'e Reg%$!o 'e E/!ação
A Lei 9.827/99 prevê que o Poder Público (Municipal, Estadual ou Federal) pode
extrair areia, cascalho e rocha (britada ou não) para paralelepípedo, guia ou sarjeta,
para que sejam aplicados em o3!a #H3l%ca e/ecua'a #o! ele '%!ea"ene, sendo
que a área máxima é de 5 ha e o prazo para a extração dependerá da extensão e
necessidade da obra a ser realizada.
O pedido é feito ao DNPM e deve ser acompanhado por:

• Requerimento padrão devidamente preenchido;
• Ìndicação da substância a ser lavrada;
• Planta e Memorial descritivo da área;
• Licença de Operação concedida pela SEMAD.
Se presentes todos os documentos, será expedido Registro de Licença, que será
cancela'o quando:
• Os recursos minerais forem comercializados, porque o uso,
necessariamente, deve ser em obra pública;
• Não utilizados em obra pública;
• A extração não iniciar em até um ano ou for efetuada por terceiros (ou seja,
não permite a terceirização);
• A extração for suspensa por prazo indeterminado.
Neste Regime, o Registro de Licença não poderá ser transferido, uma vez que é
destinado somente ao órgão do Poder Público responsável pela obra.
:.A Reg%"e 'e ,e!"%$$ão 'e La&!a Ga!%"#e%!a
Sob o aspecto ambiental, o garimpo constitui uma atividade que causa grande
impacto ambiental, que polui rios e causa devastação descontrolada da fauna e
16
flora. Em razão disto, este tipo de Regime busca o aproveitamento da jazida de
forma ecologicamente sustentável, sendo que a análise do pedido e a permissão
são realizadas pelo DNPM, podendo ser feito por pessoa física, jurídica ou
cooperativa de garimpeiros.

Antes de o presente tipo de Regime ser implementado, existia o Registro de
Matrícula, para que os garimpeiros se !eg%$!a$$e" no DNPM a fim de iniciar suas
atividades. Entretanto, foi extinto, sendo que hoje é necessária a auo!%)ação
daquele órgão, expedindo o Registro de Licença, que autoriza o desenvolvimento do
garimpo regular. Ne$e Reg%"e( . '%$#en$a'a a ,e$*u%$a M%ne!al( "a$ não a
auo!%)ação 'o 0!gão co"#eene.
O Código de Mineração (artigo 70) trata o Ga!%"#o como gênero, das quais são
espécies a 5a%$cação e a >aa.
Ga!%"#o . o !a3al2o %n'%&%'ual (ou !eal%)a'o #o! coo#e!a%&a 'e ga!%"#e%!o$)(
#a!a a e/!ação 'e #e'!a$ #!ec%o$a$ e $e"%#!ec%o$a$( "%ne!a%$ "e1l%co$ e
não "e1l%co$ &al%o$o$ e" 'e#0$%o 'e elu&%ão (produto da decomposição de
rochas que permanece no mesmo local) ou alu&%ão (produto da decomposição de
rochas que percorre cursos d'água).
5a%$cação . o !a3al2o %n'%&%'ual (ou !eal%)a'o #o! coo#e!a%&a 'e
ga!%"#e%!o$)( *ue e" #o! o3Ee%&o a e/!ação 'e "ea%$ no3!e$ e" 'e#0$%o 'e
elu&%ão ou alu&%ão.
>aa( #o! 6%"( . o !a3al2o %n'%&%'ual (ou !eal%)a'o #o! coo#e!a%&a 'e
ga!%"#e%!o$)( #a!a a e/!ação 'e "%ne!al H%l( $e" e"#!ego 'e e/#lo$%&o$( *ue
a6lo!a e" 6%l7e$G&ee%!o$ (massa de minério que enche uma fenda da rocha).
A área máxima é de 50 ha, "a$( $en'o coo#e!a%&a 'e ga!%"#e%!o$:
• Para a extração de pedras preciosas e semipreciosas, a área será de 2,5 ha
por cooperado;
17
• Para a extração dos demais recursos minerais, a área será de 10 ha por
cooperado.
• O Código de Mineração proíbe o garimpo em área objeto de pesquisa ou
lavra (artigo 75), lembrando que, em 1!ea %n'+gena( o ga!%"#o $o"ene
#o'e $e! e6eua'o #elo$ +n'%o$.
