Introdução

A primeira carta de São Paulo aos Coríntios é um precioso documento sobre a
comunidade cristã no ambiente helenístico, trata de temas que perpassavam a vida da
comunidade eclesial em Corinto, causando divisões e problemas internos, em situações muito
concretas e flutuantes. No estudo dos seus temas teológicos, a dividiremos em duas partes
bem distintas: a primeira onde se refere à correção das desordens que se verificava em Corinto
(cc. 1-6); e a segunda referindo-se à solução de certas questões apresentadas pelos coríntios à
Paulo (cc. 7-16), como veremos adiante.
Dentro do seu conteúdo, aparecem temas como a instituição da Eucaristia, como: a
unidade da Igreja em Cristo (1, 10-17); a pregação e sabedoria da cruz (1, 17b-2,16); o
ministério apostólico e suas responsabilidades (1Cor 3,5-4,5); matrimônio e virgindade (7,117.25-40); a Eucaristia como sacrifício e sacramento (11,23-29; 10,16.22); a ressurreição de
Cristo como protótipo da ressurreição dos justos (15,1-58); a superioridade do estado virginal
sobre o matrimônio, assim como a indissolubilidade deste (7,1-17; 7,25-35); os carismas e sua
relação com as virtudes (cc. 12ss); autoridade da Igreja na questão moral (5,3ss); divindade do
Espírito Santo e sua inabitação na alma do justo(2,10ss; 6,9; 12,4-11); Igreja corpo místico de
Cristo, hierarquicamente organizada (6, 15-20; 12,27-30), e outros mais.
Todos esses temas são desenvolvidos na perspectiva que Jesus Cristo é o centro, pois o
apóstolo não dá nenhum ensinamento sem se referir a Ele. Condenando a divisão da
comunidade, refere-se à unidade em Cristo. Contrapondo sabedoria humana e sabedoria de
Deus, afirma Cristo como sabedoria encarnada, manifestada especialmente em sua entrega na
cruz. Realça o ministério apostólico como cooperação à ação de Deus no plano salvífico em
Jesus Cristo. A pureza moral é exigida em referência à pertença a Cristo, como membros do
seu corpo. Assim, tudo se refere a Cristo e provém dele, centro e fim último de todo agir
cristão.

1. ESPÍRITO DE DIVISÃO EM CORINTO E UNIDADE EM CRISTO - (1Cor 1,10-17)
Quando se trata da comunidade que está dividida, o apóstolo se mostra entristecido,
pois ele afirma que a unidade é a primeira meta a alcançar, por Jesus Cristo, pelo que Ele
exige dos seus. A adesão à Cristo deve levar a uma unidade perfeita de pensamento,
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relegando a uma posição secundária a mensagem evangélica. 2. tirando o seu caráter de revelação divina. eliminando assim todas as divisões atuais e também no futuro. Contra esse fato. As divisões ameaçadoras da unidade da Igreja.16) Quando fala do anúncio do Evangelho. Aqui se 4 . pois assim a cruz de Cristo perderia sua transcendente força de redenção (17b). opondo à cristologia gloriosa dos coríntios. Para ele. Assim. para constituir assim uma só família. Cristo morreu por todos. MAS DIVINA . Para o Apóstolo.27). procura apaixonada de uma sabedoria humana de caráter religioso. da retórica. O EVANGELHO NÃO É SABEDORIA HUMANA.sentimentos. a crucificação de Cristo é o evento salvífico decisivo para os fiéis. e um corpo místico. 17b2. Os Judeus viam na cruz um sinal de maldição e de condenação (Dt 21. que menosprezavam a impotência humilhante do crucificado. pois o apóstolo apresenta algo contrario à Lei. não deve negar o mistério. colocando a Cruz como sinal de salvação e benção. em unidade superior e harmônica. o discurso. pois em Cristo não deve haver divisões Às quais leva. A divisão quebra a relação vital com Cristo. A arte retórica. pois o próprio Paulo foi enviado para evangelizar. como ele reafirmará mais adiante (12. a pregação deve ser feita de uma forma que a sabedoria de discurso não esvazie a cruz de Cristo. Paulo insiste que é a pessoa de Cristo que define a comunidade dos fiéis qualificando-a como corpo unido em si mesmo. se davam devido a supervalorização do papel dos pregadores e dos lideres. 11). estes participam pessoalmente desse evento por meio do batismo (17). com prejuízo da função agregadora de Cristo. a pluralidade e a diversidade dos cristãos. Paulo desenvolve uma cristologia da Cruz.22-23). organismo que compõe. sendo Ele o princípio de unidade e fim da comunidade cristã. à sabedoria de Deus. A comunidade precisa entender que não é nos evangelizadores que está a salvação. e não torne inútil o único meio de salvação que é a cruz. para que a soberania sobrenatural do Evangelho não seja colocada em segundo plano. o batismo não acontece em seu nome. por isso a mensagem da cruz anunciada por Paulo. o apóstolo contrapõe a sabedoria humana. da ciência. à discórdia (v. ou seja. causava um grande impacto negativo.(1Cor 1. Para ele.

