ESCOLASUPERIOR BATISTA DO AMAZONAS

CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA
EUDIMAR COSTA ROCHA

CORREÇÃO DE FRATURA DIAFISÁRIA COMINUTIVA EM TÍBIA, UTILIZANDO
ENXERTO ÓSSEO HOMÓGENO CONSERVADO EM GLICERINA A 98%
RALATO DE CASO

Manaus
2011

EUDIMAR COSTA ROCHA

CORREÇÃO DE FRATURA DIAFISÁRIA COMINUTIVA EM TÍBIA, UTILIZANDO
ENXERTO ÓSSEO HOMÓGENO CONSERVADO EM GLICERINA A 98%
RELATO DE CASO

Trabalho de conclusão de curso
apresentado como exigência parcial para
obtenção do título de Bacharel em
Medicina Veterinária junto a Escola
Superior Batista do Amazonas, sob
orientação do Profº especialista Méd. Vet.
Haruó Takatani e supervisão da Drª
Sandra Mirna Freire Lima.

Manaus
2011

EUDIMAR COSTA ROCHA
Relato apresentado a Escola Superior
Batista do Amazonas (ESBAM), como
requisito parcial para obtenção do título de
Bacharel em Medicina Veterinária.

Aprovação da Monografia: ______________
Data de aprovação_______/_______/________

BANCA EXAMINADORA

___________________________________________________________________
Profº. Haruó Takatani

___________________________________________________________________
Profº. Msc. Carlos Jordão da Paz Junior

__________________________________________________________________
Profº. Dr. Fábio Silva de Souza

"Nem tudo que se enfrenta pode
ser modificado, mas nada pode
ser modificado até que seja
enfrentado ”
Albert Einstein

DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a Deus acima de tudo.
Aos meus pais Isaias da Silva Rocha e
Ilcinéia de Castro Costa. Pelo apoio e
incentivo da Drº Haruó Takatani, Drª Sandra
Mirna Freire Lima e de todos o amigos que
me ajudaram a chegar até aqui.
Obrigado!

AGRADECIMENTOS

Agradeço em primeiro lugar à Deus e todos os meus familiares, em especial
aos meus pais Isaias da Silva Rocha e minha mãe Ilcinéia de Castro Costa e a
minha namorada Débora Bonates, pela dedicação, amor e carinho.

A minha supervisora de estágio Dra. Sandra Mirna Freire Lima , pelo tempo e
paciência consumidos comigo.
A todos que me ajudaram na construção e elaboração deste trabalho

Ao meu Orientador

profº. Haruó Takatani

pela paciência e apoio para a

realização deste trabalho.

Aos meus colegas da instituição Josué e Armando pela força, apoio e incentivo
na elaboração da minha monografia.

A todos os funcionários ESBAM em especial ao coordenador do curso de
medicina veterinária, prof. Dr. Breno Schumaher, que se empenhou nos preparando
para o mercado de trabalho, que Deus conduza os passos seus. Muito Obrigado!

RESUMO

O objetivo do presente trabalho foi avaliar a utilização de implante ósseo
cortical alógeno conservado em glicerina a 98% em um cão. Foi realizado correção
de uma falha óssea de 3cm na região diafisária distal da tíbia, sendo utilizado um
implante ósseo cortical alógeno conservado em glicerina para sua reconstrução. O
implante foi estabilizado no leito receptor por meio de fixação externa com pinos de
steinmann. O animal foi avaliado clinicamente, verificando-se o seu estado geral, o
aspecto da ferida e o grau de deambulação. Radiografias da tíbia direita foram
realizadas no pós-operatório imediato e quinzenalmente, até o 30º dia de pósoperatório.
Palavras-chaves: implante ósseo alógeno, glicerina, banco de ossos.

