A melancolia nos “Rascunhos” de Freud

Como já foi dito anteriormente, neste período, a ênfase recai sobre o fator
econômico onde a moeda corrente era a sexualidade, na figura da libido.
No “Rascunho D”, anexo à carta enviada a Fliess no dia 21/05/1894 - “Sobre a
etiologia e a teoria das principais neuroses” e no “Rascunho E - Como se origina a
angústia” (data provável 06/06/1894), Freud afirma que a melancolia é a contrapartida
das neuroses de angústia. “Quando há acúmulo de tensão sexual física - neurose de
angústia. Quando há acúmulo de tensão sexual psíquica - melancolia” (FREUD apud
MASSON, 1986, p.80) esta é sua primeira hipótese. Quando a tensão sexual não pode
ser ligada à esfera psíquica, o limiar é ultrapassado e a tensão é transformada em
angústia. Neste momento, a melancolia encontra-se bem próxima da histeria, também
resultante de uma acumulação da excitação ou tensão sexual psíquica. Todavia, Freud
centra a especificidade da melancolia na ausência de ação específica em relação às
demais formações. Quanto à ausência de desejo sexual, ele diz:
De modo particularmente freqüente, os melancólicos são anestésicos. Não
tem nenhum desejo de coito (e nehuma sensação ligada a ele), mas tem
uma grande ânsia de amor em sua forma psíquica - uma tensão erótica
psíquica, poder-se-ia dizer; quando esta se acumula e permanence
insatisfeita, surge a melancolia (FREUD apud MASSON, op. cit., p.80).

Neste caso, a explicação é a de que o afeto sexual não pode formar-se, pois “falta
algo aos determinantes psíquicos ... deve haver um déficit assinalável no afeto sexual,
na libido psíquica” (FREUD apud MASSON, p.81).
Em 23/08/1894, Freud descreve a Fliess o quadro sintomático da melancolia, aqui
apresentada como sinônimo de “depressão periódica”: “Sintomas: apatia, inibição,
pressão intracraniana, dispepsia e insônia - o quadro está completo” (FREUD apud
MASSON, op. cit., p.94). Em seguida, aponta uma semelhança qualificada como
„inconfundível‟ com a neurastenia, supondo, inclusive, uma etiologia idêntica: o
onanismo e a psicopatia (segundo nota, o termo é empregado aqui para nomear aqueles
pacientes que sofrem com sua doença e/ou fazem os outros sofrer em decorrência dela).
Na nova explicação, a melancolia neurastênica é causada pela descarga incompleta e o
conseqüente desgaste energético provoca a melancolia propriamente dita.
Na verdade, Freud está buscando um ponto de contato com a neurastenia, para
explicar a melancolia branda que aventa como base do ato do coito. Aparentemente,

As formas desse gasto são a masturbação. c) Quando a tensão sexual somática é desviada do grupo psíquico sexual.pedra fundamental do esquema .99-100). . Freud arrisca: “O afeto correspondente à melancolia é o do luto . com a anorexia e com o afeto de luto. novamente aqui. aparece a melancolia neurastênica.na fronteira (entre o somático e o psíquico). ou seja. para a melancolia de angústia e para a melancolia propriamente dita. ou seja. o do segundo também cairá e. na melancolia. É feita uma observação quanto ao exagero da importância de ênfase dada ao fator fisiológico. de 17/12/1894. a polução. se o nível de estimulação daquele cair. Portanto. o que levaria ao provérbio “„todo animal é triste depois do coito‟” (Ibid. O “Rascunho G”. Daí a forma mista: neurose de angústia e melancolia de angústia (Ibid. relevância também concedida à ligação entre anestesia e melancolia. A partir do esquema da sexualidade proposto. é pressuposto que ela seja empregada em outro lugar . a melancolia sendo um de seus efeitos.99. em conseqüência. p. há a melancolia de angústia bem como condição para angústia. o anseio por alguma coisa perdida. grifos do autor).. Freud indica as seguintes possibilidades: a) Quando a produção da excitação sexual somática decresce ou cessa (por razões endógenas) há a melancolia genuína aguda ou a melancolia cíclica. Neste rascunho. p. p. as mesmas formas da neurastenia. A importância da libido .em outras palavras. Freud monta um esquema psicossexual do funcionamento do sujeito e elabora uma explicação da melancolia que unificou as duas vertentes anteriormente apresentadas... Freud mostra a sua disposição em abrir mão do enquadramento nosográfico. denominado “Melancolia”. etc.94). As principais observações clínicas são referentes à ligação da melancolia com a anestesia. a melancolia consiste em luto por perda da libido” (FREUD apud MASSON.existiria uma contradição com as afirmações dos Rascunhos “D” e “E”. uma perda na área da vida instintiva . mantendose firme na sua caraterização dos sintomas... Desde então. são etiologias distintas para um conjunto de sintomas semelhantes que poderíamos nomear como um conjunto geral de patologias da não-ação. deve-se tratar de uma perda. b) Como o órgão terminal abastece o grupo psíquico sexual. expõe o tema longamente da forma mais completa deste período e que só foi retomada com a atenção dispensada neste escrito. isto é. em “Luto e Melancolia”.. passou a haver lugar para a melancolia neurastênica.é bastante evidente. muitos anos depois. Todavia.

