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Entende-se por pagamento direto aquele em que há a satisfação exata da prestação que constitui o objeto da

obrigação, ou seja, o devedor se exonerará da obrigação entregando efetivamente a coisa devida.

Pagamento indireto, por sua vez, é aquele em que a extinção da obrigação se dá de forma diversa da
originariamente convencionada, podendo ocorrer por: a) pagamento em consignação; b) pagamento com sub-
rogação; c) imputação do pagamento; d) dação em pagamento; e) novação; f) compensação; g) transação; h)
compromisso; i) confusão; j) remissão das dívidas.

Do Paga mento em Consignaç ão


c Arts. 890 a 900 do CPC.
c Art. 164 do CTN.
Art. 334. Considera-se pagamento, e extingue a obrigação, o depósito
judicial ou em estabelecimento bancário
da coisa devida, nos casos e forma legais.
c Arts. 304 e 635 deste Código.
c Art. 972 do CC/1916.
Art. 335. A consignação tem lugar:
I – se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o
pagamento, ou dar quitação na devida forma;
c Arts. 319 e 506 deste Código.
II – se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e
condição devidos;
c Arts. 327 a 333 e 341 deste Código.
III – se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado
ausente, ou residir em lugar incerto ou de
acesso perigoso ou difícil;
c Art. 22 deste Código.
IV – se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto
do pagamento;
c Arts. 344, 345 e 755 deste Código.
V – se pender litígio sobre o objeto do pagamento.
c Arts. 344 e 345 deste Código.
c Art. 973 do CC/1916.
Art. 336. Para que a consignação tenha força de pagamento, será
mister concorram, em relação às pessoas,
ao
objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não é válido o
pagamento.
c Arts. 304 a 333 deste Código.
c Art. 974 do CC/1916.
Art. 337. O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento, cessando,
tanto que se efetue, para o depositante,
os juros da dívida e os riscos, salvo se for julgado improcedente.
c Arts. 327 a 330 deste Código.
c Art. 891 do CPC.
c Art. 976 do CC/1916.
Art. 338. Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não
o impugnar, poderá o devedor requerer
o levantamento, pagando as respectivas despesas, e subsistindo a
obrigação para todas as conseqüências
de
direito.
c Art. 977 do CC/1916.
Art. 339. Julgado procedente o depósito, o devedor já não poderá
levantá-lo, embora o credor consinta, senão
de acordo com os outros devedores e fiadores.
c Art. 978 do CC/1916.
Art. 340. O credor que, depois de contestar a lide ou aceitar o depósito,
aquiescer no levantamento, perderá a
preferência e a garantia que lhe competiam com respeito à coisa
consignada, ficando para logo desobrigados os
co-devedores e fiadores que não tenham anuído.
c Art. 979 do CC/1916.
Art. 341. Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser
entregue no mesmo lugar onde está, poderá
o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-la, sob pena de ser
depositada.
c Arts. 328 e 335, II, deste Código.
c Art. 891, parágrafo único, do CPC.
c Art. 980 do CC/1916.
Art. 342. Se a escolha da coisa indeterminada
competir ao credor, será ele citado para esse fim, sob cominação
de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher;
feita a escolha pelo devedor, proceder-se-á
como no artigo antecedente.
c Arts. 243 a 246, 252, 255 e 1.929 deste Código.
c Art. 894 do CPC.
c Art. 981 do CC/1916.
Art. 343. As despesas com o depósito, quando julgado procedente,
correrão à conta do credor, e, no caso contrário,
à conta do devedor.
c Art. 982 do CC/1916.
Art. 344. O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante
consignação, mas, se pagar a qualquer dos
pretendidos credores, tendo conhecimento do litígio, assumirá o risco do
pagamento.
c Art. 335, IV e V, deste Código.
c Art. 983 do CC/1916.
Art. 345. Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores que se
pretendem mutuamente excluir, poderá
qualquer deles requerer a consignação.
c Art. 335, IV e V, deste Código.
c Art. 984 do CC/1916.
Capítulo III
Do Paga mento co m Sub -Rogaç ão
c Arts. 299 a 303, 1.368 e 1.429 deste Código.
c Arts. 127, I, e 129, item 9, da Lei nº 6.015, de 31-12-1973 (Lei dos Registros
Públicos).
Art. 346. A sub-rogação opera-se, de pleno direito, em favor:
c Art. 13, parágrafo único, do CDC.
I – do credor que paga a dívida do devedor comum;
c Arts. 259, parágrafo único, e 283 deste Código.
II – do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário,
bem como do terceiro que efetiva o
pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel;
c Arts. 1.478 e 1.481 deste Código.
III – do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser
obrigado, no todo ou em parte.
c Arts. 304, 305, 800 e 831 deste Código.
c Art. 985 do CC/1916.
Art. 347. A sub-rogação é convencional:
c Art. 129, item 9, da Lei 6.015, de 31-12-1973 (Lei dos Registros Públicos).
I – quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente
lhe transfere todos os seus direitos;
c Art. 348 deste Código.
II – quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para
solver a dívida, sob a condição expressa
de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito.
c Art. 305 deste Código.
c Art. 986 do CC/1916.
Art. 348. Na hipótese do inciso I do artigo antecedente, vigorará o
disposto quanto
à cessão do crédito.
c Arts. 286 a 298 deste Código.
c Art. 987 do CC/1916.
Art. 349. A sub-rogação transfere ao novo
credor todos os direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo,
em relação
à dívida, contra o devedor principal e os fiadores.
c Súmulas nos 188 e 257 do STF.
c Art. 988 do CC/1916.
Art. 350. Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os
direitos e as ações do credor, senão até à soma
que tiver desembolsado para desobrigar o devedor.
c Art. 989 do CC/1916.
Art. 351. O credor originário, só em parte reembolsado, terá
preferência ao sub-rogado, na cobrança da dívida
restante, se os bens do devedor não chegarem para saldar inteiramente
o que a um e outro dever.
c Art. 990 do CC/1916.
Capítulo IV
Da Imputaç ão do Paga mento
c Art. 163 do CTN.
Art. 352. A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma
natureza, a um só credor, tem o direito de indicar
a qual deles oferece pagamento, se todos forem líquidos e vencidos.
c Arts. 355 e 379 deste Código.
c Art. 991 do CC/1916.
Art. 353. Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líquidas e
vencidas
quer imputar o pagamento, se
aceitar a quitação de uma delas, não terá direito a reclamar contra a
imputação feita pelo credor, salvo provando
haver ele cometido violência ou dolo.
c Arts. 145 a 150 e 379 deste Código.
c Art. 992 do CC/1916.
Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á primeiro
nos juros vencidos, e depois no capital,
salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por
conta do capital.
c Art. 993 do CC/1916.
Art. 355. Se o devedor não fizer a indicação do art. 352, e a quitação
for omissa quanto à imputação, esta se fará
nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se as dívidas forem
todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo,
a imputação far-se-á na mais onerosa.
c Art. 379 deste Código.
c Art. 994 do CC/1916.
Capítulo V
Da Daç ão em Paga mento
c Arts. 127, I, e 129, item 9, da Lei nº 6.015, de 31-12-1973 (Lei dos Registros
Públicos).
Art. 356. O credor pode consentir em receber prestação diversa da que
lhe é devida.
c Arts. 307, 313 e 838, III, deste Código.
c Art. 995 do CC/1916.
Art. 357. Determinado o preço da coisa dada em pagamento, as
relações entre as partes regular-se-ão pelas normas
do contrato de compra e venda.
c Arts. 481 a 532 deste Código.
c Art. 996 do CC/1916.
Art. 358. Se for título de crédito a coisa dada em pagamento, a
transferência importará em cessão.
c Arts. 286 a 298 deste Código.
c Art. 997 do CC/1916.
Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento,
restabelecer-se-á a obrigação primitiva, ficando
sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros.
c Arts. 447 a 457 deste Código.
c Art. 998 do CC/1916.
Capítulo VI
DA NOVAÇÃO
Art. 360. Dá-se a novação:
I – quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e
substituir a anterior;
II – quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o
credor;
III – quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao
antigo, ficando o devedor quite com
este.
c Art. 999 do CC/1916.
Art. 361. Não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito mas
inequívoco, a segunda obrigação confirma
simplesmente a primeira.
c Art. 1.000 do CC/1916.
Art. 362. A novação por substituição do devedor pode ser efetuada
independentemente de consentimento deste.
c Art. 1.001 do CC/1916.
Art. 363. Se o novo devedor for insolvente, não tem o credor, que o
aceitou, ação regressiva contra o primeiro,
salvo se este obteve por má-fé a substituição.
c Art. 1.002 do CC/1916.
Art. 364. A novação extingue os acessórios e garantias da dívida,
sempre que não houver estipulação em contrário.
Não aproveitará, contudo, ao credor ressalvar o penhor, a hipoteca ou a
anticrese,
se os bens dados em
garantia pertencerem a terceiro que não foi parte na novação.
c Arts. 92 a 97 e 1.419 e seguintes deste Código.
c Arts. 1.003 e 1.004 do CC/1916.
Art. 365. Operada a novação entre o credor e um dos devedores
solidários, somente sobre os bens do que contrair
a nova obrigação subsistem as preferências e garantias do crédito
novado. Os outros devedores solidários
ficam por esse fato exonerados.
c Arts. 275 a 285 deste Código.
c Art. 1.005 do CC/1916.
Art. 366. Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu
consenso com o devedor principal.
c Arts. 835 e 838, I, deste Código.
c Art. 1.006 do CC/1916.
Art. 367. Salvo as obrigações simplesmente anuláveis, não podem ser
objeto de novação obrigações nulas ou
extintas.
c Arts. 166, 167, 171 e 172 deste Código.
c Arts. 1.007 e 1.008 do CC/1916.
Capítulo VII
Da Compensaç ão
c Art. 1.506 deste Código.
Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor
uma da outra, as duas obrigações extinguemse,
até onde se compensarem.
c Art. 1.919 deste Código.
c Art. 1.009 do CC/1916.
Art. 369. A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e
de coisas fungíveis.
c Arts. 85 e 86 deste Código.
c Art. 1.010 do CC/1916.
Art. 370. Embora sejam do mesmo gênero as coisas fungíveis, objeto
das duas prestações, não se compensarão,
verificando-se que diferem na qualidade, quando
especificada no contrato.
c Art. 1.011 do CC/1916.
Art. 371. O devedor somente pode compensar com o credor o que este
lhe dever; mas o fiador pode compensar
sua dívida com a de seu credor ao afiançado.
c Arts. 376 e 837 deste Código.
c Art. 1.013 do CC/1916.
Art. 372. Os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, não
obstam a compensação.
c Art. 1.014 do CC/1916.
Art. 373. A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação,
exceto:
I – se provier de esbulho, furto ou roubo;
II – se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos;
c Arts. 579 a 585, 638 e 1.707 deste Código.
III – se uma for de coisa não suscetível de penhora.
c Art. 1.711 deste Código.
c Art. 649 do CPC.
c Art. 1.015 do CC/1916.
Art. 374. Revogado. Lei nº 10.677, de 22-5-2003.
Art. 375. Não haverá compensação quando
as partes, por mútuo acordo, a excluírem, ou no caso de renúncia
prévia de uma delas.
c Arts. 114 e 385 a 388 deste Código.
c Arts. 1.016 e 1.018 do CC/1916.
Art. 376. Obrigando-se por terceiro uma pessoa, não pode compensar
essa dívida com a que o credor dele lhe
dever.
c Art. 371 deste Código.
c Art. 1.019 do CC/1916.
Art. 377. O devedor que, notificado, nada
opõe à cessão que o credor faz a terceiros dos seus direitos, não pode
opor ao cessionário a compensação, que antes da cessão teria podido
opor ao cedente. Se, porém, a cessão lhe não
tiver sido notificada, poderá opor ao cessionário compensação do crédito
que antes tinha contra o cedente.
c Arts. 286 a 298 e 312 deste Código.
c Art. 1.021 do CC/1916.
Art. 378. Quando as duas dívidas não são pagáveis no mesmo lugar,
não se podem compensar sem dedução das
despesas necessárias à operação.
c Arts. 325 e 327 deste Código.
c Art. 1.022 do CC/1916.
Art. 379. Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas
compensáveis, serão observadas, no compensá-las,
as regras estabelecidas quanto à imputação do pagamento.
c Arts. 352 a 355 deste Código.
c Art. 1.023 do CC/1916.
Art. 380. Não se admite a compensação em prejuízo de direito de
terceiro. O devedor que se torne credor do
seu credor, depois de penhorado o crédito deste, não pode opor ao
exeqüente a compensação,
de que contra o
próprio credor disporia.
c Art. 1.024 do CC/1916.
Capítulo VIII
Da Confus ão
Art. 381. Extingue-se a obrigação, desde que na mesma pessoa se
confundam as qualidades de credor e devedor.
c Art. 1.436, IV, deste Código.
c Art. 1.049 do CC/1916.
Art. 382. A confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida, ou só
de parte dela.
c Art. 1.050 do CC/1916.
Art. 383. A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário
só extingue a obrigação até a concorrência
da respectiva parte no crédito, ou na dívida, subsistindo quanto ao mais
a solidariedade.
c Arts. 264 a 285 deste Código.
c Art. 1.051 do CC/1916.
Art. 384. Cessando a confusão, para logo se restabelece, com todos os
seus acessórios,
a obrigação anterior.
c Art. 1.052 do CC/1916.
Capítulo IX
Da Remiss ão das Dívidas
c Arts. 262, 272, 277 e 324 deste Código.
c Art. 172 do CTN.
Art. 385. A remissão da dívida, aceita pelo devedor, extingue a
obrigação, mas sem prejuízo de terceiro.
Art. 386. A devolução voluntária do título da obrigação, quando por
escrito particular, prova desoneração do
devedor e seus co-obrigados, se o credor for capaz de alienar, e o
devedor capaz de adquirir.
c Art. 1.053 do CC/1916.
Art. 387. A restituição voluntária do objeto empenhado prova a
renúncia do credor à garantia real, não a extinção
da dívida.
c Arts. 114 e 1.436, III, e § 1º, deste Código.
c Art. 1.054 do CC/1916.
Art. 388. A remissão concedida a um dos co-devedores extingue a
dívida na parte a ele correspondente; de modo
que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros, já lhes
não pode cobrar o débito sem dedução
da parte remitida.
c Arts. 277 a 282 deste Código.