ABSTRACT

The objective of this study was to evaluate the use of cortical allograft bone
graft preserved in glycerin 98% in a dog. We carried out a correction of 3 cm bone
defect in the distal region of the tibia, and used an allogenic cortical bone graft
preserved in glycerin for its reconstruction. The implant was secured to the recipient
bed using external fixation with Steinmann pins. The animal was clinically assessed,
verifying their status, the appearance of the wound and the degree of ambulation.
Radiographs of the right tibia was performed in the immediate postoperative period
and twice a month until the 30th postoperative day.
Key words: allograft bone implant, glycerin, bone bank.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1. Ossos homógenos acondicionado na glicerina 98% ........................ 17
Figura 2. Animal receptor ................................................................................ 17
Figura 3. Fratura diafisária cominutiva ............................................................ 17
Figura 4. Imagem médio lateral da região fraturada ....................................... 18
Figura 5. Fratura cominutiva, após a retirada dos fragmentos ósseos ............ 19
Figura 6. Fragmentos ósseos retirados do lugar da fratura ............................. 19
Figura 7. Falha óssea de aprox. 3 cm ............................................................. 20
Figura 8. Enxerto ósseo homógeno corrigindo falha óssea ............................. 21
Figura 9. Imagem radiog. demostrando correc. da linha de frat. .................... 22
Figura 10. Fixação externa do membro posterior direito ................................. 23

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 11

2 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................ 12

3 MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................. 16
3.1 Caracterização da área de estudo ou caracterização do estudo................ 16
3.2 Origem e coleta de material ...................................................................... 16

4 RESULTADOS ............................................................................................. 25

5 DISCUSSÃO ................................................................................................. 26

6 CONCLUSÃO ............................................................................................... 28

REFERÊNCIAS ................................................................................................ 29

11

1

INTRODUÇÃO
As afecções ortopédicas em cães e gatos têm papel importante na rotina de

um hospital ou clínica veterinária, não é raro, portanto, que o ortopedista se depare
com fraturas cominutivas de osso longos, neoplasias ósseas, não-uniões ou uniões
viciosas de fraturas. Uma das principais opções para o tratamento é a substituição
de um segmento ou preenchimento de falha óssea utilizando-se enxerto ou implante.
Biologicamente, a melhor fonte para a obtenção desse material seria, sem dúvida, o
próprio animal, com a utilização do enxerto autógeno. Tal opção acaba sendo muitas
vezes preterida por aumentar a morbidade, a dor, os tempos cirúrgicos e
anestésicos e, principalmente, por não fornecer volume suficiente para a
reconstrução de uma grande falha óssea (ALIEVI et al., 2007).
Devido ao mecanismo de trauma e à escassa cobertura cutânea anteromedial, a tíbia é o osso longo que mais freqüentemente sofre fratura exposta. Entre
as causas mais freqüentes estão os traumas de alta energia, os atropelamentos
automobilísticos, motociclísticos, além das fraturas em conseqüência de ferimento
por projétil de arma de fogo (HUNGRIA; MERCADANTE, 2008).
Os enxertos de ossos autólogos, homólogos e sintéticos têm desempenhado
importante papel na cirurgia ortopédica reconstrutiva há algum tempo. Conhecer as
características biológicas e biomecânicas destes materiais é de suma importância
para seu emprego adequado (BAPTISTA et al., 2003).
O uso de enxertos ósseos está se tornando freqüente na ortopedia
veterinária, como método de resolução das fraturas cominutivas, reduzindo
significativamente a necessidade de amputação do membro afetado. Nesse contexto
a necessidade de se instituir banco de ossos para animais está aumentando
(CAVASSANI et al., 2001).
O presente trabalho foi realizado com objetivo de avaliar clínica e
radiograficamente o uso de implante ósseo cortical alógeno conservado em glicerina
98%, no reparo de falha segmentar em tíbia de cão e as possíveis complicações.

12

2.

REVISÃO DE LITERATURA
O tipo de enxerto ósseo escolhido para incrementar o reparo da fratura é

determinado pela função exigida para otimizar a cicatrização dessa fratura. Autoenxertos de tecido esponjoso são altamente celulares, mas mecanicamente fracos.
Portanto,

eles

proporcionam

capacidades

osteogênicas,

osteoindutivas

e

osteocondutivas superiores, mas não proporcionam suporte de fratura substancial.
Contrariamente, aloimplantes corticais proporcionam excelente suporte mecânico e
são osteocondutivos, porém estimulam pouca resposta osteogênica (FOSSUM et al.,
2005).
Os enxertos ósseos são recomendados em várias circunstâncias:
Para

promover

a

consolidação

em

uniões

retardadas,

não-uniões,

osteotomias e artrodeses das articulações através da estimulação da formação
precoce dos calos em ponte.
Para unir os defeitos principais em fraturas multifragmentares através do
estabelecimento da continuidade entre os fragmentos ósseos e preenchimento dos
defeitos, estimulando e promovendo desta maneira a formação precoce dos calos
em ponte.
Para repor a perda total de segmentos corticais devido à fragmentação da
fratura ou excisão devido a neoplasias.
Preencher cavidades ou defeitos parciais da espessura resultantes da excisão
de cistos ou neoplasias (PIERMTTEI; FLO GRETCHEN, 1999).
Os enxertos são originários de três fontes:
1.

