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A DINÂMICA DA DOR II

Texto extraído do Livro: Energética da Essência, cap. 13 - John Pierrakos

O Apego à Dor
Se a ordem natural pede que a corrente vital flua livremente e gere prazer, por que os
seres humanos se prendem tão fortemente à negatividade e à dor? Por que é tão difícil
abandonar a dor? Por que tantas pessoas sofrem? A maioria das pessoas ficaria chocada com
a idéia de que prefere a dor ao prazer. Mas existem várias razões para os seres humanos se
agarrarem a suas dores. As pessoas criam a dor brecando o fluxo dos sentimentos positivos e
também dos negativos. Sentimentos de amor e expansividade podem ser bloqueados, assim
como sentimentos de rancor, medo ou desejo de vingança. Uma parte da pessoa quer
movimento e prazer, mas outra parte não quer saber desses bons sentimentos. A parte que
inibe os sentimentos de prazer é inconsciente. Mas a pessoa exprime de várias maneiras essa
convicção: “Não quero ajuda. Não quero sentir prazer. Quero ficar com a minha dor.” A pessoa
prefere a dor, porque é segura e conhecida. Há segurança nela. E a dor dá à pessoa um senso
de limite.
A pessoa pode se rebelar contra a dor, mas continua sentindo que a merece. É o preço
pago por alguma outra coisa, por “benefícios” que vêm da dor. As pessoas se agarram à dor
para fazer com que os outros cuidem delas, para atrair simpatia e atenção. Observe, por
exemplo, o hipocondríaco que se queixa constantemente de um mal-estar ou outro. Ou a dor
pode ser usada para punir os outros. As pessoas sentem um prazer secreto em se vingar dos
outros por aquilo que lhes falta. A dor pode proporcionar benefícios e segurança, mas de
maneira distorcida. O preço é dor intensa e muita doença. O que se deixou de lado, aqui, é que
as pessoas podem ter um desejo negativo de dor. Muitas vezes, a pessoa não percebe esse
desejo. O desejo negativo gera uma tensão, que produz a dor. Mas, devido à falta de
autoconsciência, existe um hiato na compreensão da pessoa, entre o desejo negativo e a
criação da dor.
O hiato gera confusão, porque, conscientemente, a pessoa diz: “Não quero a dor; está
brincando comigo?” A confusão surge porque a pessoa não sabe que a outra parte existe. A
conexão entre causa e efeito - desejo e dor – se perde no hiato da compreensão. Essa falta de
conexão ocorre em todos nós e gera dor nos níveis físico, emocional e mental.

Origens do Apego
O apego à dor é incrustado na entidade humana durante as primeiras experiências da
infância, quando os sentimentos e a sexualidade são inibidos pelos pais e pela sociedade. Em
certo sentido, esse apego é fixado pelos mesmos processos que detonam inicialmente a dor.
Já vimos, no Capítulo 10, como essas atitudes dos pais afetam as crianças, fazendo com que
se enrijeçam e criem generalizações sobre a vida e as pessoas. Ao contribuir para o bloqueio
da sexualidade, os pais afetam a pessoa inteira, porque a sexualidade incorpora amor, Eros e
as forças biológicas, como é descrito no Capítulo 21. Os três elementos integram a força vital.