c Art. 1.055 do CC/1916.

Pelo pagamento indireto

- o pagamento indireto é pagamento por uma forma diferente da que havia sido estipulada
pelas partes e também extingue a obrigação.

- modalidades: consignação, cessão de crédito, compensação, confusão, novação, dação.

PAGAMENTO POR CONSIGNAÇÃO

- o credor tem interesse na extinção da obrigação, assim como o devedor tem direito de
extinguir o vínculo obrigacional. Muitas vezes o credor é malicioso e quer espezinhar o
devedor. Por vezes o credor tem interesse na eternização da dívida para colher mais
acessórios da obrigação principal, e isto não é razoável

- para atender aos interesses do devedor, o legislador criou o pagamento por consignação. É
o depósito judicial ou extrajudicial da coisa devida, modo de pagamento indireto e que
extingue a obrigação

- fatos que impedem o pagamento indireto: para que o pagamento se realize há de haver a
cooperação do credor ou seu representante pois só eles podem dar a quitação. O devedor
tem o máximo interesse em se livrar do vínculo mas pode acontecer de:
· credor injustificadamente se recusar a dar quitação
· credor injustificadamente se recusar a receber a prestação
· devedor tem dúvida quanto a quem se deve pagar
· devedor não encontra a pessoa a quem deve pagar

- o devedor pode depositar a coisa devida judicial ou extrajudicialmente

- às vezes a orbigação é “quèrable” – depende da iniciativa do credor ir buscar e ele não


vai. Para evitar a discussão é melhor depositar em juízo e é o meio técnico para liberar o
devedor da dívida.
- vantagens da consignação: evitar o debate sobre quem é o culpado pelo atraso; revelar o
propósito de cumprir a obrigação; poupar o trabalho que teria o devedor na guarda e
conservação da coisa devida; além de extinguir a obrigação

- conceito: Clóvis Beviláqua: “pagamento por consignação é o modo indireto de liberar-se


o devedor da sua obrigação, que consiste no depósito judicial da coisa devida”
Washington: “pagamento por consignação é o depósito judicial da coisa devida, realizado
pelo devedor, com causa legal.
Antônio Chaves: “é o depósito judicial da coisa devida, objetivando a extinção do vínculo
obrigacional, nos casos expressamente autorizados em lei

- Código Civil: art. 972 – “depósito judicial das coisas devidas nos casos e formas legais”

- depósito judicial: para que ocorra é necessária uma ação: Ação de Consignação em
Pagamento (arts. 890 a 900 CPC) ou Consignatória

- objeto do pagamento por consignação: obrigação de dar – coisa móvel ou imóvel;


obrigação pecuniária

- auto de depósito: é nomeado um depositário (normalmente o próprio devedor)

- natureza jurídica: o instituto é de natureza mista, híbrida: de Direito Civil e de Direito


Processual Civil. No Direito Civil a natureza jurídica é um dos modos indiretos de extinção
das obrigações (arts. 972 a 974). No Processo Civil – rege a parte formal, forma de
exercício da ação de consignação em pagamento

- Quem pode fazer a consignação? O devedor ou 3o, nas hipóteses previstas na lei (art.
973), quais sejam:

1) se o credor se recusar a receber o pagamento ou a dar a quitação, sem justa causa. Mora
do credor “accipiendo”. Se houver causa para a recusa não haverá mora do credor pois o
inadimplemento é do devedor.

2) se o credor não for nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condições devidas

3) obrigação Portable, iniciativa do devedor e o pagamento se torna impossível pois não há


como achar o credor

4) se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento – a


dúvida deve ser fundada em uma boa razão

5) art. 983: se pender litígio sobre o objeto do pagamento

6) se houver concurso de preferência (mais de um credor e o devedor for insolvente) ou


quando o credor for incapaz de receber o pagamento e não tiver representante legal
- requisitos: art. 974: - existência de vínculo obrigacional
- “ânimus solvendi” – intenção
- pagamento exato da obrigação
- presença do solvens
- presença do accipiens

· Subjetivos: contra quem é dirigida a consignação: art. 975 – ao credor ou a seu


representante.
Quem faz o pagamento: devedor (ou seu representante) ou terceiro.

· Objetivos: é preciso que haja dívida líquida e certa (se a obrigação for incerta é preciso
haver a concentração anteriormente – prévia determinação – art. 981 CC).
- e se houver erro de cálculo? Deve pedir a retificação do cálculo e complementar com
ofertas supletivas
- e se houver dúvida sobre o montante exato da dívida? Deve depositar-se mais do que deve
e depois protestar pela repetição do indébito
- é preciso que a prestação oferecida seja a que realmente se deve, na íntegra.

- Modo: o devedor, ao fazer o depósito judicial, deve observar todas as cláusulas do


contrato. O oferecimento deve ser real, efetivo, não basta mera declaração de que a coisa
está à disposição do credor.

- Tempo: o depósito deve ser feito no prazo estabelecido, para que não ocorra a mora. Se
houver mora do devedor, este deverá depositar a coisa mais os juros, efeitos de sua mora
Art. 956, par. Ún.

- Local: art. 976, CC – a consignação deve se efetuar no local do pagamento. Se for


judicial, será no foro competente – art. 980CC – lugar da situação do bem.

- prestação de coisa indeterminada: credor será citado para fazer a escolha e caso não a faça
o devedor deverá escolher.

- levantamento do depósito pelo consignante (como pegar de volta): há três hipóteses:

1- art. 977: credor ainda não se manifestou


2- art. 979: credor já se manifestou. Se não houve consentimento do credor, não haverá
levantamento.
3- Art. 978: já há sentença do juiz julgando procedente a ação. Devedor não poderá levantar
senão de acordo com os demais devedores e fiadores

- procedimento: Judicial – não contenciosa: arts. 840 e 893: credor é citado. Não há briga.
Levanta o que lhe é devido.
- contenciosa: arts. 896 e 897 CPC: credor contesta a ação. Fase da briga.

- quem arca com as despesas do depósito? Art. 982: quem perde paga os ônus da
sucumbência
- se a ação for julgada procedente, extingue-se o vínculo obrigacional. Credor paga os ônus.
Se a ação for julgada improcedente, o vínculo obrigacional continua. Há a mora do
devedor.

PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO

- substituição dos sujeitos na relação obrigacional – por sucessão “mortis causa” – D. das
Sucessões.
- por sucessão “inter vivos” – D. das Obrigações

- substituição do pólo ativo – pagamento com sub-rogação. O principal efeito do pagamento


é a extinção da obrigação. O pagamento pode ser feito pelo “solvens” (devedor ou 3o.) ao
“accipiens” (credor ou seu representante) – art. 930 CC.

- quando 3o. faz pagamento a obrigação pode se extinguir só para o credor. O vínculo
obrigacional não se extingue pois o terceiro ficará no lugar do credor primitivo. A relação
jurídica não desaparece, não é um pagamento indireto, não é um meio de execução da
obrigação. O 3o. que paga a dívida teria direito ao reembolso, mas a lei lhe confere mais,
ele se sub-roga dos direitos do credor primitivo

- conceito: “sub-rogatio” = substituição. Pode ser de uma coisa por outra (sub-rogação real)
ou de uma pessoa por outra (sub-rogação pessoal). Nosso Código Civil só trata da sub-
rogação pessoal

- “Transferência dos direitos do credor para aquele que solve a obrigação ou empresta o
necessário prara solvê-la”

- todos os direitos, garantias, etc, são transferidos a um novo credor. O devedor passa a ser
devedor do 3o. que pagou ou emprestou.

- credor sub-rogante – credor primitivo


- credor sub-rogado – 3o. que assume o pólo ativo da relação obrigacional ou credor
derivado

- é uma exceção à regra de que o pagamento extingue a obrigação

- utilidade: Atende a interesse geral: o inadimplemento leva a brigas, fere a harmonia


social. O legislador teve o intuito de estimular terceiros a solver a dívida do devedor para
evitar litígios.
Atende a interesse particular: útil ao credor que quer receber o que lhe é devido, não
interessa quem pague e útil ao devedor porque ele pode estar numa situação de insolvência.
É um instituto que não prejudica terceiro que paga já que ele se sub-roga dos direitos do
credor primitivo

- natureza jurídica: há um pagamento sem extinção da obrigação. Peculiaridade do instituto:


o devedor não estará liberado com o pagamento. Para uma corrente o pagamento com sub-
rogação seria um caso especial de cessão de crédito. Existem pontos comuns entre os dois
institutos: substituição do sujeito ativo, não extinguem obrigações, não liberal o devedor do
pagamento da dívida, se aplicam as mesmas normas. Crítica: não há como confundir os 2
institutos: na sub-rogação o principal escopo é liberar o devedor do credor primitivo. Já na
cessão de crédito o principal escopo é transferir o crédito de uma pessoa para outra.

- Espécies:

· Sub-rogação LEGAL: decorre da lei. O art. 985 trata dessa figura. Ocorrendo um dos fatos
descritos nos incisos do art. 985 ocorre necessariamente a sub-rogação legal.

