1-Quais as principais discussões abordadas pela autora no texto?

Vemos nas palavras de Costa uma preocupação pungente com a influência da mídia no espaço
escolar. As transformações operadas no ambiente escolar oriundas de uma mídia cada vez
mais ubíqua e agressiva. Avalia esta influência nos mais variados aspectos, desde a capacidade
reduzida de reflexão dos estudantes até a baixa qualidade de sua alimentação, por exemplo.
Mostra ainda o ambiente escolar como palco das mais variadas ações políticas, sociais e
mesmo como objeto de marketing social de grandes empresas.
2-Marisa Vorraber faz referência a alguns artefatos cullturais- Yu-Gi-Ohs e Barbies- e afirma
que tais artefatos contém pedagogias culturais. A partir das ideias expostas pela autora, qual
sua compreensão acerca do que é pedagogia cultural? Apresente alguns exemplos.
A Pedagogia cultural refere-se aos conteúdos e ações pedagógicas que são oferecidas pela
mídia que ao oferecerem produtos de entretenimento estão manipulando, de maneira sutil e
competente, comportamentos, atitudes todos oriundos desta influência. O objetivo principal
das estratégias da mídia é conseguir a identificação de um telespectador e os principais
influenciados acabam sendo a criança e o adolescente. Naquela propaganda de brinquedo,
desenho animado ou mesmo seriado eles encontram a sua idealização como serem fortes e
invencíveis como os Yu-Gi-Ohs ou serem ricas, loiras, magras e famosas como as Barbies. As
crianças são o público alvo da mídia e crescem nesse universo midiático podendo ter seu
desenvolvimento social e intelectual afetado.
3- Em seu texto, Marisa Vorraber diz que a produção das identidades infantis e juvenis está
associada ao consumo, tendo como principal fonte os discursos midiáticos. No corpo do texto
a autora apresenta alguns exemplos que respaldam este posicionamento- alimentos
vinculados a nomes de personagens, brinquedos que promovem estilos de vida, entre outros.
Você concorda com a autora? Por quê?
Acredito que a mídia exerça uma forte influência em crianças e adolescentes através de
desenhos, produtos caros , novelas, filmes, seriados etc. Os jovens são influenciados pelos
rostos bonito, tipos de cabelo, produtos utilizados pelos programas, como por exemplo tipos
de celulares, tablets- que hoje são os mais diversos- e isso faz com que desenvolvam o seu
lado consumista e capitalista.
Já para os pequenos, por exemplo, os Yu-Gi-Ohs influenciam de forma direta o
comportamento de meninos que antigamente se distraíam a brincar com carrinhos ou montar
pecinhas de quebra-cabeças ou blocos de montar, hoje, apresentam um comportamento
totalmente agressivo voltado para lutas e duelos com monstros que são representados muitas
vezes em salas de aula.Bem como a influência das Barbies que desde a descoberta da boneca
em suas vidas as meninas começam a se preocupar com padrões estéticos, consumo de
roupas – de preferência rosa- e também com a imagem: magras, belas e glamorosas,
semelhante a boneca.
Isso tudo acaba dificultando o papel da escola de formar cidadãos pensantes e que hajam
dentro de uma sociedade de forma determinada, acredito que o consumismo reforce o
egoísmo das mentes que estão se formando.

