DIREITO ECONÔMICO

PROF: PROF. ANGELO RIGON FILHO

DIREITO ECONÔMICO
CONCEITO
O direito econômico é uma disciplina dentro da área do direito público.
O direito econômico é o ramo do direito responsável por jurisdicizar, por dar um aspecto
jurídico à economia, por dar um aspecto jurídico às regras econômicas que atuam na nossa
sociedade.
Em suma, o direito econômico é o ramo do direito público, que cuida dos fundamentos
jurídicos da ordem econômica, ou seja, da política econômica com vistas à manutenção da ordem e
do regime da iniciativa privada ditados pela Constituição Federal.
De maneira mais genérica, podemos dizer que o direito econômico é o conjunto de regras, é o
conjunto de elementos jurídicos destinados a regulamentar a organização da economia.
É claro, que quando nós falamos em direito econômico, nós estamos tratando
especificamente, do direito econômico na ordem da Constituição de 1988, estamos tratando
especificamente do direito econômico dentro da lógica da economia brasileira.
Evidentemente que nós não estamos fazendo um estudo aprofundado sobre o direito
econômico e sua inserção nas mais variadas ordens jurídicas, mas sempre voltado ao aspecto da
economia brasileira, sempre voltado para o aspecto do direito brasileiro e da ordem jurídica
brasileira.
Portanto, o direito econômico dentro da ordem jurídica brasileira tem como objetivo, garantir
o melhor funcionamento da economia brasileira, e ele encontra os seus principais fundamentos na
Constituição Federal de 1988.
O nosso curso de direito econômico, vai se dividir em dois momentos: em um primeiro
momento, nós vamos tratar dos princípios da ordem econômica, ou seja, dos princípios que
regulamentam a organização da economia, e de que maneira a economia deve-se regulamentar,
como o Estado deve regular, por meio de normas, por meio de regras, o funcionamento da
economia.
Os fundamentos do direito econômico e os princípios do direito econômico encontram-se
regulados na Constituição Federal. Portanto, num primeiro momento, nós vamos fazer um estudo
do direito econômico, no seu aspecto constitucional, princípios gerais de direito econômico. Num
segundo momento, nós vamos tratar da legislação infraconstitucional do direito econômico, da
legislação abaixo da constituição, da legislação comum de direito econômico.
E nesse aspecto, dentro desta idEia de legislação ordinária acerca do direito econômico, nós
vamos destacar dois diplomas legislativos, que são: o CDC (lei 8078/90)1, vamos destacar também a
Lei Antitruste, a lei de proteção da concorrência (lei 8884/94)2.
Essas duas leis são os principais regulamentos legislativos que nós vamos tratar
infraconstitucionalmente dentro do direito econômico.
Para nós podermos começar a falar do direito econômico, dentro da nossa ordem jurídica, é
preciso sempre inseri-lo dentro de uma ordem econômica maior.
Então sempre que nós vamos tratar, sempre que nós formos falar sobre qualquer assunto que
envolve economia, e mesmo aquele que envolve especificamente o direito, é necessário inseri-lo
dentro de um certo contexto.
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Lei 8078/90: Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências.
Lei 8884/94: Transforma o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em Autarquia, dispõe sobre a
prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica e dá outras providências.
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defensores do liberalismo econômico. e ao mesmo tempo. pretende que o Estado não interfira na economia. hoje. A lógica do liberalismo econômico. sobrevive na sociedade. por meio da sua constituição. aqueles que não têm condições de desenvolver da melhor forma a atividade econômica. porque acreditam esses teóricos. atacado. pela a atividade econômica. com o fenômeno da globalização. O Darwinismo preconiza o que? O Darwinismo preconiza a sobrevivência do mais apto. Nós podemos destacar nos últimos cem. de alguma forma. não deve haver interferência do Estado na economia. Quem não tem as melhores condições. que busca o melhor desenvolvimento da economia e a acumulação para os melhores. É uma lógica que busca a eficácia. eliminar da atividade econômica aqueles que não têm condições de atuar na economia. dentre os agentes econômicos atuantes naquela economia. aqueles que tiveram alguma relevância. é que o Estado não deve. Quem tem melhor desempenho na economia. Que o mercado é capaz de incentivar a atividade econômica daqueles que tem condições de exercitar esta atividade na sociedade. interferir na economia. acumula mais capital. Não podemos fugir dessa ideia de ordem econômica mundial. de forma alguma. a lógica do liberalismo econômico é muito parecida com essa ideia. alcançar os melhores resultados independentemente da atuação estatal. o Estado deve interferir de maneira direta. nessa ideia do liberalismo econômico. Temos que ver qual é o sistema econômico vigente no Brasil. ANGELO RIGON FILHO No caso do direito econômico. não dá para falarmos em autonomia total de qualquer economia em qualquer Estado. o Darwinismo. nós precisamos inseri-lo dentro de um certo sistema econômico. O liberalismo econômico vai nos dizer o quê? Que aquele que tem condições de atuar na economia. e saber o que o Estado brasileiro. Aquele que tem condições de se adaptar a uma certa realidade. automaticamente será estirpado do mercado. alguma influência das ideias de algumas teorias filosóficas do século XIX. e passa seu genes para frente e assim fundamenta a evolução. que ainda tem alguma relevância para a sistemática econômica atual. para que nós consigamos inserir o direito econômico dentro dessa lógica.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. Os principais sistemas econômicos que existiram no decorrer dos últimos anos. O sistema de mercado preconiza a separação entre economia e interferência estatal. os expoentes. é a lógica do lucro. com a sua riqueza das nações. se torna ainda mais eficaz no desenvolvimento da sua atividade econômica. salvo em caráter excepcional. O sistema de mercado puro ou chamado de liberalismo econômico. sobrevive naquele meio ambiente. como por exemplo. Quando eventualmente afrontado. conforme preconizado por aqueles teóricos do final do século XVII e até do século XIX. É da natureza da economia. a ideia principal do sistema liberal ou do sistema de mercado. pretende com o direto econômico. até porque. salvo isso. tendo como principal expoente Adam Schmidt. os seguintes sistemas econômicos: 1º) SISTEMA LIBERAL OU SISTEMA DE MERCADO O sistema liberal ou o sistema de mercado na sua forma pura. que tem condições de desenvolver uma certa atividade. para proteger a sua própria soberania. Ora. e. na sua soberania. cento e cinquenta anos. e que ainda tem alguma relevância dentro da ordem econômica. Nós podemos encontrar aí. que o mercado se auto-regulamenta. aquele que tem condições de se adaptar a um certo meio ambiente. vai sobreviver na economia. é a lógica do acúmulo de capital. portanto. tanto brasileira quanto da ordem econômica mundial. 2 .