Auto-enxerto ou enxertos autógenos – um enxerto deslocado de um ponto

para

outro

no

mesmo

indivíduo

(SLATTER,

1998).

Esses

enxertos

são

histocompatíveis com os sistemas imunológicos do hospedeiro e não iniciarão
respostas de rejeição (FOSSUN et al., 2005). Os auto-enxertos possuem potencial
osteogênico máximo e resposta mais precoce, porém a sua coleta aumenta o tempo
operatório e riscos, e o osso disponível pode não ser suficiente em quantidade,
forma, tamanho ou pode não ser mecanicamente adequado (PIERMATTEI; FLO
GRETCHEN, 1999).

13

2.

Enxertos homógenos ou aloenxertos – osso transplantado de um animal a

outro da mesma espécie (FOSSUM et al., 2005). Estes enxertos são coletados de
animais doadores, e podem ser usados tanto a fresco ou podem ser mantidos em
banco ósseo para uso futuro. Experimental e clinicamente, o enxerto homógeno
possui aproximadamente o mesmo efeito promotor de um osso autógeno;
entretanto, não há osteogênese direta e há retardo inicial de aproximadamente 2
semanas na resposta em comparação com a resposta de um auto-enxerto. A
principal vantagem é a disponibilidade em quantidade, forma e tamanhos suficientes.
Os enxertos homólogos são a única fonte viável para grandes enxertos corticais
(PIERMATTEI; FLO GRETCHEN, 1999).
3.

Xeno-enxertos – osso transplantados de um animal para outro de espécie

diferente (FOSSUM et al., 2005). Este enxerto possui o menor potencial osteogênico
e apresenta maior probabilidade de causar reação do tipo corpo estranho. Existe
pouca aplicação clínica para este tipo de enxerto (PIERMATTEI; FLO GRETCHEN,
1999).
Os

enxertos

ósseos

são

meios

de

suporte/sustentação

para

o

intracrescimento de novo tecido ósseo do hospedeiro, e como fonte de células
osteogênicas e fatores indutivos. O enxerto mais comumente usado em cirurgia
veterinária é o auto-enxerto trabecular a fresco, que tem as vantagens de
histocompatibilidade, células viva, e excelente potencial osteogênico e indutor.
Porém se o enxerto deve proporcionar estabilidade mecânica ou preencher grandes
defeitos, é preferível o uso de osso cortical segundo Slatter (1998). Em geral
enxertos de tecido ósseo esponjoso autógeno são usados mais freqüentemente, por
causa da facilidade de colheita, disponibilidade e das propriedades osteogênicas.
A osteoindução é uma das principais propriedades atribuídas aos enxertos
ósseos. O tempo refere-se ao processo pelo qual as células tronco mesenquimais,
presentes no tecido circunjacente ao local do enxerto, são induzidas à diferenciação
em células de linhagem osteogênica. Esse mecanismo está relacionado à atividade
da “bone morphogenetic protein” (BMP) presente na matriz óssea (CAVASSANI et
al., 2001).
Recomendam-se enxertos de tecido esponjoso autógeno quando se deseja
formação óssea rápida, para auxiliar na cicatrização quando não se prevê