Já que bloquear totalmente a corrente vital e o livre fluxo do princípio do prazer
significaria morte, a criança adota outras estratégias. Em parte, o princípio do prazer está
ligado a atitudes e emoções negativas. Muitas vezes, a negatividade é acompanhada de
excitação e prazer. Isso pode ser observado mais claramente em pessoas com tendências
sádicas. Pessoas casadas, por exemplo, podem viver durante semanas ou meses num
relacionamento mortiço e insosso. O fluxo de energia é muito baixo. Mas uma delas não
consegue suportar a falta de energia e excitação e provoca uma briga. A briga pode ser
destrutiva, mas contém vida e energia. A negatividade flui entre os parceiros por algum tempo.
Então, conseguem fazer as pazes e se amar até que o prazer se tome novamente insuportável.
Na infância, a corrente bloqueada de energia produz dor e uma fixação inconsciente de
prazer nas atitudes negativas. Ao mesmo tempo, a imagem, ou concepção errônea, é
produzida e também se toma inconsciente. Quando vem à superfície, a fixação inconsciente
produz, como compensação, uma atitude de luta e resistência para manter a integridade da
criança. As defesas são construídas em tomo da fixação, o que também engendra inveja, ódio
e competitividade. O núcleo dessas atitudes é, naturalmente, a culpa. Para tal pessoa,
experimentar prazer total é amedrontador. Por quê? Porque a personalidade está ajustada à
experiência negativa e à excitação negativa. Enquanto existem motivos impuros, trapaças,
defesas, culpa e malícia, o princípio de prazer deve ser rejeitado. A pessoa não se sente
merecedora do prazer. Além disso, desde a infância é implantada a idéia de que o princípio do
prazer, em si, é inaceitável. Com essas atitudes, a pessoa considera o prazer insuportável. O
problema peculiar da nossa cultura não é a falta de vontade para experimentar privações e
sofrimentos terríveis enquanto tais. O problema é a forma de resistir à dor das privações e
sofrimentos e sentir que não merecemos prazer. Um casal, por exemplo, pode estar disposto a
atravessar o processo doloroso de uma separação e de um divórcio. Pode haver muito rancor
na divisão de bens e na designação da tutela dos filhos. Mas as duas partes podem se recusar
a sentir a dor e a tristeza do rompimento de seu casamento, assim como não se predispuseram
a sentir prazer durante sua vida em comum. Na medida em que é possível sentir prazer, não
importa que as pessoas trabalhem demais ou que sejam intensas demais. Se as pessoas se
dão o direito de sentir prazer, isso equaliza suas vidas.
O remédio para a dor, então, é sentir prazer. Mas isso é difícil. Mesmo que o prazer
esteja ali, as pessoas não se beneficiam dele porque não acreditam que o mereçam. Todos
nós temos inúmeras oportunidades de sucesso e de dar passos importantes na vida. Mas até
que o não-merecimento seja resolvido não pode haver movimento. Podemos, depois, arrumar
muitas justificativas e racionalizações para o fracasso, mas o problema está na falta de
predisposição para sentir prazer, na fixação na dor.
Um exemplo de como funciona a fixação negativa é a pessoa que tem aspectos
positivos e negativos, categoria que inclui todos nós. Ambos os aspectos estão ligados ao
princípio do prazer. Se a pessoa está envolvida numa relação com outra, o conflito interno
entre os aspectos positivo e negativo integra a relação.

Nessa relação, Arthur é muito criativo e aberto. Mas Betsy não consegue administrar
isso e se toma negativa e contraída. Ela se retrai. Arthur tenta se abrir para Betsy algumas
vezes. Ela continua contraída e fechada. Finalmente, Arthur desiste da relação. Ele se sente
justificado e sente prazer na desistência. Diz: “Eu tentei; eu realmente tentei. Você não se abre,
então é culpa sua.” Então, Arthur começa a se vangloriar, usando os defeitos de Betsy. Investe
mais energia em suas atitudes negativas, que estão ligadas a seu princípio de prazer, que em
seu esforço positivo. Ele se perdeu dentro de si mesmo, identificando-se com sua parte
negativa. Não está predisposto a sentir a dor do desapontamento. Se então Betsy se abrir,
provavelmente Arthur vai se fechar e se afastar. Então, Betsy vai começar a se vangloriar e a
chafurdar no prazer do afastamento dele.
Essa dinâmica ocorre em muitas relações. Demonstra que existem muitas armadilhas
no caminho que leva à capacidade de manter sentimentos positivos. Quando alguém age
errado conosco, muitas vezes nos vangloriamos e exultamos com os erros dessa pessoa.
Sentimos então que precisamos investir muita energia para encobrir o fato de que também
somos negativos. Perdemos a perspectiva na vida e nos rendemos à dor.
É importante, ao tentarmos reconquistar a capacidade para o prazer, podermos colocar
de lado o que outras pessoas fazem para nos machucar. Ao trabalharmos para eliminar
aspectos negativos, o princípio básico é assumir cem por cento da responsabilidade pelo que
aconteceu. Precisamos perguntar – “como participei disso?” – mesmo que a outra pessoa
contribua com 70, 80 ou 99 por cento para a situação. Isso fica complicado quando as pessoas
usam sua percepção e compreensão para torcer e raciona1izar situações. Justificam suas
próprias ações e sentimentos e acreditam que são justificadamente negativas, justificadamente
resistentes ou que estão justificadamente zangadas com sócios, patrões, parceiros,
companheiros. O importante é que as negatividades estão ligadas tanto ao princípio da dor,
quanto ao princípio do prazer.
No princípio da dor, a negatividade está ligada à dor para criar excitação. Quando a
negatividade está ligada ao prazer, existe uma percepção distorcida do que é o prazer. Por
causa desses conflitos intensos enterrados no indivíduo, a personalidade dirige sua criatividade
para duas direções simultâneas. Uma delas é o fluxo da corrente da vida, que contém luz,
crescimento, revelação, união e amor. Outra corrente contradiz e se coloca contra o fluxo
positivo. Essa segunda corrente contém escuridão, estagnação, afastamento, separação e
ódio. O choque das duas correntes produz a tensão.
É uma luta interior semelhante à força de dois carros, presos pelos pára-choques
dianteiros e que aceleram seus motores. Essa força tremenda pode movê-los lentamente,
primeiro em uma direção, depois na outra. A força é, ao mesmo tempo, totalmente mobilizada e
completamente travada. Se os carros continuam assim por muito tempo, vão começar a
quebrar por causa da tremenda tensão. Ocorre o mesmo com os seres humanos. O choque da
energia positiva e negativa, e a repressão da luta gera tensão e pressão. É por isso que a dor,
muitas vezes, é sentida como pressão. No sistema humano, forças tremendas são captadas e
imobilizadas de forma a se moverem lentamente e com grande esforço.

