13/3/2014

“Por uma Teoria do Poder Destituinte” de Giorgio Agamben | cinco dias

“Por uma Teoria do Poder Destituinte” de Giorgio Agamben
Posted on Fevereiro 11, 2014 por Luhuna Carvalho

Giorgio Agamben. Palestra pública em Atenas, 16.11.2013. (Convite e organização pelo instituto
Nicos Poulantzas e pela juventude do SYRIZA).
Uma reflexão sobre o destino da democracia, aqui e hoje, em Atenas é de algum modo perturbante, porque
obriga a pensar o fim da democracia precisamente no lugar onde nasceu. Na verdade, a hipótese que gostaria
de sugerir é a de que o paradigma governamental dominante na Europa de hoje não só não é democrático
como não pode sequer ser considerado político. Irei portanto demonstrar que a sociedade europeia já não é
uma sociedade política: é algo totalmente novo para o qual nos falta ainda uma terminologia apropriada e
para o qual teremos, portanto, de inventar uma nova estratégia.
Gostaria de começar com um conceito que, desde setembro de 2001, parece ter substituído qualquer outra
noção política: segurança. Como sabem, a fórmula “por razões de segurança” opera hoje em todos os domínios,
da vida quotidiana aos conflitos internacionais, enquanto palavra-chave de imposição de medidas que as
pessoas não teriam motivos para aceitar. Irei tentar demonstrar que o real propósito das medidas de
segurança não é, como é assumido, o de prevenir perigos, problemas ou sequer catástrofes. Serei então
obrigado a traçar uma genealogia curta do conceito de “segurança”.
Uma das possibilidades de traçar essa genealogia seria inscrever a sua origem e história no paradigma do
estado de excepção. Nesta perspectiva, poderíamos relacioná-las com o princípio romano de Salus Publica
Suprema Lex, “a segurança pública é a mais alta lei”, e relacioná-la com a ditadura romana, com o princípio
canónico de que a necessidade não reconhece qualquer lei, com os comites de salut publique da revolução
francesa e finalmente com o Artigo 48 da República de Weimar, a base jurídica do regime Nazi. Tal genealogia
seria correcta, mas não creio que possa realmente explicar o funcionamento dos dispositivos e das medidas de
segurança que nos são familiares. Embora o estado de excepção tenha sido originalmente concebido enquanto
medida provisória, destinada a lidar com um perigo imediato no sentido de restaurar uma situação normal, as
razões de segurança são hoje a tecnologia permanente de governo. Quando em 2003 publiquei um livro onde
procurei demonstrar, justamente, como é que o estado de excepção se estava a tornar, nas democracias
http://5dias.wordpress.com/2014/02/11/por-uma-teoria-do-poder-destituinte-de-giorgio-agamben/

1/7

Quando Hitler tomou o poder em fevereiro de 1933 proclamou de imediato um decreto suspendendo os artigos da constituição de Weimar relativos às liberdades pessoais. encarando um estado de excepção contínuo. laissez passer“: não é apenas a deixa do liberalismo económico: é um paradigma de governo. Na teologia. a capacidade de decidir desaparece de vez e processo contínuo de tomada de decisões não decide absolutamente nada. é mais seguro e útil tentar governar os efeitos. Um dos principais problemas com que os governos tinham de lidar na altura era o da fome. convergem na história deste termo duas tradições semânticas que. nas palavras de Quesnau) não enquanto a prevenção de perigos. mas. como vos será evidente. Na tradição médica. O dia ou os dias em que estas decisões são tomadas são chamados crisimoi. a crise coincide com a normalidade e torna-se. Este paradoxo seria uma descrição precisa do que sucede tanto aqui na Grécia como em Itália. o paradigma do estado de excepção não é desadequado. Irei