TEIXEIRA, MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA & CONSULTORIA

Rua Pedro de Oliveira Rocha, 189, Farol, Maceió – AL / Fone: 338-4327

PARECER: AJ – Traipu n° 057/2001.

INTERESSADO: SECRETÁRIO DE ADMINISTRAÇÃO DE TRAIPU.
ASSUNTO: FUNDO MUNICIPAL DE APOSENTADORIA E PENSÃO.

Trata-se de consulta dirigida a esta Assessoria Jurídica, a
pedido do Exmo. Sr. Secretário de Administração do Município de Traipu, no sentido de
que se opine sobre a legalidade da Lei n° 458/2001, que criou, no âmbito municipal, o
Fundo de Aposentadoria e Pensões.
I - Considerações iniciais
É facultada aos Municípios a constituição de fundos, compostos
por bens móveis e imóveis, com a finalidade de financiar, ou complementar, os
serviços públicos de um modo em geral. Na esfera previdenciária, o caráter que
predomina é o de financiamento, ou seja, o regime previdenciário é financiado, em
regra, pelos os recursos que constituem o fundo, e apenas complementarmente pelos
recursos do tesouro Municipal, quando for o caso.
É por esse motivo que, desde sua criação, o fundo passa a ter
autonomia administrativa e financeira, nos limites fixados pela lei.
Por outro lado, é da essência dos fundos previdenciários que
eles sejam capitalizados regularmente pelos instituidores, e que seu ativo seja
aplicado no mercado financeiro e de imóveis. Assim é que, no caso de Municípios
pequenos (e pobres), os quais não dispõem de capital suficiente para a constituição
dos fundos, é despiciendo sua criação.
Com as considerações acima, passa-se a analisar os pontos
mais relevantes da lei n° 458/2001.
II - Do objetivo – art. 1°, caput
Entre as ressalvas que a Lei em referência merece, está a
contida no caput do artigo primeiro, que excluiu dos seus objetivos o custeio de
benefícios como a aposentadoria, bem como exclui a finalidade de capitalização de
seus recursos. Melhor redação seria a seguinte:
Art. 1°. Fica criado o Fundo de Aposentadoria e Pensões do Município de
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deve ser complementado pelo Município. seria preciso que os recursos oriundos das contribuições lhe fossem repassados diretamente. Para que o Município assumisse o ônus dos pagamentos. Parágrafo segundo . das autarquias e das fundações instituídas e mantidas pelo Município. § 2° O parágrafo não determina o dia exato no qual as contribuições devem ser repassadas. inciso II. o que pode gerar situações inconvenientes. das autarquias e das fundações instituídas e mantidas pelo Município. III .Do repasse das contribuições – artigo 3°. aplicar recursos provenientes das contribuições e transferências do Município e das contribuições dos seus segurados.Da responsabilidade do Tesouro Municipal – parágrafo único do artigo 1° Com a criação do fundo. a alocação de recursos orçamentários destinados à cobertura de eventuais insuficiências técnicas e financeiras reveladas no plano de custeio. motivo pelo qual a redação deverá ser a seguinte: § 2° . a que fazem jus os servidores públicos da administração direta. alocadas pelo Município ao Orçamento da Secretaria de Administração. 189. com o objetivo de: I. como se verá melhor adiante. 2 .As contribuições previstas nos incisos I e II serão creditadas até o dia 05 do mês subseqüente ao da competência. o que é ilegal. quando necessário. a abertura de créditos adicionais visando assegurar. desta Lei. II. desdobrando-o. como a seguir: Parágrafo primeiro . esse deve assumir o custeio dos benefícios previdenciários. Farol.As despesas para a manutenção dos serviços administrativos e operacionais do FAPET correrão à conta de dotações próprias. IV . apenas quando seu orçamento não for suficiente para tanto. o Município poderá propor. Portanto. e. Maceió – AL / Fone: 338-4327 Traipu – FAPET. MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA & CONSULTORIA Rua Pedro de Oliveira Rocha. ao FAPET.TEIXEIRA. além de insegurança administrativa.Os recursos do FAPET destinam-se ao custeio dos benefícios previdenciários de aposentadoria e pensões. Parágrafo terceiro . prover recursos para o pagamento dos benefícios de aposentadoria e pensão aos segurados oriundos dos Poderes Executivo e Legislativo. sugere-se a retificação da redação do parágrafo único.Sem prejuízo de sua contribuição estabelecida no artigo 3°. na forma prevista na Lei Orgânica Municipal e no Estatuto dos Funcionários Públicos do Município de Traipu.

sugere esta 3 . Por isso que os servidores públicos. da Portaria MPAS n° 4. da Lei n° 9. VII . indicarão 02 (dois) representantes. como se vê: Art. é de R$ 50. os fundos previdenciários não poderão. conceder empréstimos a quem quer que seja.Conclusão De todo o exposto. 19. no mínimo. Art. Os servidores municipais. e os pensionistas. Cabe lembrar que o artigo 17. a 7% (sete por cento) do valor total da despesa com pessoal. da lei em apreço. da ativa. Os servidores municipais inativos indicarão 01 (um) representante. MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA & CONSULTORIA Rua Pedro de Oliveira Rocha. no ano imediatamente anterior.992/99. podendo escolher seus representantes sem ingerência do Poder Executivo. Logo. Maceió – AL / Fone: 338-4327 V . VIII . em hipótese alguma. detêm o direito de integrar os Conselhos deliberativos.000. para serem nomeados pelo Prefeito.TEIXEIRA.Do aporte inicial No artigo 28 fica estipulado que o aporte inicial. devendo ser suprimidos.717/98. 189. e seu respectivo suplente. em seu parágrafo 2°. sugere-se uma mudança na redação dos artigos 18 e 19. mesmo aos seus segurados. para ser nomeado pelo Prefeito. é ilegal. ativos e inativos. a ser integralizado pelo Município.Dos empréstimos – Artigo 4° Nos termos do artigo 6°.00 (cinqüenta mil reais). Por este motivo. e seus respectivos suplentes.Dos representantes dos servidores – artigos 18 e 19 Um dos princípios que regem a previdência social é o da participação democrática na gestão administrativa. considerando as razões supra. inciso V. o disposto nos artigos 4° e 5°. ativo e inativo. 18. Farol. VI . determina que o capital inicial do fundo deve corresponder.

7 de novembro de 2014. no sentido de alterar a Lei n° 458/2001. Maceió – AL / Fone: 338-4327 Assessoria Jurídica o envio de projeto de lei à Câmara Municipal. Maceió/AL. Farol.810 De Acordo: Marcelo Teixeira Cavalcante Advogado-OAB/AL n. notadamente quanto aos itens III. 189. salvo melhor juízo.º 924 4 .TEIXEIRA. Este é o entendimento. MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA & CONSULTORIA Rua Pedro de Oliveira Rocha. V e VII. com as alterações já assinaladas. e outras sanções administrativas. sob pena de crime de improbidade administrativa. ALEXSANDRE VICTOR LEITE PEIXOTO Advogado – OAB/AL n° 4. como impedimento para realizar convênios com os demais entes públicos.