Todos os seres humanos experimentam até certo ponto essa luta entre forças positivas
e negativas, mas o conflito é mais evidente na estrutura masoquista. O masoquista tem
tremendas reservas de energia que buscam constantemente expressão externa. No entanto,
como a mãe a obrigou a aceitar energia demais quando criança, a pessoa masoquista sente os
movimentos de energia como algo perigoso e sufocante. Então, a estrutura defensiva reage
aos movimentos interiores, capturando-os e fazendo-os voltar sobre si mesmos. A pessoa está
constantemente trancada numa intensa luta interior, que muitas vezes produz uma estrutura
física maciça. Se a pessoa predominantemente masoquista não encontrar alguém para
provocar uma explosão que libere a energia, entra em colapso, num pântano de depressão e
desespero. Essa dinâmica interior gera a dor e o apego da pessoa a ela.
As pessoas que sofrem podem pensar que a dor vem de algum outro lugar da doença,
de um acidente, de algum dano. Ou acreditam que sua dor emocional é provocada pelos
outros. Mas, se examinarmos profundamente a situação dolorosa e a nós mesmos, vamos
descobrir a causa dentro de nós. Pode ser difícil acreditar nisso. Um homem sofre um acidente.
A outra parte parece claramente culpada. A vítima diz: “Eu não queria isso. E as contas do
hospital? Por que isso tinha de acontecer comigo?” Para compreender como as pessoas
atraem e se agarram à dor é preciso conhecer um pouco as tremendas forças que estão em
jogo.

O Campo Negativo de Força
A corrente vital, formada de energia e consciência, contém uma força tremenda.É como
um campo de força ou um campo energético. Contém muitas sementes de criação. Em certo
sentido, cria os eventos, padrões, formas e muitas outras variações da experiência. O campo
cria a forma, a natureza e a atividade do corpo físico de cada pessoa. Se o campo é formado
de energia positiva, o corpo é equilibrado e harmonioso. Quando o campo é negativamente
carregado, o corpo fica fora de equilíbrio e bloqueado. O formato do corpo é o retrato da
entidade total do ser humano – as emoções, os processos mentais e o espírito. O conceito de
estrutura física e formação de caráter foi descrito no Capítulo 9. A aparência e a forma física do
corpo é a contrapartida dos conceitos psicológicos da pessoa.
A maneira pela qual a energia é expressa em termos de seus aspectos físicos, idéias,
sentimentos e processos mentais, dá o formato do corpo. O corpo pode ser longo, curto,
grosso, inchado ou muito rígido. Pode ter os movimentos livres ou ser inflexível e preso. Por
exemplo, uma criança que teve seus sentimentos sexuais inibidos pelos pais pode
sobrecarregar a parte superior do corpo, criando um torso e ombros tremendos, equilibrados
sobre uma metade inferior relativamente pequena. Outra pessoa pode desenvolver camadas
de gordura em torno da pélvis para sufocar sentimentos sexuais. Algumas pessoas bloqueiam
e sufocam a raiva com um superdesenvolvimento nas costas e ombros. Essas e muitas outras
características físicas distorcidas são expressas em seres humanos por causa da distorção, em
cada pessoa, de energia e consciência. Nesse sentido, cada um cria seu próprio corpo.

