A FORMAÇÃO DO LEITOR CRÍTICO E AUTÔNOMO: POR QUE E POR

QUAIS MEIOS?
MARCIA APARECIDA PAGANINI CAVÉQUIA (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE
LONDRINA), ALINE GUILHERME MACIEL (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE
LONDRINA).

Resumo
O que significa, para o educador, formar um leitor crítico e autônomo? Qual é o
conceito de criticidade e de autonomia? De que modo(s) é possível mediar
processos de leitura tendo em vista a promoção da autonomia e do pensamento
crítico de um leitor de textos veiculados pela mídia? O objetivo deste artigo é, pois,
discutir essas questões, buscando, por meio da literatura da área disponível,
compreender o modo como o leitor em formação seleciona as leituras advindas da
mídia e de que modo ele se posiciona perante elas, considerando o acesso quase
ilimitado de textos disponíveis nos dias atuais. Tendo em vista o volume de textos a
que a sociedade contemporânea tem acesso atualmente, especialmente aqueles
provindos dos meios de comunicação de massa, inclusive do ciberespaço, importa
o aluno de
discutir, no âmbito da educação, o modo como o leitor em formação
seleciona e recepciona tais textos. Para
educação básica, mais precisamente
tanto, o artigo propõe–se a: discutir o papel da mídia no modelo de sociedade
atual; compreender o que quer dizer autonomia e criticidade nesse contexto;
ponderar se os leitores que a escola tem formado correspondem a esse perfil;
refletir sobre o que significa e por meio de quais propostas didáticas se é possível
formar esse leitor modelar.
Palavras-chave:
mídia, educação, formação do leitor crítico e autônomo.

A formação do leitor crítico e autônomo:
por que e por quais meios?
O contexto de que se fala
A sociedade do século XXI, graças ao intenso desenvolvimento
tecnológico,

é

afetada

por

uma

quantidade

de

informações

absurdamente grande, veiculadas em velocidade avassaladora. Para
se ter uma ideia desse fenômeno, basta ponderar que “uma edição do
The New York Times em um dia da semana contém mais informações
do que o comum dos mortais poderia receber durante toda a vida na
Inglaterra do século XVII” (WURMAN, 1991: 36).
Apesar disso, no Brasil, há uma grande parcela da população que não
está apta para lidar com as mais variadas situações de leitura que a

8 milhões dos brasileiros avaliados mal compreendem o que estão lendo. quem sabe. Além disso. De acordo com levantamento realizado em 2007. o que significa formar um leitor crítico e autônomo? Por meio de quais propostas didáticas se é possível formar esse leitor modelar? Encontrar respostas a todas essas questões é algo dificilmente possível.[1] Tendo em vista o volume de textos a que a sociedade contemporânea tem acesso nos dias atuais. Contudo. inclusive do ciberespaço. o Brasil possui um contingente de 77 milhões de não leitores. especialmente as leituras advindas dos veículos de comunicação de massa? O que seria promover criticidade e autonomia em um leitor de textos da mídia. o Programa Internacional de Avaliação de Alunos ― PISA ―. para. o modo como o leitor em formação seleciona e recepciona tais textos. constatou que 4.vida cotidiana apresenta. o objetivo deste texto é discuti-las. Assim. sobretudo da hipermídia[2]? A quem que se pode considerar leitor crítico e autônomo: aquele que lê apenas o que lhe interessa ou aquele que busca por leituras que o provoquem? Para o professor. pode-se levantar os seguintes questionamentos: que função. pelo Instituto Pró-Livro. no modelo de sociedade atual. o que conferiu ao País o último lugar (!) entre os 32 países inscritos. no contexto educacional. importa discutir. em 2008. apontar rumos que levem a novos estudos e a novas pesquisas. Leituras midiáticas e as instituições escolares . a leitura desempenha? Como o leitor em processo de formação tem lidado consigo próprio em suas escolhas de leitura. por meio do diálogo com alguns autores especialistas no assunto. especialmente aqueles provindos dos meios de comunicação de massa.

