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26/10/2014

Após década de líderes carismáticos, esquerda latino-americana tenta retomar o fôlego — Rede Brasil Atual

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Após década de líderes carismáticos,
esquerda latino-americana tenta retomar
o fôlego
Para Igor Fuser, professor da Universidade Federal do
ABC, situação é de impasse: forças progressistas têm
força política para vencer eleições, mas não para
aprofundar transformações sociais
por Diego Sartorato, da RBA publicado 05/03/2014 18:03, última modificação 06/03/2014 13:19

ANTONIO LACERDA/EFE

Néstor, Morales, Lula e Chávez: argentino e venezuelano morreram, e brasileiro elegeu Dilma como sucessora

São Paulo – O jornalista Igor Fuser, doutor em Ciência Política pela
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/03/apos-decada-de-lideres-carismaticos-esquerda-latinoamericana-tenta-retomar-o-folego-4081.html

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dos acúmulos dos governos progressistas latino-americanos na última década e do momento da luta de classes no continente. de Chávez ter morrido. denunciou ao vivo o viés antichavista do noticiário da TV Globo e dos demais veículos tradicionais da imprensa brasileira e ganhou os perfis à esquerda no Facebook e no Twitter.br/politica/2014/03/apos-decada-de-lideres-carismaticos-esquerda-latinoamericana-tenta-retomar-o-folego-4081. há um certo momento de impasse: o campo progressista não consegue mais se expandir. não é um momento de ofensiva das transformações na América Latina. após participação em programa de debates da emissora de TV fechada Globo News sobre a situação na Venezuela: a uma constrangida apresentadora. "No conjunto da região. "O fato de Lula não ser mais o presidente. que não é propício às grandes mudanças. aponta que o contexto seria o mesmo caso os governantes que deram início à sucessão de vitórias eleitorais da esquerda latino-americana seguissem no poder.26/10/2014 Após década de líderes carismáticos. resume. mas. pondera. Ou seja. destacando a importância que líderes carismáticos como Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez tiveram na década passada para unificar as forças progressistas e promover mudanças de graus variados. Fuser. mas não é o fator decisivo. Fuser volta a falar da ação da mídia tradicional na perpetuação de uma sociedade violenta e excludente. conforme surgirem oportunidades de levar a América Latina de volta para o seu círculo direto de influência. no entanto. Tem algo que a gente precisa levar em conta que é o seguinte: as forças conservadoras não têm necessidade de grandes líderes". ao mesmo tempo.com. ganhou notoriedade nas redes sociais há cerca de duas semanas. é óbvio que faz uma diferença. O professor prevê ainda maior interferência dos Estados Unidos em situações de fragilidade política nos próximos anos. não é momento de revolução ou de reformas". consegue reunir força suficiente para permanecer no poder. http://www.redebrasilatual.html 2/11 . Em entrevista à RBA. esquerda latino-americana tenta retomar o fôlego — Rede Brasil Atual Universidade de São Paulo (USP) e professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC). de a Cristina Kirchner não poder mais se reeleger.

Fora outros governos de esquerda. primeiro com o Tabaré Vázquez e depois com o Pepe Mujica. Quer dizer. Procurando romper com a tradicional submissão da diplomacia latino-americana em relação aos Estados Unidos. em diversos países. conjunta. e não poderia ser de outra forma porque as culturas são muito diferentes. do Mercosul. Esses governos estão muito fortes hoje. e. Correa foi reeleito com uma maioria estrondosa. Essa mudança teve uma importância histórica porque é a primeira vez que a dominação estrangeira. No Equador. assim. da Celac. o que é perfeitamente normal. mas uma leva de governos que trabalham em um sentido comum de prioridade à resolução dos problemas sociais.com. e Evo Morales é disparado o favorito.26/10/2014 Após década de líderes carismáticos. a busca por maior autonomia do Estado para poder levar adiante políticas públicas em favor do povo e uma política externa.html 3/11 . por conta do contexto de crise http://www. Não se espera que esses governos vivam às mil maravilhas. de Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador. como em Cuba. apesar de grandes diferenças entre si..redebrasilatual. especialmente a América do Sul. Teremos eleições este ano na Bolívia. esquerda latino-americana tenta retomar o fôlego — Rede Brasil Atual Confira abaixo a íntegra da entrevista. A eleição de Hugo Chávez em dezembro de 1998 é o marco inaugural desse ciclo. em cada um desses países. independente.. Nicarágua. do atendimento às demandas da maioria desfavorecida da população. Como o senhor vê o acúmulo da última década de governos mais à esquerda na maioria dos países da América do Sul? A América Latina. do Lula no Brasil. vive um novo ciclo histórico desde o final da década de 1990. particularmente a norteamericana. tivemos também a experiência infelizmente frustrada no Paraguai com o governo de Fernando Lugo. governos também comprometidos com a integração nacional por meio da Unasul.br/politica/2014/03/apos-decada-de-lideres-carismaticos-esquerda-latinoamericana-tenta-retomar-o-folego-4081. da Frente Ampla no Uruguai. em reação ao fracasso do modelo neoliberal na década de 1990 se instala uma leva de governos progressistas que. que seguiu com a eleição de Néstor Kirchner na Argentina. Outros países da região enfrentam impasses políticos. é desafiada de forma articulada.