14

cicatrização ideal (por exemplo, defeitos corticais após reparo de fraturas, animais
adultos e idosos com fraturas, atrasos de união, não-união e osteotomias) (FOSSUM
et al., 2005).
O mel também tem sido utilizado na preservação de aloenxertos ósseos com
sucesso, além de ser uma substância de fácil aquisição, manipulação, estocagem e
baixo custo. AMENDOLA et al. (2008) reparou defeito ósseo em cães utilizando
aloenxerto conservado em mel. Concluiu que o mesmo foi adequado como
conservante de ossos para serem utilizados como implantes corticais, pois manteve
o material livre de agentes patogênicos e não houve sinais compatíveis com rejeição
nos animais de seu experimento.
A cicatrização da fratura com aloenxertos ou aloimplantes corticais consiste
em preencher as interfaces de hospedeiro-enxerto com tecido ósseo, seguido por
vascularização, reabsorção e substituição do enxerto por tecido ósseo hospedeiro.
As interfaces de hospedeiro-enxertos cicatrizam dentro de 1 a 3 meses; no entanto,
a remodelagem do enxerto leva meses a anos (dependendo do comprimento do
enxerto) e pode nunca ser concluída (FOSSUM et al., 2005).
De acordo com a literatura os enxertos ósseos podem ser preservados por
congelamento, liofilização, irradiação, autoclavagem, ou preservação química.
Resulta em morte celular com aplicação de qualquer destas técnicas, e o enxerto
funciona como preenchedor de espaço para o crescimento de osso novo do
hospedeiro (SLATTER, 1998). Segundo (PIERMATTEI; FLO GRETCHEN, 1999) não
encontraram rejeição pelo corpo ou formação de seqüestro quando usaram enxertos
autógenos ou homógenos congelados, apesar de o osso não possuir potencial
antigênico. O congelamento diminui a estimulação antigênica do osso. Apesar dos
bons resultados na preservação e na incorporação do implante, os métodos de
congelamento e a liofilização requerem equipamentos sofisticados e de alto custo
(ALIEVI et al., 2007). Contudo, SAMPAIO et al. (2009), ao testarem vários métodos
de conservação de aloenxertos ósseos, concluíram que a glicerina não foi eficiente
na manutenção da esterilidade das amostras, o que contribuiu para alterar as
características biomecânicas das mesmas. Recentemente foi utilizado, com sucesso,
a glicerina a 98% como meio de preservação de ossos para uso em enxertos. A
glicerina desidrata o tecido ósseo substituindo a maior parte da água intracelular,

15

sem alterar a concentração iônica das células, atuando como eficaz protetor da
integridade celular. Além disso, age como anti-séptico contra os vários gêneros de
microorganismos patogênicos ou não, atuando como bactericida e fungicida, exceto
contra formas esporuladas (CAVASSANI et al., 2001).
Amendola et al. (2008) cita que aplicaram aloimplantes ósseos em cães e
verificaram que, de seis métodos de conservações estudados, a glicerina a 98% e o
congelamento foram os métodos que proporcionaram melhor resultado clínico;
porém a glicerina tornou o osso quebradiço exigindo longo período de hidratação.
Segundo Amendola et al. (2008) meios de conservação de ossos com
glicerina diminuem a antigenicidade, porém desidratam o osso diminuindo a sua
resistência e, a hidratação é fundamental na retomada da maleabilidade óssea e,
dessa forma, na manutenção de sua resistência.
Em estudos realizados por Ziliotto et al. (2003), sobre o implante ósseo
cortical alógeno conservado em glicerina 98% utilizado em cães, não se notou sinais
clínicos, radiográficos ou histopatológicos de rejeição dos implantes, tendo então a
glicerina como redutora da sua antigenicidade.

16

3 MATERIAL E MÉTODOS

3.1. Caracterização da área de estudo ou caracterização do estudo

O presente relato foi realizado no estágio supervisionado curricular obrigatório na
clínica Veterinária Q-Lates, localizada na Zona Leste de Manaus-AM, no período dos
meses de Fevereiro à Maio de 2011, com a supervisão da Drª Sandra Mirna Freire
Lima, Médica Veterinária e proprietária da clínica e, como orientador, professor
especialista Haruó Takatani, Médico Veterinário, na área de clínica médica e cirurgia
de pequenos animais.

1.2.