tende. necessariamente em si mesmo. porque a única finalidade era a maximização dos lucros. vinte horas por dia. enquanto que outra parcela sofre com a escassez. Só que à vista da Constituição de 88. desta lógica do sistema de mercado. vamos observar que é um sistema econômico que não se preocupa em nada com o aspecto social da economia. a dignidade da pessoa humana. os agentes econômicos que atuam na economia. e de fato. que alguém tem que trabalhar. sem preocupação com o bem estar social. do ponto de vista da nossa ordem econômica. é chamado.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. dezoito. quanto mais eficazes são. como por exemplo. em razão desta situação de caos social. ANGELO RIGON FILHO É uma lógica. o sistema liberal puro. Outra da parcela da sociedade fica privada de acesso aos meios de produção. fica privada de acesso a bens. aqueles que detêm os meios de produção. garantir os lucros daquele que detém a força econômica. com os olhos do legislador constituinte de 88. É claro que a economia sem controle pode-se auto-regular. do ponto de vista da nossa constituição. esse sistema funciona dessa forma. aquela grave situação social que todo mundo conhece. a lógica do sistema liberal. faz parte da lógica do sistema. porém com a evolução econômica. Então. é justamente essa. de fato. de fato. dentro desta lógica do liberalismo. no começo do século XX. para que outros possam ganhar dinheiro. se nós formos fazer uma crítica. por alguns. A lógica do sistema capitalista. se nós pudéssemos dizer isso de uma maneira bastante simples. com uma parcela da sociedade tendo acesso a muitos bens economicamente interessantes. Então nós tínhamos pessoas que trabalhavam em indústrias por dezesseis. Porque é da lógica do sistema. no século XIX. Isso não é bom e nem ruim. o sistema liberal como classicamente preconizado. e por consequência. pode-se autoregulamentar. que do ponto de vista unicamente econômico. sistema comunista ou sistema estatal. a uma série de facilidades dentro da sociedade e da economia. ele não pode ser considerado o sistema ideal. Porque a economia sem nenhuma forma de controle. Porque ele não tem preocupação social. e de nossa ordem constitucional. para que outro acumule. 3 . É necessário que alguém trabalhe. não é o melhor sistema aos olhos da nossa constituição. tende a gerar grave desigualdade na economia. ele não leva em consideração sua lógica a preocupação social. que é um princípio fundamental da nossa ordem constitucional. é apenas uma característica do sistema. tendem a acumular maior capital e eliminar eventuais concorrentes que não tenham condições de acompanhá-los. Não se preocupa em absolutamente nada como um aspecto social. ele é um sistema que oferece boas condições. com o desenvolvimento e a proteção das pessoas. mas do ponto de vista social. Garantir os lucros daquele que detém os meios de produção. dentro dessa ordem. e não técnica. e que ainda traz algum tipo de consequência para o mundo atual. Então. a única finalidade era o resultado econômico final. derivada da expansão industrial sem controle. mas que alguns autores colocam como termos sinônimos. para que outra pessoa ganhe dinheiro. com uma parcela da sociedade detendo meios de produção. do ponto de vista estritamente econômico. é a lógica de que alguém trabalha. que na verdade. de fato. e sem preocupação com a ordem social. nós tivemos. e daí. SISTEMA COMUNISTA OU SISTEMA ESTATAL Um segundo sistema econômico que nós podemos destacar como relevante. são sistemas diferentes. funciona de maneira maravilhosa. por exemplo.

Se todos fazem tudo juntos e dividem tarefas só para facilitar a produção. todos os meios de produção deixam de pertencer a particulares. ANGELO RIGON FILHO O sistema estatal. todos fazem tudo juntos. a partir da revolução Russa de 1917. não poderia ser considerado como sinônimo de sistema comunista. não há sentido. teriam uma forma de comunismo presente. todos dormem no mesmo lugar. não há como dizer que há desigualdade na sociedade. se é proprietário de alguma coisa. O sistema socialista foi implementado pela primeira vez na Rússia. Alguns autores defendem a ideia de que as sociedades indígenas. foi o chamado sistema estatal ou sistema socialista. Toda a lógica é a lógica da produção para consumo imediato. A ideia dos ideólogos do sistema comunista. não há a ideia da propriedade privada. a qual eu já me referi. Que só haverá total igualdade social. então todos os membros da sociedade passam a ser proprietários daquela coisa conjuntamente. Esta lógica do comunismo puro. Essa é a lógica do comunismo. Qual é a lógica do comunismo? O comunismo surge como uma contraposição ao que seus autores. na sua forma característica principal. Se nada pertence a alguém. é aquela em que não há lógica na ideia de propriedade. é de que a propriedade privada é um mal. o sistema de estado seria um passo na busca do comunismo. se esse dia chegasse. com a instituição do chamado sistema socialista. A atuação econômica é exclusividade do Estado. se ninguém é dono de nada. Nas chamadas sociedades civilizadas. no momento em que algum dia deixar de existir a propriedade privada. porque as ideias são completamente diversas. primitivas. A ideia do comunismo na sua forma primária. total paz social. no centro daquela tribo. A economia é planejada. Evidentemente. e que assumiu o poder a partir de então. todos moram numa oca comunitária no centro da taba. enquanto que outros devem-se submeter a esses detentores dos meios de produção gerando essa desigualdade social. conforme preconizam alguns autores. porque se ninguém é proprietário de nada. esteve efetivamente presente o comunismo. mas tudo pertence 4 .DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. foi implementado o chamado sistema de Estado.Uma sociedade tribal. Não nos últimos cem. entendem esses ideólogos. Justamente essa ideia de que alguns detêm os meios de produção. entendem alguns que ai nós teríamos a implementação do sistema comunista. Não havendo sentido. nada pertence aos membros da sociedade. porque não há abundância de nada. Com a revolução Russa de 1917. primitiva. e não há escassez efetivamente de nada. não havendo lógica da propriedade privada. ao que seus ideólogos chamam de abusos do liberalismo. então. o que é o sistema de Estado? Todos os meios de produção pertencem ao Estado. O que nos interessa saber daí é o seguinte: nenhuma sociedade foi. duzentos anos. que não haja propriedade privada. que depôs o sistema czarista. então eu vou caçar e consumo a carne que eu cacei. Se ninguém é dono de alguma coisa. não haveria mais desigualdades nas sociedades. tudo pertence a todos. Por quê? Porque numa sociedade tribal. mas o mais perto que se entende que já se chegou dele. não no estado moderno. jamais foi implementada em nenhuma sociedade. é feita pelo próprio Estado. não existiu registro de nenhuma sociedade que tenha implementado o sistema comunista. Mas vários autores usam esses dois termos como se fossem um sistema único. de que as sociedades tribais. a propriedade privada não deveria existir. como é chamado por alguns. não há lógica da propriedade privada. e toda a atuação econômica direta e indireta. primitiva. Por quê? Porque o comunismo jamais foi implementado em nenhuma nação do mundo. a economia é toda organizada a partir da lógica estatal. A lógica fundamental do comunismo é aquela que me diz que todos os membros da sociedade devem ser donos de tudo de existe na sociedade. Quando e. depois transformada em União Soviética.