o que produz dor. o que escapa é a excitação sexual somática. na análise do material clínico. como um sinal de predisposição à melancolia. enquanto indivíduos potentes adquirem neuroses de angústia. As sensações de prazer estão em relação direta e proporcional ao volume da descarga. de maneira análoga à dor (ver teoria da dor física) (Ibid. E. a anestesia consiste na omissão das sensações de prazer no grupo psíquico sexual após a descarga. a anestesia revela-se como causa e. Freud acrescenta o exemplo clínico da anorexia. aquilo que considera.101). que produz um efeito de sucção sobre os volumes de excitação adjacentes. a anestesia está associada com a realização do coito sem amor. esse retraimento age como uma ferida. “o buraco se acha na esfera psíquica” (Ibid. é possível que ocorra uma retraimento. um empobrecimento da excitação (no estoque livre dela). a anorexia. para a esfera psíquica. A omissão da sensação de prazer pode ser também um trabalho da defesa. como que através de uma hemorragia interna.102). com empobrecimento pulsional e dor a respeito dele” (Ibid.. Neste ponto Freud.. no caso particular da melancolia.104). Porém. Os neurônios associados têm que abandonar sua excitação. por assim dizer. p. como pontos de partida seguros.105). vista aqui como uma repugnância desta mesma ordem. “A célebre anorexia nervosa das jovenzinhas me parece ser uma melancolia em que a sexualidade não está desenvolvida” . Neste contexto. Deste modo. p. a falência da ação específica (Ibid.. o que corresponderia a uma descarga incompleta. na neurastenia. que se faz sentir nos outros impulsos e funções pulsionais. Enquanto a melancolia está associada à falta de excitação somática. estão tanto o acúmulo de excitação sexual psíquica quanto a falta de estimulação do órgão terminal. quais sejam: a analogia com o afeto do luto e a analogia com a neurose ligada ao alimentar-se. no caso da frigidez. instala-se. Desfazer associações é sempre doloroso. Como na inibição. os impotentes tendem à melancolia. permanece a seguinte diferença: enquanto. na melancolia é uma torrente de representações (elos associativos) que escoa pelo buraco. onde o excedente de excitação produz excedente de associações. Freud estabelece. retoma o ponto de semelhança com a neurastenia e contrapõe ambas (melancolia e neurastenia) à mania.) quando o grupo sexual psíquico se depara com uma perda muito grande no volume de sua excitação. como por exemplo a repugnância nos casos de histeria..Além das situações indicadas.. Freud faz a seguinte descrição: (. p. p.. Entre os principais efeitos estão: “a inibição psíquica. na etiologia da melancolia.