portanto seguir a sugestão de Michel Foucault e investigar a origem do conceito de segurança no início da economia moderna. Antes de Quesnay. não podia imaginar que o meu diagnóstico se revelaria tão preciso. Um exemplo dessas noções não jurídicas que são utilizadas enquanto factores instigadores de emergência é o conceito de crise. mas pelo contrário enquanto a habilidade de os governar e conduzir a bom porto. se uma ocorre. tem de ser capaz de governar o seu barco. Não devemos negligenciar as implicações filosóficas desta inversão. É este o significado do lema “laissez faire. contudo. apenas uma ferramenta de governo. Sugeriria que este http://5dias. a crisis é o último julgamento proclamado por Cristo no fim dos tempos. O único precedente óbvio foi o regime Nazi. Para o formular em termos paradoxais. Para lá do significado jurídico de julgamento em tribunal.com/2014/02/11/por-uma-teoria-do-poder-destituinte-de-giorgio-agamben/ 2/7 . mas em todos os aspectos da vida social. Ambas as medidas tinham efeitos negativos na produção. uma vez que tenham lugar. cuja influência na governamentalidade moderna não pode ser sobrestimada. que concebe a segurança (sureté. onde governar significa fazer uma série continua de pequenos golpes de estado. Começando com o tratado de Vestfália. O que acontece hoje é. podemos dizer que. deste modo. Consequentemente. a metodologia habitual era a de prevenir a fome através da criação de celeiros públicos e da proibição da exportação de cereais. O decreto nunca foi revogado e todo o Terceiro Reich pode ser considerado como um estado de excepção que durou 12 anos. vagas noções não jurídicas – razões securitárias – são evocadas para instaurar um constante estado de emergência arrepiante e ficcional. O presente governo italiano não é legitimo. A idea de Quesnay foi a de inverter o processo: em vez de tentar prevenir as fomes. outra coisa. para compreender a peculiar governamentalidade sob a qual vivemos. Já que governar as causas é difícil e caro. não evita as tempestades. o que é essencial em ambas as tradições é a ligação a um momento especifico no tempo. por François Quesnais e os Fisiocratas. Mas Quesay é o primeiro a estabelecer a segurança enquanto a noção central na teoria do governo e isto de um modo bastante peculiar. é abolida esta ligação. advêm do verbo grego crino: um verbo da medicina e da teologia. o governo tende a tomar a forma de um perpétuo golpe de estado. Como podem ver. Significa uma transformação epocal na própria ideia de governo. “Governar” retém aqui o seu significado etimológico cibernético: um bom kybernes. não apenas na economia e na política. os grandes estados europeus absolutistas começam a introduzir no seu discurso político a ideia de que o soberano deve cuidar da segurança dos seus sujeitos. os dias decisivos. Na utilização presente do termo. A crise e o julgamento são separados do seu correspondente temporal e coincidem agora com o decurso cronológico do tempo. utilizando a força das ondas e dos ventos para a navegação. decidiu deixá-las acontecer e dotar-se da capacidade de as governar quando sucedessem. liberalizando tanto as trocas internas como externas. É por isso que creio que. crisis significa o momento em que o médico tem de julgar e de decidir se o paciente irá morrer ou sobreviver.13/3/2014 “Por uma Teoria do Poder Destituinte” de Giorgio Agamben | cinco dias ocidentais. sem que qualquer ameaça seja identificável. de modo que. um bom piloto. Não foi declarado qualquer estado de emergência formal e. no sistema de governo normal. no entanto.wordpress. que põe de pernas para o ar a tradicional relação hierárquica entre causas e efeitos.