só que a partir dos anos 1990. Alguns autores chamam esse sistema chinês de liberalismo ou capitalismo econômico com socialismo político. Cuidado para não confundir com o sistema socialista. seguiu o sistema estatal. mas alguns defensores dessa ideia entendem que seria um primeiro passo. A China. por transformações. para que em seguida. então ele permite a atuação privada dos agentes econômicos. mas tão somente na permissão de atuação econômica de agentes privados. mas é um sistema social. Temos um terceiro sistema econômico que alguns chamam de sistema social.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. pretendendo garantir o bem estar social. de uma situação única. o planejamento estatal da economia continua. por exemplo. mas do ponto de vista político. sob absoluto e total planejamento estatal. A economia continua sendo totalmente planejada pelo Estado. o Estado interfere constantemente na economia. durante muitos anos. o grande portal de pesquisas. nós precisamos nos lembrar de um exemplo. pretendendo garantir o bem estar dos seus cidadãos. com ênfase no apoio estatal ao bem estar social. é voltada sempre o bem estar social. O sistema chinês hoje é um sistema que admite a atuação privada. o outro extremo que é o socialismo ou a economia controlada de maneira absoluta pelo Estado. que é a situação da China. ANGELO RIGON FILHO ao Estado. não implica na liberalidade política. Só que essa atuação dos agentes econômicos privados na economia. O sistema chinês hoje é um sistema que apresenta a seguinte peculiaridade: do ponto de vista econômico. quando a situação estivesse totalmente igual dentro da sociedade. O sistema permite a atuação dos agentes econômicos. a grande empresa de internet Google. passou a ser autorizada a atuação particular. Esse sistema tem um viés altamente voltado para o bem estar social. Qual é a lógica do sistema social? O sistema social é um sistema fundamentado na atuação privada. seguiu o chamado sistema socialista. mas é um bom exemplo para você ver dimensão do controle político que o governo chinês tem sobre a atividade econômica. que seria o sistema efetivamente comunista. não consegue atuar de maneira plena. dos agentes econômicos. pudesse se passar a um próximo estágio. de uma situação sui generis. Cuba e Coréia do Norte. como por exemplo. o único lugar que consegue controlar até as pesquisas que são feitas no Google. Só por curiosidade. de conhecimento geral. sob absoluto e total controle do Estado. com ênfase na seguridade social. 5 . por causa dessa atuação centralizadora do ponto de vista político do estado chinês. Só que esta atuação dos agentes econômicos na economia. ele admite a atuação de agentes econômicos privados. a China começou a passar por mudanças. Então atuam os agentes privados na economia. Dentro dessa ideia. não é um sistema socialista. podemos lembrar que a China é o único país do mundo onde. O sistema estatal foi implantado na União Soviética. É claro que essa sistemática não é propriamente a sistemática comunista. exclusivamente econômica. Então temos aí um extremo. porém. sistema que funciona com base nas leis de mercado. em seguida em alguns países sobre a influência da União Soviética e ainda hoje esse sistema vige em alguns países no mundo contemporâneo. dentro dessas mudanças. que é o liberalismo econômico pleno. porém. retirar a propriedade de todos os particulares e passá-las ao Estado. dentro da sua ordem econômica. isso é. Então são países em que a seguridade social merece muito destaque. a atuação dos agentes econômicos privados na economia. Então na China existe até limitação para as pesquisas que são feitas no Google.

Noruéga. são todos os aspectos fornecidos pelo Estado. como deve ser incentivado. buscando sempre o bem estar social e a dignidade da pessoa humana. capitalismo econômico. países que são reconhecidos pelo bem estar social que desejam garantir a sua população. o Brasil se tornar uma economia efetivamente pujante. na Suécia. é a busca de se tornar um sistema de fundamentação social. O Estado atua diretamente na economia porque ele atua como agente econômico. Vamos nos lembrar que a Constituição de 88. é muito menos do que aquela que existiria no sistema liberal pleno. vamos dizer que é o sistema desenvolvimentista. a atuação na atividade econômica é livre aos particulares. é dirigida para o desenvolvimento da economia com preservação da dignidade da pessoa humana. o constituinte de 88. Então seria o caso de nós chamarmos isto de democracia com liberalismo econômico. Por quê? Porque não é possível garantir todos os benefícios que se gostaria. É um sistema implementado em alguns países. não tinha em 88. A ordem econômica. mas a distância entre os mais ricos. claro. O Estado brasileiro reconhece na Constituição de 88. ANGELO RIGON FILHO A aposentadoria. eventualmente. porém o Estado atua o tempo todo. a atividade econômica. sendo responsável pelo controle da economia. tamanho ênfase na igualdade social. Então. como de maneira indireta. com socialismo. não apenas livre. sistema desenvolvimentista. Então. sem prejudicar a população enquanto estamos desenvolvendo esse crescimento econômico. E é o sistema que o Estado brasileiro pretende vir a incorporar futuramente. e também por incentivar a atividade econômica em certos setores. a saúde. 6 . Existe. tem ênfase na atuação da seguridade social. estabeleceu um sistema próprio. Mas pretende buscar esta condição. Esse sistema social é chamado por alguns de atuação econômica privada. tanto de maneira direta. Diante desta dificuldade econômica. Que são nomenclaturas usadas por alguns autores. que não teriam condições. sem perder de vista os benefícios sociais. um sistema que se convencionou chamar desenvolvimentista. a educação. a busca constante do nosso sistema. como ainda hoje não tem de maneira plena. quando necessário. dentro dessa lógica. Podemos dizer que o sistema social é aquilo que o Brasil pretende ser quando crescer. O que precisa lembrar de importante sobre esse sistema é que esse sistema tem ênfase no bem estar social. que surgiu a Constituição Federal de 1988. do sistema desenvolvimentista é garantir crescimento econômico rápido. Então o objetivo da nossa ordem econômica.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. Qual é a ideia do sistema desenvolvimentista? A ideia é o seguinte: o constituinte de 88 admite que o Brasil não tem pujança econômica hoje. porém. sendo responsável por refrear. como por exemplo. através das chamadas empresas estatais. através das sociedades de economia mista. como em qualquer sistema capitalista. ou sociabilidade dentro da lógica política. uma diferenciação social. e os mais pobres. não teriam solidez econômica hoje para alcançar esta seguridade social. tem como características a livre atuação econômica e a constante interferência do estado. surge como um contraponto a toda lógica de um sistema anterior. para entender bem essa ideia do sistema desenvolvimentista. o contexto em que foi criado. Então ele mesmo atua livremente na economia. em razão da falta de desenvolvimento econômico. buscando o igualitário. Mas também atua de maneira indireta. na Dinamarca. para que o Brasil possa efetivamente alcançar toda a plenitude do sistema social. em certos momentos. dando a população uma condição de vida. Quando. Finlândia. Nós precisamos nos lembrar. Não tem pujança econômica hoje suficiente para implementar o sistema social de maneira absoluta. o sistema brasileiro. se nós tivermos que responder qual é o sistema econômico preconizado pela Constituição Brasileira de 1988. Aplicam-se as regras de mercado.

