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1. APLICAÇÕES DA PERFURAÇÃO

Os tipos de trabalho, tanto em obras de superfície como subterrâneas, podem
classificar-se nas seguintes perfurações de: bancadas, chaminés (raises),
poços (shafts), valas, poços de petróleo, poços artesiano, galerias e
realces, rochas com capeamento e reforço das rochas.

1.1 Objetivos da perfuração no desmonte de rocha
A perfuração das rochas no campo dos desmontes é a primeira operação que
se realiza e tem como finalidade abrir uns furos, com a distribuição e geometria
adequada dentro dos maciços para alojar as cargas de explosivos e acessórios
iniciadores.

1.2 Principais métodos de perfuração

Existem três principais métodos de perfuração para o desmonte de rochas com
explosivos aplicados à mineração:

perfuração rotativa com brocas tricônicas (Holler Bit);

martelo de superfície (Top-Hammer, método roto-percussivo);

martelo de fundo de furo ou furo abaixo (Down the Hole, método rotopercussivo).

Perfuração por percussão:
Também conhecido por perfuração por martelo, é o método mais comum de
perfuração para a maioria das rochas, os martelos podem ser acionados a ar
comprimido ou hidráulicos.
A perfuração rotopercussiva é o sistema mais clássico de perfuração e o seu
aparecimento coincide com o desenvolvimento industrial do século XIX. As

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primeiras máquinas, protótipos de Singer (1838) e Couch (1848), utilizavam
vapor para o seu acionamento, mas foi com a aplicação posterior do ar
comprimido como fonte de energia (1861) que este sistema evoluiu e passou a
ser utilizado de forma intensa (Jimeno,1994).
As perfuratrizes rotopercussivas geralmente exercem um papel menor quando
comparadas com as máquinas rotativas nas operações mineiras a céu aberto.
Sua aplicação é limitada à produção das pequenas minas, perfuração
secundária, trabalhos de desenvolvimento e desmonte controlado. Porém, o
sistema de furo abaixo ou de fundo de furo (down the hole) com diâmetro de
perfuração na faixa de 150 mm (6”) a 229 mm (9”) vem ganhado campo de
aplicação nas rochas de alta resistência por propiciar maiores taxas de
penetração quando comparadas com o método rotativo.
Estas perfuratrizes possuem dois sistemas de acionamento básicos, rotação
e percussão.
Estas duas forças são transmitidas através da haste para a coroa de
perfuração.
Os martelos podem ter acionamento pneumático ou hidráulico, e são
localizados na superfície sobre a lança da perfuratriz, conforme figura 1. O
surgimento dos martelos hidráulicos na década de 70 deu novo impulso a este
método de perfuração, ampliando o seu campo de aplicação.

Figura 1 – Componentes básicos do martelo de superfície

Os equipamentos roto-percussivos se classificam em dois grandes grupos,
segundo a posição do martelo:

O ar comprimido efetua a limpeza dos furos e a refrigeração das brocas. O alto custo de capital das perfuratrizes hidráulicas é compensado por um menor custo operacional e maior produtividade quando comparadas com máquinas pneumáticas (Crosby.3  martelo de superfície (Top-Hammer). das uniões.  martelo de fundo de furo (Down The Hole). 1998).  Rotação: com este movimento se faz girar a broca para que se produzam impactos sobre a rocha em diferentes posições. Por muitos anos estes equipamentos foram operados. Perfuratrizes Pneumáticas Um martelo acionado por ar comprimido consta de:  um cilindro fechado com uma tampa dianteira que dispõe de uma abertura axial onde é fixado o punho e as hastes de perfuração. A perfuração rotopercussiva se baseia na combinação das seguintes ações:  Percussão: os impactos produzidos pelas batidas do pistão do martelo originam ondas de choque que se transmitem à rocha. rompe os cortes em pedaços ainda menores. Nos últimos 15 anos máquinas hidráulicas têm sido introduzidas no mercado.  um pistão que com o seu movimento alternativo golpeia o punho de perfuração. usando martelos pneumáticos. Em resumo. .  Fluido de limpeza: o fluido de limpeza permite extrair os detritos do fundo do furo. exclusivamente. O motor de rotação ao encontrar rocha nova.  Pressão de avanço: para se manter em contato a ferramenta de perfuração e a rocha é exercida um pressão de avanço sobre a broca de perfuração. da haste de perfuração e da broca. na perfuração percussiva o pistão transmite energia sobre a rocha através da barra de percussão. o qual transmite a onda de choque à haste.