com. mas não é bem assim. contra os efeitos da crise.br/politica/2014/03/apos-decada-de-lideres-carismaticos-esquerda-latinoamericana-tenta-retomar-o-folego-4081. No caso da América do Sul. nada teve a ver com o que acontece na Europa. UFABC Igor Fuser também teve características diferentes. em qualquer lugar do mundo. Alguns governos. Então temos de ter cuidado quando falamos sobre os protestos.html 4/11 . E essas manifestações na América do Sul não têm absolutamente nada a ver com o que aconteceu na Ucrânia. que existem em alguns casos. em diferentes países do mundo árabe. enfrentam dificuldades econômicas. e que têm a ver também com problemas internos. eventualmente. da própria dinâmica da luta social nesses países. não. Venezuela e Brasil têm em comum seus governos progressistas. que. mas os protestos que ocorreram no http://www. menores em outros. Agora. ou nos Estados Unidos. que estão longe de serem perfeitos. por sua vez. em cada país. são uma situação normal. quais são as demandas que eles estão apresentando. e em outros. que têm uma relação muito estreita com a crise econômica mundial.26/10/2014 Após década de líderes carismáticos. Você tem de olhar mais de perto para compreender o que está acontecendo. Mesmo a chamada O professor da Primavera Árabe. Depende muito. como o Ocupa Wall Street. além das deficiências desses governos. “a juventude do mundo está protestando contra tudo que está errado”. Mas existe um grande esforço para que esses movimentos sejam interpretados como uma coisa só. É necessário observar. Quer dizer. Essas dificuldades maiores em alguns países. movimentos absolutamente diferentes. as conexões internacionais. esquerda latino-americana tenta retomar o fôlego — Rede Brasil Atual internacional e por conta de seus próprios desafios internos. não têm nenhuma relação com a realização de protestos de diferentes signos políticos e de diferentes características em alguns desses países. ou. qual o contexto político interno.redebrasilatual. Protestos contra governos. existe muito pouco em comum entre períodos de mais protestos no Brasil e os que ocorreram recentemente na Venezuela. quem são os TVT/REPRODUÇÃO manifestantes. como no caso da Argentina e da Venezuela.

o que não é de se espantar porque a juventude é a população mais disponível para os protestos. legítimo e que foi eleito há menos de um ano e que conta com a aprovação da maioria da população. em sua origem. em junho. articulada com a mídia das grandes empresas brasileiras. e. alguns grupos que discordam da realização da Copa do Mundo também participaram. que inclui a Europa ocidental e o Japão. A mídia internacional. Seu pleito principal era a melhoria das condições do transporte público a partir da oposição ao aumento da passagem em São Paulo. o protesto dos professores do Rio de Janeiro.br/politica/2014/03/apos-decada-de-lideres-carismaticos-esquerda-latinoamericana-tenta-retomar-o-folego-4081. Acabou de se sair muito bem. ao contrário do Brasil. liderada por políticos de extrema direita.html 5/11 . Se você considerar assim. Havia protestos contra a corrupção.com. mas a única coisa em comum que existe é a presença da juventude. onde sobram demandas. Qual a perspectiva do senhor para os próximos anos para o enfrentamento entre os governos progressistas e as oposições? Esses governos se chocam contra duas forças: as forças internas. ao fim. um movimento que não tem nenhuma reivindicação específica. se apropriam da maior parte da riqueza nacional de cada um dos países. de qualquer tipo. num plano mais amplo. um governo constitucional. outras demandas e outros atores. Então é indefinido. o que existe é uma articulação com objetivo claramente golpista. se misturaram com outras pautas.redebrasilatual. http://www. tenta criar uma conexão.26/10/2014 Após década de líderes carismáticos. Lá. Esses protestos se ampliaram. nas eleições municipais. Na Venezuela. a única reivindicação é o fim do governo. aquelas seis ou sete empresas que dominam a comunicação no Brasil. esquerda latino-americana tenta retomar o fôlego — Rede Brasil Atual Brasil. inclusive. foi um plebiscito que desfavoreceu a oposição. eram protestos progressistas também. as elites que historicamente exercem o poder político e controlam a economia. se chocam com interesses dos Estados Unidos e com os países que se articulam com os Estados Unidos e que alguns autores chamam de “capitalismo global”. que a oposição apresentou como plebiscito da vontade da Venezuela.