Sendo a atividade de garimpo de grande porte (assim considerada pela Fundação
Estadual do Meio Ambiente ÷ FEAM), é necessária a apresentação do EÌA/RÌMA e,
se de pequeno ou médio porte, exige-se a apresentação do Relatório de Controle
Ambiental, que descreve a atividade a ser desenvolvida, além de apontar meios para
solucionar os problemas causados pelo garimpo.
O pedido deve ser acompanhado com:
• Requerimento padrão do DNPM preenchido;
• Concessão de Licença Ambiental;
• Planta do local.
O prazo para o garimpo é de A ano$, podendo ser prorrogado, devendo ser
apresentado o Relatório Anual de Lavra a cada 15/03, demonstrando informações
quantitativas sobre a produção e comercialização dos minerais extraídos.
< ,LANO AMBIEN?AL 4E 5E>IAMEN?O 4E MINA (,a6e")
O uso dos recursos minerais de forma indiscriminada no Brasil durante anos
desencadeou em um movimento pela regulamentação das minas órfãs, ou seja,
daquelas abandonadas após o esgotamento do mineral ou em razão da inviabilidade
da extração. Desta forma, atualmente, regulam o Pafem a Norma Regulamentadora
da Mineração (NRM) 20 do DNPM e a Deliberação Normativa 127/2008 do COPAM.
Além disto, o Direito Ambiental também verificou a necessidade de garantir o
equilíbrio entre o homem e o meio ambiente, criando, então, normas e princípios,
dentre os quais estão:
18
a) ,!%nc+#%o 'a >oo#e!ação: Corresponde à atuação do governo e sociedade na
decisão sobre qualquer situação que envolva o meio ambiente, garantindo maior
informação a todos;
b) ,!%nc+#%o 'a ,!ecaução: Ìnexistindo certeza acerca de uma medida que possa
causar qualquer impacto ambiental, é melhor ser evitada. Assim, desconhecidos os
riscos reais ao meio ambiente, não se permite a realização da atividade;
c) ,!%nc+#%o 'o ,olu%'o! ,aga'o!: Como o próprio nome já preceitua aquele que
provoca qualquer tipo de poluição, deve custear o prejuízo causado. Desta forma,
tem por objetivo %ne!nal%)a! a$ e/e!nal%'a'e$ e isto significa que todo o prejuízo
causado à população pela poluição, que é um fator externo à atividade mineradora,
deve ser suportado pela empresa, a qual deverá indenizar os prejudicados e
recuperar o ambiente degradado.
O Fechamento da Mina corresponde à desativação dos trabalhos de extração, que
pode ocorrer pelo término do recurso ou pela inviabilidade econômica, ou seja,
quando a extração não mais atender ao lucro esperado. Tal procedimento deve ser
planejado pelo ,o'e! ,H3l%co( E"#!e$a 'e M%ne!ação e Soc%e'a'e, uma vez que
causam impactos físicos, bióticos e antrópicos.
O impacto 6+$%co no fechamento da mina corresponde à situação do local em que
houve a atividade, pois se sabe que, para sua implantação, na maioria das vezes
são necessários desmates, alteração de curso de rios (...) e é obrigação do
minerador restabelecer o meio ambiente degradado, conforme disciplina a
Constituição da República, ao esclarecer que quem explora recursos minerais fica
obrigado a recuperar a área.
De forma semelhante, o impacto 3%0%co é aquele prejuízo causado às plantas e
animais do meio degradado.
De outro lado, o impacto an!0#%co é relativo ao custo suportado pela sociedade,
que, em razão da importância da atividade desenvolvida, acaba por dela depender
19
financeiramente. Em virtude disto, tal impacto deve ser minimizado pelas empresas
quando do fechamento, evitando altos índices de desemprego e abandono do local.