o crescimento econômico sem preocupação com a justiça ou com a igualdade. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. o Brasil viveu um período econômico que se convencionou depois chamar de milagre brasileiro. Então nós ficamos aí. nosso objetivo. à liberdade.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. nós vínhamos de um regime ditatorial. de um sistema politicamente repressivo. tão somente. sem prejuízo das melhores condições sociais de vida. ANGELO RIGON FILHO Nós vínhamos. de uma natureza social. e também de alguma forma. toda a valorização dos direitos fundamentais. o rente desenvolvimento econômico. Ele disse que é primeiro necessário esperar crescer o bolo para só então dividi-lo. foi questionado ao ministro do planejamento do governo federal. Essa é a ideia do nosso sistema econômico. implementado pelo golpe militar de 1964. a ordem econômica. entre 1964 até 1985 vivendo uma realidade de uma ditadura. a lógica do sistema desenvolvimentista é exatamente a oposta. Na época do milagre brasileiro havia. mas sem perder de vista o bem estar da população. foi o chamado milagre brasileiro. à igualdade. o legislador constituinte está nos dizendo o seguinte: olha. lá no artigo 5ª3. o rápido desenvolvimento econômico. estava se rompendo a lógica ditatorial. sem distinção de qualquer natureza. o grande objetivo do constituinte de 1988. Você deve se lembrar. 5º Todos são iguais perante a lei. como ordem econômica. vem representar um contraponto em todos os aspectos possíveis à aquela realidade da ditadura militar anterior.A ordem econômica. força econômica para garantir o bem estar total da população como deveria. uma situação de grande desigualdade na sociedade. até então vigente. 3 Art. Por alguns anos. tem por fim assegurar a todos existência digna. no Brasil. À época. porém. A Constituição de 88 é uma constituição que tem como fundamento principal a garantia dos direitos individuais e dos direitos sociais. Em outras palavras. uma lógica de garantia de direitos. se não seria razoável que este crescimento econômico devesse também resultar em melhorias das condições sociais. Então. Então a lógica do nosso sistema. romper com a ideia de que é primeiro necessário esperar crescer o bolo. ele não pode deixar de ser dividido enquanto cresce. A Constituição de 88 fez questão de romper com essa lógica. lá do artigo 1704. Não. até então. mas ao mesmo tempo. a lógica do sistema desenvolvimentista é o rápido crescimento econômico. de um sistema de interferência de um Estado na vida das pessoas. bem no período da ditadura militar. Este período da economia brasileira de grande conhecimento acima da media mundial. no período dos anos 70. para a partir de então. Ditadura de uma natureza política. nos termos seguintes: 4 Art. também pretende se contrapor a uma lógica do sistema anterior. A Constituição de 1988. à segurança e à propriedade. devemos fazer com que o bolo cresça rápido. em que a ideia era. nos sabemos que hoje o Brasil não tem condições de implementar o sistema social de maneira plena. Dentro dessa ideia que surge. conforme os ditames da justiça social. do sistema desenvolvimentista. o Brasil não tem pujança econômica. porém. com a seguridade social. observados os seguintes princípios: 7 . o Brasil viveu um período de grande crescimento econômico acima da media mundial. nosso objetivo como sistema econômico é buscar o mais rápido possível termos condições de oferecer as melhores condições sociais para todos. Nós não podemos dar tudo aquilo que seria razoável dentro da lógica do sistema social. e dentro dessa mesma ideia. não obstante esse grande crescimento econômico. 170 . por exemplo. para só depois ele ser dividido. viger uma lógica de liberdade. E ele cunhou uma frase que ficou famosa e emblemática sobre a lógica econômica daquele momento. fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. sem perder de vista. de natureza econômica. Esta frase revela a lógica econômica daquele momento. era deixar claro que estava se rompendo uma lógica de sistema estatal.

Toda ordem econômica brasileira se fundamenta na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. O artigo 170 da CF é aquele que prevê os princípios da ordem econômica brasileira. e é considerado agente econômico. Uma vez que vimos os principais sistemas econômicos. está albergado nesse conceito de livre iniciativa. do trabalhador com registro em carteira. conforme os ditames da justiça social. são duas vertentes de uma mesma ideia. aquele que organiza a atividade econômica. porém. ARTIGO 170 “A ordem econômica.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. desde a mais complexa indústria até o mais simples negócio da esquina da sua casa. estão previstos lá na Constituição Federal a partir do artigo 170. do chamado trabalho formal. vamos dar uma olhada em como esse sistema brasileiro se fundamenta. Os princípios.. buscando um crescimento social o mais rápido possível. os fundamentos da ordem econômica brasileira. trabalho. vamos dar uma olhada nos princípios da ordem econômica brasileira. a organização geral. na verdade. 8 . e em especial. Estes princípios estão previstos lá no artigo 170 da CF. Você percebe que esses dois fundamentos. o sistema brasileiro. o sistema vigente no Brasil é o sistema desenvolvimentista que tem como fundamento sempre esta ideia de garantir as melhores condições de vida. observados os seguintes princípios. ainda que. E o outro fundamento é a livre iniciativa.. como instrumento principal de desenvolvimento da economia. a ideia do sistema desenvolvimentista é incentivar o rápido crescimento econômico. É aquele que atua na economia com força própria. o trabalho. que implementa a sua própria atividade. Então. o crescimento da economia. mas é aquele que lidera o trabalhador submetido a ordem hierárquica. Daquele subordinado a uma ordem hierárquica. ela tem como ideia atuar sobre o chamado agente econômico. é o agente econômico. daquele que se submete a organização do trabalho. do trabalhador que coloca a atividade econômica para funcionar. Olha o que diz a redação: fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. enxerga o trabalho do ponto de vista do trabalhador. tem por fim assegurar a todos existência digna. a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa. O caput deste artigo diz: a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. na verdade são dois aspectos de uma mesma ideia.”. A valorização do trabalho humano. ORDEM ECONÔMICA NO BRASIL Como já dito na aula passada. sem nunca perder de vista as melhores condições de vida na sociedade. é a padaria da esquina da sua casa. a ordem econômica no Brasil está submetida à alguns princípios gerais. não é o trabalhador submetido a organização hierárquica. Então quais são os fundamentos da ordem econômica brasileira? Os fundamentos da ordem econômica brasileira são a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa. Valorização do trabalho humano e livre iniciativa são diferentes formas da mesma coisa. ANGELO RIGON FILHO Então. Então. Não é aquele que se submete a ordem hierárquica. A ordem econômica brasileira reconhece como um instrumento principal de desenvolvimento econômico. fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa.

inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação. que são assegurar a todos existência digna conforme os ditames da justiça social. para alcançar a existência digna. tem por fim. finalidade da ordem econômica: assegurar a todos existência digna conforme os ditames da justiça social. Tanto na valorização do trabalho. pode ser uma indústria e pode ser vender mentex no farol. que são dois aspectos de uma mesma ideia. E diz ainda o caput do artigo. ANGELO RIGON FILHO Então guarde isso de uma maneira bem clara. 9 . pode ser uma empresa gigantesca. qual é a finalidade da ordem econômica? Para que existe a ordem econômica? O que pretende a ordem econômica? O que desejamos alcançar com esta organização aqui da ordem econômica? A ordem econômica tem por fim. Nos dois casos. Então a ordem econômica.soberania nacional. Quais são os princípios da ordem econômica? São os incisos5 do artigo 170. Por quê? Porque ele atua livremente na economia e não se submete a nenhuma liderança. nós estamos falando de agente econômico.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF.busca do pleno emprego. ou irregular. pretende o quê? Assegurar a todos existência digna conforme os ditames da justiça social.defesa do consumidor. o crescimento econômico é um meio. não é o fim. II . Enquanto que a livre iniciativa se destina a todo aquele que não é trabalhador formal. Olha que interessante. se eu não sou trabalhador.defesa do meio ambiente. ela devese reger pelos seguintes princípios. e aí sim. que para alcançar tudo isso. ou seja. Continuando. para que serve o direito econômico? O crescimento econômico não é um fim. assegurar a todos a existência digna. O trabalhador chamado de trabalhador formal.livre concorrência. III . Então. se eu não sou empregado regular. Agente econômico é o agente que atua no seu próprio negócio. VI .redução das desigualdades regionais e sociais. Então a valorização do trabalho humano desrespeito ao trabalhador enquanto subordinado a uma ordem econômica. O crescimento econômico não é um objetivo. não se submete àquelas condições típicas de trabalho. alcançamos os princípios da ordem econômica.função social da propriedade. Então tenha na sua cabeça que o fundamento da nossa economia é o trabalho. o trabalho. VIII . e para isso. deverão ser observados os seguintes princípios. Observe e tome cuidado com isso em eventuais questões de prova. V . conforme os ditames da justiça social. a ordem econômica não tem por finalidade o crescimento econômico. 5 I . VII . tem por finalidade assegurar a todos existência digna conforme os ditames da justiça social. tem por finalidade. dentro desta lógica.propriedade privada. meio de que? Meio de alcançar essas finalidades aqui. diz no artigo 170 que a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e da livre iniciativa. os fundamentos da ordem econômica brasileira são: a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa. Mas a ordem econômica existe para assegurar a todos existência digna conforme os ditames da justiça social. quanto na iniciativa. mas crescimento econômico é apenas um meio para alcançar este bem estar social. Tem por fim. enquanto subordinado a liderança de alguém para a atuação do seu trabalho. eu sou agente econômico. a ordem econômica não existe para assegurar o crescimento econômico. para alcançar estas finalidades. Então não me importa se meu negocio é minúsculo. tem fundamento na valorização no trabalho humano e na livre iniciativa. a ordem econômica não tem por fim o crescimento econômico. IV . A finalidade da ordem econômica passa longe de ser o crescimento econômico.

dentro da sua área de influência. dentro do seu território. que tem o chamado embargo econômico. É o caso de Cuba. na economia contemporânea é totalmente impossível nós falarmos em soberania nacional absoluta do ponto de vista econômico. o que no mundo de hoje é praticamente impossível. de ser uma ordem suprema. outra fabricada na Índia. em regra. Acontece. 10 . Então a soberania nacional absoluta. Então. Todos os Estados no mundo contemporâneo precisam uns dos outros. se não tiver contato com as outras economias. do ponto de vista econômico. ou algum país. que não se submete a nenhuma outra ordem superior. Não dá para falarmos em soberania nacional absoluta. Soberania é a propriedade que um Estado tem. o que se pretendeu aplicar a Coréia do Norte. dentro do seu território. aliás. no que tange a ordem econômica. Então não há total autonomia econômica de nenhum país. a ONU. ANGELO RIGON FILHO Inciso I – Princípio da Soberania Nacional Podemos conceituar soberania como sendo a propriedade de um Estado. Então é o exercício de poder exclusivo do Estado sobre um certo território. em casos específicos em que o isolamento econômico. Não existe como? Se considerar qualquer economia do mundo como isolada dos demais. no desenvolvimento econômico. considerando a soberania nacional dentro da ideia de economia. e aí reúnem-se essas peças em algum outro país. recentemente. Todos os Estados no mundo contemporâneo dependem uns dos outros na sua atuação econômica. deveria se encarado como uma penalidade. E a mesma coisa. porque todos os estados no mundo contemporâneo são interdependentes. Isso é uma penalidade porque o país não consegue desenvolver plenamente a sua economia. pelo contrário. outra fabricada na China. o isolamento econômico tem sido. que não comercializa com os Estados Unidos. e este país exporta para o mundo todo. como sendo a atuação exclusiva de um certo Estado. nós sabemos que hoje as coisas não funcionam bem desse jeito. Ele vai ter que se responsabilizar por todas as etapas de toda a atuação econômica. A ideia de soberania está ligada à ideia de que dentro da área de poder. outra parte é fabricada no Japão. ou da economia de qualquer país dos outros países do mundo. não há IX . por vezes aplica. então tem uma parte do produto que é fabricado no Brasil. dentro do seu território. O Estado toma todas as decisões acerca de tudo que acontece dentro daquela região. se for encarada como total desvinculação da economia brasileira. eu não compro mais nada do seu país. Ora. Você está isolado economicamente dos demais países do mundo. Não existe a possibilidade de um país se isolar dentro dos princípios da sua própria economia. ao Irã também. que frequentemente aplica certos embargos econômicos para os seus desafetos. Qualquer produto que você for comprar na sua vida você vai ver que ele é fabricado em etapas. como é o caso dos Estados Unidos. por exemplo. o Estado age de maneira exclusiva.tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. os chamados embargos econômicos a certos países. soberana. uma penalidade imposta a alguns países por não se adequar a organização que os demais países desejam. Na economia atual.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. Nós sabemos que vivemos num mundo dominado pela chamada globalização econômica. isto não existe no mundo atual. de ser uma ordem suprema que não se submete a nenhuma outra ordem superior. deveria valer. eu não vendo mais nada para o seu país.

tendo em vista a queda desta barreira alfandegária. temos a ideia de soberania. nós temos os chamados limites de direito. do macarrão. dentro de um mundo globalizado do ponto de vista econômico? Ora. ou ele deve garantir a facilidade nas exportações para permitir que aqueles produtores não fiquem com produtos encalhados. dentro do seu território. aumentando ou diminuindo. e aí todos os produtores aqui no Brasil ficam com aquele produto encalhado. E aí o governo poderá. que haja o fluxo de capitais entrando na nossa economia. e isso não prejudique o andamento da economia. a alíquota de certos impostos. Então. e incentivar a entrada deste produto no território brasileiro. uma safra muito pobre em determinado produto aqui no país. Esses. e por outro lado o chamados limites de direito. por exemplo. em algum momento. Estado. macarrão. muito pobre. como por exemplo. Então a ideia da soberania dentro desses limites de fato. para forçar a queda dos preços dos outros produtos. Mas pode ser interessante par a economia. bolos. dentre outros derivados de trigo. ela limita. o que que resta para a soberania? Qual é a ideia de soberania dentro de um mundo globalmente unido. com os chamados limites de fato. estado brasileiro deve encontrar meios de incentivar a exportação ou ele mesmo. por quê? Porque a safra brasileira foi muito pobre. a queda das alíquotas de importação. a exportação de produtos. em outro momento.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. A atuação do estado brasileiro nesse caso pode ser a de baixar as alíquotas de importação para o trigo. o estado brasileiro poderá. eu posso ter uma falta de procura interna por um certo produto. pode ser interessante para a economia brasileira. fez há um tempo atrás interferindo na alíquota do IOF – imposto sobre operações financeiras. do pão. a importação. para forçar a queda dos preços dos derivados do trigo. Quando falamos em limites de 11 . como por exemplo. Por outro lado. Imaginem que nós temos. é manter os princípios da nossa ordem econômica protegidos de eventuais interferências externas. dependendo do período. Quando dizemos limites de fato. significa facilitar ou dificultar. ou ingresso de capitais no estado brasileiro. Dentro desta ideia de que não é possível organizar-se na economia de maneira isolada. Então o ingresso de produtos. biscoitos. ou ainda quando você fala em capitais. a soberania atua em duas vertentes. e a saída de produtos ou a saída de capitais do estado brasileiro. pode ser benéfica ou prejudicial para a economia. deve ser controlada pela atuação do estado brasileiro. compra para garantir o funcionamento da economia. que se diminua o capital circulante dentro da economia. por exemplo. ele pode facilitar ou dificultar o ingresso ou a saída de capitais dentro do nosso país. E dentro desta ideia de proteger a nossa ordem econômica de interferências de ordens econômicas externas. aqueles que produzem pães. ANGELO RIGON FILHO economia interna isolada possível no mundo chamado globalizado do ponto de vista econômico. da farinha de trigo. poderão comprar trigo do exterior com mais facilidade. Então essa é a ideia dos limites de fato na atuação soberana do estado. por meio do exercício de poder dentro do território a entrada ou a saída de bens ou de capitais dentro do território brasileiro. os limites de fato e os limites de direito. tanto de produtos quanto de capitais dentro do estado brasileiro. uma safra de trigo. nós podemos dizer que a soberania tem atuação em duas vertentes. no exercício do seu poder. e em razão da oferta e da procura. e ai. Ao lado dela. Então aqueles que precisam do trigo para desenvolver sua atividade econômica. pode não ser interessante para a economia a entrada de capitais. estamos falando da limitação imposta pelo Estado ao ingresso e à saída. a soberania traz consigo a ideia de um limite para as ideias de fundamento econômico. bolachas. por meio de interferências nas alíquotas. se uma serie de derivados do trigo. isso eleva o preço do trigo. a saída de capitais ou de produtos. por exemplo. O ingresso de capitais ou de produtos. A ideia da soberania é limitar o exercício da atividade econômica externa. acaba tendo uma elevação dos preços.

