Ministério da Educação e do Desporto

Universidade Federal de Ouro Preto
Departamento de Engenharia de Minas
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mineral –
PPGEM

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

MODELAGEM DE DESAGUAMENTO EM PENEIRA

Autor: Felipe de Orquiza Milhomem
Orientador: Prof.º José Aurélio Medeiros da Luz

OURO PRETO/MG
JUNHO/2013

Ministério da Educação e do Desporto
Universidade Federal de Ouro Preto
Departamento de Engenharia de Minas
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mineral –
PPGEM

MODELAGEM DE DESAGUAMENTO EM PENEIRA

Autor: Felipe de Orquiza Milhomem

Orientador: Prof. Dr. José Aurélio Medeiros da Luz

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação do Departamento de Engenharia de
Minas da Escola de Minas da Universidade
Federal de Ouro Preto, como parte integrante dos
requisitos para obtenção do título de Mestre em
Engenharia Mineral.

Área de Concentração: Tratamento de Minérios

Ouro Preto/MG
Junho de 2013.

II

M644m

Milhomem, Felipe de Orquiza.
Modelagem de desaguamento em peneira [manuscrito] / Felipe Orquiza
Milhomem – 2013.
xvii, 147f.: il. color; graf., tab.
Orientador: Prof. Dr. José Aurélio Medeiros da Luz.
Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Ouro Preto. Escola de
Minas. Departamento de Engenharia de Minas. Programa de Pós-Graduação
em Engenharia Mineral.
Área de concentração: Tratamento de Minérios.
1. Peneiramento (Mineração) - Teses. 2. Modelagem - Teses. 3. Simulação
por computador - Teses. 4. Escoamento - Teses. I. Luz, José Aurélio Medeiros
da. II. Universidade Federal de Ouro Preto. III. Título.
CDU: 622.72:004.94

Catalogação: sisbin@sisbin.ufop.br

CDU: 669.162.16

III

IV .

Otávia Martins Rodrigues e Mário Cabello Russo. Agradeço ao meu orientador. Aos funcionários do DEMIN/PPGEM que me auxiliaram quando precisei de algo. À minha namorada. o professor José Aurélio Medeiros da Luz. especialmente meus pais. em especial Rosa Malena e Érica Linhares. que contribuíram à minha formação. Aos colegas de pós-graduação.AGRADECIMENTOS Gostaria de agradecer em primeiro lugar a Deus. que me incentivaram e tornaram as coisas por aqui mais felizes e divertidas. Karla Marques. tanto aqueles que ficaram no Pará (mas que ainda sim torceram por mim). pelo apoio dentro e fora da sala de aula. pelas conversas e também pelos esclarecimentos. Aos meus familiares. pelo apoio. Ao professor Carlos Alberto Pereira. Assis e Irenilde. mas também pelo seu companheirismo e lições que me ajudaram muito. pelo Seu amor e bondade incondicionais. fornecido integralmente ao longo de minha vida e também nesta etapa. pelos ensinamentos e auxílio prestados. que me ajudou (e muito!) a superar todas as angústias e aos amigos. por se dispor a analisar e sugerir melhorias que ajudaram a enriquecer este trabalho. V . quanto os novos (“adquiridos” aqui em Ouro Preto). não apenas pelo suporte e ensinamentos técnicos. Aos professores que participaram da minha banca examinadora. que me forneceram as condições (de quaisquer natureza) de vencer as barreiras que surgiram para mim ao longo desses 2 anos. e meus irmãos. Fabrício e Nayara. tanto os de cunho técnico quanto pessoal e aos demais professores do programa.

E agradeço a todos aqueles que não foram lembrados aqui. Muito obrigado a todos! VI .À CAPES. mas que de forma direta ou indireta me ajudaram a alcançar mais esta conquista. pelo fornecimento da bolsa de estudos.

Dada sua importância no processamento mineral. simulação. modelagem. Esse modelo será baseou-se nas forças hidráulicas descritas pela equação de Ergun. tensão superficial e fração de área aberta mostraram pouca importância nos resultados. dentre outros. concentrados de minério e rejeitos. finos de carvão. amplitude de 0. pela altura da coluna de líquido.RESUMO Peneiras vibratórias são comumente utilizadas no beneficiamento mineral para a separação das espécies por tamanho.55 Hz com tensão superficial de 72 x 10-2 N/m. este trabalho teve por objetivo estudar o desaguamento por peneiras vibratórias por meio da construção de um modelo matemático. Palavras-chave: peneira vibratória. a concentração de sólidos na polpa e a excitação da peneira (frequência e amplitude). pela perda de carga nas aberturas da peneira (acidentes hidráulicos). Elas também podem ser empregadas para a etapa de desaguamento de sistemas particulados como areia. desaguamento. VII . com 30% de sólidos. Por outro lado. Simulações foram realizadas com o intuito de verificar quais as melhores condições de drenagem do líquido (maior velocidade de percolação). tendo como vantagem os baixos custos de montagem e operação. Os melhores resultados obtidos foram com esferas de vidro. os parâmetros que mais influenciam no processo são a morfologia das partículas. Assim.002 m e frequência de 167. pelas forças interfaciais (capilaridade) e pelas forças mecânicas devidas ao movimento vibratório da peneira.

Keywords: vibrating screen.ABSTRACT Vibrating screens are commonly used in mineral processing for size separation of species. with low operational and installation costs. simulation.002 m amplitude. This work aims to study the dewatering with vibrating screens through the development of a mathematical model. The model is based on the hydraulic forces described by Ergun's equation. The best values were achieved with glass beads at 30 % of mass solids concentration. Simulations were performed in order to determine the best conditions for the liquid flow. on the pressure drop in the openings of the sieve (hydraulic accidents). on the height of the column of liquid interfacial forces (capillary action) and on the forces due to mechanical vibratory motion of the sieve. modelling. The main factors that influence the dewatering in vibrating screens are the particles morphology. 0. VIII . under frequency of 167. They may also have common use for particulate systems dewatering. dewatering.55 Hz and with surface tension of 72 x 10-2 N/m. sludge concentration and amplitude and frequency of screen. Surface tension and screen open area didn‟t show improvement.

.....................................................LISTA DE TABELAS Tabela 3.... 46 Tabela 3................ 108 Tabela 5.....5: Aspectos levados em conta no dimensionamento de peneiras ..............................................4: Fatores que influenciam no desaguamento com peneiras vibratórias.........2: Valores analisados de cada variável ......................................................... 114 Tabela 5.....................3: Resultados de simulação para esferas de vidro: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a tensão superficial e frequência de operação 103 Tabela 5...............................................7: Resultados de simulação para areia: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a tensão superficial e frequência de operação 112 Tabela 5................3: Cotejo entre alguns tipos de peneiras vibratórias ................................................. 47 Tabela 3....................................... 106 Tabela 5......................................... 99 Tabela 5. 88 Tabela 4......................................10: Resultados de simulação para areia: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a concentração mássica de sólidos e frequência de operação . 116 Tabela 5......... 89 Tabela 4........................... 99 Tabela 5............... de acordo com sua granulometria .............2: Cálculos para análise granulométrica ......................1: Variáveis analisadas em 10 diferentes cenários de simulação ......................................... ..................... 25 Tabela 3..........................................4: Resultados de simulação para esferas de vidro: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a fração de área aberta e frequência de operação .............................................................................................................. 31 Tabela 3..........................................................................8: Resultados de simulação para areia: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a fração de área aberta e frequência de operação ............... 110 Tabela 5............................................6: Resultados de simulação para esferas de vidro: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a concentração mássica de sólidos e frequência de operação .........................................1: Índice de Hausner (Hr) e escoabilidade de meio granular .3: Resultados encontrados para massa específica real..................................................... 48 Tabela 4.........9: Resultados de simulação para areia: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a amplitude e frequência de operação ....................................................... 118 IX .....5: Resultados de simulação para esferas de vidro: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a amplitude e frequência de operação .....................2: Principais parâmetros analisados de acordo com a distribuição de RosinRammler..............1: Classificação das micro esferas de vidro.... 92 Tabela 5................. aparente e porosidade da areia ....................................................................

. 38 Figura 3.....18: Comparação entre perda de carga com e sem vibração para peneira de 250 x 10-6 m (60 #)......................................10: Partição do fluido em peneira DSM..........14: Ilustração dos padrões de movimento vibratório da peneira: a) movimento circular......15: a) Desenho esquemático dos perfis de inclinação de uma peneira modular.LISTA DE FIGURAS Figura 3. ............................................... .......................... 45 Figura 3.....19: Esquema das principais regiões de peneiramento.........16: a) Representação esquemática de uma peneira desaguadora: 1) alimentação................... 4) inclinação ascendente na descarga....................................passante)........... 27 Figura 3.. b) Exemplo de material retido na tela da peneira......... 36 Figura 3......................................................8: Exemplo de grelha fixa. 49 Figura 3... ... 39 Figura 3.................. Os resultados são mostrados em função do coeficiente de perda de carga (k) versus o tempo.... b) inclinadas. ...... 53 Figura 3.. 41 Figura 3........................ ...... 44 Figura 3..... ..............................................................9: Exemplo de peneira DSM...................................3: esquema mostrando o ângulo de repouso (β) e o ângulo de atrito interno (α)..... 54 X ........... 2) filtragem da água através peneira... ........ 41 Figura 3.................. ........ proporcionando a descarga de sólidos desaguados... 42 Figura 3........... b e d) movimento oval.12: Esquema típico de peneira vibratória inclinada.. ....17: Desenho esquemático do processo de filtragem.................................................. 35 Figura 3............. .................. b) perfil de profundidade nas regiões de alimentação e de descarga......................... 22 Figura 3........................................... ....................................... 2012).... ......6: Projeção de um grão de areia através de coordenadas polares.................. 2012).. segundo distribuição de Weilbul. 34 Figura 3..................................... A estrela indica o centro de gravidade das mesmas (A – alimentação... .................. R – retido......................... .....................7: a) Modelo esquemático do processo de peneiramento.... 26 Figura 3.............................. 28 Figura 3....11: Esquema de trômel com duas telas............1: Exemplo de um típico sistema particulado........................................... c) movimento linear...... ...................................4: Diâmetros equivalentes para uma mesma partícula.............5: Demonstração da não-aderência estatística com a distribuição de Gauss de uma amostra peneirada............ ....................... b) exemplo de uma peneira desaguadora industrial (Fonte: Eral.................................. 30 Figura 3........... ...... P ........2: Tempo para atingir o pico de cegamento versus índice de Hausner. 40 Figura 3. ................................................13: Movimento da partícula em peneiras vibratórias: a) horizontais. 3) motores que criam o movimento linear de vibração...... (Fonte: McLanahan.......... ...........

........................................... também ocorre a drenagem do líquido residual..5: Distribuição granulométrica das amostras... (C – valor múltiplo da aceleração [-])....................... λ ..............6: Escala de Krumbein para avaliação visual da esfericidade de partículas (no eixo horizontal se encontram os valores de arredondamento e no vertical....21: comparação entre o desaguamento com e sem um meio de sucção capilar................... 94 Figura 5....20: Eficiência do peneiramento versus frequência (Dpi – diâmetro das partículas)................. 86 Figura 4. 67 Figura 3. polpa e torta.......................................................2: Exemplo esquemático do leito monodisperso e poros de igual quantidade das partículas............... 57 Figura 3................ A polpa é alimentada pela esquerda..............27: Coordenadas retangulares do sistema de Raja et alii: seção do sistema com presença da peneira (com inclinação )........................... ...................................... ...... Os valores próximos dos pontos representam a altura do leito................... ............................ tempo de operação e velocidade de filtragem para tensão superficial de 36 x 10-2 N/m (adição de sulfonato de petróleo)...........................................................parâmetro cinético).....4: Evolução do perfil de umidade: teórico versus experimental........... 66 Figura 3............................... 63 Figura 3..... ............. ................1: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência.... ......................... 93 Figura 4.................... 101 XI .8: Demonstração da obtenção da fração de área aberta da peneira................3: Considerações quanto à presença de líquido intersticial....................Figura 3.............. .................................. 76 Figura 4............................................... S – líquido sobre nadante......... estão os valores de esfericidade).................. 59 Figura 3. 93 Figura 4................ 58 Figura 3.. Z (t) – altura total do sistema........ 71 Figura 4.......... Nesta parte.. onde ocorre a filtragem do líquido..............24: Influência da frequência e do parâmetro cinético na saturação da torta (S – saturação.......22: Direção da aceleração em determinados intervalos de tempo..................... 70 Figura 4. f – frequência......... ......23: Forças atuantes na cinética de escoamento do líquido em um capilar devido à vibração......1: modelo esquemático mostrando os elementos presentes numa peneira desaguadora.................... . ............. 79 Figura 4. 68 Figura 3... os sólidos são levados para a parte de descarga..........26: Esquema de desaguamento com peneiras vibratórias.................................... Com o movimento vibratório................................. .................................... .. e – espessura do leito de material particulado (com presença de líquido intersticial)................................................. b) areia quartzosa...............................28: Resultados obtidos mostrando a relação entre a porosidade e o diâmetro das partículas (dp) com a vazão de filtrado (Q)... ............................................... 89 Figura 4................................................25: Umidade versus parâmetro gravitacional.................... 55 Figura 3............................ ..... à direita da figura............... ...7: Amostras utilizadas: a) esferas de vidro..............

.9: Ensaios com areia: relação entre frequência.... 113 Figura 5.......Figura 5....... 109 Figura 5... 118 XII ..........5: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência...............11: Ensaios com areia: relação entre frequência................ 107 Figura 5.......... ...3: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência... 112 Figura 5...............................12: Ensaios com areia: relação entre frequência... ...........002 m............. ................10: Ensaios com areia: relação entre frequência....... tempo de operação e velocidade de filtragem para fração de área aberta de 34...... . tempo de operação e velocidade de filtragem para fração de área aberta de 36%.... 109 Figura 5.........13: Ensaios com areia: relação entre frequência.. ... .2%..... tempo de operação e velocidade de filtragem para tensão superficial de 72 x 10-2 N/m.... 102 Figura 5..................... tempo de operação e velocidade de filtragem para amplitude de vibração de 0............0015 m........ ..... tempo de operação e velocidade de filtragem para concentração de sólidos de 30%................... tempo de operação e velocidade de filtragem para fração de área aberta de 36%............................. tempo de operação e velocidade de filtragem para tensão superficial de 72 x 10-2 N/m....... tempo de operação e velocidade de filtragem para concentração de sólidos de 40%.... tempo de operação e velocidade de filtragem para amplitude de vibração de 0............. ........... 115 Figura 5......... 116 Figura 5.......0015 m...... tempo de operação e velocidade de filtragem para concentração de sólidos de 30%....4: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência.. ............................... 111 Figura 5.. .............7: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência.. 105 Figura 5......8: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência............2%... ....... 114 Figura 5................. tempo de operação e velocidade de filtragem para tensão superficial de 36 x 10-2 N/m....15: Ensaios com areia: relação entre frequência......... tempo de operação e velocidade de filtragem para fração de área aberta de 34....................2: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência.....002 m.14: Ensaios com areia: relação entre frequência...16: Ensaios com areia: relação entre frequência. tempo de operação e velocidade de filtragem para amplitude de vibração de 0.................. ... tempo de operação e velocidade de filtragem para amplitude de vibração de 0....... 117 Figura 5. 107 Figura 5....................... ..... 104 Figura 5............... tempo de operação e velocidade de filtragem para concentração de sólidos de 40%.........6: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência............

Cd – coeficiente de descarga [-]. dada por: A – amplitude da vibração da peneira [m]. Cms – concentração mássica de sólidos [-]. dada por: Fv – força operacional aplicada. At – área transversal da peneira [m²]. dp – diâmetro da partícula [m]. a e b – constantes. Cml – concentração mássica de líquido [-]. Apo – área do poro [m²] as = 4/3 e. Ff – força de atrito viscoso. f – frequência de operação [Hz]. dpo – diâmetro do poro [m] e – espessura do leito [m]. dh – diâmetro equivalente do tubo capilar [m]. dada por: Fi – força inercial. dependendo da característica do material (quanto mais fino. XIII . ax e ay – abertura da peneira nos planos “x” e “y” respectivamente [m]. como função do tempo e da altura do leito [-]. menor seu valor). C – valor múltiplo da aceleração. devida à aceleração e vibração da peneira. bs = 1/2. dk – diâmetro de Kozeny das partículas (medido através da permeabilidade da torta) [m]. Ay – amplitude de vibração normal à superfície da peneira [m]. dada por: Ft – força capilar (força de retenção). Cvs – concentração volumétrica de sólidos [-]. Ap – área da partícula [m2].LISTA DE ABREVIAÇÕES E NOTAÇÕES v yL – velocidade do líquido na direção “y” [m/s]. ab – valores que vão de 1 a 6.

n – número harmônico. H – altura do tubo capilar [m]. npo – número de poros [-]. Rc – raio do capilar [m]. k – permeabilidade do leito [-]. kc – permeabilidade da torta [-]. Qvf – vazão volumétrica de filtrado [m3/s]. m3 – massa do picnômetro + amostra + água [g]. G – parâmetro gravitacional [-]. m2 – massa total do conjunto (proveta + areia + água) [kg]. hscr – espessura da peneira [m]. h – ascensão capilar [m]. hm – espessura da polpa [m]. n – umidade instantânea. hc – espessura da torta [m]. Kϕ – coeficiente de perda de carga da peneira [-]. Reϕ – número de Reynolds da peneira [-]. np/e – número de partículas por estrato [-]. m1 – massa do conjunto (proveta + areia) [kg]. L – comprimento da peneira [m].fa – fração de área aberta da peneira (porosidade da peneira) [-]. kscr – permeabilidade da peneira [-]. pb – pressão capilar máxima (breakthrough pressure) [Pa]. ke – permeabilidade do leito [-]. g – aceleração da gravidade [m/s²]. m4 – massa do picnômetro + água [g]. m2 – massa do picnômetro + amostra [g]. Rf – raio da partícula no ângulo θ [mm]. m1 – massa do picnômetro vazio [g]. Hr – índice de Hausner [-]. m – massa da amostra seca em estufa [kg]. XIV . n0 – valor mínimo de n.