É uma luta que tende a ficar mais intensa. pelo menos neste primeiro momento. à parte dos problemas e contradições internos que estavam em jogo. como é a Venezuela. como é o caso do Brasil. Ou seja. A energia progressista não se esgotou. ou um inimigo com quem você pode dialogar. portanto. Na América Latina já tivemos sinais dessa tática. mas. com uma vitória eleitoral atrás da outra.redebrasilatual.26/10/2014 Após década de líderes carismáticos. Precisavam derrubar a hegemonia da Rússia na Ucrânia. Podemos prever. que retorna ao governo com um perfil mais à esquerda do que ela teve no passado. há um certo momento de impasse: o campo progressista não consegue mais se expandir. esquerda latino-americana tenta retomar o fôlego — Rede Brasil Atual Esse núcleo central percebe o surgimento de governos progressistas na América Latina como um desafio. quando também governou o Chile.br/politica/2014/03/apos-decada-de-lideres-carismaticos-esquerda-latinoamericana-tenta-retomar-o-folego-4081. Os Estados Unidos têm intensificado a luta pela sua retomada de posição como hegemonia global. até porque o ciclo progressista que teve início na década passada está em um momento de impasse. o que conseguiram.html 6/11 . Mas. O que aconteceu agora na Ucrânia. no conjunto da região. eles são vistos como inimigos. ao mesmo tempo. uma presença cada vez maior dos Estados Unidos em apoio às forças de oposição conservadora em cada um desses países. não é um momento de ofensiva das transformações na América Latina. não é momento de revolução ou de reformas. já não é mais o avanço espetacular de antes. no Paraguai também. consegue reunir força suficiente para permanecer no poder. em alguns casos. mas a condição geopolítica do que aconteceu foi a Rússia de um lado e os Estados Unidos com apoio da Europa de outro. haja vista o que aconteceu agora no Chile com a vitória da Michelle Bachelet. http://www. com o golpe de estado em Honduras.com. como inimigos mortais.

esse impasse ocorreria também se o Chávez continuasse vivo como presidente da Venezuela ou se o Lula ainda fosse presidente do Brasil.br/politica/2014/03/apos-decada-de-lideres-carismaticos-esquerda-latinoamericana-tenta-retomar-o-folego-4081. Esses líderes ganharam a importância que têm não só por seus próprios métodos. quem é o presidente da França? É um sujeito completamente inexpressivo. Quem é o primeiro-ministro da Espanha? A gente não consegue nem lembrar o nome dele. mas não é o fator decisivo. esquerda latino-americana tenta retomar o fôlego — Rede Brasil Atual Esse momento de impasse é o que.html 7/11 . ou 'o Maduro não tem a liderança do Chávez'? Na verdade. como quando dizem 'mas a Dilma não é igual ao Lula'. de forma geral. da Cristina Kirchner não poder mais se reeleger. uma nulidade. da Inglaterra. na França. é óbvio que faz uma diferença. sustenta a crítica pela comparação direta entre os atuais presidentes e seus antecessores. http://www. aí que não dá pra lembrar mesmo. Da Itália.com. mas porque eles representavam uma força popular que existia independentemente deles próprios. Nos Estados Unidos. Tem algo que a gente precisa levar em conta que é o seguinte: as forças conservadoras não têm necessidade de grandes líderes.redebrasilatual. um sujeito que é um zero.. do Chávez ter morrido..26/10/2014 Após década de líderes carismáticos. O fato de o Lula não ser mais o presidente.