tem uma origem sexual. Assim todas as fobias são consideradas neuroses de angústia e definidas do seguinte modo: A neurose de angústia. p. o sujeito cede à conscienciosidade (FREUD apud MASSON.“Rascunho K” . não há qualquer mecanismo psíquico. Ao ressaltar a via psicológica. tendo sempre como emoções a ansiedade e o temor. neurose obsessiva. Freud não abrirá mão de pensar a etiologia da melancolia no quadro esquemático da sexualidade.(FREUD.. cit. a despedida da linguagem que marcara o ano do “Esboço do projeto para uma psicologia científica” e a inauguração da sua primeira síntese: o seu conto de fadas natalino.90) ele se propõe a teorizar sobre neuroses que não podem ser agrupadas pela neurastenia. as fobias são mais monótonas e típicas. p. É o caso da agorafobia. correlato ao momento em que.90). p. No caso das obsessões. produz-se uma falsa aliança entre o estado emocional e a ideia. Tal formulação é coerente com a abertura do seu conto. 1895 [1894]. não deriva de qualquer lembrança. EB.é. São definidas como aberrações dos respectivos . é sempre justificado”. como uma ato de defesa (Abwehr) contra a ideia incompatível. op. a teoria do conflito e a temática da escolha da neurose. quando ele afirma: “Existem quatro tipos e muitas formas dessas [neuroses]”. onde a substituição não é mais o traço predominante: nada se encontra além do estado emocional de ansiedade que.. 1895[1894]. Neste momento. casos que mostram que “o estado emocional. neste contexto. ao invés de se opor à obsessão. para falar a verdade. entram em cena o privilegio ao plano psicológico. paranóia e amência. (FREUD.. Sua causa específica é a acumulação de tensão sexual. como tal. o que significa dizer que ela seria um sintoma secundário da neurose obsessiva. O que o paciente teme neste caso é a recordação de um ataque de ansiedade. também. Freud ressalta que nem todo tipo de fobia apresenta o traço obsessivo que caracteriza as fobias comuns (medo exagerado das coisas que todos detestam ou temem). EB. mas não relacionada a ideias provenientes da vida sexual. as operações de recalque e defesa. A operação de substituição é tomada. “As neuroses de defesa”. Em “Obsessões e fobias” (1895[1894].97).. Regido pela teoria da sedução. Deste modo. Os quatro tipos são: histeria. como funcionaria a substituição na melancolia? O rascunho anexo à carta escrita no primeiro dia de 1896 . EB. p. Freud aventa a possibilidade da melancolia episódica ser efeito da submissão do eu à obsessão. tanto quanto eu posso perceber.166). ao mesmo tempo. As diferenças entre ambas são: enquanto as obsessões são mais variadas. por sua vez.

cit. O aparecimento da neurose estaria sujeito às mesmas causas de seus protótipos afetivos. foram associadas ao desprazer. grifos do autor). p. O eu dividido entra em cena. Curiosa também é a correspondência entre paranóia e mortificação e amência e luto. Freud descreve a paranóia. devendo a causa satisfazer a duas outras pré-condições: que sejam de natureza sexual e que ocorram na infância. Freud postula que esta estratégia.. num determinado momento. ou seja. Vejamos. hipocondria (medo dos efeitos corporais). p. a identificação e o estranhamento..168). Divide os sintomas em quatro categorias: os sintomas primários de defesa. mas é antes incitado por eles a fazer tentativas de explicá-los. Retornemos ao tema da auto-recriminação devido à sua importância no quadro fenomenológico e metapsicológico da melancolia.166). op.. Como observa Freud. cit. mortificação e luto. Quando. aqui está resumido o plano afetivo e são recenseados os sintomas apresentados quase 20 anos mais tarde.afetos: conflito. p. e sim a um dano permanente ao ego” (FREUD apud MASSON. ainda neste rascunho. eficiente para as lembranças e pensamentos. “os delírios assimilatórios devem ser interpretados . apresentando um novo modo de pensar a formação dos sintomas. delírios de perseguição (medo dos efeitos sociais) e vergonha (medo de que outras pessoas tenha conhecimento da ação censurável)” (Id.163). Com relação à defesa contra o desprazer. As principais diferenças entre as neuroses estão na maneira como as ideias recalcadas retornam (esta é a principal delas). Já neste rascunho a melancolia partilha de um ambiente teórico diferente daquele em que vinha sendo estruturada. auto-recriminação. fracassa em relação às percepções que. esboça os primeiros passos de uma teoria do eu que só muito adiante será „sistematizada‟. aqui denominado por “afeto da auto-recriminação” (FREUD apud MASSON. p. no modo como se formam os sintomas e no rumo tomado pela doença (Ibid. O ego não está mais diante do sintoma como um opositor. no período anterior à maturidade sexual. no texto “Luto e melancolia”. Os tipos se diferenciam dos afetos apenas “no sentido de não levarem a resolução alguma. os secundários de defesa e os de submissão (catástrofe) de ego. op. não encara os sintomas secundários “como estranhos a ele próprio.165). Postula a desconfiança como uma defesa à auto-recriminação. Curiosamente. Ao relacionar os tipos de sintomas. Freud antecipa as questões relativas ao sentimento de culpa inconsciente. Propõe quatro exemplos da transformação deste afeto: “angústia (medo das conseqüências da ação a que se refere a autorecriminação).. os de compromisso do retorno do recalcado. que podem ser descritas como delírios assimilatórios”(Ibid..

