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A VIVÊNCIA EM GRUPOS DE ENCONTRO:
um estudo fenomenológico de depoimentos

ANTONIO ANGELO FAVARO COPPE

UFRJ/PUC Minas
2001

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A VIVÊNCIA EM GRUPOS DE ENCONTRO:
um estudo fenomenológico de depoimentos

ANTONIO ANGELO FAVARO COPPE

Dissertação submetida ao de Departamento de
Pós-Graduação em Psicologia do Instituto de
Psicologia da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, como parte dos requisitos necessários à
obtenção de grau de Mestre em Psicologia.

ORIENTADOR:
Prof. Dr. Franco Lo Presti Seminério

UFRJ/PUC Minas
2001

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A VIVÊNCIA EM GRUPOS DE ENCONTRO:
um estudo fenomenológico de depoimentos

ANTONIO ANGELO FAVARO COPPE

COMISSÃO EXAMINADORA

______________________________
Dr. Franco Lo Presti Seminério
Orientador

____________________________________
Dra. Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo
Membro

___________________________
Dra. Élida Sigelmann
Membro

Rio de Janeiro
2001

II. 2001. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. III. Orientador: Prof. 2. Franco Seminério. 3. I.iv FICHA CATALOGRÁFICA C785i Coppe. Psicoterapia centrada no cliente. Franco Lo Presti Seminério. 1. CDU: 615. Bibliografia. Antonio Angelo Favaro A vivência em grupos de encontro: um estudo fenomenológico de depoimentos / Antonio Angelo Favaro Coppe. Título. – Belo Horizonte. 151f. 4.6 .851. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fenomenologia. Dr. Relações interpessoais. Psicoterapia de grupo. Lo Presti.

na simplicidade do existir. Luísa e Clara. através do “encontro” em grupos. À memória de Vitório (meu pai). .v DEDICATÓRIA Aos “Freds” que ousaram entrar em contato consigo mesmos. com quem aprendi. Rômulo. a autenticidade de ser. acreditando na capacidade inerente do ser de crescer com todos os riscos que tal crescimento implica na vida. A Gabriela (Lucca). que me eternizarão no futuro misterioso e maravilhoso da vida.

vi AGRADECIMENTOS Na paisagem da memória ficam aqueles que contribuíram para que a experiência de ser humano pudesse ser mais compreendida. serena e flexível. Franco Lo Presti Seminério. facilitando o crescimento de todos os participantes. À Maria Luíza (Loló). À PUC Minas. companheiros de sonhos e projetos. À Dra. À Dra. Vera Engler Cury. pela possibilidade e apoio a este estudo. pela colaboração durante a realização da pesquisa. pelos afetos vividos. pela amizade e angústias e incertezas compartilhadas nos últimos anos. pela orientação firme. pelo acolhimento dos pedidos de “socorro”. Ao Professor Dr. aluna do Curso de Psicologia da PUC Minas. àqueles que enriqueceram os Grupos de Encontro com suas presenças. Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo e à Dra. especialmente ao Instituto de Psicologia. transformando as vivências e lembranças em afetos duradouros. Àqueles que se dispuseram a participar da realização deste estudo com seus depoimentos. pelas contribuições durante o exame de qualificação. À Daniella Kangussu da Cunha. pelas conversas e sugestões. Élida Sigelmann. . Ao Escípio e à Bernardete. principalmente. E. À Gislaine.

seguiu a metodologia dos quatro passos proposta por Amedeo Giorgi. Este estudo teve dez participantes que cederam uma entrevista para a coleta dos depoimentos sobre as suas vivências nos grupos de encontro. O objetivo deste estudo foi compreender fenomenologicamente as vivências do Grupo de Encontro – uma atividade específica da Abordagem Centrada na Pessoa . A Vivência em Grupos de Encontro: um estudo fenomenológico de depoimentos. sob o enfoque fenomenológico.e os seus possíveis alcances por participantes que o experienciaram. no período de 1986 a 2000. Orientador: Franco lo Presti Seminério. os participantes desenvolvem habilidades terapêuticas. Rio de Janeiro: UFRJ. Diss. A análise qualitativa dos depoimentos.vii RESUMO COPPE. Foi também possível concluir que através da identificaçâo entre os membros do grupo. 2001. Após a análise dos resultados. Antonio Angelo Favaro. em Belo Horizonte. o que revela o alcance que a experiência de grupos de Encontro propicia. . foi possível observarmos que o Grupo de Encontro possibilita mudanças significativas para os participantes. A análise dos elementos do vivido extraídos dos depoimentos revela a ampliação da percepção dos participantes.

After the analysis of the results it has been possible to observe that the Encounter Group allows meaningful changes for the participants. It has been also possible to conclude that through the identification among members of the group. in the period between 1986 and 2000. for participants who had experienced it in Belo Horizonte. under the phenomenological approach has followed the methodology of the four steps proposed by Amedeo Giorgi. A Vivência em Grupos de Encontro: um estudo fenomenológico de depoimentos. Antonio Angelo Favaro. This study has been done with participants whose reports were collected in an individual interview on their experience in Encounter Groups. The quantitative analysis of the reports. what reveals the range that the experience of Encounter Group allows. . The analysis of the lived elements extracted from the reports has revealed the enlargement of the participants’ perception.and its possible ranges. Rio de Janeiro: UFRJ. the participants develop therapeutic skills. Orientador: Franco Lo Presti Seminério. 2001. Diss.viii ABSTRACT COPPE. The aim of this research has been the phenomenological comprehension of the Encounter Group experience.which is an specific activity of the Person-Centered Approach.

.............04 1.......41 3....44 Parte III: O Estudo Capítulo 4: DO OBJETIVO À PESQUISA..........................01 Parte I: Fundamentação Teórica Capítulo 1: A ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA...........................13 1...vii Abstract.........3.........1....................................................................................2..........................................38 3.2.1: A pesquisa qualitativa........3: Um breve histórico sobre Carl Rogers......38 3...............................................................................................48 ......ix SUMÁRIO Dedicatória......................31 2... A Abordagem Centrada na Pessoa no Brasil....................09 1............... A pesquisa fenomenológica empírica.....................................................1: Da Terapia Centrada à Abordagem Centrada na Pessoa............................................................1: Histórico...............................................................................................................1: Objetivos............................................2..............2: Os objetivos e as etapas do processo de grupo...........................vi Resumo............................................................................2: Os fundamentos da Abordagem Centrada na Pessoa.....3: Instrumentos....................47 4...............................37 3..........................................1................ viii Introdução..31 2..........................2.................37 3.......................................................2: Participantes.................................1................................. A fenomenologia ............2: A pesquisa fenomenológica........................................................................................................................................................04 1....................................22 Capítulo 2: OS GRUPOS DE ENCONTRO........47 4....32 Parte II: Metodologia Capítulo 3: FUNDAMENTAÇÃO....................................... A pesquisa fenomenológica para um estudo de vivências...........................................................v Agradecimentos......................................................................47 4.............................

............................98 4........................................................4: Análise do depoimento de Flávia..................................94 4..........................................................4: Procedimentos.................................................49 4....................................................51 4................................1: Análise do depoimento de Cíntia...............56 4...........1: Discussão dos resultados..............5: Orientações para análise......7: Análise do depoimento de Alberto......101 5......6..........................6......6: Análise do depoimento de Rosa...6.................................12: Síntese geral .........76 4....................................................11: Categorização das Sínteses Específicas...66 4...3: Análise do depoimento de Rogério.........................................100 Capítulo 5: RESULTADOS............................................6..........6...............51 4..........................111 Anexo........6.......70 4........80 4.....................5: Análise do depoimento de Emerson..........6.........................2: Conclusão.6.........6..................................6..48 4...6.................2: Análise do depoimento de Roberto...6: Análise dos depoimentos............................8: Análise do depoimento de Íris.....63 4........10: Análise do depoimento de Lívia..115 ..........................90 4.............................................................................................9: Análise do depoimento de Viviane..................................101 5....................6.................................................................85 4............................x 4......107 Referências Bibliográficas............

sobre os possíveis alcances que esta experiência possibilitou a quem dela participou. é o de promover “o crescimento pessoal e o desenvolvimento e aperfeiçoamento da comunicação e relações interpessoais. além da sua contribuição clínica por propiciar o desenvolvimento pessoal. Diante desta realidade e em função da minha experiência na facilitação de mais de cinqüenta grupos nos últimos anos. através de um processo experiencial” (p. Portanto.). não só no Brasil. não mereceram até então uma atenção devida por parte dos envolvidos com a própria Abordagem e com as demais propostas de grupo da Psicologia Social.. uma vez que “há grande discussão sobre o fato de saber se a experiência intensiva de grupo produz alguma mudança significativa e. pretendeu-se preencher uma lacuna existente. C. 14). segundo Rogers (1970). p. especialmente. e cujo objetivo. uma das idéias que se configurou a partir das reflexões das experiências foi a necessidade de verificar que vivências o Grupo de .1 INTRODUÇÃO Os Grupos de Encontro. o que é corroborado por Rogers (1970) quando afirma sobre a necessidade de um estudo empírico e organizado para avançar o conhecimento sobre os grupos de encontro. estar-se-ia contribuindo para a fundamentação e expansão teórica da Abordagem Centrada na Pessoa (A. se produz alguma mudança duradoura no comportamento” (Rogers. P. C. P. 75). ao verificar os alcances ocorridos. que subsidiam esse modelo de atuação. Dessa forma. característicos da Abordagem Centrada na Pessoa. A relevância do desenvolvimento deste estudo relaciona-se ao fato de que os Grupos de Encontro são pouco pesquisados (Tassinari & Portela. ao se promover a compreensão descrita pelo participante a respeito da vivência em grupos de encontro. levando a uma reflexão crítica sobre a teoria e a prática da A. 1996). Rogers (1970) ressalta que o seu interesse está nas mudanças ocorridas após a experiência de grupo. 1970.

a proposta de um estudo descritivo. a sua inserção no Brasil. A primeira parte. Portanto. Ao longo desta dissertação. Tanto é que Rogers (1970) afirma que: “para a minha maneira de pensar. O primeiro apresenta a Abordagem Centrada na Pessoa. distinguindo-a da Terapia Centrada no Cliente. Assim. elucidou-se como o participante vivencia o grupo. desenvolvido segundo o enfoque fenomenológico. no que tange o seu alcance. valorizando desta forma a participação daquele que experiencia o grupo de encontro. fundada nos princípios de uma pesquisa fenomenológica empírica. como que o participante significa essa(s) vivência(s). o leitor perceberá que se buscou uma consistência teórica e metodológica para assegurar a validade do tipo de pesquisa aqui desenvolvido. possível contribuir para o desenvolvimento teórico do grupo de encontro. Este tipo de estudo. O segundo enfatiza os Grupos de Encontro. é composta de dois capítulos. de cinco capítulos.2 Encontro possibilita aos participantes. o objetivo deste estudo é o de compreender fenomenologicamente vivências do grupo de encontro tais como descritas por participantes. ou seja. Daí. A partir de uma análise da estrutura do vivido. fenomenológico – especialmente quando se lêem todas as respostas -. designada como fundamentação teórica. enquanto uma representação do conjunto total das descrições investigadas. é muito mais válido que a tradicional perspectiva empírica ‘bem construída’. apresento esta dissertação dividida em três partes. ao todo. compostas. destacando os seus fundamentos e um histórico sobre Carl Rogers. a metodologia empregada foi a entrevista gravada. sendo. vem ao encontro à necessidade de compreender as vivências descritas pelos participantes numa perspectiva subjetiva. ressaltando o que essa compreensão revela sobre os possíveis alcances das vivências experienciadas e a descrição da estrutura geral das vivências. muitas vezes desprezado pelos psicólogos como ‘simples relato pessoal’. desde um . qual o alcance dela(s) – esta é a questão basal deste estudo. ou melhor. tal qual se manifestou através da entrevista. dá realmente uma profunda compreensão do que significou a experiência” (p. Para tanto. assim. 132). este tipo de estudo pessoal.

descrevendo os participantes. apresentando-se as conclusões finais. salientado a importância da pesquisa fenomenológica para estudar vivências humanas e a necessidade de pesquisa qualitativa fenomenológica sobre o tema. é traçado. no primeiro. A segunda parte corresponde à metodologia. é apresentada a pesquisa qualitativa. E no segundo. A terceira parte é composta de dois capítulos. em que. desde o objetivo deste estudo. situando-o no seio da Abordagem e destacando a pessoa do facilitador. até a análise dos depoimentos com suas sínteses. em que. discutem-se os resultados obtidos neste estudo. o instrumento utilizado.3 esboço histórico até as etapas de um processo grupal. o procedimento da entrevista. . em um capítulo.

P.. simultaneamente os princípios da abordagem também se configuravam. C. evoluiu juntamente com os princípios que o estavam organizando. originadas e identificadas com a linha de pensamento e as propostas de atuação desenvolvidas por ele. como vimos anteriormente. A Terapia Centrada no Cliente foi apenas a primeira dessas aplicações e consistiu na facilitação do crescimento pessoal e saúde psicológica de indivíduos numa psicoterapia pessoa-a-pessoa" (p. tais como orientação não-diretiva e terapia centrada no cliente. seus colaboradores e seguidores (. V). então. traduzido pelo conceito formativo que é a Tendência à Atualização. Essa denominação substitui as antigas.4 PARTE I:FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Capítulo 1: A ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA 1.1: Da Terapia Centrada à Abordagem Centrada na Pessoa A designação Abordagem Centrada na Pessoa (A. Veremos. II e III). proposta por Rogers na década de 1970.). denomina. P. segundo Boainain Jr (1999). C. a abordagem. A partir do momento em que Rogers vai desenvolvendo o seu método psicoterápico. que veio a ser chamada Abordagem Centrada na Pessoa.. é uma categoria distinta" (p. "as contribuições teóricas e metodológicas ao campo da psicologia e das ciências afins. Terapia Centrada no Cliente tornou-se um sistema de mudança na personalidade. foi chamado de Terapia Centrada no Cliente. é a crença na capacidade do indivíduo. que a Abordagem Centrada na Pessoa é mais ampla em suas aplicações e que a teoria da Terapia Centrada no Cliente é um dos aspectos desta . organizadora da experiência bem sucedida em diversas atividades. Wood et al (1994) dizem que "Rogers considerou a Abordagem Centrada na Pessoa como uma forma singular de abordagem. Embora relacionada com esse sistema. O princípio norteador da A. Wood et al (1994) afirmam que "aquilo que no final. 77).)” (p.

freqüentemente de natureza bastante espantosa. em diferentes campos de atividades" (p. não tem uma teoria e. 2º) que a Terapia Centrada no Cliente tem um corpo teórico consistente. quando foi aplicada (. muito menos.) em outras atividades tem sido chamada de Abordagem Centrada na Pessoa" (p. advindo da pesquisa exaustiva que Rogers e colaboradores empreenderam. VI e VII). está provando ter implicações. Wood et al (1994) corroboram esta afirmação indagando: Que teoria poderia ter uma abordagem? (p.. Deduz-se disso duas proposições: 1º) que a A. Rogers (1946) coloca que "embora a Abordagem Centrada no Cliente tenha suas origens puramente dentro dos limites da clínica psicológica. psicoterapia de grupos. grandes grupos. Nos trinta anos seguintes.) a abordagem nunca mudou.Cliente outras aplicações I Sendo que: II III IV V VI .. um método.no.Pessoa Terapia Centrada – no ..Cliente Abordagem Centrada . V).5 aplicação. era freqüentemente chamada de Abordagem Centrada no Cliente. durante a fase intensiva do desenvolvimento da Terapia Centrada no Cliente. facilitação de aprendizagens. C. 421) tais como: grupos de encontro. P. proposto por Wood et al (1994) ajudar-nos-á a entender melhor a história da abordagem e suas aplicações: 1935 1965 1995 A Abordagem Abordagem Centrada .. O quadro abaixo. resoluções de conflitos.na . Wood et al (1994) nos dizem ainda que "ao longo de sessenta anos (. cujas hipóteses puderam ser testadas empiricamente. etc. Nos primeiros trinta anos.

Em 1940. IV. onde Rogers inicia sua prática psicológica. 1990 e Holanda. a evolução histórica da A.6 I. através de sua atuação como professor. Experiência em processos internos. . em Nova York. publicado em 1942. Método de terapia. Atitudes do terapeuta. P. Neste período Rogers participou de um seminário de Otto Rank. além de manter as três fases iniciais (Fase da terapia não-diretiva. Facilitação do aprendizado. V. Corresponde à publicação (1961 a) do best-seller Tornar-se Pessoa. Neste período. Boainain Jr (1999). propõe mais duas fases: a Fase dos grupos de encontro e a fase dos grandes grupos. Caracterizada pelo livro de Rogers. Fase da terapia centrada no cliente e Fase da terapia experiencial). III. foi contratado por um centro de tratamento com formação rankiana e também passou a realizar intercâmbio com a escola de Assistentes Sociais da Pensilvânia. Relacionamentos interpessoais. Devido a suas vivências. De uma maneira didática. Terapia Não-Diretiva. Aconselhamento e Psicoterapia. é convidado a trabalhar como professor da Universidade de Ohio. trabalharemos a seguir com a proposta de Boainain Jr. que propunha uma terapia relacional. em três fases que delineiam a sua atuação dentro do processo terapêutico. II. Moreira. A primeira fase. alguns autores (por exemplo. Porém. foi dividida. Grupos de Encontro (1970). através de uma abordagem psicanalítica no uso do diagnóstico e aconselhamento. acontece historicamente em meados da década de 30. formação e transformação da cultura. na cidade de Rochester. inicialmente. Sobre o Poder Pessoal (1977) e Um Jeito de Ser (1980) (p. desde então Rogers passa a pensar em um processo terapêutico a partir de uma escuta compreensiva e empática na qual o cliente direciona a terapia. VIII). publicado em 1951. 1998) têm proposto novas fases. Liberdade para Aprender (1969). Identificada pelo livro Terapia Centrada no Cliente. VI. Para facilitar a compreensão histórica da Abordagem. C. Processos sociais.

o desenvolvimento. destaca-se a aplicação da Abordagem em outros campos como na psicoterapia de grupo. a mudança e o relacionamento humano. treinamento de conselheiros e liderança participativa (Holanda. 1999).7 conferencista e supervisor. que são a consideração positiva incondicional. o que lhe traz um estado de conscientização de sua teoria que retira a direção da análise do terapeuta. compreendesse e refletisse. compreensão empática e congruência. através de novas e revolucionárias técnicas de pesquisa e investigação terapêutica. que apesar de resultados não precisos. 1998 e Boainain Jr. é desenvolvida em Chicago. A segunda fase. quando Rogers e seus colaboradores dão maior fundamentação. Em 1957. A terceira fase é denominada de terapia experiencial. a partir da década de 40 e 50. o livro Teoria da terapia. onde teria a oportunidade de trabalhar em associação com o departamento de psiquiatria. seria mais humano que ele aceitasse. que passa a ser um elemento facilitador do processo de crescimento e transformação do cliente. quando Rogers assume a direção do centro de aconselhamento vinculado à Universidade de Chicago. como o uso da gravação de entrevistas e da técnica Q. definição e estruturação para a base teórica que vinha sendo construída. chamada de terapia centrada no cliente. destacamse três atitudes essenciais para que o terapeuta pudesse ser um facilitador. com a prática terapêutica principalmente com esquizofrênicos. Mas depois. personalidade e relacionamento interpessoal. principalmente a partir de 1942 com a publicação do seu livro Psicoterapia e consulta psicológica (Boainain Jr. Começa a pesquisar a aplicação de sua abordagem a pacientes psiquiátricos. A princípio pensou em um terapeuta que ao invés de apresentar um padrão de resposta reflexo ao que o cliente dizia. Sua abordagem passou a ser melhor aceita e reconhecida. Nesta fase. Ainda nesta fase. Ao buscar organizar as formulações de hipóteses empiricamente testáveis sobre a personalidade. ludoterapia. faz com que Rogers se aproxime mais do referencial existencial-fenomenológico e adote uma postura mais humanizadora para o terapeuta. Passa-se a buscar um embasamento empírico para a terapia. 1999). passa a explicitar e embasar suas propostas. em 1956. Este período é referido como o mais importante e produtivo da construção da Abordagem Centrada. Rogers revoluciona o campo . acaba escrevendo. que mantinham uma postura apática e não tomavam iniciativa verbal para o começo da relação. Rogers assume um cargo na Universidade de Wisconsin. educação.

Em 1961. Em 1963. 1999). que pretendemos desenvolver o nosso trabalho: um estudo das vivências subjetivas dos participantes dos grupos de encontro. Em 1974. focalizando a relação cliente-terapeuta. Rogers contribui para a formação do grupo mais não-diretivo e menos técnico. Rogers se torna uma importante figura da "Terceira Força" em psicologia (Holanda. em La Jolla. buscando a construção de uma mini-sociedade ou comunidade sem liderança formal. o Centro de Estudos da Pessoa resolve aplicar a teoria da Abordagem em grupos maiores. 1999). A quinta fase. governo. abandona a WBSI e funda o Centro de Estudo da Pessoa. acontece nas décadas de 70 e 80. chamados Workshops. através de seu livro Tornar-se Pessoa. escritor e facilitador de grupos. O experienciar do fluxo é vivido pelos participantes da relação. ou seja. estabelecendo o verdadeiro foco orientador do centrar-se do terapeuta. Esta é a chamada quarta fase (dos grupos de encontro) quando o trabalho se focaliza especialmente nas potencialidades transformadoras do trabalho grupal e o pesquisador examina as transformações socioculturais para sua análise científica e filosófica. onde explora as potencialidades do comportamento em diversas áreas como na educação. pelo cliente ou pelos participantes do grupo (Boainain Jr. de Skinner. possibilitando o movimento de abertura experiencial e comunicativa e enfatiza uma reestruturação da personalidade e crescimento pessoal. 1998 e Boainain Jr. administração. Gendlin contribui metodologica e teoricamente com a Abordagem ao introduzir o conceito de "experienciar". caracterizada pelo aprendizado com os grandes grupos. aonde começa a se dedicar ao trabalho de conferencista. chamada agora de "bipolar" ou bicentrada. baseando-se apenas nas . negócios. Nesta época Rogers se posiciona como opositor da corrente behaviorista. com clima psicológico caloroso e permissivo. A década de 60 é marcada pelo Movimento do Potencial Humano. centrada no mundo e nas dificuldades de duas subjetividades autenticamente envolvidas na relação. O encontro do grupo é caracterizado pela presença de condições facilitadoras (verdadeiro agente transformador e curativo apontado pela Abordagem) realizadas pelo facilitador designado. a convite de Richard Farson para se juntar à equipe do Western Behavior Sciences Institute (WBSI).8 terapêutico. Em 1968. Rogers se muda para a Califórnia. É aqui. vilarejo de San Diego. na Califórnia. nesta fase. Nesta terceira fase. que viverá essencialmente o que é falado e sentido pelo outro plenamente.

etc. facilitação de aprendizagens. Rio Grande do Sul e Pernambuco (Tassinari e Portela. a evolução da Terapia Centrada no Cliente à Abordagem Centrada na Pessoa mostra o seu dinamismo teórico e a sua aplicação nos mais variados campos de atividades. São Paulo. psicoterapia de grupo. Apesar da descrença em tal trabalho. livros. Minas Gerais. apresentação de eventos. com a vinda de Rogers e seus colaboradores John K. os resultados foram extraordinários. aplicações de temas vislumbrados nos encontros. em São Paulo. artigos. Wood.1: A Abordagem Centrada na Pessoa no Brasil A Abordagem Centrada na Pessoa surge no Brasil em 1945 e se torna expressiva em 1977. descortinando interesses.9 possibilidades abertas pelo poder pessoal de cada participante para exercer a autodeterminação. eventos e profissionais que abrangiam principalmente os estados do Rio de Janeiro. que mostra ao organismo o seu poder. 1. de 1945 a 1976. Historicamente. teses. ocorre com a morte de Carl Rogers.1. A segunda etapa é chamada de Fertilização e abrange o período de 1977 a 1986. A segunda contribuição desta fase se dá através da conscientização política. 1996). possibilidades. verifica-se o entrosamento dos profissionais. Com a chegada de Rogers em 1977. A terceira etapa. denominada de Declínio. a Abordagem Centrada na Pessoa no Brasil é dividida em quatro etapas distintas (Tassinari e Portela. Maria e Jack Bowen (Tassinari. denominada de Pré-História. é caracterizada pela grande quantidade de publicações. retirando-o das fontes externas e de manipulação. resolução de conflitos. monografias. Encontros Latino-Americanos e criação de núcleos profissionais (Tassinari e Portela. de 1987 a 1989. 1996) A primeira etapa. Jornadas de Psicologia Humanista. Verifica-se . tais como: grupos de encontro. nos Estados Unidos. e de Rachel Rosemberg. 1996). promovendo a emergência da democracia e da paz mundial. Naturalmente. no Brasil. 1999). grandes grupos. Maureen Miller. Com isto a Abordagem passa a vislumbrar uma "revolução silenciosa" aonde as pessoas cientes de seu poder pudessem solucionar problemas de classe sociais e interculturais. Encontros Nordestinos.

em Canela (RS). provocando a diminuição de artigos. denominado de Fax-Cilitando (Tassinari e Portela. 1996). desde a década de 70. em 1996. o IV Fórum em Brasília (DF)/Cocalzinho. o II Fórum. Acontece o I Fórum Brasileiro da A. (GO).10 a saída de precursores expressivos desta orientação teórica e do meio acadêmico. 1996). Abrange a área de atuação da Abordagem aos Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte (Tassinari e Portela. em Paulo de Frontin (RJ). destaca-se o Núcleo Paulista da Abordagem Centrada na Pessoa. Ainda em 1980. . Ascensão/Renascimento. livros. objetivando a orientação de pesquisas. realizando diversas atividades teóricas e vivenciais como o I Encontro Nacional de Psicologia Humanística. depoimentos e entrevistas (Tassinari e Portela. com Raquel Rosenberg. livros. estimulando os profissionais do país. eventos. Essas perdas abalam principalmente a região Sudeste. solidificando-se em Minas Gerais. formações de núcleos. com publicações de artigos. Desde 1970 foram criados 25 núcleos formados por profissionais interessados na divulgação. é o nome dado à época de 1990 em diante. Paraíba e Alagoas (Tassinari e Portela. Ainda neste período. o III Fórum. através da criação do Centro de Desenvolvimento da Pessoa. Teresa Cristina Carreteiro e Lúcio Campos. Em São Paulo verifica-se uma atuação forte da Abordagem. 1996). em 1996. teses e eventos vivenciais. em Ouro Preto (MG). 1996). para 2001. através do trabalho de Mauro Amatuzzi com alunos de pós-graduação da PUCCAMP. como Teresa Dourado. Alguns criaram boletins informativos. aprofundamento e prática da Abordagem Centrada. em 1997. pela organização e incentivo de vários eventos e publicações durante cinco anos do Boletim do Núcleo Paulista. além da extinção de alguns núcleos existenciais. A maioria destes não apresenta finalidades lucrativas e se constitui como agrupamento informal.C. que teve seu apogeu nos três primeiros anos. A quarta etapa.P. em 1999 e. com a criação do Grupo Mineiro de Psicologia Humanista. com formação de núcleos nos Estados do Ceará. mas que atualmente restringe-se a boletim informativo. Na década de 80 surge o Grupo de Orientação Humanística. que depois originou o Grupo de Psicologia Humanista. apresentando um aumento significativo nas produções de artigos. e do Instituto Humanista de Psicoterapia (IHP). observa-se a ascensão da região Nordeste. em 1993.

contemplando profissionais. Em 1963. que posteriormente se formaliza em sociedade civil e denomina-se Centro de Estudos de Psicoterapia (CENEP). Simultaneamente. inclusive. coordenado por Antônio Luiz Costa (Quinan. No final da década de 60 cria-se o primeiro grupo de Formação de Psicoterapeutas. Maria Constança Villas Boas Bowen. a presença de membros desses núcleos nos eventos da Abordagem tem sido significativa. através do Curso de Psicologia da UFMG. Em 11 de dezembro de 2000. em 1998 e 1999. em 1994. Lee. vem se dando continua e ininterruptamente. no Curso de Psicologia da. Em Belo Horizonte. professores e alunos. para uma palestra sobre o Humanismo. por Antonio A. Nas décadas de 70 e 80 houve encontros com alguns profissionais do exterior. as primeiras experiências com a Abordagem se deram no fim da década de 50 e início da de 60. denominado ACPCamp. do psicólogo cubano Jorge Luiz Del Pino Calderón. C. e os demais com Rogério Christiano Buys (RJ). Em fins da década de 80. membro de um grupo informal vinculado à ACP. a vinda de Robert E. cria o boletim Integrando: Através do Projeto Integração. e. Em 1993. com Pierre Weill e Antônio Luiz Rodrigues da Costa. patrocinando. que promoveu nos anos de 93 a 96 os Encontros Mineiros de Psicologia Humanista. . constitui-se o primeiro grupo de estudos da Abordagem Centrada na Pessoa. a divulgação e formação na A. Coppe. Em 1970. Rui e Rose Stockinger (RJ) e Rubem Alves. sendo o primeiro deles engrandecido com a presença de John Keith Wood.11 Recentemente. este grupo funda o GRUMPSIHGrupo Mineiro de Psicologia Humanista. realizado em 1989. para treinamento na formação de psicoterapeutas. no qual informava o andamento do IV Fórum Internacional. F. A partir do VII Encontro LatinoAmericano. surge a atividade de treinamento sobre a Teoria Centrada no Cliente. Universidade Católica de Minas Gerais (o primeiro de Minas Gerais). respectivamente. tais como: Max Pagés. então. Maureen Miller O’Hara e outros. P. dissolvendo-se em 1978. Escípio da Cunha Lobo divulga os princípios da Terapia Centrada no Cliente. com a fundação do Instituto Humanista de Psicoterapia (IHP). Desde 1996. ex-diretor do Centro de Estudo da Pessoa (EUA) e colaborador de Rogers. em 1999. tivemos a informação da criação de um novo núcleo da Abordagem em Campinas. Escípio da Cunha Lobo e Maria Bernardete de Brito Capanema. o IHP promoveu um Seminário Clínico com o tema “Os 60 Anos da Terapia Centrada no Cliente”. Luiz Roberto Rodrigues. s/d). SP.

