Catarina Pires da Silva Nº5 12ºG

Guernica (1937) de Pablo Picasso (1881-1973)
No século XX, a Europa vive o terceiro Reich. Após a I Guerra Mundial (1914-1918),
emergiram forças fascistas (Itália, 1922) e nacionalistas-nazis (Alemanha, 1933, e
Áustria, 1934), este antagonismo político marca este século profundamente.
Em Espanha, mais precisamente, após a proclamação da República (1931) decorreu um
período de grande instabilidade política, social e económica, motivada pelo conflito
entre as forças republicanas e liberais e as forças monárquicas e nacionalistas.
Despontou assim a Guerra Civil de Espanha entre o Governo Republicano (eleito
democraticamente) apoiado pela Frente Popular, pelos partidos de esquerda e pelas
massas populares partidárias da democracia, contra as Forças Nacionalistas (Alemanha
e Itália) e fascistas lideradas pelo general Franco, aliadas ao exército, a Igreja e as
forças mais conservadoras da sociedade.
A obra Guernica, surge, portanto, no contexto da Guerra Civil de Espanha quando o
Governo Republicano encomenda a Picasso uma obra para o Pavilhão da República
Espanhola, na Exposição Internacional de Paris, em 1937. O objetivo desta encomenda
é atrair a atenção internacional para a causa republicana em Espanha contra a ameaça
nacionalista e fascista.
Picasso, defensor do Governo Republicano, fora nomeado diretor do Museu do Prado.
O pintor aceita a encomenda e será a sua primeira intervenção política numa obra.
Enquanto isto, a cidade de Guernica é bombardeada pela aviação alemã. Uma
operação devastadora, de demonstração de poder por parte das forças nazis,
causando destruição e milhares de mortes de pessoas inofensivas e inocentes, uma
mensagem para o resto de Espanha e para o mundo: “ Isto é o que conseguimos fazer,
isto é o que faremos”.
Este acontecimento vai marcar profundamente a visão de Picasso que resolve retratar
o bombardeamento num grande painel.
O estilo artístico de Picasso, fundador e um dos principais dinamizadores do Cubismo,
é caracterizado pela rutura com o passado, da perspetiva linear e profundidade do
espaço. Inova com a multiplicação dos pontos de vista devido à rotação, sobreposição
e intersecção de planos, assim como a redução dos volumes à bidimensionalidade da
tela.
O pintor projeta o painel com dezenas de estudos, segundo a influência da obra de
Goya e com base numa tourada a que assistiu em Espanha em que a morte é
considerada um espetáculo nacional, conceito que associou ao bombardeamento
brutal e cruel de Guernica. Baseando-se assim em três figuras principais: o Touro, o
Cavalo e o Portador de luz.
A sua obra, fiel ao seu estilo artístico, insere-se no cubismo, neste caso, cubismo com
consciência. Retrata de forma crítica a realidade bárbara.
O painel de 7,8 x 3,5 metros, é dividido em três triângulos contrapostos.

horror e dor. margarida. As figuras são representadas deformadas acentuando a expressividade aliada a um profundo simbolismo. O tema é alegórico. em Nove Iorque. Depois de passar pelo MoMA. A flor. aplicados com extrema intensidade. No centro. Representa os dramas da sociedade intemporais (o sofrimento associado à guerra). sem recorrer a referências históricas. representa a bestialidade humana. A “mãe com o filho morto nos braços” refere-se à Pietà de Miguel Ângelo. o “touro”. A lâmpada “explosiva” é a metáfora das bombas destruidoras. e o corpo é a expressão mais bárbara da tragédia. Diz-se também que é uma obra “ruidosa” devido à representação de gritos. com um “homem implorando ao céu” como referência à figura da crucificação e redenção e à obra de Goya. Hoje em dia encontra-se no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia. a excessiva deformação do corpo acentua o seu sofrimento e agonia. representam o limite do contraste. À direita. À esquerda. Este sofrimento atribuído a cada uma das personagens representa o sofrimento de todos. a “casa em chamas” simboliza a destruição da cidade. Os Fuzilamentos de 3 de Maio. mortes e atitudes de desespero. o «cavalo ferido» é o elemento central da composição. A “pomba” é o símbolo da paz violentada. como também transmite sofrimento. A «aparição».Catarina Pires da Silva Nº5 12ºG A cor. uma mulher com um candeeiro. situa-se num imaginário universal de horror. preto e cinzentos. em Nova Iorque. A mão do “guerreiro” simboliza a bravura e resistência. em Madrid. representa a esperança. A “mulher arrastando-se” em desespero e impotência faz uma diagonal ascendente na direção da “luz” e do “cavalo em agonia”. apenas composta por branco. a obra seguiu para o Museu do Prado quando Espanha reunira as condições necessárias para tal. é uma alusão à Estátua da Liberdade. . não representa apenas um cenário de guerra. sofrimento e dor.