Escassez

O ser humano é insaciável. Na medida em que o indivíduo tem a percepção de
estar com as Necessidades Fisiológicas supridas (alimentação, vestuário,
habitação, etc.), automaticamente a tendência será de procurar novos desafios
e ele parte para um degrau acima na escala de Maslow. No segundo degrau
estão as Necessidades de Segurança, isto é, aquelas que trazem a percepção
de estabilidade sejam esta financeira, intelectual, social ou até mesmo
espiritual (emprego, companheiro (a), amizades, etc.). As necessidades
fisiológicas e de segurança são chamadas de NECESSIDADES PRIMÁRIAS.
A percepção de estar com as necessidades primárias supridas leva o indivíduo
a cada vez subir de degrau na pirâmide de Maslow. Chamada de
NECESSIDADES SECUNDÁRIAS, no degrau seguinte está a Necessidade
Social, isto é, para o indivíduo não basta apenas ter as necessidades
fisiológicas e de segurança supridas, mas estar inserido dentro de um contexto
social mais amplo. O relacionamento social, seja pelo canal familiar ou de um
simples círculo de amizades, leva o indivíduo a tentar interagir positivamente
com os demais.
Ao conquistar o respeito do círculo social, a simples conexão com o grupo não
mais o satisfaz. Neste momento, o indivíduo quer se destacar no grupo social
de alguma forma seja por intermédio de liderança ou de qualquer outra
característica pessoal ou profissional. Passa-se, então, para o penúltimo
degrau da pirâmide de Maslow, onde se encontra a Necessidade de Estima.
A última etapa da pirâmide de Maslow é inatingível na sua totalidade.
Indivíduos que já têm a percepção de saciedade de todas as necessidades
anteriores ainda encontram na necessidade de auto-realização sua fonte de
vida. Mesmo pessoas que se destacam com brilhantismo dentro de camadas
sociais diversas, necessitam de um estímulo à continuidade. É comum em
pessoas que se encontram nesta etapa a procura pela espiritualidade ou uma
mudança radical de hábitos e costumes. Também é bastante comum os
indivíduos editarem biografias de vida e utilizarem suas experiências como
sinônimo de conquistas. Não se pode dizer, entretanto, que o indivíduo atingiu
o ápice. Geralmente, o ser humano é tão insaciável que a necessidade de
auto-realização pode perdurar por muito tempo.
Portanto, a economia existe porque o ser humano é insaciável e nunca vai
encontrar tudo o que necessita em todos os lugares. Sempre haverá algo em
sua necessidade que não estará em suas mãos. Essa falta chamamos de
escassez.
Importante:
• Não podemos confundir escassez com pobreza
• Pobreza significa ter poucos bens
• Escassez significa ter mais desejos do que bens para satisfazê-los, portanto,
ela está presente em sociedades pobres e ricas.
Conclui-se, então que:
Todos os problemas econômicos passam pela escassez.

Definição de Economia:
• Palavra oriunda do grego “Oiko” (casa) e “nomos” (norma, lei)
• Oikonomia (administração de uma casa ou de recursos)
Economia = Ciência que estuda a administração dos recursos limitados, ou
A ciência da Escassez.
Os recursos ESCASSOS são chamados de Fatores de Produção:
TERRA (LOCAL) - CAPITAL (INVESTIMENTO) - TRABALHO (MÃO-DEOBRA) - CAPACIDADE EMPRESARIAL (UNIÃO DOS FATORES A UM FIM
COMUM).
Como administrar a escassez destes fatores?
Formas de Governo:
Quatro formas conhecidas: Capitalismo (Clássicos), Socialismo (Marxismo),
Keynesianismo (Social Democracia) e Neoliberalismo
1) Escola Clássica (Capitalismo Liberal)
• Adam Smith;
• Considerado o Pai da Economia;
• Defendia o livre mercado;
• Não ocorrência de interferência governamental;
• O Estado atrapalha o desenvolvimento do País ;
• Presença da mão invisível.
2) Escola Marxista (Socialismo/Comunismo)
• Karl Marx;
• Oposicionista à Escola Clássica;
• Defendia a intervenção do Estado na Economia. O estado deveria incorporar
todas as iniciativas;
• Não ocorrência da iniciativa privada. Poder público como condutor geral dos
fatores de produção;
• Igualdade de remuneração com a presença do Pleno Emprego.
3) Escola Keynesiana (Social democracia)
• John Keynes;
• Chefe da Economia Americana no Governo de Roosevelt durante a Grande
Depressão dos anos 30, após a quebra da Bolsa de NY em 1929;
• Economia de Mercado com intervenção do Estado;
• Defendia o Estado presente como regulamentador da iniciativa privada e dos
fatores de produção;
• Mercado regido conforme disponibilidade dos fatores de produção;
4) Escola Neoliberal
O que significa para os neoliberais as palavras abaixo?
Filosofia: na teologia neoliberal os homens não nascem iguais, nem tendem à