) Caso o evento traumático encontre saída numa manifestação motora. op. de um lado. confere à distorção a crença que foi negada à censura primária. será esta que se irá transformar na ideia limítrofe e no primeiro símbolo do material recalcado. Assim não há necesidade de presupor que alguma ideia esteja sendo reprimida a cada repetição do ataque primário.) O recalcamento não se dá pela construção de uma ideia antitética excessivamente forte. op. p. como acontece mais freqüentemente e com maior gravidade nos delítiros protetores (megalomania). descrito anos depois. No tópico sobre a histeria. que é para onde conduz a paranóia. O seu raciocínio alcançará justamente a melancolia: O processo termina quer na melancolia (sentimento de pequenez do ego). p. 1993. seria uma espécie de delírio assimilatório.. A este respeito. p.. cit. o corpo começa a pensar” (FERENCZI apud PINHEIRO. seu sintoma primário é a manifestação do sobressalto.168. parece que o fundamental é descrevê-la como sintoma e não particularizá-la como estrutura. mas é antes obrigado a permitir uma manifestação da descarga . o buraco no psíquico deixa de produzir sintoma como expressão do . A projeção . (. trata-se primordialmente de uma lacuna na psique (FREUD apud MASSON. Esse primeiro estágio da histeria pode ser descrito como histeria de sobressalto. descrito como “um complicado processo consciente de pensamento” (Ibid. Freud diz algo muito curioso: A histeria começa pela subjugação do ego.). o mesmo sintoma . antecipando a ideia de que o recalcado não recobre todo o inconsciente.como o início da alteração do ego. é uma parte não distorcida da recordação traumática.52). acompanhada por uma lacuna na psique.subjugação do ego . uma expressão exagerada de excitação. agora à paranóia. (.169-70). de maneira secundária. quais sejam: 1) A ideia de que descarga (ou a manifestação motora) vira símbolo. um delírio que atesta a derrota da defesa? A melancolia é aqui tomada como um dos pontos limites de uma catástrofe: um sintoma de submissão do ego. uma declaração de derrota. mas sim pela intensificação de uma ideia limítrofe porque.. O delírio de ruína. O aumento da tensão na experiência primária de desprazer é tão grande que o ego não resiste a ela e não forma nenhum sintoma psíquico. cit. de outro.. 2) A ideia de que a subjugação do eu tem. Antes associada à obsessão. por efeito.169). pp.elemento determinante da paranóia envolve a recusa em acreditar na auto-recriminação. Quatro ideias contidas neste trecho. ou seja. a partir de uma observação clínica da histeria. Em outras palavras. e não como um sintoma de defesa secundária” (Id. nos interessam para pensar a metapsicologia da melancolia. até o ego ser completamente transformado (FREUD apud MASSON. ele pertence ao ego e.. “toda vez que o psíquico falha. a não constituição do sintoma a partir do recalcado..em geral.. quer. grifos nossos). que.fará o elo entre histeria e paranóia.