Não tendo eficácia dentro do território brasileiro. No artigo 5º da Constituição diz que é garantida a propriedade privada. como já lá no artigo 5º. de fato. também é instrumento da soberania. só vão gerar consequências. Então. que estão sempre ligados. como fundamental. ele não terá eficácia dentro do território brasileiro. que estaria impedido o livre acesso à atividade econômica. Então temos aí o princípio da soberania.é garantido o direito de propriedade. os tratados. Se não passarem a fazer parte de maneira formal do conjunto normativo da ordem jurídica brasileira. Essa ideia de uma propriedade que deve sempre atender a função social. Então. o controle da eficácia dos tratados e acordos internacionais firmados pelo Brasil. se forem aprovados pelo poder legislativo brasileiro. primeiro tenha isso em mente. o controle da efetividade. que só vão passar a gerar efeitos a partir do momento em que for incorporado a ordem jurídica brasileira. e que em seguida no inciso XXIII. do livre acesso a atividade econômica. entendeu o legislador constituinte. a livre iniciativa. no inciso XXII8 e XXIII9. como garantia na liberdade na atuação econômica. os acordo internacionais. Inciso II e III O inciso II fala da propriedade privada e o inciso III fala da função social da propriedade. e dos quais sempre se recomenda que se fale junto. Estas duas ideias sempre caminham juntas dentro da lógica da nossa constituição. O legislador constituinte brasileiro entendeu que é só a partir do controle privado dos meios de produção. como garantia da livre iniciativa. da Constituição. pouco importa que o Brasil tenha aderido à aquele tratado ou acordo internacional. a existência da propriedade privada. Aqui no artigo 170. porque ele não tem aplicabilidade efetiva na nossa realidade. na nossa organização interna? Temos o inciso II6 e em seguida já temos o inciso III7. 7 12 . se não existir a propriedade privada. Se não ocorrer. A ideia da existência da propriedade privada é um elemento essencial para a produção na lógica na nossa ordem econômica. então. 9 XXIII . só terão eficácia dentro do estado brasileiro. ANGELO RIGON FILHO direito. não terão eficácia interna. efeitos. não terão eficácia dentro do Brasil. E de que maneira este princípio da soberania funciona na prática. tem que haver a propriedade privada dos meios de produção. para que seja garantida. 8 XXII . é inquestionável e considerada pelo nosso legislador constituinte como essencial. que seria possível o exercício da livre iniciativa.propriedade privada. nós temos essa mesma repetição.a propriedade atenderá a sua função social. Só que nós devemos nos lembrar que toda a atividade econômica tem como objetivo a justiça 6 II . isso significa dizer que eventuais tratados e acordos internacionais firmados pelo Brasil. Se forem aprovados pelo Congresso Nacional. III . se ele não se integrar de maneira formal a nossa ordem jurídica. Observe. a propriedade privada e logo em seguida. representa uma mudança de paradigma na lógica da propriedade privada dentro do direito brasileiro. nós temos como princípio da ordem econômica brasileira. pela sua aprovação pelo legislativo federal.função social da propriedade. Então. a propriedade deve atender à sua função social. Pela sua aprovação pelo Congresso Nacional. O legislador constituinte de 88 entendeu que para que haja. a função social da propriedade. de fato.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. Então e existência da propriedade privada é inquestionável. Se não houver a aprovação do acordo ou tratado internacional. se não forem incorporados a ordem jurídica brasileira.

essa é a lógica tradicional. Concordam com isso. mas a propriedade é um direito concedido à alguém pela sociedade. que permite que eu seja titular do direito de propriedade sobre esta coisa. O exercício de direito de propriedade deve ser realizado de maneira a garantir o bem estar social. todas as outras pessoas da sociedade concordam que eu. a propriedade existe em função do seu titular. concorda que determinado indivíduo exercite poder de maneira exclusiva sobre certa coisa. consagrada lá pelo código civil de 1916. Então. Olha que interessante como esta lógica da Constituição de 1988 também representa um contraponto à lógica anterior nesse sistema. como centro destinatário maior de todos os benefícios do direito de propriedade. é que a propriedade não é um direito que existe em favor do seu titular. tradicionalmente. a teoria tradicional privatista da propriedade. O fundamento da lógica da propriedade. ANGELO RIGON FILHO social. e exclusivamente o proprietário pode exercer poder sobre a coisa. A teoria clássica do direito privado. A lógica do direito de propriedade aí é outra. como estado. o individuo. lá na estrutura clássica da lógica da propriedade. Chegamos até a ter autores que entendem a propriedade como um liame. também tem que voltar para essa mesma finalidade. Estamos falando aí. é um liame que se estabelece entre o proprietário e a coisa objeto da propriedade pela qual eles estão unidos. como elemento principal. titular do direito de propriedade.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. Portanto. levando em conta a função social da propriedade. concordam com isso. A sociedade tolera. de maneira a gerar benefício para a coletividade. como titular do direito de propriedade. tenha o exercício de poder de maneira exclusiva sobre a coisa. Então a lógica do sistema da propriedade da Constituição de 88 é diferente. uma ligação entre o proprietário e a coisa. tenha o exercício de poder sobre aquela coisa de maneira exclusiva. E aí foi também albergada essa mesma ideia pelo CC de 2002 em contraposição ao CC de 1916. Então o exercício do direito de propriedade deve ser destinado a garantir o bem estar de todos. e também o CC vem adotar a lógica adversa. nós não admitiremos mais. porque é essa coletividade que me permite o exercício deste direito de propriedade. se ele não garantir o bem estar social. a lógica do sistema da propriedade da Constituição de 88 estabelece que a propriedade é uma relação entre o titular do direito da propriedade e todas as outras pessoas da sociedade. como sociedade. Isso é a doutrina clássica. a propriedade não é um direito que existe em favor do proprietário. a atuação econômica. A propriedade existe para servir ao titular do direito de propriedade. que tem o proprietário. sobre a qual detenho o direito de propriedade. que aquele indivíduo exerça sua propriedade. A lógica do direito de propriedade é a lógica de que eu tenho um direito. Uma das 13 . eles concordam com isso por algum motivo. de uma limitação ao exercício do direito de propriedade. porque eu vou usar essa propriedade de maneira a beneficiar esta mesma sociedade. A Constituição de 1988 rompe com essa lógica. A sociedade concorda que a ele seja atribuído o direito de propriedade. de maneira a gerar maior benefício possível para a sociedade. inclusive no exercício do direito de propriedade. Toda a atividade econômica tem como finalidade garantir a justiça social e o bem estar de todos da sociedade. se todas as outras pessoas dentro da sociedade concordam que eu. Essa é a lógica clássica. mas tenho também o ônus. titular do direito de propriedade. objeto da propriedade. Qual é o ônus? O ônus que a propriedade me traz é utilizar-me da coisa objeto da propriedade de maneira a beneficiar a sociedade. que vem do século XIX. porque eu vou me utilizar desta coisa. nos diz que a propriedade é um direito perpétuo e exclusivo de exercício pleno. Alguns autores chegam a dizer até que a propriedade privada é um direito. ou seja. Ora.