Em muitos países o acesso a cantinas ou mesmo a escolas é controlado por um dispositivo biométrico onde o estudante coloca a sua mão. para estrangeiros ou para judeus foram posteriormente extendidas a todos os seres humanos. produtoras de armamento que como a Thales. Christian Meier mostrou como no Século V se deu em Atenas uma transformação da conceptualidade política fundada no que ele considera a “politização” da cidadania. Com um poder semelhante. É fácil imaginar os perigos representados por um poder que possa ter à sua disposição. os dispositivos biométricos tendem a ultrapassar as esquadras e os gabinetes de imigração para se espalharem à vida quotidiana. no decurso do Séc. Esta transformação é tão extrema que podemos legitimamente perguntar não só se a sociedade onde vivemos é ainda uma sociedade democrática. mas também se esta sociedade pode ser considerada política.wordpress. das políticas externas e militares às medidas internas de polícia. Em 1943. As causas exigem ser conhecidas.13/3/2014 “Por uma Teoria do Poder Destituinte” de Giorgio Agamben | cinco dias teorema de Quesnay é o axioma da governamentalidade moderna. O teorema de Quesnay torna também perceptível um facto que de outro modo parece inexplicável: a convergência paradoxal de um paradigma económico absolutamente liberal com um paradigma de controlo policial e estatal sem precedentes e igualmente absoluto. ser camponês ou comerciante. Mas não vou alongar-me neste aspecto importante do problema da segurança. a exterminação dos judeus. que queria introduzir um cartão de identidade com impressões digitais para todos. mas apenas para reconhecer delinquentes reincidentes. de forma ilimitada. que estão a crescer rapidamente. porque a Comissão Europeia pelo Desenvolvimento da Segurança (como o ESPR. As indústrias europeias neste campo. para criminosos. com scanners ópticos que podem facilmente gravar não apenas impressões digitais mas também a retina ou a estrutura da íris ocular. pelo contrário. Apenas quando ocorria um segundo crime se podia utilizar os dados biométricos para identificar o ofensor. o congresso dos Estados Unidos ainda recusava o Citizen Identification Act. Quando as tecnologias biométricas apareceram no Séc. Mas de acordo com uma lei fatal ou clandestina da modernidade. O fenómeno é especialmente perturbante. O ancien regime possuía como objectivo o domínio das causas. etc http://5dias. realizada com base em documentação bem menos eficiente. as transformações da identidade política e das relações políticas que estão envolvidas nas tecnologias securitárias. Assim. programa europeu de pesquisa securitária) inclui entre os membros permanentes representantes de todas as grandes indústrias no campo. membro de uma certa família. enquanto os efeitos apenas podem ser verificados e controlados. Se o governo aponta aos efeitos e não às causas será obrigado a estender e a multiplicar o controle. a informação biométrica e genética de todos os seus cidadãos. E este axioma aplica-se a todos os domínios: da economia à ecologia. recomendam que os cidadãos sejam habituados a este tipo de controlo desde jovens. Com o desenvolvimento de novas tecnologias digitais. inventadas para criminosos reincidentes. Devemos perceber que os governos europeus desistiram de qualquer tentativa de dominar as causas e desejam apenas governar os efeitos. a Finmeccanica e a EADS et BAE system se converteram ao negocio da segurança.com/2014/02/11/por-uma-teoria-do-poder-destituinte-de-giorgio-agamben/ 3/7 . As reflexões que gostaria de partilhar convosco abordam. as tecnologias que foram inventadas para animais. Umas das esferas importantes onde o axioma é operativo é a dos dispositivos de segurança biométrica. que permeia cada vez mais todos os aspectos da vida social. não foram pensadas para prevenir crimes. o inventor das impressões digitais. Estas tecnologias biométricas. XX. XVIII com Alphonse Bertillon em França e com Francis Galton na Inglaterra. Enquanto até esse momento o facto de se pertencer à polis era definido por uma série de condições e status sociais de tipo diferente – por exemplo pertencer à nobreza ou a uma certa comunidade cultural. e as fotografias identificadoras de Bertillon e as impressões digitais de Galton são hoje utilizadas por todos os países nos seus bilhetes de identidade. Mas o passo mais extremo só foi dado nos nossos dias e está ainda no processo de total implementação. poderia ter sido total e incrivelmente rápida. as tecnologias biométricas foram aplicadas a todos os cidadãos. a modernidade pretende controlar os efeitos. permaneceram durante um longo período o seu privilégio exclusivo.