Por Fechamento de Mina entende-se *ue . a ea#a e" *ue não "a%$ oco!!e a
e/!ação( 'e&%'o J e/au$ão 'a "%na ou #ela %n&%a3%l%'a'e .cn%coKecon;"%ca(
!e6e!ene a "e!ca'o ou %"#aco$( e" *ue $0 e/%$e" o$ !a3al2o$ #a!a a
!ecu#e!ação a"3%enal 'a 1!ea( #!o"o&en'o o 'e$co"%$$%ona"eno (trabalhos
de desativação da infra-estrutura e serviços associados à produção e de
desmobilização da mão de obra do empreendimento) ou con!ole( e" ca$o 'e
#a!al%$ação e"#o!1!%a. É elaborado em duas etapas:
a) Re$au!ação: recriação das condições originais, anteriores à intervenção
causadora da degradação;
b) Rea3%l%açãoGRecu#e!ação: Processo que deve ser executado ao longo da vida
do empreendimento, de forma a garantir à área impactada uma condição estável,
produtiva e auto-sustentável, com foco no uso futuro, valorizando o bem-estar
individual e comunitário. Todo este procedimento garante a melhoria das condições
ambientais pós-atividade, mesmo que seja a criação de um ecossistema diferente,
planejando para a área degradada um novo uso.
O Ìnstituto Brasileiro de Mineração (ÌBRAM) esclarece que o Plano deve ser
desenvolvido ainda na fase do planejamento do empreendimento, devendo
apresentar o equilíbrio dos meios físico, biótico e antrópico.
Mesmo enquanto inexistente a regulação sobre o Fechamento de Mina, a Mineração
Manati, localizada em Rio Branco, no Estado do Mato Grosso, pertencente ao Grupo
Rio Tinto, foi, em 1991, fechada e a área utilizada para fins agropecuários.
Da mesma forma, a Mina de Águas Claras, em Nova Lima, de propriedade da
Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), posteriormente adquirida pela Companhia
Vale do Rio Doce, que extraía minério de ferro. Com o fechamento, em 2001, parte
da área foi transformada em Reserva Particular do Patrimônio Natural do Jambreiro,
conhecida como Mata do Jambreiro.
20
Para se estabelecer qual será o destino da área após o término da atividade, deve-
se avaliar e estudar a vocação natural da região, vista sob dois aspectos, sendo o
primeiro relativo às opiniões da comunidade e Governo e o segundo acerca das
particularidades da área, a fim de se verificar se podem ou não ser atendidas as
primeiras.
No Brasil, os meios mais comuns para a reabilitação da área são os seguintes:
a) Utilização do solo para uso agrícola, depois de fertilizado e semeado;
b) Construção de Parques;
c) Utilização para fins turísticos, como museus. Na Mina Passagem de Mariana, em
na cidade de Mariana e Chico Rei, em Ouro Preto, por exemplo, foram mantidas as
características do local para visitação. Em Curitiba, na área em que ocorria a
mineração em uma pedreira, foi construído o Teatro Ópera de Arame, no local mais
profundo da cava, com a capacidade para até 2.400 pessoas.
É o seguinte procedimento adotado para a desativação de uma mina:
4ec%$ão 'e 6%nal%)a! a a%&%'a'e
L
E$a3elec%"eno 'e o3Ee%&o$ #a!a a !eu%l%)ação 'a 1!ea
L
>a!ace!%)ação 'a 1!ea: u$o ane!%o! e #lana$ 'a $%uação( ane$ e 'e#o%$ 'a
a%&%'a'e
L
,lano 'e 4e$"onage" e Recu#e!ação A"3%enal( !ela%&o a 'e"ol%ção(
l%"#e)a( !an$#o!e 'e enul2o( 'e$cona"%nação 'o $olo . 1gua.
L
4ee!"%nação 'o u$o 6uu!o( a#0$ con$ula #H3l%ca e auo!%)ação 'o Go&e!no.
L
E/ecução( aco"#an2a"eno e 6%$cal%)ação 'o ,lano( $en'o o "a%$ co"u"
#elo #!a)o 'e MA ano$.
21
L
Manuenção 'e Rela0!%o$ e 4ocu"enação !e6e!ene$ ao ,a6e".
A responsabilidade do minerador em relação ao meio ambiente, de acordo com a
Legislação pode ocorrer em alguma das seguintes formas:
a) Civil: Surge com qualquer dano causado ao meio ambiente. Neste caso, a
responsabilidade independe da atitude culposa do minerador (imprudência,
negligência ou imperícia), sendo que tanto a empresa de mineração quanto o
Presidente ou o autor do ato poderão responder por ele.
Para isto, deverão ser comprovados os seguintes elementos:
* Ato ilícito: Que, no caso da atividade mineradora, será qualquer um contrário à Lei;
* Dano: É a alteração causada ao meio ambiente pela atividade desenvolvida;
* Nexo de Causalidade: É a relação entre o ato ilícito e o resultado, o dano ao Meio
Ambiente.
