TEIXEIRA, MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA & CONSULTORIA

Rua Pedro de Oliveira Rocha, 189, Farol, Maceió – AL / Fone: 338-4327

PARECER: AJ – Traipu n° 059/2001.

INTERESSADO: SECRETÁRIO DE ADMINISTRAÇÃO DE TRAIPU.
ASSUNTO: GUARDA CIVIL MUNICIPAL.

Trata-se de consulta dirigida a esta Assessoria Jurídica, a
pedido do Exmo. Sr. Secretário de Administração do Município de Traipu, no sentido de
que se opine sobre a legalidade da Lei n° 457/2001, que criou, no âmbito municipal, a
Guarda Civil.
Da função da guarda municipal
A polícia é uma instituição de direito público que tem por
princípio a manutenção da paz pública, o que se faz mediante uma ação de caráter
preventiva, e outra repressiva. A ação repressiva, ordinariamente denominada função
judiciária, atua no sentido de, após o cometimento de algum crime ou infração, colher
elementos que possam investigar e esclarecer esses ilícitos, e, por conseguinte,
permitindo a instauração da competente ação penal contra os autores do fato. Ela é
desempenhada pela Polícia Civil, no âmbito dos Estados, e pela Polícia Federal,
quando houver algum interesse da União.
Já a ação preventiva, também chamada de função
administrativa, atua visando impedir o cometimento de algum fato tipificado como
antijurídico, seja esse fato lesivo às pessoas de um modo em geral, ou ao patrimônio,
público ou particular. Essa é a função desempenhada pela Polícia Militar.
Veja-se que o traço distintivo entre uma e outra função está no
momento do cometimento da lesão: a preventiva atua antes de sua realização,
evitando-a. A judiciária, atua após esse momento, permitindo a responsabilidade do
seu causador.
Não obstante a polícia preventiva ser exercida pela Polícia
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nos termos do artigo 37. pois não auxilia as Forças Armadas. 189. tal como ordena o parágrafo 5° da norma citada. 2 . pode fazer. sem o devido preparo psicológico (o que inclui boa remuneração. A ostensividade é caráter exclusivo da Polícia Militar. sob pena de inconstitucionalidade. deve ser excluído o substantivo “dos cidadãos”. ela não é civil. permite a criação. aparentemente. com a seguinte redação: “à qual caberá a vigilância e proteção dos cidadãos. deve-se atentar para o fato de que. Por esse motivo ela não pode ser ostensiva. serviços e instalações. parágrafo 8°. pois as funções previstas para a guarda são permanentes. recomenda-se parcimônia na autorização para uso de arma de fogo pelos servidores que integrarão o quadro de pessoal da guarda municipal. no sentido de que não pode reprimir infrações penais como o faz a polícia civil propriamente dita. sua atuação deve limitar-se aos locais onde se prestam os serviços ou onde se encontram os prédios públicos. bens e serviços municipais”. nenhum impedimento para que a guarda municipal seja armada. inclusive com conseqüências lesivas para bens como a vida humana. apesar de não existir. Como se vê. mesmo que seja o da pessoa do administrador público) e os serviços públicos. exclusivamente. ou seja. a Constituição Federal. o que passaria para a competência da Polícia Militar. Farol. é válido dizer que o artigo 7° da lei em apreço é inconstitucional. um homem. salvo se o Município de Traipu estivesse em estado de comoção interna. apoio administrativo) ou técnico (correto manejo de arma de fogo. e é provável que o faça. no local de trabalho. Deste modo. Maceió – AL / Fone: 338-4327 Militar. Da necessidade de concurso público Sem maior esforço interpretativo. Não é o caso. do que chama guarda municipal. fazendo-o para seu desempenho. Em sendo assim. destinada à proteção de seus bens. da Constituição Federal. os integrantes de seu quadro de pessoal devem ser contratados mediante concurso público. inciso II. mau uso de suas funções. boa estrutura familiar. Destarte.TEIXEIRA. Sua única e exclusiva função é proteger o patrimônio municipal (e não particular. em seu artigo 144. pelos municípios. Tal ilação decorre o fato de que a contratação temporária apenas pode ocorrer quando houver excepcional interesse público. como força castrense preventiva. defesa pessoal. nem é militar. na oração gramatical contida no caput do artigo 1°. MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA & CONSULTORIA Rua Pedro de Oliveira Rocha. etc). Por fim. mesmo investido de prerrogativas legais.

direitos e obrigações dos servidores. sem distinção. que faz referência a Decreto do Poder Executivo como disciplinador do pessoal integrante do quadro da guarda. 7 de novembro de 2014. no caso. à falta de lei específica que diga o contrário. ALEXSANDRE VICTOR LEITE PEIXOTO Advogado – OAB/AL n° 4. os servidores da guarda municipal. é inconstitucional. Este é o entendimento.810 De Acordo: Marcelo Teixeira Cavalcante Advogado-OAB/AL n.º 924 3 . o artigo 5° da legislação ora em comento.TEIXEIRA. o próprio artigo 5° é despiciendo. quer dizer. de 23 de março de 2001. Portanto. como se depreende da leitura do artigo 37. que faz referência ao parágrafo único do artigo 3°. o que engloba. revogar o artigo 5°. por conseguinte. Farol. Conclusão De todo o exposto. Recomenda-se. Maceió/AL. Maceió – AL / Fone: 338-4327 Do regime de pessoal disciplinado por lei O regime de pessoal do poder público deve ser disciplinado por lei em sentido estrito. encontra respaldo na Constituição Federal. ainda. MARTINS & FEITOSA – ADVOCACIA & CONSULTORIA Rua Pedro de Oliveira Rocha. considerando as razões supra. incisos II e X. salvo quanto aos artigos 1° e 7°. salvo melhor juízo. inclusive quanto à remuneração. 189. o Regime Jurídico Único se aplica a todos os servidores públicos de Traipu. vantagens. da Constituição Federal. Aliás. tudo conforme a fundamentação acima. considerando que. devendo-se. sua revogação. entende esta Assessoria Jurídica que a Lei n° 457/2001.