Neste caso. Se ela não reconhece mais o meu direito ao exercício da propriedade. a igualdade. é alcançar o bem estar social. ou seja. lembra qual é o fundamento da nossa ordem econômica. Cuidado com uma coisa comum que acontece. Por outro lado. não é essa a ideia. ou seja. não se está alcançando a justiça social. o direito de propriedade não é absoluto. o Estado. alcançar a igualdade social. mas com trabalhadores reduzidos à condição análoga de escravos. E parece até que o único problema. por exemplo. valorização do trabalho humano. porque os trabalhadores estão reduzidos à condição análoga de escravo. não está sendo respeitada a função social da propriedade. por meio da desapropriação por falta de interesse social. Então grande propriedade produtiva não está sendo aí. não está sendo atendida a finalidade da ordem econômica. É a compra forçada que o estado paga e retira o bem. a resolver pela função social. é sempre o mesmo. todos os trabalhadores nesta grande propriedade rural extremamente produtiva. Daí a ideia da função social da propriedade. o primeiro exemplo que todo mundo pensa. Imaginem que eu tenha uma grande propriedade rural extremamente produtiva. pagando por essa retirada. numa grande propriedade rural improdutiva. estão reduzidos a condição análoga à de escravos. é claro. Então. ao contrário daquela doutrina tradicional privatista. finalidade da ordem econômica é alcançar a justiça social. A função social não está sendo atendida. é também. que não esta sendo atendida a função social. e o primeiro exemplo que vemos sendo usado por aí. O direito de propriedade para nossa ordem econômica não é inquestionável. Lembra que o fundamento da ordem econômica. é evidente. como representante desta sociedade. mas ela existe em função da sociedade. o direito de propriedade sofre limitações. se eu tenho uma grande propriedade rural extremamente produtiva. A grande propriedade rural improdutiva é o primeiro exemplo que agente sempre vê por aí de falta de função social da propriedade. vai tirar de mim o exercício do direito de propriedade. Então a função social não vai ser alcançada simplesmente porque a propriedade esta gerando riqueza. de maneira a gerar benefício para a sociedade. sob pena de. não há que se falar em função social. na forma de desapropriação. Se a finalidade da ordem econômica é alcançar a justiça social. é claro que a propriedade privada não pode existir em função do proprietário. porque não estamos dentro das condições mínimas de vida que devem ser garantidas ao se humano.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. quando falamos em função social. mas. o objetivo da propriedade não pode ser só gerar riqueza. Com este fundamento. imaginem um indivíduo que tem dezenas de apartamentos dentro de um 14 . mas não é só gerar riqueza. porque ele não está utilizando a coisa. Então o que é a desapropriação por falta de interesse social? É a intervenção do Estado que vem retirar do proprietário um determinado bem. Dentro dessa ideia eu tenho que me utilizar do bem. o direito de propriedade Então ao contrário daquela doutrina tradicional privatista. objeto da minha propriedade de maneira a beneficiar a sociedade. ANGELO RIGON FILHO limitações ao exercício do direito de propriedade. livre iniciativa. é a função social. e a principal. daquela coisa. mesmo com produtividade. Parece até que só precisa ter função social na propriedade rural. Ora. esta sociedade. e na propriedade urbana não precisa de função social. não reconhecer mais o meu direito ao exercício a propriedade. dentro do nosso assunto das limitações no exercício de propriedade. respeitada a função social. caso eu não me utilize da coisa de maneira a beneficiá-la. Então. é a produtividade. Não está sendo atendida a finalidade da ordem econômica.

E ele deixa todos os seus apartamentos vazios o tempo todo por pura especulação imobiliária. Recusa-se a permitir a utilização destes bens. comercial. atuem com as mesmas condições. o poder pleno absoluto e inquestionável sobre a coisa. ainda assim eu tenho falta de função social na utilização ai. não empresta nada para ninguém. sendo garantido a proteção da população que terá acesso a produtos de melhor qualidade ou serviço de melhor qualidade por um menor preço. “ os meus apartamentos ninguém usa”. significa otimização da atuação econômica. Não é assim. ou ainda servir de base para algum tipo de organização social. ou servir de sede para alguma atividade empresarial. não tem essa ideia de “eu estou pagando os impostos. e por mero capricho. II . 11 15 . os deixa fechado e não permite a sua utilização para nenhuma finalidade. maior desenvolvimento econômico e ao mesmo tempo. evidentemente. Não importa. alguma destinação que favoreça a sociedade deve ser dada a estes imóveis dentro do aglomerado urbano. ninguém mora. de ser permitido que todos os agentes econômicos que atuam numa certa área da economia. e por mero capricho. ele fechou todos os apartamentos. industrial. otimização da atividade econômica. e aquele argumento tradicional: eu estou pagando os impostos.livre concorrência. diversos números de imóveis.propriedade privada. servir de moradia. 10 I . e por mera vontade sua. 12 III . ANGELO RIGON FILHO aglomerado urbano de uma grande cidade. menor preço. se o sujeito tem propriedade sobre inúmeros imóveis. Então quando agente fala em livre concorrência.que é a soberania nacional. para que o agente econômico que oferecer ao consumidor. porque a melhor qualidade e o menor preço. isso não garante ao individuo. 13 IV . Então o sujeito tem trinta apartamentos e não aluga nada para ninguém. por quê? Qual é a finalidade social de um imóvel num aglomerado urbano? A finalidade social de um imóvel num aglomerado é. que deseja se sobrepor ao bem estar da sociedade. o II11 e III12 que são os princípios da propriedade privada e o princípio da função social da propriedade. Isso é interesse da atuação econômica. Então não está sendo atendida a função social naquele caso em que o indivíduo tem vários. sempre sobressaia dentro daquela comunidade de atuação econômica.soberania nacional. Então nós temos uma outra vertente da função social da propriedade. neste caso. ou seja.função social da propriedade. o objetivo principal da livre concorrência é alcançar um binômio. “problema de quem quiser”. nós estamos falando da possibilidade dos agentes econômicos atuarem em igualdade de condições.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. Vimos no inciso I10. Apesar de estar pagando os impostos. aos membros da sociedade produtos ou serviços com melhor qualidade e menor preço. evidentemente. Então. eu faço o que eu quiser”. Sempre a finalidade da livre concorrência é garantir a possibilidade de os agentes econômicos concorrerem entre si na economia. Inciso IV – Princípio da livre concorrência O inciso IV13 refere-se ao princípio da livre concorrência. não. melhor qualidade. A livre concorrência é um instrumento de desenvolvimento da economia. eu faço o que eu quiser.

