TEIXEIRA, MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA E

CONSULTORIA
Rua Pedro Oliveira Rocha, nº 189, salas 101-108, Farol, Maceió/AL – Fone: 0xx82 – 338-4327

PARECER

CJ – Rio Largo nº 047/2001
INTERESSADO: Município de Rio Largo.
ASSUNTO: Doação de imóvel dominical para edificação industrial.

Doação de imóvel público dominical
para fins de edificação industrial –
Requisitos – Efeitos – Transferência a
terceiros pelo beneficiado – Cessão de
uso.

Trata-se de consulta dirigida a esta Consultoria
Jurídica pela Exmª Sra. Prefeita Municipal de Rio Largo-AL, no
sentido de que se opine sobre a possibilidade legal da abdicação,
pelo beneficiado por doação de imóvel público dominical, em favor
de terceiros, para fins de edificação industrial, e se, caso a resposta
seja positiva, há a necessidade de autorização legislativa para esse
escopo. Pergunta ainda qual o instrumento a ser usado na
transferência da titularidade do bem.
RESPOSTA:
As ações administrativas, em qualquer nível de
governo - seja federal, estadual ou municipal - estão sempre
sujeitas aos limites impostos por diversos princípios e normas

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dos Estados. MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA E CONSULTORIA Rua Pedro Oliveira Rocha. publicidade e. em sua unanimidade. as contidas na Lei n° 8. que a atividade administrativa é essencialmente uma atividade infralegal. prévia avaliação. na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei textualmente autoriza. tanto que. as normas pertinentes à alienação de bens dominicais (não afetados com uma finalidade pública específica) são. subordinada à existência de interesse público 2 . como se vê: Art. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. A alienação de bens da Administração Pública. 37. 37 . Em outras palavras. que.666/93. da atual Constituição Federal.TEIXEIRA. ou seja. No caso em questão.A administração pública direta. permite dizer. moralidade. salas 101-108. como regra geral e sem prejuízo de legislação municipal que não as afronte. Farol. especialmente os estabelecidos no art. sem qualquer receio. licitação e autorização legislativa. em seu artigo 17. enquanto nas relações particulares é lícito fazer tudo que a lei não proíbe. nº 189. observa-se que a legalidade e validade dos atos administrativo estão atreladas ao estrito cumprimento da lei. exige a demonstração de interesse público. Desta forma. indireta ou fundacional. entendem os doutrinadores que na Administração Pública não há liberdade pessoal. fora da lei não há espaço para atuação regular da Administração. impessoalidade. 17. Observe-se: Art. ao destacar o princípio da legalidade. ao seguinte: O preceito constitucional acima citado. de qualquer dos Poderes da União. Maceió/AL – Fone: 0xx82 – 338-4327 legais. também. caput.

Como o ofício encaminhando a consulta a esta Consultoria não veio acompanhado da cópia do processo de doação. passa esta Consultoria a desdobrar sua resposta em dois tópicos. basta que tenha faltado um dos requisitos acima para que se invalide a alienação. considerando. ou não.quando imóveis. dependerá de avaliação prévia e de licitação na modalidade de concorrência. Maceió/AL – Fone: 0xx82 – 338-4327 devidamente justificado. salas 101-108. para todos. inclusive as entidades paraestatais. quando a transferência do imóvel para terceira pessoa é perfeitamente possível. a avaliação do imóvel. dependerá de autorização legislativa para órgãos da Administração direta e entidades autárquicas e fundacionais. licitação e autorização legislativa). no processo de doação do imóvel pertencente ao patrimônio público do Município de Rio Largo à empresa Fortes Indústria e Comércio de Beneficiamentos de Arroz e Gênero Alimentício Ltda. MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA E CONSULTORIA Rua Pedro Oliveira Rocha. será precedida de avaliação e obedecerá às seguintes normas: I . nº 189. e. que tenha obedecido a todos os requisitos já delineados (entre eles prévia avaliação. PRIMEIRA HIPÓTESE: CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS E VALIDADE DA ALIENAÇÃO A primeira hipótese é a que considera o processo de alienação como válido e regular. o contrato de doação e a lei municipal que autorizou o ato. a validade da alienação. mesmo que a escritura já tenha sido lavrada. dispensada esta nos seguintes casos Logo se percebe que. no caso estudado. pois o poder de dispor da coisa é inerente ao proprietário. constando a concorrência pública (modalidade exigida por lei para hipóteses tais). isto é. Farol. o proprietário é a Fortes Indústria e Comércio de Beneficiamentos de 3 . e.TEIXEIRA.