Provados os elementos acima citados, será fixado um valor para compensar o dano
causado ao meio ambiente e à população local.
Além da indenização, o DNPM poderá aplicar multa, levando em consideração todo
o dano causado.
No rompimento da barragem de rejeitos da mineradora de bauxita Rio Pomba
Cataguases, por exemplo, em Miraí, a multa foi no valor de R$ 75 milhões, no
segundo rompimento, sendo que, quando do primeiro, a multa foi de R$75 mil. O
vazamento, de acordo com especialistas, liberou cerca de 400 milhões de litros de
lama de argila, óxido de ferro e sulfato de alumínio no Rio Fubá, que deságua no Rio
Muriaé, um dos afluentes do Paraíba do Sul.
b) Penal: Nesta espécie, a responsabilidade criminal é pessoal do agente que
cometeu o fato, ou seja, mesmo se a empresa cessar as atividades ou falir, o agente
continuará a responder pelo crime ambiental promovido.
22
De outro lado, a Lei garante a Responsabilidade Penal da Pessoa Jurídica, sendo
que as penas previstas correspondem à multa e a restrição de direitos, como a
suspensão total ou parcial das atividades, interdição e proibição de contratar com o
Poder Público.
Em outros Países, principalmente nos mais desenvolvidos, como Estados Unidos,
Canadá e Austrália, o Pafem é parte do Sistema de Gerenciamento Ambiental (SGA)
e antecipa a atividade a ser desenvolvida, já que se utiliza dele enquanto ocorre a
lavra.
Além de reabilitar a área degradada, preocupa-se com a população local, mediante
desenvolvimento de infra-estrutura básica para a comunidade e investimento em
educação, agricultura, saúde e economia, por exemplo. Esta atitude ameniza o
caráter devastador da mineração, uma vez que contribui com o desenvolvimento
social.
A OBRIGAÇÕES >OM,LEMEN?ARES
A.1 =$o 'e e/#lo$%&o$
Antes de utilizá-los, é necessário que seja obtido >e!%6%ca'o 'e Reg%$!o no
serviço de Fiscalização de Produtos Controlados do E/.!c%o. Para tanto, são
necessários os seguintes documentos:
a) Atestado de idoneidade fornecido pelo DEOESP ou elaborado de próprio punho;
b) Cópia da Licença de Operação;
c) Planta do local;
d) Cópia do RG ou CNPJ;
e) Comprovação da Portaria de Lavra
f) Cópia da Carteira Blaster, fornecida pelo DEOESP que permite o armazenamento
de explosivos. Para sua obtenção é necessário ser maior de 21 anos, ser
23
alfabetizado, estar quite com o serviço militar, se homem, além de comprovar saúde
física e mental, vínculo empregatício com empresa que utilizar explosivos em sua
atividade e foto 3x4 recente.
A.9 Reg%$!o Euno ao >on$el2o Reg%onal 'e Engen2a!%a( A!*u%eu!a e
Ag!ono"%a (>REA)
Antes de iniciar um empreendimento mineral, o mesmo deverá ser registrado no
CREA como empresa de mineração, cooperativa de garimpeiros. No mesmo ato, é
emitida Certidão de Quitação e Registro, com validade de um ano, renovável
enquanto for de interesse da empresa e é válida em todo o Estado de Minas Gerais.
A.: >u"#!%"eno 'a Leg%$lação ?!a3al2%$a( 'e Segu!ança e 'e I%g%ene
Uma das grandes responsabilidades do minerador é zelar pela saúde e segurança
do trabalho, como proteção contra a poeira mineral, sinalização da área, ventilação,
iluminação, prevenção contra acidentes, incêndio e inundação. Para tanto, devem
ser pagos adicionais de insalubridade, em razão de a atividade desenvolvida pelo
colaborador ser prejudicial à sua saúde e as horas extras prestadas, as quais não
são recomendáveis porque já é exaustiva a prestação de serviços.
A.< 5%nanc%a"eno 'o e"#!een'%"eno "%ne!al
O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) possui linhas de
financiamento, que são de longo prazo, a iniciar o pagamento dentro de 1 ou 3 anos
A.A ?!%3uação M%ne!al
Além da CFEM, deve ser pago Ìmposto de Renda de Pessoa Jurídica (ÌRPJ),
Ìmposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de transporte
interestadual e intermunicipal e de telecomunicações (ÌCMS).