são os donos da economia. das indústrias. não teve ninguém com estatura comparável. O que levou a Dilma à presidência. No caso da Venezuela. então essa é uma debilidade do nosso lado.br/politica/2014/03/apos-decada-de-lideres-carismaticos-esquerda-latinoamericana-tenta-retomar-o-folego-4081. e do mundo. são a classe dominante. existe um ódio muito forte. da Cristina na Argentina.redebrasilatual. Mas eles não precisam. e que se sentem muito ameaçados pelo que significa simbolicamente presidentes http://www. Entre um e outro. Porque quando você quer manter as coisas como estão. e assim por diante. muito intenso. da elite venezuelana que se sente ameaçada pelas mudanças sociais que acontecem no país. Essa capacidade. Eles têm o poder. na Venezuela. tentando virar o jogo em favor da grande maioria da população dos nossos países. o programa já está dado. não se transfere. quando você quer mudar.html 8/11 . do Evo na Bolívia. Até que ponto o acirramento da disputa entre grupos progressistas e conservadores se traduz em maior violência física entre as classes sociais? A gente tem de estabelecer aí uma diferença. nós é que precisamos de líder. é uma energia que continua existindo. e têm em torno deles o consenso dos grupos dominantes do capitalismo.com. um quer mudar de um jeito. esse carisma. os donos das finanças. e antes dela o Lula. 200 anos antes.. O líder é o que chega e diz: “Vamos por aqui”. ele não é o Chávez. mas. Antes do Chávez. que consegue unificar as diferenças e as vontades. de Fidel Castro. E não vai aparecer outro. outro quer mudar de outro. é gigantesca.. você teve o Simón Bolívar. do nosso continente. mas não é uma debilidade fatal. e consegue unificar as forças progressistas. esquerda latino-americana tenta retomar o fôlego — Rede Brasil Atual A Alemanha é que tem uma liderança mais carismática. nós estamos por baixo. mas querem. Agora.. Precisamos muito de pessoas que desempenhem o papel do Lula. O líder é aquele que é capaz de dizer aquilo que as pessoas nem sabem que querem. digamos assim.. quer dizer.26/10/2014 Após década de líderes carismáticos. Embora o Maduro esteja demonstrando competência política. grupos querem as mesmas mudanças mas sugerem caminhos diferentes. A importância dessas figuras. o que não é fácil. Não surge assim do dia para a noite.

E tem a ver com a violência que é própria do capitalismo mesmo. se opõem às forças policiais. pela dificuldade que o Estado tem de garantir segurança. como. e por causa de uma tensão permanente muito relacionada com a desigualdade social. Isso é diferente de uma violência social que existe de forma disseminada em países muito desiguais e em países onde há uma violência endêmica na sociedade que se expressa na criminalidade. Isso explica atitudes tão absurdas e agressivas como colocar arame farpado nas ruas para derrubar os motoqueiros. na corrupção. no individualismo. pela oportunidade de bater também na polícia. Há um ódio muito grande também por conta da impotência. Esses fenômenos antissociais se misturam. por exemplo. e discordo dos que dizem que os black blocs são fascistas. também na Venezuela. Maduro. São pessoas que sempre foram desprezadas pela elite local e que afirmam sua cidadania nesse novo cenário. O outro ser humano é visto. no uso generalizado de drogas. Acho que há necessidade de uma análise mais serena do fenômeno dos black blocs. Morreu o cinegrafista no Rio de Janeiro. que. o ódio expressado na forma dos black blocs.redebrasilatual. meio maluca.com. O episódio do Rio de Janeiro. a princípio. O fenômeno tem a ver com a violência policial. São fenômenos antissociais que proliferam em países como o Brasil. Na periferia brasileira. Tem a ver não só com a pobreza. ou coisa que o valha. e assim por diante.26/10/2014 Após década de líderes carismáticos.html 9/11 . na brutalidade da polícia. a rejeição à presença de jovens da periferia nos shoppings.br/politica/2014/03/apos-decada-de-lideres-carismaticos-esquerda-latinoamericana-tenta-retomar-o-folego-4081. mas quem mais corre risco são os próximos black blocs. isso de amarrar um suspeito no poste. e as massas de pessoas que se sentem pobres e empoderadas com as conquistas desses governos. quem faz são também pessoas do povo. tem uma situação meio que de todos contra todos. esquerda latino-americana tenta retomar o fôlego — Rede Brasil Atual como Chávez. no México. já que estão há 15 anos tentando derrubar o governo progressista venezuelano. sem sucesso. de uma forma temerária. de classe social mais pobre. mas com a incapacidade do Estado de lidar com essa realidade. a gente olha http://www. como uma pessoa perigosa.