O campo de aplicação das perfuratrizes pneumáticas de martelo de superfície está se reduzindo cada vez mais. . coroas. aproximadamente. devido as perdas de energia na transmissão das ondas de choque do martelo para a coroa. 2.4  uma válvula que regula a passagem de ar comprimido em volume fixado e de forma alternada para a parte anterior e posterior do pistão. gerado por um compressor acionado por um motor diesel ou elétrico.. mangueiras etc. ao diâmetro de perfuração (de 50 a 100 mm) e ao alto consumo de ar comprimido. além de apresentar alto desgaste das ferramentas de perfuração: hastes. A diferença mais importante entre ambas é que no lugar de se utilizar ar comprimido. para o acionamento do motor de rotação e para produzir o movimento alternativo do pistão do martelo.  um mecanismo de rotação para girar a haste de perfuração.).4 m3/min por cada cm de diâmetro. devido à baixa capacidade de perfuração em rochas duras. em função da frequência de impacto e na forma de transmissão da onda de choque do pistão de grande diâmetro (Svedala Reedrill. Perfuratrizes hidráulicas No final da década de 60 e início da década de 70 houve um grande avanço tecnológico na perfuração de rochas com o desenvolvimento dos martelos hidráulicos. utiliza-se um grupo de bombas que acionam estes componentes. Uma perfuratriz hidráulica consta basicamente dos mesmos elementos construtivos de uma pneumática. A profundidade máxima alcançada por este sistema não supera os 30 metros. sd. . A cada haste adicionada na coluna de perfuração maior é a perda de energia devido a reflexão da energia nas conexões e luvas de perfuração. à profundidade (em torno de 15 m).  um sistema de limpeza do furo que permite a passagem de ar pelo interior da haste de perfuração e retirada dos detritos da rocha entre as paredes do furo e a parte externa da haste. punhos.

eliminando as perdas de energia ao longo da coluna de perfuração. os rolamentos das brocas tricônicas são demasiadamente pequenos para suportar grandes cargas verticais (pressão de avanço).  maior facilidade para a automação: os equipamentos são muito mais aptos para a automação das operações. Este método possui as seguintes características: .  menor desgaste da broca de perfuração. eram utilizados para aumentar a taxa de penetração em rochas duras e muito duras. Para estes diâmetros. tais como a troca de haste e mecanismos antitravamento da coluna de perfuração. a energia por impacto e a freqüência de percussão do martelo.  maior flexibilidade na operação: é possível variar a pressão de acionamento do sistema. em comparação com os equipamentos pneumáticos. Martelos de Fundo (Down The Hole – DTH) Os martelos de fundo de furo foram desenvolvidos na década de 50 e. originalmente. o que se traduz em baixa taxa de penetração e altos custos. resultando em maiores taxas de penetração. o martelo e a broca de perfuração permanecem sempre no fundo do furo. A principal aplicação deste método é a perfuração em rochas duras quando se usa brocas de 152 a 229 mm (6” a 9”).  maior velocidade de penetração: a energia liberada em cada impacto do martelo é superior a do martelo pneumático.5 As razões pela qual as perfuratrizes hidráulicas possuem uma melhor tecnologia sobre as pneumáticas são as seguintes:  menor consumo de energia: as perfuratrizes hidráulicas consumem apenas 1/3 da energia. Neste método.  melhores condições ambientais: a ausência de exaustão de ar resulta em menores níveis de ruído quando comparadas com perfuratrizes pneumáticas. por metro perfurado.

que gira e pressiona o bit contra a rocha. é também usada em furos para detonação. Esse método é recomendado em rochas com resistência à compressão de até 500 MPa.6  devido a posição do martelo e da broca evita a perda de energia ao longo das hastes de perfuração. Os botões de metal duro são pressionados na rocha. causando o fraturamento desta.  necessita de moderada força de avanço (250 a 500 lbf/in de diâmetro de bit) em comparação com o método rotativo (3000 a 7000 lbf/in). porém. a energia é transmitida para a broca por um tubo. perfuração de chaminés verticais de ventilação e abertura de túneis. de acordo basicamente com o mesmo princípio da perfuração por percussão. Diâmetro dos furos .  requer menor torque de rotação e a velocidade de rotação (rpm) é muito menor em comparação com o método rotativo.3 Características dos furos Os furos são geralmente caracterizados por quatro parâmetros: diâmetro.  os impactos produzidos pelo pistão do martelo no fundo do furo podem provocar o desmoronamento e travamento da coluna de perfuração em rochas não consolidadas ou muito fraturadas. Quando perfuramos por este método. 1. usando brocas tricônicas. atualmente. A faixa normal de operação é de 10 a 60 rpm. profundidade. Rotação/Trituração Foi inicialmente usada na perfuração de petróleo. retilinidade e estabilidade. A velocidade normal de rotação é de 50 a 90 rev/min. Elimina a necessidade de hastes pesadas e altas pressões de avanço.

