Do Brasil Colônia ao Brasil Império

Indica que as transformações nas diversas esferas da sociedade brasileira
estiveram intimamente ligadas à conjuntura internacional, em que o Brasil,
historicamente, ocupou uma posição de subordinado em relação aos países mais
desenvolvidos economicamente.
Apesar das lutas dos vários movimentos sociais para a eliminação das
diferenças, a situação de desigualdade ainda persiste. Desde a colônia, quando o
território tinha caráter meramente exploratório, onde todas as riquezas eram canalizadas
para Portugal, o que fez surgirem movimentos de contestação à opressão vivida pelas
classes subalternas, na busca pela organização de uma sociedade livre.

A participação popular na luta pela emancipação
A insatisfação popular com a situação de subalternidade em que o Brasil vivia
ganha mais força a partir do século XIX. Movimentos como a Conjuração dos Alfaiates,
a República de 1817 e a Confederação do Equador são exemplos de manifestações que
contaram com a participação popular. A partir da década de 1830, as tendências liberal e
conservadora estavam presentes nos movimentos que eclodiram no Império, num
conflito ideológico que procurava se posicionar diante do governo, que era arbitrário e
centralizador.
As idéias liberais e os interesses dominantes
Propõe que, a partir de meados do século XIX, as idéias liberais foram
ressignificadas pelo povo, que criou um ideário libertário contrastante com as
pretensões do governo. Cresce a insatisfação com os impostos, o não-direito à terra e
com outras formas de exploração dos menos favorecidos.
O grosso da população percebeu que não havia projeto político que a abarcasse,
uma vez que estava sujeita aos interesses oligárquicos. Um dos reflexos desse jogo de
interesses está no processo de abolição da escravidão. Sob o controle das oligarquias
agrárias, e atendendo também a interesses externos, a abolição favoreceu à própria
oligarquia, agora cafeeira, cujo desenvolvimento demandava mão-de-obra mais
qualificada.
Os movimentos sociais na República e a cidadania

Isso marcou profundamente a maneira de atuação dos movimentos sociais em todo o período republicano. mesmo em meio a muitas dissidências os movimentos sociais diversos uniram forças para a realização de lutas gerais e houve uma enorme participação popular nas discussões dos problemas sociais. a revolução russa de 1917 trás uma nova perspectiva de uma revolução proletária no Brasil. revelando as condições de exclusão em que se encontrava a classe trabalhadora. Os movimentos sociais e a cidadania . entretanto. as greves em defesa s de direitos mais amplos inicia-se entre 1917-1920. é o mesmo estado que nega a partir de 1930 os direitos políticos e de livre organização dos trabalhadores. do fato de haver uma luta interminável desde o início do século XX. numa busca de vida digna. No inicio da década de 1920 o movimento proletário é freado por inúmeras repressões. essa concessão é na verdade os frutos de uma luta dos operários por seus direitos. esse mesmo estado que “concede” direitos ligados a área trabalhista. ainda em meados de 60. ou seja. Não se pode desapegar esse consentimento de direitos pelo estado. os movimentos levantaram a bandeira da luta pela conquista da cidadania. Por não terem seus direitos assegurados pelo estado. grandes mobilizações no meio urbano e rural proporcionaram algumas conquistas como o estatuto de Trabalhador Rural. Daí a necessidade de luta pela terra e por outros direitos substanciais. no final da mesma década sob influência dos comunistas esse movimento viria a ter forças novamente. e ainda se tratando de estado. em meados da década de 1900 as lutas eram destinadas a defesa de poucos direitos políticos e ações voltadas as questões econômicas.A recessão provocada pela primeira guerra mundial trouxe a diminuição do emprego e o achatamento social. livre de desigualdades. porém.Ressalta que a primeira República teve seu caráter autoritário ilustrado em episódios como a repressão aos movimentos de Canudos e do Contestado. em muitos casos até suprimidos. porém. por tratarse da conquista da cidadania. entretanto esse crescimento seria novamente barrado na década de 30. O movimento operário e a luta por direitos Desde o início do século o movimento operário vê a necessidade de uma luta permanente pela conquista e manutenção de seus direitos.