cinema.. filmes. de maneira ostensiva.100). com foco nas novelas. através de desenhos. especialmente sobre crianças e adolescentes. Percebe-se que os educandos possuem uma conexão entre escola – mídia-mercado. A mídia exerce influencia nos educandos antes mesmo da própria escola. tais pedagogias [. internet. blogs. valores e atitudes condizentes com a manutenção do sistema. Os jovens se deixam levar pelos rostos bonitos e produtos caros de que esses personagens fazem uso nesses contextos. o consumismo também reforça o egoísmo das mentes em formação. fabricam . e assim se destacasse dentre as instituições tradicionais de formação humana (escola. histórias em quadrinhos. qual é a importância de compreendermos o alcance e a influência que a cultura tem na produção das identidades e subjetividades? 4 O texto traz a analise da cultura contemporânea com base no sonho e consumo. 1997. o que desenvolvem seu lado consumista e capitalista. comportamentos. Sobre isso. outodoores. uma infinidade de artefatos culturais em formato audiovisual que atuam diretamente na educação dos sujeitos contemporâneos. Percebendo as transformações comportamentais ocasionadas pelo poder de influência dos produtos midiáticos. outdoors. celulares. rádio.101) “ Os setores populares não dispõem de nenhum recurso todo –poderoso para compensar aquilo que uma escola em crise não pode oferecer (Sarlo.p. reflita: enquanto professores/as. publicidade e Internet oferecem.4 -“ Assim. 1) esclarece: “[.p. jogos. peças publicitárias. antes de tudo as subjetividades forjadas em uma cultura regida pelo apelos de mercado” ( p. músicas. igreja e família) na definição de identidades e comportamentos.. no entanto “empobrecida material e simbolicamente não sabe como fazer para que sua oferta seja mais atraente do que a da cultura audiovisual” (Sarlo. telões e fotografias. O currículo cultural é expressão da pedagogia do capital para formar consumidores e ampliar mercados. Elas crescem imersas nesse universo midiatico e podem ter o seu desenvolvimento social e intelectual seriamente afetado. O desenvolvimento tecnológico que ocorreu ao longo do século XX possibilitou que essa instituição alcançasse de alguma maneira todos os segmentos sociais..106) A partir dos trechos apresentados e das ideias colocadas no texto. de maneira sutil e eficaz. A mídia hoje é considerada TV. por pesquisas realizadas nos últimos cinco anos. música. entre outros. “ A escola é uma dessas arenas.1997. As crianças são o publico alvo da industria do espetáculo elas são bombardeadas diariamente pela mídia. filmes.com Já não é mais possível compreender a sociedade. A intenção é conhecer os efeitos causados pela cultura midiatizada nos educandos e no ambiente escolar. desenhos animados. não podemos esquecer que os sujeitos dos currículos são . dificultando o papel da escola de formar cidadãos mais pensantes e socialmente determinados. musica etc. normalmente atrelada aos interesses do sistema capitalista de consumo. que são a grande audiência brasileira. rádio. desvelando a atuação pedagógica e as intenções ideológicas da indústria cultural. imprensa. pesquisadores da educação são estimulados a investigar coisas aparentemente distantes do mundo escolar: conteúdos de novelas. novelas. tendo como foco educação e cultura contemporânea. publicidade. imprensa. p.] produzem valores e saberes.102)” (p. desconsiderando a influência que a mídia tem sobre ela. Televisão. séries e minisséries. Sabat (2001. ou induzi-lo/a a consumir determinado produto. regulam condutas e modos de ser. indústria fonográfica.120) (p. Currículo cultural e pedagogia cultural se referem respectivamente aos conteúdos e às ações pedagógicas da mídia que ao oferecerem produtos para o entretenimento estão forjando. sendo os mais influentes internet e TV. brinquedos. De que forma o professor na sala de aula pode amenizar os efeitos causados por uma industria que investe pesado na publicidade de seus produtos e que muitas vezes aos olhos do aluno esse universo parece infinitamente mais interessante do que a escola? Currículo cultural: a pedagogia da mídia Ana Carmita Bezerra de Souza Doutoranda em Educação (UFC) E-mail: acarmitabs@gmail.] muito mais do que seduzir o/a consumidor/a. chats..

