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Questões Dirigidas Aula 6

Explique, em linhas gerais, o significado do termo “acumulação primitiva permanente”,
utilizado por Rosa Luxemburgo em “A acumulação do Capital” e a crítica que ele
apresenta em relação ao esquema da reprodução ampliada de Marx.
R: Em contraste com a teoria da reprodução ampliada de Marx que pressupõe que existe um
domínio geral e exclusivo do modo de produção capitalista onde essa produção conhece apenas
consumidores capitalistas e operários, e que a mais-valia é consumida totalmente pela classe
capitalista, Rosa Luxemburgo acredita que as condições reais da acumulação de capital total se
difere inteiramente as condições da reprodução simples, pois a mais-valia não pode ser realizada
nem por operários, nem por capitalistas, mas sim por compradores vindo de camadas sociais ou
de sociedades que não produzam pelo modo capitalista. O colonialismo, por exemplo, é um
meio de apropriação de capital não-capitalista onde pode-se observar em alguns casos que , a
partir do fornecimento de meios de consumo à camadas sociais e países não-capitalistas, ocorre,
em função do desenvolvimento da industria de meios de consumo, uma demanda crescente,
devido a sua própria acumulação, por meios de produção, auxiliando a industria produtoras
desses meios de produção na realização da mais-valia. A acumulação primitiva nada mais é do
que essa apropriação de capital oriundo das camadas sociais de funcionários, profissionais
liberais, clérigos, etc.(não-capitalista), ou de países não-capitalista de produção.
Tomado como referêncio o texto de Rosa Luxemburgo, de Maria Aparecida de Moraes e ,
eventualmente, fatos contemporâneos, dê exemplos de processos históricos de
“acumulação primitiva”, apontando seus agentes e as consequências que alcançaram a
população expropriada.
Antes da vinda dos colonizadores ingleses, a antiquíssima organização econômica das
comunidades aldeãs comunistas indianas permaneceram inabaláveis por milênios, mesmo
passando por diversas invasões. A isso se deve a nula interferência dos conquistadores na vida
social interna da massa camponesa e sua estrutura tradicional. Os ingleses, entretanto, ao
apossar-se do solo, alegando serem de propriedade política as terras locais, privaram os
camponeses da condição básica da existência da comunidade indiana. Tamanho foram as
cobranças de impostos que os ingleses passaram a apoderar-se de quase todo o rendimento do
trabalho da população. A consequência quase que inevitável foi o arrendamento de terra por
parte dos camponeses. Dessa forma, surgiu, em pouco tempo, a grande propriedade fundiária,
concomitantemente os camponeses foram se tornando uma massa empobrecida de pequenos
arrendatários por curto prazo.
Na Argélia, mesmo após o domínio turco que se estabelecera durante o século XVI, a massa da
população árabe-cabila era dirigida por instituições econômicas sociais muito antigas, que
conseguiram se preservar até a transformação da Argélia em colônia francesa. Mesmo a
propriedade privada se fazendo valer nas cidades, no campo mais da metade das terras
cultivadas eram constituídas por propriedades indivisas das tribos árabe-cabilas, regidas por
costumes antiquíssimos; entre os árabes predominava o regime de propriedade coletiva da
família, entre a grande família cabila o regime, no geral, era patriarcal e de acordo com as regras
tradicionais do sistema. A colonização francesa se deu, na Argélia, em um período de
convulsões na política interna, o que tornou o objetivo de tornar a burguesia capitalista e sua
forma de propriedade dominante na colônia muito longo. A primeira tentativa de expropriação
ocorreu de forma semelhante à prática inglesa: toda terra pertenceria aos detentores atuais do

logo em seguida. Novamente. O objetivo inicial fracassou. A segunda empreitada francesa tomou rumes diferentes: o governo resolveu reconhecer a propriedade famílias para. a especulação. proclamar a sua partilha. O estardalhaço criado pela colonização francesa durante oitenta anos enfraqueceu a resistência árabe que encontraram como saída a maciça migração para a Tunísia asiática. A enxurrada de leis serviu na produção de uma imensa confusão nas relações de propriedade no país. as únicas consequências foram a especulação imobiliária desenfreada. A Terceira República novamente falhou por pretender. a crescente agiotagem e a ruína econômica dos nativos. A divisão do território familiar. subitamente. entretanto. a agiotagem e a anarquia. introduzir a propriedade privada burguesa em uma organização familiar comunista agrária. esbarrou novamente nas resistências intransponíveis dos costumes árabes. .poder. generalizando a insegurança nessas relações.