com uma citação expressa de textos bíblicos veterotestamentários (vv. como vimos anteriormente. que unida a Cristo se revela a face misericordiosa do Pai (v. fraqueza. sabedoria proveniente de Deus. vendo Jesus crucificado como expressão definitiva da ação benevolente de Deus. não há salvação em nenhum outro a não ser em Cristo crucificado. a adesão de fé caminha-se para a salvação. sendo “Cristo. logo. que nada representa (sem Ele) se não morte. Assim se contrapõe a lógica da fé com uma aceitação mundana. Porém ao apresentar “Cristo. Poder de Deus e Sabedoria de Deus” (1. O apóstolo então apresenta uma antítese. Assim. Diferentemente da sabedoria gnóstica que alguns gabavam ter a sabedoria divina. que mesmo não sendo cultos. símbolo de tolice. que tinha sido mantida escondida durante muito tempo e que agora se revelava no plano divino da salvação revelado por Paulo e outros beneficiários de uma particular revelação iluminadora do Espírito. do outro o mundo com a barreira de uma negação. Mas para ele é claro. pensavam ser possuidores de uma gnose ou conhecimento superior. e relendo a realidade humana sob essa luz. não mais vista e contemplada. 18). conseguiram chegar à assimilação profunda dos princípios do cristianismo. já iniciados no conhecimento profundo do sábio plano salvífico de Deus. é lugar de contradição para os homens. 1920). separada do Cristo.6). O evangelho é essa sabedoria divina. unida e interligada ao plano salvífico de Deus. que desconhece o Criador e se afigura orgulhosamente como gestor autossuficiente do próprio destino. mediante a fé e a caridade atuante. Paulo segue a prova escriturística. Paulo cria uma confissão de fé querigmática. ou ainda. A mensagem evangélica. justiça. o cristão não poderá ser iniciado. centrada na cruz de Cristo. ou melhor. impotência. considerada loucura e absurdo por uns. Alguns coríntios adotavam o ideal “gnóstico”. e sabiamente eficaz por outros. que tudo julgava e por ninguém é julgado. redenção” (cf. maldição e condenação. com a negação e a incredulidade corre-se para a perdição final.desvela um novo “rosto” de Cruz. dos próprios pensamentos. A cruz. não poderá ser conduzido à verdadeira sabedoria (2. essa é fruto da graça. agora. é dom recebido e não conquista humana da qual se poderia contar vantagem. 26). santificação. concedida aos perfeitos. Por isso é em Deus que encontra o seu fundamento. um novo “rosto” de Deus na Cruz. ao pleno desenvolvimento de uma vida e de um pensamento 5 . 30). os projetos divinos – expressão de tolice e de fraqueza aos olhos humanosna realidade superam em sabedoria e força os projetos dos homens. pondo de um lado Deus com seu projeto salvífico mediado pela cruz de Cristo. mas associada. a sua garantia. 1Cor 1. Sem aceitar em plenitude de fé o mistério de Cristo crucificado. os adultos. Para Paulo.

10. Seu objetivo é redimensionar a importância deles. os fiéis não devem se apegar à obra de um ou de outro. por ser divino. Com isso o apóstolo afirma que o Espírito vem (procede) de Deus (12). Assim. Assim. 9). “Nós somos cooperadores de Deus. 7. sendo d'Ele que provém todo o ardor e a fecundidade do trabalho apostólico.10). deleteriamente aumentada pelos coríntios. Com isso. Retomando as duas metáforas positivas de Jeremias (Jr 1. Concluindo seu pensamento. 3. fazendo entrar numa vida análoga à de Cristo ressuscitado. apresentado como um ser sumamente inteligente que esquadrinha tudo e conhece a infinitude de Deus. Não que ele se ponha contra a razão.cristão. mostra-se que é distinto do próprio Deus. e vós sois a seara de Deus. características e responsabilidades do ministério apostólico. ou seja. pois procede de Deus. para exaurir o conhecimento total de Deus. Para ele. os únicos artífices de sua construção. Porém. formação da comunidade. nesse versículo se vê claramente Paulo afirmando a divindade do Espírito Santo.5-4.(1Cor 3. pois possui uma personalidade distinta. é preciso ser Deus. que é o mistério de Cristo. está ligada constitutivamente à iniciativa divina e ao direito inalienável de Deus e de Cristo. pois só Ele a conhece originalmente. o edifício de Deus” (3.5-9). sendo os apóstolos colaboradores de Deus (3. tomando partido. não passam de modestos instrumentos de Deus. Só o Espírito é o doador dessa sabedoria.9): plantar e construir.5) Nessa parte da carta. O MINISTÉRIO APOSTÓLICO E SUAS RESPONSABILIDADES . Para ele. Quem se abandona totalmente ao espírito. No 6 . Ao mesmo tempo. São Paulo apresenta as finalidades. mas contra o seu abuso que lega à negação ou ao menosprezo da fé. o plano divino da redenção do mundo mediante a morte do próprio Filho de Deus e o triunfo de sua ressurreição. mas distinto d'Ele. que oferece a todos a salvação mediante a fé e o batismo. 9). sendo íntimo d'Ele. os pregadores. dele recebe toda a plenitude da revelação e penetração do mistério de Deus. eles devem se preocuparem em ser o campo de Deus bem preparado para a construção bem sólida que se levanta por meio dos apóstolos (v. Estes podem vivenciar a sublime e admirável beleza e coerência das verdades do Evangelho. não conheceram essa sabedoria. 18. assim como a razão e a inteligência pode saber o que se esconde nos segredos da alma (2. o apóstolo afirma que os príncipes deste mundo por acreditarem apenas na especulação da razão.