tampouco os professores. Numa posição privilegiada.Durante muito tempo era creditada à escola a responsabilidade de trazer aos alunos as respostas necessárias para compreensão da sociedade. Assim. portanto. ao professor coube a obrigação de dominar os conteúdos. Com a multiplicação dos saberes e a sua fragmentação. Isso se daria. . e. principalmente. nem a escola. pelas instituições escolares. todos os cidadãos deveriam possuir o direito ao ensino. 2008: 12). tais ambientes informais “são oportunidades que estão disponíveis. se não unicamente. uma posição de grande destaque para a qual talvez não estivesse preparado. o acesso ao conhecimento historicamente acumulado. conseguem dar conta desse processo (SELIGMAN. mas muitas vezes de difícil sustentação. mas que precisam condução para que seus códigos sejam decifrados e sua compreensão seja autônoma”. Com a ascensão dos ideais iluministas. como esponjas os estudantes absorveriam os ensinamentos do mestre e responderiam prontamente a tudo o que lhes fosse perguntado como prova do sucesso deste modelo. De acordo com Seligman (2008: 13). Diante da insuficiência das metodologias adotadas pela escola para a apropriação dos conhecimentos por parte do aprendiz e da falta de credibilidade para a formação e emancipação do cidadão. este passou a ser considerado bem-sucedido por possuir os bens materiais de última geração e por se manter informado por meio do mundo tecnológico e midiático. coube ainda a essa instituição ampliar seu público. A ideia de que a escola é a garantia para o sucesso começou a ser questionada ante a existência de ambientes não formais de aprendizado. indicar leituras e ainda cobrar o aprendizado de alunos pronto para responder: nesta fantasia de um processo de ensino e aprendizagem idealizado. técnicas e instrumentos. oferecendo ensino a todos. O professor passou então a ter. socialmente.

Nele. O acesso à informação nunca foi tão imediato como na sociedade contemporânea. sistemas de dados. cartões magnetizados. por possuir a seu alcance variadas informações em apenas um click do mouse. rede mundial de computadores. nova informação é veiculada levando-nos a crer que aquele mesmo alimento já não é mais tão saudável como supúnhamos. esse excesso de informações que bombardeiam os cidadãos contemporâneos traz consigo contradições que geram terríveis dúvidas das “certezas” e “saberes comprovados” que são repassados pela mídia. nações distantes se aproximam de tal forma que globalização foi o melhor termo encontrado para delimitar o espaço de troca de informações. Valores. dirige-se facilmente a outros textos ao perceber que a leitura está monótona e cansativa. O espaço midiático rompe barreiras físicas. Lemos o mundo nos outdoors. nos celulares. estão disponibilizadas e acessíveis no dito ciberespaço. entre outras informações. Segundo Almeida (2003) o leitor do ciberespaço. . culturas e informações políticas. passado algum tempo. Em outras palavras. nos monitores. ideológicas.. o limite nada mais é que o mundo.. nos televisores. Talvez nunca sejam encontradas certezas absolutas e respostas suficientes que supram tamanhas indagações provocadas pelas mídias.Vivemos hoje em uma sociedade onde os produtos tecnológicos perpassam constantemente as atividades rotineiras de qualquer cidadão — caixas eletrônicos. O leitor do mundo virtual tende. entre outros veículos de comunicação. Quantas vezes já nos alimentamos de algo por que um noticiário disse que faria bem e. porém é fundamental que se assuma um posicionamento perante elas. geográficas e até mesmo sociais. Porém.

apud WURMAN. Contudo.portanto. explora o pensamento não linear. além da indicação de outros links pelo autor. Informação pode ser produzida pela massa e em quantidade ilimitada. sucinta e objetiva. Eles apenas olhavam brevemente as informações contidas. uma característica de grande . 1991). boa escrita. Em uma pesquisa coordenada por Jakob Nielsen. demonstrando que esse não temia a pesquisa aprofundada em outros sites (NIELSEN. seja pela facilidade de buscar outras informações. Esse autor acrescenta que a maioria das pessoas não lê os conteúdos disponibilizados pela internet. ao contrário do material impresso que permite a leitura em lugares mais aconchegantes. intitulada How Users Read on the Web. seja pelo desconforto da leitura em um monitor. a selecionar aquilo que forneça uma leitura rápida. 1997). Há de se atentar para o fato de que informação e conhecimento são conceitos distintos. Amaral (2003: 112) afirma que o leitor virtual ao lidar com as grandes possibilidades e informações disponibilizadas pela mídia. a produção do conhecimento só é possível partir de mentes individuais. O estudo constatou ainda que os internautas consideravam os textos com credibilidade na informação quando havia uma boa apresentação de gráficos. causando certo desconforto. verificou-se que 79% dos pesquisados simplesmente não liam na íntegra os textos da web. já os que liam o texto palavra por palavra somaram somente 16%. ainda que essas possam ser compartilhadas em equipes de trabalho. bem como sua portabilidade. a partir de experiências individuais (ROSZAK. cujo objetivo era compreender como os usuários da internet liam os textos veiculados nessa mídia.