O campo de força humano é como um fantástico vórtice energético. Pode quase ser
comparado a um campo eletromagnético. Mas o campo eletromagnético tem qualidades
diferentes das geradas pela energia e pela consciência. É preciso ainda muito estudo para se
compreender totalmente o campo humano de força. Esse campo de força cria um molde
específico que se relaciona diretamente ao grau de distorção de energia e consciência que
compõem a corrente vital. Depois de fixado, esse molde é muito difícil de quebrar. O campo de
força se perpetua até que a energia e a consciência se modifiquem. Criando o campo, as
pessoas se aprisionam a padrões repetidos, que lhes trazem dor emocional e física.
O campo de,.energia atrai e repele, como um ímã. A pessoa que se sente positiva em
relação à vida atrai muitas reações e sentimentos bons. Os outros sentem suas boas
vibrações, mesmo que a pessoa não faça ou não diga nada. Num humor negativo, a mesma
pessoa vai atrair reações e pensamentos negativos. As pessoas sentem imediatamente
quando alguém está se sentindo negativo ou crítico. As vibrações negativas do campo de força
da pessoa enviam a mensagem: “Fiquem longe de mim; estou zangado e negativo.” Quando
um acontecimento doloroso ocorre como conseqüência da atitude ou comportamento da
pessoa, ela não sabe que atitude ou crença específica criou o acontecimento. Muitas vezes,
essas atitudes são inconscientes. A pessoa diz: “Está louco? É claro que não me cortei de
propósito.” É muito importante compreender o papel das crenças e atitudes inconscientes, das
imagens que foram discutidas antes. Se as atitudes e crenças são conscientes, podem ser
encaradas diretamente e modificadas, modificando assim o campo de energia. Mas se são
inconscientes, as atitudes não podem ser mudadas. O campo de energia continua a criar
situações negativas. Para a pessoa, o fluxo de acontecimentos desagradáveis parece
totalmente fora da área de sua responsabilidade pessoal. Todas as atitudes e idéias podem ser
classificadas. São as idéias falsas que' criam acontecimentos negativos na vida da pessoa.
Precisam ser trazidas à consciência, enfrentadas e descartadas para deixar espaço para idéias
novas e verdadeiras.
Se sondarmos profundamente nosso inconsciente, descobriremos como criamos
situações que aparentemente não desejamos. Imagine novamente um acidente. Alguém sai de
uma travessa e bate no carro de um homem. Ele diz: “Olha só o meu carro. Paguei caro por
ele. É realmente uma injustiça. Como posso ser responsável? Esse cara aparece e amassa
meu carro. É claro que é um acidente, e não minha culpa.”
Mas se ele explorasse mais profundamente suas atitudes inconscientes, descobriria um
lugar onde sente muita culpa por ter um carro novo. Acredita que não o merece. Seus
comportamentos inconscientes e negativos criam culpa nele. Talvez tenha comprado o carro
para impressionar os outros ou para mostrar que é melhor que seus amigos ou colegas. Suas
crenças e desejos inconscientes criam uma energia que complementa a energia de outra
pessoa ou situação. Neste caso, a outra pessoa envolvida no acidente pode ter crenças e
culpas semelhantes. Suas energias se juntam, se amplificam e geram uma crise. Acidentes
não existem. Criamos todos os aspectos de nossas vidas, a dor e o prazer. Geralmente, não
queremos assumir a responsabilidade por nenhum dos dois.