madeira e palha na casa dos pobres. Esse tomar partido podia acontecer por uma pretensa sabedoria humana. Mas é preciso esperar o dia em que irá manifestar a bondade ou não do trabalho. mas é apenas aquela que. sendo que os construtores zelosos não sofrerão nenhum dano enquanto os maus pregadores se salvarão a custo. lançou o fundamento e o fez como bom arquiteto. e por muitos meios tende-se exclusivamente. prata e pedras preciosas nas casas dos ricos. A verdadeira sabedoria não é a deste mundo. O cristão não deve se deter nestas realidades 7 . Paulo aqui apresenta um movimento ascensional unitário da vida cristã: de muitas partes. Os cristãos não devem tenderem aos pregadores. consagrado pela inabitação do Espírito (v. Cristo é o fundamento (v. sendo essa sabedoria encontrada na própria Escritura (3. que levavam os cristãos a tomarem partido por aqueles que tinham uma boa retórica fundamentada em um racionalismo. todos os acontecimentos. ele desempenhou papel único. Esse dia será como um exame. construção de Deus. Por isso. Paulo fala do material utilizado na confecção das casas. Tudo o que há no mundo.18ss).ponto de vista paulino. 16). construção de Deus: essa imagem permite o apóstolo diversificar as aplicações e precisar o lugar de cada um. A graça de Deus é a graça do apostolado. já que todo apóstolo autêntico não poderá senão ensinar sua imutável doutrina e apoiar-se em sua pessoa. que é representado por cada fiel e pela comunidade inteira. se abandona com humildade ao mistério luminoso e transformante de Deus. sendo isso desprezado por Deus. aos apóstolos que se encontram ao seu serviço. São Paulo apresenta que os cristãos não devem tomar partido por ninguém. No versículo 12. devem tender exclusivamente a Cristo. São Paulo passa dos construtores à construção como tal. Tudo é iniciativa de Deus. Para ele os pregadores zelosos constroem com material valioso. servindo para a sua utilidade (18-23). A Igreja. o cristão não deve profanar este templo. que Paulo exerceu em campos ainda não lavrados por outros apóstolos. que por seu turno tende ao Pai. Paulo lembra a estes que são templo de Deus. pois o fogo irá provar a obra e ninguém poderá. Ao desenvolver a imagem da construção. pois os pregadores lhes pertencem. 11). escapar seja ela qual for (v. Ele é a origem de tudo isso. é Deus em pessoa que plantará e construirá seu povo na terra. ao Pai. fazendo uma comparação com o antigo Templo onde habitava a glória de Deus. que eram ouro. Com isso. em união com Cristo. e feno. 13). reconhecendo os estreitos limites da razão. já os pregadores vaidosos com material frágil. uma grande prova. expressam a vontade divina. Paulo aplica essa metáfora a Igreja.

mas eles são apenas remadores sob o comando do único capitão que é Cristo. caracterizado pela fuga da história e de suas contradições. o administrador é o homem de confiança a quem se entrega toda a gestão da casa. pensavam que a ascese cristã era contrária ao matrimônio. Os apóstolos não devem ser julgados pelos fiéis ou por qualquer tribunal humano.1-9). o cristão dá o verdadeiro sentido ao mundo. Paulo vai buscar demonstrar que o matrimônio cai na sábia disposição da vontade divina. orientando-o para Deus. todos os que trabalharam pelo nascimento e pelo crescimento da Igreja deverão prestar contas do que foi realizado. Nessa perspectiva futura. O ministro é o servidor dedicado a serviços mais nobres que o simples escravo. Tudo deve ascender a Cristo na glorificação de Deus. sofrimentos e as humilhações da condição terrena. os deveres inerentes ao estado matrimonial (7. sendo o louvor dado diretamente de Deus. Para que os coríntios deixem de lado seu cristianismo entusiasta. 18-24. Os coríntios com as suas escolhas faziam dos seus ministros capitães. em sua vida humilde e crucificada. vai perpassar os temas da honestidade do matrimônio (7.externas. Por isso. há uma exigência que se estende a todos os apóstolos. e a excelência da virgindade (7.10-17). Haviam os exageros nas práticas de alguns cristãos em Corinto que atribuíam á 8 . pois. Os fiéis são chamados a reconhecer seus lideres como servidores de Cristo e administradores do projeto divino. MATRIMÔNIO E VIRGINDADE . Assim. Pois está em jogo a comunidade. mas ainda mais perfeito que ele é o estado de virgindade. é preciso que no presente assumam responsavelmente a missão a eles confiada e traduzam fielmente o carisma recebido.25-40) Alguns cristãos de Corinto. 4. nesse longo trecho que abrange todo o capítulo 7.(7. Assim.1s). ele não ousa julgar nem a si próprio. com os limites. que ele e Apolo representam.1-17. Tudo foi feito para a Igreja dos eleitos (v. Como servidores escolhidos por Cristo e por Deus.23). E se voltem para o cristianismo realista. pois seu juízo não será capaz de livrá-lo do severíssimo e imparcial juízo . são convidados a imitá-los com fidelidade. quando ele vier para dar a cada um o seu (4.3ss). que cada um seja encontrado fiel (4. exceto algumas explicações dos vv.25-40). vivendo um espiritualismo nas esferas celestes. Como ministros e administradores dos mistérios de Deus.

