O Manifesto

Nós nos percebemos como dotados de impulsos e desejos que podem ser desenvolvidos e
entendidos por nós e podem ou não depender somente de nossa atuação direta para serem
realizados. Cuidamos neste manifesto somente do estágio da atuação, deixando implícitas as
etapas de desenvolvimento e entendimento, e também somente daqueles impulsos e desejos
que necessitam da atuação direta de outras pessoas para se tornarem realidade.
1) A ineficiência do medo de agir
Ao ponderar o efeito de nossas ações, pensamos em dois caminhos de falha: o fracasso em si e
a ocorrência de julgamento ou humilhação. Já que tratamos de impulsos que trazem o fracasso
já na ocorrência de inação, nossa ponderação se resume ao medo de julgamento ou
humilhação. Devemos ignorar este medo e, por meio de inúmeras pequenas ações,
enfraquecê-lo, uma vez que essas são consequências que em verdade são ilusórias e nos
afetam somente se estivermos dispostos. Seu efeito é sem dúvida menor do que a
impossibilidade de nos satisfazer. Nesta esfera tratamos somente da consequência de ação
relativa a nós, o efeito aos outros é de cuidado da responsabilidade já desenvolvida.
2) A liberdade mútua
Uma vez em posição de agir além do medo, teremos outras pessoas envolvidas em nossa
busca individual. Essas pessoas envolvidas fazem parte de nossa satisfação. Por dois motivos
devemos, em paralelo à nossa satisfação, respeitar a satisfação dessas pessoas. Primeiro,
porque a manutenção de pessoas satisfeitas e dispostas em nossa intimidade é essencial para
que possamos com mais eficiência construir um espaço de obtenção de satisfação individual
com essas pessoas, ou seja, a satisfação dessas pessoas é uma ferramenta da construção de
nossa própria satisfação, simplesmente porque estas pessoas estarão mais dispostas a manter
sua intimidade. É um processo que se alimenta. Segundo, porque este é o passo fundamental
para a construção da liberdade mútua, que é o estado em que todas as partes se dispõem a
mostrar seus desejos e entrarem em acordos para satisfazer aqueles que se tornarem
possíveis. Se qualquer parte tentar satisfazer seu desejo sem um acordo, o espaço é quebrado.
Neste ponto, qualquer desejo que permanecer sem solução também é responsabilidade do
indivíduo, a construção do espaço ao menos tende a minimizar este número cada vez mais.
3) Sem intenções ocultas
Uma vez construído o espaço de liberdade mútua, os desejos que permanecerem sem solução
não se obrigam a ficar interiorizados, e caso não fiquem, devem ser manifestados com clareza.
A ação de cada indivíduo deve ser livre de intenções ocultas e manipulações. Estas ações são
um retrocesso de intimidade e liberdade mútua (que acabam por serem as nossas ferramentas
finais), pois são criadoras de tensões. As tensões são conflitos de interesses implícitos, é fácil
ver como estes impedem o avanço da intimidade. Em união com a esfera do medo, este
comportamento também prevê que não se deve julgar ou humilhar alguém dentro de um
espaço de liberdade mútua. Por isso, o manifesto claro de carências irresolvidas não deve
resultar em prejuízo para o indivíduo. Também a própria atitude de mostrar os desejos na
intenção de encontrar compatibilidade.
4) A construção da intimidade
O objetivo permanente da construção de todos esses espaços, mesmo independente da
satisfação de desejos, é a construção de um estado de intimidade com outros indivíduos. Este
estado permite o acesso irrestrito à outra pessoa, permitindo o contato de conhecimento
mútuo, a possibilidade de ajuda mútua e o aumento da complexidade de convívio. A
complexidade se define pelo maior número de interações possíveis de ocorrer a partir de
relações, importante para a maior transformação do potencial individual em realidade. A

onde a mais ferida é a construção da liberdade mútua. Isto é importante por nos tornar cada vez mais eficientes e coerentes em nossa atuação. Os ideais considerados da forma que foram acima podem não parecer tão distantes de muito do que ocorre rotineiramente na sociedade. mas com pouca observação podemos ver como praticamente todas as práticas comuns contradizem pelo menos uma das partes. Além disso. Para se julgar corretamente casos de conflitos de interesses. a construção de intimidade também pode ser um desejo por si. a prática destes ideais condiciona um costume comportamental que os reflete em cada atitude do indivíduo e também em sua consciência de identidade. pelas conexões que gera. este incômodo só se configura como insatisfação se for necessário que a ação cesse para que ocorra a interrupção do incômodo. devemos saber eleger o que constitui a insatisfação do indivíduo. e toda a ação deste é uma manifestação daquele. só é possível estar insatisfeito com algo que seja inevitável para sua experiência.intimidade é durável e também alimenta a possibilidade de construção de mais espaços e com isso mais satisfação pessoal. o incômodo se configura como uma ação opressora à liberdade daquela ação e deve ser erradicado pelo próprio indivíduo. o ideal se torna parte do indivíduo. desde duas pessoas até uma sociedade. 5) O efeito do costume Em uma ordem ainda maior. pela comum necessidade de se mover esforços contrários ao desejo de alguém. Ou seja. Postulemos que. . Do contrário. Anexo: Definição da Insatisfação. se alguém se incomoda com uma ação que esteja sendo feita. principalmente as que estão em buscas semelhantes (as buscas do tipo abordado). compartilhado por muitas pessoas. vista como um estado a ser evitado por outros. mesmo este não conflitando com a satisfação de outros. Por fim.