igualdade.Logo qualquer tentativa de suprimir com a desigualdade é um ataque
irracional à própria natureza das coisas.
Exclusão e pobreza: a sociedade é o cenário da competição, da concorrência.
Se aceitarmos a existência de vencedores, devemos também concluir que deve
haver perdedores.
Os ricos: eles são a parte dinâmica da sociedade. Deles é que saem as
iniciativas racionais de investimentos baseados em critérios lucrativos. Irrigam
com seus capitais a sociedade inteira, assegurando sua prosperidade.
Estado: não há teologia sem demônio. Para o neoliberalismo ele se apresenta
na forma do estado. O estado intervencionista. Dele é que partem as políticas
restritivas à expansão das iniciativas. Ao intervir como regulador ou mesmo
como estado-empresário, ele se desvia das suas funções naturais, limitadas à
segurança interna e externa, a saúde e à educação.
Mercado: se há um demônio existe também um Céu. Para o neoliberalismo
esse local divino é o mercado. Ele é quem tudo regula, faz os preços subirem
ou baixarem, estimula a produção, elimina o incompetente e premia o sagaz e
o empreendedor.
Sistemas de Governo Atuais: O Homem provocando mudanças
Velho Comunismo: Cuba, Coréia do Norte
Democracia Liberal: Estados Unidos, Alemanha
Populismo: Venezuela, Bolívia
Socialismo de Mercado: China
Social Democracia: Brasil, Chile
Como fazemos para remunerar estes fatores?
Se um indivíduo é proprietário de qualquer fator de produção, a utilização dele
deverá ser remunerada. Por exemplo: A mão-de-obra, ou o trabalho que um
indivíduo desenvolve é remunerado com salário. Se este indivíduo possui terra
ou um imóvel, é remunerado com aluguel. Se possuir capital (mesmo que em
forma de máquinas ou ativos monetários, é remunerado com juros. Se é
encarregado pelo gerenciamento de qualquer negócio, deve receber lucro sobre
este serviço.

Portanto: Terra - Aluguel
Capital - Juros
Trabalho - Salários
Capacidade Empresarial – Lucro
Fluxograma da Atividade Econômica: Famílias, Empresas, Governo e
Setor Externo

Funcionamento de uma Economia de Mercado
Entende-se como mercado o local em que compradores e vendedores de bens
estabelecem contato e realizam transações. As famílias são proprietárias dos
fatores de produção, e os colocam no mercado de fatores de produção para
comercializá-los. Ex: Um indivíduo tem um galpão industrial e anuncia seu
imóvel no mercado. (seta superior sentido horário, partindo das famílias).
As empresas, por sua vez, vão ao mercado de fatores de produção para
encontrar o que precisa, sejam um imóvel, mão-de-obra, capital ou capacidade
empresarial, e na volta, pagam aluguel, salários, juros e lucros às famílias,
proprietárias destes fatores. (seta superior sentido anti-horário, partindo das
empresas).
As empresas, com os fatores de produção, fabricam produtos e serviços e os
colocam à venda no Mercado de Bens e Serviços. (seta inferior sentido horário,
partindo das empresas).
As famílias, por sua vez e munidas das remunerações os fatores pagos pelas
empresas, vão ao mercado de bens e serviços para adquiri-los (seta inferior
sentido anti-horário, partindo das famílias).

Ao centro, o Governo interfere tanto nas famílias quanto nas empresas,
cobrando impostos (seta partindo do governo às famílias e às empresas) e

oferecendo serviços públicos (seta partindo das famílias e empresas em
direção ao governo).
O Governo também atua tanto no Mercado de Fatores de Produção (adquirindo
terra, capital, mão-de-obra e capacidade empresarial e remunerando aluguel,
salário, juros e lucros) quanto no Mercado de Bens e Serviços (adquirindo bens
e serviços privados e remunerando-os).
O fluxo de bens e serviços representa o lado real da economia e o fluxo de
dinheiro o lado monetário do funcionamento do aparelho produtivo do sistema
econômico.
Logo, um dos objetos de estudo da ciência econômica é a escassez, porque
esta consiste no problema econômico por excelência. Conseqüentemente, a
escassez de recursos de produção resulta na escassez dos bens. Afirmar que
os bens são econômicos implica que eles são relativamente raros ou limitados.
Ora, mas o fato de existir um bem em pouca quantidade não o define como
escasso. É preciso, então, que esse bem seja desejado, procurado. A
escassez só existe se houver procura (ou demanda) para a obtenção do bem.
Ora, mas poderíamos nos perguntar por que um determinado bem é procurado
(ou demandado). Um bem é demandado porque tem a capacidade de
satisfazer a uma necessidade humana, ou seja, tem utilidade. Um bem é
procurado porque é útil. Assim, os bens econômicos, são aqueles escassos em
quantidade; dada sua procura, e apropriáveis. Os bens econômicos têm como
característica a utilidade, a escassez e a possibilidade de transferência. Os
bens livres, por outro lado, são aqueles disponíveis em quantidade suficiente
para satisfazer a todo o mundo; portanto, ilimitados em quantidade ou muito
abundantes e nada apropriáveis.
Mas o que seriam então as necessidades humanas? Esse poderia ser um
conceito relativo, vago e filosófico, já que os desejos dos indivíduos não são
fixos. Mas para a economia as necessidades humanas relevantes são aqueles
desejos que envolvam a escolha de um bem econômico capaz de contribuir
para a sobrevivência ou para a realização social do indivíduo.