para o metro cúbico do gás. direta do princípio da livre concorrência. Que é a legislação da proteção da concorrência. e o consumidor que se vire. de um determinado nicho econômico.Conselho Administrativo de Defesa da Economia. para impedir a formação de cartéis de monopólio e oligopólio. numa certa cidade. a partir daí para escolher alguma coisa”. que é a possibilidade que deve ser dada a qualquer agente econômico de atuar na economia. acertado entre nós. a partir do acordo de vontades entre os agentes atuantes neste setor da economia. é sempre tentar anular. que já sabemos previamente qual é. para praticar preços idênticos. do que é monopólio. Então você vê. impedir que certos agentes econômicos tentem controlar de forma indevida a atividade econômica. mas o preço é um elemento essencial de escolha. Então a partir do momento em que os agentes econômicos de um certo nicho de mercado realizam este acordo. por exemplo. é a possibilidade de qualquer agente econômico atuar. O objetivo desse acordo de vontades. legislação também chamada de antitruste. Todos os postos de combustível da cidade têm o mesmo preço até nos centésimos. é importante que a gente consiga diferenciar o que é cartel. Exatamente o mesmo preço. Se eu não tenho escolha com base no preço. Evidencia-se aí a formação de um cartel. para o litro do álcool. que devem ser constantemente combatidos pelo Estado. do que é oligopólio. para garantir que não haja nenhuma forma de irregularidade. porque aí nos todos ganhamos um certo valor de lucro. mas trata da atuação dos agentes econômicos em igualdades de condição.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. que pode caracterizar abuso do poder econômico ou até mesmo crime contra a ordem econômica. “vamos todos cobrar o mesmo preço. ingressar na atividade econômica. ou diminuir. por exemplo. qual a regulamentação pra implementação efetiva do princípio da livre concorrência para implementação fática. deve zelar para que todos os agentes econômicos tenham a mesma condição. Os donos dos postos de gasolina entram em contato uns com os outros. nesse caso. a formação de cartéis. É para esse controle da livre concorrência. que o Estado criou uma agência. Os agentes econômicos ao atuarem na economia. ANGELO RIGON FILHO Cuidado para não confundir o princípio da livre concorrência com o princípio da livre iniciativa. por exemplo. que é o objeto principal do estudo que nós faremos na lei 8. a formação de monopólio. uma determinada área da economia. Qual é a diferença? Cartel é o controle de um determinado mercado. e a partir daí. objetivo do cartel. o Estado. nós vamos justamente falar de como o Estado atua na prática. a partir de um acordo de vontades entre os agentes econômicos atuantes neste setor. Então deve haver a atuação regulamentadora do estado dentro desta ordem econômica. nós temos o fenômeno da 16 . devem fazê-lo em igualdade de condições. que ninguém tenha privilégios na atividade econômica. não pode impedir o acesso de qualquer agente econômico ou atividade econômica. o cartel é o controle de um determinado nicho de um mercado. que coincidentemente. O objetivo é tirar do consumidor a possibilidade de escolha com base no preço. Nesse aspecto. Isso é a livre iniciativa. todos os postos de gasolina da cidade tem rigorosamente o mesmo preço para o litro da gasolina. Então. fazem um acordo. para esse controle da economia. a chance de escolha do consumidor. o exemplo mais comum é a cartelização de preços. e para litro do diseal. nos milésimos. a formação de oligopólio. criou uma autarquia que é o CADE . transgressões ao princípio da livre concorrência. eu vou escolher com base em outros elementos. Então os postos de gasolina entram em contato uns com os outros. São. A livre concorrência não trata do acesso a atividade econômica. mas o estado não deve.884. de uma área da economia. E ele deve também.

de quebrar eventuais concorrentes que surjam dentro daquele nicho de mercado. pode ser monopólio também. que é praticamente ele o único agente econômico a atuar naquela área da economia. que o monopólio não exige que seja rigorosamente apenas um agente que atua na economia. Normalmente.DIREITO ECONÔMICO PROF: PROF. não representam concorrência para ele. E dentro desta lógica. Ele decide o preço. Ele pode. igualando preços. mas sempre garantindo o bem estar social. a formação do oligopólio tem como finalidade impedir. a qualidade. impedir o ingresso de outros agentes econômicos para concorrer com eles. dos elementos da sociedade. sempre garantindo as melhores condições de desenvolvimento para a sociedade. Mono – um. ele decide inclusive se os outros agentes econômicos continuarão ou não. tem como objetivo o crescimento econômico. isso não pode ser admitido pela organização da nossa economia. atuando dentro daquele nicho de mercado. ele resolve tudo o que vai ocorrer naquele nicho de mercado. eles se comunicam entre si de uma maneira muito mais fácil. o que permitiria a eles formar um cartel. É a formação de um oligopólio. O monopólio não significa necessariamente que só ele atua naquele nicho de mercado. até durante um certo período. lembrando que sempre há atuação econômica nossa. que é inclusive o próximo inciso do artigo 170. e ele facilita muito a formação de cartel. o controle da atividade econômica por poucos agentes econômicos. o que também tem que ser combatido pelo Estado porque prejudica o desenvolvimento da economia. inciso este sobre o qual passaremos a falar na nossa próxima aula. Oligo – poucos. realizar uma política de preços extremamente agressiva suportando prejuízos. mas ele atua com tal preponderância com 95. sempre garantindo as melhores condições de desenvolvimento para a pessoa. a ideia da proteção da livre concorrência surge como um meio de proteção ao consumidor. a organização da nossa economia. Cuidado. com a deliberada intenção de prejudicar. 17 . monopólio é o controle da atividade econômica por apenas um agente econômico em um determinado nicho de mercado. Os outros não significam. Então. prejudica a capacidade de escolha do consumidor. qualidade de produto. por parte destes a poucos agentes atuantes nesse nicho de mercado. por exemplo. porque se não existe concorrência. Finalidade é impedir o acesso de outros agentes econômicos. quem tem monopólio manda em um nicho de mercado e isso não pode ser admitido pela nossa ordem econômica. o controle da economia por apenas um agente econômico que detenha 80. ANGELO RIGON FILHO cartelização que deve ser combatido pelo Estado. Quando eu tenho poucos agentes econômicos. esse tipo de coisa. O monopólio é muito prejudicial à atividade econômica. E além disso nós temos o chamado monopólio. então. 90% do mercado. 98% de tudo que se vende de um determinado produto naquela área da economia. O oligopólio é o controle de uma determinada atividade econômica por poucos agentes econômicos.