A eleição do diâmetro dos furos depende.º de furos. Nas minas subterrâneas. furos de grande diâmetro apresentam menores custos de perfuração e detonação por m3 ou tonelada de rocha escavada. . após a detonação. do ritmo da escavação e da resistência da rocha. o diâmetro do furo pode também ser determinado pelo tamanho do equipamento disponível para perfuração. Em furos para detonações.7 O diâmetro do furo depende da finalidade do mesmo. as dimensões dos equipamentos de perfuração são determinadas pelo método de lavra adotado. carregamento e transporte. o tamanho desejado dos fragmentos. na altura da pilha e no porte do equipamento de carregamento. da produção horária. o tipo de explosivo a ser utilizado. também. Figura 2: Influência do diâmetro no n. Em trabalhos menores. na fragmentação da rocha. porte dos equipamentos de escavação. A figura 2 mostra a relação entre os diâmetros e o número de furos. altura da pilha e granulometria dos fragmentos rochosos após a detonação. a vibração admissível do terreno durante a detonação etc. por exemplo. há vários fatores que influem na escolha do diâmetro. Em grandes pedreiras e outras minerações a céu aberto.

estagiada.8 A figura 3 mostra a relação entre o diâmetro de perfuração e a seção do túnel ou galeria e o tipo de equipamento de perfuração. triângulo equilátero ou malha alongada: A E a) malha quadrada b) malha retangular . retangular. Figura 3 .Influência do diâmetro da perfuração no tamanho da seção da galeria Malhas de perfuração a céu aberto A geometria das malhas de perfuração pode ser quadrada.

componentes e de número de perfuratrizes para executar uma determinada escavação Dados: Produção: 1. porém possui melhor distribuição do explosivo no maciço rochoso.0 m x 2.9 c) malha estagiada (pé de galinha) Malhas quadradas (A=E) e retangulares (E>A): devido a sua geometria é de fácil perfuração (menor tempo de locomoção de furo a furo).00 . 2.6 m) = 2500 m Vida útil do punho = 6000 m Custo da coroa = R$486.500. As malhas alongadas possuem elevada relação E/A.6 m) = R$972. 1.4 Cálculo dos custos da perfuração.65 t/m3. Diâmetro () e malha da perfuração:  = 76 mm (3"). maximizando a fragmentação. 2.6 m Vida útil da coroa (bit) = 1000 m Vida útil da haste (MF T45 de 3.75. Malhas alongadas: Conforme a relação E/A as malhas podem assumir várias configurações.00 Custo da hastes (3. São indicadas para rochas compactas e duras. São indicados para rochas friáveis/macias aumentando o lançamento por possuírem menor afastamentos. Possuem ótima distribuição da energia do explosivo na área de influencia do furo.15.000 toneladas Rocha e densidade: Granito. geralmente acima de 1. Malha Triângulo Equilátero: são malhas estagiadas com a relação E/A = 1. o ponto mais crítico para fragmentação. recebe igual influência dos três furos circundantes.8 m Profundidade do furo (Hf) = 12. O centro do triângulo equilátero. Malhas estagiadas: devido a geometria de furos alternados dificulta a perfuração (maior tempo de locomoção furo a furo).

18 m/m3 Perfuração necessária (Pn) = 566.500.18 m/m3  Pn = 101.887 m = R$ 3.219.65 t/m3 = 566. Espaçamento (E) = 2.93 Afiação = R$0.887 m = R$ 7.6 m / 70.56 m3  Pe = 0.887 m Coroas (bits) necessárias: 101.00/haste = R$ 39.00 Hastes = 41 hastes x R$972.887 m: 1000 m/coroa = 102 coroas Hastes necessárias: 101.6 m Volume anual (VA) = 566.038 m3 x 0. Prof.072 Cálculos: Produção em m3: 1.500.00/coroa = R$ 49.00 Punho = 17 punhos x R$576. do furo (Hf) = 12.00/punho = R$ 9.79 : 566.036 Custo da afiação por metro = R$0.6 m = 70.000 t = R$0.219.072/m x 101.10 Custo do punho = R$576.038 m3 Taxa de penetração da perfuratriz (TP) = 21 m/h Horas trabalhadas por dia (HD) = 12 h .852.000 t (566.219.038 m3 = R$0.07/t Cálculo do número de perfuratrizes necessário para escavar 1.667.335.8 m.887 m: 6000 m/punho = 17 punho Custo com os componentes: Coroa = 102 coroas x R$486.0 m x 2.56 m3 Perfuração específica (Pe) = Hf / V = 12.036/m x 101.79 : 1.0 m.038 m3 Volume produzido por furo (V) = 2.79 Custo por m3 = R$110.572.792.00 Graxa = R$0.000 t : 2.00 Custo da graxa por metro = R$0.19/m3 Custo por tonelada = R$110.038 m3) Afastamento (A) = 2.8 m x 12.887 m: 2500 m/haste = 41 hastes Punhos necessários = 101.86 Custo Total = R$ 110.500.