Esse é o chamado privilégio paulino. Em casos graves. Contra essas pretensões. Mas é bom que os dois se reconciliem. Para ele. diante dessa dificuldade entre os recém-convertidos o apóstolo afirma que é expressamente proibido ao marido repudiar a mulher. O que se refere ao casamento misto. são igualmente chamados a doar-se. 10s). enquanto caracteriza uma mutua doação dos conjugues. sendo o primeiro deles a indissolubilidade do vínculo. do que os seus elementos internos e positivos. poderá conceder que a mulher não coabite mais com o marido. No entanto. dada a união física que o matrimônio realiza (Gn 2.39-40). também o cônjuge não cristão se encontra. embora a virgindade seja mais perfeita (v. aspecto esse que é fundamental no tema do matrimônio.experiência cristã o sentido de um afastamento total de qualquer relacionamento sexual. em certo sentido. Isso vale também para o marido.3639). o apóstolo afirma que o matrimônio é lícito e honesto. Mas concedendo os direitos. que tem como obrigação a reciprocidade. a relação sexual assume um significado positivo. Nota-se na comunidade de Corinto uma contrariedade ao casamento e em especial à sua expressão sexual. a mesma abstinência valia para as viúvas (7. Ele justifica a santificação da parte pagã pelo conjugue cristão e dos filhos. dado o plano de igualdade em que o Apóstolo coloca os dois cônjuges. como expressão do próprio ser cristão (7. Paulo não pode recorrer às palavras de Cristo. os conjugues possuem direito igual e exclusivo sobre o corpo um do outro em ordem aos atos matrimoniais. de santidade e consagração cristãs. mas também o matrimônio constitui um dom de Deus. tendo que cumprir o dever conjugal colocando-se um a disposição do outro em igualdade. Não se coloca aqui a inferioridade da mulher. Nesta seção ele considera o matrimônio como um remédio contra a concupiscência (2-9). Para Paulo. É permitido a abstinência dentro do matrimônio. aos quais se tinha o costume de repudiar a mulher. como acontecia no direito gentílico e também no hebraico. não só a virgindade. referindo-se esse caso a dois esposos cristãos. Procurava-se viver o celibato como obrigatório. Ef 5. e de gentios onde era livre tanto a um como a outro divorciar-se. já que é uma realidade nova e que certamente era uma realidade recorrente na comunidade de Corinto. 2-5).25ss). 7). No casamento. Em particular vivia-se o casamento em rígida abstinência dos relacionamentos íntimos (7. fazendo parte do corpo 9 . há também os deveres (v. não se temia romper noivados para se poder viver livres do sexo (7. uma graça de estado (v.31).1). mas somente nos casos que o apóstolo apresenta: a abstinência acordada entre os conjugues. não voltando porém a casar-se. Paulo se encontrava entre cristãos vindos do judaísmo. temporária e por motivações religiosas. o último trata-se de dar mais espaço para a meditação da Palavra de Deus e para uma intensa oração.24. Assim.