I – existem 2 credores do mesmo devedor mas um deles é preferencial e o outro é


quirografário. O credor preferencial tem garantia da dívida. A lei permite que o credor
quirografário pague o devedor preferencial e sub-rogue-se nos seus direitos, tornando-se
credor preferencial. Pressupostos: 2 credores, e devedor. Credores não podem ter créditos
iguais, um deles tem que ser preferencial.

II – o proprietário pode alienar o imóvel que é seu. Porém, se ele hipoteca esse imóvel,
poderá vende-lo mas o comprador estará ciente de que o imóvel é hipotecado. A lei autoriza
que o adquirente do imóvel hipotecado pague a dívida ao credor hipotecário, libertando o
imóvel da hipoteca e se sub-rogando de todos os direitos e garantias do credor hipotecário.

III – 3o. que paga dívida da qual era ou poderia ser obrigado a pagar – 3o. interessado que
paga a dívida não vai ter um mero reembolso do que pagou, ele se sub-roga nos direitos e
garantias.
Art. 931 – 3o. não interessado não se sub-roga, só tem direito ao reembolso – para evitar
especulação

· Sub-rogação CONVENCIONAL: resulta do acordo de vontades (art. 986), depende de


convenção. Esse acordo de vontades pode ocorrer entre 3o. e credor ou 3o. e devedor.

I – relação 3o. e credor: o credor recebe o pagamento e expressamente lhe transfere os


direitos, garantias, etc. Esse é o terceiro não interessado pois se fosse interessado seria sub-
rogação legal. Essa hipótese muito se assemelha à cessão de crédito – acordo entre cedente
e cessionário, por isso se aplicam a ambos as mesmas regras (art. 987)

II – relação 3o. não interessado e devedor. O 3o. empresta ao devedor a quantia necessária
para solver a dívida e ele lhe transfere todos os direitos e garantias que o credor primitivo
tinha

Os efeitos da sub-rogação LEGAL são diferentes do da CONVENCIONAL (art. 989CC) –


só na legal o 3o. terá direito só à quantia paga, não pode querer receber mais do que pagou.
Na convencional as partes podem estabelecer que o devedor pague mais ou menos o que o
3o. pagou ao credor primitivo. É um negócio jurídico, por isso é permitido que as partes
estabeleçam valor diferente.
· Sub-rogação TOTAL: 3o. paga ou empresta o necessário para toda a dívida ser satisfeita
(art. 988CC). Essa hipótese pode ocorrer na sub-rogação legal ou convencional
Efeitos: 1- liberatório: libera o credor primitivo do vínculo obrigacional e exonera o
devedor do primitivo credor.

· Sub-rogação PARCIAL: o 3o. paga parte da dívida e vai receber proporcionalmente os


direitos e garantias do primitivo credor. Conseqüência: terá 2 credores: o que pagou e o
credor originário. O credor primitivo receberá primeiro (art. 890) se o devedor não tiver
patrimônio para pagar os 2.

CESSÃO DE CRÉDITO

- alguém era credor e por comum acordo aliena esse crédito gratuita ou onerosamente a
outra pessoa (cessionário)
- conceito: “é todo ato em virtude do qual uma pessoa transfere à outra direitos ou bens que
lhe pertençam”
“ é a transferência que o credor faz a outrem de seus direitos”

- ocorre sucessão de sujeitos por ato “inter vivos”. A cessão é um negócio jurídico
(especulativo) a tiítulo gratuito ou oneroso.

- regra – art. 1065 CC – de regra todo e qualquer crédito pode ser cedido. Mas há
exceções: - créditos que por sua natureza, segundo lei ou acordo de vontade entre as partes
não podem ser cedidos a terceiros (ex.: direitos personalíssimos)

- espécies:

· Cessão de Crédito CONVENCIONAL: resulta de acordo de vontades de cedente e


cessionário; é a mais comum. É um verdadeiro contrato, um negócio jurídico bilateral (pelo
menos 2 vontades contrapostas) a título gratuito ou oneroso. Não ocorre extinção da
obrigação, a obrigação só foi cedida de uma pessoa a outra, não houve transferência.
Natureza Jurídica: contrato. Então exige (art. 82) agente capaz, objeto lícito, vontade das
partes e forma prescrita em lei. Quando o negócio for a título gratuito (art. 1065) se
equipara a uma doação e se aplicam as mesmas regras. Quando o título é oneroso (art.
1122) equipara-se à compra e venda e se aplicam as mesmas regras.

· Cessão de Crédito LEGAL: ex.: art. 1066 – os acessórios devem acompanhar o principal;
casos de sub-rogação legal

· Cessão de Crédito JUDICIAL: decorre da sentença do juiz – art. 1068. Ex.: juiz dá uma
sentença repartindo o patrimônio entre diversos herdeiros; a sentença condena algum a
transferir seus créditos.

- formas: prevalece o princípio da informalidade dos atos jurídicos (art. 129), basta o
consentimento dos contratantes. Entre as partes não necessita de forma especial mas para
valer contra terceiros (art. 1067) a lei exige escritura pública ou particular registrada em
cartório (na cessão convencional). Na cessão legal ou judicial basta a lei ou a sentença para
valer contra terceiros. Para valer em relação ao devedor depende de notificação (art. 1069).

- efeitos: - entre as partes contratantes: transmissão da titularidade da relação jurídica do


cedente ao cessionário (art. 1073, 1074, 1075, 1076 – outros efeitos)
- em relação ao devedor: arts. 1071, 1071, 1077...)
Pagamento com Sub-Rogação Cessão de Crédito
1 – Requer pagamento por 3o. 1- É alienação de créditos, direito ou ação
2- Extingue dívida em relação a credor primitivo 2- Não extingue, não é pagamento
3- Não depende da vontade do credor 3- É ato da vontade do credor
4- Não é negócio 4- É negócio
5- Dispensa a notificação do devedor 5- Exige a notificação do devedor
6- Não há transferência de crédito pelo credor 6- Há transferência de crédito
7- Escopo: liberar o devedor do credor primitivo 7- Escopo: transferir crédito, direito ou
ação

IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO

- pode ocorrer de um mesmo devedor ter vários débitos (vencidos e líquidos) de coisas
fungíveis entre si em relação a um mesmo credor. O devedor só pode pagar um ou alguns
dos débitos. Qual dos débitos deverá ser considerado extinto?

- imputação: é a indicação ou determinação de qual débito, dentre os da mesma espécie,


será extinto ou reduzido. Em outras palavras, é a determinação de qual dívida será paga.

- Washington: é a operação por via da qual, dentre vários débitos do mesmo devedor para
com o mesmo credor, se determina em qual deles se deve aplicar o pagamento

- quem faz a escolha de qual débito será extinto:o acordo de vontades entre credor e
devedor, o credor ou a lei

- arts. 991 a 994

- finalidade da imputação: extinguir a obrigação e liberar o devedor (mesmos resultados do


pagamento)

- Natureza Jurídica: é um meio de extinção de obrigações. Meio de extinção de débitos a


que se dirige a imputação. A imputação é um pagamento normal, direto, “stricto sensu”

- requisitos:

· dualidade/pluralidade de débitos: se houver uma só dívida não há como ocorrer a


imputação, indicação. No geral, quando houver um só débito, pelo art. 889 o devedor
deverá executa-la por inteiro. Na imputação o devedor não tem meio de pagar todas as
dívidas.
· identidade de credor e devedor: 1 só credor e um só devedor, com diversos vínculos
obrigacionais entre si

· igual natureza dos débitos: fungíveis entre si (idêntica qualidade e espécie) de modo que
ao credor seja indiferente receber uma ou outra prestação. Quando os débitos não são da
mesma natureza não é possível a imputação

· débitos líquidos e vencidos: líquidos – art. 1533 – certos quanto à existência e


determinados quanto o seu objeto. Vencidos: exigíveis: já ocorreu o advento do termo; já
transcorreu o prazo de vencimento para o pagamento da dívida.

- não cabe imputação: quando há dúvida sobre a existência da dívida, sobre o montante da
dívida e se a dívida ainda não venceu. Art. 991, 2a. parte

· pagamento oferecido deve cumprir qualquer dos débitos

- espécies:

· pelo DEVEDOR: não houve acordo entre as partes – art. 991 CC – o devedor tem a
liberalidade de escolher, mas com limitações, quais sejam:
1) quando houver uma única dívida (capital + juros) – imputação feita primeiro nos juros
(art. 993)
2) quando a dívida for de montante superior ao pagamento oferecido

· pelo CREDOR: art. 992 CC –

através da quitação – só será inválida se o credor usar de dolo ou violência

· pela LEI: art. 994 CC – 1o. nas líquidas e vencidas, depois na mais onerosa.

COMPENSAÇÃO

- pode acontecer de pessoas terem dívidas recíprocas. A lei autoriza, então, a compensação
dos débitos

- na compensação parcial a dívida subsiste na parte restante

- utilidade: evitar 2 pagamentos

- conceito: Clóvis: “ extinção recíproca de obrigações, até a ocorrência dos respectivos


valores, entre pessoas que são devedoras uma da outra” (modo indireto de extinção)
Washington: “extinção de 2 obrigações cujos credores são ao mesmo tempo
devedores um do outro”

- finalidade:
1) facilitar, simplificar os negócios
2) extinguir 2 obrigações sem pagamento direto
3) evita a inútil circulação de valores ou outras coisas
4) servir de garantia ao credor.

- Natureza Jurídica: meio indireto de extinção das obrigações. É especial pois extingue 2
prestações através de uma única operação (operação de “mútua-quitação)

- pressupostos: dívidas recíprocas (2 pessoas precisam ser ao mesmo tempo credor e


devedor uma da outra – art. 1009), vencidas (prazo a favor do devedor – art. 1014 CC –
prazo de favor não obsta a compensação), fungíveis entre si (art. 1010)

A reciprocidade da dívida gera conseqüências para 3o. não interessado – não pode
compensar por não ser ele o devedor.

- espécies:

· LEGAL: só decorre da lei, não depende de acordo de vontades. É essa espécie de


compensação que exige os pressupostos presentes nos arts. 1009 e 1010 CC.