e com a ajuda da Igreja Católica e de sua “teologia da libertação” a grande diferença entre essa revolução e a revolução de 64. impedia que o povo fosse as ruas para reivindicar seus direitos. Alguns movimentos que surgiram nesse período tiveram visibilidade por sua efetiva luta por direitos. e no Brasil. Essa nova revolução prova também ao governo o poder de auto-governo da sociedade. e ainda assim. Em meados da década de 70 a sociedade civil organizada passa a ter coragem e ir em busca de seus direitos. O movimento de Ação da Cidadania Contra a Miséria e pela Vida (ACCMV) . nos países de primeiro mundo capitalista a acumulação de capital monopolista tinha partes destinadas ao bem-estar social da população. enquanto na Europa os movimentos tinham como pressuposto a manutenção desse sistema. para seu bem-estar. uma constituição onde os populares tiveram voz ativa. essas duas dinâmicas sócio-econômicas afetaram também as dinâmicas dos movimentos sociais. os movimentos sociais lutavam por uma transformação. algo que parecia impossível para o governo. no Brasil. e outros por suas atitudes violentas. como o pretexto de proteger o país da ameaça comunista o governo acaba por cessar todos os direitos da população e de certa forma acaba por exterminar o poder dos movimentos sociais proibindo as manifestações que pudessem vir a atentar contra a “paz pública”. que foram deturpados pelo sistema de governo vigente. deixando o povo em um verdadeiro “mal-estar” social. O governo não oferecia o mínimo que a população precisava para sobreviver. esse registro reflete diretamente na constituição de 88. o movimento estudantil teve uma grande reformulação nessa época. diferente desses países a acumulação era apoiada por um sistema autoritário que beneficiava apenas as classes que margeavam esses governo. fato que reflete em 1980 no movimento das diretas já. é que dessa vez os movimentos sociais não tem ligação com partidos políticos e sindicatos. Assim como na deposição do Presidente Fernando Collor de Mello que movimentou vários seguimentos da sociedade e em especial o movimento estudantil. onde.O processo de grande participação popular nas lutas por soluções para os problemas gerais foram brevemente interrompidas com o golpe militar de 1964.

o movimento teve grande aceitação da sociedade civil organizada. o movimento perde força pelo fato de não mais ter tanta autonomia. esse sucesso não foi verificado no campo da geração de empregos. algum assentado possa chegar as vias de fato . teve um grande crescimento na década de 1980 quando passa a ter o apoio do Partido dos Trabalhadores (PT) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). o movimento surge no estado de Santa Catarina. movimento que tem como pressuposto de ação a luta pela reforma agrária. As grandes metas desse projeto foram as campanhas contra fome e a luta pela geração de empregos. movimentos que o fizeram ter uma notoriedade a nível nacional. os ideais de justiça social e combate a miséria foram disseminados pelo Brasil inteiro. O movimento começa a perder forças quando em 1995 o governo federal decide anexar tal movimento em um conselho. ponderando as consequências positivas e negativas dessas ações. ainda em 1995 o movimento tenta reorganizar-se em torno da luta pela reforma agrária. o sucesso do movimento vem de seus pressupostos de proposição e não só de reivindicação. uma das vertentes desse trabalho séria a proposta de ações estratégicas para combater a miséria. particularmente pelo envolvimento em prol do fim da fome. O movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) A tomada de consciência de uma população com a ajuda da Igreja Católica a partir da pastoral operária dá inicio em 1979 ao Movimento dos Trabalhadores sem Terra. sem tanta força de mobilização social que o fez tão notável. todas as ações de invasões são pensadas e bastantes planejadas de forma coletiva. porém. nada pode impedir que em alguns assentamentos (invasões).O ACCMV nasce de um estudo de combate a miséria produzido pelo governo federal e coordenado pelo sociólogo Herbert de Souza (Betinho). O MST tinha como marca a questão das “invasões” de terras improdutivas como forma de pressão nas negociações com órgãos públicos. mesmo com muito planejamento de estratégia. porém. mas. Na década de 90 o MST passa a ter participação em todos os estados Brasileiros contando com uma forte estrutura de apoio técnico e jurídico. segundo alguns teóricos. porém. Entretanto. através de comitês com relativa autonomia de decisões e de regras simples e diretas que eram mostradas em suas cartilhas distribuídas pelo Brasil. todo o trabalho foi moldado pelo espírito de indignação pelas injustiças sociais e os desmandos e falta de ética na política.

nos últimos anos o MST vem mudando sua forma de atuação analisando que não é somente invadir. e que a população trabalhadora do Brasil não é capaz apenas de organiza-se ou autogovernasse. . o MST vem ao longo desse tempo mostrando que o potencial reivindicativo da população é enorme.com milicianos e segurança privada das terras invadidas ou mesmo com a polícia quando essa efetua uma ordem judicial de despejo. mas também de ocupar terras e fazê-las produzir desafiando a estrutura secular do latifúndio enraizada em nosso país. é preciso também a formulação de uma dinâmica de produção continua para se fixar em tal local.