Ainda segundo Amaral (2003: 113). consequentemente. Na contramão. a familiaridade com a internet ao longo da vida. por não terem tido contato e. “a interatividade do meio virtual leva ao questionamento de posturas metodológicas tradicionais frequentemente mascaradas pelo uso de tecnologias em sala de aula”. No entanto a maioria das escolas — senão todas — ainda não sabe lidar com o excesso de informação que os alunos podem trazer. Portanto. muitos professores. 2007: 86).importância perante a sociedade contemporânea que é múltipla. Para Sobral (1999). pelo que se percebe. projetores. Ir contra essa “nova onda”. Isso não só pela acessibilidade dos alunos aos conteúdos indesejáveis. leitores virtuais. densa. pois “é difícil encontrar um aluno entusiasmado com a escola. a escola deve tirar proveito dessa motivação e da grande habilidade dos alunos em lidar com as novas tecnologias e. e outras novas tecnologias menos polêmicas por serem mais fáceis de controlar a “transmissão do conhecimento”. assim. muitas escolas são resistentes à utilização da internet no ambiente escolar. fragmentada e marcada pela pluralidade. Preferem usufruir apenas dos DVDs. pelo fato de não dominarem tal realidade virtual. mas também. é desperdício de tempo e recursos. . é difícil encontrar um aluno que não tenha paixão pela nova mídia” (DEMO. Sendo assim. que possuem características diferenciadas de aprendizado devido ao novo processo de aquisição de conhecimento estabelecido pelas novas tecnologias. buscar alternativas para lidar com a nova mídia e o ciberleitor. acabam por considerá-la assustadora. enquanto a maioria dos alunos é de assíduos usuários do mundo virtual.

Que a aprendizagem virtual vai se impor e dominar o cenário futuro. ler o mundo. não se formarão leitores críticos e autônomos que saibam ler o mundo atual. portanto. não há escapatória. é necessário que o indivíduo contemporâneo possua conhecimentos e habilidades que lhe permitam interpretar e analisar. compreender-se-á melhor a relevância da criticidade e autonomia no âmbito da leitura. um requisito indiscutível. pelas leituras do mundo afora que colaboraram com a construção do mundo interior do leitor. Leitura crítica e leitura mecânica são diferenciadas pelo fato de a primeira ser influenciada pelos significados que o leitor já havia construído. O fundamental é saber transformar informações em conhecimento próprio através de procedimentos adequados de aprendizagem. 91). Demo (2007) faz a seguinte ponderação: Não basta transitar pela informação. ou seja. Portanto.Assim. representado pelos imprescindível a este mais variados indivíduo. também à escola educar as novas gerações para usar bem a nova mídia (p. Feito isso. Cumpre. pois. competência é leitora. cabe considerar que. enquanto as instituições escolares insistirem na ideia metodológica e ideológica de transmitir conhecimentos. sistemas sendo a semióticos. sem . Para compreendermos o conceito de leitura crítica e autônoma acredita-se ser de extrema importância distinguir entre a leitura como ato de decodificação e a concepção proposta neste texto. de maneira crítica e autônoma. a crescente quantidade de informações. Leitor crítico e autônomo: concepção e formação Como se percebe pelas discussões até agora aventadas. Sobre esse aspecto. inclusive as da hipermídia. Já a leitura mecânica apenas ressoa como um sino no deserto.