· CONVENCIONAL: decorre de um acordo de vontades – princípio da autonomia de


contades

· JUDICIAL: decretada pelo juiz – basta ele perceber a presença dos pressupostos para
declarar extintas as obrigações

CONFUSÃO

- pode acontecer das figuras credor/devedor estarem reunidas em uma só pessoa, por um
fato jurídico estranho à obrigação

- fatos que podem provocar a confusão: - sucessão “mortis causa” e sucessão “inter vivos”

- conceito: art. 1049CC – extingue-se a obrigação quando na mesma pessoa reunirem-se as


qualidades de credor e devedor

- meio indireto de extinção da obrigação: ninguém pode ser credor de si mesmo e ninguém
pode demandar a si mesmo

- fins: extinção da obrigação pois transfere-se para o patrimônio do devedor o que ele
deveria pagar

- natureza jurídica: não há pagamento – meio indireto de extinção da obrigação

- pressupostos:

· unicidade da relação obrigacional: existe uma única obrigação; um mesmo crédito


· união das qualidades credor/devedor na mesma pessoa: gera a extinção da obrigação pois
não há vínculo obrigacional

· ausência de separação de patrimônios

- espécies:

· total

· parcial: credor não recebe todas as dívidas por não ser único herdeiro do falecido

- confusão na obrigação solidária: art. 1051 CC

- cessação: uma vez verificada a confusão, extingue-se a obrigação. Art. 1052: cessando=se
a confusão restabelece-se a situação anterior

NOVAÇÃO

- as partes interessadas criam nova obrigação (manifestação de vontade) com o escopo de


extinguir obrigação anterior já existente - novação
- finalidade: extinguir obrigação antiga
- conceito: Clóvis: “conversão de uma dívida em outra para extinguir a primeira
- exs.: 1)Devo R$ 100. De comum acordo com o credor acordo em entregar um carro ao
invés de pagar os R$ 100 – novação OBJETIVA
2) o mutuário que está devendo, no momento da divida, propõe ao credor que um seu
devedor pague a dívida. Extingue-se a obrigação antiga entre o mutuário e o credor e surge
outra obrigação – novação SUBJETIVA PASSIVA
3) o credor dá a quitação desde que o devedor pague o que deve a outro credor – novação
SUBJETIVA ATIVA
- modo indireto de extinção das obrigações. Especial: extingue obrigação antiga através da
criação de uma nova. DUPLO CONTEÚDO: gerador e extintivo
- a intenção das partes é EXTINGUIR A ORBIGAÇÃO antiga. Cria-se para extinguir
(obrigação principal). A geração vem primeiro
- o credor não é imediatamente satisfeito – apenas adquire novo crédito. Desaparece o
vinculo jurídico anterior
- só pode ser CONVENCIONAL – é imprescindível o acordo de vontade dos interessados –
natureza contratual
- fins: 1) meio extintivo de obrigações
2) simplificação dos negócios – ao invés de se praticar dois atos pratica-se a novação, um
ato com 2 efeitos: gerar e extinguir
- espécies: um elemento novo será inserido na obrigação: objeto ou sujeito. Art. 999, I –
mudança no que tange à prestação. Art. 999, II e III – mudança no sujeito
· OBJETIVA OU REAL: alteração da prestação: modificação da natureza (das, fazer, não
fazer) ou da causa
· SUBJETIVA OU PESSOAL: passiva: alteração do devedor. Se for com concordância do
devedor, diz-se que se deu por DELEGAÇÃO. Quando não houver concordância do
devedor diz-se que se deu por EXPROMISSÃO – art. 1001
ativa: alteração do credor. A 1a. obrigação é extinta, o credor deixou de ser credor e
surge uma nova obrigação com outro credor. O credor originário deixa o vínculo
orbigacional
- requisitos
1) existência de obrigação anterior, necessariamente
2) criação de nova obrigação: com elemento novo (prestação ou sujeitos). Se não fosse
criada nova obrigação ocorreria remissão. Se a nova obrigação for nula volta-se ao estado
anterior
3) inserção de elemento novo na obrigação
4) “ânimus novandi” – intenção de novar – elemento subjetivo – intenção de extinguir uma
obrigação antiga através da criação de uma nova obrigação. O “ânimus novandi” não se
presume. Deve ser manifestado de forma EXPRESSA. Art. 100 – requisito do “animus”
- hipóteses em que não há novação: quando se adicionam novas garantias à mesma
obrigação; quando o credor concede a moratória; dar facilidade ao devedor para cumprir a
obrigação; quando ocorre abatimento do preço; na reforma do título
5) capacidade e legitimação das partes: é necessário que haja vontade declarada das partes e
que as mesmas sejam capazes para poderem novar. Incapaz pode novar se estiver
representado
- efeitos: extinguir obrigação e criar nova
· em relação à obrigação antiga: extingui-la por completo (acessórios são extintos também)
· em relação à obrigação nova: surgimento de uma nova obrigação com estrutura própria e
obrigação do novo devedor de executá-la

DAÇÃO

- exceção à regra do art. 863 CC


- acordo através do qual o credor consente na substituição de coisa devida por outra coisa
- art. 995 – o credor pode consentir em receber coisa diferente desde que não seja dinheiro
- modo indireto de extinção de obrigação
- o que pode ser objeto da dação: prestação de qualquer objeto, desde que não seja dinheiro
- art. 996 – quando a coisa tiver valor fixo e determinado trata-se de compra e venda e não
de dação.
- Dação não é novação objetiva pois na dação: não há constituição de obrigação nova, o
credor se satisfaz prontamente e não há duplo conteúdo.
- conceito: Washington: “Dação é um acordo convencionado entre credor e devedor, por
via do qual aquiece o primeiro em receber do 2o., para desobrigá-lo de uma dívida, objeto
diferente do que constituíra a obrigação
- fim: extinguir a obrigação
- Objeto: prestação de qualquer natureza desde que não seja pecuniária. Se a coisa dada em
pagamento for um título de crédito a transferência importará em cessão de crédito!!!
- requisitos:
1) existência de um débito vencido. Entrega de coisa sem obrigação é doação
2) “ânimus solvendi” – intenção e firme propósito de pagar
3) objeto oferecido deve ser diferente do devido
4) concordância do credor – manifesta sua vontade ou de modo verbal ou escrito. Ou,
ainda, de modo expresso ou tácito.
- efeitos: 1) extinção da obrigação com um pagamento de modo indireto (credor concorda
em receber outra coisa em pagamento)
2) evicção – art. 1107 CC – perda de coisa adquirida pois a mesma já tinha dono – art. 998
CC – restabelece-se a obrigação primitiva – extinção da quitação dada.

1
Pagamento indireto
1) Pagamento em consignação
Conceito: é o depósito judicial feito em pagamento de uma dívida.
É instituto de direito material e processual.
É instituto muito antigo, sendo que na Roma Antiga, o devedor fazia
a consignação em santuários, templos, na esperança de que não haveria
roubo por
tratar-se de local santo. Posteriormente é que iniciaram-se os depósitos em
em casa
de banqueiros ou outros cambistas.
O Código Civil e o CPC durante anos só previam a possibilidade de
depósito judicial da coisa devida. Com a reforma do CPC (1994) e agora
com o
novo Ccivil é possível o depósito extrajudicial(art. 334 Ccivil).
O devedor, com receio de ser chamado de caloteiro e de ser
responsabilizado pelos riscos da deterioração ou perda da coisa devida,
bem como
pelos juros de mora, e não tendo condições de pagar normalmente a dívida
(porque o credor não quer ou por outra impossibilidade jurídica) opta pela
consignação em pagamento (art. 334).
Nem sempre o devedor é obrigado a consignar o pagamento. Ex: nos
casos de mora do credor (dívida quesível), porém embora desobrigado de
fazê-lo é
conveniente que o faça pois: a) evitam-se debates sobre quem é o culpado
pelo
atraso, b) revela-se o propósito de pagar e c) poupa-se o trabalho de
guardar a
coisa a ser prestada.
O devedor deve ter um motivo justo para consignar senão seu
depósito será julgado improcedente, com a conseqüência de todos os
efeitos da
mora, além das custas e honorários advocatícios.
Situações em que se justifica a consignação (art. 335, CC) Elenco não
é taxativo – artigos esparsos 341 e 342 CC.
2
a) se o credor não puder ou não quiser receber ou dar quitação, sem
justo motivo. O devedor não tem obrigação de consignar, pois se
trata de mora do credor. Quando a recusa do credor encontra
justificativa a ação é julgada improcedente;
b) se o credor for incapaz de receber, desconhecido (em geral o
credor é conhecido, mas por algum motivo futuro, deixa de ser
conhecido – como por exemplo, pessoa morre sem deixar
herdeiros conhecidos), declarado ausente (sendo declarado
ausente, haverá a nomeação de um curador, razão pela qual essa
situação é muito difícil de ocorrer) ou residir em local incerto ou
de acesso perigoso ou difícil – dizimado por uma peste, por ex.
(no caso de dívida portable);
c) Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o
objeto do pagamento – a dúvida tem que ter boa razão – Ex:
inquilino que não sabe se paga o aluguel para o marido ou a
mulher recém separados. A dúvida reside na pessoa do credor.
d) Se pender litígio sobre o objeto do pagamento – o objeto da
prestação encontra-se em litígio entre o credor e terceiro.
Existindo ação judicial que discuta o caso, o pagamento do
devedor para uma das partes (tendo conhecimento da demanda)
faz com que assuma o risco do pagamento (art. 344).
O Código de 1916 previa ainda a possibilidade de consignação
quando houvesse concurso de preferência aberto contra o credor. Embora o
novo
Código não mencione a hipótese, autoriza nos termos do art. 333 o
vencimento
antecipado da obrigação em casos tais.
Requisitos (art. 336)
3
1) pessoas – deve ser proposta pelo devedor, terceiro
interessado (Ex: sublocatário) ou não interessado (Ex:
amigo, pai, etc) contra o credor ou seu representante legal.
2) Objeto – a prestação deve ser na íntegra. O credor não é
obrigado a receber menos do que avençou.
3) Tempo – a consignação se efetua ou deve se efetuar na
época aprazada para o pagamento. Se em atraso deve vir
acompanhado dos efeitos da mora, podendo o credor
recusá-la se o retardamento tornou inútil a prestação para
o credor. A lei não fixa prazo para a propositura da ação.
4) Lugar (art. 337) – onde deveria ter sido efetuado o
pagamento. Dívida portável- no domicílio do credor,
quesível, no do devedor. Quando por qualquer motivo a
coisa não puder ser levada até o domicílio do credor ou do
devedor, poderá ser depositada no local onde esta. Ex:
obrigação de fazer e entregar uma balsa para utilização no
Amazonas. Há entendimentos jurisprudenciais de que
mesmo que o local não seja domicílio do credor ou do
devedor poderá ser o foro para o ajuizamento da ação.
Prestações suscetíveis de serem consignadas – obrigações de dar e de
fazer (desde que englobe a entrega da coisa – Ex: fazer uma estátua e
entregá-la).
Não é só a dívida em dinheiro que pode ser consignada, como
também as consistentes em outras coisas.
Quando a obrigação é alternativa, o devedor deve citar o credor para
escolher entre as duas coisas e se não se manifestar, o devedor pode
depositar o
que preferir (art. 342).
4
Levantamento do depósito pelo depositante (devedor) – Em cada fase
do processo, o levantamento do depósito terá uma conseqüência diferente.
a) Antes de qualquer manifestação judicial do credor – não há
necessidade de anuência do credor, mas o levantamento faz com
que o credor retorne a posição em que se encontrava quando da
consignação, pois a dívida persiste. Deve pagar ainda as despesas
do depósito (art. 338);
b) Após a recusa do depósito – Não pode ser levantado sem a
anuência do credor. Se este anuir perderá as preferências e
garantias do crédito (Ex: os fiadores ou co-devedores que não
anuíram ficam desobrigados pela dívida) – art. 340;
c) Após a aceitação do depósito – Se o credor aceitou o valor
depositado, gerou a extinção da dívida/obrigação. Aceitando o
levantamento do valor pelo devedor estará simplesmente criando
uma nova obrigação com o devedor, diferente da que originou a
consignação. Estarão desobrigados os fiadores e co-devedores,
uma vez que a obrigação que se obrigaram solidariamente se
extinguiu.
d) Após sentença que julgou procedente a ação – da mesma forma
que no caso anterior, surge daí nova obrigação diversa da
primeira, uma vez que a procedência da ação gera sua extinção
(da primeira obrigação). Os devedores solidários devem anuir
expressamente.
Processo da consignação (art. 890 e seguintes do CPC)
Ocorrendo um dos casos previstos em lei o devedor ou terceiro
interessado ou não pedirá a consignação da quantia ou coisa devida,
podendo
optar no caso de dinheiro pelo depósito em estabelecimento bancário.
5
No caso de opção pelo depósito em estabelecimento bancário,
o devedor cientificará o credor, que terá 10 dias para manifestar a recusa,
sem o
que ficará o devedor liberado da obrigação.
Caso manifeste recusa, o devedor terá 30 dias para propor ação
de consignação em pagamento com base no depósito anteriormente feito.
Se não
for proposta a ação, o depósito ficará sem efeito, podendo levantá-lo o
depositante
(art. 890, p. 4º).
Quando o pagamento da obrigação foi convencionado em
parcelas, pode o devedor continuar os depósitos no mesmo processo, desde
que se
realizem até 5 dias da data do vencimento (art. 892, p.u. CPC).
Nem sempre a coisa poderá ser depositada materialmente, em
sempre é bem deslocável. O depósito poderá ser simbólico, com nomeação
de
depositário (que pode ser o devedor, o credor ou outrem indicado pelo
juízo).
Credor certo – pode aceitar o depósito ou recusar-se a recebêlo.
Nesse caso, a ação tomará o rito ordinário. Se a recusa se basear em valor
insuficiente deverá o credor apresentar memória de cálculo do valor que
entende
ser devido (art. 896, CPC), sem prejuízo de levantar a quantia incontroversa
(art.
899, p. 1º, CPC). Na contestação o credor poderá alegar que: a) não houve
recusa
ou mora; b) foi justa a recusa; c) o depósito não se efetuou no prazo ou
local do
pagamento; d) o depósito não é integral, neste caso o devedor tem 10 dias
para
completar o depósito, salvo se o inadimplemento acarrretar a rescisão do
contrao
(art. 899, CPC).
Credor incerto – o devedor faz o depósito e cita todos os
possíveis credores para discutirem em juízo quem é o verdadeiro credor da
origação.
Conseqüências da sentença:
- Julgada procedente, a consignação produzirá os efeitos de:
a) exonerar o devedor, pois o depósito equivale ao
6
pagamento; b) cessa para o depositante os juros da dívida e
os riscos a que estiver sujeita a coisa; c) transfere os riscos
incidentes sobre a coisa para o credor; d) libera os fiadores;
e) o credor é condenado a pagar custas e honorários
advocatícios.
- Julgada improcedente, o devedor remanesce na mesma
posição em que se encontrava anteriormente,
caracterizando-se sua mora, sendo ainda condenado pelas
despesas processuais e honorários advocatícios.
Ex: consignação de chaves de imóvel anteriormente locado. A
sentença de procedência extinguiu a relação desde o momento da
consignação. A
sentença de improcedência faz subsistir a locação, estando obrigado o
devedor não
só ao pagamento dos aluguéis anteriores, mas a todos que correram
durante o
trâmite da ação.
Dação em pagamento 18/05/05