quem não permanece no estado de virgindade. que passa a pôr em Cristo suas esperanças mais profundas. 20-24). em relação á circuncisão (vv. o tempo que medeia entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. não peca. o apóstolo demonstra que não está sobre o seu poder modificar. mas apenas da experiência de um homem experimentado na vida. A virgindade. Todos estamos caminhando para o nosso encontro com Cristo. sentindo assim a influência santificadora de cristo. Essa afirmação se devia ao fato do apóstolo esperar a eminente volta de Jesus. não podendo então se considerar nada mais do que sombra do futuro e meio de realizações maravilhosas. acabam dividindo a alma. embora não mudando automaticamente a situação social. As explicações que o apóstolo dá nos vv. Assim. 17-19) e em relação ao exemplo da escravatura (vv. Tudo se apressa rumo ao fim. que o próprio Deus considerou digno de confiança. Além do mais. logo concorda com este último em pontos fundamentais de moral em atitudes religiosas. é sobre o princípio geral de permanência do fiel em seu próprio estado de vida. 18-24. o apóstolo não dá como mandamento do senhor. antes que recebesse a única vocação que importa a de ser cristão. onde acontecerá o fim de todas as coisas. na comunhão de amor de todos os cristãos. No entanto. 25). o apóstolo queria evitar aos fiéis as exigências que o matrimônio acarreta. referindo-se assim as tribulações da Parusia. o versículo 35 é muito claro: o valor da virgindade não está enquanto estado ou bem físico. preparando melhor o fiel para o encontro com Cristo. o qual se refere tanto a homens como mulheres (v. A circuncisão era uma prática judaica. a fé cristã. o Apóstolo declara que perante Deus o circunciso ou o incircunciso são iguais. O apóstolo também salienta que é melhor o estado virginal para os pais 10 . perde-se o sentido da virgindade. pelo simples fato do cônjuge não cristão consentir em habitar pacificamente com o cônjuge cristão. Porém.místico de Cristo. devido a brevidade do tempo. e não deve ser proposta como estado ideal de vida. Paulo julga que o homem permaneça assim. muda profundamente o “ser” do fiel. afirmando isso por causa da angústia presente. desta forma cada um deve se conformar com a situação que lhe destinara a Providência. Se os cuidados do casamento não forem constantemente sublimada pela caridade. distraindo da devoção a Deus (32-35). O tempo apresentado aqui na linguagem paulina. passando a figura deste mundo (29-30). pois é apenas um conselho do apóstolo. Sem essa finalidade. Sobre a questão da escravidão. no entanto. é o kayrós. mas apenas enquanto serve para dedicação ao serviço do Senhor. vale tanto uma como a outra. Sobre a questão da excelência da virgindade. O estado celibatário favorece uma aplicação mais profunda à realidades celestes.

a Eucaristia tem estreita relação com a morte de Cristo na cruz.216).17-34) Após lembrar que nas assembleias litúrgicas as mulheres devem cobrir a cabeça (11. onde o apóstolo quer expressar que é Deus Pai que dá o Filho à morte. nós. 21). sendo textos muito parecidos (Lc 22.41. a comunidade cristã não se reduz a uma aglomeração socioeclesial. embora muitos. 5.36-38).39-40). Aqui Paulo recorda o fato e as circunstancias da instituição da Eucaristia. é o lugar vivo onde ele é efetivamente o Senhor e onde congrega. É preciso entender que essa fala não se refere apenas ao fato da traição de Judas. Paulo começa falando a circunstância (v. a edificação da fraternidade. Podemos assim comparar a liturgia apresentada por Paulo. “Dado que existe um só pão. Com isso o Apóstolo percorre todo âmbito das questões da vida prática do cristão que vivia em Corinto. 22-24). Para ele. Esse texto se refere ao dar do Pai e ao dar-se do Senhor Jesus.(1Cor 11. apresentando ainda o seu significado. a entrega aos outros. 8. porque todos participamos desse único pão” (v17).de filhas adultas (vv. “na noite em que foi entregue”. Para o apóstolo. em torno de si. e para as viúvas (vv. Assim a comensalidade não é uma mera coparticipação dos fiéis na mesma mesa. Paulo entra de forma dura contra os abusos que impediam uma celebração da “Ceia do Senhor” digna. mas a coparticipação na mesma realidade salvífica da morte de Cristo. Mc 14. Como corpo de Cristo. 23). sendo esse tema colocado na noite da traição. pois pertence a Cristo. a Eucaristia é essencialmente uma refeição comunitária e não uma ceia egoística e particular. aquela se realizou. Na ceia do Senhor os fiéis se unem e participam do corpo e sangue de Cristo. ASPECTOS CELEBRATIVOS: A EUCARISTIA . pois mediante esta. como o ágape dos coríntios (v. Assim ele descreve as circunstâncias e o modo da instituição. 23). com aquelas que aparecem nas narrações de Marcos e Lucas. segundo a forma litúrgica vivida nas comunidades e seus aspectos essenciais. é na participação na “Ceia do Senhor” que se fundamenta a solidariedade dos fiéis. O principal para a participação. é o amor. 19-20. Segue-se assim uma síntese da Encarnação redentora através de toda uma terminologia eucarística como vemos na multiplicação dos pães por exemplo (Mc 6. os fiéis. mas é uma afirmação teológica. formamos um só corpo. e por essa pertença. Nesse texto.6). Seu ensinamento remonta diretamente ao Senhor (v. Está é a contribuição teológica original de Paulo sobre a Eucaristia. uma 11 .