são progressivamente obscurecidos e se tornam indistinguíveis. entre as quais. É evidente que um local gravado em vídeo deixa de ser uma ágora e torna-se num híbrido público e privado. O princípio secreto que comanda a nossa sociedade pode ser assim formulado: todo o cidadão é um potencial terrorista. Mas não devemos nunca esquecer que o nivelamento da identidade social na identidade corporal começou com as tentativas de identificação de criminosos reincidentes.com/2014/02/11/por-uma-teoria-do-poder-destituinte-de-giorgio-agamben/ 4/7 . Mas que tipo de estado é este que se rege por um principio desses? Podemos ainda designá-lo de estado democrático? Podemos ainda considerá-lo político? Em que tipo de estado vivemos hoje? Como provavelmente sabem. este processo grego de politização foi transmitido à política ocidental. um dispositivo que foi concebido para utilização nas prisões é aplicado aos locais públicos. uma zona de indiferença entre a prisão e o fórum. Que relação posso estabelecer com as minhas impressões digitais ou com o meu código genético? A nova identidade é uma identidade sem a pessoa. ou. O que era no início um modo de vida. que era o reino da necessidade”. na qual o facto de os homens se terem de comportar enquanto cidadãos encontrou uma forma institucional. oposto ao espaço privado. Enquanto o cidadão grego era definido por uma oposição entre o público e o privado. Polis e politeia. cidade e cidadania constituíam-se e definiam-se mutuamente. a identidade não é uma função da personalidade social e do seu reconhecimento pelos outros. através da qual a polis se constituía enquanto domínio claramente distinto da oikos. o cidadão moderno parece antes mover-se numa zona de indiferença entre o privado e o público.wordpress. que irá portanto perder todo o seu carácter público. no qual a acção e a inacção. A pertença a comunidades económicas ou religiosas era remetida para um lugar secundário. A política tornou-se então um espaço público livre. “O resultado foi uma concepção de cidadania especificamente grega. por assim dizer. e a polis. o privado e o público. De novo. A hipótese que vos gostaria de propor é a de que este factor político fundamental entrou num processo irrevogável que podemos apenas definir enquanto um processo de despolitização crescente. uma condição activa essencial e irredutível. pelo arquivamento policial e pelo controle. com a qual não tem qualquer relação. num especial lugar. que era o lugar da vida reprodutiva. mas antes uma função da informação biológica.13/3/2014 “Por uma Teoria do Poder Destituinte” de Giorgio Agamben | cinco dias – a partir daí a cidadania tornava-se o principal critério de identidade social. onde a cidadania continuou a ser um elemento decisivo. o nascimento do biopoder. no seu livro Vigiar e Punir e nos seus cursos no Collége de http://5dias. para citar termos Hobbesianos. Não deveríamos surpreender-nos se hoje a relação normal entre o estado e os seus cidadãos é composta pela suspeita. Os cidadãos de uma democracia consideravam-se membros da polis na medida em que se dedicavam à vida política. entre o corpo físico e o político. Se a minha identidade é então determinada por factos biológicos. na qual o espaço da política e da ética perde o seu sentido e tem de ser pensado a partir do zero. A crescente extensão aos cidadãos das tecnologias concebidas para criminosos tem consequências inevitáveis na identidade política do cidadão. A primazia de uma identidade biológica sobre uma identidade política está directamente relacionada com a politização da vida nua nos estados modernos. tornou-se agora um estatuto jurídico exclusivamente passivo. A materialização espacial desta zona de indiferença é a videovigilância das ruas e das praças das nossas cidades. a casa. Irei antes tentar demonstrar como o paradigma da segurança e dos dispositivos de segurança jogaram um papel decisivo neste processo. Este processo de despolitização da cidadania é tão evidente que não me vou demorar nele. como os arabescos das impressões digitais e a disposição dos genes na dupla hélice do DNA. Esta transformação do espaço político é certamente um fenómeno complexo que implica uma multiplicidade de causas. então a construção de algo como uma identidade política e ética torna-se problemático. entre a oikos. O elemento mais neutro e privado tornase no factor decisivo da identidade social. Michel Foucault. Pela primeira vez na história da humanidade. A cidadania tornou-se assim uma forma de vida. Segundo Meier. que não dependem da minha vontade e sobre os quais não tenho controlo. o local da acção política.