1. Conceito

A dação em pagamento não se confunde com doação. Nesta uma


pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou
vantagens para o de outra, que aceita receber e constitui ato entre
vivos. Enquanto que a essência da dação em pagamento é a entrega
de uma coisa em pagamento de outra que se devia. Assim, a dação
em pagamento é um acordo de vontades entre credor e devedor,
por meio do qual o primeiro concorda em receber do segundo, para
exonerá-lo da dívida, prestação diversa da que lhe é devida. É uma
das formas consideradas como pagamento indireto visando a
extinção de obrigações.

Destaque-se que regra geral, o credor não é obrigado a receber outra coisa, ainda que mais
valiosa (CC, art. 313). No entanto, se aceitar a oferta de uma coisa por outra, caracterizada
estará a dação em pagamento.

Código Civil:

Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda
que mais valiosa.
Art. 356. O credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida.

A liberdade na dação em pagamento é bastante ampla, cabendo às partes a decisão quanto


ao bem a ser entregue. Assim, a dação em pagamento pode se caracterizzar, mediante
acordo, substituição de dinheiro por bem móvel ou imóvel, de coisa por outra, de coisa por
fato, de dinheiro por título de crédito, de coisa por obrigação de fazer etc.

2. Natureza jurídica

A dação em pagamento é considerada uma forma de pagamento indireto. Não constitui


novação objetiva ou real (criação de obrigação nova, para extinguir uma anterior, em que
altera-se o objeto da prestação), nem se situa entre os contratos.

Código Civil:

Art. 357. Determinado o preço da coisa dada em pagamento, as relações entre as partes
regular-se-ão pelas normas do contrato de compra e venda.
Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a
obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de
terceiros.
Analisando atentamente o conteúdo destes dois artigos, pode-se afirmar que ocorre na
prática por vias indiretas, uma verdadeira compra e venda, e sendo as regras idênticas,
responde o alienante pela evicção.

Se quem entregou bem diverso em pagamento não for o verdadeiro dono, o que o aceitou
tornar-se-á evicto. Assim, a quitação dada ficará sem efeito e perderá este o bem para o
legítimo dono, restabelecendo-se a relação jurídica orginária, inclusive a cláusula penal,
ou seja, o débito continuará a existir, na forma inicialmente convencionada.

Observe que na hipótese do objeto da prestação não for dinheiro e houver substituição por
outra coisa, não haverá analogia com a compra e venda (entrega da coisa e pagamento do
preço), e sim com a troca ou permuta (contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma
coisa por outra, que não seja dinheiro).

Por outro lado, se for título de crédito a coisa dada em pagamento, a transferência
importará em cessão (CC, art. 358). O fato deverá ser, por essa razão, notificado ao
cedido, pois a cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a
este notificada. Destacando-se que por notificado se tem o devedor que, em escrito
público ou particular, se declarou ciente da cessão feita (CC, art. 290).

Ressalte-se que na aplicação dos princípios da compra e venda, tem a jurisprudência


proclamado a nulidade da dação em pagamento de todos os bens do devedor (CC, art.
548), bem como sua anulabilidade quando feita por ascendente a descendente sem o
consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante (art. 496). Este
consentimento, entretanto, é dispensável se o regime de bens for o da separação
obrigatória.

A diferença entre pagamento por sub-


rogação e dação de pagamento ??
O ato jurídico de subrogação consiste em assumir unilateralmente os direitos e obrigações
perante terceiros. Portanto pagamento por subrogação consiste em um direito concedido em
geral por um contratado seu, que permite pagar uma despesa contraída por outra pessoa (o
contratado), para evitar problemas futuros. Por exemplo:

Eu contrato uma empresa CONSTRUTORA para construir uma casa para mim por PREÇO
FECHADO, digamos R$100 mil . e essa empresa CONSTRUTORA compra tijolos por R$
20 mil de uma loja e não paga.

Eu então, sabendo disso, e para não ser prejudicado na minha obra, pois o lojista não vai
querer entregar os tijolos, notifico o lojista, e subrogo-me na obrigação de pagar
diretamente o lojista (obrigação) e também no direito de receber os tijolos comprados
(direitos) e pago a despesa diretamente ao lojista para que ele entregue os tijolos.

Isto significa que mesmo não sendo uma obrigação direta minha, pois o contrato inicial foi
entre a CONSTRUTORA e o LOJISTA, eu subroguei-me no contrato entre eles, e depois,
faço um acerto de contas com a CONSTRUTORA que eu contratei, descontando do
contrato com ela o valor que paguei ao lojista pela aquisição dos tijolos.

Entretanto,para que eu possa executar esse direito de subrogação nos contratos com
terceiros, eu devo exigir que haja uma cláusula específica, a ser inserida em todos os
contratos entre a CONSTRUTORA e seus subcontratados, me citando nominalmente, e me
garantindo o direito de subrogação nos direitos e obrigações perante terceiros, através de
simples notificação. Portanto o lojista respeitará a subrogação.

Quanto à dação em pagamento, é exatamente o que ja foi explicado por outra colega antes
de mim, ou seja, é o ato de pagar uma parte do preço da aquisição de um bem com outro
bem, e o saldo em dinheiro.

Digamos que você comprou um apartamento por R$100 mil, e vai dar o seu carro como
entrada no valor de R$ 30mil, neste caso, você contratualmente irá definir que parte do
preço será pago com "dação em pagamento" de um automóvel, marca XY, valor de R$ 30
mil, e o saldo será pago da seguinte forma.... bla bla bla.... em tantas vezes mensais, etc etc
etc....

O credor não pode ser obrigado a receber coisa diversa da que constitui objeto da
prestação. Porém, a substituição é permitida
acordo pelo qual consente na substituição é denominado dação em pagamento.
(GOMES, 2005).
Dessa forma, o objeto de prestação pode ser de qualquer natureza, exceto dinheiro de
contado: bem móvel o imóvel, fatos e abstenções. (MONTEIRO, 2003).
Sua natureza jurídica consiste em
pagamento indireto, por ser um acordo liberatório, com o intuito de extinguir a relação
obrigacional, derrogando o princípio que obriga o devedor a fornecer exatamente o objeto
prometido, pois lhe permite, com anuência do credor, entrega coisa diversa daquela a que
se obriga. (DINIZ, 2004, p.285).
Os requisitos para a dação em pagamento são: a existência de um débito vencido;
Animus solvendi (entrega da coisa pelo devedor ao credor no intuito de efetuar o
pagamento); diversidade do objeto oferecido em relação ao devido; e concordância do
credor na substituição.
Finalmente, de acordo com DINIZ (2004, p.287), o feito proposto pela dação em
pagamento é a “extinção da dívida, mas se o credor receber objeto não pertencente ao
solvens, havendo a sua reivindicação por terceiro, que prove ser seu proprietário, ter-se-á
evicção, restabelecendo-se a obrigação primitiva e ficando sem efeito a quitação dada”.

3. FORMAS DE PAGAMENTO INDIRETO

3.1. CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO


CONCEITO
HIPÓTESES EM QUE É ADMITIDA:
QUESTÃO: O rol do artigo 335 do CC/02 é taxativo ou exemplificativo?

3.2. PAGAMENTO EM SUB-ROGAÇÃO


CONCEITO
ESPÉCIES
QUESTÃO: Quais são os principais efeitos do pagamento em sub-
rogação?
3
QUESTÃO: Quais são as diferenças entre o pagamento em sub-rogação e
a cessão de crédito?

3.3. IMPUTAÇÃO EM PAGAMENTO


CONCEITO
3.4. DAÇÃO EM PAGAMENTO
CONCEITO
QUESTÃO: A dação em pagamento está restrita às obrigações de dar?
QUESTÃO: O que ocorre se houver a evicção da coisa dada?

3.5. NOVAÇÃO
CONCEITO
ESPÉCIES DE NOVAÇÃO

3.6. COMPENSAÇÃO

3.7. CONFUSÃO

3.8. REMISSÃO DAS DÍVIDAS

1. DO PAGAMENTO POR CONSIGNAÇÃO

Conceito
Consignação é o depósito judicial da dívida. Tal depósito é feito ou
porque há dúvida com relação ao credor, ou porque esse é incapaz de
receber, ou ainda, porque o credor se recusa em aceitar o pagamento ou
não quer quitar a obrigação. É um modo indireto do devedor se liberar da
obrigação.
O próprio Beviláqua diz que um modo indireto do devedor se liberar da
obrigação consiste no depósito judicial da coisa devida.
A consignatória gera três efeitos imediatos:
• evita discussão sobre o culpado pelo atraso;
• demonstra que o devedor queria cumprir a obrigação;
• retira o trabalho pela guarda da coisa a ser prestada.
Hipóteses da Consignação
O artigo 335 do Código Civil apresenta seis hipóteses em que a
consignatória tem lugar. Os Professores Washington de Barros Monteiro
e Silvio Rodrigues entendiam, porém, quando comentavam a disposição
análoga do artigo 973 do Código Civil de 1916 que a alteração do
dispositivo legal era meramente exemplificativa e citavam, como
exemplo, o artigo 591, parágrafo único, do Código Civil de 1916, em que
o Poder Público podia fazer uso dos bens particulares no caso de perigo
ou comoção, cabendo ao ente público, quando o particular não quer
receber o valor, depositar judicialmente.
Analisemos as hipóteses do artigo 335:
• Na hipótese do inciso I, o credor, que sem justo motivo, não puder ou

recusar-se a receber o pagamento ou dar quitação, incorre em mora.