colocando em um único momento pleno de riqueza. Disso se tira que. o passado e o futuro de Cristo. para mostrar que a sua fala não se refere a algo espiritual. pois através dela os cristãos participam da salvação realizada. cálice). 25).9-18). Na Eucaristia Cristo se dá a nós.referência clara ao kerigma apostólico em que a cruz e a ressurreição se acham intimamente ligadas. Aqui vemos que a Eucaristia é o modo privilegiado da comunicação de Cristo. e sobretudo. Aparece também o caráter sacrifical da Eucaristia. mas que já está presente no cálice. A união com Cristo é que opera tudo isto. para assumir todo homem e recriá-lo completamente (1Cor 15. por meio da Eucaristia. os quais se tornam evidente com suas palavras: “corpo entregue por vós” (v.44ss). nos faz partícipes de sua vida e de sua salvação. são o corpo e o sangue de Cristo. Além disso. a partir do simbolismo dos elementos (pão. vinho. para entender essa comunicação de Cristo. no sacrifício que ele ofereceu de uma vez por todas e que ainda continua oferecendo. Assim essa união de Cristo ao corpo e alma dos fiéis. entra em comunhão conosco. 12 . Para os semitas. os fiéis também participam dessa realidade. isto é. 27). o corpo e o sangue do Salvador. o verbo se encarnou não somente para comungar com os homens no plano humano mas. a partir de sua vida gloriosa. o de Cristo. ocorre por meio da fé e dos sacramentos.8). com a imolação de vítimas cujo sangue é chamado sangue da aliança (Gn 15. exprimindo assim uma relação com a morte de Cristo e lembrando ao mesmo tempo dois sacrifícios do AT. se dá agora à sua comunidade. o de expiação e o de aliança. uma aliança deve ser selada no sangue. Cristo se serve de meios sensíveis e físicos. pois para Paulo. É sob esses dois aspectos que Cristo perpetua sua presença na Eucaristia. a celebração eucarística é a Igreja ao redor do Mestre ressuscitado. que não apenas deve ser derramado sobre a cruz. É interessante notar o intercâmbio que há entre o binômio pão-vinho e o binômio corpo-sangue. mas algo concreto. onde a salvação exerce a sua influência renovadora. Através da participação na Eucaristia. em que se comunica a vida. ao tornar claro que o pão e o vinho depois da “consagração”. Paulo nos mostra um forte realismo eucarístico. Isso é claro. A eucaristia é memorial ao mesmo tempo com tensão escatológica. Ao antigo sangue da aliança agora sucede um novo sangue. Paulo confirma este profundo realismo do corpo e do sangue de Cristo na Eucaristia ao advertir que “todo aquele que comer do pão e beber do cálice do Senhor indignamente será réu do Corpo e do Sangue do Senhor” (v. assim como dos gestos de Jesus. 24) e “este cálice é a nova aliança” (v. O próprio Senhor que se entregou na cruz. como ocorreu na aliança sinaítica quando Moisés efetua o sacrifício derramando o sangue sobre o altar e sobre o povo (Ex 24.

Como vemos no v. O USO DOS CARISMAS E O PRIMADO DA CARIDADE . comendo-lhe o corpo. É aqui que entra o perigo. é uma interpretação de Paulo à “memória”. 26: “Porque.Assim. que é a verdadeira 13 . na celebração litúrgica. De qual quer modo não é a experiência carismática que exprime a perfeição da salvação. falar em línguas. em Cristo Deus realizou uma nova redenção. o apóstolo trata da origem e finalidade dos carismas. Assim. ou seja. Ao mesmo tempo que é uma anamnese que traz na celebração da Ceia essa efetivação do memorial.40) O vocábulo pneumatiká (=dons do Espírito) era um termo técnico usado na cultura helênica para designar fenômenos prodigiosos e extáticos. sendo que na comunidade de Corinto isso era supervalorizado através das manifestações de profecia.1-14. na coedificação do corpo de Cristo. de utilidade para o crescimento da comunidade. afirmando que os carismas como autênticas manifestações do divino. através da presença sacramental e sacrifical do Senhor o qual torna operante e vivo seu sacrifício na vida dos fiéis que. que ao desenvolver-se isso de forma desordenada acabavam mais escandalizando do que edificando. Paulo quer primeiramente ensinar como distinguir os verdadeiros carismas das fraudulentas imitações gentílicas (v. Quando se professa que Jesus é o Senhor o carisma realmente procede do Espírito. ensinar. 4ss). Toda a Igreja primitiva era sacudida de forma sensível pelo sopro do Espírito. Descrevendo a multiplicidade dos carismas (vv. Com soberana liberdade e ilimitada generosidade o Espírito distribui aos fiéis os seus dons. O Espírito era entendido como força divina envolvente doadora de forças extraordinárias e espetaculares capazes de levar o homem a superar seus próprios limites. e participam no seu sacrifício. toda vez que comerem este pão e beberem deste cálice. sendo um sinal de graça e de benção. a expiação dos pecados e a Nova Aliança.1). há também a tensão no sentido da consumação. 6. pois não se pode emitir nenhum ato de fé a não ser por íntima iluminação. vemos que esses dons se destinam ao bem da comunidade. e ninguém está privado deles (12. entram na Aliança bebendo-lhe o cálice. só podem levar à plena confissão da divindade de Cristo. mas sim o ágape. fazer milagres. 4-11). de tal modo que ninguém os possui todos.(1Cor 12. dando as normas para regular-lhes o uso. o apóstolo define o carisma em termos de serviço. Fazer a “memória” de Jesus significa anunciar sua morte e ressurreição e ao mesmo tempo esperar a sua nova vinda na parusia eminente. vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha”.