μ – viscosidade do líquido [Pa.SF – saturação da película [-]. Vs pen – volume de sólido na peneira [m³]. λ – parâmetro cinético (múltiplo da aceleração) [-]. v – velocidade superficial de escoamento (drenagem) [m/s]. θ – ângulo de contato da fase sólido-líquido [°]. Vl total – volume total de líquido [m³]. εs – porosidade do leito [-]. εL – porosidade do líquido no leito sólido [-]. α0. γ – tensão superficial do líquido [N/m]. Δpγ – pressão interfacial [Pa]. Vp – volume da partícula [m3]. δ – ângulo de contato [º]. ηl – viscosidade dinâmica do líquido [Pa. vx – velocidade de transporte na direção “x” [m/s]. Vv – volume de vazios [m³]. Vpro – volume da proveta [m3]. αn e βn – coeficientes de Fourier [-]. β – coeficiente de escoamento cinético (parâmetro inercial) [-]. XV .s].s-1]. Slb – saturação entre as partículas [-]. Δp – diferença de pressão [Pa]. Δpϕ – perda de carga na tela da peneira [Pa]. Va – volume de água adicionada à proveta [m3]. Vs– volume de sólido [m³]. t – tempo de operação [s]. Vl inst – volume de líquido intersticial [m³].s]. Vl sobre – volume de líquido sobrenadante [m³]. ρa – massa específica da água [kg/m3] ρap – massa específica aparente do sólido [kg/m3]. v – velocidade de percolação intersticial do fluido (velocidade superficial de filtragem) [m. θ – ângulo de inclinação da peneira.

ρs – massa específica real do sólido [kg/m3]. ϕ – diâmetro do fio da peneira [m]. ψ – esfericidade [-]. ρpo – massa específica da polpa [kg/m³]. ω – frequência angular da peneira [rad/s]. φ – ângulo de fase [-].ρf – massa específica do filtrado [kg. XVI . ϕx e ϕy – diâmetro do fio da tela nos planos “x” e “y” respectivamente [m].m-3]. ρl – massa específica do líquido [kg/m³].

............2...... OBJETIVO E RELEVÂNCIA .............1.......2 Modelo de desaguamento de peneiras de Ng (Ng...................1997) ...............................................2...7 Modelagem do desaguamento em peneiras vibratórias ................................ 24 3......... 37 3.................2 Índice de Hausner ....................................... 74 XVII ............................................................ 73 4.................................3 Mecanismos de filtragem aplicáveis ao desaguamento em peneiras ..................................................2............................................ 27 3....................5 Vibração em peneiras ....................1 Modelo de desaguamento de peneiras de Keller e Stahl (Keller e Stahl........... 28 3...1................................... 33 3..3 Modelo de desaguamento Raja et alii (2010) ...2 Perda de carga na tela da peneira (Δ pϕ) ......... 31 3.....................................6 Capilaridade dos sistemas particulados ....................1........................ 71 4...........7............4 Perda de carga na tela da peneira .... 36 3.........................................1...........1 Sistemas particulados e sua caracterização .................................... 24 3.. 58 3........... 47 3.. 1994.........7................................................................2 Peneiras fixas ...................... 71 4...1.... 21 3............... 63 3.......................................... 1990) .. 48 3......... 67 4............................................................................................4 Tamanho e distribuição de tamanho de partículas ..........................................1 Desenvolvimento do modelo matemático ..............................3 Ângulo de repouso....... 52 3............... 56 3................................................................................... 22 3................................................................... 53 3...............................................1 Massa específica real e aparente e densidade ............................ 57 3............................................2........................................................................................... 36 3..................2 Dimensionamento de peneiras ................................................. MATERIAIS E MÉTODOS ..................1.....................3 Peneiras móveis ..........1................6 Análise da morfologia de partículas a partir de séries de Fourier ....... 22 3...5 Morfologia de partículas .......2 Peneiramento .................................................SUMÁRIO 1............................................ INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 39 3.........................................................1......... REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................... ângulo de atrito interno e velocidade de escoamento ........1..........7.........1 Perda de carga em meio poroso (Δ pe) .............................................................1..... 19 2............................................ 34 3...1 Equipamentos..................1......2......1 Grelhas ..............

................... 87 4.....................1.......2...................... 87 4........................................ 81 4..................... RESULTADOS ..7 Equação para determinação da umidade residual da torta ..3 Influência da amplitude do movimento para drenagem com areia .................. 119 6...................................................2.........................1.................................................. 85 4.....................4........................ 108 5.............3 Perda de carga interfacial (capilaridade) (Δ pγ) ..............4 Pressão hidrostática (Δ ph) ..............6 Equação para o cálculo da velocidade de drenagem ............4 Influência da concentração mássica de sólidos para drenagem com esferas de vidro ....... SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ............................... 124 9......2 Simulação com areia ...............................................................1.......................................2..................... 78 4...................2........... CONCLUSÃO ................... 93 4...............3 Determinação da massa específica das amostras (real e aparente) e porosidade ......................... 111 5........................................................................................................................................................1......1...............................................................................6 Determinação da espessura do leito de partículas e da lâmina de sobrenadante ......... 123 8........ 115 5....................2 Influência da fração de área aberta da peneira para drenagem com esferas de vidro ........2 Caracterização granulométrica das amostras ...5 Características da tela da peneira ........... 94 4............................ 131 XVIII ...........1 Amostras ............................. ADENDOS ............1 Simulação com esferas de vidro ............... 104 5...................1....2........................................ 84 4............ 100 5......1 Influência da tensão superficial para drenagem com esferas de vidro......................1 Influência da tensão superficial para drenagem com areia ...........2.............. 90 4......................................... 99 5........................................................................2.................................................. 95 5.......................2........3 Influência da amplitude do movimento para drenagem com esferas de vidro .................4 Determinação da esfericidade ........... 117 5................2........... 111 5...3 Previsão da umidade residual da torta ......................... 121 7.. 100 5.............1................... 75 4.............. 106 5.. 113 5.1.4 Influência da concentração mássica de sólidos para drenagem com areia ............................................................2 Caracterização das amostras para realização da simulação ................................1.....5 Pressão mecânica (aceleração do sistema) (Δ pm) .............................2 Influência da fração de área aberta da peneira para drenagem com areia .................................................... 88 4.........................2.............. REFERÊNCIAS .....................

na classificação em que é realizada a separação das espécies de acordo com suas granulações. A presença de água pode ser utilizada devido a parâmetros operacionais. no peneiramento. na passagem do líquido através de sólido estacionário (filtragem) ou mesmo aplicação de forças centrífugas (ciclones) e vibratórias (peneiras desaguadoras) 19 . entretanto. INTRODUÇÃO Sistemas particulados apresentam elevada ubiqüidade. ajuda a mitigar o efeito da elevada área específica de partículas mais finas. No beneficiamento mineral. Todavia. que devido aos diferentes mecanismos de quebra envolvidos. a água deve ser separada posteriormente da fase sólida. que por ventura acabam aderidas em partículas maiores e destinadas a produtos equivocados na operação) e também em etapas de concentração. caracterização e processamento. também apresentam elevada complexidade no seu entendimento. como poeiras e gases) ocorre com presença de grande quantidade de água. Basicamente. em contraste com os sistemas rarefeitos. o tratamento de sistemas particulados (também conhecidos como graneis ou sistemas particulados densificados. como no caso da moagem que evita sobreaquecimento do equipamento. ou que façam a operação com auxílio de outros fluidos que não a água). Na maioria das vezes. gerarão como produtos uma infinidade de partículas com granulações as mais diversas. por meio de separação hidráulica. sendo imprescindível o seu uso (salvo em casos de utilização de técnicas que ou utilizem o processamento a seco. a presença de água se faz até mais significativa. os métodos empregados para a separação entre as fases podem consistir na sedimentação do sólido em líquido estacionário (espessamento). Neste último caso. a presença de água auxlia na separação física entre os graneis (inclusive. a partir de etapas de cominuição de uma rocha progenitora. fazem-se presentes nas variadas etapas do processo.1.

que se utiliza de diferenças de pressão (positiva ou negativa) e mesmo da presença de reagentes. podendo ser substituída em alguns casos pelo desaguamento com peneiras. as operações de desaguamento podem ser executadas em conjunto. é uma operação cara e complexa. este trabalho visou à elaboração de um modelo matemático que permita prever quantitativamente o comportamento de peneiras desaguadoras. que é retido por uma barreira física (tela com abertura menor que o menor tamanho de partícula). A filtragem. com o líquido filtrado escoando através de um meio sólido. A validação do modelo matemático foi feita a partir da simulação dos experimentos. dependendo das características do material e da análise econômica do empreendimento. Peneiras desaguadoras atuam de forma semelhante à filtragem. 20 . como sedimentação seguida de filtragem.Em geral. Dentro desse contexto. entretanto.

portanto. 21 .  Desenvolver um modelo matemático que permita avaliar o perfil da evolução da umidade residual durante a operação de desaguamento em peneiras vibratórias. sob a ótica da filtragem. OBJETIVO E RELEVÂNCIA  Desenvolver um modelo matemático que permita analisar e quantificar a ação dos mecanismos presentes no desaguamento com peneiras vibratórias. um maior conhecimento da operação de desaguamento em peneiras vibratórias ao aplicar mecanismos de filtragem para o desaguamento.2. Além disso. o sistema computacional poderá ser aplicado para simulação de peneiras desaguadoras. Este estudo permitirá.

dada sua ubiqüidade.1) possuem grande importância econômica em diversos setores. serão mencionadas as principais características dos sistemas particulados que podem influenciar nas operações de processamento mineral e em especial. nas operações de separação sólido-líquido. 22 .1 Sistemas particulados e sua caracterização Materiais particulados (caracterizados por serem grandes partículas macroscópicas.3. ciência dos materiais e mineração. até pequenas quantidades de pequenas partículas produzidas na indústria farmacêutica. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA A seguir. 3. desde a grande quantidade de rochas de granulação maior utilizadas na construção civil. Também será feita breve introdução nos princípios de filtragem e na utilização do peneiramento convencional para separação das partículas conforme suas faixas granulométricas. nanotecnológica. Outros campos fortemente influenciados pelas características do material particulado incluem indústria alimentícia.1: Exemplo de um típico sistema particulado. Figura 3. figura 3.

Embora exerçam grande importância na vida cotidiana, eles apresentam alta
complexidade e difícil quantificação dos parâmetros envolvidos na sua caracterização e
tratamento. Tal complexidade pode ser atribuída à sua metaestabilidade, que os deixam
no limiar entre características de sólidos e dos fluidos (líquidos e gases), conforme
afirmam López et alii (2008). Ainda segundo esses autores, as interações entre as
partículas são configuradas como repulsivas e dissipativas (inelásticas).
A complexidade apresentada pelos graneis pode ser ainda aumentada no caso do
processamento mineral, como é o caso das polpas minerais (mistura entre água e sólidos
finamente cominuídos) que apresentam características híbridas entre o sólido e o fluido
e exibem comportamento reológico não-newtoniano (LUZ, 2011). Seu conhecimento no
processamento mineral é crucial, portanto, para o bom andamento de diversas operações
como cominuição, peneiramento, manuseio (bombeamento, estocagem, etc.) separação
sólido-líquido e concentração das espécies minerais.
Quanto ao grau de granulação (ou dimensão do sistema disperso em um meio
contínuo) os sistemas particulados classificam-se em: solução verdadeira, dispersão
coloidal, (as maiores partículas apresentam-se com pelo menos uma dimensão superior
a um micrômetro), ou suspensão (as partículas possuem dimensão maior que o limite
coloidal).
A caracterização de partículas é importante em todos os aspectos da produção
das mesmas: fabricação, manipulação, processamento e aplicações. Caracterização das
partículas é a primeira tarefa necessária requerida num processo que envolve as
partículas sólidas. Inclui não só os parâmetros intrínsecos estáticos (tais como tamanho,
forma, densidade, morfologia, etc.), mas também o seu comportamento dinâmico em
relação ao fluxo de fluido (por exemplo, o coeficiente de arrasto e da velocidade
terminal).
Deve-se levar em conta que esses sistemas são o somatório das características de
todas as pequenas partículas. Assim, certas características levam em conta partículas
individuais (com sua generalização para as demais), como forma, dureza, massa
específica real, condutividade, etc. e aquelas características da associação de todo o
sistema, tais como área específica, massa específica aparente, permeabilidade, ângulo de
repouso natural, etc.

23

Ademais, também pode ser realizada a caracterização no que concerne às suas
características de operação, como o escoamento em silos, o transporte em correias e
carregadores, a sua explosividade, etc.

3.1.1 Massa específica real e aparente e densidade

A massa específica de um corpo diz respeito à relação entre a sua massa e o
volume ocupado pela mesma. Podem ser considerados dois aspectos da massa
específica de um corpo: a aparente e a real. A primeira considera o volume total da
amostra (inclusive os vazios), e assim, é depende do grau de compactação do material.
A massa específica real, por sua vez, considera somente o volume do material sólido
que ocupa dado volume, sem considerar, entretanto, o espaço vazio entre os mesmos.
Comumente, se confunde massa específica real e densidade. A densidade
considera a razão entre a massa específica de um corpo com a massa específica da água
a 4º C (277 kelvins), isto é, uma grandeza adimensional. O valor de densidade de um
material representa quantas vezes ele é mais ou menos denso que a água. Um exemplo:
o valor padrão de densidade da água, à temperatura de 4° C é de 1,00. O valor do
mercúrio, nesta temperatura, é de 13,585, ou seja, ele é quase 14 vezes mais denso que a
água.

3.1.2 Índice de Hausner

O seu conhecimento permite descrever o grau de empacotamento e a
escoabilidade do granel. Trata-se de uma propriedade importante, que possibilita
avaliar, por exemplo, a estocagem de sólidos em silos, prever o tempo até que a peneira
atinja o pico de entupimento das telas (Robberts e Beddow, 1969) ou exerce influência
na uniformidade da dosagem das máquinas de fabricação de fármacos. Além disso,

24

deve-se ter em mente que quanto maior o grau de compactação da amostra, menor será
sua porosidade.
Esse índice é a razão entre a massa específica compactada e a massa específica
aparente da amostra. Segundo Prista el al (2002 apud BLOCK, 2007), valores do índice
de Hausner menores que 1,25 indicam materiais facilmente compressíveis. Valores
típicos de índice de Hausner podem ser encontrados na tabela 3.1.

Tabela 3.1: Índice de Hausner (Hr) e escoabilidade de meio granular
Hr

Escoamento

< 1,25

Fácil

1,25 - 1,5

Necessidade de lubrificante

> 1,5

Muito difícil

Fonte: Block, 2007

Assim, um índice de Hausner elevado indica alta compressibilidade do material
e por consequência, o seu escoamento será difícil.
Ainda pode ser definida uma relação entre o índice de Hausner e a esfericidade,
que segundo Zou e Yu (1996) pode ser dada pela seguinte fórmula:
Hr = 1,48 × 10−0,136×ψ

(3.1)

Onde:
Hr – índice de Hausner [-];
ψ – esfericidade [-].

Segundo esses autores, o índice de Hausner é dependente da forma das
partículas, embora o conhecimento do índice de Hausner permita determinar a forma
das partículas.

25

Figura 3.2: Tempo para atingir o pico de cegamento versus índice de Hausner. para material esférico.2 a seguir. Roberts e Beddow (1968) realizaram estudos para analisar os fatores que afetam a obstrução das aberturas da peneira. e vice-versa. Quando se tem um elevado índice de Hausner. Isso pode ser observado na figura 3. que por sua vez leva a uma redução gradual do peneiramento. a obstrução da tela é constituída por quatro estágios: aumento rápido do cegamento. Segundo os autores. o tempo levado para atingir o “pico de cegamento” é maior. bem como com o índice de Hausner. Fonte: Roberts e Beddow. que reduz a eficiência do peneiramento. Os resultados encontrados demonstraram que quando o índice de Hausner é maior (escoamento difícil que leva a uma redução na taxa de peneiramento). bem como as partículas são difíceis de remover.Outra importância do índice de Hausner está relacionado com a obstrução (cegamento) das aberturas da peneira. levando ao pico de cegamento (peak blinding). 1968. a taxa de peneiramento é pequena. 26 . chegando na etapa final denominada “hard blinding”. E esse tempo é relacionado com a morfologia das partículas.

3 Ângulo de repouso.1. conforme a figura. O ângulo de repouso depende das características intrínsecas do material. 2005). Figura 3. e consiste no ângulo da superfície do material particulado formado com a parte inferior de um dispositivo de armazenamento. O ângulo de repouso (figura 3. e estão relacionados com a facilidade de escoamento do material granular. O ângulo de atrito interno também depende das características do material.3: esquema mostrando o ângulo de repouso (β) e o ângulo de atrito interno (α). mas também sofre influência marcante da umidade. uma vez que materiais altamente compactados apresentam baixa velocidade de escoamento em silos e outras estruturas. da temperatura. ângulo de atrito interno e velocidade de escoamento Todos são importantes parâmetros da reologia de particulados. do tempo de estocagem e do modo de formação da pilha (SILVA. partindo do repouso. Este é o ângulo segundo o qual o material. A velocidade de escoamento está intrinsecamente relacionada com o índice de Hausner. de sua forma geométrica e da faixa granulométrica.3) natural ou estático de um material granular é o ângulo medido da horizontal com a superfície da pilha de material particulado. da pressão de compactação. Percebe-se que o ângulo de atrito interno deve ser maior que o ângulo de repouso para que ocorra o escoamento do material particulado. 27 . escoará. da presença de partículas argilosas.3.