Surge, nesse instante, uma faculdade do devedor, pois apenas está
provando não ser faltoso, já que a mora é da outra parte. Exemplo: numa
locação ex locato, o locador muitas vezes não quer receber o valor da
locação para ter motivo para o despejo. Aqui, o depósito vale como
pagamento. Este inciso ainda prevê a hipótese de consignação no caso do
credor negar-se em ofertar a quitação. O devedor, então, retém o
pagamento (artigo 319 do Código Civil) ou deposita em juízo (artigo
335, inciso I, do Código Civil). A segunda hipótese é a melhor porque
evita a alegação de impontualidade.
• O inciso II trata da hipótese da dívida quérable, em que o credor deve

ir buscar o crédito no domicílio do devedor, ao contrário da dívida


portable, em que o devedor deve ir efetuar o pagamento. Aqui, a inércia
do credor faz com que incida em mora, devendo o devedor depositar o
numerário.
• O inciso III menciona que, tratando-se de dívida portable, o devedor

deve levá-la ao domicílio do credor. Se, porém, este for incapaz de


receber, for desconhecido, estiver declarado ausente ou residir em local
incerto ou de difícil acesso, exigindo esforço extraordinário, pode o
devedor depositar o numerário.
• O inciso IV trata da dúvida sobre quem deve receber o objeto do

pagamento. Nessa hipótese, para que o devedor não pague mal, melhor é
que deposite em juízo. Exemplo: o depósito é justo quando o casal de
locadores se separa e os dois exigem o pagamento por parte do inquilino.
• Pendendo litígio sobre o objeto do pagamento, deve o mesmo ser

depositado. É o que especifica o inciso V: não paira dúvida sobre a


pessoa que o deve receber, porém o litígio garante o bom pagamento por
parte do devedor. O artigo 344 do Código Civil esclarece que, caso o
devedor pague para um dos litigantes, assume o risco de pagar mal e ser
obrigado a pagar duas vezes.
Requisitos
O artigo 336 do Código Civil apresenta quatro espécies de requisitos
para a consignatória ser válida e eficaz:
• Quanto às pessoas: a ação deve ser proposta contra o credor ou seu

representante, devendo figurar no pólo ativo o devedor ou terceiro que


tenha jurídico interesse, muito embora possa até não ter interesse na
demanda. Exemplo: é o caso da nora que paga a locação do sogro, pois
para o credor é indiferente quem efetua o pagamento.
• Quanto ao objeto: a prestação oferecida precisa ser íntegra, isto é,

precisa consistir na entrega do bem combinado na quantidade e qualidade


dispostas pelas partes. Exemplo: não cabe consignação da diferença
quando o pagamento precisa ser do total. Nesse caso estão incluídos os
juros vencidos e os legalmente devidos.
• Quanto ao tempo: a consignação deve ser efetuada no tempo

convencionado ou precisa vir acompanhada dos encargos da mora,


quando em atraso. Em havendo inadimplemento absoluto, isto é, quando
as prestações forem inúteis ao credor, o mesmo pode recusar o
recebimento. Se o prazo foi estipulado em benefício do devedor, e
normalmente o é, o pagamento pode ser anterior ao vencimento. Se,
porém, o prazo foi estipulado em benefício do credor, o devedor precisa
aguardar a data aprazada para efetuar o pagamento.
• Quanto ao lugar: segundo artigo 337 do Código Civil o depósito deve

ser feito no lugar convencionado entre as partes.

2. DO PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO


Conceito e Natureza Jurídica
Sub-rogação é a substituição do credor, que recebe o pagamento, por
quem paga a dívida ou fornece a quantia para o pagamento.
O pagamento é a forma mais pura de extinção das obrigações, pelo
próprio cumprimento. Aqui, o pagamento não foi efetuado pelo devedor
ao
credor, mas sim por uma terceira pessoa que não é o devedor, muito
embora a
obrigação se extinga em relação ao credor satisfeito. Remanesce, porém,
uma
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relação jurídica entre o terceiro e o devedor, sendo chamada sub-rogação.
Exemplo: no caso da locação, o fiador é tão responsável pelo
cumprimento da
locação quanto o locatário, muito embora o locatário seja o principal
devedor.
O fiador pode, esponte própria, pagar ao credor a dívida e se sub-rogar,
na
qualidade de credor, em relação ao devedor locatário. A dívida, em vez
de ser
extinta, é substituída em relação aos pólos da ação. Não há, portanto,
uma
extinção, mas sim uma substituição do pólo ativo da relação jurídica,
pois o
credor passa a ser outro, remanescendo o mesmo devedor.
A sub-rogação pode derivar por força de lei, sendo chamada sub-rogação
legal, ou por vontade das partes, sub-rogação convencional. A hipótese
da
fiança é uma hipótese de sub-rogação legal. Dois familiares ou amigos
podem
estipular que um deles pagará a dívida pelo outro ao credor, sub-
rogando-se
nos direitos.
Existem acessórios que seguem a dívida, de natureza real ou fidejussória,
sendo que tais acessórios remanescem no caso de sub-rogação, pois o
pagamento não extingue a obrigação. Em havendo, portanto, uma
hipoteca na
obrigação, transfere-se para o novo credor em relação ao devedor. Neste
caso,
temos a grande vantagem da sub-rogação, já que a dívida transfere ao
novo
credor que a pagou ao antigo credor com todos os acessórios e garantias
que a
guarnecem , não sendo necessário estabelecerem-se novas anuências.
O Prof. Silvio Rodrigues, citando Cole Capitant, diz que ambos, e mais
Pothier, acreditam que a sub-rogação é uma ficção de direito, pois a
obrigação
sobrevive com principal e acessórios, muito embora tenha ocorrido o
pagamento em relação ao pagador primígeno. Apesar dos três
verificarem a
hipótese dessa ficção, acreditam que o Direito moderno não precisa
recorrer à
ficção do Direito romano.
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O Prof. Silvio Rodrigues acaba concluindo que a sub-rogação é um
instituto autônomo, não se encaixando em nenhuma das classificações
jurídicas e seus institutos, anteriormente vistos.
3.2. Espécies de Sub-rogação
A sub-rogação pode ser legal ou convencional, dependendo da fonte da
qual derive.
A sub-rogação legal tem por fonte a lei,porque o próprio legislador
contempla a hipótese em que terceiros saldam os débitos de outrem,
conferindo-lhes a qualidade de credores. Essa sub-rogação independe da
vontade dos interessados. Já a sub-rogação convencional é a que emana
da
vontade das partes, tendo caráter puramente contratual.
3.2.1. Sub-rogação legal
Essa espécie de sub-rogação está estribada na idéia de uma convenção
tácita entre o credor e o sub-rogado, segundo a qual o credor cede ao
subrogado
os direitos que tinha em face do devedor. O artigo 346 do Código Civil
estabelece as hipóteses de sub-rogação legal:
• A hipótese do inciso I é aquela em que, em havendo dois ou mais

credores em relação ao débito, aquele que paga em nome do devedor


se sub-roga em todas as preferências dos demais credores. Ex.: em
havendo dois credores, sendo um deles credor hipotecário e outro
credor quirografário, pode o credor quirografário pagar ao
hipotecário, passando a ser credor hipotecário.
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• A hipótese prevista no inciso II diz respeito à sub-rogação legal
quando o adquirente do imóvel hipotecado paga ao credor
hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não
ser privado de direito sobre o imóvel. Nesse caso, o adquirente paga a
dívida do alienante para elidir a execução sobre o imóvel,
remanescendo a sub-rogação. Essa hipótese é inútil e rara. Apenas
tem utilidade quando existe mais de uma hipoteca, pois, caso
contrário, o adquirente sub-rogado terá seu crédito assegurado por
seu próprio imóvel. No caso de hipoteca, caso resgate a primeira,
adquire preferência sobre os outros credores hipotecários. A hipótese
é rara porque ninguém adquire o imóvel sem a certidão negativa de
ônus reais.
• Também há sub-rogação legal, conforme o inciso III, quando o

terceiro interessado, na qualidade de solidário, paga a dívida na qual


podia ser compelida a fazê-lo no todo ou em parte. Nesse caso, o
devedor solidário, que paga a totalidade da dívida, paga muito além
do que deve, incluindo débitos de co-obrigados. Ele se sub-roga nos
direitos do credor. O mesmo ocorre em relação a coisas indivisíveis,
como a fiança, já mencionada.
3.2.2. Sub-rogação convencional
A sub-rogação convencional ocorre por iniciativa do credor, pois este,
independentemente da vontade do devedor, procura alguém para assumir
o seu
crédito. Também pode acontecer por iniciativa do devedor, sem a ciência
do
credor, para que alguém venha a saldar a dívida sub-rogando-se nos
direitos da
obrigação. Sempre precisa ocorrer a sub-rogação contemporânea ao
pagamento; caso contrário o pagamento extingue a obrigação. Surgindo
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obrigação nova, não haverá sub-rogação, mesmo que os acessórios sejam
idênticos, pois a obrigação morta não ressuscita.
De acordo com o inciso I do artigo 347 a sub-rogação é convencional
quando o credor recebe o pagamento de terceiro, que expressamente lhe
transfere todos os seus direitos. Aqui temos o instituto análogo à cessão
de
crédito, até porque pode ter valor especulativo.
O artigo 347, em seu inciso II, apresenta a hipótese de uma terceira
pessoa emprestar ao devedor a quantia para solver a dívida,
remanescendo o
mutuante nos direitos do credor satisfeito, independente da vontade do
credor.
O devedor passa a transmitir um bem que, na realidade, encontra-se em
patrimônio alheio. O credor primitivo não pode se opor, já que, por
questão
lógica, o que ele quer é a satisfação de seu crédito. Para que ocorra esta
última
espécie de sub-rogação, é necessário que a mesma seja simultânea ao
pagamento, que o empréstimo quite a dívida anterior e que o pagamento
subrogue
o mutuante nos direitos do antigo credor.
4. DA DAÇÃO EM PAGAMENTO
4.1. Conceito
A dação em pagamento é uma forma de alteração do vínculo, em que o
credor pode consentir em receber coisa que não seja dinheiro,
substituindo a
prestação devida (artigo 356 do Código Civil).
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O artigo 313 do Código Civil já esclarecia que o credor não era obrigado
a receber outra coisa, ainda que mais valiosa, quando o objeto era coisa
certa.
Esse critério advém da segurança das relações jurídicas. O credor pode,
entretanto, consentir em receber um bem substituindo outro, ocorrendo
uma
dação em pagamento.
A origem da dação em pagamento é a datio insolutum do Direito
romano, no qual, no processo da execução, o devedor podia substituir um
bem
por outro para que o bem não fosse vendido por preço vil. No início era
até
proibido pelo Digesto. A dação em pagamento, portanto, é a execução do
débito por meio de objeto não avençado, consentindo o credor.
A dação em pagamento tem natureza jurídica própria, porém tem muito
da compra e venda e muito da cessão de crédito. Há quem entenda que a
dação
em pagamento é uma modalidade de novação por mudança de objeto. O
credor
consente em substituir seu crédito antigo por um novo, cujo objeto é
diferente.
Esse crédito novo vigora por pouquíssimo tempo, isto é, desde a
convenção até
o efetivo pagamento. A dívida passa, portanto, a ser renovada, ou
melhor,
novada. Nesse sentido, a dação está embutida numa novação
subentendida,
conforme preceitua o grande Planiol.
4.2. Requisitos para a Dação
• A coisa dada em pagamento deve ser diferente do objeto pactuado.

• O credor deve concordar com a substituição.