Origem e coleta de material

Como doador, foi utilizado um cão, macho, show show, de 2 anos de idade,
peso 12kg, proveniente de ocorrência de emergência, pois havia sido atropelado, no
entanto não sobreviveu. O proprietário concordou em deixar o seu animal para ser
doador, o mesmo à anamnese e ao exame clínico, apresentava-se com o cartão de
vacinações em dias e vermifugação, à necropsia não observamos alterações
músculo-esqueléticas, sendo sugestiva a ausência de doenças infecto-contagiosas e
neoplásicas.
A colheita do implante ósseo foi efetuada em sala cirúrgica sob todos os
princípios de assepsia e anti-sepsia, imediatamente após sua morte. Foi realizada a
retirada da diáfise femural, tibial e umeral bilateral com o auxílio de uma serra
manual. Após a remoção do periósteo, dos restos de tecidos musculares, do
endósteo e da medula óssea com o auxílio de bisturi e pino metálico de rosca sob
água corrente, o segmento posteriormente foi lavado com solução salina estéril
morna e acondicionado em frasco de vidro, opaco, com capacidade para 1000ml e
preenchido com glicerina 98%. O frasco foi identificado com a data de colheita, a
idade, peso, sexo e o histórico do animal doador, sendo fechado e armazenado em
local escuro à temperatura ambiente, por um período que variou de 30 a 50 dias.

17

Figura 1. Ossos alógenos acondicionado na glicerina 98%

Como receptor, foi utilizado 1 cão, fêmea, com idade entre 3 a 4 anos, peso
de 6,4kg, que atende pelo nome de xuxinha, proveniente de atendimento de rotina
da clínica. Este animal havia sofrido fratura diafisária cominutiva exposta na tíbia. O
animal estava com o cartão de vacinação em dias e vermifugação. O mesmo
ficouinternado na clínica no dia 24/05/2011 para que se fosse realizado raio-x do
membro posterior direito afetado. E foi alimentado com ração comercial e água à
vontade.

Figura 2. Animal receptor

Figura 3. Fratura diafisária cominutiva

18

No dia anterior ao procedimento cirúrgico, a cadela foi submetida à tricotomia
das faces lateral e medial da tíbia. Em seguida recebeu banho e foi mantida em canil
individual, permanecendo em jejum sólido e líquido de 12 e 4 horas,
respectivamente.
Como medicação pré-anestésica, foi administrado 0,1mg/kg de acepromazina
1%. Cerca de 15 minutos depois, foram administrados ketamina (50mg/ml) E xilazina
2% (20mg/ml) como anestésicos geral, ambos por via intravenosa. Foi realizado
ainda bloqueio epidural com lidocaína 2%.
Após 15 minutos do bloqueio epidural e com a cadela em decúbito lateral
direito, realizou-se a anti-sepsia da área cirúrgica, utilizando o método álcool-iodoálcool. A abordagem cirúrgica da porção diafisária da tíbia foi realizada conforme
técnica descrita por Slatter, (1998).

Figura 4. Imagem médio lateral da região fraturada

19

Foi realizada incisão crânio-medial paralela à crista tibial, e que se estende
por toda a tíbia.

Figura 5. Fratura cominutiva, após a retirada dos fragmentos ósseos

Quantidade mínima de tecido muscular cobre a porção medial da tíbia, e a
dissecção tem continuidade através da fáscia, sendo evitados veia e nervo safenos
mediais que cruzam os terços médio a distal da diáfise da tíbia. Durante a secção
óssea, a área foi constantemente irrigada com solução salina estéril.

Figura 6. Fragmentos ósseos retirados do lugar da fratura

20

Após a osteotomia dos fragmentos ósseos, efetuou-se a seleção do implante
ósseo, com medidas semelhantes ás do segmento removido.

Figura 7. Falha óssea de aproximadamente 3cm

O enxerto selecionado foi mantido submerso em um frasco estéril contendo
solução salina estéril por 6 horas, para reidratação e submetido a diversas lavagens
com a mesma solução no momento de sua utilização.
Para a fixação do implante ósseo, foi utilizada fixação externa usando pino
intramedular de steinmann que foi transfixado pela cortical do osso do hospedeiro e
do osso implantado, os pinos foram dobrados em suas extremidades, de modo a
que ficassem situados paralelamente ao osso, numa distância apropriada
(comumente 3 a 4 cm ) da pele. Para a aplicação em seguida do acrílico de metil
metacrilato esterilizado (material de molde dentário) que foi misturada até que se
tornasse pastosa (3 a 4 minutos) Slatter, (1998). O acrílico então foi moldado de
modo a formar uma coluna de conexão, que incorporou todos os pinos aplicados na
fixação.
Após as diversas lavagens e reidratação, o implante foi colocado no local de
falha óssea, e os pinos inseridos aos segmentos proximal (1 pino) e distal (1 pino)
da tíbia do hospedeiro e, outro pino foi inserido na porção medial do implante ósseo.
Efetuada a fixação dos pinos, a área foi lavada com solução salina morna. Após a
musculatura e o tecido subcutâneo serem suturados utilizando-se mononáilon 2.0

21

em padrão contínuo simples, a pele foi suturada com mononáilon 2.0 em padrão
isolado simples.