área projetada.4. 1997). massa.1. entretanto. 2007.) e relacioná-la com uma dimensão linear (ALLEN. 2007 28 . Neste caso. pode-se usar o diâmetro ou a largura.3. existem três grupos de tamanhos que podem descrever partículas irregulares: diâmetro da esfera equivalente. respectivamente.4 Tamanho e distribuição de tamanho de partículas O conceito de “tamanho” de partículas é um conceito impreciso no caso do processamento mineral. conforme pode ser visto na figura 3. para medir seus tamanhos. Segundo Svarovsky (2000). A determinação do tamanho em corpos irregulares. etc. retirada de França e Couto. O conceito da esfera equivalente consiste em relacionar alguma propriedade dependente do tamanho da partícula (maior ou menor dimensão. pode ser apenas estimada. Figura 3. pois as partículas não possuem formas definidas como esferas ou cubos. alguma dessas propriedades é relacionada como o diâmetro da esfera. Fonte: França e Couto. Para estas formas. diâmetro do círculo equivalente e diâmetro estatístico. área superficial.4: Diâmetros equivalentes para uma mesma partícula.

Com isso. No beneficiamento mineral. Um exemplo de comportamento assimétrico (com assimetria à direita ou positiva) pode ser visualizado na figura 3. mencionado anteriormente. que definem quantitativamente como os valores e propriedades estão distribuídos entre as partículas na população inteira de partículas (KING. que mostra uma curva de análise granulométrica de uma areia quartzosa. o tamanho pode então ser somente encontrado de forma indireta. Tal comportamento se dá em virtude da separação preferencial entre as diferentes classes de tamanho de partículas. que é obtido quando uma dimensão linear é medida (por microscópio) paralelamente a uma direção fixa. tem-se a medida estatística do tamanho de partículas. não se tem uma definição absoluta do tamanho da partícula. faz-se a análise com funções de distribuição.5 a seguir. Como a medição das dimensões de partículas individuais seria visualmente impossível (dada a grande quantidade de partículas presentes). algumas partículas também podem ter seu tamanho medido por meio do uso do conceito de tamanho equivalente. Segundo Luz (2011). Além dessa técnica. 29 . No adendo I é possível encontrar os grupos que descrevem o diâmetro de partículas irregulares. na qual a partícula passará. Por fim. O diâmetro da partícula ficará então compreendido entre o tamanho da abertura na qual ela passou e aquele em que ela ficou retida. O alcance de tamanhos que podem ser analisados vai desde o diâmetro de 1 m até valores menores que 1µm. A escolha de algum desses diâmetros para a caracterização das partículas dependerá da aplicação pretendida. a curva de uma análise de distribuição granulométrica (por exemplo: porcentagem passante versus diâmetro da partícula) terá um comportamento que se afasta da posição simétrica. Assim. 2001). a determinação do tamanho das partículas dificilmente apresentará aderência estatística com a distribuição de Gauss. Uma das formas de se fazer isso é se encontrar a menor abertura em uma peneira de malha quadrada. cuja predominância é de partículas irregulares. mas sim uma estimação dos tamanhos entre os quais a partícula se encontra.O segundo grupo é aquele relacionado com o diâmetro de um círculo que tem a mesma propriedade que a área projetada das partículas.

30 . uma forma bastante comum para se realizar a análise da distribuição de tamanhos é por meio da análise granulométrica. A sua apresentação pode ser feita por meio de tabelas ou gráficos de quantidade (passante ou retida na peneira) versus tamanho da partícula. 2000. Nessa tabela. No adendo II. a análise de tamanho de partículas é realizada em uma série de peneiras.Figura 3. em determinada faixa de tamanho (LIMA e LUZ. e as porcentagens de material podem ser separadas entre retido simples (quantidade absoluta retida em uma peneira). estão algumas das principais funções de distribuição de tamanho.2. Uma forma de elaboração de gráfico para análise de tamanho pode ser visualizado na tabela 3. No processamento mineral. que consiste na determinação de tamanhos e a frequência em que os mesmos ocorrem. 2007).5: Demonstração da não-aderência estatística com a distribuição de Gauss de uma amostra peneirada. retido acumulado (quantidade retida ao longo das peneiras em série) e passante acumulado (proporção acumulada de material passante naquela malha).

. Os autores ainda enumeram os principais atributos analisados das partículas. figuram: 1.2: Cálculos para análise granulométrica Tamanho Massa Retido simples Retido Passante [m] [g] [%] acumulado [%] acumulado [%] d1 m1 R1=(m1/mt)x100 RA1=R1 P=100-RA1 d2 m2 R2=(m2/ mt)x100 RA2=R1+R2 P=100-RA2 .. .. e seu comportamento peculiar em comparação com partículas esféricas [ditas ideais] incentiva pesquisadores a realizarem estudos variados sobre suas características. empacotamento. Preenchimento de espaço vazio (quantos corpos caberiam em uma estrutura de armazenagem). etc. 31 ..5 Morfologia de partículas Partículas com formato irregular estão presentes em diversos ramos da indústria. Número de contatos entre partículas. tamanho e forma. Qualitativamente.. volume. área superficial. interação com fluidos. comportamento da torta e poder de cobertura de pigmentos (ALLEN.1. foram designados termos para a forma das partículas: acicular. 2.. angular. 3. dentrítica. cristalina. dn mn Rn=(mn/ mt)x100 RAn=RAn-1+Rn P=100-RAn [-] [-] n [-]  n mt i 1 R t i1 3. esta influencia propriedades como fluidez. Segundo Asahina e Taylor (2011).. porosidade. .Tabela 3. entre esses estudos sobre partículas irregulares. Com relação à forma das partículas.. Porosidade e permeabilidade de materiais de construção e. .... 1997). como peso (o mais simples de ser medido). .

a quantificação das partículas pode ser feita de forma macroscópica.Entretanto. estes termos são inadequados para análise quantitativa. área superficial ou mesma área projetada que a partícula irregular a ser medida (conforme mostrado na figura 3. mais divergentes serão os valores de diâmetro adotados. Ainda segundo esses autores. através de fractais ou por transformada de Fourier. realizando a medição do tamanho da partícula por meio do diâmetro equivalente da esfera. Quanto mais as partículas forem irregulares. Foram então criadas várias relações numéricas. Um exemplo dado pelos autores é que.4). A esfericidade (ψ) é dada pelo quociente da área superficial da esfera de mesmo volume que a partícula e a área superficial da partícula. como o diâmetro de esfera com mesmo volume. com a finalidade de se realizar uma medição quantitativa das características das partículas.2) Ou: 3 ψ=  π× 6Vp Ap  23 (3. podem ser usados diâmetros equivalentes baseados em diferentes propriedades. Ap – área da partícula [m2]. Uma das principais formas de análise de morfologia de partículas é por meio da esfericidade das mesmas. Segundo Allen (1997). através de coeficientes de forma (relação entre tamanhos medidos e o volume ou a superfície da partícula) e de forma microscópica. ou seja: ψ= área superficial da esfera de mesmo volume que a partícula área superficial da partícula (3.3) Onde: ψ – esfericidade [-]. Vp – volume da partícula [m3]. a dificuldade em realizar a análise da forma das partículas consiste no fato de que tamanho e forma são matemática e logicamente inseparáveis. 32 . segundo Gotoh e Finney (1975).

É obtida uma curva. é possível transformar as características da morfologia das partículas em sinais em forma de onda.6 Análise da morfologia de partículas a partir de séries de Fourier Utilizando séries de Fourier. nh – número harmônico. α0. tem-se a morfologia da partícula. que permitem encontrar o contorno da partícula e seu centro de gravidade. a esfericidade é sempre um valor menor que isso. Com isso. 3.4) n=1 Onde: rj – raio da partícula no ângulo θ [mm]. 33 . Para as demais formas de partículas. a esfericidade é igual a 1. Na figura 3.1. Isso permite identificar a análise da forma das partículas.Para uma partícula esférica. αn e βn – coeficientes de Fourier [-]. Uma série de Fourier consiste de uma função periódica que apresenta a seguinte forma geral: N rj (θ) = 𝛼0 + 𝛼n × cos⁡ (𝑛ℎ θ) + 𝛽n × sen(𝑛ℎ θ) (3. onde está estabelecido um sistema de coordenadas polares. que considera os raios do objeto e os ângulos formados por cada um deles.6 está um exemplo da aplicação da série de Fourier para determinação da morfologia da partícula.

É utilizada uma superfície uniformemente perfurada.Figura 3. A figura 3.6: Projeção de um grão de areia através de coordenadas polares. enquanto as mais finas irão passar por ela. Partículas maiores que a abertura ficarão retidas na superfície da peneira. 3.7 mostra um esquema do processo de separação em peneira: 34 . que agirá como um dispositivo de passa/não-passa.2 Peneiramento A operação de peneiramento consiste de mecanismos mecânicos de separação de partículas baseados no tamanho das mesmas. 2002. Fonte: Davis.

No desaguamento. Separação ou classificação: visa separar as partículas pelo seu tamanho.Figura 3. 2. 3.7: a) Modelo esquemático do processo de peneiramento. b) Exemplo de material retido na tela da peneira. Wills e Munn (2005) enumeram uma grande quantidade de objetivos do peneiramento na indústria mineral: 1. os equipamentos mais comuns de serem utilizados são as peneiras DSM e as peneiras vibratórias com inclinação ascendente (no sentido de descarga). Assim. Recuperação do meio: para lavagem do meio magnético em circuitos que utilizam esta prática. podendo as mesmas serem britadas ou mesmo removidas do processo. com tantas operações possíveis de serem realizadas com peneiramento. existem variados tipos de equipamentos industriais. 5. 35 . Bitolamento: preparar os produtos em tamanhos específicos. onde existem normas que especificam as granulometrias do produto final. Desaguamento: para reduzir a umidade de polpas. Escalpe: usado para remover as frações mais grossas do material. 4. Os demais tipos possuem grande aplicabilidade nos processos de separação de partículas por tamanho.

) 3. Podem ser horizontais ou inclinadas e vibratórias ou estacionárias. Uma grelha fixa está representada na figura 3.2.2.O.1 Grelhas São barras metálicas dispostas paralelas umas às outras tendo como característica a robustez.8: Exemplo de grelha fixa.1. de acordo com a necessidade ou objetivos do peneiramento (alívio do britador. possibilitando o escalpe do R. do inglês – Run of Mine) para aliviar o britador. peneiramento com elevada eficiência. desaguamento. 36 . etc. Figura 3.3.M. (material não processado. 2011.1 Equipamentos Encontram-se disponíveis uma variedade de equipamentos para o peneiramento industrial.8. proveniente da mina. Fonte: Luz.

O material retido na grelha alimenta umk britador de mandíbulas de 800 x 500 mm. 2001). São sempre utilizadas a seco e possuem baixa eficiência (até 50 %) em virtude da ausência de vibração. inclinadas na direção do fluxo cerca de 15° a 45°. diferindo apenas por estarem sujeitas à vibração. sua função ainda é de servir de alívio para o britador.1. introduzidas na década de 50 para o desaguamento de carvão.2 Peneiras fixas Nesta categoria se encontram as peneiras curvas do tipo DSM (nome da empresa holandesa que as desenvolveu – Dutch State Mines). por exemplo. segundo Chaves e Peres (2006) estando entre 60 e 70 %. cujo passante alimenta uma grelha vibratória de abertura de 100 mm (LUZ et al. 2011). onde se utiliza grelha fixa com abertura de 406 mm.2. que impedem o cegamento (obstrução por oclusão e por obturação) das aberturas (LUZ.9. Possibilitam o desaguamento e uma separação precisa de finos e possuem aberturas transversais ao fluxo. 3. Apesar do aumento da eficiência. o que implica em aumento da eficiência. As grelhas vibratórias são semelhantes às fixas.Grelhas fixas são barras equidistantes apoiadas numa estrutura de suporte. 37 . Exemplos de utilização de grelha podem ser encontrados. na mina Pitinga. figura 3.

Segundo Luz (2011).5 1.42 %): R pass Re − 17.5 = 97.Figura 3.5) 38 . Fonte: Gupta e Yan. que são prismáticas. 2006. possuindo seção transversal triangular. cujo vértice se encontra voltado para baixo e a base se encontra voltada para a superfície de separação.355 (3.1 × 1 − exp − 166.9: Exemplo de peneira DSM. a partição do fluido pode ser expressa pela seguinte distribuição de Weilbul (com coeficiente de correlação estatística de 99. A alimentação é feita no compartimento superior da peneira. A curvatura da peneira ainda ajuda o líquido a escoar pela superfície da peneira por meio de forças inerciais (“centrífugas”). 2006). Outra característica que impede a obstrução das aberturas é o formato das barras. Isso evita o “encaixe” (ou engaste) de partículas irregulares. de forma que o arranjo da alimentação propicia energia potencial suficiente para que as forças gravitacionais atuem e ajam para que a lama passe pela peneira (GUPTA e YAN. realizando-se análise de regressão não-linear.

encontram-se inseridas as peneiras que possuem algum tipo de movimento (rotativo. segundo distribuição de Weilbul.10: Partição do fluido em peneira DSM.10 está visualizada a partição do fluxo segundo a equação 3.1.2. etc) que auxiliam nas operações.Na figura 3. com inclinação leve.1. de cerca de 2º a 12º. Fonte: Luz.2.1 Peneiras revolventes (trômel) Esta peneira é caracterizada por uma superfície cilíndrica ou troncocônica revestida com tela. 39 . 3. com o material descendo e sendo rodado.3 Peneiras móveis Neste grupo. 3.5: Figura 3. excêntrico. 2011.3. Sua alimentação ocorre na parte superior.

2.2 Peneiras vibratórias As peneiras vibratórias (figura 3.3. 2011. 40 . 3.11 mostra o desenho esquemático de um trômel. um mecanismo acionador do movimento vibratório e um. Existem variados tipos: peneiras inclinadas. de ressonâcia. baixo custo de aquisição e durabilidade. Outra vantagem é que o movimento revolvente diminui a obstrução dos furos por partículas placoidais ou material estranho. horizontais. Fonte: Luz. dois ou três suportes para as telas (“decks”) (KELLY e SPOTSWOOD. facilidade de operação. modulares. Figura 3. de alta frequência.As principais vantagens são sua simplicidade de construção. A figura 3.11: Esquema de trômel com duas telas. etc.12) são constituídas por um chassi robusto.1. apoiado em molas. 1982).

13: Movimento da partícula em peneiras vibratórias: a) horizontais. apresentado maior velocidade de transporte (GALERY et alii. Na figura 3. 2007). Partículas transportadas em peneiras com vibração horizontal possuem movimentação linear. 2007. Fonte: Linatex Vibrating Screens. 2011. está ilustrado o movimento da partícula de acordo com a inclinação da peneira e com os elementos do sistema oscilatório.12: Esquema típico de peneira vibratória inclinada.13. Figura 3. b) inclinadas. As partículas apresentarão movimento de acordo com a inclinação da peneira. 41 . as partículas descrevem trajetórias circulares num plano vertical. Fonte: Galery et alii. com um ângulo de 45 º com a horizontal enquanto nas peneiras inclinadas.Figura 3.

14. . O eixo de vibração pode ser instalado acima do centro de gravidade. O movimento circular acontece quando o eixo de vibração coincide com o centro de gravidade da peneira (figura 3.a). proporcionando movimento elíptico em direção à descarga na alimentação. Esse movimento pode ser usado tanto em peneira inclinadas quanto horizontais. c) movimento linear. os principais são: circular. P .c). movimento circular no centro da peneira e movimento elíptico com inclinação para trás (figura 3.14: Ilustração dos padrões de movimento vibratório da peneira: a) movimento circular. 42 . 2005. A estrela indica o centro de gravidade das mesmas (A – alimentação. linear e oval. permitindo maior chance das partículas encontrarem berturas para passar.14 . são instalados dois excitadores atuando em direções opostas. Figura 3.14 . Para que ocorra o movimento linear (figura 3.b). Fonte: Wills e Munn. Essa configuração possui os benefícios da capacidade conseguida com o movimento linear com a eficiência das peneiras de movimento circular. conforme ilustrado na figura 3. em peneiras modulares ou reciprocativas. R – retido.14. b e d) movimento oval. Essa configuração permite uma rápida passagem das partículas no início da peneira e uma redução de sua velocidade no final.Quanto ao movimento de vibração da peneira. O movimento oval se utiliza de três eixos de vibração.passante).

projetadas com o deck dividido em mais de um valor de inclinação.1. propiciando assim o máximo possível de chances das partículas passarem pela tela da peneira. ocorrendo uma grande taxa de passagem das partículas. as partículas passariam muito rápido pela mesma. ocasionando um rápido alívio da peneira e baixa altura do leito. Peneiras modulares são construídas de acordo com essa característica: são peneiras vibratórias de movimento linear. ocorrendo a maior eficiência na segunda região do fluxo de partículas. e a profundidade do leito 43 . Na primeira região. Caso a inclinação da peneira na primeira região for muito elevada. o segundo módulo apresenta-se com uma inclinação adequada ao peneiramento. uma inclinação excessiva levaria a uma passagem muito rápida das partículas pela peneira. o processo de peneiramento possui três regiões distintas do fluxo das partículas. Na figura 3. Uma peneira modular é constituída principalmente por três módulos de inclinação. aumentando o tempo de passagem das partículas na peneira.3. Entretanto.15 há um exemplo do princípio de funcionamento de uma peneira modular. o terceiro módulo possui inclinação bastante reduzida.3 Peneiras modulares (banana screen) Segundo Kelly e Spotswood (1982). impedindo o peneiramento de partículas mais difíceis. com três módulos de inclinação. Por fim. que é facilitado pelo menor volume do leito. No primeiro módulo. a quantidade de partículas passante é pequena porque ainda está ocorrendo a estratificação do leito.3. aumentando a eficiência do processo. possibilitando o aumento da eficiência do peneiramento.2. Assim. há elevada inclinação da peneira.