depois. por meio das leituras de seu mundo. mas por uma certa forma de ‘escrevê-lo’ ou de ‘reescrevê-lo’. ocorrer a prática consciente. colocam à prova o que o leitor já sabia. criticar e raciocinar pelos alunos. Em outras palavras.” Entendemos. encontre significados para si mesmo ao ler as escritas construídas pelo mundo do outro. refletida. quer dizer. Por meio dessas proposições de Paulo Freire. finalmente. o sujeito sofre conflitos e passa por inúmeras mudanças interiores. ocorre a inquietação. então. podemos concluir que o objetivo não é que o educador passe a interpretar. É necessário que o aluno. que consiste no resultado do novo sujeito transformado. gera-lhe dúvidas e anseios por mudanças. indagada. que a leitura crítica desestabiliza o mundo interior do indivíduo. A leitura. e vice-versa. é somente o ato de decodificar a mensagem. Em um primeiro momento. Possuir o saber crítico é possuir a capacidade de transformar o seu mundo por meio do mundo de outro. Segundo Freire (1989: 13) “a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo.sentido. alguns ajustes são feitos no mundo interior do leitor por meio da reflexão para. porém não concluído. quando é sentida. é importante que desde o processo de aquisição da linguagem escrita e no ato de ler haja a compreensão por parte daqueles que ensinam que o processo de alfabetização se dará na medida em que a leitura da palavra esteja . Para formar um leitor crítico. sem significados. outras leituras de mundo serão lidas e relidas. Afinal. de transformá-lo através da nossa prática consciente. com o novo conhecimento. é considerada crítica. Nesse ato. mudanças essas que.

sendo o leitor capaz de solucionar os problemas que apareçam no processo” (BRITTO apud CASTELLOPEREIRA. considerando seu momento anterior. Nessa busca. a nosso ver. permite a ele balancear o mundo exterior com o mundo interior e. 2003: 54). Possibilita ainda a formação de pessoas abertas ao mundo. ou seja. . da busca pela leitura. conclui-se. enfim combate assiduamente qualquer tipo de conformismo. A partir dessa proposição. No ato de ler prevalece. ser autônomo para decidir. CONDEMARÍN. 26). 2005).. Sua prática permite ainda articular os conteúdos culturais.inserida na leitura do mundo e estimule a continuidade da leitura dele (FREIRE. ele age com poder de decisão. assim. buscamos compreender esse conceito para além do ato de leitura propriamente dita. o momento da escolha. portanto.. qualquer tipo de escravização às ideias referidas pelos textos (p. seria aquele que é capaz de buscar por leituras. O saber crítico possibilita ao leitor realizar escolhas conscientes. “é aquela que se realiza com independência e fluência. expandir a memória. Leitura autônoma. organiza sínteses. elabora e dinamiza conflitos. cuja visão está voltada para o futuro (ALLIENDE. Leitor autônomo. Silva (2002) defende a criticidade como elemento básico da leitura: (. estimular a produção de textos e determinar processos de pensamento. escolhendo o que ler e o que não ler.) pela leitura crítica o sujeito abala o mundo das certezas (principalmente as da classe dominante). a liberdade por parte do leitor em fazer as suas escolhas. nos mais diferentes suportes e de acordo com suas mais variadas necessidades. 1989).

qual seja o de POSICIONAMENTO” (SILVA. Desse modo. O autor afirma que: Resulta daí a recepção passiva e reprodutora dos textos. De acordo com Silva “todas essas ações subjacentes ao trabalho de interlocução do leitor crítico podem ser amalgamadas num único conceito. destaque do autor). podemos concluir que o leitor crítico é aquele que busca cada vez mais o conhecimento e sua compreensão em detrimento do processo superficial da informação. um sujeito autônomo e crítico não se contentará com leituras que não lhe forneçam novas relações. como se os . associações ou combinações de idéias. A partir desses pressupostos. tendo como sustentáculo uma visão de escola como transmissora de informações. Por que não pôr a prova os escritos oferecidos pela instituição escolar? Silva (2002) ressalta ainda que um dos grandes malefícios da escola é quando ela considera os saberes que a constituem como verdades absolutas. concluir que a prática da leitura crítica caminha de mãos dadas com a autonomia. é desejável que o papel da escola diante desse cenário seja o de contribuir com a construção da criticidade e autonomia. Pode-se. por meio de uma atmosfera de confiança e abertura que dê espaço à discussão e ao debate. 2002: 29. Afinal. e o sujeito autônomo aquele que se envolve em atividades que contribuam para o seu crescimento. não passíveis de questionamentos. então. considerando que tais atividades contribuirão de alguma maneira para o seu crescimento.Segundo Guimarães (2002) as pessoas com autonomia realizam suas atividades por a terem escolhido de acordo com seus interesses e anseios internos.