24
Devem, também, ser pagos os e"olu"eno$, que são pagos sempre que um
particular adquirir direitos minerários, sendo justificado seu pagamento pela
prestação de um serviço público.
Quando se tratar de '%a"ane$ 3!uo$, a importação e exportação também são
tributadas e deve ser respeitado o procedimento para a obtenção do Certificado do
Processo Kimberley, o qual legaliza tais gemas no País.
B ,RO>E4IMEN?O ES,E>IAL – EN,LORAÇÃO 4E DG=A
Regulam essa atividade especial o Decreto-Lei 7.841/45 (Código de águas minerais)
e a Portaria 222/97 do DNPM.
Dgua$ M%ne!a%$ $ão a*uela$ #!o&en%ene$ 'e 6one$ nau!a%$ ou ca#a'a$
a!%6%c%al"ene *ue #o$$ua" co"#o$%ção *u+"%ca ou #!o#!%e'a'e 6+$%ca
'%$%na$ 'a$ 1gua$ co"un$( co" ação "e'%ca"eno$a. A$$%"( e/%$e" 1gua$
6luo!ea'a$( le&e"ene !a'%oa%&a$( 'en!e ou!a$.
Para a água mineral, é necessário o pedido de Autorização de Pesquisa e
conseqüente Concessão de Lavra, que será destinado ao DNPM, sendo que a
primeira deve, o3!%gao!%a"ene, conter:
• Estudo geológico para plano de captação;
• Estudo das águas
Uma vez autorizada a Pesquisa, a fonte deve ser protegida, contando com restrição
de ocupação, a fim de que pessoas estranhas à atividade não entrem na
propriedade e contamine a fonte.
Quando a captação da água for destinada para comercialização, o método de
engarrafamento (máquinas necessárias) deve ser aprovado pelo DNPM, assim
como o rótulo, cujo padrão é fornecido por aquele órgão, que contém o nome da
fonte, localização, número e data da Concessão de Lavra, seguido da sigla "DNPM¨.
25
O laboratório também deve ser aprovado, já que devem ser efetuados testes diários
de pureza.
Para a captação de água em poços artesianos, o interessado deverá apresentar o
modelo de tubos de revestimento, tubulações e controle de análises diárias de
pureza.
26
ANENOS
27
,!e$%'8nc%a 'a Re#H3l%ca
>a$a >%&%l
Su3c2e6%a #a!a A$$uno$ Ou!+'%co$
LEI NP 19.:A1( 4E 99 4E 4EQEMBRO 4E 9M1M.
Dispõe sobre a exploração e a produção de
petróleo, de gás natural e de outros
hidrocarbonetos fluidos, sob o regime de
partilha de produção, em áreas do pré-sal e
em áreas estratégicas; cria o Fundo Social -
FS e dispõe sobre sua estrutura e fontes de
recursos; altera dispositivos da Lei n
o
9.478,
de 6 de agosto de 1997; e dá outras
providências.
O ,RESI4EN?E 4A RE,RBLI>A Faço saber que o Congresso Nacional
decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
CAPÍTULO Ì - DÌSPOSÌÇÕES PRELÌMÌNARES
Art. 1
o
Esta Lei dispõe sobre a exploração e a produção de petróleo, de gás
natural e de outros hidrocarbonetos fluidos em áreas do pré-sal e em áreas
estratégicas, cria o Fundo Social - FS e dispõe sobre sua estrutura e fontes de
recursos, e altera a Lei n
o
9.478, de 6 de agosto de 1997.
CAPÍTULO ÌÌ - DAS DEFÌNÌÇÕES TÉCNÌCAS
Art. 2
o
Para os fins desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições:
[...] ÌV - área do pré-sal: região do subsolo formada por um prisma vertical de
profundidade indeterminada, com superfície poligonal definida pelas coordenadas
geográficas de seus vértices estabelecidas no Anexo desta Lei, bem como outras
regiões que venham a ser delimitadas em ato do Poder Executivo, de acordo com a
evolução do conhecimento geológico;
VÌ - operador: a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras), responsável pela condução
e execução, direta ou indireta, de todas as atividades de exploração, avaliação,
desenvolvimento, produção e desativação das instalações de exploração e
produção;
VÌÌ - contratado: a Petrobras ou, quando for o caso, o consórcio por ela
constituído com o vencedor da licitação para a exploração e produção de petróleo,
28
de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos em regime de partilha de
produção;
VÌÌÌ - conteúdo local: proporção entre o valor dos bens produzidos e dos
serviços prestados no País para execução do contrato e o valor total dos bens
utilizados e dos serviços prestados para essa finalidade;
XÌÌÌ - royalties: compensação financeira devida aos Estados, ao Distrito Federal
e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, em função
da produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos sob o
regime de partilha de produção, nos termos do § 1
o
do art. 20 da Constituição
Federal.