são monólogos violentos. sim. como quando alguém queima um ônibus ou assalta um banco. Vínhamos de um momento em que as redes sociais eram celebradas como instrumento de democratização da comunicação. Os carros que você vê desfilando nas ruas. o que pensa diferente. vira uma pancadaria. Usa para agredir o outro. e não vê a violência no mundo do trabalho. mas é o único símbolo presente da instituição. e isso pode se expressar tanto como black blocs ou no sujeito que despeja sua fúria sobre um infeliz que cometeu um delito. você entra nas redes sociais e é uma coisa impressionante como as redes sociais são usadas como instrumentos de agressão. Eu não gosto disso. em relação à internet. como vemos na Venezuela? Acho que havia uma ilusão.redebrasilatual. e está aí o tempo todo. São violências que não são explicitamente violências. qualquer comentário. uma praça pública virtual. que trabalha 12 horas por dia para ganhar R$ 900. As pessoas presas no trânsito. deixando. ou outros que se revoltam contra a morte de um morador da favela e queimam um ônibus. Eu nem opino mais. as redes sociais estão sendo mais utilizadas como instrumento de desinformação. que é a seguinte: o controle dos meios de informação por algumas empresas muito poderosas surge e se instala pelo fato de que essas empresas tinham acesso a certos http://www. Isso é uma violência.26/10/2014 Após década de líderes carismáticos. Qualquer notícia que cai nas redes sociais. a reação não é o debate. quando a funcionária do McDonald's. Então esse espaço que seria de cidadania. a população com um ônibus a menos. A ostentação e o luxo absurdos das classes privilegiadas do Brasil. sem conseguir chegar em casa. Vejo como um efeito da desigualdade que segue se aprofundando.br/politica/2014/03/apos-decada-de-lideres-carismaticos-esquerda-latinoamericana-tenta-retomar-o-folego-4081. mas não consegue estudar porque fica muito cansada. enquanto o motoboy está parado no farol. mas é algo vivido por suas vítimas como tão traumático e doloroso quanto. por exemplo. Hoje.com. Na sua opinião. esquerda latino-americana tenta retomar o fôlego — Rede Brasil Atual muito para os fenômenos de violência.html 10/11 . É muita raiva que as pessoas têm. porque qualquer coisa que eu disser já vai ter alguém me xingando.

mas com a internet eu posso fazer meu boletim. pelo menos. onde encontra-se de tudo. e as empresas estão em melhores condições para essa disputa. podemos disputar. porque na base. é mais difícil impor uma mentira. que por sua vez só têm acesso a essa fonte de informação. como uma impressora de milhões de dólares. não estamos mais em um mato sem cachorro como antes. São meios muito restritos. na prática.26/10/2014 Após década de líderes carismáticos. em cadeia. http://www. reproduzidas em rede.html 11/11 . é um espaço ainda a ser disputado. se ninguém me conhece? Então quem consome informação na internet consome informação das mesmas empresas de sempre. temos condições de fazer nossa guerra de guerrilha. postar na internet e teoricamente ele está acessível para milhões de pessoas sem custar quase nada. ou uma concessão de rádio e televisão.redebrasilatual. é o seguinte: quem vai acessar meu boletim. Agora. A internet não significou a democratização da informação.br/politica/2014/03/apos-decada-de-lideres-carismaticos-esquerda-latinoamericana-tenta-retomar-o-folego-4081. Então esse potencial libertário da internet fica muito prejudicado. do Estadão. o capital simbólico continua nas mãos da Globo. Não significa que não mudou nada. E. mas. por milhares e milhares de atores. certas mentiras não podem mais ser publicadas impunemente sem ter uma contraposição. Essa era a ideia. então neste momento em que vivemos.com. da Abril. esquerda latino-americana tenta retomar o fôlego — Rede Brasil Atual instrumentos completamente fora do alcance do cidadão comum. que é o que a massa de pessoas menos informada tem como referência na selva que é a internet. da captação e processamento de informação.