corre o risco de não conseguir se libertar das ideologias presentes na sociedade que tendem a aprisionar os leitores decodificadores (SELIGMAN. O professor deveria assumir a responsabilidade de proporcionar um ambiente em sala de aula que favoreça a percepção de todos os alunos como sujeitos. atores decisivos para configurar as ações de que participam. Caldas (2006) reflete a respeito do uso da imprensa na sala de aula e sua relação com o processo de aprendizagem. Essa autora indaga sobre como lidar quando o conhecimento sistêmico necessário à formação do sujeito está permeado pela célere . Para um leitor crítico e autônomo O cidadão que não se preocupar em ler o mundo a seu redor de tal forma como proposto por Paulo Freire. não Para tanto. é importante que a escola dê espaço para a problematização no processo de ensino-aprendizagem. Paulo Freire argumenta que “ninguém é autônomo primeiro. 24). e. principalmente no ambiente escolar. Em outras palavras podemos afirmar que sem a leitura crítica do mundo o sujeito nunca será autônomo. livre. 2008). portanto. que vão sendo tomadas” (FREIRE. 2005: 107). A autonomia vai se constituindo na experiência de várias. inúmeras decisões. Discutir as diversas informações midiáticas e permitir que o aluno ponha em questão os temas tratados tanto fora como no interior da escola são pré-requisitos essenciais na construção do leitor crítico e autônomo.escritos privilegiados pelos professores pudessem ser objetos de crítica (p. Na obra Pedagogia da Autonomia. O clichê de que ser autônomo e crítico é privilégio inato de alguns e que faz parte da personalidade de poucos privilegiados deve ser refutado. para depois decidir.

ora concordantes. seja por meio das versões desses suportes adaptados/direcionados especialmente ao público escolar. público este que se tem constituído importante clientela para substituir a escassez de leitores convencionais. Por isso a importância de refletir sobre a forma de abordar os textos da mídia na sala de aula. 57). para uma leitura crítica da mídia é necessário refletir acerca do mundo editado pela própria mídia. radiofônica. concluindo que o que se vê é a mais pura subjetividade. portanto. ainda. como essencialmente dialógico e. justifica a autora. o uso excessivo de fragmentos do discurso jornalístico nos livros didáticos em detrimento de outros gêneros e afirma que a presença de textos da imprensa nesses livros não favorece a leitura crítica do mundo. o que faz com que se caracterize o fenômeno da linguagem humana. seja em seus suportes originais (nos próprios jornais e revistas). pelas altas dificuldades de compreensão na leitura dos textos. polifônico (p. pois são recortes de uma versão da realidade. e. A autora questiona. seja ela impressa. televisiva ou digital. na leitura do mundo. consequentemente. como bem mostrou Bakhtin. seja por meio de recortes reproduzidos no livro didático. ora dissonantes. posição com a qual concordamos. ir além das aparências e perceber a polifonia presente nos enunciados da narrativa jornalística. Basta uma análise atenta das notícias veiculadas pela mídia. para que se perceba que a tão propalada objetividade não existe. Além do mais. Koch (1998) ressalta o fato de que: todo texto é perpassado por vozes de diferentes enunciadores. .informatização midiática.

importa ao educador empenhar-se na formação de um leitor crítico e autônomo. . nos dias de hoje. Desse modo o aluno terá um posicionamento analítico perante as leituras polifônicas de mundo que fizer.Cabe ao professor contribuir com estratégias que conduzam o aluno a compreensão dessas muitas vozes — ora concordantes. não só ir além do argumento. O desafio social da leitura detém. que os aprendizes farão. aquele que saiba selecionar o que vai ler. o professor deve ser como um arquiteto cognitivo. fornecendo subsídios que fundamentem a reflexão e análises críticas nas posteriores leituras. emergindo o leitor/autor (DEMO. Para isso. a habilidade da contraleitura. Ler significa tanto compreender significados quanto atribuir significados alternativos ao mundo. especialmente as virtuais. Afinal. a discussão sobre o real e o ideal. 2003: 114). ou seja. considerando o acesso quase ilimitado de textos a que se tem fácil acesso. Concluiu-se que. Resta-nos dizer que As ideias aventadas neste texto procuraram compreender o que significa formar um leitor crítico e autônomo. Promover atividades que estimule o pensamento crítico. mas principalmente cultivar o saber pensar para melhor intervir. fazendo uso crítico da tecnologia” (AMARAL. ora dissonantes — nos textos. com base na habilidade de brandir a autoridade do argumento. que proporciona por meio das estratégias metodológicas a construção do aprendizado pelo próprio aluno de “forma autônoma e integrada. porque é com ela que podemos. como nódulo central. vivemos em uma era onde se constituem sujeitos. sendo essas virtuais ou não. posicionando-se frente a essas leituras. 2007: 23). diante da necessidade de lidar criticamente com tais informações impostas pelo mundo contemporâneo.