Essas são apenas algumas nuances de um currículo que colabora com a formação do jovem consumidor. desde abril de 1995. ora se apresentam de maneira velada. branca. mostrando durante mais de 12 anos o mesmo padrão físico que se naturaliza como belo. mostrando todos os personagens em um movimento interativo embalado com o ritmo da música Lutar pelo que é meu da banda de rock Charlie Brown Jr. cabelos louros e dentes claros. do figurino. pressupõe sempre um destinatário. fazendo com que ele encontre naqueles conteúdos “pedaços” da sua vida. constituem certas relações de poder. A mudança dos atores combina com a necessidade de manter a série com uma cara jovem. mas em detalhes da produção como: trilha sonora. As diversas “lições” de cada capítulo ora são objetivas. reforçando determinados padrões sociais. na maioria adolescentes em idade escolar – mais um importante elemento de identificação indistinta para a infinidade de telespectadores. culturais e econômicos. na Malhação. mostrando nas entrelinhas do enredo. Naquele espaço contracenam cerca de 40 atores. Relacionado a isso acontecem também as “aulas” sobre etnia no Brasil. entre muitas outras – dando soluções simplistas para problemas complexos –. precisa-se de pesquisas educacionais que se proponham a esclarecer essas pedagogias para que a escola e a família possam se posicionar com coerência crítica e atualização didática diante do contexto cultural da atualidade. comportamentos “adequados” em um namoro. de viver e de posicionarse politicamente. Assim. A apresentação de personagens predominantemente jovens. envolvente. Assim se corporifica um espaço educativo virtual – o fato de ser virtual ou televisivo não o torna menos real – que trata de inúmeras temáticas que normalmente fazem parte do cotidiano adolescente. Se normalmente o figurino de uma ficção serve para delinear aspectos psicológicos. A Malhação é organizada em um formato similar aos das telenovelas. culturais e sociais dos personagens. A estratégia pedagógica é a repetição ostensiva. No enredo predominam as temáticas de amor. Aquelas imagens em ritmo frenético eram marcadas pela presença de um colorido forte. através de inúmeros merchandisings sociais. mas contraditoriamente quer ser branco. mostrando formas de conquistas amorosas. como a de qualquer outra mercadoria. Diante da TV. constata-se nos seus conteúdos audiovisuais a elaboração de um discurso dedicado especialmente à juventude. com a substituição de quase todos os personagens. Isso é observável não somente na trama. os produtores da mídia ensinam aos seus consumidores: modos de ser. A Malhação ensina o que é a beleza humana sem proferir uma única palavra sobre a temática. brancos. moralista e reacionário. confirma que aquela atração é uma vitrine das grifes da moda juvenil e seus atores têm também a função de top models – jovens com portes físicos magérrimos. Na temporada de 2006. porém implícita. em sua maioria adolescentes. figurino. aquelas imagens compactuam com a ideologia do branqueamento de um país que nega ser racista. vestidos invariavelmente com roupas da última moda são “importantes lições” sobre beleza. crianças e adolescentes não se dão conta de que estão participando de um processo formador. ao esclarecerem que a elaboração dos produtos da mídia. através de uma pedagogia afetiva. de segunda a sexta. de pele lisa. indígena e européia. O cenário principal nos últimos 8 anos é um colégio particular. interpeladora e persuasiva que atua de forma repetitiva. heterossexual. ao contratar apenas 5% de atores negros versus 40% brancos com cabelos louros e olhos claros. DST/AIDS. e a reprodução da distinção entre os comportamentos sexuais masculinos e femininos. pelo movimento e vivacidade dos personagens: uma composição de fácil identificação juvenil. apresentada na Rede Globo de Televisão. contando inúmeras histórias de amor em períodos anuais. prega-se a heteronormatividade e a homogeneização das relações afetivas juvenis. ou que incorporem à sua vida “pedaços” daqueles conteúdos. Enquanto a escola age de maneira objetiva e impositiva. ideais para a associação de produtos da moda. a mídia conquista eficácia através de uma ação pedagógica disfarçada de lazer. É assim que além do entretenimento. desconsiderando o resultado da miscigenação de três etnias – africana. por mais que esta tenha começado há mais de 12 anos atrás. com a explícita intenção de formar opinião sobre temáticas relevantes como escolha profissional. idade dos atores e cenários. Nesse sentido. O objetivo principal das estratégias de endereçamento é conseguir a identificação do telespectador. esbeltos. com vastas “lições” sobre sexualidade e gênero. Nesse sentido. os valores da juventude da classe média. além de caracterizar estilos jovens de ser. A cada ano encerra-se uma temporada e se inicia outra. . e através dele. já na abertura era apresentado um clip com duração de 55 segundos. heterossexual como regra para todas as demais condições juvenis. independente das particularidades regionais e de escolhas sexuais.identidades e representações.” Os estudos sobre endereçamento colaboram para a compreensão da pedagogia cultural. Tomando como exemplo o currículo cultural da série Malhação. de se comportar. e do cenário.