proporcionando a filtragem da água e a descarga do produto.3 mm se peneirados a úmido.635 mm a 0. as peneiras vibratórias passam a apresentar-se com a função desaguadora. as peneiras vibratórias apresentam boa aplicabilidade para materiais de 0. 2011. aderidas umas às outras. Assim.2.1. A vibração do sistema auxilia no desaguamento.Figura 3.15: a) Desenho esquemático dos perfis de inclinação de uma peneira modular. podendo atingir valores finais de umidade entre 10 e 15 % 44 . peneiras vibratórias que são alimentadas com polpa mineral e produzem um produto filtrado com pouca umidade. e de 6. apresentam baixa eficiência.35 cm a 0. b) perfil de profundidade nas regiões de alimentação e de descarga. permitindo até mesmo o desaguamento de partículas com tamanho inferior à abertura da tela.4 Peneiras desaguadoras Segundo Chaves (2004). Ainda segundo Chaves (2004). a água presente nesses valores faz com que as partículas hidrofílicas fiquem coesas. Fonte: Linatex Vibrating Screens. se movendo em bloco sobre a tela. que vai de 43 a 60 %. Na faixa intermediária de umidade. peneiras desaguadoras são. Fora desta faixa. basicamente.0318 mm peneirados a seco.3. As peneiras desaguadoras possuem leve inclinação ascendente no sentido de descarga e uma malha com abertura menor que a menor partícula presente na alimentação. 3.

tanto na mineração. 4) inclinação ascendente na descarga. 2012). 3) motores que criam o movimento linear de vibração. b) exemplo de uma peneira desaguadora industrial (Fonte: Eral. Dentre as vantagens na sua utilização. Na indústria mineral. 2012) embora alguns fabricantes atestem valores de até 7 % de umidade (AZFAB. 2) filtragem da água através peneira. estão os baixos custos operacionais e de construção. (Fonte: McLanahan. areia. rocha britada. Um esquema de uma peneira desaguadora se encontra na figura 3. proporcionando a descarga de sólidos desaguados.16: a) Representação esquemática de uma peneira desaguadora: 1) alimentação. na indústria química e alimentícia. 2012). Figura 3. Peneiras utilizadas no desaguamento encontram uma variedade de aplicações.(ERAL.16. 2012). como na reciclagem e descontaminação de solos. 45 . encontram aplicações para o desaguamento de alguns minerais metálicos. sais de potássio e carvão. A tabela 3.3 mostra os exemplos de aplicação entre os diferentes tipos de peneira.

referentes à construção do equipamento. condições operacionais e parâmetros do material.4.Tabela 3. bem como de outros parâmetros. entretanto. Ainda segundo esses autores. conforme pode ser observado na tabela 3. a operação de peneiras desaguadoras pode ser formalmente considerada como uma centrífuga descontínua. rejeito e Recuperação de Separação Preparação da finos de carvão por tamanho alimentação Deslamagem Remoção de lixo areia Desaguadora X X X Modular X Horizontal X X X X Fonte: Linatex Vibrating Screens. como influências de forças de superfície (capilaridade) da vibração mecânica do sistema e da coluna de líquido acima do leito de partículas. 2011. uma vez que tem-se um elemento filtrado (a água) que passa através de um meio sólido poroso. o desaguamento vibratório com peneiras é influenciado por uma série de fatores. não será considerada neste trabalho para a elaboração do modelo de desaguamento em peneiras. para intervalos de tempo extremamente curtos. 46 . Segundo Keller e Stahl (1994).3: Cotejo entre alguns tipos de peneiras vibratórias Aplicação Desaguamento de Tipo de concentrados peneira minerais. Este trabalho focará na constatação de que há a atuação de princípios de filtragem na operação da peneira desaguadora. Tal abordagem.

3.4: Fatores que influenciam no desaguamento com peneiras vibratórias. para o dimensionamento de peneiras.2 Dimensionamento de peneiras Segundo Gupta e Yan (2006). de acordo como está a seguir: 47 .2. devem ser levados em consideração aspectos do equipamento e do material.Tabela 3.1994. Influência exercida Capacidade Parâmetros de Condições construção operacionais Parâmetros do material Largura da peneira Ângulo de vibração Amplitude Propriedades elásticas do sistema granular Capacidade e Desaguamento Ângulo da peneira Frequência Forma de vibração Altura do leito Desaguamento Tamanho da Tempo de abertura residência Área aberta efetiva Comprimento da peneira Massa específica Concentração de sólidos Tamanho das partículas Viscosidade Tensão superficial Taxa de compressão Fonte: Keller e Stahl.

é imprescindível a separação entre as fases. tanto do ponto de vista técnico (geração de um produto desaguado facilita o transporte.5: Aspectos levados em conta no dimensionamento de peneiras Aspectos relativos ao equipamento Características do material Área disponível Tamanho e forma do material Abertura (tamanho e tipo) Umidade residual Inclinação Profundidade da camada de material Método de vibração Tipo de peneiramento: seco ou úmido Número de decks Fabricantes de equipamentos e estudiosos desenvolveram métodos para o dimensionamento que podem ser baseados no cálculo da capacidade unitária ou da área de peneiramento. Dentre suas várias aplicações. dentre outros) como do ambiental.3 Mecanismos de filtragem aplicáveis ao desaguamento em peneiras As operações de separação sólido-líquido possuem grande importância no processamento mineral.Tabela 3. 3. Alguns dos métodos são apresentados no adendo III. pode-se citar sua importância para a separação de minérios com liberação em distribuição granulométrica fina em suspensões líquidas ou limitar o despejo de efluentes industriais para o meio ambiente (OLIVEIRA e LUZ. 48 . Tendo em vista a presença de água em quase todas as etapas e processos de beneficiamento. 2007).

6) 49 . FUERSTENAU e HAN. A filtragem pode ser definida como uma operação na qual os sólidos são retidos em um meio poroso. Um desenho esquemático da filtragem é ilustrado na figura 3.17: Desenho esquemático do processo de filtragem.17. Operações em peneiras desaguadoras atuam com princípio semelhante ao da filtragem. que descreve a vazão de um líquido através de um leito poroso em regime lamelar (SVAROVSKY. em virtude de ocorrer a passagem do líquido filtrado. os mecanismos básicos de filtragem também podem ser aplicáveis às peneiras desaguadoras. sendo as principais: sedimentação. Suspensão Torta Suporte do meio filtrante Filtrado Figura 3. Outras que também são utilizadas são a ciclonagem. 2000. A equação básica da filtragem é baseada na lei de Darcy. o peneiramento e a flotação. O líquido passante é denominado filtrado e os sólidos retidos são denominados torta. permanecendo o sólido retido na barreira física proporcionada pelas peneiras (estas possuindo abertura idealmente menor que o menor tamanho de partícula na polpa). sendo permitida a passagem do líquido. Assim.Existem várias técnicas para separação sólido-líquido. filtragem e secagem. 2003): Qvf = 𝑘 × A × ∆p ηf × e (3.

Entretanto. At – área da seção transversal [m2]. Forchheimer (1901. apud HLUSHKOU e TALLAREK. em contraste com a equação linear de Darcy. em regime laminar).Onde: Qvf – vazão volumétrica de filtrado [m3. e – espessura do leito [m]. para velocidades crescentes. que. ke – permeabilidade do leito [-].s]. ki – coeficiente de escoamento cinético (parâmetro inercial) [-]. ηf – viscosidade dinâmica do filtrado [Pa. entretanto. ηf – viscosidade dinâmica do filtrado [Pa. A Lei de Darcy. k – permeabilidade do leito [-]. a equação deixa de possuir uma relação linear entre a queda de pressão e a velocidade do drenagem. Caso tenham-se velocidades muito elevadas 50 .m-3]. Δp – diferença de pressão [Pa].7) Onde: v – velocidade de percolação intersticial do fluido (velocidade superficial de filtragem) [m. a equação se reduzirá à equação de Darcy. Esta equação mostra que se a velocidade de drenagem for muito pequena (ou seja.s-1].s]. estabelece uma relação não linear de alta ordem entre a queda de pressão e a taxa de escoamento: ∆P ηf × 𝑣 = + ρf × k i × 𝑣 2 e ke (3. não é válida para regimes turbulentos.s-1]. 2006) sugeriu então uma equação para descrever o escoamento em meios porosos. ρf – massa específica do filtrado [kg.

9) Analisando as duas equações. a esfericidade pode ser colocada na equação. Ergun (1952) propôs uma equação para a perda de pressão. Carman (1937 apud ERGUN 1952) e Kozeny (1927 apud ERGUN 1952) também estudaram. dp – diâmetro da partícula [m].(regime turbulento). sendo esta causada tanto pelo regime laminar como pelo regime turbulento.10) Considerando a forma das partículas. o termo quadrático do lado direito da equação passa a ser dominante. bem como a velocidade de percolação pode ser substituída pela velocidade superficial de filtragem (Qvf/At). levando em conta a porosidade do leito: ρf × 𝑣 2 ∆P 1−ε = ki × e ε3 dp (3.8) Onde: ε – porosidade do leito [-]. Ergun (1952) mostrou que para o regime turbulento é utilizada a equação de Burke e Plummer (1952 apud ERGUN.75 ε3 dp (3. individualmente. resultando: 51 . a queda de pressão através do leito para regimes laminares. podendo ser aplicada para todos os tipos de escoamento: ∆P 1−ε = 150 e ε3 2 ηf × 𝑣 dp 2 1 − ε ρf × 𝑣 2 + 1. 1952). propondo a seguinte equação: ∆P = ke e 1−ε ε3 2 × ηf × 𝑣 dp 2 (3.

52 .75 At ε3 ρf dp × ψ Qvf At 2 (3.∆P 1−ε = 150 e ε3 2 ηf dp × ψ 2 Qvf 1−ε + 1. Contudo. Zong-ming et alii (2010) realizaram estudos da perda de carga em peneiras vibratórias e compararam com resultados em condições estáticas. Muitos trabalhos tem sido desenvolvidos ao longo dos anos para analisar a influência os aspectos mais importantes na perda de carga na tela da peneira. ou seja.12) Onde: Δpϕ – perda de carga na tela da peneira [Pa]. Resultado semelhante pode ser observado por Das e Chhabra (1989). O resultado pode ser visualizado na figura 3.18. por exemplo. em peneiras de malha quadrada é usualmente dada por (TILTON. que verificaram que não há influências dos aspectos estruturais da peneira na perda de carga. v – velocidade superficial de escoamento [m/s]. 2008): p  K l  v 2 2 (3. Nesse aspecto.4 Perda de carga na tela da peneira A queda de pressão em barreiras uniformemente distribuídas. analisou a passagem de ar através de peneiras utilizadas em estufas e concluiu que a forma e geometria dos fios da tela não influenciam no fluxo de fluido. cabe ressaltar que tais trabalhos foram realizados em condições estáticas e há pouca literatura disponível que leva em conta a vibração do sistema. ρl – massa específica do líquido [kg/m³]. embora haja uma boa correlação entre o número de Reynolds e a perda de carga. Miguel (1998).11) 3. Kϕ – coeficiente de perda de carga da peneira [-].

deve-se ao fato de que a vibração proporciona não apenas a descida (filtragem) do fluido através da peneira. O coeficiente de perda de carga é maior quando peneira e fluido se movem no mesmo sentido e menor quando em sentidos contrários. ocorrerá a passagem das partículas mais finas através dos espaços entre partículas mais grossas. Os resultados são mostrados em função do coeficiente de perda de carga (k) versus o tempo.Figura 3. segundo os autores.18: Comparação entre perda de carga com e sem vibração para peneira de 250 x 10-6 m (60 #). 3. Na classificação de partículas. Fonte: Zong-ming et alii (2010) Essa diferença no comportamento. como também em dados momentos.5 Vibração em peneiras A vibração é um importante parâmetro para a eficiência de peneiras. tanto no que concerne à classificação quanto ao desaguamento. proporcionando às primeiras a chance de se reportarem à 53 . ocorre a ascensão de parte do mesmo. a vibração proporciona a estratificação do sistema. Com isso.

19): Figura 3. No peneiramento convencional (de classificação). 1982. Segundo eles.  Região de peneiramento por tentativas (últimas tentativas de passagem das partículas). existem basicamente 3 regiões (figura 3.  Região I de estratificação do leito.superfície da peneira. existe um valor de frequência no qual a eficiência do processo será ótima e. aumentando assim a eficiência do processo. Fonte: Kelly e Spotswood. Chen e Tong (2009) analisaram o efeito da frequência na eficiência do processo. a eficiência do 54 .19: Esquema das principais regiões de peneiramento. utilizando diferentes tamanhos de partículas. de forma geral.  Região II de equilíbrio dinâmico (maior fluxo de passagem de partículas). a vibração do sistema aumenta a quantidade de apresentações na superfície de peneiramento. Além disso.

mas requer que a peneira tenha boa estrutura de suporte para suportar os impactos. baixas frequências levam o material a permanecer mais tempo na tela. Fonte: Chen e Tong. 2011). Ademais. por sua vez. Na figura 3. Outra característica da amplitude no peneiramento é que influenciará na energia cinética das partículas: grandes amplitudes irão fornecer maior energia às partículas. a eficiência aumentará com o aumento da amplitude. A amplitude do movimento.20 está mostrada a influência da frequência na eficiência de separação. ainda segundo esses autores. Isso garante o transporte das mesmas sobre a tela bem como a estratificação. atua de forma inversa à frequência. Entretanto.peneiramento é inversamente proporcional à frequência. o que embora aumente a eficiência. 2009. reduz a produtividade.20: Eficiência do peneiramento versus frequência (Dpi – diâmetro das partículas). ou seja. Nas peneiras desaguadoras a vibração proporcionará o desaguamento da polpa ao aumentar o valor da aceleração. a vibração proporcionará o transporte do 55 . fazendo-as saltar uma altura maior e mais longe (GUILFENG e XIN. Figura 3.

no caso de sistemas aquosos. sendo maior na região próxima à alimentação e reduzindo do meio para o final da peneira. Segundo He e Liu (2009). 56 . 1993): pb = a b ×γ×cosθ 1-ε  ε×d k (3.13) Onde: pb – pressão capilar máxima (breakthrough pressure) [Pa]. é um parâmetro de grande importância para o desaguamento do sistema particulado. o throw number (denominado pelos autores de throw index) apresenta diferentes valores ao longo da superfície da peneira. aglomeração e retenção de umidade (SCHUBERT. enquanto valores superiores apresentarão movimento de salto.6 Capilaridade dos sistemas particulados Forças capilares exercem influência nos sistemas particulados na drenagem de fluidos. ab – valores que vão de 1 a 6. Valores abaixo de um. A equação para cálculo da pressão capilar. as partículas apresentarão deslizamento na superfície da peneira.leito de partículas ao longo da superfície da peneira (tanto para a função de classificação quanto de desaguamento). 3. θ – ângulo de contato da fase sólido-líquido [°]. Um valor que mede a atuação da vibração para o transporte de partículas é o denominado throw number. menor seu valor). 1984). Assim. é dada por (CARLETON e SALWAY. – tensão superficial da interface gás-líquido [N/m]. ε – porosidade do sistema particulado. dependendo da característica do material (quanto mais fino.

21. Ettmayr et alii (2000). Figura 3. 2000. analisaram a influência da capilaridade no desaguamento do particulado em peneira vibratória.dk – diâmetro de Kozeny das partículas (medido através da permeabilidade da torta) [m]. Os resultados podem ser visualizados na figura 3. Fonte: Ettmayr et alii.7 Modelagem do desaguamento em peneiras vibratórias 57 . 3. Os valores próximos dos pontos representam a altura do leito.21: comparação entre o desaguamento com e sem um meio de sucção capilar. Eles utilizaram um meio de sucção capilar abaixo da tela da peneira implementando assim a sucção de gotículas formadas que continuariam presas na tela da peneira.

o escoamento do fluido em capilares. mas sim como uma função periódica. a atuação de forças inerciais e a 58 . 1997.22: Direção da aceleração em determinados intervalos de tempo.1997) Esses autores propuseram um modelo para compreender os mecanismos que regem o desaguamento em peneira vibratória. No capítulo seguinte serão apresentadas as premissas do modelo atualmente desenvolvido. Figura 3. de Ng (1990) e o de Raja et alii (2010) para desaguamento de fluidos de perfuração. cita-se: os modelos de Keller e Stahl (1994. (C – valor múltiplo da aceleração [-]). considerando a operação como uma centrífuga descontínua com intervalos de tempo extremamente curtos. Neste caso. a aceleração no processo não se apresenta de forma constante.7.1 Modelo de desaguamento de peneiras de Keller e Stahl (Keller e Stahl. de acordo como mostrado na figura 3.Neste tópico serão abordados alguns dos modelos desenvolvidos para o dimensionamento de peneiras desaguadoras. No modelo proposto pelos autores são levados em consideração. 1994. Entre eles. 1997). Fonte: Keller e Stahl.22. 3. entre outros parâmetros.

As forças operando no escoamento do fluido são mostradas na figura 3. primeiramente ocorre um escoamento do líquido em fluxo pistão (plug flow) nos capilares.formação de gotas e o seu gotejamento. Assim. Segundo Keller e Stahl (1997). o desaguamento leva em consideração a ocorrência simultânea desses dois aspectos.23: Figura 3. Em seguida. conforme demonstrado anteriormente na figura 3. A drenagem dessa película é mais lento. ocorre a formação de uma película (filme líquido) de escoamento aderida ao sólido.14) 59 . há a presença de capilares paralelos e de mesmo diâmetro no leito de partículas. Fonte: Keller e Stahl.23. 1997. No desaguamento segundo este modelo.23 leva à seguinte equação: Fv + Ff + Ft +Fi = 0 (3.23: Forças atuantes na cinética de escoamento do líquido em um capilar devido à vibração. O balanço de forças demonstrado na figura 3. em virtude das forças inerciais.

h – magnitude de transição entre uma fase simples [m].15) Onde: ρl – massa específica do líquido [kg. C – valor múltiplo da aceleração. Ft – força capilar (força de retenção). como função do tempo e da altura do leito [-]. H – altura do tubo capilar [m]. H 4 (3.Onde: Fv – força operacional aplicada. t – tempo [s].m-3].s-2]. A força capilar. devida à aceleração e vibração da peneira. g – aceleração da gravidade [m. A força operacional aplicada é dada por: d2h Fv = −ρl × h(t) × π × × g × C t. Fi – força inercial. essa possui a seguinte expressão: Ff = −8 × π × ηl × h × h t (3. por sua vez.s].16) ηl – viscosidade dinâmica do líquido [Pa. é encontrada por: 60 . dh – diâmetro equivalente do tubo capilar [m]. Ff – força de atrito viscoso. Quanto a força de atrito viscoso.