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5. DA NOVAÇÃO
5.1. Conceito
A novação é uma forma de pagamento por meio da alteração da natureza
do vínculo, em que ocorre a transmudação em outro, do débito anterior,
alterando a causa da relação jurídica. As partes criam obrigação nova
para
extinguir uma antiga.
Ocorre o perecimento da obrigação originária, surgindo outra que toma o
seu lugar. Surge um processo de simplificação, pois, num único ato,
extinguese
uma obrigação antiga, iniciando-se uma nova. Temos como exemplo a
hipótese do mutuário que, por ocasião do vencimento, indica um devedor
seu
para liquidar a prestação, obtendo a concordância de todos. Nasce uma
nova
dívida entre outras pessoas não originariamente vinculadas.
Temos novação tanto na modificação do objeto quanto na modificação
do sujeito ativo ou passivo da obrigação, ocorrendo a novação objetiva
ou
subjetiva.
5.2. Espécies
Objetiva
Novação Ativa
Subjetiva
Passiva
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A novação será objetiva quando a obrigação nova apresentar um
elemento novo no campo do objeto ou da causa da obrigação. Sendo o
esse
elemento o sujeito da obrigação, temos a obrigação subjetiva, que pode
trazer
esse elemento tanto no pólo ativo quanto no pólo passivo, novação
subjetiva
passiva.
O artigo 360 do Código Civil apresenta a classificação, dispondo no
inciso I, a novação objetiva. Aqui, o objeto da obrigação se altera.
Exemplo: o
devedor concorda em receber uma indenização em dinheiro. Pode haver
mudança na causa da obrigação. Exemplo: o devedor de aluguéis
declara-se
vinculado a um contrato de mútuo. O inciso II trata da novação subjetiva
passiva, pois a pessoa do devedor se altera. Há uma delegação, na qual o
devedor indica um terceiro para resgatar o débito.
Temos também o instituto da expromissão, figura na qual o terceiro
assume o débito sem haver pedido do devedor, havendo apenas a
concordância
do credor. O artigo 362 do Código Civil autoriza, afirmando que a
novação,
por substituição do devedor, pode ser efetuada independentemente do
consentimento deste.
No artigo 360, inciso III, do Código Civil, é apresentada a novação
subjetiva ativa em que a figura do credor sofre alteração. Por meio de
nova
obrigação, o primitivo credor deixa a relação jurídica e o outro toma o
seu
lugar.
Esse instituto tem pouca valia porque outros são mais interessantes,
como a cessão de crédito e a cessão de contrato, além da sub-rogação.
Até por
isso, alguns códigos mais modernos deixam de disciplinar a matéria. A
novação extingue a dívida primitiva, fazendo surgir uma nova, sem os
acessórios da dívida originária. Segundo o artigo 364 do Código Civil as
garantias das dívidas e dos acessórios remanescem extintos pela novação,
pois
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o acessório segue sempre o principal. Ademais, a novação é interessante
para a
transmissão das obrigações, pois a rigidez do sistema do Direito romano
tornava as obrigações imutáveis, sendo a novação um mecanismo
flexível. A
novação somente era admitida quando o objeto da dívida permanecia o
mesmo
(no sistema romano).
5.3. Pressupostos da Novação
Os autores variam com relação ao número de pressupostos para
caracterizar a novação. O Prof. Silvio Rodrigues, porém, apresenta cinco:
• Existência de obrigação anterior: a própria finalidade da novação é a

extinção da obrigação anterior. Se não há obrigação anterior, não há


finalidade para a novação, porque a novação equivale ao pagamento e
pressupõe uma dívida.
• Criação de uma obrigação nova: a novação só pode ser concebida

por meio do surgimento de uma nova relação jurídica ou da extinção


da primeira obrigação, havendo uma substituição automática. Assim
há uma correlação direta entre a nova relação jurídica, que surge com
a extinção da anterior, que, caso haja nulidade absoluta ou relativa do
segundo negócio, faz com que as partes retornem ao negócio
originário com todas as suas características (artigo 182 do Código
Civil).
• O elemento novo: a segunda obrigação para traduzir uma novação

precisa inserir um elemento novo que recaia sobre os sujeitos ou


sobre o objeto da ação. Se a dívida e as partes continuam as mesmas,
não há novação.
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• “Animus novandi” esse é o elemento subjetivo psicológico do
negócio. Para tal, as partes precisam desejar a extinção de uma
obrigação e a criação de outra e, além disso, precisam querer que,
com a segunda obrigação, haja a extinção da primeira. Caso não haja
essa vontade de criar uma obrigação nova, a segunda obrigação
apenas confirma a primeira, conforme o artigo 361 do Código Civil.
Por isso, a obrigação nova, para ter eficácia , precisa resultar de ato
inequívoco das partes em novar. Tal ônus é sempre pesado para a
parte, que é o de demonstrar que houve a vontade de novar, pois o
que normalmente acontece é a subsistência das duas ações.
• Capacidade e legitimação das partes: todo o negócio jurídico

necessita que as partes sejam capazes, principalmente no caso de


novação em que, além da criação de uma obrigação, há a extinção de
outra. A questão da legitimação também é muito importante, pois o
procurador só pode novar se tiver poderes expressos para isso. A
capacidade necessária é a de contratar e transigir, pois há o
perecimento da primeira obrigação.
5.4. Efeitos da Novação
O principal efeito da novação tem como preceito precípuo a extinção da
obrigação anterior em relação ao seu principal e aos seus acessórios. Isso
porque o acessório segue o principal, de forma que, extinguindo-se o
primeiro,
extingue-se o segundo. Exemplo: juros.
O segundo efeito, conforme previsto no artigo 364 do Código Civil,
permite que as partes expressamente convencionem no sentido de
possibilitar a
sobrevivência dos acessórios na obrigação nova, o que pode acontecer
em
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relação a arras, cláusula penal, juros etc. Tais acessórios, porém, são
novos, já
que há uma nova obrigação entre as partes e, por serem novos, não
vinculam
terceiros que, expressamente, não consintam. Aliás, o artigo 366 do
Código
Civil, confirma a regra no sentido de que o fiador, devedor-acessório,
apesar
de ser solidário, não pode ser executado na hipótese da novação sem o
seu
expresso consentimento. Para isso, ele precisa prestar uma nova fiança. O
mesmo se diz em relação ao artigo 364 do Código Civil, que aborda os
direitos
reais em garantia e em relação à solidariedade, prevista no artigo 365 do
Código Civil.
6. DA COMPENSAÇÃO
6.1. Conceito
A palavra "compensação" deriva do verbo compensar (pensare cum), e
traz a idéia da balança com um peso em cada um dos lados. Se os dois
pesos
forem iguais, haverá um perfeito equilíbrio, anulando-se a obrigação. Se
os
pesos forem desiguais, o equilíbrio não ocorrerá até a concorrência do
peso
mais fraco.
Compensação, portanto, é a extinção recíproca de obrigações até a
concorrência dos respectivos valores entre pessoas que são devedoras
uma da
outra. O artigo 368 do Código Civil informa que, na hipótese em que
duas
pessoas forem, ao mesmo tempo, credoras e devedoras uma da outra,
haverá
extinção das obrigações até o montante da compensação. Até o ponto da
equivalência haverá extinção das obrigações.
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6.2. Espécies
Temos três espécies de compensação:
• legal: compensação que advém por mandamento de lei.

• voluntária: que ocorre por convenção entre as partes.

• judicial: que decorre de sentença do juiz em reconvenção.

A compensação convencional decorre apenas da vontade das partes. O


Brasil não adota esse sistema, porém o mesmo vem disposto no Código
Suíço
das Obrigações.
Importante esclarecer que, apesar de o Brasil não adotar o sistema da
compensação convencional, podem as partes convencionar a
compensação, em
que esta não ocorre por faltar algum pressuposto para tal.
A compensação judicial também é chamada reconvencional, porque o
juiz verificará, em sede de reconvenção, a matéria, hipótese em que,
mesmo
sendo uma dívida ilíquida, o juiz poderá torná-la líquida e compensá-la.
O
Prof. Silvio Rodrigues discorda da possibilidade de o juiz compensar
créditos,
pois ou eles existem por força da lei, ou não existem, e o juiz deve
abster-se de
agir.
6.3. Pressupostos da Compensação
Para que a compensação opere de forma automática, independentemente
da vontade das partes, por força exclusiva da lei, precisa decorrer de
pressupostos cumulativos e indispensáveis à sua configuração:
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• Reciprocidade das obrigações: é o elemento mais importante na
compensação, pois as obrigações contrapostas extinguem-se por
haver direitos opostos. É exatamente a hipótese em que duas pessoas
são reciprocamente credoras e devedoras uma da outra.
• Liquidez das dívidas: segundo o artigo 944 e seguintes do Código

Civil a obrigação líquida é certa quando a existência é determinada


quanto ao objeto. As dívidas devem ser líquidas, vencidas e fungíveis
(artigo 369 do Código Civil). Não é concebível a compensação se
não há certeza e não se sabe o montante da dívida. O Código Civil
brasileiro não adotou a tese do Código italiano, que permite a
compensação da dívida ilíquida quando a liquidez for fácil e rápida.
• Exigibilidade atual das prestações: é óbvio que a compensação só

pode ocorrer quando as dívidas estiverem todas vencidas, pois o


devedor tem direito ao prazo, não precisando o mesmo abrir mão
para que se opere a compensação. Se uma dívida está para vencer,
impossível a compensação. Exemplo: moratória.
• Fungibilidade dos débitos: não basta as prestações serem fungíveis,

devem também ser fungíveis entre si. Animais e produtos agrícolas


são fungíveis, porém não há compensação entre eles, pois não há
homogeneidade. É necessário que os objetos sejam permutáveis. O
artigo 452 do Código Civil confirma que a própria qualidade, além da
espécie, pode ensejar a não-compensação.
6.4. Dívidas Não-compensáveis
O artigo 375 do Código Civil determina que, no caso de renúncia de um
dos devedores, não poderá haver compensação. Apesar de a lei,
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compulsoriamente, dispor da compensação, as partes podem dispensá-la
por
ato unilateral de qualquer uma delas.
O legislador, no artigo 373 do Código Civil, impediu a compensação nos
seguintes casos:
• Se uma das causas provier de esbulho, furto ou roubo: tais créditos

são incompensáveis, pois não geram obrigações voluntárias, sendo de


fonte ilícita. Sendo o fato jurídico um fato ilícito, é certo que o ilícito
não gera conseqüências no mundo jurídico, gerando apenas
responsabilidade.
P.: Há compensação quando o débito do agente do esbulho, furto ou
roubo, for em dinheiro, por ter se convertido em indenização?
R.: Duas teses são defendidas. O Prof. Silvio Rodrigues entende que, no
momento em que o objeto criminoso deixou de ser coisa certa e se
converteu
em moeda, pode a compensação ocorrer porque o credor não precisa
perscrutar
da origem do dinheiro.
• Se uma das dívidas se originar de comodato, depósito ou alimentos:

no caso de comodato, temos o empréstimo de um bem infungível,


que é incompensável. No depósito, a parte também tem obrigação de
devolver a coisa certa, não cabendo compensação. O débito alimentar
é incompensável, pois o mesmo tem a natureza de bens da
personalidade a fim de garantir a sobrevivência da pessoa.
• Se uma das dívidas for coisa não suscetível de penhora: se o bem é