Freud (apud MASSON. cit.190]). Talvez exista uma questão de fundo quanto à precisão de quem é o agente da inibição e as condições (do ponto de vista econômico) em que este se encontra. quase todos. A melancolia se diferenciará das psicoses aparecendo ao lado de processos psíquicos como o esgotamento (que tem. “provém da tendência à auto- . Ao mesmo tempo. ao final da carta.recalcado. Freud já havia pensado que um dos objetivos da inibição é o de retardar a ação ou a descarga. 4) Uma nova concepção de identificação. Os sintomas surgem a partir do conflito entre os processos psíquicos inibidos e os não-inibidos pelo pensamento.. pensar na inconsistência do dispositivo da inibição é pensar um sujeito em que a tela de proteção está esburacada. p. Os sintomas são. quando a melancolia era sinônimo de um incremento da força da inibição. é aparentemente diferente do que fora dito antes. como arbitrária. 3) A relação do eu com a surpresa. Tendo a defesa como báscula. a histeria está no extremo oposto da paranóia . formações de compromisso entre as forças psíquicas que entram em conflito quando ocorre o recalcamento. no que se refere à relação inibição/melancolia. por etiologia. ao mesmo tempo. o ego deve ter jogo de cintura para. de modo a dar tempo para que se averigúe as indicações de realidade. Portanto. Após a morte de seu pai. Ao distingui-la das psicoses. por exemplo. da equivocidade. deve haver uma suposição de um ego atento. É tomada como um distúrbio que tem. em carta a Fliess (02/11/1896). a produção de ato falho. p. Um intervalo de cinco meses separa o “Manuscrito K” daquele conhecido como “Carta 46” (30/05/1896). “os sonhos como protótipo” [FREUD apud MASSON. Retornaremos a este ponto quando tratarmos da questão dos efeitos de linguagem produzidos nestes pacientes. ao contrário do papel da natureza da cena (devido a sua relação com a defesa) e o momento que esta ocorre. etc.203) conclui.a neurose de defesa por excelência. Estaremos diante de um mecanismo que não é o da substituição. forças estas relativas à atenção modulada pela defesa e à força quantitativa da representação. o decréscimo da força da inibição pelo pensamento. Freud subscreve um novo golpe na teoria do recalque. O que está sendo dito neste contexto. Desde o “Projeto”. distinção qualificada. antecipar e postergar. fato que obstaculiza. mas sem „caixa‟ para investir na inibição. que o sonho é um derivado do luto. Esta elasticidade é impossível de ser mantida em quadros de melancolia. afirmando que o momento em que este se dá não tem nenhum significado para a escolha da neurose. op.

recriminação que costuma instalar-se entre os que permanecem vivos” 1. por identificação. como punição por meio da ideia de retaliação. ou seja. É a última menção ao tema nas cartas do período (31/05/1897. Com este enfoque. estará mais próxima das neuroses. 1 Compilador das cartas. Neste “Rascunho”. enquanto a melancolia resulta do recalcamento dos impulsos. no caso da melancolia. em “Luto e Melancolia”. desde então. Abrem-se as cortinas ao modelo que será proposto quase vinte anos depois.. cit. mas esta reaparece novamente alinhada ao afeto do luto. a a (1900) em que Freud declara que sua produção (o livro) . pode afirmar que a angústia aparece como produto do recalcamento das fantasias. No entendimento apresentado. a teoria do recalque. p. como auto-recriminação e. Separando as lembranças em impulsos e fantasias. p.. Freud retoma a teoria da angústia sob uma outra perspectiva. por ocasião da doença ou morte. “Rascunho N”). el mesm . retornando. Neste contexto. o ódio é recalcado pela compaixão. a angústia era derivada do desvio da excitação sexual somática. mais particularmente da neurose obsessiva (FREUD apud MASSON. Até aqui. É ainda neste rascunho que retorna a associação entre melancolia e afeto do luto. produz a reorganização da teoria das neuroses e do psiquismo. O abandono da teoria da sedução. algumas mudanças numa teorização sobre a melancolia são introduzidas. uma reação à perda mais pungente de sua vida. também uma confessa homenagem ao pai. na histeria. Masson retoma o prefácio à segunda edição de “A interpretação dos sonhos” é.251-53). op.251) contra os pais. na etiologia das neuroses. A pergunta inicial de Freud era sobre o destino dos “impulsos hostis” (Ibid. problematizando. A melancolia aparece relacionada à ação e à defesa.