430 m PT  N d x MP 350 dias x 148.51 m / dia  NP  2.038 m 3 2 m x 2.8 m x 12.6 m x 350 dias = 101.8 x 0.7 x 0.85 = 148.430 m c) Metros diários perfurados por uma perfuratriz (MP) MP = Nd x TP x DM x U x RMO = 12 h/dia x 26 m/h x 0.51 m/dia d) Número necessário de perfuratrizes (NP) NP  101. Rendimento da mão de obra (RMO) = 85% a) Número de furos por dia (NF ) NF  VA A x E x H f x Nd  566.6 m x 350 dias  23 furos b) Profundidade total perfurado por ano (PT) PT = NF x Hf x Nd = 23 furos/dia x 12.11 Dias trabalhados por ano (Nd) = 350 dias Disponibilidade mecânica da perfuratriz (DM) = 80% Utilização (U) = 70%.0 .

a velocidade de reação é de alguns mm/s. . 2. . EXPLOSIVOS 2.1 Aspectos teóricos das detonações Combustão.12 2.2 Explosivos nitroglicerinados Os altos explosivos (figura 4) possuem na sua composição química a nitroglicerina . normalmente. impacto ou onda de choque. pode apresentar as seguintes reações: . A reação atinge velocidades de detonação variando de 100 a 1500 m/s. A reação atinge velocidades de detonação variando de 2 a 8 km/s. podendo atingir uma pressão de detonação de 50 MPa e temperaturas na faixa de 1270 a 2270 ºC.Deflagração: Decomposição química por transferência térmica. Qualquer matéria ao ser excitada por calor.Combustão: processo lento de liberação de energia (calor). podendo atingir pressões de detonação de 5 a 15 GPa e temperaturas na faixa de 2230 a 5500 ºC. Deflagração e Detonação.Detonação: Decomposição química produzida por uma onda de choque.

com cerca de 1%. Gelatinas A gelatina também foi descoberta por Alfred Nobel. em geral. As dinamites amoniacais são similares em composição. Como se vê. em 1875. Dinamites amoniacais O alto custo da dinamite simples e as qualidades indesejáveis já citadas permitiram o desenvolvimento das dinamites amoniacais. com . Tem grande velocidade de detonação. constituída de nitroglicerina + nitrocelulose + nitrato de sódio. produz boa fragmentação e ótimo adensamento no furo.13 Figura 4 – Explosivos a base de nitroglicerina. a serragem substitui o kieselguhr como absorvente e nitrato de sódio é. às dinamites simples. apresenta um alto custo e gera gases tóxicos. A dinamite simples produz boa fragmentação. usa-se o carbonato de cálcio. A gelatina é um explosivo bastante denso de textura plástica. parcialmente. Em contrapartida. porém o nitrato de amônio substitui. Geram gases nocivos. Gelatinas amoniacais As gelatinas amoniacais têm formulações semelhantes àquelas das gelatinas. Como estabilizante. Essas gelatinas foram desenvolvidas para substituir as gelatinas. a nitroglicerina e o nitrato de sódio. São utilizadas apenas em casos especiais. mas a nitroglicerina e o nitrato de sódio são parcialmente substituídos por nitrato de amônio. ou antiácido. Dinamite simples Resultante da mistura: Nitroglicerina + Serragem + Oxidante + Estabilizante. parecendo uma goma de mascar. o oxidante usado.