impenhorável é porque está fora do comércio ou o legislador quis


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proteger o devedor. Dessa forma, se houvesse a compensação,
haveria a alienação, frustrando o escopo da impenhorabilidade.
Por fim, as dívidas fiscais, conforme o artigo 374 do Código Civil,
também não podem ser compensadas.
6.5. Renúncia à Compensação
A renúncia pode acontecer de maneira unilateral (artigo 375 do Código
Civil), isso é, por vontade de uma das partes, quando essa for a
desfavorecida,
ou de maneira bilateral (artigo 376 do Código Civil), por convenção das
duas
partes.
O artigo 376 do Código Civil é supérfluo, pois as partes podem
convencionar a compensação, até porque estamos tratando de direitos
disponíveis, ainda que os requisitos legais não estejam presentes.
A dificuldade está no prejuízo que a compensação pode trazer a
terceiros. É bom deixarmos assentado que a renúncia só pode ocorrer
nesse
caso se o terceiro, por exemplo, o fiador, não restar prejudicado, sob
pena de
vedação do instituto.
A renúncia unilateral impede a compensação (artigo 375 do Código
Civil) anterior à efetivação, pois, se fosse posterior, ressuscitaria a dívida
por
vontade de uma das partes, o que é impossível. Ela ocorre quando o
devedor
previamente abre mão de benefícios que adviriam da compensação.
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7. DA TRANSAÇÃO
7.1. Conceito
Transação é o ato jurídico pelo qual as partes, fazendo concessões
recíprocas, extinguem obrigações litigiosas ou duvidosas.
O artigo 840 do Código Civil menciona claramente que os litígios podem
se extinguir por meio de concessões mútuas. A transação, portanto, é um
meio
de concessões recíprocas.
P.: Por que as partes optam pela transação?
R.: Para evitar os riscos da demanda; para liquidar pleitos em que se
encontram envolvidas; para evitar a morosidade das lides.
7.2. Natureza Jurídica
Várias são as posições sobre a natureza jurídica da transação. Muitos
encaram a transação como um contrato, e vários Códigos europeus
(França e
Itália) discorrem sobre a transação no capítulo dos contratos. No Brasil, o
Código Civil disciplinou a matéria entre os modos de extinção das
obrigações.
Beviláqua diz que a transação é um ato jurídico bilateral, sendo um
contrato, muito embora também diga que não é propriamente um
contrato.
Para Carnelucci a transação é a solução contratual da lide. É “o
equivalente contratual da sentença”, e o artigo 849 do Código Civil
informa
que a transação só se anula por vício de vontade e não se anula por erro
de
direito.
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7.3. Elementos de Transação
• Acordo entre as partes: é claro que, se a transação tem natureza

contratual, o acordo entre as partes, nesse negócio bilateral, é


conditio sine qua non da transação.
• A vontade de pôr fim em relações contrapostas: como já vimos,

conforme o artigo 840 do Código Civil a transação é a forma de


extinção de vontades contrapostas. É indispensável a existência de
dúvida na relação jurídica, poisas partes jamais fariam acordo se
tivessem absoluta certeza de seus direitos. Tal dúvida pode recair no
resultado da demanda e em outros elementos incidentais, ainda que a
parte creia que será vitoriosa na demanda. Se não pairar nenhuma
espécie de dúvida, não há que se falar em transação.
Tanto isso é verdade que, se já há sentença transitada em julgado, é nula
a transação quando qualquer uma das partes não tenha ciência a respeito
desse
fato (artigo 850 do Código Civil),porque, até o trânsito em julgado, não

mais res litigiosa.
• Concessões recíprocas: para haver transação, as partes precisam abrir

mão de seus direitos ou de parte deles. A parte sacrifica seu direito


em prol de paz.
7.4. Formas de Transação
Existem duas espécies de transação:
• judicial: celebrada em juízo;

• extrajudicial: celebrada fora dele.


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A transação judicial pode ser feita por termo nos autos, por meio de
escritura pública ou, ainda, por instrumento particular, conforme dispõe o
artigo 842, do Código Civil.
A transação extrajudicial deve ser feita por escritura pública, conforme o
artigo 842 do Código Civil ou, ainda, por escritura particular, quando não
for
exigida escritura pública. O Prof. Washington de Barros Monteiro diz
que não
é necessária a forma sacramental nas hipóteses de escrito particular,
podendo
constar de simples recibo.
7.5. Objeto da Transação
Segundo o artigo 841 do Código Civil a transação só existe em direitos
patrimoniais de caráter privado. Os bens fora do comércio e os bens de
caráter
privado, inclusive os publicistas, estão eliminados do objeto da
transação.
• Direitos personalíssimos: tanto os direitos personalíssimos quanto as

coisas inalienáveis não podem ser negociados. Incluímos, ainda,


todos os bens e direitos de família. Ex.: guarda de filho não pode ser
transacionado com dinheiro.
• Ordem pública: todas as questões que envolvem ordem pública não

são transacionadas. A transação concernente a obrigações resultantes


de delito não perime a ação penal da Justiça Pública, mesmo se as
partes fizerem acordo na esfera cível, afora as hipóteses da Lei n.
9.099/95, na qual a transação penal põe termo à própria ação penal.
Nos demais casos não põem.
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7.6. Efeitos da Transação
• Eficácia inter partes: por estarmos falando de contrato, a transação só

pode vincular as partes que, voluntariamente, se obrigam, motivo


pelo qual a transação não aproveita e nem prejudica os intervenientes
e os interessados (artigo 844 do Código Civil).
• A transação é contrato extintivo: desaparecendo a obrigação litigiosa,
desaparecem os acessórios, inclusive a fiança. Por isso, o § 1.º do
artigo 844 dispõe que, na compensação principal, restará desobrigado
o fiador. Para sobreviver à fiança, é indispensável a anuência
expressa do fiador. O mesmo acontece em relação aos devedores
solidários, pois a transação feita por qualquer um deles em relação ao
credor, extingue com relação aos demais (artigo 844, § 3.º, do Código
Civil), sendo que, para manter obrigados os demais devedores, é
indispensável uma nova relação jurídica.
• Efeitos declaratórios da transação: a transação não transmite

direitos, apenas os reconhece e os declara (artigo 843 do Código


Civil). O legislador presume iures ad iure, presunção absoluta de que
os direitos reconhecidos na transação já estão incorporados no
patrimônio de cada uma das partes; portanto, não são passíveis de
aquisição. Essa é uma ficção do direito, pois na realidade as partes
estão abrindo mão de parcelas de seus direitos na transação. O efeito
da transação é declaratório, não constitutivo.
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8. CESSÃO DE CRÉDITO
8.1. Conceito
Cessão de crédito é um negócio jurídico bilateral, gratuito ou oneroso,
pelo qual o credor de uma obrigação (cedente) transfere, no todo ou em
parte,
a terceiro (cessionário), independentemente do consentimento do
devedor
(cedido), sua posição na relação obrigacional, com todos os acessórios e
as
garantias, salvo disposição em contrário, sem que se opere a extinção do
vínculo obrigacional.
Trata-se de um contrato em que o cedente transmite seu direito de
crédito, no todo ou em parte, ao cessionário, que o adquire, assumindo
sua
titularidade.
O cedido (devedor) não intervém no negócio jurídico, pois sua anuência
é dispensável. Basta que se lhe comunique a cessão, para que se saiba
quem é
o legítimo detentor do crédito para que se efetue o pagamento no
momento
oportuno. O cedente ou o cessionário notifica o cedido.
8.2. Modalidades
• Gratuita ou onerosa: o cedente pode exigir ou não uma

contraprestação do cessionário.
• Total ou parcial: se total, o cedente transferirá todo o crédito; se

parcial, o cedente poderá permanecer na relação obrigacional, caso


retiver parte do crédito.
• Convencional, legal ou judicial: a convencional é a que decorre da

livre e espontânea declaração de vontade entre cedente e cessionário.


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A legal resulta da lei, independentemente de qualquer declaração de
vontade, determinando, a mesma, a substituição do credor. Ex.:
subrogações
legais (artigo 346 do Código Civil). O sub-rogado adquire
os direitos do credor primitivo. A judicial advém da sentença judicial.
Exemplo: sentença condenatória que supre declaração de cessão por
parte de quem era obrigado a fazê-la.
• “Pro soluto” e “pro solvendo”: cessão pro soluto é aquela em que

há quitação plena do débito do cedente para com o cessionário,


operando-se a transferência do crédito, que inclui a exoneração do
cedente. O cedente transfere o seu crédito com a intenção de
extinguir imediatamente uma obrigação preexistente, liberando-se
dela, independentemente do resgate da obrigação cedida. O
cessionário corre o risco de insolvência do devedor (cedido), desde
que o crédito exista e pertença ao cedente, considerando-se extinta a
dívida antiga desde o instante da cessão. A cessão pro solvendo é a
transferência de um direito de crédito, feita com o intuito de extinguir
uma obrigação, o que não acontecerá de imediato, mas apenas na
medida em que o crédito cedido for definitivamente cobrado.
8.3. Requisitos
De acordo com o artigo 104 do Código Civil, temos como requisitos a
capacidade das partes, o objeto lícito e a forma legal.
• Capacidade das partes: a cessão exige tanto a capacidade genérica

como a capacidade especial do cedente e do cessionário. O cedente


precisa ter poder de disposição. Se o cedente for incapaz, necessita de
prévia autorização judicial (artigo 1.691 do Código Civil). A cessão
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por procuração exige instrumentos especiais. Tratando-se de cessão
de direito real é necessária a anuência expressa do outro cônjuge. O
cessionário também deverá ter o poder de tomar o lugar do cedente,
pois estará adquirindo direito creditício. Exemplo: o tutor não poderá,
de nenhuma forma, constituir-se cessionário de crédito do pupilo
(artigo 1.749 do Código Civil).
• Objeto da cessão: qualquer crédito pode ser cedido (artigo 286 do

Código Civil). São incedíveis:


- direitos personalíssimos. Exemplo: créditos alimentícios, salários;
- direitos legalmente incedíveis. Exemplo: herança de pessoa viva
(artigo 426 do Código Civil), os pactos adjetos à compra e venda,
como, por exemplo, pacto de melhor comprador (artigo 1.158 do
Código Civil de 1916);
- direitos convencionados com o devedor.
• Forma da cessão: o sistema legal não exige forma específica para a

cessão de crédito. A cessão é um negócio não solene, podendo ser


aperfeiçoado com a simples declaração de vontade do cedente e do
cessionário. Para surtir efeitos em relação a terceiros, de acordo com
o artigo 288 do Código Civil, a mesma deve ser celebrada por
instrumento público ou particular. Se efetuada por instrumento
particular, deverá ser subscrita por duas testemunhas e transcrita no
registro competente (arts. 127 e seguintes da Lei de Registros
Públicos).
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8.4. Efeitos Jurídicos
• Entre as partes contratantes (cedente e cessionário): o cedente

assume uma obrigação de garantia, responsabilizando-se perante o


cessionário pela existência do débito ao tempo da cessão. O cedente
responde:
- caso o crédito não exista no momento da cessão, o negócio será
nulo por falta de objeto;
- quando o cedente não for o titular do crédito;
- quando houver vício no crédito;
- quando o crédito for incessível.
São obrigações do cedente:
- prestar as informações solicitadas pelo cessionário;
- entregar os documentos para que o cessionário possa realizar o
crédito.
O principal efeito da cessão é transmitir para o cessionário a titularidade
da relação jurídica. Com o óbito do cedente, o cessionário poderá
prosseguir
na causa, juntando aos autos seu respectivo título e provando sua
identidade
(artigo 404 do Código Civil). O cessionário terá direito de promover a
execução ou nela prosseguir (artigo 567, inciso II, do Código de
Processo
Civil).
• Em relação ao devedor:
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- antes da notificação: o devedor poderá pagar válida e
legitimamente ao credor originário como se não tivesse havido
cessão. Aliás, até a notificação, o cessionário só pode acionar o
cedente (artigo 292 do Código Civil);
- após a notificação: a cessão passa a vincular o devedor ao
cessionário, de tal forma que deverá pagar o débito a ele. Se, por
ventura, mais de uma cessão for notificada, pagará ao cessionário
que lhe apresentar o título da cessão da obrigação cedida (artigo
292 do Código Civil). Caso nenhum cessionário apresente o título
da dívida, o devedor deverá consignar em juízo para obter a
exoneração. O devedor poderá opor as exceções tanto ao
cessionário quanto ao cedente. Se a obrigação for passível de
anulação por vício, o devedor poderá argüir tal exceção contra o
cedente e contra o cessionário.