de acordo com 4 . Farol. a melhor forma de uso de imóvel público para fins de edificação industrial seja a concessão de uso de imóvel. ele é. Maceió/AL – Fone: 0xx82 – 338-4327 Arroz e Gênero Alimentício Ltda. e a alienação terá natureza privada (sem intervenção do Poder Público). nº 189. em sua totalidade. nulo de pleno direito. por esses motivos. Não obstante. SEGUNDA HIPÓTESE: DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS E NULIDADE DA ALIENAÇÃO Se ocorreu o contrário. licitação e autorização legislativa). É despiciendo dizer que. como prévia avaliação. é de se concordar que. deve ser elaborado um novo processo administrativo para esse fim. salas 101-108. como vendê-lo. espécie contratual pela qual o Poder Público mantém a sua titularidade. o imóvel continua a pertencer ao Município. ou transferi-lo sob qualquer domínio. salvo se a doação feita pelo Poder Público tiver sido condicionada. ou de qualquer outra pessoa. talvez. mas faculta ao particular a utilização privativa de bem público. e para que ele possa ser alienado em favor da Distribuidora Mineira Indústria e Comércio Ltda. se o processo de alienação não tiver obedecido a todos os requisitos elencados (basta o descumprimento de um deles. quer dizer. Exemplo de condição é o cumprimento de prazo mínimo para instalação e exploração do negócio afetado. nessa hipótese. e não mais o Município. oportunidade em deverá ser cumprido a risca o disposto no artigo 17 já transcrito. não há necessidade de nova autorização legislativa. não só a empresa pode doar o bem. e a condição não tiver sido adimplida. Assim. conquanto que visando o interesse público.TEIXEIRA. Por conseguinte. MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA E CONSULTORIA Rua Pedro Oliveira Rocha.

permanecendo a propriedade do bem com o Município. visto que os prazos são. proíbe a realização de contratos por prazos indeterminados. prolongados. Caracteriza-se por ser usado preferencialmente quando há necessidade de investimentos de maior vulto.666/93. tendo prazo certo. § 3°. Por tudo que foi anteriormente posto. MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA E CONSULTORIA Rua Pedro Oliveira Rocha. lembrando que isto deve ser feito mediante lei. salas 101-108. As vantagens para o poder público são duas. o que faculta o Município fixar a espécie que melhor lhe convier (considerando que a competência para legislar sobre licitações é concorrente). uso para outros fins públicos de maior vulto. bem como. Portanto. ela não poderá ser despojada de seu direito de utilização privativa antes do termo final. inclusive a carta convite. como o caso em questão. por seu turno. Para a empresa interessada. em resposta à consulta efetuada pela Exmª Sra. a não ser por relevante interesse público e mediante justa indenização. a concessão pode ser alterada ou mesmo revogada. entende esta Consultoria Jurídica ser legal a alienação de 5 . etc. Farol. como o fim das atividades industriais. A segunda vantagem é que. em seu artigo 57. não há maiores diferenças ou desvantagens. A primeira. apesar da exigência de licitação. a lei omite-se quanto a modalidade a ser empregada.TEIXEIRA. Prefeita do Município de Rio Largo-AL. já que a lei n° 8. daí decorrendo estabilidade para o concessionário. o procedimento é mais simplificado. de regra. nº 189. Maceió/AL – Fone: 0xx82 – 338-4327 sua destinação. é que. caso haja alteração na situação de fato que motivou a concessão.

entende esta Consultoria Jurídica ser ilegal (nulo de pleno direito) o contrato de doação de imóvel público dantes referido. hipótese em que. Por último.810 6 .OAB/AL nº 4. anteriormente adquirido por meio de contrato público de doação. averbando-se tal circunstância no Cartório de Registro competente.TEIXEIRA. 7 de novembro de 2014. por seu proprietário particular. Não cumpridos os requisitos e condições acima. caso em que a transferência de propriedade se reputa irrevogável. motivo pelo qual se pode dizer que ele permanece sob a propriedade do Município. Maceió-AL. seja o ato declarado nulo de ofício. desde que esta (doação) tenha respeitado os requisitos contidos no artigo 17. sob pena de cometimento de ato de improbidade administrativa. nº 189. nos termos das considerações acima expostas. da Lei n° 8.666/93. sugere-se fazê-la mediante concessão de uso. a se confirmar o interesse público na cessão do imóvel. e que todas as condições porventura existentes no contrato de doação tenham sido cumpridas. Maceió/AL – Fone: 0xx82 – 338-4327 imóvel. Farol. ALEXSANDRE VICTOR LEITE PEIXOTO Advogado . a se confirmar a segunda hipótese (ilegalidade da doação). Este é o nosso entendimento. salas 101-108. RECOMENDA-SE que. MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA E CONSULTORIA Rua Pedro Oliveira Rocha. salvo melhor juízo.

OAB/AL nº 5.OAB/AL nº 924 7 . salas 101-108. Maceió/AL – Fone: 0xx82 – 338-4327 JOÃO LUÍS LOBO SILVA Advogado . Farol.TEIXEIRA.032 De acordo. MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA E CONSULTORIA Rua Pedro Oliveira Rocha. MARCELO TEIXEIRA CAVALCANTE Advogado . nº 189.