com variações nas proporções de nitroglicerina. em 1955. As composições são semelhantes àquelas das gelatinas amoniacais. há um universalmente conhecido.5%) denominado ANFO. consideradas ideais.14 maior segurança no manuseio e custo menor de produção. As proporções acima.5%) e óleo diesel (5. Semigelatinas Constituem um tipo intermediário entre as gelatinas e as dinamites amoniacais. este em porcentagens mais altas. formado pela mistura pura e simples de nitrato de amônio (94. porém menos resistentes à água. nitrato de sódio e nitrato de amônio. Existem diversas variantes comerciais. . sigla esta resultante dos vocábulos ingleses Ammonium Nitrate e Fuel Oil. Os gases variam de excelentes a pouco tóxicos. Figura 5 – Explosivos granulados em embalagens de 25 kg. em grau mais atenuado. A figura 5 mostra os explosivos granulados ensacados. combinando a baixa densidade das amoniacais com a resistência à água e a coesão das gelatinas.3 Agentes explosivos secos ANFO Entre os explosivos secos ou granulados. foram determinadas pelos americanos Lee e Akre. 2.

Nitrato de amônio e CH2 Óleo diesel) quando o balanço de oxigênio é zero. . baixa densidade (0. A reação ideal do ANFO (N2H403 . nada mais são do que formulações similares à do ANFO. menor será o desempenho). menor será a VOD). . combustíveis (óleo queimado. palha de arroz e nitrato de amônio.forma da mistura (quanto menos homogênea.presença de água nos furos (os explosivos granulados não tem resistência a água). poucos gases tóxicos e redução do preço global do explosivo (US$ 0. tem o desempenho comprometido pelos seguintes parâmetros: . tipo ANFO. As maiores desvantagens: falta de resistência à água.15 As maiores vantagens do ANFO são: ocupar inteiramente o volume do furo. com adição de outros ingredientes. explosivo granulado constituído de óleo queimado. A Vale fabrica.85 g/cm 3) e necessidade de um iniciador especial. em Itabira.forma de iniciação quanto menor for a massa do iniciador (cartucho ou Booster) menor será a velocidade de detonação.4 Principais parâmetros que afetam o desempenho do ANFO Os explosivos granulados.diâmetro da perfuração (quanto menor o diâmetro. pode ser expressa por: 3N2H403 + CH2  CO2 + 7H2O + 3N2 + 900 cal/g. fabricados por diferentes produtores. Outros explosivos granulados.) oxidantes e absorventes. palha de arroz etc. explosivos ou sensibilizantes. 2.50/kg). Condições de armazenagem e validade . serragem. Minas Gerais. grande insensibilidade aos choques. .

Dentro de um ponto de vista químico. 2. Figura 6 – Emulsão encartuchada.16 Os explosivos secos devem ser armazenados. uma emulsão se define com uma dispersão estável de um líquido imiscível em outro. Explosivos em emulsão são do tipo “água-em-óleo” (water-in-oil). enquanto minimiza custos de produção e preço de venda. enquanto a tabela 1 mostra a composição básica de um explosivo em emulsão.3 . o qual se consegue mediante agentes que favorecem este processo (agentes emulsificantes) e uma forte agitação mecânica. durante um ano. Tabela 1 . em paios com boa ventilação e umidade adequada para que não tenham os seus desempenhos comprometidos. INGREDIENTE Nitrato de Amônio PERCENTAGEM EM MASSA 77. Eles consistem de microgotículas de solução oxidante supersaturada dentro de uma matriz de óleo. A figura 6 mostra a emulsão encartuchada. Para maximizar o rendimento energético. o oxidante dentro das microgotículas consiste principalmente de nitrato de amônio.5 Agentes explosivos úmidos Emulsões O interesse em explosivos em emulsão deu-se no início da década de 60.Composição típica de um explosivo em emulsão.

1 Nitrato de Cálcio 19.33 g/cm3. da Vale.0 ANFO PESADO (HEAVY ANFO) A primeira patente utilizando ANFO como agente redutor de densidade foi concedida em 1977 (Clay. A densidade do ANFO Pesado resultante situa-se na faixa de 1. INGREDIENTE PERCENTAGEM EM MASSA Nitrato de Amônio 59.7 . fabricado pela empresa DEXPOL que produz. a uma densidade de 1. A blendagem da emulsão com o ANFO ou Nitrato de amônio é conhecida como ANFO Pesado (tabela 2).1 _____ 100. 1977) desde que os prills (grãos ou pérolas) e os interstícios do ANFO podem ser utilizados para aumentar a sensibilidade da emulsão e ao mesmo tempo aumentar a densidade do ANFO. o ANFO pesado passa a apresentar resistência à água.9 Agente Emulsificante: Oleato de sódio ou Monoleato de ezorbitol 1.33 g/cm3. é a maior consumidora do Brasil de ANFO Pesado.17 Água 16. Para uma blendagem de ANFO/Emulsão: 60/40. aproximadamente.Composição típica do ANFO Pesado com resistência à água. A resistência à água do ANFO pesado é moderada.00 a 1. 3000 toneladas por mês.7 Óleo diesel 4. porém a escorva mínima de iniciação deve apresentar uma massa acima de 450 g. A Mina de Sossego. Tabela 2 . localizada em Canaã dos Carajás.

