Experiência da Imagem – Aula 6

Experiência da imagem, experiência de si. Vida e obra, ficção e realidade.
Felipe Amaral Borges
Nagiko se permite máquina
desejante a-significante. Nagiko é só desejo
e subverte a vida, em si, abrindo-se às
possibilidades do desejo, do delírio,
permitindo-se alucinações táteis. Nagiko
foge do teatro edipiano, ela é mais que
Electra. Conecta-se com seu pai no prazer
do corpo não mais do que no prazer da
escrita. Escrita sobre si. Sobre si, em si
mesma, sobre sua pele.
O pai faz em Nagiko livro. E ela
repete. Nagiko faz livro em Jerome. Nagiko,
pai, Jerome, fazem rizoma em uma
cartografia oriental a-significante. Rizoma
com linhas de fuga que se cruzam entre
desejo, delírio, sintaxe corpo-escrita. A pele
de Nagiko, a pele de Jerome, não são
decalques, mas mapas daquela cartografia
oriental do desejo, sintaxe corpo-livro, peletinta, tinta-sange, sangue-desejo. Devirlivro de Nagiko, devir-livro de Jerome,
devir livro de Nagiko em Jerome.

Jerome, em seu devir-livro-deNagiko, também opera agenciamentos
maquínicos em nome do desejo. Jerome
também é só desejo. O lindo Jerome, em
sua cartografia de amor oriental, opera
desejos fluidos em nome do devir-livro-deNagiko.

A ética do cuidado de si como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Ed. Dizia Artaud que as palavras fracassam quando não afetam o corpo. . 264-287. Texto elaborado a partir de imagens suscitadas pelo filme The Pillow Book [O Livro de Cabeceira]. Deposita sobre aquele corpo. Gilles. GUATTARI. Michel. Mas é corpo este que dispensa os órgãos. GUATTARI. 1999. 1996. 1992. sem substância. Gilles. seduz. LINS. 34. A vida como obra de arte. Finalmente o alcance do seu devir-livro. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Félix. Jerome está morto. p. Gilles. corrompendo a gramática. 2014. Félix. Imago. mina aquele corpo inerte de toda sua subjetividade. O anti-édipo: capitalismo e esquizofrenia. V. sexualidade e política. sobre aquela pele. 2004b. 118-126. 1996. destituídas de sintaxe. In: _____. Mas este é Jerome! Este é o seu devir-livro. Rio de Janeiro. amalgama e entremeia suores da escrita e do sexo. ao fim e ao cabo. constrói uma subjetividade sem sujeito. GUATTARI. Seu corpo.Jerome corrompe o amor em nome da escrita. Nagiko então opera a subversão sobre a escrita. pura produção de intensidades. O devir-palavra é dizer o indizível. Conversações. fazendo dele verdade. deviresloucos. DELEUZE. Félix. há de não ser orgânico. FOUCAULT. São Paulo: 34. Belo Horizonte: Autêntica. Kafka: por uma literatura menor. finalmente. este é. o seu devir-mulher com Nagiko. In: _____. Perverte. É afastar o corpo do registro da representação. afectos e perceptos. 1976. É escrever sobre a pele como gritos pululantes. Antonin Artaud: o artesão do corpo sem órgãos. DELEUZE. Reino Unido/França. Gilles. Jerome morto vive agora o seu devirpoema. Daniel. Ditos e Escritos V. p. Rio de Janeiro: Relume Dumará. é composto de palavras-gritos que operam estrangeirismos na própria língua. palavras em convulsão. Rio de Janeiro: Forense Universitária. fluidos corpóreos e etéreos. Ética. de Peter Greenaway. Foram considerados para a elaboração deste texto: DELEUZE. desejantes. DELEUZE. 3.