onde todos os membros concorrem para o bem estar comum.6. onde o cristão renasce para a vida nova em Cristo. coexistindo o aspecto carismático e o aspecto ministerial.2). até o milagre (1Cor 13. pois. que edifica apenas o interessado. surge um tema importante e fundamental para a eclesiologia paulina: a afirmação dos cristãos como corpo de Cristo (v.26-33). como a possuía Paulo. como no corpo físico onde nenhum membro é estranho ao outro. são dois tipos de dons do Espírito: um que é útil à Igreja reunida para o culto. O discurso de sabedoria.13). Através do batismo. demonstrando a clara intenção de evidenciar a superioridade da primeira sobre a segunda. sem com isto perder coisa alguma de sua individualidade. Seguem-se também os carismas operativos. 27). 14 . O importante é que todos os carismas devem ter em mira a edificação da assembleia (14. A operação de milagres se refere a toda espécie de prodígios no campo físico. que são: fé. a docilidade e a ordem tanto no profetizar como no falar em línguas. cada um por sua parte” (v. Há uma solidariedade e simpatia no corpo místico (14-27). e outro. Nesse contexto dos carismas. estes são mais que dois carismas particulares. cura e operações de milagres. mas com uma estrutura organizativa e hierárquica. como a profecia e o discernimento dos espíritos. que recebem sua força da presença do Espírito (v. Essas funções aparecem como carismas (12.7). Esse é o distintivo do verdadeiro carismático. indispensável para que o uso dos carismas seja frutuoso. não despersonaliza. toda a diferença de classe ou raça é suprimida. Ao afirmar “vós sois corpo o de Cristo e sois membros. aparece aqui também uma hierarquia. sendo utilizados de forma ordenada e dócil.28s). o apóstolo mostra que todos se acham inseridos no fluxo vital de Cristo. O conhecimento.13). não nivela. A fé aqui designa a adesão à convicção profunda mediante a qual acreditamos que Deus pode fazer se necessário. designava a habilidade em ilustrar com analogias retiradas do conhecimento humano as verdades mais importantes do cristianismo (v. onde o apóstolo lembra as funções ministeriais. Os outros carismas são complementares. O texto dá bastante atenção ao confronto entre profecia e glossolalia. Cristo realiza esta inserção dos cristãos em si próprio mediante os ritos sacramentais. Além disso. 12s). sabedoria essa reservada aos perfeitos (2. limitando as curas aos corpos. 29). o corpo de Cristo unifica.definição do cristão (cap. é uma iluminação especial para penetrar nos mistérios de Deus.

pois todos eles se servem como motivo de vanglória perdem o seu valor. A fé dará lugar à visão. a esperança à consecução do fim. Não são as experiências carismáticas que antecipam o futuro no nosso mundo atual. com um conteúdo lírico e entusiástico.31b-13.1-34). Paulo responde primeiramente afirmando o fato da ressurreição (15. Paulo convida os cristãos a efetiva adesão a Cristo. constituindo-se a essência da vida cristã.13). O primado da Caridade – (1Cor 12. Assim. Os versículos 4-7 apresenta de forma minuciosa as características da caridade. É a partir dessa premissa que parte o apóstolo. mas a ação de quem ama. permanecem estas três realidades: a fé. Os gregos acreditavam na imortalidade da alma.1). O texto fala diretamente da caridade para com o próximo. que pressupõe o amor de Deus como motivo último pelo qual o cristão deve amar o próximo. 12). pois ela se identifica com Deus. Se Cristo ressuscitou. é um capítulo fundamental da doutrina cristã. 7. por isso sempre aparece ao lado da fé e da esperança (13. segundo o apóstolo. o amor”. por causa de sua assimilação a Cristo. não podiam aceitar a ressurreição do corpo. A caridade é superior sobre todos os carismas (13. Por fim. baseados na filosofia platônica e pitagórica.1.8: “Agora. porém. Mesmo os mais altos carismas (profecia. já a caridade não sucumbirá. etc). a esperança. beatificante para todos os séculos. ressuscitar também os mortos. além de ter uma forma estrutural poética. Além disso.1-58) A ressurreição dos mortos em Paulo. Por isso.35-48).3. principio ativo de ressurreição para os fiéis e imagem prototípica do mundo dos ressuscitados. portanto. Paulo amplia o quadro inserindo o amor na tradicional tríade teologal de Ts 1.13) Esse texto é uma das mais belas páginas do Novo Testamento. pois é o próprio Deus. 5. A ressurreição dos mortos tem seu fundamento na ressurreição de Cristo. É uma virtude essencialmente teológica. a caridade jamais sucumbirá (8-13). Todos os outros carismas. amor que se dá. já a caridade jamais passa. devem. e depois descreve como deverá ser a ressurreição (15. Quando se nega 15 . A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS – (15. visto como prisão e túmulo da alma. apresentando vários motivos. e as virtudes mais distintas (fé e esperança) passarão. que entre os cristãos de Corinto havia aqueles que negavam a ressurreição dos corpos (v.6. que ressuscitou da morte em sua unidade pessoal psicofísica.