Santa Catarina. além de pesquisar sobre o contexto teórico-prático. O Espaço-Vida. em Niterói. Em 1994 foi fundada a ARP (Associação Rogeriana de Psicologia) e. Em 1993. 1996). a NOVA. na década de 70 e 80 contribuiu para uma fecunda produção de livros. criou-se o DELPHOS . ambos na cidade do Rio de Janeiro (Tassinari e Portela. criou-se o Núcleo de Psicologia Humanista. A ARP pretende congregar pessoas para a divulgação da teoria e da prática da Abordagem. fundado em 1975. que almeja facilitar a escolha vocacional das pessoas através do alcance de um melhor autoconhecimento. é encerrada sua circulação. é editado o primeiro Boletim ACP em Movimento. Em 1994. centro de referência e informação. em 1996. Em 1988. No Estado do Rio de Janeiro encontram-se 8 núcleos atuantes nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói. desde 1991. salas de estudos e cursos de curta e longa duração. Recentemente. com o objetivo de servir de pólo irradiador da Abordagem. em 1989. nos Encontros Latino-Americanos. investe no campo da psicoterapia infantil conjugada com a teoria sistêmica. Na década de 90 foram criados 5 novos núcleos com os mesmos objetivos do CPP. mas. oferecendo cursos de formação de psicoterapeutas e dando continuidade ao trabalho desenvolvido em academias. para atendimento psicoterápico. Em 1980. A NOVA apresenta uma proposta baseada na Terapia Centrada na Pessoa em conjunto com a Terapia Expressiva de Natalie Rogers. através de . teses e práticas grupais. é criado em Petrópolis o Centro de Psicologia e Estudos da Pessoa (CEPEP). de Niterói). nos Encontros Nordestinos.Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Humano.Núcleo de Orientação Vocacional da Barra. nas Jornadas de Psicologia Humanista. O Centro de Psicologia da Pessoa.12 Em Porto Alegre o Centro de Estudos da Pessoa. O interior do Estado do Rio de Janeiro se serve desses três núcleos. Estes grupos eram o CPHN (Centro de Psicologia Humanista.o Instituto de Desenvolvimento Humano passa a oferecer cursos baseados na qualidade de vida dos profissionais envolvidos na Abordagem. para transformar em palavras a história de 15 anos da Abordagem no Brasil. em Tubarão. além de diversas teses e monografias. o EspaçoVida e o Instituto do Desenvolvimento Humano. é um dos mais antigos do Brasil e apresenta uma biblioteca com acervo significativo de trabalhos apresentados nos Fóruns Internacionais. Desde 1990 que o CPHN vem contribuindo para a divulgação da Abordagem através de workshops.

P. Em 1991 o Núcleo Humanista Centrado na Pessoa e o Núcleo Cearense se fundem formando a ANPHE . No Nordeste a atividade da Abordagem começou em 1972. mas quem não participa destes se integra a congressos. C. um organismo em que se pode confiar" e a Abordagem consiste em "prover certas condições psicológicas que facilitam a liberação deste fluxo subjacente para realização construtiva das complexas possibilidades da pessoa" (p. O estudo e prática da Abordagem. Em 1988.1) "o ser humano é. que ainda são empregadas. Passa a divulgar artigos de outras orientações teóricas. no Nordeste. evidencia-se uma expansão significativa da Abordagem no Brasil. Ensino Centrado no Aluno. Em 1976. tais como: Orientação Não-Diretiva. v. 1996). 1996). surgem os Núcleos da Abordagem em João Pessoa e Ceará. não se dá apenas em núcleos formais. de acordo com a evolução do pensamento rogeriano. visando a dissolução de idéias sectaristas quanto a uma determinada ideologia. recebeu diversas denominações durante seu percurso histórico. com a formação do Centro Rogeriano de Psicologia Clínica.13 cursos propostos para toda a população (Tassinari e Portela. Liderança Centrada no Grupo. Após este mapeamento. embora sem núcleos formais. em seu cerne. no Recife.) rendeu contribuições nos campos teóricos e metodológicos às ciências afins e à psicologia. Terapia Centrada no Cliente. levando-se em conta a realidade conceitual que essas designações trazem em suas teorias. na mesma época criase em Maceió o Centro de Estudos de Psicologia e Psicoterapia FenomenológicoExistencial. 1.Associação Nordestina de Psicologia HumanistaExistencial. muda o nome para Centro Pernambucano de Psicoterapia. A Abordagem Centrada na Pessoa (A. Esta abordagem. 112). 1977. nos últimos Encontros regionais e Latino-Americanos. eventos e coordena cursos de Pós-Graduação (Tassinari e Portela. . As regiões Norte e Centro-Oeste apresentam poucos profissionais na área da Abordagem que começaram a se expressar.2: Os Fundamentos da Abordagem Centrada na Pessoa Segundo Rogers (Rogers & Kinget.

Rogers foi o primeiro a gravar e filmar uma sessão psicoterápica e a usar o termo "cliente". 1977). mas aquele que direciona e dá sentido à terapia. social e prolongamento da vida através da reprodução. No ser humano esta tendência não visa apenas a subsistência de necessidades básicas. v. apesar de ser marcada por flexibilidade. apresenta uma base de princípios fundamentais que sustenta sua teoria expressa nos seguintes constructos: A . necessidades e impulsos. isto é. 1977. designando o trabalho na clínica.1). Rogers propôs a denominação Abordagem Centrada na Pessoa. atributos. como respirar.Noção de "Eu" É uma estrutura perceptual. A Tendência à Atualização ou Realização é o pilar da teoria da Abordagem e propõe que em cada organismo. que abrangia a atuação do psicólogo em vários campos como na educação. qualidades e defeitos.14 Em 1970. Um outro conceito foi criado a partir desta década. não dogmatismo e grande desenvolvimento dinâmico. capacidades e limites. Além disto. através de reformulações conceituais e ampliação do campo de interesse e atuação.Tendência à Atualização Todo organismo é movido por uma tendência inerente para desenvolver todas as suas potencialidades e para desenvolvê-las de maneira a favorecer sua conservação e enriquecimento (Rogers & Kinget. um conjunto organizado e mutável de percepções relativas ao próprio indivíduo. único. Seu movimento leva o organismo a se reconhecer com autônomo. Como exemplo dessas percepções podemos citar: as características. escola teórico-prática. alimentar e desenvolvimento dos órgãos. não importando sua complexidade. existe um fluxo interno que movimenta o ser em direção à construção de suas potencialidades. B . abrange a noção de motivação. A Abordagem Centrada na Pessoa. que recebeu o nome de Abordagem Centrada no Cliente. na resolução de conflitos. . mostrando a não passividade da pessoa no processo terapêutico. que se relaciona com a redução de tensões. desenvolvendo-as de maneira a conservar-se e enriquecer-se. mas também ao aprendizado intelectual. valores e relações que o indivíduo reconhece como descritivos de si mesmo e que percebe como constituindo sua identidade (Rogers & Kinget. na facilitação de grupos.

outro a direção" (p. deduzida da teoria da terapia" (p. Um fornece energia. tudo que é suscetível de ser apreendido pela consciência. Mas Rogers (Rogers & Kinget. de Rogers & Kinget. v. que é dividida em 11 grupos. 1. 09). Os conceitos das noções-chave se baseiam no capítulo VIII do livro Psicoterapia e Relações Humanas. 161.1) diz. v. v. 43).Experiência Esta noção.178) Segundo Coppe (1999). sendo que cada grupo está organizado em torno de uma noção-chave" (p. 1977. tanto do 'organismo' quanto do 'eu'. pois segundo Rogers (Rogers & Kinget. A noção de experiência engloba. D . (p. que "a experiência é avaliada levando-se em conta as necessidades de conservação e de valorização. o segundo representa o fator regulador.1). tanto os acontecimentos de que o indivíduo é consciente quanto os fenômenos de que é inconsciente" (p. 1977: . Apresentaremos abaixo uma lista numerada das noções. em outras palavras. o desenvolvimento de noções sistemáticas e precisas. A conjugação destes dois fatores é que determina o comportamento. C . "se refere a tudo que passa no organismo em qualquer momento e que está potencialmente disponível à consciência. 44). mais precisamente. v. no presente imediato e no futuro". ele é o pilar da teoria da terapia. pois.Avaliação Organísmica Pagés (1976) diz que "o indivíduo possui um sistema de avaliação da experiência e que as experiências percebidas como atualizadoras do organismo são valorizadas positivamente. ao passo que o segundo é a base da teoria da personalidade. 09). segundo Rogers e Kinget (1977). "o desenvolvimento teórico possibilitou ao longo dos anos.1) "o primeiro representa o fator dinâmico. 1977. e são valorizadas negativamente no caso inverso” (p.15 Coppe (1999) afirma que "o primeiro constructo é o postulado fundamental da abordagem.

Segundo Kelly (apud Rogers & Kinget. Esse objeto pode estar como pano de fundo ou como figura central. Para se ter certeza de que ela pode realmente ter sido verdadeira testa-se o fenômeno ocorrido. de forma consciente ou inconsciente da experiência. perceber é "o efeito consciente de excitantes . A Experiência se restringe a fatos imediatos da consciência e não a acumulações de acontecimentos passados com o organismo. Quando a experiência é simbolizada sem a ação das defesas ou sem qualquer dificuldade.16 Lista das noções-chave I . III .que afetam o . 1). v. ela está disponível ou acessível à consciência. segundo Rogers (1983). a consciência corresponde à representação ou simbolização (não necessariamente verbal) de uma parte da experiência vivida. é mister esclarecer que esta tendência pode. Simbolizar corretamente não significa que a experiência tenha sido real. 40). Experimentar é vivenciar de forma ativa e mutável os acontecimentos internos e sensoriais que atingem o organismo.Tendência atualizante Apesar de já tratada no item A acima. Ao experimentar um sentimento entra-se em contato com a manifestação de um fenômeno que será apreendido ou não.Noções relativas à representação consciente Representação é sinônimo de simbolização e de consciência. mas não pode ser destruída sem que se destrua também o organismo " (p.Experiência Experiência é tudo aquilo que ocorre consciente ou inconscientemente ao organismo. Ela é uma característica dos seres vivos. 162. "ser frustrada ou desvirtuada. II . Nesta concepção. não abrange a noção de descargas bioquímicas ou fisiológicas. ou seja. É uma noção psicológica e não fisiológica. já que estas não ocorrem a nível consciente. p. 1. v. Experimentar um sentimento abrange ao mesmo tempo a noção cognitiva e afetiva da experiência vivida.principalmente luminosos e sonoros . Segundo Rogers & Kinget (1997). A simbolização pode apresentar graus diversificados de intensidade em relação ao objeto. "Experimentar conscientemente significa simbolizar corretamente uma dada experiência” (p. 162). 1977.

mas organizando ou reorganizando sua estrutura dependendo de elementos significativos para a pessoa. A idéia ou imagem do "eu" é disponível à consciência. A experiência do "eu" é que fornece ao organismo a idéia de "eu". mas atua de modo que ocorra uma significação pessoal do excitante. é uma Gestalt. Existe uma diferença entre percepção e consciência: a primeira se restringe a aspectos conscientes e a segunda abrange os aspectos conscientes e inconscientes. IV. 1977. 1977. v. Durante o processo terapêutico a noção do "eu” se altera significativamente. A subcepção fornece ao organismo a distinção de um excitante sem necessariamente utilizar os centros nervosos que sustentam a consciência. 1. não em nível de adicionar ou subtrair essência. De acordo com McCleary e Lazarus (apud Rogers & Kinget. com outras pessoas e da atribuição de valores que esta pessoa emprega para a experiência. O "eu" não é uma noção fixa. Ela explica a capacidade do indivíduo para distinguir o caráter ameaçador de uma experiência sem ter pleno conhecimento deste caráter ameaçador (Rogers & Kinget. Quanto maior a experiência do "eu" condizer com o Ideal do Eu. maior será a qualidade de vida e saúde que a pessoa desfrutará. .17 organismo do exterior". A percepção emerge da consciência em resposta a excitantes que afetam o organismo e podem ser comprovados por ele. 164). 1). mostrando-as e negando as imagens que tem mas não gostaria de possuí-las. Este termo designa a experiência composta de percepções relativas ao eu. mesmo que a pessoa não tenha consciência do fato. ao passo que o Eu-Ideal é aquilo que o indivíduo gostaria de ser.O "eu" e noções conexas Experiência de si abrange todos os fatos que a pessoa reconhece como sendo relacionados ao "eu". p. O "eu” é um regulador do comportamento à medida que seleciona as imagens que acredita condizer com a figura que idealiza. a "subcepção é a discriminação (de excitantes) sem representação consciente". A significação e os excitantes pertencem a uma mesma experiência vivida pelo indivíduo. com relações deste com o meio. que pode sofrer modificações profundas. v.

que o desajuste psíquico ocorre quando o eu não representa ou deforma elementos importantes da experiência. Neste estado o eu está propenso a sentir angústia.Reação à ameaça Dizem Rogers & Kinget (1977). Verifica-se. O organismo pode se encontrar no estado de desacordo e se dar conta do que está experienciando. então. ameaça e desorganização. VI. fazendo com que a pessoa viva uma distância entre o eu e a experiência.Desacordo e noções conexas O desacordo acontece quando a imagem do eu e a experiência real não condizem. 170).que exigiria uma modificação da estrutura do eu" (p. A isto emprega-se o nome de vulnerabilidade. deformando a realidade para não modificar ou desvalorizar a estrutura do eu. É recusando-se a compreender que a pessoa consegue escapar à dificuldade. Do ponte de vista fenomenológico. 1) "a angústia constitui a reação do organismo à 'subcepção' deste estado de desacordo e ao perigo de tomada de consciência . que "a defesa representa a reação do organismo à ameaça" (p. A rigidez perceptual faz com que o indivíduo represente sua experiência para si de modo incondicional e absoluto. ela acredita nas opiniões alheias. confusões e tensões para o eu. A pessoa não percebe a realidade concreta. 170). resultando em conflitos. Segundo Rogers & Kinget (1977. generalizando os acontecimentos ao invés de relativizálos. confundindo os fatos de juízos e valores sem ter coragem de enfrentar a verdadeira realidade. Estes elementos ou são representados de maneira incorreta ou não são representados no eu. Nessa situação o indivíduo passa por um estado de tensão e confusão. a angústia é um estado de tensão e mal-estar que o indivíduo apresenta devido a um conflito com o eu e à totalidade da experiência.18 V. se comportando ora através do ideal do eu. A ameaça ocorre quando o organismo conscientemente ou através da subcepção percebe que alguns elementos de sua experiência não estão de acordo com o seu ideal de eu. ora através das exigências do organismo. em termos de tempo e espaço. . v.

19 VII. 174. que assume a responsabilidade de sua individualidade e trata as pessoas com devido respeito por serem seres individuais e autônomos. está experimentando um estado de congruência.Noções de acordo e noções conexas O acordo entre o eu e a experiência acontece quando um indivíduo tenta estabelecer um estado de acordo entre a experiência e sua imagem. O Funcionamento Ótimo ocorre quando o organismo permite a integração simbólica da totalidade da experiência. seu pensamento se guia pelas observações e não por opiniões.. que só é modificada através da verificação de fatos que possam ser observados e comprovados. a pessoa está completamente disponível aos efeitos produzidos tanto pelo meio externo (luzes. "existe entre elas as condições mínimas necessárias à relação" (p. ou abertura à experiência. . 1 ). desgosto). experimentando um sentimento positivo de si e em relação ao outro. A receptividade à experiência ou "Abertura à experiência" é quando o organismo não se sente ameaçado diante o acontecimento. Este indivíduo tem sua própria opinião. segundo Rogers & Kinget (1977). v. diferenciada ou realista. Quando as experiências são corretamente simbolizadas pelo eu diz-se de um organismo funcionando de modo ótimo. que é quando o organismo está aberto à experiência e a percebe de maneira diferenciada e realista. se baseia em múltiplos critérios chegando a um conclusão verdadeira à prova da realidade. cores) quanto pelos internos (memória. Quando os fenômenos são realmente observados e experienciados ocorre uma percepção chamada discriminativa. ou subliminar".) Ou seja. quando "duas pessoas estão em presença uma da outra e cada uma delas afeta o campo experiencial da outra numa forma ou percebida. a primeira se sente feliz por isto.Consideração positiva incondicional e noções conexas Contato é. Ocorre a consideração positiva também quando uma pessoa percebe que outra está tendo noção da experiência que é vivida e. respeitado ou simplesmente aceito. Esta noção equivale ao acordo da experiência vivida e a noção de eu. ou seja. VIII . Daí ocorre a maturidade psíquica. prazer. O indivíduo que vivencia sua realidade percebe o contexto no espaço e tempo corretos. A consideração positiva ocorre quando um sujeito afeta o campo experiencial do outro e este se sente acolhido. ou seja. então. (..

sob certos aspectos. ou seja.Noção de avaliação condicional Avaliação condicional ou consideração seletiva acontece quando a pessoa evita ou procura certas experiências por lhe parecer dignas ou não de consideração positiva de si. percebemos seus defeitos e qualidades. Esta noção se desenvolve. que era anteriormente o lugar ocupado por uma pessoa que sentíamos ser especial para nós. Esta atitude é evidente quando amamos outra pessoa. é apreciado e que. segundo Rogers & Kinget (1977). Quando as experiências de uma pessoa são sentidas por outra como igualmente dignas de consideração positiva. mas em função do critério de outras pessoas. Concluindo. mas que está intimamente ligada à consideração positiva que o outro tem por nós. Quando o organismo passa a perceber que . 1977. que destaca. ou quando percebe-se que o outro age desta maneira consigo. passando a avaliar sua satisfação não por seus critérios. sob outros. 1 ). v. que o indivíduo reconhece como tendo para ele o valor da consideração de outra pessoa. a atitude de consideração positiva de uma pessoa tende a se influenciar pela atitude de consideração positiva ou negativa do outro para ela. A consideração positiva de si é quando o próprio indivíduo sente consideração positiva de si independente da atitude de consideração que o outro lhe atribua. o indivíduo se dá conta que. 177. diz-se que a pessoa experimenta uma consideração positiva incondicional. O complexo de consideração é uma configuração de experiências relativas ao eu. a pessoa começa a tomar a mesma atitude consigo.20 Todo ser humano apresenta uma necessidade fundamental de consideração positiva. v. Sem perceber.176. "quando certas 'pessoas critérios' se mostram seletivas na consideração que manifestam a respeito de diversos elementos de seu comportamento. Neste momento a pessoa se respeita e tem a si mesma como "pessoa critério". a consideração positiva incondicional de si é quando a pessoa percebe que todas as experiências relativas a si são dignas de consideração positiva. segundo Rogers & Kinget (1977). "o caráter estrutural e dinâmico das experiências que acarretam a consideração positiva (ou negativa) por parte do outro" (p. v. que é aprendida na primeira infância (Rogers & Kinget. A necessidade de consideração positiva de si é experienciada como a consideração positiva que se sente de si. Dessa forma. 1). 1). IX. não o é" ( p. considerando-a como pessoa.

"o resultado de uma transação contínua entre a experiência prática. XI . X. colocar-se no lugar do outro como se fosse o outro. Como vemos. Só podemos conhecer o mundo do outro através de uma relação empática. . É a tendência à atualização que serve de critério à avaliação organísmica. É o mundo que só o sujeito pode conhecer. ver o mundo através dos olhos do outro. v. O organismo pode avaliar a experiência a partir de valores internos ou externos (dependência do critério de outra pessoa). O processo de avaliação organísmica não pára de crescer e de mudar.Noções relativas à avaliação A avaliação é a fonte de critério utilizada pelo indivíduo para avaliar suas experiências. - formulação de hipóteses provisórias. lembranças. que consiste em tentarmos conhecer os valores subjetivos do outro como se fossem nosso. uma vez que essas noções são. então esta pessoa passa a avaliar suas experiências de modo "organísmico" e ela se torna a sua própria “pessoa critério”. que são as sensações.Noções relativas à fonte do conhecimento Como fonte de conhecimento existe o ponto de referência interna. (p. ou seja. Neste caso não acontece uma atitude empática. Pode acontecer de se observar um objeto não considerando o seu ponto de referência. 1). 1977. por pertencer somente à sua subjetividade. 158) Tanto que o desenvolvimento teórico e experimental. percebendo-o apenas de um ponto de referência externo. a teoria tem um corpo teórico consistente. segundo Rogers & Kinget (1977). se efetuou na seguinte ordem: - “aquisição de experiência clínica terapêutica. a conceituação teórica e a verificação por meio de pesquisas".21 suas "pessoas critérios" agem incondicionalmente com ela. significações. segundo Rogers & Kinget (1977). O critério da avaliação modifica-se constantemente dependendo da nova simbolização que a pessoa representa para sua vida e seu organismo. percepções que a pessoa tem disponível à consciência. sem jamais esquecer a condição 'como se'. mas apenas de forma incompleta (Rogers & Kinget. Uma outra fonte de conhecimento se dá pela empatia.

sua família era unida e tinha como ideologia básica a religião fundamentalista. a uma análise lógico-formal. Walter Rogers. Suas relações eram afetuosas. graduou-se em Agronomia na Universidade de Wisconsin. submetendo-se. passando tempos agradáveis juntos. em La Jolla. duas observações são fundamentais: 1ª) que pesquisas recentes confirmam a eficiência da terapia .e 2ª) nem mesmo os críticos mais severos negam a Rogers o mérito de ter conduzido o mais extenso programa de pesquisas associadas a uma escola de terapia” (p. 225. Era o quarto de seis filhos. sua mãe. Segundo Rogers (1975). 1. v. Como podemos constatar. sendo apenas uma mulher.ver em Pagés (1976) a validação empírica da teoria . Califórnia (EUA). tinham . conforme a realizada por Coppe (1999).3: Um breve histórico sobre Carl Rogers Carl Ranson Rogers nasceu em 8 de janeiro de 1902. Mesmo que a teoria. "seja alvo de críticas. 1). Preocupavam-se com a formação moral e o culto do valor ao trabalho. freqüentara a faculdade por dois anos. a Abordagem Centrada na Pessoa possui um corpo teórico sólido. e faleceu em 5 de fevereiro de 1987. Júlia. Acreditavam ser diferentes das outras famílias e. - aquisição de novos dados resultantes da pesquisa. principalmente no que se refere à amplitude da sua aplicação e à eficiência de suas técnicas terapêuticas e aos conceitos básicos (tendência à atualização e avaliação organísmica). Illinois (EUA). - modificação das teorias em função de uma maior experiência terapêutica e experimental - verificação das proposições teóricas revistas” (p. até. 11-12). segundo Coppe (1999). seu pai. por conseqüência. em Oak Park.22 - verificação dessas hipóteses por meio de pesquisas.

Rogers muda-se com a família para uma chácara distante trinta milhas. que de certa forma o distanciou dos colegas quando ingressou na escola. Estudando-as pelos livros e criando-as em cativeiro. já que nesta fase queria poder administrar a chácara de forma mais moderna e científica. Quando criança. pela necessidade de mudar de escola três vezes. Rogers (1975) afirma. aos 14 anos. como a bela Luna. tornou-se autoridade nessas criaturas e aprendeu através da observação da natureza. mas vivia em isolamento social. e outros lepidópteros. aos doze anos. adquirindo vários exemplares sobre a agricultura racional. ‘grupo de controle’. Carl acreditava que seus pais queriam afastar sua família das "tentações" da cidade. Isso fazia com que Carl encontrasse dificuldades em fazer amigos fora da família. dos jogos de cartas e de espetáculos já que eram os "eleitos" de Deus. segundo Belém (2000). ‘procedimentos aleatórios’. Seu pai havia ascendido como homem de negócios e procurava um lugar que propiciasse entretenimento. Além disto. que "aprendi como é difícil verificar uma hipótese. Rogers não tinha a saúde muito boa e por isso era considerado frágil pela família (Gobbi & Missel. sobre a agricultura científica. encontrava nos livros um companheiro. Era um garoto com ávidos questionamentos científicos. Esses interesses o influenciaram no seu trabalho. Este contato incentivou Carl. incentivando seus filhos à procurarem conhecimento para suas independências através da lida com galinhas. Em 1914.23 comportamentos singulares. Polyphemus. o que lhe era importante saber para influenciar corretamente a alimentação dos animais alterando respectivamente a produção de carne e leite. Adquiri deste modo o conhecimento e o respeito pelos métodos científicos através do trabalho prático". Aprendeu a importância do ‘grupo experimental’. já que lia em um padrão mais avançado. 1998). carneiros e vacas. Sua educação foi ministrada no liceu de Wisconsin no campo da agricultura. algumas crianças usavam de brincadeiras provocativas. como a abstinência do álcool. Feeds and Feeding (alimentos e alimentação). Como era uma criança mais introvertida. E como seu pai organizou a chácara em uma base científica. as delícias e as frustrações que se tem em fazer ciência. Devido a este fator. a oeste de Chicago. Neste lugar começa a se interessar pela vida das borboletas noturnas. No seu primeiro ano tornou-se membro de um grupo de estudantes conduzido por . fato agravado. beirando a crueldade. Cecrópia. a partir dessas experiências. da dança. porcos. a pesquisar a obra de Morrison.

uma estudante de artes. ele conviveu com um grupo de colegas muito inteligentes e criativos. que ajudaram-no a manter a autenticidade na fuga da estreita visão familiar da realidade. 1998).24 George Humpley. tornando-se uma pessoa independente (Rogers. que durou mais de seis meses. Esse grupo trazia duas idéias que foram muito importantes tanto para a formação pessoal quanto para a construção da teoria da Abordagem Centrada na Pessoa. foi escolhido entre estudantes americanos para uma viagem a Pequim. além da aceitação que encontrou no grupo e da segurança no relacionamento com Helen. No primeiro ano de colégio. cujos textos eram de William James. 1975). então. o Union Theological Seminary. Quando se recuperou foi trabalhar em um depósito de antigüidades e nessa época teve o seu primeiro contato com a Psicologia. de Carl Rogers: a não adoração convencional do líder e a procura de se tomar suas próprias decisões (Gobbi & Missel. durante dois anos. Neste momento parecia estar compelido a ser honesto consigo mesmo. e não se sentir culpado e nem mesmo perceber o efeito que este seu novo modo de ser poderia estar causando aos seus pais. 1975). do qual participa. sua namorada. na China. Durante sua recuperação aprofundou seus laços com Helen. afim de participar de um Congresso Internacional Mundial dos Estudantes Cristãos. 1922. A vivência em grupo possibilitou-lhe entender e valorizar as diferenças individuais. na Universidade de Wisconsin. entra no colégio mais liberal do país. que eram tão tradicionais em suas doutrinas. Passou. Nesse período. casaram-se. Durante a viagem correspondia com seus pais e com Helen Elliot. ao estudo da História. além da novidade de viajar para um outro país. E quando observou a diferença entre estudantes franceses e alemães pode compreender como é que pessoas sinceras e honestas poderiam ter doutrinas diferentes. graduando-se em 1924 (Rogers. apesar de os pais de ambos acreditarem que fosse melhor esperarem depois que já estivessem firmes em suas carreiras (Gobbi & Missel. em Nova Iorque. Noivaram e dois meses depois da formatura de Carl em História. Em 1924. com o objetivo de se preparar . A vocação profissional de Rogers foi alterada nos dois primeiros anos de colégio quando desiste da agricultura em favor do sacerdócio devido às reuniões que freqüentara a respeito de religião. A viagem à China debilitou Rogers através de uma úlcera duodenal. 1998). através de um curso por correspondência de Introdução à Psicologia. E então emancipa-se pela primeira vez dos pensamentos paternos .