Figura 8. Enxerto ósseo homógeno corrigindo falha óssea

Após a completa recuperação anestésica, o animal recebeu penicilina
Procaína e Benzatina na dosagem máxima de 30.000 UI/kg (1ml para cada 7kg de
peso corporal), a cada 72 horas por 4 dias, e como analgésico e antiinflamatório o
animal recebeu cetoprofeno 1,0% (0,1mL/kg), a cada 24 horas durante 3 dias.
A automutilação foi evitada com o uso de colar elisabetano, sendo removido
no momento da retirada da fixação externa.

22

Figura 9. Imagem radiográfica demonstrando correção da linha de fratura

23

Figura10. Fixação externa do membro posterior direito

O animal foi examinado diariamente, avaliando-se o estado geral e o aspecto
da ferida cirúrgica, que foi limpa com solução salina até a remoção dos pontos de
pele, aos sete dias de pós-operatório. Durante esse período, o animal permaneceu
em canil individual, realizando caminhada e banho de sol uma vez ao dia.
Radiografias simples, em incidências médio-lateral e crânio-caudal, foram
realizadas no pós-operatório imediato e depois quinzenalmente, até os 30 dias. A
partir desse período, as avaliações serão mensais, até a remoção da fixação
externa. Foi avalizado o alinhamento, a estabilidade e o aspecto do implante e a
incorporação das interfaces osso/implante. Cada interface foi considerada
incorporada quando havia continuidade cortical completa e remodelagem ativo do
calo ósseo.

24

O grau de deambulação foi estimado clinicamente, a cada dois dias, tendo
como referência a escala citada por Alievi et al. (2007): grau I - não usa, nem apóia
o membro; grau II – uso e apoio infreqüente do membro durante a estação e ao
caminhar. Não sustenta o peso, elevando-o ao correr; grau III – uso funcional do
membro. Sustentação parcial do peso; grau IV – uso funcional do membro em
estação, ao caminhar e ao correr. Sustentação completa do peso.

25

4

RESULTADOS
A conservação dos implantes na glicerina a 98% por pelo menos 30 dias e o

cuidado de reidratação por 6 horas em solução salina, aliados a uma intervenção
cirúrgica asséptica, asseguraram ausência de infecção ou de sinais clínicos de
incompatibilidade com o receptor.
Verificou-se,

independentemente

do

tempo

de

conservação, aspecto

macroscópico adequado dos implantes, sem fissuras ou sinais de deterioração. Os
implantes apresentavam-se com coloração e textura semelhante ao do receptor,
mantendo sua coloração de origem. Quando se realizou a perfuração do implante
para a inserção dos pinos de steinmann, observou-se maior resistência em
comparação aos segmentos ósseos do leito receptor, demandando mais tempo e
maior força para a perfuração. Apesar disso, não foram verificadas fissuras ou
fraturas no implante.
A observação macroscópica não revelou sinais de infecção ou deiscência da
ferida cirúrgica. A consolidação óssea foi verificada através da formação de calo.
Quanto ao grau de deambulação, foi observado que, nos primeiros dois dias
após a cirurgia, o animal não usava e nem apoiava o membro, sendo classificado
em grau I; a partir do terceiro até o vigésimo sexto dia, o animal apresentava em
grau II, realizando uso e apoio infreqüente do membro durante a estação e ao
caminhar. Porém até o presente momento não observou foi observado a formação
de calo ósseo e nem outros graus de deambulação, em virtude do procedimento
cirúrgico ter sido realizado recentemente. No entanto o processo de cicatrização já
está se realizando.