enquanto a função do poder judicial é clara. que são por definição indecidíveis.wordpress. Se o Estado que temos perante nós é o estado http://5dias. numa situação concreta de perigo para a segurança pública. como diziam – se liga à definição de polícia. porque o que este deseja não é ordenar e impor disciplina. a “polícia” é entregue à sua etimologia do grego “politeia” e oposta enquanto tal à “política”. O Estado no qual vivemos agora já não é um estado disciplinar. já que se fossem realmente absorvidos dentro do poder judicial a polícia não poderia existir. Mas é surpreendente ver que a polícia coincide agora com a sua verdadeira função política. não toma realmente uma decisão. Heraut de Séchelle. ordenados e dóceis.13/3/2014 “Por uma Teoria do Poder Destituinte” de Giorgio Agamben | cinco dias France. As leis de 16 de Março de 1791 e de 11 de Agosto de 1792 introduzem na legislação francesa a noção de “police de sureté” (policia de segurança). no entanto. submetendo-se ao signo da segurança. e democracia significa precisamente a possibilidade de uma vida política. no seu tratado sobre Policey Wissenschaft. Os politólogos americanos. Toda a decisão afecta as causas. tanto quanto posso verificar. é impossível definir o papel da polícia. chama então politique à relação de um estado com outros estados. o estado moderno abandonou o domínio da política e entrou numa terra de ninguém. Foucault mostra como o Estado do Ancien Regime. não há conclusão possível. após os motins de Génova em julho de 2001. Gilles Deleuze sugeriu chamar-lhe um “estado de controlo”. se desenvolveu progressivamente num estado populacional e num estado disciplinar. A definição de Deleuze é correcta. A hipótese que gostaria de aqui sugerir é que. mas antes gerir e controlar. poderão verificar que polícia e segurança se definem uma à outra. XVIII. condenada a uma longa história na modernidade. como na arte. XVII. é talvez o mais urgente dos problemas políticos. cuja geografia e fronteiras são ainda desconhecidas. Mas o que significa aqui segurança? Foi durante a revolução francesa que a noção de segurança – sureté. enquanto a polícia age sobre os efeitos. age de certo modo enquanto soberano. pelo contrário. O Estado Securitário. enquanto chama polizei à relação de um estado consigo próprio. na medida em que se ocupa da vida do cidadão no sentido de produzir corpos saudáveis. mesmo quando exerce este poder discricionário. declarou que o governo não queria que a polícia mantivesse a ordem. Von Justi. Mas. que tentaram analisar as transformações constitucionais implícitas no Patriot Act e nas outras leis que se seguiram ao 11 de Setembro. preferem falar de um Estado Securitário. Vale a pena reflectir nesta definição: (cito) “A polícia é a relação de um estado consigo próprio”. É este o poder discricionário que ainda hoje define a acção do agente de polícia. cujo lema é agora o inverso ao fazer viver e deixar morrer. como era no séc.com/2014/02/11/por-uma-teoria-do-poder-destituinte-de-giorgio-agamben/ 5/7 . há apenas a possibilidade de abandonar o trabalho) com algo que. que ele designa de estado territorial ou soberano e cujo lema era fazer morrer e deixar viver. O nome deste elemento indecidível já não é hoje. repito. A ler os debates que precederam a votação destas leis. Uma análise do debate demonstra que o local e a função da polícia são indecidíveis e devem permanecer enquanto tal. preocupar-nos sobre os perigos que representa para a democracia. a razão de estado: mas antes “razões securitárias”. Um estado securitário é um estado policial: mas. porque nele se tornou impossível a vida política. que. Mas gostaria de concluir – ou simplesmente de parar a minha palestra (na filosofia. Os debates concentraram-se no posicionamento da polícia em relação à justiça e ao poder judicial. cujo nome parece referir uma ausência de cuidados (securus de sine cura) deverá. esboçou uma classificação tipológica dos estados modernos. Ninguém o disse tão claramente como o agente policial italiano que. na teoria jurídica a policia é uma espécie de buraco negro. a decisão do juiz. como é habitualmente afirmado. Gensonné) é capaz de definir polícia ou segurança enquanto conceito isolado. enquanto o termo política é reservado à política externa. Gensonné sustém que são “poderes separados e distintos”. Tudo o que podemos dizer é que quando a chamada “Ciência da Polícia” surge no Séc. nem prepara. mas que nenhum dos oradores (Brissot. mas que gerisse a desordem. porque a gestão e o controle não coincidem necessariamente com ordem e disciplina.