19) Segundo os autores.14). é possível encontrar um parâmetro que descreva a cinética do desaguamento. H − 8 × π × ηl × h × h t + γ 4 d2h × cos θ × π × dh − ρl × π × × h t × h = 0 4 (3.18) na equação (3.18) Substituindo as equações (3. Por fim. H). mas pode-se resolvê-la numericamente conhecendo-se a função C (t. Este parâmetro cinético permite encontrar a saturação do leito. a equação não pode ser encontrada de forma analítica.Ft = γ × cos θ × π × dh (3. dado pelo parâmetro cinético “λ”. Encontrando-se o valor de “C”. determinado pela seguinte fórmula: λ= ηl × H ρl × C × g × dh 2 2 ×t (3. a expressão para encontrar a força inercial é: d2h Fi = −ρl × π × × h t × h 4 (3. que pode ser calculada com o uso de um acelerômetro no interior da polpa.17) γ – tensão superficial [N/m]. tem-se: d2h −ρl × h t × π × × g × C t.20) λ – parâmetro cinético (múltiplo da aceleração) [-]. θ – ângulo de contato [º]. Para a ocorrência de escoamento da película a saturação é dada por: 61 .15) a (3.

24. a saturação pode ser dada por: h h h S= + 1− × Slb + 1 − Slb × as λ × 1 − H H H bs (3. os autores concluíram que os fatores mais influentes no desaguamento vibratório são a frequência e a aceleração. levando a diferentes valores de umidade residual. Na figura 3. estão demonstrados resultados comparando a influência do parâmetro cinético com a saturação da torta e a frequência aplicada. Considerando a atuação conjunta do escoamento da película na superfície do sólido e o escoamento do líquido em fluxo.22) Onde: H – altura do tubo capilar [m].21) Onde: SF – saturação da película. bs – 1/2. 62 . Pode-se perceber que menores valores de saturação são encontrados a baixas frequência e baixos parâmetros cinéticos (elevadas acelerações). Slb – saturação entre as partículas [-]. Com base nesses dados.SF = a s × λb s (3. as – 4/3 e.

Fonte: Keller e Stahl. 63 . Para o primeiro mecanismo.7. λ . 1990) A premissa para o desaguamento em peneiras vibratórias por esse modelo é que ocorrem dois mecanismos principais atuando no desaguamento: um relativo ao transporte do leito ao longo da peneira e outro relativo ao desaguamento propriamente dito (KING. 2001).0) ou de salto (G < 1. o leito de partículas apresentará um movimento de deslizamento (G ≥ 1. 1997. Dependendo do valor de G.24: Influência da frequência e do parâmetro cinético na saturação da torta (S – saturação.Figura 3. f – frequência.0). transporte de material na peneira. utiliza-se o parâmetro gravitacional (G).2 Modelo de desaguamento de peneiras de Ng (Ng. 3.parâmetro cinético).

24) Onde: a e b – constantes. Apenas com a utilização de vibração não seria possível desaguar completamente o material. Ay – amplitude de vibração normal à superfície da peneira [m]. t – tempo. tendo-se. ω – frequência angular da peneira [rad/s]. mas é possível encontrar um valor mínimo de “n”. n – umidade instantânea. portanto: 64 .23) Onde: G – parâmetro gravitacional [-].G= g×cosθ pen ω2 ×A y (3. θpen – ângulo de inclinação da peneira. Quanto ao mecanismo de desaguamento (filtragem da água). g – aceleração da gravidade [m/s²].a×n b dt (3. Esta taxa de desaguamento é expressa pela fórmula: dn = . o autor assumiu que a taxa de desaguamento devido ao movimento de agitação dependerá da umidade instantânea do material.

28) Onde: L – comprimento da peneira [m].26) E: q= 1 b-1 (3. 65 .n-n 0 =pt -q (3. p= a  b-1  -q (3.27) E o comprimento da peneira para se conseguir a umidade desejada é encontrada por:  n  n0  L   K G  p  vx 1 1 q (3.25) Onde: n0 – valor mínimo de n. vx – velocidade de transporte na direção “x” [m/s].

25 está o resultado para umidade final obtido pelos autores para uma peneira de 1.25: Umidade versus parâmetro gravitacional. Além disso. Fonte: Ng. 1990.4 x 10-³ m. os parâmetros p. 66 .578 m de comprimento e abertura da peneira de 2. q e o parâmetro gravitacional são fundamentais para quantificar o desaguamento em peneiras vibratórias.29) Os autores chegaram à conclusão que a taxa de desaguamento é mais eficiente para maiores amplitudes de excitação. Figura 3. Na figura 3.K= 1 × Ay  Ay   g×cosθ pen      (3.

os sólidos são levados para a parte de descarga.26: Esquema de desaguamento com peneiras vibratórias. Fonte: Raja et alii. 2010.26 apresenta a presença da polpa alimentada na região inicial da peneira. Assim.26: 67 . a figura 3. enquanto o líquido é filtrado com auxílio da gravidade. Com o movimento vibratório.3 Modelo de desaguamento Raja et alii (2010) Este modelo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Akron em conjunto com empregados da empresa de exploração de petróleo M-I SWACO. os autores levam em conta a presença de uma estrutura semelhante à figura 3.3. à direita da figura. onde ocorre a filtragem do líquido. enquanto na parte final (ascendente) há predominância da torta desaguada: o movimento vibratório da peneira propicia o transporte do material sólido ao longo da superfície da peneira. Nesta parte. de acordo com o arranjo da polpa com a lama. também ocorre a drenagem do líquido residual. mostradas na figura 3. Os autores dividiram o modelo em duas seções.26. Nele.7. Este estudo foi realizado para avaliar o desaguamento de lama xistosa proveniente de perfuração. Figura 3. A polpa é alimentada pela esquerda.

para a fase sólida bem como para a líquida.27: Coordenadas retangulares do sistema de Raja et alii: seção do sistema com presença da peneira (com inclinação ). os autores consideraram o balanço de massa e de momento. polpa e torta. quando hc = hm. 2) a segunda seção se encontra do lado direito da figura 3. A altura da peneira.27 a seguir. no artigo. 68 . a altura hm representa a altura da lama sobre a peneira e a altura da torta é representada por hc.1) do lado esquerdo da figura.26. No desenvolvimento das equações do modelo. 2010.27. Apesar disso. há a formação da torta e é utilizado modelo de filtragem da torta para descrever a operação (seção de filtragem). Além disso. Em x = 0. os autores discutem apenas sobre a primeira seção. ambos em função do eixo x. consideraram coordenadas retangulares para estabelecer o plano X como paralelo à superfície da peneira e o plano Y normal à superfície da peneira. Fonte: Raja et alii. tem-se hm = ho. é x = L. ou o modelo de filtragem da torta. Figura 3. Na figura 3. onde a drenagem da lama de perfuração é controlada por forcas capilares bem como o líquido é escoado pelo efeito gravitacional (seção de drenagem). conforme figura 3.

pressão da interface líquido/torta e pressão do líquido na fronteira torta-peneira). μ – viscosidade do líquido [Pa.s]. hscr – espessura da peneira [m]. Integrando a equação 3. hc – espessura da torta [m].30 em função de “X”.Após realizar uma série de cálculos envolvendo as pressões presentes no sistema (pressão atmosférica. é possível encontrar a vazão volumétrica do fluido. hm – espessura da polpa [m]. g – aceleração da gravidade [m/s²]. θpen – ângulo de inclinação da peneira [º]. kc – permeabilidade da torta [-]. εL – porosidade do líquido no leito sólido [-]. kscr – permeabilidade da peneira [-]. ρm – massa específica do sólido [kg/m³]. 69 . Resulta.30) Onde: v yL – velocidade do líquido na direção “y” [m/s]. encontraram a seguinte equação para encontrar a velocidade de escoamento do fluido. pressão da fase líquida. ρL – massa específica do líquido [kg/m³]. assim: v yL    g  cos  pen   L   hc  hscr    m   hm  hc   hc hscr     kc kscr   L     (3.

eles dizem que os dados da simulação devem ser validados com dados experimentais. Figura 3. enquanto o ângulo da peneira não exerceu grande influência enquanto a porosidade for mantida constante. Como conclusões. eles dizem que outros parâmetros deveriam ser observados. 2011. Não obstante. então.31) 0 Os autores. Por fim. bem como desenvolver modelo que preveja as características da seção de drenagem.L  Q  b  L v yL dx (3. Fonte: Raja et alii.28: Resultados obtidos mostrando a relação entre a porosidade e o diâmetro das partículas (dp) com a vazão de filtrado (Q). 70 . perceberam que os fatores que mais afetam são o diâmetro da partícula e porosidade (figura 3. simularam cenários para verificar quais os parâmetros que afetam o desempenho da peneira desaguadora.28). modelamento em subscala para a velocidade no plano “X” deve ser desenvolvido.

duas interfaces básicas: uma zona de interface Sólido-Líquido (ZSL) formada na fronteira entre o leito particulado e o líquido sobrenadante e outra de interface Líquido-Gás (ZLG). Tem-se.4. Isto é mostrado na figura a seguir. representando a espessura do líquido sobrenadante. acima da interface sólido-líquido (ZSL). Figura 4. Como há a formação de uma torta imediatamente acima da peneira. Basicamente. Z (t) – altura total do sistema. formada entre o líquido sobrenadante e a atmosfera. tem-se duas regiões distintas: a de espessura “S”. MATERIAIS E MÉTODOS 4. S – líquido sobre nadante.1 Desenvolvimento do modelo matemático A premissa básica do modelo considera a formação da torta por sobre a superfície da peneira desaguadora. basicamente. ocorrerá presença do líquido sobrenadante acima da torta formada. e 71 .1: modelo esquemático mostrando os elementos presentes numa peneira desaguadora. e – espessura do leito de material particulado (com presença de líquido intersticial).

Escoamento do líquido em meio poroso. Tela da peneira [perda de carga]. 5. sejam elas a favor ou contra o escoamento. 1952). Entretanto. Uma aproximação satisfatória do escoamento de fluidos em sistemas porosos é dada pela equação de Ergun (ERGUN. Atuação de forças hidrostáticas (altura da coluna de líquido). 2. este parâmetro atua tanto de forma negativa como positiva. 72 . 4. no caso em estudo. Pressão mecânica (Δ pm) – movimento oscilatório (vibração do sistema) (na verdade. tem-se: Parâmetros favoráveis à filtragem do fluido: 1. O escoamento do líquido pode ser calculado considerando-se as pressões atuantes no sistema. Os diversos fatores atuantes no desaguamento de peneiras vibratórias estão listados a seguir: 1. Movimento oscilatório (aceleração do sistema). também são levados em conta outros parâmetros que contribuem de forma positiva ou negativa para a drenagem do fluido. A soma das duas espessuras é dada por “Z (t)” representa a altura total do sistema. 2. Perda de carga e meio poroso (Δ pe) – escoamento em meio poroso (calculado pela equação de Ergun).outra de espessura “e”. pois haverá momentos de velocidade negativa e positiva). Capilaridade [fenômenos de interface]. Pressão hidrostática (Δ ph) – atuação de forças hidrostáticas (altura da coluna de líquido). que representa a espessura do leito de partículas com presença de água intersticial. 3. Assim. Parâmetros contrários à filtragem do fluido: 1.

Perda de carga interfacial (Δ pγ) – capilaridade. que segue: pe  150 l  e  1     d p   2  2 v  1.75  l  e  1    3  d p     3  v2 (4. 1952).s].1. tem-se: pe  p  p  pm  ph (4. 73 . 3.1) Cada elemento da equação anterior será analisado a seguir. ρl – massa específica do fluido [kg/m³]. ε – porosidade [-]. Igualando as pressões resistivas com as pressões favoráveis.1 Perda de carga em meio poroso (Δ pe) A perda de carga em meio poroso pode ser descrita de forma aceitável pela equação de Ergun (Ergun.2. dp – diâmetro da partícula [m]. e – espessura do leito [m]. ψ – esfericidade [-]. Perda de carga da tela da peneira (Δ pϕ) – [perda de carga]. ηl – viscosidade dinâmica do fluido [Pa.2) Onde: v – velocidade superficial de filtragem [m/s]. 4.

O coeficiente de descarga. por sua vez.4. fa – fração de área aberta da peneira (porosidade da peneira) [-].3) 2 Onde: Kϕ – coeficiente de perda de carga da peneira [-]. ρl – massa específica do fluido [kg/m³]. v – velocidade superficial de escoamento [m/s]. 2008): p  K l  v 2 (4. Quanto ao coeficiente de perda de carga.4) Onde: Cd – coeficiente de descarga [-]. é encontrado conhecendo-se o número de Reynolds da peneira: Cd = 0.5) Onde: 74 .2 Perda de carga na tela da peneira (Δ pϕ) A queda de pressão em peneiras de malha quadrada é dada por (TILTON.1× Re (4.1. este é encontrado através de:  1 K =  2 C  d   1-fa 2  ×  2   fa    (4.

ηl – viscosidade dinâmica do fluido [Pa. 02     fa     v   (4.s]. encontra-se a seguinte forma:  η   1  fa 2 l Δp =  ×  0. ρl – massa específica do fluido [kg/m³]. p  2 Rc (4.4 na equação 4. pode ser encontrada pela equação de Young-Laplace (RABOCKAI.5 e 4. γ – tensão superficial do líquido [N/m].6. com dois raios (côncavo e convexo) iguais. Re = ×ρl ηl × v fa (4. Através das relações que as equações 4.3 Perda de carga interfacial (capilaridade) (Δ pγ) A pressão devida a fenômenos interfaciais.6) Onde: ϕ – diâmetro do fio da peneira [m].1. considerando um equilíbrio mecânico e uma superfície curva.Reϕ – número de Reynolds da peneira [-].7) 4. 1979). 75 .4 guardam entre si. e realizando a substituição da equação 4.8) Onde: Δpγ – pressão interfacial [Pa]. 4.3.

9) Onde: npo – número de poros [-]. uma consideração inicial é de. Figura 4. semelhante ao número de partículas por estrato. np/e – número de partículas por estrato [-]. 76 . O número de poros pode ser. O cálculo do raio efetivo do capilar seria de difícil determinação. Assim. neste caso.Rc – raio do capilar [m]. um sistema monodisperso.2: Exemplo esquemático do leito monodisperso e poros de igual quantidade das partículas. assim. Assim: n po = n p/e (4. utilizouse de uma série de artifícios para encontrar uma relação entre o diâmetro do capilar e o diâmetro das partículas. idealmente.

12) Daí resultando que o número de poros é igual a: 77 . e – espessura do leito [m]. A área transversal do estrato de partículas equivale a: π π A t =n po  ×d p 2  n po  ×d po 2 4 4 (4.11) Onde: Vv – volume de vazios [m³].10) Onde: Apo – área do poro [m²] dpo – diâmetro do poro [m] E a área do poro pode ser dada por: A po = Vv  s  e  At    s  At e e (4.Com relação ao número de poros: n po = A po  4  d po  n p/e (4. εs – porosidade do leito [-].

4. Da hidrostática. tem-se: 78 .1. θ – ângulo de contato da fase líquida [º].14 na equação 4. dp – diâmetro médio da partícula (diâmetro do poro) [m]. de massa específica ρl. sabe-se que a pressão total num líquido.8.13) A equivalência entre o diâmetro do poro com o diâmetro médio das partículas é então encontrada: d po  d p  s 1   s  (4. depende da profundidade que o corpo se encontra submerso.14) Considerando o poro como capilar. e substituindo a equação 4.15) Onde: γ – tensão superficial do líquido [N/m]. tem-se a perda de carga interfacial: p  4    cos  dp  s 1   s  (4. Assim.4 Pressão hidrostática (Δ ph) Outra consideração é quanto à pressão exercida pela coluna de líquido acima do leito (quando esta existir).n po = 4  1   s   At π×d p 2  4   s  At π×d po 2 (4. de forma a auxiliar no processo de desaguamento.

cabe ressaltar que o cálculo do líquido intersticial tornaria difícil o cálculo da altura de líquido.) representam as infinitas cotas de líquido e o valor de ΔZ (t) representa a variação do líquido no tempo. A cota de líquido intersticial. é dada por Zi (t). Os valores de Zi (Z1. tem-se as regiões anteriormente mencionadas de saturação (s) e espessura do leito (e). por sua vez.16) Todavia. Figura 4. Z2.3: Considerações quanto à presença de líquido intersticial. Z3. 79 . etc.ph  l  g  Z (t ) (4. A variação da altura do líquido intersticial pode ser estimada ao se considerar a velocidade do fluido através do poro e o intervalo de tempo passado. Na figura em questão. A visualização do modelo de desaguamento com presença de líquido intersticial é vista na figura 4.3 a seguir.

