TEIXEIRA, MARTINS & FEITOSA - ADVOCACIA E CONSULTORIA

Rua Pedro Oliveira Rocha, 189, Farol, Maceió-AL / Fone-Fac 338-4327

PARECER
(AJ - Taquarana nº 001/01)
INTERESSADO: Município de Taquarana
ASSUNTO: Bolsa de Estudo.
Bolsas de estudo – Concessão pelo
Município de Taquarana aos alunos do
Segundo Grau (ensino médio) – Ausência
de previsão legal – Responsabilidade do
Estado – Impossibilidade.

Trata-se de consulta dirigida a esta Assessoria
Jurídica, por ordem do Exmo. Sr. Prefeito do Município de Taquarana-AL,
no sentido de que opinemos sobre a possibilidade legal do pagamento,
pelo erário municipal, de bolsas de estudo a alunos do ensino médio.
RESPOSTA:
As ações administrativas, em qualquer nível de
governo – seja federal, estadual ou municipal - estão sempre sujeitas
aos limites impostos por diversos princípios legais, especialmente os
estabelecidos no art. 37, caput, da atual Constituição Federal. Observese:
Art. 37 – A administração pública direta,
indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade,
moralidade,
publicidade
e,
também, ao seguinte:

O preceito constitucional acima citado, ao destacar o
princípio da legalidade, permite dizer, sem qualquer receio, que a
atividade administrativa é essencialmente uma atividade infralegal, ou
seja, fora da lei não há espaço para atuação regular da Administração.
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assim como toda e qualquer ação municipal. servem para conduzir-nos à conclusão de que o pagamento de bolsas de estudo. A expressão legalidade deve. fato que. 189. enquanto nas relações particulares é lícito fazer tudo que a lei não proíbe. na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei textualmente autoriza. inclusive. entendem os doutrinadores que na Administração Pública não há liberdade pessoal. que ter prévia previsão legal. Nesta linha de raciocínio. bem leciona o Professor CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELO. Administrar é 'aplicar a lei. 2 .' Em suma. 6ª Edição.pelo simples fato que não existe qualquer previsão legislativa para tanto.apesar de seu inegável e relevante alcance social . por si só. Farol. só pode ser exercida nos termos de autorização contida no sistema legal. observa-se que a legalidade e validade dos atos administrativo estão atrelados ao estrito cumprimento da lei. A legalidade na Administração não resume à ausência de oposição à lei. mas pressupõe autorização dela. adquirindo então um sentido mais extenso". denominada de Curso de Direito Adminitrativo.ADVOCACIA E CONSULTORIA Rua Pedro Oliveira Rocha. Em outras palavras. em sua unanimidade. a lei ou mais precisamente o sistema legal é o fundamento jurídico de toda e qualquer ação administrativa. mas. pois. MARTINS & FEITOSA . o seguinte trecho: "A atividade administrativa deve não apenas ser exercida sem contraste com a lei. valendo destacar de sua obra. necessariamente. Maceió-AL / Fone-Fac 338-4327 Desta forma. às folhas 25 e 26.TEIXEIRA. As considerações iniciais acima formuladas. deixa-nos a vontade para concluirmos pela impossibilidade deste Município em manter a concessão dos multicitados incentivos . Publicada pela Editora Malheiros. tanto que. tem. como condição de sua ação. ser entendida como 'conformidade ao direito'. de ofício.

por determinação expressa da Lei de Responsabilidade Fiscal. conquanto a Lei de Diretrizes Orçamentária e a Lei Orçamentária Anual.848/40.429/92. apropriação. 189. de 19 de outubro de 2000. 10. poderia inclusive.ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento. ao tratar dos Crimes Contra as Finanças Públicas. que o ato do chefe do Executivo Municipal que ordenar tais despesas. MARTINS & FEITOSA .TEIXEIRA. e notadamente: IX . Farol. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade. e lealdade às instituições. a ele de se afeiçoar. que enseje perda patrimonial. Art. Maceió-AL / Fone-Fac 338-4327 Diante da inexistência de lei prevendo a possibilidade da concessão ou manutenção das bolsas de estudo em análise. legalidade. além da ausência de autorização legislativa 3 . ser considerado ato de improbidade administrativa. 11. que. 359 do Decreto Lei nº 2. 1º desta lei.028. e notadamente: Por outro lado. imparcialidade. Ademais. recentemente publicada a Lei nº 10. analisado friamente e no rigor técnico da lei. nos termos da Lei 8. foi. cabe-nos alertar. dolosa ou culposa. desvio. reforçando o entendimento supra e as proibições contidas nos arts. É de bom norte alertar para a necessidade de constar no Plano Plurianual (PPA) os objetivos e metas para o próximo quadriênio administrativo da gestão iniciada em janeiro próximo passado. Veja-se: Art. estabeleceu pena de 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão para quem ordenar despesas não autorizada por lei.ADVOCACIA E CONSULTORIA Rua Pedro Oliveira Rocha. 16 e 17 da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/00). Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão. alterando o art. malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art.

deixando claro ainda. inciso V. imediatamente suspensos. 30 janeiro de 2001. de forma prioritária. Ou seja. previstos constitucionalmente para serem aplicados em educação. entende esta Assessoria Jurídica ser (apesar de justo e moral) irregular a concessão de bolsas de estudos aos alunos do ensino médio. Farol. em seu art. custeadas pelo erário municipal. permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino". Por tudo que foi anteriormente posto. 189.394/96). oferecer o ensino médio. João Luís Lôbo Silva Advogado . o ensino fundamental. que os Municípios incumbir-se-ão de "oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas. atribui ao Estado a responsabilidade de assegurar o ensino fundamental e.OAB/AL nº 5. Maceió-AL. salvo melhor juízo.TEIXEIRA. MARTINS & FEITOSA . em resposta a consulta efetuada por ordem do Sr. Maceió-AL / Fone-Fac 338-4327 e das implicações legais anteriormente expostas. 11. vale lembrar também que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9. com prioridade.ADVOCACIA E CONSULTORIA Rua Pedro Oliveira Rocha. sob pena de responsabilidade. razão pela qual RECOMENDAMOS que tais benefícios. sejam. a prioridade dos Municípios na área de educação deve ser o ensino fundamental.032 4 . Este é o nosso entendimento. caso mantidos. e. publicada em 20 de dezembro de 1996. Prefeito Municipal de Taquarana. só podendo investir em outros níveis de ensino quando este estiver completamente atendido e com recursos além dos 25% (vinte e cinco por cento) da receita corrente líquida municipal.