CAPÍTULO VÌÌ - DO FUNDO SOCÌAL - FS
Seção Ì - Da Definição e Objetivos do Fundo Social - FS
Art. 47. É criado o Fundo Social - FS, de natureza contábil e financeira,
vinculado à Presidência da República, com a finalidade de constituir fonte de
recursos para o desenvolvimento social e regional, na forma de programas e
projetos nas áreas de combate à pobreza e de desenvolvimento:
Ì - da educação;
ÌÌ - da cultura;
ÌÌÌ - do esporte;
ÌV - da saúde pública;
V - da ciência e tecnologia;
VÌ - do meio ambiente; e
VÌÌ - de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
§ 1
o
Os programas e projetos de que trata o caput observarão o plano
plurianual - PPA, a lei de diretrizes orçamentárias - LDO e as respectivas dotações
consignadas na lei orçamentária anual - LOA.
Art. 48. O FS tem por objetivos:
Ì - constituir poupança pública de longo prazo com base nas receitas auferidas
pela União;
ÌÌ - oferecer fonte de recursos para o desenvolvimento social e regional, na
forma prevista no art. 47; e
29
ÌÌÌ - mitigar as flutuações de renda e de preços na economia nacional,
decorrentes das variações na renda gerada pelas atividades de produção e
exploração de petróleo e de outros recursos não renováveis.
Parágrafo único. É vedado ao FS, direta ou indiretamente, conceder garantias.
Seção ÌÌ - Dos Recursos do Fundo Social - FS
Art. 49. Constituem recursos do FS:
[...] ÌÌ - parcela dos royalties que cabe à União, deduzidas aquelas destinadas
aos seus órgãos específicos, conforme estabelecido nos contratos de partilha de
produção, na forma do regulamento;
ÌÌÌ - receita advinda da comercialização de petróleo, de gás natural e de outros
hidrocarbonetos fluidos da União, conforme definido em lei;
ÌV - os royalties e a participação especial das áreas localizadas no pré-sal
contratadas sob o regime de concessão destinados à administração direta da União,
observado o disposto nos §§ 1
o
e 2
o
deste artigo;
V - os resultados de aplicações financeiras sobre suas disponibilidades; e
VÌ - outros recursos destinados ao FS por lei.
§ 1
o
A Lei n
o
9.478, de 6 de agosto de 1997, passa a vigorar com as seguintes
alterações:
"Art. 49. § 3
o
Nas áreas localizadas no pré-sal contratadas sob o regime de
concessão, a parcela dos royalties que cabe à administração direta da União será
destinada integralmente ao fundo de natureza contábil e financeira, criado por lei
específica, com a finalidade de constituir fonte de recursos para o desenvolvimento
social e regional, na forma de programas e projetos nas áreas de combate à pobreza
e de desenvolvimento da educação, da cultura, do esporte, da saúde pública, da
ciência e tecnologia, do meio ambiente e de mitigação e adaptação às mudanças
climáticas, vedada sua destinação aos órgãos específicos de que trata este artigo.¨
"Art. 50. 4
o
Nas áreas localizadas no pré-sal contratadas sob o regime de
concessão, a parcela da participação especial que cabe à administração direta da
União será destinada integralmente ao fundo de natureza contábil e financeira,
criado por lei específica, com a finalidade de constituir fonte de recursos para o
desenvolvimento social e regional, na forma de programas e projetos nas áreas de
combate à pobreza e de desenvolvimento da educação, da cultura, do esporte, da
saúde pública, da ciência e tecnologia, do meio ambiente e de mitigação e
adaptação às mudanças climáticas, vedada sua destinação aos órgãos específicos
de que trata este artigo.¨
[...] Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
30
Brasília, 22 de dezembro de 2010; 189
o
da Ìndependência e 122
o
da
República.