E a espessura do líquido intersticial.Considerando que a espessura de líquido sobrenadante é variável.18) A velocidade de drenagem do fluido através do poro é dada por: vi  v  (4.19) Cabe ressaltar que a porosidade superficial e volumétrica serão consideradas iguais neste caso. é dada por: zi  t   e  z  t   e   t tsat tsat vi (t )  dt (4. conforme classicamente adotado na literatura. que passa a ser variável a partir do fim do tempo de saturação. zi (t > tsat).17) Onde: S0 – espessura inicial da lâmina de sobrenadante [m]. tem-se que a pressão hidrostática devido a presença do líquido sobrenadante e intersticial é dada por: 80 . no instante t < tsat (intervalo de tempo maior que o tempo de saturação) ela será dada por: s  t   zmax  e  z  t   so   t tsat v(t )  dt 0 (4.20) Por fim. Assim: z  t    t tsat tsat  v(t )     dt  s  (4.

21) 4. que diz que a força aplicada em um corpo é igual ao produto da sua massa pela aceleração adquirida: pm   F At   mt  a (4.  ph  l  g    zmax  e       t tsat 0    v(t )     dt   e   l     t tsat tsat   v(t )      dt     s     (4. primeiro levou-se em conta a segunda lei de Newton.23) Assim:  ms  ml    g  a   pm   (4. Z (t)  e – presença somente de líquido intersticial. idealmente. ela é dada pelo somatório da massa do sólido com a massa de líquido: mt  ms  ml (4. Quanto à massa de líquido. se consideram duas situações: 1.24) At A massa de sólido é tida como constante (considera-se que. 81 .22) At Com relação à massa total do sistema. o menor tamanho de partícula é maior que o tamanho de abertura da peneira). Por outro lado.1. a massa de líquido é variável.5 Pressão mecânica (aceleração do sistema) (Δ pm) Para encontrar a pressão decorrente da vibração do sistema (aqui chamada de pressão mecânica).

Levando-se em conta um sistema de coordenadas tridimensionais.27) A massa de líquida é dada pelo somatório de líquido sobrenadante e intersticial: ml = massa de líquido sobrenadante + massa de líquido intersticial (4. chega-se à seguinte expressão: 82 .26) E considerando a presença da porosidade (no caso do leito de partículas).25) E a massa de um corpo pode ser encontrada considerando-se o produto entre a massa específica e o volume do corpo: „ m   V     x  y  z  (4. então β = 1 (e zi(t) = e). conforme segue: se t ≤ tsat. a área da peneira poderia ser substituída por: At  x  y (4. β = 0 (e zi(t) < e). se t > tsat. tem-se: ms  s   x  y  z   1   s  (4. Z (t) > e – presença de líquido intersticial + líquido sobrenadante.29) Onde o parâmetro β é uma variável booleana que indicará a existência da camada de liquido sobrenadante (saturação do leito de partículas).28) E a equação para o cálculo da massa total de líquido é dada por: ml   l   At  s  t     l      l   At  zi t     s  (4.2. Do que foi exposto anteriormente.

Assim. Assim. φ – ângulo de fase [-]. a expressão de aceleração mecânica é expressa por: am   A    cos   t    (4.   A  e  1         A  s t            A  z t      g  a     pm s t s l t l l t i m s At (4. os perfis de velocidade decorrentes do movimento vibratório serão uma função senoidal. conforme pode ser observado em Zong-ming et alii (2010). dada por:   2  f (4. Dyr e 83 .31) O modelo aqui proposto adotou um sistema oscilatório segundo o movimento harmônico simples (MHS).32) Onde: A – amplitude da vibração da peneira [m]. ω – frequência angular da peneira [rad/s].30) Tendo por fim:    pm   s  e  1   s   l  So       1 v  t  e   g  a m   (4.33) Onde: f – frequência de operação [Hz]. t – tempo de operação [s].

que permite determinar a velocidade de drenagem do líquido que passa através da peneira vibratória em funcionamento.35)  2  η   1  fa 2 150 l  e  1    l P    × 2  0.31 na equação 4. tem-se.34) Onde: N 1. 4. finalmente.15.6 Equação para o cálculo da velocidade de drenagem Substituindo as equações 4. a expressão é: N  v2  P  v  4    cos  s dp  1   s       l  g  Q  T  g  a m  0 (4.36) (4.1.37) E finalmente: 84 .2. 4.1. 4. 75  l  e  1     d p     3 (4.7. 4.21 e 4. 02     fa  d p    3      Q    zmax  e       t tsat 0    v(t )     dt   e     l   t tsat tsat             v(t )      dt      s    (4.Wodzinski (2002) e Laws e Livesey (1978) que analisaram de forma análoga o escoamento em peneiras vibratórias. a seguinte equação.

εs  (4. tem-se: 85 . Ela é válida tanto para descrever o sistema com ocorrência de lâmina líquida sobrenadante (quando for o caso).38) A equação 4.1.1 e considerando a massa de sólidos como constante. fórmula de Bhaskara. como massa específica. método gráfico. 4. quanto em seus estágios de insaturação (em caso de tempo de residência suficientemente longo para que se tenha ao menos drenagem parcial do líquido intersticial). espessura do leito de partículas e da lâmina sobrenadante e indiretamente necessita da velocidade de drenagem do líquido.39) Levando em consideração a figura 4.34 é uma equação de 2º grau e. A umidade residual da torta pode ser calcula através da equação a seguir: u= ml ml = mt ml +ms (4. portanto. tem-se: ms = constante = ρs ×At × e × 1 .7 Equação para determinação da umidade residual da torta Milhomem e Luz (2012) desenvolveram equação para prever a umidade residual da torta.). pode ser resolvida pelos métodos convencionais para se encontrar o valor da velocidade (método de NewtonRaphson. A equação leva em conta as características do fluido e do leito. etc.40) Para a massa de líquido.  T   s  e  1   s   l  So       1 v  t  e  (4. por sua vez.

ml = ρl ×At × s  t  ×εl + ρs ×At ×  Zi  t ×εs  (4. tem-se a equação para prever a umidade residual da torta: u t=    ρl s  t  +  Zi  t  ×εs   ρl s  t  +  Zi  t  ×εs  +ρs × e× 1 . 86 .41 na equação 4. Os resultados encontrados pelos autores estão na figura 4.34.43) Os valores da espessura da cota líquida vão depender da velocidade de escoamento.40 e 4.4: Figura 4. 2012.39. Fonte: Milhomem e Luz.41) Assim.4: Evolução do perfil de umidade: teórico versus experimental.εs   (4. substituindo as equações 4. tem-se: u t= ρl ×A t × s  t  ×εl + ρs ×A t ×  Zi  t  ×εs  ρl ×A t × s  t  ×εl + ρs ×A t ×  Zi  t  ×εs  +ρs ×A t × e× 1 .42) E após alguns algebrismos. que pode ser encontrado pela equação 4.εs   (4.

4.2 Caracterização das amostras para realização da simulação

Neste tópico será abordada a metodologia para caracterização de amostras, para
obtenção de valores a serem utilizados na equação 4.34 para simular a operação da
peneira vibratória desaguadora.

4.2.1 Amostras

Foram analisadas características de areia e esferas de vidro (representando
morfologias irregular e esférica, respectivamente), para que os dados coletados das
mesmas pudessem ser utilizados nas simulações . A areia é proveniente do município de
Pinheiros Altos, Minas Gerais, sendo utilizadas com diâmetro inferior a 425 x 10-6 m.
Quanto às esferas, foram adquiridas da empresa Zirtec (ZIRTEC, 2012).
A areia, tal qual obtida, necessitava de preparação prévia à sua caracterização. A
metodologia de homogeneização pode ser encontrada em Oliveira e Aquino (2007): as
amostras foram homogeneizadas utilizando-se uma pilha cônica, sendo realizadas
sucessivas etapas de pazadas manuais, na qual o material da pilha é retomado com
auxílio de uma pá, em vários pontos da pilha, e depositado em outro ponto, formando-se
uma nova pilha cônica. Este procedimento foi repetido 10 vezes.
O quarteamento das amostras foi realizado em seguida. Para tal procedimento, as
amostras foram alimentadas numa esteira que as despejava num divisor rotativo de 12
tambores. A abertura de alimentação da esteira era de 0,03 m, e sua velocidade era de
0,83 m/s. O tambor rotativo, por sua vez, possuia velocidade angular de 2,32 rad/s.
Foram geradas 12 alíquotas provenientes da amostra original, com uma média de
12,53 kg, totalizando 150,35 kg de material.

87

4.2.2 Caracterização granulométrica das amostras

Foram realizados ensaios de peneiramento para análise granulométrica da areia.
A maior peneira possuía abertura de 12,5 mm. As esferas de vidro, por sua vez, já são
adquiridas em tamanhos bitolados através da empresa Zirtec, conforme mostra a tabela
a seguir:

Tabela 4.1: Classificação das micro esferas de vidro, de acordo com sua granulometria
Esferas de vidro industriais

Fração Especificação

Grossa

Média

Fina

Faixa de granulometria Esfericidade aproximada
[μm]

[%]

AA

210-595

70

D

210-297

-

AB

177-297

-

E

177-250

-

AC

149-250

70

AD

105-210

-

AF

74-149

80

AG

53-105

-

AH

44-88

-

AI

53-finos

-

Fonte: Zirtec.

Uma vez de posse da distribuição granulométrica da areia, as esferas de
diferentes especificações foram misturadas, de forma que obtivessem distribuição
granulométrica mais próxima possível à da areia.

88

Para a realização da caracterização granulométrica das amostras, 0,255 kg de
cada amostra foi peneirada em um conjunto de peneiras.
Os resultados obtidos são encontrados na figura 4.5.

Figura 4.5: Distribuição granulométrica das amostras.
Fonte: Milhomem e Luz, 2012.

Ambas as curvas foram feitas através da distribuição de Rosin-Rammler, cujos
parâmetros principais encontram-se a seguir.

Tabela 4.2: Principais parâmetros analisados de acordo com a distribuição de RosinRammler
Amostra
Areia
Esferas de
vidro

Tamanho

Tamanho

Agudez da

Coeficiente de

máximo (m)

médio (m)

curva

correlação

425 x 10-6

242 x 10-6

0,94

0,999

425 x 10-6

264 x 10-6

1,49

0,996

89

m2 – massa do picnômetro + amostra [g]. Após todas as pesagens. realizou-se o cálculo da densidade do sólido segundo a fórmula seguinte: s  m2 .4. tendo-se então o valor de m1. durante 20 minutos. m3 – massa do picnômetro + amostra + água [g]. Pesagem do picnômetro + amostra + água.2. Um picnômetro de volume 50 ml foi pesado vazio. Pesagem do picnômetro + amostra. Secagem da amostra por 20 minutos. 4. 5. 2. As etapas consistiram em: 1. m1 – massa do picnômetro vazio [g].44) Onde: ρs – densidade do sólido [-].m1 (m4 + m2 )-(m1 + m3 ) (4. para ser retirada toda umidade da amostra. com esta preenchendo aproximadamente 20 % do volume do picnômetro. Uma pequena quantidade da areia foi colocada em estufa a 100 °C. 3. Pesagem do picnômetro vazio. O conjunto foi então pesado. que equivaleria a aproximadamente 20 % do volume do mesmo. Água destilada foi aquecida a 90 . m4 – massa do picnômetro + água [g]. Pesagem do picnômetro + água.3 Determinação da massa específica das amostras (real e aparente) e porosidade A determinação da massa específica foi realizada através de picnometria. obtendo-se o valor de m2. Quantidade de areia foi colocada no picnômetro.

O picnômetro foi pesado novamente. que interfeririam na análise) e então adicionada ao conjunto picnômetro + amostra. A fórmula utilizada para o cálculo foi: ap = m Vpro -Va (4. Em uma proveta de 0.1 l. o picnômetro foi esvaziado e preenchido apenas com água. tomando-se cuidado para evitar presença de água na parte externa do picnômetro. m – massa da amostra seca em estufa [kg].45) Onde: ρap – massa específica aparente [kg/m³]. para verificar a reprodutibilidade do experimento. a 19 °C. para se obter m4. Va – volume de água adicionada à proveta [m3]. Este procedimento foi realizado em duplicata.50 °C para evitar a formação de bolhas. A determinação da massa específica aparente é relativamente mais simples que o cálculo da massa específica real da amostra. foi adicionada certa quantidade de areia.46) Onde: m1 – massa do conjunto (proveta + areia) [kg]. Vpro – volume da proveta [m3]. obtendo-se o valor de m3. Va é dada por: Va = m 2 -m1 ρa (4. sendo este conjunto então pesado. m2 – massa total do conjunto (proveta + areia + água) [kg]. até o limite da 91 . Foi então adicionada água. Por fim. seca e vazia. ρa – massa específica da água [kg/m3]. Por sua vez.

Tabela 4. a massa específica foi encontrada de forma direta. Ademais.proveta. ε= ρs -ρap (4. Assim.3: Resultados encontrados para massa específica real. foi possível encontrar o valor de porosidade da amostra de areia. ρs – massa específica real do sólido [kg/m3]. segundo a fórmula a seguir.47) ρap Onde: ε – porosidade [-]. Esses valores puderam ser usados na fórmula 4. A massa específica da água foi calculada com picnometria. ao se pesar a massa de água adicionada ao picnômetro. tendo-se os valores de massa específica real e aparente. e sabendo-se o volume do mesmo.430 Esferas 2480 1480 0. e esse novo conjunto foi pesado.45.387 Material Porosidade [-] 92 . que neste caso foi realizada sem adição de sólidos. Os valores da massa específica real e aparente podem ser visualizados na tabela. aparente e porosidade da areia Massa específica Massa específica real [kg/m³] aparente [kg/m³] Areia 2690 1520 0. ρap – massa específica aparente do sólido [kg/m3].

7 está microfotografia das amostras usadas.7: Amostras utilizadas: a) esferas de vidro. b) areia quartzosa. Figura 4. Fonte: Milhomem e Luz.6: Escala de Krumbein para avaliação visual da esfericidade de partículas (no eixo horizontal se encontram os valores de arredondamento e no vertical.4 Determinação da esfericidade Um ábaco denominado escala de Krumbein (1941 apud DREVIN e VINCENT.4. Para a utilização do mesmo. 2002. 2002) pode ser utilizado para estimar. 93 . estão os valores de esfericidade). Fonte: Drevin e Vincent. basta comparar a forma de uma amostra populacional de partículas analisadas com a forma com a qual ela mais se assemelha no ábaco. Na figura 4. visualmente.2. Figura 4. 2012. a esfericidade das partículas.

A obtenção da fração de área aberta pode ser feita de acordo com figura 4.Assim.5 Características da tela da peneira No tópico 3.2. para se determinar a perda de carga obtida na tela da peneira. A fração de área aberta (ou porosidade da peneira) consiste na razão entre a área disponível para passagem das partículas (área livre ou aberta) com a área total. estimou-se a esfericidade das partículas em 0. 4.7 com a escala de Krumbein apresentada na figura 4. em conta a espessura do fio e a distância entre eles. Leva.98 para as esferas de vidro.75 para a areia e 0.6. foi mostrada a importância da fração de área aberta e do diâmetro do fio da tela. portanto.8: Demonstração da obtenção da fração de área aberta da peneira. comparando a figura 4.8 Figura 4. 94 .4.

portanto a equação (4. ϕx e ϕy – diâmetro do fio da tela nos planos “x” e “y” respectivamente [m].342. resultando numa fração de área aberta de 0. Para uma peneira de malha quadrada.50) 95 . utilizaram-se as seguintes características:  po  1 Cms s  Cml l (4. respectivamente).48) Onde: ax e ay – abertura da peneira nos planos “x” e “y” respectivamente [m].6 Determinação da espessura do leito de partículas e da lâmina de sobrenadante São características que também precisam ser levadas em conta para utilização da fórmula 4.49) Foram escolhidas telas de 45 x 10-6 e 37 x 10-6 m para simulação (fração de área aberta de 34. A espessura do leito foi definida arbitrariamente como sendo de 0. ax é igual a ay (bem como o diâmetro do fio). As medições demonstraram valor de 32x10-6 m para o diâmetro do fio.fa = ax  ay ax    a y    (4. 4.34.2% e 36%.2.02 m.48) assume a forma: fa = a2  a+  2 (4. Para o cálculo da espessura de líquido.

Onde: ρpo – massa específica da polpa [kg/m³].51) Onde: Cvs – concentração volumétrica de sólidos [-].52) Onde: Vl inst – volume de líquido intersticial [m³]. por sua vez. Vs– volume de sólido [m³]. equivale a: Cvs  Cm   po s (4. Cml – concentração mássica de líquido [-]. E a relação de volume de líquido sobrenadante com o volume de sólidos: Vl sobre Vl total  Vl i nst  Vs Vs (4. tem-se: Vl i nst 1  s  Vs 1 s (4. Cms – concentração mássica de sólidos [-].53) 96 . Considerando a relação de volume de líquido intersticial com o volume de sólido. A concentração volumétrica.

bem como o volume de líquido sobrenadante podem ser encontrados pelas equações: Vs pen  At  e  1   s  (4. O volume total de líquido (Vl total) pode ser considerado como ao desconsiderar o volume de sólidos (concentração volumétrica). Vl total – volume total de líquido [m³].56) Vl sobre s  Vs pen e  1   s  (4. Assim.57) E por fim. considerando as equações 4. pode-se obter: Vl sobre At  s  Vs pen At  e  1   s  (4. tem-se: 97 . 4. s – espessura da lâmina de sobrenadante [m].55.54) Vl sobre  At  s (4.54 e 4. e – espessura do leito de partículas [m].Onde: Vl sobre – volume de líquido sobrenadante [m³]. O volume de sólido que a peneira comporta. At – área transversal da peneira [m²].55) Onde: Vs pen – volume de sólido na peneira [m³].52.

Com as devidas substituições.57 poderá informar a razão entre a espessura da lâmina de sobrenadante e do leito de partículas. a equação 4. Uma vez definida a espessura do leito (arbitrária). 98 . obtem-se a espessura da lâmina de sobrenadante.