Benjamin escreveu que nada é tão anárquico quanto a ordem burguesa. Part ilhar ist o:  Email  Facebook 3K+  Twitter 64  Google  Pinterest  Mais  Gosto 6 bloggers like this. O que devemos fazer. Mas esta não é apenas uma tarefa teórica: significa antes de mais a redescoberta de uma forma-de-vida e o acesso a uma nova figura dessa vida política cuja memória o Estado Securitário tenta a todo o custo apagar. os inimigos e outras coisas complicadas In "5dias" Esta entrada foi publicada em 5dias. uma “potência destituinte”.wordpress. cada tentativa mais ou menos violenta de derrubar a sua ordem. e finamente na abolição do poder do estado. cria uma oportunidade de o governar numa direção rentável. na destituição da lei e de todas as forças nas quais depende. “sustentado pelas formas míticas da lei. Isto é evidente na dialéctica que vincula o terrorismo e o estado numa espiral viciosa sem fim. A partir da revolução francesa a tradição política da modernidade concebeu mudanças radicais sobre a forma de um processo revolucionário que age enquanto pouvoir constituante. a instauração do medo securitário | cinco dias Pingback: Por uma Teoria do Poder Destituinte | Baierle & Co. É precisamente porque o poder se constitui através da inclusão e da captura da anarquia e da anomia que é tão difícil ter um acesso imediato a estas dimensões e que é tão difícil pensar hoje em algo como uma anarquia verdadeira ou uma anomia verdadeira.13/3/2014 “Por uma Teoria do Poder Destituinte” de Giorgio Agamben | cinco dias securitário que descrevi. “Na ruptura deste ciclo”. é fundada uma nova época histórica”. http://5dias. os amigos. o poder destituinte. No mesmo sentido. que estratégia devemos seguir? O paradigma securitário implica que cada dissenso. Pensar esse poder puramente destituinte não é uma tarefa fácil. um exemplo do qual seria a greve geral proletária de Sorel. na medida em que depõe de uma vez por todas a lei. temos de repensar novamente as estratégias tradicionais dos conflitos políticos. e da violência que as mantém”. Creio que uma praxis que tivesse sucesso em expor claramente a anarquia e a anomia capturadas nas tecnologias securitárias do governo poderia agir enquanto um poder puramente destituinte. no seu último filme. o “poder constituinte” de uma nova ordem institucional. 3 respostas a “Por uma Teoria do Poder Destituinte” de Giorgio Agamben Pingback: A crise endémica que parece sempre o “fim da História” | perspectivas Pingback: Repressão.com/2014/02/11/por-uma-teoria-do-poder-destituinte-de-giorgio-agamben/ 6/7 . É um poder destituinte deste género que Benjamin pensa no seu ensaio On the Critique of Violence quanto tenta definir uma violência pura que consiga “romper com a dialéctica falsa da violência que faz as leis. Enquanto um poder constituinte destrói a lei apenas para a recrear sob uma nova forma. Creio que temos de abandonar este paradigma e procurar pensar algo como uma puissance destituante. ligação permanente. Pasolini faz um dos seus quatro mestre de Saló dizer aos seus escravos: “a verdadeira anarquia é a anarquia do poder”. escreve no final do ensaio. que não possa ser capturada na espiral de segurança. pode realmente abrir uma nova época histórica. Relat ed Esquerda frutada In "5dias" Da dialéctica dos convites (ou um roubo descarado a Alain Badiou) In "5dias" A política.

Seguir Follow “cinco dias” Get every new post delivered to your Inbox.wordpress.13/3/2014 “Por uma Teoria do Poder Destituinte” de Giorgio Agamben | cinco dias cinco dias The Twenty Ten Theme Blog em WordPress.com/2014/02/11/por-uma-teoria-do-poder-destituinte-de-giorgio-agamben/ 7/7 .com.com http://5dias. Junte-se a 264 outros seguidores Enter your email address Sign me up Pow ered by WordPress.