Seu grupo de estudos acreditava que o "Union" transmitia-lhes pensamentos já prontos e desejavam pensar por si próprios. que lhe pareceram confusas e abstratas em relação ao cientifícismo encontrado em sua escola anterior. McGiffert. Como estava envolto em uma atmosfera de vigorosa abordagem científica aliada a uma objetiva metodologia. continuava envolvido pelo sentido da vida e a possibilidade em poder melhorar a qualidade de vida dos seres humanos. quando já não queria mais acreditar em uma única linha de pensamento. que lhe mostra a importância da educação progressista. 1975). através de cursos e conferências que havia assistido no "Union". Provocou imensa popularidade e vendia muito até os anos 70 (Gobbi & Missel. no qual pudesse encontrar remuneração e diminuísse os gastos familiares. Começa a trabalhar em filosofia da educação com Willian Heardt Kilpatrick. como o Dr. procurou um lugar para trabalhar. que ficava exatamente em frente ao Union Seminary. que lhe propicia o primeiro contato com crianças com distúrbios (Rogers. na Escola Normal da Universidade de Colúmbia. o Teachers College. Encontrou seu . Pouco a pouco começou a se dedicar ao estudo da psicopedagogia e a pensar em se tornar psicólogo consultor. este foi considerado útil como instrumento clínico no Instituto. onde poderiam questionar seus próprios pensamentos. Durante essa época recebeu uma bolsa de estudos e entrou no internato do Instituto para Orientação da Criança. 1998).25 para a missão religiosa. Ao terminar seu teste de personalidade. Próximo ao fim do internato. Inicia seus trabalhos práticos sob a orientação de Leta Hollingworth. então como já havia tido contato com a psicologia e a psiquiatria. Apesar de não mais desejar o sacerdócio. o que não condizia com sua nova forma de pensar. 1975). Encontra professores excepcionais. que foi o seu trabalho de doutorado. houve facilidade na construção de um teste para medir o ajustamento da personalidade da criança de 9 a 11 anos. por considerar a doutrina religiosa fechada em pensamentos lineares. Em 1926. A. veterano de John Dewey. Foi neste espaço que Rogers desistiu da missão do sacerdócio. interessa-se em começar a seguir cursos sobre psicologia clinica. Então pediram à administração um espaço para realizarem seminários sem diretores. Mergulhou nas perspectivas dinâmicas de Freud. 1928. C. que acreditava e apoiava a liberdade de investigação e a busca da verdade (Rogers. ano em que começa a estudar na Universidade de Colúmbia. seu filho David nasce em março tendo sua educação baseada no comportamentalismo watseniano.

deu-lhe liberdade condicional e o jovem continuou com os problemas. Desiludiu-se com três pontos. com o material e consigo mesmo (Rogers. na Associação de Proteção à Infância. O problema era evidentemente a sua rejeição do rapaz desde cedo. anos mais tarde. como relata neste comentário escrito em seu livro Tornar-se Pessoa (1975). Anos mais tarde. que dizia que a delinqüência muitas vezes devia-se a uma causa sexual e que ao constatá-la cessaria. ao ministrar uma palestra sobre "os métodos da entrevista psicológica ilustrando-a com um caso de uma entrevista que havia encontrado de uma mãe sendo entrevistada por um assistente social perspicaz. Outro acontecimento foi em relação ao material. mas que lhe agradava. penetrante e hábil. O fato que mais lhe marcou foi um erro que ele próprio produziu. Acreditou com veemência nesta teoria e ao aplicá-la a um jovem piromaníaco do qual descobriu o problema sexual. ao reler este caso. Fi-la falar. por estar trabalhando naquilo que gostava (Rogers. 22). 1975). que bem sabia ser este um método superficial e que não levava em consideração a subjetividade da pessoa entrevistada. não conseguia fazê-la ver isso. Rogers (1975). mas. Em relação à autoridade. onde recebia um salário insuficiente e tinha pouca perspectiva de carreira. aguardando uma oportunidade em que a pudesse aceitar sem perturbação. 1975). no Child Study Department. oito se dedicou ao estudo do processo psicodiagnóstico e planejamento de casos de crianças delinqüentes e desprovidas de tudo. Foi um período de isolamento profissional em que se preocupou em aprender com seus acertos e erros e a questionar se os métodos que eram utilizados no tratamento seriam realmente eficientes. William Healy. Falava com uma mãe extremamente inteligente. Nova Iorque.26 primeiro emprego em Rochester. cujo filho era um verdadeiro diabo. estudou com o Dr. capaz de conduzir rapidamente a entrevista para o centro da dificuldade" (p. Durante os doze anos que passou em Rochester. considerou-o próximo de um interrogatório. quando já havia aprendido a "ser mais delicado e paciente na interpretação dada a um paciente do seu comportamento. ao fazer sua retrospectiva: com uma autoridade. procurei delicadamente . apesar de muitas entrevistas.

Começou a dar . o seu sentimento de fracasso e confusão.27 salientar os dados evidentes que me tinha fornecido. Iniciou-se então uma real terapia que acabou por ser bem sucedida. apertamos a mão e ela dirigiu-se para a porta do meu gabinete quando se voltou para mim e perguntou: "Também aconselha adultos aqui?” Tendo-lhe respondido afirmativamente. quais os problemas que são cruciais. mas que tínhamos falhado e que assim os nossos contatos deviam terminar. Voltou para a cadeira donde se havia levantado e começou a dar largas ao seu desespero sobre o matrimônio. Disse-lhe que havíamos feito o melhor que podíamos. Identificou-se com os assistentes de psiquiatria social e retornou suas atividades como psicólogo nesta área. Acabamos assim a entrevista. Ao longo deste período começou a duvidar se era um psicólogo. gostaria que me ajudasse". Ela concordou. 23). e realmente não pareciam com o trabalho que vinha desempenhando. 23) Rogers (1975) disse que "este fato o fez pensar que é o próprio paciente que sabe aquilo de que sofre. para fazer algo mais do que demonstrar a minha própria clarividência e a minha sabedoria. sobre suas relações perturbadas com o marido." (p. disse-me: "Pois bem. em que direção deve ir. O resultado era nulo. Comecei a compreender que. que tratavam do tema do aprendizado através de ratos e experiências de laboratório. Neste momento o processo de psicoterapia progride de uma abordagem formal e diretiva para a que Rogers chamará mais tarde de Abordagem Centrada na Pessoa. Acabei por desistir. o melhor era deixar ao paciente a direção do movimento no processo terapêutico" (p. tentando ajudá-la a ver a situação. tudo isso muito diferente da estéril 'história de um caso' que antes me tinha fornecido. A Universidade de Rochester disse-lhe que ele não fazia psicologia e não mais quis seus serviços. Assistiu às reuniões da Associação Americana de Psicologia. que experiências foram profundamente recalcadas.

já que neste dia Rogers proferiu uma conferência sobre os "Novos Conceitos em Psicoterapia". ocupava-se em pintar. reconhecendo as influências de Otton Rank. onde aparece pela primeira vez o termo "cliente" e o relato completo de uma consulta terapêutica (Gobbi & Missel. Frederick Allen. livro que pretendeu dar uma visão geral do campo de orientação da criança. na qual critica os velhos métodos de terapia e descreve as "novas práticas". em seu primeiro ano em Ohio. O dia 11 de dezembro de 1940 é considerado a data de aniversário da Terapia Centrada no Cliente. percebeu que suas idéias tinham perspectivas pessoais a partir de suas práticas. Caraíbas ou qualquer outro lugar aonde não fosse reconhecido como psicólogo. Ministrava conferências e publicava numerosos artigos. dentro do Instituto de Sociologia. aos quais dava muita atenção. Estes eram os períodos de sua vida em que ele mais produzia intelectualmente. E quando viajava com sua esposa para o México. 1998). 1998). na Universidade. . foi convidado a ser professor efetivo na Universidade Estadual de Ohio. Descrevia o que lhe parecia ser uma orientação mais eficaz da terapia. Permaneceu apenas quatro anos em Ohio.28 cursos de como se tratar e compreender crianças difíceis. tendo certeza de ter sido convocado por causa da divulgação de sua obra The Clinical Treatment of the Problem Child (O Tratamento Clínico da Criança Problema). Este livro vendeu muito mais do que se esperava. escrevendo então em 1942 o livro Couseling and Psicotherapy (Psicoterapia e Consulta Psicológica). independente de estar com conceitos diferentes ou iguais de seus colegas (Rogers. fazendo referência ao trabalho de Karen Horney (Gobbi & Missel. Ao ensinar o que aprendera sobre o tratamento. Jessie Taft. gerando críticas que o levou a se questionar. passar por tudo isso foi uma caminhada ao próprio rumo. participando de muitos comitês e estabelecendo práticas na terapia supervisionada. 1975). Em 1945 muda-se para a Universidade de Chicago. apesar de só se dedicar ao estudo umas quatro horas diárias durante seus passeios. Durante sua vida procurou estar sozinho em alguns momentos. Em 1939. Logo depois o Instituto de Pedagogia também incluía suas lições. fotografar. Segundo Rogers. período em que sua reputação foi realçada e adorado pelos estudantes. pescar. nadar. onde foi requisitado a estabelecer um Centro de Aconselhamento.

em La Jolla. Richard Farson. Califórnia. escreve o livro Client-Centered Therapy (Terapia Centrada no Cliente). Em 1967. organização sem fins lucrativos e que se preocupava com a pesquisa Humanística em prol às relações interpessoais. O Centro de Aconselhamento passou a ser formado por um grupo de colegas e pós-graduandos. um de seus antigos estudantes. em que já usa o método fenomenológico. conferindo-lhe influência e reconhecimento pelos intelectuais. não esperava que fosse ser tão bem aceito pelos profissionais da área de educação. Este desejo não foi satisfeito e Rogers entrou em atrito com alguns colegas. 2000). Carl se demitiu. em 1957. convida-o a entrar no recente Western Behavior Sciences Institute (WBSI). Em 1951. sendo um dos seus livros mais traduzido. Logo o Centro tinha quarenta membros que vieram de diferentes disciplinas. terapeutas. Em 1963. em 1968. e outros. filósofos. Neste momento. em Stanford (Gobbi & Missel. em 1961. Rogers comenta que este prêmio foi para ele o mais importante (Gobbi e Missel. o prêmio de "Destacada Contribuição Científica" devido à publicação do livro Psicoterapia e Mudança da Personalidade. Rogers passa a acreditar tanto no processo terapêutico grupal quanto ao que acontece entre cliente e terapeuta. em parceria com Rosalind Dymond. resultado do seu trabalho com esquizofrênicos. Rogers então se retira e forma junto com outros colegas o "Centro de Estudos da Pessoa". Richard Farson sai da WBSI. Quando publicou o livro On Becoming a Person (Tornar-se Pessoa). recebeu pela Associação Americana de Psicologia. Acontecia muita pesquisa e inovações clínicas. com o qual se estabeleceu um clima democrático. 1998). Anos mais tarde. o período mais criativo de sua vida. aonde pensava ser possível a união de pensamentos das áreas de Psicologia e Psiquiatria. Voltou para a Universidade de Wisconsin. mas continuou a trabalhar no departamento de Psiquiatria. que tinham a liberdade de desenvolver . 1998 e Belém. onde permanece como "colaborador presidente" até sua morte. Em 1956. publicou o livro The Therapeutic Relationship and it is Impact: A study of Phycotherapy with schizophrenics. sem uma autoridade formal.29 Rogers passou 12 anos em Chicago. Como houve muitos conflitos. privilegiando e acreditando na capacidade do grupo que recebia estudantes e pessoas da comunidade. publicado em 1954. ocasionando mudanças administrativas.

1998). também neste ano. um grupo de encontro entre católicos e protestantes. em 1987. o Brasil (em 1977. vários países da Europa (principalmente nas áreas de tensão como a Irlanda do Norte. no ano da sua morte. com a ajuda de Natalie. Publica Carl Rogers on encounter groups (Grupos de Encontro). pesquisar e testar suas idéias sobre grupos de encontro. Rogers teve a liberdade de trabalhar. No ano seguinte. 1999). Preocupado com a paz no mundo e a possibilidade de atravessar fronteiras culturais e raciais. tinha agendado para março um encontro com o ex-presidente Jimmy Carter sobre a paz mundial e. Polônia) e África do Sul. foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Sua esposa Helen morre em 1979. Em 1974. a Austrália. Rogers publica o livro A Way of Being (Um Jeito de Ser). Rogers reúne um grupo de dezessete grandes países em uma Conferência na Áustria. sua filha. Visita o México. na Irlanda. tendo facilitado. “a partir da década de 70. sem a influência restritiva de instituições sociais ou acadêmicas (Gobbi & Missel. 1978 e 1985). em 1972. Rússia. 1998). acontece o primeiro workshop de grandes grupos (Person Centeral Workshops). Nos seus últimos anos na Califórnia. . com novos prismas sobre a ciência e o conhecimento. tentando divulgar suas idéias e participando ativamente de workshops (Gobbi & Missel. Próximo ao ano de 1985. 1998 e Coppe.30 seus próprios interesses. preocupado com o confronto nuclear e a preservação da paz mundial (Gobbi & Missel. Segundo Coppe (1999). na última década de sua vida passa a viajar pelo mundo. no "Central American Challenge". Rogers se interessa profundamente pelos aspectos sociais e políticos da sua teoria”. o Japão.

foi realizado o primeiro. Esta experiência mostrou que ao darem um feedback aos participantes. inicialmente. Kurt Lewin e sua equipe do Massachussets Institute of Technology desenvolveram a idéia de que o treino das capacidades em relações humanas era um importante mas esquecido tipo de educação na sociedade moderna. É importante frisar que a palavra grupo aqui empregada refere-se a uma experiência planejada e intensiva dentro de um contexto psicológico. Alguns dos treinadores dos grupos de Connecticut se juntaram aos outros e fundaram os ‘National Training Laboratories’ (NTL). inclusive para compreender melhor o seu percurso e a proposta desta pesquisa. P. Os grupos de encontro. segundo Fadiman e Frager (1979). Maine. EUA.31 Capítulo 2: OS GRUPOS DE ENCONTRO 2. Os NTL. entre treinadores e observadores para discutir os eventos diurnos. Portanto.1: Histórico O Grupo de Encontro tem importância tanto para a prática psicoterapêutica. a participação das pessoas nos Tgroup possibilitou-lhes uma compreensão mais clara a respeito do seu próprio funcionamento e isto levava a uma mudança significativa de personalidade. como para a Abordagem Centrada na Pessoa (A. Rogers (1970) coloca que anterior a 1947. aproximadamente até 1960.) enquanto um referencial teórico. Ele é específico da prática rogeriana.. em Bethel. o objetivo era preparar . com um programa de treinamento para líderes comunitários. à noite. C. em função do suporte financeiro dela. pouco depois da morte de Lewin. A proposta consistia em encontros. Em 1947. então chamado T-group (‘training groups’: grupos de treino). Naturalmente. P. EUA. é necessário situá-lo historicamente no seio da A. que funcionaram. foram planejados para a indústria. C. Simultaneamente a este movimento. originaram-se em 1946 em Connecticut. Carl Rogers e seus colaboradores no Centro de Aconselhamento da Universidade de Chicago desenvolveram grupos de treinamento para conselheiros pessoais para a Administração dos Veteranos. isto intensificava o vínculo entre eles.

Grupos de Encontro (ou grupo de encontro básico. Grupo Gestáltico.de percepção corporal . objetivando. 2. Grupos de criatividade. além de dar a sua contribuição para a terapia. a menos sentimentos escondidos. onde eles tinham percepção maior de si mesmo e. . maior interesse em inovar e maior oposição à rigidez institucional.. a partir desta consciência. A equipe percebeu que a melhor maneira de preparar os conselheiros era através de grupos intensivos. C. cuja tese é a capacidade de a pessoa se desenvolver e crescer em harmonia consigo e com o seu ambiente (Coppe. incrementar o crescimento pessoal e o desenvolvimento e aperfeiçoamento da comunicação (consigo e com os outros) e das relações interpessoais. As teorias que inicialmente deram suporte ao movimento de grupo foram o pensamento de Kurt Lewin. C.. a maioria dos participantes relata efeitos altamente positivos em suas vidas. Isto confirma que a vivência intensiva de grupo é poderosa e geradora de mudanças significativas. 1998). Grupo de treinamento de sensibilidade. P. a Psicologia da Gestalt e a Abordagem Centrada na Pessoa. cria esse modelo de Grupos de Encontro. embora não tenha a estrutura de um grupo de terapia. A experiência tem demonstrado. Veremos que à medida que o interesse pelos grupos se disseminou e proliferou. C.32 as pessoas para serem conselheiros eficazes no tratamento de problemas dos regressados da guerra. Esta proposição evidencia a idéia básica da A. que mesmo ocorrendo. 1970) consiste numa experiência intensiva que conduz a uma maior independência pessoal.de movimento corporal. Grupos de percepção sensorial .2: Os objetivos e as etapas do processo de grupo Após esse breve histórico. Começaremos com a definição e os objetivos do Grupo: o grupo de encontro (Rogers. que é terapêutico. alguns efeitos negativos. entre outros. P. Rogers (1970) aponta algumas dessas modalidades: TGroups. ainda que minimamente. P. desenvolverem um clima psicológico seguro para facilitar uma ajuda efetiva para os regressados. através de um processo experiencial. várias modalidades se desenvolveram. enfatizaremos agora o Grupo de Encontro segundo a A. Grupo de formação de equipe. A A. cujo foco é o crescimento pessoal através de um processo experiencial). Grupo de desenvolvimento organizacional. qualitativamente. Grupo centrado na tarefa.

Na medida que o incômodo aumenta e que o grupo percebe que a direção é dele. eles são negativos e dirigidos a um outro membro do grupo (“não gosto do seu jeito de chegar perto”) ou ao(s) facilitador(es) (“Você está sendo autoritário na condução do grupo”).”). o que falar. Por exemplo. é em regime residencial (os participantes vão para um sítio. cabendo ao(s) facilitador(es) a criação de condições que possibilitem ao mesmo o seu desenvolvimento e crescimento. A estruturação formal no que diz respeito à duração. 1998). ansiedade. igualdade.. Descrição de sentimentos passados: ao invés de se expressar sentimentos do aqui e do agora. número de participantes. bem como a atualização dessa capacidade de dirigir a si mesmo (Coppe. com 18 membros (já fizemos grupo com 09 pessoas). ocorre uma comunicação superficial. . com uma dinâmica de liberdade. criatividade e afetividade. além da equipe de facilitadores. casos. o grupo proposto por nós. composição e tempo. do ponto de vista da abordagem e que está expressa na sua filosofia. em um fim de semana . são expressos sentimentos do então e do lá. com uma média de duração de 20 horas. é heterogêneo e o modo de utilização do tempo é determinado no início do grupo. Diante de uma estruturação assim. piadas. ocorre surpresa. até que ele encontre os caminhos para o relacionamento inter e intrapessoais. ou seja. geralmente. Expressão de sentimentos negativos: quando surgem sentimentos presentes. a direção é dada pelo grupo como um todo. Resistência à expressão ou exploração pessoais: é o receio de se revelar: “posso revelar algo tão íntimo que tenho medo do que os outros vão pensar de mim”. vai depender da proposta que se fizer.33 A filosofia do Grupo de Encontro se baseia na crença de que o grupo tem a capacidade latente ou manifesta de se autodirigir. veremos que no começo de um grupo. o grupo. usualmente. o processo grupal ocorre da seguinte maneira: Fase de hesitação (de andar à volta): o grupo fica esperando as “regras”. é a implícita: o grupo é livre para escolher os próprios objetivos e direções. A estruturação desejada. irritação. que são expressões exteriores ao grupo (“eu tive um problema com meu marido. freqüentemente. geralmente. De acordo com Rogers (1970)..de sexta-feira a domingo). como se comportar. aí alguém propõe: “vamos começar nos apresentando?”.

te achei extremamente antipático. em função do que foi vivido. diretamente e em igualdade. escutar como o outro nos percebe nem sempre é muito fácil. Aceitação do eu e começo da mudança: a partir do momento em que as pessoas começam a se aceitar tal como elas são e se mostram. com certeza estamos num processo de crescimento. especialmente. Esses confrontos podem ser positivos ou negativos. O encontro básico: este é um dos aspectos mais significativos do processo. Confrontação: às vezes ocorre de um indivíduo se confrontar com outro. e agora vejo que não”). algumas pessoas continuam se relacionando. e auxiliam-se mutuamente. mas se conseguimos escutá-lo. independente da dor que isto nos causa. transcendente. quando as pessoas se aproximam uma das outras. 1979). É como se o grupo fizesse um convite para a pessoa se entregar e se dar a conhecer. surgindo daí um ser novo. também. pois reflete o sentido buberiano do encontro que é EU e TU. em função da carga emocional expressa. O estalar das fachadas: se alguns membros ainda não se colocaram. percebemos. onde a comunhão ontológica é experienciada (Buber. É interessante observar que esta capacidade não ocorre somente durante a sessão. O indivíduo é objeto de reação (feedback) por parte dos outros: a colocação de uma pessoa permite ao outro uma reação dele de forma que essa reação possa contribuir para a tomada de consciência da primeira. das pessoas envolvidas. mas também nos intervalos. singular e mais pleno. pois o medo da ruptura se presentifica. isto provocará uma impaciência para com as defesas. então as pessoas começam a ser elas mesmas com todos os riscos e isso leva à expressão de sentimentos imediatos de significação pessoal (“à primeira vez que o vi. É um momento delicado do grupo e. ou seja. um processo se põe em andamento. . floresce a capacidade natural e espontânea de ajuda entre os membros.34 Expressão e exploração de material com significado pessoal: se o grupo passou pela etapa anterior sem se desintegrar e o clima de confiança se fortalece. um momento intenso. O desenvolvimento de uma capacidade terapêutica no grupo: à medida que o vínculo entre os participantes se estreita. simultaneamente. Naturalmente. Isto reflete o desejo de um encontro mais profundo e significativo com o outro. Relações de ajuda fora do grupo: além do que foi comentado acima em desenvolvimento de uma capacidade terapêutica no grupo. que após o término do grupo.

Um dado interessante a registrar é o fato de nunca termos repetido um grupo com as mesmas pessoas. As pessoas não são as mesmas de dois dias atrás.implica uma autoconsciência do que está sendo vivido em relação ao outro. congruência . ao seu processo e à sua autonomia. Greening (1975) afirma que “cada grupo tem também finidade e morte” e esta é uma temática com a qual temos de lidar.implica o reconhecimento da existência do outro e o respeito à sua singularidade. Rogers (1970) aponta o seu interesse para as mudanças que ocorreram após a experiência de grupo e é nesse enfoque que este estudo está baseado. gostaríamos de focalizar. compreensão (empatia) . Mas quais são essas condições (atitudes)? Em linhas gerais são (Coppe e Lobo. sua condição e o seu papel. Mudanças de comportamento no grupo: quando o grupo vai caminhando para o final. bem como a comunicação disso a ele.35 Expressão de sentimentos positivos e intimidade: se os sentimentos expressos são aceitos na relação. isto resulta em intimidade e mais sentimentos positivos. a pessoa do facilitador. que os levou. Uma outra etapa que gostaríamos de acrescentar às que Rogers propôs é: o fim do grupo. pois ninguém sai indiferente de um encontro consigo e com o outro. . pois manter ou estimular a ilusão de que os grupos não morrem e se dissolvem seria mascarar a realidade. 114). Agora. em primeiro lugar. Essas três condições estão intimamente relacionadas e aparecem sempre em conjunto. 1987): “consideração . mas do encontro entre essas. um pouco. a procurar um grupo” (p. além da confiança e da afetividade como um todo. a conduta diante do outro não é função exclusiva das necessidades e desejos individuais. Sabemos da importância que Rogers dá às condições internas do terapeuta e à força que estas têm no processo de desenvolvimento do cliente / participante.implica a captação dos sentimentos e das significações pessoais vivenciadas pelo indivíduo. Conseqüentemente. além do privilegiamento da relação em si. o que possibilita uma relação autêntica com ele”. Greening (1975) coloca de maneira brilhante este momento ao dizer que temos “de lidar adequadamente com a morte do grupo residencial intensivo num remoto ambiente idílico e com o regresso dos participantes à inexpressividade da vida de rotina. apesar de várias delas terem participado de outros. é possível observar muitas mudanças: desde o tom de voz até a expressão espontânea do afeto.

estar se escutando em todos os níveis para que possa expressar os sentimentos “persistentes” que experimenta em relação ao indivíduo ou ao grupo. que reside nos seus membros. Evitar o planejamento e os “exercícios”: sendo a espontaneidade o elemento mais precioso e fugidio. P. isso não significa impedimento ao uso de alguma técnica que possa facilitar a expressividade emocional de um membro ou do grupo como um todo. centraliza a atenção sobre si. C. observados ou analisados. escutar bem o grupo para que ele não se sinta culpado. acreditando que o que a pessoa está colocando é o que realmente lhe acontece. cada vez menos. Confrontar e dar “feedback”: confrontar os próprios sentimentos e dar o “feddback” sobre eles.2. planejar estratégias pode dar idéia de um artificialismo e o seu resultado não é bom. 1970). 5. Evitar comentários interpretativos ou do processo: evitar comentários para que os membros não se sintam ameaçados. deve ocorrer em consonância com o que sente. mas se sentir livre para tal expressão. que sejam oriundos do grupo. Aceitação do Grupo: aceitar o grupo exatamente no ponto em que ele se encontra.) Movimento e Contato Físico: a expressão.. o facilitador deve evitar o planejamento e os ‘exercícios’. “o sucesso (do . Liberdade Experiencial: o grupo que vivencia uma liberdade experiencial aplica a sua potencialidade terapêutica. Aceitação do Indivíduo: aceitar o indivíduo em sua totalidade. é função do facilitador propiciar e estar atento para os seguintes aspectos: Criação de Ambiente: criar um clima psicologicamente seguro para o indivíduo. ou seja. espontânea e de acordo com o contexto grupal (Rogers. segundo Wood (1983). Atuar segundo aquilo que sente: estar atento a si mesmo. se houver comentários. na ajuda de outros (vide Conclusão. A nossa experiência mostra que um terapeuta é efetivo na condução de um grupo quando ele. dentro dos princípios da A. pois ela é altamente eficaz. Expressão dos próprios problemas: espera-se que o facilitador tenha se trabalhado o suficiente para evitar a expressão dos seus próprios problemas no grupo. através do movimento e contato físico. por parte do terapeuta.36 Além dessas condições básicas. mesmo que seja doloroso. de forma autêntica. E.

. segundo Fonseca (1983) “ os promotores-facilitadores visam estar presentes no desvelamento e construção da realidade grupal e não lhes interessa o controle da consciência ou do comportamento dos membros do grupo (. por se tratar de um grupo residencial.) uma vez que confiam que o exercício espontâneo destes conduz. . . Estrutura Extrínseca: .. Espaço: o desejável. Composição: pode ser homogêneo ou heterogêneo. . onde os participantes são livres para escolher os próprios objetivos e direções pessoais.. Estrutura Intrínseca: a estruturação é implícita. a seguir. . na liberdade. Do ponto de vista operacional. Número de facilitadores: acima de 12 participantes é desejável 2 facilitadores. Tempo: o início e o término das sessões são definidas pelo grupo. ou seja. a um genuíno e confiável controle autógeno” (144). as vivências se dão no mesmo lugar. Atuação do Facilitador: facilitar a expressão dos sentimentos e pensamentos dos participantes. Número de participantes: de 8 a 18 participantes. mas por quão bem a criativa sabedoria grupal provedora de crescimento é liberada e por quão bem os benefícios do crescimento são propiciados a seus membros” (p. na presença cognitiva e afetiva. à sanidade. inevitavelmente. um resumo sobre os Grupos de Encontro em seus vários aspectos funcionais: Filosofia: o grupo se “dirige” (sentido da própria direção). Duração: 18 a 20 horas em um fim de semana. Desenvolver um clima psicológico de segurança no qual a liberdade de expressão e a redução de defesas se verifiquem. O facilitador deve ser responsável para com os participantes e participar como um membro do grupo. Não dirigir para “objetivos específicos” e. apresentaremos. 67). Objetivo: facilitar o crescimento pessoal e o desenvolvimento e aperfeiçoamento da comunicação e relações interpessoais. . é que a sua realização seja num sítio. Dinâmica: a dinâmica do grupo é fundada na igualdade entre os participantes.37 grupo) não é caracterizado por quão bem o facilitador se saliente na apresentação das atitudes fundamentais.

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A proposta deste capítulo é ter tornado claros os objetivos, as etapas do processo e
as características do facilitador de grupos, permitindo uma visão ampla sobre os Grupos
de Encontro que possibilite verificar neste estudo os alcances que a experiência
intensiva de vivenciar um grupo de encontro tem para aquele que dela participa.