Após obtenção de todos os valores.2: Valores analisados de cada variável Variáveis analisadas Valores Tensão Superficial [N/m] 36 x 10-2 72 x 10-2 Fração de área aberta [-] 0.5. Os cenários de simulação consistiram em mudanças na concentração mássica de sólidos.0015 -0.1: Variáveis analisadas em 10 diferentes cenários de simulação Variáveis Tensão superficial Fração de área aberta Amplitude [m] Concentração mássica de sólidos [%] Frequência [Hz] Número da simulação 4 5 6 7 + + + + + + + + - 1 + + + 2 + + + 3 + + + + + + + + - + - + - + 8 + + - 9 + + - 10 + + - + + - - - + - + Tabela 5. Nos adendos IV e V. encontram-se as características dos sólidos particulados (esferas de vidro e areia) e líquido (água) utilizados na simulação. tempo de operação e velocidade superficial de filtragem. Os resultados da simulação foram plotados correlacionando frequência.002 Concentração de sólidos [%] 30 -40 Frequência [Hz] 83.342 -0.55 99 .1).34. Os valores utilizados encontram-se na tabela 5.78 167. tensão superficial do líquido.2. Foram utilizados valores altos e baixos (conforme mostra tabela 5.36 Amplitude [m] 0. RESULTADOS A simulação da operação de desaguamento com peneira vibratória foi realizada após obtenção dos dados necessários para serem utilizados na equação 4. a simulação do desaguamento foi realizada. Tabela 5. tela da peneira (fração de área aberta) e frequência e amplitude de vibração.

a influência de cada parâmetro em conjunto com a frequência de operação. considerou-se o valor de tensão superficial da água.2. Para o valor “alto”. Os resultados encontram-se nas figuras 5. 100 . 5. valores altos e baixos. obtendo-se uma tensão superficial final de 36 x 10-2 N/m. Houve então modificações para o valor baixo de cada variável. Uma solução de sulfonato de petróleo foi preparada. considerou-se como ensaio padrão os valores nas condições ditas elevadas. a frequência foi variada.Para a simulação.1 e 5. medindo-se.1. que é 72 x 10-2 N/m. Em ambos os casos. portanto. 5.1 Simulação com esferas de vidro A seguir serão apresentados os resultados da simulação com esferas de vidro com diferentes cenários.1 Influência da tensão superficial para drenagem com esferas de vidro Verificou-se se a mudança da tensão superficial causaria uma mudança muito significativa no perfil de velocidade de drenagem.

101 .004 0.33 0.012 -0.002 -0.006 -0.93 1.61 1.014 t [s] Figura 5. tempo de operação e velocidade de filtragem para tensão superficial de 36 x 10-2 N/m (adição de sulfonato de petróleo).65 0.2.01 -0.29 0. Os resultados com 72 x 10-2 N/m são vistos na figura 5.55 83.97 0.78 0.1: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência.008 1.f [Hz] 167.004 -0.01 -0.002 0 v [m/s] -0.

65 0.3.014 -0.012 -0.01 1. os valores encontrados diferem em cada situação.29 0. Como esperado.01 -0.97 0.61 1. Essa diferença pode ser apresentada. com elevação e queda de seus valores. a velocidade apresenta um perfil senoidal.002 0 v [m/s] -0.002 -0. Apesar de apresentarem o mesmo perfil de velocidade.004 -0.008 -0.006 -0.016 t [s] Figura 5. de forma a facilitar a análise. que podem ser visualizados na tabela 5.93 1.55 83.2: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência. nos valores máximo e mínimo atingidos pela velocidade superficial de filtragem. 102 .78 0. tempo de operação e velocidade de filtragem para tensão superficial de 72 x 10-2 N/m.f [Hz] 167.33 0. em virtude do movimento vibratório.

Nesta situação. Assim.008047954 83.003861656 83. a velocidade que representa efetivamente a drenagem do líquido é aquela com valores negativos. Assim.015 m/s.55 -0. os melhores valores obtidos foram nas condições de maior frequência e maior tensão superficial.78 0. não produziu melhora significativa na velocidade de escoamento. quanto menor a velocidade. melhor o escoamento da água.Tabela 5.001984135 -0.001980378 167.012737274 -0.3: Resultados de simulação para esferas de vidro: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a tensão superficial e frequência de operação Velocidade [m/s] Tensão 36 x 10-2 Tensão 72 x 10-2 Frequência [Hz] N/m N/m -0. No caso em análise. Isso demonstrou que reduzir a tensão superficial.003755202 0.78 -0. Mesmo a velocidade de ascensão foi inferior à velocidade de ascensão quando se usando sulfonato de petróleo. a velocidade mínima obtida foi de – 0. conforme se observa na tabela 5. no caso em questão.014838149 167. 103 .006090344 -0. Velocidades positivas podem representar a ascensão do líquido que acompanha o movimento da peneira vibratória.55 Mínima Máxima Considera-se como negativa a gravidade no sentido para baixo.3.

104 .01 v [m/s] 83.014 -0.93 1. consideraram-se duas telas distintas: uma de 45 x 10-6 m e outra de 37 x 10-6 m.006 -0. resultando em 34.002 -0. Os resultados são exibidos nas figuras 5.2% e 36% respectivamente.55 1. f [Hz] 167.33 0.2 Influência da fração de área aberta da peneira para drenagem com esferas de vidro Neste caso.3: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência.3 e 5.61 1.2%. As frações de área aberta foram bem próximas.012 -0.4.002 0 -0.97 0.29 0.008 -0.01 -0.5.004 -0.65 0. tempo de operação e velocidade de filtragem para fração de área aberta de 34.1.78 t [s] Figura 5.016 0.

4: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência. nova análise de distribuição granulométrica deveria ser feita.65 0.78 t [s] Figura 5.29 0. tempo de operação e velocidade de filtragem para fração de área aberta de 36%.012 -0. Os resultados de velocidades máxima e mínima obtida encontram-se na tabela a seguir: 105 . de forma a considerar o menor tamanho de abertura da partícula para a seleção da malha da peneira.002 0 -0.f [Hz] 167.01 v [m/s] 83.016 0.004 -0. Seria interessante considerar o efeito de peneira com abertura maior.01 -0. Neste caso.93 1.61 1.014 -0.002 -0.006 -0.55 1. entretanto.008 -0.33 0. não houve praticamente qualquer diferença entre um e outro resultado.97 0. Pode-se explicar a pouca diferença entre elas pelo fato de que ambas possuem aberturas muito próximas.

008047954 -0.6.55 Mínima Máxima 5.4: Resultados de simulação para esferas de vidro: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a fração de área aberta e frequência de operação Velocidade [m/s] Fração 34. Os valores simulados foram de 0.0015 e 0. para se verificar os efeitos da mesma na velocidade de filtragem.014845436 167. Os resultados são mostrados nas figuras 5.Tabela 5.5 e 5.55 -0.2% Fração 36% Frequência [Hz] -0.003863348 83.78 -0.014838149 -0.78 0.1.002 m/s (valores usuais encontrados em peneiras desaguadoras).3 Influência da amplitude do movimento para drenagem com esferas de vidro A amplitude foi modificada de forma arbitrária.008051632 83.003861656 -0.001980378 0.001981198 167. 106 .

45 1.012 0.002 -0.008 -0.69 1.01 -0. f [Hz] 167.008 -0.55 83.21 1.01 0.78 0.014 t [s] Figura 5.004 -0.73 0.004 -0.25 0.25 0.6: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência.012 -0.5: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência.014 -0.69 1.002 0 v [m/s] -0.93 -0.21 1.93 -0.97 1.55 83.002 m.002 0 v [m/s] -0.49 0.01 -0.45 1.97 1.49 0.002 -0. 107 . tempo de operação e velocidade de filtragem para amplitude de vibração de 0.f [Hz] 167.006 0.78 0.016 t [s] Figura 5. tempo de operação e velocidade de filtragem para amplitude de vibração de 0.0015 m.73 0.01 0.006 -0.

5: Resultados de simulação para esferas de vidro: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a amplitude e frequência de operação Velocidade [m/s] Amplitude 0.Na tabela 5.1. 5.014838149 167. 108 .8.001980378 167.002 m Frequência [Hz] -0.78 7.5 estão os valores máximo e mínimo atingidos de velocidade de filtragem.0015 m Amplitude 0.0015 m/s.01250918 -0. resultando numa velocidade mínima de -0.55 -0.7 e 5.55 Mínima Máxima Os melhores valores foram para a condição de maior amplitude e maior frequência de vibração.4 Influência da concentração mássica de sólidos para drenagem com esferas de vidro Os resultados da simulação são mostrados nas figuras 5.69021E-05 0.008047954 83.007507262 -0.004368119 -0. Tabela 5.003861656 83. considerando concentração de sólidos de 30 e 40%.78 -0.

93 -0.78 0.012 -0.014 -0.55 0.73 0.8: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência.21 1.002 0 -0.01 -0.01 0.006 -0.29 1.97 1.005 v [m/s] 0 -0. 109 .008 -0.02 t [s] Figura 5.002 -0.7: Ensaios com esferas de vidro: relação entre frequência.93 v [m/s] 83.78 t [s] Figura 5.005 -0. tempo de operação e velocidade de filtragem para concentração de sólidos de 40%.25 0.65 0. f [Hz] 167. tempo de operação e velocidade de filtragem para concentração de sólidos de 30%.55 83.015 0.61 1.01 -0.01 0.49 0.004 -0.f [Hz] 167.33 0.97 1.45 1.69 1.016 0.

A tabela 5.55 Mínima Máxima Percebe-se ligeira diferença. 110 .003861656 83. Tabela 5.019 m/s na condição de maior frequência e menor concentração de sólidos contra -0. frequência e tensão superficial e pouca concentração de sólidos. percebe-se que as melhores condições atingidas foram com maior amplitude. Todavia.009781304 -0. Nas condições estudadas. Menor quantidade de sólidos significa menos partículas no meio para serem atravessadas pelo fluido. a fração de área aberta mostrou-se de pouca importância.004149621 -0.55 -0.003605759 0. Do que foi exposto nos tópicos anteriores. o que permite que se atinjam velocidades maiores.6: Resultados de simulação para esferas de vidro: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a concentração mássica de sólidos e frequência de operação Velocidade [m/s] Concentração mássica Concentração mássica Frequência [Hz] de 30% de 40% -0.6 mostra os valores alcançados de velocidade máxima e mínima.0015 m/s para as mesmas condições mas com maior porcentagem de sólidos.008047954 83.78 -0.019080321 -0.78 0.014838149 167. que neste caso obteve-se valor de -0. deve-se considerar até onde tal redução é válida para encontrar uma configuração ótima entre desaguamento e capacidade da peneira.001980378 167.

97 0.002 -0.9 e 5.006 1.33 0.004 -0. tempo de operação e velocidade de filtragem para tensão superficial de 36 x 10-2 N/m. tanto para tensão superficial de 36 x 10-2 quanto de 72 x 10-2 N/m. Os resultados poderão informar o desaguamento considerando diferentes morfologias de partículas.2 Simulação com areia Neste tópico serão apresentados os resultados da simulação com areia nas mesmas características apresentadas anteriormente. f [Hz] 167.55 83.004 0.9: Ensaios com areia: relação entre frequência.78 0.002 v [m/s] 0 -0.93 1.29 0. 111 .5.61 1.008 t [s] Figura 5. 5.1 Influência da tensão superficial para drenagem com areia Nas figuras 5.65 0.2.10 estão os resultados para simulação de areia.01 -0.

002 v [m/s] 0 -0.7 estão os valores máximo e mínimo obtido para os cenários em questão.65 0.01 -0.01 t [s] Figura 5.97 0.001359236 -0. Tabela 5.002 -0.001021413 167.008 1.f [Hz] 167.55 -0.78 -0.55 83.005201417 83.004 -0.002279373 0.10: Ensaios com areia: relação entre frequência.61 1.55 Mínima Máxima 112 .7: Resultados de simulação para areia: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a tensão superficial e frequência de operação Velocidade [m/s] Tensão 36 Tensão 72 Frequência [Hz] -0.002650865 83. tempo de operação e velocidade de filtragem para tensão superficial de 72 x 10-2 N/m.006 -0.009187487 167.29 0.003885531 -0.33 0.00783217 -0.93 1. Na tabela 5.78 0.78 0.

tempo de operação e velocidade de filtragem para fração de área aberta de 34. As esferas apresentaram melhor resultado quando se analisa a velocidade de drenagem do líquido. o que pode não ser algo positivo. Ainda nesta configuração.65 0. a velocidade de ascensão também foi maior. Entretanto.O melhor resultado encontra-se.93 1.55 83.004 -0. de forma semelhante ao ensaio com esferas.97 0.008 1. pois assim a água levaria mais tempo para percolar o leito novamente.2%.33 0. f [Hz] 167.12 estão os resultados das simulações. 113 .78 0. a velocidade de ascensão foi menor quando se utilizando o reagente tensoativo.002 -0.01 t [s] Figura 5.29 0.61 1.11 e 5. com maior valor de tensão superficial e maior frequência de operação.01 -0. 5.006 -0.2.11: Ensaios com areia: relação entre frequência.002 v [m/s] 0 -0.2 Influência da fração de área aberta da peneira para drenagem com areia Nas figuras 5.

005201417 -0.01 0.8 a seguir: Tabela 5.009187487 -0.2% Fração 36% Frequência [Hz] -0.61 0.008 1.78 -0.97 1.78 0.002651576 83.55 83.f [Hz] 167.93 1.009190072 167. Os resultados de velocidades máxima e mínima obtida encontram-se na tabela 5.002 v [m/s] 0 -0.004 -0.12: Ensaios com areia: relação entre frequência.01 t [s] Figura 5.78 0.005202837 83.001021413 0.002 -0.65 0.8: Resultados de simulação para areia: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a fração de área aberta e frequência de operação Velocidade [m/s] Fração 34.55 Mínima Máxima 114 .33 0. tempo de operação e velocidade de filtragem para fração de área aberta de 36%.00102168 167.002650865 -0.55 -0.29 -0.006 -0.

78 0 -0.45 1.49 0.001 v [m/s] -0.14.003 -0. tempo de operação e velocidade de filtragem para amplitude de vibração de 0.69 1.004 -0.13 e 5.2. mas também apresentaram maior velocidade de ascensão do líquido.3 Influência da amplitude do movimento para drenagem com areia Os resultados se encontram nas figuras 5.73 0. f [Hz] 167.97 1.21 1.0015 m.93 -0.13: Ensaios com areia: relação entre frequência.55 83. 5.Também nesta situação.007 0. Mais uma vez. os valores foram praticamente idênticos.005 -0.25 0. 115 .008 t [s] Figura 5.002 -0.01 0. as esferas apresentaram maior velocidade de drenagem.006 -0.

006 -0. As esferas também apresentaram resultado melhor.33 0.29 0.78 0.00296389 -0.00487723 -0.0015 m Amplitude 0.009190072 167.97 0. Na tabela 5.78 -0. Pelo que se observa.14: Ensaios com areia: relação entre frequência.002 0 v [m/s] -0.61 t [s] 1.65 0.55 83. tempo de operação e velocidade de filtragem para amplitude de vibração de 0.55 -0.f [Hz] 167.007844057 -0. os resultados melhores foram com maior frequência e amplitude.9: Resultados de simulação para areia: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a amplitude e frequência de operação Velocidade [m/s] Amplitude 0.55 Mínima Máxima 116 .002 -0.00102168 167.9 estão os resultados de velocidade máxima e mínima considerando a influência da amplitude do movimento.002651576 83.000189262 0.78 -0.01 Figura 5. assim como nos tópicos anteriores.004 -0.01 -0.008 1.002 m.005202837 83. Tabela 5.93 1.002 m Frequência [Hz] -0.

117 .2.78 0.002 v [m/s] 0 -0. f [Hz] 167. tempo de operação e velocidade de filtragem para concentração de sólidos de 30%.97 1.01 0.16.004 -0.012 t [s] Figura 5.15 e 5.25 0.21 1.69 1. considerando concentração de sólidos de 30 e 40% encontra-se nas figuras 5.002 -0.006 -0.5.93 -0.4 Influência da concentração mássica de sólidos para drenagem com areia A simulação para o desaguamento em peneira.004 0.49 0.15: Ensaios com areia: relação entre frequência.73 0.01 0.55 83.008 -0.45 1.

Os valores máximo e mínimo de velocidade.002 -0.011600046 -0.78 167.01 0.002 v [m/s] 0 -0.004 -0.009190072 167.55 0.29 1.01 t [s] Figura 5.10.65 0.f [Hz] 83.006 -0.78 -0. para cada configuração da simulação encontram-se na tabela 5.00102168 167.97 1.55 Mínima Máxima 118 .93 -0.10: Resultados de simulação para areia: valores máximo e mínimo de velocidade de filtragem de acordo com a concentração mássica de sólidos e frequência de operação Velocidade [m/s] Concentração de 30% Concentração de 40% Frequência [Hz] -0.61 1.008 0. tempo de operação e velocidade de filtragem para concentração de sólidos de 40%.33 0.002651576 83.002828331 -0.55 -0. Tabela 5.005202837 83.78 0.00205439 0.16: Ensaios com areia: relação entre frequência.006238032 -0.

A areia também encontrou melhores condições de drenagem para menor
concentração de sólidos. Mais uma vez, ressalta-se que a velocidade de ascensão da
água foi maior com relação a uma menor concentração de sólidos. Valores de simulação
com esferas de vidro, como esperado, também foram maiores, também levando em
conta concentrações menores.
Do que foi analisado, percebe-se que os principais fatores que exercem
influência no desaguamento com peneiras vibratórias foram a frequência e amplitude de
operação bem como a concentração mássica. A fração de área aberta (nas condições
analisadas) não mostrou diferenças (poder-se-ia inclusive levar em conta as
considerações de Das e Chabbra (1989), que informam haver pouca importância das
características estruturais da peneira). A tensão superficial, por sua vez, influencia no
processo, mas de forma inversa, ou seja, abaixar a mesma leva a maiores valores de
velocidade de filtragem.
Por fim, as esferas de vidro apresentaram resultados melhores em comparação
com areia (considerando apenas a velocidade superficial de escoamento). Isso poderia
ser um indicativo que a morfologia das partículas também exerce apreciável influência
no processo. Todavia, deve-se também levar em conta que além da diferença de massas
específicas (embora pequena), há também as diferenças sutis na distribuição
granulométrica das amostras. A diferença de valores de porosidade, por sua vez, não
merece muitos comentários, uma vez que a mesma é relacionada com a forma das
partículas.