apresentando uma série de testemunhas oculares às quais o Senhor apareceu. mostrando a profissão de fé dos apóstolos. que será desta maneira. não fosse verdadeira. Cristo é o primogênito dos mortos. estará terminada a função mediadora de Cristo. 3s). pois não indicaria o triunfo total de Cristo sobre o pecado. tudo cairia por terra. à partir dessa vitória final. isto é. negar a ressurreição dos mortos. pedra angular da fé. os justos (v. comprova respectivamente o sepultamento do Crucificado e as aparições do Ressuscitado (v.23). a própria morte de Cristo não teria sentido algum. a salvação não teria acontecido e estaríamos sujeitos ainda a esse destino funesto (v. Sem ressurreição. ou seja. Assim como Adão levou toda a sua descendência a um destino mortal.14ss). Enfim.28). o apóstolo busca afirmar o caráter racional do mistério da ressurreição. como primícias da ressurreição (vv. Cristo acomunou em seu triunfo imortal todos os que já se lhe acham parcialmente assimilados na graça e no amor. Para o apóstolo. sendo Paulo a última testemunha da série (v. 22). 21s). pode operar de um corpo corruptível a transformação num corpo incorruptível e glorioso. mostrando que o poder divino que realiza no mundo animal e nos astros uma variedade tão admirável. implica negar ao mesmo tempo a ressurreição de Cristo e por conseguinte negar todo o cristianismo. cuja última consequência é a morte. a ressurreição final (v. è através da ressurreição de todos os membros do reino de Cristo. que. 11). tudo em todos (v. 20. A conformação da humanidade pecadora com seu protótipo já se realizou.uma verdade. 8). a graça é o pressuposto da vivificação mediante o Batismo. ao qual Paulo recorre para dar firmeza ao que diz. Se a ressurreição de Cristo. Cristo ressuscitado é protótipo do homem “espiritual” libertado e salvo. Essa sua catequese reporta ao que os outros apóstolos também ensinam (v. 25). ele faz à partir da constituição física dos corpos animais e da organização cósmica (vv. 17). através de analogias tiradas da realidade que nos circunda. pois a Igreja dos eleitos viverá da plenitude de luz e de amor de Deus Uno e Trino. os próprios apóstolos não passariam de impostores que perjuravam em nome de Deus. escravo do pecado e destinado à morte eterna. O evangelho. pretendendo afirmar uma inconsistente mentira (v. porém não o fará estranho do que era antes. Para São Paulo. A primeira analogia ele tira do mundo vegetal (35-38). 23). segundo a qual o corpo ressuscitado passará por radicais transformações. 39ss). a destruição da morte coincide com a ressurreição daqueles que são de Cristo (v. se nega também a outra. enquanto a conformação da 16 . A segunda e terceira analogia. que a vitória d'Ele sobre todos os seus inimigos será completa (v. Adão é protótipo do homem “psíquico”.

A esperança cristã é uma perspectiva que não aliena do hoje. Por isso. como que tragada por Cristo. perenemente vivificante (44b-49). Trata-se de algo misterioso (v.50). Será então que cantaremos a plena vitória que levará à consumação de toda a obra redentora efetuada por Cristo.58). alma e corpo. até suas últimas consequências (v.51). 54-58). Enquanto hoje a transfiguração do homem ocorre na habitação do Espírito em nós através da graça dos sacramentos. pois a morte será definitivamente derrotada. na ressurreição última. e perderá todo o seu poder de fazer mal ou de prejudicar. a transfiguração será total. Eliminado o pecado. terá sua abundante recompensa no Senhor (v. uma repentina e radical transformação de todos. E todo sacrifício. Assim. mesmo no corpo. A ressurreição é algo do homem em sua inteireza. por menor que seja. acontecerá a vitória definitiva sobre a morte (vv. a morte será como uma rainha destronada. Cristo ressuscitado é a causa eficiente e exemplar da ressurreição do homem globalmente considerado. tanto os vivos quanto os mortos. por isso Paulo fala de corpo “psíquico” e corpo “espiritual” e de homem “psíquico” e homem “espiritual”. alma e corpo. Enquanto o primeiro Adão é apenas princípio de uma vida física facilmente exaurível. mas faz assumir o presente com empenho. o segundo Adão é princípio de uma vida espiritual. a certeza da vitória dá ao fiel força para progredir na fé. 17 .humanidade redimida com o seu protótipo ainda se realizará.