Fernando Sabbatini é professor da Escola Politécnica da USP e um dos mais entusiasmados defensores da

alvenaria estrutural em edifícios. Sabbatini trabalhou recentemente em um manual sobre alvenaria estrutural
para habitação desenvolvido pela Caixa Econômica Federal.
Quais são as vantagens de se utilizar a alvenaria estrutural?
Sempre fui um grande defensor do uso de alvenaria estrutural. Na minha opinião é um dos processos ou talvez o
processo construtivo mais adequado para a execução de edifícios aqui no Brasil. Tanto por questões econômicas
como sociais. Até porque, processos com grau de industrialização maior que a alvenaria estrutural encontram
barreiras culturais e dificuldades de entrar no mercado da construção civil. Há vários anos venho lutando pelo
fortalecimento do conceito de alvenaria não-armada e tenho trabalhado com blocos de concreto, prestando
assessoria a uma empresa do setor.
Por que alvenaria não-armada?
Na verdade, a alvenaria estrutural é essencialmente não-armada. A armadura pode ser usada preventivamente
para resistir aos esforços que poderão vir a atuar sobre a alvenaria ou para evitar acidentes durante a vida útil
do imóvel. Ou, ainda, quando há esforços excepcionais previsíveis, como terremotos e tornados.
Em quais situações é ideal indicar a alvenaria armada e a não-armada?
Uma das justificativas usadas para a alvenaria estrutural não armada é o fato de ser mais econômica, pois
quando não há esforços excepcionais, ela apresenta um desempenho estrutural equivalente. No Brasil, o que se
faz é a alvenaria parcialmente armada, cuja armadura é colocada por necessidades construtivas e não por
necessidades estruturais, com exceção de prédios de grandes alturas. As grandes obras do passado, como
monumentos e igrejas, são de alvenaria não-armada. O uso da armação ainda é muito recente na história da
alvenaria e foi aos poucos sendo incorporado, justamente por ampliar as opções de projeto. Com a alvenaria
armada é possível construir edifícios de hipermercados e shoppings, com paredes de grande altura.
Quais são os limites de uma construção com alvenaria estrutural?
Torres com até 25 pavimentos podem ser construídas em alvenaria armada, com segurança. Já com a alvenaria
não-armada o ideal é que as construções tenham no máximo 12 a15 andares. Nestes edifícios os esforços de
vento não são significativos.
Vamos falar de qualidade. Há muito tempo a Caixa Econômica Federal já financiava edifícios em alvenaria
estrutural, mas algumas dessas obras enfrentaram problemas...
A Caixa Econômica financia edifícios em alvenaria estrutural desde a década de 70 e continua financiando. O
problema é que como órgão financiador, a instituição pouco observava a qualidade das construções. Quando a
Caixa deu início ao PAR - Programa de Arrendamento Residencial, o bem imóvel passou a ser propriedade da
instituição, e, conseqüentemente, um bem público. Foi a partir daí que ela passou a se preocupar mais
fortemente com a qualidade.
É possível usar o bloco sem revestimento, ou é necessário aplicar algum tipo de selante?
Nos EUA, isso é comum. Acontece que lá o bloco é especial, não só porque contém produtos que o tornam
hidrorrepelente, como também porque possui um sistema de drenagem interno, de maneira que a água é
expelida. É possível usar a alvenaria estrutural aparente, mas para isso é necessária uma tecnologia específica
que o setor da construção no Brasil não domina e também, por outro lado, custaria tão mais caro que é
preferível revestir.
O senhor trabalhou na definição desses padrões de qualidade?
Sim. Esse trabalho resultou em diretrizes mínimas para a execução de edifícios em alvenaria estrutural, baseadas
na normalização brasileira e, onde ela é falha, na normalização internacional. Essas diretrizes são bastante
claras, tanto para aqueles que pretendem se habilitar a um financiamento, quanto para quem for propor o PAR
para a Caixa. A empresa tem que seguir essa linha básica, sob pena de não ter o financiamento aprovado ou ter
recusado o produto que está oferecendo.
A iniciativa significa uma melhora na qualidade dos imóveis?
No meu entender, isso fará com que haja uma melhoria significativa no que se faz em alvenaria estrutural. Aí
chegamos no bloco de concreto. Sua utilização pode oferecer edifícios perfeitos e sem nenhuma patologia, como
também pode gerar edifícios com condições de moradia inadequada. Tudo depende da tecnologia adotada e
também da qualidade do bloco.
O que é necessário para a produção de um bloco com boa qualidade?

e com máquinas de boa qualidade. em vez de se exigir que seja feita a medição da retração na secagem. No documento da Caixa.Edição 06 . de fato. Revista Prisma . ainda é pouco considerada. O bloco terá grande durabilidade. permitindo-se que na época os blocos fossem produzidos em condições inadequadas. mas com a cura a vapor é possível conseguir blocos com estabilidade adequada. desde que tenha sido executado de acordo com os padrões e normas exigidas. pois naquele momento o que importava era a resistência. A produção deve seguir procedimentos bem definidos. Aconteceu uma explosão. Por isso tantas empresas produziram de maneira imprópria. como isso acontece? Infelizmente a maioria das empresas produz blocos sem cura a vapor. passou a ser produzida mais intensamente. associando-se os blocos somente a construções populares. passou a se exigir que o bloco adequado tenha cura a vapor. no Brasil. Na prática. como por exemplo a cura a vapor. nunca no canteiro de obra. Isso. A partir dessas ações a intenção é que o mercado seja reorganizado. os imóveis começaram a apresentar uma sucessão de problemas e isso levou a um descrédito do sistema. Quando a alvenaria se mostrou um sistema vantajoso. Passado algum tempo.Precisa ser produzido sob condições adequadas. não condiz com a realidade. Não é que necessariamente todo bloco deva ser produzido com cura a vapor. em prazos mais curtos. A norma que avalia uma das propriedades mais importantes do produto.