Ezequiel Theodoro da (coord. São Paulo: Cortez. Felipe. independentemente de sua origem. com oportunidades de escolhas e de abertura para que os alunos-leitores exponham suas opiniões. os profissionais de ensino poderão organizar suas aulas valendo-se de estratégias que levem seus alunos a um contato mais íntimo. Campinas. Essa discussão importa na medida em que situa a escola em seu papel de educadora e formadora de sujeitos construtores de suas histórias. O leitor-navegador (I)./abr. Com essa consciência. A leitura nos oceanos da internet. Porto Alegre: ArtMed. In: SILVA. ALMEIDA. Muitas pesquisas e discussões ainda podem ser realizadas para que se encontrem metodologias que auxiliem na formação do leitor que se deseja — crítico e autônomo. 2003. São Paulo: Cortez. 33-38. Sergio Ferreira do. Mídia. a formação do leitor pretendido pode ser algo tangível. avaliação e desenvolvimento. Ela (a escola) precisa se voltar para essa nova realidade tecnológica que estamos vivendo e cujo retrocesso é impossível. 2005. A leitura nos oceanos da internet. p.). ed. 107-114. criar-se-á um ambiente dinâmico. Disponível em . sugestões. Desse modo. Assim. Rubens Queiroz de. Educação & Sociedade. p. Referências Bibliográficas ALLIENDE. Mabel. 27. n. Graça. indagações e críticas. 94. AMARAL. jan. As novas tecnologias e as mudanças nos padrões de percepção da realidade. Ezequiel Theodoro da (coord. A leitura: teoria.As instituições de ensino formal estão muito longe de alcançar resultados satisfatórios no ensino de leitura. 8. In: SILVA. escola e leitura crítica do mundo. v. CONDEMARÍN.). 2003. p. mais desejável e mais consciente com o texto. 2006. CALDAS. 117-130.

SELIGMAN. Richard Saul. Campinas. DEMO. ed. criado na década de 1960. Paulo. Dissertação (Mestrado em Educação). como se faz. How users read on the web. em 21/04/2009. caderno Folha 2. RJ: Vozes. pelo filósofo e sociólogo americano Ted Nelson. Curitiba. São Paulo: Cultura Editores Associados. p. [1] Informações veiculadas pelo jornal Folha de Londrina. FREIRE. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. SP: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil (ALB). Motivação intrínseca. 1989. São Paulo: Paz e Terra. 37-57. ed. In: BORUCHOVITCH. NIELSEN. Universidade do Vale do Itajaí: Itajaí. 1998. Petrópolis. WURMAN. Ansiedade de informação. José Aloyseo (orgs. Cortez. O texto e a construção dos sentidos. BZUNECK. 2002. 2005.). 1999. designa o conjunto de meios em um suporte computacional que permite acessar simultaneamente textos. imagens e sons de modo interativo e não linear. KOCH. Sueli Édi Rufini. extrínseca e o uso de recompensas em sala de aula. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Acesso em: 18 de julho de 2009. SILVA. Disponível em: >. Jakob. Ingedore Villaça. 2008. São Paulo: Edições Loyola. 2003. O porvir: desafios da linguagem do século XXI. 31. Ezequiel Theodoro da. A internet na escola: o que é. 2007. 23. Laura. Campinas. São Paulo: Contexto. A motivação do aluno: contribuições da psicologia contemporânea. . SOBRAL. p. São Paulo: Autores Associados. Criticidade e Leitura: ensaios. 1991. Evely. ____________. 2002. 1997. GUIMARÃES. Pedro.CASTELLO-PEREIRA. [2] O termo hipermídia. SP: Alínea. Leitura de estudo: ler para aprender a estudar e estudar para aprender a ler. Leda Tessari. Adail. A escola e a formação do leitor crítico da mídia: políticas públicas no Brasil e em Santa Catarina. 7. PR: Ibpex.