A energia negativa distorce o campo de força. A distorção é paralela às imagens
construídas lá no fundo da mente. Por exemplo, se um menino tem uma mãe cheia de ódio,
forma uma atitude relativa ao ódio em toda as mulheres. Cria, em sua mente, uma imagem
muito profunda de que todas as mulheres são cheias de ódio. A imagem é, na verdade, o
campo de força que vai criar mais tarde, em muitas circunstâncias relacionadas com mulheres.
A imagem vai fazer com que aja, em relação às mulheres, de maneiras repetitivas. Pode
submeter-se e tentar aplacar as mulheres para se defender do ódio esperado. Ou pode se
tomar hostil e agressivo.
Não importa se uma mulher determinada é odienta ou não. Ele as vê dessa forma, por
causa de sua imagem. Suas atitudes defensivas vão atrair o ódio das mulheres para ele. Se é
submisso, vai receber desprezo; se é agressivo, vai receber hostilidade. Sua atitude vai se
transformar em fonte de dor, pois também deseja um relacionamento caloroso e cheio de amor
com uma mulher. Não vai associar à imagem feminina que criou e que permanece
inconsciente, sua solidão e seu relacionamento difícil com mulheres.
Os seres humanos resistem a qualquer mudança em seu campo negativo de força.
Abandoná-lo significa abandonar as atitudes defensivas dentro do campo um empreendimento
muito difícil e bastante ameaçador para a personalidade. As pessoas não querem mudar a
imagem e as percepções originais. Elas são os tijolos e a argamassa da auto-imagem
idealizada. As imagens que as pessoas adotam são feitas de percepção, sensação,
experiência e conhecimento. Esses elementos da imagem tecem um campo de força
semelhante a uma trepadeira. As pontas da “trepadeira” giram em direções opostas, apertando
a pessoa no meio. Retiram energia do corpo físico, aprisionando-a no corpo energético. As
imagens transformam-se em nós na corrente de energia. Esses nós amarram a energia da
pessoa, da mesma forma que uma pessoa muito resistente pode amarrar a energia de muitas
outras pessoas. Com uma ou duas pessoas assim num grupo, a energia de todos fica
amarrada sem que se perceba por quê. O grupo está sendo puxado para baixo pelo peso da
negatividade e da maldade que agem na mente e energia daqueles que resistem.
A energia física pára no corpo físico. A energia mental e espiritual flui ou é bloqueada
num

dos

vários

corpos

energéticos.

Esses

corpos

correspondem

e

preenchem,

essencialmente, o mesmo espaço que o corpo físico. Como foi descrito no Capítulo 7, existem
muitos corpos energéticos. Mas precisamos lidar apenas com três em relação à dinâmica da
dor. Os corpos de energia ocupam essencialmente o mesmo espaço, mas vibram em
freqüências diferentes. O primeiro corpo energético ajusta-se aos órgãos e partes do corpo
físico e os representa. Sua freqüência vibratória é mais alta que a do corpo físico. É esse corpo
que dói quando um órgão ou membro é removido. O corpo energético, com a vibração
imediatamente superior, é o corpo emocional, onde são formadas todas as emoções. O corpo
que é a sede das idéias vibra numa freqüência ainda mais alta.
Esses corpos se interpenetram e existem no mesmo espaço do corpo físico. Quando
uma pessoa é ferida, a dor ocorre nos corpos energéticos, antes de afetar o corpo físico. Se a
dor sofre resistência e é intensificada nos corpos energéticos, fica somatizada. Se o amor é

rejeitado, a pessoa pode sentir uma dor no coração e dizer que está com o coração partido, ou
que seu coração dói.

As Variedades de Dor
O campo de força negativa aprisiona energia nos corpos energéticos e provoca muita
dor. Basicamente, a dor física é criada porque a pessoa enrijece e breca a corrente de vida e
energia no organismo físico. Existem muitas variedades de dor emocional e mental. São
geradas pelas diferentes imagens e crenças que a pessoa mantém. Por exemplo, a pessoa
que acredita que o amor é inseguro ou é uma armadilha, pode criar a dor emocional do ódio.
Quando essa pessoa expressa sentimentos de ódio, os que recebem esse ódio contraem seus
corpos e absorvem energia. Masquem odeia também sente dor. Ela resiste ao fluxo energético
e bloqueia a sua própria energia. O amor é parte do fluxo energético positivo. Esse fluxo é
distorcido e transformado em ódio, que nos faz distorcer nossos corpos físico e energético.
Existe alguma confusão entre ódio e raiva. A raiva não machuca. Ela pode servir como defesa
contra uma dor real, causada por outra pessoa. Uma pessoa não raro tem razão de ficar com
raiva. Mas o ódio é como um punhal. Investe e fere a outra pessoa. O ódio é expresso com a
intenção de ferir, mas a raiva irrompe espontaneamente.
A confusão é outro tipo de dor que ocorre quando o indivíduo não compreende o que
está acontecendo. Por exemplo, quando um terapeuta tenta entender um cliente, nada parece
funcionar. Não há abertura. A pessoa argumenta e o terapeuta acaba se sentindo frustrado. O
cliente está confuso, o terapeuta está confuso e ambos sentem dor. A dor da confusão não é
aguda, mas é crônica e real. É mais como um desgosto ou um mal-estar, um sofrimento que
pode gerar muita raiva. Muitas vezes, aquele que recebe mensagens confusas deseja esmagar
aquele que as envia. A confusão é também intencional. A pessoa não quer assumir a
responsabilidade pelo que está acontecendo e resiste ao fluxo negativo de energia, às
verdades negativas que não quer encarar, gerando assim uma dor ainda maior. Num sentido
bastante real, a confusão é contra a fusão (con/fusão), fragmentando a fusão de energia e
consciência. .
A dor da resistência” à verdade dos sentimentos interiores está relacionada à confusão.
As pessoas que resistem ao melhor de si mesmas experimentam um terrível sofrimento.
Podem negar, por muito tempo, que estão resistindo à verdade. Podem até mesmo negar o
sofrimento. Na verdade, podem nem mesmo ter consciência da dor por muito tempo. Mas
quanto mais é negada, maior a dor se toma. Muitas pessoas negam essa dor por décadas. Por
exemplo, uma jovem deseja ser guarda florestal, mas se casa porque os pais insistem. Finge
que quer realmente se casar, luta por isso e obtém um sucesso relativo. Nega totalmente o
desejo de ser guarda florestal. Mas, ano após ano, a dor da negação cresce. Além disso, vai
provavelmente negar a raiva, o ódio e os sentimentos de vingança que tem em relação aos
pais, a quem culpa pela escolha da carreira. Vai se desprezar por ter abandonado seu desejo.
Essa dor pode irromper em doenças físicas ou emocionais, talvez numa crise que ponha em
risco seu casamento. Quanto mais tempo a dor é negada, maior o colapso quando ela ocorre.