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PARTE II: METODOLOGIA
Capítulo 3: FUNDAMENTAÇÃO
3.1. A pesquisa qualitativa
Nos últimos anos tem havido um crescimento do interesse pela pesquisa
qualitativa, tanto que Henwood (1998) afirma que "os psicólogos estão tomando
consciência de que a coleta e a análise de dados qualitativos é, não somente uma
característica inevitável da prática profissional (por exemplo, em entrevistas clínicas
ou de aconselhamento), mas também, constitui uma das competências necessárias à
condução de pesquisa". (p.232)
Gomes (1989) também partilha do crescimento deste interesse, dizendo que a
pesquisa qualitativa traz entusiasmo, uma vez que se evidencia uma perspectiva de um
refinamento metodológico em que são consideradas as manifestações ou expressões
humanas e sociais antes inacessíveis para estudo sistemático. Esse movimento,
naturalmente, se opõe ao positivismo lógico e à quantificação. E, segundo Gomes
(1989), "também, porque a pesquisa qualitativa em suas formas mais refinadas,
pretende levar adiante um projeto proposto pela própria psicologia humanista, que é, o
desenvolvimento de um critério empírico, operacional, rigoroso e humano de ciência"
(p. 99).
Para pensar a pesquisa qualitativa em Psicologia é necessário, de acordo com
Bicudo & Martins (1994), esclarecer "os significados de fato e de fenômeno, uma vez
que a pesquisa quantitativa trabalha com fatos e a qualitativa, com fenômenos" (p. 21).
Conforme o Positivismo Lógico, fato é tudo aquilo que pode se tornar objetivo e
rigorosamente estudado enquanto objeto da Ciência, sendo que ele, após a sua
definição, é controlado. Ao passo que fenômeno, conforme visão existencialfenomenológica, vai significar aquilo que se mostra a si mesmo, o manifesto. Nesse
sentido, Bicudo & Martins (1994) afirmam que "o fenômeno mostra-se a si mesmo,
situando-se". (p. 22)
Em função da sua característica de focalizar (situar) o individual, o específico, o
peculiar, a pesquisa qualitativa tem por objetivo compreender a particularidade daquilo

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que estuda e não a explicação. Ela introduz um rigor metodológico que não o da
precisão numérica, ao estudar os fenômenos como amor, raiva, angústia, tristeza, etc;
uma vez que, segundo Bicudo & Martins (1994), "esses fenômenos apresentam
dimensões pessoais e podem ser mais apropriadamente pesquisados na abordagem
qualitativa. Os estudos assim realizados apresentam significados mais relevantes tanto
para os sujeitos envolvidos como para o campo da pesquisa ao qual os estudos desses
fenômenos pertence" (p. 27).
Nesse sentido, a modalidade metodológica da pesquisa qualitativa que melhor se
enquadra à pesquisa aqui proposta é o enfoque fenomenológico, cujo objetivo geral é
descrever os fenômenos estudados. Vejamos, então, a pesquisa fenomenológica.
3.2. A pesquisa fenomenológica
Os procedimentos desse enfoque metodológico estão fundados em princípios
filosóficos que incluem, necessariamente, uma postura no qual é refletida uma
concepção ontológica, epistemológica e metodológica, sendo essas concepções o
fundamento do trabalho empírico. A delimitação do fenômeno está baseada em um
enfoque metodológico-filosófico (Bicudo & Martins, 1994), possibilitando dessa forma
a aplicação dos fundamentos da fenomenologia ao campo da Psicologia. Como se
articula, então, a Fenomenologia e a Psicologia?
3.2.1. A fenomenologia
Mesmo que Edmund Husserl seja a figura primordial da Fenomenologia,
influenciando filósofos como Jean-Paul Sartre, Martin Heidegger, Maurice MerleauPonty, entre outros, é ao alemão Franz Brentano que se atribui a sua gênese; que
segundo Bonin (1991), “foi representante de uma psicologia descritiva a qual chamou
de ‘psicologia dos atos’, que considera o essencial das manifestações anímicas (atos)
em sua relação com o objetivo ao qual estão encaminhadas (intencionalidade)” (p. 68).
Husserl funda, em 1894, a Fenomenologia, que se desenvolve no século XX, em
função da crise das ciências que se instalou na Europa. Segundo Holanda (1997) “a
Fenomenologia surge como uma crítica, no sentido original do termo, como uma

um negativo. segundo Forghieri (1993 b). Crise dada pelo divórcio entre as verdades científicas e o mundo da vida (Lebenswelt). na imediatez da vivência” (p. para se compreender a passagem das várias regiões eidéticas. “é o recurso metodológico para chegar ao fenômeno como tal. da região “mundo” para a região “consciência”. e neste caso.. ou de preferência com o mundo. Então. isto é. mas para o qual está constantemente se dirigindo enquanto vida intencional. doadora de sentido. ou melhor. como um método novo de compreender os fenômenos. aquilo que aparece. Então. pode ser sintetizada em dois princípios. cabendo apenas uma descrição (. aquilo que é percebido e vivido pelo . um objeto intencional. 36). a consciência é sempre consciência de alguma coisa. pois o retorno às coisas mesmas objetiva encontrar a essência dos fenômenos tal como manifestados na consciência. ou seja. a consciência fenomenológica é o modo de intencionalizar o objeto em relação (significar o mundo). E para que haja consciência. uma vez que ela é a pura relação do sujeito com o objeto. ou à sua essência. outro positivo. Nesse sentido é um “retorno às coisas mesmas”. é necessário reconhecê-la como um projeto de mundo. apresentando a redução eidética como tal instrumento.41 tentativa de pôr em crise o conhecimento vigente” (p. ela é a pura intencionalidade. um mundo que ela não possui. segundo Holanda (1997).) deixando como legado o instrumento metodológico” (p. é necessário que haja um objeto de que ela tenha consciência.. Portanto. pois. Donde podemos dizer que a intencionalidade não tem interioridade nem exterioridade. que apela para a intuição originária do fenômeno. visada. Feijoo (1999) diz que “Husserl apresenta a fenomenologia como atitude frente ao conhecer. simultaneamente. e. 37). que rejeita tudo aquilo que não é apodicticamente verificado. 15). E a redução. 1971). deve-se levar em conta a “epoké” ou redução fenomenológica. o surgimento da Fenomenologia (que se identifica com esse divórcio) se dá no campo da Filosofia. a tarefa da Fenomenologia é um retorno às coisas mesmas (“zur Sache selbst”). onde não cabe nenhum princípio explicativo acerca do vivido. 17). o ser do fenômeno é o seu aparecer. é o que se revela. Portanto. Nesse sentido. significar a si mesma (consciência da consciência). “apreender o mundo tal qual este se apresenta para nós enquanto fenômeno” (p. porque o mundo não é verdadeiramente um objeto: é o campo fenomenal de nossas experiências (Merleau-Ponty.

nos mostra que "se os humanistas desejam argumentar que devemos compreender a experiência para compreender os pacientes. a consciência-intencionalidade. mas como um método. pois é através dela que se pode retornar à experiência conforme ela é experienciada ou se apreende a experiência vivida conforme ela é vivenciada. 34). A pretensão de utilizar o método fenomenológico neste estudo é justamente a de buscar uma compreensão da experiência grupal a partir do depoimento do participante em função da representação vivida por ele e de seus significados ulteriores. Keen (1979). mais uma vez. 59). É . tal qual aparece antes de qualquer alteração produzida por sistemas filosóficos.42 indivíduo. mas estão implícitas e obscuras" (p. ou seja. no momento em que o fenômeno se apresenta na experiência. A frase revelar-se de forma mais completa significa revelar camadas de significação. teorias científicas ou preconceitos do sujeito: retornar à experiência vivida e sobre ela fazer uma profunda reflexão que permita chegar à essência do conhecimento. cujo objetivo é descrever para compreender. em lugar de meramente apresentar o argumento. Assim sendo. a Fenomenologia se apresenta não como uma técnica. No aparecimento usual de um acontecimento. enquanto doadora de um significado para a sua existência. que segundo Forghieri (1993 b) “consiste em retornar ao mundo da vida. então é necessário entender realmente a experiência. e suas relações mútuas. ou ao modo como este se constituiu no próprio existir humano” (p. Para os psicólogos ela é extremamente importante. suas significações estão presentes em nosso ato de experienciar este aparecimento. Este objetivo pode ser formulado como constituindo a tentativa de revelar tantas significações quanto possível. Keen (1979) enfatiza que "o objetivo de qualquer técnica é ajudar o fenômeno a revelar-se de forma mais completa do que o faz na experiência usual. uma atitude. E voltar às coisas mesmas pressupõe a redução.

que a Psicologia se utiliza de procedimentos fenomenológicos para a valorização da subjetividade individual. uma vez que ambos se voltam para a compreensão dos significados das vivências.2. A psicologia fenomenológica oferece esta esperança" (p. Nesse sentido veremos. do tomar posição de algo que está fora da consciência. de viver algo (. então. para tanto. 100-101). 1989:93). E quando se quer pesquisar as significações vivenciadas pelo cliente. 3. A pesquisa fenomenológica para um estudo de vivências O estudo das vivências em grupos de encontro tem ressonância com a Fenomenologia. pois ao estudá-lo em seu campo fenomênico o que está sendo valorizado é a sua condição única de serno-mundo e de representá-lo para si.43 necessário tornar o argumento convincente para oferecer uma compreensão coerente. .2. a Fenomenologia aplicada à Psicologia pode ser entendida como uma atitude que possibilita a compreensão do humano (psiquismo). Mas. as quais são expressas pelo próprio sujeito que as percebe” (Bicudo & Martins. ou seja. E nesse sentido... refletindo sobre si próprio e sobre suas percepções. buscando a significação imediata da consciência na experiência vivida pelo cliente (indivíduo ou grupo). para expressões claras sobre as percepções que o sujeito tem daquilo que está sendo pesquisado. Uma definição clássica é dada por Mora (1982): “chama-se na psicologia atual ao fato de experimentar.). E se a compreensão se dá através dos significados que a experiência subjetiva produz. além de meditar constantemente sobre o homem em relação com o mundo. novamente vemos no método fenomenológico uma possibilidade para estudar estas experiências. quando articulada com a Psicologia. veremos que “a pesquisa fenomenológica está dirigida para significados. Isso pressupõe que a tarefa da Fenomenologia. é necessário definir o que é vivência e como se pretende estudá-la. ajudando-o a se perceber e aos demais. é a de compreender como o homem significa a si e ao mundo.

a vivência é a percepção que um indivíduo possui de suas experiências. pertencendo a uma vivência mais importante e ampla que pode. uma vez que somos nós que penetramos em seu interior. 1982. atribuindo-lhes significados que. sua experiência subjetiva. onde o vivido se relaciona com a sua própria existência. Husserl diz que as vivências devem ser entendidas como unidades de vivência e de sentido. ou seja. porque o apreendido e o vivido são uma e a mesma coisa. sempre são acompanhados de algum sentimento de agrado ou de desagrado” (p. apenas pode ser descrita e alcançada de forma direta por ele mesmo. até. a vivência não é algo dado. ou seja. experimentadas como unidades dentro da análise da qual se inserem os elementos que a decompõem em vivências particulares e subordinadas. tanto se isso é constituído por um objeto sensível como por um inteligível” (p. Nesse sentido. Forghieri (1989) define a vivência como sendo “a percepção que o ser humano tem de suas próprias experiências. na medida que a apreensão se apresenta desde o primeiro momento como movimento da consciência para algo heterogêneo. com maior ou menor intensidade. mas adquire um sentido para quem o experimenta. possuindo-a de uma maneira tão imediata que podemos afirmar que ela e nós somos a mesma coisa. sendo descritas e compreendidas. pois só ele é capaz de transmitir os significados de sua experiência no mundo. entrecruzar com outra(s) (Mora. 421). definindo-a como “algo revelado no complexo anímico dado na experiência interna. Por isso.44 Na vivência não há apreensão propriamente dita. e por isso as vivências são consideradas habitualmente como experiências afetivas. 07). 421). Só mediante a análise pode uma vivência ser desprendida do experimentado nela. uma vez que elas são efetivamente vividas. ou seja. p. 1982). Dilthey foi o primeiro a investigar a vivência em sua natureza e formas. a vivência de um ser humano. ou . veremos que o vivenciado por alguém não tem um significado em si mesmo. é um modo de existir a realidade para um certo sujeito” (Mora.

Mesmo que Husserl (Dartigues. singular. com base numa atitude pré-reflexiva. é a capacidade do pesquisador de se abrir e penetrar na experiência do outro. Distanciamento reflexivo é o que ocorre após o envolvimento existencial. 1993 a). Decorre dessas proposições que a vivência é uma experiência subjetiva. ou seja. o envolvimento existencial e o distanciamento reflexivo são. de acordo com Forghieri (1993 b). é necessário que o pesquisador coloque entre parêntesis os conhecimentos que tem sobre a vivência que pretende estudar. do significado que é dado a elas. em outras palavras. É importante que se reconheça a empatia como meio de entrar em contato com a subjetividade do outro. um “intra-habitá-lo”.45 então. cabe agora uma ponderação do seu papel na pesquisa. abrindo-se para ela e nela penetrar espontânea e experiencialmente. 228). com outra pessoa. é necessário que se distancie da vivência para obter a compreensão e tentar captar o sentido da vivência para o indivíduo (Forghieri. é uma experiência íntima que ocorre na consciência do indivíduo. apenas. Mas para isso. É a maneira pela qual a pessoa significa a si mesma e o mundo. íntima. como um recurso apropriado para pesquisar a vivência consistindo em focalizá-la através do envolvimento existencial e do distanciamento reflexivo do pesquisador” (p. Se o pesquisador busca através da compreensão das significações produzidas o sentido que a pessoa dá. Wood (1994) afirma que “a compreensão empática. Apesar de serem descritos separadamente. pelo seu relato (oral ou escrito). Forghieri (1993 a) ressalta que método fenomenológico "apresenta-se à Psicologia. é um estado de consciência no qual uma pessoa experiencia e participa de um fluxo de pensamentos e sentimentos e seus significados. é uma reflexão da vivência. convertendo-se o primeiro . 1989). Em linhas gerais. analisando-a e enunciando os seus significados. enquanto ao mesmo tempo também está consciente do contexto maior do qual os dois existem” (p. cabendo ao pesquisador. apreendidos durante o envolvimento. O envolvimento existencial do psicólogo/pesquisador com o seu objeto de estudo é que possibilitará. ser empático. 60). isto é. a significação a partir dos dados fornecidos por ela. e para tal. 1970) tenha trabalhado anteriormente a questão da captação intuitiva e a integração dos significados. só podendo ser acessada por ele (Forghieri. “paradoxalmente inter-relacionados e reversíveis. uma compreensão mais aproximada do fenômeno.

46 no segundo e este novamente no primeiro. pode-se. veremos mais uma vez que ela é possível através da pesquisa fenomenológica. em geral. até chegar a uma descrição que considero satisfatória“ (. “refletir sobre a experiência e. mostrando que a pesquisa qualitativa é basicamente descritiva. e assim sucessivamente. nada mais é do que a própria redução fenomenológica. como já colocamos anteriormente. Reiteramos que nessa perspectiva o método fenomenológico se mostra viável para a compreensão dos significados da experiência subjetiva de uma pessoa uma vez que o objetivo dessa metodologia. 3. ou da experiência imediata pré-reflexiva. p. o objetivo a ser atingido são as descrições da essência do fenômeno experienciado e isso delimita o campo da pesquisa” (p. comunicá-la ao universo científico” (p. A pesquisa fenomenológica empírica A pesquisa fenomenológica é definida. 5) “é o estudo do vivido. pois o método de intervenção da Abordagem Centrada na Pessoa. segundo Chaves et al (1996). segundo Bicudo & Martins (1994). ou qualquer estudo que tome o vivido como pista ou método. uma vez que é inevitável a confluência do pensamento rogeriano com o Existencialismo e a Fenomenologia. através de sua tematização. 35 e 36). 15). que segundo Amatuzzi (1996. que é a Resposta Compreensiva ou Reflexo. Com base nessas duas atitudes. a importância da redução fenomenológica para o estudo de vivências. 62).2. E segundo: para desvendar a vivência do indivíduo. Em suma.3. é o de trabalhar os significados das vivências que um grupo de encontro rogeriano possibilita ao participante. como um estudo do vivido e seus significados. Deduz-se da exposição acima duas afirmativas: primeiro. principalmente esta última. "é buscar a essência (ou estrutura) do fenômeno que deve se mostrar nas descrições. Amattuzzi (1996) diz que "ela é uma pesquisa qualitativa que lida com o significado da vivência". em que fica evidente o entrelaçamento do psicólogo que trabalha com Grupos de Encontro... visando. Obviamente.) (p. as descrições que os sujeitos fizeram se referem às experiências . seu significado. 5) E o propósito deste estudo... (p. é a pesquisa que lida com o significado da vivência”. ou seja.

. depoimentos focais ou qualquer objetivação do vivido)” (Amatuzzi. Elaboração do projeto. que busca a elucidação das vivências a partir da experiência comum. . a partir. trabalhando o mesmo tema teórica e vivencialmente. . . na pesquisa qualitativa os dados são coletados através das descrições feitas pelos sujeitos em seus depoimentos. Análise dos depoimentos seguindo os passos de Forghieri. Definição clara do campo que será objeto de pesquisa. Coleta de depoimentos com pergunta disparadora. 1996). do desconhecido e até mesmo de uma possibilidade não pensada (Gomes. 1989). daí o mundo (e nele o ser humano). como ciência que trabalha a partir de 'dados empíricos’ (no caso. . partindo do pressuposto heideggeriano de que a interpretação é essencial na compreensão. p. Amatuzzi (1996) aponta seis tipos de pesquisa fenomenológica: 1º) A pesquisa fenomenológica como filosofia: é a filosofia buscando esclarecer o conhecimento e. 5º) Pesquisa colaborativa é uma pesquisa fenomenológica conduzida em grupo e beneficiando-se do processo grupal. Giorgi ou Van Kaam. por reflexão e via redução fenomenológica. 7). 4º) A pesquisa fenomenológica de tipo experimental é uma da fenomenologia empírica com o método experimental. Discussão. em que o grupo se reúne periodicamente. . Redação final (Amatuzzi. 2º) A fenomenológica eidética. 6º) A "pesquisa fenomenológica 'empírica' ou 'científica': é uma aplicação do enfoque fenomenológico ao trabalho de pesquisa em psicologia.47 que viveram no grupo de encontro. 3º) A fenomenologia hermenêutica elucida o vivido. Sendo este tipo de pesquisa a adequada para este estudo. O que se espera de uma pesquisa fenomenológica é a descoberta do novo. 1996. Seu esquema é: depoimentos  elementos do significado vivido  estrutura do vivido A pesquisa desse tipo teria as seguintes etapas: . Concluindo.

dá realmente uma profunda compreensão do que significou a experiência” (p. Se o objetivo da Fenomenologia é descrever para compreender. ir à essência da coisa mesma.48 Ao se utilizar o método fenomenológico enquanto método de estudo da subjetividade. Nesta pesquisa.. através dos depoimentos tomados. E Rogers (1970) se expressa da seguinte forma frente a este tipo de pesquisa: “para minha maneira de pensar. este tipo de estudo pessoal. a compreensão se dá pela redução fenomenológica que é ir à essência das coisas mesmas. o pesquisador busca compreender o mundo para o sujeito. Este tipo de estudo (. fenomenológico – especialmente quando se lêem todas as respostas -. .132). é muito mais válido que a tradicional perspectiva empírica ‘bem-construída’. consiste em apreender o significado vivido da experiência grupal para o indivíduo bem como chegar à implicação disto para a sua vida.). ou seja: captar significados do mundo deste sujeito a partir da sua descrição do vivido..

não encontramos pesquisas dessa natureza sobre os grupos de encontro. . este estudo tem como objetivo geral: . Objetivos Como já vimos anteriormente. mas.2. compreender fenomenologicamente vivências do grupo de encontro tais como descritas por participantes. Daí a importância deste estudo com participantes. b) descrição da estrutura geral dessas vivências que seja uma representação do conjunto total das descrições investigadas (estrutura geral das vivências). o ideal é que o número de participantes deste estudo seja reduzido e composto de extremos para ampliar suas diferenças e singularidades (Gomes. a fim de que o contraste e a singularidade sejam ressaltados. Participantes Pretende-se aqui uma pesquisa qualitativa capaz de valorizar a heterogeneidade. 4. Assim.1989). também.49 PARTE III: O ESTUDO Capítulo 4: DO OBJETIVO À PESQUISA 4. para que se possa verificar. não só a estrutura específica das vivências. no contexto da Abordagem Centrada na Pessoa. a estrutura geral que tais vivências pronunciam. Portanto. ressaltando o que esta compreensão revela sobre: a) possíveis alcances das vivências experienciadas pelos participantes (estrutura específica da vivência). No Brasil.1. Rogers sempre se preocupou com pesquisas posteriores (Follow-up) à realização de grupos de encontro. a fim de viabilizar as pesquisas qualitativa-fenomenológicas sobre o tema.

com uma intenção. comunicadora social e professora aposentada. massoterapeuta. para se tornar passível de análise o fenômeno investigado. com as mais variadas profissões e graus de estudo: magistrado. para colher os depoimentos dos participantes. Os participantes foram dez. Os seus nomes são fictícios para preservar a identidade de cada um. médico. no período que vai de 1986 a 2000.3. por Antonio Coppe e Escípio da Cunha Lobo. estudante de psicologia. Mas também falo a alguém. aqui em Belo Horizonte (MG). ao falar eu me falo” (p. 4. ou seja. Sendo a experiência psicoterápica deles a seguinte: cinco deles não tinham nenhuma experiência anterior ao grupo. e entrou em . através de uma lista de cem participantes. independente do ano da realização do grupo. Procedimentos Visando assegurar a maior imparcialidade possível. do Curso de Psicologia. aleatoriamente. corretor de seguros. psicólogo. com o intuito de evitar uma contaminação dos dados obtidos e a fim de se obter depoimentos mais espontâneos e fidedignos. foi selecionada uma estagiária. e o defino nesse ato em relação a mim. vai utilizar como recurso de coleta de dados (obtenção de depoimentos) a técnica da entrevista gravada. engenheiro. A estagiária selecionou os sujeitos. pretendendo ser fiel ao método fenomenológico da investigação. Este estudo. “ao falar sempre falo de algo. Daniella Kangussu da Cunha.50 O critério de inclusão dos participantes se dá unicamente em função da sua participação nos grupos de encontro realizado. dois tinham com outras abordagens e três com a Psicologia Humanista. E ainda. faz-se necessário um instrumento que possibilite ao sujeito um contato com a experiência vivida. Como diz Amatuzzi (1989). Instrumentos Sabe-se que para ter acesso ao sentido da vivência. A estagiária participou de um grupo de encontro para ter noções dos tipos de vivências e foi treinada na realização de entrevistas gravadas para obter os dados necessários ao estudo. advogado.4. 19). Na pesquisa fenomenológica empírica o instrumento mais viável para a coleta de depoimentos é a entrevista. 4.

a elaboração das unidades de . profissão.51 contato por telefone. realizando um trabalho sobre “As Práticas Psicoterápicas de Grupo”. ou seja. o pesquisador volta ao início e lê novamente o texto com o objetivo específico de descriminar "unidades de significado" a partir de uma perspectiva psicológica focalizando o fenômeno a ser pesquisado . Os depoimentos completos se encontram no anexo 1. A partir daí.neste caso. tendo chegado até ao sujeito (quando isso era questionado) por indicação do Professor Coppe (pesquisador). Após tomar os dados iniciais como data da entrevista. se já fez ou não terapia. idade. Foram. 2) Divisão do relato em unidades de significado: tendo captado o sentido. sexo. quantos e o ano da última participação. operacionalizada da seguinte forma: 1) Visão global: lê-se toda a descrição para ter uma idéia geral da mesma.5. as próximas perguntas se nortearam pelo depoimento do sujeito. a vivência no grupo de encontro. uma visão global do conjunto do depoimento. A estagiária se apresentava como aluna do 6º período do Curso de Psicologia da PUC Minas. entrevistadas as doze primeiras pessoas da lista que se dispusessem a fazer parte do estudo. a fim de desenvolver os conteúdos nos quais colocava maior ênfase. os passos pretendidos para a análise dos depoimentos deste estudo seguem a proposta de Amedeo Giorgi (1989). visando captar seu sentido diante do objeto da pesquisa (Amatuzzi. a entrevista era sempre iniciada com a seguinte pergunta disparadora: É importante que você me descreva o mais detalhadamente possível. Orientações para análise De acordo com as etapas da pesquisa fenomenológica. qual a experiência mais marcante que experimentou em um grupo de encontro. se já participou de grupos de encontro. então. 4. As entrevistas foram realizadas no período de agosto a dezembro de 2000. Segundo Amatuzzi (1996). marcando as entrevistas em função da disponibilidade de cada participante. 1996). apresentadas no capítulo anterior.

1991). a análise dos dados consistiu em comparar as sínteses específicas do primeiro para o segundo depoimento. Critério de saturação consiste no fenômeno que ocorre quando um certo número de dados coletados deixarem de apresentar algo de novo para a compreensão fenomenológica (Mucchielli. Para a análise dos depoimentos. até encontrar o critério de saturação (que é um dos critérios de validação da pesquisa qualitativa). 3) Transcrição em linguagem psicológica de cada unidade de significado: tendo delineado as "unidades de significado". e assim sucessivamente. Uma categorização das sínteses específicas pode facilitar a transição do passo 3 para o passo 4. mais ou menos equivalente a uma divisão em parágrafos. antes de cada um deles. segundo Amatuzzi (1996). manteve-se. 4) Síntese: o pesquisador sintetiza todas as unidades de significado transformando-as num consistente relato com a experiência do sujeito. Segundo Amatuzzi (1996). compreensão do pesquisador.52 significado é uma divisão do texto. Com estas etapas realizadas. Isto funciona mais exatamente com respeito às "unidades de significado" mais reveladoras do fenômeno em consideração. o pesquisador então percorre as mesmas novamente e expressa os significados psicológicos mais diretamente contidos nelas. ou. a síntese primeiro é específica. Neste estudo. os dados iniciais da entrevista. esse critério foi atingido a partir do depoimento de Rosa. . extraindo a estrutura do vivido. e depois geral.

6. para a gente falar de uma experiência Cíntia considera todas as experiências mais marcante tem que fazer um pouquinho marcantes. Quantos? Perdi a conta. Qual o ano do último grupo de que você participou? Eu não tenho esta data.53 4. Análise do depoimento de Cíntia Data da entrevista: 01/08/00 Sexo: Feminino Idade: 38 anos Profissão: Psicóloga Já fez ou faz terapia? Já fiz e faço terapia.. por aí. Foi quando eu fui participar de um grupo de Cíntia não tinha idéia do que era um grupo de encontro e eu realmente não sabia como é encontro e do ser humano devido às que era e a idéia que eu tinha era muito vaga. daí o esforço para se lembrar de de esforço porque acho que todas as uma. Relembrar minhas experiências com grupo é sempre muito bom porque posso vislumbrar uma longa caminhada.. Eu comecei a participar quando eu estava na faculdade.6. deve ter sido em 1997. Individual ou de grupo? Individual Já participou de algum grupo de encontro? Já participei de vários grupos de encontro. né? Estava passando por momentos muito difíceis comigo mesma e nas minhas relações pessoais. Análise dos depoimentos 4.1. experiências que tive foram muito marcantes. acho. . UNIDADES DE SIGNIFICADOS COMPREENSÃO PSICOLÓGICA É. dificuldades pessoais e interpessoais Não só a respeito do grupo de encontro como também a respeito do ser humano. Isso a faz rever sua caminhada. Aproximadamente? Aproximadamente. Então deve ser mais ou menos uns 17 a 20. em 1990 e nunca mais parei.

lentamente. tinha medo de dirigir. parecidos com os meus. Pouco a pouco fui aprendendo a confiar no Cíntia. O que me gerava inúmeras culpas e muito sofrimento.54 Eu me cobrava muito. eu não era a única imperfeita. eu não estava tão desamparada e sozinha. o que lhe dá alívio. Foi como descobrir que eu fazia parte de uma raça. gerando responsável por todas as pessoas que sofrimento e um medo de dirigir. Foi um alívio muito grande o que senti. terapia individual também. eu me espantava e não acreditava Percebe-se como não sendo a única a ter que eu estivesse vendo e convivendo com problemas. sentindo-se culpada errar. a trocar com as pessoas. fui percebendo cada dia mais que me através do seu potencial terapêutico. que eu saía dali com mais se fortalecida e mais consciente para lidar disposição e mais claridade para ver e com a vida. assim como espécie. A partir daí não deixei mais de participar dos Cíntia reconhece a contribuição do grupo grupos. Lembro-me que quando o grupo Cíntia sente-se surpresa ao se identificar com começou a acontecer e as pessoas foram se os problemas dos participantes do grupo. comecei a . colocando. eu. permitindo que os participantes a e até a sentir vontade de deixar que as conhecessem. inclusive agilizando a sua terapia enfrentar as coisas. sentindoajudavam. não me permitia Cíntia se cobrava muito. eu não era tão ruim como eu me julgava. caminhar mais rápido. Ou seja. e me achava por erros e responsável pelos outros. Me ajudava muito na individual. Sente-se amparada e parte da pessoas que tinham problemas. confia no grupo a ponto de grupo. se colocar. pessoas me conhecessem. com pessoas que também sofriam e buscavam uma maneira de crescer e aprender a viver. a me colocar. estavam ao meu redor.

de aprofundar e de parar. eu passei a deixar mais que cada um partir daí o seu medo de dirigir. a aceitação de si e a singularidade de . a ter um pouco mais de paciência ou a me permitir não ter paciência para certas coisas ou pessoas. eu passei a enfrentar meus problemas com mais confiança em mim mesma e. Com certeza absoluta a participação nos Ela realça mais uma vez a contribuição do grupos me ajudou imensamente na minha grupo. resolvendo a outros.. sou humana. Cíntia passa a mais em meu organismo e no organismo dos confiar mais em si e nos outros. Creio que a partir daí eu comecei a confiar Através dessa experiência. tanto sabedoria organísmica e também como isso no aspecto individual quanto no grupal. Por exemplo: já houve momentos em que o grupo trabalhou intensamente questões pesadas para muitos e para o grupo e na hora de retornar. No grupo eu pude ver claramente o que é a Cíntia descobre a sabedoria organísmica.55 Aos poucos fui descobrindo que eu sou digna Cíntia passa a aceitar mais a si mesma e aos de confiança. sou realmente outros. sentindo-se mais flexível. Já pude ver. funciona a nível de coletivo. mais de uma vez. de ter medo de dirigir. hoje eu amo dirigir. fui aprendendo a me aceitar e aceitar mais as outras pessoas também. imperfeita. A me respeitar e a respeitar o outro. que o grupo sabe a hora de começar. confio em minha direção. a propósito do que eu disse antes. simplesmente ninguém “permitiu” prosseguir. tomasse conta de si.