5.3 Previsão da umidade residual da torta

Milhomem e Luz (2012) realizaram ensaios de desaguamento em peneira de
0,2 m de diâmetro para testar a validade da equação 4.43. Para o cálculo da velocidade
de drenagem, os autores utilizaram a equação de Ergun (sem modificações)
considerando assim um valor de velocidade constante para realização dos cálculos de
determinação da cota do líquido intersticial. Os autores acharam boa aproximação entre
os dados experimentais e simulados.

119

De forma análoga, procurou-se prever a umidade residual da torta através do
perfil de velocidade aqui apresentado. Todavia, em virtude da relativa complexidade ora
apresentada, dado o perfil senoidal de velocidade, a equação 4.43 apresentou limitações
quanto à determinação do valor de umidade.
Novas considerações devem ser realizadas para poder utilizar com boa
segurança a equação de previsão da umidade residual da torta.
De forma geral, para verificar qual a melhor configuração que possibilite menor
valores de umidade, ensaios laboratoriais devem ser realizados.

120

6. CONCLUSÃO

Foram apresentados aqui dois modelos envolvendo peneiras desaguadoras: um
relacionado à previsão do comportamento da velocidade de drenagem superficial do
líquido (velocidade de filtragem através da peneira) e outro da previsão da umidade
residual da torta.
O primeiro modelo leva em conta a drenagem através de meio porosos, a perda
de carga na tela da peneira e capilaridade, a influência da altura da coluna de líquido e
da vibração da peneira. Trata-se de uma equação cujos parâmetros para simulação
podem ser facilmente obtidos através de ensaios de caracterização da amostra.
O modelo de previsão de umidade residual, por sua vez, possibilitou prever a
umidade da torta através do conhecimento de parâmetros simples, como massa
específica do líquido e do sólido, a porosidade do leito particulado e as espessuras do
leito de partículas e da lâmina sobrenadante, sendo esta última dependente da
velocidade superficial de filtragem (que pode ser encontrada pela primeira equação).
Todavia, a equação 4.43, para previsão da umidade residual da torta, necessita
de alguns ajustes, uma vez que a mesma apresenta um perfil linear de perda de umidade,
e assim não conseguiu prever satisfatoriamente a umidade com base nos resultados
obtidos pela equação 4.34, para cálculo da velocidade superficial de filtragem.
Quanto a esta última equação, a mesma apresentou de forma aceitável o perfil de
velocidade que acontece nas peneiras desaguadoras durante o desaguamento. Todavia,
ensaios laboratoriais devem ser realizados para validar o modelo.
Quanto aos resultados obtidos, a equação 4.34 mostrou a diferença ocasionada
para diferentes valores de tensão superficial, fração de área aberta (porosidade da
peneira), concentração de sólidos e amplitude e frequência do movimento da peneira.
Os melhores valores obtidos foram obtidos com esferas de vidro com 30% de
sólidos, amplitude de 0,002 m e frequência de 167,55 Hz com tensão superficial de
72 x 10-2 N/m.. Isso demonstra que os principais fatores que exercem influência no
desaguamento com peneiras vibratórias são a morfologia das partículas, concentração
da polpa e condições operacionais do equipamento (amplitude e frequência). Reduzir a

121

Cabe ressaltar que a massa específica das amostras não foi analisada separadamente e que as amostras possuíam diferenças na distribuição granulométrica e na porosidade (esta decorrente da forma das partículas). o que não garante plenamente que partículas esféricas possuam melhor dinâmica de desaguamento. é imprescindível a realização de ensaios experimentais. Assim. desconsiderando. que aumentando-se a frequência. também aumentará velocidade de ascensão do líquido. para confirmar quais as melhores condições de desaguamento. 122 .tensão superficial não apresentou melhoras e a fração de área aberta não apresentou modificações quanto aos valores adotados (nos valores em análise). embora esse seja o resultado mais lógico adotado em virtude dos cenários de simulação. Por fim. por exemplo. os ensaios considerados melhores referem-se somente à velocidade de filtragem do líquido.

Realizar correlação entre a equação para previsão da umidade residual com a equação de previsão da velocidade de drenagem do líquido. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS Dentre algumas sugestões para trabalhos. 3. 123 . 2. Analisar outras aberturas de peneira. cita-se: 1.7. procurando prever a umidade final da torta com a utilização conjunta das duas equações. verificando assim se esta realmente exerce algum tipo de influência no processo. Realização de ensaios para validação da equação aqui apresentada para a velocidade de drenagem do líquido em peneiras vibratórias.

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ADENDOS ADENDO I: LISTA DE DEFINIÇÕES PARA DIÂMETRO IRREGULAR DE PARTÍCULAS Definições de “diâmetro da esfera equivalente” Símbolo Nome Propriedade equivalente da esfera XV Diâmetro volumétrico Volume XS Diâmetro superficial Superfície Xsv Diâmetro de superfície volumétrica Razão área/volume Resistência ao movimento em Xd Diâmetro de arraste mesmo fluido a uma mesma velocidade Velocidade de queda livre no Xf Diâmetro de queda livre mesmo líquido.9. se for XSt Diâmetro de Stokes usada a lei de Stokes (número de Reynolds < 0.2) XA Diâmetro da peneira Passagem através de uma mesma abertura quadrada 131 . a uma mesma velocidade Velocidade de queda livre.

Definições de “diâmetro do círculo equivalente” Símbolo Nome Propriedade equivalente do círculo Área projetada se a partícula está Xa Diâmetro de área projetada em repouso em uma posição estável Xb Diâmetro de área projetada Xc Diâmetro do perímetro Área projetada se a partícula está com orientação aleatória Perímetro externo Definições de “diâmetro estatístico” Símbolo Nome XF Diâmetro de Feret XM Diâmetro de Martin XSH Diâmetro de cisalhamento Propriedade equivalente da esfera Distância entre duas tangentes em lados opostos da partícula Comprimento da linha que divide a imagem da partícula Largura da partícula obtida com um corte ocular da imagem Máximo comprimento de uma XCH Diâmetro máximo da corda linha limitada pelo contorno da partícula 132 .

ADENDO II: DISTRIBUIÇÕES ESTATÍSTICAS E GRANULOMETRIA Exemplos de distribuições contínuas não truncadas (à direita):  Distribuição de Gauss (normal): 𝑌=𝑝 0≤𝑥≤𝑋 =  𝑥 1 𝜎× 2×𝜋 × exp − 0 𝑥−𝜇 2 × 𝑑𝑥 2 × 𝜎2 Distribuição log-normal: 𝑌=𝑝 0≤𝑥≤𝑋 = 𝑥 1 𝜎× 2×𝜋 × exp − 0 ln 𝑥 − 𝜇𝑔 × 𝑑𝑥 2 × 𝜎𝑔 2 Com: 𝜎𝑔 =  1 × ln 𝑥84 − ln 𝑥16 2 Distribuição de Weibull: 𝑌 = 𝑝 0 ≤ 𝑥 ≤ 𝑋 = 1 − exp −  𝑥−𝛿 𝑥∗ 𝑛 Distribuição de Rosin-Rammler. ou de Rosin-Rammler-Sperling-Benett (caso especial da distribuição de Weibull para δ = 0): 𝑌 = 𝑝 0 ≤ 𝑥 ≤ 𝑋 = 1 − exp −  𝑥 𝑥∗ 𝑛 = 1 − exp ln 1 𝑥 × 2 𝑥50 n Distribuição logística: 133 .

1 𝑌=𝑝 0≤𝑥≤𝑋 = 1+  𝑥 −𝜆 𝑥 50 Distribuição de Hill: 𝑌=𝑝 0≤𝑥≤𝑋 = 𝑥𝑎 𝑎 𝑥 𝑎 + 𝑥50 134 .

Exemplos de distribuições contínuas truncadas (à direita):  Distribuição de Rosin-Rammler truncada (bitolada com tamanho máximo xmax): 𝑛 𝑥 𝑥 max −𝑥 𝑥∗ 𝑌 = 𝑝 0 ≤ 𝑥 ≤ 𝑋 < 𝑥max = 1 − exp − 1 = 1 − exp ln × 2  𝑥 max −𝑥 𝑥 50 𝑥 max −𝑥 50 Distribuição de Harris: 𝑌 = 𝑝 0 ≤ 𝑥 ≤ 𝑋 < 𝑥max = 1 − 1 −  𝑛 𝑥 𝑥 𝑎 𝑏 𝑥max Distribuição de Gates-Gaudin-Schumann (caso especial da distribuição de Harris para a=1): 𝑌 = 𝑝 0 ≤ 𝑥 ≤ 𝑋 < 𝑥max =  𝑎 𝑥 𝑥max Distribuição de Gaudin-Meloy (caso especial da distribuição de Harris para a=1): 𝑌 = 𝑝 0 ≤ 𝑥 ≤ 𝑋 < 𝑥max = 1 − 1 − 𝑥 𝑏 𝑥max Distribuição de Hill: 135 .

𝑌=𝑝 0≤𝑥≤𝑋 = 𝑥 𝑥 max 𝑥 1− 𝑥 max  𝑎 𝑥 𝑥 max 𝑥 1− 𝑥 max 𝑎 + 𝑥 𝑥 50 𝑥 max 𝑥 1− 50 𝑥 max = 𝑥 max −𝑥 𝑎 𝑥 50 𝑥 𝑥 max −𝑥 + 𝑎 𝑥 max −𝑥 50 Distribuição logística truncada: 1 𝑌=𝑝 0≤𝑥≤𝑋 = 1+  𝑎 𝑎 𝑥 𝑥 max −𝑥 𝑥 50 𝑥 max −𝑥 50 −𝜆 Distribuição de Broadbent-Callcott: 𝑌 = 𝑝 0 ≤ 𝑥 ≤ 𝑋 < 𝑥max = 1 − exp − x x 𝑚𝑎𝑥 1 − exp −1 136 .

segundo ou inferior). Em instalações de mineração. P – este fator pode tomar valores entre 1 e 1. Q3 – peneiramento via úmida. sendo função do conhecimento e da certeza que se tem dos dados do material a ser peneirado. Q6 – tipo de peneira.. T – alimentação do deck da peneira [m³/h]. poderá ser adotado o fator “1”. Q5 – porcentagem de área aberta utilizada pela tela. 137 . onde os dados do material e da superfície de peneiramento são bastante conhecidos. C – capacidade básica para separação desejada [(m³/h)/m²]. xQ5xQ6.4.ADENDO III: FÓRMULAS PARA DIMENSIONAMENTO DE PENEIRAS CLASSIFICADORAS Fórmula da Metso/Faço A= T×P C×M×K×Qn Onde: A – área da peneira [m2]. M – fator dependente da porcentagem de material retido. Q1 – fator relativo à posição do deck (primeiro. Q2 – forma das partículas.. K – fator relativo à porcentagem de material de alimentação inferior à metade de tamanho da separação desejada. Qn – fator de correção: Qn = Q1xQ2x. Q4 – porcentagem de umidade para peneiramento a seco.

138 .

139 .

140 .

5: Valores de kb1 Passante [%] 30 40 50 60 70- 80 90 kb1 0.h-1].6) ou via seca (1.45 a 0.5 kb2 – coeficiente proporcional à umidade da alimentação (1 para material seco e 0.8 para cúbicos ou lamelares) [-]. kb4 – coeficiente de forma dos grãos (1 para grãos redondos e 0.9 1.5 para material úmido) [-]. kb3 – coeficiente pra peneiramento via úmida (1. Al – alimentação [m3.5 a 1. C1 – capacidade básica (unitária) de produção [(m3. kb1 – coeficiente relativo à proporção de passante na alimentação [-].75 0.Fórmula de Bauman A= Al C1 × k b1 × k b2 × k b3 × k b4 Onde: A – área da peneira [m2]. 141 .h-1)/m2].0 1.8 0. cujos valores são: Tabela 3.0) [-].3 1.15 1.

h-1)/m2].4 1. Valores para o fator “cs” Eficiência (%) 60 70 75 80 85 90 92 94 96 98 cs 2.05 1.8 2. Valores para o fator “ds” % < tamanho metade ds 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 0.4 1.64 0.7 1.98 0.44 0.95 0.2 3.9 0. bs – fator relativo à porcentagem de material retido na tela.0 1.8 1.34 0.Fórmula da Smith Engineering Works A= Al C1 × bs × cs × ds × es × fs Onde: C1 – capacidade básica de produção [(m3.86 0.7 0.55 0.95 0.3 cs – fator relativo à eficiência desejada para o peneiramento.2 1.8 0.7 0.25 1.1 1. 142 100 - .0 0.9 ds – fator relativo à porcentagem de material menor que a metade da malha.5 0.55 0.55 1.01 0.05 1. Valores para o fator “bs” % 10 20 30 40 50 60 70 80 85 90 92 94 96 98 bs 1.0 - es – fator relativo à umidade do material.1 1.

9 2.Valores para o fator “es” Malha (mm) < 0.5 1.2 3.9 7.75 1.0 1.5 fs – fator relativo ao deck em consideração.75 0.9-9.6 1.25 2.6 143 .8 0.8 0.6-3.2-4.25 1.8-7. Valores para o fator “fs” Nível superior 2º 3º 4º fs 1.8 4.5-12.8-1.7 es 1.1 2.9 0.5 9.0 0.

8 × a × fa Ef × 1 − s − m1/2 Onde: Qa – vazão mássica na alimentação [t.Modelo de Menne A= 1 − s − m1/2 1 − s − m1/2 × ln + K m × Qa 7. E “Km” é um parâmetro dado por: K m =0. no fluxo de alimentação do deck [-]. s – fração de material maior que a abertura da peneira. caso contrário: Km = 2.5 × 424 − a 10000 144 . se a > 400 mm. fa – fração de área aberta da peneira [-]. Ef – eficiência de remoção de finos [-]. na alimentação do deck []. m1/2 – fração de material menor que a metade da abertura da peneira.h-1].

m-3].Modelo de Luz e Carvalho Luz e Carvalho (2005) realizaram análise de regressão com valores tabelados para dimensionamento pelo método Allis-Chalmers.815 × m2 + 0. A capacidade básica de peneiramento é dada por: Qbas = 0.h-1)/m2 = m.h-1].28 × a O fator de correção k1 é referente ao “tamanho metade”.36423 × a2 + 251. Πki – “produtório” dos vários fatores de correção. ρap – massa específica aparente do material [t. Fp – coeficiente de incerteza [-]. sendo encontrado pela seguinte equação: k1 = 4.h-1]. propondo assim um modelo que visa evitar o uso de rotinas de interpolação e integrando-o com o modelo probabilístico A equação clássica de peneiramento pelo método Allis-Chalmers é dada por: Qa A= ρap × Fp Qbas × Πki Onde: A – área da peneira [m2]. Qa – vazão mássica de alimentação [t. Qbas – capacidade básica do peneiramento [(m3. ki [-].193 1000 Onde: 145 .

cuja fórmula é: k 2 = −2. k3 = 0.7 Onde: s – fração de material acima da abertura efetiva da peneira na alimentação do deck [-]. será iguala 0. O fator k3 é referente ao tipo de abertura. será encontrado pela equação: k 3 = 0. 146 .9.  Para malha retangular.  Para malha redonda. sendo dado por:  Para malha quadrada.738 × k d − 1 +1 Onde: kd – relação entre os lados (eixos) da abertura (d1/d2) [-].8. será igual a 1.72 × 1 − exp −0. k3 = 1.m – fração de material menor que a metade da abertura equivalente da peneira no fluxo de alimentação do deck [-]. O fator k4 (fator de formato de partículas) pode ser dado por:  Para partículas cúbicas. O fator k2 é o fator de correção para a fração retida (fator de grossos).  Para partículas lamelares.08 × 90.274 × 1 − exp −0.1 − s + 3.

k6 = 1.85. k será igual a 0. 7 7 7 O último fator.7.9. é o fator de área aberta.37 + 1.  3% > Umidade < 9 %. sendo calculado pela seguinte expressão: k8 = 34 × 1 − exp −0. k será igual a 0.9 fa = 50 50 + 40 147 .75. k7. será encontrado pela seguinte fórmula: k 5 = −0.05 × a − 1. é calculado da seguinte maneira:  Se o peneiramento ocorrer no primeiro deck.  Se o peneiramento ocorrer no segundo deck.  Se o peneiramento ocorrer no terceiro deck.  Peneiramento completamente úmido ou a umidade for menor que 3 %. sendo encontrado da seguinte forma:  6 % > Umidade < 9 %. k8. k6 = 0.8.04 × a − 3.O fator k5 é o fator de eficiência da abertura:  Para peneiramento a seco. será igual a 1.407 O fator k6 é o fator de umidade.  Para peneiramento a úmido. O fator de área efetiva. k6 = 0. k será igual a 0.

000890 0.ADENDO IV: CARACTERÍSTICAS DO MATERIAL UTILIZADO NAS SIMULAÇÕES Características das esferas de vidro para simulação Características do material ρs [kg/m³] e [m] dp [m] ψ [-] εs [-] 2480 0.03784 0.000184 0.02 0.43 Características da água para simulação Características do líquido ρf [kg/m³] s0 [m] ηf [Pa.072 θ [-] εl [-] 0 1 148 .02 0.s] γ [N/m] 1000 0.000150 0.75 0.98 0.387 Características da areia para simulação Características do material ρs [kg/m³] e [m] dp [m] ψ [-] εs [-] 2690 0.