Além de todas as outras dores, a maioria das pessoas sofre da dor da culpa. A dor
resulta do não reconhecimento da verdade. A verdade é que as pessoas que sofrem a dor da
culpa fizeram alguma coisa que não é certa para elas. Essa culpa é real. Mas, geralmente, a
culpa é exagerada e somada a muitas outras culpas, que vêm de experiências anteriores. É
importante para o adulto lidar com as culpas presentes.
Muitas vezes, as culpas antigas são usadas como defesa contra culpas atuais. A
pessoa diz: “Sinto-me tão culpada... Meu pai me rejeitou. Minha mãe era horrível. Olhe como
estou sofrendo.” Enquanto isso, estão sendo tomadas decisões que agridem a verdade interior
da pessoa. O indivíduo evita encarar as atitudes destrutivas e fazer restituições. A culpa não
pode ser simplesmente lavada. A pessoa deve examiná-la para descobrir a intenção negativa
que 'êstá por trás das ações que induziram à culpa. Por que a pessoa se agarra à culpa
antiga? O que está encobrindo? Admitir e liberar a intenção negativa fornece uma
compensação à culpa e limpa a energia.
Uma das dores mais profundas é a da injustiça. Essa dor surge quando falta à pessoa
fé no sentido da vida. Acredita que a vida e o universo - Deus - são caóticos e hostis. Essa
crença gera uma dor crônica e avassaladora. Causa desespero. A pessoa diz: “Por que. isso
aconteceu comigo? Por que estou sendo punido? Deus é cruel. A vida não tem sentido. Perdi
minha mulher. Perdi meu emprego. Sinto muita dor.”
Apesar da dor da injustiça ser provocada pela própria pessoa, ela sente que a injustiça
vem de forças cósmicas, universais e sociais, que estão fora dela. Acredita que não tem nada a
ver com isso. No entanto, como já vimos, quando qualquer dor é examinada profundamente,
alguma conexão será encontrada. Neste exemplo, pode faltar fé à pessoa por causa de
repetidos desapontamentos na infância. Esses desapontamentos geram uma imagem interior
de que a vida não é confiável, de que a injustiça é a natureza do universo. A imagem cria um
campo de força negativa, que atrai situações aparentemente injustas.
Todas essas dores emocionais e mentais são criadas quando a corrente vital é
bloqueada. O movimento e a consciência são bloqueados de maneira a criar um enrijecimento,
uma tensão na pessoa. Na dor da injustiça, por exemplo, a pessoa não acredita que o fluxo
livre de vida vai trazer prazer. Quando tenta desviar ou barrar o fluxo de experiência e energia
vital, busca afastar as injustiças que acredita - virão. Quer que a corrente vital flua em canais
seguros e conhecidos. Mas ao tentar resistir ao fluxo, a pessoa sutilmente se enrijece e exerce
uma pressão que entra em conflito com a energia que está fluindo no seu interior. A dor é
causada, basicamente, pela crença num universo injusto.