é. realmente não existe nenhum grupo igual. Não. ser humano. revelar possibilitar-lhe revelar-se a si mesma e. eu diria que. graças a Deus... cada um é um e que todos eles me acrescentaram muita coisa durante a minha vida pessoal e profissional.. Continuo sendo cada grupo.. o ser humano. Síntese específica de Cíntia . eu acho que. mas muito melhor comigo mesma. O que mais me marcou nesta experiência A experiência mais marcante foi o grupo toda foi o fato do grupo mostrar. muitas coisas a respeito de mim mesma e do também.. imperfeita..56 vida pessoal e profissional. todos estes grupos que eu participei.

4. como. Gradualmente. enfatizando a singularidade de cada grupo e a possibilidade de este ter lhe revelado a si mesma. Na época. fazendo-se sentir mais humana e vinculada aos outros. Sente-se mais flexível e resolve o seu medo de dirigir. Análise do depoimento de Roberto Data da entrevista: 28/08/00 Sexo: Masculino . Reconhece a contribuição do grupo.57 Cíntia considera todas as suas experiências em grupo muito significativas. Mas a experiência do grupo possibilitou a ela uma identificação com os membros.6. na sua vida pessoal (agilização do seu processo individual) e profissional. ela não sabia bem o que era um grupo de encontro. e o homem em geral. através do seu potencial terapêutico. em particular. por exemplo. tanto em si como no outro. culpar-se e medo de dirigir. passa a aceitar mais e a confiar mais. ocorrida em 1990. e vivia problemas pessoais e relacionais que lhe causavam sofrimento. ressaltando a sua primeira participação.2.

Roberto considera o seu terceiro grupo o mais né? Eu fiz uma vivência para trabalhar raiva. Para mim foi um marco porque.. do consegue contatar a sua agressividade e pessoal que estava lá e também de eu não dar expressá-la construtivamente. já foi em 92. retorcida para que eu mordesse. marcante por ter conseguido lidar Foi uma técnica que utilizava uma toalha satisfatoriamente com a sua agressividade... um da exposição ao outro. né?. Olha. né? E a partir da catarse que eu tive lá veio muita coisa interessante para elaborar. sabe? Eu estava com Roberto. .58 Idade: 35 anos Profissão: Magistrado Já fez ou faz terapia? Faço Individual ou de grupo? Individual e quando ocorrem os grupos de grupo. um medo. grande em me colocar. sei lá. mas eu já perdi a conta. Já participou de algum grupo de encontro? Muitos. no começo houve um temor muito Apesar do medo de se colocar no grupo. sabe? Comecei a canalizar de uma forma mais construtiva a minha agressividade. através de uma técnica proposta.. Quantos? Mais de vinte. é. parece que eu reeduquei a minha agressividade a partir daí. foi o meu terceiro grupo. aqui em BH e com o meu terapeuta individual. esse foi o mais marcante. Qual o ano do último grupo de que você participou? 2000 UNIDADES DE SIGNIFICADO COMPREENSÃO PSICOLÓGICA Olha.

lá pra diante. às vezes até algumas o fazia sentir-se melhor como pessoa. foi viajando numa vivência de um colega de grupo que surgiu alguma afinidade e aí quando eu vi já estava acontecendo. e que isso grupo. deixa falar. o que me passou foi isso. né?. que não tinha nome. foi uma entrega aos sentimentos mesmo. e eu topei. eu ia me colocar. nenhuma definição. . se não me engano. né? me senti mais leve depois e foi esta experiência provocou-lhe uma mudança interessante porque é depois de ter saído do de percepção e de comportamento. só uma emoção fortíssima. né?. Reconhece. sabe? Falar. fluiu a emoção de uma maneira muito pesada. né?. me continha. foi interessante. então. num primeiro momento. fora do grupo. deixa. me foi proposta a vivência. Chegou uma hora que. foi mais aliviado. e não me preocupei muito com elaborar. que bom. me continha. falar.59 conta daquele turbilhão que estava lá dentro. ia me colocar. algum A expressão deste sentimento o faz sentir-se movimento acontecer. E foi interessante porque eu fechei os olhos e me esqueci de tudo que estava em torno. não tinha cara.

aconteceu isso. ué? não era assim que fazia e. saber. né?. uai! Por que estou agindo assim. sabe? Eu parava e dizia: O que aconteceu? Humm! Deve ser efeito lá de trás. eu me via. era daquele jeito que eu estava fazendo e estava melhor. né?. né?. eu deixo o que é do grupo no grupo. comportando de determinada forma diferente de que até então tinha sido. pois a fantasia ao expressá-la era a da raiva. por que está diferente? Ah!!! Já sei. no lá da satisfação dessas mudanças. eu não ter uma vivência de entrar nesse sentimento de uma forma construtiva. não só em relação à raiva. tá ótimo! Sem medo. mas em outros grupais. eu não me preocupava com isso. de repente. mas eu vi várias reações. porque eu estou me comportando de tal forma e não segui o meu padrão o que pode ter ajudado ocasionando esta mudança e me lembrava então da vivência que. né?. era esse não saber. minha raiva era raiva do grito. deve ser um efeito da vivência. então ( ) se queira ser feliz com analista. em geral. né?. várias condutas. era assim o potencial destrutivo sem medo. é claro. no analista. deixo que as coisas fluam. ponto. né?. Em relação à vivência da raiva e. nós Roberto demonstra os efeitos das vivências estamos falando dela. eu penso que o que pesava O significativo da vivência da raiva foi vivê-la muito. né?. Tá bom? tá bom. mas aspectos da minha vida é vivência de grupo também em outros aspectos de sua pessoa. não fico assim preocupado em me lembrar. pô. aconteceu aquilo. né?. era raiva da . e sempre tiveram estes efeitos. não é bem destrutividade que ela poderia encerrar.60 semanas depois. adiante eu parava e falava.

sabe? essas mudanças na relação com o outro e Usando aquela energia. em situações Aprendeu a aceitá-la em si e no outro. que eu já partiria para agressão verbal. então pera aí não é passa a vivê-la de maneira mais construtiva. e . Percebe o descontrole. Sim. o que eu posso fazer se essa raiva aflorar. sabe. de pode ser boa e que não precisava mais atuar.61 porrada. repente eu me vi. né? O principal era o medo de me entregar a ela e ver o que vinha depois com muito medo. pôxa vida. e eu me vi ponderando. Então havia um medo muito grande. bem assim. era raiva da agressão. comigo e com o outro. vamos conversar. mas não como uma conclusão lógica. meu Deus. senta aí. Descobriu no grupo que a expressão da raiva entende? Foi acontecendo. né?. para mudando a sua atitude frente a ela. por exemplo. né?.

né?. Não é que não houvesse raiva. ela estava ali. a gente . aliás. e no grupo. espera aí. né?. alguns grupos depois aconteceu uma situação de grande antagonismo com uma outra pessoa que estava lá. né?. E não sei se eu posso colocar isso: num outro A intensidade dessa experiência deu-lhe a grupo. que me enfezava eu não saía quebrando nada. eu não quero nem escutar o que você tem a me dizer. Huuua! E de repente eu comecei a me perceber com essa postura. neste grupo alcunha de Fred Kruger. porém. eu vou te falar do incômodo e da maneira que eu sei. aquele aprender a lidar com ela de maneira personagem dos filmes de horror. não. que vem de dentro. construtiva.62 escutando o outro. sabe alguém por algum motivo em alguma situação. muito tempo depois. Um incômodo. Vivendo a raiva de outra forma. mais positiva ou menos destrutiva. livrou-se dela deram um apelido para essa personagem que rapidamente ao ter a consciência da raiva e ao aflorou chamada de Fred Kruger. vamos parlamentar. é uma coisa que eu não fazia. mas estava circulando de uma outra forma. Ah! Me incomodou. né?.

sentindo-se satisfeito com isso. uma experiência plena disso. de virar para a pessoa e falar: você está demandando ser agredida. aconteceu. Então. ter vencido. né?. mas eu não vou fazer isso. em mais de vinte grupos. em 1992. já foi. e que a expressão deste sentimento no grupo possibilitou-lhe uma mudança na percepção de si e no seu comportamento. o terceiro. né?. Síntese específica de Roberto Roberto considera. né?.63 se desentendeu e foi muito legal. Ele tinha medo dela devido à fantasia de que poderia destruir-se a si e ao outro. então eu vou te falar sobre o incômodo. Foi fortíssima. a mudança está aí. né?. sabe? Eu estava numa berlinda. frente a frente com esta pessoa. e foi uma experiência dentro do grupo onde tive esta consciência. tanto na vida lá fora quanto aqui no grupo pude vivenciar. nesse jogo perverso e também porque não é a minha praia mais. não vou cair na sua armadilha. foi muito bom. você está demandando tomar bolacha. como o mais marcante em função do seu aprendizado ao lidar com a sua agressividade de maneira construtiva. Nossa. . o facilitador colocou a gente lá.

3. percebendo essas mudanças na relação com o outro e a alegria por lidar com a raiva positivamente.64 Roberto coloca a importância de ter vivido essa experiência no grupo. 4. além dessas três experiências. Já participou de algum grupo de encontro? Sim. Quantos? Três com esta . demonstrando os seus efeitos também em outros aspectos da sua pessoa. contando com esta de grupo. Análise do depoimento de Rogério Data da entrevista: 23/09/00 Sexo: Masculino Idade: 38 anos Profissão: Advogado Já fez ou faz terapia? Nunca fiz.6.

65

Qual o ano do último grupo de que você participou? 2000
UNIDADES DE SIGNIFICADO

COMPREENSÃO PSICOLÓGICA

Ah! Foram várias, mas a que eu Rogério

destaca

a

importância

da

poderia destacar foi, é, tentar crescer com as aprendizagem com a experiência do outro e
experiências alheias, que mostram muito do fato de ter descoberto como relacionar,
mesmo, mesmo que eu não esteja vivenciando crescer, mudar e ser mais autêntico.
determinado problema que foram citados,
mas isso eu creio que vai me ajudar se algum
dia eu tiver que me deparar com eles, mas
não foi só isso. Me descobri também, sobre
como me relacionar, mudar, crescer, ser mais
autêntico, eu acho que é isso.
É. Saber ser mais... é não ser hipócrita Ele coloca que a experiência mais marcante
nas relações, saber dizer não, não me foi a de ser autêntico e de saber pôr os limites
magoar, mas ao mesmo tempo procurar para si e para o outro.
respeitar os limites dos outros. Enfim, ser
mais transparente, acho que é o máximo que
eu poderia definir e também é muito confuso,
né?
Achar uma definição precisa para este Rogério não consegue uma definição melhor
turbilhão de sentimentos que eu atravessei e que autenticidade para o que viveu, mas
que me ajuda muito fora daqui. Na minha realça a importância dos sentimentos vividos
profissão, eu lido com pessoas, e ajuda a no grupo para o exercício da sua profissão.
identificar a sinceridade das pessoas, é isso.

Sim, sobre a diferença que é a vivência Ele aponta a diferença e a dificuldade da

66

dentro de um grupo e fora dele, né?, na nossa vivência dentro e fora do grupo. Enfatiza que
vida “normal”. Na prática, acho difícil, o vivido em grupo o ajuda a lidar com
porque no grupo a gente consegue uma problemas lá de fora.
relação mais transparente, mais verdadeira, e
fora dele, nem sempre, não. Mas muitos
tópicos, como este de transparência, de
percepção dos outros, perspicácia, são o que
me ajuda a enfrentar os problemas de fora.

Síntese específica de Rogério

Rogério descreve como sendo a experiência mais marcante a descoberta da
autenticidade, além de aprender com as experiências do outro e de saber colocar limites,
de se relacionar, mudar e crescer.
Ele é cônscio da realidade grupal e fora dela, percebendo a contribuição do grupo
para a sua profissão e para lidar com os problemas fora dele.

67

4.6.4. Análise do depoimento de Flávia
Data da entrevista: 18/10/00
Sexo: feminino.

Idade: 48 anos

Profissão: Professora (aposentada)

Já fez ou faz terapia? Já fiz
Individual ou de grupo? Todas duas.
Já participou de algum grupo de encontro? Já

é que o nosso tem vida e vendo possibilidades de mudança. gente da minha idade mesmo.. que é feito. é. melhora da percepção de si. sei lá. repensar a vida. não a resolver não. quer dizer. né?. e que o nosso é maior. mas o primeiro que eu participou como o mais marcante devido à fiz foi mais de adulto. foi isso mesmo. mas a ver melhor o que eu passava e foi isso.. Você quer alguma coisa que ouvi lá? O primeiro grupo que eu fiz. mais casais inclusive.68 Quantos? 02 Qual o ano do último grupo de que você participou? 1998 UNIDADES DE SIGNIFICADO COMPREENSÃO PSICOLÓGICA Mais me marcou? Ai. né?. certo? Então me ajudou. e que ali foi bom de pensar. Foi o primeiro grupo que eu fiz e eram mais adultos. também. é uma cumplicidade boa lá. em 97. nosso. cheguei lá e vi que todo mundo passa também por dificuldades. E foi participantes expunham e. difícil falar isso. Flávia valoriza o trabalho grupal como um A que mais me marcou foi mesmo o trabalho todo. né?. uma dimensão maior. Ah! Não sei. e pensar.. né? que. Mesma situação que eu. podia falar. Me senti . porque Sente-se confortável ao perceber que não é a geralmente a gente acha que o problema é só única a ter dificuldades. foi ver que as pessoas lá também tinham liberdade. não era só eu liberdade de expressão vivida no grupo e da que tinha problema do tipo que eu vi lá. né?. o Ela refere-se ao primeiro grupo de que segundo até que não.. da muito bom ver que não foi eu. não é bem Aponta o grupo como um lugar de reflexão da porque é só da gente não. né?. mais da minha identificação com os problemas que os idade mesmo.

foi importante também.. eu não participou também a ajudou na compreensão sei se foi pela primeira vez que eu fui a um dos filhos e neto. aí eu fui fazer o grupo. que eu já tinha feito a terapia sendo o mais importante. de que às vezes a gente age. foi válido também.69 confortada. . foi válido para mim ver a minha discrepância. e eu não sei se eu estava tão necessitada também e foi mais marcante para mim. enfatiza a primeiro como grupo. individual. porque eu também tenho dois filhos. agora no segundo foi mais com adolescente. né?. é. né? Ah! Seria excelente. Agora já o segundo grupo foi mais de Apesar de dizer que o segundo grupo de que adolescente. não faço mais porque não tenho muita oportunidade de fazer mais grupo. repensar a minha vida e ver que não era tão difícil sair daquilo que eu estava passando. você precisa de mais algum Flávia acredita que se as pessoas vivessem um grupo a convivência seria melhor entre elas. detalhe. né. né. acho que a gente conviveria melhor. Conforto demais. Agora o primeiro foi excelente. mais alguma coisa? Eu quero que todo mundo tenha esta experiência. né?. tenho um neto que mora comigo. É o que eu falei: repensar mesmo aquilo tudo. né? Não..

devido à identificação com os outros participantes.70 Síntese específica de Flávia Flávia valoriza e acredita no trabalho grupal. . tornando-a mais consciente da percepção de si e da liberdade de expressão entre os membros. através dos problemas. afirmando que a convivência entre as pessoas seria melhor se elas participassem do grupo. Teve duas experiências grupais e aponta a primeira como a mais marcante.

. vislumbrando mudanças.71 Sente-se aliviada por reconhecer-se como não sendo a única a ter problemas e percebendo o grupo como um lugar de reflexão da própria vida.5.6. e comecei novamente e dei um intervalo. Individual ou de grupo? Individual e constantemente tenho feito o grupo. Ela sente-se ajudada pelo grupo na compreensão dos filhos e neto. 4. Análise do depoimento de Emerson Data da entrevista: 23/09/00 Sexo: Masculino Idade: 42 anos Profissão: Despachante e Corretor de Seguros Já fez ou faz terapia? Já fiz terapia.

Qual o ano do último grupo de que você participou? 2000 UNIDADES DE SIFNIFICADO COMPREENSÃO PSICOLÓGICA Depois de participar do primeiro grupo Apesar de ter participado de mais de dez em. ou seja. percebi o quanto eu tinha uma grupos.. das pessoas e do às mudanças ocorridas a partir dele. a relação . com mais tranqüilidade. mais habilidade. não sei quantificar. com a auto-estima colocada dentro deste mundo de vida. Tem uma percepção clara das enxergar como alguém de importância.72 Já participou de algum grupo de encontro? Vários grupos de encontro. Nenhum número? Humm. mundo. e áreas verificar como menosprezado. Me aumentada. Já sabia que o meu "mundo" não era mais o mesmo.. Ele passa a compreender melhor o outro e a si A partir daí notei que estava havendo alguma reconhecer como uma nova pessoa. reconhecimento de mim como uma pessoa valorizando-se. onde conseguia compreender melhor os outros.. pois estava me identificando com uma nova personalidade. dar ouvidos ao correto. a comunidade e o meio em que vivo. dependente interpessoal. Quantos? Inúmeros. aprendendo a ver com os meus próprios olhos. principalmente. 1989. um ser deixado e agora que e onde sentia apontando. Sabendo que ocorreram as principalmente. Diria que são mais ou menos10 grupos. transformação na minha pessoa. mudanças. Emerson faz referência ao primeiro e visão distorcida da vida.. Mas experiência mais marcante foi o Emerson enfatiza o reconhecimento de si. falar o que era preciso.

Até então poderia te dizer: saí daquele machismo. um pouco de tristeza. mas eu vejo ele como um ser humano e. eu não vejo mais o dinheiro na frente. Eu lido com pessoas. fumava três cigarros praticamente para conversar com uma pessoa. sabe? E consegui equilibrar uma série de coisas na vida e. e eu pelo outro. na realidade. Como lidava e lida com os sentimentos com uma certa arrogância. e agora eu vejo a minha tranqüilidade. mandão. e consegui enxergar um pouco das minhas fraquezas. Poderia dizer um pouco de alegria. Hoje demonstra um interesse maior e genuíno sabe? E eu me lembro que eu fumava. que eu poderia dizer aqui é um grupo e sobrevivi ao que está lá fora. o meu nervosismo. dos paradigmas que a sociedade nos impõe.73 você só sobreviveria a isso que está aí. um pouco de demonstração do que as pessoas vêem. Eu não vejo ele mais como um cliente produtivo para mim. principalmente. Olha. eu vejo o lado humano. a relação interpessoal. às vezes. antes eu tinha Emerson consegue se ver antes e depois do temor das pessoas e eu enxergava as pessoas grupo. eu gosto de conversar com as pessoas olhando nos olhos dela porque assim eu vejo uma coisa mais interna. sabe? Uma certa e como interagir e interage com seus clientes. sabe? Daquela pessoa que se achava dono do mundo. dentro das normas. bonachão. ignorância e eu não enxergava sentimentos. e quando eu recebo um cliente. me trazer o . não me é simplesmente suficiente receber o cliente como uma pessoa que veio me trazer o trabalho.

eu quero conversar com essa pessoa. eu lembro dele só do semblante não. Eu quero que ela diga um pouco dela. sabe? Isso nos ensina. Para Ele aponta os benefícios dessa nova maneira mim é importante conhecer um pouco mais o de se relacionar com seus clientes. com seus filhos. meu cliente. Eu tenho lucrado muito com isso. sabe? Não é simplesmente uma pessoa que vem e pronto. ele volta e até indica mais clientes para mim. quem é que está nos explorando. São os valores que ele percebeu na minha percepção e dentro disso eu acredito que ele é um cliente que sempre vai se achar bem quisto. também aprendi a separar o que é amigo e o Reconhece a contribuição da Psicologia e do que é colega. com meus filhos e distinguindo amigo de colega. Quero que ela fale um pouco da sua vida se assim ela quiser. ele vai voltar. A gente grupo na sua melhora. Interagir. Mas hoje eu procuro ter um contato com meu cliente. contato humano. com meus amigos. então isso. se assim ela permitir. ele é um cliente importante. a minha relação lá fora Emerson percebe a melhora na sua relação tem melhorado demais. amigos e família. mas é que eu saiba um pouco da história dele.74 dinheiro. sabe? Isso eu aprendi muito. Com certeza. exatamente. e aprendi com a terapia e com essa lindíssima . com minha família. quem é que está fazendo troca com a gente. aprende a discernir quem é que está querendo a gente como amigo. me ensina também a forma de agradá-lo e com eu estando o agradando.

em saber viver o Pai e a Mãe que eu estou sendo hoje. que são meus filhos. sem ter a Mãe deles perto de mim. Reconhece que essas mudanças provêm do Porque para mim uma mudança poderia te grupo. dificuldades é a gente que inventa. Existem saídas. para tudo tem solução. Isso vem de grupo. Refere-se às mudanças na auto-estima e na muita coisa. né? Eu imagino o relação com os filhos. a criança abandonada. dizendo da mudança radical que a Psicologia Sexto período? Logicamente. me ensinou a aceitar os meus filhos. sabe? E eu tive uma certa dificuldade de aceitar.75 psicologia. deve ter transformado demais para você. debaixo do meu teto. como já demonstrando assume uma na motivação falei: moro com meus três filhos e os amo problemas que possam surgir. Emerson se me vejo diferente deste velho mundo. Devemos ter identidade. engrandecimento que isso deve te trazer. ela me agrada demais. Me ensinou a ser Pãe. sabe? Eu pude trabalhar muitas coisas. para os . Essa área humanista ela é lindíssima. basta pensar e ser perseverante. mesmo estando só. também estar com meus filhos juntos comigo dentro da minha casa. ela me agrada demais. Me ensinou a saber viver o Emerson. a minha auto-estima. alguma coisa já lhe proporcionou. Eu sei te dizer o seguinte: que ano Emerson você está fazendo em psicologia? compara-se à entrevistadora. porque eu sou Pai e mãe. dizer bem radical. sem ter uma companheira para cuidar deles. muito. Essa área humanista ela é lindíssima. Resumindo: assumi minha identidade.

após onze anos. pois achava que não daria conta de cuidar deles e muitas outras coisas. ouvi-las. seja ele um cliente. sendo qualquer pessoa. faz referência ao primeiro grupo de que participou e das mudanças oriundas dele. Descobri que não se pode corrigir Emerson passa a aceitar mais os outros. pois é preciso saber mais compreensivo com eles. Síntese específica de Emerson Emerson. . sentir a sua dor. a família ou os filhos. às vezes até omitir. Tem uma percepção das áreas da sua pessoa onde se deram as mudanças. Realça mais uma vez os ensinamentos ouvir a respeito e nem sempre emitir adquiridos no grupo. compreendê-las. realçando o relacionamento interpessoal. Já consigo deslanchar com muita tranqüilidade e sair do labirinto. Reconhece as mudanças que ocorreram em sua auto-estima. Fiz e faço muitos amigos com a grande sinceridade que o grupo me ensinou. opiniões.76 paciência para encontrá-las. percebendo-se como uma nova pessoa e compreendendo melhor o outro.

Análise do depoimento de Rosa Data da entrevista: 05/10/00 Sexo: Feminino Idade: 34 Profissão: Médica Já fez ou faz terapia? Já fiz. Individual ou de grupo? Individual e de grupo.6. vários. passando a aceitar-se mais a si mesmo e aos outros. . 4.6. Já participou de algum grupo de encontro? Já.77 Ele demonstra uma motivação maior para lidar com problemas futuros. Qual o ano do último grupo de que você participou? Novembro de 1997. Emerson credita ao grupo as mudanças operadas em sua pessoa. sente-se mais compreensível. Quantos? Acho que foram uns cinco ou seis.

Eu me encontrava muito perdida na época em que eu fiz o grupo. incluindo coisas novas e antigas coisas que eram importantes e que já eram na sua percepção. dependendo do grupo. no seu renascer.. de saber mesmo da minha vida. porque o Rosa coloca a importância de todos os grupos grupo é uma coisa única. era um sentimento. então Rosa não especifica um grupo como mais em cada grupo que eu participava. assim. Então. detalhes é muito difícil. Então grupo no reencontro. Assim. reencontro consigo. me ajudaram muito a me encontrar como pessoa. Da minha vida pessoal mesmo. ela diz que cada grupo era um se fosse um encontro comigo mesma. Então. foi como se o grupo fizesse eu renascer mesmo como pessoa e descobrir mesmo o prazer de ter realmente me reencontrado. afirma que o grupo a ajudou a se encontrar pessoalmente. era uma coisa que manifestava. E aí eu fui me organizando A partir do grupo ela se reorganiza internamente e descobrindo e redescobrindo internamente. era um reencontro mesmo.. UNIDADES DE SIGNIFICADO COMPREENSÃO PSICOLÓGICA Experiência pessoal minha?. do que eu gostava.. é. era como marcante. do que eu queria. de proveito meu mesmo. é que como pessoa.. esse grupo foi muito importante. às de que participou.78 E o primeiro? Foi em 1995. achando difícil detalhar . os grupos de encontro eles fizeram. O que Rosa sentia-se perdida à época do grupo e mais me marcou no grupo de encontro. Enfatiza a importância do minhas e que haviam sido esquecidas.

79

vezes, é uma coisa que a pessoa fala. Às um. Mas realça a contribuição do primeiro no
vezes, é um sentimento que você sente, que o reencontro.
outro está transmitindo para você, que não é
expresso por palavras. Às vezes, é uma
vivência de alguma coisa que foi colocada
para a gente lá na hora, né? Eu fiz uma
vivência de Pai e Mãe no meu primeiro grupo
que fez eu pensar muito: por que que eu
estava lá, do porquê eu tinha ido procurar
este reencontro comigo mesma? Nos outros
grupos teve coisas muito marcantes. Então
fica muito difícil de eu te detalhar um, ficaria
muito pobre também eu te falar um momento
específico, né? Eu acho que cada grupo foi
muito bom, foi muito proveitoso, é, foi de
muito

valor

especificamente

e

individualmente para cada grupo que eu
participei.

É, o grupo ajudou, as pessoas, os Rosa, mais uma vez, realça o seu reencontro
relatos, tudo. Foi me reencontrar nestes através do grupo e da maneira como ele
grupos o que mais marcou. Eu poder falar do contribuiu para isso. Diz que o grupo ajudou a
que eu sentia, do quê que era importante colorir a sua vida que estava sem cor.
para mim e me entender onde pessoas lá me
ajudaram a me entender. Coisas que... as
coisas que eu não entendia ou mesmo as
coisas que eu queria. A vida era muito...
muito sem sentido, muito apagada, muito sem
cor. E, de repente, eu fui descobrindo que era
muito colorida e eu é que não sabia. Então
esse encontro comigo mesma é que foi muito

80

bom, né?
E poder também, acho que o grupo é Rosa vislumbra o potencial terapêutico do
muito rico, não é só isso. É poder ajudar as grupo, distinguindo a ajuda recebida da dada,
outras pessoas que estão lá, ajudar como elas ou seja, a troca entre os participantes. É o
estão te ajudando, não é um ato de caridade encontro com o outro.
não. É ajudar mesmo, é uma troca,
exatamente.
enriquecedora

Essa
e

troca
quando

é
as

muito
pessoas

sintonizam com você é que você consegue
fazer essa troca, assim vale muito este
encontro com o outro mesmo, né? De
resgatar, de fazer amizades, de resgatar
mesmo. É a questão de envolvimento, de
amizade, de humanismo mesmo, que, às
vezes, no dia-a-dia, a gente acaba perdendo.
Então

isso

foi

muito

intenso.