para evitar que os mesmos boiem.6 Propriedades dos explosivos Densidade de um explosivo Densidade é a relação entre a massa e o volume dessa massa. Os explosivos com densidade inferior ou igual a 1 não devem ser utilizados em furos contendo água. um explosivo pouco denso será suficiente. A energia liberada pelo explosivo em um furo é utilizada da seguinte forma: .45 g/cm 3. medida em g/cm3.0 Agente Emulsificante: Oleato de sódio ou Monoleato de ezorbitol 1. recomenda-se um explosivo denso.2 Óleo diesel 5.0 2. Para detonações difíceis. Energia de um explosivo A finalidade da aplicação de um explosivo em um desmonte é gerar trabalho útil.18 Água 7.9 Alumínio 7. ou onde não é requerida uma fragmentação demasiada.1 _____ 100.6 a 1. A densidade dos explosivos é um fator importante para a escolha do explosivo. em que uma fina fragmentação é desejada. Para rochas fragmentadas “in situ”. A densidade dos explosivos comerciais varia de 0.

comparada com a energia disponível por igual massa de um explosivo tomado como padrão.19 pulverização da rocha nas paredes do furo. o ANFO que apresenta as seguintes propriedades: densidade = 0. não possuem NG nas suas formulações. produção de calor e luz. Energia . a energia de um explosivo era medida em função da porcentagem de nitroglicerina (NG) contida no mesmo. especialmente os agentes detonantes. os seguintes conceitos são utilizados: . vibração do terreno e sobrepressão atmosférica. Exemplo 1: Considere como o explosivo padrão. Energia termoquímica = 900 cal/g. Cálculo da Energia Relativa por Massa (RWS) do explosivo emulsão que apresenta as seguintes propriedades: termoquímica = 850 cal/g. densidade = 1. No passado.15 g/cm3. daí a necessidade de se estabelecer um novo padrão de comparação. Acontece que os modernos explosivos. rompimento da rocha.Relative Weight Strength (Energia relativa por massa): é a energia disponível por massa de um explosivo x.85 g/cm 3.RWS . O cálculo do RWS é feito através da seguinte expressão: RWS  ETx ETp onde: ETx e ETp são as energias termoquímicas do explosivo x e padrão. Na atualidade. respectivamente. movimento da rocha. Um explosivo que possuía 60% de (NG) em peso era qualificado como tendo força de 60%. Normalmente o ANFO é tomado como o explosivo padrão.

28 ou RBS = 128. Gases gerados pelos explosivos . Isto é: RBS  ETx ETp x x  RWS p x x p onde: x e p são as densidades do explosivo x e p.20 RWS  RWS = 0. Exemplo 2: Utilizando os dados do exemplo anterior. Uma unidade de volume da emulsão possui 28% a mais de energia quando comparada com a mesma unidade de volume do ANFO.85 g / cm 3  RBS  128 RBS = 1.944 ou ETx 850 cal / g  ETp 900 cal / g RWS = 94. respectivamente.4. comparada com a energia disponível por igual volume de um explosivo tomado como padrão. .Relative Bulk Strength (Energia relativa por volume): é a energia disponível por volume de um explosivo x.RBS . Uma unidade de massa da emulsão possui 5. cálculo da Energia Relativa por Volume (RBS): RBS  ETx x 850 cal / g 1.15 g / cm 3 x  x ETp p 900 cal / g 0.6 % a menos de energia quando comparada com a mesma unidade de massa do ANFO.