26

5 DISCUSSÃO

O Preenchimento das grandes falhas ósseas ainda constitui um desafio para
os cirurgiões ortopédicos, existindo várias opções para se obter a consolidação.
Para Fossun et al. (2005) aloimplantes corticais proporcionam excelente
suporte mecânico e são osteocondutivos, porém estimulam pouca resposta
osteogênica.
Cavassani et al. (2001), testaram a glicerina como meio de preservação de
fragmentos ósseos de ratos. Ao final do experimento, os autores verificaram que os
implantes realizados no tecido subcutâneo e intramuscular apresentaram resposta
osteogênica positiva, concluindo que a glicerina foi bom meio para a conservação de
fragmentos ósseos para uso em enxertos, uma vez que a função osteoindutora foi
preservada.
Amendola et al. (2008), cita que de seis métodos de conservação estudados,
a glicerina a 98% e o congelamento foram os métodos que proporcionaram melhor
resultado clínico, porém a glicerina tornou o osso quebradiço, exigindo longo período
de hidratação para manter suas propriedades biomecânicas.
Em estudo publicado por Amendola et al. (2008), sobre aspectos
biomecânicos compressivos de diáfises femorais caninas conservados em glicerina
a 98% ou em mel, antes da realização dos ensaios foi promovida a hidratação dos
ossos conservados na glicerina ou no mel, em solução fisiológica em temperatura
ambiente por um período de seis horas. Os ossos testados a fresco não foram
submetidos a esse processo por não estarem desidratados. Nos três grupos
avaliados, verificou-se que as diáfises que suportaram maior força compressiva
foram aquelas conservadas em glicerina e, a hidratação é fundamental na retomada
da maleabilidade óssea e, dessa forma, na manutenção de sua resistência.
Foi observado que o implante preservado em glicerina, apresentava-se bem
resistente o que condiz com os estudos de Amendol et al. (2008), no entanto a
hidratação é fundamental para a sua retomada biomecânica.

27

Cavassani et al. (2001), relata que a presença de cálcio nos fragmentos ou no
pó de osso inibe as transformações cartilaginosas e óssea.
No presente estudo, apesar da utilização de matriz óssea mineralizada, os
resultados revelarão que o processo de osteoindução não será inibido, tendo como
base os estudos de Cavassani et al. (2001). A glicerina mostrou preservar as
funções osteocondutoras e osteoindutoras destes implantes e atuou como um bom
meio conservador por ter poder de redução da antigenicidade, baixo custo, preparo
simples, facilidade de estocagem e utilização (ZILIOTTO et al., 2003).
Para Piermattei & Flo, (1999), a técnica de coleta varia com o método de
preservação escolhido. O enxerto pode ser coletado assepticamente e preservado
através de congelamento, ou pode ser coletado sob condições de limpeza,
esterilizado por óxido de etileno, e preservado através do congelamento.
No presente trabalho utilizamos o material conservado dentro do período
proposto por Vilela et al. (2010), relata que a glicerina a 98%, mantida em
temperatura ambiente, apresenta como vantagens o baixo custo e a propriedade
antisséptica, atuando como bactericida e fungicida, além de reduzir a antigenicidade
do tecido nela conservado, preserva a textura do tecido e aumenta a resistência à
tração, sem alterar o grau de elasticidade. Recomenda-se ainda que o período
mínimo para a preservação dos enxertos é de 30 dias, pois a eliminação de
bactérias gram negativas pode requerer até 27 dias.
Para Fossun et al. (2005), a cicatrização das interfaces de hospedeiro-enxerto
ocorrem dentro de 1 a 3 meses; no entanto, a remodelagem do enxerto leva meses
a anos. Em estudos realizados por Alievi et al. (2007), o tempo médio para a
cicatrização óssea nas interfaces variou de 45 a 90 dias.
No presente trabalho, pudemos observar neoformação óssea aos 30 dias de
pós-operatório, o que condiz com os estudos de Fossun et al. (2005).

28

6 CONCLUSÃO
A técnica aplicada apresentou resultado positivo até os dias de avaliação póscirúrgico, apresentando-se neoformação óssea aos 30 dias de pós-operatório e, o
uso de glicerina a 98% atuou como eficiente meio de conservação para os
fragmentos ósseos, mantendo-se livres de contaminação durante o período de
preservação, agindo como redutora da antigenicidade, preservando as funções de
osteoindução e osteocondução de acordo com os estudos consultados e os
resultados obtidos, além de apresentar baixo custo. A técnica adotada é eficiente na
redução das fraturas diafisárias de tíbia em cães, produzindo estabilidade
satisfatória e permitindo o apoio precoce do membro, podendo apresentar
complicações como não-união e reabsorção.

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