Muito

proveitoso.

Síntese específica de Rosa

Rosa valoriza muito sua participação nos grupos devido ao encontro consigo
mesma.
Aponta a sua reorganização interna (mudança na noção de eu) como contribuição
do grupo, inclusive, dando um sentido, que antes não havia, a sua vida.
Ela tem consciência do potencial terapêutico do grupo e da troca de experiências
entre os participantes, facilitando um encontro com o outro.

81

4.6.7. Análise do depoimento de Alberto
Data da entrevista: 24/10/00
Sexo: Masculino
Idade: 33

Profissão: Engenheiro Civil

Já fez ou faz terapia? Já fiz.
Individual ou de grupo? Já fiz individual e de casal, em grupo também.
Já participou de algum grupo de encontro? Já.
Quantos? Três.
Qual o ano do último grupo de que você participou? 1997
UNIDADES DE SIGNIFICADO

COMPREENSÃO PSICOLÓGICA

Ele afirma que o grupo possibilitou um como posso dizer. um animal. com as pessoas e a gente descobre o que a gente é mesmo. e você começa a se expor para um grupo. tinha que é que se que colocar encontro consigo mesmo... se encontraram. na verdade. motivando-o a lidar descobri coisas que. aí essa vida louca que a gente leva de trabalho e de convívio. adquire uma confiança em uma pessoa que você nunca viu. E eles. a gente viu depois a experiência dos outros que é relatada. As pessoas que estavam ali buscando se encontrar mesmo. que me deram força com a sua vida. E a partir dessa exposição você se descobre. relatando a experiência do seu que tinha.. conseguiu. esse entre os participantes e da identificação entre animal eu me encontrei. Eu encontro consigo mesmo. E para mim o grupo de encontro foi. foi no primeiro Alberto aponta o primeiro grupo como o mais encontro. que a gente tem abertura para falar sobre isso no grupo e a gente vê que não acontece. não aconteceu só comigo.82 Grupo de encontro eu acho que é o Alberto aponta o sentimento de confiança que seguinte: cada um coloca as dificuldades que o grupo adquire em pouco tempo e como isso tem na vida.. né?. tá? Eu descobri foi no. Fala da abertura como se fosse um bicho. na verdade. né?. facilita a exposição dos participantes. para tocar a vida. foi um encontro mesmo. tá? . Tiveram a oportunidade de se conhecer melhor.. muitas coisas que você não sabia que você era.... é interessante que não só comigo. tá? Nesse animal. uma confiança que em pouco tempo você Descobre um novo eu. né?. tá? numa vivência que nós fizemos marcante. as pessoas têm. e que quem quis se encontrar.

. por falta de tempo... mas eu acho legal. Alberto pondera sobre o funcionamento do nos que eu fiz e tinha. Ele expressa o muito legal. tenho vontade de fazer mais. são três dias. Os grupos são na sexta e voltam no domingo e é isso. É isso. Eu acho que foi válido para mim. eu tendo oportunidade eu vou voltar a fazer. tá? Não tenho feito.. não sei se você conhece. você tem a sua hora. que não é imposto nada. E isso é bem interessante que te deixa bem à vontade para você descobrir essas coisas. né?.. da facilitadores. o grupo de encontro para mim foi uma forma de eu me encontrar.. .. tinha a ajuda dos grupo... E são consideração que experimentou e que o grupo pessoas que eu acho que a filosofia deles é foi uma forma de se encontrar. das atitudes dos facilitadores. você. você tem. isso é muito respeitado. tenho recebido alguns convites para fazer mais. você desejo de participar de grupos futuros. tem o seu tempo.83 É um tempo pequeno.

Mas foi legal. vai conversar sozinho com uma pessoa que você nunca viu. colocar limite é bem interessante. é você A experiência mais marcante foi o encontro descobrir o que você é.. Tem uma hora lá que você aspectos que propiciam o crescimento. você aprende a definir o seu espaço. te faz crescer. a gente dá segurança que ele proporciona. Então é muito potencial terapêutico que o grupo desenvolve.84 É o encontro. e você tem que se apoderar dela. . e vai se expor para ela.. é o encontro. ele te dá segurança. É o fato de você compartilhar desde a hora que você acorda até a hora que você vai dormir o mesmo espaço.. Todos a contribuição do grupo para isso e da os grupos que eu fiz. interessante. Aponta proporciona isso. Até a questão do seu limite de espaço para você dormir. é bem legal. você tem que delimitar a sua área é aquela ali. em cada coisinha que tem do grupo. é bem interessante. a gente. E grupo te consigo mesmo. sabe? Você tem que. perceber o que ele é. Primeiro a dois. que definir. depois junto com o grupo. aquele convívio bem de perto incluindo aí a estrutura formal dele e de com as pessoas. Ressalta o muito apoio e tem muito apoio..

eu acho que terapia é muito bom. dizendo que todas levam a um a gente precisa. E todas elas. recomenda o grupo para outras dez meses. Depois fiz uma terapia mais.. tá? Eu Alberto comenta sobre as suas experiências recomendo. se conhecendo bom. eu fiz a terapia e foi muito aprimoramento da pessoa. aprendendo a respeitar os limites e os de casal que demorou mais uns oito meses a outros. acho que é bem interessante. dá limite..85 Não.. um ano e meio. é um pessoas.. Eu recomendo. terapêuticas. aprende a ver os limites. Eu recomendo. aprende a respeitar mais os outros. a gente se conhece mais. aprimoramento da pessoa que a gente é. é isso aí. não. Síntese específica de Alberto .

destacando o potencial terapêutico dos participantes e a identificação que ocorreu entre si e os demais. ressaltando a confiança desenvolvida entre os seus membros e as atitudes dos facilitadores. Alberto reconhece a contribuição de outros processos terapêuticos. recomendando-o a outras pessoas. Ele comenta o funcionamento e a estrutura do grupo. enfatizando que o grupo é uma forma de se encontrar. descobrindo quem era. foi o encontro consigo mesmo. que se deu no primeiro grupo. Análise do depoimento de Íris .86 Alberto afirma que a experiência grupal mais significativa. de crescer.6.8. 4. Ele expressa o desejo de participar de grupos futuros.

. eu falei: “Peraí.. O que mais me marcou foi ver que o grupal. aquela vivência. gente ficou em grupo. me deu um clique. não pode ser assim... quando eu colocava uma dificuldade minha. Então quando uma comum. né.. sem precisar falar aconteceu isso várias vezes no período que a de si. Ela fala da aceitação do grupo e da pessoa se coloca de uma maneira assim participação dele quando colocava uma totalmente particular. não da minha experiência que ela está fazendo interferência. né. que não sei quê.. né. quando eu me colocava para o grupo. Percebe que contribuiu com o grupo quando acolhedora. tanto quando eu ouvia o outro.87 Data da entrevista:10/01/2001 Sexo: Feminino Idade: 27 anos Profissão: Massoterapia (massagista) Já fez ou faz terapia? Faço. consegui ter esse . acho que foi setembro de 2000. UNIDADES DE SIGNIFICADO COMPREENSÃO PSICOLÓGICA Viver o grupo de encontro é muito Íris coloca a intensidade da experiência intenso. setembro. se identificavam: “Não. e aí algumas pessoas do grupo não conseguia ouvir que era minha dificuldade. Comigo ouvia a vivência do outro. na hora.”. eu sei lá. né.. grupo responde de uma maneira assim é. Já participou de algum grupo de encontro? Já. e até assim. aí abraçava como se fosse a dela. é da vivência dela. principalmente devido à percepção que é mais específico em mim. Individual ou de grupo? Individual. Já participou de mais algum? Não. não é de mim.. Qual o último ano? Foi em. é encantador como o dificuldade sua...” E aí. é o mais tida de que o mais específico é o mais comum no grupo todo.

aquele é o advogado. eu era uma participantes não eram tão estranhos e. mas era a de ouvir a do outro. a rapidez com que os membros se massoterapeuta. achei Íris aponta como experiência mais marcante o muito intenso o fato de eu poder. aquela é a massoterapeuta. Isso me marcou muito. propicia ajudou Íris a perceber que os Pessoas.88 respeito. ou se não acho que duas pessoas eram advogadas.” É. das pessoas que não tinham. mas eu vi que tava contribuindo de outro jeito. estudantes ou profissionais já. né. Me. Muito. então eu achei. né.. é. então era assim: “Ah!. como que eu consegui olhar pras pessoas de forma diferente.. que não era da minha. Então no primeiro momento eu me senti super deslocada e eu via que as pessoas olhavam muito com olhar profissional.. As outras pessoas ou eram colocavam como pessoas.. No segundo dia já era pessoa. né. e viveu coisa semelhante à minha. eu era a única também. que me achava muito carente pra tá me expondo.. minha vivência. é. é o sicrano. mudaram muito. né? Então. eu nesse dia cheguei. O fato de você dormir e acordar com A intimidade que a estrutura do grupo as pessoas é. eu vi que naquele momento eu. isso no primeiro dia. aquele é o psicólogo. né.. da área de psicologia. é muito interessante também..... me fato de ela se sentir aceita ao expressar um . é o fulano. me causou assim uma estranheza e uma surpresa de ver num período de tempo tão curtinho como que a pessoa conseguia olhar pro outro diferente. nesse dia.

isso me marcou muito. muito eu tava trabalhando na terapia. Hoje tem um significado muito Após a experiência grupal. né: “Eu penso é isso mesmo. né. mais secreto é o mais comum quando você está em grupo. é..89 colocar assim brava. eu me senti totalmente à vontade pra me colocar pras pessoas desconhecidas o que eu tava sentindo. porque acaba o outro e atribui essa conquista à vivência que antes eu ficava justificando assim: “Mas grupal. né.” Então. né. Realça a percepção de que o terapêutica em grupo que eu vivi. e até compreendo que você não me entenda ou que não consiga me compreender neste ponto de vista. né. né. e me senti acolhida inclusive nesse momento. é. A vivência me ajudou muito a tá Íris sente-se mais segura para se colocar para conquistando isso agora. mas que eu mais específico é o mais comum. ou seja. Foi a primeira experiência viveu no grupo... . mais particular. em todos os grupos que eu segura para ouvir e se colocar em outros transito na vida. uma consegui de certa maneira estender para o certa identificação com os membros do grupo meu cotidiano e conquistar esse espaço mesmo no grupo. hoje eu tenho mais alma grupos. foi bem legal... porque eu achava que eu ia ter que brigar muito pra ser ouvida. era uma coisa que há sentimento de raiva no grupo.. pra ouvir e também mais certeza pra me Ela conseguiu estender para o cotidiano o que colocar. como eu já havia colocado o que me marca muito hoje também é de perceber que o que é mais específico pra mim. isso para mim foi ilimitado. é. ela sente-se mais concreto.

de repente.. vê quando não dá conta de viver ou de expressar que a pessoa se propõe. E aí pessoas que em um primeiro olhar assim eu achei super fragilizada e depois eu vi que eram muito mais fortes. você diz na vivência do grupo de Íris passa a se assumir mais. né. se propõem a dessa aprendizagem. né. né? Hoje eu me sinto mais fortalecida e segura ao me colocar. tchau pro cês eu vou viver outras coisas”. ela passa a se viver uma coisa e chega na hora e não dá respeitar mais. reconhecendo a importância de se respeitar na ocasião me marcou muito. que conseguiam dar conta de falar que não davam conta. com a vivência que eu passei lá. ou seja. a me impor nesses grupos onde eu ainda morro de medo de. Síntese específica de Íris . o acolhimento não era assim tão valioso. É. assim. o medo de perder a aceitação. seria no grupo de pessoas que eu amo. de repente. né..” E nessa época eu tive oportunidade de viver com pessoas que assumiram: “olha.” Então. conta de viver e poucas pessoas têm a coragem de falar assim: “não dou conta. e eu já vivi isso um algo e aponta a vivência grupal como fator monte de vezes na minha vida. inclusive encontro? Na vivência do grupo de encontro. então eu achei muito marcante. eu não tô dando conta de viver isso aqui né. você não faz mais parte disso aqui”. Isso certamente ... falar assim: “ah.90 não eram pessoas significativas.

Ela percebe que ouvir é uma forma de ajudar. ou seja. ele se identifica com os membros do grupo. 4. que o grupo lhe proporcionou. Ela atribui ao grupo essas mudanças. e 2º) quando se assume mais ao reconhecer os limites (“o não dar conta”). perdendo o medo de “perder a aceitação”. Ressalta a importância da aceitação do grupo diante das experiências vividas. sentindo-se mais segura para ouvir e para se expressar diante do outro. ou seja. Íris estende para o seu cotidiano a segurança diante do outro.9.91 Íris aponta a intimidade da vivência em grupo como a mais marcante em dois aspectos: 1º) quando percebe que o que há de mais específico em si é que há de mais comum no outro. Profissão: Psicóloga Idade: 28 . percebe o potencial terapêutico do grupo. Análise do depoimento de Viviane Data da entrevista: 25/11/00 Sexo: Feminino.6.

é. tava né?. 1993.. né? Então eu fui pro grupo através dele e. na época eu era aluna do 4º período. eu consegui falar que eu tava muito sentia angustiada. . é. E foi uma experiência assim. E eu comecei a ficar muito angustiada e muito.92 Já fez ou faz terapia? Faço. Individual ou de grupo? Individual Já participou de algum grupo de encontro? Já. bom estar no grupo. e eu senti o grupo muito. E já fiz outros grupos que eram de finais de semana... o que tava acontecendo ali. é. Sabe quantos? Eu já participei de um em 1993. É. sente-se Bom. assim gostando também. não conseguindo me expressar mesmo. eu acho que a que mais me marcou foi angustiada diante do que o grupo vivia.. UNIDADES DE SIGNIFICADO COMPREENSÃO PSICOLÓGICA Tem que descrever uma experiência.. tava tudo muito pesado para mim. mas tava achando bom também.. presa. não uma que aconteceu comigo mesma. acha grupo que eu era aluna do Coppe na época. atualmente faço.. muito diferente de tudo que eu já tinha visto e pensado até então. né? grupal. né? É que entendendo o que se passava consigo e com foi o primeiro grupo que eu fiz. achando-a muito pesada.. que era o dificuldade para expressar essa angústia. sem entender o que tava acontecendo e muito presa com a situação que tava assim não. muito forte.. que eram grupos de encontro. nessa. nessa época. Qual o ano do último grupo de que você participou? O último foi é. num dos momentos lá do Ela consegue colocar para o grupo que se grupo. 1994 também. pode ser uma só. Então. nessa. É. pesado mesmo assim as experiências. era um grupo que o Coppe e o Escípio eram os facilitadores. é. Viviane expressa a intensidade da experiência então? Foram tantas.

mas era o impedimento mesmo. Ela se sente livre. seja o que for. né. é. E aí eu abri a boca a chorar e consegui assim sentir e viver na. andou mais e melhor. assim. que eu tava presa. é. muito. uma coisa muito. à processo individual.93 angustiada.. seja choro. seja raiva. seja tristeza. é. e assim eu acho que daí pra frente o meu processo. E tiveram várias outras que tiveram e também foram muito marcantes. ele continuou falando pra eu fazer força. que eu tava Sendo-lhe proposto uma técnica à qual ela sentindo sei lá o quê e.. ele apertava pro chão e não me deixava sair. que é o que eu acho que acontece com o psicodrama em si. né. com uma opressão que a impedia de expressar pediu pra mim ir pro meio do grupo. de tentar me expressar e realmente de uma pressão. desimpedida para expressar pra pular como se fosse um sapo e que era o que quisesse e isso a ajudou no seu pra fazer força. aceitou experienciar. uma opressão mesmo. fazer força. né. O processo terapêutico mesmo eu acho assim que esse foi um. né? Aí eu chorei muito... medida que eu ia... Desse grupo. na pele mesmo assim. de . os seus sentimentos. na. muito. Essa experiência é muito presente até hoje. impedindo isso. tentar pular. né?. e senti na pele essa sensação de querer me expressar. tentar pular. é. aí o Escípio. impedindo isso. ela entrou em contato chegou perto de mim.. um momento marcante mesmo. tanto do grupo em si como do meu processo terapêutico daí pra frente. muito. agachar no chão e fazer força pra levantar. e eu ia pulando e ele ia apertando.. pra tentar pular! Aí. né.. seja alegria.. com as terapias que eu fiz. né?. É aí... pediu pra mim levantar.

que você está oprimido. sem Ela percebe a diferença entre sentir e conseguir expressar o que quê eu tava conhecer. que você não consegue se expressar.... como naquele momento.. muito.. que você está em depressão. sentindo. também. então e ao mesmo tempo que eu sentia toda essa dor. é diferente de você entender. né?. assim. sem.. Mas foi Viviane diz que essa experiência lhe trouxe uma coisa que me trouxe uma consciência uma consciência de si (da sua opressão) muito grande de como que eu tava. né?.. né?. uma dificuldade para expressar esses sentimentos no grupo. você sente isso na pele. é.94 outros assim.. que eu tava realmente oprimida. é muito diferente você entender isso do que sentir isso na carne mesmo. apesar da dor que sentiu. Síntese específica de Viviane Viviane sente-se angustiada e sem entender o que ocorre consigo diante da intensidade da experiência grupal e. Foi muito dolorido. toda mesmo. muito. são experiências muito fortes né?.. . que você está bloqueado.. sem conseguir entender o que eu tava sentindo. Então. assim.

Aponta essa experiência como geradora de uma consciência maior de si (mudança da noção de eu) e como facilitadora do seu processo individual. diante disso lhe é proposta uma técnica em que ela vivencia a opressão que a impedia de expressar seus sentimentos. Viviane percebe a diferença entre sentir e conhecer e sente-se livre. Análise do depoimento de Lívia Data da entrevista: 22/12/00 Sexo: Feminino Idade: 40 anos Profissão: Comunicação Social e psicóloga Já fez ou faz terapia? Já fiz.6.10.95 Ela consegue colocar essas dificuldades para o grupo. no momento não. desimpedida para expressar o que sente. 4. .

alívio. outra sentia alívio com a morte do pai. há mais ou menos um ano atrás. outra desejava a morte do pai porque todos estavam sofrendo muito com a doença.96 Individual ou de grupo? Individual Já participou de algum grupo de encontro? Já participei de uns 12 Qual o ano do último de grupo que você participou? 1998 E do primeiro? Acredito ser em 92 UNIDADES DE SIGNIFICADO COMPREENSÃO PSICOLÓGICA A primeira contribuição do grupo que Lívia destaca a ajuda do grupo na sua terapia eu pude sentir foi a de “ajudar” na terapia. como nunca imaginei que pudesse ser. Exemplifica grupo por outras pessoas me remetiam às essa identificação e ajuda ao relatar a perda do minhas próprias questões e a partir daí eu seu pai. eu vivi a situação da morte de meu pai de uma forma tranqüila. quando. pude sentir que ouvir essas pessoas falando de seus sentimentos de culpa. que já estava trabalhando essa questão na terapia. desejo com relação à morte me ajudaram muito a deixar que esses sentimentos também brotassem em mim e a partir daí pude então trabalhá-los em terapia e. e a . pude trabalhá-las em terapia. Exemplo: em um dos grupos se falou muito na questão de morte. individual e a sua identificação com as Algumas questões que eram colocadas no questões colocadas no grupo. Outra contribuição que o grupo trouxe Lívia aponta outras contribuições do grupo. raiva. Eu. foi a aceitação incondicional de mim e do destacando a aceitação de si e do outro. Uma pessoa sentia culpa por ter perdido o pai.

Eu não era rejeitada por isso. ao vivo e a cores. por vezes duvidoso. o quanto o seu . o mais importante. E tem mais: aprendi a dizer não. os grupos de encontro me grupo lhe propiciou ao vivenciar a teoria propiciaram um grande crescimento escolhida e o prazer de confirmar a sua profissional: sou psicóloga.97 outro. na minha frente. é real. Com relação às minhas atividades Enfatiza o crescimento profissional que o profissionais. já conhecia nos livros. principalmente os de Rogers. acontece mesmo. não importando qual fosse esse sentimento. você sentir que é aceita verdadeiramente. A teoria. Pude dizer não várias vezes durante os grupos e isso me ensinou (possibilitou) dizer não para as outras pessoas na minha vida diária e. Exemplo: qualquer sentimento que eu estivesse vivenciando naquele momento era aceito pelo grupo. que eu escolha teórica. participar dos grupos de Lívia realça a contribuição dos grupos para a encontro facilitou perceber meus sentimentos melhoria da sua percepção e aceitação dos e os aceitar como meus. Mesmo com todos os meus defeitos. com toda raiva do mundo e falar dela. estava ali. o sua aprendizagem no sentido de dizer não grupo me aceitava exatamente como eu para o outro e sim para si. a dizer sim para mim. Era prazeroso demais eu ver e sentir que estava no caminho certo e que aquilo que nos livros parece. meu relacionamento seus sentimentos. Podia sentir muita raiva. Enfim. naquele momento. eu as vivenciava ali. abre as portas para que você queira aceitar também verdadeiramente o outro.

não destacando um grupo em si. também. relata as suas experiências como um todo. passei a me relacionamento consigo mesma mudou. me aceitar e acima de levando-a a se conhecer e a se aceitar como tudo gostar de mim como realmente sou. minhas relações interpessoais hoje são mais Aponta mudanças nas relações interpessoais e maduras e autênticas. As realmente é.98 comigo mesma mudou muito. conhecer e reconhecer. Ela marca a contribuição do grupo para a sua terapia individual e a sua identificação com os demais participantes e. para a aceitação de si e do outro. pessoa. . cresci muito como no seu crescimento pessoal. Síntese específica de Lívia Lívia. apesar de muitas participações nos grupos de encontro. aprendendo a dizer não para o ouro e sim para si.

são mais autênticas e maduras e que cresceu pessoalmente.a). 4. extraindo daí a estrutura do vivido. resultando em uma maior aceitação de si. Reconhece que as relações interpessoais. hoje.11. em que a estrutura específica da vivência configurou-se (de acordo com o objetivo expresso em 4.5 (Orientações para Análise) para atingirmos o segundo objetivo que é a apreensão da estrutura geral da vivência.1.99 Lívia reconhece a contribuição para o seu crescimento profissional e para a melhoria da percepção e aceitação dos seus sentimentos. Categorização das Sínteses Específicas Após a leitura das sínteses específicas. Ela aponta mudanças no relacionamento consigo mesma. optou-se por fazer a sua categorização conforme descrito no item 4. .6.

Cíntia expressa muito bem esse desdobramento ao dizer . tornando as pessoas mais conscientes de si mesmas. Ela é comum às vivências deles. A CONTRIBUIÇÃO DO GRUPO A categoria essencial extraída e que se apresenta em todos os depoimentos é a contribuição que o grupo dá para os seus participantes. no sentido de que é um elemento comum. É uma mudança no conceito do eu. mesmo com seus desdobramentos secundários.100 As categorias extraídas das sínteses específicas abaixo podem ser consideradas uma invariante. MUDANÇA NO CONCEITO DE EU Este elemento. presente em todos ou quase todos os depoimentos. Ela é sutil e consiste em parte num conhecimento de si próprio e dos seus sentimentos. Uma outra contribuição do grupo é a potencialização do processo psicoterápico individual. partilhada por Rogério ao descobrir a autenticidade. por ex. de compreender a relação intra (reorganização interna) e interpessoal (o lidar com limites. como as descritas pela maioria dos participantes. seja ratificando escolhas ou lidando melhor com clientes ou sendo mais efetivo no exercício da profissão. essencial. Roberto aponta essa mudança ao aprender a lidar satisfatoriamente com a sua agressividade. seja ela individual ou na relação ou no trabalho. Algumas sínteses mostram como o grupo alavancou esse processo. a motivação para a terapia individual. sentimentos. Experiência. também. Isso demonstra que em maior ou menor grau o grupo possibilita uma mudança. E. aponta mudanças pessoais profundas e de comportamentos. segundo os relatos. essa contribuição se deu na forma de lidar com as emoções. no que se refere à contribuição para a vida pessoal e profissional. Os desdobramentos secundários.) e as conseqüências dessa compreensão no âmbito profissional. a aceitação de si/do outro e o encontro consigo mesmo refletem um contato maior e mais profundo do indivíduo consigo mesmo.

a dor e o sofrimento dos outros. 4. ou como diria Laing (1987). secreta e timidamente. O POTENCIAL TERAPÊUTICO DO GRUPO Esta categoria demonstra um dos aspectos mais fascinantes de uma experiência intensiva de grupo: como certos participantes apresentam uma capacidade natural e espontânea para tratar terapêutica e. que é a confirmação do outro. tão bem colocada por Flávia: ”não era só eu que tinha problema do tipo que eu vi lá”. IDENTIFICAÇÃO COM MEMBROS DO GRUPO Esta categoria denota uma característica básica da Psicologia Humanista Existencial. para se perceber humano. p. também.. quando uns ajudam aos outros durante uma determinada vivência ou nos intervalos. ele espera por um Sim que lhe permita ser e que só pode chegar até ele vindo de uma outra pessoa (1965. Flávia. E essa confirmação se dá inicialmente pela aceitação e a identificação com o outro. Buber diz que “o ser humano precisa ser confirmado pelos outros..101 que se sente “mais humana e mais conectada”. Alberto e Lívia como que a identificação facilitou uma consciência maior de si e. Íris e Lívia. Rosa. 71)”. quando eles revelam ter novas percepções sobre si. “segura ontologicamente”. ao ter a consciência de que “o mais específico em mim é o que há de mais comum no outro”. Nessa perspectiva. vemos nos depoimentos de Flávia. Essas mudanças são claríssimas nos depoimentos de Roberto. Rosa. Emerson. A pessoa sente que é parte.6. as pessoas e o mundo.12: Síntese Geral . Alberto e Íris relatam sobre essa capacidade desenvolvida no grupo. E também por Íris. gerando uma intimidade maior que possibilita uma troca mais significativa entre os participantes. é a pessoa buscando e sendo ela mesma. De uma maneira mais ampla. efetivamente. uma aceitação de si por reconhecer no outro a própria especificidade.

sentimentos e emoções. Capítulo 5: RESULTADOS 5. estabelecemos que no conjunto total dos depoimentos.1. de acordo com o objetivo proposto.102 A análise dos dez depoimentos mostrou que a vivência em grupos de encontro produz alguns alcances significativos. às vezes. pessoas funcionando mais plenamente de acordo com a sua realidade. o que se deduz da experiência grupal é que os participantes mostram uma mudança no sentido de se tornarem pessoas mais conscientes. . Discussão dos resultados O presente estudo objetivou compreender fenomenologicamente as vivências do grupo de encontro através das descrições dadas em depoimentos pelos participantes. os alcances das vivências experienciadas pelos participantes (estrutura específica da vivência) no grupo de encontro e as suas conseqüências. problemas e/ou conflitos. também. As categorizações das sínteses demonstram especificamente. decorrente de um autoconhecimento (percepção de si) sobre suas capacidades e limites. É observado como que alguns participantes desenvolvem a sua capacidade terapêutica durante o grupo e como que este. no modo de se relacionar consigo mesmo e/ou com o outro. a estrutura descritiva geral do alcance da vivência em grupo de encontro pelo participante pode ser delineada da seguinte forma: o participante experimenta um processo de crescimento pessoal. principalmente. Apesar da profundidade de esses alcances variarem de pessoa para pessoa. sendo uma experiência dolorosa. ela é gratificante. a partir daí. possibilitando ao participante uma identificação com os demais (a confirmação da existência) e entrar em contato com vários aspectos da sua pessoa e. mudar de acordo com o que vive. Diante do exposto. mudando. A vivência em grupo de encontro revela que mesmo. sensibiliza para uma busca mais profunda de si mesmo através de um processo psicoterápico individual.