resultando uma transformação completa ou incompleta. Al2O3 e N2. mas não contém excesso de oxigênio que possa reagir com o nitrogênio na mistura para formação de NO e NO 2 e nem a falta de oxigênio que possa gerar o CO. quanto ao nível de toxidade. CO.65 a menos de 46. hidrogênio e carbono. consequentemente. diminuem o potencial energético e a eficiência do explosivo. Teoricamente. são classificados como: .Classe 3 .) presentes na reação.) também são gerados.21 A classificação dos fumos é primordialmente importante na seleção de explosivos para desmontes subterrâneos ou utilização em túneis em que as condições de ventilação e renovação do ar são limitadas. todos não tóxicos. Oxigênio. a liberação de energia é otimizada quando o balanço de oxigênio é zero.não tóxicos (menor que 22.tóxicos (de 46. Para misturas explosivas. Isto quer dizer que. H2O. mas não comprometem a boa qualidade dos produtos finais.7 a menos de 94. o oxigênio que entra na composição do explosivo pode estar em falta ou em excesso. palha de arroz etc. carvão. os gases produzidos na detonação a balanço zero de . Quando a transformação é completa.7 l/kg). serragem. Balanço de Oxigênio de um explosivo e Energia de explosão (Hf) A maioria dos ingredientes dos explosivos é composto de oxigênio.Classe 1 . Balanço zero de oxigênio é definido como o ponto no qual uma mistura tem suficiente oxigênio para oxidar completamente todos os combustíveis (óleo diesel. estequiometricamente. Óxidos de Nitrogênio e Gás Sulfídrico. A toxidez dos gases da explosão é avaliada pelo balanço de oxigênio (BO).mediamente tóxicos (de 22. nitrogênio.8 l/kg). Na realidade pequenas proporções de outros gases (NOx. decompõe-se em estado gasoso. Os gases nocivos ao ser humano. . Quando o explosivo detona. pois além de altamente tóxicos para o ser humano.Classe 2 . Monóxido de Carbono. Os principais componentes são Dióxido de Carbono. . NH3 e CH4 etc. esses gases reduzem a temperatura da reação e. os produtos resultantes são CO2.65 l/kg).

CH4 e outros gases.2 . Composto Fórmula Produtos desejados Necessidade (-) ou na reação excesso (+) de oxigênio Nitrato de amônio N2H403 N2.2 = +1 CH2 CO2. considere a mistura ideal do nitrato de amônio (N 2H403) com o óleo diesel (CH2). 2H2O +3 . 1992). O máximo de energia é conseguido quando o BO é zero. Equilibrando a equação: . dos ingredientes dos explosivos para um balanço de oxigênio zero Como exemplo. Cálculo da porcentagem.22 oxigênio são: CO2. 3 unidades de nitrato de amônio são necessárias para o balanço de cada unidade de óleo diesel na mistura de AN/FO.1 = . em massa.Cálculo da necessidade de oxigênio para equilibrar a equação. CO.3 Óleo diesel Necessidades de oxigênio: -3 O resultado é uma deficiência de 3 átomos de oxigênio por unidade de CH 2. Al2O3 e N2 e na realidade pequenas quantidades de NO. o poder de ruptura e outras propriedades do explosivo usado. não só do ponto de vista da formação dos gases tóxicos. H2O. Na prática. Desde que cada molécula do nitrato de amônio apresenta excesso de um átomo de oxigênio. H2O . a tabela 3 mostra a necessidade de oxigênio para equilibrar a equação: N2H403 + CH2  CO2 + H2O + N2 Tabela 3 . esta condição é utópica (Reis. mas. NH2. A pesquisa do BO de um explosivo apresenta uma grande importância prática. porque ela está correlacionada com a energia da explosão.

isto é: Hf = Hp . Tabela 4 . o óleo deve representar.Cálculo da soma da massa molecular dos produtos da reação. a energia da explosão (Hf) é a diferença entre o calor de formação dos produtos (Hp) e o calor de formação dos reagentes (Hr). quer dizer.23 3N2H403 + CH2  CO2 + 7H2O + 3N2 Cálculo das percentagens de N2H403. O = 16.Hr .5% Então sabemos que 240 g de nitrato de amônio reagem com 14 g de carbono quando o balanço é perfeito.5% Calor de Formação ou Energia de Explosão (Hf) Por definição. CH2 por massa de mistura de AN/FO: Usando as massas moleculares da tabela 4. H = 1. em massa: (14 : 254) x 100% = 5. N = 14. Composição Massa molecular (g) 3N2H403 3 x 80 = 240 CH2 14 Total 254 A percentagem do nitrato de amônio na mistura. podemos calcular a soma das massas moleculares dos produtos a partir das massas atômicas: C = 12. será: (240 : 254) x 100% = 94.