como fenômeno. um ambiente onde lhes é facultado um suporte psicológico. no grupo. me digo. p. A proposta do grupo possibilita aos participantes uma diferenciação da realidade na qual estão inseridos. vivendo os limites e desafios com que usualmente se deparam no seu cotidiano. não somente a consciência de seu potencial. Neste estudo. encontram igualmente. 155). Sugerem ainda uma identificação com membros do grupo no sentido de se reconhecerem na sua singularidade. no sentido de. focalizou-se a fala de dez participantes analisados no que se refere ao seu conteúdo. 1983. percebe-se que os dados deste estudo apontam para a existência em comum de quatro componentes do vivido nos depoimentos: sugerem uma estrutura relacionada à descrição de como que a contribuição do grupo como um todo possibilitou uma mudança. o grupo é para o indivíduo um “laboratório experiencial e experimental de si. A vivência dos participantes revela também uma consciência de si mesmos mais realista. 21). e o faço de determinado jeito. Na realidade. tanto individual quanto nas relações pessoais e profissionais. cuja capacidade de ajudar uns aos outros é desenvolvida ao longo da vivência. A análise da estrutura do vivido. Um outro componente é o potencial terapêutico do grupo.103 assim como ressaltar o que essa compreensão revela sobre os possíveis alcances das vivências experienciadas. É no meio dessa complexidade que devemos nos situar para considerar a fala ou o dizer-se” (1989. mas também das suas necessidades e a forma de serem atendidas. p. também contribuiu para o desenvolvimento de hipóteses teóricas relacionadas às mudanças oriundas da experiência grupal. Porém. Amatuzzi refere-se a essa fala da seguinte maneira: “falando. mas também e basicamente recrio um mundo. embasada em uma metodologia fenomenológica. além de elucidar como o participante vivencia o grupo. uma compreensão e estímulo para ampliar. através da redução fenomenológica. interagindo com os outros. Diante desta colocação. chegar à essência das vivências. vivenciando a si próprios. partindo da realidade criada a partir do grupo onde eles “encontram-se expostos a níveis diversos de vivência numa situação peculiar” (Fonseca. ou seja. aonde de uma forma concreta ele se experiencia e se experimenta em modos . apreender o significado vivido da experiência. digo algo a alguém. tal qual se manifestou através do depoimento.

então. de uma aceitação incondicional do outro e da sua experiência. de compreensão e aceitação de si. é a potencialização e a motivação que o participante tem para recorrer ao processo psicoterápico individual após o grupo. que as relações desenvolvidas no grupo colocam o participante diante de seus processos internos. o grupo passa a desenvolver uma profunda consideração e aceitação pelos participantes. desenvolveu-se originalmente a partir da consideração positiva. p. de seu processo pessoal. . As estruturas descritas e os seus alcances levam a perceber interrelações que apenas possibilitam discutir os seus elementos recorrendo a uma articulação entre eles e a proposta de grupo da Abordagem Centrada. Uma outra contribuição. segundo Fonseca (1983).104 alternativos de ser e agir com relação a si próprio e aos outros” (Fonseca. agindo e reagindo com o fluxo da vida em si. e isto. de acordo com a Abordagem Centrada na Pessoa. modos de ser e reagir aos outros. quando ele pode ser ele mesmo no contato consigo e com o outro. “lhe confere uma oportunidade para uma exploração de si. para um amplo e espontâneo experienciar-se com os outros” (p. Nos casos descritos. no que se refere à contribuição do grupo para as mudanças ocorridas na sua vida pessoal (maneira de lidar com sentimentos. em interação com os outros. 1983. 156). Pode-se dizer. em compatibilidade com o que ‘ouve’” (p. compreender a relação intra e interpessoal) e profissional (melhoria das relações com os clientes e ratificação de escolhas). O processo grupal. Nas palavras de Fonseca (1983). e pode ser e agir. considerando o ritmo natural. pelas suas vivências e expressividade. sem a necessidade de deformar ou interceptar a sua experiência organísmica. os participantes valorizam muito esse “ouvir”. ele “pode ‘ouvir-se’ mais. resultando na condição básica da Abordagem que é a provisão ao participante de um clima terapêutico. também apontada por Rogers (1970) e Fonseca (1988). o participante está em uma situação na qual pode entrar em contato com o fluxo da experiência de si. Vivenciando um clima de liberdade. 156). de suas necessidades e de seus limites. Desta forma. em que a consideração por sua pessoa e experiência permita-lhe experienciar-se. 156). Dessa forma.

há relatos em que a rigidez cedeu lugar à flexibilidade. em que os sentimentos fossem vividos profundamente e penetrasse na dimensão racional. Além destas. É como se o indivíduo estivesse vivendo o que Rogers & Kinget (1977) denominam de funcionamento ótimo de personalidade. favorecer a contribuição produzida pelo grupo como um todo. Flávia. respeitando os seus limites e interagindo com o outro e o meio. sejam elas afetivas. 1998). potencializando. A vivência em grupo e as mudanças dela decorrente podem ser traduzidas pela proposta da Abordagem Centrada. É importante frisar que o fato de se estabelecer uma relação pessoa a pessoa é que é terapêutico. cognitiva. havendo uma maior abertura às experiências imediatas. segundo Wood (1983). A confirmação dessas mudanças pode ser observada nos depoimentos de Roberto. influenciando no comportamento do participante. que. autodescobrindo-se e se autoconhecendo melhor. buscando relações mais significativas. como se ele através da vivência grupal passasse por uma dimensão experiencial. Lieberman. Outras mudanças. pessoais ou profissionais. como melhoria da comunicação nas relações. significando uma atitude menos defensiva em relação a si próprio e ao meio. também são observadas. Yalom e Miles (1973) enfatizam que “é forte a evidência de que relações psicossociais no grupo desempenham um papel sumamente importante no processo de mudança” (p. Durante a experiência grupal as pessoas tendem a reestruturar a sua noção de Eu de acordo com o fluxo da sua experiência organísmica buscando eliminar o desacordo existente entre o seu Eu e a sua experiência. Essa mudança no conceito do Eu faz com que o participante sinta a sua autoestima aumentada. Emerson. assim. conforme expresso por Rogers & Kinget (1977) e Fonseca (1988). 428). via aceitação. de maneira mais plena. Íris e Lívia. por conseguinte. É o autoconhecimento envolvendo uma aprendizagem afetiva e cognitiva.105 Considerando que essas mudanças se dão em função do feixe de relações intra e interpessoais que se estruturam durante o grupo. mais satisfatória. comportando-se de acordo com a experiência simbolizada (Macêdo. o exercício da sua tendência atualizante. “parecem envolver o incremento das sensibilidades da pessoa para ouvir e ser guiada pela própria . por fortalecer os vínculos. entre os participantes em revelar suas dificuldades e problemas e.

um espaco da alteridade” (Fonseca. espontânea e efetiva para tratar terapeuticamente a dor e o sofrimento de outros membros do grupo. nos depoimentos e sínteses específicas deste estudo. do coletivo grupal. esta energia. 1988. Mesmo que as experiências individuais sejam radicalmente únicas. E nesse aspecto o grupo “é. é como se este outro falasse por ele. Mesmo que essa característica seja facilmente observada nas vivências grupais. Outro alcance observado é a identificação ocorrida com os membros do grupo no sentido de que o participante se reconhece no outro. sensibilidade para um despertar para a própria experiência viva total. descreve seis fases do processo de grupo. é necessária uma pesquisa que aprofunde a compreensão acerca dessa capacidade e seus efeitos terapêuticos. Wood (1994) diz “que o relacionamento entre participantes – e não entre facilitador e participante. Este alcance sugere a importância da relação calcada na aceitação e empatia. Rogers (1970) coloca essa capacidade como uma das etapas do processo do grupo (vide capítulo 2) e não como um alcance da vivência. se presentificando na presença do outro e se presentificando “na constituição.106 experiência interior. 257-258). somos todos semelhantes (Hycner. organizando esta consciência. Ela se dá na interações que ocorrem durante as vivências e nos intervalos entre as sessões. 1995). Meador (1971). ou seja. sendo que em nenhuma delas faz referência a essa capacidade. em seu estudo sobre a natureza da mudança num grupo de encontro.tem mais probabilidade de ser significativo para uma mudança construtiva e individual na personalidade” (p. fazendo com que as pessoas sejam singulares. o grupo é constituído por uma diversidade de pessoas vinculadas entre si de tal maneira que a pessoa se sente parte integrante do todo. demonstrando também que essas atitudes não são de exclusividade do facilitador. p. no sentido de que eles apresentam e desenvolvem uma capacidade natural. não em torno de uma filosofia de individualismo ou ‘grupismo’” (p. 68). presença e desdobramentos. pois só através destas atitudes é possível uma compreensão do mundo interno do outro. sob forma de consciência e de comportamentos coletivos particulares do grupo que se constitui . por excelência. em torno do centro da pessoa. pelo mestre interior. em cada sujeito individual. É relevante apontar um outro alcance da experiência em grupo que é o potencial terapêutico despertado em certos participantes. ainda assim. 44). .

É a “confirmação do outro”. Diante disto. Merleau-Ponty (1971) diz que “a palavra é um gesto e sua significação um mundo” (p. reconhecendo nele a pessoa que lhe foi criado para se tornar e sendo confirmado em mim mesmo e nele em seguida. Espera-se com esta discussão despertar aqueles que trabalham nos referenciais da Abordagem Centrada para a necessidade de se estudar e pesquisar. A linha de ação aqui trabalhada leva a uma reflexão sobre as vivências no grupo de encontro com os seus possíveis alcances. as limitações deste estudo por não se referendar ou contrapor a outros estudos. sendo um estudo inovador na busca da compreensão dessas vivências.107 com o encontro” (Fonseca. é importante que se discuta também a metodologia empregada neste estudo. Participar do mundo do outro é confirmar a sua necessidade existencial de ser profundamente compreendido por outro ser humano. 68). quanto mais diferenciado o indivíduo for. 1975). refazendo portanto o caminho da significação e atribuição de sentido. . onde ele é visto como uma pessoa em processo de tornar-se ela mesma. E como falou Íris em seu depoimento: “o mais específico em mim é o que há de mais comum no outro”. A intensidade dessas relações de alteridade vividas durante o grupo sugere um componente fundamental do poder de regeneração e de fecundação do grupo de encontro. abrindo espaço a outras discussões e demonstrando. as vivências em grupos de encontro. e segundo Buber (1957. em relação a essas potencialidades que podem ser desenvolvidas e evoluir. ao se buscar compreender os significados da vivência em grupo. este termo corresponde à aceitação das potencialidades do outro. desta maneira. ainda mais. p. 1989). ao valorizar os depoimentos acerca da vivência nos grupos de encontro. apud Rogers. o silêncio primordial que foi rompido pela fala e descrever o gesto que rompeu esse silêncio” (Amatuzzi. 194) e a nossa visão sobre o homem permanecerá superficial enquanto não “reencontrarmos sob o barulho das palavras. A experiência na facilitação de grupos ensinou ao autor deste estudo que a técnica da entrevista aqui proposta pode ser um instrumento muito útil na busca dessa compreensão. mais semelhante ele será. assim como o observado neste estudo. 1988. ou seja.

1998). e em alguns momentos insubstituível. e ela mostra a viabilidade de coletar depoimentos gravados e/ou escritos que. pode-se chegar a depoimentos muito ricos de significados que vão além do tema que se tenta pesquisar (Macêdo. p. depende da forma como o cliente foi abordado para entrar em contato com a sua experiência vivida ao dar o seu depoimento. se não houver por parte do pesquisador um conhecimento prévio dos fundamentos da Abordagem Centrada na Pessoa e. Assim. para que seja possível a sua compreensão diante do material encontrado e como lidar com ele. por extensão. uma pesquisa qualitativa devidamente exploratória sobre a vivência do participante tem a vantagem de abarcar percepções globais e sentimentos do participante no que tange à vivência grupal e aos elementos que são mais significativos ao seu processo. Portanto. pois é a que lida com o significado da vivência (Amatuzzi. E para essa construção de conhecimentos. com o foco na intencionalidade. . assim como algumas confirmações. Macêdo (1998. de nada vale a utilização deste método de entrevista embasado em uma análise fenomenológica com a finalidade de precisar de maneira eficaz os alcances da vivência grupal. é primordial que ao fazer um estudo desta natureza. para a formulação de conhecimentos e para decisões que devemos tomar” (p. Amatuzzi (1996) afirma que “a fenomenologia pressupõe que o vivido seja um caminho importante. como atesta Giorgi (1989). por se trabalhar com material expressivo da experiência humana. 1996). Isso aponta para a questão da vivacidade dos depoimentos e que sua vitalidade não é por acaso. isto é. seguiram-se os princípios do método fenomenológico. foi possível uma reflexão sobre os fundamentos teóricos da Abordagem Centrada na Pessoa. sua descrição é carregada de significados.108 Por outro lado. o pesquisador saiba antes o que procura e como procurar. 119) afirma que “a pergunta disparadora abre espaços para esta especificidade do depoimento permitindo serem descritos significados mais amplos que a vivência” no grupo. e os alcances da vivência no Grupo de Encontro. o que leva a uma estrutura do vivido. para a verdade. pois ao ser solicitado a refletir sobre a experiência mais marcante no grupo. uma vez que este estudo se baseou na pesquisa fenomenológica empírica cujo objetivo é o estudo do vivido. E nessa perspectiva. do que é um Grupo de Encontro. Ao se respeitar a linguagem dos discursos do participante. dependendo da maneira como se aborda o participante. 5).

o que está de acordo com o seu objetivo. é importante ressaltar a falta de estudos sobre o tema proposto aqui. E também por Fonseca (1988) ao dizer que “a teorização sobre grupos vivenciais tem sido muito limitada e escassa” (p. este estudo permite concluir que o Grupo de Encontro é uma atividade terapêutica coerente com as postulações teóricas da Abordagem Centrada na Pessoa e que o alcance mais significativo dele é o crescimento pessoal do participante. Pode-se estabelecer uma primeira conclusão. sendo a sua evidência corroborada por Tassinari & Portela (1996) e. principalmente. em maior ou menor grau. 15) e “que pela ausência de uma explicitação teórica mais efetiva. a proposta do grupo vivencial tem tendido de um modo geral a estagnarse” (p. isso. Dos resultados obtidos pelos depoimentos dos participantes. De uma maneira geral. 45). provavelmente. apontada por este estudo. em função da forma como ele foi realizado. dificultados pelo lento desenvolvimento de métodos apropriados para pesquisar os grupos em seus termos naturais” (p. mostra como que o participante vê o grupo e não como ele é. creio ter sido possível atingir o objetivo deste estudo. a partir dos depoimentos dos participantes ao exporem como que é o grupo de encontro para eles. desafortunadamente. Nesse sentido. é possível uma conclusão a respeito dos alcances do grupo em si. 70). 5. espera-se que ele. a partir do depoimento. contribua para o fortalecimento teórico da Abordagem e de uma metodologia que possa verificar as experiências vividas no seio dela. por Wood (1983) ao afirmar que “estudos de grupos centrados na pessoa têm sido.2. Conforme colocado na introdução deste estudo. A estrutura geral do vivido. mas de uma compreensão indireta do que é o grupo. e outra sobre a validade da pesquisa fenomenológica. ao dizer que essa ausência de marcos teóricos mais precisos e a dificuldade de acesso a um conhecimento sobre grupos de encontro têm dificultado a formação adequada de facilitadores.109 fornecendo a este estudo um estatuto de validade científica. . Conclusão Mais uma vez. se deu em função do estudo não focalizar diretamente o que é o grupo.

A partir destas conclusões. . confirmando a existência. . . desde que o pesquisador esteja comprometido com uma proposta eminentemente fenomenológica. expressão fluída dos sentimentos. abertura à experiência imediata. considerando o relato uma expressão do vivido dele. . identificação com os membros de grupo. menos defensivo. desenvolvimento da capacidade terapêutica. aceitação de si e do outro. confiança naquilo que sente. . independem do ano da participação. . . mudança no conceito de eu. ele também levanta muitas questões ao apontar a verificação de hipóteses baseada meramente em observações. . Mesmo que este estudo tenha buscado uma articulação entre teoria e prática para obter um alcance científico. . necessários estudos sobre as condições facilitadoras de mudança. respeitando os participantes enquanto pessoas.110 Sobre a vivência em grupos. potencialização do processo psicoterápico individual. contato maior com os sentimentos. considere os aspectos éticos da pesquisa. ampliando a consciência de si. a entrevista (depoimento) é um meio eficaz de investigação fenomenológica para se compreender o significado da experiência vivida pelo participante. . necessárias teorizações sobre a relação facilitador e participante. . esteja aberto para entrar em contato com o participante através do seu depoimento. necessários estudos aprofundados sobre os efeitos das vivências. tais como: . melhoria na comunicação com o outro. as mudanças são duradouras. é possível concluir que: . a participação em um grupo de encontro pode trazer mudanças significativas para os participantes. . Sobre a pesquisa fenomenológica é possível concluir que: . as possíveis implicações teórico-práticas para o grupo de encontro e a pesquisa são: . . . compreensão da relação interpessoal. autenticidade nas relações pessoais e profissionais. .

111

. o depoimento é carregado de significados, desde que a pergunta disparadora
coloque o participante em contato com a vivência (Macêdo, 1998);
. a compreensão só é possível através da imersão na subjetividade do participante,
via empatia;
. ao envolver-se existencialmente com os depoimentos, manter um distanciamento
reflexivo para apreender os significados vividos;
. os resultados obtidos podem oferecer generalizações sobre o tema investigado,
mostrando que os significados produzidos podem ir além da pesquisa, sendo necessários
outros estudos.
No diz respeito à metodologia, o enfoque qualitativo fenomenológico se mostra
bastante viável à investigação das vivências em Grupos de Encontro e, quanto à
validade do instrumento utilizado neste estudo, Macêdo (1998) diz que um trabalho
desta natureza tem o seu instrumento validado “desde que sejam respeitados os
parâmetros metodológicos para a compreensão dos dados contidos nele”, para tanto
“um instrumento qualitativo, elaborado e aplicado sistematicamente, possui validade
científica”, abrindo espaço a novas questões a serem investigadas.
Considerando as questões levantadas por este estudo para o funcionamento e
efeitos do Grupo de Encontro, seria viável que aqueles que trabalham com este modelo
tentem uma revisão conceitual para a fundamentação mais consistente da sua prática.
Naturalmente que este estudo, durante a sua realização, provocou mudanças
significativas na pessoa deste pesquisador, tanto nos aspectos pessoais quanto
profissionais, abrindo questões para uma reflexão futura.
Por fim, gostaria de encerrar esta conclusão com uma colocação de Amatuzzi
(1989, p. 195), que sintetiza o que este autor vive neste instante:
“existe um momento que sentimos que terminou. Mesmo que esse término seja de
um ciclo, etapa ou momento, embora não do processo como um todo. É preciso também
decidir terminar, pois há sempre algo que poderia ainda ser dito”.

112

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116 .

117 ANEXO Anexo 1 Depoimentos Nome: Cíntia Data da entrevista: 01/08/00 Sexo: Feminino Idade: 38 anos Profissão: Psicóloga .

.118 Já fez ou faz terapia? Já fiz e faço terapia Individual ou de grupo? Individual Já participou de algum grupo de encontro? Já participei de vários grupo de encontro. né? Quando fiz o primeiro grupo. Não só a respeito do grupo de encontro como também a respeito do ser humano. Foi como descobrir que eu fazia parte de uma raça. em 1990 e nunca mais parei. Relembrar minhas experiências com grupo é sempre muito bom porque posso vislumbrar uma longa caminhada. Foi um alívio muito grande o que senti. deve ter sido em 1997. não me permitia errar. e me achava responsável por todas as pessoas que estavam ao meu redor. eu me espantava e não acreditava que eu estivesse vendo e convivendo com pessoas que tinham problemas.. Qual o ano do último grupo de que você participou? Eu não tenho esta data. parecidos com os meus. eu não era a única imperfeita. assim como eu. por aí. . Aproximadamente? Aproximadamente. para a gente falar de uma experiência mais marcante tem que fazer um pouquinho de esforço porque acho que todas as experiências que tive foram muito marcantes. eu não era tão ruim como eu me julgava. Eu me cobrava muito. Foi quando eu fui participar de um grupo de encontro e eu realmente não sabia como é que era e a idéia que eu tinha era muito vaga. É. com pessoas que também sofriam e buscavam uma maneira de crescer e aprender a viver. eu não estava tão desamparada e sozinha. O que me gerava inúmeras culpas e muito sofrimento. Quantos? Perdi a conta. Eu comecei a participar quando eu estava na faculdade. tinha medo de dirigir. Então deve ser mais ou menos uns 17 a 20. Lembro-me que quando o grupo começou a acontecer e as pessoas foram se colocando. acho. Ou seja. qual a experiência mais marcante que experimentou em um grupo de encontro. né? Estava passando por momentos muito difíceis comigo mesma e nas minhas relações pessoais. É importante que você me descreva. Mas a que eu acho que eu podia te dizer que a experiência mais marcante foi a primeira. eu era estudante do curso de Psicologia e estava no início do meu processo terapêutico (individual). o mais detalhadamente possível.

confio em minha direção. A partir daí não deixei mais de participar dos grupos. Continuo sendo imperfeita. a me colocar. . de ter medo de dirigir. mas muito melhor comigo mesma. eu acho que.. Tem mais alguma coisa a acrescentar? Não. que eu saía dali com mais disposição e mais claridade para ver e enfrentar as coisas. sou humana.. realmente não existe nenhum grupo igual. cada um é um e que todos eles me acrescentaram muita coisa durante a minha vida pessoal e profissional. revelar muitas coisas a respeito de mim mesma e do ser humano. hoje eu amo dirigir. Me ajudava muito na terapia individual também.. fui percebendo cada dia mais que me ajudavam. Creio que a partir daí eu comecei a confiar mais em meu organismo e no organismo dos outros. a ter um pouco mais de paciência ou a me permitir não ter paciência para certas coisas ou pessoas. a trocar com as pessoas. de aprofundar e de parar.. Por exemplo: já houve momentos em que o grupo trabalhou intensamente questões pesadas para muitos e para o grupo e na hora de retornar. mais de uma vez. e até a sentir vontade de deixar que as pessoas me conhecessem. todos estes grupos que eu participei. graças a Deus. que o grupo sabe a hora de começar. Já pude ver. simplesmente ninguém “permitiu” prosseguir. No grupo eu pude ver claramente o que é a sabedoria organísmica e também como isso funciona a nível de coletivo. Aos poucos fui descobrindo que eu sou digna de confiança. eu passei a deixar mais que cada um tomasse conta de si. fui aprendendo a me aceitar e aceitar mais as outras pessoas também.. O que mais me marcou nesta experiência toda foi o fato do grupo mostrar.119 Pouco a pouco fui aprendendo a confiar no grupo. eu diria que. sou realmente imperfeita. é. Com certeza absoluta a participação nos grupos me ajudou imensamente na minha vida pessoal e profissional. comecei a caminhar mais rápido. A me respeitar e a respeitar o outro. a propósito do que eu disse antes. eu passei a enfrentar meus problemas com mais confiança em mim mesma e..

120 Nome: Roberto Data da entrevista: 28/08/00 Sexo: Masculino Idade: 35 anos Já fez ou faz terapia? Faço Profissão: Magistrado .

mas eu já perdi a conta. sabe? Comecei a canalizar de uma forma mais construtiva a minha agressividade. Qual o ano do último grupo de que você participou? 2000 É importante que você me descreva. fluiu a emoção de uma maneira muito pesada.. e eu topei. parece que eu reeduquei a minha agressividade a partir daí. um da exposição ao outro. sabe? Eu parava e dizia: O que aconteceu? Humm! Deve ser efeito lá de trás. não tinha cara. Chegou uma hora que. né?. né? me senti mais leve depois e foi interessante porque é depois de ter saído do grupo. falar. aqui em BH e com o meu terapeuta individual.121 Individual ou de grupo? Individual e quando ocorrem os grupos de grupo. que não tinha nome. eu me via. qual a experiência mais marcante que experimentou em um grupo de encontro.. Olha foi o meu terceiro grupo. foi uma entrega aos sentimentos mesmo. lá pra diante. foi viajando numa vivência de um colega de grupo que surgiu alguma afinidade e aí quando eu vi já estava acontecendo. deixa. então. sei lá. nenhuma definição. foi bom. só uma emoção fortíssima. num primeiro momento. comportando de determinada forma diferente de que até então tinha sido. Para mim foi um marco porque. esse foi o mais marcante. ia me colocar. às vezes até algumas semanas depois. no começo houve um temor muito grande em me colocar. né?.. me continha. Foi uma técnica que utilizava uma toalha retorcida para que eu mordesse. se não me engano. me foi proposta a vivência. né? Eu fiz uma vivência para trabalhar raiva. né?. me continha. do pessoal que estava lá e também de eu não dar conta daquele turbilhão que estava lá dentro. sabe? Falar. deixa falar. e não me preocupei muito com elaborar. sabe? Eu estava com um medo. né? E a partir da catarse que eu tive lá veio muita coisa interessante para elaborar. E como você se sentiu nesta experiência? Olha. porque eu estou me comportando de tal . E foi interessante porque eu fechei os olhos e me esqueci de tudo que estava em torna. algum movimento acontecer. é. né?. o que me passou foi isso. o mais detalhadamente possível. Já participou de algum grupo de encontro? Muitos. Quantos? Mais de vinte. foi interessante. eu ia me colocar.. já foi em 92. né?.

era raiva da agressão. Sem medo. né?. Huuua! E de repente eu comecei a me perceber com essa postura. de repente. pera aí. E isso tudo em relação à raiva? Em relação à vivência da raiva e. em geral. eu deixo o que é do grupo no grupo. que me enfezava eu não saía quebrando nada. O principal era o medo de me entregar a ela e ver o que vinha depois com muito medo. é claro. deve ser um efeito da vivência. sabe alguém por algum motivo em alguma situação. ué? não era assim que fazia e. eu não me preocupava com isso. né?. eu não quero nem escutar o que você tem a me dizer. várias condutas.122 forma e não segui o meu padrão o que pode ter ajudado ocasionando esta mudança e me lembrava então da vivência que. vamos conversar. por exemplo. Tá bom? tá bom. entende? Foi acontecendo. ponto. né?. minha raiva era raiva do grito. Então havia um medo muito grande. no lá adiante eu parava e falava. e eu me vi ponderando. o que eu posso fazer se essa raiva aflorar. né?. comigo e com o outro. era assim o potencial destrutivo da raiva. senta aí.. deixo que as coisas fluam. por que está diferente? Ah!!! Já sei. né?. mas eu vi várias reações. no analista. eu não ter uma vivência de entrar nesse sentimento de uma forma construtiva. então. Ah! Me incomodou. né?. que o que te marcou foi ter vivenciado a raiva de uma forma espontânea. né?. é uma coisa que eu não fazia. aconteceu aquilo. era esse não saber. e escutando o outro. mas em outros aspectos da minha vida é vivência de grupo sempre tiveram estes efeitos. eu vou te falar do incômodo e da maneira que eu sei. E no grupo você descobriu que ela pode ser boa? Sim. né?. que vem de dentro. era daquele jeito que eu estava fazendo e estava melhor. tá ótimo! E você acha. não é bem assim. então ( ) se queira ser feliz com analista. pôxa vida. não é bem saber. em situações que eu já partiria para agressão verbal. não fico assim preocupado em me lembrar. né?. sem culpa. sabe.. uai! Por que estou agindo assim. né?. aconteceu isso. pô. para o descontrole. então. né?. né?. nós estamos falando dela. sabe? Usando aquela energia. sem culpa não. meu Deus. né?. de repente eu me vi. eu penso que o que pesava muito. . era raiva da porrada. mas não como uma conclusão lógica.

Não é que não houvesse raiva. muito tempo depois. E não sei se eu posso colocar isso: num outro grupo. .123 não. a gente se desentendeu e foi muito legal. além dessas três experiências. e foi uma experiência dentro do grupo onde tive esta consciência. Já participou de algum grupo de encontro? Sim. o facilitador colocou a gente lá. mas eu não vou fazer isso. Nossa. né?. neste grupo deram um apelido para essa personagem que aflorou chamada de Fred Kruger. já foi. então eu vou te falar sobre o incômodo. aconteceu. Então. Vivendo a raiva de outra forma. aquele personagem dos filmes de horror. não vou cair na sua armadilha. foi muito bom. Nome: Rogério Data da entrevista: 23/09/00 Sexo: Masculino Idade: 38 anos Profissão: Advogado Já fez ou faz terapia? Nunca fiz. de virar para a pessoa e falar: você está demandando ser agredida. frente a frente com esta pessoa. alguns grupos depois aconteceu uma situação de grande antagonismo com uma outra pessoa que estava lá. vamos parlamentar. espera aí. né?. nesse jogo perverso e também porque não é a minha praia mais. mas estava circulando de uma outra forma. tanto na vida lá fora quanto aqui no grupo pude vivenciar. aliás. né?. e no grupo. ela estava ali. Um incômodo. a mudança está aí. ter vencido. Foi fortíssima. uma experiência plena disso. você está demandando tomar bolacha. né?. contando com esta de grupo. sabe? Eu estava numa berlinda. mais positiva ou menos destrutiva. né?.

sobre a diferença que é a vivência dentro de um grupo e fora dele. perspicácia. tentar crescer com as experiências alheias. Ah! Foram várias. Me descobri também. não. e fora dele.. mesmo que eu não esteja vivenciando determinado problema que foram citados.124 Quantos? Três com esta Qual o ano do último grupo de que você participou? 2000 É importante que você me descreva. Enfim. Mas muitos tópicos. sobre como me relacionar. . mas a que eu poderia destacar foi. ser mais autêntico. mudar. porque no grupo a gente consegue uma relação mais transparente. acho difícil. saber dizer não. mas não foi só isso. qual a experiência mais marcante que experimentou em um grupo de encontro. ser mais transparente. e ajuda a identificar a sinceridade das pessoas. Na prática. como que você viveu? É. de percepção dos outros. acho que é o máximo que eu poderia definir e também é muito confuso. Saber ser mais. mas isso eu creio que vai me ajudar se algum dia eu tiver que me deparar com eles.. são o que me ajuda a enfrentar os problemas de fora. Na minha profissão. mais verdadeira. é não ser hipócrita nas relações. né? Confuso como? Achar uma definição precisa para este turbilhão de sentimentos que eu atravessei e que me ajuda muito fora daqui. mas ao mesmo tempo procurar respeitar os limites dos outros. Tem mais alguma coisa que você queira falar? Sim. eu lido com pessoas. o mais detalhadamente possível. na nossa vida “normal”. é. como este de transparência. é isso. não me magoar. que mostram muito mesmo. né?. eu acho que é isso. nem sempre. crescer. A autenticidade foi o que mais te marcou então? Fale um pouco dela dentro do que você viveu.

Já participou de algum grupo de encontro? Já . Idade: 48 anos Profissão: Professora (aposentada) Já fez ou faz terapia? Já fiz Individual ou de grupo? Todas duas.125 Nome: Flávia Data da entrevista: 18/10/00 Sexo: feminino.

difícil falar isso. repensar a minha vida e ver que não era tão difícil sair daquilo que eu estava passando. O primeiro grupo que eu fiz. é.. porque geralmente a gente acha que o problema é só nosso. né?. Então o que te marcou foi ver que tinha outras pessoas passando pela mesma situação que você? Mesma situação que eu. mais casais inclusive. podia falar. mais da minha idade mesmo. e que ali foi bom de pensar. né. Me senti confortada. é uma cumplicidade boa lá.. eu não sei se foi pela primeira vez que eu fui a um grupo. aí eu fui fazer o grupo. não era só eu que tinha problema do tipo que eu vi lá. não é bem porque é só da gente não. o mais detalhadamente possível.. em 97. A que mais me marcou foi mesmo o trabalho que é feito. é que o nosso tem uma dimensão maior. quer dizer. repensar a vida. Mais me marcou? Ai. qual a experiência mais marcante que experimentou em um grupo de encontro. cheguei lá e vi que todo mundo passa também por dificuldades. sei lá. É o que eu falei: repensar mesmo aquilo tudo. que eu já tinha feito a terapia individual. de que às vezes a gente age. E foi muito bom ver que não foi eu. né?. Agora o . tenho um neto que mora comigo foi válido para mim ver a minha discrepância. foi válido também. mas o primeiro que eu fiz foi mais de adulto. e eu não sei se eu estava tão necessitada também e foi mais marcante para mim. certo? Então me ajudou. e que o nosso é maior. né? que. é. porque eu também tenho dois filhos. mas a ver melhor o que eu passava e foi isso.. agora no segundo foi mais com adolescente. foi importante também. né?. foi ver que as pessoas lá também tinham liberdade. né?. né?. Foi o primeiro grupo que eu fiz e eram mais adultos. né?. gente da minha idade mesmo.. Ah! Não sei. não a resolver não. Agora já o segundo grupo foi mais de adolescente. Você quer alguma coisa que ouvi lá? Uma experiência que marcou. e pensar..126 Quantos? 02 Qual o ano do último grupo de que você participou? 1998 É importante que me descreva. Conforto demais. né. foi isso mesmo... o segundo até que não. né?.

não faço mais porque não tenho muita oportunidade de fazer mais grupo. . e comecei novamente e dei um intervalo.127 primeiro foi excelente. Nome: Emerson Data da entrevista: 23/09/00 Sexo: Masculino Idade: 42 anos Profissão: Despachante e Corretor de Seguros Já fez ou faz terapia? Já fiz terapia. você precisa de mais algum detalhe. acho que a gente conviveria melhor. né? Ah! Seria excelente. né? Gostaria de acrescentar mais alguma coisa? Não. mais alguma coisa? Se você quiser falar? Eu quero que todo mundo tenha esta experiência.

mais habilidade. e eu não enxergava sentimentos. sabe? Uma certa ignorância. E como você se sente diante da experiência? Olha. o meu nervosismo. dentro das normas.. 1989. aprendendo a ver com os meus próprios olhos. Sabendo que você só sobreviveria a isso que está aí. bonachão. Nenhum número? Humm. dar ouvidos ao correto. percebi o quanto eu tinha uma visão distorcida da vida. que eu poderia dizer aqui é um grupo e sobrevivi ao que está lá fora. a comunidade e o meio em que vivo.. sabe? Daquela pessoa que se achava dono do mundo.. sabe? E eu me lembro que eu fumava. e verificar como um ser que sentia menosprezado. onde conseguia compreender melhor os outros. das pessoas e do mundo. Até então poderia te dizer: saí daquele machismo. e quando eu recebo um cliente. Diria que são mais ou menos10 grupos.. na realidade. Quantos? Inúmeros.128 Individual ou de grupo? Individual e constantemente tenho feito o grupo. Eu lido com pessoas. Mas experiência mais marcante foi o reconhecimento de mim como uma pessoa colocada dentro deste mundo de vida. não sei quantificar. mandão. sabe? E consegui equilibrar uma série de coisas na vida e. qual a experiência mais marcante que experimentou em um grupo de encontro. Qual o ano do último grupo de que você participou? 2000 É importante que você me descreva. o mais detalhadamente possível. a relação interpessoal. Depois de participar do primeiro grupo em. antes eu tinha temor das pessoas e eu enxergava as pessoas com uma certa arrogância. Me enxergar como alguém de importância. e eu fumava três cigarros praticamente para conversar com uma pessoa. e agora eu vejo a minha tranqüilidade. principalmente. falar o que era preciso. A partir daí notei que estava havendo alguma transformação na minha pessoa. deixado e dependente principalmente. dos paradigmas que a sociedade nos impõe. Já sabia que o meu "mundo" não era mais o mesmo. e agora com mais tranqüilidade. e consegui enxergar um pouco das minhas fraquezas. pois estava me identificando com uma nova personalidade. eu não vejo mais o dinheiro na . Já participou de algum grupo de encontro? Vários grupos de encontro.

129 frente. Não só pelo lado profissional como pelo lado pessoal? Com certeza. quem é que está fazendo troca com a gente. São os valores que ele percebeu na minha percepção e dentro disso eu acredito que ele é um cliente que sempre vai se achar bem quisto. Para mim é importante conhecer um pouco mais o meu cliente. Poderia dizer um pouco de alegria. Essa área humanista ela é lindíssima. então isso. Mais alguma coisa a acrescentar? Eu sei te dizer o seguinte: que ano você está fazendo em psicologia? Sexto período. eu vejo o lado humano. mas eu vejo ele como um ser humano e. sabe? Isso eu aprendi muito. Eu quero que ela diga um pouco dela. sabe? Não é simplesmente uma pessoa que vem e pronto. a minha relação lá fora tem melhorado demais. e aprendi com a terapia e com essa lindíssima psicologia. contato humano. ele vai voltar. exatamente. não me é simplesmente suficiente receber o cliente como uma pessoa que veio me trazer o trabalho. eu quero conversar com essa pessoa. ela me agrada demais. me ensina também a forma de agradá-lo e com eu estando o agradando. Interagir? Interagir.ele é um cliente importante. eu gosto de conversar com as pessoas olhando nos olhos dela porque assim eu vejo uma coisa mais interna. A gente aprende a discernir quem é que está querendo a gente como amigo. um pouco de tristeza. Essa área humanista ela é lindíssima. com meus filhos e também aprendi a separar o que é amigo e o que é colega. com meus amigos. . um pouco de demonstração do que as pessoas vêem. ela me agrada demais. Eu tenho lucrado muito com isso. às vezes. se assim ela permitir. ele volta e até indica mais clientes para mim. quem é que está nos explorando. eu lembro dele só do semblante não. com minha família. Mas hoje eu procuro ter um contato com meu cliente. me trazer o dinheiro. sabe? Isso nos ensina. Quero que ela fale um pouco da sua vida se assim ela quiser. mas é que eu saiba um pouco da história dele. Eu não vejo ele mais como um cliente produtivo para mim.

Resumindo: assumi minha identidade. Individual ou de grupo? Individual e de grupo. que são meus filhos. Fiz e faço muitos amigos com a grande sinceridade que o grupo me ensinou. . porque eu sou Pai e mãe. Já consigo deslanchar com muita tranqüilidade e sair do labirinto. sabe? E eu tive uma certa dificuldade de aceitar. como já falei: moro com meus três filhos e os amo muito. sem ter uma companheira para cuidar deles. sentir a sua dor. muita coisa. sem ter a Mãe deles perto de mim. sabe? Eu pude trabalhar muitas coisas. Isso vem de grupo. né? Eu imagino o engrandecimento que isso deve te trazer. para tudo tem solução. Me ensinou a ser Pãe. também estar com meus filhos juntos comigo dentro da minha casa debaixo do meu teto.130 Sexto período? Logicamente. pois é preciso saber compreendê-las. a minha auto-estima. a criança abandonada. me ensinou a aceitar os meus filhos. em saber viver o Pai e a Mãe que eu estou sendo hoje. Existem saídas. me vejo diferente deste velho mundo. dificuldades é a gente que inventa. Me ensinou a saber viver o Emerson. Descobri que não se pode corrigir qualquer pessoa. alguma coisa já deve ter transformado demais para você. pois achava que não daria conta de cuidar deles e muitas outras coisas. Porque para mim uma mudança poderia te dizer bem radical. ouvi-las. basta pensar e ser perseverante. ouvir a respeito e nem sempre emitir opiniões. às vezes até omitir. Devemos ter paciência para encontrá-las. Nome: Rosa Data da entrevista: 05/10/00 Sexo: Feminino Idade: 34 Profissão: Médica Já fez ou faz terapia? Já fiz.

é. É importante que você me descreva. Então. então em cada grupo que eu participava. as pessoas. O que mais me marcou no grupo de encontro. tudo. Experiência pessoal minha?. né? Eu fiz uma vivência de Pai e Mãe no meu primeiro grupo que fez eu pensar muito: por que que eu estava lá. de saber mesmo da minha vida. do que eu gostava. ficaria muito pobre também eu te falar um momento específico. é uma vivência de alguma coisa que foi colocada para a gente lá na hora. Às vezes. E o primeiro? Foi em 1996. E aí eu fui me organizando internamente e descobrindo e redescobrindo coisas que eram importantes e que já eram minhas e que haviam sido esquecidas. às vezes. foi de muito valor especificamente e individualmente para cada grupo que eu participei.. do quê que era importante para mim e me entender onde pessoas lá me ajudaram a me entender. era uma coisa que manifestava. era um sentimento. Qual o ano do último grupo de que você participou? Novembro de 1997. o grupo ajudou. porque o grupo é uma coisa única. do porquê eu tinha ido procurar este reencontro comigo mesma? Nos outros grupos teve coisas muito marcantes. era como se fosse um encontro comigo mesma. Então fica muito difícil de eu te detalhar um. Coisas que. dependendo do grupo. as coisas que . foi como se o grupo fizesse eu renascer mesmo como pessoa e descobrir mesmo o prazer de ter realmente me reencontrado. é que os grupos de encontro eles fizeram. o mais detalhadamente possível. é uma coisa que a pessoa fala. era um reencontro mesmo. que não é expresso por palavras. Foi me reencontrar nestes grupos o que mais marcou. assim. que o outro está transmitindo para você. vários.. Então. Eu poder falar do que eu sentia.. Eu me encontrava muito perdida na época em que eu fiz o grupo. Quantos? Acho que foram uns cinco ou seis.. de proveito meu mesmo. os relatos. é.. me ajudaram muito a me encontrar como pessoa. né? Eu acho que cada grupo foi muito bom. detalhes é muito difícil. foi muito proveitoso. Da minha vida pessoal mesmo. pessoalmente. Assim. qual a experiência mais marcante que experimentou em um grupo de encontro.131 Já participou de algum grupo de encontro? Já. o que mais te marcou foi o fato de ter se reencontrado? É. Às vezes. pelo que você falou. é um sentimento que você sente. Então.. do que eu queria. Então esse grupo foi muito importante.

Nome: Alberto Data da entrevista: 24/10/00 Sexo: Masculino Idade: 33 Profissão: Engenheiro Civil Já fez ou faz terapia? Já fiz.. não é um ato de caridade não. Então isso foi muito intenso. a gente acaba perdendo. né? E poder também. ajudar como elas estão te ajudando. né? De resgatar. de fazer amizades. em grupo também. muito sem sentido. muito sem cor. . assim vale muito este encontro com o outro mesmo. Essa troca é muito enriquecedora e quando as pessoas sintonizam com você é que você consegue fazer essa troca. de resgatar mesmo. que às vezes no dia-a-dia. de repente. A vida era muito. Muito proveitoso. É poder ajudar as outras pessoas que estão lá. E. de amizade. é uma troca. É a questão de envolvimento. eu fui descobrindo que era muito colorida e eu é que não sabia. exatamente.132 eu não entendia ou mesmo as coisas que eu queria. muito apagada. de humanismo mesmo. acho que o grupo é muito rico. É ajudar mesmo. não é só isso. Então esse encontro comigo mesma é que foi muito bom.. Individual ou de grupo? Já fiz individual e de casal.

. É isso. E isso é bem interessante que te deixa bem à vontade para você descobrir essas coisas. tá? É um tempo pequeno. Qual o ano do último grupo de que você participou? 1997 É importante que você me descreva. você tem o seu tempo. E é interessante que não só comigo.. Tiveram a oportunidade de se conhecer melhor. tá? Não tenho feito. qual a experiência mais marcante que experimentou em um grupo de encontro. uma confiança que em pouco tempo você adquire uma confiança em uma pessoa que você nunca viu. né?. Eu descobri coisas que. tinha a ajuda dos facilitadores. um animal. Os grupos são na sexta e voltam no domingo e é isso. né?. se encontraram. não aconteceu só comigo. As pessoas que estavam ali buscando se encontrar mesmo. nos que eu fiz e tinha. E a partir dessa exposição você se descobre.. que não é imposto nada. esse animal eu me encontrei.. tenho vontade de fazer mais. não sei se você conhece. mas eu acho legal. muitas coisas que você não sabia que você era. o mais detalhadamente possível. você. as pessoas têm. a gente viu depois a experiência dos outros que é relatada que a gente tem abertura para falar sobre isso no grupo e a gente vê que não acontece. como posso dizer. tinha que é que se que colocar como se fosse um bicho. isso é muito respeitado. né?. você tem a sua hora...... Grupo de encontro eu acho que é o seguinte: cada um coloca as dificuldades que tem na vida. né?.133 Já participou de algum grupo de encontro? Já. E para mim o grupo de encontro foi. você tem.... eu tendo oportunidade eu vou voltar a fazer. E são pessoas que eu acho que a filosofia deles é muito legal. Quantos? Três. foi no primeiro encontro. e você começa a se expor para um grupo. Eu acho que foi válido para mim. que me deram força para tocar a vida. o grupo de encontro para mim foi uma forma de eu me encontrar. tá? Eu descobri foi no... aí essa vida louca que a gente leva de trabalho e de convívio. na verdade. tá? numa vivência que nós fizemos que tinha. foi um encontro mesmo. com as pessoas e a gente descobre o que a gente é mesmo. ... na verdade. são três dias. tá? nesse animal.. por falta de tempo. tenho recebido alguns convites para fazer mais.

. aprende a respeitar mais os outros. é o encontro. em cada coisinha que tem do grupo. Então é muito interessante. tá? Eu recomendo. eu acho que terapia é muito bom. você tem que delimitar a sua área é aquela ali. eu fiz a terapia e foi muito bom. colocar limite é bem interessante.. Nome: Íris Data da entrevista: 07/11/00 Sexo: Feminino . e vai se expor para ela.. Todos os grupos que eu fiz. a gente. aprende a ver os limites. Eu recomendo. é um aprimoramento da pessoa que a gente é. acho que é bem interessante. que definir. um ano e meio. Mas foi legal. o que mais te marcou foi esse encontro consigo mesmo? É o encontro. Eu recomendo. você aprende a definir o seu espaço.. não. é bem legal.134 Então. a gente dá muito apoio e tem muito apoio. Tem uma hora lá que você vai conversar sozinho com uma pessoa que você nunca viu. a gente precisa. é bem interessante. Até a questão do seu limite de espaço para você dormir. e você tem que se apoderar dela. dá limite. aquele convívio bem de perto com as pessoas. a gente se conhece mais. Primeiro a dois. sabe? Você tem que. Depois fiz uma terapia de casal que demorou mais uns oito meses a dez meses. E grupo te proporciona isso. É o fato de você compartilhar desde a hora que você acorda até a hora que você vai dormir o mesmo espaço... Mais alguma coisa que você queira falar? Não.. é isso aí.. E todas elas. te faz crescer. é você descobrir o que você é. ele te da segurança. depois junto com o grupo.

. Então quando uma pessoa se coloca de uma maneira assim totalmente particular. né.. eu falei: “Peraí. Então no primeiro momento eu me senti super deslocada e eu via que as pessoas olhavam muito com olhar profissional. nesse dia. no primeiro dia.. acolhedora. né.. Pessoas. eu nesse dia cheguei. Já participou de mais algum? Não.135 Idade: 27 anos Profissão: Massoterapia (massagista) Já fez ou faz terapia? Faço. Me. eu sei lá. eu era a única massoterapeuta. Individual ou de grupo? Individual. né.. né? Então. setembro. não pode ser assim. não da minha experiência que ela está fazendo interferência. Comigo aconteceu isso várias vezes no período que a gente ficou em grupo. acho que foi setembro de 2000. é. que não era da minha. que me achava muito carente pra ta me expondo. aquele é o advogado. eu era uma das pessoas que não tinham. tanto quando eu ouvia o outro. eu vi que naquele momento eu. As outras pessoas ou eram da área de psicologia. aquele é o psicólogo.” É. consegui ter esse respeito. e até assim... No segundo dia já era pessoa. então era assim: “Ah!. O que mais me marcou foi ver que o que é mais específico em mim. na hora. aquela é a massoterapeuta. né. né. né. É importante que você me descreva. né. mas era a de ouvir a do outro. Qual o último ano? Foi em. é muito interessante também. é viveu coisa semelhante à minha.” E aí. quando eu colocava uma dificuldade minha.. mudaram muito. é o mais comum no grupo todo.”. me deu um clique. é da vivência dela..... O fato de você dormir e acordar com as pessoas é. ou se não acho que duas pessoas eram advogadas. e aí algumas pessoas do grupo não conseguia ouvir que era minha dificuldade. aquela vivência. o mais detalhadamente possível qual a experiência que mais te marcou em um grupo de encontro. então eu achei. né... Já participou de algum grupo de encontro? Já. mas eu vi que tava contribuindo de outro jeito.. é encantador como o grupo responde de uma maneira assim é.. me causou assim uma estranheza e uma surpresa de ver num . não é de mim. estudantes ou profissionais já. minha vivência.. que não sei quê. é o fulano. se identificavam: “Não. é o sicrano. Viver o grupo de encontro é muito intenso. quando eu me colocava para o grupo.. aí abraçava como se fosse a dela.

.” Então. porque acaba que antes eu ficava justificando assim: “Mas não eram pessoas significativas. achei muito intenso o fato de eu poder. esse olhar diferenciado? Isso me marcou muito. e me senti acolhida inclusive nesse momento. porque eu achava que eu ia ter que brigar muito pra ser ouvida. me colocar assim brava era uma coisa que há muito eu tava trabalhando na terapia.” Então. o acolhimento não era assim tão valioso. mais secreto é o mais comum quando você está em grupo. é. né. Isso certamente . é. né. Foi a primeira experiência terapêutica em grupo que eu vivi. de repente. né: “Eu penso é isso mesmo. O que que essa experiência significa hoje na sua vida? Hoje tem um significado muito concreto. hoje eu tenho mais alma pra ouvir e também mais certeza pra me colocar. é.. e até compreendo que você não me entenda ou que não consiga me compreender neste ponto de vista. isso me marcou muito. o medo de perder a aceitação. E.. em todos os grupos que eu transito na vida. Muito. como que eu consegui olhar pras pessoas de forma diferente. seria no grupo de pessoas que eu amo. assim. né? Hoje eu me sinto mais fortalecida e segura ao me colocar. né. né.. então. você não faz mais parte disso aqui”. Então você acha que foi isso que mais te marcou.. né. eu me senti totalmente à vontade pra me colocar pras pessoas desconhecidas o que eu tava sentindo... foi bem legal. mais particular. a me impôr nesses grupos onde eu ainda morro de medo de.136 período de tempo tão curtinho como que a pessoa conseguia olhar pro outro diferente. você acha que a experiência lá te proporcionou se impor de forma segura aqui nos seus grupos de convívio? A vivência me ajudou muito a tá conquistando isso agora. isso para mim foi ilimitado. com a vivência que eu passei lá.. Tem mais alguma coisa que você queira falar? Da sua experiência? .. é. falar assim: “ah!.. né. né.. como eu já havia colocado o que me marca muito hoje também é de perceber que o que é mais específico pra mim. mas que eu consegui de certa maneira estender para o meu cotidiano e conquistar esse espaço mesmo no grupo.

tchau pro cês. você diz na vivência do grupo de encontro? É. E aí pessoas que em um primeiro olhar assim eu achei super fragilizada e depois eu vi que eram muito mais fortes. eu não tou dando conta de viver isso aqui né. de repente.. na ocasião me marcou muito. vê que a pessoa se propõe. né.” E nessa época eu tive oportunidade de viver com pessoas que assumiram: “olha. e eu já vivi isso um monte de vezes na minha vida. não. eu vou viver outras coisas”. Nome: Viviane Data da entrevista: 25/11/00 Sexo: Feminino. É. se propõem a viver uma coisa e chega na hora e não dá conta de viver e poucas pessoas têm a coragem de falar assim: “não dou conta. Idade: 28 . já acabei. Na vivência do grupo de encontro.137 Não. então eu achei muito marcante.. Obrigada. que conseguiam dar conta de falar que não davam conta.

né? Então eu fui pro grupo através dele e. né?. é. nessa época. É. é. e eu ia pulando e ele ia apertando. Tem que descrever uma experiência. que eu tava presa. muito diferente de tudo que eu já tinha visto e pensado até então. Sabe quantos? Eu já participei de um em 1993. tentar pular. num dos momentos lá do grupo. E foi uma experiência assim. muito forte. sem entender o que tava acontecendo e muito presa com a situação que tava assim não. o mais detalhadamente possível. pediu pra mim ir pro meio do grupo. eu acho que a que mais me marcou foi uma que aconteceu comigo mesma. atualmente faço. Individual ou de grupo? Individual Já participou de algum grupo de encontro? Já. é. mas tava achando bom também. 1994 também. era um grupo que o Coppe e o Escípio eram os facilitadores. na pele mesmo assim. e eu senti o grupo muito. pra tentar pular! Aí. É.. agachar no chão e fazer força pra levantar. É importante que você me descreva. pra pular como se fosse um sapo e que era pra fazer força.. tentar pular.. é. É aí. ele continuou falando pra eu fazer força. que era o grupo que eu era aluna do Coppe na época. chegou perto de mim. tava tudo muito pesado para mim. à medida que eu ia.138 Profissão: Psicóloga Já fez ou faz terapia? Faço. qual a experiência mais marcante que experimentou em um grupo de encontro. E aí eu abri a boca a chorar e consegui assim sentir e viver na. né? É que foi o primeiro grupo que eu fiz.. ele apertava pro chão e não me deixava sair. aí o Escípio. é. é. é. o que tava acontecendo ali. que eu tava sentindo sei lá o quê e. pesado mesmo assim as experiências.. pediu pra mim levantar... pode ser uma só. E eu comecei a ficar muito angustiada e muito. tava né?. eu consegui falar que eu tava muito angustiada. assim gostando também. né?. não conseguindo me expressar mesmo. então? A que mais te marcou.. né? Bom. Qual o ano do último grupo de que você participou? O último foi é nessa. assim. E já fiz outros grupos que eram de finais de semana que eram grupos de encontro.1993. que é o que eu acho que acontece com . nessa. na. uma coisa muito. fazer força. na época eu era aluna do 4º período. Foram tantas. Então.

seja tristeza. muito. muito. e senti na pele essa sensação de querer me expressar. Essa experiência é muito presente até hoje. que você está em depressão. então e ao mesmo tempo que eu sentia toda essa dor. um momento marcante mesmo. Desse grupo. é. né.. E viver a opressão. que você está bloqueado.. assim. Então.. né?. é. Nome: Lívia Data da entrevista: 22/12/00 Sexo: Feminino Idade: 40 anos Profissão: Comunicação Social e psicóloga Já fez ou faz terapia? Já fiz.139 o psicodrama em si. sem conseguir expressar o que quê eu tava sentindo. no momento não.. Foi muito dolorido. você sente isso na pele. Mas foi uma coisa que me trouxe uma consciência muito grande de como que eu tava. é diferente de você entender... seja raiva.. andou mais e melhor.. mas era o impedimento mesmo. que você não consegue se expressar... como que eu tava realmente oprimida. assim. muito. com as terapias que eu fiz.. Individual ou de grupo? Individual Já participou de algum grupo de encontro? Já participei de uns 12 Qual o ano do último grupo de que você participou? 1998 . né? Aí eu chorei muito. né?. é muito diferente você entender isso do que sentir isso na carne mesmo. de outros assim. toda mesmo. seja choro. né. seja o que for.. sem. impedindo isso. são experiências muito fortes né?. e assim eu acho que daí prá frente o meu processo.. O processo terapêutico mesmo eu acho assim que esse foi um.. muito. muito. de tentar me expressar e realmente de uma pressão.. né. né?... tanto do grupo em si como do meu processo terapêutico daí pra frente. que você está oprimido.. sem conseguir entender o que eu tava sentindo. né?. impedindo isso uma opressão mesmo. seja a alegria. E tiveram várias outras que tiveram e também foram muito marcantes...

como nunca imaginei que pudesse ser. alívio. com toda raiva do mundo e falar dela. Mesmo com todos os meus defeitos. que eu já . abre as portas para que você queira aceitar também verdadeiramente o outro. qual a experiência mais marcante que experimentou em um grupo de encontro? A primeira contribuição do grupo que eu pude sentir foi a de “ajudar” na terapia. A teoria. não importando qual fosse esse sentimento. você sentir que é aceita verdadeiramente. E uma outra contribuição? Outra contribuição que o grupo trouxe foi a aceitação incondicional de mim e do outro. Pude dizer não várias vezes durante os grupos e isso me ensinou (possibilitou) dizer não para as outras pessoas na minha vida diária e. desejo com relação à morte me ajudaram muito a deixar que esses sentimentos também brotassem em mim e a partir daí pude então trabalhá-los em terapia e. o grupo me aceitava exatamente como eu estava ali. Eu não era rejeitada por isso. Uma pessoa sentia culpa por ter perdido o pai. Exemplo: qualquer sentimento que eu estivesse vivenciando naquele momento era aceito pelo grupo. o mais detalhadamente possível. que já estava trabalhando essa questão na terapia. naquele momento. a dizer sim para mim. o mais importante. Eu. pude sentir que ouvir essas pessoas falando de seus sentimentos de culpa. quando. Gostaria de acrescentar mais alguma coisa? Sim. Podia sentir muita raiva. outra desejava a morte do pai porque todos estavam sofrendo muito com a doença. eu vivi a situação da morte de meu pai de uma forma tranqüila. raiva. Com relação às minhas atividades profissionais. há mais ou menos um ano atrás. Exemplo: em um dos grupos se falou muito na questão de morte. E tem mais: aprendi a dizer não. Algumas questões que eram colocadas no grupo por outras pessoas me remetiam às minhas próprias questões e a partir daí eu pude trabalhá-las em terapia.140 E do primeiro? Acredito ser em 92 È importante que você me descreva. outra sentia alívio com a morte do pai. os grupos de encontro me propiciaram um grande crescimento profissional: sou psicóloga.

participar dos grupos de encontro facilitou perceber meus sentimentos e os aceitar como meus. acontece mesmo. Era prazeroso demais eu ver e sentir que estava no caminho certo e que aquilo que nos livros parece. principalmente os de Rogers.141 conhecia nos livros. me aceitar e acima de tudo gostar de mim como realmente sou. ao vivo e a cores. Enfim. por vezes duvidoso. meu relacionamento comigo mesma mudou muito. passei a me conhecer e reconhecer. cresci muito como pessoa. As minhas relações interpessoais hoje são mais maduras e autênticas. . na minha frente. eu as vivenciava ali. é real.