10 + 7(-57.80) + 3(0)  Hp = -498.80 CO2 -94.00 CO -26. teremos: Tabela 5 .30) .8 x 1000 / 254 g  Hf = .9) kcal = -229.24 Utilizando os valores da entalpia da tabela 5.Entalpia de Formação para diferentes compostos Composto N2H4O3 Hf (kcal/mol) (nitrato de amônio) -87.7  Hp = -268.7.60 NO2 + 8.7 kcal Hp = 3(-87.9 kcal Hf = Hp .00 Hp = -94.(-268.8 kcal Transformando para cal/g: -229.905 cal/g Velocidade e Pressão de detonação de um explosivo .30 H20 -57.7 kcal .10 CH2 (óleo diesel) .Hr = -498.40 N 0 NO + 21.10 Al2O3 (alumina) -399.

entretanto a energia não utilizada no processo de fragmentação e deslocamento da rocha se propagará no terreno sob a forma de vibração.20 g/cm3. O pico da pressão exercida pela expansão dos gases depende primariamente da densidade e da velocidade da detonação. = velocidade de detonação de um explosivo confinado (m/s). quando o explosivo está completamente acoplado ao furo (GPa). Calculando-se a pressão de produzida no furo (PF): PF   4320 x 10 6 VOD 2 x 10 6  1. Caso a pressão produzida no furo durante a detonação não supere a resistência dinâmica da rocha.25 A velocidade de detonação de um explosivo (VOD) é o índice mais importante do desempenho do mesmo. Uma maneira de avaliar o desempenho de um explosivo é pela comparação da pressão produzida no furo durante a detonação. As pressões podem ser calculadas usando a seguinte equação: PF   VOD 2 x 10 6 4 sendo: PF  VOD = pressão produzida no furo.20 x 4 4 2  PF  5. cujo valor determinado foi de 4320 m/s para um determinado diâmetro.6 GPa A medição da velocidade de detonação dos explosivos tem os seguintes objetivos: . a mesma não será fragmentada. conforme a expressão abaixo. com densidade de 1. = densidade do explosivo (g/cm3). desde que a pressão de detonação de um explosivo é diretamente proporcional ao quadrado da velocidade de detonação. Exemplo: Foi feita a medição da VOD de um explosivo.

com). Tabela 6 . Método de desaguamento . pode-se utilizar o equipamento denominado de MicroTrap. A tabela 6 mostra a resistência do explosivo à água em função do números de horas de exposição.  comparar o desempenho do explosivo quando iniciado com diferentes escorvas. para que a partir da mesma seja calculada a pressão produzida no furo durante a detonação.  verificar se os explosivos e acessórios estão detonando de acordo com o valor fornecido pelos fabricantes.Classe dos explosivos em função da resistência à água. Resistência à água Mede o desempenho do explosivo quando submerso em água durante um determinado tempo. seja capaz de ser iniciado com eficiência e detone completamente através de uma espoleta n 6.mrel. Unidade de medida: horas.26  determinar a velocidade de detonação do explosivo. de fabricação da MREL do Canadá (detalhes no site www. acessórios e diferentes materiais utilizados para o confinamento do tampão. Para a medição da VOD do explosivo.

Figura 8 – Ensalsichamento do explosivo granulado. o uso de explosivos secos (granulados). Figura 7 – Método de desaguamento e encamisamento do furo. consequentemente.7 Seleção dos explosivos Na seleção de explosivos. figura 7 (esquerda). quando a altura da coluna d’água é pequena (até 0. venha falhar figura 7 (direita). 2. permitindo assim. os seguintes itens devem ser observados: .27 Em algumas operações. Recomenda-se que após a retirada da água os furos sejam encamisados (filme plástico). Em furos de pequeno diâmetro (até 51 mm) pode-se ensalsichar os explosivos granulados com filmes plásticos (figura 8). para que o explosivo não venha a ser contaminado e.5 m) utiliza-se bombas d’água para retirar a mesma.

e) Resistência da rocha e tipos litológicos.28 a) Presença de água nos furos. g) Diâmetro da perfuração. ácido nítrico. Preços dos explosivos Como qualquer produto. emulsificantes. entre as grandes companhias. pois um explosivo mais caro (mais potente) permite o uso de uma maior malha de perfuração e. Em muitos contratos. f) Presença de fendas e cavernas no maciço rochoso. . é de terceirizar o carregamento dos fogos. nitrito de sódio. d) Possibilidade de fabricação na própria mina. consequentemente. onde são necessários caminhões bombeadores de explosivo. a redução do custo do desmonte de rocha por tonelada desmontada. O preço do explosivo não pode ser analisado isoladamente. micro esferas etc. óleo combustível. b) Custo unitário. c) Tonelagem a ser consumida. A tendência. a mineradora fornece as matérias primas necessárias (nitrato de amônio. o preço do explosivo é influenciado pelo volume a ser adquirido. principalmente em operações de grande porte.) pagando pelo serviço prestado (R$/kg). h) Interferências com o meio ambiente.